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TDICS E A EDUCAÇÃO MATEMÁTICA W BA 06 61 _v 1. 0 22 © 2019 POR EDITORA E DISTRIBUIDORA EDUCACIONAL S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A. Presidente Rodrigo Galindo Vice-Presidente de Pós-Graduação e Educação Continuada Paulo de Tarso Pires de Moraes Conselho Acadêmico Carlos Roberto Pagani Junior Camila Braga de Oliveira Higa Carolina Yaly Giani Vendramel de Oliveira Juliana Caramigo Gennarini Nirse Ruscheinsky Breternitz Priscila Pereira Silva Tayra Carolina Nascimento Aleixo Coordenador Giani Vendramel de Oliveira Revisor Leonardo de Alcântara Moreira Editorial Alessandra Cristina Fahl Beatriz Meloni Montefusco Daniella Fernandes Haruze Manta Hâmila Samai Franco dos Santos Mariana de Campos Barroso Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Gois, Victor Hugo dos Santos G616t TDICs e a educação matemática/ Victor Hugo dos Santos Gois, Francis Roberta de Jesus – Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A. 2019. 120 p. ISBN 978-85-522-1501-1 1. Educação matemática. 2. Tecnologia e Educação. I. Gois, Victor Hugo dos Santos. II. Jesus, Francis Roberta de. Título. CDD 370 Responsável pela ficha catalográfica: Thamiris Mantovani CRB-8/9491 2019 Editora e Distribuidora Educacional S.A. Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza CEP: 86041-100 — Londrina — PR e-mail: editora.educacional@kroton.com.br Homepage: http://www.kroton.com.br/ 3 3 TDICS E A EDUCAÇÃO MATEMÁTICA SUMÁRIO Apresentação da disciplina 4 A história e a evolução da tecnologia digital aplicada à Educação 6 Tecnologia Educacional e Mediação Tecnológica: algumas reflexões 25 Formação de professores e Ensino Híbrido: articulações e possibilidades 44 O conhecimento na era da tecnologia digital 65 Internet: aliada ou inimiga? 83 Uso do software GeoGebra para ensino de geometria plana 111 Uso do software GeoGebra para ensino de geometria espacial 140 44 Apresentação da disciplina Olá, seja bem-vindo à disciplina de Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação e a Educação Matemática! Espera-se que ao final desta disciplina você conheça diferentes recursos tecnológicos, saiba diferenciar hardware e software, compreenda os impactos que as mudanças tecnológicas digitais cumularam em nossa sociedade, utilize ferramentas digitais para produção de planos de aulas baseados em metodologias ativas de aprendizado, bem como conheça softwares que apoiem e diversifiquem o ensino de Matemática. Este curso foi organizado e dividido em sete temas, cada tema é composto de uma leitura fundamental, uma aula online, slides e avaliação da aprendizagem. Os temas são constituídos dos seguintes assuntos: 1. história e evolução da tecnologia digital, traçando um panorama de como as tecnologias digitais evoluíram até os dias atuais e apresentação dos principais conceitos de hardware e software aplicados à educação; 2. um olhar para a sociedade na era tecnológica, caracterizando o que é tecnologia educacional e mediação tecnológica. Em seguida, apresentação de diferenças entre tecnologia digital e computador e algumas reflexões a respeito das estratégias de ensino com recursos tecnológicos; 3. a formação do professor na era digital e desafios para uso da tecnologia na educação. Depois, caracteriza-se ensino híbrido e apresenta-se uma possibilidade para o desenvolvimento do pensamento algébrico mediado por um software educativo; 55 5 4. dinâmicas de produção de conhecimento na era da tecnologia digital, caracterizando e diferenciando dado, informação e conhecimento. Na sequência, discute-se a utilização do computador como ferramenta para construção do conhecimento por meio de planilhas eletrônicas; 5. apresentação de reflexões sobre a internet ser uma aliada ou inimiga. Depois, busca-se conhecer os recursos da grande rede para aplicação no ambiente educacional e utilização de estratégias para elaborar projetos educacionais usando os meios de comunicações tecnológicos digitais; 6. apresentação de reflexões a respeito do uso de softwares como ferramenta de ensino e aprendizagem buscando estabelecer critérios de escolhas para utilizar softwares adequados aos objetivos do professor. Em seguida, elucida-se possibilidades de utilização do software GeoGebra nas aulas de geometria plana; 7. discute-se o uso do software GeoGebra para construção de objetos dinâmicos e explora-se estratégias para elaboração de planos de aula de geometria espacial usando este software. Ao final desta disciplina, você é convidado a realizar um desafio profissional que, a partir dos conteúdos vistos ao longo deste curso, permite que reflita e coloque em prática tudo o que estudou. Ótimos estudos e aproveite o curso! 666 A história e a evolução da tecnologia digital aplicada à Educação Autor: Victor Hugo dos Santos Gois Objetivos • Conhecer a história da tecnologia digital e como se deu sua evolução até os dias atuais. • Caracterizar e distinguir hardwares e softwares. • Identificar hardwares e softwares que podem ser aplicados à Educação. 77 7 1. Introdução Olá, seja bem-vindo! Com esta primeira leitura fundamentada, iniciaremos uma jornada de estudos para conhecer possíveis articulações presentes entre as Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs) e a Educação Matemática. Para isso, neste primeiro tema, inicialmente caracterizaremos o que são as TDICs para, em seguida, discutirmos a respeito da história da tecnologia digital1 e os três grandes marcos que conceitualizam a evolução da tecnologia. Depois, caracterizaremos o que são hardwares e softwares e relações existentes entre eles para, por fim, identificarmos aplicações à Educação de hardwares e softwares. 2. Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação Para ínicio de conversa precisamos entender: o que são tecnologias? O termo tecnologia deriva da palavra grega “tékhne”, que significa técnica, arte ou ofício, juntamente com a palavra grega “logia”, cujo significado é estudo. Assim, tecnologia pode ser definida como um “conjunto de processos, métodos, técnicas e ferramentas relativos à arte, indústria, educação, etc.“ (MICHAELIS, 2019). No Quadro 1 temos como exemplos de tecnologias: a lousa de giz, papel e lapiseira, jornal impresso, livros, smartphone e televisão. 1 Para evitar repetições ao longo do texto, em alguns momentos quando nos referirmos à tecnologia digital utilizaremos o termo tecnologia. 88 Quadro 1 – Alguns exemplos de tecnologias Fonte: Rawpixel/Photoevent/ronstik/JohnnyGreig/ Sergey Tinyakov/mahod84/iStock.com. Podemos perceber, então, que estamos rodeados por diferentes tipos de tecnologias e que a todo momento fazemos uso delas. Entretanto, há algumas tecnologias que mais especificamente desenvolvem papel informativo e comunicativo, são as chamadas Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs). Alguns exemplos de TICs são o jornal impresso, rádios, televisores analógicos e panfletos de propagandas. Nesses casos, pode-se perceber que as tecnologias mencionadas vão além de um conjunto de processos, métodos, técnicas e ferramentas criados pelo homem, pois têm também o papel de transmitir uma informação e comunicar algo para quem os utiliza. A partir do que foi apresentado a respeito das TICs, podemos entender também que tablets, smartphones, notebooks, televisoresdigitais, quadros digitais são também exemplos de tecnologias da informação e comunicação. Contudo, estes últimos exemplos são também considerados tecnologias digitais. 99 9 Assim, dentre as TICs podemos destacar um subgrupo chamado de Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação e é sobre estas tecnologias que voltamos nossos olhares no decorrer desta disciplina. Entretanto, na literatura é comum encontrarmos em alguns trabalhos a terminologia TDICs como sinônimo de TICs, como nos trabalhos de Nobre (2016) e Santos (2016). A partir destes entendimentos inciais passemos agora para uma contextualização histórica do desenvolvimento de tecnologias digitais que impactam hoje em como temos acesso às mais diferentes informações e a como nos comunicamos uns com os outros. O que acaba nos influenciando como sociedade pertencente à era digital. Sociedade essa em que alunos e professores participam, e influenciando, nesse caso, diretamente em como se ensina e como se aprende. 3. História da tecnologia digital Para entedermos um pouco mais como as tecnologias digitais se desenvolveram ao longo da história e de que maneiras impactaram na sociedade, iremos nos embasar em Monteiro (2010). A partir desse referencial podemos organizar o desenvolvimento da tecnologia computacional até a chegada da tecnologia digital em três épocas diferentes: a época dos dispositivos mecânicos, a época dos dispositivos eletromecânicos e a época dos componentes eletrônicos. A seguir apresentamos cada uma dessas épocas e seus principais acontecimentos. 3.1 Época dos dispositivos mecânicos Segundo Monteiro (2010, p. 9-11), a época dos dispositivos mecânicos está compreendida entre 500 a.C. e 1880 d.C. e engloba os trabalhos dos babilônios, de Blaise Pascal, Gottfried Leibniz, Joseph Jacquard e Charles Babbage. 1010 Uma das primeiras, senão a primeira, maneira de computar cálculos a partir de um dispositivo é creditada ao povo babilônio e sua invenção: o ábaco. Este equipamento permite contar e registrar algumas operações aritméticas, como a adição e subtração, e auxiliou comerciantes e agricultores a registrarem quantidades de produtos e de plantações e colheitas, entre outras coisas. Na Figura 1 temos um modelo de ábaco na atualidade. Figura 1 – Um modelo de ábaco Fonte: EHStock/iStock.com. ASSIMILE Há muito tempo, um dos problemas que surgiram foi determinar uma maneira de realizar contagens e cálculos de maneira mais ágil e prática. Para resolver esse problema, os babilônios desenvolveram um dos ancestrais mais antigos dos computadores atuais, o ábaco. Com ele puderam computar dados e registrá-los de maneira mais eficaz. Depois da invenção do ábaco saltamos para o século XVII, mais especificamente em 1642, quando o matemático e filósofo francês Blaise Pascal desenvolveu a primeira calculadora mecânica, conhecida como 1111 11 calculadora de Pascal ou la Pascaline. O dispositivo composto de rodas e engrenagens era capaz de determinar somas e diferenças computando as operações aritméticas de adição e subtração e é reconhecido até hoje como uma das primeiras calculadoras mecânicas. Pouco tempo depois da invenção de Pascal, o matemático Gottfried Leibniz conseguiu aperfeiçoar a calculadora de Pascal incluindo nela mais dois conjuntos de rodas e possibilitando realizar as quatro operações básicas (adição, subtração, multiplicação e divisão), sendo que para realizar as operações de multiplicação e divisão, a calculadora de Leibniz utilizava somas finitas e subtrações finitas, respectivamente. Com um novo salto no tempo, por volta de 1800, Joseph Jacquard obteve êxito ao desenvolver por processos totalmente mecânicos a programação para computar dados automaticamente em uma máquina para tecelagem. Utilizando cartões perfurados, ele conseguiu que a máquina imprimisse, dentre outras coisas, o próprio retrato de Joseph Jacquard. E, por fim, o último nome que destacamos desta época é o de Charles Babbage. Ele desenvolveu uma máquina parecida com a calculadora de Pascal, que realizava apenas as operações de adição e subtração, mas utilizando dados oriundos da Marinha Real inglesa, computando dados de tabelas de navegação. Diferente de Pascal, a máquina de Babbage, chamada de máquina de diferenças, era capaz de computar dados de até 15 dígitos, utilizando diferenças finitas, daí deriva seu nome. Outra vantagem da máquina desenvolvida por Babbage era que nela estava acoplada uma espécie de agulha e uma chapa de cobre que “imprimiam” os resultados computados pela máquina. Além disso, a máquina era acionada por um motor movido a vapor. 3.2 Época dos dispositivos eletromecânicos A segunda época data de meados de 1800 a 1930 e é marcada pelo desenvolvimento de motores elétricos. Segundo Monteiro (2010): 1212 Com a invenção do motor elétrico no fim do século XIX, surgiu uma grande quantidade de máquinas de somar acionadas por motores elétricos baseadas no princípio de funcionamento da máquina de Pascal. Essas máquinas se tornaram dispositivos comuns em qualquer escritório até o advento das modernas calculadoras de bolso, em 1970 (MONTEIRO, 2010, p. 11). Um dos cientistas que se destacam nessa época é Herman Hollerith, que desenvolveu uma máquina tabuladora de dados a partir de cartões perfurados. Essa mesma tecnologia já tinha sido utilizada por Jacques Jacquard, mas foi aperfeiçoda por Hollerith com sua máquina tabuladora que era acionada por um motor elétrico e era capaz de contar, ordenar e classificar informações a partir de cartões perfurados. Outro destaque nesse período foram as tecnologias desenvolvidas por um estudante de engenharia alemão, Konrad Zuse, que utilizando os mesmos processos de Babbage criou uma calculadora eletrônica. Depois disso, tentou criar dispositivos eletromecânicos controlados por um programa que, segundo Monteiro (2010, p. 11), seja “[...] talvez o primeiro computador efetivamente operacional do mundo”. Por fim, Howard Aiken desenvolveu um “computador” semelhante ao de Zuse, que era capaz de armazenar até 72 números. Mas como seu dispositivo, o Mark I era ainda baseado em estruturas eletromecânicas. Com o advento da eletrônica, esses dispositivos ficaram obsoletos e, por isso, fez-se necessário avançar o desenvolvimento das tecnologias computacionais. 3.3 Época dos componentes eletrônicos Até antes do desenvolvimento de componentes eletrônicos, as máquinas mecânicas e eletromecânicas apresentavam, de maneira geral, duas desvantagens: primeira, possuíam uma baixa velocidade de processamento por causa de sua parte mecânica; e, segunda, eram muito sucetíveis também a erros, pois os dados eram processados por engrenagens que nem sempre faziam os mesmos movimentos perfeitos e com o tempo sofriam desgastes. 1313 13 Nessa época, inicialmente três nomes que se destacaram por seus trabalhos foram John Atanasoff, John Mauchly e Alan Turing. PARA SABER MAIS Alan Turing foi considerado pai da computação, matemático, lógico e criptoanalista. Ele recebeu grande destaque por ter sido capaz de desenvolver durante a Segunda Guerra Mundial uma máquina conhecida como Máquina de Turing, que foi capaz de decifrar as mensagens criptografadas dos alemães. Por suas contribuições, o filme O Jogo da Imitação, disponível em serviços de streaming, narra a vida deste matemático durante a Segunda Guerra Mundial. Atanasoff projetou uma uma calculadora capaz de resolver equações lineares, mas que nunca saiu do papel. Entretanto, a ideia chegou ao conhecimento de John Mauchly, um dos desenvolvedores do ENIAC, uma máquina gigantesca que ocupava uma sala e realizava 10 000 operações por segundo. A partir destes pesquisadores, as tecnologias computacionais continuaram evoluindo até ao que conhecemos hoje. 4. Hardwares e softwares:caracterizações e articulações Depois de conhecermos um pouco mais a respeito da história da tecnologia digital, passemos agora ao estudo de componentes deste tipo de tecnologia: os hardwares e softwares. 1414 Hardware está relacionado aos componentes físicos dos dispositivos computacionais eletrônicos. Para criar um computador, tablet ou smartphone, por exemplo, são utilizados e combinados diferentes hardwares. Nos itens a seguir estão indicados e descritos alguns deles. • Placa mãe ou motherboard Principal componente físico de computadores e compõe, juntamente com outros objetos, a base do hardware computacional. Todos os outros componentes de um computador são plugados a ela e é também por meio dela que se comunicam. Seu tamanho e modelo variam de acordo com diferentes fabricantes e modelos. A Figura 2 apresenta um modelo de placa mãe. Figura 2 – Exemplo de placa mãe Fonte: PatrikSlezak/iStock.com. • Memória principal ou RAM A memória principal é outro hardware que compõe o conjunto básico de hardwares computacionais. Esse dispositivo é também chamado de memória RAM, sigla que deriva do inglês Random Acess Memory (memória de acesso randômico). Além disso, esse componente é também popularmente conhecido como pente de memória RAM (por ter formato semelhante ao de um pente). 1515 15 A quantidade de memórias RAM que um dispositivo computacional eletrônico possui depende do modelo e da quantidade de pentes que a placa mãe suporta. Além disso, cada memória RAM tem uma capacidade de armazenamento que varia de acordo com cada modelo. Ainda que o termo memória principal possa remeter à ideia de ser este o hardware que armazena todos os dados gravados em um computador, a memória RAM é utilizada para armazenar os processos que deverão ser executados no computador cabendo a outro hardware a capacidade de registrar e gravar os dados. Na Figura 3, temos um exemplo de pente de memória RAM. Figura 3 – Exemplo de memória principal Fonte: NorGal/iStock.com. • Memória secundária Diferente da memória primária, a memória secundária não é um, mas um conjunto de hardwares que recebem esse nome. Considera-se memória secundária todo dispositivo capaz de armazenar dados permanentemente. São permanentes, pois não se apagam quando o dispositivo computacional eletrônico é desligado, como no caso das memórias primárias, mas só se apaga quando o usuário os decide apagar. Podemos destacar como exemplos de memórias secundárias: disco rígido interno ao computador e também o externo, pen drive, cartão de memória, CD, DVD e Blue Ray. Na Figura 4 aparecem alguns destes exemplos de memória secundária. 1616 Figura 4 – Exemplo de memórias secundárias Fonte: baloon111/iStock.com. • Processador ou CPU O hardware que comanda todo o processamento de dados do dispositivo computacional eletrônico. É também chamado de CPU, sigla em ingês que significa Central Processing Unit ou Unidade de Processo Central. O processador pode ser comparado ainda ao cérebro do computador, pois é ele quem executa todas as operações lógicas e programação desenvolvida para o computador. A Figura 5 apresenta um modelo de processador, que varia de acordo com os modelos elaborados pelos fabricantes e a compatilidade com a placa mãe, onde este dispositivo fica acoplado. Figura 5 – Exemplo de processador Fonte: Kirbyphoto/iStock.com. 1717 17 • Placa de vídeo O último hardware que listamos é a placa de vídeo. Com o desenvolvimento de tecnologias digitais e aprimoramento de recursos gráficos, por vezes o processador dos dispositivos computacionais eletrônicos ficava sobrecarregado. Daí a necessidade de desenvolver um dispositivo próprio para processar qualquer tipo de imagem, deixando o CPU dedicado aos outros processamentos de dados. Com o desenvolvimento e avanço destas tecnologias, atualmente as placas de vídeo possuem em sua estrutura uma memória principal e CPU própria para que possam processar uma quantidade enorme de dados gráficos sem sobrecarregar o sistema principal. Na Figura 6 temos um modelo de placa de vídeo. Figura 6 – Exemplo de placa de vídeo Fonte: vetkit/iStock.com. Os dispositivos de hardware supracitados são apenas alguns de um conjunto bastante extenso desses dispositivos. Contudo, eles são encontrados em qualquer estrura básica de dispositivo computacional eletrônico como computadores smarphones e tablets. Caracterizamos até aqui elementos físicos dos dispositivos eletrônicos. Porém, eles não são os únicos a fazerem parte destes dispositivos, há também outros elementos chamados de softwares. Segundo Tanembaum e Woodhull (2008): 1818 Sem software, um computador é basicamente um monte inútil de metal. Com software, um computador pode armazenar, processar e recuperar informações, tocar música e reproduzir vídeos, enviar e-mail, pesquisar a Internet e se envolver em muitas outras atividades valiosas para merecer sua manutenção (Tanenbaum e Woodhull, 2008, p. 21). Podemos dizer que um software são todos os programas que estão armazenados no computador, as sequências lógicas, o sistema de processamento de dados. A partir destas características podemos classificar os softwares em duas categorias: os programas de sistema e os programas de aplicativos. A primeira categoria diz respeito aos softwares que compõe a estrura básica de processamento de dados pelo computador, tal como o sistema operacional do computador (Windows, Linux, Mac), por exemplo. Já a segunda categoria de softwares, trata-se de diferentes programas aplicativos em que há forte interação com o usuário, como, por exemplo, editores de texto, planilhas eletrônicas, navegadores de Internet, entre outros. Considerando o que foi apresentado a respeito de hardwares e softwares, passemos agora a pensar de que maneiras eles podem ser aplicados nas aulas de Matemática. 5. Hardwares e softwares aplicados à Educação Depois de toda a contextualização histórica e discussão a respeito das características de hardwares e softwares, paremos e pensemos: como estas coisas podem influenciar e favorecer os processos de ensino e de aprendizagem nas aulas de matemática? Tudo depende do objetivo do professor e dos conteúdos que poderão ser explorados em aula. Como vimos, uma das primeiras tecnologias computacionais desenvolvidas foi o ábaco, mas nossa sociedade evoluiu e não é a mesma de quando surgiu esta tecnologia. 1919 19 Hoje as crianças, desde muito pequenas, já podem ter acesso a smartphones, televisores digitais, tablets entre outras tecnologias digitais. Além disso, o entendimento de que o professor é o único detentor de conhecimentos na sala de aula se tornou ultrapassado, pois crianças e adolescentes em todo mundo estão consumindo informações por meio da internet e eles também têm conhecimentos que podem contribuir com a aprendizagem em sala de aula. Sendo assim, atualmente dispomos de diferentes aplicativos e programas de computador para favorecer o ensino e a aprendizagem de Matemática. Silva, Ribeiro e Araújo (2018, p. 4) apresentam alguns desses softwares que estão apresentados na Figura 7 a seguir. 2020 Podemos perceber que há aplicativos para explorar diferentes conteúdos matemáticos e em diferentes etapas do Ensino. Para tanto, no trabalho com estes programas é importante que o professor planeje suas aulas e leve em consideração os seguintes pontos: • Para trabalhar com um destes aplicativos é necessário que os alunos utilizem um computador, ou é possível utilizarem smartphones, tablets ou uma projeção dos dados por meio de retroprojetor ligado a um computador? • Quais os requisitos mínimos exigidos pelo programa que será usado? Será que o computador/celular/tablet tem estas configurações? • É necessário apresentar um tutorial decomo o aluno irá interagir com o programa? O programa é de fácil manipulação? Por fim, a partir destas considerações é possível implementar um desses programas nas aulas de matemática permitindo, entre outros aspectos, que o aluno determine soluções para os problemas propostos utilizando o software e percebendo que diferentes maneiras podem ser consideradas corretas para uma mesma questão, ou, ainda, que não é somente por meio da fala do professor que podem aprender, mas utilizando os aplicativos e discutindo com os amigos a respeito de diferentes estratégias de solução, favorecendo o desenvolvimento de um senso crítico. 6. Considerações finais • Nesta leitura fundamental tivemos acesso a entendimentos basilares que subsidiaram o desenvolvimento da disciplina de TDICs e a Educação Matemática. • Pudemos conhecer o que são Tecnologias Digitiais da Informação e Comunicação e sua eolução histórica, que remonta desde o século V a.C aos dias atuais. 2121 21 • Depois disso, caracterizamos o que são hardwares e softwares, a importância de avaliar o hardware corretamente para melhor explorar as potencialidades do uso de difentes softwares nas aulas de matemática. Até a próxima leitura e bons estudos! TEORIA EM PRÁTICA A equipe pedagógica do colégio em que atua solicitou que você elabore um projeto para desenvolver nas aulas de matemáticas com seus alunos, fazendo uso de tecnologias digitais. Sabendo que você está trabalhando com um conteúdo relacionado à unidade temática probabilidade e estatística e, em seguida, trabalhará com um conteúdo da unidade temática de geometria, você verificou a possibilidade de trabalhar com planilhas eletrônicas ou então com um software de geometria dinâmica. Como avaliar de que maneira implementar o trabalho com estas tecnologias digitais em sala? A escola dispõe de uma sala de informática com computadores suficientes para sua turma e com hardwares que possibilitem o uso destes softwares? Ou há a possibilidade de desenvolver um trabalho com o uso destes softwares, instalados nos celulares dos alunos? VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. Conforme vimos nesta aula, as tecnologias digitais, como conhecemos hoje, passaram por grandes evoluções ao longo da história, que começou com o desenvolvimento de um dispositivo muito antigo, o ábaco. A respeito da história das tecnologias digitais, assinale a alternativa correta. 2222 a. Alan Turing foi um dos matemáticos que se destacou na Época dos dispositivos mecânicos. b. A calculadora de Pascal surgiu em 1800 e era capaz de realizar apenas as operações de adição e subtração. c. John Mauchly aperfeiçou a calculadora de Pascal e desenvolveu uma outra calculadora que era capaz de realizar as quatro operações aritméticas. d. Babbage não conseguiu construir nenhum dispositivo, só idealizou uma calculadora eletrônica. e. Joseph Jacquard desenvolveu por processos totalmente mecânicos, a programação para computar automaticamente uma máquina para tecelagem. 2. Assinale a alternativa correta a seguir que descreve características a respeito de hardwares e softwares. a. A memória secundária é “cérebro” dos dispositivos computacionais eletrônicos e, por isso, pode ser escolhida sem se preocupar com os demais hardwares. b. Pen drives, HD interno e externo, cartão de memória são exemplos de memórias secundárias. c. Na placa de vídeo ficam armazenados todos os processos em execução no computador. d. O processador fica instalado na placa de vídeo e é responsável por todo processamento de dados do dispositivo, sendo conhecido como cérebro do dispositivo. e. A placa mãe não é obrigatória em um dispositivo computacional eletrônico. 2323 23 3. Vimos que, ainda que favoreçam os processos de ensino e de aprendizagem em sala de aula, o uso de softwares nas aulas de matemática merece também algumas ponderações por parte do professor. Assinale, a seguir, a alternativa correta que indica algumas destas ponderações de maneira geral. a. Não precisa dar um tutorial para trabalhar os softwares com os alunos e nem planejar qual o dispositivo mais adequado para os alunos usarem. b. Verificar se os alunos querem utilizar os softwares nas aulas de matemática ou se preferem não utilizar. c. Verificar quais os requisitos minímos exigidos pelo programa, verificar se os dispositivos utilizados pelos alunos atendem a estes requistos d. Desconsiderar o objetivo da aula e do conteúdo trabalhado, deixando com que os alunos trabalhem com tecnologias digitais apenas para fazer algo diferente. e. Não precisa se preocupar com qual dispositivo é mais adequado, nem se os dispositivos têm os requisitos mínimos para reproduzir o programa. Referências bibliográficas ARAÚJO, Tacildo de Souza; RIBEIRO, Aretha Cristina; SILVA, João Paulo Martins da. O uso de softwares no ensino da matemática: entre o modismo e o uso inteligente. In: Congresso Nacional de Educação, 2018, Olinda. Anais V CONEDU. Campina Grande: Realize Eventos & Editora, 2018. v. 1. MONTEIRO, Mario A. Introdução à organização de computadores. 5. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2010. 2424 NOBRE, C. S. M. Experiências com uso das TIC na Educação Matemática do Ensino Fundamental. In: XII ENEM - Encontro Nacional de Educação Matemática, 2016, São Paulo, 2016. SANTOS, K. M. L. Criatividade na prática docente ao usar as TIC no ensino de matemática: inovação ao usar o software geoGebra na resolução de problemas matemático. In: 7º Simpósio Internacional de Educação e Comunicação, Aracaju-SE, 2016. TANENBAUM, Andrew. S; WOODHULL, Albert S. Sistemas operacionais: projeto e implementação. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2008. Gabarito Questão 1 – Resposta: E Joseph Jacquard foi o primeiro a desenvolver, por processos totalmente mecânicos, uma programação capaz de computar automaticamente uma máquina para tecelagem Questão 2 – Resposta: B As memórias secundárias são dispositivos capazes de armazenar dados de maneira permanete até que o usuário as exclua. Sendo assim, pen drives, HD interno e externo e cartões de memória são exemplos de memórias secundárias. Questão 3 – Resposta: C Dentre outras coisas, é necessário considerar quais os requisitos mínimos para utilizar determinado programa e considerar se os dispositivos que os alunos irão utilizar atendem a estes requisitos. 2525 25 Tecnologia Educacional e Mediação Tecnológica: algumas reflexões Autor: Victor Hugo dos Santos Gois Objetivos • Caracterizar tecnologia digital e mediação tecnológica. • Distinguir tecnologia digital e computador. • Discutir a respeito de estratégias de ensino com recursos tecnológicos. 2626 1. Introdução Olá, seja bem-vindo! Nesta leitura fundamental abordaremos a respeito de tecnologias digitais e Educação Matemática, mais especificamente, apresentaremos um olhar para a sociedade na era tecnológica. O mundo está em constante mudança e vimos na leitura fundamental anterior o quanto as tecnologias digitais evoluíram ao longo dos anos e nos proporcionou o acesso a informações instantâneas, informações essas dos mais diferentes lugares do planeta. Nesse caso, a maneira como entendemos ensino, aprendizagem, comunicação e acesso ao conhecimento também tem mudado com o passar dos anos. Por isso apresentamos reflexões a respeito dessa temática, pois se faz cada vez mais essencial a profissionais que atuam diretamente nos processos de ensino e aprendizagem em sala de aula. Com isso, além desta introdução, apresentamos o que são Tecnologias Educacionais e Mediação Tecnológica trazendo a caracterização destes termos na literatura e suas diferenças. A seguir apresentamos reflexões a respeito das diferenças entre Tecnologia Digital e computador. Depois destacamos algumas reflexões a respeito do ensinomediado com recursos tecnológicos e, por fim, nossas considerações finais. 2. Tecnologia Educacional e Mediação Tecnológica A partir das evoluções de tecnologias que já destacamos, podemos dizer que hoje estamos inseridos em uma sociedade digital. Estamos cada vez mais próximos, a partir de mensagens instantâneas, de pessoas distantes fisicamente. Ou ainda, temos acesso a informações que acontecem em nossa cidade, estado, país e no mundo em geral de maneira prática. Por meio de alguns cliques no smartphone ou em um computador e obtemos pesquisas para uma infinidade de assuntos. 2727 27 O modo como aprendemos a respeito dos mais diversos assuntos hoje mudou. Não são mais os familiares ou professores os únicos detentores de conhecimentos, mas há uma infinidade de páginas, canais e pessoas na internet que também “conhecem os conhecimentos” antes restritos a poucas pessoas dos círculos sociais dos alunos. Com isso, é preciso repensar a Educação e em como as Tecnologias Digitais podem influenciar nos processos de ensino e aprendizagem em sala de aula. Ou ainda, como é possível atrelar essas tecnologias nas relações de aluno e professor. Isto posto, estabeleceu-se o uso de Tecnologias Educacionais para professores, que nada mais são que o uso de Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação nas estratégias de ensino do professor em sala de aula. Nesse caso, rompe-se o paradigma de que o professor é o único detentor de conhecimentos na sala de aula, mas que os conhecimentos dos alunos também devem ser considerados nos processos de ensino e aprendizagem. Segundo Sampaio e Leite (2011): O estudo da tecnologia educacional propõe a presença e a utilização pedagógica das tecnologias da educação, do trabalho e da comunicação de maneira crítica, contextualizada, adequada aos princípios e objetivos gerais da escola e específicos do professor com sua turma, aos interesses e necessidades deste grupo (SAMPAIO; LEITE, 2011, p. 66). Moran, Masetto e Behrens (2003) corroboram com as asserções de Sampaio e Leite (2011) quando afirmam que a educação atrelada ao uso da tecnologia digital é uma das maneiras de relacionar “ensino e vida, conhecimento e ética, reflexão e ação, a ter uma visão da totalidade” (MORAN; MASETTO; BEHRENS, 2003, p. 12). Contudo, ainda que as Tecnologias Digitais sejam uma realidade, Penteado (2008) destaca a importância de o professor se preparar para inserção delas como Tecnologias Educacionais. Essa autora propõe que 2828 [...] é preciso considerar que a simples presença desses recursos no trabalho pedagógico não é sinônimo de mudanças significativas na qualidade de tal trabalho. Inicialmente é preciso lembrar que as novas tecnologias comunicacionais são apenas e tão-somente prolongamentos refinados, recursos sofisticados, aptos a potencializar a capacidade comunicacional inerente ao ser humano, que o caracteriza como animal social por excelência e produtor de cultura. Portanto, será tão somente na vivência de uma didática que exercite a capacidade comunicacional humana e pratique a educação como um processo específico de comunicação que as tecnologias comunicacionais ganharão a possibilidade de exercer o seu poder transformador, rumo a uma educação escolar formadora, reveladora, suporte para o exercício pleno da verdadeira cidadania (PENTEADO, 1998, p. 11). Nesse caso, o professor deve considerar formações e cursos que capacitem o trabalho com Tecnologias Educacionais em sala de aula. Tal trabalho pode ser designado na literatura como Mediação Tecnológica. Mas antes de entendermos o que é a Mediação Tecnológica, precisamos conhecer o papel do professor enquanto mediador pedagógico. De maneira geral, podemos considerar que o processo de aprendizagem no contexto de sala de aula é desenvolvido “nas relações estabelecidas entre os sujeitos, com o compartilhamento de saberes, experiências e conhecimentos que realizam e adquirem nas suas relações com o meio social” (ORNELAS; PRATI, 2014, p. 3). O professor, enquanto mediador pedagógico, atua no processo de ensino com uma intenção em sua ação, que os alunos possam aprender e, para isso, prepara suas aulas pensando em diferentes maneiras de favorecer tal intenção. De acordo com Feuerstein citado por Turra (2007), [...] a mediação é um fator de transmissão cultural. A cultura e os meios de informação são fontes para a mudança do homem. Uma mediação educativa deve ter integrados três elementos: o educador (ou qualquer pessoa que propicie desenvolvimento à outra), o aprendiz (ou qualquer pessoa na condição de mediado) e as relações (tudo o que é expressado/ vivenciado no processo de ensino e aprendizagem) (TURRA, 2007, p.308). 