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<p>ASSISTÊNCIA DE</p><p>ENFERMAGEM NA</p><p>SAÚDE OCUPACIONAL</p><p>GRUPO</p><p>MULTIVIX</p><p>A Faculdade Multivix está presente de norte</p><p>a sul do Estado do Espírito Santo, com</p><p>unidades em Cachoeiro de Itapemirim,</p><p>Cariacica, Castelo, Nova Venécia, São</p><p>Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória. Desde</p><p>1999 atua no mercado capixaba, destacan-</p><p>do-se pela oferta de cursos de graduação,</p><p>técnico, pós-graduação e extensão, com</p><p>qualidade nas quatro áreas do conheci-</p><p>mento: Agrárias, Exatas, Humanas e Saúde,</p><p>sempre primando pela qualidade de seu</p><p>ensino e pela formação de profissionais</p><p>com consciência cidadã para o mercado</p><p>de trabalho. Atualmente, a Multivix está</p><p>entre o seleto grupo de Instituições de</p><p>Ensino Superior que possuem conceito de</p><p>excelência junto ao Ministério da Educação</p><p>(MEC). Das 2109 instituições avaliadas no</p><p>Brasil, apenas 15% conquis - taram notas</p><p>4 e 5, que são consideradas conceitos de</p><p>excelência em ensino. Estes resultados</p><p>acadêmicos colocam todas as unidades da</p><p>Multivix entre as melhores do Estado do</p><p>Espírito Santo e entre as 50 melhores do</p><p>país.</p><p>MISSÃO</p><p>Formar profissionais com consciência</p><p>cidadã para o mercado de trabalho, com</p><p>elevado padrão de qualidade, sempre</p><p>mantendo a credibilidade, segurança e</p><p>modernidade, visando à satisfação dos</p><p>clientes e colaboradores.</p><p>VISÃO</p><p>Ser uma Instituição de Ensino Superior</p><p>reconhecida nacionalmente como refe-</p><p>rência em qualidade educacional.</p><p>2</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>DA DIREÇÃO</p><p>EXECUTIVA</p><p>Aluno (a) Multivix,</p><p>Estamos muito felizes por você agora fazer parte</p><p>do maior grupo educacional de Ensino Superior</p><p>do Espírito Santo e principalmente por ter esco-</p><p>lhido a Multivix para fazer parte da sua trajetória</p><p>profissional.</p><p>A Faculdade Multivix possui unidades em Cacho-</p><p>eiro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Nova</p><p>Venécia, São Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória.</p><p>Desde 1999, no mercado capixaba, destaca-se</p><p>pela oferta de cursos de graduação, pós-gradu-</p><p>ação e extensão de qualidade nas quatro áreas</p><p>do conhecimento: Agrárias, Exatas, Humanas e</p><p>Saúde, tanto na modalidade presencial quanto</p><p>a distância.</p><p>Além da qualidade de ensino já comprovada</p><p>pelo MEC, que coloca todas as unidades do</p><p>Grupo Multivix como parte do seleto grupo das</p><p>Instituições de Ensino Superior de excelência no</p><p>Brasil, contando com sete unidades do Grupo</p><p>entre as 100 melhores do País, a Multivix preo-</p><p>cupa-se bastante com o contexto da realidade</p><p>local e com o desenvolvimento do país. E para</p><p>isso, procura fazer a sua parte, investindo em</p><p>projetos sociais, ambientais e na promoção de</p><p>oportunidades para os que sonham em fazer</p><p>uma faculdade de qualidade mas que precisam</p><p>superar alguns obstáculos.</p><p>Buscamos a cada dia cumprir nossa missão que</p><p>é: “Formar profissionais com consciência cidadã</p><p>para o mercado de trabalho, com elevado padrão</p><p>de qualidade, sempre mantendo a credibilidade,</p><p>segurança e modernidade, visando à satisfação</p><p>dos clientes e colaboradores.”</p><p>Entendemos que a educação de qualidade</p><p>sempre foi a melhor resposta para um país</p><p>crescer. Para a Multivix, educar é mais que</p><p>ensinar. É transformar o mundo à sua volta.</p><p>Seja bem-vindo!</p><p>-</p><p>R E I T O R</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>DA DIREÇÃO</p><p>EXECUTIVA</p><p>Aluno(a) Multivix,</p><p>Estamos muito felizes por você agora fazer parte do</p><p>maior grupo educacional de Ensino Superior do Espírito</p><p>Santo e principalmente por você ter escolhido a Multi-</p><p>vix para fazer parte da sua trajetória profissional.</p><p>A Faculdade Multivix possui unidades em Cachoeiro</p><p>de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Nova Venécia, São</p><p>Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória. Desde 1999, no</p><p>mercado capixaba, destaca-se pela oferta de cursos</p><p>de graduação, pós-graduação e extensão de quali-</p><p>dade nas quatro áreas do conhecimento:</p><p>Agrárias, Exatas, Humanas e Saúde, tanto na</p><p>modalidade presencial quanto a distância.</p><p>Além da qualidade de ensino já comprovada</p><p>pelo MEC, que coloca todas as unidades do</p><p>Grupo Multivix como parte do seleto grupo das</p><p>Instituições de Ensino Superior de excelência no</p><p>Brasil, contando com sete unidades do Grupo</p><p>entre as 100 melhores do País, a Multivix</p><p>preocupa-se bastante com o contexto da</p><p>realidade local e com o desenvolvimento do</p><p>país. E para isso, procura fazer a sua parte,</p><p>investindo em projetos sociais, ambientais e na</p><p>promoção de oportunidades para os que</p><p>sonham em fazer uma faculdade de qualidade</p><p>mas que precisam superar alguns obstáculos.</p><p>Buscamos a cada dia cumprir com nossa missão que</p><p>é: “Formar profissionais com consciência cidadã para</p><p>o mercado de trabalho, com elevado padrão de quali-</p><p>dade, sempre mantendo a credibilidade, segurança e</p><p>modernidade, visando à satisfação dos clientes e</p><p>colaboradores.”</p><p>Entendemos que a educação de qualidade sempre foi</p><p>a melhor resposta para um país crescer. Para a Multi-</p><p>vix, educar é mais que ensinar. É transformar o</p><p>mundo à sua volta.</p><p>Seja bem-vindo!</p><p>Prof. Tadeu Antônio de Oliveira Penina</p><p>Diretor Executivo do Grupo Multivix</p><p>Prof. Tadeu Antônio de Oliveira Penina</p><p>Diretor Executivo do Grupo Multivix</p><p>3</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>4</p><p>BIBLIOTECA MULTIVIX (Dados de publicação na fonte)</p><p>Fabiana Borges dos Santos, Assistência de Enfermagem na Saúde</p><p>Ocupacional / Borges dos Santos, Fabiana - Multivix, 2024.</p><p>Catalogação: Biblioteca Central Multivix 2024 • Proibida a reprodução total ou parcial. Os infratores serão</p><p>processados na forma da lei.</p><p>5</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Lista de Quadros</p><p>UNIDADE 1</p><p>Quadro 1: Órgãos governamentais brasileiros 29</p><p>UNIDADE 3</p><p>Quadro 1: Tipos de riscos físicos 74</p><p>UNIDADE 4</p><p>Quadro 1: Doenças por exposição a altas temperaturas 87</p><p>Quadro 2: Doenças por exposição a pressões anormais 91</p><p>Quadro 3: Dermatoses ocupacionais 95</p><p>Quadro 4: Classificação de riscos 98</p><p>UNIDADE 5</p><p>Quadro 1: Cores e funções na segurança do trabalho 118</p><p>Quadro 2: Vacinação recomendada 121</p><p>UNIDADE 6</p><p>Quadro 1: Roteiro para consulta de enfermagem ocupacional 137</p><p>Quadro 2: Testes relacionados ao trabalho 141</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>6</p><p>Lista de Figuras</p><p>UNIDADE 1</p><p>Figura 1: Trabalho escravo 18</p><p>Figura 2: Leis de Trabalho 21</p><p>Figura 3: Cooperação internacional 28</p><p>Figura 4: Estresse no local de trabalho 30</p><p>Figura 5: Saude ocupacional 35</p><p>UNIDADE 2</p><p>Figura 1: Médico do trabalho 42</p><p>Figura 2: Engenheiro de segurança do trabalhot 44</p><p>Figura 3: Técnico de segurança do trabalho 47</p><p>Figura 3: Enfermeiro do trabalho 49</p><p>Figura 4: Técnico de enfermagem do trabalho 50</p><p>Figura 5: Saúde mental no trabalho 53</p><p>Figura 6: Relações interpessoais no trabalho 54</p><p>Figura 7: Ergonomia no trabalhot 58</p><p>UNIDADE 3</p><p>Figura 1: OSHAS 18001 65</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>7</p><p>Figura 2: Perigos no ambiente de trabalho 68</p><p>Figura 3: Radiação não ionizante 74</p><p>Figura 4: Produtos químicos 75</p><p>Figura 5: Laboratório de análises clínicas 77</p><p>Figura 6: Ergonomia 78</p><p>Figura 7: Equipamento de Proteção Coletiva 79</p><p>Figura 8: Equipamento de Proteção Individual 80</p><p>UNIDADE 4</p><p>Figura 1: Umidade no ambiente de trabalho 89</p><p>Figura 2: Trabalhador da construção civil 93</p><p>Figura 3: Trabalhadores manuseando substâncias químicas 96</p><p>Figura 4: Lesão por exforço repetitivo 100</p><p>UNIDADE 5</p><p>Figura 1: Trabalhadores felizes 107</p><p>Figura 2: Higiene ocupacional 107</p><p>Figura 3: Normas regulamentadoras 111</p><p>Figura 4: Ações prevencionistas 117</p><p>Figura 5: CIPA 119</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>8</p><p>UNIDADE 6</p><p>Figura 1: Enfermagem e ensino em saúde 130</p><p>Figura 2: Enfermeiro 135</p><p>Figura 3: Consulta ocupacional 139</p><p>Figura 4: Consulta ocupacional 142</p><p>9</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Sumário</p><p>APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA 14</p><p>UNIDADE 1</p><p>1 FUNDAMENTAÇÃO BÁSICA DA SAÚDE DO TRABALHADOR 17</p><p>1.1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA SAÚDE DO TRABALHADOR 17</p><p>1.1.1 SITUAÇÃO DE SAÚDE DOS TRABALHADORES NO BRASIL 19</p><p>1.1.2 BASES LEGAIS E ÉTICAS PARA AS AÇÕES DE SAÚDE DO TRABALHADOR 24</p><p>1.1.3 ORGANISMOS INTERNACIONAIS E NACIONAIS VOLTADOS À SAÚDE DO</p><p>TRABALHADOR 27</p><p>1.2 RELAÇÃO HOMEM X TRABALHO X DOENÇA</p><p>projetos e programas de controle de riscos no trabalho.</p><p>56</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Um dos programas estabelecidos é o Sistema de Gestão Integrada em Segu-</p><p>rança e Saúde do Trabalhador. Essa proposta é orientada pelas normas da</p><p>OSHAS 18001 (Occupational Health and Safety Assessment Series).</p><p>OSHAS é uma especificação que tem como objetivo fornecer às</p><p>organizações os elementos de um sistema de gestão. Ela estabe-</p><p>lece que as empresas devam manter procedimentos para monitorar</p><p>e medir periodicamente o desempenho do sistema de gestão de</p><p>segurança e saúde no trabalho. Esses procedimentos devem asse-</p><p>gurar medidas proativas de desempenho para monitorar a confor-</p><p>midade dos requisitos do programa de gestão com a legislação.</p><p>(Moraes, 2014, p. 24)</p><p>Esse sistema preconiza um sistema global de gerenciamento de risco ocupa-</p><p>cional, em que a empresa deve manter uma organização planejada e dura-</p><p>doura de prevenção e neutralização dos riscos. Os riscos precisam ser iden-</p><p>tificados e controlados, por meio da implantação de medidas contínuas de</p><p>controle de riscos.</p><p>O Sistema Integrado de Gestão (SGI) permite integrar os processos</p><p>de qualidade com os de saúde e segurança, gestão ambiental e</p><p>responsabilidade social. O SGI é focalizado na satisfação de um</p><p>conjunto de interessados pois procura, simultaneamente: a satis-</p><p>fação dos clientes, a proteção do meio ambiente, a segurança e</p><p>saúde das pessoas em seus postos de trabalho e o controle dos</p><p>impactos sociais das organizações. (Mattos; Másculo, 2019, p. 76)</p><p>Para que esse proposito seja efetivado pelas empresas, são oferecidos certifi-</p><p>cados que avaliam e validam as ações realizadas pelas empresas em relação</p><p>a prevenção e controle de riscos ocupacionais.</p><p>57</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Curiosidade</p><p>Avaliação de conformidade- Inmetro</p><p>É recurso sistematizado e orientado para proporcionar</p><p>segurança de que um produto, serviço, ou um profis-</p><p>sional concerne com os critérios estabelecidos nas normas</p><p>e regulamentos técnicos do Inmetro. Tem o objetivo de</p><p>informar e proteger o consumidor, em particular quanto a</p><p>saúde, segurança e meio ambiente.</p><p>INSTITUTO NACIONAL DE METROLOGIA, NORMALIZAÇÃO</p><p>E QUALIDADE INDUSTRIAL (Inmetro). Avaliação de confor-</p><p>midade. Inmetro, [2012]. Disponível em: http://www.</p><p>inmetro.gov.br/qualidade/def inicaoAvalConformidade.</p><p>asp. Acesso em: 19 abr. 2024.</p><p>Saiba Mais</p><p>Para conhecer mais sobre as principais certificações em</p><p>segurança no trabalho, oferecidas no Brasil, leia o texto</p><p>apresentado no link a seguir.</p><p>CONHEÇA as 3 principais certificações em segurança do</p><p>trabalho. Asalit, 31 jul. 2018. Disponível em: https://asalit.</p><p>com.br/artigos/conheca-as-4-principais-certificacoes-em-</p><p>-seguranca-do-trabalho/. Acesso em: 19 abr. 2019.</p><p>2.2.1 PRINCÍPIOS DA ERGONOMIA E INFLUÊNCIAS NA SAÚDE</p><p>DO TRABALHADOR</p><p>A ergonomia é uma palavra de origem grega que significa ergon = trabalho</p><p>+ nomos = normas, regras, leis, ou seja, é o entendimento das relações dos</p><p>indivíduos e sua adaptação aos métodos de trabalho. Em outras palavras “é o</p><p>58</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Figura 7: Ergonomia no trabalhot</p><p>Fonte: CrizzyStudio, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Fotografia de uma mulher realizando alongamento no trabalho, ela</p><p>está vestida com uma camisa branca, e na sua frente tem uma mesa com um notebook e</p><p>caderno.</p><p>estudo da adaptação do trabalho as características dos indivíduos, de modo</p><p>a lhes proporcionar um máximo de conforto, segurança e bom desempenho</p><p>de suas atividades no trabalho” (Moraes, 2014, p. 194).</p><p>O estudo ergonômico inicia-se com a análise das características do</p><p>trabalhador para depois projetar o trabalho que ele vai conseguir</p><p>executar, ajustando as capacidades e limitações do trabalhador,</p><p>portanto a adaptação sempre ocorre do trabalho para o homem</p><p>com o objetivo principal de preservar a saúde, a segurança, a satis-</p><p>fação e a eficiência do trabalhador. (Moraes, 2014 p. 193)</p><p>No sentido prático, a ergonomia tem a intenção de proporcionar um</p><p>ambiente seguro e confortável para o trabalhador desenvolver seu trabalho,</p><p>cotidianamente. No Brasil, os princípios da ergonomia são orientados pela</p><p>Norma Regulamentadora NR17, definida pela Portaria n. 3.751, de 23 de</p><p>novembro de 1990, segundo a qual deve-se estudar</p><p>59</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Postura e movimentos corporais: trabalho sentado, trabalho em</p><p>pé́, movimentação de cargas, levantamento de peso; informações</p><p>captadas pela visão e audição; controle (relação de mostradores e</p><p>controles); cargos e tarefas. (Moraes, 2014 p. 194)</p><p>Posturas e movimentos incorretos, falta de pausa na atividade laboral, excesso</p><p>de peso e permanência estática ocasionam lesões osteomusculares de dife-</p><p>rentes níveis. Sendo assim, é indispensável o desenvolvimento de medidas</p><p>educativas e preventivas para reduzir essas lesões. Portanto, a proposta</p><p>de ergonomia e as orientações da NR 17 são a promoção de educação e</p><p>prevenção de lesões causadas por essas atividades.</p><p>2.2.2 ORIENTAÇÕES DA VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA -</p><p>DOENÇAS PROFISSIONAIS E DOENÇAS RELACIONADAS AO</p><p>TRABALHO E OUTRAS</p><p>A atenção integrada à saúde do trabalhador preconiza a vigilância epidemio-</p><p>lógica das ocorrências de acidentes e doenças ocasionadas pelo trabalho.</p><p>Portanto, é indispensável a notificação compulsória dessas doenças, bem</p><p>como a compilação de informações de qualidade sobre as ocorrências.</p><p>Nesse aspecto, as estratégias de vigilância à saúde do trabalhador, também</p><p>definidas na Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora,</p><p>devem investigar a ocorrência de acidentes e comorbidades relacionados ao</p><p>ambiente de trabalho. Para tanto, foi instituída a Vigilância de Ambientes e</p><p>Processos de Trabalho (VAPT) (Brasil, 2022).</p><p>A VAPT é a essência da ação de vigilância em saúde do trabalhador e</p><p>é desenvolvida por análises de documentos, entrevistas com traba-</p><p>lhadores e observação direta nos ambientes e processo de trabalho.</p><p>Corresponde ao modo de olhar do sanitarista para o trabalho na</p><p>tentativa de destacar seus impactos na saúde e ao meio ambiente.</p><p>É a observação da forma de trabalhar, da relação trabalhador com</p><p>os meios de produção e da relação dos meios de produção com o</p><p>ambiente. É a ação geradora de uma intervenção de redução dos</p><p>60</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>riscos à saúde dos trabalhadores relacionados a um ambiente, a</p><p>uma atividade ou a um processo de trabalho. (Brasil, 2022, p. 196)</p><p>Portanto, as ações de vigilância epidemiológica para as doenças ocupacio-</p><p>nais, correspondem a ações de vigilância sanitária em paralelo com as ações</p><p>de medicina ocupacional, em articulação com o Sistema Único de Saúde,</p><p>com a finalidade de orientar e implementar medidas individuais e coletivas,</p><p>de promoção, prevenção e avaliação dos determinantes da saúde dos traba-</p><p>lhadores (Brasil, 2022).</p><p>61</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>CONCLUSÃO</p><p>A atenção à saúde do trabalhador refere-se a ações desenvolvidas pelo</p><p>governo, empregadores e empregados pautadas na política nacional de</p><p>atenção ao trabalhador, sendo consolidada por vários ministérios em arti-</p><p>culação com o SUS. Os cuidados com a saúde ocupacional descendem de</p><p>inúmeros movimentos com o intuito de estabelecer a saúde do trabalhador,</p><p>com vistas a reduzir as ameaças à saúde presentes no ambiente laboral.</p><p>Em consolidação às leis trabalhistas, foi criado o Serviço Especializado em</p><p>Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT), no qual</p><p>profissionais da saúde e engenharia trabalham juntos em prol de articular a</p><p>saúde do trabalhador, no chão das empresas. Essa estratégia tem por obje-</p><p>tivo identificar os riscos presentes no ambiente de trabalho e reduzi-los.</p><p>Fazem parte do SESMT o médico do trabalho, o engenheiro de segurança</p><p>do trabalho, o técnico de segurança do trabalho, o enfermeiro do trabalho e</p><p>o auxiliar/técnico em enfermagem do trabalho.</p><p>Nesta unidade, também identificamos como os profissionais</p><p>podem ser</p><p>acometidos por problemas psíquicos devido aos processos de trabalhos,</p><p>sendo essa uma das doenças ocupacionais que mais têm aumentado no</p><p>país. Os transtornos psíquicos nem sempre são reconhecidos rapidamente</p><p>e tampouco associados ao trabalho, sendo indispensável um olhar mais</p><p>aguçado para essa patologia, no sentindo de preveni-la e evitar afastamentos</p><p>laborais.</p><p>Também vimos nesta unidade que a ergonomia é o estudo das relações do</p><p>indivíduo com os métodos de trabalho, sendo outro fator que, quando não</p><p>valorizado no ambiente laboral, pode ocasionar lesões osteomusculares de</p><p>vários níveis, com consequente adoecimento do empregado.</p><p>Por fim, verificamos a importância das estratégias de vigilância epidemioló-</p><p>gica para o enfrentamento dos acidentes de trabalho e de doenças ocupa-</p><p>cionais. Entendemos que essas estratégias de vigilância laboral, favorecem o</p><p>incremento e a pesquisa dos determinantes do processo de saúde e doença</p><p>no trabalho, além de estabelecer mecanismos para eliminá-los ou reduzi-los.</p><p>62</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR</p><p>Para saber mais sobre este tema, leia os artigos a seguir.</p><p>1. GOMES, P. C. Relacionamento interpessoal no trabalho e comunicação</p><p>não-violenta. 2019. 20 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização</p><p>em Gestão das Instituições Federais de Ensino Superior) – Faculdade de</p><p>Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2019.</p><p>Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/38351/1/TCC%20</p><p>Patr%C3%ADcia%20da%20Costa%20Gomes%20Repositorio.pdf. Acesso</p><p>em: 19 abr. 2024.</p><p>2. INSTITUTO NACIONAL DE METROLOGIA, NORMALIZAÇÃO E QUALIDADE</p><p>INDUSTRIAL (Inmetro). Avaliação de conformidade. Inmetro, [2012].</p><p>Disponível em: http://www.inmetro.gov.br/qualidade/definicaoAvalCon-</p><p>formidade.asp. Acesso em: 19 abr. 2024.</p><p>3. FERMAM, R. K. S.; SILVA, D. L.; QUEIROZ, A. B. M. M. Desenvolvimento do</p><p>programa de acreditação de organismos de certificação de sistemas de</p><p>gestão de saúde e segurança ocupacional segundo a ISO 45001. Susti-</p><p>nere – Revista de Saúde e Educação, [s. l.], v. 7, n. 2, p. 251-265, jul./dez.</p><p>2019. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/susti-</p><p>nere/article/view/40741. Acesso em: 19 abr. 2024.</p><p>4. DINIZ, E. P. H.; LIMA, F. P. A.; SIMÕES, R. R. A contribuição da ergonomia</p><p>para a segurança no trabalho. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional,</p><p>[s. l.], v. 19, n. edcinq15, 2024. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbso/a/</p><p>cFbC6VkbhgmS5qwThkXX5Zm/?lang=pt. Acesso em: 19 abr. 2024.</p><p>5. GUIMARÃES, B. et al. Riscos ergonômicos e sintomas musculoesqueléticos</p><p>em técnicos administrativos do Instituto Federal Catarinense durante o</p><p>teletrabalho na pandemia da COVID-19. Fisioterapia e Pesquisa, São</p><p>Paulo, v. 29, n. 3, p. 278-283, 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/</p><p>fp/a/FkzfdGq4vBRGFWDxJMsDVsm/?lang=pt. Acesso em: 19 abr. 2024.</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>63</p><p>OBJETIVOS</p><p>Ao final desta unidade, esperamos que possa:</p><p>Conhecer a organização da saúde do</p><p>trabalhador por meio do Sistema de</p><p>Gestão Integrada (SGI) em Segurança e</p><p>Saúde do Trabalhador e seus desdobra-</p><p>mentos nas empresas.</p><p>Compreender como se dá o controle de</p><p>risco ocupacional e as ações desenvol-</p><p>vidas para que as empresas atinjam esse</p><p>objetivo.</p><p>UNIDADE 3</p><p>64</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>3 ORGANIZAÇÃO DO SERVIÇO DE SAÚDE</p><p>DO TRABALHADOR</p><p>Nesta unidade nos aprofundaremos nas ações de vigilância à saúde ocupa-</p><p>cional, na perspectiva de promoção e prevenção à saúde no trabalho, bem</p><p>como na recuperação e reabilitação dos acometidos por agravos de saúde</p><p>no trabalho.</p><p>Temos uma legislação ampla e vigente que determina uma assistência</p><p>preventiva em relação aos riscos ocupacionais nas empresas e locais de</p><p>trabalho. Diante disso, entendemos que os empregadores devem esta-</p><p>belecer um gerenciamento dentro de suas empresas, para administrar a</p><p>questão da saúde ocupacional tendo em vista o que está preconizado pela</p><p>Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).</p><p>Para tanto as empresas e empregadores laçam mão, em sua grande maioria,</p><p>do Sistema de Gestão Integrada (SGI) em Segurança e Saúde do Trabalhador.</p><p>3.1 SISTEMA DE GESTÃO INTEGRADA (SGI) EM</p><p>SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHADOR</p><p>A gestão integrada em saúde do trabalho visa unificar sistemas de gestão</p><p>empresarial presentes em uma organização, para alcançar determinados</p><p>objetivos, entre eles a diminuição do risco ocupacional, proporcionando</p><p>segurança no trabalho.</p><p>O Sistema de Gestão Integrada em Segurança e Saúde do Trabalhador</p><p>consiste em orientações de um sistema de gestão padronizadas pela Occu-</p><p>pational Health and Safety Assessment Series (OSHAS 18001). Nesse sistema,</p><p>as empresas devem avaliar e monitorar seu desempenho em relação a</p><p>medidas de promoção à segurança e à saúde no trabalho, verificando se</p><p>estas estão sendo eficazes e se estão em conformidade com a legislação</p><p>vigente (Moraes, 2014).</p><p>65</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Saiba Mais</p><p>Para obter mais informações sobre a OSHAS 18001 (Occu-</p><p>pational Health and Safety Assessment Series) leia o artigo</p><p>“O que é a OHSAS 18001? Encontre aqui tudo o que você</p><p>precisa saber”.</p><p>WERNECK, T. O que é a OHSAS 18001? Encontre aqui</p><p>tudo o que você precisa saber. Ius Natura, [s. l.], 31 out.</p><p>2019. Disponível em: https://iusnatura.com.br/tudo-sobre-</p><p>-ohsas-18001/. Acesso em: 30 abr. 2024.</p><p>A OHSAS 18001 preconiza que as empresas tenham controle efetivo de suas</p><p>ações para a diminuição dos riscos ocupacionais que devem ser adotadas</p><p>respectivamente nessa ordem: “eliminação, substituição, controle de enge-</p><p>nharia, sinalização/ alertas e/ou controles administrativos e equipamentos</p><p>de proteção individual (EPI)” (Moraes, 2014, p. 24).</p><p>Figura 1: OSHAS 18001</p><p>Fonte: Waldemarus, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Quebra-cabeça de peças brancas já montado, com um espaço aberto</p><p>para a peça final, vermelha, na qual está escrito OSHAS 18001.</p><p>66</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Transcrito por Chirmici e Oliveira (2016, p. 150, grifos nossos), listamos a</p><p>seguir os conceitos das ações preconizadas pela OHSAS 18001:</p><p>Eliminação: modificar um projeto para eliminar o perigo, por</p><p>exemplo, introduzindo dispositivos mecânicos de guindar para</p><p>eliminar o perigo de levantamento manual;</p><p>Substituição: substituir por um material menos perigoso ou reduzir</p><p>a energia do sistema, por exemplo, reduzir a força, amperagem,</p><p>pressão, temperatura etc.;</p><p>Controles de engenharia: instalar sistemas de ventilação, proteção</p><p>de máquinas, intertravamentos, isolamento acústico etc.;</p><p>Sinalização, avisos e controles administrativos: avisos de segu-</p><p>rança, identificação de áreas perigosas, sinalização fotolumines-</p><p>cente, identificação de passarelas de pedestres, sirenes, iluminação</p><p>de advertência, alarmes, procedimentos de segurança, inspeções de</p><p>equipamentos, controles de acesso, sistemas seguros de trabalho,</p><p>etiquetagem e permissões de trabalho etc.;</p><p>Equipamento de Proteção Individual (EPI): óculos de segurança,</p><p>protetores auriculares, protetores faciais, cintos e mosquetões de</p><p>segurança, respiradores e luvas.</p><p>Conforme Moraes (2016) ressalta, para que o Sistema de Gestão Integrada</p><p>em Segurança e Saúde do Trabalhador seja eficiente, é necessária também</p><p>a integração com outros sistemas de administração, como: Gestão da Quali-</p><p>dade ISO 9001 e Gestão Ambiental ISO 14001.</p><p>Curiosidade</p><p>ISO 9001 e ISO 14001, o que são? Ambas são normas de</p><p>sistemas de gestão. A ISO 9001 relaciona-se ao sistema de</p><p>gestão de qualidade, já a ISO 14001 relaciona-se ao sistema</p><p>de gestão ambiental. Essas normas são importantes para</p><p>o controle de qualidade e conformidade ambiental das</p><p>empresas.</p><p>67</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>O Sistema de Gestão Integrada em Segurança e Saúde do Trabalhador faz</p><p>parte da organização da saúde ocupacional das empresas e indústrias, de</p><p>modo a promover e orientar medidas eficazes para o desenvolvimento de</p><p>ações</p><p>padronizadas à saúde no trabalho, minimizando os riscos e aumen-</p><p>tando a segurança no ambiente laboral.</p><p>3.1.1 GESTÃO DOS RISCOS E PERIGOS NO AMBIENTE DE</p><p>TRABALHO</p><p>Em todos os espaços e ambientes em que vivemos hoje, estamos expostos</p><p>a perigos – tanto de origem humana, como assaltos, assassinatos, negligên-</p><p>cias, violências – como de origem natural, decorrentes dos desastres naturais,</p><p>como terremotos, enxurradas etc. Portanto, a todo instante corremos riscos.</p><p>Dessa forma, quando falamos de trabalho, esses riscos e perigos estão</p><p>presentes durante toda a atividade laboral. Diante de tudo que já foi consoli-</p><p>dado de direitos trabalhistas, esses riscos e perigos devem ser identificados e</p><p>reduzidos ou eliminados. Para tanto, as empresas e indústrias devem desen-</p><p>volver progressivamente estratégias para atingir esse objetivo (Moraes, 2014).</p><p>Para compreendemos melhor esse assunto, vamos diferenciar risco e perigo</p><p>no contexto de saúde ocupacional.</p><p>Perigo refere-se a situações em que constantemente estamos expostos,</p><p>seria um dano não desejado, que pode prejudicar o indivíduo. Exemplos:</p><p>acidentes de carro, afogamentos, entre outros. Risco refere-se à probabili-</p><p>dade de esse dano acontecer e causar prejuízos à saúde do indivíduo. No</p><p>caso do trabalho, é o quanto a atividade laboral pode expor o trabalhador a</p><p>acidentes. Exemplo: um trabalhador da construção civil corre o risco de cair</p><p>de um andaime (Moraes, 2014).</p><p>68</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Figura 2: Perigos no ambiente de trabalho</p><p>Fonte: MRICON, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Dezoito ilustrações em preto e branco, dispostas em três fileiras de seis,</p><p>representando situações que podem ocasionar acidentes no trabalho, lesões e acidentes</p><p>em andamento, como queda após escorregar, dor na coluna ao levantar uma caixa, queda</p><p>de uma cadeira, dor no joelho ao carregar peso entre outras.</p><p>Diante disso, as empresas precisam promover ações para neutralizar, dimi-</p><p>nuir e eliminar esses riscos e perigos no ambiente de trabalho, de acordo</p><p>com as legislações que garantem segurança e saúde ao trabalhador. Nesse</p><p>ínterim, as organizações e empresas contam com o auxílio de programas de</p><p>controle e prevenção de acidentes e de doenças profissionais do trabalho, os</p><p>quais detalharemos a seguir.</p><p>Atenção</p><p>Nesse momento, é interessante lembramos o conceito de</p><p>acidente de trabalho, que “[…] é todo acontecimento que</p><p>cause a morte ou a perda da capacidade de trabalho do</p><p>profissional, ainda que de maneira temporária, sempre que</p><p>o mesmo estiver de alguma forma a serviço da empresa”</p><p>(Chirmici; Oliveira, 2016, p. 128).</p><p>69</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>3.1.2 PROGRAMAS DE CONTROLE E PREVENÇÃO DE ACIDENTES</p><p>E DE DOENÇAS PROFISSIONAIS, DO TRABALHO E OUTRAS</p><p>Alguns programas de controle e prevenção de acidentes e de doenças</p><p>profissionais são exigências do Ministério do Trabalho e Emprego e da</p><p>Consolidação das Leis do Trabalho, como é o caso do Programa de Controle</p><p>Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), que estudamos anteriormente. No</p><p>entanto, além desse, contamos com outros programas, a saber: Programa</p><p>de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e Programa de Condições e Meio</p><p>Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção (PCMAT) (Mattos; Másculo,</p><p>2019).