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<p>O Estado e a política pública</p><p>Prof.ª Inês Barbosa de Oliveira</p><p>Descrição</p><p>Conceituação de política pública, sua tipologia e trajetória histórica. Noções de povo, cidadão e</p><p>Estado e sua evolução. Apresentação das políticas educacionais como aplicação de uma política</p><p>pública, abordando tipos, processos e agendas. Análise dos modelos de Estado e das diferentes</p><p>compreensões das políticas públicas.</p><p>Propósito</p><p>Compreender a noção de política pública e sua tipologia a partir da trajetória histórica das</p><p>sociedades organizadas, bem como suas formas de regulação política e normatizações principais.</p><p>Reconhecer os modelos de Estado e seus modos de entendimento das políticas públicas, situando</p><p>as políticas educacionais no contexto governamental e estatal de tais políticas.</p><p>Preparação</p><p>Antes de iniciar o conteúdo deste tema, tenha em mãos um exemplar (físico ou digital) da</p><p>Constituição Federal de 1988, um dicionário de política e um dicionário de políticas públicas.</p><p>Objetivos</p><p>Módulo 1</p><p>Conceitos fundamentais de ciência política contemporânea</p><p>Identificar o conceito histórico de política pública e sua pluralidade.</p><p>Módulo 2</p><p>Implementação de políticas públicas e o papel do Estado</p><p>Reconhecer tipos e processos de formulação e implementação de uma política pública.</p><p>Introdução</p><p>Este tema volta-se para o estudo das políticas públicas e de elementos das políticas educacionais</p><p>no Brasil. Você será apresentado ao conceito de política pública e verá de que modo a evolução</p><p></p><p>das sociedades e dos modelos de Estado nos trouxeram até essa formulação, que ganhou</p><p>conteúdo e importância na segunda metade do século XX.</p><p>Para entender o conceito de política pública e suas variações, propomos um estudo histórico das</p><p>diferentes formas de organização da sociedade e seus modos de regulação e de estruturação de</p><p>políticas até o Estado moderno, passando pela consolidação do capitalismo liberal e suas</p><p>variações ao longo dos séculos, pelo Estado do bem-estar e pelo neoliberalismo contemporâneo.</p><p>Identificar o conceito de política pública, sua tipologia e seus processos de formulação é</p><p>importante para conhecer o modo como as políticas públicas são formuladas, implementadas e</p><p>modificadas por diferentes governos conforme suas propostas e intencionalidades próprias e para</p><p>distinguir políticas de governo e políticas de Estado, conhecimento fundamental para o estudo das</p><p>políticas públicas.</p><p>1 - Conceitos fundamentais de ciência política</p><p>contemporânea</p><p>Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car o conceito histórico de política</p><p>pública e sua pluralidade.</p><p>De�nição de política pública</p><p>A política pública</p><p>A noção de política pública possui duas vertentes fundantes, ambas apoiadas em tradições</p><p>europeias e complementares:</p><p>Constituída por análises sobre o Estado e suas instituições.</p><p>Pautada no indivíduo e na sua manifestação em meio à coletividade.</p><p>Vamos entender cada vertente:</p><p>Primeira de�nição</p><p>A área de política pública vai surgir como um desdobramento dos</p><p>trabalhos baseados em teorias explicativas sobre o Estado e sobre o</p><p>papel de uma das mais importantes instituições do Estado, ou seja, o</p><p>governo, produtor, por excelência, de políticas públicas.</p><p>(SOUZA, 2006)</p><p>A noção trazida por Souza é de extrema relevância, uma vez que indica importante distinção, nem</p><p>sempre considerada, entre Estado e governo, fundamental para a compreensão deste tema.</p><p>Segunda de�nição</p><p>Também com Souza (2006) percebemos que:</p><p>[...] enquanto área de conhecimento e disciplina acadêmica, o conceito</p><p>de política pública nasce nos EUA, (...) sem estabelecer, contudo,</p><p>relações com as bases teóricas sobre o papel do Estado, passando</p><p>direto para a ênfase nos estudos sobre a ação dos governos.</p><p>(SOUZA, 2006)</p><p>Sabe-se também que não existe uma única, nem melhor, definição sobre o que seja uma política</p><p>pública. Distintos autores a abordaram e produziram, ao longo das últimas décadas, diferentes e,</p><p>por vezes, conflitantes definições.</p><p>Podemos, no entanto, estabelecer que seu estudo nos leva a compreender, mesmo que</p><p>parcialmente, os processos envolvidos na definição das ações governamentais. Da mesma</p><p>maneira, colabora para o entendimento de diferentes interesses, necessidades e possibilidades</p><p>envolvidos, mostrando o quanto são influenciados e influenciam a vida cotidiana, com maior ou</p><p>menor cooperação e envolvimento de instâncias do Estado e da sociedade civil.</p><p>As políticas públicas conhecidas atualmente nasceram da junção de experiências de muitos</p><p>séculos de convivência social e do processo evolutivo das sociedades.</p><p>De reuniões tribais para se defender dos perigos da natureza, o homem evoluiu para a</p><p>formação de grupos organizados.</p><p>Os grupos passaram a decidir coletivamente o que e como fazer o necessário para a</p><p>comunidade. Antes, portanto, da necessidade de designação de lideranças responsáveis por</p><p>decidir em nome do grupo, a humanidade já desenvolvia ações solidárias voltadas ao bem-</p><p>estar comum. A partir daí, e em função de novas necessidades advindas da complexificação</p><p></p><p>da estrutura social, como novas demandas, conflitos e interações intergrupais, surgiram</p><p>outras exigências de organização.</p><p>É na necessidade de canalização de esforços coletivos para a estruturação e gestão das</p><p>demandas e expectativas de uma sociedade que se encontram as bases das políticas públicas.</p><p>Estado</p><p>Como expressão intelectual dos princípios que passaram a reger o Estado moderno capitalista, no</p><p>mesmo período histórico, foram cunhadas duas noções que nos acompanham até a atualidade:</p><p>Estado (Thomas Hobbes) e indivíduo livre (John Locke).</p><p>Noção de Estado</p><p>Esta noção, formulada por Thomas Hobbes (1588-1679), define o Estado como responsável pela</p><p>proteção da propriedade e dos mais “fracos” contra a lei do mais forte.</p><p>Hobbes parte do pressuposto de que os homens em estado de natureza, no qual nascem, seriam</p><p>excessivamente livres, o bastante para não frearem impulsos nocivos aos demais, de onde advém</p><p>a máxima: “o homem é o lobo do homem”.</p><p>ohn Locke</p><p>O pensador inglês é chamado muitas vezes de pai do liberalismo. É conhecido pela sua teoria de que o</p><p>homem é uma tábula rasa, ou seja, nasce sem predisposições e são as experiências que o preenchem.</p><p>No entanto, devemos destacar sua concepção sobre liberdade individual e ação do sujeito como</p><p>senhor de si para pensar as relações expostas no texto.</p><p>Thomas Hobbes.</p><p>Para superar esse estado, por meio do contrato social, os homens renunciariam à sua liberdade em</p><p>nome dessa proteção oferecida pelo Estado, a quem entregariam todo o poder em nome da</p><p>proteção.</p><p>Considerados pais do pensamento liberal, Hobbes e Locke formularam ideias centrais ao</p><p>estabelecimento das sociedades modernas europeias e do sistema capitalista ao situarem o</p><p>Estado como responsável pela segurança e os sujeitos como indivíduos livres, condição essencial</p><p>para consolidar a noção de cidadania moderna. Essa mudança de prisma configura:</p><p>os primeiros passos daquilo que chamamos comumente de ‘direitos</p><p>humanos’ (...) [e] nos abriu a possibilidade histórica de um Estado de</p><p>direito, um Estado de cidadãos, regido não mais por um poder absoluto,</p><p>mas sim por uma Carta de Direitos.</p><p>(PINSKY; PINSKY, 2003)</p><p>Noção de indivíduo livre</p><p>A segunda noção, a de indivíduo livre, formulada por John Locke (1632-1704), complementa e</p><p>corrige a primeira. Complementa ao se manter na perspectiva de compreensão de um Estado</p><p>formado a partir do contrato social e de que este, aceito pelos cidadãos livres, regularia as relações</p><p>Estado/cidadão.</p><p>Corrige ao limitar o poder do Estado nessa relação com os indivíduos, livres e detentores de</p><p>direitos contra possíveis desmandos do Estado, receita padrão do pensamento liberal.</p><p>homem é o lobo do homem</p><p>A expressão cunhada por Hobbes é evidenciada em uma de suas principais obras: O Leviatã. O livro</p><p>confirma o princípio de conflito entre os indivíduos e a necessidade de formas do contrato social</p><p>garantidas pelo governo.</p><p>John Locke.</p><p>Estavam abertas as portas para uma tradição que se pautasse pela</p><p>defesa</p><p>da liberdade do indivíduo, limitando politicamente os poderes</p><p>estatais. Chegava a hora do liberalismo e sua defesa implacável dos</p><p>direitos civis.