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<p>Autor: Prof. Alexandre Saramelli</p><p>Colaboradores: Profa. Cristiane Nagai</p><p>Profa. Elisabeth Alexandre Garcia</p><p>Prof. Maurício Felippe Manzalli</p><p>Contabilidade</p><p>Professor conteudista: Alexandre Saramelli</p><p>Nascido na cidade de São Paulo, é contador formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo e</p><p>mestre profissional em Controladoria pela mesma universidade.</p><p>Atuou em empresas nacionais e internacionais de médio e grande porte como contador em áreas de Custos e</p><p>Orçamentos e foi consultor em sistemas de controladoria da desenvolvedora alemã SAP.</p><p>Entusiasta de tecnologia da informação e de ambientes altamente informatizados, é um incentivador da pesquisa,</p><p>da difusão e do uso eficiente e intensivo das modernas ferramentas de gestão, “transferência de conhecimento”,</p><p>ensino a distância e audiovisual.</p><p>É também autor de materiais para ensino a distância, redige livros didáticos e atividades de apoio educacional e</p><p>instrucional, elabora avaliações e grava aulas em estúdio audiovisual, além de ser radialista e apresentador de televisão</p><p>com DRT.</p><p>© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou</p><p>quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem</p><p>permissão escrita da Universidade Paulista.</p><p>Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)</p><p>S243c Saramelli, Alexandre</p><p>Contabilidade / Alexandre Saramelli. – São Paulo: Editora Sol,</p><p>2020.</p><p>148, p. il.</p><p>Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e</p><p>Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230.</p><p>1. Contabilidade. 2. Balancete de verificação. 3. Partidas dobradas.</p><p>I. Título.</p><p>CDU 657</p><p>U507.46 – 20</p><p>Prof. Dr. João Carlos Di Genio</p><p>Reitor</p><p>Prof. Fábio Romeu de Carvalho</p><p>Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças</p><p>Profa. Melânia Dalla Torre</p><p>Vice-Reitora de Unidades Universitárias</p><p>Prof. Dr. Yugo Okida</p><p>Vice-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa</p><p>Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez</p><p>Vice-Reitora de Graduação</p><p>Unip Interativa – EaD</p><p>Profa. Elisabete Brihy</p><p>Prof. Marcello Vannini</p><p>Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar</p><p>Prof. Ivan Daliberto Frugoli</p><p>Material Didático – EaD</p><p>Comissão editorial:</p><p>Dra. Angélica L. Carlini (UNIP)</p><p>Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR)</p><p>Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT)</p><p>Apoio:</p><p>Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD</p><p>Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos</p><p>Projeto gráfico:</p><p>Prof. Alexandre Ponzetto</p><p>Revisão:</p><p>Sueli Brianezi Carvalho</p><p>Andréia Andrade</p><p>Sumário</p><p>Contabilidade</p><p>APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7</p><p>INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................8</p><p>Unidade I</p><p>1 CAMPO DE ATUAÇÃO DA CONTABILIDADE ............................................................................................11</p><p>1.1 Esquentando os motores ....................................................................................................................11</p><p>1.2 Conceitos de contabilidade .............................................................................................................. 13</p><p>1.3 A contabilidade como sistema de informação e controle ................................................... 16</p><p>2 GRUPOS DE INTERESSE NA INFORMAÇÃO CONTÁBIL ..................................................................... 17</p><p>2.1 A contabilidade e as finanças empresariais ............................................................................... 17</p><p>2.2 A contabilidade, a economia e o direito .................................................................................... 20</p><p>3 O BALANÇO PATRIMONIAL .......................................................................................................................... 22</p><p>3.1 Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido .............................................................................................. 22</p><p>3.2 Princípios básicos de origens e aplicações de recursos ........................................................ 28</p><p>3.3 Conceitos de Conta ............................................................................................................................. 33</p><p>4 BALANÇOS SUCESSIVOS: CONCEITUAÇÃO E PRÁTICA ..................................................................... 34</p><p>4.1 Operações envolvendo contas de ativo, passivo e patrimônio líquido .......................... 35</p><p>Unidade II</p><p>5 MÉTODO DAS PARTIDAS DOBRADAS ...................................................................................................... 55</p><p>5.1 Mecanismo de débito e crédito ..................................................................................................... 55</p><p>5.2 Registros Contábeis: livro diário e livro-razão ......................................................................... 61</p><p>5.2.1 O balancete de verificação .................................................................................................................. 65</p><p>6 VARIAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO ..................................................................................................71</p><p>6.1 Despesas, receitas e resultado ..........................................................................................................71</p><p>6.2 Apuração do resultado e transferência para o patrimônio líquido ................................ 79</p><p>6.3 Registros das operações contábeis – regime de caixa e regime de competência ................87</p><p>6.3.1 Ajustes contábeis conforme regime de competência .............................................................. 88</p><p>Unidade III</p><p>7 INTRODUÇÃO À ESTRUTURA DO BALANÇO PATRIMONIAL ..........................................................103</p><p>7.1 Ativo Circulante .................................................................................................................................. 112</p><p>7.2 Ativo não circulante .......................................................................................................................... 114</p><p>7.3 Passivo Circulante .............................................................................................................................. 115</p><p>7.4 Passivo não circulante ...................................................................................................................... 116</p><p>7.5 Patrimônio líquido ............................................................................................................................. 117</p><p>8 INTRODUÇÃO À ESTRUTURA DA DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO .........122</p><p>8.1 Receitas brutas ....................................................................................................................................126</p><p>8.2 Receitas líquidas .................................................................................................................................126</p><p>8.3 Lucro bruto ...........................................................................................................................................127</p><p>8.4 Receitas (despesas) operacionais ................................................................................................127</p><p>8.5 Resultado antes do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre</p><p>o lucro líquido .............................................................................................................................................128</p><p>8.6 Resultado líquido do exercício ......................................................................................................128</p><p>7</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>Este livro-texto propõe-se a atingir o objetivo da disciplina Contabilidade, tomando como base seu</p><p>Plano de Ensino, que é “contribuir para o desenvolvimento das competências requeridas do aluno, para</p><p>que possa exercer o seu papel como futuro profissional,</p><p>líquido.</p><p>Quadro 12</p><p>Balanço patrimonial Cia. Alef</p><p>Momento 1</p><p>Lançamento 1/5</p><p>Ativo Passivo</p><p>Patrimônio líquido</p><p>Capital social R$ 1.000,00</p><p>Capital a integralizar R$ (1.000,00)</p><p>Ativo R$ 0,00 Passivo+PL R$ 0,00</p><p>2. Integralização do capital em dinheiro.</p><p>Observa-se que o capital da empresa foi integralizado na forma de espécie monetária. Devido ao</p><p>fato de a conta caixa ser um bem, e todo bem ser ativo, será zerada a conta capital a integralizar</p><p>e surgirá a conta caixa (um bem monetário – ativo).</p><p>Neste momento, elabora-se o balanço patrimonial nº 1 por meio de seus dados. A integralização</p><p>significa que os sócios pagaram à empresa o que lhe deviam, desfazendo a conta capital a integralizar.</p><p>Como a integralização foi em dinheiro, a conta que representará será o caixa. Observa-se que o</p><p>capital social continua sem modificações.</p><p>Quadro 13</p><p>Balanço patrimonial Cia. Alef</p><p>Momento 2</p><p>Lançamento 2/5</p><p>Ativo Passivo</p><p>Caixa R$ 1.000,00</p><p>Patrimônio líquido</p><p>Capital social R$ 1.000,00</p><p>Ativo R$ 1.000,00 Passivo+PL R$ 1.000,00</p><p>38</p><p>Unidade I</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>3. Compra de mesas e cadeiras por R$ 100,00 à vista.</p><p>Partindo do balanço patrimonial anterior, teremos de representar agora a operação de compra de</p><p>bem à vista. Com isso, serão subtraídos R$ 100,00 da conta caixa, e surgirá uma nova conta no</p><p>ativo – móveis e utensílios –, com o valor de R$ 100,00.</p><p>Quadro 14</p><p>Balanço patrimonial Cia. Alef</p><p>Momento 3</p><p>Lançamento 3/5</p><p>Ativo Passivo</p><p>Caixa R$ 900,00</p><p>-</p><p>Móveis e utensílios R$ 100,00</p><p>Patrimônio líquido</p><p>Capital social R$ 1.000,00</p><p>Ativo R$ 1.000,00 Passivo+PL R$ 1.000,00</p><p>4. Compra de automóvel para entrega por R$ 200,00 a prazo.</p><p>Nesta operação, a empresa compra outro bem, gera um aumento de ativo (conta: veículos) e,</p><p>por ter sido a prazo, gera uma dívida no passivo (duplicatas a pagar). As demais contas não</p><p>se alteram.</p><p>Quadro 15</p><p>Balanço patrimonial Cia. Alef</p><p>Momento 4</p><p>Lançamento 4/5</p><p>Ativo Passivo</p><p>Caixa R$ 900,00</p><p>-</p><p>Móveis e utensílios R$ 100,00</p><p>Veículos R$ 200,00</p><p>Duplicatas a pagar R$ 200,00</p><p>Patrimônio líquido</p><p>Capital social R$ 1.000,00</p><p>Ativo R$ 1.200,00 Passivo+PL R$ 1.200,00</p><p>39</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>CONTABILIDADE</p><p>5. Compra de prédio por R$ 10.000,00 para abrigar a sede da empresa, sendo R$ 500,00 à vista e o</p><p>restante a crédito.</p><p>Nesta operação, a empresa ampliou seu ativo, por meio da compra de um imóvel, sendo pagos</p><p>R$ 500,00 à vista; o restante gera uma ampliação nas dívidas da empresa, e reduziu-se a conta</p><p>caixa em R$ 500,00. Pelo pagamento da parte à vista, criam-se a conta imóveis, no valor de</p><p>R$ 10.000,00, e, no passivo, a conta notas promissórias a pagar, para representar a parcela</p><p>de compra do imóvel feita a prazo. As demais contas não se alteram.</p><p>Quadro 16</p><p>Balanço patrimonial Cia. Alef</p><p>Momento 5</p><p>Lançamento 5/5</p><p>Ativo Passivo</p><p>Caixa R$ 400,00</p><p>Móveis e utensílios R$ 100,00</p><p>Veículos R$ 200,00</p><p>Imóveis R$ 10.000,00</p><p>Duplicatas a pagar R$ 200,00</p><p>Nota promissória a pagar R$ 9.500,00</p><p>Patrimônio líquido</p><p>Capital social R$ 1.000,00</p><p>Ativo R$ 10.700,00 Passivo+PL R$ 10.700,00</p><p>Veja mais um exemplo:</p><p>Na empresa “Triremo Trocadora de Peças”, em janeiro de 20X2, ocorreram as seguintes operações:</p><p>1. Investimento inicial de capital no valor de R$ 20.000,00 em dinheiro.</p><p>2. Compra à vista de equipamentos por R$ 4.000,00.</p><p>3. Compra de peças para reparo, nas seguintes condições: R$ 1.000,00 à vista e R$ 2.000,00 a prazo.</p><p>4. Venda de peças a prazo no valor de R$ 1.000,00 ao preço de custo.