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<p>FISIOLOGIA</p><p>VEGETAL</p><p>Talita Antonia da Silveira</p><p>Nutrição mineral</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Reconhecer os métodos de avalição do estado nutricional da planta.</p><p> Identificar os elementos essenciais, úteis e tóxicos.</p><p> Entender o processo de absorção e transporte dos nutrientes pela</p><p>planta.</p><p>Introdução</p><p>Devido à crescente demanda por alimentos no mundo, houve também</p><p>um aumento considerável no consumo dos principais elementos minerais</p><p>fertilizantes (nitrogênio, fosforo e potássio). A produtividade agrícola em</p><p>alta escala depende da fertilização com minerais e aumenta linearmente</p><p>com a quantidade de fertilizantes absorvidos pela cultura.</p><p>Plantas cultivadas tradicionalmente utilizam menos da metade dos</p><p>fertilizantes aplicados. O restante é lixiviado para os lençóis subterrâneos</p><p>de água, torna-se fixado ao solo ou contribui para a poluição do ar. Assim,</p><p>torna-se de grande importância aumentar a eficiência de absorção e de</p><p>utilização de nutrientes, reduzindo os custos de produção e contribuindo</p><p>para evitar prejuízos ao meio ambiente.</p><p>Neste capítulo, você vai estudar sobre a nutrição mineral nas plantas</p><p>e entender como é o processo de absorção dos íons inorgânicos em</p><p>baixas concentrações da solução do solo, que torna a absorção mineral</p><p>das plantas um processo muito eficaz. Esses elementos são absorvidos</p><p>pela raiz e transportados para várias partes da planta, sendo utilizados</p><p>em diversas funções biológicas.</p><p>Avaliação do estado nutricional da planta</p><p>O estado nutricional da planta pode ser observado a partir de sintomas visuais</p><p>de defi ciência, da análise do solo e da análise direta dos tecidos vegetais.</p><p>Sintomas visuais — é o método mais simples e direto de se avaliar o estado</p><p>nutricional da planta (Figura 1), mas pode apresentar limitações, pois os sinais</p><p>visuais nem sempre são claros. Algumas vezes a defi ciência não é somente</p><p>de um nutriente; além disso, os sintomas são comuns nas folhas, o que pode</p><p>ser confundido com doenças, ataque de pragas, falta de água ou variação de</p><p>temperatura (muito baixa ou muito alta). O aparecimento de sintomas visuais</p><p>se dá com a produtividade já afetada.</p><p>Figura 1. Sintomas de deficiência nutricional em folhas de milho.</p><p>Fonte: Adaptada de Agricultura e Mar Actual (2019).</p><p>Folha saudável</p><p>Deficiência em fósforo</p><p>Deficiência em potássio</p><p>Deficiência em magnésio</p><p>Deficiência em nitrogênio</p><p>Sinais de seca</p><p>Doença: ferrugem</p><p>Sinais de utilização de químicos</p><p>Análise química do solo — analisar os atributos químicos do solo é a principal</p><p>ferramenta para se elaborar um plano de adubação e calagem do solo de uma</p><p>área. Com o resultado da análise química do solo, podemos identifi car os</p><p>teores de nutrientes que estão inadequados e fazer as correções necessárias.</p><p>Análise de tecido vegetal — é importante para conhecer o estado nutricional</p><p>dos cultivos agrícolas e complementar a análise de solo, verifi cando sua</p><p>fertilidade. Auxilia na investigação diagnóstica quando a planta apresenta baixo</p><p>teor de determinado elemento e a análise de solo apresenta alta disponibilidade</p><p>Nutrição mineral2</p><p>desse nutriente no solo. As causas desse desajuste no processo podem ser</p><p>a temperatura inadequada, o estresse hídrico, o desequilíbrio em relação a</p><p>outro nutriente, etc.