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<p>2</p><p>SUMÁRIO</p><p>INTRODUÇÃO .................................................................................................. 3</p><p>1 CONTABILIDADE ....................................................................................... 4</p><p>1.1 Usuários ............................................................................................... 4</p><p>1.2 O profissional ....................................................................................... 6</p><p>1.3 Pilares da contabilidade (conforme a teoria da contabilidade) ............. 7</p><p>1.4 Entendendo a terminologia contábil: desafios e significados de débito e</p><p>crédito 8</p><p>1.5 Compreendendo melhor o assunto .................................................... 10</p><p>2 OPERAÇÕES COM MERCADORIAS ...................................................... 11</p><p>3 A HISTÓRIA DA CONTABILIDADE .......................................................... 23</p><p>3.1 O objeto, o objetivo e a finalidade ...................................................... 25</p><p>3.2 Técnicas contábeis ............................................................................. 25</p><p>3.3 Escolas e doutrinas da contabilidade ................................................. 26</p><p>4 ALGUNS PRINCÍPIOS E CONVENÇÕES CONTÁBEIS ACEITOS ......... 31</p><p>5 REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS .......................................................... 42</p><p>3</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Prezado aluno!</p><p>O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante</p><p>ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável -</p><p>um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma</p><p>pergunta , para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum</p><p>é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a</p><p>resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas</p><p>poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em</p><p>tempo hábil.</p><p>Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa</p><p>disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das</p><p>avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que</p><p>lhe convier para isso.</p><p>A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser</p><p>seguida e prazos definidos para as atividades.</p><p>Bons estudos!</p><p>4</p><p>1 CONTABILIDADE</p><p>A Contabilidade é a ferramenta que fornece o máximo de informações</p><p>necessárias para a tomada de decisões dentro e fora da empresa. Ela é muito antiga</p><p>e sempre existiu para ajudar os indivíduos a tomarem decisões. Com o passar do</p><p>tempo, o governo começa a utilizar-se dela para arrecadar impostos e a torna</p><p>obrigatória para a maioria das empresas. Padoveze (2016, p.3) defini Contabilidade</p><p>como “o sistema de informação que controla o patrimônio de uma entidade”.</p><p>Segundo Ribeiro (2018, p.19), a contabilidade “é uma ciência social que tem</p><p>por objeto o patrimônio das entidades econômico-administrativas. Seu objetivo</p><p>principal é controlar o patrimônio das entidades em decorrência de suas variações”.</p><p>Todas as movimentações passíveis de mensuração monetária são registradas</p><p>pela Contabilidade, que resume os dados registrados em forma de relatórios e os</p><p>entrega aos interessados em conhecer a situação da organização. Por meio de</p><p>relatórios de contábeis, os interessados relembram os fatos ocorridos, examinam os</p><p>resultados e as causas que os levaram àqueles resultados e tomam decisões em</p><p>relação ao futuro.</p><p>Vale ressaltar que conforme a área de atividade desenvolvida pela entidade,</p><p>haverá também um ramo da contabilidade específico, que a ela se aplica como:</p><p>“Contabilidade bancária, contabilidade comercial, contabilidade de condomínio,</p><p>contabilidade industrial, contabilidade imobiliária, contabilidade macroeconômica,</p><p>contabilidade hospitalar, contabilidade agrícola, contabilidade pastoril, contabilidade</p><p>das entidades de fins ideais, contabilidade de transportes, e outras” (RIBEIRO, p. 20,</p><p>2018).</p><p>1.1 Usuários</p><p>As pessoas que usam Contabilidade são chamadas de usuários. Eles se</p><p>interessam pela situação da empresa e buscam respostas nela.</p><p>Nota-se que a Contabilidade é utilizada por outros além dos gerentes</p><p>(administradores). Os investidores (sócios ou acionistas), que investem dinheiro na</p><p>organização, estão interessados principalmente em obter lucros; dessa forma, eles</p><p>usam os relatórios contábeis para analisar se um negócio é lucrativo; os fornecedores</p><p>5</p><p>de mercadoria a prazo querem saber se a empresa tem capacidade de pagar suas</p><p>dívidas; os bancos, por outro lado, emprestam dinheiro desde que a organização</p><p>tenha condições de pagamento; o governo quer saber quanto de impostos foi gerado</p><p>para os cofres públicos; outros interessados desejam conhecer melhor a situação da</p><p>empresa: os funcionários, os sindicatos, os concorrentes, entre outros. Analise a</p><p>Figura 1.</p><p>Figura 1 – Usuários da informação contábil</p><p>Fonte: Marion (2022, p.25)</p><p>Os usuários das informações contábeis são pessoas físicas e jurídicas.</p><p>Considera-se pessoa, juridicamente falando, todo ser capaz de direitos e obrigações.</p><p>Pessoa física é a pessoa natural (sem qualquer exceção), seu principal registro, além</p><p>da Certidão de Nascimento, é o Cadastro de Pessoa Física (CPF).