</p><p>(PINSKY; PINSKY, 2003)</p><p>É esse modelo de Estado que vai se consolidar com a Revolução Industrial e prevalecer ao longo</p><p>do século XIX e nas primeiras décadas do século XX, assumindo economicamente o perfil de um</p><p>capitalismo liberal, pouco regulado pelo Estado.</p><p>O modelo de Estado passou a ser questionado depois do colapso econômico de 1929, uma crise</p><p>mundial de superprodução – maior volume de bens disponíveis do que compradores possiveis –</p><p>que foi impactante, em especial nos Estados Unidos, e afetou toda a cadeia da economia global</p><p>após a Primeira Guerra Mundial, colocando a população em uma circunstância de miserabilidade e</p><p>diante da perda de direitos sociais. Isso exigiu dos Estados nacionais mudanças de rumos em</p><p>relação à gestão da economia.</p><p>Novas e relevantes reflexões no campo da teoria política levaram a mudanças de rumo promovidas</p><p>por estadistas de diferentes países (o Holocausto, por exemplo). Antes que se consolidassem</p><p>amplamente as novas políticas, a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) eclodiu, causando mais</p><p>danos e levando a questionamentos de ordem humanitária e a grandes mudanças geopolíticas.</p><p>evolução Industrial</p><p>Termo histórico que define a mudança das relações de trabalho a partir do século XVIII, fruto da</p><p>mecanização e das novas formas de circulação.</p><p>A chegada dos judeus húngaros em Auschwitz.</p><p>É no cenário do pós-guerra que surge a noção de Estado de bem-estar social, um modelo de</p><p>organização em que o Estado se encarrega da promoção social e da regulação da economia. Essa</p><p>concepção emerge da necessidade de resposta aos problemas do liberalismo, pensamento</p><p>econômico que prega a participação mínima do Estado na economia.</p><p>Comentário</p><p>Muitos defensores do Estado de bem-estar social criticam esse modelo, por sua impossibilidade de</p><p>promover justiça e bem-estar social. Defensores do liberalismo, e de sua nova versão, conhecida</p><p>como neoliberalismo, acreditam que a intervenção do Estado na economia e o investimento em</p><p>políticas sociais são gastos desnecessários que, muitas vezes, comprometem o equilíbrio das</p><p>contas dos Estados.</p><p>eoliberalismo</p><p>O neoliberalismo é uma linha de estudos político-econômicos. Fundado por membros da escola de</p><p>Chicago, propõe uma revisão do papel do Estado e tem fortes críticas à intervenção econômica, a não</p><p>ser para garantir a própria liberdade econômica. A ideia é de que não é função do Estado intervir em</p><p>tudo o que é produto e possui interesse de mercado.</p><p>A crise econômica e social dos anos 1930, decorrente da Crise americana de 1929, que afetou</p><p>especialmente a Europa – dependente da economia americana e dos planos de recuperação</p><p>mantidos pelos estadunidenses –, torna-se um problema para a sociedade como um todo e,</p><p>portanto, um problema público.</p><p>As propostas dos pensadores ligados ao conceito de Estado do bem-estar social reconhecem a</p><p>necessidade de intervenção do Estado, que passa a ser percebido como responsável pela definição</p><p>de políticas voltadas ao bem-estar público, ou seja, as políticas públicas.</p><p>Mesmo sob o risco de contrastarmo-nos com outras possibilidades, ensaiamos, com base em</p><p>Augustinis (2011), trazer uma definição de política pública.</p><p>Mas como de�nir o que se entende por políticas públicas?</p><p>Souza (2007) afirma não existir uma única, nem melhor, definição sobre o que seja uma política</p><p>pública.</p><p>Uma definição possível é a que estabelece a política pública como a construção de conhecimento</p><p>que tem como objetivo viabilizar as ações do governo, analisando e, quando necessário, propondo</p><p>mudanças no rumo dessas ações.</p><p>[...] a formulação de políticas públicas constitui-se no estágio em que</p><p>governos democráticos traduzem seus propósitos e plataformas</p><p>eleitorais em programas e ações, que produzirão resultados ou</p><p>mudanças no mundo real.</p><p>(SOUZA, 2007)</p><p>Uma breve história do Estado</p><p>A primeira organização de um sistema de leis data do século XVIII a.C. É o Código de</p><p>Hamurábi, um código legislativo sumério – região da Mesopotâmia – considerado</p><p>um dos primeiros códigos legislativos do mundo e uma das marcas claras de</p><p>criação do Estado e do qual consta a famosa máxima da Lei de Talião, “olho por</p><p>olho, dente por dente”.</p><p>Outras civilizações antigas também se destacaram, com seus códigos e suas</p><p>normas próprias, como a egípcia, a indiana e seu sistema de castas e a chinesa. Não</p><p>se pode deixar de registrar a história do povo hebreu, com senso de predestinação</p><p>divina, do qual advêm as três mais difundidas religiões monoteístas do mundo: a</p><p>judaica, a cristã e a islâmica. Todas essas religiões, em algumas de suas variações,</p><p>propõem normas comportamentais que reverberam na organização social e, em</p><p>alguns casos, chegando à gestão do Estado, como ocorreu na Europa Medieval com</p><p>o cristianismo e ocorre, atualmente, em alguns países de religião majoritariamente</p><p>muçulmana.</p><p>Dentre todas as civilizações antigas, a greco-romana foi a que mais marcou</p><p>presença nas atuais civilizações. O conceito de pólis, a cidade-Estado grega,</p><p>constitui o berço da concepção de política, termo que se define como a gestão da</p><p>pólis (A palavra política tem origem nos tempos em que os gregos nomeavam como</p><p>pólis as suas cidades-Estados, nome do qual derivaram palavras como politiké</p><p>(política em geral) e politikós (dos cidadãos, pertencente aos cidadãos). Estenderam-</p><p>se ao latim politicus e chegaram às línguas europeias modernas através do francês</p><p>politique e, em 1265, era definida nesse idioma como "ciência dos Estados".).</p><p>A chegada da modernidade não rompe com a dinâmica do poder personalista e sua base de apoio</p><p>divinizada. Figuras como Luís XIV (1638-1715) e sua máxima “O Estado sou eu” expressam com</p><p>precisão as relações do Estado com a sociedade. Nesse período dos Estados absolutistas, o</p><p>Estado se confundia com seus gestores, percebidos como enviados de Deus e, portanto, como</p><p>seres superiores ao povo sobre o qual exerciam o poder.</p><p>Luis XIV.</p><p>Não cabia ao Estado prestar contas de seus atos aos cidadãos nem a responsabilidade efetiva de</p><p>construção de políticas de atendimento às necessidades de suas populações.</p><p>O Iluminismo e seus pensadores representam uma proposta de ruptura do Estado absolutista –</p><p>uma tendência à busca de dois fenômenos essenciais:</p><p>bsolutista</p><p>Absolutismo é um sistema de governo aristocrático, no qual o rei estava no topo da hierarquia. Esse</p><p>modelo tem como maior ícone a França e ficou conhecido como Antigo Regime.</p><p></p><p>O reconhecimento coletivo de pertencimento a um Estado, não</p><p>mais à concepção de súdito.</p><p></p><p>Durante a Idade Média, a Igreja e o Estado não operavam separadamente no mundo</p><p>ocidental. As concepções de poder – de forte relação pessoal – passava pela</p><p>legitimidade religiosa e o reconhecimento das duas forças presentes na liderança</p><p>política.</p><p>A possibilidade da participação política efetiva.</p><p>De ideias como o poder tripartido – Legislativo, Executivo e Judiciário – de Montesquieu (1689-</p><p>1755) e da necessidade da burocracia política para garantir a representatividade coletiva, expressa</p><p>na defesa dos pensadores James Madison (1751-1836), Thomas Jefferson (1743-1826) e</p><p>Alexander Hamilton (1755-1804) nos artigos de O Federalista, nascem as bases do Estado-nação.</p><p>Ainda que filhos das concepções à crítica iluminista, a consolidação dos Estados-nação se dá em</p><p>meio à formulação e consolidação do sistema capitalista, da urbanização e, portanto, de novas</p><p>formas de organização da sociedade e do Estado, a partir das quais a política se modifica. Nesse</p><p>momento, é intensificado o sentido de noção de política pública, apartado dos princípios de</p><p>caridade e benevolência, para ações que pudessem promover aos Estados acúmulo de capital.</p><p>Federalista</p><p>O Federalista é uma obra composta por 85 artigos defendendo a concepção de que os Estados</p><p>mantivessem sua autonomia política, ainda que fossem associados por princípios básicos e</p><p>inquestionáveis, fundando a</p><p>concepção de uma Constituição direta e estreita enquanto formulação,</p><p>mas que mantivesse o preceito da ação individual de cada uma das províncias a ela associada.</p><p>Comentário</p><p>Existem muitas definições sobre capitalismo, mas adotamos a concepção de Adam Smith (1723-</p><p>1790), o qual entende que o capitalismo é definido pelo estabelecimento de uma economia de</p><p>mercado, livre, fundada nas livres negociações, na possibilidade de os indivíduos competirem e</p><p>crescerem em busca do acúmulo de capital. O capitalismo é a disputa para que homens busquem</p><p>sua acumulação de capital, permitindo assim gozar de forma mais efetiva sua plena liberdade.