</p><p>• Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA)</p><p>É um programa orientado pelo Ministério do Trabalho e Emprego que deve</p><p>ser instituído em todas as organizações e empresas que tenham trabalha-</p><p>dores regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O objetivo é</p><p>preservar a saúde e a integridade física e mental dos trabalhadores, por meio</p><p>da “[…] antecipação, reconhecimento, avaliação e consequente controle</p><p>da ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venham a existir no</p><p>ambiente de trabalho, tendo em consideração a proteção ao meio ambiente</p><p>e dos recursos naturais” (Mattos; Másculo, 2019, p. 119).</p><p>A concretização do programa está condicionada a uma estrutura mínima</p><p>para o seu desenvolvimento efetivo, a saber:</p><p>Planejamento anual com estabelecimento de metas, prioridade e</p><p>cronograma; estratégia e metodologia de ação; forma de registro,</p><p>manutenção e divulgação de dados; periodicidade e forma de</p><p>avaliação do desenvolvimento do PPRA. (Mattos; Másculo, 2019, p.</p><p>119)</p><p>As atividades desenvolvidas na PPRA são de responsabilidade do empre-</p><p>gador, com participação ativa dos funcionários, em articulação com as</p><p>Normas Regulamentadoras (NRs), e com o Programa de Controle Médico</p><p>de Saúde Ocupacional (PCMSO), em que ações de prevenção de riscos</p><p>ocupacionais referentes ao meio ambiente devem mitigar e eliminar os</p><p>riscos e perigos presentes (Mattos; Másculo, 2019).</p><p>70</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>• Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da</p><p>Construção (PCMAT)</p><p>Esse programa deve ser instituído em todos os canteiros de obras com mais</p><p>de 20 trabalhadores, com o objetivo de promover ações de prevenção de</p><p>acidentes de trabalho e promoção da saúde do trabalhador, garantindo a</p><p>segurança dos profissionais (Mattos; Másculo, 2019).</p><p>A implementação do PCMAT deve seguir as orientações das Normas Regu-</p><p>lamentadoras (NRs), principalmente a NR-18, e estar articulada com outros</p><p>programas como PCMSO e PPRA (Mattos; Másculo, 2019).</p><p>• No desenvolvimento do programa, devem constar as seguintes provi-</p><p>dências:</p><p>Relatório sobre as condições e meio ambiente de trabalho, considerando</p><p>os riscos presentes e as medidas preventivas desenvolvidas. Projeto para</p><p>realização das medidas de proteção coletiva relacionadas integralmente às</p><p>etapas de execução da obra. Orientações sobre a utilização das proteções</p><p>coletivas e individuais. Programas educativos para prevenção de acidentes</p><p>com cronograma pré-estabelecido, entre outras (Mattos; Másculo, 2019).</p><p>Além dos programas citados, existem outros referentes à promoção da segu-</p><p>rança e saúde no trabalho. Citamos alguns a seguir:</p><p>• Programa de Conservação Auditiva (PCA)</p><p>Visa prevenir as perdas auditivas decorrentes da atividade laboral. Deve ser</p><p>elaborado sempre que o nível de ruído no local de trabalho for acima de</p><p>80Db. É desenvolvido em etapas: na primeira, os riscos devem ser identifi-</p><p>cados e avaliados; na segunda, deve haver um gerenciamento audiobiomé-</p><p>trico, sendo avaliadas as condições auditivas dos trabalhadores; na terceira</p><p>e quarta etapas, realizam-se medidas preventivas coletivas e individuais;</p><p>na quinta etapa deve-se realizar atividades educativas sobre os riscos; e, na</p><p>sexta e sétima deve ocorrer o gerenciamento, o planejamento e a avaliação</p><p>das ações de acordo com os dados obtidos anteriormente (Moraes, 2014).</p><p>• Programa de Proteção Respiratória (PPR)</p><p>Esse programa tem o objetivo de proteger as vias respiratórias dos profissio-</p><p>nais que se submetem a esse risco. Nele são avaliados os riscos e os melhores</p><p>71</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>equipamentos de proteção de acordo com a característica do risco, prote-</p><p>gendo o trabalhador contra a aspiração de produtos químicos, vírus ou</p><p>bactérias (Moraes, 2014).</p><p>Saiba Mais</p><p>Para obter mais informações sobre os programas de</p><p>controle e prevenção de acidentes, leia o artigo “Lista de</p><p>programas de prevenção da segurança do trabalho”.</p><p>LISTA de programas de prevenção da segurança do</p><p>trabalho. Prometal, [s. l.], 7 nov. 2022. Disponível em: https://</p><p>prometalepis.com.br/blog/lista-de-programas-de-preven-</p><p>cao-da-seguranca-do-trabalho/. Acesso em: 30 abr. 2024.</p><p>3.2 CONTROLE DE RISCOS - TÉCNICAS DE ANÁLISE DE</p><p>RISCO</p><p>O controle dos riscos é de fundamental importância na promoção à saúde</p><p>do trabalhador, pois sabemos que riscos não neutralizados ocasionam os</p><p>acidentes de trabalho e, consequentemente, o afastamento do empregado</p><p>do serviço (Mattos; Másculo, 2019).</p><p>Existem diversas técnicas de análise de riscos, que buscam um único</p><p>objetivo: determinar prováveis riscos que poderão estar presentes na</p><p>fase operacional do componente, equipamento ou sistema ou iden-</p><p>tificar erros ou condições</p><p>inseguras que resultaram em acidentes,</p><p>com ou sem lesão, danos ou perdas, ou que poderão resultar nestes.</p><p>(Mattos; Másculo, 2019, p.111)</p><p>Portanto, a identificação dos riscos é o primeiro passo na prevenção de</p><p>acidentes no ambiente de trabalho, esses riscos precisam ser avaliados,</p><p>quantificados e neutralizados. Para tanto, as organizações podem lançar</p><p>mão de várias técnicas de análise dos riscos, podendo até utilizá-las em</p><p>conjunto para mitigar os riscos no ambiente laboral (Mattos; Másculo, 2019).</p><p>72</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>A seguir apresentaremos resumidamente algumas delas.</p><p>• Análise Preliminar de Riscos (APR)</p><p>Consiste em uma análise pré- desenvolvimento de uma atividade, ou seja,</p><p>ao se iniciar um processo de trabalho, os riscos são identificados e classifi-</p><p>cados antecipadamente, para determinar medidas de proteção contra eles</p><p>(Mattos; Másculo, 2019).</p><p>Nessa análise preliminar, os riscos podem ser classificados como:</p><p>I. Desprezível. A falha não resultará em degradação maior do sistema,</p><p>nem produzirá danos funcionais ou lesões, ou contribuirá com um</p><p>risco ao sistema.</p><p>II. Marginal. A falha degradará o sistema numa certa extensão, porém</p><p>sem envolver danos maiores ou lesões, podendo ser compensada</p><p>ou controlada adequadamente.</p><p>III. Crítica. A falha degradará o sistema causando lesões, danos subs-</p><p>tanciais, ou resultará num risco inaceitável, necessitando de ações</p><p>corretivas imediatas.</p><p>IV. Catastrófica. A falha produzirá severa degradação do sistema,</p><p>resultando em perda total, lesões ou morte. (Mattos; Másculo, 2019,</p><p>p. 111)</p><p>• Análise de Modos de Falha e Efeitos (AMFE)</p><p>Consiste em reconhecer possíveis falhas em um sistema aplicado em uma</p><p>empresa, que pode ser um potencial risco ao trabalhador. Ao detectar as</p><p>falhas, devem ser realizadas ações corretivas para diminuir a sua incidência</p><p>(Mattos; Másculo, 2019).</p><p>• Técnica de incidentes críticos</p><p>Técnica qualitativa realizada por meio de pesquisas, observação e entre-</p><p>vista, na qual se analisa incidentes que podem se transformar em acidentes.</p><p>73</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>“Pode-se definir incidente crítico como qualquer evento ou fato negativo</p><p>com potencialidade para provocar danos” (Mattos; Másculo, 2019, p. 114).</p><p>• Análise de Árvores de Falhas (AAF)</p><p>Consiste em um método analítico, sistematizado, em que se utiliza a proba-</p><p>bilidade de um evento indesejável acontecer, com base em um evento causa,</p><p>e quais falhas o levaram a acontecer (Mattos; Másculo, 2019).</p><p>Saiba Mais</p><p>Para conhecer outras técnicas de análise de risco, leia o</p><p>artigo “07 Principais Técnicas de Análise de Risco”.</p><p>CARLOS, A. 07 principais técnicas de análise de risco.</p><p>Segurança do Trabalho – Antônio Carlos, [s. l.], 6 abr. 2024.</p><p>Disponível em: https://segurancadotrabalhoacz.com.br/</p><p>tecnicas-de-analise-de-risco/. Acesso em: 30 abr. 2024.</p><p>3.2.1 RISCOS FÍSICOS, QUÍMICOS, BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOS</p><p>RELACIONADOS COM O MEIO AMBIENTE E SAÚDE DO</p><p>TRABALHADOR</p><p>Os riscos e perigos estão presentes de várias formas no nosso cotidiano. No</p><p>que tange à segurança ocupacional, esses riscos são classificados de acordo</p><p>com seu agente causal, sendo eles: físicos, químicos, biológicos e ergonô-</p><p>micos. Detalharemos cada um deles a seguir.</p><p>• Riscos físicos</p><p>74</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Figura 3: Radiação não ionizante</p><p>Fonte: Allahfoto, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Ilustração colorida de um metalúrgico fazendo procedimento de</p><p>soldagem, representando um risco físico.</p><p>Os riscos físicos são uma variedade de formas de energia que possam estar</p><p>em contato com o trabalhador. Podem ser ruídos, vibrações, pressões anor-</p><p>mais, temperaturas extremas, radiações ionizantes, radiações não ionizantes</p><p>e umidade (Chirmici; Oliveira, 2016).</p><p>Leia o quadro e entenda os exemplos.</p><p>Quadro 1: Tipos de riscos físicos</p><p>Ruídos</p><p>Pressão sonora no ouvido.</p><p>Podem ser classificados como: ruído contínuo ou intermitente e</p><p>ruído de impacto.</p><p>Exemplo: barulho de máquina funcionando.</p><p>Vibrações</p><p>Vibrações produzidas por maquinários e equipamentos. Podem ser</p><p>classificadas como vibrações de corpo inteiro (VCI) ou vibrações de</p><p>mãos e braços (VMB).</p><p>Exemplo: motoristas de trator recebem a vibração do carro ligado</p><p>pelo corpo inteiro.</p><p>75</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor, 2024.</p><p>Ruídos</p><p>Pressão sonora no ouvido.</p><p>Podem ser classificados como: ruído contínuo ou intermitente e</p><p>ruído de impacto.</p><p>Exemplo: barulho de máquina funcionando.</p><p>Pressões</p><p>anormais</p><p>Atividades realizadas em ambientes com baixas ou altas pressões.</p><p>Exemplos: pessoas que trabalham em submarinos, que sofrem</p><p>alta pressão; e piloto da força aérea, que pilota em baixa pressão</p><p>atmosférica. É a permanência do indivíduo em situações de muito</p><p>calor ou frio.</p><p>Exemplos: frigoríficos, olarias e siderúrgicas.</p><p>Temperaturas</p><p>extremas</p><p>As radiações ionizantes são as de alta frequência.</p><p>Exemplos: RX, gama ou exposição a materiais radioativos.</p><p>Radiações</p><p>ionizantes e</p><p>não ionizantes</p><p>As não ionizantes são radiações de baixa frequência.</p><p>Exemplos: exposição ao sol e serviços de soldagem.</p><p>Umidade</p><p>Refere-se à quantidade de vapor de água presente na atmosfera.</p><p>Quando o indivíduo passa muito tempo exposto à umidade, seu</p><p>corpo pode sofrer consequências, como resfriados, lesões de pele,</p><p>gripes, entre outros.</p><p>Exemplos: serviço em plantações, lavanderias e frigoríficos.</p><p>Figura 4: Produtos químicos</p><p>• Riscos químicos</p><p>Fonte: Mind Pixell, Shutterstock, 2024</p><p>#PraTodosVerem: Ilustração colorida de vários produtos químicos, com embalagens de</p><p>alerta de perigo.</p><p>76</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Os riscos químicos são caracterizados por serem substâncias ou produtos</p><p>que, ao serem inalados, ingeridos ou entrarem em contato com a pele,</p><p>causam agravos À saúde. Podem se apresentar na forma líquida, sólida</p><p>ou gasosa, por exemplo: “Gasosa: vapores solventes, amônia, monóxido de</p><p>carbono: sólida: pós, poeiras de sílica, algodão; líquida: solventes, ácidos,</p><p>álcalis” (Chirmici; Oliveira, 2016, p. 53).</p><p>A exposição indiscriminada a essas substâncias, pode trazer consequências</p><p>graves aos expostos, sendo os efeitos maléficos decorrentes da propriedade de</p><p>cada substância. Dependendo da exposição, o trabalhador pode apresentar</p><p>sintomatologia diferente. Algumas substâncias nocivas à saúde ocupacional</p><p>são: cádmio, chumbo, mercúrio, níquel e zinco (Chirmici; Oliveira, 2016).</p><p>Saiba Mais</p><p>Se quiser entender mais sobre riscos químicos, leia o artigo</p><p>“Riscos químicos”.</p><p>RISCOS químicos. Fiocruz, [s. l.], [20--?]. Disponível em:</p><p>https://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/lab_virtual/</p><p>riscos_quimicos.html. Acesso em: 30 abr. 2024.</p><p>• Riscos biológicos</p><p>Os riscos biológicos, constituem os perigos apresentados pelo contato com</p><p>microrganismos como: vírus, bactérias, parasitas, protozoários, fungos e</p><p>bacilos, presentes no ambiente de trabalho (Chirmici; Oliveira, 2016).</p><p>A exposição aos agentes biológicos acontece quando há penetração</p><p>no corpo por intermédio da pele, por ingestão ou pela respiração.</p><p>Diversas são as doenças provocadas pelos agentes biológicos, entre</p><p>elas tuberculose, brucelose, malária, febre amarela e viroses diversas.</p><p>(Chirmici; Oliveira, 2016, p. 56)</p><p>Chirmici e Oliveira (2016) citam como exemplos desses ambientes: áreas e</p><p>equipamentos hospitalares, ambientes com pacientes com doenças infec-</p><p>tocontagiosas, materiais médico-hospitalares sem esterilização, esgotos, lixo</p><p>77</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Figura 5: Laboratório de análises clínicas</p><p>Fonte: GoodStudio, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Ilustração colorida de um laboratório de análises clínicas, que é caracteri-</p><p>zado como um risco biológico.</p><p>urbano, indústrias de carnes e laticínios, centros de vacinação, laboratórios,</p><p>cemitérios, entre outros.</p><p>• Riscos ergonômicos</p><p>Os riscos ergonômicos são caracterizados pela má adaptação dos profissio-</p><p>nais aos equipamentos e métodos ao desenvolver o processo de</p><p>trabalho,</p><p>causando doenças osteomusculares e psicológicas. Por serem agravos</p><p>muitas vezes difíceis de identificar, quando diagnosticados já estão insta-</p><p>lados no trabalhador. Desse modo, o método mais eficaz é preveni-los (Chir-</p><p>mici; Oliveira, 2016).</p><p>78</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Figura 6: Ergonomia</p><p>Fonte: 3DBear, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Duas cenas ilustradas de um indivíduo trabalhando sentado à frente de</p><p>uma mesa, digitando e focalizando a tela do computador; o corpo representado em azul</p><p>é translúcido e, através dele, é apresentado o esqueleto; na primeira cena, o indivíduo está</p><p>com a postura incorreta com destaques em vermelho nas articulações do cotovelo e do</p><p>joelho, na coluna lombar, na nuca e nos tornozelos; na segunda cena, o indivíduo está com</p><p>a postura adequada.</p><p>Como exemplos de riscos ergonômicos, podemos destacar, movimentos</p><p>repetitivos, muito tempo trabalhando sentado ou em pé, levantamento de</p><p>peso, níveis baixos de iluminação, ambientes insalubres, entre outros (Chir-</p><p>mici; Oliveira, 2016).</p><p>Para o manejo adequado dos riscos ergonômicos, a NR-17 propõe diretrizes</p><p>para a promoção das condições de trabalho de acordo com as características</p><p>dos trabalhadores, promovendo conforto, segurança e um melhor desem-</p><p>penho de suas funções (Chirmici; Oliveira, 2016).</p><p>3.2.2 MEDIDAS DE PROTEÇÃO COLETIVA E INDIVIDUAL – EPC E</p><p>EPI</p><p>Com o intuito de prevenir acidentes e promover a segurança no ambiente</p><p>de trabalho, as empresas e organizações devem adotar medidas de proteção</p><p>79</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>contra acidentes de trabalho. Podem ser apenas administrativas, como é</p><p>caso de instruções técnicas, ordens de serviço, proibição de acesso a lugares</p><p>de perigo, entre outros. No entanto, só essas medidas não são suficientes,</p><p>então as empresas adotam concomitantemente os equipamentos de</p><p>proteção coletiva e individual (Barsano; Barbosa, 2014).</p><p>• Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC)</p><p>Os equipamentos de proteção coletiva são instrumentos projetados para</p><p>proteger um grande grupo de empregados, por isso o nome de “coletivo”, ou</p><p>seja, várias pessoas serão protegidas com a utilização desses instrumentos</p><p>(Barsano; Barbosa, 2014).</p><p>Figura 7: Equipamento de Proteção Coletiva</p><p>Fonte: fihusainh, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Ilustração de um funcionário apagando um princípio de incêndio com</p><p>um extintor; ao lado, outros colegas observando.</p><p>Podemos citar como exemplos: redes de proteção, placas de segurança,</p><p>sinalizadores coloridos, chuveiros de segurança, extintores de incêndio,</p><p>exaustores, kit de primeiros socorros, entre outros (Barsano; Barbosa, 2014).</p><p>80</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Saiba Mais</p><p>Caro estudante, para melhorar sua compreensão sobre</p><p>equipamentos de proteção coletivos (EPC), leia o artigo “O</p><p>que é EPC? Conheça os equipamentos de proteção cole-</p><p>tiva”, disponível no link a seguir.</p><p>TEODORO. O que é EPC? Conheça os equipamentos de</p><p>proteção coletiva. On Safety, [s. l.], 13 ago. 2019. Dispo-</p><p>nível em: https://onsafety.com.br/o-que-e-epc/. Acesso em:</p><p>30 abr. 2024.</p><p>• Equipamentos de Proteção Individual (EPI)</p><p>Figura 8: Equipamento de Proteção Individual</p><p>Fonte: Ipajoel, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Ilustração de uma mulher vestida com equipamentos de proteção indivi-</p><p>dual: capacete, óculos, luvas e colete.</p><p>Os EPIs são instrumentos oferecidos pela empresa e utilizados individu-</p><p>almente pelo trabalhador. Quando os equipamentos de segurança admi-</p><p>nistrativos e coletivos não forem suficientes para promover a segurança do</p><p>trabalhador, os EPIs devem ser utilizados (Chirmici; Oliveira, 2016).</p><p>Sendo assim, o EPI se torna obrigatório quando for compro-</p><p>vada a ausência do EPC ou quando o EPC existente não eliminar,</p><p>81</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Saiba Mais</p><p>Para melhorar sua compreensão sobre equipamentos de</p><p>proteção individual (EPI), leia o artigo “NR6 – Equipamento</p><p>de Proteção Individual – EPI”.</p><p>NR6 – Equipamento de Proteção Individual – EPI. Guia</p><p>Trabalhista, [s. l.], [202-]. Disponível em: https://www.guia-</p><p>trabalhista.com.br/legislacao/nr/nr6.htm. Acesso em: 30</p><p>abr. 2024.</p><p>neutralizar ou atenuar os riscos existentes, de modo a garantir a</p><p>segurança e integridade física dos trabalhadores. Em muitos casos,</p><p>existe a necessidade de utilização dos dois tipos de proteção simul-</p><p>taneamente. (Chirmici; Oliveira, 2016, p. 131)</p><p>Alguns exemplos de EPI: fones de ouvidos, abafadores, capacetes, máscaras,</p><p>filtros, gorros, óculos, viseiras, entre outros. A utilização dos EPIs está descrita</p><p>na Norma Regulamentadora NR-6, e também deve ter certificado de apro-</p><p>vação (CA), expedido pelo Ministério do Trabalho e Emprego.</p><p>Curiosidade</p><p>Para conhecer melhor os regulamentos para certificado de</p><p>aprovação (CA) dos equipamentos de proteção individual,</p><p>expedido pelo Ministério do Trabalho e Emprego, leia o</p><p>artigo “Equipamentos de Proteção Individual – EPI”, dispo-</p><p>nível no link a seguir.</p><p>BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Equipamentos</p><p>de Proteção Individual – EPI. Gov.br, [s. l.], 9 nov. 2020.</p><p>Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/</p><p>pt-br/assuntos/inspecao-do-trabalho/seguranca-e-sau-</p><p>de-no-trabalho/equipamentos-de-protecao-individual.</p><p>Acesso em: 30 abr. 2024.</p><p>82</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>CONCLUSÃO</p><p>Nesta unidade, aprendemos que, de acordo com a Consolidação das Leis do</p><p>Trabalho, as empresas e organizações precisam desenvolver estratégias para</p><p>a promoção da saúde ocupacional e a prevenção de acidentes no trabalho.</p><p>Para tanto, é necessário identificar precocemente os ricos ocupacionais e</p><p>geri-los de forma a neutralizá-los ou diminuí-los a uma taxa aceitável pela</p><p>legislação vigente.</p><p>Para auxiliar as empresas a fazer um gerenciamento eficaz dos riscos, a</p><p>Occupational Health and Safety Assessment Series (OSHAS 18001) propõe</p><p>o Sistema de Gestão Integrada em Segurança e Saúde do Trabalhador, por</p><p>meio do qual são apresentadas orientações para as instituições de trabalho</p><p>avaliarem e monitorarem a eficiência dos métodos e estratégias empregados</p><p>em relação a medidas de promoção à segurança e à saúde no trabalho.</p><p>Também, com intuito de auxiliar as empresas em relação à gestão dos</p><p>riscos ocupacionais, existem alguns programas orientados pelo Ministério</p><p>do Trabalho e Emprego, em consonância com as Normas Regulamenta-</p><p>doras vigentes, são eles: Programa de Controle Médico de Saúde Ocupa-</p><p>cional (PCMSO), Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e o</p><p>Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Cons-</p><p>trução (PCMAT).</p><p>Além dos programas citados, há o Programa de Conservação Auditiva,</p><p>o Programa de Proteção Respiratória e as Técnicas de Análise de Risco.</p><p>Esta última, por sua vez, refere-se a diversas técnicas que podem ser utili-</p><p>zadas pelas empresas para identificar e categorizar os riscos presentes no</p><p>ambiente de trabalho, entre as quais podemos citar: Análise Preliminar de</p><p>Riscos, Análise de Modos de Falha e Efeitos, Técnica de incidentes críticos,</p><p>entre outras.</p><p>Para finalizar esta unidade, compreendemos que, para a promoção da saúde</p><p>do trabalhador, após serem identificados os riscos, as instituições precisam</p><p>utilizar maneiras de reduzi-los ou eliminá-los. Uma das abordagens pode ser</p><p>o uso de equipamentos de proteção coletiva (EPC) e individual (EPI). Os EPCs</p><p>irão proteger uma grande quantidade de pessoas e os EPIs, como o nome já</p><p>diz, protegem apenas aquele indivíduo que o utiliza de forma correta.</p><p>83</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR</p><p>Para saber mais sobre este tema, leia os artigos a seguir.</p><p>1. VIEIRA, A. A.; PASSOS JR., C. Estratégia de implementação de um sistema</p><p>de gestão de segurança e saúde ocupacional com base na norma Isso</p><p>45001. Research, Society and Development, [s. l.], v. 9, n. 7, e131973778,</p><p>2020. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/3778.</p><p>Acesso em: 30 abr. 2024.</p><p>2. LUCIANO,</p><p>É. L. et al. Gerenciamento de riscos ocupacionais: uma nova</p><p>proposta de segurança do trabalho. South American Development</p><p>Society Journal, [s. l.], v. 6, n. 17, p. 156, ago. 2020. Disponível em: http://</p><p>www.sadsj.org/index.php/revista/article/view/319. Acesso em: 30 abr. 2024.</p><p>3. TINOCO, H. C. et al. Análise estatística do risco de exposição ao ruído</p><p>ocupacional pelo método da regressão múltipla. Brazilian Journal of</p><p>Development, [s. l.], v. 6, n. 1, p. 1722–1737, 2020. Disponível em: https://</p><p>ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/6068. Acesso</p><p>em: 30 abr. 2024.</p><p>4. SARAIVA, E. M. S. et al. Impacto da pandemia pelo Covid-19 na provisão</p><p>de Equipamentos de Proteção Individual. Brazilian Journal of Develo-</p><p>pment, [s. l.], v. 6, n. 7, p. 43751–43762, 2020. Disponível em: https://ojs.</p><p>brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/12731. Acesso</p><p>em: 30 abr. 2024.</p><p>5. ABREU, L. B.; FERREIRA FILHO, W. G. Segurança do trabalho estudo dos</p><p>Equipamentos de Proteção Individual e Coletiva obrigatórios para a cons-</p><p>trução civil. RECIMA21 - Revista Científica Multidisciplinar, [s. l.], v. 1,</p><p>n. 1, 2021. Disponível em: https://recima21.com.br/index.php/recima21/</p><p>article/view/757. Acesso em: 30 abr. 2024.</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>84</p><p>OBJETIVOS</p><p>Ao final desta unidade, esperamos que possa:</p><p>Descrever as doenças relacionadas ao</p><p>trabalho.</p><p>Identificar os principais sinais e sintomas</p><p>relacionados a doenças ocupacionais.</p><p>UNIDADE 4</p><p>85</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>4 PATOLOGIAS RELACIONADAS AO</p><p>TRABALHO</p><p>O trabalho exerce forte influência nas condições de vida e saúde de uma</p><p>sociedade. Entendemos que o trabalho faz parte da vida humana de várias</p><p>maneiras, bem como pode promover melhores condições de vida a um indi-</p><p>víduo. Todavia, os efeitos do trabalho na vida humana também acarretam</p><p>riscos, tendo em vista o caráter do processo de trabalho.</p><p>Sendo assim, o trabalho também pode ser maléfico ao homem, trazendo</p><p>riscos à saúde física e mental. Na vivência diária do trabalho, os indivíduos</p><p>estão sujeitos a várias situações de risco: as diretamente relacionadas à ativi-</p><p>dade laboral, as que ocorrem no trajeto para o serviço e até aquelas rela-</p><p>cionadas ao ambiente onde o processo de trabalho é realizado. Além disso,</p><p>a população em geral também está sujeita ao risco decorrente da conta-</p><p>minação e degradação ambiental provocada pelos processos produtivos</p><p>desenvolvidos no território (Brasil, 2001).</p><p>Relembrando o conceito: doença ocupacional ou doenças relacionadas ao</p><p>trabalho são agravos de saúde que decorrem dos processos de trabalho,</p><p>as quais os indivíduos estão expostos. Sendo assim, o ambiente em que o</p><p>trabalho é desenvolvido, ou o próprio ato do trabalho em si, pode adoecer o</p><p>trabalhador.</p><p>Ainda nesse contexto, Moraes (2014, p. 18), reitera o conceito de doenças</p><p>ocupacionais.</p><p>As doenças ocupacionais são adquiridas através da exposição dos</p><p>trabalhadores aos agentes ambientais físicos, químicos e biológicos,</p><p>em situações acima do limite de tolerância. Normalmente ocorrem</p><p>após vários anos de exposição, e algumas doenças ocupacionais</p><p>podem surgir mesmo depois que o trabalhador se afasta do agente</p><p>causador (Moraes, 2014, p. 18).</p><p>Ao longo desta disciplina, estudamos que, de acordo com a legis-</p><p>lação vigente e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), entidades</p><p>86</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>governamentais e empresários têm desenvolvidos estratégias para a</p><p>promoção integral à saúde do trabalhador, com o objetivo de reduzir os</p><p>casos de doenças relacionados à atividade laboral, bem como mitigar os</p><p>riscos ambientais provocados pela produção do trabalhador.</p><p>Diante disso, nesta unidade abordaremos detalhadamente as doenças rela-</p><p>cionadas ao trabalho de acordo com riscos causais dessas doenças.</p><p>4.1 DOENÇAS RELACIONADAS AO TRABALHO</p><p>Vimos anteriormente que os riscos ocupacionais são classificados como</p><p>riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos, e que várias patologias</p><p>decorrem desses riscos. Portanto, agora, analisaremos quais doenças podem</p><p>ser desenvolvidas por esses agentes.</p><p>4.1.1 DOENÇAS RELACIONADAS AO AGENTE FÍSICO</p><p>Agentes físicos são as diversas formas de energia a que o trabalhador pode</p><p>estar exposto. “Esses riscos são gerados pelos agentes que têm capacidade</p><p>de modificar as características físicas do meio ambiente” (Moraes, 2014, p.</p><p>28).</p><p>Os agentes físicos, geralmente, se difundem pelo ambiente. São maléficos</p><p>e causam doenças em diversos níveis de gravidade, a depender da concen-</p><p>tração do agente no ambiente em que o trabalhador estar exposto. Eles</p><p>podem causar lesões imediatas ou crônicas e, na maioria das vezes, o indi-</p><p>víduo não tem contato direto com o agente agressor (Moraes, 2014).</p><p>São considerados agentes físicos temperatura extrema (calor e frio), radiação</p><p>ionizante e não ionizante, umidade, pressões anormais (hiperbárica e hipo-</p><p>bárica), ruído e vibração (Moraes, 2014, p. 28).</p><p>A seguir, abordaremos algumas doenças provocadas pelos agentes físicos:</p><p>• Doenças causadas por exposição a altas temperaturas</p><p>O trabalhador que se submete a altas temperaturas pode desenvolver</p><p>desde doenças simples até sérios agravos. Entre as simples, podemos citar</p><p>87</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>câimbras e síncope. Já entre as patologias graves, podemos destacar exaustão</p><p>pelo calor, desidratação, choque térmico e doenças dermatológicas (Moraes,</p><p>2014).</p><p>No quadro a seguir apresentamos as principais características relacionadas</p><p>a cada uma das doenças.</p><p>Câimbras</p><p>Espasmos musculares, acompanhados de dor, geralmente nos</p><p>membros inferiores e superiores. Acontecem após atividades</p><p>intensas e em ambientes quentes.</p><p>Síncope</p><p>O indivíduo apresenta tontura e fraqueza muscular durante ou após</p><p>permanecer muito tempo em pé ou ao levantar-se em ambiente</p><p>quente.</p><p>Exaustão pelo</p><p>calor</p><p>Acontece principalmente pela depleção de sódio no organismo,</p><p>após a exposição a altas temperaturas. Causa reações como: dor de</p><p>cabeça, náuseas, vômitos, câimbras, sudorese profusa, hipotensão</p><p>ortostática, confusão mental, desequilíbrio e fraqueza generalizada.</p><p>Desidratação</p><p>Acontece pela perda excessiva de eritrócitos pelo suor. O indivíduo</p><p>apresenta sintomas como: oliguria, hipertermia, hiperventilação,</p><p>tetania e alterações psicopatológicas.</p><p>Choque térmico</p><p>Pode acorrer após uma variação brusca de temperatura, fazendo</p><p>com que o organismo perca a capacidade de se autorregular. Pode</p><p>apresentar sintomas como: desorientação, inconsciência, lesões</p><p>hepáticas, rabdomiólise (quebra do tecido muscular), problemas de</p><p>coagulação, desequilíbrios hidroeletrolíticos e insuficiência renal.</p><p>Doenças</p><p>dermatológicas</p><p>Intertigo, urticária, miliária rubra e eritema ab igne são lesões de</p><p>pele desencadeadas por excesso de exposição ao calor. Os sintomas</p><p>apresentados são: prurido, manchas na pele e ferimentos.