</p><p>5. Compra a prazo de um furgão, por R$ 1.200,00, mediante o aceite de uma duplicata.</p><p>6. Pagamento de metade do saldo devido pela compra das peças de reparos.</p><p>40</p><p>Unidade I</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>7. Obtenção de um empréstimo no Banco Objetivo no valor de R$ 10.000,00 mediante uma emissão</p><p>de nota promissória.</p><p>8. Investimento, aumentando o capital em mais R$ 10.000,00, sendo R$ 5.000,00 em dinheiro e</p><p>R$ 5.000,00 em peças para reparo.</p><p>9. Venda à vista de R$ 200,00 em peças de reparo ao preço de custo.</p><p>10. Recebimento da venda a prazo do item 4.</p><p>Observemos essas operações passo a passo:</p><p>1. Investimento inicial de capital no valor de R$ 20.000,00 em dinheiro.</p><p>Observa-se que o capital da empresa foi integralizado na forma de espécie monetária, porque a</p><p>conta caixa é um bem, e todo bem é ativo (um bem monetário – ativo).</p><p>Neste momento inicial, elabora-se o balanço patrimonial por meio dos dados do contrato social da</p><p>empresa. Como a integralização foi, no ato do início da empresa, em espécie monetária (isto é, em</p><p>dinheiro), a conta que representará será o caixa. Observa-se que o capital social será demonstrado</p><p>pelo valor total que foi aplicado no ativo.</p><p>Quadro 17</p><p>Balanço patrimonial Cia. Triremo</p><p>Momento 1</p><p>Lançamento 1/10</p><p>Ativo Passivo</p><p>Caixa R$ 20.000,00</p><p>Patrimônio líquido</p><p>Capital social R$ 20.000,00</p><p>Ativo R$ 20.000,00 Passivo+PL R$ 20.000,00</p><p>2. Compra à vista de equipamentos por R$ 4.000,00.</p><p>Partindo do balanço patrimonial anterior, teremos de representar agora a operação de compra de</p><p>bem, à vista. Com isso, serão subtraídos da conta caixa R$ 4.000,00, e surgirá uma nova conta no</p><p>ativo – equipamentos –, com o valor de R$ 4.000,00.</p><p>41</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>CONTABILIDADE</p><p>Quadro 18</p><p>Balanço patrimonial Cia. Triremo</p><p>Momento 2</p><p>Lançamento 2/10</p><p>Ativo Passivo</p><p>Caixa R$ 16.000,00</p><p>Móveis e utensílios R$ 4.000,00</p><p>Patrimônio líquido</p><p>Capital social R$ 20.000,00</p><p>Ativo R$ 20.000,00 Passivo+PL R$ 20.000,00</p><p>3. Compra de peças para reparo, nas seguintes condições: R$ 1.000,00 à vista e R$ 2.000,00 a prazo.</p><p>Partindo do balanço patrimonial anterior, teremos agora de representar a operação de compra de</p><p>outro bem. Com isso, serão subtraídos da conta caixa R$ 1.000,00, e surgirá uma nova conta no</p><p>ativo – peças para reparos –, com o valor de R$ 3.000,00 (valor integral da nota fiscal). Esta gerará</p><p>uma obrigação à conta fornecedores no passivo, no valor que a empresa se prontificou a pagar a</p><p>prazo: R$ 2.000,00.</p><p>Quadro 19</p><p>Balanço patrimonial Cia. Triremo</p><p>Momento 3</p><p>Lançamento 3/10</p><p>Ativo Passivo</p><p>Caixa R$ 15.000,00</p><p>Mercadorias R$ 3.000,00</p><p>Móveis e utensílios R$ 4.000,00</p><p>Fornecedores R$ 2.000,00</p><p>Patrimônio líquido</p><p>Capital social R$ 20.000,00</p><p>Ativo R$ 22.000,00 Passivo+PL R$ 22.000,00</p><p>4. Venda de peças a prazo no valor de R$ 1.000,00 ao preço de custo.</p><p>Partindo do balanço patrimonial anterior, teremos de representar agora a venda de peças para</p><p>reparos ao preço de custo. Isso diminuirá a conta peças</p><p>para reparos no valor de R$ 1.000,00,</p><p>42</p><p>Unidade I</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>e surgirá uma nova conta no ativo – clientes –, que representa o valor a receber dos clientes,</p><p>R$ 1.000,00. Por esta venda ser ao preço de custo, não houve lucro nem prejuízo. As demais</p><p>contas do balanço patrimonial não se alteram.</p><p>Nesta operação, utiliza-se uma nova conta contábil. O contador, no início das operações da</p><p>empresa, estabelece as principais contas contábeis da empresa no plano de contas, realizando um</p><p>estudo das prováveis operações em que a empresa irá se envolver.</p><p>Lembrete</p><p>O plano de contas deverá ser continuamente revisto, sempre que uma</p><p>empresa decidir efetuar uma operação diferenciada.</p><p>Quadro 20</p><p>Balanço patrimonial Cia. Triremo</p><p>Momento 4</p><p>Lançamento 4/10</p><p>Ativo Passivo</p><p>Caixa R$ 15.000,00</p><p>Clientes R$ 1.000,00</p><p>Mercadorias R$ 2.000,00</p><p>Móveis e utensílios R$ 4.000,00</p><p>Fornecedores R$ 2.000,00</p><p>Patrimônio líquido</p><p>Capital social R$ 20.000,00</p><p>Ativo R$ 22.000,00 Passivo+PL R$ 22.000,00</p><p>5. Compra a prazo de um furgão, por R$ 1.200,00, mediante o aceite de uma duplicata.</p><p>Partindo do balanço patrimonial 4/10, teremos de representar agora a operação de</p><p>compra de outro bem, mas desta vez a compra será totalmente a prazo. Com isso, surgirá</p><p>uma nova conta no ativo – veículos –, com o valor de R$ 1.200,00 (valor integral da</p><p>nota fiscal), que gerará uma obrigação à conta duplicatas a pagar no passivo do valor do</p><p>veículo: R$ 1.200,00.</p><p>43</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>CONTABILIDADE</p><p>Quadro 21</p><p>Balanço patrimonial Cia. Triremo</p><p>Momento 5</p><p>Lançamento 5/10</p><p>Ativo Passivo</p><p>Caixa R$ 15.000,00</p><p>Clientes R$ 1.000,00</p><p>Mercadorias R$ 2.000,00</p><p>Móveis e utensílios R$ 4.000,00</p><p>Veículos R$ 1.200,00</p><p>Fornecedores R$ 2.000,00</p><p>Duplicatas a pagar R$ 1.200,00</p><p>Patrimônio líquido</p><p>Capital social R$ 20.000,00</p><p>Ativo R$ 23.200,00 Passivo+PL R$ 23.200,00</p><p>6. Pagamento de metade do saldo devido pela compra das peças de reparos.</p><p>Partindo do balanço patrimonial 5/10, teremos de representar a operação de pagamento de</p><p>metade do saldo da dívida adquirida para compra das peças para reparos. Desta vez, a empresa</p><p>diminuirá a conta caixa no ativo, representando a saída de dinheiro da empresa, no valor de</p><p>R$ 1.000,00, e gerará uma redução da obrigação à conta fornecedores no passivo: R$ 1.000,00.</p><p>Quadro 22</p><p>Balanço patrimonial Cia. Triremo</p><p>Momento 6</p><p>Lançamento 6/10</p><p>Ativo Passivo</p><p>Caixa R$ 14.000,00</p><p>Clientes R$ 1.000,00</p><p>Mercadorias R$ 2.000,00</p><p>Móveis e utensílios R$ 4.000,00</p><p>Veículos R$ 1.200,00</p><p>Fornecedores R$ 1.000,00</p><p>Duplicatas a pagar R$ 1.200,00</p><p>Patrimônio líquido</p><p>Capital social R$ 20.000,00</p><p>Ativo R$ 22.200,00 Passivo+PL R$ 22.200,00</p><p>7. Obtenção de um empréstimo no Banco Objetivo no valor de R$ 10.000,00 mediante uma emissão</p><p>de nota promissória.</p><p>Partindo do balanço patrimonial 6/10, teremos de representar agora a operação de obtenção</p><p>de um empréstimo. Como a empresa obteve um empréstimo, o dinheiro entrará na conta da</p><p>empresa no Banco Objetivo, aumentando as contas de ativo, por meio da conta banco, no valor de</p><p>44</p><p>Unidade I</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>R$ 10.000,00, e gerando um aumento das obrigações da empresa para com terceiros, a conta nota</p><p>promissória a pagar no passivo no valor de R$ 10.000,00. As demais contas não se alteram.</p><p>Quadro 23</p><p>Balanço patrimonial Cia. Triremo</p><p>Momento 7</p><p>Lançamento 7/10</p><p>Ativo Passivo</p><p>Caixa R$ 14.000,00</p><p>Banco R$ 10.000,00</p><p>Clientes R$ 1.000,00</p><p>Mercadorias R$ 2.000,00</p><p>Móveis e utensílios R$ 4.000,00</p><p>Veículos R$ 1.200,00</p><p>Fornecedores R$ 1.000,00</p><p>Duplicatas a pagar R$ 1.200,00</p><p>Nota promissória a pagar R$ 10.000,00</p><p>Patrimônio líquido</p><p>Capital social R$ 20.000,00</p><p>Ativo R$ 32.200,00 Passivo+PL R$ 32.200,00</p><p>8. Investimento, aumentando o capital em mais R$ 10.000,00, sendo R$ 5.000,00 em dinheiro e</p><p>R$ 5.000,00 em peças para reparo.</p><p>Partindo do balanço patrimonial 7/10, representamos agora a operação de aumento de capital</p><p>pela empresa. Isso a faz ampliar a conta capital social no patrimônio líquido, e esse acréscimo</p><p>será aplicado no ativo em dinheiro, na conta caixa, no valor de R$ 5.000,00, e na conta peças para</p><p>reparos, também do ativo, no valor de R$ 5.000,00. As demais contas não se alteram.</p><p>Quadro 24</p><p>Balanço patrimonial Cia. Triremo</p><p>Momento 8</p><p>Lançamento 8/10</p><p>Ativo Passivo</p><p>Caixa R$ 19.000,00</p><p>Banco R$ 10.000,00</p><p>Clientes R$ 1.000,00</p><p>Peças para reparos R$ 7.000,00</p><p>Equipamentos R$ 4.000,00</p><p>Veículos R$ 1.200,00</p><p>Fornecedores R$ 1.000,00</p><p>Duplicatas a pagar R$ 1.200,00</p><p>Nota promissória a pagar R$ 10.000,00</p><p>Patrimônio líquido</p><p>Capital social R$ 30.000,00</p><p>Ativo R$ 42.200,00 Passivo+PL R$ 42.200,00</p><p>45</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>CONTABILIDADE</p><p>9. Venda à vista de R$ 200,00 em peças de reparo ao preço de custo.</p><p>Partindo do balanço patrimonial 8/10, teremos de representar agora a venda de peças</p><p>para reparos ao preço de custo. Isso irá diminuir a conta peças para reparos no valor de</p><p>R$ 200,00 e aumentará R$ 200,00 no caixa referente à venda à vista. Por esta venda</p><p>ser ao preço de custo, não houve lucro nem prejuízo. As demais contas do balanço</p><p>patrimonial não se alteram.</p><p>Observação</p><p>Em poucos casos, os sócios da empresa aceitarão vender um produto</p><p>a preço de custo, ou seja, o preço pelo qual o bem foi adquirido ou</p><p>está valorizado nos controles da empresa, no qual normalmente se</p><p>aplica uma margem de lucro. Esse cálculo, que deve levar em conta</p><p>impostos, gastos para a venda e outros, é conhecido pela expressão</p><p>mark up, que é largamente utilizada no Brasil, ao lado da expressão</p><p>“margem de lucro”.</p><p>Quadro 25</p><p>Balanço patrimonial Cia. Triremo</p><p>Momento 9</p><p>Lançamento 9/10</p><p>Ativo Passivo</p><p>Caixa R$ 19.200,00</p><p>Banco R$ 10.000,00</p><p>Clientes R$ 1.000,00</p><p>Peças para reparos R$ 6.800,00</p><p>Equipamentos R$ 4.000,00</p><p>Veículos R$ 1.200,00</p><p>Fornecedores R$ 1.000,00</p><p>Duplicatas a pagar R$ 1.200 ,00</p><p>Nota promissória a pagar R$ 10.000,00</p><p>Patrimônio líquido</p><p>Capital social R$ 30.000,00</p><p>Ativo R$ 42.200,00 Passivo+PL R$ 42.200,00</p><p>10. Recebimento da venda a prazo do item 4.</p><p>Partindo do balanço patrimonial 9/10, teremos de representar agora o recebimento das</p><p>vendas</p><p>do item 4. Como o recebimento foi feito por meio do cheque, irá aumentar a conta banco</p><p>no ativo e zerar a conta clientes. As demais contas do balanço patrimonial não se alteram.</p><p>46</p><p>Unidade I</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>Quadro 26</p><p>Balanço patrimonial Cia. Triremo</p><p>Momento 10</p><p>Lançamento 10/10</p><p>Ativo Passivo</p><p>Caixa R$ 19.200,00</p><p>Banco R$ 11.000,00</p><p>Peças para reparo R$ 6.800,00</p><p>Equipamentos R$ 4.000,00</p><p>Veículos R$ 1.200,00</p><p>Fornecedores R$ 1.000,00</p><p>Duplicatas a pagar R$ 1.200,00</p><p>Nota promissória a pagar R$ 10.000,00</p><p>Patrimônio líquido</p><p>Capital social R$ 30.000,00</p><p>Ativo R$ 42.200,00 Passivo+PL R$ 42.200,00</p><p>Saiba mais</p><p>Para conhecer mais sobre a elaboração dos balanços patrimoniais</p><p>e outras demonstrações, visite o site do Comitê de Pronunciamentos</p><p>Contábeis – CPC e leia pelo menos o Pronunciamento Conceitual Básico.</p><p>O endereço é: <www.cpc.org.br>.</p><p>Exemplo de aplicaçãoExemplo de aplicação</p><p>A seguir, propõe-se uma atividade para trabalharmos alguns dos pontos que estudamos nesta</p><p>unidade:</p><p>Exercício:</p><p>Figura 10 – Arte sobre foto de guitarra modelo Dot V – Andressa Lee</p><p>47</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>CONTABILIDADE</p><p>Mallu Magalhães é uma cantora que começou sua carreira por meio da internet. Quando aconteceu</p><p>sua festa de debutante, Mallu pediu aos seus avós que dessem o valor que gastariam com a festa</p><p>de debutante e eventuais presentes em dinheiro. Com esse dinheiro, ela foi a um estúdio e gravou</p><p>algumas músicas, que foram postadas na internet, “para ver no que dava”. Por sorte, ou pelo fato de</p><p>pessoas que sabem reconhecer um talento iniciante terem ouvido suas músicas, Mallu teve a felicidade</p><p>de experimentar um crescimento meteórico em sua carreira. Hoje é uma artista que se apresenta</p><p>constantemente na MTV.</p><p>Com base nessa interessante história, proponho a você um exercício inspirado nesse caso da Mallu</p><p>Magalhães. Tente fazer esse exercício sem a ajuda de ninguém.