</p><p>Entre a Revolução Industrial e as revoluções burguesas dos séculos XVII e XVIII, marcos</p><p>fundamentais na história da organização do Estado e para o desenvolvimento de políticas e</p><p>reconhecimento de direitos sociais são lançados.</p><p>Seria ação política, a busca de uma guerra, uma vitória militar que anexe um novo espaço à nação</p><p>– diferente da dinâmica colonialista – uma política pública? Sim, mas bem diferente ainda das</p><p>funções de Estado e política pública que conhecemos.</p><p>Exemplo</p><p>A primeira dessas revoluções que nos levam à criação de Estados-nação é iniciada na Inglaterra no</p><p>século XVII. A Revolução Inglesa marca a disputa de forças antagônicas e a pressão da burguesia.</p><p>Concretamente, acabou fracassando, embora seja reconhecida por ter sido iniciada por Oliver</p><p>Cromwell em 1640, que instauraria uma República no país, questionando o absolutismo, a</p><p>monarquia e a proximidade dos monarcas com Deus, concluindo com o retorno da monarquia em</p><p>1688 de modo negociado e conciliatório e, sobretudo, constitucional e com maior relevância do</p><p>Parlamento.</p><p>Esse movimento é entendido por historiadores e estudiosos do campo da ciência política como o</p><p>primeiro momento relevante na transição de um governo que pauta sua relação entre o Estado –</p><p>não mais como sinônimo de um monarca poderoso – e a nação, mantido pelo reconhecimento do</p><p>papel da monarquia como uma tradição local.</p><p>A negociação permite que o comando do governo passe a uma atuante classe burguesa, associada</p><p>a uma desgastada classe nobiliárquica, que opta pelo estímulo ao acúmulo de capital e à</p><p>valorização do fenômeno e mecanização, por isso chamado de primeiro Estado a ter consolidado o</p><p>capitalismo industrial.</p><p>É nesse período que Thomas Hobbes e John Locke formulam suas principais ideias, ainda</p><p>relevantes, que darão a sustentação teórico-política ao desenvolvimento e à consolidação do</p><p>capitalismo liberal.</p><p>Ratificação do Tratado de Münster (1648), que inaugurou o moderno sistema internacional ao acatar princípios como a soberania</p><p>estatal e o Estado-nação.</p><p>É interessante notar que a primeira manifestação de União, de divisão de poderes entre estados,</p><p>municípios e governo central, se manifesta no século XVII após um grande conflito entre as casas</p><p>nobiliárquicas na região de Áustria e Alemanha quando, em um acordo para pôr fim ao conflito, foi</p><p>proposto o complexo sistema. Esse documento é conhecido como a assinatura da Paz de</p><p>Westfália.</p><p>O caso da independência americana, por exemplo, apesar de se constituir como uma batalha</p><p>contra o inglês colonizador, assumia entre os ideais independentistas a mesma noção de cidadania</p><p>como objetivo da luta pela obtenção de igualdade para alguns – os merecedores. Da distinção</p><p>sanguínea se passa à distinção financeira.</p><p>Proclamada no período inicial da Revolução Francesa, em 26 de agosto de 1789, a Declaração dos</p><p>Direitos do Homem e do Cidadão e seu famoso artigo 1º, que dispõe: “os homens nascem e</p><p>permanecem livres e iguais em direitos”, simboliza para muitos o verdadeiro início do</p><p>reconhecimento da cidadania e dos direitos a ela associados: a liberdade, o direito à propriedade, a</p><p>segurança e a resistência à opressão.</p><p>Seguindo os passos das formulações liberais de Hobbes e Locke, a Declaração entende a liberdade</p><p>individual como direito de fazer tudo que não prejudique os outros e o direito à propriedade como</p><p>um direito natural, entre muitas questões relevantes e atualmente aceitas como verdadeiras.</p><p>Mesmo com os períodos complicados que enfrentou até sua consolidação em 1871, a Revolução</p><p>Francesa permanece como o símbolo da cidadania moderna, marcando uma nova relação entre</p><p>Estado e cidadão, baseada em direitos e deveres recíprocos e em valores – liberdade, igualdade e</p><p>fraternidade – que deveriam promover a justiça e o bem-estar social. O Estado Moderno, portanto,</p><p>é produto de múltiplas e diferentes ideias, de processos sociais e políticos distintos, de conflitos e</p><p>acordos entre sujeitos históricos, classes sociais, pensadores e governantes.</p><p>É importante lembrar que o momento político – auge do imperialismo e do</p><p>domínio europeu – fez com que os fenômenos ingleses e franceses</p><p>influenciassem todo o mundo.</p><p>A consolidação dos meios urbanos, da industrialização, modifica terrivelmente as relações</p><p>políticas no início do século XX. A função do Estado e a noção de nação são postas à prova e</p><p>mostram fôlego com os conflitos da Primeira Guerra Mundial e da Segunda Guerra Mundial.</p><p>Os ideais em ambos os conflitos passaram pelo nacionalismo, a extrema valorização</p><p>da defesa do país, materializado por símbolos e valores, tidos como individuais. Ao</p><p>mesmo tempo passam a ser políticas de Estado a consolidação de exércitos, a</p><p>definição e defesa de fronteiras, os investimentos em infraestrutura e tecnologias.</p><p>O Estado defende seus cidadãos, protege a soberania, incentiva a economia. A</p><p>compreensão desse fenômeno, ainda que parcialmente, é fundamental para o estudo</p><p>d líti úbli t i f l õ i d ã</p><p>Uma breve história do Estado</p><p>das políticas públicas atuais, mesmo que nessas formulações ainda não se possa</p><p>perceber o que atualmente se considera que elas sejam.</p><p>A própria ideia de política pública e, mais ainda, seu reconhecimento como</p><p>necessidade social são bem mais recentes e advêm, precisamente, do que se</p><p>considera ser problemático no modelo liberal de Estado, a saber, sua incapacidade</p><p>de produzir o prometido bem-estar social, assegurando liberdade individual e</p><p>igualdade entre os cidadãos.</p><p>As cidades passam a ser marcadas pelos trabalhadores, membros da indústria, e</p><p>sua própria forma de fazer pressão nesses estados capitalistas. Seja por</p><p>associações diretas, manifestações urbanas ou exigência de mais direitos políticos,</p><p>marcam uma mudança lenta e contraditória da função e do papel do Estado.</p><p>Ao fim da Segunda Guerra Mundial, a situação é marcante: de um lado a URSS com</p><p>um Estado muito forte, tutelando todos os aspectos possíveis, do outro lado o</p><p>mundo capitalista – liderado pelos Estados Unidos –, percebendo que a atuação do</p><p>Estado e a execução de políticas públicas voltadas a questões sociais poderiam</p><p>apaziguar seus conflitos externos e internos.</p><p></p><p>Neste vídeo, mostraremos uma breve história do Estado.</p><p>A política pública: caminhos contemporâneos</p><p>Política pública na atualidade</p><p>O problema identificado desde 1930, ainda efetivo na maior parte do planeta em relação ao</p><p>exercício efetivo da cidadania com liberdade, igualdade e fraternidade a ser assegurada, ou pelo</p><p>menos buscada pelo Estado é, certamente, um problema público, que é tudo aquilo que diz respeito</p><p>aos interesses da sociedade em geral.</p><p>Em 1945, isso se torna uma discussão mundial. A criação de órgãos internacionais aumentou a</p><p>pressão para que algumas demandas fossem tidas como universais, fato associado ao quadro</p><p>interno da política pública.</p><p>De um lado do mundo bipolar da Guerra Fria, o Estado de bem-estar social capitalista levava a cabo</p><p>a percepção de que é função do Estado cuidar e ser mantenedor de políticas públicas.</p><p>A discussão central é: Como é gerada uma política pública? Será uma</p><p>demanda do público e o governo a mantém? Ou uma decisão de governo</p><p>para gerir o Estado? Ou ainda uma imposição internacional?</p><p>Podemos dividir as políticas públicas em dois blocos:</p><p>Ligadas a alguma carência ou excesso que existe na sociedade</p><p>O horário de pico, quando muitos carros vão na mesma</p><p>direção causando congestionamentos e</p><p>prejudicando a circulação de pessoas e produtos; uma infestação do mosquito Aedes aegypti,</p><p>transmissor da dengue e de outras doenças; uma escassez de alimento, ou diversos problemas,</p><p>como desmatamento, desastres naturais e outros. Fazendo um paralelo entre a política pública e a</p><p>ciência médica, nesses casos, o problema público é como se fosse uma doença do organismo</p><p>social e a política pública, a escolha do modo de tratamento desse desajuste, sendo, portanto, uma</p><p>tentativa de intervenção para o enfrentamento de um problema público.</p><p>Relacionadas a responsabilidades comuns dos governos</p><p>As políticas econômica, de habitação, saúde, educação e outras não se tratam da resolução de um</p><p>problema específico, mas do estabelecimento de ações apropriadas e as etapas de sua efetivação</p><p>de modo a otimizar as possibilidades de seguir os rumos considerados desejáveis para a</p><p>sociedade em relação aos diferentes temas que envolvem a gestão pública.