</p><p>Quadro 1: Doenças por exposição a altas temperaturas</p><p>Fonte: Elaborado com base em Moraes, 2014.</p><p>#PraTodosVerem: Quadro com duas colunas e seis linhas listando e descrevendo doenças</p><p>relacionadas à exposição a altas temperaturas. Câimbras são espasmos musculares acom-</p><p>panhados de dor que ocorrem após atividades intensas. Síncope é tontura e fraqueza</p><p>muscular durante ou após permanecer muito tempo em pé. Exaustão pelo calor ocorre</p><p>principalmente por depleção de sódio no organismo, causa dor de cabeça, náuseas,</p><p>vômitos, franqueza e outros sintomas. Desidratação ocorre pela perda excessiva de eritró-</p><p>citos pelo suor, causa oliguria, hipertermia, hiperventilação e outros. Choque térmico ocorre</p><p>após variação brusca de temperatura, causa desorientação, inconsciência e outros sintomas.</p><p>Doenças dermatológicas são causadas por excesso de exposição ao calor, causam prurido,</p><p>manchas e ferimentos.</p><p>88</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>• Doenças causadas por exposição a baixas temperaturas</p><p>A intensa exposição ao frio por longos períodos de tempo também repre-</p><p>senta riscos</p><p>à saúde, menos graves que as reações ao calor, mas não menos</p><p>importantes. Algumas atividades laborais, como o trabalho em câmaras</p><p>frigoríficas, embalagem de carnes e demais alimentos e operações portuá-</p><p>rias com cargas congeladas, expõem o trabalhador ao frio e podem causar</p><p>danos à saúde (Moraes, 2014).</p><p>As patologias decorrentes do frio podem ser:</p><p>• doenças de vias aéreas superiores (gripes, amidalite, bronquite, entre</p><p>outras);</p><p>• doenças reumáticas (dores articulares, edemas articulares);</p><p>• doenças circulatórias;</p><p>• tonturas, desmaios e confusão mental;</p><p>• perda de habilidade manual;</p><p>• pé de imersão;</p><p>Curiosidade</p><p>Aclimatação</p><p>É a capacidade fisiológica do organismo em se adaptar</p><p>ao ambiente com calor, desde que não surjam os efeitos</p><p>que possam colocar a vida do trabalhador em risco. O</p><p>processo de aclimatação induz ajustes biológicos que</p><p>reduzem os adversos efeitos fisiológicos do estresse pelo</p><p>calor e melhoram o desempenho do exercício durante a</p><p>exposição ao clima quente. Recomenda-se que o traba-</p><p>lhador, para ser aclimatado, inicie com 50% da carga de</p><p>trabalho no primeiro dia, devendo aumentar 10% por dia</p><p>até atingir 100% (Moraes, 2014).</p><p>89</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>• urticária pelo frio, entre outras (Moraes, 2014).</p><p>Atenção</p><p>A CLT, no art. 253, estabelece que, aos empregados que</p><p>trabalham em câmaras frigoríficas e realizam movimen-</p><p>tação de mercadorias do ambiente quente ou normal</p><p>para o frio e vice-versa, depois de 1 hora e 40 minutos de</p><p>trabalho contínuo, é assegurado um período de 20 minutos</p><p>de repouso, computado esse intervalo como de trabalho</p><p>efetivo (Moraes, 2014).</p><p>• Doenças causadas por exposição à umidade</p><p>Figura 1: Umidade no ambiente de trabalho</p><p>Fonte: epiximages, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Fotografia da mão de uma pessoa segurando um aparelho medindo a</p><p>umidade de uma parede.</p><p>90</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>O trabalho em locais com umidade é considerado insalubre, ou seja, ativi-</p><p>dades executadas em locais alagados ou encharcados apresentam riscos à</p><p>saúde do trabalhador. “A faixa de desconforto corresponde à temperatura</p><p>de 22 a 26 °C e umidade relativa do ar entre 45 e 50%” (Moraes, 2014, p. 43).</p><p>Podemos considerar como patologias derivadas da exposição à umidade:</p><p>“doenças do aparelho respiratório, quedas, doenças de pele, doenças circu-</p><p>latórias, entre outras” (Moraes, 2014, p. 43).</p><p>• Doenças causadas por exposição à radiação ionizante e não ionizante</p><p>Todos os seres humanos estão expostos a diferentes níveis de radiação, tanto</p><p>as de origem natural como as de origem humana. Porém, algumas atividades</p><p>laborais expõem ainda mais o trabalhador a essas radiações, por exemplo, as</p><p>atividades desenvolvidas na indústria nuclear, em instituições hospitalares</p><p>e laboratórios com equipamentos que emitem radiação, nos trabalhos em</p><p>minas subterrâneas com exposição ao radônio, entre outras (Moraes, 2014).</p><p>A exposição de corpo inteiro a doses de radiação causa danos ao</p><p>sistema hematopoiético que se refletirá nas células sanguíneas peri-</p><p>féricas e plaquetas. Essa redução nas células sanguíneas circulantes</p><p>pode causar septicemia, hemorragia, anemia e morte (Moraes, 2014,</p><p>p. 50).</p><p>Essa exposição pode levar a danos agudos, como náuseas, fraqueza, perda de</p><p>cabelo, queimaduras etc. Ou ainda levar a distúrbios crônicos, como neopla-</p><p>sias e esterilidade permanente (Moraes, 2014).</p><p>• Doenças causadas por exposição a pressões anormais</p><p>Os profissionais que trabalham em pressões anormais – aquelas que estão</p><p>acima ou abaixo da pressão atmosférica – estão expostos a patologias como</p><p>barotraumas, narcose do nitrogênio, intoxicação por oxigênio e doença</p><p>descompressiva (Moraes, 2014).</p><p>No quadro a seguir, apresentamos as principais características relacionadas</p><p>a cada uma dessas patologias.</p><p>91</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Quadro 2: Doenças por exposição a pressões anormais</p><p>Fonte: Moraes, 2014.</p><p>#PraTodosVerem: Quadro com duas colunas e quatro linhas detalhando causas e sintomas</p><p>das doenças por exposição a pressões anormais. Barotraumas referem-se ao traumatismo</p><p>tecidular, geralmente ocorre nas orelhas, nos seios paranasais, nos dentes e nos pulmões.</p><p>Narcose do nitrogênio relaciona-se à elevada pressão do nitrogênio que afeta o sistema</p><p>nervoso central, causa euforia, desorientação e até morte por afogamento. Intoxicação</p><p>por oxigênio pode ocorrer em pressões elevadas e provocar alterações no sistema nervoso</p><p>central e respiratório, causa tremores, queimação no peito e até parada respiratória. Doença</p><p>descompressiva são bolhas de nitrogênio no organismo após exposição a pressões elevadas,</p><p>casa dor torácica, cefaleia intensa, choque, entre outros sintomas.</p><p>Barotraumas</p><p>É o traumatismo tecidular ocasionado pela pressão. Ocorre devido</p><p>à incapacidade de um espaço pneumático ajustar sua pressão</p><p>interna. Os locais de lesão são, geralmente, as orelhas externa,</p><p>média e interna, os seios paranasais, os dentes e os pulmões.</p><p>Narcose do</p><p>nitrogênio</p><p>Também conhecida como “embriaguez das profundidades”,</p><p>relaciona-se com a elevada pressão do nitrogênio que afeta o</p><p>sistema nervoso central. Causa euforia, desorientação, falta de</p><p>equilíbrio e de destreza manual, inconsciência e até a morte por</p><p>afogamento.</p><p>Intoxicação por</p><p>oxigênio</p><p>Em pressões elevadas, a respiração de 100% de oxigênio pode levar a</p><p>alterações no sistema nervoso central e respiratório. O indivíduo pode</p><p>apresentar alterações na visão, irritabilidade, tosse descontrolada,</p><p>tremores, dispneia, queimação no peito, escarros sanguinolentos e</p><p>até parada respiratória.</p><p>Doença</p><p>descompressiva</p><p>Acontece após exposição a pressões elevadas e saída abrupta</p><p>dela, causando bolhas de nitrogênio no organismo, podendo ser</p><p>de dois tipos. No tipo I, os sintomas são dores nas articulações e</p><p>nos músculos, linfonodomegalias e prurido cutâneo. No tipo II,</p><p>geralmente ocorre complicação grave e o indivíduo apresenta</p><p>sintomas como: dor torácica, cefaleia intensa, tontura, alteração do</p><p>estado mental e choque, problemas respiratórios e circulatórios.</p><p>• Doenças causadas por exposição a ruídos e vibração</p><p>Entre as patologias causadas por ruídos, podemos destacar a mais grave</p><p>que é a alteração permanente do limiar auditivo: perda auditiva induzida</p><p>por ruído (PAIR). Isto é, ocorre a diminuição irreversível da acuidade auditiva,</p><p>decorrente da exposição continuada a níveis elevados de pressão sonora</p><p>(Moraes, 2014).</p><p>92</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Já a exposição excessiva à vibração, tanto localizada como de corpo inteiro,</p><p>pode causar danos neurológicos, vasculares e musculares. Os trabalhadores</p><p>podem apresentar sintomas como: cansaço, irritação, dores no corpo, princi-</p><p>palmente nas extremidades, dor lombar, artrite, problemas digestivos, lesões</p><p>osteomusculares e problemas circulatórios, como pressão arterial elevada</p><p>(Moraes, 2014).</p><p>4.1.2 DOENÇAS RELACIONADAS AO AGENTE QUÍMICO</p><p>A exposição indiscriminada a produtos químicos pode desencadear danos</p><p>graves à saúde do trabalhador. A gravidade do dano vai depender da subs-</p><p>tância a qual foi exposto e do tempo de exposição, sendo que cada indi-</p><p>víduo pode apresentar sintomas diferentes (Chirmici; Oliveira, 2016).</p><p>Entre as principais doenças causadas por agentes químicos estão: pneumo-</p><p>coniose, dermatoses ocupacionais e as intoxicações exógenas por substân-</p><p>cias químicas.</p><p>• Pneumoconiose ocupacional</p><p>Doença pulmonar decorrente de aspiração de poeiras no ambiente de</p><p>trabalho. Entre as mais comuns estão asbestose, silicose, siderose, estanose,</p><p>baritose e pneumoconiose do trabalhador do carvão (Brasil, 2022).</p><p>Atenção</p><p>Os principais fatores de risco para a ocorrência de pneu-</p><p>moconioses são relativos às condições presentes nos</p><p>ambientes e processos de trabalho, principalmente as</p><p>ocupações que expõem os trabalhadores ao risco de</p><p>inalação de poeiras minerais. Entre elas estão: a mineração</p><p>e a transformação de minerais em geral, a indústria de</p><p>fibrocimento, a metalurgia,</p><p>a cerâmica, os vidros, a cons-</p><p>trução civil, a agricultura e a indústria da madeira (poeiras</p><p>orgânicas), a carvoaria, entre outras (Brasil, 2022).</p><p>93</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Nesta unidade, vamos detalhar as de maior importância de saúde pública,</p><p>que são a silicose e a asbestose.</p><p>Silicose – desencadeada pela inalação de poeira de sílica. “Caracteriza-se</p><p>por um processo de fibrose, com formação de nódulos isolados nos estágios</p><p>iniciais e nódulos conglomerados e disfunção respiratória nos estágios avan-</p><p>çados” (Brasil, 2001, p. 22).</p><p>A silicose pode ser classificada em crônica, subaguda e aguda. Na crônica, os</p><p>sintomas respiratórios aparecem após um longo período de exposição, supe-</p><p>rior a dez anos. A forma subaguda ocorre entre cinco e dez anos do início da</p><p>exposição à sílica; e a aguda manifesta-se após à exposição a grandes quan-</p><p>tidades de poeiras de sílica recém-fraturadas, após meses ou poucos anos de</p><p>exposição (Moraes, 2014).</p><p>Asbestose – a asbestose uma pneumoconiose ocupacional relacionada a</p><p>exposição ao asbesto ou amianto</p><p>Figura 2: Trabalhador da construção civil</p><p>Fonte: Westend61 on Offset, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Fotografia das mãos de um trabalhador da construção civil expondo-se à</p><p>poeira decorrente do cimento ao despejar o material em um recipiente.</p><p>94</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Esse agravo tem caráter irreversível na saúde do trabalhador, com “período</p><p>de latência superior a 10 anos, podendo se manifestar alguns anos após</p><p>cessada a exposição” (Brasil, 2001, p. 23).</p><p>Curiosidade</p><p>O asbesto possui ampla utilização industrial, principal-</p><p>mente na fabricação de produtos de cimento-amianto;</p><p>materiais de fricção, como pastilhas de freio; materiais de</p><p>vedação; piso e produtos têxteis. Os trabalhadores expostos</p><p>ocupacionalmente a esses produtos são aqueles vincu-</p><p>lados à indústria extrativa ou à indústria de transformação.</p><p>Também estão expostos os trabalhadores da construção</p><p>civil (Brasil, 2001).</p><p>O indivíduo acometido apresenta sintomas como: “dispneia de esforço,</p><p>estertores crepitantes nas bases pulmonares, baquete amento digital, alte-</p><p>rações funcionais e pequenas opacidades irregulares na radiografia de tórax”</p><p>(Brasil, 2001, p. 23).</p><p>• Dermatoses ocupacionais</p><p>As dermatoses ocupacionais podem ser ocasionadas por diferentes agentes</p><p>de risco – físicos, biológicos –, porém 80% dos casos são produzidos devido</p><p>à exposição a agentes químicos. As dermatoses relacionadas ao trabalho</p><p>são caracterizadas por “toda alteração da pele, mucosas e anexos, direta ou</p><p>indiretamente causada, condicionada, mantida ou agravada pela atividade</p><p>de trabalho” (Brasil, 2001, p. 31).</p><p>São agravos de difícil diagnóstico e avaliação. A grande maioria dos casos</p><p>é benigna, porém causam transtornos e, algumas vezes, a necessidade do</p><p>afastamento do empregado das suas funções, ou do agente causador da</p><p>lesão (Brasil, 2001).</p><p>As dermatoses ocupacionais podem ser causadas por fatores diretos ou indi-</p><p>retos. Nos fatores diretos, temos a exposição aos agentes químicos, físicos</p><p>95</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>e biológicos presentes no ambiente laboral. Já nos indiretos temos fatores</p><p>relacionados ao próprio trabalhador, como idade, sexo, etnia, comorbidades</p><p>preexistentes e doenças concomitantes. Há ainda outra possibilidade, que</p><p>são os fatores relacionados ao ambiente, como temperatura, umidade,</p><p>higiene, entre outros (Moraes, 2014).</p><p>No quadro a seguir, detalhamos algumas dermatoses ocupacionais.</p><p>Quadro 3: Dermatoses ocupacionais</p><p>Fonte: Moraes, 2014.</p><p>#PraTodosVerem: Quadro com duas linhas e duas colunas. Apresenta informações sobre</p><p>dermatite de contato, que são causadas por contato com substâncias que causam irrita-</p><p>ções ou reações alérgicas, e sobre distrofias ungueais – onicopatias, que são lesões apresen-</p><p>tadas nas unhas.</p><p>Dermatite de</p><p>contato</p><p>As dermatites de contato são caracterizadas por apresentar</p><p>sintomas como eritema, edema e vesiculação e são classificadas em</p><p>aguda e crônica. Na fase aguda, a principal manifestação é a coceira</p><p>intensa. Já na fase crônica, podem ocorrer fissuras, descamações</p><p>e espessamento da epiderme. De modo geral, as dermatites são</p><p>causadas por contato com substâncias químicas que causam</p><p>irritação ou reações alérgicas.</p><p>As dermatites de contato estão divididas em dermatites de contato</p><p>por irritantes e dermatites alérgicas de contato.</p><p>Distrofias</p><p>ungueais –</p><p>onicopatias</p><p>As onicopatias ocupacionais são lesões apresentadas nas unhas,</p><p>derivadas e agravadas pelo contato com agentes biológicos, químicos</p><p>e físicos presentes no ambiente de trabalho. Podem se manifestar</p><p>de diversas formas. Geralmente ocorrem na superfície abrangendo</p><p>extensão, espessura, consistência, aderência, cor e forma das lâminas</p><p>ungueais dos dedos e das mãos, causando transtornos e diminuindo</p><p>a produtividade laboral do trabalhador.</p><p>• Intoxicações exógenas por substâncias químicas</p><p>As intoxicações exógenas relacionadas ao trabalho são geralmente aciden-</p><p>tais. Os trabalhadores estão expostos constantemente a substâncias</p><p>químicas, “sejam suspensas no ar, como compostos orgânicos voláteis e</p><p>gases, ou substâncias líquidas como solventes e até inflamáveis e explosivos</p><p>tóxicos” (Brasil, 2022, p. 171).</p><p>96</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Figura 3: Trabalhadores manuseando substâncias químicas</p><p>Fonte: Aleksandar Malivuk, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Fotografia de dois trabalhadores, devidamente paramentados com EPIs,</p><p>manuseando substâncias químicas em galões.</p><p>Esses riscos químicos estão presentes principalmente nas indústrias, mas</p><p>também ocorrem na saúde pública e na agricultura, por exposição a agro-</p><p>tóxicos e inseticidas. Os trabalhadores da agricultura são mais acometidos</p><p>por essas intoxicações, isso se relaciona à falta ou ao uso incorreto dos equi-</p><p>pamentos de proteção individual (EPIs) (Brasil, 2022).</p><p>Os agrotóxicos são fortemente relacionados a agravos de saúde. A exposição</p><p>prologada a eles pode desenvolver câncer, doenças neurológicas, hepáticas,</p><p>renais, respiratórias, imunológicas e endócrinas, além de alterações muta-</p><p>gênicas, teratogênicas e genotóxicas (Brasil, 2022, p. 173). Segundo a Lei</p><p>Federal n. 7.802/1989, regulamentada pelo Decreto n. 4.074/2002, agrotó-</p><p>xicos são:</p><p>Produtos e agentes de processos físicos, químicos ou biológicos,</p><p>destinados ao uso nos setores de produção, no armazenamento e</p><p>beneficiamento de produtos agrícolas, nas pastagens, na proteção</p><p>97</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>de florestas, nativas ou plantadas, e de outros ecossistemas e de</p><p>ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade seja alterar</p><p>a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da ação</p><p>danosa de seres vivos considerados nocivos, bem como as substân-</p><p>cias e produtos empregados como desfolhantes, dessecantes, esti-</p><p>muladores e inibidores do crescimento (Brasil, 2002).</p><p>A intoxicação por agrotóxicos relacionada aos agentes ocupacionais se dá,</p><p>principalmente, pelas formas dérmica (pele) e respiratória (inalatória). São</p><p>considerados, na avaliação diagnóstica as condições de exposição associadas</p><p>ao processo de trabalho (frequência de uso, doses utilizadas, os mecanismos</p><p>de prevenção e proteção adotados no manuseio desses produtos) (Moraes,</p><p>2014).</p><p>As intoxicações por agrotóxicos podem ser classificadas em agudas e</p><p>crônicas, sendo as agudas quando os sinais e sintomas se manifestam após</p><p>minutos ou horas, podendo ser até 24 horas após o contado com o agente</p><p>químico. A gravidade e a sintomatologia vão depender da exposição à subs-</p><p>tâncias, considerando formas leves, moderadas e graves (Moraes, 2014).</p><p>O empregado exposto pode apresentar desde sintomas leves, como náuseas,</p><p>vômitos e cefaleia, a outros mais graves, como: “hipotensão, arritmias cardí-</p><p>acas, insuficiência respiratória, edema agudo de pulmão, pneumonite</p><p>química, convulsões, alterações da consciência, choque, coma, podendo</p><p>evoluir para óbito” (Moraes, 2014,</p><p>p. 151).</p><p>A intoxicação crônica caracteriza-se por apresentação de sintomas tardios,</p><p>após anos de exposição. De modo geral se apresenta por meio de pato-</p><p>logias como: neoplasias, tumores, problemas imunológicos, hematológicos,</p><p>malformações congênitas, entre outros (Moraes, 2014).</p><p>4.1.3 DOENÇAS RELACIONADAS AO AGENTE BIOLÓGICO</p><p>Os riscos biológicos estão presentes há muito tempo na história da saúde</p><p>ocupacional. Muitas vezes são imperceptíveis e não considerados impor-</p><p>tantes. No entanto têm capacidade inestimável de causar doenças. Os</p><p>agentes biológicos são microrganismos patogênicos que causam agravos</p><p>98</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>de saúde em quem os manipula. São elencadas as bactérias, os vírus</p><p>e os fungos. Além desses incluem-se também mordidas por animais</p><p>peçonhentos, mordida e ataque de animais domésticos (como cães) ou</p><p>selvagens (Moraes, 2014, p. 164).</p><p>Muitas atividades profissionais expõem o trabalhador a riscos biológicos.</p><p>Entre elas podemos citar as indústrias de alimentação, os hospitais, a limpeza</p><p>pública (coleta de lixo), os laboratórios etc. Para que as patologias relacio-</p><p>nadas aos agentes biológicos sejam consideradas ocupacionais, o traba-</p><p>lhador precisa ter tido contato com os agentes patogênicos (Brasil, 2010).</p><p>Entre as inúmeras doenças profissionais provocadas por microrganismos</p><p>incluem-se: tuberculose, brucelose, malária, febre amarela, infecção pelo</p><p>vírus HIV, meningites, tétano, entre outras. Os principais meios de conta-</p><p>minação por essas doenças são lesões perfurocortantes com materiais de</p><p>trabalho ou animais, através do contato percutâneo e pela via respiratória</p><p>(Brasil, 2010).</p><p>Segundo o Ministério da Saúde, os riscos podem ser classificados em quatro</p><p>classes. Acompanhe no quadro a seguir.</p><p>Quadro 4: Classificação de riscos</p><p>Classe de risco</p><p>1 (baixo risco</p><p>individual</p><p>e para a</p><p>comunidade)</p><p>Inclui os agentes biológicos conhecidos por não causarem doenças</p><p>no ser humano ou nos animais adultos sadios.</p><p>Exemplos: Lactobacillus sp. e Bacillus subtilis.</p><p>Classe de risco</p><p>2 (moderado</p><p>risco individual</p><p>e limitado</p><p>risco para a</p><p>comunidade)</p><p>Inclui os agentes biológicos que provocam infecções no ser humano</p><p>ou nos animais. Os potenciais de propagação na comunidade e</p><p>de disseminação no meio ambiente são limitados. Há medidas</p><p>terapêuticas e profiláticas eficazes.</p><p>Exemplos: Schistosoma mansoni e vírus da rubéola.</p><p>Classe de risco</p><p>3 (alto risco</p><p>individual e</p><p>moderado</p><p>risco para a</p><p>comunidade)</p><p>Inclui os agentes biológicos com capacidade de transmissão por</p><p>via respiratória e que causam patologias humanas ou animais,</p><p>potencialmente letais. Há, usualmente, medidas de tratamento e/ou</p><p>de prevenção. Representam risco se disseminados na comunidade e</p><p>no meio ambiente, podendo se propagar de pessoa a pessoa.</p><p>Exemplos: Bacillus anthracis e vírus da imunodeficiência humana</p><p>(HIV).</p><p>99</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Classe de risco</p><p>1 (baixo risco</p><p>individual</p><p>e para a</p><p>comunidade)</p><p>Inclui os agentes biológicos conhecidos por não causarem doenças</p><p>no ser humano ou nos animais adultos sadios.</p><p>Exemplos: Lactobacillus sp. e Bacillus subtilis.</p><p>Classe de risco</p><p>4 (alto risco</p><p>individual</p><p>e para a</p><p>comunidade)</p><p>Inclui os agentes biológicos com grande poder de transmissibilidade</p><p>por via respiratória ou de transmissão desconhecida. Até o</p><p>momento não há nenhuma medida profilática ou terapêutica eficaz</p><p>contra infecções ocasionadas por esses agentes. Causam doenças</p><p>humanas e animais de alta gravidade, com alta capacidade de</p><p>disseminação na comunidade e no meio ambiente. Essa classe inclui</p><p>principalmente os vírus.</p><p>Exemplos: vírus Ebola e vírus Lassa.</p><p>Fonte: Brasil, 2010, p. 15.</p><p>#PraTodosVerem: Quadro com duas colunas e quatro linhas apresenta as quatro classifica-</p><p>ções de risco definidas pelo Ministério da Saúde. A Classe de risco 1 (baixo risco individual e</p><p>para a comunidade) refere-se a agentes biológicos conhecidos por não causarem doenças;</p><p>a Classe de risco 2 (moderado risco individual e limitado risco para a comunidade) abrange</p><p>os agentes biológicos que provocam infecções; a Classe de risco 3 (alto risco individual e</p><p>moderado risco para a comunidade) trata dos agentes biológicos com capacidade de trans-</p><p>missão por via respiratória e que causam patologias potencialmente letais; e a Classe de</p><p>risco 4 (alto risco individual e para a comunidade) inclui os agentes biológicos com grande</p><p>poder de transmissibilidade por via respiratória ou de transmissão desconhecida.</p><p>4.1.4 DOENÇAS RELACIONADAS AO AGENTE ERGONÔMICO</p><p>Quando falamos em doenças ocupacionais relacionadas ao agente ergonô-</p><p>mico, estamos levando em consideração os aspectos relacionados ao desen-</p><p>volvimento do trabalho em relação ao sistema musculoesquelético do traba-</p><p>lhador (Brasil, 2022).</p><p>100</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Figura 4: Lesão por exforço repetitivo</p><p>Fonte: AstroStar, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Fotografia em tom azulado das mãos de uma pessoa, aparentando dor,</p><p>pois a região do punho direito está sendo pressionada pela mão esquerda e está com</p><p>um círculo avermelhado destacando-a. Aparentemente a pessoa está com uma lesão por</p><p>esforço repetitivo devido ao trabalho contínuo em um computador, que aparece desfocado</p><p>na imagem.</p><p>Entre as doenças causadas por esses agentes, podemos destacar os Distúr-</p><p>bios Osteomusculares Relacionados com o Trabalho (DORT) e as Lesões por</p><p>esforço repetitivo (LER).</p><p>LER e DORT são doenças que atingem diversas categorias profissionais,</p><p>acometendo o sistema musculoesquelético. De modo geral, são agravadas</p><p>pelas condições de trabalho. Os trabalhadores apresentam sintomas como</p><p>“dor, edema, parestesia, sensação de peso, perda de força e sensibilidade,</p><p>entre outros” (Brasil, 2022, p. 175).</p><p>A alta demanda de movimentos ou esforços repetitivos, ausência</p><p>e impossibilidade de pausas espontâneas, necessidade de perma-</p><p>nência estática em determinadas posições por tempo prolongado,</p><p>101</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>atenção para se evitar erros e a submissão ao monitoramento de</p><p>cada etapa dos procedimentos, além do mobiliário, equipamentos</p><p>e ferramentas que não propiciam conforto e facilitação para a</p><p>execução das tarefas são alguns dos fatores envolvidos na causa de</p><p>LER/Dort (Brasil, 2022, p. 175).</p><p>LER e DORT são patologias muito prevalentes relacionadas à saúde ocupa-</p><p>cional, sendo frequente a necessidade de assistência médica. Isso repercute</p><p>em afastamentos por incapacidade laboral temporária ou permanente nos</p><p>trabalhadores acometidos (Brasil, 2022).</p><p>4.2 CÂNCER E SUA RELAÇÃO COM O TRABALHO</p><p>Na atualidade o câncer é categorizado como a segunda maior causa de</p><p>morte no nosso país. O desenvolvimento de neoplasias está fortemente rela-</p><p>cionado ao ambiente e ao modo de vida das pessoas, principalmente onde</p><p>se vive e se trabalha, já que passamos a maior parte do tempo de nossas</p><p>vidas no ambiente laboral. Por isso, estamos constantemente expostos aos</p><p>agentes carcinogêneos presentes nesses ambientes.</p><p>O câncer relacionado ao trabalho é descrito como: “uma neoplasia de toxici-</p><p>dade retardada em seu curso clínico e em seu desfecho, devido à exposição</p><p>a agentes químicos, físicos ou biológicos classificados como carcinogêneos,</p><p>presentes no ambiente de trabalho” (Brasil, 2022, p. 186).</p><p>Alguns trabalhadores estão mais expostos a agentes carcinogêneos. São</p><p>aqueles que estão constantemente expostos a substâncias químicas e</p><p>ambientes insalubres, como é o caso dos agricultores e dos trabalhadores</p><p>da construção civil.</p><p>102</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Saiba Mais</p><p>Para saber mais informações sobre o câncer relacionado ao</p><p>trabalho, leia o artigo “Vigilância: as profissões e o câncer”.</p><p>INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES</p><p>DA SILVA. Vigilância: as profissões e o câncer. Rede Câncer,</p><p>Rio de Janeiro, ed. 17, abr. 2012. Disponível em: https://</p><p>www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/f iles/media/docu-</p><p>ment/vigilancia-rede-cancer-17.pdf.</p><p>Acesso em: 14 maio</p><p>2024.</p><p>103</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>CONCLUSÃO</p><p>Nesta unidade abordamos as principais doenças relacionadas ao trabalho,</p><p>levando em consideração os agentes de riscos ocupacionais, ou seja, as</p><p>doenças relacionadas aos riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos.</p><p>Para tanto, também relembramos o conceito de doenças ocupacionais, que,</p><p>resumidamente, são aquelas decorrem dos processos de trabalho no qual o</p><p>ser humano está exposto.</p><p>Nas doenças relacionadas ao risco físico, verificamos que, de modo geral, são</p><p>as altas e baixas temperaturas que mais causam agravos ocupacionais, que</p><p>os sintomas podem variar desde leves, como câimbras e síncopes, até outros</p><p>mais graves, como desidratação e choque térmico. Além desses, a exposição</p><p>à umidade pode também causar afecções dermatológicas.</p><p>Nos riscos químicos, as principais doenças são as pneumoconioses ocupacio-</p><p>nais. Entre elas, a silicose e a asbestose são as que mais acometem o traba-</p><p>lhado. Também conhecemos dermatoses ocupacionais, que são doenças</p><p>de pele que acometem os trabalhadores expostos a substâncias nocivas, e</p><p>ainda as intoxicações exógenas.</p><p>Entre as doenças causadas por riscos biológicos, entendemos que elas estão</p><p>relacionadas à classificação desses agentes (classe 1, 2 ,3 e 4), que vão desde</p><p>agentes leves até os que podem causar doenças graves, ao indivíduo e à</p><p>coletividade, podendo desenvolver agravos, como tuberculose, meningite,</p><p>HIV, entre outros.</p><p>Nas doenças causadas pelos agentes ergonômicos, temos as que atingem</p><p>principalmente o sistema osteomuscular, das quais podemos destacar</p><p>os Distúrbios Osteomusculares Relacionados com o Trabalho (DORT) e as</p><p>Lesões por esforço repetitivo (LER). Os trabalhadores apresentam sintomas</p><p>como dor, edema, parestesia, sensação de peso, perda de força e sensibili-</p><p>dade, entre outros.</p><p>Por fim, vimos como o ambiente laboral pode ser um fator de risco para o</p><p>desenvolvimento do câncer ocupacional. Segundo o Ministério da Saúde, é</p><p>a segunda causa de morte no Brasil, e muitos dos casos estão relacionados</p><p>a agentes carcinogêneos presentes nos locais e nos processos de trabalho.</p><p>104</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR</p><p>Para saber mais sobre este tema, leia os artigos a seguir.</p><p>1. ROSA, A. C. F. et al. Uso de técnicas de aprendizado de máquina para clas-</p><p>sificação de fatores que influenciam a ocorrência de dermatites ocupa-</p><p>cionais. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, [S. l.], v. 48, e4, 2023.</p><p>Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbso/a/TXyNh5DwxvnBnZXYBLM-</p><p>dybx/?lang=pt. Acesso em: 14 maio 2024.