</p><p>Outra dica: O lado do débito deve sempre bater com o lado do crédito. Se isso não ocorrer, estará</p><p>errado.</p><p>Vamos ao exercício:</p><p>Após obter um pequeno capital com seus pais, a roqueira Andressa Lee, fã incondicional de Rita Lee,</p><p>foi aconselhada a abrir uma empresa e tomou as primeiras decisões de sua carreira. Essas decisões foram</p><p>as seguintes:</p><p>1. Investimento inicial de capital no valor de R$ 40.000,00 em dinheiro, sendo que o valor total foi</p><p>depositado em conta-corrente do Banco Exempel S.A.</p><p>2. Compra à vista de uma guitarra pink por R$ 4.000,00.</p><p>3. Compra de uma máquina de costura (para ela mesma costurar seu figurino) por R$ 6.000,00.</p><p>Pagamento de R$ 3.000,00 à vista e R$ 3.000,00 a prazo.</p><p>4. Compra de um fusca conversível usado em bom estado e customizado com grafismos de rock.</p><p>Pagamento a prazo no valor de R$ 18.000,00.</p><p>5. Pagamento de metade do saldo devido pela compra da máquina de costura.</p><p>6. Obtenção de um empréstimo no banco Exempel S.A. no valor de R$ 30.000,00.</p><p>7. Venda da guitarra adquirida na operação 2 a uma amiga. Transação feita a prazo e pelo mesmo</p><p>valor que foi adquirida.</p><p>Comentários</p><p>1. Investimento inicial de capital no valor de R$ 40.000,00 em dinheiro, sendo que o valor total foi</p><p>depositado em conta-corrente do Banco Exempel S.A.</p><p>48</p><p>Unidade I</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>Quadro 27</p><p>Balanço patrimonial da Andressa Lee Ltda. ME</p><p>Ativo Passivo</p><p>Bancos conta movimento R$ 40.000,00</p><p>Patrimônio líquido</p><p>Capital social R$ 40.000,00</p><p>Total do patrimônio líquido R$ 40.000,00</p><p>Total geral R$ 40.000,00 Total geral R$ 40.000,00</p><p>Nessa primeira operação, que é o início da pequena empresa de Andressa Lee, abriu-se o</p><p>capital social (patrimônio líquido) que, por sua vez, foi depositado em uma conta bancária no</p><p>ativo.</p><p>2. Compra à vista de uma guitarra pink por R$ 4.000,00.</p><p>Quadro 28</p><p>Balanço patrimonial da Andressa Lee Ltda. ME</p><p>Ativo Passivo</p><p>Bancos conta movimento R$ 36.000,00</p><p>Instrumentos musicais R$ 4.000,00 Patrimônio líquido</p><p>Capital social R$ 40.000,00</p><p>Total do patrimônio líquido R$ 40.000,00</p><p>Total geral R$ 40.000,00 Total geral R$ 40.000,00</p><p>Andressa Lee resolveu comprar uma guitarra, ou seja, um ativo para sua empresa. O contador então</p><p>abriu uma conta contábil denominada “instrumentos musicais”. Observe que, por causa do valor ter</p><p>saído da conta bancária, diminuiu-se R$ 4.000,00 na conta bancos, e, ao todo a empresa continua a ter</p><p>R$ 40.000,00 em seu ativo.</p><p>3. Compra de uma máquina de costura (para ela mesma costurar seu figurino) por R$ 6.000,00.</p><p>Pagamento de R$ 3.000,00 à vista e R$ 3.000,00 a prazo.</p><p>49</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>CONTABILIDADE</p><p>Quadro 29</p><p>Balanço patrimonial da Andressa Lee Ltda. ME</p><p>Ativo Passivo</p><p>Bancos conta movimento R$ 33.000,00 Fornecedores R$ 3.000,00</p><p>Total do passivo R$ 3.000,00</p><p>Instrumentos musicais R$ 4.000,00 Patrimônio líquido</p><p>Máquinas e equipamentos R$ 6.000,00 Capital social R$ 40.000,00</p><p>Total do patrimônio líquido R$ 40.000,00</p><p>Total geral R$ 43.000,00 Total geral R$ 43.000,00</p><p>Agora, Andressa Lee resolveu comprar um outro bem que julga ser importante para o seu</p><p>trabalho: uma máquina de costura. O contador efetuou exatamente o mesmo procedimento que</p><p>fez na operação 2, mas como se trata de um bem com uma natureza diferente, o contador abriu</p><p>uma conta contábil denominada móveis e utensílios.</p><p>Observe, ainda, que parte dessa máquina foi comprada a prazo. Por isso, o contador abriu uma conta</p><p>contábil no lado direito do balanço patrimonial, no passivo, que representa essa dívida.</p><p>4. Compra de um fusca conversível usado em bom estado e customizado com grafismos de rock.</p><p>Pagamento a prazo no valor de R$ 18.000,00.</p><p>Quadro 30</p><p>Balanço patrimonial da Andressa Lee Ltda. ME</p><p>Ativo Passivo</p><p>Bancos conta movimento R$ 33.000,00 Fornecedores R$ 3.000,00</p><p>Financiamentos R$ 18.000,00</p><p>Total do passivo R$ 21.000,00</p><p>Instrumentos musicais R$ 4.000,00 Patrimônio líquido</p><p>Máquinas e equipamentos R$ 6.000,00 Capital social R$ 40.000,00</p><p>Veículos R$ 18.000,00</p><p>Total do patrimônio líquido R$ 40.000,00</p><p>Total geral R$ 61.000,00 Total geral R$ 61.000,00</p><p>Andressa Lee resolveu comprar um outro bem que julga ser importante para sua atividade, e</p><p>optou por uma compra a prazo. Observe que o valor na conta bancária continua intacto, e o que</p><p>houve foi um aumento na dívida. Numa situação dessas, a empresária está utilizando recursos</p><p>(dinheiro) de terceiros.</p><p>50</p><p>Unidade I</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>5. Pagamento de metade do saldo devido pela compra da máquina de costura.</p><p>Quadro 31</p><p>Balanço patrimonial da Andressa Lee Ltda. ME</p><p>Ativo Passivo</p><p>Bancos conta movimento R$ 31.500,00 Fornecedores R$ 1.500,00</p><p>Financiamentos R$ 18.000,00</p><p>Total do passivo R$ 19.500,00</p><p>Instrumentos musicais R$ 4.000,00 Patrimônio líquido</p><p>Máquinas e equipamentos R$ 6.000,00 Capital social R$ 40.000,00</p><p>Veículos R$ 18.000,00</p><p>Total do patrimônio líquido R$ 40.000,00</p><p>Total geral R$ 59.500,00 Total geral R$ 59.500,00</p><p>Agora, Andressa Lee resolveu pagar uma das dívidas que contraiu nas operações anteriores.</p><p>Observe que diminuíram ao mesmo tempo os saldos das contas de fornecedores e de bancos</p><p>conta movimento.</p><p>6. Obtenção de um empréstimo no banco Exempel S.A. no valor de R$ 30.000,00.</p><p>Quadro 32</p><p>Balanço patrimonial da Andressa Lee Ltda. ME</p><p>Ativo</p><p>Passivo</p><p>Bancos conta movimento R$ 61.500,00 Fornecedores R$ 1.500,00</p><p>Financiamentos R$ 18.000,00</p><p>Empréstimos R$ 30.000,00</p><p>Total do passivo R$ 49.500,00</p><p>Instrumentos musicais R$ 4.000,00 Patrimônio líquido</p><p>Máquinas e equipamentos R$ 6.000,00 Capital social R$ 40.000,00</p><p>Veículos R$ 18.000,00</p><p>Total do patrimônio líquido R$ 40.000,00</p><p>Total geral R$ 89.500,00 Total geral R$ 89.500,00</p><p>Andressa Lee, provavelmente pensando em obter dinheiro para realizar algum negócio,</p><p>decidiu contrair um empréstimo no banco. Observe que ela preferiu não utilizar o saldo que</p><p>tinha na conta de bancos conta movimento, porque sabe que irá utilizar o dinheiro para</p><p>outras finalidades. Assim, aumentou-se o passivo e, com isso, o ativo (conta bancos conta</p><p>movimento).</p><p>51</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>CONTABILIDADE</p><p>7. Venda da guitarra adquirida na operação 2 a uma amiga. Transação feita a prazo e pelo mesmo</p><p>valor que foi adquirida.</p><p>Quadro 33</p><p>Balanço patrimonial da Andressa Lee Ltda. ME</p><p>Ativo Passivo</p><p>Bancos conta movimento R$ 61.500,00 Fornecedores R$ 1.500,00</p><p>Direitos a receber R$ 4.000,00 Financiamentos R$ 18.000,00</p><p>Empréstimos R$ 30.000,00</p><p>Total do passivo R$ 49.500,00</p><p>Patrimônio líquido</p><p>Máquinas e equipamentos R$ 6.000,00 Capital social R$ 40.000,00</p><p>Veículos R$ 18.000,00</p><p>Total do patrimônio líquido R$ 40.000,00</p><p>Total geral R$ 89.500,00 Total geral R$ 89.500,00</p><p>Nesta última operação do nosso exercício, ao que parece, Andressa Lee resolveu fazer um negócio</p><p>mais sentimental, sem a intenção de ganhar dinheiro. Vendeu a sua guitarra pink para uma amiga, mas</p><p>ainda não recebeu o dinheiro.</p><p>O contador então encerrou a conta de instrumentos musicais, porque a empresa deixou de ter uma</p><p>guitarra, e abriu uma conta de “direitos a receber”, ou seja, o valor que a empresa da Andressa Lee terá</p><p>a receber de sua amiga.</p><p>O fundamental nesse exercício é entender que a empresa não é a Andressa Lee, pois tem uma</p><p>personalidade jurídica própria, apesar de ser administrada pela Srta. Andressa Lee. Neste momento,</p><p>podemos dizer que a empresa tem um patrimônio de R$ 89.500,00, sendo R$ 40.000,00 de capital</p><p>próprio e R$ 49.500,00 de capital de terceiros. Esse capital foi aplicado em recursos financeiros (dinheiro),</p><p>uma máquina de costura, um veículo e ainda há direitos a receber.</p><p>Resumo</p><p>Estudamos nesta unidade o campo de atuação da contabilidade.</p><p>Iniciamos esse estudo trazendo um caso real e muito ousado de</p><p>empreendedorismo, no qual surge espontaneamente a pergunta: “Esse</p><p>negócio dará certo?”.</p><p>A forma de responder a uma pergunta como essa é com a utilização da</p><p>contabilidade, uma ciência que estuda o patrimônio e desenvolveu uma</p><p>52</p><p>Unidade I</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>metodologia própria que capta, registra, acumula, resume e analisa todos</p><p>os fatos econômicos e financeiros que ocorrem em uma entidade.</p><p>Passamos, então, a estudar o uso da contabilidade não apenas para</p><p>gerar informações, mas também para proporcionar controle. Com</p><p>esses primeiros conhecimentos em mente, estudamos as aplicações da</p><p>contabilidade, principalmente, na área de finanças empresariais, e as</p><p>relações da contabilidade com a Economia, o Direito e alguns grupos de</p><p>interesse na informação contábil, os chamados “usuários”.</p><p>Com esse estudo, vimos quão amplo é o campo de atuação da contabilidade,</p><p>que não é apenas uma forma matemática de “fazer contas”, mas também</p><p>uma poderosa ferramenta de gestão, capaz de dar um subsídio sólido para</p><p>administradores tomarem decisões, mesmo as mais difíceis e arriscadas.</p><p>Aprendemos que o patrimônio de uma empresa, ou melhor, de uma</p><p>entidade, está em constante movimentação, de acordo com as decisões</p><p>de seus administradores. E essas movimentações na contabilidade são</p><p>apresentadas na forma de um Balanço Patrimonial, uma demonstração</p><p>financeira que mostra a situação econômico-financeira de uma entidade</p><p>em determinado momento. Em outras palavras, é uma “fotografia” que</p><p>mostra fielmente a empresa como está no momento.</p><p>Para melhor entender o Balanço Patrimonial, conhecemos o conceito de</p><p>Conta Contábil, os Princípios Básicos de Origens e Aplicações de Recursos e</p><p>observamos um exemplo dinâmico de um balaço patrimonial.</p><p>O objetivo nesta unidade foi o de proporcionar condições para que você</p><p>respondesse à pergunta norteadora desta unidade, que é: “Qual é a dinâmica</p><p>da contabilidade?”. Espero que você tenha observado, por exemplo, que há uma</p><p>equação fundamental na contabilidade em que o Ativo = Passivo + Patrimônio</p><p>Líquido. Isso significa que o lado do ativo sempre terá de ter o mesmo valor do</p><p>passivo, numa situação muito parecida com a de uma balança.</p><p>Certamente, você deve continuar com muitas dúvidas agora, mas já</p><p>começa a entender melhor o que é a contabilidade e sua dinâmica ou, em</p><p>outras palavras, “como ela trabalha”. Caso ainda esteja inseguro (a) quanto</p><p>a responder à pergunta norteadora desta unidade, “Qual é a dinâmica da</p><p>contabilidade?”, volte e releia quantas vezes achar necessário. Imagino</p><p>que você deva estar com a seguinte dúvida agora: você já sabe o que é</p><p>contabilidade, a dinâmica do patrimônio! Mas como é que cada fato é</p><p>registrado e provoca consequências no patrimônio? Tudo é registrado em</p><p>uma empresa? Como? Veremos mais adiante.</p><p>53</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>CONTABILIDADE</p><p>Se você ainda não estiver confortável para responder, nem que seja</p><p>minimamente, a essa pergunta, não hesite em voltar e ler esta unidade</p><p>mais uma ou quantas vezes for necessário. E não tenha ansiedade; estudar</p><p>contabilidade é um caminhar, em que cada vez mais conhecimentos serão</p><p>agregados a essa base conceitual que acabamos de estudar.</p><p>Exercícios</p><p>Questão 1 (Enade 2009). Para o exercício da profissão contábil, é necessário observar o Código de</p><p>Ética, cujo objetivo é fixar a forma pela qual se devem conduzir os contabilistas.</p><p>Uma situação demonstrativa de um comportamento ético do contador é:</p><p>A) Assinar os balanços de uma empresa, elaborados por profissional não habilitado, sem orientar,</p><p>sem supervisionar e sem fiscalizar sua preparação.