</p><p>Ou seja, um problema público pode estar relacionado a áreas diversas, tais como, meio ambiente,</p><p>economia, gestão pública, saúde, educação, habitação, circulação e outras.</p><p>No caso dos congestionamentos no horário de pico, é possível abordar o problema de formas</p><p>diferentes, sempre pontuais, tais como: alargar a pista, fazer mãos invertidas para melhorar o fluxo,</p><p>cobrar um pedágio para inibir o uso do transporte particular e priorizar o transporte público, entre</p><p>outras medidas possíveis.</p><p>Em outros casos, as demandas mais complexas exigem medidas mais sofisticadas, envolvendo</p><p>diferentes agentes públicos, como no caso da infestação por Aedes aegypti, que exige a</p><p>participação de múltiplos agentes, públicos e privados, e políticas de saneamento, de gestão dos</p><p>locais, de esclarecimento da população, entre outras.</p><p>De um modo ou de outro, pode-se dizer que política pública é uma diretriz voltada para a resolução</p><p>de um problema público.</p><p>Congestionamento no horário de pico.</p><p>Combate ao mosquito Aedes aegypti.</p><p>Mas é preciso ficar claro que uma política pública não é exclusiva de um governo, do poder público.</p><p>Há várias formas de se operacionalizar políticas públicas, envolvendo diferentes sujeitos e</p><p>instâncias, de acordo com o problema a ser enfrentado.</p><p>Precisamos, portanto, compreender os objetivos das instâncias da administração pública</p><p>envolvidas na definição dessas políticas e o modo como se dá o processo de formulação e</p><p>implementação de uma política pública. Para tal, faz-se necessário diferenciar problemas simples</p><p>de problemas complexos, compreendendo as distinções entre eles e as exigências que colocam ao</p><p>poder público e à sociedade civil.</p><p>De acordo com o tipo de problema, a política pública a ser implantada pode ser mais pontual –</p><p>como em alguns dos casos mencionados anteriormente – ou envolver diferentes agentes e</p><p>conhecimentos que produzirão, conjuntamente, orientações para a ação.</p><p>Comentário</p><p>Muitas vezes pensa-se que a política pública se dá a partir da legislação e que esta expressa uma</p><p>solução, como os casos da Lei de Responsabilidade Fiscal, Lei de Licitações, Lei de Diretrizes e</p><p>Bases da Educação e do Código de Trânsito. Todas essas leis são instrumentos de políticas</p><p>públicas e buscam regular a sua implantação.</p><p>Mas existem outras formas de implementação de políticas públicas, voltadas a induzir o exercício</p><p>da cidadania responsável, estabelecendo diálogos entre o Estado e seus cidadãos. É o caso de</p><p>campanhas, como, por exemplo:</p><p>Agasalho</p><p>Aleitamento materno</p><p>Doação de órgãos</p><p>Vacinação</p><p>Ainda com relação a campanhas, algumas são definidas por e para a ação do Estado, como foram</p><p>as campanhas de alfabetização de adultos implementadas no Brasil até 1970. O Movimento</p><p>Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) foi um órgão do governo brasileiro, durante a Ditadura Militar.</p><p>É importante saber a diferença entre política pública originária de:</p><p>Uma política de Estado</p><p>Uma política que independe de quem está no governo e que é amparada pela Constituição</p><p>Federal e por outras leis, configurando-se como uma política de caráter mais estrutural.</p><p>Política de governo</p><p>Aquela iniciativa que faz parte de um programa do governo que está no poder em cada</p><p>momento da sociedade e é, portanto, mais conjuntural.</p><p>A confusão entre uma e outra pode trazer sérios problemas à sociedade, já que pode comprometer</p><p>a continuidade de ações necessárias ao bom funcionamento geral do sistema político e social em</p><p>virtude de desacordos entre grupos de interesse em diferentes momentos históricos.</p><p>Não confundir o Estado, instituição permanente constitucionalmente regulada, com os governos,</p><p>que se sucedem na gestão da coisa pública, modificados periodicamente e dependentes das</p><p>forças sociais e políticas que os elegem e com cujos projetos e ideais têm compromisso, mas que</p><p>devem, também, assegurar o respeito às instituições e normas do Estado, no caso brasileiro, o</p><p>Estado democrático de direito.</p><p></p><p>Falta pouco para atingir seus objetivos.</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1</p><p>As muitas definições de política pública não mudam em relação a uma questão: a de que elas</p><p>envolvem a definição das ações governamentais na gestão da sociedade, seus problemas e</p><p>conflitos. Ao longo de diferentes momentos históricos, as compreensões de como e com base</p><p>em que essas ações seriam desenvolvidas mudaram muito. Cite algumas dessas</p><p>compreensões a partir das aprendizagens deste módulo.</p><p>I - A pólis grega e a democracia ilimitada, uma vez que seu entendimento de demokratia era</p><p>vinculado à ideia de que o homem é em si um ser político e precisa dessa participação.</p><p>II - O Senado romano e a participação política dos romanos fundamentavam-se na ideia de</p><p>público, algo que deveria ser administrado nesse princípio.</p><p>III - O absolutismo é uma corrente política aristocrática presente intensamente na Europa</p><p>moderna. Um dos seus preceitos mais importantes era a teologia política.</p><p>IV - O liberalismo econômico é uma tese política elaborada por John Smith e prega a</p><p>necessidade de políticas individualistas e contratualistas.</p><p>Estão corretas somente:</p><p>A Apenas I e II.</p><p>B Apenas I e IV.</p><p>Parabéns! A alternativa C está correta.</p><p>A questão é interessante para pensar sobre a história do espaço público. Repare, entre os</p><p>gregos, que a praça pública era fundamento – mas mesmo assim não era ilimitada, tinha uma</p><p>cidadania de cunho reduzido. Já os romanos – e se adotamos romanos, estamos falando em</p><p>um recorte de cidadãos – preocupavam-se em aprender sobre política e entender a lógica de</p><p>que a lei era pública – atendendo cidadãos e não cidadãos, por isso público e expresso na lei</p><p>de XII Tábuas. Na modernidade, os pensadores políticos buscavam explicar e justificar o</p><p>sentido do poder – no caso o dos reis –, gerando uma explicação coletiva e pública de sua</p><p>existência. O liberalismo, em contraponto, é uma doutrina econômica, que fala da liberdade do</p><p>indivíduo, não exatamente um fundamento político.</p><p>Questão 2</p><p>Pensar em conceitos é um elemento fundamental para definição de Estado e relações políticas</p><p>no Estado. Assim, os debates são dados a paixões e posições transversais. Esse é um</p><p>exemplo presente no entendimento de soberania. A soberania, o povo, o território e a finalidade</p><p>são características descritivas do conceito de:</p><p>C Apenas II e III.</p><p>D Apenas III e IV.</p><p>E Apenas a I é correta.</p><p>A Poder político.</p><p>B Nação.</p><p>Parabéns! A alternativa D está correta.</p><p>A partir da definição de Estado moderno, que rompe com a tradição do personalismo do poder</p><p>e do Estado do período anterior, são inaugurados os fundamentos relacionados à Revolução</p><p>Francesa e às revoluções burguesas, além da consolidação do sistema capitalista. Nesse</p><p>sentido, é consolidado um novo modelo de Estado.</p><p>2 - Implementação de políticas públicas e o papel</p><p>do Estado</p><p>C Política pública.</p><p>D Estado Moderno.</p><p>E A nação federalista.</p><p>Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer tipos e processos de</p><p>formulação e implementação de uma política pública.</p><p>Tipologias do Estado</p><p>Políticas e decisões de Estado</p><p>Definir uma política pública não é tarefa simples, como vimos no módulo anterior. São inúmeras</p><p>variáveis e possibilidades que devem ser consideradas. A qualidade de uma política pública</p><p>depende de sua capacidade de atingir seus objetivos, que lhe exigem, por definição, servir a todos</p><p>os cidadãos, que são diferentes em anseios e necessidades.</p><p>Buscando distinguir políticas de Estado de políticas de governo e compreender alguns dos</p><p>problemas do Brasil contemporâneo à luz dessa distinção, este módulo analisa o Brasil</p><p>contemporâneo por meio de exemplos de políticas educacionais, representativos de embates e</p><p>mudanças de rumo vividos nos últimos 20 anos de nossa história.</p><p>Exemplo</p><p>O exemplo de algumas políticas educacionais, notadamente a política de formação docente e a</p><p>instituição de bases nacionais curriculares, serve de demonstração concreta de alguns dos</p><p>conceitos e problemas centrais aqui tratados.