</p><p>2. DIAS, E. C. et al. Lista de doenças relacionadas ao trabalho – obrigação</p><p>legal de base técnica se transforma em imbróglio político-social: refle-</p><p>xões sobre possíveis saídas. Saúde em Debate, Rio de Janeiro, v. 45, n. 129,</p><p>p. 435-440, abr./jun. 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/sdeb/a/</p><p>nCW7Cjmx8FtqjyvNWtcMrkj/?lang=pt. Acesso em: 14 maio 2024.</p><p>3. DUTRA, V. G. P. et al. Carga de câncer relacionado ao trabalho no Brasil e</p><p>unidades da federação, 1990-2019. Revista Brasileira de Epidemiologia,</p><p>[S. l.], v. 26, e230001, 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbepid/a/</p><p>TQgmyRr4hRFnrCrbfxN5mQP/?lang=en. Acesso em: 14 maio 2024.</p><p>4. GUIMARÃES, R. M. et al. Exposição ocupacional e câncer: uma revisão</p><p>guarda-chuva. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, [S. l.], v. 47, e14,</p><p>2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbso/a/njPFkYZXr8BFVbxxf-</p><p>85C3HF/?lang=pt. Acesso em: 14 maio 2024.</p><p>5. PIMENTA, E. A. Riscos ocupacionais e acidentes de trabalho em centros</p><p>de material e esterilização: uma revisão integrativa. 2023. 58 f. Artigo</p><p>(Graduação em Enfermagem) – Curso de Enfermagem, Universidade</p><p>Federal do Maranhão, Pinheiro, MA, 2023. Disponível em: https://mono-</p><p>grafias.ufma.br/jspui/handle/123456789/6003. Acesso em: 14 maio 2024.</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>105</p><p>OBJETIVOS</p><p>Ao final desta unidade, esperamos que possa:</p><p>Conhecer as normas regulamentadoras</p><p>relativas à saúde ocupacional.</p><p>Compreender como se dá a prevenção de</p><p>acidentes de trabalho nas organizações e</p><p>empresas.</p><p>UNIDADE 5</p><p>106</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>5 PROMOÇÃO À SAÚDE DO TRABALHADOR</p><p>Ao logo desta disciplina, já foi amplamente discutida a necessidade de</p><p>atenção integral à saúde do trabalhador. Também abordamos as estratégias</p><p>implementadas pelo governo e organizações empresariais alicerçadas na</p><p>Constituição Federal de 1988 e na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).</p><p>Essas estratégias visam, em suas entrelinhas, garantir os direitos dos traba-</p><p>lhadores, entre eles, a saúde e a segurança no ambiente de trabalho.</p><p>Atentos à nova conformação do mundo do trabalho, às inovações tecnoló-</p><p>gicas, às novas formas de adoecimento do indivíduo e em comum acordo</p><p>com entidades internacionais como a Organização Internacional do Trabalho</p><p>(OIT) e a Organização das Nações Unidas (ONU), o Ministério da Saúde e</p><p>o Ministério do Trabalho e Emprego têm traçado inúmeras ações para a</p><p>promoção de um ambiente de trabalho seguro e sadio, consequentemente,</p><p>diminuindo os agravos ocupacionais e os afastamentos das atividades labo-</p><p>rais por doença. Além disso, estabelecem diretrizes para uma assistência</p><p>adequada ao trabalhador, com ênfase na prevenção e vigilância da saúde</p><p>dos trabalhadores (Brasil, 2022).</p><p>Diante do exposto, nesta unidade iremos conhecer um pouco sobre as dire-</p><p>trizes de higiene ocupacional, bem como, as Normas Regulamentadoras do</p><p>trabalho, a prevenção de acidentes e ainda sobre a segurança do trabalhador</p><p>nos serviços de saúde.</p><p>5.1 HIGIENE OCUPACIONAL</p><p>A higiene ocupacional, também conhecida como “higiene do trabalho”</p><p>ou “higiene industrial”, refere-se a métodos e estratégias desenvolvidos no</p><p>ambiente laboral a fim de promover um ambiente saudável para o desenvol-</p><p>vimento do processo de trabalho, identificando, neutralizando e eliminando</p><p>os riscos ocupacionais (Barsano; Barbosa, 2014).</p><p>107</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Figura 1: Trabalhadores felizes</p><p>Fonte: 1st footage, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Fotografia de trabalhadores alegres dentro de um armazém, vestindo</p><p>equipamentos de proteção individual.</p><p>Para tanto, foi incorporado nas empresas e indústrias o Serviço Especializado</p><p>em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT), que, por meio</p><p>de seus conhecimentos técnicos e com o uso de metodologias específicas,</p><p>deve promover ações para garantir a produção do trabalho segura, livre de</p><p>acidentes e riscos ocupacionais, propiciando integridade física e psíquica ao</p><p>trabalhador (Barsano; Barbosa, 2014).</p><p>Figura 2: Higiene ocupacional</p><p>Fonte: M2020, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Fotografia de uma trabalhadora em indústria, com</p><p>equipamentos de proteção individual, trabalhando de forma segura.</p><p>108</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Para auxiliar as organizações nas práticas de higiene ocupacional, o Funda-</p><p>centro desenvolveu as Normas de Higiene Ocupacional (NHOs). Essas normas</p><p>técnicas trazem diretrizes e procedimentos para identificação, avaliação</p><p>e controle dos riscos e perigos ambientais e profissionais e visam instituir</p><p>medidas preventivas contra doenças ocupacionais.</p><p>Atualmente, segundo o Fundacentro (2021), temos 11 Normas de Higiene</p><p>Ocupacional (NHOs), a saber:</p><p>NHO 01 - Norma de higiene ocupacional: procedimento técnico:</p><p>avaliação da exposição ocupacional ao ruído.</p><p>NHO 02 - Norma de higiene ocupacional: método de ensaio: análise</p><p>qualitativa da fração volátil (vapores orgânicos) em colas, tintas e</p><p>vernizes por cromatografia gasosa / detector de ionização de chama.</p><p>NHO 03 - Norma de higiene ocupacional: método de ensaio: análise</p><p>gravimétrica de aerodispersoides sólidos coletados sobre filtros de</p><p>membrana.</p><p>NHO 04 - Norma de higiene ocupacional: método de ensaio: método</p><p>de coleta e análise de fibras em locais de trabalho - análise por</p><p>microscopia ótica de contraste de fase.</p><p>NHO 05 - Norma</p><p>– O TRABALHO COMO GERADOR</p><p>DE DOENÇAS 30</p><p>1.2.1 MEIO AMBIENTE, TRABALHO E SAÚDE 33</p><p>1.2.2 O PAPEL DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE NA ATENÇÃO À SAÚDE DO</p><p>TRABALHADOR 34</p><p>1.2.3 INTEGRALIDADE NA ASSISTÊNCIA À SAÚDE DO TRABALHADOR 36</p><p>CONCLUSÃO 38</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR 39</p><p>2 ATENÇÃO À SAÚDE DO TRABALHADOR 41</p><p>UNIDADE 2</p><p>10</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>UNIDADE 3</p><p>2.1 O PAPEL DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE NA ATENÇÃO À SAÚDE DO</p><p>TRABALHADOR 41</p><p>2.1.1 PRINCÍPIOS DE SAÚDE MENTAL DO TRABALHADOR 51</p><p>2.1.2 FATORES PSICOSSOCIAIS RELACIONADOS COM O TRABALHADOR E O MEIO</p><p>AMBIENTE QUE AFETAM O TRABALHADOR E O SEU DESEMPENHO PROFISSIONAL;</p><p>REAÇÕES COMPORTAMENTAIS 52</p><p>2.1.3 PRINCÍPIOS ÉTICOS E DE RELAÇÕES INTERPESSOAIS NO TRABALHO 53</p><p>2.2 TECNOLOGIA DE CONTROLE DE RISCOS AMBIENTAIS E FUNCIONAIS 55</p><p>2.2.1 PRINCÍPIOS DA ERGONOMIA E INFLUÊNCIAS NA SAÚDE DO TRABALHADOR 57</p><p>2.2.2 ORIENTAÇÕES DA VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA - DOENÇAS PROFISSIONAIS</p><p>E DOENÇAS RELACIONADAS AO TRABALHO E OUTRAS 59</p><p>CONCLUSÃO 61</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR 62</p><p>3 ORGANIZAÇÃO DO SERVIÇO DE SAÚDE DO TRABALHADOR 64</p><p>3.1 SISTEMA DE GESTÃO INTEGRADA (SGI) EM SEGURANÇA E SAÚDE DO</p><p>TRABALHADOR 64</p><p>3.1.1 GESTÃO DOS RISCOS E PERIGOS NO AMBIENTE DE TRABALHO 67</p><p>3.1.2 PROGRAMAS DE CONTROLE E PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DE DOENÇAS</p><p>PROFISSIONAIS, DO TRABALHO E OUTRAS 69</p><p>3.2 CONTROLE DE RISCOS - TÉCNICAS DE ANÁLISE DE RISCO 71</p><p>3.2.1 RISCOS FÍSICOS, QUÍMICOS, BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOS RELACIONADOS</p><p>COM O MEIO AMBIENTE E SAÚDE DO TRABALHADOR 73</p><p>11</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>UNIDADE 4</p><p>3.2.2 MEDIDAS DE PROTEÇÃO COLETIVA E INDIVIDUAL – EPC E EPI 78</p><p>CONCLUSÃO 82</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR 83</p><p>4 PATOLOGIAS RELACIONADAS AO TRABALHO 85</p><p>4.1 DOENÇAS RELACIONADAS AO TRABALHO 86</p><p>4.1.1 DOENÇAS RELACIONADAS AO AGENTE FÍSICO 86</p><p>4.1.2 DOENÇAS RELACIONADAS AO AGENTE QUÍMICO 92</p><p>4.1.3 DOENÇAS RELACIONADAS AO AGENTE BIOLÓGICO 97</p><p>4.1.4 DOENÇAS RELACIONADAS AO AGENTE ERGONÔMICO 99</p><p>4.2 CÂNCER E SUA RELAÇÃO COM O TRABALHO 101</p><p>CONCLUSÃO 103</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR 104</p><p>UNIDADE 5</p><p>5 PROMOÇÃO À SAÚDE DO TRABALHADOR 106</p><p>5.1 HIGIENE OCUPACIONAL 106</p><p>5.1.1 NOÇÕES BÁSICAS SOBRE AS NORMAS REGULAMENTADORAS DO MINISTÉRIO</p><p>DO TRABALHO 109</p><p>5.1.2 PREVENÇÃO DE ACIDENTES 116</p><p>5.1.3 COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES- CIPA 119</p><p>12</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>5.2 SISTEMA IMUNOLÓGICO, TIPOS DE IMUNIDADE E ESQUEMAS DE IMUNIZAÇÃO</p><p>USADOS NA SAÚDE DO TRABALHADOR 120</p><p>5.3 SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO EM SERVIÇOS DE SAÚDE 122</p><p>CONCLUSÃO 123</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR 124</p><p>UNIDADE 6</p><p>6 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO</p><p>TRABALHADOR 126</p><p>6.1 FUNÇÃO DA ENFERMAGEM DO TRABALHO 128</p><p>6.1.1 O PROCESSO DE ENFERMAGEM NA SAÚDE OCUPACIONAL 131</p><p>6.1.2 CONSULTA DE ENFERMAGEM 136</p><p>6.2.1 TESTES DE AVALIAÇÃO A SAÚDE DO TRABALHADOR 140</p><p>6.2.2 A MONITORAÇÃO BIOLÓGICA DO TRABALHADOR 142</p><p>CONCLUSÃO 144</p><p>MATERIA COMPLEMENTAR 145</p><p>REFERÊNCIAS 146</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>13</p><p>Iconografia</p><p>Atenção</p><p>Para Saber</p><p>Saiba Mais</p><p>Dicas</p><p>Onde Pesquisar</p><p>Leitura Complementar</p><p>Glossário</p><p>Midias Integradas</p><p>Anotações</p><p>Exemplo</p><p>Reflita</p><p>Atividades de</p><p>Aprendizagem</p><p>Curiosidades</p><p>Questões</p><p>Áudios</p><p>Citações</p><p>Download</p><p>14</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>DA DISCIPLINA</p><p>Seja bem-vindo(a) a disciplina Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupa-</p><p>cional!</p><p>Esta disciplina explora a relação entre o trabalho de enfermagem e a saúde</p><p>dos trabalhadores, iniciando com o conceito de trabalho e seus elementos</p><p>básicos, incluindo os riscos e as cargas de trabalho. Serão detalhadas as</p><p>diversas cargas associadas ao trabalho de enfermagem, como as biológicas,</p><p>físicas, químicas, mecânicas, fisiológicas e psíquicas. Também será abor-</p><p>dado o processo de desgaste do trabalhador de enfermagem e suas formas</p><p>de expressão. O perfil de morbidade dos trabalhadores de enfermagem,</p><p>que inclui doenças e acidentes relacionados ao trabalho, é um componente</p><p>crítico da discussão. Além disso, a disciplina contempla a qualidade de vida</p><p>e a qualidade de vida no trabalho, avaliando os potenciais de risco versus os</p><p>potenciais de benefícios. Estratégias para potencializar a saúde dos traba-</p><p>lhadores serão examinadas, proporcionando aos alunos uma compreensão</p><p>profunda dos desafios enfrentados na prática da enfermagem e das aborda-</p><p>gens para mitigar esses riscos.</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>15</p><p>OBJETIVOS DA DISCIPLINA</p><p>• Aprofundar, refletir e explicar teorias e práticas de enfermagem relacio-</p><p>nadas com a saúde ocupacional.</p><p>• Analisar situações de trabalho, morbidade e mortalidade e riscos ocupa-</p><p>cionais aos trabalhadores (acidentes de trabalho e doenças relacionadas</p><p>ao trabalho) com base em uma abordagem ergonômica.</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>16</p><p>OBJETIVOS</p><p>Ao final desta unidade, esperamos que possa:</p><p>Ampliar o conhecimento do aluno em</p><p>relação a evolução histórica da saúde do</p><p>trabalhador.</p><p>Entender o processo saúde doença e o</p><p>trabalho como gerador de doenças.</p><p>UNIDADE 1</p><p>17</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>1 FUNDAMENTAÇÃO BÁSICA DA SAÚDE DO</p><p>TRABALHADOR</p><p>Nesta unidade, contextualizaremos a saúde do trabalhador, as teorias e os</p><p>conceitos fundamentais para aprendizagem desse tema. Conceitualmente a</p><p>saúde do trabalhador é um campo do conhecimento que propõe a compre-</p><p>ensão das relações de trabalho com o processo de saúde e doença desen-</p><p>volvido pelos trabalhadores. Mas a quem podemos chamar de trabalhadores</p><p>no Brasil? Só aqueles que têm função estatutária ou carteira assinada? Essa</p><p>saúde do trabalhador só favorece essas pessoas?</p><p>Sanando suas prováveis dúvidas, segundo o Ministério da Saúde (Brasil,</p><p>2002, p. 7) “trabalhador é toda pessoa que exerça uma atividade de trabalho,</p><p>independentemente de estar inserido no mercado formal ou informal de</p><p>trabalho, inclusive na forma de trabalho familiar e/ou doméstico”. Portanto,</p><p>quando tratamos de saúde do trabalhador, abordamos todos os aspectos</p><p>relacionados ao trabalho desenvolvido pelas pessoas que possa ter relação</p><p>com agravos de saúde. Vamos aprimorar nossos conhecimentos sobre essa</p><p>temática ao longo desta unidade.</p><p>1.1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA SAÚDE DO</p><p>TRABALHADOR</p><p>Desde tempos remotos o ser humano trabalha. Isso não ocorria no sentido</p><p>conceitual da palavra, mas sim nas formas que desenvolvia para sobreviver;</p><p>por exemplo: a caça e a pesca eram maneiras de trabalho, porém eram</p><p>destinadas à subsistência e não eram remuneradas financeiramente. Com</p><p>a evolução social da humanidade, houve uma época em que o trabalho era</p><p>considerado indigno e só poderia ser praticado por pessoas escravizadas</p><p>(Melo; Ciampa; Araújo, 2014).</p><p>18</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Figura 1: Trabalho escravo</p><p>Fonte: Terd486, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Ilustração da construção de uma das pirâmides no Egito. Ao fundo, duas</p><p>pirâmides à direita estão prontas e a da esquerda está na metade. Sobre ela, ao longe, há</p><p>pessoas puxando pedras. Em primeiro plano, da esquerda para a direita, há uma pessoa</p><p>com o braço levantado segurando um chicote e apontando para o chão à frente de dois</p><p>grupos de quatro trabalhadores, cada grupo puxando uma pedra retangular; sobre cada</p><p>pedra há uma pessoa com as mãos na cintura.</p><p>Já na Idade Média o trabalho era caracterizado por uma troca de serviços:</p><p>as pessoas que não tinham posses ofereciam seus serviços para os donos</p><p>das terras em troca de moradia, alimentação e “proteção”. Era uma relação</p><p>senhor-servo, considerada diferente da escravidão, em que os escravizados</p><p>eram obrigados a trabalhar. Porém, um servo só poderia sair das terras de</p><p>seu senhor se pagasse todas as dívidas que tinha com ele. Entendemos que,</p><p>nesse sentido, só se mudou o nome da escravidão (Melo; Ciampa; Araújo,</p><p>2014).</p><p>Durante algum tempo, já na Idade Moderna, o trabalho passou a ser concei-</p><p>tuado como uma benção divina. Nessa época surgiu um movimento alicer-</p><p>çado nas teorias protestantes,</p><p>de higiene ocupacional: procedimento técnico:</p><p>avaliação da exposição ocupacional aos raios-x nos serviços de</p><p>radiologia.</p><p>NHO 06 - Norma de higiene ocupacional: procedimento técnico:</p><p>avaliação da exposição ocupacional ao calor.</p><p>NHO 07 - Norma de higiene ocupacional: procedimento técnico:</p><p>calibração de bombas de amostragem individual pelo método da</p><p>bolha de sabão.</p><p>NHO 08 - Norma de higiene ocupacional: procedimento técnico:</p><p>coleta de material particulado sólido suspenso no ar de ambientes</p><p>de trabalho.</p><p>109</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>NHO 09 - Norma de higiene ocupacional: procedimento técnico:</p><p>avaliação da exposição ocupacional a vibrações de corpo inteiro.</p><p>NHO 10 - Norma de higiene ocupacional: procedimento técnico:</p><p>avaliação da exposição ocupacional a vibração de mãos e braços.</p><p>NHO 11 - Norma de higiene ocupacional: procedimento técnico:</p><p>avaliação dos níveis de iluminamento em ambientes internos de</p><p>trabalho (Fundacentro, 2021).</p><p>Saiba Mais</p><p>Caso tenha interesse em conhecer as Normas de Higiene</p><p>Ocupacional (NHOs), na integra, elas estão disponíveis no</p><p>link a seguir.</p><p>FUNDACENTRO. Normas de Higiene Ocupacional. Gov.br,</p><p>10 dez. 2021. Disponível em: https://www.gov.br/funda-</p><p>centro/pt-br/centrais-de-conteudo/biblioteca/nhos. Acesso</p><p>em: 14 maio 2024.</p><p>5.1.1 NOÇÕES BÁSICAS SOBRE AS NORMAS</p><p>REGULAMENTADORAS DO MINISTÉRIO DO TRABALHO</p><p>As Normas Regulamentadoras (NRs) estão em vigor desde 8 de junho de</p><p>1978, por meio da Portaria n. 3.214/1978. Essas normas foram desenvolvidas</p><p>no intuito de regulamentar o Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis</p><p>do Trabalho (CLT), referente à segurança e à medicina do trabalho (Mattos,</p><p>2019).</p><p>As normas regulamentadoras fazem parte de uma estrutura normativa que</p><p>rege a Segurança e Saúde no Trabalho (SST). Temos, em princípio, a Consti-</p><p>tuição Federal Brasileira, depois a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT)</p><p>e, por último, as Normas Regulamentadoras (NRs), que estabelecem a legis-</p><p>lação brasileira para prevenção de acidentes e doenças do trabalho (Mattos,</p><p>2019).</p><p>110</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>A implementação dessas normas fica a cargo do “Ministério do Trabalho e</p><p>Emprego – MTE, que é o órgão do Poder Executivo responsável pela apli-</p><p>cação da política das normas de proteção ao trabalho da União” (Mattos,</p><p>2019, p. 128), devendo estar presente em todos os estados e Distrito Federal,</p><p>atuando por meio de Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego.</p><p>Portanto, o Ministério do Trabalho e Emprego, por meio da aplicação das</p><p>NRs, tem o papel de</p><p>Formular, implementar, acompanhar e avaliar as políticas públicas</p><p>de imigração, de fomento ao trabalho e emprego, qualificação</p><p>profissional, proteção e benefícios ao trabalhador, bem como asse-</p><p>gurar os direitos trabalhistas e as condições de segurança e saúde,</p><p>atividade esta realizada através da Inspeção do Trabalho, conside-</p><p>rada essencial do Estado (Mattos, 2019, p. 128).</p><p>Nesse contexto, é importante salientar que as NRs devem ser obedecidas</p><p>por todas as “empresas privadas e públicas e pelos órgãos públicos de admi-</p><p>nistração direta e indireta, bem como pelos órgãos do Legislativo e do Judi-</p><p>ciário que possuam empregados regidos pela CLT” (Mattos, 2019, p.128).</p><p>As NRs são frequentemente reavaliadas e atualizadas, com a finalidade de</p><p>reduzir acidentes e doenças provocadas ou agravadas pelo trabalho. Para</p><p>atingir esse objetivo, foi formulada a Comissão Tripartite Paritária Perma-</p><p>nente (CTPP), que deve ser constituída de forma paritária entre governo,</p><p>empregadores e trabalhadores (Chirmici; Oliveira, 2016).</p><p>Considerando as diretrizes estabelecidas pelas NRs, elas trazem parâme-</p><p>tros mínimos a serem observados pelas empresas, em relação à saúde e à</p><p>segurança dos trabalhadores, levando em consideração a atividade laboral</p><p>desempenhada. Além disso, trazem orientações de como proceder para</p><p>tornar o ambiente de trabalho saudável (Mattos, 2019).</p><p>111</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Figura 3: Normas regulamentadoras</p><p>Fonte: UnderhilStudio, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: A imagem apresenta um empresário, com vários ícones, representando,</p><p>normas, gráficos, leis e certificações para a empresa.</p><p>Ainda segundo Mattos (2019), as NRs podem ser classificadas como: gené-</p><p>ricas e específicas. As genéricas trazem orientações gerais sobre todas as</p><p>atividades econômicas. Já as específicas são divididas em estruturantes e</p><p>não estruturantes (Mattos, 2019).</p><p>As estruturantes são aquelas que trazem os princípios para o desenvolvi-</p><p>mento dos sistemas de gestão integrada aplicados à segurança e à saúde</p><p>do trabalhador. As não estruturantes são aquelas específicas para algumas</p><p>atividades econômicas, por exemplo, as diretrizes com condições e meio</p><p>ambiente adequado para o trabalho na indústria da construção (Mattos,</p><p>2019).</p><p>Atualmente, temos 38 NRs vigentes. A seguir, conheceremos cada Norma</p><p>Regulamentadora e um breve resumo dos seus princípios, conforme Barsano</p><p>e Barbosa (2014) e Brasil (2023).</p><p>112</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>NR-1 – Trata das disposições gerais nas normas regulamentadoras e</p><p>de segurança no trabalho, bem como suas aplicações nas empresas,</p><p>conceituando o que compete aos empregadores e aos empregados.</p><p>NR-2 – Trata da inspeção prévia, ou seja, todo estabelecimento novo</p><p>ou modificado deve passar por aprovação para que inicie as ativi-</p><p>dades em um ambiente livre de riscos de acidentes. Essa inspeção</p><p>deve ser realizada pelo órgão regional do MTE.</p><p>NR-3 – Trata de embargo ou interdição, caso a atividade laboral traga</p><p>algum risco para a saúde e a segurança do trabalhador. Determina</p><p>a paralisação total ou parcial de serviço, máquina ou equipamento</p><p>que acarretem risco ao empregado.</p><p>NR-4 – Estabelece a obrigatoriedade dos Serviços Especializados</p><p>em Engenharia de Segurança em Medicina do Trabalho (SESMT)</p><p>em todas as empresas, sendo a equipe composta de engenheiro</p><p>do trabalho, técnico de segurança do trabalho, médico do trabalho,</p><p>enfermeiro e auxiliar de enfermagem.</p><p>NR-5 – Estabelece a obrigatoriedade da Comissão Interna de</p><p>Prevenção de Acidentes (CIPA) em todas as empresas com 20 ou</p><p>mais empregados, sendo apresentadas as diretrizes para o funciona-</p><p>mento adequado da comissão, como eleições, reuniões, formação,</p><p>entre outros.</p><p>NR-6 – Conceitua os equipamentos de proteção individual (EPI),</p><p>bem como a obrigatoriedade de os empregadores os oferecerem</p><p>aos empregados e, ainda, treiná-los para o uso adequado e conser-</p><p>vação.</p><p>NR-7 – Estabelece o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupa-</p><p>cional (PCMSO), com a obrigatoriedade da realização de consulta</p><p>médica ocupacional nas seguintes situações: admissão, periódico, de</p><p>retorno ao trabalho, de mudança de função e no caso de demissão.</p><p>NR-8 – Estabelece condições técnicas obrigatórias para a segurança</p><p>e conforto nas edificações.</p><p>113</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>NR-9 – Trata do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais</p><p>(PPRA) com recomendações para identificação precoce dos riscos</p><p>ocupacionais, bem como sua neutralização ou eliminação.</p><p>NR-10 – Estabelece normas de segurança em instalações e serviços</p><p>em eletricidade, trata de medidas de segurança a serem adotas</p><p>para prevenir o choque elétrico.</p><p>NR-11 – Estabelece normas de segurança para transporte, movi-</p><p>mentação, armazenagem e manuseio de materiais, entre eles a</p><p>operação de elevadores, guindastes, transportadores industriais e</p><p>máquinas transportadoras. Além disso, trata do transporte de sacas.</p><p>NR-12 – Trata das normas de segurança no trabalho em máquinas e</p><p>equipamentos, estabelece diretrizes para a prevenção de acidentes</p><p>durante a utilização de máquinas e equipamentos de todos os</p><p>tipos, abordando, ainda, as temáticas relacionadas à sua fabricação,</p><p>importação, comercialização, exposição e cessão a qualquer título.</p><p>NR-13 – Trata da regulamentação do trabalho envolvendo caldeiras</p><p>e vasos de pressão. Conceitua os tipos de caldeiras, bem como a</p><p>instalação</p><p>e manuseio seguros. Estabelece que esses equipamentos</p><p>devem ter um prontuário com todos os registros de funcionamento</p><p>e segurança. Também orienta o treinamento com carga horária</p><p>específica para os trabalhadores envolvidos.</p><p>NR-14 – Trata de medidas de segurança para a utilização e manu-</p><p>tenção de fornos, garantindo segurança e conforto aos trabalha-</p><p>dores.</p><p>NR-15 – Normatiza os limites de tolerância para os possíveis riscos no</p><p>ambiente de trabalho considerados insalubres. Por exemplo: limite</p><p>de tolerância ao frio, ao calor, à umidade, a substâncias químicas, a</p><p>ruídos, entre outros. Ainda estabelece o acréscimo ao salário base</p><p>para aqueles trabalhadores submetidos a ambientes insalubres.</p><p>NR-16 – Estabelece normas para o desenvolvimento dos trabalhos</p><p>considerados atividades e operações perigosas. São relacionadas</p><p>as seguintes atividades: operações com explosivos, inflamáveis e</p><p>114</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>radiações ionizantes ou substâncias radioativas. Ainda estabelece o</p><p>acréscimo ao salário base para aqueles trabalhadores submetidos a</p><p>essas atividades.</p><p>NR-17 – Trata da ergonomia no ambiente de trabalho, trazendo</p><p>orientações para a adaptação psicofisiológica do trabalhador à ativi-</p><p>dade desenvolvida, visando conforto no processo de trabalho.</p><p>NR-18 – Trata de processos preventivos de segurança no ambiente</p><p>de trabalho na indústria da construção, principalmente em canteiros</p><p>de obras. Estabelece também a obrigatoriedade e orientações para</p><p>o Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indús-</p><p>tria da Construção (PCMAT), em estabelecimentos com 20 ou mais</p><p>funcionários.</p><p>NR-19 – Normatiza o trabalho com explosivos, trazendo regras sobre</p><p>manuseio, controle, fabricação, comércio e armazenamento.</p><p>NR-20 – Normatiza o trabalho com líquidos combustíveis e inflamá-</p><p>veis, trazendo regras sobre manuseio, controle, fabricação, comércio</p><p>e armazenamento.</p><p>NR-21 – Normatiza o trabalho realizado a céu aberto, estabelecendo</p><p>diretrizes para elaboração de abrigos para proteger os trabalhadores</p><p>contra intempéries. Exemplos: chuvas, frio, calor, umidade, ventos</p><p>fortes.</p><p>NR-22 – Trata da segurança e saúde ocupacional na mineração,</p><p>ou seja, estabelece medidas de prevenção e segurança para os</p><p>processos e ambiente de trabalho na mineração.</p><p>NR-23 – Regulamenta a proteção contra incêndios nos ambientes</p><p>de trabalho, estabelecendo medidas de segurança, sinalização e</p><p>saídas de emergência, incluindo treinamentos com a equipe.</p><p>NR-24 – Estabelece condições sanitárias e de conforto nos locais</p><p>de trabalho. Preconiza a divisão dos ambientes sanitários por sexo,</p><p>limpos e higienizados. Determina que deve haver um chuveiro para</p><p>115</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>cada 10 funcionários e que os trabalhadores não devem fazer suas</p><p>refeições no ambiente de trabalho.</p><p>NR-25 – Regulamenta o descarte adequado dos resíduos das indús-</p><p>trias. Trata da redução da geração de resíduos pelas empresas e</p><p>estabelece diretrizes para coleta, acondicionamento, transporte,</p><p>tratamento e destino final dos resíduos.</p><p>NR-26 – Trata da utilização de cores, representando segurança nos</p><p>locais de trabalho, as cores devem indicar e advertir acerca dos</p><p>riscos existentes.</p><p>NR-27 – Tratava dos requisitos de atuação do técnico de segurança</p><p>do trabalho, porém foi revogada em 2008.</p><p>NR-28 – Dispõe sobre a fiscalização de segurança e saúde do</p><p>trabalho, estabelecendo prazos para a correção das irregularidades</p><p>encontradas, bem como define a aplicação de penalidades, como</p><p>multas e interdição.</p><p>NR-29 – Trata da prevenção de doenças e acidentes em trabalhos</p><p>portuários, em terra ou na água.</p><p>NR-30 – Trata da prevenção de doenças e acidentes em trabalhos</p><p>aquaviários.</p><p>NR-31 – Estabelece normas de segurança e saúde no trabalho na</p><p>agricultura, pecuária, silvicultura, exploração florestal e aquicultura.</p><p>NR-32 – Trata de diretrizes básicas para prestação de assistência à</p><p>saúde da população em todas as modalidades e as responsabili-</p><p>dades dos contratantes e contratados.</p><p>NR-33 – Trata de normas para avaliação e prevenção obrigatórias</p><p>para empregadores que têm espaços confinados.</p><p>NR-34 – Trata das normas para prevenção e segurança para ativi-</p><p>dades da indústria de construção e reparação naval.</p><p>NR-35 – Trata das normas para prevenção e segurança para traba-</p><p>lhadores que desenvolvem atividades em altura.</p><p>116</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>NR-36 – Estabelece normas para prevenção e segurança para traba-</p><p>lhadores da indústria de abate e processamento de carnes e deri-</p><p>vados para consumo humano.</p><p>NR-37 – Trata das normas para prevenção e segurança para traba-</p><p>lhadores que desenvolvem atividades em plataformas de petróleo.</p><p>NR-38 – Trata das normas e medidas de prevenção para garantir as</p><p>condições de segurança e saúde dos trabalhadores nas atividades</p><p>de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos.</p><p>Saiba Mais</p><p>Caro estudante, para você ter acesso na íntegra a todas as</p><p>Normas Regulamentadoras, acesse o link a seguir.</p><p>BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Normas Regu-</p><p>lamentadoras Vigentes. Gov.br, 12 dez. 2023. Disponível</p><p>em: https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/acesso-</p><p>-a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgaos-</p><p>-colegiados/comissao-tripartite-partitaria-permanente/</p><p>normas-regulamentadora/normas-regulamentadoras-vi-</p><p>gentes. Acesso em: 14 maio 2024.</p><p>5.1.2 PREVENÇÃO DE ACIDENTES</p><p>Os acidentes de trabalho são acontecimentos que podem ser previsíveis e</p><p>prevenidos, no entanto, não são impossíveis de acontecer. Os acidentes de</p><p>trabalho são conceituados pela Lei n. 8.213/1991, que regulamenta os planos</p><p>de benefícios da Previdência Social da seguinte forma:</p><p>Acidente de trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a</p><p>serviço de empresa ou de empregador doméstico ou pelo exercício</p><p>do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art. 11 desta Lei,</p><p>provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a</p><p>117</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capa-</p><p>cidade para o trabalho (Brasil, 1991).