</p><p>B) Emitir parecer favorável de auditoria a uma empresa, sem a realização de testes suficientes para</p><p>fundamentar a sua opinião.</p><p>C) Propor honorários aviltantes para clientes de outros escritórios, a fim de aumentar a receita</p><p>que recebe.</p><p>D) Publicar, no sítio do seu escritório de contabilidade, artigo técnico, sem citar a fonte consultada.</p><p>E) Renunciar às suas funções ao perceber a ocorrência de desconfiança por parte de seu cliente,</p><p>sem prejudicá-lo.</p><p>Resposta correta: alternativa E.</p><p>Análise das alternativas</p><p>A) Alternativa incorreta.</p><p>Justificativa: os atos indicados nessa alternativa revelam atitude bastante negativa e não</p><p>profissional. Os demonstrativos podem apresentar uma série de impropriedades e, eventualmente,</p><p>fraudes e dados irregulares.</p><p>B) Alternativa incorreta.</p><p>Justificativa: trata-se de atitude que não vai ao encontro da boa conduta e do profissionalismo</p><p>exigidos em um processo de auditoria.</p><p>54</p><p>Unidade I</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>C) Alternativa incorreta.</p><p>Justificativa: trata-se de um procedimento condenável. O escritório deve procurar obter meios que</p><p>permitam a realização de seus serviços de forma eficiente, com a redução de custos desnecessários,</p><p>por exemplo.</p><p>D) Alternativa incorreta.</p><p>Justificativa: essa prática é condenável e sujeita o profissional e a empresa a multas e penas judiciais.</p><p>E) Alternativa correta.</p><p>Justificativa: é o que deverá ocorrer se não for possível o cumprimento da tarefa sob sua</p><p>responsabilidade, de forma lícita e ética.</p><p>Questão 2 (Enade 2006). A Lei nº 6.404/76, ao dispor sobre as características</p><p>e a natureza</p><p>das Sociedades por Ações, estabelece a classificação das contas segundo os elementos do</p><p>patrimônio, agrupando-as de modo que facilite a evidenciação e a análise financeira das</p><p>companhias. Assim, se uma empresa adquirir o controle acionário de outra, esse evento será</p><p>registrado no ativo:</p><p>A) Permanente imobilizado.</p><p>B) Circulante.</p><p>C) Permanente diferido.</p><p>D) Realizável de longo prazo.</p><p>E) Permanente investimento.</p><p>Resolução desta questão na plataforma.</p><p>conforme definidas no Projeto Pedagógico</p><p>do Curso/PPC, em consonância com as diretrizes Curriculares Nacionais para Graduação em Ciências</p><p>Contábeis – Resolução CNE/CES nº 10/2004 e de Administração – Resolução CNE/CES nº 4/2005.</p><p>Mais especificamente, o objetivo traçado para esta disciplina é proporcionar meios ao aluno para</p><p>que conheça como são elaboradas ou “produzidas” as demonstrações financeiras e as inter-relações</p><p>e interdependências dos seus componentes, ou seja, “saber utilizar as Demonstrações Financeiras ou</p><p>Contábeis como fonte de informações de natureza econômica, financeira e patrimonial para tomada de</p><p>decisões nos processos de controle e planejamento das operações”.</p><p>É importante que antes de convidar o aluno para aprender como fazer uma leitura das demonstrações</p><p>financeiras/contábeis1, pois este é um conhecimento indispensável para a tomada de decisões no</p><p>campo das finanças empresariais, ele conheça o processo necessário para obter uma demonstração</p><p>financeira/contábil, sendo esse esforço também um auxílio para que o aluno compreenda as</p><p>informações que esses informes objetivam transmitir para a sociedade. Quanto melhor o conhecimento</p><p>em Contabilidade, melhor a compreensão das demonstrações financeiras/contábeis.</p><p>Não se trata de um livro “introdutório”, no sentido de trazer apenas uma leve e simplificada</p><p>amostra do que seja contabilidade. Muito menos existe a preocupação de esgotar o assunto e discutir</p><p>temas avançados ou casos extraordinários e complexos. Então, este livro-texto traz noções que serão</p><p>imprescindíveis para as outras disciplinas, que acrescentarão conhecimentos mais avançados em um</p><p>ambiente multidisciplinar. O Método das Partidas Dobradas, por exemplo, é imprescindível para todo o</p><p>curso. Normalmente, os professores de disciplinas mais avançadas irão considerar que o aluno já tem</p><p>conhecimento suficiente para aplicá-lo.</p><p>É importante também comentar que muitos dos termos que serão introduzidos facilitarão a</p><p>compreensão do aluno para seu desenvolvimento em outras disciplinas da área. Por exemplo, o aluno</p><p>que conhecer o conceito (ou a “conta contábil”) de “capital social” irá facilmente compreender o que</p><p>é uma “ação” na Bolsa de Valores. E, se esse mesmo aluno conhecer o conceito contábil de “resultado”,</p><p>terá melhores condições para entender o que é uma debênture.</p><p>Para tal, elaborou-se um texto com a intenção de ter fácil compreensão, com muita teoria e prática.</p><p>O conteúdo a ser abordado aplica-se, sem distinção, a empresas de qualquer porte e/ou ramo, e</p><p>1 Na legislação brasileira, em muitos momentos, os termos “demonstrações financeiras” e “demonstrações contábeis”</p><p>aparecem como sinônimos, embora tecnicamente existam demonstrações emanadas da contabilidade e de outros trabalhos</p><p>administrativos. Para este livro-texto, demonstrações financeiras/contábeis significam o conjunto de demonstrações</p><p>obrigatórias definidas nas Leis nº 6.404/1976 e 11.638/07 (de acordo com as Normas Internacionais de Contabilidade).</p><p>8</p><p>atualmente com as normas internacionais de contabilidade em praticamente todos os países do planeta.</p><p>Neste livro-texto, houve uma preocupação em mesclar exemplos de instituições de pequeno, médio e</p><p>grande porte. Além disso, analisamos o empreendedorismo, tema fundamental para o contador.</p><p>Há também o intuito de orientar o aluno em relação ao processo de convergência contábil</p><p>internacional, um grande esforço dos contadores, que está em pleno andamento. Há também espaço para</p><p>lidar com a cultura corporativa, com os jargões próprios da área Contábil/Financeira e Administrativa,</p><p>ajudando o estudante a se inserir no mercado de trabalho.</p><p>Na elaboração deste livro-texto, seguiram-se orientações do Conselho Federal de Contabilidade e</p><p>da Fundação Brasileira de Contabilidade (Proposta Nacional de Conteúdo para os Cursos de Graduação</p><p>em Ciências Contábeis), bem como do Ministério da Educação (Resolução CNE/CES nº 10/2004 e Parecer</p><p>CNE/CES nº 269/2004). Além disso, as orientações da Organização das Nações Unidas (ONU), da United</p><p>Nations Conference on Trade and Development (Unctad), da International Accounting Standards Board</p><p>(Lasb), com as Normas Internacionais de Contabilidade, e da International Federation of Accountants</p><p>(Ifac), com as Normas Internacionais de Educação Contábil e os pronunciamentos do Comitê Brasileiro</p><p>de Pronunciamentos Contábeis (CPC).</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Olá, aluno (a).</p><p>Acredito que a primeira pergunta que você deve estar fazendo não seja: “Para que estudar</p><p>contabilidade?”. Considero que, por ter escolhido um curso de Administração ou Ciências Contábeis,</p><p>você já saiba que esta é uma disciplina muito importante para a sua vida acadêmica e profissional. Você</p><p>demonstra vocação para esse tema. Imagino que a sua dúvida inicial então deva ser: “Como começar a</p><p>estudar contabilidade?”. E, talvez, se vale a pena estudar contabilidade, principalmente se você ainda não</p><p>tiver consolidado a sua vontade de ser um administrador ou contador.</p><p>Como iremos estudar a seguir, há muitos interessados na contabilidade, dada a sua importância.</p><p>Porém, nem todos veem importância na contabilidade. Imagino inclusive que muitos de seus amigos</p><p>e/ou colegas tenham criticado a sua escolha de ser um administrador e/ou um contador. E é fácil de</p><p>entender por que isso está acontecendo. No Brasil, a contabilidade estava sendo preparada, na maioria</p><p>dos casos, apenas para fins tributários. Os contadores eram vistos como uma espécie de braço do</p><p>governo, mais uma obrigação em meio a um mar de burocracia.</p><p>Essa situação era um pouco melhor no exterior, onde a profissão contava com certo glamour.</p><p>Nos Estados Unidos, por exemplo, a profissão contábil era fortemente associada ao mercado</p><p>de capitais. Mas com o avanço das telecomunicações e da tecnologia da informação, muitos</p><p>perguntavam se a contabilidade ainda teria relevância no mundo atual. Para complicar as coisas,</p><p>surgiram grandes escândalos contábeis, e os usuários da contabilidade fizeram muitas críticas sobre</p><p>os seus procedimentos. Uma mesma empresa poderia dar lucro em um país e prejuízo em outro,</p><p>mudando-se apenas as regras contábeis.</p><p>9</p><p>Nos últimos anos, os contadores entenderam que normas fortes e com validade em todo o planeta</p><p>deveriam ser implantadas. Surgiu então um esforço de harmonização contábil internacional exigindo</p><p>que, mais do que “preparadores de números”, os contadores forneçam dados qualitativos e interpretem</p><p>os negócios. Mais do que isso, além de relatar o que ocorreu no passado, os contadores precisam relatar</p><p>o que poderá ocorrer no futuro, antecipando-se a mudanças. Esse movimento de harmonização contábil</p><p>internacional é certamente um dos grandes projetos da humanidade. Poucas vezes uma profissão</p><p>conduziu um projeto de magnitude como esse.</p><p>Tudo isso significa que, ao escolher estudar Administração e/ou Ciências Contábeis, você certamente</p><p>optou por uma das profissões mais relevantes da atualidade; desde já, entenda que você não é um(a)</p><p>aluno(a) que está apenas recebendo conhecimento, você é um agente de mudança porque também fará</p><p>parte desse grande esforço de harmonização contábil internacional.</p><p>Nesta disciplina você estará sendo preparado para a ação, ou seja, terá contato com uma base de</p><p>conhecimento imprescindível. Ao final deste estudo, espera-se que você tenha formado habilidades</p><p>para conhecer a contabilidade e agir em ambiente profissional.</p><p>Bom (e entusiasmado) estudo!</p><p>Todo e qualquer lugar pode ser um ambiente perfeito para estudar. Mas, para estudar da melhor</p><p>forma possível, cada um tem suas individualidades e manias. Há pessoas que conseguem absorver bem</p><p>um assunto a partir de uma simples leitura. Outros não têm muita paciência para ler e preferem fazer</p><p>exercícios. Há ainda os que têm predileção por livros coloridos, preenchidos com gráficos, elementos</p><p>visuais e resumos, ou aqueles que não gostam de teorias acadêmicas e dão preferência a livros que</p><p>ilustrem exemplos práticos e, assim, retratem o cotidiano empresarial. Desse modo, quando este</p><p>o nosso estudo teórico sobre a</p><p>contabilidade.</p><p>1.2 Conceitos de contabilidade</p><p>“O trabalho da contabilidade é manter o capitalismo honesto.”</p><p>Hans Hoogervorst (Presidente da IASB)</p><p>IAAER Conference 2012. Amsterdã – Holanda</p><p>A contabilidade é a ciência que desenvolveu uma metodologia que capta, registra, acumula, resume</p><p>e analisa todos os fatos econômicos e financeiros que ocorrem em uma entidade.</p><p>O livro mais utilizado para o ensino da Contabilidade no Brasil é o Contabilidade Introdutória, de</p><p>autoria de uma equipe de professores da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de</p><p>São Paulo. Nesse livro, Iudícibus et al. (2010, p. 1) trazem a seguinte definição para contabilidade:</p><p>A Contabilidade, na qualidade de ciência social aplicada, com</p><p>metodologia especialmente concebida para captar, registrar, acumular,</p><p>resumir e interpretar os fenômenos que afetam as situações patrimoniais,</p><p>financeiras e econômicas de qualquer ente, seja pessoa física, entidade</p><p>de finalidades não lucrativas, empresa, seja mesmo pessoa de Direito</p><p>Público, tais como Estado, Município, União, Autarquia etc., tem um</p><p>campo de atuação muito amplo.</p><p>14</p><p>Unidade I</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>A Universidade de São Paulo, com os professores da Faculdade de Economia e Administração, é a</p><p>grande doutrinadora da contabilidade no Brasil. São dessa universidade os principais pesquisadores da</p><p>atualidade, como os eminentes professores Sérgio de Iudícibus, José Carlos Marion e Eliseu Martins,</p><p>dentre outros. O livro dos professores da USP Contabilidade Introdutória, da Editora Atlas, é um dos livros</p><p>mais conhecidos, com milhares de cópias vendidas em todo o mundo. Os professores da Universidade</p><p>de São Paulo fizeram, há alguns anos, uma clara opção por utilizar a contabilidade dos Estados Unidos,</p><p>a chamada “escola contábil norte-americana”.