</p><p>Pessoa jurídica é uma entidade composta por uma ou mais pessoas físicas,</p><p>podendo ser empresas, governos e organizações. Normalmente, as pessoas jurídicas</p><p>são registradas no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ). As pessoas</p><p>jurídicas podem ter fins lucrativos (empresas industriais, comerciais, entre outras) ou</p><p>6</p><p>não (cooperativas, associações culturais, religiosas, entre outras). Assim, as pessoas</p><p>jurídicas são as ONGs, as Igrejas, as fundações, as sociedades, os partidos políticos,</p><p>entre outros.</p><p>A contabilidade pode, portanto, ser realizada para uma única pessoa física</p><p>(desde que haja necessidade em virtude do volume de negócios) ou para pessoas</p><p>jurídicas com ou sem fins lucrativos</p><p>Quando se faz Contabilidade para a pessoa física (embora não seja comum)</p><p>ou a pessoa jurídica, essa pessoa é denominada entidade contábil. Dessa forma,</p><p>qualquer pessoa que tenha necessidade de Contabilidade (e a Contabilidade é</p><p>mantida para esta pessoa) é chamada entidade contábil.</p><p>1.2 O profissional</p><p>O Código Civil de 2002 usa o termo contabilista em substituição a contador e a</p><p>expressão técnico em contabilidade, que são duas categorias previstas em lei. No</p><p>entanto, atualmente, nos referimos a ambas as categorias como "profissional</p><p>contábil".</p><p>É denominado técnico de Contabilidade aquele que concluiu o curso de</p><p>Contabilidade de nível técnico (médio), extinto em 2015. Para o curso superior de</p><p>Contabilidade, o profissional é chamado bacharel em Ciências Contábeis ou</p><p>Contador. Nos termos da Lei n. 12.249/10, a realização do Exame de Suficiência é</p><p>obrigatória para o exercício profissional da contabilidade.</p><p>De acordo com essa lei, só pode exercer a profissão de técnico em</p><p>contabilidade ou de Contador após a conclusão com aproveitamento no respectivo</p><p>curso, aprovação em exame de suficiência e registro no Conselho Regional de</p><p>Contabilidade.</p><p>Tanto o técnico em contabilidade quanto o contador são denominados</p><p>profissionais contábeis, e ambos podem, legalmente, ser responsáveis pela</p><p>Contabilidade das empresas, analistas de balanços, pesquisadores contábeis, entre</p><p>outros. No entanto, o contador está habilitado a realizar outras tarefas que fogem ao</p><p>âmbito de um técnico de contabilidade. Essas atividades são:</p><p>7</p><p>Para atuar profissionalmente como contador, é imprescindível obter a</p><p>aprovação no Exame de Suficiência, que é aplicado tanto para técnicos quanto para</p><p>bacharéis em Contabilidade, e ainda é</p><p>preciso estar regularmente habilitado pelo</p><p>Conselho Regional de Contabilidade (CRC).</p><p>1.3 Pilares da contabilidade (conforme a teoria da contabilidade)</p><p>Os Pilares da Contabilidade são os pressupostos fundamentais da</p><p>Contabilidade, chamados genericamente de princípios contábeis.</p><p>A Contabilidade se fundamenta em dois pilares teóricos principais: a entidade</p><p>contábil e a continuidade da empresa. O primeiro pilar exige a existência de uma</p><p>entidade contábil, isto é, uma pessoa ou entidade para a qual a contabilidade é</p><p>mantida. Se não houver uma entidade contábil, a contabilidade não pode ser aplicada.</p><p>Esse conceito implica que a contabilidade é mantida para a entidade como uma</p><p>pessoa separada dos seus proprietários.</p><p>O contador deve se esforçar para não confundir as transações da entidade com</p><p>as dos proprietários e não confundir pessoas físicas ou jurídicas com empresas. O</p><p>segundo pilar é baseado na premissa de que a empresa é um negócio em andamento,</p><p>que funcionará por prazo indeterminado. Uma empresa em processo de extinção ou</p><p>liquidação será contabilizada com regras diferentes.</p><p>• Auditoria: exame e verificação da exatidão dos procedimentos</p><p>contábeis.</p><p>• Perícia contábil: investigação contábil de empresas motivada por</p><p>uma questão judicial (solicitada pela justiça), ou extrajudicial</p><p>(arbitragem).</p><p>• Professor de Contabilidade: para ser professor de curso superior,</p><p>exige-se pós-graduação.</p><p>8</p><p>1.4 Entendendo a terminologia contábil: desafios e significados de débito e</p><p>crédito</p><p>Conforme Ribeiro (2018), a terminologia é um dos desafios enfrentados por</p><p>quem está iniciando o estudo da contabilidade, pois apresentam dificuldades em</p><p>compreender o assunto. Entre os termos que mais preocupam os calouros estão a</p><p>compreensão de Débito e crédito.</p><p>Na linguagem cotidiana, débito, refere-se à situação negativa, desfavorável;</p><p>ou saldo negativo na conta corrente bancária; ou estar em falta com alguém, entre</p><p>outras. Já na terminologia contábil, essa palavra poderá ter esses mesmos</p><p>significados ou até mesmo assumir uma conotação positiva. O crédito, no que lhe</p><p>Palavras-chave</p><p>• Continuidade: refere-se à entidade que está funcionando</p><p>com prazo indeterminado; algo em andamento; não está em</p><p>fase de extinção ou liquidação.</p><p>• Entidade contábil: pessoa para quem é mantida a</p><p>Contabilidade, podendo ser pessoa jurídica ou física.</p><p>• Entidade contábil e continuidade: são conceitos tratados pela</p><p>Teoria da Contabilidade.</p><p>• Pessoa física: ser natural, indivíduo considerado tal a partir</p><p>do seu nascimento, que termina com a morte.