</p><p>Diante disso, os acidentes de trabalho podem ser caracterizados como</p><p>aqueles que acontecem no ambiente de trabalho. São exemplos: agressão,</p><p>sabotagem, ofensa física intencional no ambiente de trabalho, imprudência,</p><p>negligência ou imperícia de terceiros ou de companheiro de trabalho, intem-</p><p>péries derivadas da força da natureza (desabamento, inundação), incêndios</p><p>ou, ainda, contaminação acidental do empregado no exercício de sua ativi-</p><p>dade (Chirmici; Oliveira, 2016).</p><p>Além desses, podemos citar, como acidentes de trabalho, aqueles que acon-</p><p>tecem fora do local e horário de trabalho. Por exemplo: durante a execução</p><p>de serviço fora da empresa, em viagem a serviço da empresa e, ainda, no</p><p>trajeto do empregado para o local de trabalho, independentemente do meio</p><p>de transporte utilizado por ele (Chirmici; Oliveira, 2016).</p><p>Portanto, para alcançar os objetivos das legislações vigentes, relacionadas</p><p>à segurança e à saúde no trabalho, as empresas precisam desenvolver</p><p>ações prevencionistas com intuito de identificar, neutralizar e eliminar os</p><p>riscos. Para tanto, os membros do Serviço Especializado em Engenharia de</p><p>Segurança do Trabalho (SESMT), juntamente com a Comissão Interna de</p><p>Prevenção de Acidentes (CIPA), cuja função detalhada conheceremos mais</p><p>à frente, devem promover a prevenção de acidentes nas empresas (Barsano;</p><p>Barbosa, 2014).</p><p>Figura 4: Ações prevencionistas</p><p>118</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Fonte: Buravleva stock, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Ilustração colorida de alguns equipamentos de prevenção de acidentes</p><p>no trabalho, equipamentos de proteção individual e coletiva: extintor, capacete, kit de</p><p>primeiros socorros.</p><p>Dessa forma, podemos considerar, no tange às ações dessas comissões, a</p><p>necessidade de conhecer os aspectos perigosos relacionados a cada ativi-</p><p>dade laboral, orientar os trabalhadores sobre esses perigos e elaborar</p><p>estra-</p><p>tégias para que haja redução de acidentes. É importante salientar que essa</p><p>equipe deve se atentar para os ambientes insalubres, a utilização correta</p><p>de máquinas e equipamentos, a utilização de EPIs e EPCs, além de outros</p><p>fatores que possam colocar em risco o trabalhador no desenvolvimento de</p><p>suas atividades (Barsano; Barbosa, 2014).</p><p>Podemos citar algumas ações prevencionistas como medidas de proteção</p><p>administrativa, medidas de proteção coletiva, medidas de proteção indivi-</p><p>dual e sinalização de segurança - NR 26. Como as primeiras ações já foram</p><p>detalhadas nesta disciplina, iremos nos deter na sinalização de segurança.</p><p>• Sinalização de Segurança - NR 26</p><p>A sinalização de segurança é uma determinação da NR 26, do Ministério</p><p>do Trabalho e Emprego. Ela define o uso de cores para identificação e</p><p>advertência dos riscos presentes no ambiente. De modo geral, podem ser</p><p>utilizadas nas seguintes situações: indicar os equipamentos de segurança</p><p>que devem ser utilizados, delimitar as áreas de atuação, indicar tubulações</p><p>em que há condução de gases e líquidos e advertir contra possíveis riscos</p><p>(Barsano; Barbosa, 2014).</p><p>No quadro a seguir, apresentamos as cores e suas funções na segurança do</p><p>trabalho, de acordo com a NR 26.</p><p>Quadro 1: Cores e funções na segurança do trabalho</p><p>VERMELHO Proteção contra incêndios.</p><p>AMARELO Indica cuidado (bandeiras e faixas de advertência).</p><p>BRANCO</p><p>Indica localização e áreas de circulação (faixas de passarelas, localização</p><p>e coletores de resíduos e bebedouros).</p><p>119</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Fonte: Barsano e Barbosa, 2014.</p><p>#PraTodosVerem: Quadro com duas colunas e nove linhas apresenta o significado das</p><p>cores na segurança do trabalho: VERMELHO – Proteção contra incêndios; AMARELO –</p><p>Indica cuidado (bandeiras e faixas de advertência); BRANCO – Indica localização e áreas de</p><p>circulação (faixas de passarelas, localização e coletores de resíduos e bebedouros); PRETO</p><p>– Indica tubulações de inflamáveis e combustíveis de alta viscosidade (piche, lubrificantes,</p><p>óleo combustível); AZUL – É utilizado para indicar tubulações de ar comprimido, avisos para</p><p>a prevenção contra acidentes em equipamento em manutenção, entre outros; VERDE – Cor</p><p>que indica segurança; LARANJA – Utilizada para sinalizar maquinários (botões, peças, partes</p><p>móveis); PÚRPURA – Sinaliza riscos para radiações eletromagnéticas; ALUMÍNIO – Utilizado</p><p>para sinalizar tubulações contendo gases liquefeitos, inflamáveis e combustíveis de baixa</p><p>viscosidade (óleo diesel, gasolina, querosene).</p><p>5.1.3 COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES- CIPA</p><p>PRETO</p><p>Indica tubulações de inflamáveis e combustíveis de alta viscosidade</p><p>(piche, lubrificantes, óleo combustível).</p><p>AZUL</p><p>É utilizado para indicar tubulações de ar comprimido, avisos para a</p><p>prevenção contra acidentes em equipamento em manutenção, entre</p><p>outros.</p><p>VERDE Cor que indica segurança.</p><p>LARANJA Utilizada para sinalizar maquinários (botões, peças, partes móveis).</p><p>PÚRPURA Sinaliza riscos para radiações eletromagnéticas.</p><p>ALUMÍNIO</p><p>Utilizado para sinalizar tubulações contendo gases liquefeitos,</p><p>inflamáveis e combustíveis de baixa viscosidade (óleo diesel, gasolina,</p><p>querosene).</p><p>Figura 5: CIPA</p><p>120</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Fonte: Buravleva stock, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Logo da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA. Sinal de</p><p>mais, ao centro, na cor verde sobre fundo branco; ao redor, um círculo estreito verde; um</p><p>círculo branco u pouco mais largo; em seguida, um círculo bem largo em verde com a</p><p>palavra CIPA na parte de cima e a palavra SEGURANÇA na parte de baixo; depois um</p><p>círculo branco como o anterior; e finaliza com um círculo verde.</p><p>A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA foi regulamentada no</p><p>Brasil por meio dos artigos 162 a 165 da Consolidação das Leis do Trabalho</p><p>e pela NR 5 do Ministério do Trabalho e Emprego, seguindo as orientações</p><p>da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para o desenvolvimento de</p><p>estratégias permanentes de prevenção de acidentes e promoção à saúde do</p><p>trabalhador (Barsano; Barbosa, 2014).</p><p>A CIPA deve ser composta de empregadores e empregados, sendo esco-</p><p>lhidos por meio de eleição entre os funcionários, com mandato de um ano.</p><p>Sobre as atribuições da CIPA, podemos destacar:</p><p>Identificar os riscos do processo de trabalho e elaborar o mapa</p><p>de riscos;Elaborar plano de trabalho de ação preventiva para os</p><p>problemas de segurança e saúde no trabalho;Participar da imple-</p><p>mentação e do controle da qualidade das medidas de prevenção</p><p>necessárias;Periodicamente, realizar verificações nos ambientes e</p><p>nas condições de trabalho, visando à identificação de situações que</p><p>venham a trazer riscos para a segurança e a saúde dos trabalha-</p><p>dores (Barsano; Barbosa, 2014, p. 54).</p><p>Portanto, a CIPA, é uma das estratégias utilizadas pelas empresas, em conso-</p><p>nância com a legislação vigente, para reduzir os acidentes e as doenças deri-</p><p>vadas dos processos de trabalho.</p><p>5.2 SISTEMA IMUNOLÓGICO, TIPOS DE IMUNIDADE E</p><p>ESQUEMAS DE IMUNIZAÇÃO USADOS NA SAÚDE DO</p><p>TRABALHADOR</p><p>Sabemos que a melhor forma de evitar doenças infectocontagiosas é a vaci-</p><p>nação. Ela estimula a imunidade humana, protegendo o indivíduo contra</p><p>121</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>vários agravos de saúde. Na saúde ocupacional, como princípios preventivos</p><p>de doenças, a manutenção do calendário de vacina atualizado é de suma</p><p>importância. Portanto, em consonância com o calendário de imunização do</p><p>adulto, orientado pelo Ministério da Saúde, o Programa de Controle Médico</p><p>de Saúde Ocupacional (PCMSO) deve realizar o acompanhamento da carteira</p><p>de vacinação de todos os funcionários das empresas (Moraes, 2012).</p><p>As principais vacinas recomendadas, atualmente, para o trabalhador, são:</p><p>tétano, tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), febre amarela, hepatite</p><p>B, influenza, covid-19 e varicela. Essas vacinas são ofertadas gratuitamente</p><p>pelo Ministério da Saúde.</p><p>Para algumas áreas especificas, são recomendas outras vacinas. É o caso de</p><p>alguns trabalhadores da área da saúde, para os quais é incluída a vacina</p><p>DTPa (difteria, tétano e coqueluche acelular); de trabalhadores que atuam</p><p>com animais, para os quais se deve realizar a profilaxia antirrábica; e de</p><p>trabalhadores que manipulam alimentos, para os quais é recomendada a</p><p>vacinação contra hepatite A (GOMES et al., 2007).</p><p>Segundo as recomendações da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBim),</p><p>os trabalhadores devem receber as seguintes doses de vacinas.</p><p>Quadro 2: Vacinação recomendada</p><p>Tríplice viral Dose única.</p><p>Hepatite B Três doses, com intervalo de um mês entre a primeira e a segunda e</p><p>de cinco meses entre a segunda e a terceira.</p><p>Hepatite A Duas doses, com intervalo de seis meses.</p><p>Difteria, tétano e</p><p>coqueluche</p><p>Com esquema de vacinação básico completo: reforço com dTpa</p><p>(tríplice bacteriana acelular do tipo adulto) seguido de uma dose de</p><p>dT (vacina dupla bacteriana do tipo adulto) a cada dez anos.</p><p>Com esquema de vacinação básico incompleto: uma dose de dTpa</p><p>(tríplice bacteriana acelular do tipo adulto) e uma ou duas doses de</p><p>dT (vacina dupla bacteriana do tipo adulto).</p><p>Varicela A partir de 13 anos de idade: duas doses com intervalo de dois</p><p>meses.</p><p>Influenza (gripe) Dose anual.</p><p>Meningocócica C Dose única.</p><p>122</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Febre amarela Uma dose a cada dez anos.</p><p>Raiva (obtida de</p><p>cultura celular) Duas doses: a segunda sete dias após a primeira.</p><p>Fonte: Elaborado com base em Gomes et al., 2007.</p><p>#PraTodosVerem: Quadro com duas colunas e nove linhas apresenta a lista de vacinas</p><p>recomendadas: Tríplice viral; Hepatite B; Hepatite A; Difteria, tétano e coqueluche; Varicela;</p><p>Influenza (gripe); Meningocócica C; Febre amarela; Raiva (obtida de cultura celular).</p><p>5.3 SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO EM SERVIÇOS</p><p>DE SAÚDE</p><p>Os riscos estão presentes em todos os ambientes, no entanto, quando se</p><p>trata de serviços de saúde, podemos considerar que os riscos</p><p>biológicos</p><p>acarretam sérios problemas ocupacionais, colocando em risco a qualidade</p><p>de vida daqueles que trabalham nesse ambiente.</p><p>Diante disso, o Ministério do Trabalho e Emprego, trata, na NR 32, dos requi-</p><p>sitos mínimos para segurança e saúde nos serviços de saúde. Segundo Chir-</p><p>mici e Oliveira (2016, p. 115), a norma regulamentadora 32 tem como obje-</p><p>tivo</p><p>Estabelecer as diretrizes básicas para a implementação de medidas de</p><p>proteção à segurança e à saúde dos trabalhadores dos serviços de saúde,</p><p>bem como daqueles que exercem atividades de promoção e assistência à</p><p>saúde em geral. A norma entende como serviço de saúde qualquer edifi-</p><p>cação destinada à prestação de assistência à saúde da população e todas as</p><p>ações de promoção, recuperação, assistência, pesquisa e ensino em saúde,</p><p>em qualquer nível de complexidade.</p><p>Os principais meios de transmissão de agentes biológicos na área da saúde</p><p>são cutâneos ou percutâneos, respiratórios, conjuntival e oral. Nesse contexto,</p><p>as ações preventivas visam a orientação do trabalhador sobre a existência do</p><p>risco, a provisão de equipamentos de proteção adequados para cada tipo</p><p>de risco, o programa de imunização e o estabelecimento de protocolos de</p><p>atendimento pós-exposição a material orgânico (Moraes, 2014).</p><p>123</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>CONCLUSÃO</p><p>Nesta unidade, nós vimos as ações desenvolvidas, tanto pelo governo como</p><p>pelas organizações empresariais, com intuito de promover a saúde e a segu-</p><p>rança do trabalhador. Entendendo que essas ações estratégicas estão em</p><p>consonância com a legislação vigente, as instituições estão cada vez mais</p><p>preocupadas em adotar uma postura ativa em benefício da saúde ocupa-</p><p>cional.</p><p>Diante disso, a higiene ocupacional está entre as principais ações de segu-</p><p>rança no trabalho, que objetiva propiciar um ambiente adequado para o</p><p>desenvolvimento do trabalho. Para orientar as empresas nesse quesito, o</p><p>Fundacentro elaborou 11 Normas de Higiene Ocupacional (NHOs) que</p><p>trazem diretrizes e procedimentos para identificação, avaliação e controle</p><p>dos riscos e perigos ambientais e profissionais, visando instituir medidas</p><p>preventivas contra doenças ocupacionais.</p><p>Além das Normas de Higiene Ocupacional, ainda temos 38 Normas Regu-</p><p>lamentadoras, estabelecidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego, que</p><p>apresentam parâmetros mínimos em relação à saúde e à segurança dos</p><p>trabalhadores, levando em consideração a atividade laboral desempenhada.</p><p>Ainda nesse contexto, há diversas ações de prevenção de acidentes, visando</p><p>identificar antecipadamente os riscos e eliminá-los ou neutralizá-los.</p><p>Podemos citar medidas de proteção administrativa, medidas de proteção</p><p>coletiva, medidas de proteção individual e sinalização de segurança - NR 26.</p><p>Também para prevenir acidentes, foi incorporada às empresas com 20 ou</p><p>mais funcionários a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA,</p><p>estabelecida pela NR 5 do Ministério do Trabalho e Emprego. A CIPA deve ser</p><p>formada por funcionários das empresas e empregadores e, entre outros obje-</p><p>tivos, visa elaborar plano de trabalho de ação preventiva para os problemas</p><p>de segurança e saúde no trabalho.</p><p>124</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR</p><p>Para saber mais sobre este tema, leia os artigos a seguir.</p><p>1. TROVÓ, M. E. M. et al. Programa de imunização dos trabalhadores do</p><p>Hospital dos trabalhadores do Hospital dos trabalhadores do Hospital</p><p>das Clínicas de Ribeirão Preto Clínicas de Ribeirão Preto. Revista Quali-</p><p>dade HC, [S. l.], n. 2, nov. 2011. Disponível em: https://www.hcrp.usp.br/</p><p>revistaqualidade/uploads/Artigos/24/24.pdf. Acesso em: 14 maio 2024.</p><p>2. PRATA, D. F. R. F. A higiene ocupacional utilizada como ferramenta de</p><p>avaliação e monitoramento dos riscos ambientais. Conepe – Congresso</p><p>de Ensino, Pesquisa e Extensão, 7., Campos dos Goytacazes, RJ, 2020.</p><p>Disponível em: https://editoraessentia.iff.edu.br/index.php/conepe/article/</p><p>view/16143. Acesso em: 14 maio 2024.</p><p>3. BITENCOURT, D. P. et al. Trabalho a céu aberto: passado, presente e futuro</p><p>sobre exposição ocupacional ao calor. Revista Brasileira de Saúde Ocupa-</p><p>cional, [S. l.], v. 48, edcinq13, 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/</p><p>rbso/a/zd77kyprCN4BN3wdGRwmFKB/. Acesso em: 14 maio 2024.</p><p>4. LIMA. E. M.; MIGANI, E. J. As consequências da inobservância da NR 32 -</p><p>saúde e segurança do trabalho nos estabelecimentos de saúde. Revista</p><p>Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, São Paulo, v. 8,</p><p>n. 3, mar. 2022. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/</p><p>view/4694. Acesso em: 14 maio 2024.</p><p>5. SANTOS, F. A.; HANNA, S. A. Segurança, saúde e higiene do trabalho em</p><p>tempos de pandemia mundial: normas regulamentadoras modificadas e</p><p>revogadas; covid incluída temporariamente rol de doenças ocupacionais.</p><p>Brazilian Journal of Development, Curitiba, v. 6, n. 11, p. 84859-84870,</p><p>2020. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/</p><p>BRJD/article/view/19325. Acesso em: 14 maio 2024.</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>125</p><p>OBJETIVOS</p><p>Ao final desta unidade, esperamos que possa:</p><p>Descrever o papel do profissional de</p><p>enfermagem na saúde do trabalhador.</p><p>Analisar a importância do enfermeiro na</p><p>prevenção de acidentes de trabalho e</p><p>doenças ocupacionais.</p><p>UNIDADE 6</p><p>126</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>6 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA</p><p>SAÚDE DO TRABALHADOR</p><p>Ao longo desta disciplina, vimos a legislação pertinente à promoção da</p><p>saúde no trabalho; conhecemos, de modo geral, algumas doenças ocupa-</p><p>cionais, bem como os riscos para desenvolvê-las e algumas formas de preve-</p><p>ni-las. Nesta unidade, iremos nos aprofundar na assistência de enfermagem</p><p>ao trabalhador, abordando como se dá o processo de enfermagem na saúde</p><p>ocupacional e como a enfermagem deve agir na prevenção de acidentes e</p><p>nos cuidados diretos ao trabalhador.</p><p>Nesse contexto, podemos iniciar nosso estudo conhecendo um pouco da</p><p>introdução da enfermagem na assistência ao trabalhador. Segundo os</p><p>autores Moraes (2012) e Lucas (2004), a enfermagem do trabalho teve início</p><p>no século XIX, na Inglaterra. Nessa época a assistência consistia em visitas</p><p>domiciliares aos trabalhadores doentes e seus familiares, por meio da saúde</p><p>pública, sem vínculo institucional com as empresas.</p><p>No Brasil, a enfermagem foi incorporada à saúde do trabalhador pela obri-</p><p>gatoriedade de as empresas constituírem o Serviço Especializado em Enge-</p><p>nharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SEESMT) por meio da Portaria</p><p>n. 3.237, de 1972, Portanto, uma equipe composta de profissionais espe-</p><p>cializados, como médico do trabalho, enfermeiro do trabalho, auxiliar de</p><p>enfermagem do trabalho, engenheiro de segurança do trabalho e técnico de</p><p>segurança do trabalho, deveria atuar nas empresas para reduzir os índices</p><p>de acidentes de trabalho (Moraes, 2012).</p><p>No entanto, a enfermagem prestava assistência apenas curativa, ou seja,</p><p>quando um profissional se acidentava no local de trabalho, a enfermagem</p><p>prestava os cuidados necessários no local. A assistência não tinha um caráter</p><p>prevencionista e não havia uma interação entre a medicina ocupacional e a</p><p>equipe de segurança.</p><p>Com a instituição Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional</p><p>(PCMSO), aconteceram várias mudanças no que diz respeito à prevenção de</p><p>acidentes e segurança no trabalho. A partir disso, as empresas passaram a</p><p>127</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>assumir uma abordagem na promoção da saúde do trabalhador, apresen-</p><p>tando uma visão mais preventiva voltada aos Programas de Promoção e</p><p>Prevenção à Saúde do Trabalhador (Moraes, 2012).</p><p>Nesse contexto, a enfermagem do trabalho, passou a adotar uma nova</p><p>conformação, sendo essencial na promoção à saúde ocupacional, desenvol-</p><p>vendo uma assistência autônoma, propondo condutas e opiniões válidas, no</p><p>que diz respeito à saúde e segurança no trabalho, e atuando efetivamente</p><p>na prevenção de acidentes e de doenças ocupacionais (Lucas, 2004).</p><p>Portanto, a</p><p>enfermagem do trabalho na contemporaneidade, é conceituada</p><p>da seguinte forma:</p><p>A enfermagem do trabalho é definida como a ciência e prática espe-</p><p>cializada que providencia e presta serviços de saúde a trabalhadores</p><p>e populações ativas. A prática incide na promoção, na proteção e</p><p>no restabelecimento de saúde do trabalhador, no contexto de um</p><p>ambiente de trabalho saudável e seguro (Lucas, 2004, p. 17).</p><p>Nesse contexto, é válido ressaltar a formação do enfermeiro do trabalho, que</p><p>deve ser um profissional graduado em enfermagem, com especialização em</p><p>enfermagem ocupacional, podendo atuar em “fábricas, indústrias, usinas,</p><p>hospitais, estaleiros, universidades, instituições governamentais e em outros</p><p>ambientes laborais” (Lucas, 2004, p. 19).</p><p>Os principais focos de atenção da enfermagem do trabalho, nas</p><p>diversas organizações, incluem identificação dos trabalhadores,</p><p>vigilância constante à saúde desde cuidados primários de saúde,</p><p>orientação, promoção e proteção de saúde, prevenção dos agravos</p><p>à saúde e de doenças, administração do ambulatório, gestão da</p><p>equipe e assistência de enfermagem, garantia de qualidade, investi-</p><p>gação e colaboração com a equipe de saúde e segurança no trabalho</p><p>(Lucas, 2004, p. 19).</p><p>Dessa forma, a enfermagem do trabalho, exerce um papel extremamente</p><p>importante, na saúde ocupacional, acompanhando as mudanças do mundo</p><p>do trabalho, prestando um cuidado integral, favorecendo a qualidade de</p><p>vida dos trabalhadores.</p><p>128</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Saiba Mais</p><p>Para saber mais sobre a assistência de enfermagem ocupa-</p><p>cional acesse o artigo “Enfermeiro do trabalho: qual seu</p><p>papel na saúde ocupacional?”, disponível no link a seguir.</p><p>ENFERMEIRO do trabalho: qual seu papel na saúde ocupa-</p><p>cional? Clinimed, 19 jan. 2023. Disponível em: https://clini-</p><p>medjoinville.com.br/enfermeiro-do-trabalho-qual-seu-pa-</p><p>pel-na-saude-ocupacional/. Acesso em: 24 maio 2024.</p><p>6.1 FUNÇÃO DA ENFERMAGEM DO TRABALHO</p><p>As funções desenvolvidas pela enfermagem do trabalho dentro das orga-</p><p>nizações podem ser classificadas em funções técnicas, funções administra-</p><p>tivas e funções de ensino. Além dessas, a enfermagem ainda atua nas áreas</p><p>de pesquisa e consultorias (Lucas, 2004; Moraes, 2012).</p><p>Funções técnicas</p><p>As funções técnicas são consideradas toda a assistência de enfermagem</p><p>realizada diretamente ao trabalhador, sendo elas:</p><p>• atendimento ambulatorial;</p><p>• verificação de sinais vitais e antropometria;</p><p>• administração de medicamentos sob prescrição médica;</p><p>• coleta de material para exames;</p><p>• prestação de primeiros socorros no local de trabalho em caso de acidentes</p><p>ou doenças;</p><p>• curativos ou imobilizações especiais;</p><p>• campanhas de vacinação;</p><p>129</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>• campanhas de promoção à saúde (diabetes, colesterol, obesidade, taba-</p><p>gismo);</p><p>• desinfecção e esterilização de materiais, entre outras.</p><p>Curiosidade</p><p>O enfermeiro do trabalho pode realizar exames como: dina-</p><p>mometria (estudo e a análise da força muscular, utilizando</p><p>equipamentos especializados chamados dinamômetros) e</p><p>acuidade visual (é o famoso exame de vista, por meio do</p><p>qual se verifica a nitidez com que o indivíduo enxerga).</p><p>Funções administrativas</p><p>As funções administrativas são aquelas que concernem à organização, à</p><p>administração, à direção e à avaliação do setor de enfermagem nas empresas,</p><p>levando em consideração as responsabilidades burocráticas da enfermagem</p><p>ocupacional (Lucas, 2004; Moraes, 2012). Como exemplos, temos:</p><p>• registrar dados estatísticos de acidentes e doenças profissionais, mantendo</p><p>os cadastros atualizados, a fim de preparar informes para subsídios legais;</p><p>• organizar arquivos de empresas;</p><p>• controlar e enviar equipamentos para manutenção em fornecedores sele-</p><p>cionados;</p><p>• controlar e enviar equipamentos para calibração anual;</p><p>• controlar estoques e datas de vencimento de materiais e de medica-</p><p>mentos;</p><p>• participar de auditorias internas à organização;</p><p>• participar de simulados com brigada de emergência da empresa.</p><p>130</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Curiosidade</p><p>Os prontuários eletrônicos devem ter sistema de segurança</p><p>para manter os arquivos sempre acessíveis, quando neces-</p><p>sário, e seguir a Resolução CFM n. 1.638/02 do Conselho</p><p>Federal de Medicina. Os prontuários físicos (de papel)</p><p>devem ser organizados para arquivamento por, no mínimo,</p><p>20 anos, segundo a NR7, e até 30 anos para trabalhadores</p><p>expostos à radiação ionizante. A Resolução n. 1.821/2007</p><p>do CFM determina que o processo de digitalização dos</p><p>prontuários físicos, com posterior eliminação dos respec-</p><p>tivos originais, é legal, desde que observados os requisitos</p><p>do Nível de Garantia de Segurança 2 (NGS2) constantes no</p><p>Manual de Certificação para Sistemas de Registro Eletrô-</p><p>nico em Saúde (Moraes, 2012, p. 22).</p><p>Funções de ensino</p><p>Figura 1: Enfermagem e ensino em saúde</p><p>Fonte: PeopleImages.com - Yuri A, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Fotografia de dois profissionais da enfermagem um homem e uma</p><p>mulher, um explicando ao outro algum procedimento com um tablet.</p><p>131</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>A função de ensino na enfermagem do trabalho, consiste em “ações relacio-</p><p>nadas à prevenção de acidentes, as palestras e os seminários direcionados</p><p>à população trabalhadora e a educação continuada do pessoal de enfer-</p><p>magem” (Lucas, 2004, p. 22).</p><p>Além desses, podemos citar atribuições especificas do enfermeiro nas ações</p><p>educativas dentro das empresas, são elas:</p><p>• orientações sobre doenças infecciosas e primeiros socorros para membros</p><p>da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA).</p><p>• treinamento de primeiros socorros para os membros da brigada de emer-</p><p>gência.</p><p>• treinamentos de primeiros socorros para responsáveis por maletas de</p><p>primeiros socorros dentro da empresa (por exemplo, os eletricistas, em</p><p>cumprimento à NR10 em parada cardiorrespiratória).</p><p>• planejamento e execução de simulações realísticas sobre temas relacio-</p><p>nados à saúde e à prevenção de acidentes.</p><p>• elaboração de materiais sobre saúde para jornais e murais internos da</p><p>empresa.</p><p>6.1.1 O PROCESSO DE ENFERMAGEM NA SAÚDE OCUPACIONAL</p><p>O processo de enfermagem no trabalho é caracterizado pela utilização de</p><p>métodos específicos, conceituados como processo de enfermagem, sendo</p><p>esse direcionado ao trabalhador em seu ambiente laboral. Definimos como</p><p>processo de enfermagem “O método utilizado pelo enfermeiro para planejar,</p><p>organizar, coordenar, supervisionar e registrar a assistência de enfermagem</p><p>(Lucas, 2004, p. 24).</p><p>Vale a pena, nesse momento, relembrar os conceitos de processo de enfer-</p><p>magem.</p><p>Conforme a Resolução n. 736/2024 do Conselho Federal de Enfer-</p><p>magem (Cofen), que revogou a Resolução Cofen n. 358/2009, por meio da</p><p>132</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Sistematização da Assistência de Enfermagem e a implementação do</p><p>Processo de Enfermagem, o enfermeiro deve utilizar métodos para iden-</p><p>tificar a situação de saúde/doença, prescrever e implementar intervenções</p><p>de enfermagem que contribuem para prevenção, promoção e proteção da</p><p>saúde do cliente. Os métodos podem ser aplicados em ambientes públicos</p><p>ou privados nos quais ocorre o cuidado profissional de enfermagem (Cofen,</p><p>2009; 2024).</p><p>Segundo a Resolução Cofen n. 736/2024:</p><p>Art. 1º O Processo de Enfermagem deve ser realizado, de modo deli-</p><p>berado e sistemático, em todos os ambientes, públicos ou privados,</p><p>em que ocorre o cuidado profissional de Enfermagem.</p><p>§ 1º – os ambientes de que trata o caput deste artigo referem-se a</p><p>instituições prestadoras de serviços de internação hospitalar, insti-</p><p>tuições prestadoras de serviços ambulatoriais de saúde, domicílios,</p><p>escolas, associações comunitárias, fábricas, entre outros.</p><p>§ 2º – quando realizado em instituições prestadoras de serviços</p><p>ambulatoriais de saúde, domicílios, escolas, associações comunitá-</p><p>rias, entre outros, o Processo de Saúde de Enfermagem corresponde</p><p>ao usualmente denominado nesses ambientes como Consulta de</p><p>Enfermagem (Cofen, 2024).</p><p>Ainda segundo essa mesma resolução (Cofen n. 736/2024), no artigo 4°, o</p><p>processo de enfermagem deve ser organizado em cinco etapas inter-relacio-</p><p>nadas, interdependentes e recorrentes, a saber: Avaliação de Enfermagem,</p><p>Diagnóstico de Enfermagem, Planejamento de Enfermagem, Implemen-</p><p>tação e Evolução de Enfermagem.</p><p>§ 1º Avaliação de Enfermagem – compreende a coleta de dados</p><p>subjetivos (entrevista) e objetivos (exame físico) inicial e contínua</p><p>pertinentes à saúde da pessoa, da família, coletividade e grupos</p><p>especiais, realizada mediante auxílio de técnicas (laboratorial e de</p><p>imagem, testes clínicos, escalas de avaliação validadas, protocolos</p><p>institucionais e outros) para a obtenção de informações sobre as</p><p>necessidades do cuidado de Enfermagem e saúde relevantes para</p><p>a prática;</p><p>133</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>§ 2º Diagnóstico de Enfermagem – compreende a identificação de</p><p>problemas existentes, condições de vulnerabilidades ou disposições</p><p>para melhorar comportamentos de saúde. Estes representam o</p><p>julgamento clínico das informações obtidas sobre as necessidades</p><p>do cuidado de Enfermagem e saúde da pessoa, família, coletividade</p><p>ou grupos especiais;</p><p>§ 3º Planejamento de Enfermagem – compreende o desenvolvi-</p><p>mento de um plano assistencial direcionado para à pessoa, família,</p><p>coletividade, grupos especiais, e compartilhado com os sujeitos do</p><p>cuidado e equipe de Enfermagem e saúde. Deverá envolver:</p><p>I – Priorização de Diagnósticos de Enfermagem;</p><p>II – Determinação de resultados (quantitativos e/ou qualitativos)</p><p>esperados e exequíveis de enfermagem e de saúde;</p><p>III – Tomada de decisão terapêutica, declarada pela prescrição de</p><p>enfermagem das intervenções, ações/atividades e protocolos assis-</p><p>tenciais.