</p><p>Que tal observar a definição de contabilidade de outro professor, por exemplo, um professor de</p><p>origem norte-americana? O professor Michael P. Griffin (2012, p. 3-4), que é vice-reitor da Charlton</p><p>Business School da Massachusetts University, em Dartmouth, ensina que:</p><p>Contabilidade é o registro sistemático, o relato e a análise das transações</p><p>financeiras de uma empresa. No entanto, além do papel crítico que</p><p>desempenha como um sistema de informação financeira, ela fornece muito</p><p>do vocabulário usado nos mercados financeiros. A contabilidade também</p><p>oferece os dados necessários para executar uma variedade de aplicações</p><p>financeiras críticas, incluindo o planejamento financeiro, a análise de</p><p>demonstrações financeiras e a análise de investimento em ativos financeiros.</p><p>Portanto, há uma ligação muito forte entre a contabilidade e finanças. A</p><p>contabilidade nos permite acompanhar o que acontece nas empresas (e em</p><p>organizações sem fins lucrativos e no governo).</p><p>Na introdução do seu livro, o professor Griffin (2012, p. 11) ensina ainda que a contabilidade “é</p><p>a linguagem dos negócios”, sendo que exatamente a mesma frase é utilizada pelo professor Niyama</p><p>(2005), da Universidade de Brasília, um dos maiores especialistas em contabilidade internacional</p><p>no Brasil.</p><p>Comparando-se as duas definições de contabilidade, observa-se nos professores da USP uma</p><p>preocupação mais prática em identificar o papel e a rotina da contabilidade. Na definição do professor</p><p>Griffin, vemos essa mesma resolução, mas também com uma preocupação em evidenciar que o jargão</p><p>utilizado na área contábil é muito importante para o mundo dos negócios.</p><p>Observação</p><p>Jargão é um vocabulário próprio, em que o uso de palavras e expressões</p><p>entre os praticantes de uma profissão expressam significados próprios</p><p>dessa profissão.</p><p>Em ambos, podemos ver que a contabilidade tem um campo de atuação muito amplo, podendo</p><p>ser utilizada em diversos tipos de entes, ou melhor, “entidades”. Por entidade compreendemos desde as</p><p>pessoas físicas até as instituições de Direito Público, como Estados, Municípios e União, passando por</p><p>instituições privadas, com ou sem fins lucrativos, como é o caso das fundações.</p><p>15</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>CONTABILIDADE</p><p>Observação</p><p>Com o significado de ente ou entidade, em alguns livros, utiliza-se a</p><p>expressão derivada da escola italiana de contabilidade “Azienda”, ou ainda</p><p>“Contabilidade aziendal”.</p><p>As transações ou operações que ocorrem em uma entidade são, dentre outros exemplos, compras,</p><p>vendas, pagamentos e recebimentos. Imagine uma loja de sapatos. Durante um dia rotineiro de trabalho,</p><p>essa loja certamente venderá alguns pares de sapatos, gerando a necessidade de repor os estoques. Para</p><p>isso, o gerente da loja irá emitir um pedido de compras. Quando as mercadorias chegarem e as prateleiras</p><p>forem reabastecidas, o fornecedor dos sapatos e o transportador deverão ser pagos, e os clientes terão</p><p>de pagar pelos sapatos que compraram. Para que essa loja possa funcionar adequadamente, precisará</p><p>estar limpa, iluminada e bem-decorada – significando gastos que igualmente precisam ser pagos.</p><p>Cada um dos gastos, compras e vendas recebe a denominação, no jargão contábil, de transação ou</p><p>operação contábil. Esses eventos, em geral, estão associados a documentos comprobatórios, como a</p><p>nota fiscal, a fatura, a duplicata, a nota promissória e o recibo. Captação, registro, acúmulo e resumo</p><p>das transações da entidade geram as demonstrações contábeis, das quais o nosso curso se ocupará com</p><p>o balanço patrimonial e com a demonstração de resultado do exercício.</p><p>Lembrete</p><p>O trabalho básico do contador é o de procurar e captar as “transações”.</p><p>Nessas duas definições de contabilidade é possível observar ainda que o processo contábil não existe</p><p>apenas para acumular dados, mas também para formar e analisar informações. Basicamente, as funções</p><p>da contabilidade são dispostas na seguinte figura:</p><p>Contabilidade</p><p>Função administrativa Função econômica e</p><p>financeira</p><p>Controlar o patrimônio Apurar o resultado</p><p>Prestar informações</p><p>Figura 3 – Funções da contabilidade</p><p>16</p><p>Unidade I</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>1.3 A contabilidade como sistema de informação e controle</p><p>Na figura a seguir, é possível observar o sistema (trâmites, procedimentos) da contabilidade:</p><p>Fenômenos que afetam</p><p>a situação patrimonial</p><p>da entidade</p><p>Captar, acumular e</p><p>resumir transações</p><p>Econômico Financeiro Físico Produtividade</p><p>Informação na forma de demonstrações contábeis (resumos)</p><p>Interpretação por usuários internos e externos</p><p>Tomada de decisão</p><p>Figura 4 – Visão sistêmica da contabilidade</p><p>O trabalho na contabilidade se inicia, conforme estudamos nesta unidade, com a captação dos</p><p>fenômenos que afetam a situação patrimonial da entidade. Para isso, costuma-se sintetizar todo esse</p><p>trabalho em algumas atividades básicas, como captar, acumular e resumir transações.</p><p>A tarefa de captação necessita da participação de todos os colaboradores da empresa. O resumo</p><p>das transações pode ser feito em aspectos econômicos, financeiros, físicos e de produtividade. Os</p><p>usuários da contabilidade irão receber esses resumos, que podem ser chamados de informações,</p><p>na forma de demonstrativos contábeis, que sintetizam um universo de operações. Por sua vez,</p><p>essas informações são interpretadas por usuários internos e externos que irão, com suas próprias</p><p>conclusões, tomar decisões.</p><p>Imagine a seguinte situação: em uma empresa que produz pranchas de surfe, o proprietário</p><p>fixou uma meta de produção para o diretor industrial e metas de vendas para os vendedores.</p><p>Durante o mês, o contador capta dados, acumula-os e os resume, apresentando demonstrativos.</p><p>Ao receber esses demonstrativos, o proprietário (usuário interno) interpreta que o diretor industrial</p><p>teria alcançado a meta, mas não os vendedores, o que teria gerado estoques acima do previsto.</p><p>Assim, uma das decisões que podem ser tomadas é a de produzir menor</p><p>quantidade de pranchas</p><p>e, talvez, de valor mais elevado.</p><p>Ainda nesse mesmo exemplo, imagine que um gerente de banco (usuário externo) observe nos</p><p>demonstrativos que o proprietário da empresa teria vendido uma maior quantidade de pranchas</p><p>17</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>CONTABILIDADE</p><p>a prazo. O gerente poderá, então, oferecer um serviço de cobrança mais adequado ou evitar</p><p>conceder um empréstimo a essa empresa, de acordo com as políticas do banco.</p><p>Somente nesse exemplo fictício, quantas possibilidades de decisões!</p><p>O importante é entender essa dinâmica, um mecanismo que ocorre na contabilidade e costumamos</p><p>chamar de visão sistêmica: de uma grande quantidade de dados, é possível apresentar um demonstrativo</p><p>(digamos, em uma única folha de papel) que tenha relevância suficiente para permitir a tomada de</p><p>decisões importantes.</p><p>Lembrete</p><p>A contabilidade é a ciência que desenvolveu uma metodologia que</p><p>capta, registra, acumula, resume e analisa todos os fatos econômicos e</p><p>financeiros que ocorrem em uma entidade.</p><p>Esse aspecto de como os usuários interpretam as demonstrações contábeis é bem extenso</p><p>e tem gerado pesquisas científicas na área de contabilidade. Há uma linha de pesquisa, a</p><p>chamada behavioral accounting (em português, contabilidade comportamental), que estuda o</p><p>comportamento dos usuários diante da contabilidade e que se vale de outras áreas do conhecimento,</p><p>como a psicologia e até mesmo a neurociência.</p><p>2 GRUPOS DE INTERESSE NA INFORMAÇÃO CONTÁBIL</p><p>2.1 A contabilidade e as finanças empresariais</p><p>Vimos que Griffin (2012) citou a importância da contabilidade para as finanças empresariais</p><p>de uma forma geral. Mais especificamente, Griffin (2012, p. 137) comenta que “a contabilidade</p><p>é a matéria-prima da análise financeira”. Não sem razão, uma vez que os dados contábeis são</p><p>fundamentais para que os analistas financeiros possam analisar os dados das empresas e tomar</p><p>decisões.</p><p>Para Matarazzo (2003), as demonstrações financeiras fornecem uma série de dados sobre a empresa,</p><p>de acordo com regras contábeis. A análise de balanço transforma esses dados em informações e será</p><p>tanto mais eficiente quanto melhores informações produzir.</p><p>A maior parte dos autores ligados à área financeira costuma dizer que o processo de análise</p><p>de balanços se inicia logo após o processo contábil. Esses processos são descritos nas figuras a</p><p>seguir:</p><p>18</p><p>Unidade I</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>Processo contábil</p><p>Fatos</p><p>Compras</p><p>Vendas</p><p>Pagamentos</p><p>Recebimentos</p><p>Escrituração</p><p>Diário Razão Livros fiscais</p><p>Apuração do resultado</p><p>Lucro ou prejuízo</p><p>Demonstrações contábeis</p><p>Balanço patrimonial</p><p>Demonstração do resultado do exercício</p><p>Demonstração do fluxo de caixa</p><p>Demonstração do valor adicionado</p><p>Notas explicativas</p><p>Figura 5</p><p>A seguir, o processo de análise de balanços:</p><p>Análise de balanço</p><p>Exame e padronização</p><p>Balanço patrimonial Demonstração do resultado do exercício</p><p>Análise vertical / horizontal</p><p>Cálculo Análises</p><p>Apuração dos indicadores</p><p>Liquidez, endividamento</p><p>atividade e rentabilidade</p><p>Índices-padrão</p><p>Cálculos e comparação</p><p>Relatório de análise</p><p>Elaboração do relatório de forma clara para determinado usuário</p><p>Figura 6</p><p>19</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>CONTABILIDADE</p><p>Por conta das necessidades dos analistas, era comum até alguns anos atrás a solicitação de relatórios</p><p>ad hoc para as empresas, o que de certa forma gerava problemas de confiabilidade nas próprias</p><p>demonstrações financeiras e criava mais trabalho para os contadores.</p><p>Observação</p><p>Relatórios com a expressão em latim ad hoc são relatórios solicitados</p><p>aleatoriamente, a qualquer momento.</p><p>Nesse sentido, a IASB e o CPC no Pronunciamento Conceitual Básico orientam os contadores a não</p><p>mais preparar relatórios ad hoc, elaborando de forma mais atenta as próprias demonstrações financeiras</p><p>como o balanço patrimonial. Esse aspecto é muito importante para conferir maior credibilidade para o</p><p>trabalho contábil em geral.</p><p>A IASB e o CPC deram para as demonstrações financeiras o título de Relatório Contábil-Financeiro</p><p>de Propósito Geral e orientam a considerar os três seguintes grupos de usuários com atenção,</p><p>sem, no entanto, criar uma hierarquia entre eles. São os chamados “usuários primários”:</p><p>• investidores;</p><p>• credores por empréstimo; e</p><p>• outros credores.</p><p>A seguir, citações literais do CPC (retiradas do Pronunciamento Conceitual Básico) a respeito disso:</p><p>OB2. O objetivo do relatório contábil-financeiro de propósito geral é</p><p>fornecer informações contábil-financeiras acerca da entidade que reporta</p><p>essa informação (reporting entity) que sejam úteis a investidores existentes</p><p>e em potencial, a credores por empréstimos e a outros credores, quando</p><p>da tomada de decisão ligada ao fornecimento de recursos para a entidade.</p><p>Essas decisões envolvem comprar, vender ou manter participações em</p><p>instrumentos patrimoniais e em instrumentos de dívida, e oferecer ou</p><p>disponibilizar empréstimos ou outras formas de crédito.</p><p>OB5. Muitos investidores, credores por empréstimo e outros credores,</p><p>existentes e em potencial, não podem requerer que as entidades que reportam</p><p>a informação prestem a eles diretamente as informações de que necessitam,</p><p>devendo desse modo confiar nos relatórios contábil-financeiros de propósito</p><p>geral, para grande parte da informação contábil-financeira que buscam.