</p><p>• Pessoa jurídica: ser abstrato, constituído legalmente através</p><p>de um contrato, formado por uma ou mais pessoas, que</p><p>termina com a dissolução.</p><p>• Usuários da Contabilidade: pessoas ou entidades</p><p>interessadas em conhecer a situação da empresa para a</p><p>tomada de decisões: administradores, gerentes, governo,</p><p>bancos, fornecedores, entre outros.</p><p>9</p><p>concerne, pode significar situação positiva, favorável; ou saldo positivo na conta</p><p>corrente bancária; ou ter crédito no mercado (capacidade de comprar a prazo, ter</p><p>nome limpo na praça), entre outras. Contabilmente, essa palavra pode assumir esses</p><p>mesmos significados ou até mesmo corresponder à situação negativa.</p><p>Portanto, para aprender a Contabilidade seu aprendizado precisa exceder a</p><p>mera compreensão do sistema de débito e crédito, sendo a essência da contabilidade,</p><p>abrangendo para todo o processo contábil, além de estar ciente que algumas</p><p>palavras, termos ou expressões de uso cotidiano podem ter significados diferentes</p><p>quando usado pela ciência contábil.</p><p>Vale pontuar que toda representação gráfica em forma de “T” é utilizada para</p><p>representar uma conta ou um conjunto de contas patrimoniais, ou de resultado, ficou</p><p>ajustado que o lado esquerdo será sempre o lado do débito e que o lado direito, o do</p><p>crédito.</p><p>DÉBITO CRÉDITO</p><p>CONTAS PATRIMONIAIS</p><p>ATIVO PASSIVO</p><p>Bens ...................................................(1)</p><p>Direitos ...............................................(1)</p><p>Obrigações ........................................(2)</p><p>Patrimônio Líquido ......................(1 ou 2)</p><p>CONTAS E RESULTADOS</p><p>ATIVO PASSIVO</p><p>Despesas...............................................(2)</p><p>Receitas...........................................(1)</p><p>Como observado no Balanço Patrimonial apresentado em forma de “T”, as</p><p>contas do Ativo estão posicionadas do lado esquerdo, enquanto as do Passivo do lado</p><p>direito, onde:</p><p>• as contas do Ativo são de natureza devedora;</p><p>• as contas do Passivo são de natureza credora.</p><p>10</p><p>A forma de “T” também foi utilizada para representar as contas de resultado, as</p><p>contas de despesas estão posicionadas do lado esquerdo e as de receitas do lado</p><p>direito, onde:</p><p>• as contas de despesas são de natureza devedora;</p><p>• as contas de receitas são de natureza credora.</p><p>1.5 Compreendendo melhor o assunto</p><p>Quais são as principais modalidades de pessoa jurídica?</p><p>• Sociedade Limitada (Ltda.);</p><p>• Sociedade Anônima (S.A.);</p><p>• Microempreendedor Individual (MEI);</p><p>• Empresário Individual (EI);</p><p>• Sociedade Limitada Unipessoal (SLU);</p><p>• Associações, fundações, organizações religiosas, partidos</p><p>políticos, etc.</p><p>Por que os pressupostos da Entidade e Continuidade são chamados</p><p>de Pilares da Contabilidade?</p><p>A Contabilidade tem um conjunto de regras, uma estrutura</p><p>conceitual suportada pela Teoria da Contabilidade. Quando pensamos</p><p>em estrutura, podemos imaginar um prédio (construção, edifício) com</p><p>alicerces, paredes, telhado. A parte mais relevante do prédio é o alicerce,</p><p>as colunas, os pilares que sustentam os demais componentes da</p><p>construção. Assim, na Teoria da Contabilidade, Entidade e Continuidade</p><p>representam esses pilares ou colunas. Os demais conceitos na</p><p>Contabilidade são alicerçados por esses dois princípios que a Teoria da</p><p>Contabilidade chama de postulados, verdades, que não podem ser</p><p>mudados. A ideia é que as regras contábeis decorrem da pressuposição</p><p>de que haja uma pessoa (empresa) para fazer a Contabilidade</p><p>(entidade), podendo fazer investimentos, financiamentos, etc.</p><p>(continuidade).</p><p>11</p><p>Embora seja composto por doze membros (que não requerem remuneração),</p><p>sendo dois membros por entidade, outras entidades poderão vir a ser convidadas</p><p>futuramente.</p><p>O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) fornece a estrutura necessária</p><p>para o funcionamento do CPC, que é totalmente autônomo das entidades</p><p>representadas.</p><p>2 OPERAÇÕES COM MERCADORIAS</p><p>Mercadorias são bens tangíveis ou físicos, comercializados por uma empresa,</p><p>que possuem valor de troca e são destinados à venda ou revenda. Segundo Araújo</p><p>(2009, p. 32), " Mercadorias são produtos adquiridos por uma empresa comercial,</p><p>mediante pagamento à vista ou a prazo, com o objetivo de auferir lucro com a venda.</p><p>Além disso, podem ser conceituadas como qualquer objeto destinado ao comércio".</p><p>Existe uma Estrutura Conceitual da Contabilidade?</p><p>Sim, em 15/12/2011 foi divulgado o CPC 00 atualizado em</p><p>12/2019, que trata da Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação</p><p>de Relatório Contábil-Financeiro. Esse pronunciamento está sincronizado</p><p>com as Normas Internacionais de Contabilidade – IFRS (International</p><p>Financial Reporting Standards). O Comitê de Pronunciamentos</p><p>Contábeis (CPC) foi criado em 2005 por meio da Resolução CFC no</p><p>1.055/05 e é a principal entidade no Brasil que atua na convergência da</p><p>Contabilidade aos padrões internacionais (IFRS); tem por objetivo o</p><p>estudo e a divulgação de pressupostos, normas, padrões de</p><p>Contabilidade e de Auditoria. O CPC é a união de seis entidades não</p><p>governamentais:</p><p>Fonte: Marion (2022, p.29)</p><p>12</p><p>Em consonância,</p><p>para Ribeiro (2019) mercadorias são os objetos negociados</p><p>pelas empresas comerciais.