</p><p>Neste módulo, analisaremos, do ponto de vista das políticas educacionais, o contexto teórico de</p><p>compreensão e formulação de uma política pública, observando, em seus processos de</p><p>implementação, as dificuldades e possibilidades em relação aos conceitos estudados.</p><p>São diferentes tipos de políticas, com destinações, objetivos e processos distintos. Ou seja, as</p><p>políticas públicas possuem objetivos, abrangências e metas diferentes e são, por isso, estruturadas</p><p>em uma tipologia voltada ao reconhecimento e à compreensão dessas distinções.</p><p>Como em toda definição, a validade daquela pela qual optamos não é universal, mas a tipologia</p><p>formulada por Theodore Lowi (1931-2017), aqui expressa, aparece como a mais aceita atualmente.</p><p>Theodore Lowi.</p><p>Theodore Lowi (1964; 1972) desenvolveu a talvez mais conhecida tipologia sobre política pública,</p><p>elaborada a partir de uma máxima: a política pública faz a política. Com isso, Lowi quis dizer que</p><p>cada tipo de política pública vai encontrar diferentes formas de apoio e de rejeição, e que disputas</p><p>em torno de sua decisão passam por arenas diferenciadas. Para Lowi, a política pública pode</p><p>assumir quatro formatos. (SOUZA, 2006)</p><p>E quais são esses 4 formatos?</p><p>Representadas notadamente por aquelas que selecionam grupos sociais específicos em</p><p>detrimento do todo.</p><p>Definem normas e, em geral, expressam-se por meio de leis.</p><p>Definem regras procedimentais e organizacionais.</p><p>Atingem um maior número de pessoas e podem ser entendidas como políticas sociais</p><p>“universais”.</p><p>Destacamos essas últimas, voltadas para melhorar o equilíbrio entre contribuição e necessidade</p><p>dos diferentes grupos sociais, pois nelas se inscrevem as políticas sociais e o sistema tributário,</p><p>entre outros, e são percebidas pelos estudiosos como as de mais difícil encaminhamento.</p><p>Políticas distributivas </p><p>Políticas regulatórias </p><p>Políticas constitutivas </p><p>Políticas redistributivas </p><p>Cada um desses tipos de políticas públicas encontra na sociedade críticas e apoios em grupos</p><p>sociais diferentes, atuando no sistema político de modo específico.</p><p>Esse entendimento nos leva a compreender que os diferentes tipos de política pública abrangem</p><p>um amplo universo e operam conforme diferentes necessidades e interesses sociais e</p><p>governamentais.</p><p>Exemplo</p><p>Um programa da prefeitura que beneficia um bairro é uma política pública de tipo distributivo; uma</p><p>ação em prol da Educação na cidade também é uma política pública do tipo redistributivo, assim</p><p>como o são os programas Bolsa Família ou Minha Casa Minha Vida.</p><p>A criação de um parque nacional, de uma zona franca, ou de um programa de aceleração do</p><p>crescimento, a recuperação de estradas, a construção de salas de aulas, de creches, de hospitais,</p><p>de postos de saúde, todos se configuram como política pública.</p><p>Isso nos permite concluir que políticas públicas são diretrizes voltadas para o enfrentamento de</p><p>problema públicos, nas suas mais diversas formas. Estão relacionadas com o planejamento no</p><p>setor público, e a qualidade desse planejamento e sua efetivação produzem efeitos sobre a</p><p>qualidade de vida na sociedade.</p><p>Resta envolver de modo cooperativo os diferentes atores envolvidos no problema, que, com</p><p>frequência, possuem posições antagônicas sobre as soluções a adotar, comprometendo a</p><p>cooperação em rede.</p><p>Tal como o conceito de política pública em si, o conceito de redes de políticas é também plural e</p><p>polêmico.</p><p>[...] diferentes autores vão compreendê-las como metáfora para a</p><p>compreensão das políticas que envolvem grande número de atores –</p><p>como as educacionais –, como método, como conceito teoricamente</p><p>relevante ou ferramenta de análise.</p><p>(BÖRZEL, 1998 apud AUGUSTINIS, 2011)</p><p>Há ainda autores que vão formulá-las e compreendê-las de outros modos. O que podemos</p><p>depreender dos debates em torno da questão é que a formação de redes, em que a cooperação</p><p>prevaleça sobre as hierarquias, as diferentes vozes sejam ouvidas e os objetivos comuns</p><p>suplantem as discordâncias pontuais, pode potencializar o sucesso na implementação de políticas</p><p>públicas.</p><p>A complexidade do problema educacional e, portanto, das políticas que o envolvem, para além dos</p><p>problemas referidos, envolve o fato de essas políticas se caracterizarem por sua multiplicidade.</p><p>Antes de mais nada, pode-se afirmar que as políticas educacionais se inscrevem no campo das</p><p>políticas sociais, em geral associadas ao campo das políticas redistributivas, já que buscam a</p><p>equalização social necessária à promoção da justiça social.</p><p>A política social como ação pública deve corresponder a um sistema de</p><p>transferência unilateral de recursos e valores, sob variadas</p><p>modalidades, não obedecendo à lógica do mercado que pressupõe</p><p>trocas recíprocas. As desigualdades sociais justificariam a intervenção</p><p>unilateral do Estado como garantia concreta da observância de direitos</p><p>sociais dos cidadãos, em relação aos quais existe clara contrapartida</p><p>de deveres sociais.</p><p>(HAAS, 2004)</p><p>No entanto, a complexidade do problema educacional e das diferentes políticas que o envolvem</p><p>exige perceber que outros tipos de política pública também são acionados como parte da política</p><p>educacional, em função de suas diferentes características, dimensões e objetivos.</p><p>As políticas educacionais são políticas redistributivas, na medida em que, constitucionalmente, têm</p><p>orçamento definido a partir de valores da arrecadação global do país, servindo-se, portanto, de</p><p>recursos advindos do conjunto da sociedade para aplicação em um setor específico, no caso a</p><p>Educação, redistribuindo a arrecadação global desigualmente.</p><p>Ainda com relação ao uso de verbas, as políticas educacionais são redistributivas quando, por</p><p>meio do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos</p><p>Profissionais da Educação (Fundeb), usam valores arrecadados dos diferentes estados e</p><p>municípios do país, redistribuindo-os a partir de critério do número de matrículas e não de modo</p><p>proporcional aos valores de contribuição. Porém, essa não é a única dimensão dessas políticas,</p><p>que são também distributivas, ou seja, voltadas ao atendimento de grupos sociais específicos e</p><p>não do conjunto da sociedade.</p><p>As cotas educacionais para pretos, pardos, deficientes, famílias de baixa renda e, na universidade,</p><p>para egressos de escolas públicas exemplificam esse tipo de política pública no seio das políticas</p><p>educacionais, que também operam por meio de políticas constitutivas e regulatórias. São políticas</p><p>regulatórias aquelas que envolvem leis e normativas.</p><p>No caso das políticas educacionais, a LDB é a principal referência regulatória, mas não a única, já</p><p>que, abaixo dela, todo um conjunto de normas e leis complementares regula as políticas</p><p>educacionais.</p><p>Os planos nacionais de Educação, o próprio Fundeb, as diretrizes e bases curriculares, entre outras</p><p>normas, integram esse conjunto de regulações que compõe as políticas educacionais do país.</p><p>Por fim, temos as políticas constitutivas, que estabelecem as instâncias responsáveis pela</p><p>definição das políticas públicas, definem quem faz o que e como em relação</p><p>à gestão da coisa</p><p>pública e ao enfrentamento dos problemas públicos. No caso da Educação, a definição</p><p>constitucional sobre a organização das responsabilidades municipais, estaduais e federais no que</p><p>se refere à elaboração de políticas educacionais.</p><p>Formulação e implementação</p><p>Políticas públicas em implementação</p><p>A formulação e implementação de uma política pública exige o cumprimento de etapas que vão</p><p>desde a identificação do problema até a avaliação do sucesso ou não da referida política, passando</p><p>por definição da agenda, formulação de alternativas, decisão sobre o que será feito e</p><p>monitoramento das ações.</p><p>Atenção!</p><p>Infelizmente, com muita frequência algumas políticas são substituídas por outras ou simplesmente</p><p>abandonadas não por não serem bem avaliadas, mas porque os sucessores do governo que as</p><p>formulou e implementou não estão de acordo com o que foi proposto.</p><p>Quando governos se sucedem sem cumprir as etapas previstas, o que se vê é a perda de esforços</p><p>e investimentos e a eterna retomada “a partir do zero” do problema inicialmente identificado, numa</p><p>espécie de “trabalho de Sísifo”, em referência ao mito grego em que Sísifo foi identificado como o</p><p>mais esperto dos mortais e punido pelos deuses por tentar ludibriá-los.</p><p>Obra de arte representando Sísifo.