</p><p>Para fazer a amostragem, são selecionadas normalmente as folhas e uma</p><p>parte da planta que apresenta maior estabilidade possível em relação aos</p><p>fatores que influenciam sua composição. Além disso, essas partes devem</p><p>apresentar alta sensibilidade quanto a variações de composição decorrentes</p><p>de tratamentos experimentais ou de práticas de manejo da cultura.</p><p>Para realizar a coleta de amostragem do tecido vegetal, alguns cuidados</p><p>devem ser tomados, como:</p><p> fazer a seleção da parte da planta a ser coletada conforme recomendações</p><p>de cada cultivo;</p><p> selecionar folhas sem doença ou danos por insetos ou outro agente;</p><p> fazer a limpeza das folhas após a coleta, para descartar resíduos de</p><p>pulverização e/ou poeira;</p><p> evitar contato das folhas coletadas com inseticidas, fungicidas e</p><p>fertilizantes;</p><p> colocar a amostra em sacos novos de papel ou em embalagens fornecidas</p><p>pelo laboratório;</p><p> identificar a amostra e o formulário, indicando os elementos a serem</p><p>determinados;</p><p> identificar o local de coleta, para localização da área da amostragem;</p><p> enviar as amostras o mais breve possível ao laboratório — se o tempo</p><p>de envio for superior a dois dias, recomenda-se secar o material ao sol,</p><p>mantendo a embalagem aberta.</p><p>No link a seguir, você tem acesso a uma tabela que mostra detalhadamente a forma</p><p>de fazer a coleta de tecido vegetal em várias culturas.</p><p>https://goo.gl/s8kHVZ</p><p>3Nutrição mineral</p><p>Elementos essenciais, úteis e tóxicos</p><p>Para ser considerado um elemento essencial de uma planta, ele deve atender</p><p>a três critérios:</p><p>1. O elemento deve estar envolvido no metabolismo da planta (constituir</p><p>a molécula, participar de uma reação, etc.).</p><p>2. A planta não é capaz de completar o seu ciclo de vida na ausência do</p><p>elemento.</p><p>3. O elemento tem função específica, sendo que nenhum outro elemento</p><p>poderá substituí-lo naquela função.</p><p>Ao utilizar esses critérios, os especialistas da área de nutrição mineral</p><p>podem classificar os elementos como essenciais para as plantas. Os elementos</p><p>minerais essenciais são classificados como macro ou micronutrientes,</p><p>de acordo com a sua concentração relativa no tecido ou de acordo com a</p><p>concentração requerida para o crescimento adequado da planta. Geralmente,</p><p>as concentrações dos macronutrientes (N, P, K, Si, Ca, Mg e S) são maiores</p><p>do que as dos micronutrientes (Fe, Cu, Zn, Mn, Mo, B, Cl, Ni e Na). Para</p><p>o crescimento adequado da planta, é necessário seguir a classificação para</p><p>macro e micronutrientes para cada planta. O Quadro 1 apresenta informações</p><p>sobre esses elementos.</p><p>Nutrição mineral4</p><p>Fonte: Adaptado de Hopkins (2000).</p><p>Elemento Símbolo</p><p>químico</p><p>Forma</p><p>disponível</p><p>Concentração na</p><p>matéria seca</p><p>(mmol/kg)</p><p>Macronutrientes</p><p>Hidrogênio H H</p><p>2</p><p>O 60.000</p><p>Carbono C CO</p><p>2</p><p>40.000</p><p>Oxigênio O O</p><p>2</p><p>, CO</p><p>2</p><p>30.000</p><p>Nitrogênio N NO</p><p>3</p><p>–, NH</p><p>4</p><p>+ 1.000</p><p>Potássio K K+ 250</p><p>Cálcio Ca Ca2+ 125</p><p>Magnésio Mg Mg2+ 80</p><p>Fósforo P H</p><p>2</p><p>PO</p><p>4</p><p>–, HPO</p><p>4</p><p>2– 60</p><p>Enxofre S SO</p><p>4</p><p>2– 30</p><p>Silício Si