</p><p>§ 4º Implementação de Enfermagem – compreende a realização das</p><p>intervenções, ações e atividades previstas no planejamento assisten-</p><p>cial, pela equipe de enfermagem, respeitando as resoluções/pare-</p><p>ceres do Conselho Federal e Conselhos Regionais de Enfermagem</p><p>quanto a competência técnica de cada profissional, por meio da</p><p>colaboração e comunicação contínua, inclusive com a checagem</p><p>quanto à execução da prescrição de enfermagem, e apoiados nos</p><p>seguintes padrões:</p><p>I – Padrões de cuidados de Enfermagem: cuidados autônomos do</p><p>Enfermeiro, ou seja, prescritos pelo enfermeiro de forma indepen-</p><p>dente, e realizados pelo Enfermeiro, por Técnico de enfermagem ou</p><p>por Auxiliar de Enfermagem, observadas as competências técnicas</p><p>de cada profissional e os preceitos legais da profissão;</p><p>II – Padrões de cuidados Interprofissionais: cuidados colaborativos</p><p>com as demais profissões de saúde;</p><p>134</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>III – Padrões de cuidados em Programas de Saúde: cuidados advindos</p><p>de protocolos assistenciais, tais como prescrição de medicamentos</p><p>padronizados nos programas de saúde pública e em rotina apro-</p><p>vada pela instituição, bem como a solicitação de exames de rotina</p><p>e complementares.</p><p>§ 5º Evolução de Enfermagem – compreende a avaliação dos resul-</p><p>tados alcançados de enfermagem e saúde da pessoa, família, cole-</p><p>tividade e grupos especiais. Esta etapa permite a análise e a revisão</p><p>de todo o Processo de Enfermagem (Cofen, 2024).</p><p>Saiba Mais</p><p>Para você compreender melhor a legislação da Sistema-</p><p>tização da Assistência em Enfermagem, leia a Resolução</p><p>Cofen n. 736/2024 na íntegra, disponível no link a seguir.</p><p>CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (Cofen). Reso-</p><p>lução Cofen n. 736, de 17 de janeiro de 2024. Dispõe</p><p>sobre a implementação do Processo de Enfermagem em</p><p>todo contexto socioambiental onde ocorre o cuidado de</p><p>enfermagem. Cofen, 23 jan. 2024. Disponível em: https://</p><p>www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-736-de-17-de-janei-</p><p>ro-de-2024/. Acesso em: 24 maio 2024.</p><p>Diante do exposto, o processo de enfermagem do trabalho, é caracterizado,</p><p>por conjunto de ações de enfermagem sistematizadas, com o objetivo de</p><p>realizar uma assistência de enfermagem ao trabalhador de forma integral,</p><p>holística e dinâmica, sendo desenvolvido de forma individual ou coletiva e</p><p>no ambiente em que o trabalhador está inserido. O enfermeiro considera</p><p>cada trabalhador um indivíduo único, identificando suas necessidades biop-</p><p>sicossociais e espirituais (Lucas, 2004, p. 23).</p><p>135</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Figura 2: Enfermeiro</p><p>Fonte: Pixel-Shot, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Fotografia de uma profissional da enfermagem de</p><p>scrub azul, e uma prancheta na mão.</p><p>O processo de enfermagem do trabalho, realizado de forma sistematizada</p><p>e adequadamente, traz inúmeros benefícios tanto para os trabalhadores</p><p>como para os empresários. São eles: a promoção da saúde, o controle de</p><p>doenças e do absenteísmo, a prevenção contra acidentes do trabalho e a</p><p>diminuição do número de afastamentos por doença (Lucas, 2004).</p><p>A sistematização da assistência de enfermagem do trabalho deve consi-</p><p>derar o trabalho como uma fonte de doenças e que o empregado passa</p><p>a maior parte do dia nele. Sendo assim, as ações devem ser pautadas na</p><p>prevenção de doenças e melhora da qualidade de vida desses indivíduos.</p><p>Essas ações são, prioritariamente, consulta de enfermagem, visitas aos locais</p><p>de trabalho, identificação e investigação dos agravos à saúde e realização</p><p>dos programas de saúde (Lucas, 2004).</p><p>O processo de enfermagem do trabalho deve ser realizado periodicamente</p><p>das seguintes formas: individualizado, o próprio trabalhador procura a</p><p>136</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>assistência de forma espontânea, ou coletivo, pelo desenvolvimento de</p><p>programas de saúde elaborados pelo enfermeiro (Lucas, 2004).</p><p>Etapas do processo de enfermagem do trabalho:</p><p>• 1° etapa: Conhecimento dos locais de trabalho e das características da</p><p>classe de trabalhadores.</p><p>• 2° etapa: Identificação dos principais agravos no ambiente de trabalho,</p><p>medidas de saúde e grupos de trabalhadores de risco, acometimento de</p><p>agravos e doenças.</p><p>• 3° etapa: Elaboração e aplicação dos programas de saúde a grupos prio-</p><p>ritários.</p><p>• 4° etapa: Verificação dos trabalhadores com predisposição a agravos e</p><p>doenças.</p><p>• 5° etapa: Consulta de enfermagem aos trabalhadores predispostos aos</p><p>agravos.</p><p>• 6° etapa: Monitoração contínua dos trabalhadores inseridos nos programas</p><p>e consultados pelo enfermeiro (Lucas, 2004).</p><p>Todas as etapas do processo de enfermagem devem ser registradas e docu-</p><p>mentadas pela equipe de enfermagem. Os documentos devem ser utili-</p><p>zados pela empresa como respaldo legal de ações de saúde e segurança</p><p>do trabalho. Além disso, esses registros podem ser utilizados como fonte de</p><p>pesquisas e avaliação da qualidade da assistência de enfermagem (Lucas,</p><p>2004).</p><p>6.1.2 CONSULTA DE ENFERMAGEM</p><p>A consulta de enfermagem é uma atividade privativa do profissional enfer-</p><p>meiro, devendo ser pautada nos princípios das ações em saúde: universali-</p><p>dade, equidade, resolutividade e integralidade (Lucas, 2004).</p><p>Ainda segundo Lucas (2004), a consulta de enfermagem do trabalhador tem</p><p>como finalidade:</p><p>137</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>• conhecer a história de saúde do trabalhador;</p><p>• compreender a individualidade do trabalhador, bem como os aspectos</p><p>biopsicossociais e espirituais;</p><p>• realizar a avaliação e a evolução das condições de saúde do trabalhador;</p><p>• identificar alterações ou tendências na situação saúde-doença;</p><p>• esclarecer dúvidas e estabelecer uma relação interpessoal confiável;</p><p>• identificar problemas que necessitem de ações de enfermagem;</p><p>• apresentar subsídios às condutas de enfermagem.</p><p>Para que uma consulta de enfermagem do trabalho seja efetiva, ela deve ser</p><p>pautada nos princípios da sistematização da assistência de enfermagem.</p><p>No quadro a seguir, apresentamos um roteiro básico para uma consulta de</p><p>enfermagem ocupacional:</p><p>Quadro 1: Roteiro para consulta de enfermagem ocupacional</p><p>1.Identificação Nome, idade, data de nascimento, profissão, estado civil, endereço,</p><p>naturalidade e procedência.</p><p>2.Queixa principal</p><p>Como</p><p>o trabalhador percebe seu estado de saúde? Como surgiram e</p><p>evoluíram os sinais e sintomas?</p><p>Quais são as suas características?</p><p>Já procurou assistência de enfermagem e médica?</p><p>Se sim, qual o diagnóstico e a terapêutica?</p><p>Quais foram os resultados?</p><p>Qual é a situação atual com a Previdência Social (em atividade,</p><p>abertura de comunicado de acidente do trabalho, retorno ao</p><p>trabalho, afastamento, benefícios, entre outros)?</p><p>3.História laboral</p><p>Além da atividade atual, devem ser pesquisadas atividades</p><p>anteriores, já que podem ter papel relevante no estado de saúde</p><p>atual, pelo acúmulo de desgaste do trabalhador ou pela cronicidade</p><p>dos efeitos.</p><p>4.Histórico familiar</p><p>Qual é o estado de saúde dos familiares?</p><p>Há doenças heredofamiliares?</p><p>Se positivo, qual o tipo, evolução e grau de parentesco com o</p><p>trabalhador?</p><p>138</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>1.Identificação Nome, idade, data de nascimento, profissão, estado civil, endereço,</p><p>naturalidade e procedência.</p><p>5.Histórico social</p><p>Qual sua escolaridade?</p><p>Tem formação profissional?</p><p>Como aprendeu sua profissão?</p><p>O trabalho é motivador?</p><p>Como é sua relação com os familiares?</p><p>E com a vizinhança?</p><p>Qual é a renda familiar?</p><p>Como são as condições de moradia?</p><p>Quais são as condições de saneamento ambiental da região onde</p><p>mora?</p><p>Há poluição?</p><p>Quais são os hábitos alimentares?</p><p>Que meios de transporte utiliza?</p><p>Quanto tempo despende na locomoção de casa ao trabalho?</p><p>Pratica algum esporte?</p><p>Que tipo de lazer realiza?</p><p>Qual é a rotina diária?</p><p>Participa de ações comunitárias ou voluntariado?</p><p>6.História</p><p>pregressa</p><p>Patologias pregressas (diagnóstico e tratamento).</p><p>7.Hábitos Tabagismo, etilismo, uso de substâncias psicoativas e de drogas</p><p>ilícitas.</p><p>8.Percepção do</p><p>trabalhador sobre</p><p>o trabalho</p><p>Quais são os sentimentos com relação ao trabalho? Sente tensão?</p><p>Medo? Como é o relacionamento interpessoal? Qual é a influência</p><p>do trabalho nas relações familiares e sociais?</p><p>Fonte: Lucas, 2004, p. 88-89.</p><p>#PraTodosVerem: quadro com duas colunas e oito linhas apresentando um roteiro básico</p><p>para consulta de enfermagem ocupacional. Os tópicos e algumas das informações a serem</p><p>obtidas são: 1. Identificação: nome, idade, data de nascimento, profissão etc.; 2. Queixa</p><p>principal: Como o trabalhador percebe seu estado de saúde?, Como surgiram e evoluíram</p><p>os sinais e sintomas? etc.; 3. História laboral: Além da atividade atual, devem ser pesqui-</p><p>sadas atividades anteriores; 4. Histórico familiar: Qual é o estado de saúde dos familiares?</p><p>Há doenças heredofamiliares? etc.; 5. Histórico social: Qual sua escolaridade? Tem formação</p><p>profissional? Como aprendeu sua profissão? etc.; 6. História pregressa: Patologias pregressas</p><p>(diagnóstico e tratamento); 7. Hábitos: Tabagismo, etilismo, uso de substâncias psicoativas</p><p>e de drogas ilícitas; 8. Percepção do trabalhador sobre o trabalho: Quais são os sentimentos</p><p>com relação ao trabalho? Como é o relacionamento interpessoal? Qual é a influência do</p><p>trabalho nas relações familiares e sociais? etc.</p><p>139</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>6.2 IDENTIFICAÇÃO DOS AGRAVOS À SAÚDE DO TRABALHADOR</p><p>Figura 3: Consulta ocupacional</p><p>Fonte: Wasan Tita, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Fotografia de uma mesa sobre a qual estão as mãos de</p><p>uma profissional da saúde de jaleco branco, fazendo anotações e as mãos</p><p>de uma pessoa sentada a sua frente.</p><p>O ambiente de trabalho pode trazer inúmeros riscos à saúde do trabalhador,</p><p>sendo assim é importante que sejam identificados o mais precocemente</p><p>possível os sinais e sintomas que os trabalhadores possam apresentar rela-</p><p>cionados ao trabalho. No entanto, alguns profissionais da área da saúde</p><p>apresentam dificuldades para estabelecer a relação entre os sintomas apre-</p><p>sentados ou o adoecimento e a ocupação laboral do indivíduo, sejam eles</p><p>formais ou informais (Brasil, 2018).</p><p>É válido ressaltar a importância de observar algumas situações no diag-</p><p>nóstico de doenças ocupacionais, necessárias para estabelecer essa relação</p><p>entre a doença e o trabalho. É imprescindível fazer: exame clínico e exames</p><p>complementares, conhecer a história clínica e ocupacional e informações</p><p>sobre o local de trabalho, como atividade, processo, condições de trabalho</p><p>e organização do trabalho; presença de riscos físicos, químicos, biológicos,</p><p>ergonômicos, psicossociais, de acidentes e outros, dados epidemiológicos e</p><p>140</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>da literatura atualizada, além disso, o depoimento e a experiência dos traba-</p><p>lhadores devem ser levados em consideração (Brasil, 2018).</p><p>Para facilitar a identificação da relação entre um agravo à saúde e o trabalho,</p><p>foi criada pelo Ministério da Saúde uma Lista de Doenças Relacionadas ao</p><p>Trabalho. Essa lista descreve os agentes patogênicos e/ou fatores de risco</p><p>potencialmente presentes no trabalho (Brasil, 2018).</p><p>Nesse contexto, a consulta de enfermagem, é um instrumento essencial</p><p>para a detecção precoce de agravos à saúde do trabalhador. Um processo</p><p>de enfermagem sistematizado e adaptado à saúde ocupacional é funda-</p><p>mental para relacionar as queixas apresentadas pelos trabalhadores e suas</p><p>condições de trabalho.</p><p>Cabe ao enfermeiro do trabalho, por meio de medidas preventivas</p><p>e de promoção da saúde, com a participação nos programas de</p><p>saúde e avaliação continua dos indivíduos em seu local de trabalho,</p><p>realizar a detecção precoce dos mecanismos de agravos à saúde</p><p>do trabalhador e desta forma, precocemente, evitar, impedir ou</p><p>reverter o desenvolvimento de doenças e acidentes, decorrentes do</p><p>trabalho ou da forma como ele é desenvolvido (Lucas, 2004, p. 70).</p><p>Portanto, é primordial a presença do enfermeiro na equipe de saúde do</p><p>trabalho, de maneira que ele possa atuar de forma autônoma, favorecendo</p><p>a prevenção de doenças ocupacionais, bem como sua identificação precoce.</p><p>6.2.1 TESTES DE AVALIAÇÃO A SAÚDE DO TRABALHADOR</p><p>Para uma avaliação adequada da saúde do trabalhador, a equipe de saúde</p><p>pode lançar mão de uma variedade de testes que podem auxiliar tanto no</p><p>diagnóstico como na prevenção de doenças ocupacionais.</p><p>Sendo assim, conheceremos, no quadro a seguir, os testes mais realizados</p><p>relacionados ao trabalho.</p><p>141</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Quadro 2: Testes relacionados ao trabalho</p><p>Fonte: Moraes, 2012.</p><p>#PraTodosVerem: Quadro referente aos testes relacionados ao trabalho: sinais</p><p>vitais, antropometria, dinamometrias, resistência a pesos, teste de ergometria, teste</p><p>de acuidade visual, teste de função pulmonar – espirometria e teste de acuidade</p><p>auditiva – audiometria.</p><p>Sinais vitais</p><p>Finalidade – Avaliar a saúde do sistema cardiovascular e a capacidade física do</p><p>trabalhador</p><p>Exemplos: pressão arterial, pulso e temperatura.</p><p>Antropometria</p><p>Finalidade – Avaliar as condições nutricionais do trabalhador.</p><p>Exemplos: peso, altura, espessura de tecido adiposo (pregas cutâneas) e perímetro do</p><p>corpo humano.</p><p>Dinamometrias</p><p>Finalidade – Avaliar a força muscular aplicada a determinados grupos musculares, com</p><p>intuito de verificar o grau de normalidade de aptidão física para os trabalhadores.</p><p>Resistência a pesos</p><p>Finalidade – Avaliar a capacidade de um trabalhador em executar trabalhos que exigem</p><p>a sustentação de objetos pesados por um determinado período de tempo.</p><p>Teste de Ergometria</p><p>Finalidade – Avaliar a capacidade cardiorrespiratória. Os ergômetros são aparelhos que</p><p>permitem medir o esforço desenvolvido por um indivíduo em termos de unidade física.</p><p>Teste de acuidade visual</p><p>Finalidade – Medir a qualidade visual à distância de 20 pés ou seis metros.</p><p>Teste de função pulmonar – Espirometria</p><p>Finalidade – Medir, em milímetros, a quantidade de ar que o trabalhador pode expulsar</p><p>dos pulmões após uma inspiração máxima.</p><p>Teste de acuidade auditiva – Audiometria</p><p>Finalidade – Demonstrar o estado da sensibilidade auditiva do indivíduo, ou seja, a</p><p>medida da audição do indivíduo.</p><p>142</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>6.2.2 A MONITORAÇÃO BIOLÓGICA DO TRABALHADOR</p><p>Figura 4: Consulta ocupacional</p><p>Fonte: PeopleImages.com - Yuri A, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Fotografia de um profissional da saúde de jaleco branco e estetoscópio</p><p>no pescoço, mostrando algo em um tablet para uma paciente.</p><p>A monitorização biológica do trabalhador é um fator extremamente impor-</p><p>tante no que diz respeito à prevenção de doenças relacionadas ao trabalho.</p><p>Essa monitorização tem como objetivos: realizar uma avaliação ambiental</p><p>e estabelecer limites ao risco de exposição aos agentes, estabelecer inter-</p><p>valos dos valores de referência de normalidade dos riscos e avaliar possíveis</p><p>efeitos nocivos e resultantes da exposição aos agentes (Lucas, 2004).</p><p>A monitoração biológica auxilia: No planejamento de estudos prio-</p><p>ritários a serem realizados em programas de controle de saúde dos</p><p>trabalhadores; Na avaliação da eficiência de programas de saúde</p><p>já existentes e na significância dos padrões de exposição para</p><p>saúde; Na recomendação de medidas preventivas com base em</p><p>estudos prospectivos dos riscos, para o trabalhador, decorrentes da</p><p>143</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>presença de agentes agressores no ambiente e dos fatores inerentes</p><p>ao hospedeiro (Lucas, 2004, p. 80).</p><p>Sendo assim, a avaliação biológica pode ser realizada por meio de testes e</p><p>exames, que devem ser periódicos em trabalhadores expostos a riscos, prin-</p><p>cipalmente químicos. Conforme a NR 07, alguns exames são obrigatórios,</p><p>como radiológicos e de função respiratória (espirometria) para profissionais</p><p>expostos a aerodispersoides fibrogênicos e não fibrogênicos, e ainda, exames</p><p>toxicológicos para exposição a agentes químicos, que devem ser realizados</p><p>no mínimo semestralmente (Moraes, 2014).</p><p>144</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>CONCLUSÃO</p><p>Nesta unidade nós vimos sobre a assistência de enfermagem na saúde no</p><p>trabalhador, sua importância na prevenção de acidentes e a função do enfer-</p><p>meiro nessa assistência. Para introduzir o conteúdo conhecemos um pouco</p><p>da história da enfermagem ocupacional, que teve início no século XIX, na</p><p>Inglaterra, onde a assistência consistia em visitas domiciliares aos trabalha-</p><p>dores doentes e seus familiares, através da saúde pública, sem vínculo insti-</p><p>tucional com as empresas.</p><p>No Brasil, a enfermagem foi incorporada à saúde do trabalhador através do</p><p>Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho</p><p>(SEESMT) por meio da Portaria 3.237, de 1972, era uma equipe multiprofis-</p><p>sional que deveriam atuar nas empresas para reduzir os índices de acidentes</p><p>de trabalho. No entanto, a assistência não tinha um caráter prevencionista e</p><p>não havia uma interação entre a medicina ocupacional e a equipe de segu-</p><p>rança.</p><p>Atualmente, a enfermagem do trabalho, passou a adotar uma nova confor-</p><p>mação, sendo essencial na promoção a saúde ocupacional, desenvolvendo</p><p>uma assistência autônoma, propondo condutas e opiniões válidas, no que</p><p>diz respeito a saúde e segurança no trabalho e atuando efetivamente na</p><p>prevenção de acidentes e de doenças ocupacionais.</p><p>A função desenvolvida pela enfermagem do trabalho, dentro das organiza-</p><p>ções podem ser classificadas em funções técnicas, funções administrativas</p><p>e funções de ensino, além dessas a enfermagem ainda atua nas áreas de</p><p>pesquisa e consultorias. ́a assistência de enfermagem ocupacional deve ser</p><p>pautada n processo de enfermagem no trabalho, que é caracterizado pela</p><p>utilização de métodos específicos, conceituados como processo de enfer-</p><p>magem, sendo esse direcionado ao o trabalhador em seu ambiente laboral.</p><p>Por fim, aprendemos que a consulta de enfermagem, é um instrumento</p><p>essencial para a detecção precoce de agravos a saúde do trabalhador. Um</p><p>processo de enfermagem sistematizado e adaptado a saúde ocupacional é</p><p>fundamental para relacionar as queixas apresentadas pelos trabalhadores e</p><p>suas condições de trabalho.</p><p>145</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>MATERIA COMPLEMENTAR</p><p>Para saber mais sobre este tema, leia os artigos a seguir.</p><p>1. GUIRARDELLO, E. B. et al. Percepções dos enfermeiros sobre o clima de</p><p>segurança do paciente na Atenção Primária à Saúde. Revista Latino-ame-</p><p>ricana de Enfermagem, [s. l.], v. 32, e4093, 2024. Disponível em: https://</p><p>www.scielo.br/j/rlae/a/QDWZqhWt7F5QtKnY6rwbdbJ/?lang=en. Acesso</p><p>em: 24 maio 2024.</p><p>2. AMPOS, L. F. et al. Atuação da enfermagem em unidades dedicadas e não</p><p>dedicadas à COVID-19: implicações na saúde ocupacional. Revista Lati-</p><p>no-americana de Enfermagem, [s. l.], v. 31, e3742, 2023. Disponível em:</p><p>https://www.scielo.br/j/rlae/a/qCzN7FnG8mdNt3GYqHVb4qH/?lang=en.</p><p>Acesso em: 24 maio 2024.</p><p>3. RIBEIRO, W. A. et al. Enfermeiro do trabalho na prevenção de riscos bioló-</p><p>gicos ocupacionais: uma revisão de literatura na área hospitalar. Rese-</p><p>arch, Society and Development, [s. l.], v. 9, n. 7, e174973873, 2020 Dispo-</p><p>nível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/3873. Acesso</p><p>em: 24 maio 2024.</p><p>4. LUCAS, I.; MERÊNCIO, K.; RAMALHO, F. Bem-estar, saúde mental e a enfer-</p><p>magem do trabalho: uma revisão da literatura. Revista Portuguesa de</p><p>Saúde Ocupacional online, [s. l.], 14, esub0350. 2022. Disponível em: https://</p><p>scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-84532022000200301.</p><p>Acesso em: 24 maio 2024.</p><p>5. FERREIRA, D. L.; AGUIAR, R. S. Promoção da saúde do trabalhador: habi-</p><p>lidades e competências do enfermeiro do trabalho. 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Disponível em: https://prometalepis.com.br/blog/lista-de-</p><p>-programas-de-prevencao-da-seguranca-do-trabalho/. Acesso em: 30 abr.</p><p>2024.</p><p>LUCAS, A. J. O processo de enfermagem do trabalho. 2. ed. São Paulo:</p><p>Iátria, 2013. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/</p><p>books/9788576140832/. Acesso em: 24 maio 2024.</p><p>LUCAS, I.; MERÊNCIO, K.; RAMALHO, F. Bem-estar, saúde mental e a enfer-</p><p>magem do trabalho: uma revisão da literatura. Revista Portuguesa de Saúde</p><p>Ocupacional online, [s. l.], 14, esub0350. 2022. Disponível em: https://scielo.</p><p>pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-84532022000200301. Acesso em:</p><p>24 maio 2024.</p><p>152</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>LUCIANO, É. L. et al. Gerenciamento de riscos ocupacionais: uma nova</p><p>proposta de segurança do trabalho. South American Development Society</p><p>Journal, [s. l.], v. 6, n. 17, p. 156, ago. 2020. Disponível em: http://www.sadsj.</p><p>org/index.php/revista/article/view/319. Acesso em: 30 abr. 2024.</p><p>MATTOS, U. A. O.; MÁSCULO, F. S. (org.). Higiene e segurança do trabalho. 2.</p><p>ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2019. Disponível em: https://integrada.minhabi-</p><p>blioteca.com.br/#/books/9788595150959/. Acesso em: 19 abr. 2024.</p><p>MEIO ambiente do trabalho: lugar de promoção à saúde e segurança do</p><p>trabalhado. [S. l.: s. n.], 2021. 1 vídeo (7 min). Publicado pelo canal Direito</p><p>Com Elas. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ZpV5npe4NRg.</p><p>Acesso em: 19 abr. 2024.</p><p>MELO, P. M. S.; CIAMPA, A. L.; ARAÚJO, S. R. C. Humanização dos processos de</p><p>trabalho. São Paulo: Saraiva, 2014. Disponível em: https://integrada.minha-</p><p>biblioteca.com.br/#/books/9788536526355/. Acesso em: 19 abr. 2024.</p><p>MINICUCCI, A. Relações humanas: psicologia das relações interpessoais, 6.</p><p>ed. Grupo São Paulo: Atlas, 2013. Disponível em: https://integrada.minhabi-</p><p>blioteca.com.br/#/books/9788522484997/. Acesso em: 19 abr. 2024.</p><p>MORAES, M. V. G. Doenças ocupacionais: agentes: físico, químico, biológico,</p><p>ergonômico. 2. ed. São Paulo: Érica, 2014. Disponível em: https://integrada.</p><p>minhabiblioteca.com.br/books/9788576140818. Acesso em: 19 abr. 2024.</p><p>MORAES, M. V. G. Enfermagem do trabalho: programas, procedimentos</p><p>e técnicas. 4. ed. São Paulo: Iátria, 2012. Disponível em: https://integrada.</p><p>minhabiblioteca.com.br/#/books/9788576140825/. Acesso em: 19 abr. 2024.</p><p>NR6 – Equipamento de Proteção Individual – EPI. Guia Trabalhista, [s. l.],</p><p>[202-]. Disponível em: https://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr6.</p><p>htm. Acesso em: 30 abr. 2024.</p><p>ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO (OIT). Trabalho decente.</p><p>OIT Brasília, [20--?]. Disponível em: https://www.ilo.org/brasilia/temas/traba-</p><p>lho-decente/lang--pt/index.htm. Acesso em: 19 abr. 2024.</p><p>153</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>PAULA, A. S.; ROCHA, R. P F. Cuidado Integral à saúde do adulto I. Porto</p><p>Alegre: Sagah, 2019. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.</p><p>br/#/books/9788595029057/. Acesso em: 19 abr. 2024.</p><p>PIMENTA, E. A. Riscos ocupacionais e acidentes de trabalho em centros</p><p>de material e esterilização: uma revisão integrativa. Artigo (Graduação</p><p>em Enfermagem) – Curso de Enfermagem, Universidade Federal do Mara-</p><p>nhão, Pinheiro, MA, 2023. Disponível em: https://monografias.ufma.br/jspui/</p><p>handle/123456789/6003. Acesso em: 14 maio 2024.</p><p>PRATA, D. F. R. F. A higiene ocupacional utilizada como ferramenta de avaliação</p><p>e monitoramento dos riscos ambientais. Conepe – Congresso de Ensino,</p><p>Pesquisa e Extensão, 7., Campos dos Goytacazes, RJ, 2020. Disponível em:</p><p>https://editoraessentia.iff.edu.br/index.php/conepe/article/view/16143. Acesso</p><p>em 14 maio 2024.</p><p>RIBEIRO, W. A. et al. Enfermeiro do trabalho na prevenção de riscos bioló-</p><p>gicos ocupacionais: uma revisão de literatura na área hospitalar. Research,</p><p>Society and Development, [s. l.], v. 9, n. 7, e174973873, 2020 Disponível em:</p><p>https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/3873. Acesso em: 24 maio</p><p>2024.</p><p>RISCOS químicos. Fiocruz, [s. l.], [20--?]. Disponível em: https://www.fiocruz.</p><p>br/biosseguranca/Bis/lab_virtual/riscos_quimicos.html. Acesso em: 30 abr.</p><p>2024.</p><p>ROSA, A. C. F. et al. Uso de técnicas de aprendizado de máquina para classi-</p><p>ficação de fatores que influenciam a ocorrência de dermatites ocupacionais.</p><p>Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, [S. l.], v. 48, e4, 2023. Disponível</p><p>em: https://www.scielo.br/j/rbso/a/TXyNh5DwxvnBnZXYBLMdybx/?lang=pt.</p><p>Acesso em: 14 maio 2024.</p><p>SANTOS, F. A.; HANNA, S. A. Segurança, saúde e higiene do trabalho em</p><p>tempos de pandemia mundial: normas regulamentadoras modificadas e</p><p>revogadas; covid incluída temporariamente rol de doenças ocupacionais.</p><p>Brazilian Journal of Development, Curitiba, v. 6, n. 11, p. 84859-84870,</p><p>2020. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/</p><p>article/view/19325. Acesso em: 14 maio 2024.</p><p>154</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>SARAIVA, E. M. S. et al. Impacto da pandemia pelo covid-19 na provisão de</p><p>equipamentos de proteção individual. Brazilian Journal of Development, [s.</p><p>l.], v. 6, n. 7, p. 43751–43762, 2020. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.</p><p>com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/12731. Acesso em: 30 abr. 2024.</p><p>SILVA, F. F. V. Atenção integral em Saúde do Trabalhador: limitações, avanços</p><p>e desafios. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, [s. l.], v. 46, n. e12, 2021.</p><p>Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbso/a/VXRVP63hSNSYjhrZPM5RR7x/?-</p><p>format=pdf&lang=pt. Acesso em: 19 abr. 2024.</p><p>TEODORO. O que é EPC? Conheça os equipamentos de proteção coletiva.</p><p>On Safety, [s. l.], 13 ago. 2019. Disponível em: https://onsafety.com.br/o-que-</p><p>-e-epc/. Acesso em: 30 abr. 2024.</p><p>TINOCO, H. C. et al. Análise estatística do risco de exposição ao ruído ocupa-</p><p>cional pelo método da regressão múltipla. Brazilian Journal of Develop-</p><p>ment, [s. l.], v. 6, n. 1, 1722–1737, 2020. Disponível em: https://ojs.brazilian-</p><p>journals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/6068. Acesso em: 30 abr.</p><p>2024.</p><p>TROVÓ, M. E. M. et al. Programa de imunização dos trabalhadores do Hospital</p><p>dos trabalhadores do Hospital dos trabalhadores do Hospital das Clínicas de</p><p>Ribeirão Preto Clínicas de Ribeirão Preto. Revista Qualidade HC, [S. l.], n. 2,</p><p>nov. 2011. Disponível em: https://www.hcrp.usp.br/revistaqualidade/uploads/</p><p>Artigos/24/24.pdf. Acesso em: 14 maio 2024.</p><p>VIANNA, L. A. C. Processo saúde-doença. In: BRASIL. Universidade</p><p>liderado por João Calvino, para o qual se um</p><p>indivíduo conseguisse posses por meio do trabalho, era porque Deus permitiu</p><p>e o abençoou. Os calvinistas se consideravam “escolhidos” por Deus para</p><p>trabalhar, e se esforçavam ao máximo para agradá-lo por meio do trabalho.</p><p>“Essa concepção reforçou o capitalismo, já que acumular riqueza significava</p><p>19</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>ter trabalhado muito, o que era do agrado de Deus” (Melo; Ciampa; Araújo,</p><p>2014, p. 18).</p><p>Atualmente, com o advento das tecnologias de informação, o mundo globa-</p><p>lizado e os novos meios de organização social, foram dados ao trabalho</p><p>outros conceitos. E percebemos que cada cultura interpreta trabalho de</p><p>uma maneira diferente. Com a expansão capitalista, as pessoas precisam</p><p>trabalhar para adquirir bens ou apenas sobreviver. Nesse aspecto, o signi-</p><p>ficado de trabalho modifica-se de pessoa para pessoa de acordo com suas</p><p>necessidades. No entanto, em um caráter filosófico, cultural e político, o</p><p>significado de trabalho é caracterizado pelo “esforço humano dotado de um</p><p>propósito, e envolve a transformação da natureza por meio do dispêndio de</p><p>capacidades físicas e mentais” (Melo; Ciampa; Araújo, 2014, p. 18).</p><p>1.1.1 SITUAÇÃO DE SAÚDE DOS TRABALHADORES NO BRASIL</p><p>No Brasil e no mundo, logo após a revolução industrial, houve uma preocu-</p><p>pação com aumento de doenças e incapacidades advindas do trabalho, de</p><p>modo que movimentos sociais eram formados com a intenção de que os</p><p>governos promovessem ações legais que pudessem organizar e controlar as</p><p>condições de trabalho.