</p><p>Saiba mais</p><p>Sísifo foi condenado, por toda a eternidade, a rolar uma grande pedra de mármore com suas mãos</p><p>até o cume de uma montanha, sendo que toda vez que ele estava quase alcançando o topo, a pedra</p><p>rolava novamente montanha abaixo até o ponto de partida por meio de uma força irresistível,</p><p>invalidando completamente o duro esforço despendido. Por esse motivo, a expressão "trabalho de</p><p>Sísifo", em contextos modernos, é empregada para denotar qualquer tarefa que envolva esforços</p><p>longos, repetitivos e inevitavelmente fadados ao fracasso – algo como um infinito ciclo de esforços</p><p>que, além de nunca levarem a nada útil ou proveitoso, também são totalmente desprovidos de</p><p>quaisquer opções de desistência ou recusa em fazê-lo.</p><p>A análise da política pública é percebê-la como um mecanismo e não algo que pode ser zerado e</p><p>reiniciado, a não ser que o processo gere a fragilização do próprio Estado. Um mecanismo que se</p><p>desenvolve pelo método de acúmulo, relacionado a muitas relações políticas, mas tendo em vista</p><p>que a sua implementação visaria a alcançar os objetivos previamente estabelecidos para atender</p><p>ao próprio Estado. Repare, não é uma relação meramente regular, mas coletiva, que envolve muitas</p><p>forças e direções.</p><p>Destacamos, portanto, que o entendimento e a formulação da política pública devem ser estudados</p><p>como um mecanismo de formação em si.</p><p>Podemos tratar de saneamento, saúde, educação; porém, quando nos</p><p>referimos à análise de política pública, não focamos no descritivo</p><p>instrucional, ou seja, no texto de uma lei ou uma ação, mas sim no fato de</p><p>que aquele conjunto forma uma diretriz de Estado, contínua e formulada</p><p>para o seu fim.</p><p>Independentemente de embates político-ideológicos, o problema educacional jamais sai da agenda</p><p>do governo, mas envolve diferentes concepções de educação e de propostas possíveis de políticas</p><p>educacionais. Temos assistido, no Brasil, a muitas rupturas e descontinuidades que obedecem a</p><p>essa lógica da mudança antes da finalização do ciclo de implementação da política e, muito</p><p>provavelmente por isso, seguimos enfrentando problemas que há muito poderiam estar</p><p>equacionados.</p><p>São precisamente a disputa entre esses diferentes grupos e interesses e as oscilações que</p><p>produzem na formulação e implementação de estratégias de ação em relação às políticas públicas</p><p>que estariam na origem de alguns dos problemas enfrentados atualmente em relação à política</p><p>educacional e outras de perfil semelhante, como a política de saúde no Brasil.</p><p>Isso porque é frequente que as políticas e os seus processos de implantação sejam</p><p>descontinuados com a mudança de governo, o que evidencia certa confusão, comum, entre política</p><p>de governo e política de Estado. As descontinuidades de determinadas políticas de combate a</p><p>problemas estruturais e constitucionalmente regulados. O direito à educação como direito público</p><p>subjetivo pode ser associado a esse tipo de confusão.</p><p>Educação</p><p>Houve, no Brasil, uma clara ruptura de política educacional ocasionada pela compreensão de uma</p><p>política, que era de Estado, como sendo de governo e que, por isso, foi modificada a partir da</p><p>alternância democrática de poder com a instalação de um governo de ideais distintos do anterior.</p><p>A interrupção da implementação dos novos currículos de formação docente produzidos nos anos</p><p>de 2015 e 2019 em todas as universidades, institutos e cursos de formação do país causou</p><p>espanto e chocou a muitos.</p><p>Vamos entender o porquê?</p><p>Formar professores capazes de enfrentar o desafio da educação básica no Brasil é, certamente,</p><p>uma necessidade da nação e transcende os diferentes governos, já que os cursos de formação</p><p>docente do país existem e seguem suas deliberações específicas antes e depois de qualquer</p><p>governo.Trata-se, portanto, de uma política de Estado .</p><p>Reconhecendo que essas especificidades precisam se inscrever em uma norma geral definida por</p><p>diretrizes nacionais de formação docente, o que se coloca como fundamental nessa política de</p><p>Estado é buscar definir globalmente uma orientação geral, à qual, em diferentes locais, cursos e</p><p>momentos políticos, ou seja, diante de especificidades circunstanciais, cada normatização própria</p><p>possa ser definida e modificada, em função da conjuntura.</p><p>A Educação como uma política fundamental</p><p>Assista ao vídeo a seguir sobre a Educação como uma política fundamental.</p><p>Em 18 de fevereiro de 2002, foi aprovada pelo Conselho Nacional de Educação a Resolução</p><p>CNE/CP nº 1, instituindo as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da</p><p>Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena.</p><p>Em seus dois primeiros artigos, podemos ler orientações bastante amplas, a partir das quais os</p><p>cursos e as instituições poderiam e deveriam organizar seus cursos:</p><p>Constituem-se de um conjunto de princípios, fundamentos e procedimentos a serem</p><p>observados na organização institucional e curricular de cada estabelecimento de ensino e</p><p></p><p>Art. 1º </p><p>aplicam-se a todas as etapas e modalidades da educação básica.</p><p>A organização curricular de cada instituição observará, além do disposto nos artigos 12 e</p><p>13 da Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, outras formas de orientação inerentes à</p><p>formação para a atividade docente, entre as quais o preparo para: I - o ensino visando à</p><p>aprendizagem do aluno; II - o acolhimento e o trato da diversidade; III - o exercício de</p><p>atividades de enriquecimento cultural; IV - o aprimoramento em práticas investigativas; V - a</p><p>elaboração e a execução de projetos de desenvolvimento dos conteúdos curriculares; VI - o</p><p>uso de tecnologias da informação e da comunicação e de metodologias, estratégias e</p><p>materiais de apoio inovadores; VII - o desenvolvimento de hábitos de colaboração e de</p><p>trabalho em equipe.</p><p>As diretrizes definem, de modo geral, aquilo que, conforme especificidades locais, os currículos e</p><p>processos de formação proporão e farão. Elas fixam, além de princípios gerais, a carga horária</p><p>mínima, a distribuição entre formação teórica e prática, entre outras obrigatoriedades entendidas</p><p>como necessárias para uma formação efetiva dos docentes. Embora bastante criticada por seu</p><p>caráter tecnicista e praticista por numerosos peritos, elas não foram imediatamente alteradas com</p><p>a mudança de governo em 2003.</p><p>O novo governo, que se opunha a alguns desses princípios, considerados atrelados ao modelo</p><p>neoliberal de Estado e de gestão da coisa pública e, portanto, incompatíveis com a perspectiva</p><p>mais social assumida, achava necessário modificar essas diretrizes. Por entender que novas</p><p>diretrizes precisavam contemplar a nação e não apenas sua proposta de governo, promoveram-se,</p><p>entre 2003 e 2015, discussões amplas envolvendo diversos setores da sociedade,</p><p>especialistas da</p><p>área educacional de diferentes campos de conhecimento; e foram analisadas as diretrizes em</p><p>andamento e avaliadas em sua capacidade de atingir os objetivos de formar, com solidez, docentes</p><p>para atuar nas diferentes realidades educacionais do país.</p><p>Durante doze anos, por meio de debates, diálogos com outras políticas – como o Plano Nacional</p><p>de Educação e os documentos produzidos nas Conferências Nacionais de Educação (CONAE) de</p><p>2010 e 2014 – o debate em torno do que seriam as novas diretrizes ocorreu. Dourado (2015), um</p><p>dos membros do CNE à época, apresenta os últimos momentos do processo:</p><p>Resposta</p><p>Art. 2º </p><p>A Comissão recomposta em 2014 retomou os estudos desenvolvidos pelas comissões anteriores,</p><p>aprofundou os estudos e as discussões sobre as normas gerais e as práticas curriculares vigentes</p><p>nas licenciaturas, bem como sobre a situação dos profissionais do magistério face às questões de</p><p>profissionalização, com destaque para a formação inicial e continuada, e definiu como horizonte</p><p>propositivo de sua atuação a discussão e a proposição de Diretrizes Curriculares Nacionais para a</p><p>Formação Inicial e Continuada dos Profissionais do Magistério da Educação Básica. (...). [A]</p><p>Comissão prosseguiu suas atividades e submeteu nova versão de documento base e proposta de</p><p>minuta das DCNs para discussão pública, envolvendo reuniões ampliadas, debates e participação</p><p>em eventos sobre a temática. Essa rodada de discussões, ao longo de 2014, propiciou críticas e</p><p>sugestões, por meio de debates no CNE e em outros espaços em que conselheiros da Comissão</p><p>Bicameral do CNE foram convidados.