SiO</p><p>2</p><p>30</p><p>Micronutrientes</p><p>Cloro Cl Cl– 3,0</p><p>Boro B BO</p><p>3</p><p>3– 2,0</p><p>Ferro Fe Fe2+, Fe3+ 2,0</p><p>Manganês Mn Mn2+ 1,0</p><p>Sódio Na Na+ 0,4</p><p>Zinco Zn Zn2+ 0,3</p><p>Cobre Cu Cu+, Cu2+ 0,1</p><p>Níquel Ni Ni2+ 0,05</p><p>Molibdênio Mo MoO</p><p>4</p><p>2– 0,001</p><p>Quadro 1. Elementos essenciais para as plantas superiores e suas concentrações</p><p>consideradas adequadas para o crescimento normal da planta</p><p>5Nutrição mineral</p><p>Os macro e micronutrientes se diferenciam quanto às quantidades utilizadas</p><p>pela planta. Os macronutrientes são necessários na ordem de gramas por</p><p>quilograma (g/kg) de matéria seca da planta. Já os micronutrientes são</p><p>necessários na ordem de miligramas por quilograma (mg/kg) de matéria</p><p>seca da planta. Nos macronutrientes, podemos observar que apenas o carbono,</p><p>o hidrogênio e o oxigênio não são minerais, sendo os demais nutrientes de</p><p>natureza mineral. O carbono é obtido a partir do dióxido de carbono (CO2),</p><p>o hidrogênio, a partir da água (H2O), e o oxigênio, a partir do CO2 e da água.</p><p>Ressalta-se que esses três nutrientes constituem de 90 a 95% da massa seca</p><p>da planta, dependendo da espécie.</p><p>Macronutrientes</p><p>Os aspectos principais de cada um dos macronutrientes e suas funções para</p><p>as plantas são listados a seguir.</p><p>Carbono — é assimilado no processo de fotossíntese e retirado do CO2.</p><p>Esse nutriente constitui de 40 a 45% da matéria seca da planta, sendo o mais</p><p>abundante e obrigatório nos tecidos vegetais.</p><p>Hidrogênio — entra na planta pela água, sendo assimilado no processo</p><p>da fotossíntese. Estima-se que aproximadamente 5% do tecido vegetal seja</p><p>constituído de hidrogênio.</p><p>Oxigênio — esse nutriente entra na planta de forma indireta, por meio do</p><p>dióxido de carbono (CO2) e da água (H2O). Sendo</p><p>assim, conclui-se que ele é</p><p>obtido do ar atmosférico e do solo.</p><p>Nitrogênio — é o nutriente requerido em maiores quantidades pela maioria</p><p>das plantas, dentre aqueles absorvidos do solo, constituindo de 2 a 4% da</p><p>matéria seca vegetal. Esse elemento é constituinte de proteínas, aminoácidos,</p><p>pigmentos, hormônios, DNA, RNA e vitaminas. A defi ciência de N inibe o</p><p>crescimento da planta. Se persistir a defi ciência, as plantas podem apresentar</p><p>clorose, em especial nas folhas velhas, e sua intensidade pode levar à queda</p><p>da folha.</p><p>Fósforo — é um componente importante na planta na forma de fosfato (HPO4</p><p>2–),</p><p>pois é componente de açucares — fosfato, fosfolipídios de membranas, nu-</p><p>cleotídeos usados como fonte de energia (ATP) e nos ácidos nucléicos. Uma</p><p>Nutrição mineral6</p><p>característica de defi ciência de P é a coloração verde-escura de folhas mais</p><p>velhas, associada ao aparecimento da cor púrpura.</p><p>Potássio — executa papel importante na regulação do potencial osmótico de</p><p>células de plantas e na ativação de enzimas da respiração e da fotossíntese.</p><p>Um dos sintomas que aparece primeiro na defi ciência desse elemento é a</p><p>clorose marginal, a qual desenvolve necrose a partir do ápice, inicialmente</p><p>nas folhas velhas.</p><p>Cálcio — os íons de Ca2+ fazem parte da estrutura da planta, como da parede</p><p>celular das células. O cálcio também atua como ativador enzimático em reações</p><p>da fotossíntese. Outra função é a atuação nas estruturas reprodutivas e nas</p><p>raízes da planta. Os sintomas característicos de defi ciência incluem necrose de</p><p>regiões meristemáticas (como ápices de raízes e da parte aérea), onde ocorre</p><p>a divisão celular e a formação de parede.