2929 29 PARA SABER MAIS O livro Mediação Tecnológica e Formação Docente, de Marcia Ambrósio e Hércules Tolêdo Corrrêa (Orgs). Apresenta textos de vários autores a respeito da mediação tecnológica articulada à formação docente buscando a melhoria da Educação Básica e possibilidades para o EaD. A partir do que foi explicitado por Turra (2007), temos que nessa perspectiva a mediação se sustenta sobre três pilares: mediador (professor), mediado (aluno) e os conteúdos a serem vistos pelo currículo. Assim, a mediação só ocorre se houver a participação de todos. Conhecendo o papel desenvolvido pelo professor enquanto mediador e considerando que ele inclua em sua prática Tecnologias Digitais, temos então a Mediação Tecnológica. De acordo com Soares (2003), tal mediação atende “[...] a análise das mudanças decorrentes da incidência das inovações tecnológicas no cotidiano das pessoas e grupos sociais, assim como o uso das ferramentas da informação nos processos educativos” (SOARES, 2003, p. 06). Conforme apontam as Diretrizes para o uso de Tecnologias Educacionais - Paraná (2010), cabe ao professor mediador regular os processos de ensino e de aprendizagem a partir das relações intrínsecas que se estabelecem a partir dos diálogos entre mediador e mediados. Nesse sentido, Libâneo (2009) aponta que [...] a presença do professor é indispensável para a criação das condições cognitivas e afetivas que ajudarão o aluno a atribuir significados às mensagens e informações recebidas das mídias, das multimídias e formas variadas de intervenção educativa urbana. O valor da aprendizagem 3030 escolar está justamente na sua capacidade de introduzir os alunos nos significados da cultura e da ciência por meio de mediações cognitivas e interacionais providas pelo professor. E a escola, concebida como espaço de síntese, estaria contribuindo efetivamente para uma educação básica de qualidade: formação geral e preparação para o uso da tecnologia, desenvolvimento de capacidades cognitivas e operativas, formação para o exercício da cidadania crítica, formação ética (2009, p.12). Assim, a Mediação Tecnológica só pode acontecer quando se tem claro os objetivos que as Tecnologias Digitais podem ter nas práticas que serão mediadas pelo professor. O docente necessita entender que os processos de ensino e aprendizagem se atualizaram e que as tecnologias contribuem para o desenvolvimento dos conhecimentos que os alunos possuem, rompendo o paradigma de linearidade do ensino, em que alunos deveriam aprender ao mesmo tempo e no mesmo espaço. O conhecimento deve ser compartilhado por todos, professor e alunos. E cabe ao primeiro mediar estas interações em sala de aula, tendo claro o objetivo e a intenção de atingir os conhecimentos estabelecidos no currículo escolar. Entendendo um pouco mais a respeito de Tecnologias Educacionais e Mediação tecnológica, precisamos entender que tais tecnologias não se restringem somente ao uso de computadores, conforme já vimos na leitura fundamental anterior. Vamos agora discutir outras Tecnologias Digitais que podem ser utilizadas tambémcomo Tecnologias Educacionais. 3. Tecnologia Digital e computador Podemos dizer que Tecnologias Digitais são um conjunto de tecnologias que permitem armazenar diferentes tipos de informação (imagem, som, texto, vídeo, entre outras) por meio de uma linguagem de programação em uma linguagem binária para dispositivos programados para tal finalidade. Dispositivos esses que comumente chamamos de computador. 3131 31 Contudo, com o avanço da tecnologia ao longo dos anos, temos que essas diferentes informações podem ser, na atualidade, armazenadas em dispositivos cada vez menores e portáteis. Assim podemos considerar smartphones, tablets, óculos de realidade virtual, entre outros, como diferentes tipos de computadores, além do computador de mesa ou notebook, que consideramos com tal nomenclatura. Na Figura 1, Figura 2 e Figura 3 destacamos esses exemplos de Tecnologias Digitais que também podem ser consideradas tipos de computadores. Figura 1 – Smarphone Figura 2 – Tablet Fonte: FG Trade/iStock.com. Fonte: golibo/iStock.com. Figura 3 – Óculos VR Fonte: filipefrazao/iStock.com. 3232 Desde seu surgimento no século XX, as Tecnologias Digitais revolucionaram o modo como nos comunicamos e difundimos informações. Com o advento de tais tecnologias é possível copiar, editar e difundir dados, sem a necessidade de um dono original da informação que faça essas ações, contribuindo, assim, de maneira negativa para o incentivo ao plágio e “pirataria” de informações, ou seja, por um lado facilita o acesso à informação e por outro pode-se corromper tal informação pelo modo como é disponibilizada. Por isso, o reforço de muitos pesquisadores em dizer que ainda que sejam de fácil acesso, as Tecnologias Digitais precisam ser previamente bem preparadas para que possam ser bem exploradas nas práticas de sala de aula. Pois, se por um lado há uma descentralização da informação e retirada do papel do professor como único detentor de conhecimentos na sala de aula, por outro, é necessário pensar como são acessados os diferentes dados disponíveis na rede online pelos alunos. ASSIMILE Utilizar tecnologias digitais em sala de aula não significa dispensar outras tecnologias que são utilizadas, como substituir lápis, papel e lousa por tablets. O objetivo das tecnologias digitais é potencializar o trabalho do professor sendo uma das ferramentas que ele pode utilizar em suas aulas. Contudo, para inserir a Tecnologia Digital no contexto escolar, é necessário incorporar este pensamento nos materiais utilizados e nas práticas comuns de sala de aula, tais como inserir a produção de conteúdos imagéticos e orais, usando jogos eletrônicos, lendo e escrevendo livros e textos em dispositivos digitais, tais como smartphones, tablets, computadores de mesa, óculos de realidade virtual, lousa digital, entre outros. 3333 33 Desse modo, é preciso reconhecermos que as crianças dessa e das próximas gerações já estão nascendo inseridas em uma sociedade digital, que consome diariamente conteúdos acessados por meio de Tecnologias Digitais, quer queiramos ou não. 4. Reflexões sobre as estratégias de ensino com recursos tecnológicos Vimos até agora a respeito de Tecnologias Digitais que podem ser utilizadas como Tecnologias Educacionais por meio de Mediações Tecnológicas nos processos de ensino e aprendizagem em sala de aula, mas como podemos inseri-las nas estratégias de ensino? Vamos discutir um pouco a respeito disso. Ensino e aprendizagem são terminologias recorrentes de processos em pesquisas a respeito de Educação no contexto escolar, além dos sujeitos que participam de tais processos, professor e aluno. Porém, a validação destes processos não é algo simples de caracterizar, pôr em prática e medir. É comum ouvir no contexto escolar o discurso de professores: “eu fiz minha parte e ensinei, mas o aluno não aprendeu”. Frases como essa remetem à ideia de que os processos de ensino e aprendizagem acontecem cada um para um sujeito diferente. O primeiro é dominado pelo professor que detém todo o conhecimento necessário. Já o segundo cabe ao aluno, sujeito que deve aprender, recipiente que será preenchido pelos conhecimentos que serão transmitidos pelo professor. Contudo, segundo Anastasiou (2015), essa dinâmica ensino-professor- aluno-aprendizagem nem sempre ocorre assim: Assim, se eu expliquei um conteúdo, mas o aluno desse não se apropriou, posso dizer que ensinei, ou apenas cumpri uma parte do processo? Mesmo tendo uma sincera intenção de ensinar, se a meta (a apreensão, a apropriação do conteúdo por parte do aluno) não se efetivou plenamente, 3434 como seria necessário, ou esperado, para prosseguir o caminho escolar do aluno, posso dizer que ensinei? Terei cumprido as [...] dimensões pretendidas na ação de ensinar? (ANASTASIOU, 2015, p. 2). Assim, temos que os processos de ensino e aprendizagem não se restringem a professor e aluno, respectivamente, em cada processo, mas cada um participa desses processos nas interações durante as aulas. Não temos a intenção de discutir aqui as teorias de ensino e aprendizagem, mas refletir a respeito da inserção de TDICs nesses processos e das novas possibilidades e ferramentas midiáticas que emergiram. Contudo, ainda que as Tecnologias Digitais abram um leque de possibilidades em sala de aula, podemos constatar que os professores ainda resistem a inseri-las em suas práticas, mantendo estratégias que, muitas vezes, ainda estão arraigadas a práticas que pouco envolvem. Isso pode causar em professores e alunos a ideia de que as práticas de ensino estão defasadas, causando desmotivação em ambos sujeitos (MORAN, 2000; FONTANA; CORDENONSI, 2015). De acordo com Fontana e Cordenonsi (2015), essa desmotivação pode estar relacionada ao fato de que as estratégias de ensino tidas como ‘tradicionais” não condizem mais com os atuais alunos. Práticas essas que não promovem a discussão e interação entre alunos e professores, ou que insistem em desconsiderar os conhecimentos que os alunos trazem também para a sala de aula. Freire (2011) chama tais estratégias de educação bancária que, segundo ele: Em lugar de comunicar-se, o educador faz “comunicados” e depósitos que os educandos, meras incidências, recebem pacientemente, memorizam e repetem. Eis aí a concepção “bancária” da educação em que a única margem de ação que se oferece aos educandos é a de receberem os depósitos, guardá-los e arquivá-los (FREIRE, 2011, p. 80). No sentindo apontado por Freire (2011) está a estratégia de ensino chamada de expositiva, que segundo Vasconcelos (2009): 3535 35 [...] com esta metodologia, efetivamente, não se consegue propiciar condições favoráveis para a apropriação crítica, criativa, significativa e duradoura do conhecimento, condição para exercício consciente e ativo da cidadania. Por que perdura então? Em termos sociais é aceita, pois esta é a forma de educação que as gerações passadas tiveram. Pedagogicamente, é legitimada pela prática de mera transmissão a que todos os professores estão familiarizados. Politicamente tem o respaldo da estrutura da sociedade de classes, que não tem interesse em formar criticamente as grandes massas; para esta os atuais elevadíssimos índices de reprovação, aprovação sem domínio do saber e evasão são soluções e não problemas (VASCONCELOS, 2009, p. 155). Com isso, a inserção das Tecnologias Digitais no ambiente escolar caminha com “[...] fervorosos seguidores e ferozes opositores das TDICs a debater se os computadores devem ser inseridos ou não no contexto escolar e de que modo” (JESUS; GALVÃO; RAMOS, 2012, p. 9). E esses mesmos autores ainda afirmam que entre os que defendem o uso das TDICs há aqueles que creditam a ela a “estratégia mágica” de salvar a educação, enquanto que dentre osque se opõem a aqueles que defendem que o uso de tais tecnologias em sala poderá alienar os alunos, ou, ainda, roubar o emprego dos professores e corromper como se dão os processos de ensino e aprendizagem. Por isso, supor que somente inserir Tecnologias Digitais Educacionais em sala de aula poderá mudar os contextos escolares de ensino é ilusório. O professor deve se preparar previamente para estabelecer uma Mediação tecnológica em sala utilizando diferentes Tecnologias Educacionais, seja na formação inicial e também em formações continuadas. O professor, tendo formação necessária, pode preparar suas aulas pautado em estratégias que propiciem o uso de tais tecnologias a partir de suas intenções para atingir determinado conteúdo presente no currículo escolar. 3636 Desse modo, para potencializar os processos de ensino e aprendizagem, o professor deve utilizar estratégias que motivem os alunos, tornando interessante os conteúdos por aproximá-los de algum significado para os estudantes. E quando é estimulado, o aluno desenvolve uma boa recordação, pois o estímulo e a curiosidade influenciam na produção de significados para o mesmo. Nesse sentido, Bortolazzo (2012) afirma a respeito dos estímulos que antes de estar presente no contexto escolar o aluno é: [...] bombardeado por imagens que assistiu na televisão, na Internet, no cinema, nos videogames e é tanta movimentação e estímulo que, ao chegar à sala de aula, ele percebe que impreterivelmente está fora do seu mundo 3D, com três ou quatro dimensões, e foi parar em um mundo 1D, com uma dimensão apenas. Como evitar a concorrência quando o único estímulo visual ou sonoro advém da imagem do quadro ou da voz do professor diante da possibilidade tentadora que um simples toque pode oferecer ao aluno? (BORTOLAZZO, 2012, p. 11). O desafio do professor na atualidade é oferecer aulas que favoreçam os processos de ensino e aprendizagem, e, neste caso, uma das soluções é inserir as Tecnologias Educacionais em sala por meio de uma estratégia de Mediação Tecnológica. Isso significa pensar e incluir tais tecnologias com objetivos e intenções claras de potencializar os processos de ensino e aprendizagem em sala de aula e não simplesmente incluir Tecnologias Digitais apenas porque os alunos fazem uso dela fora da sala de aula. As possibilidades de implementar essas estratégias são inúmeras, tais como o uso de Tecnologias Digitais que já destacamos nesta leitura fundamental, aliadas a diferentes tipos de softwares, como, por exemplo, o GeoGebra, que pode explorar a geometria de maneira dinâmica, planilhas eletrônicas, como o Calc e Excel, que permitem explorar o uso de fórmulas, relacionando-se a conteúdos algébricos, além de explorar o estudo de conteúdos de estatística e probabilidade, entre tantos outros. 3737 37 Nas próximas leituras fundamentais exploraremos um pouco mais destas estratégias com Tecnologias Educacionais que podem ser mediadas em sala de aula por professores. 5. Considerações finais • Nesta leitura fundamental voltamos nossa discussão a respeito da sociedade na era tecnológica. Discutindo o que são Tecnologias Educacionais e Mediação tecnológica, entendendo a diferença entre Tecnologia Digital e computador, e apresentando algumas reflexões a respeito de estratégias de ensino com a utilização de recursos tecnológicos. • A partir do que foi apresentado, podemos entender que as Tecnologias Educacionais são compostas por um conjunto de tecnologias que favoreçam os processos de ensino e de aprendizagem e, neste texto, focamos no uso de Tecnologias Digitais como Tecnologias Educacionais. • Além disso, vimos que por meio da interação professor- conhecimento-aluno o ensino e aprendizagem são favorecidos quando o professor atua como um mediador. Decentralizando dele o papel de detentor de todo o conhecimento em sala de aula, mas favorecendo e incentivando que os alunos pesquisem e apresentem aquilo que trazem consigo de conhecimentos. • E quando aliadas as Tecnologias Digitais a esta prática de sala de aula ocorre uma Mediação Tecnológica, cabendo ao professor avaliar bem aquilo que é adequado e o que não é no uso de diferentes Tecnologias Digitais. • Tecnologias estas que não se restringem apenas ao uso de computadores de mesa ou como popularmente chamamos, computadores. As tecnologias que mencionamos podem também ser smartphones, tablets, óculos de realidade virtual, lousa digital entre outras. Essas outras tecnologias podem também ser consideradas diferentes tipos de computadores. 3838 • Além disso, o uso desses dispositivos deve ser aliado ao uso de softwares, tais como: GeoGebra, planilhas eletrônicas, jogos eletrônicos, Youtube, entre outros. • Ao apresentarmos reflexões a respeito de estratégias de ensino pautadas em Tecnologias Digitais podemos perceber o quanto os processos de ensino e de aprendizagem ainda estão pautados em práticas excludentes dessas tecnologias e o quanto ainda é um desafio na atualidade inserir tais estratégias pautadas nessas tecnologias. • Por fim, temos que os alunos desta e das próximas gerações crescem totalmente imersos no consumo de Tecnologias Digitais e que resistir a incluir tais dispositivos no contexto escolar parece ser uma tentativa de “remar contra a maré”, pois é necessário também educar os alunos para fazerem bom uso de tais tecnologias, sabendo avaliar aquilo que é bom e descartar o que não acrescenta em seu conhecimento. Até a próxima leitura e bons estudos! TEORIA EM PRÁTICA Imagine que você está planejando o conteúdo bimestral de uma de suas turmas de Matemática. Você deseja encaminhar por meio de mediações tecnológicas suas aulas e fazer uso de algumas tecnologias educacionais. Porém, verifica que a escola em que atua está com o laboratório indisponível este próximo bimestre, pois esse ambiente passará por reformas. Neste caso, como avaliar de que maneira implementar tais práticas que pensou para suas aulas? A escola dispõe de algum outro tipo de tecnologia digital portátil, como tablet, lousa digital ou notebooks? Ou ainda, é possível que os alunos usem smartphones no 3939 39 desenvolvimento das aulas? O software que será utilizado precisa de que requisitos mínimos para rodar? Será necessário considerar algumas aulas para ensinar os alunos a trabalharem com tal tecnologia? VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. Conforme vimos nesta leitura, as Tecnologias Educacionais estão relacionadas também a Tecnologias Digitais, explorando-as de maneira crítica, contextualizada e adequada aos objetivos do trabalho do professor em sala de aula. A respeito deste tema, assinale a alternativa correta. a. O modo como aprendemos a respeito dos mais diversos assuntos hoje não mudou. São os familiares ou professores os únicos detentores de conhecimentos. b. É preciso considerar que a simples presença desses recursos no trabalho pedagógico é sinônimo de mudanças significativas na qualidade de tal trabalho. c. É na vivência de uma didática que exercite a comunicação humana e pratique a educação como um processo específico de comunicação que as tecnologias ganharão a possibilidade de exercer o seu poder transformador. d. A educação atrelada ao uso da tecnologia digital não pode relacionar ensino e vida, conhecimento e ética, reflexão e ação, a ter uma visão da totalidade. 4040 e. Mantém-se o paradigma de que o professor é o único detentor de conhecimentos na sala de aula e que os conhecimentos dos alunos não devem ser considerados nos processos de ensino e aprendizagem. 2. Assinale a alternativa correta a seguir a respeito de Tecnologias Digitais e computadores. a. Podemos dizer que Tecnologias Digitais são um conjunto de tecnologias que permitem armazenar diferentes tipos de informaçãopor meio de uma linguagem de programação para dispositivos programados para tal finalidade. b. Com o avanço da tecnologia ao longo dos anos temos que essas diferentes informações podem ser, na atualidade, armazenadas em dispositivos cada vez maiores e pouco usuais. c. Desde seu surgimento no século XX, as Tecnologias Digitais pouco influenciaram no modo como nos comunicamos e difundimos informações. d. Sendo de fácil acesso, as Tecnologias Digitais não precisam ser previamente bem preparadas para que possam ser exploradas nas práticas de sala de aula. e. Para inserir a Tecnologia Digital no contexto escolar, é necessário não incentivar este pensamento nos materiais utilizados e nas práticas comuns de sala de aula. 4141 41 3. Ensino e aprendizagem são terminologias em pesquisas a respeito de Educação no contexto escolar, além dos sujeitos do que deles participam, professor e aluno. Porém, a validação desses processos não é algo simples de caracterizar, pôr em prática e medir. Assinale, a seguir, a alternativa correta que indica algumas destas ponderações. a. Os processos de ensino e aprendizagem se restringem a professor e aluno, respectivamente, em cada processo e cada um participa de um desses processos. b. A desmotivação com os processos de ensino e aprendizagem atuais pode estar relacionada ao fato de que as estratégias de ensino, tidas como ‘tradicionais”, não condizem mais com os atuais alunos. c. Há aqueles que não creditam as TDICS com a “estratégia mágica” de salvar a educação, enquanto há outros que defendem que o uso de tais tecnologias em sala não pode corromper os processos de ensino e aprendizagem. d. Pouco funcionam os processos de ensino e aprendizagem quando o professor utilizar estratégias de ensino que motivem os alunos, tornando interessante os conteúdos por aproximá-los de algum significado para os estudantes. e. O desafio do professor na atualidade é oferecer aulas que favoreçam os processos de ensino e aprendizagem, e, neste caso, uma das soluções é inserir as Tecnologias Educacionais em sala por meio de uma estratégia de Mediação Tecnológica. 4242 Referências bibliográficas ANASTASIOU, L. G. C. Ensinar, Aprender, Apreender e Processos de Ensinagem. Disponível em: http://www.cfn.org.br/wp-content/uploads/2015/09/Oficina-3- Desafios-do-trabalho-docente-na-avaliacao-processual-Conteudo-utilizado-1.pdf. Acesso em: 13 abr. 2019. BORTOLAZZO, S. F. Nascidos na era digital: outros sujeitos, outra geração. In: XVI ENDIPE - ENCONTRO NACIONAL DE DIDÁTICA E PRÁTICAS DE ENSINO, 2012, Campinas. Anais.... Campinas: UNICAMP, 2012. FONTANA, Fabiana Fagundes; CORDENONSI, André Zanki. TDIC como mediadora do processo de ensino-aprendizagem da arquivologia. ÁGORA, Florianópolis, v. 25, n. 51, p. 101-131, jul./dez. 2015. FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 50. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2011. JESUS, P. M.; GALVÃO, R. R. O.; RAMOS, S. L. As tecnologias digitais de informação e comunicação na educação: desafios, riscos, e oportunidades. In: III SENEPT - SEMINÁRIO NACIONAL DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA, 2012, Belo Horizonte. Anais... Belo Horizonte: CEFET-MG, 2012. LIBÂNEO, J. C. Adeus professor, adeus professora? Novas exigências educacionais e profissão docente. 9. ed. São Paulo: Cortez, 2009. p. 10-20. v. 67 (Questões de nossa época). MASETTO, M. Mediação pedagógica e uso da tecnologia. In: MORAN, J. M.; MASETTO, M.; BEHRENS, M. Novas tecnologias e mediação pedagógica. Campinas, SP: Papirus, 2000. MORAN, J. M. Informática na Educação: Teoria & Prática, v. 3, n. 1, p. 137-144, set., 2000. ORNELAS, A. F. A.; PRATI, S. R. A. Os recursos tecnológicos na mediação do ensino e aprendizagem da Educação Física. In: PARANÁ, Os desafios da escola pública paranaense na perspectiva do professor PDE: Artigos. v.1, 2014. PENTEADO, H. D. Pedagogia da comunicação: teorias e práticas. São Paulo: Cortez, 1998. SAMPAIO, M; N. LEITE, L. S. Alfabetização tecnológica do professor. Rio de Janeiro: Vozes, 2011. SOARES, I.O. Alfabetização e educomunicação: o papel dos meios de comunicação e informação na educação de jovens e adultos ao longo da vida. In: III Telecongresso Internacional de Educação de Jovens e Adultos, 3. 2003. Disponível em: http:// www.usp.br/nce/wcp/arq/textos/89.pdf. Acesso em: 13 abr. 2019. 4343 43 TURRA, N. C. Experiência de aprendizagem mediada: um salto para a modificabilidade cognitiva estrutural. Revista Educere et Educare. Unioeste v. 2, n. 4, p. 297-310, jul./dez. 2007. Moran, Masetto e Behrens (2003) VASCONCELLOS, C. S. Coordenação do Trabalho Pedagógico: do projeto político- pedagógico ao cotidiano da sala de aula. 10. ed. São Paulo: Libertad Editora, 2009. Gabarito Questão 1 – Resposta: C De maneira geral, podemos considerar que o processo de aprendizagem no contexto de sala de aula é desenvolvido “nas relações estabelecidas entre os sujeitos, com o compartilhamento de saberes, experiências e conhecimentos que realizam e adquirem nas suas relações com o meio social” (ORNELAS; PRATI, 2014, p. 3). Questão 2 – Resposta: A Podemos dizer que Tecnologias Digitais são um conjunto de tecnologias que permitem armazenar diferentes tipos de informação (imagem, som, texto, vídeo, entre outras) por meio de uma linguagem de programação em uma linguagem binária para dispositivos programados para tal finalidade. Dispositivos esses que comumente chamamos de computador. Questão 3 – Resposta: E O desafio do professor na atualidade é oferecer aulas que favoreçam os processos de ensino e aprendizagem, e, neste caso, uma das soluções é inserir as Tecnologias Educacionais em sala por meio de uma estratégia de Mediação Tecnológica. Isso significa pensar e incluir tais tecnologias com objetivos e intenções claras de potencializar os processos de ensino e aprendizagem em sala de aula e não simplesmente incluir Tecnologias Digitais apenas porque os alunos fazem uso dela fora da sala de aula. 444444 Formação de professores e Ensino Híbrido: articulações e possibilidades Autor: Victor Hugo dos Santos Gois Objetivos • Refletir a respeito da formação de professores na era digital. • Caracterizar Ensino Híbrido. • Conhecer possibilidades de explorar o pensamento algébrico a partir do Ensino Híbrido. 4545 45 1. Introdução Olá! Nesta leitura fundamental refletiremos a respeito de Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação1 – TDICs – e Educação Matemática com enfoque na formação de professores e na modalidade de Ensino Híbrido. Cada vez mais imersos em tecnologias digitais, faz-se necessário repensar e reformular a formação de professores, tanto inicial quanto continuada, para discutirem, refletirem e desenvolverem práticas em sala de aula que se adequem com o uso de tais tecnologias. Isso não significa substituir antigas práticas por novas, pois as tecnologias digitais não devem ser entendidas como superiores e sim como complementares as práticas pedagógicas de sala de aula e com a potencialidade de otimizar os processos de ensino e aprendizagem no contexto escolar. Assim, apresentamos nesta leitura fundamental discussões e reflexões em torno da formação de professores na era digital e uma nova estratégia de ensino: o Ensino Híbrido. Desse modo, além desta introdução, apresentamos discussões a respeito da formação do professor na era digital. A seguir trazemos reflexões a respeito dos desafios para o uso de Tecnologia na Educação. Depois caracterizamos o que é Ensino Híbrido e de que maneiras pode ser implementado em sala de aula, na sequência apresentamos possibilidades de desenvolver o pensamento algébrico a partir do Ensino Híbrido utilizando softwares educativos. Por fim, trazemos nossas considerações finais. 1 Para evitar repetiçõesao longo do texto, em alguns momentos quando nos referirmos às Tecnologias Digi- tais da Informação e Comunicação utilizaremos o termo tecnologia. 4646 2. A formação do professor na era digital A educação está em constante mudança e situações comuns de sala de aula na atualidade, não são as mesmas vividas há três décadas, por exemplo. Assim, os professores que hoje atuam em sala de aula, em sua grande maioria, vivenciaram um outro modelo de Educação, com outros contextos escolares. Contextos esses em que as tecnologias digitais não eram populares e de amplo acesso à população de nosso país. Com isso, a esses professores, que foram formados sem o uso de tais tecnologias, e aos professores mais novos, que tiveram algum contato com tais ferramentas, faz-se necessário continuar se formando e capacitando para se adequar ao fato de que todos estamos imersos e cercados por tecnologias digitais a todo o momento no cotidiano. A adaptação é necessária, pois os alunos, bem como o contexto escolar, mudaram e estão inseridos numa sociedade digital. Sendo assim, o objetivo maior do professor continua o mesmo: formar cidadãos que possuam competências e habilidades de se inserir e atuar na sociedade contemporânea. Também se deve considerar o quanto tais tecnologias se modificaram nos últimos anos e continuam se modificando na atualidade. Assim, o modo de interação, comunicação, acesso a informações e entretenimento também tem se modificado e cada vez mais tem se tornado de fácil acesso e instantâneo. Por isso, faz-se necessário repensar as práticas docentes e os processos de ensino e aprendizagem em sala de aula, o que significa rever e aperfeiçoar a formação inicial e continuada de professores. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) – lei nº 9.394/96 – (BRASIL, 1996), no seu artigo de número 62, formaliza as modalidades de cursos de formação inicial e continuada de professores, afirmando que: 4747 47 Art. 62. A formação de docentes para atuar na educação básica far- se-á em nível superior, em curso de licenciatura plena, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nos cinco primeiros anos do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade normal. (Redação dada pela lei nº 13.415, de 2017) § 1º A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios, em regime de colaboração, deverão promover a formação inicial, a continuada e a capacitação dos profissionais de magistério. (Incluído pela Lei nº 12.056, de 2009). § 2º A formação continuada e a capacitação dos profissionais de magistério poderão utilizar recursos e tecnologias de educação a distância. (Incluído pela Lei nº 12.056, de 2009). § 3º A formação inicial de profissionais de magistério dará preferência ao ensino presencial, subsidiariamente fazendo uso de recursos e tecnologias de educação a distância. (Incluído pela Lei nº 12.056, de 2009). § 4º A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios adotarão mecanismos facilitadores de acesso e permanência em cursos de formação de docentes em nível superior para atuar na educação básica pública. (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013) (BRASIL, 1996). A partir do artigo 62 e os quatro primeiros parágrafos deste artigo da LDBEN 9.394/96 vemos que tanto para formação inicial quanto para formação continuada de professores há um incentivo para formação por meio da educação a distância, quando não há a possibilidade de formação presencial, com a utilização de recursos tecnológicos. E já em 2002, o Conselho Nacional de Educação (CNE), por meio da resolução número 1 de 18 de fevereiro, instituiu Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, apontando no artigo 2º e inciso VI que “o uso de tecnologias da informação e da comunicação e de metodologias, estratégias e materiais de apoio inovadores” (BRASIL, 2002). 