</p><p>A Comissão recomposta em 2014 retomou os estudos desenvolvidos pelas comissões anteriores,</p><p>aprofundou os estudos e as discussões sobre as normas gerais e as práticas curriculares vigentes</p><p>nas licenciaturas, bem como sobre a situação dos profissionais do magistério face às questões de</p><p>profissionalização, com destaque para a formação inicial e continuada, e definiu como horizonte</p><p>propositivo de sua atuação a discussão e a proposição de Diretrizes Curriculares Nacionais para a</p><p>Formação Inicial e Continuada dos Profissionais do Magistério da Educação Básica.</p><p>A Comissão prosseguiu suas atividades e submeteu nova versão de documento</p><p>base e proposta de minuta das DCNs para discussão pública, envolvendo reuniões</p><p>ampliadas, debates e participação em eventos sobre a temática. Essa rodada de</p><p>discussões, ao longo de 2014, propiciou críticas e sugestões, por meio de debates</p><p>no CNE e em outros espaços em que conselheiros da Comissão Bicameral do CNE</p><p>foram convidados.</p><p>Claramente democráticas e definidas de modo articulado, negociado e envolvendo diferentes</p><p>segmentos da sociedade e do Estado, como deve ser uma política de Estado, as diretrizes ainda</p><p>em implementação foram substituídas em 2019.</p><p>Em apenas um ano de governo, sem estudos aprofundados, sem diálogos entre os diferentes</p><p>setores e profissionais envolvidos, sem o respeito, portanto, aos processos mínimos considerados</p><p>necessários à definição de uma política pública, o governo atual aprovou, não apenas novas</p><p>diretrizes para a formação, mas amarrou a elas uma Base Nacional Curricular para a Formação de</p><p>Professores (BNC-FP), em uma definição açodada de política de governo, centrada em interesses</p><p>dos grupos no poder, contrariando princípios até mesmo da definição de uma política de governo.</p><p>E isso no meio do processo de implementação da política anterior, definida em 2015 por meio da</p><p>Resolução n. 2 do CNE, publicada em 1º de julho de 2015, definindo. Diretrizes Curriculares</p><p>Nacionais para a formação inicial em nível superior (cursos de licenciatura, cursos de formação</p><p>pedagógica para graduados e cursos de segunda licenciatura) e para a formação continuada.</p><p>Comentário</p><p>Ao abordar esse tema neste módulo, o que se pretende é fazer compreender por que políticas de</p><p>governo e de Estado não podem ser confundidas, sobretudo quando se sabe que a sociedade atual</p><p>encara, talvez como nunca antes, um conflito entre diferentes modelos de Estado.</p><p>Até 1970, entendia-se que o Estado do bem-estar social (Welfare State) tinha se consolidado como</p><p>a melhor alternativa para o enfrentamento dos problemas sociais vividos no período anterior, de</p><p>predominância do Estado liberal. Encontramos na adesão recente ao modelo liberal de Estado e no</p><p>embate político entre ambas uma primeira questão relevante para a compreensão do problema</p><p>identificado anteriormente.</p><p>O Estado neoliberal</p><p>Esse modelo de Estado não tem só uma formulação, de acordo com Bobbio (1998), quando o</p><p>conceito liberal de política econômica é analisado.</p><p>A carga tributária seria, portanto, definida com base nos valores necessários ao desempenho</p><p>dessas funções. Na perspectiva liberal, a Educação está elencada entre as funções do Estado, o</p><p>que de certa forma o modelo neoliberal vem tentando negar.</p><p>Essa proposta pode ser traduzida em duas orientações diversas:</p><p>Orientação conservadora</p><p>Segundo a qual o economista não pode nem deve justificar a redistribuição da renda.</p><p></p><p>Orientação reformista</p><p>Acentua, ao contrário, o valor de uma política de redistribuição da renda como meio capaz de</p><p>levar a um mais elevado bem-estar.</p><p>É com o Estado do bem-estar que a Educação, já reconhecida como responsabilidade do Estado,</p><p>ganha a condição de área relevante para a formulação e implementação de uma política pública.</p><p>A própria existência do conceito de política pública só se tornou possível depois do</p><p>reconhecimento minimamente consensual sobre o direito dos cidadãos de reivindicar direitos</p><p>individuais e sociais.</p><p>São esses direitos estabelecidos que fazem com que as políticas</p><p>públicas se diferenciem do assistencialismo.</p><p>(BOBBIO, 1998)</p><p>Assim, podemos afirmar que os embates em torno das políticas públicas não se restringem a</p><p>decisões sobre o que fazer, mas envolvem a própria identificação das funções reconhecidas como</p><p>concernentes ao Estado e, portanto, às políticas públicas e educacionais.</p><p>Cabe, então, retornar ao debate em torno do modelo de Estado para, em seguida, prosseguirmos</p><p>com o estudo específico das políticas educacionais e de como elas se inscrevem nele.</p><p>1º</p><p>Para promover a discussão</p><p>em torno do que poderíamos</p><p>chamar de “ascensão e</p><p>queda” do modelo de Estado</p><p>do bem-estar social, é</p><p>á i d</p><p>Quando pensamos na Educação como direito social, a que se vinculam os direitos políticos, já que</p><p>se espera que ela contribua para o desenvolvimento da consciência crítica e da capacidade de</p><p>compreensão das situações vivenciadas, faz-se necessário compreender as políticas educacionais</p><p>enquanto políticas voltadas a assegurar o exercício desse direito.</p><p>Voltamos à questão da política educacional como política pública e, mais do que isso, como direito</p><p>necessário compreender</p><p>politicamente as causas de</p><p>seu crescimento entre 1950 e</p><p>1960.</p><p>2°</p><p>Com base em outros</p><p>estudiosos, o processo</p><p>evolutivo do próprio</p><p>capitalismo industrial,</p><p>gradativamente, segue da luta</p><p>pelos direitos civis, como a</p><p>liberdade de pensamento e</p><p>expressão, notadamente no</p><p>século XVIII.</p><p>3°</p><p>Depois, no século XIX, passa</p><p>pelo período de luta pelos</p><p>direitos políticos, como os de</p><p>organização, de propaganda,</p><p>de voto, que culmina na</p><p>conquista do sufrágio</p><p>universal.</p><p>público subjetivo de todos os cidadãos, independentemente de raça, crença, idade, orientação</p><p>sexual, capacidade intelectual etc., conforme assinala a Constituição Cidadã de 1988.</p><p>A política educacional inclusiva é um dever do Estado e um direito</p><p>inalienável de todo cidadão.</p><p>Aqui mais um destaque se faz necessário, precisamente em torno de problemas percebidos e</p><p>denunciados por educadores quanto à implantação da Base Nacional Comum Curricular nos três</p><p>níveis da educação básica: educação infantil, ensino fundamental e ensino médio.</p><p>Entende-se que essa política curricular e o sistema nacional de avaliação que a acompanha não</p><p>atendem a esse princípio constitucional, nem ao previsto no Estado democrático de direito.</p><p>A unificação e homogeneização promovidas</p><p>pela BNCC ferem a Constituição e o princípio do</p><p>direito à educação ao trazerem de volta ao cenário da política educacional a ideia de que indivíduos</p><p>mais merecedores obtêm mais sucesso, negando as origens sociais das desigualdades.</p><p>Uma política pública fundamental</p><p>Não poderíamos finalizar este módulo sem chegar à situação atual do Brasil, do modelo de Estado</p><p>atualmente hegemônico, o neoliberal, e do seu significado para as políticas públicas, educacionais,</p><p>de saúde, habitação, tributária, entre outras.</p><p>Há um certo consenso sobre a ideia de que o neoliberalismo retoma e renova os ideais do</p><p>liberalismo político e econômico, quais sejam, a menor intervenção do Estado na economia e a</p><p>busca de eficiência, mais do que a de justiça social.</p><p>A defesa é que o Estado deve intervir o mínimo possível nas atividades econômicas valorizando a</p><p>iniciativa privada. Ou seja, trata-se de uma concepção de Estado ligada à crença no mercado e em</p><p>sua capacidade de regulação, à validade, portanto, da livre concorrência com a consequente</p><p>rejeição da intervenção estatal na economia. Analisando o projeto neoliberal e seu avanço na</p><p>América Latina entre 1990 e 2000, período dos governos FHC, entendemos que:</p><p>Apesar de prometer a retomada do crescimento econômico, as medidas</p><p>conservadoras neoliberais se mostraram um fracasso, pois, embora</p><p>tenham contido o aumento da inflação, o ajuste fiscal causou décadas</p><p>de estagnação econômica, o que resultou em aumento do desemprego</p><p>e dos índices de pobreza na região latino-americana.</p><p>(PEREIRA, 2011 apud SOUZA; HOFF, 2019)</p><p>De acordo com Souza e Hoff (2019), a abertura dos mercados e a privatização de inúmeros</p><p>serviços públicos no período resultaram em perda de autonomia – coesão e ausência de</p><p>estratégias de desenvolvimento nacional.</p><p>A partir de 2016, o governo Temer adotou medidas austeras a fim de [...]</p><p>equacionar o problema da deterioração das contas públicas [...], tais</p><p>como [...] a PEC 241/55 (PEC do teto de gastos públicos), a reforma</p><p>trabalhista, a reforma da previdência e outras propostas que limitam os</p><p>gastos sociais.