</p><p>Consequentemente, eles são os usuários primários para quem relatórios</p><p>contábil-financeiros de propósito geral são direcionados.</p><p>20</p><p>Unidade I</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>Lembrete</p><p>A Análise de Balanços será estudada nas próximas disciplinas do curso.</p><p>Saiba mais</p><p>Para saber mais sobre o Pronunciamento Conceitual Básico, acesse o</p><p>site: <http://www.cpc.org.br>.</p><p>2.2 A contabilidade, a economia e o direito</p><p>A contabilidade possui uma ampla gama de usuários, dentro e fora da empresa contabilizada.</p><p>Alguns autores, como Santos (2005), para fins de estudo e organização, costumam separar os</p><p>usuários da contabilidade em dois tipos:</p><p>• os usuários internos;</p><p>• os usuários externos.</p><p>Os gestores da empresa precisam de ferramentas de avaliação e controle de suas atividades para</p><p>que saibam quanto têm em dinheiro, quanto têm a receber, o que têm a pagar, a quem devem etc. Eles</p><p>precisam saber se estão ganhando ou perdendo dinheiro e, sobretudo, qual é o resultado econômico e o</p><p>financeiro de suas atividades empresariais.</p><p>Externamente, organizações e indivíduos procuram ter uma avaliação acerca da empresa, ainda que</p><p>não tenham acesso direto à sua rotina diária. Vejamos alguns usuários e sua relação com a contabilidade:</p><p>• Usuários internos:</p><p>— Gestores financeiros: analisam, por meio da contabilidade, a posição financeira expressa por</p><p>dinheiro e direitos a receber, bem como as obrigações a serem saldadas com esses recursos.</p><p>Analisam também a lucratividade da entidade e a relação entre o desempenho econômico,</p><p>expresso em resultado positivo ou negativo, e o desempenho financeiro, ou seja, a geração de</p><p>recursos financeiros para pagar as obrigações assumidas.</p><p>— Gestores de produção: analisam a relação entre despesas e receitas, bem como os níveis de</p><p>estoques.</p><p>21</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>CONTABILIDADE</p><p>— Auditores internos: analisam a veracidade ou a precisão da contabilidade, buscam indicações</p><p>de desvios de recursos ou práticas duvidosas e auxiliam os gestores financeiros, de produção e</p><p>de outros setores a obter números confiáveis, a partir dos quais se podem tomar decisões.</p><p>— Gestores em geral: qualquer um que precise entender e analisar a história da empresa expressa</p><p>em unidades monetárias.</p><p>— Administradores: aqueles que, ao administrar a empresa, precisam de um</p><p>“mapa” e de uma</p><p>“bússola”, da mesma maneira que um navegador necessita dessas ferramentas para orientar-se</p><p>e decidir-se por um caminho a tomar.</p><p>— Sócios: querem saber de seus haveres, do lucro a que fazem jus e do real desempenho da</p><p>empresa. Usam a contabilidade para cobrar resultados dos administradores.</p><p>• Usuários externos:</p><p>— Fornecedores: utilizam, dentre outros recursos, a contabilidade, para avaliar se o cliente terá</p><p>capacidade de pagar pelos produtos comprados a prazo.</p><p>— Banqueiros comerciais: essencialmente, concedem crédito na forma de empréstimos, desconto de</p><p>títulos e outras operações, em que emprestam o capital necessário à condução das atividades da entidade.</p><p>A partir da contabilidade, procuram analisar a capacidade de devolução dos recursos emprestados.</p><p>— Banqueiros de investimento: são agentes especializados em fornecer recursos de investimento</p><p>a longo prazo, de maneira que as empresas possam investir a longo prazo em crescimento e</p><p>desenvolvimento. Usam a contabilidade para avaliar as perspectivas de crescimento e retorno</p><p>sobre o investimento, e demonstram aos investidores externos, com base em projeções feitas a</p><p>partir dos números da contabilidade da empresa, o potencial de lucro e o risco do investimento.</p><p>— Auditores externos: analisam as demonstrações contábeis de maneira que ateste sua</p><p>correção. Se os números estiverem corretos, autoridades tributárias, banqueiros comerciais ou</p><p>de investimentos e investidores poderão, mais seguramente, avaliar as empresas.</p><p>Há ainda grupos de interesse diversos, como o governo, que usa largamente as informações contábeis</p><p>para fins de arrecadação e fiscalização de impostos, e para a formação de políticas econômicas, a partir</p><p>dos dados que as demonstrações financeiras oferecem.</p><p>Os sindicatos de trabalhadores ou patronais podem vir a utilizar os relatórios para determinar a</p><p>produtividade do setor, um fator preponderante para decidir se salários devem ser reajustados, por exemplo.</p><p>Podemos citar muitos outros interessados, como funcionários, órgãos de classes, pessoas e diversas</p><p>instituições, como a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o CRC (Conselho Regional de Contabilidade),</p><p>empresas concorrentes, jornalistas em busca de informações para suas matérias e muito mais.</p><p>22</p><p>Unidade I</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>3 O BALANÇO PATRIMONIAL</p><p>A pergunta norteadora desta unidade é:</p><p>Qual é a dinâmica</p><p>de contabilidade?</p><p>Figura 7</p><p>3.1 Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido</p><p>A seguir, estudaremos o patrimônio empresarial, assunto que é descrito em muitos livros como</p><p>“estática patrimonial” e que representa o “balanço patrimonial”, uma das demonstrações financeiras que</p><p>as empresas apresentam frequentemente ao mercado.</p><p>O balanço patrimonial é a demonstração contábil que apresenta a situação econômica e financeira</p><p>em um determinado momento. No Brasil, é costume apurar-se o balanço patrimonial anual no dia 31 de</p><p>dezembro, coincidindo com o ano-calendário ou ano gregoriano. Há países que adotam outros períodos</p><p>para apuração do balanço, de acordo com a cultura local. O balanço patrimonial poderá ser apurado</p><p>em todos os outros momentos em que os usuários internos da contabilidade considerarem oportuno ou</p><p>necessário, ou quando usuários externos o exigirem.</p><p>A apuração do balanço patrimonial e das outras demonstrações, chamada costumeiramente de</p><p>“fechamento”, ou, pelos auditores, de “corte contábil”, é um processo que pode ser bem trabalhoso,</p><p>dependendo da empresa, porque envolve toda uma infraestrutura de sistemas de informações</p><p>e a colaboração de todos os funcionários da empresa, em maior ou menor grau. No passado,</p><p>quando as empresas ainda não dispunham de computadores, era muito comum um balanço ser</p><p>publicado várias semanas após o final do período-calendário. Atualmente, com os computadores,</p><p>há empresas que conseguem apurar rapidamente um balanço patrimonial.</p><p>O balanço patrimonial apresenta, do seu lado esquerdo, o ativo, ou seja, os bens e direitos da empresa;</p><p>e, do lado direito, o passivo, que são as obrigações com terceiros em geral, como fornecedores, banqueiros</p><p>e funcionários, o patrimônio líquido, e as obrigações com terceiros específicos, nas sociedades limitadas</p><p>representados pelos quotistas, e, nas sociedades anônimas, representados pelos acionistas.</p><p>No Brasil, a estrutura de um balanço patrimonial é definida na Lei nº 6.404/76 (Lei das Sociedades</p><p>Anônimas), que foi posteriormente modificada pelas Leis nº 11.638/07 e nº 11.941/09, reconhecendo no</p><p>23</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>CONTABILIDADE</p><p>Brasil o esforço de convergência internacional. Independentemente do porte da empresa, do ramo de</p><p>negócios em que atua ou de qualquer outra característica, os contadores devem sempre seguir uma</p><p>mesma estrutura, o que permite que tanto os usuários internos como os externos possam analisar</p><p>adequadamente as informações.</p><p>Estudemos, então, a estrutura de acordo com o seguinte quadro:</p><p>Quadro 1</p><p>Balanço patrimonial</p><p>Ativo</p><p>Passivo</p><p>Patrimônio líquido</p><p>O ativo é o conjunto de bens e direitos de propriedade da empresa. São os itens positivos do</p><p>patrimônio, trazem benefícios e proporcionam ganho para a empresa.</p><p>Os bens, suscetíveis de avaliação econômica, são as coisas capazes de satisfazer as necessidades</p><p>humanas e das empresas. Podem ser materiais ou imateriais.</p><p>Os bens materiais, corpóreos ou tangíveis são objetos que a empresa tem para uso (armários,</p><p>prateleiras, computadores, máquinas, automóveis, vitrines etc.), troca (mercadorias e dinheiro) ou</p><p>consumo (como materiais de limpeza, de expediente e de embalagem).</p><p>Observação</p><p>Os conceitos de conta serão utilizados em breve, no tópico 3.3.</p><p>24</p><p>Unidade I</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>Quadro 2 – Bens materiais: exemplos e contas representativas</p><p>Bem Conta representativa do bem</p><p>Dinheiro em caixa Caixa</p><p>Hardware e periféricos de informática Equipamentos de informática</p><p>Mercadorias para venda Estoque</p><p>Prédios Imóveis</p><p>Tornos Máquinas</p><p>Automóvel para entregas Veículos</p><p>Já os bens imateriais, incorpóreos ou intangíveis correspondem àqueles que, por sua natureza, não</p><p>se consegue tocar. Os bens imateriais são cada vez mais importantes no patrimônio de uma empresa,</p><p>muitas vezes, assumindo valores maiores do que os dos bens físicos dos quais a empresa dispõe.</p><p>Quadro 3 – Bens imateriais: exemplos e contas representativas</p><p>Bem Conta representativa do bem</p><p>Marca da empresa Marcas</p><p>Patente de invenção Patente</p><p>Luva de um estabelecimento de comércio Ponto comercial</p><p>Saiba mais</p><p>Durante muito tempo, houve dúvidas de como tratar contabilmente os</p><p>intangíveis. Atualmente, existe uma orientação específica sobre isso: o CPC</p><p>04, que faz correlação às Normas Internacionais de Contabilidade IAS 38</p><p>(IASB – BV 2010). Pesquise a respeito disso na internet!</p><p>Os direitos são todos os valores que a empresa tem para receber de terceiros.</p><p>Quadro 4 – Direitos: exemplos e contas representativas</p><p>Direito Conta representativa do direito</p><p>Venda a prazo de mercadorias Duplicatas a receber – clientes</p><p>Venda a prazo de produtos Duplicatas a receber – clientes</p><p>Venda a prazo de serviços Duplicatas a receber – clientes</p><p>Venda a prazo de imóveis Notas promissórias a receber</p><p>Ações de outras empresas Participações</p><p>25</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>CONTABILIDADE</p><p>O passivo significa as obrigações exigíveis da empresa, ou seja, as dívidas que serão cobradas, conforme</p><p>a data de seu vencimento. Conhecido como dívidas com terceiros em geral ou, ainda, passivo exigível.</p><p>Quadro 5 – Exemplos de obrigações com terceiros e contas representativas</p><p>Obrigações com terceiros em geral Conta representativa das obrigações</p><p>Compra de mercadoria a prazo Duplicatas a pagar – fornecedores</p><p>Utilização</p><p>dos serviços dos empregados</p><p>ainda não pagos Salários a pagar</p><p>Uso dos serviços públicos Impostos a pagar</p><p>Utilização de capital de terceiros Juros a pagar</p><p>Empréstimos tomados de bancos Financiamentos bancários</p><p>O patrimônio líquido representa o total do investimento dos proprietários na empresa e indica a</p><p>diferença entre o valor dos bens e direitos (ativo) e o valor das obrigações com terceiros (passivo). É</p><p>essa parte diferencial (PL) que vai medir ou avaliar a situação ou condição da entidade, sendo, portanto,</p><p>considerada como passivo não exigível.</p><p>Quadro 6 – Patrimônio líquido: obrigações com terceiros</p><p>específicos – Exemplos e contas representativas</p><p>Obrigações com terceiros específicos Conta representativa de obrigações</p><p>com terceiros específicos</p><p>Investimentos dos sócios na empresa Capital social</p><p>Resultado obtido pela empresa ainda sem</p><p>destinação definida Lucro ou prejuízo acumulado</p><p>Promessa de investimento feito pelos sócios Capital a integralizar</p><p>Observação</p><p>O patrimônio líquido é considerado o capital próprio da empresa, enquanto</p><p>o ativo são as aplicações tanto do capital próprio como do capital de terceiros.