</p><p>Se tratando do lançamento correto de mercadorias, imagine encontrar a</p><p>seguinte questão:</p><p>A empresa Comercial Teixeira Ltda. comprou mercadorias, à vista, por $ 5.000.</p><p>Assinale a alternativa que contém o lançamento adequado para o registro deste fato</p><p>no livro Diário:</p><p>Todas as alternativas acima estão corretas.</p><p>Métodos e sistemas para registro das operações com mercadorias</p><p>As empresas podem optar por dois métodos e sistemas para realizar o registro</p><p>das operações que envolvem mercadorias:</p><p>• Método da Conta Mista</p><p>A prática em questão envolve o uso de uma só conta para registrar todas as</p><p>operações que envolvem mercadorias. Normalmente, esta conta tem como título</p><p>“Mercadorias”.</p><p>13</p><p>O nome "Método da Conta Mista" é atribuído a esse procedimento porque a</p><p>conta de "Mercadorias" desempenha uma dupla função: tanto patrimonial quanto de</p><p>resultado.</p><p>Exerce função patrimonial porque registra os estoques inicial e final figurando</p><p>no Balanço Patrimonial juntamente com as demais contas representativas de</p><p>estoques; ao mesmo tempo, exerce função de resultado, pois registra também as</p><p>compras, as devoluções de compras, os abatimentos sobre compras, as vendas, as</p><p>devoluções de vendas, entre outras, permitindo assim que por meio dela seja apurado</p><p>o resultado bruto do exercício.</p><p>• Método da Conta Desdobrada</p><p>Esse método se baseia na utilização de múltiplas contas para registrar as</p><p>operações relacionadas às mercadorias.</p><p>Utilizando esse método, a conta de "Mercadorias" é dividida em diversas outras</p><p>contas, em quantidade suficiente para permitir a contabilização separada de cada tipo</p><p>de fato que envolva as operações com mercadorias.</p><p>Em essência, são três contas: Estoque de Mercadorias, Compras de</p><p>Mercadorias e Vendas de Mercadorias, podendo ainda existir Abatimentos sobre</p><p>Compras, Compras Anuladas, Abatimentos sobre Vendas, Vendas Anuladas, Fretes</p><p>e Seguros sobre Compras, Descontos Incondicionais Obtidos, Descontos</p><p>Incondicionais Concedidos, ICMS sobre Vendas, PIS sobre Faturamento e COFINS</p><p>sobre Faturamento.</p><p>Neste contexto, a conta “Estoque de Mercadorias” é patrimonial, sendo utilizada</p><p>para o registro dos estoques inicial e final, enquanto as demais são todas de resultado</p><p>e os seus saldos, no final do período, são transferidos para as contas Custo das</p><p>Mercadorias Vendidas (CVM) ou Resultado da Conta Mercadorias (RCM) para</p><p>apuração do resultado bruto do exercício (resultado com mercadorias).</p><p>• Sistema de Inventário Periódico</p><p>O termo "inventário periódico" é utilizado porque, ao adotar esse método, as</p><p>empresas realizam o inventário físico das mercadorias em estoque apenas no final de</p><p>14</p><p>um período, que geralmente corresponde a um ano. Consequentemente, o resultado</p><p>bruto do exercício (ou Resultado da Conta Mercadorias), por este sistema, só será</p><p>conhecido no final desse período.</p><p>• Sistema de Inventário Permanente</p><p>Esse método consiste em controlar o estoque de mercadorias de forma</p><p>permanente, registrando cada compra, venda ou devolução. Com isso, os estoques</p><p>de mercadorias são mantidos atualizados constantemente, permitindo que as</p><p>empresas apurem o Resultado da Conta Mercadorias no momento em que desejarem.</p><p>Existe a combinação entre os dois métodos e os dois sistemas que resulta em</p><p>três formas diferentes que podem ser adotadas para se registrar e controlar as</p><p>operações com mercadorias:</p><p>Portanto, as empresas são livres para escolher a maneira mais adequada à sua</p><p>realidade.</p><p>Empresas menores, que não precisam de informações detalhadas em seus</p><p>registros, comumente utilizam com mais frequência o Método da Conta Mista com</p><p>Inventário Periódico. Por outro lado, empresas maiores, que precisam de detalhes em</p><p>seus registros, adotam o Método da Conta Desdobrada com Inventário Periódico ou</p><p>com Inventário Permanente.</p><p>Exemplo prático</p><p>Suponhamos que ocorreram os seguintes fatos em uma empresa comercial:</p><p>• Compra à vista de mercadorias no valor de $1.200, conforme a nota fiscal n.</p><p>730.</p><p>• Conta Mista com Inventário Periódico;</p><p>• Conta Desdobrada com Inventário Periódico; e</p><p>• Conta Desdobrada com Inventário Permanente.</p><p>15</p><p>• Venda à vista de mercadorias no valor de $800, conforme nossa nota fiscal n.</p><p>50.</p><p>Considerando que o estoque de mercadorias no início do período era de $500,</p><p>é possível contabilizar esses fatos no livro Diário e nos Razonetes de três maneiras</p><p>diferentes: através do Conta Mista com Inventário Periódico; Conta Desdobrada com</p><p>Inventário Periódico e Conta Desdobrada com Inventário Permanente.</p><p>• Conta Mista com Inventário Periódico</p><p>Ao adotar uma só conta para o registro das operações com mercadorias, tem-</p><p>se:</p><p>Lançamentos em partidas de Diário</p><p>Razonetes</p><p>16</p><p>• Conta Desdobrada com Inventário Periódico</p><p>Neste contexto, a conta Mercadorias é desdobrada em várias contas: Estoque</p><p>de Mercadorias, Compras de Mercadorias, Fretes e Seguros sobre Compras,</p><p>Abatimentos sobre Compras, Compras Anuladas, Descontos Incondicionais Obtidos,</p><p>Vendas de Mercadorias, Vendas Anuladas, Abatimentos sobre Vendas, Descontos</p><p>Incondicionais Concedidos, ICMS sobre Vendas, PIS sobre Faturamento e COFINS</p><p>sobre Faturamento.