</p><p>(PINHO, 2017 apud SOUZA; HOFF, 2019)</p><p>A Emenda Constitucional n. 95, de dezembro de 2016, não deixa margem a dúvidas sobre a opção</p><p>pela falta de investimento público em políticas públicas relacionadas aos direitos sociais ao</p><p>interditar o aumento dos gastos públicos por 20 anos, “diminuindo o Estado e impedindo que o</p><p>sistema constitucional de proteção social funcionasse de maneira adequada às necessidades da</p><p>população” (SOUZA e HOFF, 2019), sem deixar de comprometer os investimentos em educação e,</p><p>portanto, comprometendo as possibilidades de desenvolvimento de políticas educacionais</p><p>voltadas a assegurar o direito social de todos à educação.</p><p>A realidade dos países da América Latina recentemente tem voltando-se a novos mecanismos</p><p>neoliberais, mas também a novas alianças e vertentes internacionais, o que indica uma mudança</p><p>da lógica do Estado, que certamente não será lenta, mas nos faz refletir sobre como nossos</p><p>debates se acumulam e nos devem deixar atentos.</p><p>Falta pouco para atingir seus objetivos.</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1</p><p>A utilização do imposto para o cumprimento de demandas entendidas como fundamentais ao</p><p>tecido social é associada a uma estratégia utilizada no planejamento de quais políticas</p><p>públicas?</p><p>Parabéns! A alternativa A está correta.</p><p>Políticas públicas efetivas são definições de implementação. As regulatórias são de garantia</p><p>de funcionamento a partir de regras estabelecidas pelo Estado. Já as progressivas são</p><p>A Efetivas</p><p>B Regulatórias</p><p>C Progressivas</p><p>D Redistributivas</p><p>E Reparadoras</p><p>situacionais, políticas em que se apropriam de valores condensados para redistribuir e atender</p><p>ao bem-estar daqueles que não teriam condição são as definidas nessa questão.</p><p>Questão 2</p><p>Segundo Ham e Hill, entre outros autores, para reconhecer a formação e a implementação de</p><p>política pública na atualidade, ela deve ser entendida como um mecanismo que:</p><p>Parabéns! A alternativa A está correta.</p><p>A política pública não é estática. É viva e tem como seu objeto a relação e os interesses</p><p>comuns constituídos como Estado. Mal feita, ela não é incrementalista, não é relativa a</p><p>aspectos político-institucionais, mas como conceito ela é um conhecimento, a construção de</p><p>um processo elaborativo, descritivo, para só então ser implementado, discutido, relacionado.</p><p>A</p><p>Tem como objetivo produzir conhecimentos sobre o processo de elaboração</p><p>política em si, revelando assim uma orientação predominantemente descritiva.</p><p>B</p><p>Pode adotar o método racional-compreensivo que se liga à micropolítica e à</p><p>busca de soluções para problemas mais imediatos e prementes.</p><p>C</p><p>Desenvolve-se pelo método incremental, que se relaciona com a macropolítica</p><p>e suas grandes análises do cenário político-institucional.</p><p>D</p><p>Aplica o método incremental, em que a tomada de decisões políticas e a sua</p><p>implementação visariam a alcançar os objetivos previamente estabelecidos.</p><p>E Que garante o interesse do bem comum e o Estado de bem estar social.</p><p>Considerações �nais</p><p>Neste tema, vimos o conceito de política pública, seus desdobramentos e suas possibilidades de</p><p>entendimento. Passamos pela trajetória histórica de organização de diferentes sociedades para</p><p>chegar à tipologia das políticas públicas, suas formas, seus desenvolvimentos e sua aplicação,</p><p>inclusive no Brasil contemporâneo, objetivando entender o conceito e seu uso para a compreensão</p><p>da sociedade atual.</p><p>Ressaltamos que as políticas públicas afetam todos os cidadãos e abrangem todas as áreas da</p><p>sociedade. Assim, podemos dizer que políticas públicas são o conjunto de programas, ações e</p><p>decisões tomadas pelos governos (federal, estadual e municipal), com a participação direta ou</p><p>indireta de entes públicos ou privados, que visam a assegurar determinados direitos de cidadania</p><p>para diversos grupos ou segmentos da sociedade.</p><p>Por fim, é importante perceber que uma política pública tem um viés político, uma vez que as</p><p>decisões envolvem conflitos de interesse na maioria dos casos; mas tem também um viés</p><p>administrativo, pois é fundamental para a realização de melhorias para a sociedade.</p><p>Podcast</p><p>Neste podcast, vamos conversar sobre Estado e política pública.</p><p></p><p>Explore +</p><p>Para saber mais sobre como poder e Estado se misturavam, legitimados pelo discurso religioso,</p><p>leia os seguintes livros:</p><p>Os Dois Corpos do Rei, de Ernst H. Kantorowicz.</p><p>Os Reis Taumaturgos, de Marc Bloch.</p><p>Para saber mais sobre Sísifo, leia o artigo Filosofia Grega e Democracia, de Francis Wolff,</p><p>publicado na Revista de História da USP.</p><p>Para entender mais sobre autonomia universitária, leia o artigo:</p><p>Declaração de Bolonha e internacionalização da educação superior: protagonismo dos reitores e</p><p>autonomia universitária em questão, de Lucídio Bianchetti e António Magalhães, disponível na</p><p>Revista da Avaliação da Educação Superior.</p><p>Para saber mais sobre ciência política, leia:</p><p>O Dicionário de Ciência Política, de Norberto Bobbio.</p><p>A afirmação histórica dos direitos humanos, de Fábio Konder.</p><p>Para saber mais sobre os fundamentos da política brasileira, é sempre bom ter com você:</p><p>A Constituição brasileira de 1988.</p><p>A Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação</p><p>Nacional.</p><p>Lei n. 11.494, de 20 de junho de 2007, que regulamenta o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento</p><p>da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB).</p><p>A Resolução CNE/CP nº 02, de 1º de julho de 2015, que define as Diretrizes Curriculares Nacionais</p><p>para a formação inicial em nível superior e para a formação continuada.</p><p>Referências</p><p>AUGUSTINIS, V. F. Gestão em redes para a construção de políticas públicas: Um Estudo sobre as</p><p>Atividades de Prevenção e Repressão à Lavagem de Dinheiro no Brasil. Tese de doutorado. Rio de</p><p>Janeiro: EBAPE/FGV, 2011.</p><p>BOBBIO, N. (Org.) Dicionário de Política. 1. ed. Brasília: UnB, 1998.</p><p>DOURADO, L. F. Diretrizes curriculares nacionais para a formação inicial e continuada</p><p>dos</p><p>profissionais da Educação Básica: concepções e desafios. In: Revista Educação e Sociedade,</p><p>Campinas, v. 36, n. 131, p. 299-324, abr./jun. 2015.</p><p>ENTENDENDO os conceitos básicos de Políticas Públicas. 2019. In: CLP – Liderança Pública.</p><p>Publicado em: 6 fev. 2019.</p><p>FERRARI, M. Os poderes da sociedade. In: Pesquisa FAPESP, n. 245, jul. 2016, p. 76-79.</p><p>FRANCA, M. J. Neoliberalismo. In: Portal Cola da Web. Consultado em meio eletrônico em: 6 ago.</p><p>2020.</p><p>ALMEIDA, R. V. 10 Aspectos que as políticas educacionais devem considerar. In: Politize.</p><p>Publicado em: 13 dez. 2017.</p><p>HAAS, F. Política social como política pública. In: Revista da Escola Superior Dom Helder Câmara -</p><p>Veredas do Direito. v. 1, n. 3, jan./dez. 2004.</p><p>IURCONVITE, A. S. A evolução histórica dos direitos sociais: da Constituição do Império à</p><p>Constituição Cidadã. In: Revista Âmbito Jurídico. n. 74, mar. 2010.</p><p>OLIVEIRA, I. B. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC): questões políticas e curriculares. In:</p><p>CRUZ, R. E.; SILVA, S. O. (Orgs.) Gestão da política nacional de educação: desafios contemporâneos</p><p>para a garantia do direito à educação. Teresina: Editora UFPI, 2016, p. 279-300.</p><p>PEREIRA, J. M. D. Uma breve história do desenvolvimentismo no Brasil. In: Cadernos do</p><p>Desenvolvimento, 6(9), 2011, p. 121-141.</p><p>PINSKY, J.; PINSKY, C. (Orgs.) História da cidadania. São Paulo: Contexto, 2003.</p><p>SECCHI, L. Políticas Públicas: conceitos, esquemas de análises, casos práticos. São Paulo:</p><p>Cengage Learning, 2012.</p><p>SOUZA, C. Estado da Arte da Pesquisa em Políticas Públicas. In: HOCHMAN, G.; ARRETCHE, M.;</p><p>MARQUES, E. (Org.) Políticas Públicas no Brasil. Rio de Janeiro: FIOCRUZ, 2007.</p><p>SOUZA, M. B.; HOFF, T. S. R. O governo Temer e a volta do neoliberalismo no Brasil: possíveis</p><p>consequências na habitação popular. In: URBE. Revista Brasileira de Gestão Urbana, 2019, p. 1-14.</p><p>SOUZA, C. Políticas Públicas: uma revisão da literatura. In: Sociologias. Porto Alegre, ano 8, n. 16,</p><p>jul./dez. 2006, p. 20-45.</p><p>Material para download</p><p>Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato PDF.</p><p>Download material</p><p>O que você achou do conteúdo?</p><p>Relatar problema</p><p>javascript:CriaPDF()</p>

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