</p><p>Reflita</p><p>Entre 1760 e 1850 houve o impacto da Revolução Indus-</p><p>trial iniciada na Europa (Inglaterra, França e Alemanha).</p><p>As condições de trabalho eram precárias, as doenças e</p><p>os acidentes com mutilações e óbitos eram numerosos,</p><p>incluindo mulheres e crianças. Não havia limites na jornada,</p><p>ultrapassando 16 horas de trabalho por dia, o ambiente</p><p>era fechado e as máquinas sem nenhuma proteção. Além</p><p>disso, disseminaram-se também as doenças infectoconta-</p><p>giosas (Moraes, 2014, p. 18).</p><p>20</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>O Brasil vem trabalhando ao longo da história para aumentar e garantir o</p><p>alcance da vigilância ambiental e de saúde do trabalhar, em conjunto com</p><p>várias organizações sociais e de trabalho, tanto brasileiras como internacio-</p><p>nais.</p><p>Vamos compreender como vêm evoluindo as políticas de vigilância à saúde</p><p>do trabalhador no Brasil.</p><p>Em 1912, foi instituída a Confederação Brasileira do Trabalho (CBT), que</p><p>apresentava reivindicações por melhores condições de trabalho, como</p><p>diminuição das horas de jornada para oito horas diárias, indenização por</p><p>acidentes de trabalho, limitação da jornada de trabalho para mulheres e</p><p>menores de quatorze anos, estabelecimento de salário mínimo, pensão por</p><p>velhice, contratos coletivos, entre outros. Em 1930, a CBT se transformou em</p><p>Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio e, de 1999 até os dias atuais, no</p><p>Ministério do Trabalho e Emprego (Melo; Ciampa; Araújo, 2014, p. 18).</p><p>Curiosidade</p><p>Você sabe a diferença entre trabalho e emprego? As</p><p>pessoas geralmente acham que as palavras trabalho</p><p>e emprego têm o mesmo significado, mas na realidade</p><p>não têm. No entanto, ambas estão ligadas ao mundo do</p><p>trabalho. Trabalho significa o esforço humano dotado de</p><p>um propósito e envolve a transformação da natureza por</p><p>meio do dispêndio de capacidades físicas e mentais. Já</p><p>emprego é a relação, estável, e mais ou menos duradoura,</p><p>que existe entre quem organiza o trabalho e quem realiza</p><p>o trabalho. É uma espécie de contrato no qual o possuidor</p><p>dos meios de produção paga pelo trabalho de outros, que</p><p>não são possuidores do meio de produção (Melo; Ciampa;</p><p>Araújo, 2014, p. 17).</p><p>Em 1919 foi instituída a primeira lei brasileira de acidentes do trabalho, o</p><p>Decreto 3.724 de 1919, definiu como acidentes do trabalho as “moléstias”</p><p>21</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>adquiridas exclusivamente durante o exercício profissional, não sendo inclu-</p><p>ídas as doenças advindas das condições de trabalho.</p><p>Figura 2: Leis de Trabalho</p><p>Fonte: Stock Studio 4477, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: A imagem apresenta, à frente e à esquerda, um malhete, martelo utili-</p><p>zado por juízes no tribunal e, ao fundo, à direita e desfocados, um capacete e um par de</p><p>óculos de proteção, que são EPIs da construção civil, representando o conceito de compen-</p><p>sação de danos e direito do trabalho e construção.</p><p>Em 1932 foi criada uma unidade de inspetoria do trabalho, pelo Departa-</p><p>mento Nacional do Trabalho (DNT), que tinha como objetivo a fiscalização</p><p>das leis trabalhistas relacionadas à organização, à higiene e à segurança do</p><p>trabalho (Moraes, 2014).</p><p>Posteriormente, foi promulgado o Decreto n. 24.637, de 1934, que passou a</p><p>definir acidente de trabalho, “considerando toda lesão corporal, perturba-</p><p>ção funcional ou doença produzida pelo acidente de trabalho ou em conse-</p><p>quência dele (Moraes, 2014, p. 21).</p><p>22</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Em 1943 foi assinada a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), estabele-</p><p>cendo mecanismos de garantia da Segurança e Medicina do Trabalho (Brasil,</p><p>2022). Na década de 1970 criou-se o Instituto Nacional de Previdência Social</p><p>(INPS) que veio a se transformar no Instituto Nacional de Assistência e Previ-</p><p>dência Social (INAMPS), nessa época os benefícios aos trabalhadores foram</p><p>ampliados com relação aos benefícios de proteção social, por exemplo:</p><p>auxílio salarial para incapacidades ocupacionais (Brasil, 2022).</p><p>Em 1972, com o objetivo de dimensionar os trabalhadores de acordo com</p><p>o grau de risco e o número de empregados das empresas foi instituído</p><p>Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho</p><p>(SEESMT), por meio da Portaria n. 3.237, de 27/06/1972 (Moraes, 2012).</p><p>Atenção</p><p>o Brasil, a enfermagem do trabalho, assim como os demais</p><p>profissionais de segurança e medicina do trabalho, foi</p><p>incorporada às empresas como obrigatória, pois o governo</p><p>tinha emergência em reduzir o elevado índice de acidente</p><p>de trabalho no início dos anos 1970, quando o Brasil se</p><p>consagrou campeão mundial de acidente de trabalho. O</p><p>governo impôs que as empresas contratassem profissio-</p><p>nais especializados, como médico do trabalho, enfermeiro</p><p>do trabalho, auxiliar de enfermagem do trabalho, enge-</p><p>nheiro de segurança do trabalho e técnico de segurança</p><p>do trabalho (Moraes, 2012, p. 20).</p><p>Em 1978, foram instituídas as Normas Regulamentadoras (NR), que obrigam</p><p>as empresas e empresários a cumprir normas estabelecidas para a segu-</p><p>rança e medicina do trabalho. Atualmente são 38 Normas Regulamenta-</p><p>doras (Moraes, 2014).</p><p>23</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Saiba Mais</p><p>As normas regulamentadoras consistem em obrigações,</p><p>direitos e deveres a serem cumpridos por empregadores e</p><p>trabalhadores com o objetivo de garantir trabalho seguro</p><p>e sadio, prevenindo a ocorrência de doenças e acidentes</p><p>de trabalho. No link a seguir, estão descritas as 38 NRs</p><p>estabelecidas atualmente.</p><p>BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Normas Regu-</p><p>lamentadoras – NR. Gov.br, Brasília, 20 out. 2020. Dispo-</p><p>nível em: https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/</p><p>assuntos/inspecao-do-trabalho/seguranca-e-saude-no-</p><p>-trabalho/ctpp-nrs/normas-regulamentadoras-nrs. Acesso</p><p>em: 19 abr. 2024.</p><p>Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, a saúde do traba-</p><p>lhador passou a ser incorporada como um direito universal à saúde e, em</p><p>1990, com a criação da lei orgânica da saúde, Lei n. 8.080/1990, a saúde do</p><p>trabalhar tornou-se obrigatoriedade do Sistema Único de Saúde (SUS).</p><p>A Constituição Federal de 1988 trouxe a saúde e segurança no</p><p>trabalho como direito básico de todos, tanto nos ambientes como</p><p>durante os processos do trabalho. Determina também, que ao SUS</p><p>compete “executar as ações de saúde do trabalhador” e “colaborar</p><p>na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho”.</p><p>(Brasil, 2022, p. 129)</p><p>A partir de então, as ações de organização</p><p>Federal</p><p>de São Paulo. Especialização em Saúde da Família. UNA-SUS. São Paulo:</p><p>UNA-SUS, 2012. Disponível em: https://www.unasus.unifesp.br/biblioteca_</p><p>virtual/esf/2/unidades_conteudos/unidade01/unidade01.pdf. Acesso em: 19</p><p>abr. 2024.</p><p>VIEIRA, A. A.; PASSOS JR., C. Estratégia de implementação de um sistema de</p><p>gestão de segurança e saúde ocupacional com base na norma ISO 45001.</p><p>Research, Society and Development, [s. l.], v. 9, n. 7, e131973778, 2020.</p><p>Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/3778. Acesso</p><p>em: 30 abr. 2024.</p><p>155</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>WERNECK, T. O que é a OHSAS 18001? Encontre aqui tudo o que você precisa</p><p>saber. Ius Natura, [s. l.], 31 out. 2019. Disponível em: https://iusnatura.com.</p><p>br/tudo-sobre-ohsas-18001/. Acesso em: 30 abr. 2024.</p><p>e controle dos ambientes e condi-</p><p>ções de trabalho passaram a acontecer em todo o território nacional de</p><p>forma unificada e ancorada na legislação vigente, as ações e movimentos</p><p>em prol de melhores condições de trabalho ganharam força, e foi se dese-</p><p>nhando a legislação que temos atualmente.</p><p>24</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>1.1.2 BASES LEGAIS E ÉTICAS PARA AS AÇÕES DE SAÚDE DO</p><p>TRABALHADOR</p><p>Durante várias décadas as lutas por melhores condições de trabalho fomen-</p><p>taram a formação de leis trabalhistas que implementassem estratégias e</p><p>ações que favorecessem as condições de trabalho do povo brasileiro. Após</p><p>a Constituição Federal de 1988, que garante a saúde como “direito de todos</p><p>e dever do estado” (Brasil, 1988), e com o auxílio de órgãos internacionais</p><p>como a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e Organização Pan-A-</p><p>mericana da Saúde (OPAS), configuraram-se novos meios de ampliar a fisca-</p><p>lização dos ambientes e das condições de trabalho. Diante disso, várias polí-</p><p>ticas, leis e portarias foram criadas para legislar a saúde do trabalhador.</p><p>Vamos conhecer algumas delas.</p><p>A Lei Federal n. 8.080/1990, “Lei Orgânica da Saúde, definiu a saúde do traba-</p><p>lhador como um conjunto de atividades que se destina, através das ações</p><p>de vigilância epidemiológica e sanitária, à promoção e proteção da saúde</p><p>dos trabalhadores” (BRASIL, 2022, p. 130). Assim, todos os entes federativos</p><p>(estados, munícipios e distrito federal) devem desenvolver estratégias de</p><p>prevenção e promoção à saúde do trabalhador, em conjunto com toda a</p><p>sociedade e entidades trabalhistas.</p><p>25</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Atenção</p><p>A Lei n. 8080/1990 considerou o trabalho como importante</p><p>fator determinante/condicionante da saúde. Em seu artigo</p><p>6º, determina que a realização das ações de saúde do traba-</p><p>lhador sigam os princípios gerais do SUS e recomenda,</p><p>especificamente, a assistência ao trabalhador vítima de</p><p>acidente de trabalho ou que tenha doença profissional ou</p><p>do trabalho; a realização de estudos, pesquisa, avaliação</p><p>e controle dos riscos e agravos existentes no processo</p><p>de trabalho; a informação ao trabalhador, sindicatos e</p><p>empresas sobre riscos de acidentes bem como resultados</p><p>de fiscalizações, avaliações ambientais, exames admissio-</p><p>nais, periódicos e demissionais, respeitada a ética (Brasil,</p><p>2022, p. 130).</p><p>Em 1991 foi promulgada a Lei n. 8.213 que delibera sobre acidente do</p><p>trabalho no Brasil. Essa lei determina que a empresa deverá ser multada caso</p><p>deixe de cumprir as normas técnicas de segurança e higiene do trabalho e</p><p>ainda deve adotar “medidas coletivas e individuais de proteção e segurança</p><p>da saúde do trabalhador, assim como informar os trabalhadores sobre os</p><p>riscos da operação e do produto que ele vai manipular” (Moraes, 2014, p. 22).</p><p>Atenção</p><p>“Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do</p><p>trabalho a serviço da empresa […] ou pelo exercício do</p><p>trabalho dos segurados […], provocando lesão corporal ou</p><p>perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou</p><p>redução, permanente ou temporária, da capacidade para</p><p>o trabalho.” (Brasil, [2023], art. 19).</p><p>26</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>No ano de 2002, foi estabelecida a criação da Rede Nacional de Atenção</p><p>Integral à Saúde do Trabalhador (Renast), por meio da Portaria n. 1.679/GM/</p><p>MS. Essa ação visava implementar ações de saúde do trabalhador em todos</p><p>os níveis de atendimento do SUS, a saber, atenção primária, secundária e</p><p>terciária, de forma integrada. Além disso, articulou a criação 130 Centros de</p><p>Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) (Brasil, 2022).</p><p>Por meio da Portaria n. 104, de 25 de janeiro de 2011, foi instituída a obriga-</p><p>toriedade de notificação compulsória de doenças relacionadas ao trabalho,</p><p>entre elas estão:</p><p>• acidente com exposição a material biológico relacionado ao trabalho;</p><p>• acidente de trabalho com mutilações;</p><p>• acidente de trabalho em crianças e adolescentes;</p><p>• acidente de trabalho fatal;</p><p>• câncer relacionado ao trabalho;</p><p>• dermatoses ocupacionais;</p><p>• distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT);</p><p>• influenza humana;</p><p>• Perda Auditiva Induzida por Ruido (PAIR) relacionada ao trabalho;</p><p>• pneumoconioses relacionadas ao trabalho;</p><p>• pneumonias;</p><p>• rotavírus;</p><p>• toxoplasmose adquirida na gestação e congênita;</p><p>• transtornos mentais relacionados ao trabalho.</p><p>27</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Atenção</p><p>Notificação é a comunicação de ocorrência de determi-</p><p>nada doença ou agravo à saúde, feita à autoridade sani-</p><p>tária por profissionais de saúde ou qualquer cidadão, para</p><p>fins de adoção de medidas de intervenção pertinentes</p><p>(Moraes, 2014, p. 23).</p><p>Em 2012 foi criada a Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Traba-</p><p>lhadora (PNSTT), por meio da Portaria n. 1.823, de agosto de 2012.</p><p>A PNSTT têm como finalidade, a definição de princípios, diretrizes</p><p>e as estratégias a serem observados pelas três esferas de gestão do</p><p>SUS para “o desenvolvimento da atenção integral à saúde do traba-</p><p>lhador, com ênfase na vigilância, visando a promoção e a proteção</p><p>da saúde dos trabalhadores e a redução da morbimortalidade decor-</p><p>rente dos modelos de desenvolvimento e dos processos produtivos”,</p><p>a partir da identificação de trabalhadores e grupos vulneráveis por</p><p>meio de análise da situação de saúde do trabalhador. (Brasil, 2022,</p><p>p. 132)</p><p>Diante do exposto, observamos que, no Brasil, têm-se trabalhado para</p><p>a formalização de políticas e leis que abordam a promoção da saúde do</p><p>trabalhador com ações estratégicas que desenvolvam melhores condições</p><p>de trabalho. Muito ainda falta ser alcançado, porém temos uma estruturação</p><p>básica para fomentar a prevenção de acidentes de trabalho, bem como</p><p>promover a saúde do trabalhador brasileiro.</p><p>1.1.3 ORGANISMOS INTERNACIONAIS E NACIONAIS VOLTADOS À</p><p>SAÚDE DO TRABALHADOR</p><p>Para estabelecer normas e condutas referentes à saúde de trabalhador, o</p><p>governo federal segue orientações de algumas organizações internacionais, é</p><p>o que se chama de cooperação técnica. Vários países e órgãos internacionais</p><p>28</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>se juntam para pactuar ações e diretrizes sobre um determinado assunto.</p><p>Nesse ínterim, ressaltamos que, no Brasil, existe essa multicooperação inter-</p><p>nacional para tratar de aspectos relacionados à saúde do trabalhador.</p><p>No Brasil, entende-se a cooperação técnica internacional prestada</p><p>como uma opção estratégica de parceria com outros Países ou orga-</p><p>nismos internacionais, capaz de produzir impactos positivos para</p><p>populações, elevar níveis de vida, modificar realidades, promover o</p><p>crescimento sustentável e contribuir para o desenvolvimento social.</p><p>(Brasil, 2022, p. 21)</p><p>A seguir, citaremos algumas organizações que trabalham para fortalecer as</p><p>diretrizes e políticas de saúde ocupacional.</p><p>• Organização Internacional do Trabalho (OIT)</p><p>Figura 3: Cooperação internacional</p><p>Fonte: Rawpixel.com, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Composição com fundo e chão brancos mostrando o mapa-múndi em</p><p>azul na parede ao fundo e pessoas interagindo entre si, em uma representação de coope-</p><p>ração entre países.</p><p>29</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Foi criada em 1919, membro da Organização das Nações Unidas, com repre-</p><p>sentação tripartite, ou seja, representa governo, empregadores e trabalha-</p><p>dores, tem a missão de promover condições para todos os seres humanos</p><p>terem um trabalho digno, produtivo, com equidade, segurança e liberdade.</p><p>Considera também que “o trabalho decente é condição fundamental para</p><p>a superação da pobreza, a redução das desigualdades sociais, a garantia da</p><p>governabilidade democrática e o desenvolvimento sustentável” (OIT, [20--?]).</p><p>• Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)</p><p>A OPAS é uma organização internacional, que tem objetivo de orientar estra-</p><p>tégias e ações referentes a saúde pública, entre os países membros. Desen-</p><p>volve projetos no “sentido de promover a equidade na saúde, combater</p><p>doenças, melhorar a</p><p>qualidade de vida e elevar a expectativa de vida dos</p><p>povos das Américas” (Brasil, 2022, p. 21).</p><p>Ministério do Trabalho</p><p>e Emprego – MTE</p><p>Tem a função de realizar a inspeção e a fiscalização</p><p>das condições e dos ambientes de trabalho em todo o</p><p>território nacional.</p><p>Ministério da</p><p>Previdência Social –</p><p>MPS</p><p>Responsável pela perícia médica, reabilitação</p><p>profissional e pagamento de benefícios.</p><p>Ministério da Saúde/</p><p>Sistema Único de Saú-</p><p>de – MS/SUS</p><p>Realiza ações e desenvolve estratégias que</p><p>se destinam, por meio de ações de vigilância</p><p>epidemiológica e sanitária, à promoção e à</p><p>proteção da saúde dos trabalhadores, assim como</p><p>visa à recuperação e à reabilitação da saúde dos</p><p>trabalhadores submetidos aos riscos e agravos</p><p>advindos das condições de trabalho.</p><p>Ministério do Meio</p><p>Ambiente e Mudança</p><p>do Clima – MMA</p><p>Realiza ações de fiscalização da degradação</p><p>ambiental, por exemplo: garimpos ilegais e uso de</p><p>agrotóxicos.</p><p>Quadro 1: Órgãos governamentais brasileiros</p><p>Fonte: Brasil, 2022.</p><p>#PraTodosVerem: Quadro com duas colunas apresentando e descrevendo os órgãos</p><p>governamentais brasileiros relacionados a trabalho, saúde e meio ambiente. Ministério do</p><p>30</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>1.2 RELAÇÃO HOMEM X TRABALHO X DOENÇA – O</p><p>TRABALHO COMO GERADOR DE DOENÇAS</p><p>Segundo a Organização Mundial de Saúde, o conceito de saúde se dá por</p><p>“um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente</p><p>ausência de afecções e enfermidades” (Vianna, 2012, p. 4). Nesse sentido,</p><p>entendemos que manter-se saudável vai muito além de não ter um problema</p><p>de saúde, pois as relações que mantemos com o ambiente e as situações</p><p>socioeconômicas e culturais têm influência preponderante no nosso estado</p><p>de saúde (Vianna, 2012).</p><p>Figura 4: Estresse no local de trabalho</p><p>Trabalho e Emprego – MTE: Tem a função de realizar a inspeção e a fiscalização das condi-</p><p>ções e dos ambientes de trabalho em todo o território nacional. Ministério da Previdência</p><p>Social – MPS: Responsável pela perícia médica, reabilitação profissional e pagamento de</p><p>benefícios. Ministério da Saúde/Sistema Único de Saúde – MS/SUS: Realiza ações e desen-</p><p>volve estratégias que se destinam, por meio de ações de vigilância epidemiológica e sani-</p><p>tária, à promoção e à proteção da saúde dos trabalhadores, assim como visa à recuperação</p><p>e à reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das</p><p>condições de trabalho. Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima – MMA: Realiza</p><p>ações de fiscalização da degradação ambiental, por exemplo: garimpos ilegais e uso de</p><p>agrotóxicos.</p><p>Fonte: ESB Professional, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Fotografia mostra rapaz sentado em frente a um notebook, com os olhos</p><p>fechas e as mãos massageando a testa em sinal de preocupação. Ao redor dele aparecem</p><p>várias mãos trazendo celulares, papéis e documentos.</p><p>31</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Quando relacionamos os termos saúde e doença, precisamos ter em mente</p><p>os aspectos sociais e culturais em que as pessoas estão envolvidas. Eles são</p><p>determinantes para considerar um indivíduo sadio, então uma pessoa que</p><p>vive em condições desfavoráveis e vulneráveis tem maior probabilidade de</p><p>adoecer do que as pessoas que têm melhores condições de vida. Ainda,</p><p>considerando o conceito ampliado de saúde proposto pela OMS, para ter</p><p>saúde precisamos ter qualidade de vida (Vianna, 2012).</p><p>Nessa dimensão, o trabalho está intimamente relacionado às condições</p><p>de saúde e de adoecimento populacional, tendo em vista que, nas várias</p><p>concepções de trabalho, está amplamente relacionado às condições de vida</p><p>social das pessoas.</p><p>O Ministério da Saúde (2001):</p><p>Considera a saúde e a doença como processos dinâmicos, estreita-</p><p>mente articulados com os modos de desenvolvimento produtivo</p><p>da humanidade num determinado momento histórico. Parte do</p><p>princípio de que a forma de inserção dos homens, das mulheres e</p><p>das crianças nos espaços de trabalho contribui decisivamente para</p><p>formas específicas de adoecer e morrer. (Brasil, 2001, p. 5)</p><p>32</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Curiosidade</p><p>Agentes causadores de doenças ocupacionais</p><p>Físicos - Ruído, calor, frio, pressão e umidade.</p><p>Químicos - Poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases e</p><p>vapores.</p><p>Biológicos - Bactérias, fungos, bacilos, parasitas, protozoá-</p><p>rios e vírus.</p><p>Ergonômicos – Postura errada, excesso de peso e estresse.</p><p>O agente ergonômico é o responsável por desencadear</p><p>doenças do trabalho como LER/DORT (Lesões por Esforços</p><p>Repetitivos/Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao</p><p>Trabalho), que representam atualmente 80% dos afasta-</p><p>mentos dos trabalhadores (Moraes, 2014, p. 18).</p><p>Portanto, quando falamos de doenças relacionadas ao trabalho, conside-</p><p>ramos que são doenças que decorrem dos processos de trabalho, na qual o</p><p>homem está sujeito, sendo assim, o ambiente em que o trabalho é desen-</p><p>volvido, ou o próprio ato do trabalho em sim, pode adoecer o homem traba-</p><p>lhador.</p><p>As doenças ocupacionais são adquiridas através da exposição dos</p><p>trabalhadores aos agentes ambientais físicos, químicos e biológicos,</p><p>em situações acima do limite de tolerância. Normalmente ocorrem</p><p>após vários anos de exposição, e algumas doenças ocupacionais</p><p>podem surgir mesmo depois que o trabalhador se afasta do agente</p><p>causador. (Moraes, 2014, p. 18)</p><p>Portanto, as doenças ocupacionais são um problema de saúde pública, e os</p><p>ambientes de trabalho precisam ser fiscalizados com o intuito de prevenir</p><p>essas doenças.</p><p>33</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Saiba Mais</p><p>Estudante se você tiver interesse em conhecer um pouco</p><p>mais sobre a saúde e o meio ambiente de trabalho, assista</p><p>ao vídeo Meio Ambiente do Trabalho: lugar de promoção</p><p>à saúde e segurança do trabalhador.</p><p>MEIO ambiente do trabalho: lugar de promoção à saúde e</p><p>segurança do trabalhado. [S. l.: s. n.], 2021. 1 vídeo, 7 min.</p><p>Publicado pelo canal Direito Com Elas. Disponível em:</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=ZpV5npe4NRg. Acesso</p><p>em: 19 abr. 2024.</p><p>1.2.1 MEIO AMBIENTE, TRABALHO E SAÚDE</p><p>Sabendo que o ambiente em que o processo de trabalho está inserido</p><p>influencia fortemente o processo de saúde e doença, é necessário desen-</p><p>volver estratégias para que esse meio seja favorável à proteção e prevenção</p><p>da saúde do trabalhador.</p><p>Higiene ocupacional é o termo utilizado para definir as ações de “avaliação</p><p>e controle dos riscos físicos, químicos e biológicos originados nos locais de</p><p>trabalho e passíveis de produzir danos à saúde dos trabalhadores” (Moraes,</p><p>2014, p. 25).</p><p>Nesse ínterim, reconhecer as fragilidades do ambiente de trabalho, e</p><p>promover meios para saná-las é um fator determinante na saúde do traba-</p><p>lhador. No entanto, o aparecimento de doenças ocupacionais não está ligado</p><p>somente às condições ambientais, também precisamos ponderar outras</p><p>vertentes, como a suscetibilidade de cada indivíduo de desenvolver doenças,</p><p>bem como os agentes específicos de cada atividade laboral, por exemplo:</p><p>tempo de exposição ao agente causador de doenças, quantidade de agentes</p><p>prejudiciais no ambiente laboral, entre outros (Moraes, 2014).</p><p>34</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>1.2.2 O PAPEL DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE NA ATENÇÃO À</p><p>SAÚDE DO TRABALHADOR</p><p>No Brasil, na década de 1970, devido aos altos índices de acidentes de</p><p>trabalho, houve a necessidade de agregar profissionais de saúde nas</p><p>empresas, para prevenir esses acidentes. Foram incorporados às empresas, o</p><p>médico do trabalho, o enfermeiro do trabalho, o técnico de enfermagem do</p><p>trabalho, o engenheiro de segurança do trabalho e o técnico de segurança</p><p>do trabalho (Moraes, 2012).</p><p>No início, a assistência prestada aos trabalhadores era de aspecto cura-</p><p>tivo e não existia interação entre as equipes de engenharia e de medicina</p><p>do trabalho. Com a criação da Norma Regulamentadora NR 07, em1994,</p><p>foi desenvolvido o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional</p><p>(PCMSO). A partir de então, as ações de saúde começaram</p><p>a ser integradas</p><p>com o objetivo de promover a prevenção à saúde do trabalhador (Moraes,</p><p>2012).</p><p>Atualmente, as empresas tentam aumentar a contratação de multiprofis-</p><p>sionais da área da saúde como nutricionista, fisioterapeuta, fonoaudiólogo,</p><p>educador físico, entre outros, com o intuito de fortalecer a equipe de saúde</p><p>ocupacional, para desenvolver ações de prevenção de doenças ocupacionais,</p><p>considerando um cuidado integral à saúde do trabalhador (Moraes, 2012).</p><p>Ainda nesse aspecto vale ressaltar que a enfermagem está cada vez mais</p><p>presente nas empresas, atuando na promoção e prevenção de doenças,</p><p>relacionadas ou não relacionadas à saúde do trabalhador. “A enfermagem</p><p>do trabalho vem atuando em novas técnicas empregadas para avaliação e</p><p>seleção de candidatos à vaga na empresa e dos trabalhadores que já atuam,</p><p>detectando precocemente doenças ocupacionais ou clínicas” (Morais, 2012,</p><p>p. 21).</p><p>Atualmente, a saúde ocupacional trabalha com três tipos de prevenção, são</p><p>elas: prevenção primária: consiste em educar para que os trabalhadores</p><p>adotem hábitos saudáveis, impedindo que as doenças aconteçam, como:</p><p>manter uma alimentação saudável, fazer exercícios físicos e realizar imuni-</p><p>zações; prevenção secundária: estimula a detecção precoce de doenças,</p><p>bem como a realização do tratamento adequado, evitando a extensão da</p><p>35</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>doença, por exemplo, pacientes hipertensos e diabéticos são incentivados e</p><p>orientados a fazer o uso correto da medicação; prevenção terciária: desen-</p><p>volve ações de reabilitação e reinserção do profissional na sociedade, após a</p><p>ocorrência de algum agravo (Moraes, 2012).</p><p>Segundo Moraes (2012, p. 24), a saúde ocupacional e os profissionais que</p><p>atuam na área têm os seguintes objetivos:</p><p>promover manutenção do mais alto grau de bem-estar físico, mental e social</p><p>dos trabalhadores de todas as ocupações;</p><p>prevenir desvios de saúde causados pelas condições de trabalho;</p><p>proteger o trabalhador em seu emprego dos riscos resultantes de fatores</p><p>adversos à saúde.</p><p>Figura 5: Saude ocupacional</p><p>Fonte: dotshock, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Fotografia de uma mulher com equipamentos de proteção.</p><p>36</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Diante disso, podemos destacar que a equipe multiprofissional e todos os</p><p>envolvidos na saúde ocupacional, têm por objetivo universal, promover a</p><p>saúde do trabalhador, de maneira integral e holística, utilizando as funções</p><p>específicas da sua profissão para consolidar ações de educação, no sentido</p><p>de evitar agravos e acidentes no ambiente de trabalho.</p><p>1.2.3 INTEGRALIDADE NA ASSISTÊNCIA À SAÚDE DO</p><p>TRABALHADOR</p><p>Segundo a Lei n. 8.080/1990, a integridade, como princípio do SUS, deve</p><p>desenvolver ações de saúde, em que o usuário deve ter um atendimento</p><p>completo, tanto preventivo como curativo e ainda em todos os níveis de</p><p>complexidade do sistema de saúde, tanto de forma individualizada como</p><p>coletiva.</p><p>No que tange à saúde do trabalhador, a NR 07 de 1994, estabelece dire-</p><p>trizes para o cuidado integral, por meio do Programa de Controle Médico de</p><p>Saúde Ocupacional, com algumas diretrizes orientadoras para o desenvolvi-</p><p>mento de ações em relação a saúde ocupacional.</p><p>São diretrizes do PCMSO (NR 07; Brasil, [2023]):</p><p>A. rastrear e detectar precocemente os agravos à saúde relacionados ao</p><p>trabalho;</p><p>B. detectar possíveis exposições excessivas a agentes nocivos ocupacionais;</p><p>C. definir a aptidão de cada empregado para exercer suas funções ou tarefas</p><p>determinadas;</p><p>D. subsidiar a implantação e o monitoramento da eficácia das medidas de</p><p>prevenção adotadas na organização;</p><p>E. subsidiar análises epidemiológicas e estatísticas sobre os agravos à saúde</p><p>e sua relação com os riscos ocupacionais;</p><p>F. subsidiar decisões sobre o afastamento de empregados de situações de</p><p>trabalho que possam comprometer sua saúde;</p><p>37</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>G. subsidiar a emissão de notificações de agravos relacionados ao trabalho,</p><p>de acordo com a regulamentação pertinente;</p><p>H. subsidiar o encaminhamento de empregados à Previdência Social;</p><p>I. acompanhar de forma diferenciada o empregado cujo estado de saúde</p><p>possa ser especialmente afetado pelos riscos ocupacionais;</p><p>J. subsidiar a Previdência Social nas ações de reabilitação profissional;</p><p>K. subsidiar ações de readaptação profissional;</p><p>L. controlar a imunização ativa dos empregados, relacionada a riscos ocupa-</p><p>cionais, sempre que houver recomendação do Ministério da Saúde.