</p><p>Magnésio — nas células de plantas, o Mg2+ tem papéis específi cos na ativação</p><p>de enzimas da respiração, da fotossíntese e da síntese de ácidos nucléicos.</p><p>O Mg2+ é também parte da estrutura da molécula de clorofi la (pigmento</p><p>associado à fotossíntese). Um sintoma característico de defi ciência é a clorose</p><p>internervural, que ocorre primeiro nas folhas velhas. Essa clorose internervural</p><p>resulta do fato de que a clorofi la próxima aos feixes vasculares (nervuras)</p><p>permanece não afetada por maior período do que a clorofi la entre os feixes.</p><p>Enxofre — é absorvido pela planta na forma de íon sulfato (SO4</p><p>–2), e sua</p><p>disponibilidade no solo está diretamente relacionada com o teor de matéria</p><p>orgânica, umidade, pH, relação C/S (carbono/enxofre) e a aeração do solo. Alguns</p><p>sintomas são clorose, redução no crescimento e acúmulo de antocianina. A clorose,</p><p>no entanto, aparece primeiro nas folhas mais jovens, o que é consequência da</p><p>baixa mobilidade do S na planta. Todavia, em algumas plantas, a clorose ocorre</p><p>ao mesmo tempo em todas as folhas, ou pode até iniciar nas folhas mais velhas.</p><p>Enzimas são um grupo de substâncias orgânicas que têm função catalisadora, ou seja,</p><p>de promover reações químicas.</p><p>7Nutrição mineral</p><p>Micronutrientes</p><p>Os aspectos principais dos micronutrientes e suas funções para as plantas</p><p>são listados a seguir.</p><p>Ferro — é o micronutriente absorvido em maior quantidade pela maioria das</p><p>plantas. No solo, ele pode ocorrer na forma oxidada (Fe+2) e/ou reduzida (Fe+3),</p><p>sendo a primeira forma predominante em solos secos, enquanto a segunda</p><p>predomina em solos encharcados. A defi ciência de Fe se apresenta como uma</p><p>clorose internervural. Esta, no entanto, ocorre primeiro nas folhas mais novas,</p><p>devido à baixa mobilidade do Fe (precipita como óxidos ou fosfatos de ferro</p><p>insolúveis ou como complexos com fi toferritina). A folha se torna clorótica</p><p>porque o ferro é requerido para a síntese de alguns complexos proteína-clorofi la</p><p>nos cloroplastos.</p><p>Manganês — de maneira geral, o manganês (Mn) é o segundo micronutriente</p><p>utilizado em maiores quantidades pelas plantas. Ele é absorvido em maiores</p><p>quantidades na forma oxidada (Mn+2), predominante em solos ácidos. Sendo</p><p>assim, em situações de calagem excessiva, pode ocorrer defi ciência de Mn</p><p>decorrente do pH elevado. O principal sintoma de defi ciência de Mn2+ é uma</p><p>clorose internervural associada com pequenas manchas necróticas. Essa clorose</p><p>pode ocorrer em folhas jovens ou velhas, dependendo da espécie vegetal e da</p><p>taxa de crescimento.</p><p>Boro — é um micronutriente cuja principal função está relacionada com</p><p>o crescimento radicular. Além disso, sua presença é fundamental na fase</p><p>reprodutiva da planta. As plantas defi cientes em boro exibem uma variedade</p><p>de sintomas, dependendo da espécie e da idade da planta. Um sintoma</p><p>característico é a necrose de folhas jovens e gemas terminais, o que refl ete a</p><p>sua baixa mobilidade na planta. A dominância apical pode também ser perdida,</p><p>e a planta pode fi car altamente ramifi cada. Além disso, estruturas como frutos</p><p>e tubérculos podem exibir necroses ou anormalidades relacionadas com a</p><p>degradação de tecidos internos.