</p><p>Cada fato será contabilizado em uma conta própria, observe:</p><p>Lançamentos em partidas de Diário</p><p>Razonetes</p><p>17</p><p>• Conta Desdobrada com Inventário Permanente</p><p>Neste contexto, também, a conta Mercadorias é desdobrada em várias outras.</p><p>Entretanto, como o propósito aqui é controlar permanentemente os estoques, as</p><p>compras de mercadorias, assim como os fatos que alteram os valores das compras</p><p>(Compras Anuladas, Abatimentos sobre Compras, Fretes e Seguros sobre Compras</p><p>e Descontos Incondicionais Obtidos), são contabilizados diretamente na conta</p><p>representativa do estoque. Portanto, o desdobramento da conta Mercadorias incluirá</p><p>pelo menos as seguintes contas: Estoque de Mercadorias,Vendas,Vendas Anuladas,</p><p>Abatimentos sobre Vendas, Descontos Incondicionais Concedidos, ICMS sobre</p><p>Vendas, PIS sobre Faturamento, COFINS sobre Faturamento e Custo das</p><p>Mercadorias Vendidas (CMV).</p><p>Para que os estoques sejam controlados permanentemente, as compras e os</p><p>fatos que modificam os seus valores são contabilizados diretamente a débito ou a</p><p>crédito da conta Estoque de Mercadorias. Sempre que ocorrer vendas de</p><p>mercadorias, deve ser dada baixa nos estoques, mediante crédito na conta Estoque</p><p>de Mercadorias, pelo valor do custo das mercadorias vendidas; por isso é necessário</p><p>conhecer o valor do custo em cada venda realizada.</p><p>Presumanos, então, que o custo das mercadorias que foram vendidas por $800</p><p>tenha sido de $650. Dessa forma, tem-se:</p><p>18</p><p>Lançamentos em partidas de Diário</p><p>Razonetes</p><p>Fatos que alteram os valores das compras</p><p>19</p><p>• Devolução de Compras ou Compras Anuladas</p><p>A empresa X realizou uma devolução de mercadorias ao seu fornecedor, que</p><p>foram adquiridas à vista, no valor de $5.000, sendo emitida a Nota Fiscal n. 730 para</p><p>registrar essa operação.</p><p>Contabilização em partidas de Diário</p><p>• Empresa que adota a Conta Mista com Inventário Periódico</p><p>• Empresa que adota a Conta Desdobrada com Inventário Periódico</p><p>• Empresa que adota a Conta Desdobrada com Inventário Permanente</p><p>Abatimentos sobre Compras</p><p>Observação: A conta Compras Anuladas pode receber outras intitulações</p><p>como: Compras Canceladas ou Devoluções de Compras.</p><p>20</p><p>Toda vez que, ao receber mercadorias adquiridas de fornecedores, for</p><p>constatado que: as mercadorias sofreram avaria no transporte; as mercadorias não</p><p>correspondem ao pedido, ou, ainda, não atendem</p><p>às expectativas da empresa por</p><p>outro motivo qualquer (fatos esses desconhecidos no momento da compra), a</p><p>organização poderá devolver parte ou o total do lote de mercadorias, ou, ainda, ganhar</p><p>do fornecedor um abatimento sobre o preço de compra.</p><p>Na perspectiva contábil, o abatimento sobre compras deve ser tratado da</p><p>mesma forma que as devoluções de compras, já que ambos representam reduções</p><p>no custo da compra. No entanto, quando ocorrer abatimentos sobre compras, é</p><p>preciso cuidado: como o abatimento reduz o custo da compra, porém não reduz a</p><p>quantidade adquirida, será preciso recalcular o custo unitário das mercadorias</p><p>beneficiadas com o abatimento (Ribeiro, 2019).</p><p>Vale pontuar que, nas empresas que utilizam a Conta Desdobrada com</p><p>Inventário Periódico, em vez da conta Compras Anuladas ou Devoluções de Compras,</p><p>deve-se utilizar a conta apropriada, que é Abatimentos sobre Compras.</p><p>Fretes e Seguros sobre Compras</p><p>A empresa adquiriu mercadorias da Comercial Ribeiro Ltda., pagando o valor</p><p>de $3.000 à vista, conforme a Nota Fiscal número 910. Além disso, realizou o</p><p>pagamento de $100 para a Transportadora X referente ao valor do frete, conforme</p><p>especificado na Nota Fiscal número 1.030.</p><p>Contabilização em partidas de Diário</p><p>• Empresa que adota a Conta Mista com Inventário Periódico</p><p>21</p><p>Pela característica desse método, não cabe a contabilização dos gastos com</p><p>fretes e seguros sobre compras em conta distinta, embora não haja impedimento para</p><p>fazê-lo.</p><p>Havendo interesse na segregação, a contabilização poderá ficar como segue:</p><p>• Empresa que adota a Conta Desdobrada com Inventário Periódico</p><p>• Empresa que adota a Conta Desdobrada com Inventário Permanente</p><p>Descontos incondicionais obtidos</p><p>Foi realizada compra de mercadorias à vista da empresa Comercial Lisboa</p><p>Ltda., de acordo com a Nota Fiscal nº 370, no valor total de $2.000. Destaca-se que a</p><p>22</p><p>compra foi realizada com um desconto incondicional de $200, conforme informado na</p><p>própria nota fiscal.</p><p>Contabilização em partidas de Diário</p><p>Embora desnecessária para fins contábeis, a contabilização do desconto</p><p>incondicional obtido é uma informação relevante em concursos e provas, pois é</p><p>comum que os organizadores das provas incluam essas operações em questões</p><p>envolvendo mercadorias.</p><p>• Empresa que adota a Conta Mista com Inventário Periódico</p><p>Pela característica dessa metodologia, não cabe a contabilização do desconto</p><p>incondicional obtido, embora nada impeça que seja contabilizado.