</p><p>Muitas vezes, costumamos confundir a figura do proprietário (ou dos proprietários), como se ele e</p><p>a empresa fossem a mesma coisa. Por mais que um negócio seja profundamente vinculado a alguém, a</p><p>empresa tem uma personalidade jurídica, e a pessoa física tem outra completamente diferente. Assim, a</p><p>empresa “deve” recursos ao proprietário – daí dizermos que o patrimônio líquido é uma obrigação para</p><p>“terceiros em específico”.</p><p>De especial importância para o nosso estudo é a conta de capital a integralizar. É muito</p><p>comum os sócios ou o proprietário de uma empresa, quando do registro do seu contrato de</p><p>26</p><p>Unidade I</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>abertura, prometer que irá depositar nela determinada quantia de dinheiro ou bens e direitos. A esse</p><p>ato dá-se o nome de subscrição de capital, representada pela promessa de investimento feita</p><p>pelos sócios na conta capital a integralizar. Trata-se de um direito da empresa perante os sócios,</p><p>e devido a isso se coloca a conta no ativo. O investimento ou o capital inicial dos proprietários é</p><p>representado pela conta capital social, vista no patrimônio líquido.</p><p>Assim, temos o balanço patrimonial, conforme o quadro a seguir:</p><p>Quadro 7</p><p>Balanço patrimonial</p><p>Ativo Passivo</p><p>Caixa R$ 5.000,00 Fornecedores R$ 30.000,00</p><p>Banco R$15.000,00 Impostos a pagar R$ 15.000,00</p><p>Duplicatas a receber R$ 20.000,00 Salários a pagar R$ 10.000,00</p><p>Imóveis R$ 200.000,00 Empréstimos R$ 150.000,00</p><p>Veículos R$ 30.000,00</p><p>Total R$ 205.000,00</p><p>Patrimônio líquido</p><p>Capital social R$ 60.000,00</p><p>Reservas de lucros R$ 5.000,00</p><p>Total do ativo R$ 270.000,00 Total passivo + PL R$ 270.000,00</p><p>Podemos observar:</p><p>• o total de bens = R$ 235.000,00 (caixa, imóveis e veículos);</p><p>• o total de direitos = R$ 35.000,00 (banco e duplicatas a receber);</p><p>• o total de obrigações com terceiros = R$ 205.000,00 (fornecedores, impostos a pagar, salários a</p><p>pagar e empréstimos);</p><p>• o total de obrigações com sócios = R$ 65.000,00 (capital social e reservas de lucros).</p><p>Também é possível representar o balanço patrimonial sabendo-se que:</p><p>• o patrimônio líquido é conhecido como capital próprio;</p><p>• o passivo é conhecido como capital de terceiros;</p><p>• o ativo é conhecido como capital à disposição da empresa.</p><p>27</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>CONTABILIDADE</p><p>O balanço pode ser assim definido:</p><p>Capital à disposição da empresa</p><p>Capital à disposição da empresa</p><p>Capital de terceiros</p><p>Capital próprio</p><p>Figura 8</p><p>O patrimônio bruto ou capital à disposição da empresa é o total dos bens + direitos, isto é,</p><p>o ativo.</p><p>O patrimônio líquido é o patrimônio bruto, o seja, as devidas obrigações com terceiros.</p><p>Temos então a seguinte fórmula, conhecida como Equação Fundamental do Patrimônio:</p><p>Figura 9 – Equação Fundamental do Patrimônio</p><p>Iudícibus et al. (2010, p. 20) descrevem ainda uma situação mais restrita, que às vezes ocorre em</p><p>uma empresa, que é o passivo suplantar o ativo, ou o que se chama de Patrimônio Líquido Negativo e</p><p>que é conhecido popularmente como “passivo a descoberto”. Em uma situação desse tipo, a fórmula da</p><p>Equação Fundamental do Patrimônio fica:</p><p>ativo = passivo a descoberto = passivo ou ativo = passivo + passivo a descoberto (patrimônio</p><p>líquido negativo)</p><p>Vamos estudar a partir de agora os principais usos da contabilidade. Já vimos nas próprias definições</p><p>de contabilidade que se trata de um conhecimento de aplicação ampla.</p><p>28</p><p>Unidade I</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>3.2 Princípios básicos de origens e aplicações de recursos</p><p>Todos os recursos obtidos por uma empresa passam pelo passivo ou pelo patrimônio líquido. Os</p><p>recursos são originados nos valores investidos pelos sócios ou nos valores a pagar para terceiros. O</p><p>ativo, por sua vez, evidencia todas as aplicações dos recursos obtidos em dinheiro, estoques, veículos e</p><p>máquinas, dentre outros. Todo bem ou direito (isto é, o ativo da empresa) tem uma origem, que pode ser</p><p>de terceiros ou sócios. Por meio desses conceitos, podemos entender que o total de aplicações (ativo)</p><p>será sempre igual ao total de origens (passivo + patrimônio líquido).</p><p>Quadro 8 – Origens e aplicações</p><p>Aplicações (ativos) = Origens (passivo) + Origens</p><p>(patrimônio líquido)</p><p>Aplicação</p><p>Origem</p><p>Origem</p><p>Por meio do balanço patrimonial a seguir, demonstram-se o total de bens e os direitos e obrigações</p><p>da empresa:</p><p>Quadro 9 – Balanço patrimonial com o</p><p>total de bens, direitos e obrigações da empresa</p><p>Ativo Passivo</p><p>Dinheiro em caixa R$ 10.000,00</p><p>Banco R$ 34.200,00</p><p>Duplicatas a receber R$ 74.200,00</p><p>Máquinas R$ 78.000,00</p><p>Veículos R$ 42.000,00</p><p>Equipamentos de</p><p>informática R$ 48.400,00</p><p>Imóveis R$ 341.200,00</p><p>Marca R$ 460.000,00</p><p>Fornecedores R$ 228.000,00</p><p>Salários a pagar R$ 332.000,00</p><p>Impostos a recolher R$ 122.000,00</p><p>Financiamento R$ 206.000,00</p><p>Total R$ 888.000,00</p><p>Patrimônio líquido</p><p>Capital social R$ 200.000,00</p><p>Total PL R$ 200.000,00</p><p>Total geral R$ 1.088.000,00 Total geral R$ 1.088.000,00</p><p>Total de bens tangíveis R$ 519.600,00 (conta: caixa, máquinas, veículos,</p><p>equipamento de informática, imóveis)</p><p>Total de bens</p><p>intangíveis R$ 460.000,00 (conta: marca)</p><p>Total de direitos R$ 108.400,00 (contas: banco e duplicatas a receber)</p><p>Total de obrigações</p><p>com terceiros R$ 888.000,00</p><p>(contas: contas a pagar, fornecedores,</p><p>salários a pagar, impostos a recolher,</p><p>financiamento)</p><p>Total de obrigações</p><p>com sócios R$ 200.000,00 (conta: capital social)</p><p>Os analistas e homens e mulheres de negócios costumam analisar frequentemente as origens</p><p>de recursos de uma empresa. Entende-se que quanto menor o percentual de capitais de terceiros</p><p>29</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>CONTABILIDADE</p><p>que a empresa tiver, melhor. Mas há casos em que o endividamento pode ser benéfico para a</p><p>empresa, alavancando as operações. Todos esses aspectos são possíveis de analisar por meio do</p><p>balanço patrimonial.</p><p>Exemplo de aplicaçãoExemplo de aplicação</p><p>A seguir, reproduzimos os Balanços Patrimoniais da Coteminas, para você observar a aplicação</p><p>da estrutura que acabamos de estudar em uma empresa real. Trata-se de uma grande empresa,</p><p>então entenderam que seria melhor separar o ativo e o passivo em duas páginas e apresentá-los em</p><p>sequência, o que também é permitido. Observe que eles demonstram dois anos ao mesmo tempo,</p><p>2011 e 2012, e têm duas partes: A “controladora” e o “consolidado”. Como a Coteminas é um grupo</p><p>empresarial, as leis exigem que ela publique o balanço assim, dessa forma mesmo. A controladora é a</p><p>empresa que “centraliza” a administração do grupo empresarial, e o consolidado é um procedimento</p><p>de soma de todas as empresas, um esforço para mostrar</p><p>o grupo como se fosse um só.</p><p>Quadro 10 – Balanço Patrimonial da Coteminas, 2012 e 2011, Ativos, preparado pelo</p><p>contador Nourival C. Pedroso Filho, CRC nº 1 065177-O/8 S/MG</p><p>BALANÇOS PATRIMONIAIS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2012 e 2011</p><p>(Em milhares de Reais)</p><p>ATIVOS</p><p>Nota</p><p>explicativa</p><p>Controladora Consolidado</p><p>2012 2011 2012 2011</p><p>CIRCULANTE:</p><p>Caixa e equivalentes de caixa 3 1.264 2.364 146.613 185.878</p><p>Títulos e valores mobiliários 4 - 9.928 39.750 44.148</p><p>Duplicatas a receber 5 - - 546.628 540.499</p><p>Estoques 6 - - 653.364 772.540</p><p>Adiantamentos a fornecedores 7 11 104 57.750 68.577</p><p>Impostos a recuperar 17.d 7.115 11.152 41.227 45.944</p><p>Debêntures emitidas por controlada 16 11.892 25.388 - -</p><p>Instrumentos derivativos 21.d.5.1 - - - 11.225</p><p>Imóveis destinados à venda - - 2.921 11.790</p><p>Outros créditos a receber 4.294 20.523 29.838 40.295</p><p>------------- ------------- ------------- -------------</p><p>Total do ativo circulante 24.576 69.459 1.518.091 1.720.896</p><p>------------- ------------- ------------- -------------</p><p>NÃO CIRCULANTE:</p><p>Realizável a longo prazo:</p><p>Adiantamentos a fornecedores 7 - - - 408</p><p>Partes relacionadas 15 87.482 96.924 46.037 35.499</p><p>Debêntures emitidas por controlada 16 - 5.266 - -</p><p>Impostos a recuperar 17.d 13.552 20.991 43.784 75.947</p><p>30</p><p>Unidade I</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>Imposto de renda e</p><p>contribuição social diferidos 17.c 8.629 8.629 71.981 71.246</p><p>Imobilizado disponível para venda 9.b - - 40.585 50.427</p><p>Depósitos judiciais 18 78.053 78.109 101.431 102.011</p><p>Outros créditos e valores a receber 2.056 2.056 16.018 7.650</p><p>------------- ------------- ------------- -------------</p><p>189.772 211.975 319.836 343.188</p><p>Investimentos em controladas 8 897.311 952.689 - -</p><p>Investimentos em coligadas 8 56.229 71.400 56.229 71.400</p><p>Outros investimentos 4.634 4.710 7.675 5.257</p><p>Imobilizado 9.a 9.394 16 1.094.518 1.116.801</p><p>Intangível 10 2 2 114.015 113.888</p><p>------------- ------------- ------------- -------------</p><p>Total do ativo não circulante 1.157.342 1.240.792 1.592.273 1.650.534</p><p>------------- ------------- ------------- -------------</p><p>Total dos ativos 1.181.918 1.310.251 3.110.364 3.371.430</p><p>======== ======== ======== ========</p><p>Fonte: Coteminas (2012, p. 25).</p><p>Saiba mais</p><p>Todas as demonstrações financeiras/contábeis estão disponíveis em:</p><p><http://www.mzweb.com.br/coteminas/web/download_arquivos.</p><p>asp?id_arquivo=79794FCA-609E-4C06-B94E-A0DCE4F04536>.</p><p>Para nossa análise, vamos observar apenas as colunas do consolidado, ok?</p><p>Observe que os ativos da Cia. Coteminas somaram três bilhões, cento e dez milhões de reais em 2012,</p><p>e um pouco mais do que isso em 2011: três bilhões, trezentos e setenta e um milhões de reais. Muito,</p><p>não é mesmo? Todo esse dinheiro está à disposição dessa empresa, seja pagando contas e salários, seja</p><p>na forma de máquinas, equipamentos e investimentos em outras empresas.</p><p>Como veremos posteriormente com mais detalhes, de todo esse dinheiro, a Coteminas tinha, “no</p><p>cofre”, ou seja, à disposição “para gastar” ou para “giro de caixa”, cento e quarenta e seis milhões de reais</p><p>(observe a conta contábil “caixa e equivalentes de caixa”).</p><p>31</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>CONTABILIDADE</p><p>Observação</p><p>O dinheiro para “gastar”, ou para “giro de caixa”, recebe a denominação</p><p>de “liquidez imediata” nas finanças; à semelhança da água ou de um líquido</p><p>qualquer, consegue circular ou “correr” com facilidade.