</p><p>Zinco — é absorvido na forma Zn+2, sendo o terceiro micronutriente mais</p><p>utilizado pela maioria das plantas. Na planta, o Zn atua como um ativador de</p><p>enzimas que estão envolvidas com diversos processos fi siológicos da planta,</p><p>como a fotossíntese e a produção de amido e de fi to-hormônios. A defi ciência</p><p>de zinco é caracterizada pela redução no crescimento internodal. Esse sintoma</p><p>Nutrição mineral8</p><p>pode ser resultado da perda da capacidade da planta para produzir auxina</p><p>(fi to-hormônio) sufi ciente. Algumas evidências disponíveis indicam que o</p><p>zinco pode ser requerido para a biossíntese do triptofano, o qual é um dos</p><p>precursores da auxina natural, o ácido indol-3-acético (AIA).</p><p>Cobre — é absorvido pela planta na forma Cu+2. Na planta, tem como</p><p>principal função a ativação de enzimas que estão envolvidas em diversos</p><p>processos fi siológicos, como na fotossíntese e na respiração. O sintoma inicial</p><p>de defi ciência de cobre é a produção de folhas verde-escuras, que podem</p><p>conter manchas necróticas. Sob defi ciência severa, as folhas podem cair</p><p>prematuramente.</p><p>Molibdênio — é absorvido pela planta na forma de molibdato (MoO4</p><p>2–) e é o</p><p>nutriente absorvido em menores quantidades pelas plantas. Sua disponibilidade</p><p>no solo aumenta com a elevação do pH. Sendo assim, defi ciências de Mo poderão</p><p>ser observadas em solos ácidos. A defi ciência de molibdênio pode aparecer</p><p>como defi ciência de nitrogênio, se a fonte de N for o nitrato ou se a planta</p><p>depende da fi xação biológica de N2 (simbiose). Embora o requerimento das</p><p>plantas por Mo seja pequeno, a defi ciência tem sido verifi cada no campo. Assim,</p><p>pequenas adições de Mo, em tais condições, podem aumentar sensivelmente</p><p>a produtividade, com custos relativamente baixos.</p><p>Cloro — é encontrado nas plantas como cloreto (Cl–). Ele é requerido na etapa</p><p>da fotossíntese na qual o O2 é produzido (foto-oxidação da H2O). Em face de</p><p>sua alta solubilidade e distribuição nos solos, a defi ciência de Cl– em plantas</p><p>crescendo no campo não tem sido verifi cada. Já em ambientes salinos, as</p><p>plantas podem acumular cloreto nas folhas em níveis tóxicos, produzindo a</p><p>necrose de tecidos foliares.</p><p>Níquel — é absorvido pela planta na forma Ni+2. Sua principal função</p><p>está relacionada com a ativação de diversas enzimas importantes para o</p><p>funcionamento da planta. Então, plantas defi cientes em Ni acumulam ureia</p><p>nas folhas, o que pode causar necrose no ápice. Em face das minúsculas</p><p>concentrações de Ni requeridas pelas plantas, a defi ciência raramente é</p><p>observada em condições de campo. Por outro lado, alguns microrganismos</p><p>fi xadores de N2 requerem Ni para a enzima hidrogenase, a qual reprocessa</p><p>o H2 gerado durante a fi xação simbiótica. Os microrganismos que possuem</p><p>essa enzima dependente de níquel (como os rizóbios que nodulam a soja) são</p><p>energeticamente mais efi cientes.</p><p>9Nutrição mineral</p><p>Elementos úteis</p><p>São elementos não essenciais, pois a planta pode viver sem eles; entretanto, a</p><p>presença deles é capaz de contribuir de alguma forma com o crescimento e a</p><p>produção. Os elementos a seguir são exemplos de elementos úteis.