4848 Com isso, vemos em documentos nacionais o incentivo e reconhecimento de inserção de tecnologias digitais na formação docente. Entretanto, é necessário, em contrapartida, uma disposição de professores para atualizarem e aperfeiçoarem suas práticas utilizando as tecnologias de maneira dialógica nos processos de ensino e aprendizagem em sala de aula. Essa formação do professor para o uso de tecnologias digitais significa participar de cursos e capacitações a fim de conhecer um arsenal de recursos que facilitem e potencializem as práticas pedagógicas em sala de aula, facilitando o acesso à informação e à comunicação, mas sem depender única e exclusivamente de tais recursos. Com isso, buscam-se desenvolver nos estudantes o senso crítico, analítico, autônomo por meio do uso de tais tecnologias em sala de aula, habilidades que só são possíveis a partir da mediação do professor utilizando essas tecnologias a seus mediados, seus alunos. É a partir de uma formação adequada que o professor terá capacidades de selecionar diferentes recursos tecnológicos para inseri-los no contexto escolar de sua sala de aula, utilizando livros digitais, portais, objetos e jogos educacionais que permitam uma maior participação e interação dos alunos nos processos de ensino e de aprendizagem. O intuito não é que o uso de tecnologias seja o único recurso ou o mais eficaz sempre, mas sim que o professor disponha de mais dessas alternativas pedagógicas para desenvolver os conteúdos em suas aulas alternado com outras alternativas, tendo assim um arsenal de práticas pedagógicas para que possa avaliar quando uma ou outra pode potencializar os processos de ensino e aprendizagem de determinado conteúdo do currículo. Por fim, como já mencionamos, como boa parte dos professores que estão em sala de aula cresceram numa época anterior a era digital que vivemos na atualidade, um dos desafios de inserir essas tecnologias 4949 49 está na disposição do professor em se formar para se capacitar, mas há outros pontos que podemos considerar como desafio de implementar tais práticas em sala de aula. 3. Desafios para uso da Tecnologia na Educação Cada vez mais se percebe que o uso de tecnologias está se tornando uma alternativa viável no contexto escolar. O Governo Federal, por meio de programas como o Programa Nacional de Tecnologia Educacional (PROINFO), tem, desde 1997 até os dias atuais, tentado investir em estruturas que façam uso de tecnologias digitais na escola pública. Este programa do governo tem por objetivo tornar acessível a informática aos alunos, além de disseminar novas tecnologias educacionais para professores e alunos. Contudo, substituir tecnologias manuais, como lápis, caderno, giz, lousa, por tecnologias digitais não será sinônimo de êxito e transformação inovadora na educação. É preciso entender que tais recursos devem compor o arsenal de alternativas e práticas que o professor dispõe e que cabe a ele discernir quando é melhor utilizar cada alternativa. Por isso, é indispensável que professores se formem e capacitem a respeito de tecnologias digitais, além de também fazer o uso dessas tecnologias. Pois se o professor está distante delas, como pode estabelecer algum significado para sua implementação no contexto escolar? Nesse caso, os alunos, por terem nascidos na era digital, muitas vezes têm um conhecimento maior e facilidade em operar diferentes tecnologias digitais que superam a do professor. E sabendo de que maneiras pode explorar positivamente tais pontos é que o professor pode ter êxito ao utilizar essas tecnologias em sala de aula. Além disso, outro desafio para implementação de tais alternativas no contexto escolar reside no fato de que com a facilidade do acesso à informação é necessário que o professor saiba mediar e auxiliar os alunos a filtrarem informações que não apresentem equívocos, possibilitando5050 aos alunos o desenvolvimento do senso crítico e analítico a partir de uma mesma informação apresentada de diferentes maneiras em sites. Mas se usada de maneira correta, é possível identificar em tais tecnologias fontes inesgotáveis de conhecimento que podem ser utilizadas para potencializar os processos de ensino e aprendizagem em sala de aula. Outros desafios da implementação de tecnologias digitais no contexto escolar também são importantes a se considerar, tais como: a escola não dispor de estrutura física adequada, a quantidade de equipamentos eletrônicos ser insuficiente, o horário das aulas ou a quantidade de aulas não ser condizente com o tempo necessário, as turmas serem compostas de alunos muito heterogêneos e problemas relacionados à conexão com a internet. Assim, podemos perceber que os desafios que se impõem não se resumem apenas ao papel do professor e do aluno, mas de toda a equipe pedagógica que está inserida no contexto escolar, pois se o professor está capacitado e pronto para inserir tecnologias em suas práticas, mas se depara com problemas estruturais físicos, como os supracitados, de nada adiantará sua formação e capacitação. Outro aspecto a se considerar são os alunos inseridos em escolas na zona rural, pois estes, em sua maioria, dependem de um mesmo meio de transporte para se locomoverem de casa para a escola, o que dificultaria um trabalho em contraturno, por exemplo, utilizando tecnologias digitais. Além disso, é possível identificar alunos mistos a respeito do uso de tecnologias. Alguns estão iniciando o contato com tecnologias digitais, outros já estão imersos e alguns nunca tiveram acesso a um computador ou celular. Entretanto, cabe ao professor não deixar que os alunos entendam que não necessitam mais de um docente para que adquiram conhecimentos fazendo o uso de tecnologia, mas os mesmos devem entender que ainda 5151 51 que seja possível ter acesso às mais diferentes informações na rede com facilidade na atualidade é necessário que os alunos desenvolvam um senso crítico e analítico para que possam, utilizando critérios consistentes, selecionar informações adequadas ao que necessitam. Além disso, é preciso também adequar e equilibrar a implementação de tecnologias em sala de aula que podem potencializar os processos de ensino e de aprendizagem, considerando que uma turma de alunos é composta por alunos que estão imersos nas tecnologias digitais, bem como aqueles que nunca tiveram acesso a tais. ASSIMILE Uma nova estratégia que emergiu na Educação da era digital é utilizar as TDICs no contexto escolar de maneira eficaz, articulando cada vez mais os conteúdos do currículo escolar a situações do cotidiano do aluno, situações essas que também podem se relacionar a tecnologias digitais, considerando que atualmente as tecnologias digitais estão bastante presentes no dia a dia de todas as pessoas. Assim, segundo Kenski (1998) temos que: As velozes transformações tecnológicas da atualidade impõem novos ritmos e dimensões à tarefa de ensinar e aprender. É preciso que se esteja em permanente estado de aprendizagem e de adaptação ao novo. Não existe mais a possibilidade de considerar-se alguém totalmente formado, independentemente do grau de escolarização alcançado (KENSKI,1998, p. 60). Pautados na necessidade de implementar as tecnologias digitais no contexto escolar, podemos ver em documentos nacionais, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC – BRASIL, 2018), diretrizes que 5252 vão ao encontro de disso. Tal documento ainda orienta que alunos devem desenvolver habilidades nos mais diferentes componentes curriculares, relacionadas à formação analítica e crítica em lidar com tecnologias digitais. Assim, os projetos pedagógicos precisam também ser adaptados ao desenvolvimento destas novas habilidades delineadas nos novos documentos nacionais para que possam atender aos novos paradigmas na Educação. Paradigmas estes que visam minimizar as fragmentações no currículo escolar e o ensino estanque, buscando promover uma formação mais ampla, que tenha significados aos alunos. Nesse sentido, Mercado (1999) afirma que na formação de professores: [...] é exigido dos professores que saibam incorporar e utilizar as novas tecnologias no processo de aprendizagem, exigindo-se uma nova configuração do processo didático e metodológico tradicionalmente usado em nossas escolas nas quais a função do aluno é a de mero receptor de informações e uma inserção crítica dos envolvidos, formação adequada e propostas de projetos inovadores (MERCADO, 1999, p. 20). Com a chegada da tecnologia no contexto escolar, um dos desafios que se tem para sua implementação, também, é o de que é preciso romper com o paradigma do professor ser o único detentor de conhecimentos e os alunos serem meros receptores, centrando o processo de ensino apenas no professor e o processo de aprendizagem apenas no aluno. Contudo, isso não significa que antigos paradigmas não mais funcionem e precisem ser descartados por completo, mas sim que é preciso aprimorá-los. Sendo assim, a inserção das TDICs nos processos de ensino e aprendizagem visa incorporar na prática pedagógica do professor melhorias, aperfeiçoando aquilo que é bom e revendo o que já não mais funciona. 5353 53 Por fim, reforça-se que a utilização de tecnologias digitais não significa substituir livro didático por um computador, por exemplo. Não é só mudar as ferramentas em sala de aula, mas adaptar e aprimorar as estratégias pedagógicas. 4. O Ensino Híbrido e a Tecnologia Vimos a importância de formar professores para utilizarem as tecnologias digitais em sala de aula e os desafios que se apresentam para implementação desta no contexto escolar. Agora conheceremos uma estratégia de ensino que permite a utilização de tecnologias nos processos de ensino e aprendizagem. Tal estratégia é chamada na literatura de Ensino Híbrido (EH). O Ensino Híbrido ou, como também é conhecido, a blended learning é uma tendência de ensino que emergiu nesta era digital. Ele é uma combinação de ensino presencial e ensino online, aliando a tecnologia presente na vida dos alunos à Educação. Apresenta-se como uma maneira viável de utilizar tecnologias digitais nos conteúdos do currículo escolar. O EH possui características próximas as de estratégias utilizadas em disciplinas ofertadas parcialmente ou totalmente a distância, pois segundo Bacich e Moran (2015): Híbrido significa misturado, mesclado, blended. A educação sempre foi misturada, híbrida, sempre combinou vários espaços, tempos, atividades, metodologias, públicos. Agora esse processo, com a mobilidade e a conectividade, é muito mais perceptível, amplo e profundo: trata- se de um ecossistema mais aberto e criativo. O ensino também é híbrido, porque não se reduz ao que planejamos institucionalmente, intencionalmente. Aprendemos através de processos de organizados, junto com processos abertos, informais. Aprendemos quando estamos com um professor e aprendemos sozinhos, com colegas, com desconhecidos. Aprendemos intencionalmente e aprendemos espontaneamente. (BACICH; MORAN, 2015, p. 45). 5454 Horn e Staker (2015) realizaram uma pesquisa minuciosa a respeito do Ensino Híbrido que apresentaram no livro “Blended: usando a inovação disruptiva para aprimorar a educação” em que caracterizam o EH. Em consonância a Bacich e Moran (2015), Horn e Staker (2015) afirma que: O EH é um programa de educação formal no qual um estudante aprende, pelo menos em parte, por meio da aprendizagem on-line, sobre o qual tem algum tipo de controle em relação ao tempo, ao lugar, ao caminho e/ ou ao ritmo e, pelo menos em parte, em um local físico, supervisionado, longe de casa. (HORN; STAKER, 2015, p. 54). PARA SABER MAIS O vídeo intitulado“ensino Híbrido – Personalização e Tecnologia na educação”, produzido pela Fundação Lemann, apresenta de maneira sucinta e prática o que é Ensino Híbrido e como ele pode potencializar os processos de ensino e de aprendizagem em sala de aula. Ainda segundo Bacich e Moran (2015) e Horn e Staker (2015), os estudantes estão desde muito pequenos imersos às tecnologias digitais, em especial à internet, utilizando tal tecnologia para comunicarem- se e também aprenderem. Segundo Bacich e Moran (2015), “o que a tecnologia traz hoje é a integração de todos os espaços e tempos”. Nesse sentido, Horn e Staker (2015) complementam que: [...] um número cada vez maior de estudantes está experimentando a aprendizagem virtual, embora continue a frequentar suas escolas tradicionais físicas – fenômeno chamado “EH”. O surgimento do EH é um sinal de que o ensino on-line está marchando para o topo do mercado. Ao acrescentar um componente físico, o ensino on-line pode oferecer mais supervisão, mais tutoria presencial e mais diversão presencial com os amigos para a maioria dos estudantes que necessitam da escola para esses propósitos tanto quanto para ajudá-los a obter conhecimento e habilidades. (HORN; STAKER, 2015, p. 4) 5555 55 Contudo, ao adotar o Ensino Híbrido como estratégia pedagógica, é preciso que o professor esteja aberto a modificar a organização de sala de aula, planos pedagógicos e a gestão do tempo de modo que as aulas passem a favorecer o interacionismo e a colaboração entre todos, alunos e professor. Todos devem também estar envolvidos com o desenvolvimento das aulas, de modo que o professor desempenhe um papel maior de mediador e permita aos alunos desenvolver um protagonismo e autonomia maior. Segundo Lima e Moura (2015): [...] um professor que escolhe o EH precisa conhecer, testar, escolher e validar ferramentas digitais. Testar implica pesquisar e estar em contato constante com o que é desenvolvido em tecnologia, procurando instrumentos cada vez mais simples e concisos. Escolher implica definir que determinada ferramenta será útil para cumprir o objetivo de aprendizagem em questão e, consequentemente, deve ser experimentada pelos alunos. A validação é o processo mais complexo, pois exige que o professor verifique se o instrumento causou impacto no processo de aprendizagem (LIMA; MOURA, 2015, p. 95). Assim, no Ensino Híbrido, professores e alunos ensinam e aprendem em tempos e locais diferentes, de maneira orgânica e contínua, pois tal estratégia tem como conceito basilar de que não há um único protagonista na aprendizagem e esta ocorre num contínuo. Além disso, ainda que mencionemos no singular, o termo Ensino Híbrido engloba um conjunto de estratégias fazendo uso de tecnologias na sala de aula. Partindo inicialmente da criação, feita pelo professor, de espaços que serão utilizados no processo de ensino e aprendizagem. Estes espaços podem ser dentro ou fora da sala de aula e o objetivo é que os alunos revezem entre eles, desenvolvendo diferentes atividades em cada espaço. Isto pode ser combinado a partir de determinado tempo fixo ou de acordo com alguma orientação específica. 5656 Além disso, os espaços podem ser compostos por pequenos grupos que deverão participar de alguma discussão, atividade escrita, leitura e interpretação de algum texto e pelo menos uma atividade desenvolvida online. Desse modo, os alunos terão acesso a informações a partir de diferentes fontes, alterando assim o paradigma comum das aulas. Nesse modelo de rotação dos espaços, temos as seguintes possibilidades: • rotação por estações: os alunos seguem toda a estrutura apresentada do modelo de rotação, mas apenas dentro da sala de aula. Os diferentes espaços são aqui considerados como estações e o objetivo é que os alunos passem por todas as estações; • laboratório rotacional: análogo à rotação por estações, mas neste caso os espaços vão além da sala de aula e incluem os espaços do laboratório da escola; • rotação individual: neste modelo de rotação, cada aluno deve receber algumas tarefas que deverá cumprir e temas que deverá estudar. Assim, o aluno passa pelas estações de acordo com os objetivos que precisa contemplar, ficando livre de transitar entre as diferentes estações de maneira pré-determinada; • sala de aula invertida: neste modelo, um dos espaços é a sala de aula e outro espaço é a própria casa do aluno. Assim, o aluno estuda os conteúdos teóricos em casa, a partir das tecnologias digitais e online, e o espaço da sala de aula é utilizado para resolver tarefas e discutir dúvidas. Além disso, nesse modelo, o professor atua mais como um orientador que auxilia os alunos em suas dúvidas e conduz os alunos ao objetivo que pretende com os conteúdos do currículo. O modelo de rotação chamado de aula invertida rompe com o paradigma da aula tradicional, pois os alunos estudam os conteúdos em casa antes das aulas, utilizando materiais digitais que foram fornecidos pelo professor, como vídeos, jogos educativos, textos online, entre outros. 5757 57 Outro ponto favorável a considerar a respeito da aula invertida é o fato de ela promover uma maior autonomia dos alunos e troca de informações com o professor, o que vai ao encontro de formar cidadãos com habilidade de trocar informações em trabalhos colaborativos. A estrutura dos diferentes modelos de Ensino Híbrido permite encaminhar as aulas utilizando tecnologias digitais de maneira integrada ao currículo e, dessa maneira, o objetivo não é simplesmente ensinar os alunos a manipularem determinada tecnologia, mas também usá-las para alcançarem outros fins, como, por exemplo, adquirir conhecimentos a respeito de determinado tema. 5. Desenvolvimento do pensamento algébrico mediado por softwares educativos A partir dos trabalhos de Castro Filho et al. (2008), Castro Filho (2007) e Castro Filho et al. (2005) apresentamos a seguir duas possibilidades de softwares que são chamados por esses autores de objetos de aprendizagem (OA) para explorar o desenvolvimento do pensamento algébrico nas aulas de matemática utilizando tecnologias digitais. A primeira atividade é chamada de Balança interativa, que tem por objetivo que o aluno utilize pesos nos dois pratos da balança para conseguir determinar os pesos desconhecidos, conforme apresentado na Figura 1. 5858 Figura 1 – Balança interativa Fonte: Castro Filho (2007). Segundo Castro Filho (2007) a tarefa Balança Interativa: [...] consiste em descobrir os valores associados aleatoriamente às letras. O aluno deverá utilizar a balança para pesar os pesos conhecidos e desconhecidos, compará-los e chegar a conclusões sobre os valores dos pesos desconhecidos. A cada vez que os pesos são colocados em qualquer dos pratos, a balança indica se a soma dos pesos em cada lado da balança é igual ou diferente.[...] O OA é dividido em dez níveis de dificuldade. No nível um, o aluno encontra pesos desconhecidos (letras de A até I) que variam de 1 a 10 e pesos conhecidos variando de 1 a 9. O objetivo maior deste nível é introduzir o aluno ao funcionamento do programa [...]. No nível dois, os pesos desconhecidos passam a variar de 1 a 20, enquanto os pesos conhecidos continuam a variar de 1 a 9. [...] Nos níveis três, quatro e cinco, o aluno possui respectivamente 7, 5 e 3 pesos conhecidos (CASTRO FILHO, 2007, p. 4-5). 5959 59 A segunda atividade é chamada de Cartas Interativas, que tem por objetivo determinar o valor das cartas desconhecidas estabelecendo igualdades e desigualdades com os valores das cartas, tanto conhecidas quanto desconhecidas e no menos número de movimentos possíveis, conforme apresentado na Figura 2. Figura 2 – Cartas Interativas Fonte: Castro Filho (2007). Segundo Castro Filho (2007) a tarefaCartas Interativas: O OA Cartas Interativas possui nove cartas desconhecidas (letras que vão do A ao I) e cartas conhecidas, cuja quantidade varia dependendo do nível de dificuldade. [...] O OA possui um tabuleiro com duas áreas onde as cartas conhecidas e desconhecidas podem ser colocadas [...]. Em cada lado da área de comparação podem ser colocadas no máximo 4 cartas. Entre as áreas do tabuleiro aparece um símbolo com o resultado das relações existentes entre as cartas. O OA apresenta três resultados possíveis: maior (>), menor (<) ou igual (=) e possui cinco níveis nos quais o número de valores conhecidos diminui gradativamente (CASTRO FILHO, 2007, p. 7). 6060 A partir do trabalho de Castro Filho et al. (2005) foi possível identificar características de pensamento algébrico nos registros feitos pelos alunos que trabalharam com as duas tarefas mencionadas. As características indicadas foram: interpretação dos dados dos problemas, montagem e resolução das equações e inequações e o uso de símbolos para representar quantidades desconhecidas. Por fim, outro ponto positivo que os autores identificaram é a possibilidade de registrar o histórico de marcações feitas pelos alunos, permitindo ao professor acompanhar todos os passos feitos pelos alunos. Assim, segundo Castro Filho (2007, p. 8), “O professor pode posteriormente utilizar esses dados tanto para a avaliação dos alunos quanto para discussão das estratégias utilizadas”. Até a próxima leitura e bons estudos! TEORIA EM PRÁTICA Imagine que você deseja utilizar a estratégia de sala de aula invertida em suas aulas de Matemática para ensinar alguns conteúdos algébricos. O que você deve levar em consideração na hora de implementar tal estratégia em suas aulas? Como escolherá as tecnologias digitais que fará uso? Deverá considerar informar aos familiares a respeito das estratégias utilizadas para que possam auxiliar os alunos nos estudos em casa? Deverá combinar com outros professores a respeito da organização da sala de aula? VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. Conforme vimos nesta leitura, com os alunos imersos em uma sociedade digital é preciso que professores se formem e capacitem para implementar tecnologias digitais em sala. A respeito deste tema, assinale a alternativa correta. 6161 61 a. Depois de sua formação inicial não são mais necessárias formações continuadas, pois tudo que é necessário o professor saber ele já viu durante sua formação inicial. b. É a partir de uma formação adequada que o professor terá capacidades de selecionar diferentes recursos tecnológicos para inseri-los no contexto escolar. c. A formação do professor para o uso de tecnologias digitais significa participar de cursos e capacitações para utilizar apenas estratégias tradicionais nas aulas. d. As tecnologias digitais não podem potencializar as práticas pedagógicas em sala de aula. e. Com o uso de tecnologias digitais, busca-se evidenciar que o professor é o único detentor de conhecimentos em sala e o aluno apenas um receptor. 2. Assinale a alternativa correta a seguir a respeito dos desafios de implementar tecnologias digitais em sala de aula. a. A escola dispor de uma estrutura física adequada e possuir quantidade de equipamentos eletrônicos suficientes para todos os alunos são dois dos desafios de implementar tecnologias. b. Se o professor está distante das tecnologias digitais não há problemas, pois o que importa são que os alunos desenvolvam senso crítico para saber utilizá-las a seu favor. c. Um desafio que se apresenta à implementação de tecnologia em sala é que o aluno, muitas vezes, tem um conhecimento maior e mais facilidade em operar diferentes tecnologias. 6262 d. Como vivemos na era digital não é necessário preparar previamente o trabalho com uma tecnologia digital, pois os alunos têm facilidade em operar qualquer tecnologia digital. e. Se usadas corretamente é possível identificar nas tecnologias digitais fonte inesgotável de conhecimento. 3. Assinale, a seguir, a alternativa correta que indica ponderações corretas a respeito do Ensino Híbrido. a. O surgimento do Ensino Híbrido é um sinal de que o ensino online está longe de existir. b. Ao adotar o Ensino Híbrido como estratégia pedagógica é preciso que o professor esteja fechado a modificar a organização de sala de aula e planos pedagógicos. c. Todos devem também estar envolvidos com o desenvolvimento das aulas, de modo que o professor desempenhe um papel maior de detentor do conhecimento e não permita aos alunos desempenharem um protagonismo e autonomia maior. d. Um professor que escolhe o Ensino Híbrido precisa conhecer, testar, escolher e validar ferramentas digitais antes de usá-las em sala. e. No Ensino Híbrido, alunos aprendem ao mesmo tempo, de maneira orgânica e contínua, pois tal estratégia tem como conceito basilar de que há um único protagonista na aprendizagem e esta ocorre num contínuo. 6363 63 Referências bibliográficas BACICH, L.; MORAN, J. M. Aprender e ensinar com foco na educação híbrida. Revista Pátio, v. 17, n. 25, p. 45-47, 2015. BRASIL, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996. BRASIL, Resolução CNE/CP nº 1, de 18 de fevereiro de 2002. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena. Disponível em: http:// portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/rcp01_02.pdf. Acesso em: 25 abr. 2019. BRASIL. Base Nacional Comum Curricular: Educação Infantil e Ensino Fundamental. Brasília: MEC/Secretaria de Educação Básica, 2017. CASTRO FILHO, J. A. Objetos de aprendizagem e sua utilização no ensino de matemática. In: IX Encontro Nacional de Educação Matemática, 2007, Belo Horizonte. IX Encontro Nacional de Educação Matemática. Belo Horizonte - MG: SBEM - Sociedade Brasileira de Educação Matemática, 2007. v. 01. CASTRO FILHO, J. A.; FREIRE, R. S.; FERNANDES, A. C. ; LEITE, M. A. Quando objetos digitais são efetivamente para aprendizagem: o caso da matemática. In: XIX Simpósio Brasileiro de Informática na Educação (SBIE), 2008, Fortaleza. Anais do XIX SBIE. Porto Alegre: Sociedade brasileira de Computação, 2008. v. 1. p. 583-592. CASTRO FILHO, J. A.; MACÊDO, L. N.; LEITE, M. A.; FREIRE, R. S. Cartas Interativas: desenvolvendo o pensamento algébrico mediado por um software educativo. In: Workshop de Informática na Escola - WIE/SBC 2005, 2005, São Leolpoldo. Anais da SBC-2005, 2005, p. 2763-2770. HORN; STAKER, M. B; H. Blended: usando a inovação disruptiva para aprimorar a educação. Porto Alegre: Penso, 2015. KENSKI, Vani Moreira. Novas tecnologias: o redimensionamento do espaço e do tempo e os impactos no trabalho docente. Revista Brasileira de Educação, n. 8, p. 58 -71, maio/ago. 1998. LIMA; MOURA, L. H. F.; F. R. O professor no ensino hibrido. In: BACICH, A.; TANZINETO, F.; TREVISANI, M. (Orgs.). EH: personalização e tecnologia na educação. Porto Alegre: Penso, 2015. MERCADO, Luiz Paulo Leopoldo. Formação continuada de professores e novas tecnologias. Maceió: EDUFAL, 1999. 6464 Gabarito Questão 1 – Resposta: B É a partir de uma formação adequada que o professor terá capacidades de selecionar diferentes recursos tecnológicos para inseri-los no contexto escolar de sua sala de aula, inserindo livros digitais, portais educacionais, objetos educacionais e jogos educacionais que permitam uma maior participação e interação dos alunos nos processos de ensino e de aprendizagem. Questão 2 – Resposta: E Se usada de maneira correta, é possível identificar em tais tecnologias fontes inesgotáveis de conhecimento que podem ser utilizadas para potencializar os processos de ensino e aprendizagem emsala de aula. Questão 3 – Resposta: D “[...] um professor que escolhe o EH precisa conhecer, testar, escolher e validar ferramentas digitais. Testar implica pesquisar e estar em contato constante com o que é desenvolvido em tecnologia, procurando instrumentos cada vez mais simples e concisos. Escolher implica definir que determinada ferramenta será útil para cumprir o objetivo de aprendizagem em questão e, consequentemente, deve ser experimentada pelos alunos. A validação é o processo mais complexo, pois exige que o professor verifique se o instrumento causou impacto no processo de aprendizagem” (LIMA; MOURA, 2015, p. 95). 6565 65 O conhecimento na era da tecnologia digital Autor: Victor Hugo dos Santos Gois Objetivos • Caracterizar dado, informação e conhecimento. • Discutir a relação sujeito e informação. • Conhecer possibilidades de explorar planilhas eletrônicas nas aulas de Matemática. 6666 1. Introdução Olá, seja bem-vindo! Nesta leitura fundamental falaremos sobre o uso de Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação1 – TDICs – e Educação Matemática com enfoque nas discussões a respeito do conhecimento na era da tecnologia digital. Ao articularmos mediação tecnológica com as práticas de sala de aula, podemos refletir a respeito dos impactos dessa nos processos de ensino e de aprendizagem e, em especial, sobre o desenvolvimento de conhecimentos e em como o aluno tem acesso a conhecimentos. Para isso, tendo como ponto de partida que alunos e professores têm acesso à internet, consideramos que inicialmente é necessário caracterizar o que entendemos por dados, informações e conhecimentos. Sendo termos comuns e relacionados a tecnologias digitais, será que podemos utilizar estas três palavras como sinônimas? Desse modo, apresentamos nesta leitura fundamental discussões e reflexões a respeito de dado, informação e conhecimento, a relação dos sujeitos com a informação ao longo do tempo e possibilidades de explorar planilhas eletrônicas em aulas de Matemática. Com isso, além desta introdução, introduzimos caracterizações de dados, informação e conhecimento e discutimos se estes termos podem ser utilizados como sinônimos. Em seguida, trazemos reflexões a respeito da produção de conhecimentos na era da tecnologia digital. Depois, apresentamos um contexto histórico da relação do sujeito com a informação, na sequência apresentamos possibilidades de trabalho com planilhas eletrônicas nas aulas de Matemática. Por fim, trazemos nossas considerações finais. 1 Para evitar repetições ao longo do texto, em alguns momentos quando nos referirmos às Tecnologias Digi- tais da Informação e Comunicação utilizaremos o termo tecnologia ou tecnologia digital. 6767 67 2. Dados, informações e conhecimentos Como já mencionamos, os termos dados, informação e conhecimento estão atualmente bastante relacionados às TDICs. De maneira informal costumam algumas vezes serem utilizados como sinônimos, mas cada termo possui características particulares que os distinguem. Caracterizamos dados como uma fonte primária de conteúdos que pode ser obtida a partir de uma ou mais fontes, ou seja, um conteúdo que por si só não carrega uma mensagem ou apresenta um significado. Dados possibilitam e constituem o que denominamos informação. Podemos citar como um exemplo de dados a seguinte situação: você consulta o histórico de um aluno e vê o algarismo oito na linha referente à informação da disciplina de Matemática, mas o que isso significa? Este algarismo representa a nota final do aluno em determinado ano? Uma de suas médias bimestrais? A quantidade de faltas que aquele aluno obteve no ano? Ou seja, um dado por ele mesmo não representa nada. A partir da caracterização de dados introduzimos por consequência a caracterização de informação. Esta pode ser entendida como o resultado do processamento de um conjunto de dados para atender a demandas de um indivíduo, determinado grupo ou sociedade. Um exemplo relacionado à informação está na seguinte palavra: MANGA A palavra manga, por si mesma, é um dado e não diz nada. Quando determinamos uma condição, tal como “escolher uma fruta”, a palavra manga pode representar uma fruta, que é uma condição, conforme Figura 1. 6868 Figura 1 – O dado MANGA utilizado na informação a respeito de uma fruta Fonte: ALEAIMAGE/iStock.com. Contudo, outra condição que poderia ser indicada ou acrescentada é a representação da palavra manga para “identificar extremidades de uma camisa”. Nesse caso, conforme Figura 2, o dado manga pode ser entendido como parte de uma camisa. Figura 2 – O dado MANGA utilizado na informação a respeito de camisas Fonte: stockstudioX/iStock.com. Sem entrar em uma discussão epistemológica, podemos entender conhecimento como algo obtido da experiência de um indivíduo, um grupo ou sociedade. Retomando o exemplo anterior, podemos dizer 6969 69 que alguém só tem conhecimento de manga, como uma fruta, se já teve alguma interação com ela. Do contrário, o indivíduo não terá informações a respeito dela. O conhecimento está intrinsicamente ligado à experiência, a interação do sujeito com o objeto de conhecimento. Desse modo, este terceiro termo está atrelado ao subjetivo. Com isso, a partir da caracterização de conhecimento, podemos dizer que tanto o Homem quanto os animais adquirem conhecimentos ao longo de suas vidas, mas o que difere o primeiro dos segundos é que ele é consciente de seus conhecimentos, enquanto os animais adquirem conhecimentos, mas não são capazes de pensar sobre eles. Por fim, relacionando estes termos a tecnologias temos que dados podem ser inseridos na rede para serem processados e gerarem informações. Mas o conhecimento não pode ser representado e, consequentemente, não pode ser inserido na rede. Assim, ainda que seja cada vez mais facilitado e instantâneo o acesso a dados e informações, não é possível acessar conhecimentos e assimilá-los sem que haja uma interação do sujeito com eles. 3. Produção de conhecimento na era digital Imersos nas tecnologias, uma nova configuração de sociedade surgiu e está se consolidando. Denominada de Sociedade da Informação, ela é resultado da acessibilidade cada vez maior e a instantaneidade do acesso a dados e informações. Segundo Barreto (2005), ao falarmos de Sociedade da Informação temos que: É preciso destacar muitos aspectos, dentre eles as transformações tecnológicas, organizacionais, geopolíticas, comerciais e financeiras, institucionais, culturais e sociais, para uma melhor compreensão da gênese desta Sociedade da Informação (BARRETO, p. 115). 7070 Entre o final do século XX e início do século XXI, novos modelos de organização de informações e do conhecimento surgiram e foram sendo aperfeiçoados pelas tecnologias digitais. A era digital potencializa o acesso a informação e o que hoje é referência pode se tornar amanhã obsoleto, conforme as tecnologias vão evoluindo. Dessa maneira, a Educação também precisou se adequar a estas mudanças. Inseridos nesta Era Digital, é papel da Educação capacitar e incentivar os alunos a desenvolverem senso crítico a respeito da quantidade de dados e informações que estão disponíveis todos os dias por meio da internet. Se antes, materiais físicos como livros e objetos manipuláveis potencializavam os processos de ensino e aprendizagem, hoje já não são suficientes. É necessário incluir tecnologias digitais complementando e auxiliando no trabalho com esta práticas. Paletta (2019) corrobora com isso, dizendo que: Observa-se que o mundo globalizado apresenta desafios crescentes aos profissionais das áreas de ciência da informação. Nesse contexto, um programa de educação continuada em gestão da informação digital e do conhecimento deve fornecer base conceitual,bem como instrumentalizar seus participantes para a atuação prática e eficiente como agentes de mudanças na “Sociedade da Informação” que coloca a ênfase no conteúdo do trabalho: processo de captar, processar e comunicar as informações necessárias, e da “Sociedade do Conhecimento” nos agentes econômicos que devem possuir qualificações superiores para o exercício professional em um mercado de trabalho global e cada vez mais complexo (PALETTA, 2019, p. 1854). Por este motivo, há uma gama enorme de tecnologias digitais que podem potencializar os processos de ensino e de aprendizagem. Sites, softwares educativos e redes sociais são alguns dos exemplos que podem ser explorados. 7171 71 Desse modo, é possível identificar ao longo da História que quando surgiu a escrita, esta potencializou o acesso ao conhecimento antes concebido apenas pela oralidade. Depois a imprensa aperfeiçoou e desenvolveu melhores maneiras de se ter acesso às informações. Com o modo que temos acesso a informações e dados atualmente, as relações pessoais se alteraram, explorando outros modos de se trocar experiências e ter acesso a informações. 