</p><p>Mas... e de onde veio todo esse dinheiro? Para responder a essa pergunta, precisamos buscar o</p><p>passivo da Coteminas, que será demonstrado a seguir:</p><p>Quadro 11 – Balanço Patrimonial da Coteminas, dos anos de 2012 e 2011, Passivos,</p><p>preparado pelo contador Nourival C. Pedroso Filho, CRC nº 1 065177-O/8 S/MG</p><p>COMPANHIA DE TECIDOS NORTE DE MINAS - COTEMINAS</p><p>BALANÇOS PATRIMONIAIS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2012 e 2011</p><p>(Em milhares de Reais)</p><p>PASSIVOS E PATRIMÔNIO LÍQUIDO</p><p>Nota</p><p>explicativa</p><p>Controladora Consolidado</p><p>2012 2011 2012 2011</p><p>PASSIVOS</p><p>CIRCULANTE:</p><p>Empréstimos e</p><p>financiamentos 13 45.461 25.438 458.188 445.647</p><p>Fornecedores 12 218 138 197.618 233.202</p><p>Obrigações sociais e</p><p>trabalhistas 584 556 55.540 54.351</p><p>Impostos e taxas 348 6 13.980 15.903</p><p>Dividendos a pagar 11 34 1.335 1.387</p><p>Instrumentos derivativos 21.d.4 - - - 17.967</p><p>Partes relacionadas –</p><p>minoritários 15 - - - 20.000</p><p>Concessões governamentais 20 - - 13.115 4.141</p><p>Arrendamentos não</p><p>recuperáveis 11 - - 13.736 5.252</p><p>Outras contas a pagar 6.736 1.889 76.900 61.997</p><p>------------- ------------- ------------- -------------</p><p>Total do passivo circulante 53.358 28.061 830.412 859.847</p><p>------------- ------------- ------------- -------------</p><p>NÃO CIRCULANTE:</p><p>Empréstimos e</p><p>financiamentos 13 - - 349.124 529.479</p><p>Arrendamentos não</p><p>recuperáveis 11 - - 11.724 8.720</p><p>Partes relacionadas 15 424 - 164 -</p><p>Concessões governamentais 20 - - 49.859 68.847</p><p>32</p><p>Unidade I</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>Planos de aposentadoria e</p><p>benefícios 19 - - 86.765 77.507</p><p>Provisões diversas 18 64.938 64.380 99.331 95.464</p><p>Provisão para imposto de</p><p>renda e contribuição social</p><p>diferidos</p><p>17.c 427 427 5.049 5.051</p><p>Outras obrigações 405 - 26.744 18.222</p><p>------------- ------------- ------------- -------------</p><p>Total do passivo não circulante 66.194 64.807 628.760 803.290</p><p>------------- ------------- ------------- -------------</p><p>PATRIMÔNIO LÍQUIDO: 14</p><p>Capital realizado 870.000 870.000 870.000 870.000</p><p>Reservas de capital 286.308 286.308 286.308 286.308</p><p>Reservas de lucros 431.721 431.698 431.721 431.698</p><p>Ajuste acumulado de conversão (108.316) (97.361) (108.316) (97.361)</p><p>Ações em tesouraria (838) (838) (838) (838)</p><p>Prejuízos acumulados (416.509) (272.424) (416.509) (272.424)</p><p>------------- ------------- ------------- -------------</p><p>Total da participação dos</p><p>acionistas controladores 1.062.366 1.217.383 1.062.366 1.217.383</p><p>------------- ------------- ------------- -------------</p><p>PARTICIPAÇÃO DOS CIONISTAS</p><p>NÃO CONTROLADORES - - 588.826 490.910</p><p>------------- ------------- ------------- -------------</p><p>Total do patrimônio líquido 1.062.366 1.217.383 1.651.192 1.708.293</p><p>------------- ------------- ------------- -------------</p><p>Total dos passivos e do</p><p>patrimônio líquido 1.181.918 1.310.251 3.110.364 3.371.430</p><p>======= ======= ======= =======</p><p>Fonte: Coteminas (2012, p. 26).</p><p>Observe que, no passivo da Coteminas (Consolidado, ano de 2012), há um equilíbrio entre capitais de</p><p>terceiros e capitais próprios. Por que se diz isso? O passivo circulante foi somado com o não circulante,</p><p>que são considerados capitais de terceiros, e comparados com o patrimônio líquido, considerado como</p><p>capital próprio. Realizou-se o cálculo demonstrado a seguir:</p><p>Estrutura de Capital da Coteminas (Balanço Consolidado 2012)</p><p>Passivo Circulante 830.412,00</p><p>Passivo Não Circulante 628.760,00</p><p>Patrimônio Líquido 1.651.192,00</p><p>Total do Passivo 3.110.364,00</p><p>1.459.172,00 47% Capital</p><p>1.651.192,00 53% Capital Próprio</p><p>3.110.364,00 100%</p><p>33</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>CONTABILIDADE</p><p>Essa distribuição de capitais também é denominada nas finanças como estrutura de capital e é</p><p>um aspecto muito observado pelos analistas financeiros, que, não raramente, consideram o fato de a</p><p>empresa ter mais capital próprio do que de terceiros, algo confortável, embora nem sempre isso seja</p><p>uma realidade.</p><p>Não deixe de observar ainda que os valores do ativo da Coteminas são idênticos aos valores</p><p>do passivo. Para o ano de 2012, tanto o ativo como o passivo estão [corretamente] com o valor</p><p>de R$ 3.110.364,00, ou seja, não há nem um real de diferença! Isso é a Equação Fundamental do</p><p>Patrimônio (Ativo + Passivo = Patrimônio Líquido).</p><p>Importante</p><p>O balanço patrimonial da Cia. Coteminas foi utilizado para fins estritamente pedagógicos, em O balanço patrimonial da Cia. Coteminas foi</p><p>utilizado para fins estritamente pedagógicos, em</p><p>ambiente universitário. A escolha ou o uso dessa empresa não deve jamais ser interpretado como ambiente universitário. A escolha ou o uso dessa empresa não deve jamais ser interpretado como</p><p>sugestão do professor de consumo de produtos ou realização de investimentos.sugestão do professor de consumo de produtos ou realização de investimentos.</p><p>3.3 Conceitos de Conta</p><p>Os valores constantes na contabilidade de uma empresa são dispostos em contas contábeis, ou seja,</p><p>a representação gráfica dos elementos patrimoniais (bens, direitos e obrigações), denominações que</p><p>resumem uma categoria de elementos patrimoniais ou ligados ao resultado. Por exemplo: imaginemos</p><p>que uma empresa tenha em seu patrimônio veículos para vendedores, motocicletas, lanchas para</p><p>transporte marítimo e caminhões para entregas aos clientes e para transporte de mercadorias em geral.</p><p>O contador pode sintetizar todos esses elementos em uma só categoria (conta contábil), denominada</p><p>Veículos ou Veículos Automotores.</p><p>Segundo Iudícibus et al. (2010, p. 38) “o importante é que em cada conta se mantenha o registro</p><p>da história da movimentação do componente do ativo, do passivo ou do patrimônio líquido a que se</p><p>refere” e “utilizam-se contas separadas para representar cada tipo de elemento do Ativo, do Passivo e</p><p>do Patrimônio Líquido”.</p><p>As diversas contas contábeis de uma empresa são dispostas de forma agrupada e ordenada em um</p><p>plano de contas, um trabalho personalizado para cada empresa e definido pelo contador de acordo com</p><p>as especificidades do negócio.</p><p>Lembrete</p><p>Como vimos, a contabilidade é a ciência que desenvolveu uma</p><p>metodologia que capta, registra, acumula, resume e analisa todos os</p><p>fatos econômicos e financeiros que ocorrem em uma entidade. As contas</p><p>contábeis são imprescindíveis para realizar essas funções.</p><p>34</p><p>Unidade I</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>Para a formulação de um plano de contas, cada contador seguia o seu bom senso e os usos e</p><p>costumes ao elaborar as denominações das contas contábeis. Mais recentemente, de acordo com</p><p>o Pronunciamento Conceitual Básico, entendeu-se que os contadores devem também observar as</p><p>denominações que são utilizadas no ramo de negócios onde a empresa está presente e reproduzir</p><p>essas denominações no Plano de Contas. Assim, os usuários externos terão maior facilidade para</p><p>analisar dados de empresas de um mesmo ramo.</p><p>Existem dois tipos de contas contábeis:</p><p>a) Contas patrimoniais</p><p>b) Contas de resultado</p><p>As contas patrimoniais expressam os elementos do balanço patrimonial, que são mantidos a cada</p><p>exercício social.</p><p>As contas de resultado representam as despesas e receitas e são zeradas e/ou anuladas a cada</p><p>exercício social, com a apuração do resultado do exercício.</p><p>4 BALANÇOS SUCESSIVOS: CONCEITUAÇÃO E PRÁTICA</p><p>Para bem entender a dinâmica contábil iremos agora acompanhar uma sequência de situações</p><p>(fatos contábeis) que acontecem em uma empresa fictícia, para fins de exemplo. A cada nova sequência,</p><p>iremos observar quais são as modificações nas demonstrações contábeis dessa empresa. Trata-se de</p><p>uma técnica muito eficiente para estudar contabilidade.</p><p>No entanto, é importante esclarecer de antemão que essa rotina não é usual nos escritórios</p><p>contábeis. Normalmente, os fatos são registrados isoladamente, e o Balanço Patrimonial e a</p><p>DRE são apurados periodicamente. Essa apuração é chamada de “fechamento contábil” ou</p><p>“corte contábil”.</p><p>Lembrete</p><p>O “fechamento contábil” ou “corte contábil” é a aplicação final do</p><p>“processo contábil”, em que todos os dados contábeis são processados</p><p>e as demonstrações financeiras são formadas.</p><p>Atualmente, com a evolução da Tecnologia da Informação, há sistemas integrados capazes de</p><p>apresentar demonstrações financeiras atualizadas a cada momento, ou on-line, mas mesmo esses</p><p>sistemas necessitam de um fechamento ou corte contábil. A informação on-line costuma ser formada</p><p>por meio de padrões, que se aproximam dos números, mas não são os reais.</p><p>35</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>CONTABILIDADE</p><p>Saiba mais</p><p>Se você se interessar em tecnologia da informação aplicada à</p><p>contabilidade e métodos utilizados em uma contabilidade on-line, leia</p><p>o artigo do autor deste livro: <http://www.congressousp.fipecafi.org/</p><p>artigos102010/433.pdf>.</p><p>É importante também comentar que, para a realização de qualquer exercício de contabilidade, é</p><p>sempre importante seguir três dicas:</p><p>a) fazer o exercício passo a passo, sem a vontade de pular ou economizar etapas;</p><p>b) imaginar que se trata de uma situação real, em que você precisa de fato apresentar uma solução;</p><p>c) colocar-se sempre no ponto de vista da empresa.</p><p>Observação</p><p>Esse aspecto de “colocar-se sempre no ponto de vista da empresa” é</p><p>muito importante e faz toda a diferença! Estamos acostumados a olhar a</p><p>empresa de fora para dentro, mas o contador sempre considera as coisas de</p><p>dentro para fora, como se ele fosse a própria empresa. Então, digamos que</p><p>a empresa tenha comprado mercadorias. O contador vê como se ele (como</p><p>empresa) tivesse comprado as mercadorias!</p><p>Vamos lá:</p><p>4.1 Operações envolvendo contas de ativo, passivo e patrimônio líquido</p><p>Este é um processo de estudo que se baseia no fato de que, após a realização de uma operação,</p><p>é apurado um balanço patrimonial. Após outra operação, será feito um novo balanço patrimonial</p><p>partindo-se do anterior, e assim sucessivamente.</p><p>Esse processo não é o usual nos escritórios contábeis, em que se apura periodicamente um balanço</p><p>patrimonial, e essa apuração é chamada de fechamento. Como normalmente são muitas operações, não</p><p>é possível apurar um balanço patrimonial após cada operação; no entanto, trata-se de um poderoso</p><p>processo para se estudar contabilidade.</p><p>Uma orientação para estudar eficientemente contabilidade (neste exercício e em qualquer outro) é</p><p>imaginar que a situação proposta é real. Assim, resolva os exercícios passo a passo, como se estivesse</p><p>trabalhando de verdade.</p><p>36</p><p>Unidade I</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>Na empresa Cia. Alef, no ano de 20X6, ocorreram as seguintes operações:</p><p>1. Vários empresários fundam uma Sociedade Anônima denominada Alef, subscrevendo um capital</p><p>social de R$ 1.000,00.</p><p>Saiba mais</p><p>Abrir uma nova empresa é um dos atos mais importantes, devendo ser</p><p>devidamente registrado nos órgãos públicos do município, do estado e</p><p>do país.</p><p>Visite o site da Junta Comercial do seu estado e conheça o processo para o</p><p>registro de uma empresa. Em São Paulo, o endereço é: <www.jucesp.sp.gov.br/>.</p><p>2. Integralização do capital em dinheiro.</p><p>Observação</p><p>Um sócio não precisa necessariamente injetar capital em uma empresa</p><p>na forma de dinheiro (recursos financeiros). É possível integralizar capital</p><p>em bens, como casas, imóveis comerciais e animais.</p><p>No entanto, o momento em que o sócio efetivamente disponibiliza</p><p>o recurso financeiro ou transfere o bem para a empresa é considerado</p><p>“integralização de capital”.</p><p>3. Compra de mesas e cadeiras por R$ 100,00 à vista.</p><p>4. Compra de automóvel para entrega por R$ 200,00 a prazo.</p><p>5. Compra de prédio por R$ 10.000,00 para abrigar a sede da empresa, sendo R$ 500,00 à vista e o</p><p>restante a crédito.</p><p>Observemos essas operações passo a passo:</p><p>1. Vários empresários fundam uma Sociedade Anônima denominada Alef, subscrevendo um capital</p><p>social de R$ 1.000,00.</p><p>A subscrição de capital representa a promessa do investimento feito pelos sócios e será representada</p><p>pela conta capital a integralizar. Isso é um direito da empresa perante os sócios, e devido a isso a</p><p>conta é colocada no ativo.</p><p>37</p><p>AD</p><p>M</p><p>-C</p><p>CT</p><p>B</p><p>—</p><p>R</p><p>ev</p><p>isã</p><p>o:</p><p>A</p><p>nd</p><p>re</p><p>ia</p><p>-</p><p>D</p><p>ia</p><p>gr</p><p>am</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: F</p><p>ab</p><p>io</p><p>-</p><p>1</p><p>0/</p><p>07</p><p>/2</p><p>01</p><p>4</p><p>CONTABILIDADE</p><p>O investimento dos proprietários é representado pela conta capital social, a ser representada no</p><p>patrimônio</p>e a natureza das Sociedades por Ações, estabelece a classificação das contas segundo os elementos do patrimônio, agrupando-as de modo que facilite a evidenciação e a análise financeira das companhias. Assim, se uma empresa adquirir o controle acionário de outra, esse evento será registrado no ativo: A) Permanente imobilizado. B) Circulante. C) Permanente diferido. D) Realizável de longo prazo. E) Permanente investimento. Resolução desta questão na plataforma.