</p><p>Havendo interesse, a contabilização poderá ficar como segue:</p><p>• Empresa que adota a Conta Desdobrada com Inventário Periódico</p><p>23</p><p>• Empresa que adota a Conta Desdobrada com Inventário Permanente</p><p>3 A HISTÓRIA DA CONTABILIDADE</p><p>Luz (2015), expõe que, de certa forma, a história da contabilidade é paralela à</p><p>história da humanidade - o desejo de controlar aquilo que se possui nasceu com o</p><p>próprio homem e por isso não é descabido pensar nas origens da contabilidade desta</p><p>forma - obviamente, antigamente, a contabilidade era feita de forma rudimentar; a</p><p>criação de riqueza individual e a necessidade de se proteger e controlar os bens que</p><p>asseguram a subsistência impulsionou a civilização a buscar métodos de registro e</p><p>controle.</p><p>Com o passar do tempo, o ser humano acumulou riquezas e formou patrimônio</p><p>- termo derivado de patri (pai) e monium (recebido), isto é, o desejo humano voltou-se</p><p>Observação: nesse último caso, o desconto não pode ser contabilizado, pois o</p><p>custo dos estoques precisa estar permanentemente atualizado.</p><p>24</p><p>para o acúmulo de riqueza, cujo legado era repassado aos filhos. O controle existia</p><p>para proteger o patrimônio, finalidade assegurada pela qualidade e frequência com</p><p>que eram efetuados. Não bastando o ser humano lembrar o que tinha, pois o volume</p><p>de negócios e posses exigia um controle formal, mesmo que ainda não houvesse um</p><p>conceito que pudesse ser vinculado à contabilidade.</p><p>Segundo o autor, pode-se traçar, em suma, um paralelo entre a história da</p><p>civilização e a evolução dos controles que deram origem à contabilidade, entre a idade</p><p>média, moderna e contemporânea.</p><p>• Idade Média - período histórico que vai do século V ao ano de 1453 da Era</p><p>Cristã. Em 1202, Leonardo Fibonacci escreveu Liber Abaci.</p><p>• Idade Moderna - intervalo que vai de 1453 a 1789. Em 1458, Benedetto</p><p>Cotrugli publica Della mercatura et del mercante perfetto, uma obra seminal na</p><p>história acadêmica da contabilidade. No mesmo período, foi publicado Summa</p><p>de arithmetica, geometria, proporci et proporcionalità (1494), e seu autor, Frei</p><p>Luca Pacioli, incluiu um capítulo sobre um sistema de contabilidade por partidas</p><p>dobradas, dando início à modernização da contabilidade.</p><p>• Idade Contemporânea - período que vai de 1789 até a atualidade, durante o</p><p>qual outra obra promoveu uma extraordinária evolução de conhecimento</p><p>contábil, agora com ênfase na administração da riqueza e não apenas em seu</p><p>controle: La contabilità applicata alle amministrazioni private e pubbliche</p><p>(1840), de Franscesco Villa, estabelece a contabilidade como uma habilidade</p><p>útil e necessária ao capitalista e a eleva ao patamar de conhecimento científico.</p><p>Para Ribeiro (2018), a origem dos procedimentos contábeis como mecanismo</p><p>de controle das transações econômicas envolvendo compras, vendas e investimentos</p><p>realizado pelo homem se esvai com o tempo.</p><p>Como observado no texto acima, a contabilidade se estabeleceu como ciência</p><p>com advento do método das partidas dobradas, no final do século XV.</p><p>O método das partidas dobradas baseia-se na relação débito/crédito, publicado</p><p>pela primeira vez em 1494 na cidade italiana de Veneza pelo padre franciscano Luca</p><p>Pacioli em seu livro Geometria e Aritmética.</p><p>25</p><p>Esse fantástico mecanismo contábil foi utilizado universalmente, chegando até</p><p>os dias atuais como eficiente artefato de controle, que pode ser aplicado tanto aos</p><p>patrimônios de pessoas físicas quanto aos de pessoas jurídicas, sejam eles com fins</p><p>lucrativos ou não.</p><p>3.1 O objeto, o objetivo e a finalidade</p><p>Conforme Ribeiro (2018), o objetivo da contabilidade é proteger o patrimônio</p><p>das entidades econômicas e administrativas. Seu objetivo é permitir o estudo, controle</p><p>e apuração de Resultados perante aos fatos decorrentes da gestão do Patrimônio das</p><p>entidades econômico-administrativas. Já a finalidade, é fornecer informações</p><p>econômicas e financeiras sobre o patrimônio, facilitando as tomadas de decisão por</p><p>parte dos seus usuários.</p><p>As informações de ordem econômica referem-se à movimentação de compras</p><p>e vendas, despesas e receitas, indicando lucros ou prejuízos nas transações da</p><p>empresa. Já as informações financeiras referem-se ao fluxo de caixa (entradas e</p><p>saídas de dinheiro).</p><p>3.2 Técnicas contábeis</p><p>Segundo Ribeiro (2018), a contabilidade emprega uma variedade de técnicas</p><p>para atingir o objetivo final. Confira algumas delas:</p><p>• Escrituração: o registro de todos os eventos que ocorrem no cotidiano das</p><p>empresas e causam alterações no patrimônio. Essas ocorrências são</p><p>classificadas como atos ou fatos administrativos, são registradas em livros</p><p>próprios através dos mecanismos de débito e crédito. Os principais livros de</p><p>escrituração utilizados pela contabilidade são o diário e o razão.</p><p>• Demonstrações contábeis: quadros técnicos que expõe dados extraídos dos</p><p>registros contábeis da empresa. As demonstrações contábeis mais conhecidas</p><p>são o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício.</p><p>• Auditoria: verificação da exatidão dos dados presentes nas demonstrações</p><p>contábeis, por exame minucioso dos registros contábeis e dos documentos que</p><p>26</p><p>deram origem a eles.