4. A evolução da relação sujeito e informação A informação sempre teve um papel fundamental na estruturação das sociedades humanas desde sua concepção. Segundo Lévy (1998), os registros de todos os tipos, sejam eles orais ou escritos, funcionam como “travas de irreversibilidade”, fazendo com que o ser humano tivesse uma localização temporal, do antes e do depois (OGUNSOLA; ABOYADE, 2005). Nas primeiras organizações sociais humanas, a comunicação era exclusivamente oral. Isso tornava a informação localizada, dependendo do contexto imediato em que se encontravam o interlocutor e o receptor. Além disso, nada garantia que a mensagem seria propagada da mesma maneira ao longo dos anos. Com o surgimento dos primeiros alfabetos (norte-semítico, cuneiforme, aramaico e grego), a escrita surgiu como a principal maneira de propagação de informação. Com ela, tais barreiras foram superadas, uma vez que a mensagem poderia ser analisada fora do contexto em que ela foi criada (DIAS, 1999). Porém, diferentemente da mensagem oral, que sempre se adaptava à situação em que era transmitida, o texto escrito é rígido, e muitas vezes pode se tornar obscuro para o receptor. Segundo Lévy (1998), o trabalho de interpretação tem como função “diminuir a tensão semântica”, diminuindo as diferenças de contexto entre o autor e seus leitores. Tal rigidez, no entanto, é a base principal para a criação da legislatura, uma vez que a escrita “fala sempre, 7272 inalterável, repetindo incansavelmente a lei ou narrativa, retomando textualmente as palavras inscritas, como se o rei ou o padre estivessem lá em pessoa e para sempre” (LÉVY, 1998, p. 54). Apesar de todos estes benefícios, a escrita criou abismos das informações, uma vez que os manuscritos não eram acessíveis para a população em geral, ficando restrita apenas às elites. Foi apenas com a invenção da imprensa, por Guttemberg, no século XV, que os livros e suas cópias foram produzidos em massa, tornando-se mais acessíveis. A leitura e a interpretação passaram a ser mais individualizadas, e o leitor passou a ter mais acesso a teorias e ao conhecimento. Com a sua popularização, os livros modernos passaram a apresentar uma estruturação padronizada. Segundo Dias (1999), características como paginação, sumários, citações, capítulos, títulos, resumos, erratas, esquemas, diagramas, índices, palavras-chave, bibliografias, glossários, etc. possibilitaram ao leitor realizar uma avaliação prévia do conteúdo da obra, permitindo o acesso ao conteúdo da mesma maneira rápida e dinâmica. Além disso, o leitor passou a ter conhecimento de outros trabalhos que dissertavam sobre o mesmo assunto, facilitando a propagação da informação. O advento da biblioteconomia, no século XIX, com os sistemas Dewey e a Classificação Universal Decimal (CDU), contribuíram para facilitar ainda mais o acesso à informação (DIAS, 1999), uma vez que organizava as bibliotecas de maneira intuitiva, tornando buscas bibliográficas mais dinâmicas. Do século XIX em diante, os avanços tecnológicos entram num crescimento exponencial, e os dispositivos de comunicação e transmissão de informação sempre estiveram na vanguarda das inovações. Desde o código Morse, que digitalizou o alfabeto em 1837, passando pela invenção do protótipo do telefone e do rádio até a televisão, a fotocopiadora e o computador, os suportes de comunicação eram cada vez mais diversos (DIAS, 1998). Segundo Kadiri e Adetoro 7373 73 (2012, p. 21), “enquanto a descoberta do papiro e da imprensa tiveram como significado a disponibilidade de múltiplas cópias para as bibliotecas, microfichas, figuras, filmes e transparências contribuíram para a economia de espaço”. Na década de 1970 houve os disquetes e a comercialização de computadores pessoais, expandindo a informática para além dos centros de processamentos de dados. Na década de 1980, os processadores de texto, o desenvolvimento de interfaces mais dinâmicas e intuitivas e a Internet tornaram o acesso à informação algo cotidiano na vida das pessoas. Na década de 1990, com o desenvolvimento da linguagem HTML (sigla para Hyper Text Markup Language) e do HTTP (sigla para Hyper Text Transfer Protocol), a Internet deixou de ser algo acadêmico e passou a permitir a criação de servidores por qualquer pessoa. Além disso, em 1993, as enciclopédias digitais ultrapassaram em vendas suas contrapartes impressas (DIAS, 1998). Esta rápida expansão da informação em massa é denominada de Explosão de Informação (OGUNSOLA; ABOYADE, 2005). Segundo Kadiri e Adetoro (2012), a Explosão de Informação é definida como o rápido aumento na quantidade de informação publicada. Dados levantados pelos pesquisadores mostram que: em 1550, 35 mil livros foram publicados; em 1850, foram 3,3 milhões; em 2000, foram 52 milhões. Tal aumento exponencial na quantidade de informação disponível gera opressão nos usuários e gerenciadores de tais dados, caracterizando o que Wilson (2001) define como Sobrecarga de Informação. A dinâmica do acesso à informação mudou ao longo dos anos. Antes, a falta de acesso gerava problemas e, atualmente, seu excesso também é problemático. Kadiri e Adetoro (2012) descrevem alguns problemas gerados por tal situação, como: mesmo com uma grande quantidade de informação, o indivíduo passa a saber menos, já que seu conhecimento é insignificante perante toda a gama de informação disponível na rede; excesso de informação leva à fadiga cerebral, o que acarreta em perda 7474 de informação potencialmente importante; vícios em informação, que tornam o indivíduo muito dependente de fontes como a Internet, o que acarreta em perda de produtividade; diminuição na capacidade de atenção; a grande disponibilidade de informação leva a uma perda de pensamento a longo prazo; com toda essa informação disponível, muitas vezes sem nenhum tipo de filtro, a contaminação da informação pode levar um indivíduo a cometer erros; a explosão de informação faz com que o indivíduo pense no passado e no futuro imediato sem prestar a devida atenção ao presente. Para isso, o atual desafio não é mais o de tornar a informação acessível, mas sim contê-la. Para isso, duas maneiras de se lidar com isso são: melhores metodologias de busca de dados e informação, e assim transformá-los em conhecimento; métodos mecanizados de filtração de dados, capazes de separar aquilo que é útil do que apenas distrai (KADIRI E ADETORO, 2012). 5. O uso de planilhas eletrônicas nas aulas de Matemática Uma possibilidade de utilizar as tecnologias digitais no contexto educacional para que os alunos possam aprender a filtrar o acesso à enorme quantidade de informações instantâneas quetodos temos acesso no cotidiano é utilizar planilhas eletrônicas nas aulas de Matemática. As planilhas eletrônicas começaram a ser pensadas para explorar conceitos de Matemática financeira desde a popularização de computadores domésticos, pois esses softwares possibilitaram operar muitos cálculos e obter resultados rápidos de maneira prática. Além disso, operar as planilhas eletrônicas foi sendo cada vez mais facilitado, o que tornou este recurso uma ferramenta popular para administrar finanças. 7575 75 ASSIMILE Com o avanço das tecnologias digitais, hoje é possível acessar tais planilhas até mesmo por smartphones, e com a facilidade de compartilhamento de informações na internet, também permite que uma pessoa possa editar e ter acesso a dados compartilhados por outras pessoas. Desse modo, podemos perceber que as planilhas eletrônicas podem oportunizar conhecimentos matemáticos a partir de suas funcionalidades. Nesse sentido, Fioreze (2010) corrobora a utilização dessa ferramenta de TDICs às possibilidades de utilizar planilhas eletrônicas nas aulas de Matemática dizendo que: Com as planilhas eletrônicas, podem-se inserir fórmulas que possibilitam minimizar cálculos laboriosos e rotineiros, permitindo assim que se dê mais atenção à construção de procedimentos relacionados à resolução do problema e à verificação e análise do resultado encontrado. Assim como na utilização da calculadora, a montagem das expressões envolvidas na situação demanda que o aluno tenha conhecimento da hierarquia de cada operação em relação às demais, necessitando, quando que necessário, a colocação de parênteses. Essa verificação do erro cometido ao observar os resultados encontrados possibilita que o aluno encontre na expressão o que deve ser corrigido. (FIOREZE, 2010, p.84). Além disso, as planilhas eletrônicas têm funcionalidades de inserir fórmulas em suas células para operar desde cálculos simples aos mais complexos, registrar, manipular e explorar uma grande quantidade de dados quantitativos e qualitativos, estabelecer relações entre diferentes maneiras de apresentação de dados e informações, entre outras possibilidades. Além disso, permite a construção de modelos matemáticos para resolução de problemas, possibilitando inclusive a análise dos dados por ferramentas próprias do software. 7676 Desse modo, a utilização de planilhas eletrônicas nas aulas de Matemática é uma potencial alternativa pedagógica para explorar conteúdos de Matemática financeira e de Probabilidade e estatística, fazendo o uso nesse caso de TDICs em sala de aula a partir de mediações tecnológicas. Com o uso de tecnologias digitais é possível que os alunos testem, comparem e analisem suas hipóteses e validem o conhecimento que adquiriram, possibilitando aos alunos uma maior independência do professor nos processos de ensino e aprendizagem para chegar a conclusões próprias. Nesse sentido, Giraldo et al. (2012) argumenta que: Na abordagem de tratamento da informação e Matemática Financeira, as planilhas podem ser empregadas com dados extraídos de situações concretas, que podem ser coletados pelos próprios alunos. As ferramentas estatísticas e gráficas disponíveis nas planilhas eletrônicas possibilitam a representação desses dados de diferentes formas numéricas e gráficas, bem como a análise, comparação e interpretação dessas representações, visando à formulação de conclusões e hipóteses... No estágio econômico por que passa o Brasil, com grande parte da população tendo acesso a créditos e financiamentos em modelos diversificados, cabe ao ensino básico de Matemática oferecer ao aluno uma formação sólida neste campo. (GIRALDO, et al, 2012, p.45). Um exemplo de software de planilha eletrônica é o Calc do LibreOffice, um conjunto de softwares gratuitos que incluem, além da planilha eletrônica, editor de textos, apresentações, desenhos e banco de dados. No Figura 3, estão apresentados alguns dos recursos disponíveis da planilha eletrônica Calc em sua tela inicial. 7777 77 Figura 3 – Tela inicial do Calc Fonte: Acervo do autor. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC – BRASIL, 2018), documento mais atual de diretrizes nacional para Educação Básica, também incentiva o uso das planilhas eletrônicas nas aulas de Matemática. Esse documento (BRASIL, 2018) aponta que: [...] a BNCC propõe que os estudantes utilizem tecnologias, como calculadoras e planilhas eletrônicas, desde os anos iniciais do Ensino Fundamental. Tal valorização possibilita que, ao chegarem aos anos finais, eles possam ser estimulados a desenvolver o pensamento computacional, por meio da interpretação e da elaboração de algoritmos, incluindo aqueles que podem ser representados por fluxogramas (BRASIL, 2018, p. 528). Além disso, esse mesmo documento aponta para o desenvolvimento de diversas habilidades ao longo de toda Educação Básica envolvendo o uso de planilhas eletrônicas em situações cotidianas dos alunos. PARA SABER MAIS O livro intitulado “Tópicos especiais no ensino de matemática: tecnologias e tratamento da informação”, de Dolores Follador, apresenta a possibilidade de articular 7878 alguns conteúdos matemáticos com o uso de tecnologias digitais. São debatidos o uso de planilhas eletrônicas, calculadoras, softwares e outras tecnologias. Para realizar a leitura do capítulo 4 desse livro, que trata a respeito de planilhas eletrônicas nas aulas de Matemática, páginas 117-136, acesse a plataforma Biblioteca Virtual 3.0/ Pearson disponível na Biblioteca Virtual da Kroton. Assim, podemos perceber que o uso de planilhas eletrônicas no ensino de Matemática possibilita explorar conteúdos do currículo e relacioná-los a situações vivenciadas pelos mesmos, ou por seus familiares, permitindo uma produção de significados e conhecimentos matemáticos intrínsecos a situações do cotidiano. 6. Considerações finais • Nesta leitura fundamental podemos discutir a respeito do conhecimento na era digital a partir da caracterização de dados, informações e conhecimentos, a relação do sujeito com a informação e sua evolução ao longo dos anos, além de uma possibilidade de construção de conhecimentos matemáticos a partir de tecnologias digitais: as planilhas eletrônicas. • Vimos que, ainda que de modo informal sejam utilizados como sinônimos, os termos “dado”, “informação” e “conhecimento” possuem semânticas diferentes, e com o desenvolvimento das tecnologias digitais dados e informações podem ser encontrados na internet, mas o conhecimento envolve experiência e interação, então não é possível representá-lo, mas sim a partir de dados e informações cada sujeito constrói conhecimentos. 7979 79 • Além disso, com o passar dos anos, a relação sujeito e informação mudou. O que antes era compartilhado pela oralidade, passou para escrita, depois para imprensa e atualmente temos acesso a uma infinidade de informações de modo instantâneo. Desse modo, cabe à Educação valorizar e possibilitar aos alunos filtrar e explorar essas informações que lhe são apresentadas a partir de seus objetivos e intenções. • Por fim, uma tecnologia que permite nas aulas de Matemática auxiliar aos alunos identificarem e analisarem as informações e dados que atendem ao que necessitam é o uso de planilhas eletrônicas. Até a próxima leitura e bons estudos! TEORIA EM PRÁTICA Suponha que você queira implementar o uso de planilhas eletrônicas em suas aulas de Matemática com turmas dos anos finais do Ensino Fundamental para explorar com os alunos conteúdos de tabelas e gráficos. Para isso você já sabe de antemão que será possível utilizar o laboratório de informática da escola. Assim, no planejamento das aulas, o que você deve levar em consideração na hora de abordar estes conteúdos matemáticos utilizandoplanilhas eletrônicas? Como poderá avaliar o aluno fazendo o uso de tais tecnologias para aprender estes conteúdos matemáticos? VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. Conforme vimos nesta leitura fundamental, dados, informações e conhecimentos estão sendo relacionados às tecnologias digitais. A respeito do conceito de dados, assinale a alternativa correta. 8080 a. Dados são fundamentais para o desenvolvimento de pesquisas, pois por si próprios revelam significados. b. Dados são fontes secundárias de informações. c. Dados são fontes primárias de informações e podem ser obtidos apenas de determinada fonte. d. Dados são fontes primárias de informações e podem ser obtidos em uma ou mais fonte. e. As informações não são retiradas a partir dos dados, que são fonte primária. 2. Assinale a alternativa correta a respeito da caracterização do conceito de informação: a. Informações são fontes primárias e não carregam consigo uma mensagem. b. A caracterização de informação é sinônima de conhecimento. c. A caracterização de informação consiste no processamento de determinados conhecimentos. d. A caracterização de informação não está relacionada a dados e conhecimentos. e. A caracterização de informação diz respeito ao resultado do processamento de um conjunto de dados para atender a determinadas demandas. 3. Sobre o desenvolvimento das tecnologias da informação com a prática dos professores no contexto atual, considere as alternativas e assinale a correta. 8181 81 a. O desenvolvimento das tecnologias digitais não possui relação com práticas pedagógicas na Educação. b. As tecnologias digitais não sofreram modificações ao longo do tempo, por isso não é importante pensar a interação dessas ferramentas com a prática dos professores. c. O desenvolvimento de tecnologias digitais influencia direta e indiretamente no novo modelo de educação proposto atualmente. d. As mudanças nas tecnologias digitais vêm reforçar a necessidade de professores também fazerem o curso de graduação em ciência da computação. e. O modo de comunicação, de acesso a informações e entretenimento sofreram modificações, mas não interferem nos processos de ensino e de aprendizagem. Referências bibliográficas BARRETO, A. M. Informação e conhecimento na era digital. Transinformação, Campinas, v. 17 (2), 2005. Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo. oa?id=384334739002. Acesso em: 10 maio 2019. BRASIL, MEC. Base Nacional Comum Curricular. Versão final. 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/abase/. Acesso em: 10 maio 2019. DIAS, C. A. Hipertexto: evolução histórica e efeitos sociais. Sci. Inf., Brasília, v. 28, n. 3, p. 269-277, set./dez. 1999. FIOREZE, L. A. Atividades digitais e a construção dos conceitos de proporcionalidade: uma análise a partir da teoria dos campos conceituais. Porto alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2010, 240 p. Tese (Doutorado em Informática na Educação) – Programa de Pós-Graduação em Informática na Educação, UFRGS, Porto Alegre, 2010. 8282 GIRALDO, V. et al. Recursos computacionais no ensino de matemática. Rio de Janeiro: SBM, 2012. KADIRI, J. A.; ADETORO, N. A. Information Explosion and the Challenges of Information and Communication Technology Utilization in Nigerian Libraries and Information Centres. Ozean Journal of Social Sciences, v. 5, n. 1, p. 21-30, 2012. LÉVY, P. As tecnologias da inteligência: O futuro do pensamento na era da informática. 2. ed. São Paulo: Editora 34, 2010. OGUNSOLA, L. A.; ABOYADE, W. A. Information and Communication Technology in Nigeria: Revolution or Evolution. J. Soc. Sci., v.11, n.1, p. 7-14, 2005. PALETTA, F. C. Gestão da Informação e conhecimento na era digital: competência informacional e mapas conceituais. Information Systems and Technology Management V1 1.1, 2019. Disponível em: https://www. academia.edu/38733126/GEST%C3%83O_DA_INFORMA%C3%87%C3%83O_E_ CONHECIMENTO_NA_ERA_DIGITAL_COMPET%C3%8ANCIA_INFORMACIONAL_E_ MAPAS_CONCEITUAIS. Acesso em: 10 maio 2019. WILSON, T. Information Overload Myth, Reality and Implications for Health Care. 2001. Disponível em: https://www.slideshare.net/mondinacarmo/apresentao- professor-tom-wilson. Acesso em: 10 maio 2019. Gabarito Questão 1 – Resposta: D O conceito de dados consiste na fonte primária de conteúdos, ou seja, um dado por si só não aponta um significado. Podem ser retirados de várias fontes, não possuindo uma única procedência, e a partir da sua obtenção, os dados podem gerar informações. Questão 2 – Resposta: E O conceito de informação consiste no resultado do processamento de um conjunto de dados para atender a demandas, sendo que essas podem ser individuais, de grupos específicos ou de sociedades. Questão 3 – Resposta: C As tecnologias digitais foram se aperfeiçoando e com isso há uma facilidade de comunicação e interação entre as pessoas, o que influencia na prática dos professores, sendo necessária a formação continuada. 8383 83 Internet: aliada ou inimiga? Autora: Francis Roberta de Jesus Objetivos • Tomar ciência de como o desenvolvimento da tecnologia produziu e produz influências sobre os processos educativos; • Compreender e valorizar os aspectos contributivos do uso da Internet como recurso para o apoio dos processos de ensino e de aprendizagem; • Compreender o uso da Internet como estratégia para flexibilizar e diversificar os processos de ensino e de aprendizagem, além da oportunização do desenvolvimento de competências e de habilidades específicas; • Compreender como a Internet pode ser uma aliada para o ensino da matemática e para a criação de estratégias de ensino; • Apontar para aspectos que mereçam atenção em relação ao uso da Internet como recurso para promoção educativa. 8484 1. Introdução O objetivo desta leitura fundamental é conhecer e discutir sobre alguns aspectos do desenvolvimento das Tecnologias da Informação da Comunicação (TICs) e recursos digitais de modo a analisar figurações positivas e negativas que possam estar relacionadas ao uso específico da Internet como recurso educacional e para o ensino. Aspectos tais, como os benefícios que o uso da Internet pode trazer para a sala de aula serão considerados. Contudo, sem deixar de apontar para preocupações sobre o fato de que o acesso livre a sites, plataformas, redes sociais, mídias, tecnologias digitais e uso de dispositivos móveis em geral podem trazer perigos, para os quais todos os envolvidos no processo educativo deverão estar em alerta, e sendo este um foco constante de debates críticos e de conscientização. Também serão abordados os aspectos que dizem respeito às necessidades impostas, às discussões emergentes e às contribuições trazidas pelo uso das redes em contexto educacional, pelo que traz consigo imperativos, tais como o aumento das ações que promovam acesso, inclusão digital e promoção de desenvolvimento da capacidade de instrumentalização, atualizações e preparo de alunos e de professores para lidar com conteúdos formais e utilizar recursos que as TICs oferecem, considerando os desafios para ambas as partes: educacionais e para o uso das mídias digitais na condição de cidadão. 2. Considerações gerais sobre as TICs As TICs fazem referência aos usos e às funções comunicativas de informações que são veiculadas através de diferentes tecnologias. As informações podem ser transmitidas por diferentes meios técnicos que apoiam o modo como as informações são tratadas e difundidas, o que inclui diversos suportes físicos, ou ainda, programas específicos de computadores ou outros recursos tecnológicos da informação e de programas a eles relativos. 8585 85 Para troca e veiculação dos dados que compõem as citadas informações foi criado um conjunto deredes que intercambiam dados fazendo uso de um protocolo comum, a saber, a Internet. Esta pode reunir uma gama de usuários particulares que compõem diferentes redes ligadas a servidores que processam os dados e os transmitem, conectando-os. Através dessas relações articuladas, a Internet carrega uma variedade de recursos e de serviços, permitindo o acesso à informação e à comunicação tanto de forma síncrona quanto assíncrona. Quanto ao significado do termo Internet1, é originário da língua inglesa, composto a partir da aglutinação das palavras “entre” e “rede” (inter e network), datado do início da década de 1970, com o objetivo de designar integrações entre computadores, transmissão de dados, informações e comunicação, consistindo numa rede de caminhos para desempenhar esta função. O mesmo dicionário assim define: “Rede mundial que, pela troca virtual de dados e mensagens, une computadores particulares, organizações de pesquisa, institutos de cultura, institutos militares, bibliotecas, corporações de todos os tamanhos; rede mundial de computadores”. Esta definição permite considerar a imensa extensão e amplitude do alcance da Internet e do acesso à informação através de diferentes conjuntos de mídias, as quais constituem meios para a disseminação das informações e conteúdos veiculados sob diferentes propósitos. Embora a Internet componha uma característica que permita descrever a modernidade mais recente, revela importância ímpar para a história da comunicação social, para o acesso a diferentes informações, armazenamento de dados, integração de informações de diferentes tipos e integração social. O papel da Internet para ao processo de globalização econômica e cultural, tendo em vista que esses processos estão intimamente ligados às mudanças tecnológicas ao longo da história, fez com que os fluxos de informações se tornassem cada vez mais velozes assim como de comunicações, capitais, investimentos, mercadorias, produtos e serviços dentre outros aspectos. 1 Fonte: Dicio - Dicionário Online de Português. Disponível em: https://www.dicio.com.br/internet. Acesso em: 24 abr. 2019. 8686 É datado da década de 1990 um marco de oficialização e de divulgação mais ampla da Internet, deixando de ser uso exclusivo de órgãos governamentais, principalmente no Reino Unido e nos Estados Unidos e do final da década de 1980 os primeiros acessos brasileiros às tecnologias em rede, ao reunir tecnologias digital e eletrônica, momento também próximo da criação do projeto World Wide Web, que permitiu o acesso a diversos recursos em formato de hipertextos e recursos diversos de inter-relação entre diferentes tipos de documentos, passando a possibilitar o acesso a diferentes serviços sem fazer usos específicos de protocolos exclusivos para cada objetivo dos usuários ao buscarem ou enviarem informações, facilitando ainda mais o acesso às informações e a este tipo de comunicação2·. Atualmente, o acesso à Internet faz parte da vida cotidiana de grandes somas de atividades por estar presente em empresas, casas, escolas, universidades e diferentes locais que compõem diferentes contextos para diversas práticas socioculturais. O uso desse artefato de articulação de redes comunicativas se tornou uma necessidade da sociedade pós-moderna, o que pode ser visualizado através da declaração da Organização das Nações Unidas (ONU), que afirma que a Internet é, além de um direito, uma necessidade humana. Segundo a Organização, todas as pessoas devem ter direito ao acesso e à expressão por meio da Internet, o que está firmado em um documento3 que declara esse tipo de acesso como um direito básico, tendo em vista sua natureza única e transformadora do indivíduo e da sociedade, tanto no que diz à participação social, à argumentação, à opinião, quanto no progresso 2 Para acessar uma ilustração sobre o percurso da história da Internet, acesse o seguinte infográfico: KLEINA, Nilton. A história da Internet: pré-década de 60 até anos 80. Revista Mercado, abril de 2011. Disponível em: https://www.tecmundo.com.br/infografico/9847-a-historia-da-internet-pre-decada-de-60-ate-anos-80-infogra- fico-.htm. Acesso em: 24 abr.2019. 3 O documento é composto por um relatório intitulado Report of the Special Rapporteur on the promotion and protection of the right to freedom of opinion and expression. Foi submetido por Frank La Rue e assinado por diversos países que compuseram presença na 17ª sessão da assembleia geral do Conselho de Direitos Hu- manos, sob a discussão do item terceiro de sua agenda, a saber, a proteção e a promoção de todos os direitos humanos, civis, políticos, econômicos, sociais e culturais, incluindo o direito ao desenvolvimento. O relatório é datado de 16 de maio de 2011 e está disponível para leitura em: https://www2.ohchr.org/english/bodies/ hrcouncil/docs/17session/A.HRC.17.27_en.pdf (Acesso em: 24 abr. 2019). 8787 87 de cunho tecnológico. Dentre as recomendações feitas pela ONU, destaca-se a arbitrariedade no bloqueio dos conteúdos da Internet por diferentes organizações, governos e estados nacionais, a criminalização da expressão legítima, imposição de responsabilidade intermediada para garantia do acesso e da liberdade, proteção de dados, crimes de ataque às seguranças de dados e de informações, infraestrutura de garantia de acesso, dentre outras recomendações vistas como importantes pontos de desenvolvimento e de preocupações. Segundo as discussões apresentadas pelo Conselho dos Direitos Humanos, que estabeleceram o objetivo de ampliação da facilitação do acesso à Internet em todo o mundo, reunindo acordo de quarenta e sete países signatários e declarantes da rede como sendo fundamental para a vida humana, como fonte de informação, consumo, entretenimento, comunicação e expressões diversas. 3. A questão do acesso Pelas colocações do relatório citado anteriormente, é necessário assinalar a perspectiva de que o acesso à Internet, além de constituir uma demanda econômica e um avanço tecnológico, passou a ser uma questão social. Isto está posto por diversos motivos, o que se coloca atualmente em discussão, inclusive de ordens governamentais, sobre a qualidade do acesso, controle do acesso à informação e a questão da liberdade, a qual está posta na Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), documento em que a questão da liberdade é reconhecida como fundamento para a dignidade humana, da expressão, do direito à crença, da vida e dos direitos da pessoa em geral, devendo a liberdade ser plural, tal como expressa o preâmbulo da DUDH (ONU Brasil, 2009, p. 1-3), e deve ser considerada no que diz respeito ao acesso à informação. Feitas essas considerações, é possível concluir que o acesso à Internet é uma preocupação também governamental, a saber, uma questão pública, coletiva e de políticas que garantam o acesso, sobretudo, segundo um parâmetro considerável de qualidade e que atenda a um 8888 direito das pessoas em comum e em escala mundial. Este seria um ponto fundamental para a democratização do acesso, sendo que a Internet passa deste modo a ser vista como elemento de promoção de ações democráticas, sob o ponto de vista das políticas públicas que promovam formação cidadã para competência nos possíveis usos da tecnologia e fomento desses usos para interesses tanto individuais quanto coletivos. Renata Mieli, jornalista responsável pela coordenação geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), afirmou na edição do ano de 2017 que a questão do acesso é “um gargalo estrutural” e que no contexto brasileiro há cerca de “34 milhões de domicílios conectados à internet, sendo que a maioria esmagadora é por meio do celular”. Mieli critica esse tipo de acesso maciço por estar vinculado aos interesses da iniciativa privada no que diz respeito às vendasde aparelhos celulares, smartphones e serviços de telefonia atrelados a serviços de Internet, o que não significa democratização e nem elevação da qualidade do serviço prestado, mas à criação de uma necessidade baseada em um tipo específico de consumo, o que é diferente de acessar um serviço de qualidade considerando o aspecto da velocidade, por exemplo, o que termina por ser excludente, uma vez que está baseado no modelo de gerenciamento de dados e não da universalização do acesso, o que requer ações governamentais em direção a interesses coletivos da população brasileira (Mieli apud Chagas, 2017). O aumento do acesso à Internet e a um serviço veloz e de qualidade podem proporcionar a participação social nos mais diversos aspectos da gestão pública por meio da expressão da opinião, interações, contatos, reivindicações, avaliações diretas e obtenção de informações diversas e conteúdos variados que passam a ter maior alcance com a divulgação através de diferentes conjuntos de meios de comunicação. O acesso às plataformas de informações de dados sociais, financeiros educacionais, dentre outros, compõe um universo de disseminação de informações através de revistas, jornais, rádio, canais televisivos, todos disponíveis por meio da Internet, ao promover e possibilitar, também, a função de publicidade e de comunicação social que alcançam e influenciam 8989 89 massivamente diferentes camadas sociais na atualidade. Desse modo, os cidadãos poderão ter acesso a diferentes informações, redes sociais e dados heterogêneos, com diferentes objetivos fontes e interesses e reagir em relação a cada uma delas, inclusive publicamente. A cidadania poderia, com a universalização do acesso, assumir outros formatos através da revolução tecnológica nos meios de comunicações. O jornalista Rodrigo Fortes (apud Santos, 2017) aponta que a revolução tecnológica provocou fortes transformações nos meios de comunicação e cita como exemplo o fato de a apuração de dados, tais como resultados das eleições, declaração de impostos, orçamento público serem obtidos de forma virtual e muito mais rápida, o que significa acessar serviços e informações, inclusive. Portanto, o acesso à Internet e aos desenvolvimentos tecnológicos a partir desse meio significa novos modos de interação e novos modos de cidadania, uma vez que a “Internet é uma força motriz que modificou a relação das pessoas com a informação” (Fortes apud Chagas, 2017). O levantamento e a disseminação de informações por parte de ações governamentais permitem o acesso à informação como um direito público, diferentemente da abordagem da iniciativa privada, que o veicula como bem de consumo. A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento apresentou, em outubro de 2017, que o Brasil é o 4º país com maior quantidade de usuários da Internet, apresentando a soma de 120 milhões de pessoas conectadas e a taxa de crescimento do acesso à Internet de 3,5% no período de 2012 a 2015. Contudo, o percentual da população que acessa a Internet apresenta a característica de desigualdades em relação aos centros urbanos e áreas rurais, bem como em relação ao recorte regional, que expressa disparidades em relação ao Sudeste e o Nordeste, por exemplo4. 4 Fonte dos dados: BRASIL. Secretaria de Comércio e Serviços/Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Informativo da Secretaria de Comércio e Serviços. SCS Nº 184, Ano 11. Brasília, 04 de outubro de 2017. Disponível em: http://www.mdic.gov.br/images/REPOSITORIO/scs/decos/Informativo_2017/184_Infor- mativo_da_Secretaria_de_Com%C3%A9rcio_e_Servi%C3%A7o_2017.pdf. Acesso em: 25 abr. 2019. 9090 Podemos apontar que o acesso à Internet nos tempos contemporâneos aumentou significativamente, o que pode ser visto nos dados da pesquisa PNAD do IBGE5 Contínua TICs de 20176, com boletim publicado em dezembro de 2018 (IBGE, 2018) que: • De 2016 para 2017, o percentual de utilização da Internet nos domicílios subiu de 69,3% para 74,9%, ou três em cada quatro domicílios brasileiros; • Na área urbana, esse percentual de utilização cresceu de 75,0% para 80,1% e na área rural, de 33,6% para 41,0%; • Entre as 181,1 milhões de pessoas com 10 anos ou mais de idade no país, 69,8% acessaram à Internet pelo menos uma vez nos três meses anteriores à pesquisa. Em números absolutos, esse contingente passou de 116,1 milhões para 126,3 milhões, no período; • O maior percentual foi no grupo etário de 20 a 24 anos, com a percentagem de 88,4%; • A proporção dos idosos, com 60 anos de idade ou mais, que acessaram a Internet subiu de 24,7% no ano de 2016, para 31,1% em 2017, mostrando o maior aumento proporcional (25,9%) entre os grupos etários analisados; • De 2016 para 2017 o percentual de pessoas que acessaram à Internet através do celular aumentou de 94,6% para 97,0%. • A banda larga móvel estava em 78,5% dos domicílios com Internet. 