</p><p>Cobalto (Co) — tem atuação direta na fi xação biológica</p><p>de nitrogênio, sendo</p><p>essencial aos organismos fi xadores de N atmosférico.</p><p>Silício (Si) — tem papel de destaque na prevenção da incidência de pragas</p><p>e doenças nas plantas, gerando menor suscetibilidade ao acamamento e</p><p>manutenção das folhas eretas.</p><p>Sódio (Na) — auxilia algumas espécies de vegetais a aumentarem a efi ciência</p><p>da fotossíntese em condições de baixa concentração de CO2. Também, em</p><p>algumas espécies, o Na pode substituir o K, com benefícios para a planta.</p><p>Elementos tóxicos</p><p>São elementos prejudiciais às plantas em qualquer quantidade e não se</p><p>enquadram como elementos essenciais ou úteis. O principal exemplo de elemento</p><p>tóxico é o alumínio (Al). O principal efeito do Al+3 se manifesta nas raízes,</p><p>apresentando alteração na anatomia (menor crescimento e engrossamento das</p><p>raízes), o que vai interferir na absorção e no transporte de água e nutrientes.</p><p>O Al+3 também interfere negativamente em processos fi siológicos das plantas,</p><p>como a fotossíntese e a respiração. Além disso, o Al+3 interfere no metabolismo</p><p>de nutrientes essenciais, reduzindo os teores de quase todos e interferindo na</p><p>absorção, no transporte e no uso de nutrientes como Ca, P, Mg, Cu, Zn, Mn e</p><p>Fe. Outros exemplos de elementos tóxicos são cromo (Cr), fl úor (F), chumbo</p><p>(Pb) e bromo (Br), conforme apontam Pes e Arenhardt (2015).</p><p>Nutrição mineral10</p><p>Nutrição de plantas — processo fundamental para o crescimento e o desenvolvimento</p><p>saudável de uma planta.</p><p>Avaliação nutricional — métodos essenciais para avaliar o desenvolvimento de uma</p><p>cultura.</p><p>Elementos essenciais — são nutrientes minerais, sem os quais a planta não vive.</p><p>Elementos úteis — não são essenciais, pois a planta pode viver sem eles.</p><p>Elementos tóxicos — são prejudiciais às plantas em qualquer quantidade.</p><p>Absorção e transporte dos nutrientes pela</p><p>planta</p><p>As plantas absorvem os nutrientes através das raízes — a maioria dos elementos</p><p>essenciais ocorre na forma iônica, a partir da solução do solo. Os nutrientes</p><p>também podem ser absorvidos pelas folhas, mas a participação delas é pequena</p><p>se comparadas às raízes. As folhas serão a principal porta de entrada do</p><p>carbono (C), por meio do CO2. A absorção da raiz pode ocorrer por meio de:</p><p> Interceptação radicular — consequência do crescimento da raiz,</p><p>atingindo os nutrientes presentes no solo.</p><p> Fluxo de massa — movimento dos nutrientes presentes na solução do</p><p>solo de um local mais úmido para um local mais seco.</p><p> Difusão — movimento dos nutrientes de uma região de maior</p><p>concentração para uma de menor concentração.</p><p>A absorção pode ser conceituada por dois mecanismos de absorção:</p><p>1. Passivo — é um processo rápido, reversível, não seletivo e sem gasto</p><p>de energia. O movimento ocorre de um local de maior concentração</p><p>(solução do solo) para outro de menor concentração (interior da planta).</p><p>2. Ativo — é um processo lento, irreversível, seletivo e com gasto de</p><p>energia.</p><p>11Nutrição mineral</p><p>Alguns fatores influenciam na absorção de nutrientes, como fatores externos</p><p>(ambientais) e fatores internos da planta. Confira quais são eles no Quadro</p><p>2 a seguir.</p><p>Fonte: Adaptado de Pes e Arenhardt (2015).