</p><p>• Análise de balanços: exame e interpretação dos dados contidos nas</p><p>demonstrações contábeis, para</p><p>transformar esses dados em informações úteis</p><p>aos diversos usuários da contabilidade.</p><p>• Consolidação de balanços: unificação das demonstrações contábeis da</p><p>empresa controladora e de suas controladas, buscando apresentar a situação</p><p>econômico-financeira de todo o grupo, como se fosse uma única empresa.</p><p>3.3 Escolas e doutrinas da contabilidade</p><p>Para Luz (2015), pensar a contabilidade, incluindo sua definição, natureza e</p><p>enquadramento, resultou em muitos debates doutrinários ao longo da história. Definir</p><p>algo complexo como contabilidade foi árdua tarefa, resultando em incontáveis</p><p>divergências entre aqueles que buscavam cumprir essa grande missão.</p><p>Entre as escolas que mais merecem ênfase, está o contismo, o personalismo,</p><p>o controlismo, o ziendalismo e o patrimonialismo. Seus pensadores, em menor ou</p><p>maior escala, em diferentes momentos da história, exerceram o relevante papel de</p><p>pensar a contabilidade, enquadrando-a como um objeto merecedor de estudos,</p><p>deixando contribuições na qual, atualmente, entendemos como o conceito e a função</p><p>da contabilidade.</p><p>Contismo</p><p>Como o nome indica, o pensamento contábil contista tinha as contas como</p><p>objeto de estudo. Porém, apesar de ter proposto um entendimento contábil mais</p><p>sofisticado, não foi considerada uma corrente científica. O contismo surgiu a partir da</p><p>apresentação de Degranges da teoria das cinco contas - em 1795, onde o autor</p><p>propôs uma divisão em: (1) mercadorias gerais; (2) caixa; (3) contas a receber; (4)</p><p>contas a pagar; e (5) lucros e perdas.</p><p>No entanto, a falta de aceitação do contismo decorre da simplificação de sua</p><p>fundamentação científica, porque, para muitos doutrinadores da época, a conta não é</p><p>causa, mas efeito ou instrumento que demonstra um componente de riqueza, não</p><p>merecendo, portanto, ser classificada como objeto científico.</p><p>27</p><p>Personalismo</p><p>O desenvolvimento da contabilidade entrou em uma nova fase no século XIX,</p><p>com destaque para várias escolas de contabilidade. Começou, conforme muitos</p><p>doutrinadores, o período científico da contabilidade. Dentre essas escolas, destaca-</p><p>se a personalista, que teve como pensador e figura destacada o professor Francesco</p><p>Marchi (1822-1871).</p><p>O personalismo se opunha à escola contista, porque dava mais importância às</p><p>pessoas (personagens) como representativas de elementos patrimoniais, e não às</p><p>contas, tidas como a peculiaridade da escola contista. Para os personalistas, as</p><p>contas deveriam representar as relações de direitos e obrigações, sendo que o dever</p><p>e o haver representavam os débitos (obrigações) e créditos (direitos). Ou seja, essa</p><p>escola tinha como fundamento as relações jurídicas entre gestores, proprietários e a</p><p>riqueza - objeto da contabilidade.</p><p>Segundo Luz (2015), para Francesco Marchi, toda entidade tem um</p><p>proprietário, mesmo que esteja dissociado da figura do administrador, o responsável</p><p>por todos os ativos e passivos. Conforme Marchi, as contas deveriam ser classificadas</p><p>em quatro grupos: consignatários; correspondentes; administradores; e proprietários.</p><p>Com base nessa divisão, a teoria de Marchi classifica os elementos contábeis</p><p>em quatro grandes grupos:</p><p>Luz (2015), aborda que para Giuseppe Cerboni (1827-1917), seguidor da</p><p>escola personalista, a compreensão do pensamento personalista envolve a</p><p>28</p><p>consideração de seis verdades que são as premissas básicas para a compreensão e</p><p>aplicação dessa doutrina.</p><p>• Primeira - À administração da azienda (riqueza) estará a cargo do proprietário,</p><p>entretanto, cabe a este estabelecer relações adequadas com agentes e</p><p>correspondentes.</p><p>• Segunda - É necessário especificar o papel do proprietário e do administrador,</p><p>ainda que possam unir-se na mesma figura (proprietário, administrador). Deve</p><p>haver clareza na separação entre negócio e família.</p><p>• Terceira - O papel do administrador é gerenciar o negócio, sem usar a riqueza</p><p>para benefícios pessoais.</p><p>• Quarta - A todo devedor corresponderá um credor e vice-versa.</p><p>• Quinta - O proprietário, administrando ou não a azienda, é, de fato, credor da</p><p>substância e devedor das passividades relacionadas àquela riqueza.</p><p>• Sexta - A riqueza do proprietário (débito e crédito) modifica conforme os lucros</p><p>e perdas ou acréscimos e decréscimos de capital.</p><p>Controlismo</p><p>Para Luz (2015), o controlismo diz respeito à ciência do controle econômico.</p><p>Esse era o conceito de contabilidade proposto por Fabio Besta (1845-1922), que</p><p>enfatizou três etapas da administração: a gestão econômica, a direção e o controle.</p><p>O referido doutrinador propôs que a contabilidade teria como funções principais o</p><p>controle antecedente, o concomitante e o consequente.</p><p>Como exemplos de controle antecedente os estatutos, o estudioso indicou os</p><p>contratos, os regulamentos, os inventários e outros elementos que caracterizavam a</p><p>função contábil como um controle formal. Para funções do controle concomitante,</p><p>propôs a divisão de trabalho e o controle sobre quem exerce as funções de autoridade</p><p>e comando. Enquanto no controle consequente, apontou os documentos que serviam</p><p>de suporte para os fatos contábeis, a escrituração contábil e a respectiva prestação</p><p>de contas.