5 Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (PNAD, po- pulação) obtém informações anuais sobre características demográficas tendo como unidade de coleta os domicílios. (Fonte: https://ww2.ibge.gov.br/home/estatistica/pesquisas/pesquisa_resultados.php?id_pesquisa=40. Acesso em: 27 abr. 2019) 6 Apresentação da pesquisa disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/media/com_mediaibge/ar- quivos/9e88a636785c573625be2c5632bd3087.pdf. Acesso em: 27 abr. 2019. 9191 91 A pesquisa ainda mostra que em 17,7 milhões domicílios não houve utilização da Internet no período de referência. Os principais motivos apresentados para a ocorrência desse dado foram: • Falta de interesse em acessar a Internet (34,9%); • Apontamento de que o serviço de acesso à Internet era caro (28,7%); • 22, % apresentaram o fato da inabilidade dos moradores para utilização da Internet; • Indisponibilidade do serviço de Internet na área do domicílio (7,5%). Essa indisponibilidade do serviço foi motivo indicado em 1,2% dos domicílios da área urbana e 21,3% em área rural. • Indisponibilidade de equipamento eletrônico para acessar a Internet, por ser caro (3,7%). Esses dados corroboram a defesa da universalização do acesso como política pública, disputando tanto espaço nas mídias sociais enquanto fonte de informações e meio para a disponibilização de serviços quanto da ampliação do acesso como instrumento para efetivar o aspecto da democratização do acesso à Internet de qualidade, o que inclui a velocidade, os tipos e os modos de distribuição, por exemplo. Em sua obra A quarta Revolução Industrial, Schwab (2016) defende que estamos diante de uma revolução que transformará fundamentalmente as formas humanas de vida, bem como as formas como as pessoas se relacionam através da crescente influência das tecnologias, as quais trazem mudanças, tais como: o desenvolvimento das ações dos indivíduos em tempo real, virtualização como ferramenta para acompanhar e controlar diversos processos, ações on-line de modo constante e segundo diferentes necessidades e interesses, prestação de serviços cada vez mais diversos por sistemas informatizados e produção de serviços e de produtos conforme demandas altamente 9292 específicas. As tecnologias em desenvolvimento e que constituem a citada revolução são: a inteligência artificial, computação em nuvem e digitalização de processos, criação de protocolos de confiança para registros, movimentações e informações partilhados, a Internet das Coisas e o aumento das capacidades de algoritmização e de fornecimento de dados. Schwab (2016) defende que este é um processo revolucionário tendo em vista que provocou a transição entre sistemas cujo fundamento de suas construções se encontram na revolução digital, o que significa mudança de paradigmas, não a emergência de tecnologiasde forma isolada, mas avanços em intensidade e velocidade que estão influenciando áreas diversas: social, política e econômica. 4. Internet e processos educativos - o caso dos projetos Tomando a Internet das Coisas (Internet of Things - IoT) como exemplo, é possível indicar aplicação no ambiente educacional, dentre os múltiplos possíveis, e a existência de diversos objetos, como máquinas de calcular, lousas digitais e diferentes objetos com sensores cuja capacidade é a de receber, agregar e/ou disseminar informações. A Internet das Coisas possibilita a criação de uma malha de objetos interligados entre si através da Internet e inclui televisores, computadores, tablets, smartphones e máquinas inteligentes dentro de diferentes processos educacionais, o que permite relações entre ambientes reais e virtuais através da integração de objetos e com o objetivo de simplificar ações e tarefas. Uma das ações e dos processos que a IoT pode modificar é a aprendizagem, no que diz respeito ao fato de poder acontecer a qualquer momento e lugar, de modo que conteúdos curriculares de diversas áreas possam ser acessados, inter-relacionados, discutidos e abordados em espaços diferentes das salas de aulas, formando 9393 93 diferentes comunidades de aprendizagem, em contexto digital. A disponibilização de conteúdos e de materiais diversos de estudos para aprendizagem, on-line ou off-line e que não privilegiam apenas uma única linguagem, são contribuições do uso pedagógico da Internet. A aprendizagem simultânea e disponibilização de espaços para interação com outras pessoas que estão estudando o mesmo conteúdo são outros aspectos positivos. Este modo de aprendizagem é caracterizado como sendo flexível e móvel: m-learning (mobile learning), descrito pela a disponibilização de processos educativos através de dispositivos móveis, mediados pela Internet, modo pelo qual diferentes conteúdos educacionais podem ser organizados em plataformas digitais que possam ser acessadas conforme a demanda, agenda, a organização e a necessidade do aluno, o qual pode entregar tarefas, fazer download de conteúdos, upload de registros, receber instruções, trabalhar em grupo e de modo geral, participar efetivamente da sociedade em rede. Esse tipo de partição favorece a constituição de comunidades de aprendizagens a partir da aprendizagem colaborativa, que pode ser mediada pelo desenvolvimento de projetos, a partir do estudo de temas específicos, pelo que os professores possam atuar tanto como e-mediador, como orientador dos estudos daquelas comunidades, explicitando fases de estudos, passos a serem seguidos, metodologias, aprofundamentos e diversificação das fontes estudadas, verificação de resultados e a realização de avaliações e análises dentro de processos investigativos de estudos. Os alunos podem entrevistar pessoas, acessar e organizar dados, fazer discussões e estabelecer contatos com pessoas de diferentes culturas, buscar e atuar como colaboradores em projetos diversos. Para atividades de estudo e de ensino através do desenvolvimento de projetos de estudos temáticos, a colaboração global deve ser um dos objetivos das práticas de ensino, sendo necessário que uma das funções docentes seja a de promoção da atividade colaborativa entre os alunos e demais sujeitos que possam estar envolvidos num processo de investigação de um determinado tema. Para tanto, Andres (1995) estabelece algumas etapas: 9494 I. pré-produção – etapa que precede as atividades a serem realizadas de modo on-line, em que os professores deverão introduzir temas geradores e articulá-los aos interesses dos alunos em relação aos tópicos necessários para serem estudados. Os professores poderão construir roteiros que caracterizem fases mínimas ou iniciais para que o projeto seja introduzido, seja justificado, desenvolvido, avaliado e apresente um produto final. II. desenvolvimento – momento em que deve haver a colaboração efetiva para as aprendizagens ocorrerem ao longo do desenvolvimento dos projetos. Os estudantes poderão apresentar resultados parciais, descrever as metodologias de pesquisa utilizadas e intercambiar dificuldades, dados e informações com outros grupos da turma, da escola, ou de outras comunidades de aprendizagens. III. finalização – etapa que os professores, mediante as apresentações dos resultados finais dos projetos, tomam a responsabilidade de relacionar as temáticas estudadas com outros conteúdos, temáticas, conceitos e habilidades específicos de uma determinada disciplina, de modo integrado. Neste momento também é importante que alunos e professores relacionem o que foi estudado à vida em sociedade, a modos de lidar, questionar e resolver problemas reais, podendo ser deixadas questões para projetos futuros, ou, ainda, naquele momento, encaminhar questões para responsáveis reais atuais. Garcia (s/d, p.9) aponta como características que devem ser garantidas ao longo do desenvolvimento de projetos temáticos: Vinculação e comprometimento com o projeto pedagógico da escola, ser um processo flexível e dinâmico, visão construtiva e processual do projeto, valorização da dimensão colaborativa; empreender a interdisciplinaridade e a relação com diferentes temáticas, valorizar e incentivar usos de metodologias menos recorrentemente convencionais 9595 95 e mais diversificadas, envolver outros atores do contexto escolar, fazer uso de planejamento para as ações empreendidas usar planejamento estratégico envolvendo todos os professores, bem como os alunos, incentivar a aprendizagem multidirecional e valorizar o professor e o aluno com centro de todo o percurso de pesquisa e de trabalho. Esse tipo de perspectiva permite avaliar que O uso das redes eletrônicas, como uma nova forma de interação no processo educativo, amplia a ação de comunicação entre aluno e professor e o intercâmbio educacional e cultural [...] acelerando a autonomia de aprendizagem dos alunos em seus próprios ritmos, assim a educação está assumindo um caráter coletivo e um dever de todos. [...]. A preocupação de tornar cada vez mais dinâmico o processo de ensino e aprendizagem, com projetos interativos que usem redes eletrônicas, mostra-nos que todos os processos humanos são realizados por pessoas, portanto elas são o centro de tudo. Não podemos perder isto de vista e tentarmos fazer mudanças no ensino sem passar pelos professores, sem prepará-los para este novo mundo que está surgindo. (GARCIA, s/d, p. 09). E segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura – Unesco –, essas ferramentas [...] estão transformando o modo pelo qual nós nos comunicamos, vivemos e aprendemos. A aprendizagem móvel oferece formas modernas que ajudam no processo de aprendizagem por meio de aparelhos móveis, como notebooks, tablets, MP3 players, smartphones e telefones celulares e smart phones. Devemos garantir que essa revolução digital se torne uma revolução na educação, promovendo uma aprendizagem inclusiva e de melhor qualidade em todos os lugares7. A Unesco ainda corrobora a reflexão sobre o fato de o papel docente na aprendizagem móvel ser fundante. Isto por existir um processo que faz parte da revolução tecnológica em curso e que toca a 7 Fonte: UNESCO. Aprendizagem móvel. Disponível em: http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/communication- -and-information/digital-transformation-and-innovation/ict-in-education/mobile-learning. Acesso em: 29 abr. 2019. 9696 educação, trazendo o uso de diferentes tecnologias para o processo educativo. Além das questões de acesso a essas tecnologias, que envolvem esforços e políticas públicos, apresentam um caminho para inovação do ensino e da aprendizagem. Do mesmo modo, a aprendizagem móvel difere do uso convencional das TICs por ser interativa, portátil, apresentarum caráter pessoal, contextual, situada e enfatiza a aprendizagem de modo informal em relação aos espaços em que ocorrem, podendo ser diversos ao mesmo tempo, além da característica instantânea (Unesco, 2019). A Organização ainda traz aspectos necessários a essa discussão, como a qualidade da educação oferecida, quantidade de professores para oferta educacional, as necessidades diversas de alfabetização digital para a toda a sociedade como um direito e a necessidade da inclusão digital, pelo que a própria Organização desenvolveu diretrizes8 para orientar o enfrentamento a essas questões relativas às desigualdades, considerando, sobretudo, social, de acesso, de qualidade e de inserção participativa nas sociedades do conhecimento. Ainda destaca que a aprendizagem móvel pode colaborar para a formação inicial de professores e proporcionar desenvolvimento profissional para professores em exercício. Indica os Recursos Educacionais Abertos (REA)9, os quais dizem respeito a múltiplos materiais que oferecem suporte para aprendizagem, para o ensino e para a pesquisa, sendo de domínio público, o que permite adaptações, distribuição e usos livres. A IoT possibilita enfoques pedagógicos interativos e diferenciados, pelos quais é possível que os professores deem feedbacks aos alunos em diferentes tempos e em que o professor passa orientá-los a realização de estudos, resolução de problemas, atividades, trabalhos e pesquisas em espaços diferentes da sala de aula, indicando conteúdos disponibilizados em diferentes plataformas e mídias. 8 Guidelines for digital inclusion. Disponível em: https://en.unesco.org/themes/literacy-all/pearson-initiative/ guidelines. Acesso em: 29 abr. 2019. 9 No ano de 2002 a UNESCO organizou o Primeiro Fórum Global em REA (1st Global OER Forum), contexto no qual foi adotada a expressão Recursos Educacionais Abertos (REA). 9797 97 Esses recursos podem ser elementos para a elevação da qualidade da educação, além de promoverem compartilhamentos de conhecimentos que possam ser aplicados em diferentes comunidades de práticas, o que inclui professores e estudantes (Unesco, 2019). Desse modo, a aprendizagem móvel e a IoT podem ser consideradas estratégias para enfrentar desafios educacionais, tais como motivação, ampliação de linguagens, articulação entre conteúdos diferentes, tempos, espaços e quantidades de pessoas alcançadas, formas como as pessoas estudam e se socializam, o que depende impreterivelmente do acesso à Internet, bem como aos dispositivos que veiculam esse acesso. Como contraponto, provoca exclusão digital, a necessidade de lidar com a alfabetização midiática e informacional, cria e confirma diferentes tipos de desigualdades e condiciona esses tipos de aprendizagens ao acesso aos recursos tecnológicos, que fazem da educação inclusiva e equitativa de qualidade para todos (Unesco, 2019) um desafio ainda maior. Sem deixar de considerar as questões de direitos humanos apontados pela ONU, como reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros humanidade e de seus direitos iguais e inalienáveis, que sejam fundamentos da liberdade, da justiça e da paz no mundo (ONU Brasil, 2009). 5. Aliada ou inimiga? Diversos aspectos positivos do uso da internet foram colocados ao longo desta leitura fundamental. Por este motivo é possível conceber que a Internet permite a integração de mídias para diversas modalidades de ensino, além de agregar aspectos linguísticos, como escrita, oralidade, sonografia, imagens, dentre outras, que favorecem modos diferentes de aprender, a aprendizagem cooperativa e compartilhamento de resultados somados aos aspectos da flexibilidade e da rapidez de acesso às informações e as redes digitais. Ainda em relação à aprendizagem, permite o estabelecimento de relações diversas entre os conteúdos estudados. 9898 PARA SABER MAIS Acesse uma coletânea de experiências do uso da internet na educação, realize a leitura do artigo de José Manuel Moran, cujas referências estão disponíveis ao final desta leitura Fundamental. O texto explicita, além de outras, experiências institucionais que expressam o uso da Internet como recurso para pesquisas, para efetivar comunicação e apoiar práticas de ensino presencial. Analisa aspectos positivos e que merecem atenção em relação a esse uso. Conforme Moran (1997), A Internet ajuda a desenvolver a intuição, a flexibilidade mental, a adaptação a ritmos diferentes. A intuição, porque as informações vão sendo descobertas por acerto e erro, por conexões “escondidas”. As conexões não são lineares, vão “linkando-se” por hipertextos, textos interconectados, mas ocultos, com inúmeras possibilidades diferentes de navegação. Desenvolve a flexibilidade, porque a maior parte das sequências é imprevisível, aberta. [...] Ajuda na adaptação a ritmos diferentes: a Internet permite a pesquisa individual, em que cada aluno vai ao seu próprio ritmo, e a pesquisa em grupo, em que se desenvolve a aprendizagem colaborativa (p.06). Também diferencia os modos de atuação docente, sendo que o professor coordena e media os processos, a partir da necessidade de ter contatos com recursos tecnológicos e conhecimentos cada vez mais atualizados. Assim, a Internet pode auxiliar a rever formas atuais e tradicionais de ensinar e de aprender, em que professor necessita de formação para analisar as informações que busca ou que pode indicar para os alunos, deverá assumir a função de orientador dos alunos em processos de pesquisas. Pode ser recurso motivador da criatividade e da curiosidade 9999 99 de modo que esteja articulado com o contexto e os objetivos escolares. Possibilita ainda o redesenho dos ambientes de aprendizagem, a partir da perspectiva da construção de espaços inteligentes voltados ao domínio de conteúdos e postura problematizadora e crítica, além de contextos de aprendizagens mista e híbrida. Por outro lado, há dificuldades diversas, dentre as já apresentadas ao longo do texto, a questão do imenso volume de informações que são criadas sobre diferentes temáticas, o que exige a verificação da veridicidade dos conteúdos, das fontes de informações e da seriedade das pesquisas realizadas com base nesses conteúdos, bem como para integrar os conteúdos a que se tem acesso. Isto causa dificuldades para selecionar conhecimentos relevantes para determinada situação de ensino. O volume de informações também dificulta a fixação de atenção, de finalização de leitura e proveito significativo das fontes de informações, dentro de uma lógica de estudos e de objetivos específicos quando se acessa a Internet, sendo que muitas vezes há perda de controle, de objetivos e de tempo gasto no acesso a diferentes mídias sociais. Outra questão é a necessidade de segurança da informação, segurança de acesso aos sites e a garantia de acesso livre como um direto do cidadão, isto imaginando que há muitas sociedades atualmente cujos governos praticam ações para censurar, ou ainda, restringir acessos, o que seria um modo de privar a liberdade de expressão, de conhecimento e de mobilização de diferentes coletividades com diferentes objetivos, impedindo que a Internet seja utilizada para mobilização da população para fazer reivindicações nacionais, por exemplo. Desse modo, o impedimento de acesso a determinados conteúdos pode significar uma restrição de liberdade a indivíduos ou a sociedades. No campo educacional, ainda se coloca a necessidade de lidar com o paradoxo relacional entre educação e tecnologia. Muitas vezes apenas são valorizados os aspectos que corroboram a perspectiva que afirma 100100 que quanto mais tecnologia melhor, entretanto, há a necessidade de que as questões educativa e pedagógica prevaleçam neste contexto. É necessário que esta relação não seja invertida no planejamentoe na execução das ações educacionais, além da necessidade de que o uso da Internet seja marcado por valores e intencionalidades pedagógicos, perspectivas didático-metodológicas, valores culturais, democráticos, políticos e sociais, de modo que amplie as funções educativas e docentes, ao invés de simplesmente substituí-las (Silva, 2015). 6. Internet e ensino da matemática Rosa (2016) argumenta que o uso da Internet para o ensino de matemática representa uma das tendências contemporâneas para a educação matemática (Fiorentini, 2005), tendo em vista que o acesso à rede possibilita o compartilhamento de conhecimentos acumulados pela humanidade, bem como a construção de novos conhecimentos. A matemática contribui para o desenvolvimento de novas tecnologias, contribui para a participação social e cidadã de cada indivíduo e também para o desenvolvimento de metodologias de ensino, como aquelas que valorizam a consideração de problemas do cotidiano do aluno, de comunidades ou de práticas socioculturais como temas geradores que se tornam unidades básicas de problematização – UBPs – (Miguel e Mendes, 2010) ao longo do processo de ensino. Essas tendências requerem a consideração de contextos extrínsecos à sala de aula, considerando tempos e espaços socioculturais para usos de diferentes procedimentos matemáticos, o que pode ser um recurso para o ensino da matemática conforme os usos sociais deste tipo de conhecimento e de forma dialogada e integrada com diferentes tipos e áreas de conhecimento, o que leva as práticas de ensino a serem constituídas com contextos socioculturais, inclusive aqueles em que os alunos tomam parte. 101101 101 ASSIMILE Uma Unidade Básica de Problematização (UBP) corresponde ao aspecto da temática a ser problematizada numa prática sociocultural específica. As UBPs compõem uma metodologia investigativa de ensino da matemática seguindo etapas que serão construídas de acordo com o contexto e o processo de aprendizagem, considerando a produção de sentidos por parte dos alunos. As problematizações de uma UBP conduzem à identificação de conhecimentos matemáticos presentes nas práticas e que são imprescindíveis para que uma pessoa participe delas e se torne competente para desempenhar determinados papeis ou para participar de um determinado jogo de linguagem, o que é tornado objeto de ensino e expressa dimensões práticas do conhecimento matemático. Figura1. Influências recebidas e interações estabelecidas com o ensino da matemática Fonte: Elaborada pela autora. 102102 A imagem expressa a visão de que o ensino da matemática não é visto como forma fixa e estática, mas que sofre influências, tais como de procedimentos metodológicos e didáticos, das revoluções tecnológicas, do desenvolvimento científico dos conteúdos matemáticos, das práticas socioculturais, dos modos de mobilização do conhecimento matemático e de seu ensino, o que possibilita considerar que o ensino da matemática pode ser construído envolvendo elementos diversos. Dentre as influências é possível localizar a tecnologia como elemento que pode influenciar positivamente o ensino da matemática, tendo em vista que aparece como recurso didático, seja por meio dos materiais manipulativos ou através do uso de máquinas para calcular, planilhas, vídeos, áudios, computadores, que compõem conjuntos de produtos que são fruto do desenvolvimento das ciências, incluindo o conhecimento matemático, que buscam resolver problemas. O uso da Internet para o ensino da matemática também pode significar inovação. Um exemplo pode ser dado pela utilização de jogos que influenciem o desenvolvimento do pensamento lógico- matemático, hipóteses, estratégias, criatividade, resolução de problemas, propiciem motivação e a condição ativa dos alunos, muitos dos quais podem ser acessados via Internet. Essas relações permitem novos impactos nas linguagens empreendidas para o ensino da matemática, além de influenciar nas relações estabelecidas ao longo dos processos educativos. As relações também passam a ser mediadas por meios tecnológicos, porém não anulam a mediação do professor, tendo em vista que a Internet possibilita a comunicação em rede, a constituição de comunidades de usuários, de aprendizagem e de compartilhamento de informações e de conhecimentos, inclusive conhecimentos matemáticos. 103103 103 Portanto, a Internet compõe um recurso para o ensino da matemática e possibilita o acesso a recursos outros, tais como: músicas, animações, jogos on-line10, e-books, textos de gêneros diversos, vídeo-aulas, redes sociais, chats, blogs, fóruns de discussão, materiais disseminadores de conteúdos, rádio, televisão, vídeos em geral, imagens obras de artes, animações, dentre outros recursos audiovisuais em geral. Possibilita o recurso à pesquisa como modo de aprendizagem e a dinamização do ensino da matemática que permite simulações, comunicação em tempo real, não importando a distância espaço temporal, além do fato de permitir acesso a fontes de dados estatísticos (jornais, revistas, pesquisas, etc.), softwares e aplicativos que possibilitam estimular a aprendizagem dos alunos e torná-los mais significantes, tais como o WinPlot, o Graphmath, o Geogebra, dentre outros que podem ser baixados gratuitamente e permitem a abordagem de conceitos relacionados de geometria e álgebra de forma dinâmica, possibilitando visualizar uma mesma construção ou figura sob diferentes perspectivas, problematizar suas construções, sob diferentes construções, calcular ângulos, observar aspectos dos conceitos de simetria, transformações, semelhança, congruência, funções dentre outras. O Google Earth é outro recurso que pode ser utilizado para o ensino de coordenadas, localização, deslocamentos e leitura de mapas (Rosa, 2016) e o ensino de metodologia de pesquisa para os próprios alunos, como recurso de pesquisa ao próprio professor, que pode tirar dúvidas, acessar documentos oficiais, materiais didáticos, planos de aulas, dentre outros elementos que contribuam para a organização do trabalho docente. 10 Alguns exemplos de jogos on-line que poderão ser utilizados: o Labirinto da Tabuada1 , no qual o aluno trabalhará a operação de multiplicação; o Jogo do 242 , cujo o aluno através de quatro cartas utilizará as operações de soma, subtração, multiplicação, divisão, potenciação, radiciação para atingir o resultado 24; o Quadrado Mágico3 , em que o aluno terá que fazer o uso de números e da lógica para que todas as linhas e colunas tenham o mesmo resultado; o Castelo de Cartas4 , no qual o aluno fará um castelo empilhando cartas sobre cartas, das menores para as maiores usando o raciocínio lógico; o MathBlaster5 , onde o aluno cria um avatar a bordo de uma nave espacial e tem que resolver problemas matemáticos para se proteger de ataques alienígenas, nesse jogo é possível a interação de todos os alunos da classe através de mensagens; a Senha6 , em que o aluno aprenderá Análise Combinatória com quatro cores que compõem um código secreto; Sudoku7 , jogo muito conhecido entre os adolescentes, para despertar o ra- ciocínio lógico dos alunos. Como o Sudoku tem vários níveis de dificuldades, pode ser utilizado em todas as séries e na indisponibilidade da sala de informática, pode ser impresso para a aplicação em sala de aula (Rosa, 2016, p. 19). 104104 A Internet ainda possibilita a Conexão da sala de aula com o mundo, além de oferecer os conteúdos matemáticos, favorece a busca de novas estratégias para a resolução de problemas, desenvolve criatividade e o pensamento lógico, essenciais para a formação do indivíduo em uma sociedade tecnológica. Com a grande velocidade das atualizações de informações e recursos disponibilizados na rede, as formas de se trabalhar com elas se tornam inesgotáveis, sendo sempre necessárioum replanejamento do ensino (ROSA, 2016, p. 21). Desse modo, pode ser vista como uma ferramenta para tornar as aulas mais atrativas e para incentivar posturas ativas de alunos e professores. Contudo, exige formação docente para lidar com a missão de orientar os alunos para fazerem uso proveitoso deste recurso, como também para que os professores acompanhem as constantes atualizações tecnológicas, utilizando-as na medida em que contribuam para a aprendizagem discente e para a transformação da realidade contemporânea do ensino da matemática, pelo que é indispensável o uso da tecnologia, considerando que raciocinar matematicamente, resolver problemas, pensar e ver geometricamente são habilidades relevantes para o desenvolvimento humano e as relações humanas e, embora complexas, estão intimamente ligadas às maneiras como essas relações estão sendo efetivadas, pelo que a Internet pode ser uma ferramenta inovadora para facilitar ambos os processos. 7. Considerações finais • Este material da Leitura Fundamental teve como objetivo trazer à tona discussões relevantes nas relações que dizem respeito à educação e tecnologia. Para tanto, o percurso realizado tomou aspectos positivos e negativos do uso da Internet nos processos de ensino e de aprendizagem, ampliando a visão dos pares de oposição da contribuição ou do prejuízo que o uso dessa ferramenta pode trazer, mas ponderando aspectos diversos que precisam ser abordados ao longo desta discussão para o qual não se coloca fim, porém necessidades de aprofundamentos. 105105 105 TEORIA EM PRÁTICA Considere a seção desta Leitura Fundamental que trata da realização de projetos como metodologia de ensino e de investigação em práticas educativas. Eleja um tópico de ensino específico da matemática e crie um percurso que você julgue possível de trilhar com alunos da Educação Básica. Em seguida, faça uma avaliação sobre em que contribuições o uso da Internet poderia trazer para o percurso criado por você e qual seria seu papel na orientação dos alunos e como esta ação seria desempenhada por você. VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. Assinale a alternativa que descreve uma das funções da Internet que expressam organização e definição desse tipo de tecnologia que permite comunicação, acesso à informação e a recursos digitais: a. Um elemento que armazena dados a partir do uso de um protocolo comum, estabelecendo segmentações entre serviços que traduzem as informações, conectando-os em rede e praticando a segurança da comunicação. b. São conjuntos de mídias de grandes extensão e amplitude do acesso à informação através de diferentes plataformas específicas para a disseminação das informações e conteúdos veiculados sob o propósito educacional. 106106 c. É composta por todos os tipos de TICs que fazem referência aos usos e às funções comunicativas de informações não articuladas entre si e que são veiculadas sob propósitos iguais e específicos. d. São informações tratadas e transmitidas por diferentes meios técnicos, o que inclui exclusivamente suportes físicos ou, ainda, aparelhos fixos ou móveis. e. Um conjunto de redes que trocam dados fazendo uso de um protocolo comum, estabelecendo ligações entre servidores que processam os dados e os transmitem, conectando-os e permitindo o acesso à informação e à comunicação. 2. Assinale a alternativa que completa a frase: O Brasil teve da quantidade de usuários da Internet nos últimos anos, o percentual da população que acessa a Internet apresenta em relação às grandes regiões brasileiras, aos centros urbanos e rurais e à situação de diferentes grupos da população. a. Aumento, então, paridade; social. b. Diminuição, porque; desigualdades; econômica. c. Aumento, contudo, desigualdades; econômica. d. Aumento, entretanto, desigualdades; educacional. e. Diminuição, porém, desigualdades; instrucional. 107107 107 3. Sobre as relações possíveis entre os processos educacionais e o uso da Internet, assinale a alternativa incorreta: a. Faz parte de um processo revolucionário que provocou a transição entre sistemas cujo fundamento de suas construções se encontram na revolução digital. b. Significa avanços em intensidade e velocidade que estão influenciando áreas diversas: social, política e econômica e a emergência de tecnologias de modo articulado. c. Tomando a Internet das Coisas é um exemplo, significando o uso de diversos objetos que apresentam capacidades de receber, agregar e disseminar informações. d. Significa a manutenção de paradigmas reproduzidos das revoluções anteriores, significando a emergência de tecnologias digitais de modo isolado, o que beneficia de forma restrita a área econômica das diferentes sociedades. e. Possibilita o uso de recursos tecnológicos diversos e a interligação de objetos interligados entre si através do acesso à rede como parte de diferentes processos educacionais. Referências bibliográficas ANDRES. M. Y. Collaboration in the Classroom and Over the Internet. 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Acesso em: 25 abr. 2019. 109109 109 SCHWAB, Klaus. A Quarta Revolução Industrial. São Paulo: Edipro, 2016. SCHWAB, Klaus. The Fourth Industrial Revolution: what it means, how to respond [em linha]. Disponível em: https://www.weforum.org/agenda/2016/01/the-fourth- industrial-revolution-what-itmeans-and-how-to-respond. Acesso em: 02 mai. 2019. SILVA, Everton A. da. O uso de dispositivos tecnológicos na educação: concepções dos licenciandos para a prática pedagógica. 96 f. Dissertação (Mestrado). Pouso Alegre: Universidade do Vale do Sapucaí, 2015. UNESCO. Aprendizagem móvel. Disponível em: http://www.unesco.org/new/pt/ brasilia/communication-and-information/digital-transformation-and-innovation/ict- in-education/mobile-learning. Acesso em: 29 abr. 2019. Gabarito Questão 1 – Resposta: E Para troca e veiculação dos dados que compõem as citadas informações foi criado um conjunto de redes que intercambiam dados fazendo uso de um protocolo comum, a saber, a Internet. Esta pode reunir uma gama de usuários particulares que compõem diferentes redes ligadas a servidores que processam os dados e os transmitem, conectando-os. Através dessas relações articuladas, a Internet carrega uma variedade de recursos e de serviços, permitindo o acesso à informação e à comunicação tanto de forma síncrona quanto assíncrona. Questão 2 – Resposta: C Aumento; contudo; desigualdades; econômica. O Brasil é o 4º país com maior quantidade de usuários da Internet, apresentando a soma de 120 milhões de pessoas conectadas e a taxa de crescimento do acesso à Internet de 3,5% no período de 2012 a 2015. Contudo, o percentual da população que acessa a Internet apresenta a característica de desigualdades em relação aos centros urbanos e áreas rurais, bem como em relação ao recorte regional, que expressa disparidades em relação ao Sudeste e o Nordeste. A disparidade também aparece quando observada a situação econômica (Brasil, 2017, p.3-4). 