</p><p>Fatores externos (ambientais)</p><p>Aeração do solo</p><p>Temperatura do ar</p><p>Umidade do solo</p><p>Disponibilidade de nutrientes no solo</p><p>Teor de matéria orgânica do solo</p><p>pH do solo</p><p>Micorrizas</p><p>Fatores internos (planta)</p><p>Potencial genético da planta</p><p>Taxa de crescimento da planta</p><p>Atividade metabólica</p><p>(fotossíntese e respiração)</p><p>Concentração interna de nutrientes</p><p>Taxa de transpiração</p><p>Transporte interno de nutrientes</p><p>Quadro 2. Fatores internos e externos que influenciam na absorção de nutrientes</p><p>Redistribuição de nutrientes</p><p>Após absorvido, o nutriente pode ser deslocado do órgão onde foi assimilado</p><p>para outro, como da folha para o fruto. Esse deslocamento ocorre principalmente</p><p>no fl oema e sua intensidade depende do elemento, conforme o Quadro 3 a</p><p>seguir.</p><p>Nutrição mineral12</p><p>Fonte: Adaptado de Taiz e Zeiger (2017).</p><p>Elementos móveis Elementos imóveis</p><p>Nitrogênio Cálcio</p><p>Potássio Enxofre</p><p>Magnésio Ferro</p><p>Fósforo Boro</p><p>Cloro Cobre</p><p>Zinco</p><p>Molibdênio</p><p>Sódio</p><p>Quadro 3. Elementos minerais classificados de acordo com sua mobilidade dentro da</p><p>planta</p><p>Como consequência, sintomas visuais de deficiência de nutrientes móveis ou</p><p>pouco móveis aparecem nas folhas velhas, enquanto os sintomas de deficiência</p><p>de nutrientes imóveis aparecem nas folhas novas. Segundo Taiz e Zeiger</p><p>(2017), o processo de redistribuição dos nutrientes ocorre especialmente nos</p><p>seguintes estádios de desenvolvimento dos vegetais: germinação das sementes,</p><p>fase vegetativa, fase reprodutiva e senescência.</p><p>No link a seguir, assista a um vídeo muito interessante sobre a nutrição de plantas de</p><p>maneira prática.</p><p>https://goo.gl/k5hLPJ</p><p>13Nutrição mineral</p><p>AGRICULTURA E MAR ACTUAL. Deficiência de nutrientes nas plantas: sabe quais são</p><p>os principais sintomas? 24 ago. 2018. Disponível em: http://agriculturaemar.com/</p><p>deficiencia-de-nutrientes-nas-plantas-sabe-quais-sao-os-principais-sintomas/. Acesso</p><p>em: 18 fev. 2019.</p><p>HOPKINS, W. G. Introduction to plant physiology. 2nd ed. New York: John Wiley & Sons,</p><p>2000.</p><p>PES, L. Z; ARENHARDT, M. H. Fisiologia vegetal. Santa Maria: Colégio Politécnico da</p><p>UFSM, 2015. Disponível em: http://estudio01.proj.ufsm.br/cadernos_fruticultura/</p><p>terceira_etapa/arte_fisiologia_vegetal.pdf. Acesso em: 18 fev. 2019.</p><p>TAIZ, L.; ZEIGER, E. Fisiologia vegetal. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>LACERDA, C. F.; ENÉAS FILHO, J.; PINHEIRO, C. B. Fisiologia vegetal. Fortaleza: UFC, 2007.</p><p>Disponível em: http://www.fisiologiavegetal.ufc.br/apostila.htm. Acesso em: 18 fev. 2019.</p><p>SILVA, E.B. et al. Sintomas visuais de deficiências nutricionais em pinhão-manso. Pesquisa</p><p>Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 44, n. 4, abr. 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/</p><p>scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-204X2009000400009. Acesso em: 18 fev. 2019.</p><p>VITTI, G. C., MENDES, F. L.; LOPES, C. M. Qualidade analítica e rastreabilidade dos resultados</p><p>de tecido vegetal. In: MET - ENCONTRO NACIONAL SOBRE METODOLOGIAS E GESTÃO</p><p>DE LABORATÓRIOS DA EMBRAPA, 17., 2012, Pirassununga. Anais [...]. Pirassununga: 5D</p><p>Editora, 2012. p. 50-64. Cap. IV. Disponível em: http://www.cnpsa.embrapa.br/met/</p><p>images/arquivos/17MET/Palestras/cap4.pdf. Acesso em: 18 fev. 2019.</p><p>Nutrição mineral14</p>

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