</p><p>Além da NR07, temos a política de Política Nacional de Saúde do Traba-</p><p>lhador e da Trabalhadora, instituída pela Portaria GM/MS n. 1.823/2012, que</p><p>propõe estratégias e diretrizes para o cuidado integral à saúde do traba-</p><p>lhador, definido ações a serem realizadas para a vigilância, promoção e a</p><p>proteção da saúde dos trabalhadores, com o objetivo de reduzir a morbi-</p><p>mortalidade decorrente dos métodos produtivos de trabalho.</p><p>Diante dessas informações, temos direcionamentos para realizar um cuidado</p><p>integral à saúde do trabalhador, por meio de um cuidado holístico, favore-</p><p>cendo a prevenção dos acidentes de trabalho e a promoção de uma assis-</p><p>tência completa da saúde ocupacional com base das diretrizes nacionais.</p><p>Por fim, uma curiosidade, o Termo de Cooperação n. 69, de 2011, firmado</p><p>entre a OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde) e a SVS/MS (Secretaria</p><p>de Vigilância em Saúde no Ministério da Saúde), foi pactuado um conjunto</p><p>das atividades implementadas no referido TC que visam eliminar e mini-</p><p>mizar riscos, prevenir doenças e agravos, intervindo nos determinantes do</p><p>processo saúde-doença decorrentes dos modelos de desenvolvimento, dos</p><p>processos produtivos e da exposição ambiental no que tange à promoção</p><p>da saúde e à melhoria da qualidade de vida da população brasileira.</p><p>Essa cooperação técnica buscou também fortalecer a capacidade insti-</p><p>tucional da SVS na avaliação da preparação para emergências em saúde</p><p>pública e atualização de planos estaduais e nacional, para abordar lacunas</p><p>críticas de capacidade; desenvolvimento de estratégias e capacidades para</p><p>prevenir e controlar riscos ambientais e infecciosos e o monitoramento de</p><p>eventos de saúde pública (Brasil, 2022).</p><p>38</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>CONCLUSÃO</p><p>Trabalhador é toda pessoa que exerce uma atividade laboral, seja ela formal</p><p>ou informal. O trabalho existe desde os primórdios dos tempos, quando</p><p>o ser humano precisava de soluções para sua sobrevivência, como caçar,</p><p>pescar, produzir moradias, entre outros.</p><p>Ao longo do tempo, o conceito de trabalho foi sofrendo alterações, desde</p><p>o trabalho sendo considerado indigno, que era o caso dos escravizados, até</p><p>ser visto como um ato divino, caso dos calvinistas que se consideravam</p><p>“escolhidos” por Deus para trabalhar, e se esforçavam ao máximo para agra-</p><p>dá-lo por meio do trabalho.</p><p>Com o advento do capitalismo e a Revolução Industrial, o trabalho passou</p><p>a fazer parte de um processo social, sendo necessário haver uma troca de</p><p>serviço por um valor pago por ele. O conceito de trabalho varia para cada</p><p>indivíduo de acordo com sua necessidade. Nesse contexto, as organizações</p><p>sociais e os processos de trabalho passaram a preocupar os governantes</p><p>que começaram a adotar medidas para conceber melhores condições de</p><p>trabalho para sociedade atual.</p><p>Na década de 1970, com mais indústrias, acidentes de trabalho começaram</p><p>a crescer exponencialmente. Então, organizações governamentais e não</p><p>governamentais, nacionais e internacionais, passaram a desenvolver ações</p><p>para melhorar as condições de trabalho da população.</p><p>No Brasil, houve o desenvolvimento de políticas e estratégias para a vigi-</p><p>lância em saúde do trabalhador como: a Consolidação das Leis do Trabalho</p><p>(CLT), as Normas Regulamentadoras (NR), que obrigam as empresas e</p><p>empresários a cumprir normas estabelecidas para a segurança e medicina</p><p>do trabalho, a Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora,</p><p>entre outros.</p><p>Atualmente no Brasil, as ações</p><p>de saúde, de vigilância e promoção a saúde</p><p>do trabalhador são orientadas por diretrizes nacionais, sendo desenvolvidas</p><p>de forma integralizada, com equipes multiprofissionais, em conjunto com</p><p>poder público, empregados e trabalhadores, com o objetivo de minimizar</p><p>os acidentes de trabalho e doenças e comorbidades advindas de más condi-</p><p>ções de trabalho.</p><p>39</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR</p><p>Para saber mais sobre este tema, leia os artigos a seguir.</p><p>1. GOMEZ, C. M. Saúde do trabalhador: aspectos históricos, avanços e desa-</p><p>fios no Sistema Único de Saúde. Ciência & Saúde Coletiva, [s. l.], v. 23, n. 6,</p><p>p. 1963-1970, 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/DCSW6m-</p><p>PX5gXnV3TRjfZM7ks/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 19 abr. 2024.</p><p>2. SILVA, F. F. V. Atenção integral em Saúde do Trabalhador: limitações,</p><p>avanços e desafios. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, [s. l.], v. 46,</p><p>n. e12, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbso/a/VXRVP63hS-</p><p>NSYjhrZPM5RR7x/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 19 abr. 2024.</p><p>3. GARBIN, A. C.; PINTOR, E. A. S. Estratégias de intra e intersetorialidade para</p><p>transversalizar a saúde do trabalhador em todos os níveis de atenção à</p><p>saúde. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, [s. l.], v. 44, n. e18, 2019.</p><p>Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbso/a/KpJFnwFPKPNFFvRJYCHG-</p><p>FXh/?lang=pt. Acesso em: 19 abr. 2024.</p><p>4. MORAES, M. V. G. Introdução. In: MORAES, M. V. G. Doenças ocupacionais:</p><p>agentes: físico, químico, biológico, ergonômico. 2. ed. São Paulo: Érica,</p><p>2014. p. 18-25. E-book. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.</p><p>com.br/books/9788576140818. Acesso em: 19 abr. 2024.</p><p>5. LEÃO, L. H. C. O desafio da atenção integral à saúde e da emancipação</p><p>de trabalhadores escravizados. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional,</p><p>[s. l.], v. 49, n. edcinq8, 2024. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbso/a/</p><p>c4vGsXQVpMNFYbMcWmwVyCL/?lang=pt. Acesso em: 19 abr. 2024.</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>40</p><p>OBJETIVOS</p><p>Ao final desta unidade, esperamos que possa:</p><p>Conhecer o papel dos profissionais de</p><p>saúde na atenção à saúde do trabalhador.</p><p>Oportunizar o conhecimento de tecno-</p><p>logia de controle de riscos ambientais e</p><p>funcionais.</p><p>UNIDADE 2</p><p>41</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>2 ATENÇÃO À SAÚDE DO TRABALHADOR</p><p>Nesta unidade, abordaremos a Atenção à Saúde do Trabalhador. Como</p><p>sabemos, a assistência relacionada à saúde do trabalhador passou por</p><p>inúmeras mudanças que favorecem as expectativas relacionas à prevenção</p><p>de acidentes ocupacionais.</p><p>Podemos destacar que esses movimentos evolutivos são decorrentes</p><p>de inúmeras lutas pela melhoria de condições de trabalho. Atualmente,</p><p>contamos com uma legislação consolidada no que diz respeito às leis de</p><p>trabalho e, entre elas, está a garantia do direito a higiene do trabalho, ou</p><p>seja, condições ambientais e físicas que possibilitem o processo de trabalho</p><p>prevenindo danos à saúde.</p><p>Além disso, contamos com o programa governamental, que é a política de</p><p>assistência à saúde do trabalhador e da trabalhadora, que promove a assis-</p><p>tência integral aos trabalhadores brasileiros de forma ampla, com várias</p><p>modalidades profissionais, de forma colaborativa e multidisciplinar (Brasil,</p><p>2001).</p><p>Sendo assim, ao longo desta unidade, compreenderemos como se dá o</p><p>cuidado com a saúde do trabalhador nos locais de trabalho e no decorrer</p><p>das atividades laborais.</p><p>2.1 O PAPEL DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE NA</p><p>ATENÇÃO À SAÚDE DO TRABALHADOR</p><p>Em consolidação às leis trabalhistas, e devido ao aumento progressivo da</p><p>quantidade de acidentes ocupacionais, o Mistério do Trabalho e Emprego</p><p>(MTE) criou, em 1972, o Serviço Especializado em Engenharia de Segurança</p><p>e em Medicina do Trabalho (SESMT). Esse serviço preconiza a precaução</p><p>contra os acidentes, por meio da educação aos trabalhadores, sobre ameaças</p><p>à saúde presentes no ambiente laboral.</p><p>42</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Além disso, o SESMT deve “realizar ações para reduzi-los ou eliminá-los,</p><p>com o intuito de estabelecer a segurança e a saúde no trabalho, prevenir</p><p>acidentes e doenças ocupacionais, melhorar a qualidade de vida dos profis-</p><p>sionais, bem como preservar o meio ambiente e o patrimônio da empresa”</p><p>(Chirmici; Oliveira, 2016, p. 13).</p><p>Para realizar essas ações o SESMT deve contar com uma equipe de profis-</p><p>sionais especializados, que serão apresentados a seguir com a descrição de</p><p>suas funções no serviço:</p><p>• Médico do trabalho</p><p>Figura 1: Médico do trabalho</p><p>Fonte: Addictive Creative, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Fotografia de uma médica, sentada atrás de uma mesa de consultório,</p><p>analisando papéis, com um notebook branco aberto e uma garrafa de água.</p><p>O profissional médico, para trabalhar como médico do trabalho, deve ser</p><p>formado em medicina com especialização em medicina ocupacional.</p><p>Sua principal função na saúde ocupacional é a promoção da saúde do</p><p>43</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Curiosidade</p><p>Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) é o docu-</p><p>mento utilizado para notificar um acidente ou doença do</p><p>trabalho junto ao Instituto Nacional de Seguridade Social</p><p>(INSS). Esse documento deve apresentar a identificação da</p><p>empresa, do trabalhador e a descrição do acidente ocor-</p><p>rido. Deve conter também o atestado médico, preenchido</p><p>pelo médico do trabalho.</p><p>trabalhador, por meio da prevenção de acidentes e comorbidades advindas</p><p>das atividades de trabalho. Deve realizar ações e programas para estimular o</p><p>cuidado à saúde, a proteção e o bem-estar no ambiente profissional, possibi-</p><p>litando a qualidade de vida dos empregados da empresa de forma holística</p><p>e integral (Chirmici; Oliveira, 2016).</p><p>Dentro de uma empresa, é o responsável por área médica, procedi-</p><p>mentos de saúde, realização de consultas e atendimentos médicos,</p><p>tratamento e acompanhamento das doenças dos profissionais,</p><p>negociação com empresas, implantação e acompanhamento de</p><p>ações de prevenção de doenças e promoção da saúde dos trabalha-</p><p>dores, por meio de programas e serviços de saúde, efetuando perí-</p><p>cias e auditorias médicas e elaborando documentos de medicina</p><p>do trabalho. (Chirmici; Oliveira, 2016, p. 34)</p><p>O médico da saúde ocupacional também desempenha ações investigativas</p><p>a despeito de acidentes e doenças ocupacionais e do trabalho, contribui para</p><p>a elaboração da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT). Além disso,</p><p>“realiza avaliações ergonômicas, auxilia na elaboração do Laudo Técnico de</p><p>Condições Ambientais do Trabalho (LTCAT) e dos laudos de insalubridade e</p><p>periculosidade, entre outras atribuições” (Chirmici; Oliveira, 2016, p. 34).</p><p>O médico da saúde ocupacional deve trabalhar em colaboração com a</p><p>equipe multiprofissional de saúde ocupacional, por exemplo no desenvolvi-</p><p>mento e execução do Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional</p><p>(PCMSO), que deve ser condicionado ao Programa de Prevenção de Riscos</p><p>44</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Figura 2: Engenheiro de segurança do trabalhot</p><p>Fonte: Kikujiarm, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Profissional da engenharia, em uma obra, com capacete de segurança e</p><p>segurando projetos na não. Apresenta-se sorrindo com um céu azul com nuvens ao fundo.</p><p>Para atuar como engenheiro de segurança do trabalho, o profissional deve</p><p>ter formação superior em engenharia ou arquitetura e realizar pós-gradu-</p><p>ação em áreas relacionadas à Engenharia de Segurança do Trabalho. No</p><p>Brasil, essa profissão, é regulamentada pela Lei n. 7.410, de 1985, que versa</p><p>também sobre a obrigatoriedade de ter a especialização em Engenharia</p><p>de Segurança do Trabalho para engenheiros e arquitetos (Chirmici; Oliveira,</p><p>2016).</p><p>O engenheiro de segurança no trabalho deve desenvolver as seguintes ativi-</p><p>dades, de acordo com o art. 4° da Resolução n. 359, de 31 de julho de 1991,</p><p>Ambientais (PPRA), elaborados pelos profissionais da engenharia de segu-</p><p>rança do trabalho juntamente com os técnicos de segurança do trabalho</p><p>(Chirmici;</p><p>Oliveira, 2016).</p><p>• Engenheiro de segurança do trabalho</p><p>45</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>que revogou a Resolução n. 325, de 27 de novembro de 1987 do Conselho</p><p>Federal de Engenharia e Agronomia (Confea).</p><p>1 - Supervisionar, coordenar e orientar tecnicamente os serviços de</p><p>Engenharia de Segurança do Trabalho.</p><p>2 - Estudar as condições de segurança dos locais de trabalho e</p><p>das instalações e equipamentos, com vistas especialmente aos</p><p>problemas de controle de risco, controle de poluição, higiene do</p><p>trabalho, ergonomia, proteção contra incêndio e saneamento.</p><p>3 - Planejar e desenvolver a implantação de técnicas relativas a</p><p>gerenciamento e controle de riscos.</p><p>4 - Vistoriar, avaliar, realizar perícias, arbitrar, emitir parecer, laudos</p><p>técnicos e indicar medidas de controle sobre grau de exposição e</p><p>agentes agressivos de riscos físicos, químicos e biológicos, tais como:</p><p>poluentes atmosféricos, ruídos, calor, radiação em geral e pressões</p><p>anormais, caracterizando as atividades, operações e locais insalu-</p><p>bres e perigosos.</p><p>5 - Analisar riscos, acidentes e falhas, investigando causas, propondo</p><p>medidas preventivas e corretivas e orientando trabalhos estatísticos,</p><p>inclusive com respeito a custos.</p><p>6 - Propor políticas, programas, normas e regulamentos de segu-</p><p>rança do trabalho, zelando pela sua observância.</p><p>7 - Elaborar projetos de sistemas de segurança e assessorar a elabo-</p><p>ração de projetos de obras, instalações e equipamentos, opinando</p><p>do ponto de vista da engenharia de segurança.</p><p>8 - Estudar instalações, máquinas e equipamentos, identificando</p><p>seus pontos de risco e projetando dispositivos de segurança.</p><p>9 - Projetar sistemas de proteção contra incêndio, coordenar ativi-</p><p>dades de combate a incêndio e de salvamento e elaborar planos</p><p>para emergência e catástrofes.</p><p>10 - Inspecionar locais de trabalho no que se relaciona com a segu-</p><p>rança do trabalho, delimitando áreas de periculosidade.</p><p>46</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>11 - Especificar, controlar e fiscalizar sistemas de proteção coletiva</p><p>e equipamentos de segurança, inclusive os de proteção individual e</p><p>os de proteção contra incêndio, assegurando-se de sua qualidade e</p><p>eficiência.</p><p>12 - Opinar e participar da especificação para aquisição de subs-</p><p>tâncias e equipamentos cuja manipulação, armazenamento, trans-</p><p>porte ou funcionamento possam apresentar riscos, acompanhando</p><p>o controle do recebimento e da expedição.</p><p>13 - Elaborar planos destinados a criar e desenvolver a prevenção de</p><p>acidentes, promovendo a instalação de comissões e assessorando-</p><p>-lhes o funcionamento.</p><p>14 - Orientar o treinamento específico de segurança do trabalho e</p><p>assessorar a elaboração de programas de treinamento geral, no que</p><p>diz respeito à segurança do trabalho.</p><p>15 - Acompanhar a execução de obras e serviços decorrentes da</p><p>adoção de medidas de segurança, quando a complexidade dos</p><p>trabalhos a executar assim o exigir.</p><p>16 - Colaborar na fixação de requisitos de aptidão para o exercício</p><p>de funções, apontando os riscos decorrentes desses exercícios.</p><p>17 - Propor medidas preventivas no campo de segurança do</p><p>trabalho, em face do conhecimento da natureza e gravidade das</p><p>lesões provenientes do acidente de trabalho, incluídas as doenças</p><p>do trabalho.</p><p>18 - Informar aos trabalhadores e à comunidade, diretamente ou</p><p>por meio de seus representantes, as condições que possam trazer</p><p>danos à sua integridade e as medidas que eliminam ou atenuam</p><p>estes riscos e que deverão ser tomadas (Confea, 1991, art. 4º).</p><p>Como vimos, esse profissional é indispensável na promoção e estabeleci-</p><p>mento de medidas de proteção e segurança no trabalho, sendo fundamental</p><p>a execução do seu serviço nas empresas e indústrias para a consolidação das</p><p>leis trabalhistas de prevenção de riscos ocupacionais.</p><p>47</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Atenção</p><p>O art. 1° da Resolução n. 359, de 31 de julho de 1991, do</p><p>Confea, dispõe sobre o exercício da especialização de</p><p>engenheiro de segurança do trabalho. Segundo essa lei, a</p><p>pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho</p><p>é privativa aos engenheiros e arquitetos, as instituições que</p><p>oferecem o curso devem ser autorizadas pelo Ministério</p><p>do Trabalho e os profissionais devem ter registro de enge-</p><p>nheiro de segurança do trabalho, expedido pelo Ministério</p><p>do Trabalho, até 180 após o término do curso.</p><p>• Técnico de segurança do trabalho</p><p>Técnico de segurança do trabalho é uma profissão de nível médio. O profis-</p><p>sional deve realizar o curso técnico, além de ter o registro obrigatório no</p><p>Ministério do Trabalho por meio da Secretaria de Segurança e Saúde no</p><p>Trabalho ou das Delegacias Regionais do Trabalho, para desempenhar a</p><p>função. É uma profissão regulamentada pelo Decreto n. 92.350, de 9 de abril</p><p>de 1986 (Chirmici; Oliveira, 2016).</p><p>Figura 3: Técnico de segurança do trabalho</p><p>48</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Fonte: PeopleImages.com - Yuri A, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Profissional da engenharia civil com equipamentos de segurança (capa-</p><p>cete e colete) e outros de trabalho nas mãos (régua, projetos e tablet) e, ao fundo, prédio</p><p>com janelas de apartamento.</p><p>Entre as atividades realizadas pelo técnico de segurança do trabalho</p><p>podemos destacar a prevenção de acidentes no trabalho, informando ao</p><p>empregador e aos empregados sobre as ameaças ocupacionais presentes</p><p>no ambiente de trabalho, reconhecer os fatores de risco de acidentes no</p><p>local de labor, executar as orientações de segurança e higiene do trabalho,</p><p>além de educação dos trabalhadores sobre segurança no trabalho (Chirmici;</p><p>Oliveira, 2016).</p><p>Curiosidade</p><p>Na década de 1950, o técnico de segurança no trabalho</p><p>era conhecido como inspetor de segurança do trabalho.</p><p>Sua função predominante era providenciar alguns equipa-</p><p>mentos de proteção individual e fiscalizar o seu uso pelos</p><p>profissionais, aplicando punições quando fosse neces-</p><p>sário. Não havia ação educativa ou de orientação quanto</p><p>à importância da segurança e da saúde no ambiente de</p><p>trabalho (Chirmici; Oliveira, 2016).</p><p>• Enfermeiro do trabalho</p><p>Enfermeiro do trabalho é profissional de enfermagem com formação supe-</p><p>rior e especialização em enfermagem do trabalho. Desenvolve importante</p><p>papel na promoção à saúde do trabalhador e à higiene ocupacional (Chir-</p><p>mici; Oliveira, 2016).</p><p>49</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Figura 3: Enfermeiro do trabalho</p><p>Fonte: Pixel-Shot, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Profissional da saúde vestida de scrub azul, sorrindo, com a mão direita</p><p>no bolso e na outra mão segurando uma prancheta, ao fundo aparecem armários e um</p><p>computador.</p><p>Entre as funções do enfermeiro, podemos destacar as práticas assistenciais,</p><p>como avaliação das condições físicas e mentais dos empregados da empresa.</p><p>Desenvolve também atividades de pesquisa e avaliação dos programas de</p><p>prevenção de acidentes, bem como ações educativas em integração com os</p><p>demais membros da equipe de saúde educacional (Chirmici; Oliveira, 2016).</p><p>O enfermeiro do trabalho também é responsável pela supervisão dos auxi-</p><p>liares e técnicos de enfermagem do trabalho.</p><p>50</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Reflita</p><p>A entrada do enfermeiro do trabalho nas equipes de saúde</p><p>ocupacional ocorreu em 1975 por meio de uma Portaria</p><p>MTE. No início, não foi valorizado, pois era um profis-</p><p>sional para atendimento a emergências nas empresas,</p><p>no entanto, esses quase não existiam. “Hoje, essa visão</p><p>mudou, principalmente após a publicação de legislações</p><p>mais densas e a mudança de conceitos de empresários e</p><p>funcionários, que modificaram a maneira como o enfer-</p><p>meiro do trabalho poderia atuar nas empresas” (Chirmici;</p><p>Oliveira, 2016, p. 30).</p><p>• Auxiliar/técnico em enfermagem do trabalho</p><p>O auxiliar de enfermagem do trabalho foi incorporado à equipe de saúde</p><p>ocupacional com a criação do SESMT no Brasil, por meio da Portaria n. 3.237</p><p>do MTE de 1972. Assim, as empresas passaram ter obrigatoriedade de ter</p><p>um profissional de enfermagem</p><p>na equipe de saúde. Porém, atualmente,</p><p>esse cargo ficou para os técnicos de enfermagem tendo em vista a não reali-</p><p>zação de cursos de auxiliares de enfermagem (Chirmici; Oliveira, 2016).</p><p>Figura 4: Técnico de enfermagem do trabalho</p><p>51</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Fonte: DC Studio, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Profissional da saúde sentada à frente de uma mesa de trabalho, com</p><p>computador e tablet, vestida de scrub azul e com estetoscópio ao redor do pescoço, ao</p><p>fundo aparece outro profissional, de costas.</p><p>O técnico de enfermagem do trabalho parte da equipe do SESMT nas</p><p>empresas tem como principal função promover a saúde do trabalhador, reali-</p><p>zando atividades como: atender o trabalhador, avaliar sinais vitais, auxiliar</p><p>nos exames admissionais, colher exames laboratoriais, quando necessário,</p><p>auxiliar o enfermeiro nas ações educativas, organizar e atualizar os prontuá-</p><p>rios, entre outras funções, sendo todas elas sob a supervisão do enfermeiro</p><p>(Chirmici; Oliveira, 2016).</p><p>2.1.1 PRINCÍPIOS DE SAÚDE MENTAL DO TRABALHADOR</p><p>O trabalho tem sido um fator preponderante relacionado ao adoecimento</p><p>psíquico sendo relacionado ao aumento progressivo nas doenças ocupacio-</p><p>nais na atualidade. O processo de desenvolvimento de transtornos metais</p><p>muitas vezes é silencioso e lento, o que dificulta a identificação dos casos. O</p><p>desencadeamento dos sintomas de adoecimento psíquico difere de pessoa</p><p>para pessoa, sendo um fator determinante de como as pessoas enfrentam de</p><p>modo muito particular os fatores de risco para o adoecimento (Brasil, 2001).</p><p>Os transtornos mentais têm sido vistos como uma prioridade global</p><p>da saúde, devido aos elevados números de incapacidade decor-</p><p>rentes da ocorrência de transtornos mentais e ao seu ônus econô-</p><p>mico, além de ser estimado como o maior agravo de saúde mundial</p><p>até o ano de 2030 (Brasil, 2022, p. 184).</p><p>Os transtornos mentais ocasionados pelo trabalho fazem parte dos agravos</p><p>decorrentes do processo de trabalho e são situações que exigem notificação</p><p>compulsória na saúde do trabalhador. A prevenção de distúrbios mentais</p><p>também compõe as ações estratégicas da Política Nacional de Saúde do</p><p>Trabalhador e da Trabalhadora no Brasil (Brasil, 2022).</p><p>52</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>2.1.2 FATORES PSICOSSOCIAIS RELACIONADOS COM O</p><p>TRABALHADOR E O MEIO AMBIENTE QUE AFETAM O</p><p>TRABALHADOR E O SEU DESEMPENHO PROFISSIONAL;</p><p>REAÇÕES COMPORTAMENTAIS</p><p>Ao longo dessa disciplina entendemos que o processo de trabalho tem forte</p><p>influência em uma sociedade, tanto em aspectos econômicos, como sociais</p><p>e culturais. Sendo assim, o trabalho tanto pode influenciar beneficamente o</p><p>ser humano como também pode ser um fator de adoecimento, inclusive no</p><p>que diz respeito aos distúrbios psíquicos (Brasil, 2022, p. 184).</p><p>Segundo o Mistério da Saúde (Brasil, 2022, p. 184):</p><p>No Brasil, a Saúde Mental apresenta um desafio particularmente</p><p>complexo: apesar de sua crescente visibilidade mundial, ainda existe</p><p>uma estigmatização generalizada, práticas e estruturas desatuali-</p><p>zadas, bem como fragmentação organizacional que afetam a capa-</p><p>cidade de avaliar, priorizar e investir adequadamente em doenças</p><p>e agravos relacionados a Saúde Mental e responder a eles com a</p><p>mesma proporção e prioridade que são dadas a saúde física (Brasil,</p><p>2022, p. 184).</p><p>Curiosidade</p><p>No Brasil, os transtornos mentais são a terceira causa de</p><p>longos afastamentos do trabalho por doença, o que pode</p><p>ser observado por meio dos dados das notificações extra-</p><p>ídas no Sinan, a partir de 2007, demonstrando um aumento</p><p>na incidência de TMRT (Transtornos Mentais Relacionados</p><p>ao Trabalho), sendo o ano de 2019 com o maior número</p><p>de notificações identificadas (Brasil, 2022).</p><p>Algumas formas e ambientes de trabalho são mais propícias ao desenvolvi-</p><p>mento de transtornos psíquicos. Podemos citar os serviços com “pressão por</p><p>53</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Figura 5: Saúde mental no trabalho</p><p>produção, trabalhos desvalorizados e mal remunerados, precariedade das</p><p>condições e relações de trabalho, jornadas extensas, medo de perderem o</p><p>emprego, entre outros” (Brasil, 2022, p. 185).</p><p>Fonte: PeopleImages.com - Yuri A, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Profissional com excesso de trabalho, tentando se acalmar, com um</p><p>exercício de meditação. A mulher está sentada atrás de uma mesa com roupa preta, e</p><p>aparecem ao seu redor várias mãos com papéis, smartphone e tablet.</p><p>Os exemplos citados são corriqueiramente encontrados no mundo do</p><p>trabalho, causando insatisfação no trabalhador e consequentemente apre-</p><p>sentam vulnerabilidade para os transtornos mentais se instalarem. Portanto,</p><p>é necessária a prevenção dos fatores que podem desencadear os problemas</p><p>mentais, tanto quanto os de origem física, tendo em vista que eles causam</p><p>danos à saúde do trabalhador.</p><p>2.1.3 PRINCÍPIOS ÉTICOS E DE RELAÇÕES INTERPESSOAIS NO</p><p>TRABALHO</p><p>54</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Figura 6: Relações interpessoais no trabalho</p><p>Fonte: JLco Julia Amaral, Shutterstock, 2024.</p><p>#PraTodosVerem: Três colegas de trabalho, confraternizando e alegres, na fotografia</p><p>aparece um homem e uma mulher batendo as mãos e mais uma mulher à direita do</p><p>homem sorrindo com empatia.</p><p>O homem vive do trabalho e para o trabalho. Em consequência disso, a</p><p>maior parte do seu tempo é dispensada no ambiente de trabalho. Nessa</p><p>situação é indispensável a convivência com outras pessoas, e além disso</p><p>manter um bom relacionamento com elas (Minicucci, 2013).</p><p>A forma como nos relacionamos com as pessoas é um dos fatores</p><p>mais importantes para a manutenção de um bom clima organi-</p><p>zacional. O trabalho requer a convivência com colegas, superiores,</p><p>clientes e deve haver a conciliação dos interesses pessoais com os</p><p>interesses e objetivos da organização. (Gomes, 2019, p. 6)</p><p>Uma boa convivência com os colegas de trabalho facilita o enfrentamento</p><p>das condições de trabalho, melhora as condições físicas e mentais durante o</p><p>período de labor, porém essa demanda não é fácil para todas as pessoas, o</p><p>que pode tornar o trabalho um ambiente hostil (Minicucci, 2013).</p><p>55</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde Ocupacional</p><p>Diante disso, devemos entender que a ética e a moral intrínseca das pessoas</p><p>têm forte influência no seu desenvolvimento interpessoal, principalmente</p><p>quando relacionado ao trabalho. Atitudes de respeito, solidariedade, empatia</p><p>e cordialidade são fatores indispensáveis para uma boa convivência (Gomes,</p><p>2019, p. 6).</p><p>As empresas têm cada vez mais investido na valorização dessas habilidades</p><p>humanas, tendo em vista que um bom relacionamento entre patrão e</p><p>empregado, bem como empregado com os colegas de trabalho, é condicio-</p><p>nante para eficiência no trabalho e progresso da empresa (Gomes, 2019, p.</p><p>6).</p><p>Portanto, um dos fatores mais trabalhados nessa perspectiva de um bom</p><p>clima organizacional é o estabelecimento de uma boa comunicação entre</p><p>as pessoas, o que é essencial ao desenvolvimento das relações interpessoais.</p><p>Gomes (2019) afirma que a comunicação é imprescindível para satisfazer as</p><p>necessidades práticas. “A comunicação eficaz pode melhorar a saúde física</p><p>e o bem-estar emocional”, além disso, ainda favorece as relações sociais,</p><p>como a interação com outras pessoas, um ambiente cordial e ainda a troca</p><p>de afeto entre colegas de trabalho (Gomes, 2019, p. 6).</p><p>Nessa perspectiva, a interação entre os profissionais de uma mesma empresa,</p><p>um bom relacionamento interpessoal no ambiente de trabalho, bem como</p><p>a adoção de um comportamento ético e moral, reflete positivamente, tanto</p><p>para o crescimento e progresso da empresa, como, principalmente, possibi-</p><p>lita crescimento pessoal e satisfação do profissional no trabalho.</p><p>2.2 TECNOLOGIA DE CONTROLE DE RISCOS</p><p>AMBIENTAIS E FUNCIONAIS</p><p>O controle dos riscos ambientais e funcionais relacionados ao processo de</p><p>trabalho é essencialmente baseado na prevenção e neutralização dos riscos</p><p>existentes. Para alcançar esses objetivos, as empresas têm desenvolvido</p>

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