110110 Questão 3 – Resposta: D É processo revolucionário, pois provocou a transição entre sistemas cujo fundamento de suas construções se encontram na revolução digital, o que significa mudança de paradigmas, não a emergência de tecnologias de forma isolada, mas avanços em intensidade e velocidade que estão influenciando áreas diversas: social, política e econômica. A Internet das Coisas, por exemplo, possibilita usos de diferentes objetos com a capacidade de receber, agregar e/ou disseminar informações. A Internet das Coisas possibilita a criação de uma malha de objetos interligados entre si através da Internet dentro de diferentes processos educacionais, o que permite relações entre ambientes reais e virtuais pela integração de objetos e com o objetivo de simplificar ações e tarefas. 111111 111 Uso do software GeoGebra para ensino de geometria plana Autora: Francis Roberta de Jesus Objetivos • Compreender aspectos importantes do uso das TDICs como estratégia de ensino da matemática; • Conhecer o software GeoGebra como recurso para o ensino de geometria plana; • Abordar potencialidades produzidas a partir da abordagem de tópicos específicos da geometria plana; • Refletir sobre quais aspectos podem sinalizar e em que medida o uso do software GeoGebra pode contribuir para os processos de ensino e de aprendizagem. 112112 1. Introdução O presente texto de Leitura Fundamental, conforme descrito na temática abordada, tem como intenção abordar o uso do software GeoGebra para o ensino de geometria plana. O percurso do texto está delimitado aos objetivos de contribuir para que o professor que tenha a responsabilidade de ensinar matemática direcione olhar atento para o caso da geometria. Sendo necessário que esta seja, dos elementos curriculares, objeto de aprendizagem e de ensino na educação básica como um todo. Com esse olhar atento, é considerada a importância do ensino dos conteúdos dessa área da matemática, necessidade que deve estar posta nas práticas educativas e de gestão de planos e de ensino, de modo que adquira importância equitativa às demais áreas da matemática. Outra questão que se impõe está relacionada aos modos como o ensino da geometria é empreendido nas práticas escolares, o que aponta para a necessidade de busca de estratégias para que os alunos efetivamente tenham contato com esses conteúdos em graus crescentes de complexidade. Como consequência, questões didáticas se colocam como elementos que podem compor a busca por oportunidades para mudanças dos modos tradicionais de ensino, de aumento das oportunidades de aprendizagens, elevação da qualidade do ensino, da motivação dos alunos para os estudos e da disponibilização do conhecimento matemático para todos, como elemento de formação para a vida e para a cidadania. Com essas considerações em vista, os usos de TDICs são observados como estratégia, discussão que será desenvolvida a seguir. 2. Relação entre TDICs e processos educativos As Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação não podem ser ignoradas pelos processos educacionais e devem ser colocadas a serviço da potencialização do ensino e da aprendizagem. É importante 113113 113 corroborar a ideia de que os usos dessas tecnologias devem estar intimamente atrelados aos projetos temáticos da escola, às propostas de itinerários formativos, aos conteúdos que serão abordados como parte da matriz curricular e de modo aliado à perspectiva de formação integral humana, bem como da formação para cidadanias presentes e futuras, que também são objetos da educação básica, com o desenvolvimento de competências que façam usos conscientes e críticos daqueles recursos. Nesse sentido, as TDICs podem desempenhar o papel motivador de professores e alunos, o papel de ferramenta para desempenho de tarefas e diversificação de linguagens para ensino e aprendizagem, de aprendizagem contínua e corresponsabilidade por esses processos em relação às funções docente e discente, apontando para novas formas e novos caminhos para se pensar e efetivar processos educativos. Conforme aponta Milani (2001), o uso de recursos tecnológicos não deve ser confundido, Com a simples instalação de computadores, a utilização da Internet, ou uso indiscriminado de softwares para treinar procedimentos. Essa tarefa exige reflexão e traz algumas dificuldades. A carência de materiais de qualidade [...] e o custo de equipamentos e suprimentos de informática são algumas delas [...] (p. 176). Contudo, se empregadas, as TDICs podem contribuir de modo positivo para o processo educacional, tais como a participação ativa dos alunos, pela qual este passa a ter que desempenhar tarefas, projetar e comunicar ideias. Isto provoca o favorecimento da criatividade e da autocorreção, pelo acesso rápido à informação e a ferramentas diversas ao longo do processo de resolução de problemas, o que permite testar de modo menos restrito as hipóteses empreendidas em cada situação. Também apoia diferentes ritmos e formas de aprendizagem, permite a associação entre diversas linguagens: imagens, sons textos, movimentos, dentre outros. Apresenta a facilidade de produção de registros, arquivamento e trocas dos mesmos, como de diversas informações, 114114 além da rapidez na realização de tarefas e para trazer, de modo mais intenso, potencial criativo em cada situação de aprendizagem, aprimorando as produções dos alunos (Milani, 2001). A autora afirma que a preocupação ao longo do processo educativo deve se deslocar do objeto-fonte de tecnologia para o projeto do qual o recurso tecnológico participará, para os ambientes cognitivos, para rede de relações humanas e as relaçõesentre diferentes áreas do conhecimento (Levy,1993 apud Milani, 2001, p.177). A escolha de softwares pode complementar percursos de ensino e de aprendizagens e deve assumir uma função específica no planejamento feito pelo professor, sendo impreterível a garantia de diálogo, espaço para discussões, exposição de ideias, reflexões e potencialização do olhar crítico do aluno. Portanto, é necessário conhecer em que momento o uso das TDICs pode ser empreendido como estratégia que ampliará e aprofundará as aprendizagens, estabelecendo-se estratégias claras e bem definidas em que sejam fundamentais e não circunstanciais (Milani, 2001, p. 177), pelo que é essencial o papel de coordenador e organizador dos tempos, dos espaços e do processo de ensino desempenhados pelo professor, tomando o interesse dos alunos por diferentes tecnologias como suporte para os processos de ensinar e de aprender. Por este motivo, os recursos tecnológicos não têm valor em si só, assim como diferentes softwares, mas os usos que deles são feitos podem enriquecer as situações de ensino e de aprendizagem. Por isso há a necessidade de escolha assertiva de um recurso de acordo com os objetivos de ensino, estando ligada à proposta de ensino da matemática e que não abra mão do fato necessário de que propósitos do ensino determinem o uso dos recursos. Em outros termos, o trabalho não pode estar subordinado a um software, mas este deve ser um dos recursos de que o professor disporá para atingir os objetivos que estabelecidos (MILANI, 2001, p.181). Ao longo do processo, o professor deve fazer intervenções, avaliar dificuldades e aprendizagens consolidadas dos alunos, o que pode ser analisado, por exemplo, ao se verificar a qualidade da comunicação 115115 115 matemática (Lerna, 1990): oral, escrita, argumentativa, auditiva, de relação com outros contextos, inclusive cotidianos, representações, relações entre diferentes linguagens, notações, conceitos, definições dentre outros aspectos que forneçam dados relativos às habilidades em desenvolvimento, de modo que o professor possa replanejar e mediar as continuidades dos processos de aprendizagem. 3. Um recurso educacional denominado GeoGebra O GeoGebra consiste em um software que permite a realização de construções geométricas, aplicação do aspecto dinâmico a essas construções, de modo que diversos conceitos matemáticos possam ser explorados, inclusive em diferentes graus de complexidades. O nome do software é proveniente da junção das funções de articulação entre as áreas da álgebra e da geometria, sendo que ainda possibilita a realização de cálculos, construção de tabelas, gráficos, todas essas funções reunidas em um mesmo dispositivo. O recurso apresenta livre distribuição, conforme os termos de uma licença pública geral1 e é disponibilizado para uso sob diferentes tipos de plataformas. O programa está disponível atualmente nas versões em software para computadores e também no formato de aplicativos para dispositivos móveis (tablets e celulares), uma vez que foi desenvolvido para apoiar a aprendizagem matemática. A autoria inicial do GeoGebra é atribuída a Markus Hohenwarter, no contexto de defesa de sua tese de doutoramento, no ano de 2001, na Universidade austríaca de Salzburgo. Atualmente, o GeoGebra compõe Institutos, como o Instituto GeoGebra de São Paulo2, que afirma que o software é utilizado em 190 1 Licença Pública Geral, proveniente do termo General Public License (GNU) caracteriza um tipo de licença livre para softwares e outros tipos de trabalhos. Esse tipo de licença concede a gratuidade e a liberdade de uso, reprodução, compartilhamentos e alterações de softwares diversos. Para acessar os termos, condições e des- crições mais detalhadas desse tipo de licença, acesse: https://www.gnu.org/licenses/gpl-3.0.pt-br.html. Acesso em: 07 maio 2019. 2 Fonte: https://www.pucsp.br/GeoGebrasp/GeoGebra.html. Acesso em: 07 maio 2019. 116116 países, traduzido para 55 idiomas, além do fato de, desde sua criação, ter recebido vários prêmios na categoria educacional, na Europa e nos Estados Unidos, sobretudo pelo fato de articular áreas e linguagens matemáticas. Como exemplo é possível citar o fato de haver a possibilidade de observar uma expressão algébrica e, ao mesmo tempo, observar coordenadas de pontos e a representação funcionais gráficas referentes àquela expressão, além do dinamismo e da observação de situações em que conjecturas podem ser testadas, confirmadas ou refutadas, além do fato de permitir a verificação, ou ainda, vistas por outros recursos representativos de definições, teoremas, proposições, como as da geometria euclidiana. O Instituto GeoGebra de São Paulo, um dos 62 Institutos ao redor do mundo, afirma que sua popularidade crescente está relacionada aos seguintes aspectos relevantes: • O fato de gráficos de dados estatísticos, expressões algébricas, tabelas, figuras geométricas e cálculos poderem ser interligados; • O fato de apresentar características dinâmicas; • O fato de o software apresentar interface compatível com diversos sistemas operacionais; • O fato de permitir a produção de ferramentas para aplicativos disponíveis na Internet; • O fato de ser gratuito; • O fato de apresentar código aberto e permitir a contribuição de equipes diversas de programadores para a criação de novas versões e de atualizações constantes; • O fato de estar disponível em uma diversidade ampla de idiomas. O GeoGebra apresenta uma versatilidade que possibilita lidar com variáveis numéricas, geométricas (ponto, segmentos de retas, polígonos, etc.), funções (derivar e integrar funções), vetores, além de 117117 117 permitir visualizar diferentes características funcionais, possibilitando, assim, a diversificação das visões de um mesmo objeto, e um mesmo ambiente e recurso tecnológico que representa uma estratégia didática proveitosa no que diz respeito ao seu uso. O uso do GeoGebra pode fazer parte de escolhas didáticas e do planejamento docente de modo integrado aos Projetos Pedagógicos, projetos temáticos e objetivos de ensino da matemática e de outras áreas articuladas, beneficiando a aprendizagem de conceitos matemáticos e promovendo a modalidade de aprendizagem e-learning. ASSIMILE E-learning é o termo utilizado para designar uma modalidade de aprendizagem que diz respeito às características do ensino apoiado em TDICs, no uso do ambiente virtual on-line, vinculado à Internet para acesso a diferentes softwares, a diversas informações, armazenamento e distribuição de dados. Esse tipo de aprendizagem favorece flexibilidade de ritmos, tempos e espaços, maior facilidade de atualização dos conteúdos estudados e possibilidades de personalização de aspectos do ensino e o acompanhamento a distância. Contudo, na modalidade e-learning, atrelada ao uso do GeoGebra, a presença do professor é indispensável para fornecer tarefas, verificar a execução, tirar dúvidas, fazer correções e sistematizar as aprendizagens, formalizando o uso cabível da linguagem matemática ao contexto de ensino, sendo este aspecto da relação presencial e mediadora docente, característica da denominada blended learning, ao descrever a modalidade de ensino que mistura o uso de TDICs, mas sem abrir mão da relação presencial, uma vez que se faz indispensável, ou seja, 118118 uma relação necessária. Neste sentido, a aplicação do GeoGebra em situações de ensino possibilita unir elementos das modalidades e b-learning no que diz respeito ao uso de TDICs ao proveito das capacidades da Internet e à promoção de diversos tipos de interações, considerando aquelas possíveis numa sala em que se deem aulas comuns: professor-aluno, aluno-aluno, destes com os conteúdos, com conhecimentos variados e com o ambiente físico, adicionando as possibilidadesde relações entre estes e o ambiente virtual de aprendizagem criado pelo contato com o software, mediadas pelo professor, o qual poderá, em conjunto ao aluno, empreender a gestão da aprendizagem (Leal e Amaral, 2004). O GeoGebra, funcionando sob diversas plataformas, pode ser visto como um facilitador da aprendizagem, tendo em vista que possibilita ver conteúdos clássicos e modernos da matemática de uma perspectiva não tradicional, permitindo flexibilização de realização e entrega de tarefas e a efetivação da característica ativa do processo educativo com valorização da participação do aluno, atualização de conteúdos e de formas de representar e de articulá-los, diversificação das formas de registros e de argumentação matemática, motivação dos alunos e desenvolvimento de habilidades e competências que compitam para a formação cidadã. Em contrapartida, exige planejamentos minuciosos de ensino que articulem o uso do software como recurso para necessidades pedagógicas e exige conhecimento docente sobre os conteúdos de ensino, para saber que mediações e articulações são imprescindíveis à aprendizagem de cada conteúdo específico; exige domínio de competências digitais para uso da tecnologia, o que requer que professores e alunos conheçam o software e seu funcionamento a fim da realização de tarefas que mobilizem aplicação, ilustração, representação e mobilização de conteúdos específicos para resolução de tarefas matemáticas, bem como de problemas. É importante frisar o fato de que existem diversos recursos educacionais abertos (REAs) que possibilitam a transformação de práticas de ensino e de aprendizagem da matemática. A plataforma EDUMATEC (Educação 119119 119 Matemática e Tecnologia Informática), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)3, apresenta estudos e cursos diversos no formato on-line que abordam a discussão sobre as potencialidades do uso de tecnologias na educação básica. Na plataforma há uma seção denominada softwares, em que estão disponíveis programas que abordam geometria (Cabri-geometry, Curve Expert, Dr. Geo, Euklid, Poly, Régua e Compasso, Shpari, S-logo, dentre outros), funções (Graphequation, Graphmatica, Mathgv, Ratos, Modellus, Vrum-Vrum e Winplot), álgebra (Winmat), softwares recreativos (Polytris, Tangram, Tess, Torre de Hanoi, Winarc e OOG) e applets4 para matemática (tais como o Descartes5, que aborda e articula diferentes conteúdos de matemática de modo interativo, tais como matemática e música, por exemplo). A mesma plataforma ainda destaca sites governamentais, tais como do Ministério de Educação da Espanha6, que apresenta uma seção específica para tratar do uso da Internet em sala de aula e elege a área da geometria para elencar uma série de softwares e applets que podem ser implementados como recursos de apoio e de diversificação do ensino de tópicos, tais como longitude, latitude, superfície, volume, massa, capacidade, planos, ângulos, poliedros, mosaicos, fractais, dentre outros, apresentando textos, recursos manipuláveis, animações, atividades e situações-problemas. A plataforma EDUMATEC possibilita acessar um repositório de REAs, pelo que se pode realizar o download de programas, aplicações em diferentes interfaces, conhecer os sites de diferentes origens e realizar estudos diversos sobre a inclusão das TDICs nas aulas de matemática de modo que os alunos possam desempenhar papeis ativos. Oferece ainda uma seleção e artigos acadêmicos e endereços eletrônicos que podem colaborar para a formação docente, compondo ações de desenvolvimento de um ambiente para produção de cultura no uso de tecnologia informática (Edumatec, 2019). 3 Disponível em: http://www.edumatec.mat.ufrgs.br. Acesso em: 08 maio 2019. 4 De modo geral, este é um termo cunhado para designar pequenos softwares que executam atividades espe- cíficas do ambiente de outro programa. 5 Para saber mais consulte: http://descartes.cnice.mec.es/descartes2/previas_web/enlaces/enlaces.htm. Aces- so em: 08 maio 2019. 6 Disponível em: http://ares.cnice.mec.es/matematicasep/pb/enlaces/geometria.html. Acesso em: 08 maio 2019. 120120 Um tipo interessante de plataformas que disponibilizam REAs são os de universidades e de grupos de pesquisa a elas vinculados, que disponibilizam REAs diversos para uso livre. A Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho Filho” – Unesp – tem, em seu campus de Rio Claro, o Grupo de Pesquisa em Informática “Outras Mídias e Educação Matemática” - GPIMEM7-, o qual possui mais de 25 anos de experiência em investigação no campo da educação matemática, considerando a centralidade de temas que envolvem pesquisas sobre em que medida os usos de TDICs trazem mudanças para a área educacional, além das influências que diferentes mídias produzem nessa mesma área, na difusão de conhecimentos, na mediação da aprendizagem de diversos tópicos da matemática, possibilidades de integração das tecnologias digitais para o ensino da matemática, estudos sobre performances matemáticas digitais e fundamentações teóricas de grande relevância para compreender relações entre educação e tecnologia. Tanto a plataforma Edumatec quanto os estudos do GPIMEM apresentam livros, artigos, relatos de experiências, dentre outros registros sobre o uso de softwares, dentre os quais é possível citar o GeoGebra, através do qual se pode, por exemplo, minimizar os esforços docentes e discentes empreendidos para realização de construções geométricas de modo repetitivo e mecanizado, para ações em que construam pontos, segmentos de retas, circunferências, inscrições, circunscrições e localizações que podem ser alterados, deslocados, problematizando as relações geométricas e possibilitando ao aluno testar conjecturas e fazer associações entre figuras, estabelecer relações, fazer rotações e observações diversas. A Unesp realizou um estudo intitulado Objetos de Aprendizagem em Sala de Aula: Recursos, Metodologias e Estratégias para a Melhora da Qualidade de Ensino, o qual foi desenvolvido ao longo de dois anos, avaliando o desempenho de alunos da educação básica em matemática em situações de aprendizagem que envolveram recursos tecnológicos de 7 Para saber mais sobre o grupo de pesquisa, acesse: http://igce.rc.unesp.br/#!/gpimem. Acesso em: 08 maio 2019. 121121 121 modo integrado à abordagem de diferentes conteúdos matemáticos. A pesquisa expressou que alunos com rendimentos mais baixos em matemática e física passaram a apresentar melhoria no desempenho a partir da introdução do uso de ferramentas tecnológicas. Silvio Fiscarelli, responsável pelo departamento de didática da Unesp e coordenador do projeto de pesquisa, afirma que os alunos mais beneficiados com os usos de tecnologias foram aqueles que apresentavam maiores dificuldades de aprendizagem. Prossegue afirmando que os índices de melhorias apresentados pela pesquisa evidenciam a importância de olhar com mais atenção para a criação e difusão de recursos que ajudem a inovar as metodologias didáticas (Fiscarelli apud Alencar, 2013). Para a realização da investigação foram usadas ferramentas tecnológicas que se encontram em repositórios, tais como o Banco Internacional de Objetos Educacionais (BIOE)8, espaço dedicado a disponibilizar sistemas de informações catalogadas como objetos educacionais digitais para ensino, dentre os quais se encontram objetos para o ensino da matemática de modo geral. Para o desenvolvimento de uma segunda fase do projeto, o coordenador pontuou a necessidade de verificar se há diferenças das influências que os objetos podem exercer sobre as aprendizagens quando se usa um espaço exclusivamente dedicado ao uso de computadores ou, ainda, quando os computadores ou dispositivos são utilizados dentro das salas de aulas. Ainda considerou ser uma necessidade urgente à capacitaçãode professores para o uso dos objetos em sala de aula, a utilização de roteiros didáticos de acordo com a perspectiva metodológica adotada nas formações e de recursos tecnológicos em geral, segundo uma preocupação que Fiscarelli traz ao afirmar que anteriormente à preocupação com o fornecimento de determinados equipamentos, é preciso pensar primeiro não no hardware, mas no software. Segundo ele, não adianta levar uma lousa digital para a sala de aula se não tiver por trás um bom software (apud Alencar, 2013). 8 No Brasil uma das fontes oficiais de disponibilização está no endereço eletrônico do MEC Disponível em: http://objetoseducacionais.mec.gov.br. Acesso em: 08 maio 2019. 122122 4. Construções dinâmicas usando o GeoGebra Com o objetivo de potencializar a aprendizagem matemática, é possível entrar em contato com o software no endereço eletrônico do GeoGebra9, onde se pode acessar o manual para conhecer o funcionamento do mesmo, bem como para ter acesso a diferentes versões. O funcionamento do software tem diferentes sistemas próprios integrados a diferentes sistemas de operação. Apresenta uma interface gráfica que permite interação com dispositivos de TDCIs através de elementos gráficos diversos (imagens, formas, diagramas, gráficos, etc.). Uma das possibilidades de uso do programa educacional é a construção de objetos matemáticos de tipos variados. As construções podem ser de objetos gerais, de interfaces gráficas, rótulos e de figuras geométricas que podem ser dinamizadas, ter valores alterados, observadas propriedades, atribuídas legendas e nomenclaturas, realização de animações por meio de diferentes ferramentas. Para tanto, o professor poderá criar grupos com os estudantes, a partir de uma conta própria e das contas dos alunos através do próprio software, postar tarefas a serem realizadas ou, ainda, roteiros de estudos e materiais para consulta e, em seguida, criar tarefas, avisos sobre as atividades requeridas, enviar e receber mensagens e oferecer feedbacks conforme o tipo de notificação escolhida para certificar a entrega das atividades e a interação dos alunos com o professor. Os alunos podem postar fotos de atividades realizadas e digitalizações de suas soluções e trabalhos, sendo que suas produções poderão ser discutidas em sala ou, ainda, a distância. As tarefas realizadas podem ser publicadas pelos alunos, criando protocolos de construções e essas construções podem ser salvas em formato GeoGebra, no formato de imagens e outros, como também serem impressas, exportadas e feito upload. 9 Para baixar o programa para computador e aplicativos, acesse: https://www.GeoGebra.org. Acesso em: 08 maio 2019. 123123 123 As construções possíveis são relativas às seguintes áreas da matemática: Figura 1. Mapa de tópicos matemáticos para recursos de sala de aula Fonte: GeoGebra10. Colocando o foco na área da Geometria, os alcances do apoio do GeoGebra abrangem as os seguintes elementos: Figura 2. Mapa de tópicos da geometria que podem ser abordados em sala de aula. Fonte: GeoGebra11. 10 Math Topic Maps for Classroom Resources. Tradução da autora. Mapa disponível em: https://www.GeoGe- bra.org/m/bgmn44x5. Acesso em: 09 maio 2019. 11 Ibidem. 124124 Figura 3. Mapa de tópicos em geometria plana que podem ser abordados em sala de aula. Fonte: GeoGebra12. 4.1 Geometria plana Considerando os recursos para ensino e aprendizagem da geometria plana, a contribuição do GeoGebra está atrelada ao fato de possibilitar construções de objetos geométricos agrupados da seguinte maneira: pontos e vetores e retas e eixos. Dentre essas segmentações, é possível explorar através do software construções que representem propriedades dos objetos, plano bidimensional, linhas e retas, perpendicularismo, paralelelismo, bissetrizes, mediatrizes, polígonos, semelhança, simetrias, funções e lugar geométrico em geral. Desse modo é possível simular figuras através de manipulações que abram oportunidades para a compreensão daqueles conceitos da geometria, bem como sua visualização, produzir argumentação lógica e testar hipóteses, construir modelos e interpretar questões e resolver problemas relacionados à problematização das formas e de questões relativas ao espaço. 12 Ibidem. 125125 125 Com esses objetivos, o professor poderá levar em conta as noções de lugar geométrico, teoremas e definições a elas relativos como ponto de partida e fazer uso da estratégia de manipulações de construções dinâmicas através do GeoGebra para ensinar os conteúdos relacionados à geometria, considerando que a construção de lugares geométricos poderá potencializar a compreensão geométrica dos alunos. São algumas habilidades passíveis de aprendizagem com o uso do GeoGebra: conhecer o que é uma proposição, postulado, axioma e teorema; conhecer e saber relacionar as diferentes representações do ponto, reta e plano; saber o que é um segmento de reta e reconhecer suas diferentes representações; conhecer e saber usar o postulado do transporte de segmento; saber o que é uma semirreta, conhecendo suas diferentes representações; saber o que é o ponto médio de um segmento e como determiná-lo, usando régua e compasso; saber o que é um ângulo e como medi-lo (Cássio, 2019)13, pelo que se podem abordar tópicos tais como ângulos, áreas, circunferências, triângulos, quadrados, retângulos trapézios, paralelogramos, perímetros, planos, pontos notáveis, congruências, etc. Ao considerar a definição euclidiana de ponto como sendo aquilo de que nada é parte, linha como sendo comprimento sem largura, superfície como sendo aquilo que possui comprimento e largura, linhas como sendo lados de uma superfície, superfície como sendo aquilo que tem somente comprimento e largura, que os lados de uma superfície são linhas e que uma superfície plana como sendo aquela que está posta por igual com retas sobre si mesma, sob uma representação bidimensional infinita sem espessura e constituída pela junção de infinitas retas perpendiculares a uma reta dada e dispostas uma ao lado da outra, é possível ensinar aos alunos que as figuras geométricas podem se redesenhadas em diferentes planos, sendo o plano estendido pelas retas que se relacionam de modo perpendicular, o que permite que as figuras apresentem comprimentos e larguras, por exemplo. 13 Obra on-line disponível em: 126126 O GeoGebra possibilita a escolha de uma posição na área de desenhos para determinar um ponto através da ferramenta assim designada, criando o ponto A. Toma-se procedimento semelhante para determinar o ponto B. Usando a ferramenta retas, pode-se estabelecer o segmento de reta AB, sendo possível movimentar os objetos construídos e observar alterações de acordo com a manipulação empreendida, sendo que na janela aberta ao lado esquerdo da tela, na versão classic do software, aparecem as coordenadas dos pontos e, em seguida, aparece disponível a equação da reta. As construções podem ser realizadas com o uso das ferramentas citadas, ou ainda por meio da digitação das coordenadas e de r = reta(A, B), por meio do comando Reta (<ponto>, <ponto>), de modo que as orientações passam a ser representadas na área de desenho. No item configurações há a oportunidade de definir a aparência desejável ao objeto construído, sendo opções de alterações a espessura do traçado, a cor, o tipo de traço, dentre outros atributos. Ao serem finalizados, podem ser exportados e compartilhados via Internet. O exemplo dos triângulos, a partir da definição em que são dados os pontos A, B e C, sendo a união dos pontos AB, BC e AC designada como um polígono de três lados denominado triângulo, é possível observar seus elementos: -Vértices: pontos A, B e C; - Lados: Segmentos AB, BC e AC, com suas respectivas medidas; e – Ângulos: três ângulosinternos, α, β e γ, também com suas respectivas medidas. 127127 127 Figura 4. Construção de triângulo Neste caso, é possível que o aluno observe o que ocorre com os elementos do triângulo quando são alteradas as posições dos vértices. Também é possível realizar construções para visualizar classificações. Para a determinação do baricentro, por exemplo, o triângulo pode ser construído usando a ferramenta polígono, clicando-se em três lugares no plano cartesiano do GeoGebra, a figura será formada com os pontos A, B e C não alinhados. Em seguida, ao ativar a ferramenta centro ou ponto médio e clicar sobre o ponto C, um quarto ponto, D, será estabelecido, sendo necessário ativar, em continuidade, a ferramenta segmento e clicar nos dois últimos pontos posicionados. Após esta última ação será criada a mediana, tendo em vista que um segmento, f, terá sido criado. Determinando ponto médio do lado a e, em seguida o segmento de reta AE e fazendo a intersecção de dois objetos, usando a ferramenta assim denominada, entre os segmentos f e g, será criado o ponto F. É possível que os alunos observem se a próxima mediana passará também pelo ponto F e verificar a hipótese estabelecida com o ponto médio do lado b, criando o ponto G e a mediana entre este ponto e o ponto B. Ao final deste percurso de construção, o baricentro será indicado pelo ponto F. Também é possível analisar as relações entre as medidas dos segmentos de retas dos pontos A, B e C e o baricentro e entre estes e os pontos D, E e G: 128128 Figura 5. Baricentro do triângulo Além disso, ainda é possível determinar o perímetro através da ferramenta de medida, a área através da ferramenta área em cm² ou, ainda, construir a dedução da fórmula da área de triângulos a partir de um paralelogramo: Figura 6. Dedução da área do triângulo a partir de um paralelogramo 129129 129 A área do triângulo ABC é igual à área do paralelogramo ACGE. A área do paralelogramo é determinada por (Base)·(Altura). Considerando que as bases do triângulo e do paralelogramo coincidem e que o segmento l, altura do paralelogramo corresponde à metade da altura do triângulo, a área do triângulo será igual à área do trapézio. Qual seja: B · g 2 , que quer dizer a base do paralelogramo multiplicada por sua altura (segmento g = 2. Segmento l). Atividades diversas ainda poderiam ser desenvolvidas envolvendo triângulos, tais como o teorema da desigualdade triangular, que declara que todo triângulo apresenta condição de que a soma dos comprimentos de dois de seus lados é maior que o comprimento do terceiro lado; teorema do ângulo externo, ao realizar construções que permitam visualizar se todo ângulo externo de um triângulo mede mais do que qualquer dos ângulos internos a ele não adjacentes; o teorema fundamental da semelhança de triângulos, que afirma que no caso de uma reta paralela a um lado de um triângulo interceptar dois de seus lados em pontos distintos, então um novo triângulo será determinado, sendo o segundo semelhante ao primeiro. Além de relações trigonométricas, do Teorema de Tales, teoremas relacionados a ângulos e outros relacionados à geometria plana. É importante considerar que o GeoGebra é composto por ferramentas diversas que permitem abordar desde noções iniciais da geometria até construir figuras e relações mais complexas. Tomando o caso do teorema de Pitágoras, fica didaticamente mais clara a demonstração da relação que expressa que a soma dos quadrados dos catetos corresponde ao quadrado da hipotenusa, de forma que não apenas haja o uso de fórmulas para resolver problemas, mas os alunos possam visualizar e compreender as relações através da construção das imagens, tais como expressado nas visualizações que seguem abaixo. 130130 Figura 7. Visualização a do teorema de Pitágoras Figura 8. Visualização b do teorema de Pitágoras 131131 131 A visualização geométrica do caso b permite considerar a presença de quatro triângulos retângulos e dois quadrados, sendo um A = n² e outro A = p². Ao reorganizar o posicionamento das figuras, é possível visualizar a formação de A = r². Ao serem somadas as áreas dos quadrados da situação inicial, será igual á área no quadrado da situação final, pelo que se pode concluir que r² = n² + p². É importante frisar o fato de que os raciocínios algébricos, o pensamento funcional e o pnsamento geométrico, assim como outras áreas da matemática, podem ser relacionados e articulados a cada situação de que as práticas de construção possam fazer parte, sendo uma das funções docentes estabelecer quais as estratégias mais apropriadas de acordo com os objetivos traçados e com os níveis de aprendizagens dos alunos. 5. Algumas considerações sobre o uso do GeoGebra para ensino de geometria plana O uso do GeoGebra em situações de aprendizagens que envolvam geometria plana, potencializam o desenvolvimento do raciocínio lógico de criatividade e de resolução de problemas, o que pode ser realizado pela perspectiva que valoriza a contextualização e a articulação do ensino de modo preocupado com uma formação que possibilite aos alunos terem visão crítica da sociedade e do mundo em que vivem, além de potencializar a reflexão que acarrete em participação social. É importante afirmar o fato de que as problematizações podem ter contextos de problemas reais, situações-problemas inventados ou, ainda, estritamente matemáticos, porém a utilização das TDICs necessita apresentar fins educacionais, o que coloca novos desafios para a prática docente e para a estruturação dos espaços educativos formais na educação básica. Neste sentido, a medição do acesso ao conhecimento, a informações, dados e fontes passa a ter mediadores tais como dispositivos da tecnologia informática, como é o caso do uso do software em questão, o que leva o professor a considerar questões como essas para a atuação docente. 132132 Silva e Santos (2013) afirmam que o ensino de geometria na educação básica deve ser um grande desafio, devido ao histórico de supressão dos conteúdos da área em favor de outros na educação brasileira, o que é profundamente discutido ao longo da produção de Lorenzato, por exemplo, realiza na obra que recebe o título Por que não geometria? (1995), na extensão da qual problematiza abordagens didáticas, a presença no cotidiano escolar e a presença da geometria nas edições de diversos currículos escolares oficiais brasileiros, o que, até a atualidade, aponta para mudanças necessárias. As mesmas autoras colocam alguns passos importantes para o trabalho com softwares, sob a necessidade de considerá-los tecnologias educacionais, a saber, que estejam a serviço do processo educativo. Também apontam para a necessidade de que os professores tenham conhecimento competente dos softwares que elege para tomar parte de suas aulas, sem perder os objetivos de ensino e os objetos de conhecimento de vista. No caso do GeoGebra, apresentam um relato de experiência de ensino que propõe os seguintes passos: 1. Conhecimento docente sobre o GeoGebra: características e ferramentas (etapa da familiarização docente); 2. Abordagem de conceitos iniciais da geometria plana, partindo do conhecimento prévio e do processo de escolarização dos alunos: reta, segmento, ângulos, interseção, quadriláteros e polígonos (etapa conceitual inicial, de abordagem de definições e propriedades. Nesta etapa, as diferentes possibilidades de interação entre alunos, TDICs, professor e conhecimento devem ser exploradas com profundidade. Exemplo: verificação de intersecções, ângulos e manutenção das formas de figuras geométricas diversas); 3. Realizar processos de construções por meio dos quais há o convite aos alunos para fazerem construções livremente, com o objetivo de se familiarizarem com o software (etapa da familiarizaçãodiscente. Exemplo: Investigação sobre quadrados como um caso particular de retângulo e quadrados e retângulos como sendo casos particulares de paralelogramos, uma vez que todos são 133133 133 casos especiais de quadriláteros. Outro exemplo é o percurso de estudo de triângulos, coso exemplificado na seção anterior o que pode ser realizado com outros polígonos); 4. Resolver problemas e tarefas matemáticas por níveis de dificuldades, com o auxílio do software e com a mediação docente (etapa de manipulação e produção de construções. Aqui é necessário que o aluno mobilize as aprendizagens ocorridas ao longo das etapas anteriores para expressar habilidades e competências, tais como: transformações geométricas de polígonos no plano cartesiano; simetrias de rotação, translação e reflexão; circunferência como lugar geométrico, equivalência de área de figuras planas, situações envolvendo medidas em geral e estabelecimento de relações articuladas com outras áreas de conhecimento, tomando o desenho geométrico possível nesse contexto como possibilidade de dinamização das aulas, motivação dos alunos e produção de diversidade maior de interações, não como fonte de rigor); 5. Sistematização das aprendizagens (etapa conceitual final. Consiste no uso de notações específicas, conhecimento de definições, teoremas, fórmulas, uso de linguagens específicas, formalizações, produção de registros, mapas conceituais, generalizações, etc.). PARA SABER MAIS Para ter uma visão geral de usos do software GeoGebra em sala de aula, acesse o Uso do GeoGebra no Ensino de Geometria Plana no Ensino Básico, realizada por Wecsley Fernando Marçal Alves. O autor analisa como o uso do software pode apoiar as aprendizagens e o ensino de geometria plana e como vem sendo difundido como ferramenta de produção de processos educativos mais significativos, além de trazer discussões que apoiam o professor para alterar suas práticas em sala de aula. Boa Leitura! 134134 6. Considerações finais • O uso de softwares para o ensino de geometria pode ser uma significante mudança para o ensino de matemática, mais especificamente, geometria. Dentro de visão crítica, é necessário considerar que auxiliam a diferenciar as práticas de ensino e na investigação sobre as propriedades geométricas das figuras planas, prática de distanciamento daquelas mais tradicionais, principalmente pelo fato de poderem ser feitas vistas de diferentes pontos, construções. Softwares diversos permitem manipular objetos e dinamizar os processos de ensino e de aprendizagem. O uso de softwares que permitam a dinamização da geometria motiva os alunos a buscarem possibilidades diversas de resolver e trazem contribuições cognitivas que fazem os alunos serem mais participativos no processo de construção do conhecimento. TEORIA EM PRÁTICA Acesse o endereço eletrônico do Instituto GeoGebra do Rio de Janeiro (Disponível em: http://www.GeoGebra.im- uff.mat.br. Acesso em: 10 maio 2019) e realize a leitura geral das informações disponíveis. Acesse a seção vídeos tutoriais e escolha um dos quarenta vídeos disponíveis. Em seguida, escreva um roteiro sobre como realizar uma construção geométrica específica escolhida por você, a fim de que este roteiro constitua um tutorial de intervenções que serão feitas no processo de ensino geometria plana para alunos do segundo segmento do ensino fundamental. Bom trabalho! 135135 135 VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. Assinale a alternativa incorreta sobre as funcionalidades do software GeoGebra: a. Consiste em um software que permite contruções geométricas e aplicação do aspecto dinâmico a essas contruções, de modo que conceitos matemáticos exclusivamente relativos à geometria plana possam ser abordados. b. O nome do software é proveniente da agutinação das funções que o GeoGebra apresenta, relacionando conhecimentos das áreas da álgebra e da geometria. c. O software consiste numa interface interativa que possibilita a realização de cálculos, construção de tabelas e gráficos, sendo que todas essas funções estão reunidas em um mesmo dispositivo, bem como podem ser acessadas separadamente. d. O desenvolvimento inicial do GeoGebra é atribuído ao professor e pesquisador Markus Hohenwarter. Apresenta licença livre para acesso, uso e distribuição, e atualmente o software é utilizado para apoiar a aprendizagem matemática em diferentes culturas, sendo uma de suas vantagens o fato de articular áreas e linguagens matemáticas. e. O software possibilita a observação de uma expressão algébrica e, ao mesmo tempo, visualização de coordenadas de pontos e a representação funcional gráfica, sendo este um dos aspectos do dinamismo oferecido pelo recurso. 136136 2. A produção de ferramentas, novas funcionalidades, desenvolvimento de programações, atualizações, de materiais didáticos e tutoriais relativos ao GeoGebra atualmente é realizada de forma coletiva, reunindo mais de sessenta Institutos GeoGebra ao redor do mundo. As afirmações abaixo dizem respeito à popularidade crescente do software, de acordo com aspectos importantes: 1 - O fato de o software apresenta interface com diversos sistemas ; 2 - O software é e permite produção de para disponíveis na ; A alternativa que apresenta a completude correta das afirmações 1 e 2 é: a. 1 - incompatível; sistemas gerais/2 – gratuito; instrumentos; aplicativos; internet. b. 1 - compatível; sistemas algébricos/2 – pago; ferramentas; aplicativos; conexão. c. 1 - compatível; sistemas operacionais/2 – gratuito; ferramentas; aplicativos; internet. d. 1 - inadequada; sistemas superficiais/2 – legítimo; recursos; aplicativos; rede. e. 1 - adequada; sistemas educacionais/2 – gratuito; habilidades; aplicativos; web. 3. O software GeoGebra publica, na seção de apoio às práticas em sala de aula, um mapa das possibilidades de ensino da geometria plana fazendo uso do software 137137 137 como uma das unidades mediadoras dos processos de ensino e de aprendizagem. Em relação ao mapa citado, quais conceitos são apresentados? Assinale a alternativa que apresenta a lista desses conceitos: a. Triângulos, círculo/circunferência, quadriláteros, área, perímetro, baricentro e elementos iniciais. b. Desenho geométrico, dinâmica de rotação, área, perímetro, construções, quadriláteros e triângulos. c. Triângulos, produtos notáveis, quadriláteros, polígonos regulares, ângulos e elementos de definições e proposições. d. Descrição, argumentação, construção, dinamização, polígonos, elementos iniciais, perímetro e área. e. Círculo, circunferência, quadriláteros, perímetro, pontos notáveis, área, polígonos e triângulos. Referências bibliográficas ALENCAR, Vagner. Uso de tecnologia no ensino melhora em 32% rendimento em matemática e física. Porvir. São Paulo, 04 fev. 2013. Disponível em: http://educacao. uol.com.br/noticias/2013/02/04/uso-de-tecnologia-no-ensino-melhora-em-32- rendimento-em-matematica-e-fisica-aponta-estudo.htm. Acesso em: 02 maio 2019. ALVES, Wescley F. M. Uso do GeoGebra no Ensino de Geometria Plana no Ensino Básico. Unidade Acadêmica Especial de Ciências Exatas/Coordenação de Matemática da Universidade Federal de Goiás: Jataí, 2017. Disponível em: https:// repositorio.bc.ufg.br/tede/handle/tede/8086. Acesso em: 10 maio 2019. BARBOSA, J. L. M. Geometria Euclidiana Plana. 8. ed. Rio de Janeiro: SBM, 2005. D’AMBROSIO, Ubiratan. Educação matemática: da teoria à prática. 9. ed. Campinas: Papirus, 2002. GRAVINA, M. A. Geometria dinâmica uma nova abordagem para o aprendizado da geometria. IN: Anais do VII Simpósio Brasileiro de Informática na Educação, p.1- 13, Belo Horizonte, 1996. 138138 LEAL, David; Amaral, Luís. Do Ensino em Sala ao e-Learning. Universidade do Minho, Braga, Portugal,2004, Disponível em: http://www.campusvirtual.uminho.pt/ uploads/celda_av04.pdf. Acesso em: 07 maio 2019. LERMA, Inés S. Comunicacion, Lenguaje y Matematicas. In: Teoria y Practica in Educacion Matemática. Sevilla: Linares, Sánchez y García, 1990. LORENZATO, S. Por que não ensinar Geometria? Educação Matemática em Revista, Florianópolis, SBEM 4, 1995, p. 3-13. LORENZATO, S. O Laboratório de Ensino de Matemática na Formação de Professores. Campinas: Autores Associados, 2006. MILANI, Estela. A informática e a comunicação matemática. In: SMOLE, Kátia, S.; DINIZ, Maria I. (orgs.). Ler, escrever e resolver problemas habilidades básicas para aprender matemática. São Paulo: Artmed, 2001. SILVA, Joelson L. da. O uso do GeoGebra na construção de figuras dinâmicas de lugares geométricas no espaço. 144 f. João Pessoa: Universidade Federal da Paraíba Centro de Ciências Exatas e da Natureza Departamento de Matemática Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional - PROFMAT -, 2018. SILVA. Alessandra Q.; SANTOS, Tatiana S. dos Santos. O uso do software GeoGebra no ensino de geometria plana. Relato de experiência. VII Congresso Internacional de Ensino da Matemática. Canoas: ULBRA, 2013. Disponível em: http://www.conferencias. ulbra.br/index.php/ciem/vi/paper/viewFile/1341/901. Acesso em: 10 maio. 2019. SILVA, Manoel R. A. da. A utilização do software GeoGebra no processo de ensino-aprendizagem da Geometria plana. 2017.74 f. Dissertação (Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional), Maceió: Instituto de Matemática, Programa de Pós-Graduação em Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional, Universidade Federal de Alagoas, 2017. Gabarito Questão 1 – Resposta: A GeoGebra consiste em um software que permite contruções geométricas diversas e aplicação do aspecto dinâmico a essas contruções, de modo que diversos conceitos matemáticos possam ser explorados, inclusive em diferentes graus de complexidades. O nome do software é proveniente da junção das funções de articulação entre as áreas da álgebra e da geometria, sendo que ainda possibilita a realização de cálculos, construção de tabelas, gráficos, todas essas funções reunidas em um mesmo dispositivo. 139139 139 O recurso apresenta livre distribuição, conforme os termos de uma licença pública geral e disponibilizado para uso sob diferentes tipos de plataformas. Questão 2 – Resposta: C O GeoGebra possui mais de 62 institutos ao redor do mundo. A sua popularidade crescente está firmada em alguns aspectos importantes: o fato de gráficos de dados estatísticos, expressões algébricas, tabelas, figuras geométricas e cálculos poderem ser interligados; o fato de apresentar características dinâmicas; o fato de o software apresentar interface compatível com diversos sistemas operacionais; o fato de permitir a produção de ferramentas para aplicativos disponíveis na Internet; o fato de ser gratuito; o fato de apresentar código aberto e permitir a contribuição de equipes diversas de programadores para a criação de novas versões e de atualizações constantes e, por fim, o fato de estar disponível em uma diversidade ampla de idiomas. Questão 3 – Resposta: E Os conteúdos de Geometria plana para os quais o software GeoGebra apresenta suporte para uso como apoio pedagógico, segundo mapa de conhecimentos constante nas produções do Instituto (vide endereço eletrônico oficial), apresenta a área da geometria e, de modo intrínseco à área, os conhecimentos de geometria plana, para os quais existem tutoriais, livros situações problemas e tarefas matemáticas on-line para solução em relação aos seguintes conteúdos: círculo, circunferência, quadriláteros, perímetro, pontos notáveis, área, polígonos e triângulos. 140140140 Uso do software GeoGebra para ensino de geometria espacial Autora: Francis Roberta de Jesus Objetivos • Refletir sobre algumas tendências atuais para o ensino de geometria; • Compreender o uso do software GeoGebra como um recurso facilitador do ensino e da aprendizagem em geometria especial; • Abordar potencialidades produzidas a partir da abordagem de tópicos específicos da geometria espacial na educação básica; • Refletir sobre modos de emprego e aspectos do software GeoGebra que contribuam para a inovação do ensino de geometria espacial na educação básica. 141141 141 1. Ensino de geometria e uso de recursos para seu ensino É importante considerar a geometria como parte essencial da matemática e, portanto, seu ensino é fundamental ao longo da educação básica. Dessa forma, são pertinentes preocupações sobre como garantir a presença das temáticas da geometria nos currículos, visando que seja garantido o contato dos estudantes com os conteúdos e de modo que tenham a oportunidade de construção do pensamento geométrico conforme as complexidades e os níveis e escolarização de cada etapa educativa. Estes são desafios históricos para o ensino da matemática, os quais apresentam dimensões profundas e atuais. Os objetivos do trabalho com geometria espacial na educação básica iniciam-se desde a observação de situações cotidianas, passando pela localização e deslocamentos no espaço; adoção de pontos de referências, reconhecimento/ relações entre objetos familiares do mundo físico e figuras geométricas espaciais; representação de objetos, figuras geométricas espaciais (além do reconhecimento, realizar planificações e análises de elementos e de características específicas); estudos de prismas, pirâmides, cilindros, cones e corpos redondos, ângulos, simetrias e transformações (translação, rotação e reflexão); uso do plano cartesiano, volumes, áreas, vistas ortogonais e construções de figuras espaciais, de modo a problematizar e mobilizar conhecimentos, tais como relações e elementos poligonais (relações entre figuras planas e espaciais), paralelismo, perpendicularismo, congruência, generalização de padrões, projeções cartográficas e de outros tipos. Compõem ainda os objetivos do ensino de geometria as relações com o pensamento algébrico e com o campo de grandezas e medidas, e que essas relações sejam aprendidas em contato com problemas reais ou que se relacionem a outras áreas de conhecimento, fato que potencializa o desenvolvimento cada vez mais complexo e rebuscado da percepção espacial, que pode ser desenvolvido com ou sem apoio de materiais manipuláveis ou de tecnologias digitais. 142142 Tal processo exige o desenvolvimento de um tipo de pensamento para o qual é necessário o estabelecimento de relações, conjecturas e de argumentação geométrica, e que deve ser articulado a outras áreas de conhecimento assim como a outros tipos de pensamento, tal como o funcional, caracterizado pela generalização de padrões que descrevem relações, comparações ou valores, por exemplo, de forma que esses tipos de pensamentos sejam apoiados por representações, construções, interdependências, transformações e análises de elementos variantes, o que permite que uma sorte de problemas seja resolvida geometricamente e de modo crítico. Garantir a presença desses conhecimentos, acessá-los, tornar-se competente para mobilizá-los em diferentes contextos de experiências e de resolução de problemas de diversos campos de atividades se faz um dos objetivos centrais da educação básica, além do incentivo à criatividade, o que pode ser realizado pelo uso de metodologias diversificadas para potencializar os diversos modos de aprender dos alunos e conforme suas necessidades, estabelecer mudanças e inovações. A busca pelo uso de materiais pode ser considerada um aspecto de inovação para deixar os conhecimentos de geometria mais acessíveis aos alunos e que valorize a perspectiva ativa e investigativa, podendo- se unir qualidade e pesquisa. Sob essa visão, o ensino de geometria se torna menosabstrato e proporciona uma prática de ensino contextualizada e articulada com conceitos, leis e fórmulas que estão conectadas com aspectos com que os alunos possam estabelecer sentidos e, conforme alternativas que possam influenciar na qualidade da educação, uma vez que transformações metodológicas podem significar, de algum modo, transformações nos modelos de ensino mais tradicionais, ou ainda, declaram a falência das possibilidades de mudanças (Franco e Pereira, 2013). Como estudo de medidas, a ciência investigativa das formas e dimensões de objetos e corpos compreende estudos das extensões e propriedades relacionadas às figuras geométricas, pelo que o fato de olhar o mundo 143143 143 tridimensionalmente deve ser aprendido, envolvendo corpos matemáticos e suas propriedades, observação do mundo físico de modo a reconhecê- los em diferentes contextos, visualizando-os segundo a compreensão do que é apresentado à percepção humana, entendendo essas informações visuais conforme propriedades e normatividades específicas do campo da geometria (Franco e Pereira, 2013, p. 03). A importância dos estudos relacionados à geometria é apresentada desde a antiguidade, sendo registrada em pinturas antigas que expressavam compreensão das formas através de registros bidimensionais de objetos no espaço (Franco e Pereira, 2013, p.04). Há menções históricas de que a matemática foi desenvolvida pelos babilônios por volta de 2000 a.C., estes colecionavam registros de conhecimentos do que hoje pode ser denominado álgebra elementar; esses registros são vistos como primórdios da preocupação com ideias de comparações entre formas, configurações físicas e geométricas, quantidades, medidas e dimensões. Franco e Pereira (2013) afirmam que: Imenes e Lellis (1996) enfatizam que desde o momento em que os seres humanos começaram produzir Matemática, há milhares de anos, já havia uma inquietação com as formas geométricas. E reforçam ainda, que “foi a Geometria que orientou os povos antigos na divisão de terras de cultivo, na construção de vários objetos e utensílios, nos desenhos que enfeitavam seus tecidos” (1996, p. 28). De acordo com essa ótica, constata-se que foi a geometria que deu suporte aos povos antigos na realização de muitas atividades vivenciadas no dia a dia. Com um olhar mais atento frente a essa questão pode-se comprovar que o homem, ao observar a natureza e diante da necessidade de fazer registros históricos, era provocado a construir conhecimentos que explicassem a constituição das mais variadas formas encontradas ao seu redor (p. 04). O contato com o conhecimento geométrico está atrelado a diversas necessidades e à capacidade de participação efetiva em diferentes práticas socioculturais, pelo que se torna relevante identificar relações 144144 espaciais, nomear, classificar e comparar corpos e objetos conforme diferentes atributos, classificar figuras e objetos de acordo com semelhanças e diferenças, a interação com diferentes ambientes e meios, expressão sob diferentes formas de linguagem e modos de expressão de ideias e argumentação, seguindo normatividades específicas, observando fenômenos de diferentes naturezas e estabelecendo diversas relações (artificiais e naturais) de experiências para solucionar problemas específicos e questões do cotidiano, praticar atividades diárias em que conhecimentos geométricos se fazem necessários e em que esses conhecimentos possam facilitar a construção de ferramentas que potencializem o desempenho das mais variadas funções que surgem no decorrer da sua vida: embalagens de produtos, construções, arquitetura, plantas, croquis, mapas, artes em geral, espaços desportivos, softwares, esportes, práticas corporais, danças, escrita e produção de registros diversos, dentre muitas outros contextos e áreas de atuação humana. Desse modo, é possível confirmar a importância da geometria para a formação do indivíduo, considerando o fato de proporcionar uma visão de mundo subsidiada por conhecimentos matemáticos. Lorenzato (1995, p. 05) afirma que o ensino de geometria permite o raciocínio visual, sendo que sem essa habilidade dificilmente conseguirão “resolver as situações de vida que forem geometrizadas; [...] sem conhecer geometria, a leitura interpretativa do mundo torna-se incompleta, a comunicação das ideias fica reduzida e a visão da matemática torna-se distorcida”. O autor corrobora a noção de que a geometria está em toda parte. Como consequência, deixar de ensinar geometria ou considerar os conteúdos a ela referentes presentes nos currículos normatizadores do ensino da matemática, com base em um conhecimento menor ou de relevância inferior ao das demais áreas da matemática seria negar um modo de ver, de pensar o mundo ou de expressá-lo, o que acarreta em imaginação, criatividade e criticidade reduzidas, tendo em vista que a visualização e a percepção são questões de ensino 145145 145 e de aprendizagem, por meios das quais formas, tabelas, fórmulas, enunciados podem receber interpretações mais fáceis com o apoio geométrico (LORENZATO, 1995, p. 05). Em seu aspecto didático- pedagógico, a geometria pode ser ensinada relacionando a álgebra à aritmética, pelas correspondências de objetos e relações de uma área à outra, de forma que conceitos, propriedades e questões algébricas ou aritméticas possam ser abordadas geometricamente, o que potencializa uma tradução para o aprendiz (LORENZATO, 1995, p. 06-07). Lorenzato (1995) explicita a existência de tendências para o desenvolvimento dos conteúdos geométricos ao longo da educação básica, conforme as práticas de ensino, sendo elas: • Tendência intuitiva: modo de caracterizar o ensino desde o início da educação básica, fundamentado no ensino intuitivo, valorizando as práticas de observação e de exploração das formas presentes no espaço físico, imediato de ação e interação das crianças (Lorenzato, 1995, p. 07); • Tendência das relações e dos aspectos de identificação e de classificação de figuras geométricas: fundamentada em práticas que relacionam fortemente os conhecimentos geométricos com os ambientes de vivência, associadas às ideias numéricas e às medidas. As questões da identificação e da classificação de figuras estão direcionadas para desenvolvimento do senso espacial e para que estabeleçam relações espaciais partindo de experiências com materiais e concretas, próprio corpo, ambientes, objetos, imagens e façam aplicações a outras áreas da matemática, o que é de fundamental importância para dominar relações dinâmicas e noções lógicas (Lorenzato, 1995, p. 08); • Tendência perceptivo-conceitual: visão do desenvolvimento do pensamento geométrico no sentido que parte do espaço perceptivo para o espaço conceitual; aumenta a atenção dada às transformações, ao vocabulário geométrico formal. Considera que o domínio do espaço se apresenta de início de modo topológico, em que as linhas desenhadas ressaltam as 146146 posições dentro, fora, aberto e fechado, passando pelo modo projetivo, em que as propriedades espaciais invariantes são progressivamente valorizadas) e, por fim, o modo euclidiano, em que as preocupações métricas são mais expressivas no processo educativo (Lorenzato, 1995, p. 09). Andrade e Nacarato (2019) apresentam outras convergências ao levantarem a seguinte questão: Que tendências didático- pedagógicas se fazem presentes no Ensino de Geometria tomando como referência os Anais dos Encontros Nacionais de Educação Matemática (ENEMs)?1 (p.01), compreendendo tendências de acordo com as fundamentações apresentadas por Fiorentini (1995)2. Desse modo, os autores se referem às tendências didático-pedagógicas para o ensino de geometria, compreendendo-as como um modo de produzir conhecimentos geométricos na sala de aula e para a salade aula (ANDRADE; NACARATO, 2019, p. 01). Os autores empreitaram um percurso investigativo que levantou sete categorias didático- pedagógicas, contudo, de modo distinto da categorização de Lorenzato (1995), a visão acerca das tendências não estava centrada nos modos de desenvolvimento e de enfocar os conteúdos centrais do conhecimento geométrico ao longo da educação básica, porém, de modo isolado nas perspectivas metodológicas de abordagem desses conteúdos. A pesquisa (ANDRADE; NACARATO, 2019) expressou as seguintes tendências, além das apresentadas por Lorenzato: Geometria na Perspectiva Curricular, Geometria na Perspectiva Teórica, Geometria na Perspectiva Histórica, Geometria Experimental e Geometria em Ambientes Computacionais. Sobre as duas últimas, qualificam-nas como sendo emergentes, apontando que: 1 Esse evento foi escolhido especificamente pelos pesquisadores em função de ser o espaço em que aconte- ciam, até os anos 2000, as reuniões anuais da SBEM (Sociedade Brasileira de Educação Matemática), respon- sabilidade que, a partir daquele ano passou a ser compartilhada com um segundo evento, a saber, o SIPEM (Seminário Internacional de Pesquisa em Educação Matemática. 2 Em que as tendências estão configuradas por um saber funcional, isto é, uma modalidade de conhecimento, social- mente elaborada e partilhada, criada na prática pedagógica quotidiana e que se alimenta não só das teorias científicas (Psicologia, Antropologia, Sociologia, Filosofia, Matemática, (...), mas também de grandes eixos culturais, de ideologias formalizadas, de pesquisas, de experiências de sala de aula e das comunicações quotidianas (Fiorentini, 1995, p. 03). 147147 147 a. A tendência experimental diz respeito à abordagem que privilegia situações de aprendizagem constituídas por experimentos que são viabilizados por meio da manipulação de objetos, construção de modelos, representações, resolução de problemas e construção de conceitos através de atividades matemáticas, aulas diretivas e discussão do pensamento geométrico segundo um enfoque teórico e/ou epistemológico. Nisto está a visão do ensino e da aprendizagem através da experimentação, o que aponta para trabalhos que permitem abordar o ensino da geometria nas perspectivas a.1) empírico-ativista, a.2) sociocultural (ênfase nos processos de significação, processos culturais de constituição de conceitos e de significados, pela interação e pela negociação), a.3) de provas e argumentações/refutações e, por fim, a.4) dos fundamentos teórico-epistemológicos da geometria. Essa tendência recebe influências da pedagogia ativa em contraposição às tendências tradicionais e valorizando a possibilidade de o ser humano extrair conhecimento do mundo físico através dos sentidos, das ações sobre o meio e seus componentes, manipulação e experimentação, caracterização da descoberta e, posteriormente, influências da didática francesa como aporte teórico (p.02-03). b. A tendência do ensino da geometria em ambientes computacionais apresentou subcategorias, tais como: b.1) em ambientes de Geometria Dinâmica (são exemplos de ambientes abordados: Cabri Gèométre, Geometricks, Geometer’s Sketchpad, Tabulae e Mangaba) e b.2) a Geometria no Ambiente LOGO e outros. Essa categoria foi considerada emergente, dada a produção acadêmica brasileira acerca desse modo de mediação do ensino e da aprendizagem, que envolve o uso das TDICs. A análise dessas duas categorias nos possibilitou identificar a tendência emergente para o ensino da geometria. Isso porque o movimento da produção brasileira foi bastante similar nessas duas categorias, apontando uma convergência de (Andrade; Nacarato, 2019, p. 02- 04). A tendência b objetiva a inserção de um novo ambiente para que diferentes relações se desenrolem, adicionando a este novas formas 148148 de mediação da aprendizagem, fundamentados teoricamente na literatura da didática francesa, do modelo de Van Hiele e, em alguns casos, em referências cognitivistas. Esse ambiente consiste num meio para processamento conjunto de recursos físicos, virtuais e lógicos que operam conjuntamente para o processamento de informações e para a execução de aplicações que podem ser executadas para apoiar práticas educativas, além da possibilidade de automatização de algumas atividades humanas, tais como o desenho, por exemplo. Ambas as categorias (a e b) foram abordadas inicialmente em práticas educativas com o objetivo de ensinar geometria como elementos de motivação dos estudantes para com a aprendizagem. Contudo, com o passar do tempo, reflexões acerca desses usos foram se tornando cada vez mais necessárias, o que exige também a reflexão sobre as razões pelas quais se faz uso de um recurso tecnológico com fins educativos e, como eleger e integrar esses recursos às práticas de ensino. O empirismo puro regeu os primeiros usos atrelados àquelas tendências, porém, a questão do uso didático desses recursos para a aprendizagem passou a fazer maior sentido e tem constituído as centralidades das discussões acerca do ensino da geometria, produzindo influências atuais nas salas de aulas na formação de professores, na arquitetura escolar, no uso de recursos para ensino e produzindo novas abordagens didático-metodológicas. Tais inovações fortaleceram a preocupação com a abordagem de conteúdos da geometria de forma que haja produção de significados, o que possibilitou a utilização de atividades matemáticas, atividades investigativas, abordagens a partir de temas geradores, jogos, olhar para práticas socioculturais e diferentes contextos de experiências dos alunos relações intrínsecas e extrínsecas à matemática que expressam os eixos metodológicos das aproximações interdisciplinares e contextualizadas, da modelagem matemática e da resolução de problemas (ANDRADE; NACARATO, 2019, p. 07). A negociação de significados possibilita diversas abordagens, dentre elas, aquelas que partem de experiências, atividades laboratoriais de matemáticas e explorações de recursos e materiais diversos. Para tanto, lida com questões de coletividades, escuta atenta, oralidade e 149149 149 com tensões, jogos de forças, entre a convenções características da matemática e o processo de produção de significados (FIORENTINI; MIORIM, 2001), o que valoriza práticas de análises, inferências, diferentes formas de argumentação, críticas usando linguagens e recursos diversos, validação de resultados e levanta a discussão acerca das razões para o ensino de geometria centrados em provas rigorosas e demonstrações formais. Os processos de negociação, portanto, constituem meios profícuos para o alcance de validações, processo que exige a participação ativa dos alunos; professores e estudantes podem solicitar e praticar explanações, explicações, esclarecimentos, razões e argumentações. Andrade e Nacarato (2019) compartilham do ponto de vista que esse processo pode ser mais apropriado às salas de aulas, sendo que se diferencia das práticas de produção de conhecimento matemático em contextos acadêmicos, por exemplo. Entendem que na educação básica não tem sentido falar em demonstração formal, mas sim em processos de validação em que estão envolvidas habilidades para justificar, argumentar e provar fatos geométricos (p. 09). Os processos de negociação de significados que culminam na validação de resultados e podem ser resumidos do seguinte modo: Imagem 01 – Elementos relevantes para o processo de produção de significados Fonte: Adaptada de Andrade e Nacarato (2019, p. 8-10). 150150 A negociação de significados compõe parte das perspectivas experimentais, as quais possibilitam que não haja um grau hierárquico e nem mesmo uma ordem única de construção do conhecimento geométrico, mas colocam necessidades de relações entre aspectos perceptivos experimentais e conceituaisque, historicamente, ora valorizam o raciocínio intuitivo, ora valorizam o raciocínio dedutivo que devem, no entanto, possibilitar o desenvolvimento do pensamento geométrico conforme as diferentes potencialidades e níveis de experiências geométricas. As perspectivas de ambiente computacionais também possibilitam experimentações e produção de processos que conduzam à inferência relacionais e de resultados. Essa abordagem didático-metodológica possibilita também a ocorrência de processos de negociação de significados que convergem para validações que, inclusive, podem ser confrontadas através das construções dinâmicas, as quais também apresentam aspectos exploratórios. Desse modo, os ambientes computacionais, tais quais designados nas discussões trazidas por Andrade e Nacarato (2019), podem envolver diferentes meios que suportem informações diversas, tais como softwares, que, no caso da geometria é possível citar: Quadro 01 – Descrição de softwares que apresentaram frequências relevantes de usos para abordagem do pensamento geométrico em sala de aula, pesquisas e publicações de trabalhos acadêmicos apontados no processo investigativo realizado por Andrade e Nacarato (2019) Softwares de geometria Software Descrição/potencialidades Cabri Gèométre A denominação do “software” Cabri Géomètre provém do francês “Cahier de Brouillon Interative” que traduzido significa “Caderno Interativo de Rascunho”. De fato, este ambiente disponibiliza construções com régua e compasso de uma maneira interativa e dinâmica a partir das propriedades geométricas dos objetomas configurações clássicas da Geometria e da Matemática podem ser dinamizadas, sendo possível identificá-las mais facilmente em diferentes situações daquelas que se apresentam de maneira estática e prototípica nos livros didáticos (GERON, 2005, p. 01). 151151 151 Linguagem LOGO Refere-se a uma linguagem de programação cuja primeira versão foi lançada em1968, desenvolvida pelo MIT, sob autoria de Saymour Papert e Marvin Minsky. Com o tempo, essa linguagem passou a funcionar juntamente ao software de mesmo nome, o que acarretou em versões posteriores diversas, cada vez mais intuitivas, que apresenta janelas de comando de gráfica, pelo que é possível criar procedimentos e movimentos (direção e sentido) numa linguagem em que uma tartaruga é a unidade fundamental da geometria da tartaruga e que possibilita tomar decisões, o que significa antecipar e pensar em sequências de comandos que geram uma programação para a execução de ações planejadas naquela linguagem (MATTE, 2016). Maple Consiste num software matemático cujo uso para o Ensino da Geometria Analítica MAPLE pode auxiliar professores e alunos na facilita a ação de forma prática e simples o entendimento dos conceitos de várias disciplinas como a Geometria Analítica, Álgebra Linear, Cálculo e outras, fazendo uso da grande quantidade de funções disponíveis para os mais diversos fins na área de Matemática, além de funcionar como uma linguagem de programação (CORRÊA, 2016, p. 160-161). GeoGebra O Geogebra é um software matemático dinâmico, que reúne Geometria, Álgebra e Cálculo, foi desenvolvido em 2001 pelo professor e pesquisador Markus Hohenwarter, da Universidade de Salzburg, Áustria, para Educação Matemática nas escolas. Segundo Hohenwater (2007) o Geogebra permite realizar construções tanto com pontos, segmentos, vetores, retas, seções cônicas e funções, que permitem se modificar posteriormente de forma dinâmica. De forma prática, as informações na Janela de Álgebra correspondem aos elementos geométricos presentes na Janela de Visualização Gráfica, assim o software tem a capacidade de trabalhar com variáveis vinculadas a números, vetores e pontos, ou seja, uma expressão em Álgebra corresponde a um objeto concreto na Geometria e vice-versa (LEME, 2017, p. 55). Fonte: Adaptado de Andrade; Nacarato (2019). Como pode ser observada, a abordagem exploratória é considerada como uma das tendências atuais e em emergência para o ensino de geometria, e os softwares expostos compreendem os mais citados em pesquisas acadêmicas compreendidas entre 1987 e 2001 e publicados e/ou discutidos nos eventos do ENEM. Os textos do quadro apresentam descrições retiradas de outras publicações acadêmicas que fazem referências a processos investigativos maiores e mais prolongados, os quais expressam ainda que o uso de softwares para o ensino de geometria é uma tendência forte, que permanece em emergência e cada vez mais abrangente em relação às práticas de ensino e aos contextos de aprendizagem, mesmo considerando um período posterior àquele 152152 compreendido pela pesquisa de Andrade e Nacarato (2019), a saber, de 2005 a 2017, o que valida a conjectura anteriormente apresentada por esses últimos autores. 2. O Caso do software Geogebra No caso do software GeoGebra, seu uso crescente e popularização estão intrínsecos às tendências mais exploratórias de abordagens didático- metodológica da geometria. Potencializando que manipulações e visualizações dinâmicas sejam atreladas ao ensino teórico do pensamento geométrico, caracterizando o aspecto experimental, a ação dos estudantes, modos diferenciados de intervenções e mediações docentes, e produção de processos de significação e de validação de resultados. O uso de diferentes mídias e de TDICs requer contextos dialogados, de argumentação, de negociação de significados, o que pode estar em união à utilização de softwares de geometria dinâmica. Isto permite a reunião das tendências emergentes citadas anteriormente e a necessidade de inovação no ensino de geometria, concedendo lugar e importância à formação humana, à sua presença nos currículos oficiais e nas práticas educativas em sala de aula e para a produção de novos modos de ver o mundo em que os alunos estão inseridos. Isto, sem deixar de ressaltar que o uso de materiais diferenciados e da tecnologia deve ser planejado e ter sentido/relevância para o uso em sala de aula, de modo que sejam inseridos em contextos que possam atuar como facilitadores da aprendizagem e diversificadores dos tipos de linguagem utilizados para o ensino, de modo a não diminuir a importância. Mas esses contextos não prescindem da argúcia dos processos de validação matemática, tendo em vista que a argumentação e o desenvolvimento de demonstrações segundo diferentes estratégias são habilidades requeridas como objetos de aprendizagem em documentos curriculares normativos da educação básica mais recentes, tais como a BNCC3, por 3 Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Referência: BRASIL. Base Nacional Comum Curricular: Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. Brasília: MEC/Secretaria de Educação Básica, 2018. 153153 153 exemplo. O uso de softwares também possibilita contemplar aspectos da representação, movimentações e da visualização, que têm sido alvo de discussões para o ensino de geometria, como aspectos dos quais não se pode abrir mão ao longo dos processos de ensino. O GeoGebra, portanto, pode ser uma ferramenta para abordar aqueles aspectos. Apresenta a vantagem de possuir licença livre de distribuição, de ter código de programação aberto e de ser gratuito. Também apresenta diversas versões disponíveis para download em diferentes dispositivos, inclusive móveis, com distintos sistemas operacionais, permitindo o trabalho articulado entre as áreas da geometria, da álgebra, da estatística e de cálculos diversos. O software pode ser usado na versão online, sendo que a versão para baixar tanto está apresentada no formato do pacote completo – GeoGebra clássico, versões das linhas 5 e 6 – versões derivadas destas, mais recentes, e atualizações de ferramentas como a de cálculo simbólico, funções estatísticas, visualizações, planilhas e de criação de protocolos deconstruções, que podem ser acessadas como aplicativo. As visualizações em 2 e 3D são uma dessas ferramentas, além da ferramenta de realidade aumentada (3D-AR). Essas ferramentas podem ser acessadas no seguinte endereço eletrônico: https://www.geogebra.org/download. Imagem 02 – Tópicos possíveis de abordagem educacional do software GeoGebra Fonte: GeoGebra (2019). 154154 3. Visualização tridimensional A visualização 3D é possibilitada pela aplicação denominada 3D Calculator, sendo possível, por meio dela, representar funções 3D, superfícies e outros objetos em 3D. Para a geração de visualizações em 3D, as transformações geométricas são essenciais, uma vez que são aquelas que permitem produzir modificações em objetos, tais como dimensão, posição e forma, pelo que as superfícies das figuras são projetadas ortogonalmente na tela ou superfície do dispositivo de visualização. A aplicação produz, portanto, a representação de pontos bidimensionais através de coordenadas tridimensionais, que podem sofrer transformações, tais como a translação nas direções dos eixos x,y e z, ou ainda a rotação em torno dos eixos x, y ou z, segundo um ângulo determinado. Outra possibilidade de transformação é a de escala, que permite que um objeto seja redimensionado em cada um dos seus elementos vertical ou horizontalmente. As projeções geométricas permitem a obtenção de visualizações tridimensionais de objetos bidimensionais, requerem o emprego das transformações citadas anteriormente e possibilita a visualização com efeitos visuais diferenciados, por vezes mais realistas, mantendo comprimentos dos segmentos de retas e da amplitude dos ângulos das formas e das figuras representadas, pelo que as linhas de projeção, partindo de um centro, passam pelos pontos do plano e das figuras, produzindo a projeção do objeto, conforme as diferentes posições dos centros projetivos e da posição relativa entre o plano de projeção e as citadas linhas, produzindo, assim projeções paralelas e projeções perspectivas4. 4 Para acessar uma explanação mais aprofundada e imagens que exemplificam a classificação das projeções geométricas paralelas (ortográficas, axométricas e oblíquas) e projeções geométricas perspectivas (com um ou mais centros perspectivos) e as hierarquias dessas projeções, é interessante ler a obra intitulada Visualização digital de uma imagem em 3D. (Referência: ROS, Giovana A. Visualização digital de uma imagem em 3D. 95F. Dissertação (Mestrado). Presidente Prudente: UNESP – Faculdade de Ciências e tecnologia. Programa da Pós- -Graduação em Ciências Cartográficas, 2001. Disponível em: http://www2.fct.unesp.br/pos/cartografia/docs/ teses/d_ros_ga.pdf. Acesso em: 15 maio 2019. 155155 155 A visualização 3D através do software GeoGebra também é possibilitada pelo uso da aplicação 3D-AR, que diz respeito à articulação da visualização tridimensional a aspetos da realidade. Essa interpretação requer uso de dispositivo capaz de transmissão da imagem real para um software que seja capaz de realizar a leitura dessa imagem. O software deverá gerar o objeto virtual da imagem recebida, que poderá ser visualizado em um dispositivo de saída, cumprindo a tarefa de sobreposição do objeto virtual ao real, compondo uma nova imagem como resposta final do software, o que é possível de ser realizado via GeoGebra. Por meio desse processo, há a possibilidade de geração de objetos interativos ou não, conforme os objetivos de uso ou aplicação, sendo um deles o educacional. ASSIMILE Realidade Aumentada (AR, em inglês) designa as ações integradora e interativa de elementos virtuais com elementos virtuais. Expressa uma tecnologia inovadora que permite novos modos das relações humanas com diferentes tecnologias, para o que é necessário o uso objetos reais que possam ser interpretados virtualmente. 4. Uso da janela de visualização 3D do Geogebra Retomando a aplicação 3D do GeoGebra, há a barra de ferramentas (Imagem 02), com a qual possível construir: círculos, dados eixos e um de seus pontos, círculos selecionando o centro, a direção e o raio; realizar a interseção de duas superfícies, selecionar três pontos para definir um plano, relacionar pontos, retas ou polígonos para definir um plano, definir um plano perpendicular selecionando um ponto e uma reta perpendicular, definir um plano paralelo selecionando um ponto e um plano paralelo. 156156 Na janela de número 09 da aplicação 3D do GeoGebra é possível realizar as construções que aparecem na imagem abaixo: Imagem 03 – Ferramentas da janela 09 da janela de Visualização 3D. Fonte: GeoGebra (2019). Segundo a ordem apresentada acima, as ferramentas apresentam as funções e ações conforme abaixo: • Pirâmide: permite selecionar ou criar um polígono que constituirá a base da pirâmide e, em seguida, selecionar um vértice oposto à base; • Prisma: permite selecionar um polígono para constituir a base do prisma e, em seguida, criar um ponto para a base oposta; • Fazer extrusão para Pirâmide ou Cone: possibilita selecionar um polígono ou um círculo e, em seguida, digitar a altura desejada na janela de diálogo que aparece para definir uma pirâmide reta ou um cone reto; • Extrusão para Prisma ou Cilindro: oferece a opção de selecionar um polígono ou um círculo e, em seguida, de digitar a altura na janela de diálogo que aparece para definir um prisma ou um cilindro, retos; 157157 157 • Cone: permite que seja feita a seleção de dois pontos e especifique o raio na janela de diálogo que aparecerá em seguida; • Cilindro: permite selecionar dois pontos e especificar o raio na janela de diálogo que aparece logo em seguida; • Tetraedro: cria a possibilidade de clicar em um plano ou em dois pontos para que um tetraedro seja definido; • Cubo: permite que com um clique em um plano, ou ainda em dois pontos, se possa definir um cubo; • Planificação: possibilita que um poliedro seja selecionado para que a ação seja realizada. Já as ferramentas sinalizadas abaixo (Imagem 4a) são Esfera dados centro e um de seus Pontos, a qual permite que seja feita a seleção de um centro e, por consequência, um ponto da esfera e a ferramenta Esfera dados Centro e raio, por meio da qual se pode selecionar selecionar o centro e, em seguida, digitar o raio na janela de diálogo que aparecerá (Imagem 4b). Imagem 04-a – Ferramentas da janela 10 da janela de Visualização 3D Fonte: GeoGebra (2019). 158158 Imagem 04-b – Ferramentas da janela 11 da janela de Visualização 3D Fonte: GeoGebra (2019). Já a janela 12 permite as funcionalidades descritas abaixo (Imagem 5): Imagem 05 – Ferramentas da janela 12 da janela de Visualização 3D Fonte: GeoGebra (2019). E a janela 14 possibilita girar e mover a janela de visualização 3D (Imagem 6), pelo que é necessário arrastar a janela. A função vista para frente de permite que a vista para frente do objeto selecionada seja alterada. 159159 159 Imagem 06 – Ferramentas da janela 14 da janela de Visualização 3D. Fonte: GeoGebra (2019). Essas informações contribuem para o conhecimento de cada janela, de suas funções e modos de funcionamento, pelo que é possível realizar construções e transformações nas figuras, a partir da visualização tridimensional. É necessário reafirmar o princípio do uso do software atrelado a objetivos pedagógicos, tais como: fazer uso de escalas e de representações diversas de figuras planas e espaciais; associar diferentes representações a planificações, projeções, desenhos e construções; identificar elementos dos poliedros e classificá-los, estudos sobre sólidos redondos; intersecção, paralelismo e perpendicularismo; inscrição e circunscrição de sólidos; compreender significados de axiomas, postulados e teoremas para o campo da matemática e formas de argumentaçãoe de validação de resultados; conhecer e fazer usos de propriedades relacionadas às posições; relações de vistas e de formas geométricas para estabelecer associações com diferentes contextos da realidade, fazendo uso do conhecimento geométrico para ler a realidade e experiências 160160 vividas em diferentes campos de atuação humana, em que é necessário o domínio de relações métricas, cálculos, medições e quantificações, fazendo uso de propriedades geométricas e mobilizando conhecimentos relativos a volumes, áreas e perímetros e fazer estimativas. Com esses objetivos de ensino, é possível abordar conceitos como propriedades de áreas de polígonos e volumes de poliedros e de corpos redondos. Acerca dos os poliedros, Leme (2017) explicita serem figuras espaciais formadas por polígonos planos que têm, considerados dois a dois, um lado comum, que pode ser definido ao considerarmos um conjunto G obtido pela reunião de n polígonos, com n > 3, de modo que I: quaisquer dois desses polígonos, tendo um lado em comum, não devem ser coplanares; II: cada um dos polígonos considerados em I seja lado de apenas dois polígonos; e III: o conjunto G é denominado superfície poliédrica, sendo que esta superfície distingue o espaço em regiões distintas (p.38). No caso dos poliedros convexos, contêm qualquer um de seus polígonos contidos em um plano α e os demais polígonos estão contidos em um mesmo semiespaço de origem α, os quais apresentam uma relação entre seus lados, vértices e arestas, a relação de Euler, que expressa a seguinte relação para todo poliedro daquele tipo: V – A + F = 2 ou V + F = A + 2. Leme (2017) também apresenta como sólidos geométricos as seguintes classificações de poliedros: a) Regulares: cconstituídos por polígonos regulares e congruentes; b) Prismas: poliedros com bases paralelas e congruentes de tal modo que as arestas que as unem também são paralelas entre si; e c) Pirâmides: poliedros cuja base constitui uma região poligonal e as faces laterais são regiões triangulares; além dos corpos redondos, casos dos cilindros, dos cones e das esferas. É importante considerar o uso de conhecimentos prévios para o desenvolvimento de cada conceito objeto de ensino, sendo exemplo disso a aplicação do Teorema de Pitágoras para o cálculo da área de do círculo, ou ainda a aplicação do Princípio de Cavalieri para estudar volumes de prismas de modo mais facilitado. A partir dessas considerações, apresenta objetivos essenciais para seus ensinos fazendo uso do software GeoGebra: 161161 161 • Motivar os alunos quanto ao uso do software para a realização de atividades geométricas; • Verificar de modos distintos as dificuldades encontradas quanto ao uso do software com relação aos conceitos geométricos abordados nas atividades; • Incentivar o uso do computador como ferramenta auxiliar no processo de ensino e aprendizagem; • Construir os sólidos geométricos e realizar suas planificações quando possível; • Despertar o interesse por estudos autônomos dos alunos fazendo uso do software como ferramenta de aprendizagem (Leme, 2017, p. 22). Esses objetivos, sendo observados a partir do uso do GeoGebra como uma ferramenta para ensinar geometria plana, permite que estratégias didáticas sejam aplicadas e criadas com o objetivo de sensibilizar as capacidades perceptivas dos estudantes, adicionado também ao objetivo de tornar o ensino ao alcance dos alunos, através da construção de significados. 5. Construções e visualizações com a janela de visualização 3D Considerando o objetivo de construir um cubo, é possível solicitar a tarefa aos alunos, oferecendo diferentes roteiros para a construção, dentre eles, o que segue: a. Na página inicial do software, ativar a opção de visualização 3D. Em seguida, definir dois pontos distintos A e B, na área de visualização 2D, o que pode ser realizado digitando na barra de comandos do seguinte modo: A = (0,0) seguido de ENTER e B = (4,0,0) também seguido de ENTER. Na janela de Visualização 162162 3D, é necessário clicar com o botão direito do mouse, manter selecionada a opção “plano” e desmarcar a opção “eixos”, para que a imagem fique mais visível. Num momento conseguinte, é possível ditar o seguinte comando na barra: Cubo [A,B] seguido de ENTER, pelo que será formada a imagem do cubo, o qual pode ser observado na janela de visualização 3D. A partir da imagem que aparece como produto final da construção descrita acima, poderá ser projetado, translacionado de acordo com diferentes eixos, bem como movimentada em diferentes direções e sentidos, de modo que o cubo possa ser posicionado onde se desejar, o que pode ser descrito algebricamente e pode ser observado na janela denominada “álgebra”. Esta última janela permite visualizar aspectos do cubo, tais como: • Diagonal lateral d = a√2; diagonal do cubo d = a√3; a área total At = 6a²; o volume do cubo V = a³. Também observadas as coordenadas,e, na versão classic ainda é possível usar o controle deslizante para alterar as medidas das arestas, situação que pode ser observada pelos alunos, registrando o que ocorre com o volume, com a área total, com a área de uma das faces, com a descrição algébrica, dentre outras potencialidades. Podem ser problematizados, visualizados e dinamizados de modo diferente à apresentação das fórmulas prontas para aplicação, que caracteriza a realização apenas de exercícios e não de resolução de problemas. Nessa segunda abordagem, uma situação real ou imaginada pode ser oferecida aos alunos, de modo que apresentem suas soluções fazendo uso do software, apresentando suas argumentações, negociando sentidos e validando resultados, comparando-os com aspectos formais da geometria. 163163 163 Imagem 07 – Cubo construído no GeoGebra Fonte: GeoGebra (2019). Também é possível usar as diferentes ferramentas para executar as ações expressadas nas imagens abaixo (Imagem 08): Imagem 08 – Planificação do cubo com aplicação de inclinação e giro Fonte: GeoGebra (2019). 164164 Há a possibilidade de abordar sólidos de revolução a partir da construção de polígonos e de circunferências. No caso do cilindro, por exemplo, é possível girar o polígono em 2D em torno do eixo x (Imagem 9): Imagem 09 – Visualização de um cilindro de revolução construído no GeoGebra Fonte: Geogebra (2019). Para realizar construções que envolvam revoluções é necessário manter disponível a janela de visualização 3D. No caso acima (Imagem 9), foi inserida a visualização com a malha quadriculada nas janelas 2 e 3D e, em seguida, selecionada a ferramenta polígono, criando uma figura retangular ABCD na malha. O passo seguinte foi a criação de um controle deslizante da visualização 2D, denominado m, na opção ângulo. Por fim, para possibilitar a revolução, foi necessário digitar o termo superfície(q1,m), tendo em vista que o polígono está designado como q1 na visualização algébrica, seguido de ENTER. Usando o controle deslizante, é possível criar o sólido de revolução, formando um cilindro com rotação no retângulo, uma construção com características dinâmica e interativa, sendo ainda oportunidade para problematizar questões relativas à área da base (Ab= π.r2), área lateral (Al= 2 π.r.h), área total [At= 2.Ab+Al ou At = 2(π.r2) + 2(π.r.h)], o volume (V = Ab.h ou V = π.r2.h), além de aspectos outros, como secção meridiana e geratriz. 165165 165 Um plano de ensino de ensino de geometria espacial que envolva construções dos tipos exemplificados acima possibilita, dentre outros objetivos, estudos sobre polígonos e rotações dos mesmos em torno de um eixo terminado usando o GeoGebra como recurso. PARA SABER MAIS Para aprofundar-se mais nos estudos sobre o uso do GeoGebra como instrumento de ensino de tópicos da geometria espacial, realize a leiturada dissertação de mestrado intitulada Uma proposta para o ensino de geometria espacial usando o GeoGebra 3D. A autoria é de Loana Araújo Lona (vide referências bibliográficas), que atua como docente da educação básica e apresenta em sua obra o objetivo principal de minimizar recorrentes dificuldades de aprendizagem relativas à geometria espacial. 6. Considerações finais • O presente material de Leitura Fundamental teve como objetivo principal apresentar noções relativas às potencialidades que o uso de softwares que possam ter cunhos ou interesses educativos pode trazer para o ensino de geometria espacial. Para tanto, foi necessário problematizar algumas tendências investidas para o ensino de geometria, tanto no modo de ver o desenvolvimento dos conteúdos dessa área ao longo da educação básica quanto nos modos de abordar esses mesmos conteúdos. • Em seguida, o software Geogebra foi abordado de modo a mostrar uma visão geral sobre as ferramentas e os aspectos dinâmicos e interativos que podem ser aliados ao ensino de uma geometria cuja abordagem didático-metodológica coloque esse tipo de conhecimento ao alcance das aprendizagens, bem como da democratização do acesso e da qualidade motivadora dos alunos. 166166 • Longe de esgotar os assuntos abordados, a presente Leitura Fundamental levanta questões relevantes para o ensino da matemática, para as necessidades de transformação, reflexão e inovação do ensino, de modo que os estudantes assumam posição ativa no processo de aprendizagem, apresentem interesses pelos objetos se estudos, verifiquem de forma mais imediata os aspectos conceituais da geometria e considerando as potencialidades criativas que o uso de softwares como o GeoGebra podem trazer para o ensino da geometria espacial, como ferramenta facilitadora e a serviço da educação. TEORIA EM PRÁTICA Agora é sua vez! Escolha um dos materiais disponíveis no site do software GeoGebra, na seção denominada sólidos. Dentre os sólidos disponíveis, escolha um deles e, em seguida, interaja com a construção, respondendo às seguintes questões: a) Que conteúdos de geometria espacial podem ser abordados em sala de aula fazendo uso daquela construção?; b) De que forma a construção facilita a aprendizagem do aluno?; c) Como você faria para introduzir a construção eleita em um planejamento de ensino de geometria, considerando os conhecimentos necessários para compreender os aspectos mobilizados por ela? E como o plano de ensino seria continuado?; d) Como você faria para ensinar essa construção aos alunos? Abra o software em seu computador, reproduza a construção que você escolheu e registre suas respostas. Bons estudos! 167167 167 VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. Assinale a alternativa que apresenta algumas das preocupações para o ensino de matemática na atualidade, o que envolve o ensino de geometria espacial: a. Construção do pensamento geométrico conforme as perspectivas mais formalistas, garantia da reprodução de argumentações, definições e demonstrações. b. Garantia da presença das temáticas da geometria nos currículos, garantia de um trabalho efetivo com a geometria nas salas de aulas e o acesso à educação de qualidade para que os alunos tenham oportunidades de aprendizagens para a construção do pensamento geométrico. c. Garantia da construção do pensamento geométrico conforme as complexidades e os níveis e escolarização de cada etapa educativa, garantia da aprendizagem relativa ao desenho geométrico com a valorização do rigor e das práticas dedutivas. d. Garantia do formalismo e do rigor geométricos, garantia da aprendizagem dos raciocínios dedutivo e intuitivo e da agumentação relativa a conhecimentos clássicos e modernos. e. Aprendizagem de qualidade para todos, formação integral e para a atuação cidadã, integrando elementos de geometria pelas transformações a aspectos da geometria euclidiana. 168168 2. Assinale a alternativa que apresenta as tendências relativas à abordagem didático-metodológica da geometria ao longo da educação básica e que dizem respeito ao percurso de desenvolvimento do pensamento geométrico: a. Tendência formalista-clássica, Tendência intuitiva e Tendência exploratória. b. Tendência clássica, Tendência da formalização e Tendência inovadora. c. Tendência do ensino conceitual, Tendência fundamentada nas experiências das vivências cotidianas e Tendência da resolução de problemas. d. Tendência do ensino intuitivo, Tendência fundamentada em relações e aspectos de identificação e de classificação de figuras e a Tendência perceptivo-conceitual. e. Tendência do ensino construtivo, Tendência fundamentada em relações e aspectos de interação entre figuras geométricas e a Tendência conceitual- perceptiva. 3. Assinale a alternativa que apresenta os termos que completam a frase abaixo de modo correto: As perspectivas experimentais de abordagem didático-metodológica possibilitam que graus hierárquicos de construção do conhecimento geométrico. Contrariamente, colocam necessidades de relações entre aspectos perceptivos 169169 169 e que valorizam os raciocínios intuitivo e dedutivo, contudo, de modo que o desenvolvimento do pensamento geométrico conforme as diferentes potencialidades e níveis de . a. Existam – visuais – perceptivos – possibilite – experiências – geométricas. b. Inexistam – visuais – perceptivos – impossibilite – experiências – geométricas. c. Inexistam – conceituais – formais – impossibilite – demonstrações – espaciais. d. Existam – formais – argumentativas – permita – definições – geométricas. e. Inexistam – experimentais – conceituais – possibilite – experiências – geométricas. Referências bibliográficas ANDRADE, José A. A.; NACARATO, Adair Mendes. Tendências didático-pedagógicas para o ensino de geometria. USF/SP NACARATO, Adair Mendes – USF/SP - Grupo de trabalho da ANPED: Educação Matemática n.19. Mimeo. Disponível em: http://27reuniao.anped.org.br/gt19/t197.pdf. Acesso em: 14 maio 2019. CARRAHER, Terezinha Nunes. (Org.). Aprender pensando: contribuições da psicologia cognitiva para a educação. Recife: Secretaria da Educação do Estado de Pernambuco, UFP, 1983. CORRÊA. Salécia do N. O uso do software MAPLE no ensino da geometria analítica. Marabá: Jornada de Estudos em Matemática, 2016, p. 159-163. Disponível em: https://jem.unifesspa.edu.br/images/2JEM/ANAIS/CC/O_USO_DO_MAPLE_NO_ ENSINO_DA_GEOMETRIA_ANALTIC.pdf. Acesso em: 15 maio 2019. FIORENTINI, Dario. Alguns modos de ver e conceber o ensino de Matemática no Brasil. In: Zetetiké, CEMPEM/F. E. 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Questão 2 – Resposta: D Segundo o referencial de Lorenzato (1995), são essas: a) Tendência do ensino intuitivo baseada na observação e a exploração das formas presentes no espaço físico imediato de ação e interação das crianças; b) Tendência fundamentada em práticas que relacionam fortemente os conhecimentos geométricos com os ambientes de vivência, iniciando do aspecto familiar, porém mais associados a ideias numéricas, a medidas e à questão da identificação e da classificação de figuras para dominar relações dinâmicas e noções lógicas; e c) Tendência do desenvolvimento do pensamento geométrico ao longo do ensino fundamental no sentido que parte do espaço perceptivo para o espaço conceitual, aumentando a atenção dada às transformações, o vocabulário geométrico formal passa a ser intensamente exigido, a ênfase na exploração da geometria em duas e em três dimensões e resolvam problemas que envolvam geometria e suas aplicações a outros tópicos da matemática. Questão 3 – Resposta: E As perspectivas experimentais de abordagem didático- metodológica possibilitam que inexistam graus hierárquicos de construção do conhecimento geométrico. Contrariamente, 172172 colocam necessidades de relações entre aspectos perceptivos experimentais e conceituais que valorizam os raciocínios intuitivo e dedutivo, contudo de modo que possibilite o desenvolvimento do pensamento geométrico conforme as diferentes potencialidades e níveis de experiências geométricas. 173173 173 A história e a evolução da tecnologia digital aplicada à Educação Objetivos 1. Introdução 2. Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação 3. História da tecnologia digital 4. Hardwares e softwares: caracterizações e articulações 5. Hardwares e softwares aplicados à Educação 6. Considerações finais Teoria em prática Verificação de leitura Referências bibliográficas Gabarito Tecnologia Educacional e Mediação Tecnológica: algumas reflexões Objetivos 1. Introdução 2. Tecnologia Educacional e Mediação Tecnológica 3. Tecnologia Digital e computador 4. Reflexões sobre as estratégias de ensino com recursos tecnológicos 5. Considerações finais Teoria em prática Verificação de leitura Referências bibliográficas Gabarito Formação de professores e Ensino Híbrido: articulações e possibilidades Objetivos 1. Introdução 2. A formação do professor na era digital 3. Desafios para uso da Tecnologia na Educação 4. O Ensino Híbrido e a Tecnologia 5. Desenvolvimento do pensamento algébrico mediado por softwares educativos Teoria em prática Verificação de leitura Referências bibliográficas Gabarito O conhecimento na era da tecnologia digital Objetivos 1. Introdução 2. Dados, informações e conhecimentos 3. Produção de conhecimento na era digital 4. A evolução da relação sujeito e informação 5. O uso de planilhas eletrônicas nas aulas de Matemática 6. Considerações finais Teoria em prática Verificação de leitura Referências bibliográficas Gabarito Internet: aliada ou inimiga? Objetivos 1. Introdução 2. Considerações gerais sobre as TICs 3. A questão do acesso 4. Internet e processos educativos - o caso dos projetos 5. Aliada ou inimiga? 6. Internet e ensino da matemática 7. Considerações finais Teoria em prática Verificação de leitura Referências bibliográficas Gabarito Uso do software GeoGebra para ensino de geometria plana Objetivos 1. Introdução 2. Relação entre TDICs e processos educativos 3. Um recurso educacional denominado GeoGebra 4. Construções dinâmicas usando o GeoGebra 5. Algumas considerações sobre o uso do GeoGebra para ensino de geometria plana 6. Considerações finais Teoria em prática Verificação de leitura Referências bibliográficas Gabarito Uso do software GeoGebra para ensino de geometria espacial Objetivos 1. Ensino de geometria e uso de recursos para seu ensino 2. O Caso do software Geogebra 3. Visualização tridimensional 4. Uso da janela de visualização 3D do Geogebra 5. Construções e visualizações com a janela de visualização 3D 6. Considerações finais Teoria em prática Verificação de leitura Referências bibliográficas Gabarito