</p><p>Concluindo, para Fabio Besta, a contabilidade tem uma função mais ampla que</p><p>registrar os próprios fatos econômicos. Ela deve ser entendida e aplicada como um</p><p>sistema único de controle interno. Fundamentalmente, o controlismo pressupõe um</p><p>29</p><p>controle econômico no qual imperava o registro contábil dos fatos combinado com</p><p>critérios organizacionais de controle conforme a direção que interesse à administração</p><p>da azienda.</p><p>Fabio Besta destaca que a contabilidade pesquisa e enuncia as leis de controle</p><p>econômico das aziendas e define normas para que o controle seja efetivo e completo.</p><p>Do ponto de vista prático da contabilidade, estavam incluídas a função de registro,</p><p>mensuração e controle de fatos econômicos. O controlismo defendia o uso da</p><p>contabilidade de uma forma mais ampla e sofisticada que qualquer outro pensamento</p><p>contábil relacionado.</p><p>Atualmente, conclui-se que a abordagem que os estudiosos adeptos do</p><p>pensamento contábil controlista defendiam era semelhante ao que hoje estudamos e</p><p>aplicamos como controladoria, ou seja, era a ciência do controle econômico (LUZ,</p><p>2015).</p><p>Aziendalismo</p><p>A moderna escola italiana (aziendalismo) surgiu num período em que os</p><p>pesquisadores buscavam uma forma de entender o negócio como objeto científico em</p><p>todas as suas complexidades. Era fundamental que essa ampliação científica não se</p><p>limitasse ao patrimônio.</p><p>Fabio Besta propôs não haver azienda sem riqueza econômica. Entretanto, a</p><p>riqueza se constitui na substância ou no patrimônio da azienda, não sendo azienda</p><p>em si (LUZ, 2015).</p><p>Para avançar com maior clareza, deve-se distinguir entre os conceitos de</p><p>azienda, ente e patrimônio. O ente é uma pessoa física ou jurídica, sujeito de direitos</p><p>e obrigações.</p><p>As entidades são, objetos de estudos Contábeis. Já a azienda configura o</p><p>organismo, o conjunto de bens ou pessoas que serão utilizadas pelo ente para a</p><p>consecução de seus fins. Enquanto a azienda tem uma dimensão econômica, o ente</p><p>configura uma dimensão material (bens) e jurídica (direitos e obrigações).</p><p>É igualmente relevante diferenciar administração de azienda. A administração</p><p>se resume à conduta humana de realizar ações buscando conduzir o ente ao sucesso</p><p>em seus fins, enquanto a azienda pode ser entendida como a organização das</p><p>pessoas e dos bens econômicos. Dessa forma, enquanto os personalistas vinculavam</p><p>a contabilidade ao direito, os aziendalistas aproximaram-na da economia.</p><p>30</p><p>Patrimonialismo</p><p>Para Luz (2015), na escola patrimonialista, o objeto da contabilidade é o</p><p>patrimônio — sua finalidade é a gestão (governo) do patrimônio. Segundo o</p><p>patrimonialismo, a contabilidade é a ciência que estuda o patrimônio à disposição das</p><p>aziendas (riqueza),</p><p>em seus aspectos estáticos (estrutura patrimonial) e dinâmicos</p><p>(fluxos, de caixa, de rendas, de capital) e em suas variações (comparações entre</p><p>diferentes períodos), para articular os efeitos da administração sobre a formulação e</p><p>distribuição dos resultados por meio de fórmulas racionalmente deduzidas (índices).</p><p>Conforme o autor, esta escola de pensamento contábil foi fundada por</p><p>Vincenzo Masi (1893-1977). Masi propôs em 1923 que o estudo do patrimônio fosse</p><p>dividido em três partes: estática patrimonial, dinâmica patrimonial e levantamento</p><p>patrimonial.</p><p>Mais, acreditava que no campo da estática patrimonial era necessário estudar</p><p>e examinar a estrutura da riqueza aziendal, enquanto na dinâmica patrimonial o foco</p><p>estava nas variações dessa estrutura.</p><p>A contabilidade, de fato, sempre estudou o patrimônio, mas as suas</p><p>investigações se limitavam ao campo teórico, primeiro aos estudos dos instrumentos</p><p>de levantamento patrimonial e consecutivamente aos estudos do objeto de tais</p><p>levantamentos.</p><p>Mais, evidenciava ser preciso dar importância não somente ao aspecto</p><p>quantitativo do patrimônio, mas também ao qualitativo, demonstrando que muito se</p><p>extrai da análise do estado patrimonial se forem observados os aspectos citados</p><p>cumulativamente, não se fazendo distinção entre eles.</p><p>No Brasil, no início do século XX, alguns doutrinadores se destacaram como</p><p>defensores da escola patrimonialista, por exemplo, Francisco D'Auria (1884-1958),</p><p>que publicou suas ideias patrimoniais na obra Tendências positivas em contabilidade</p><p>em 1929, enfatizando que a contabilidade deve dirigir os estudos para o controle da</p><p>administração econômica.</p><p>D'Áuria inspirou outros conhecidos patrimonialistas brasileiros, como Frederico</p><p>Herrmann Júnior, Hilário Franco, Alberto Almada Rodrigues, Américo Matheus</p><p>Florentino e Olívio Kooliver.</p><p>31</p><p>Enfim, os elementos que constituem o patrimônio também são objetos de</p><p>outras ciências - entretanto, considerados em seu conjunto, constituem-se em objeto</p><p>da contabilidade.</p><p>A contabilidade no século XXI</p><p>Com a adoção dos pensamentos da escola patrimonialista e surgimentos das</p><p>grandes corporações norte-americanas, o Brasil alinhou-se ao nome da escola a partir</p><p>dos anos 1960. Com a aprovação da Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976 - Lei</p><p>das Sociedades por Ações (Brasil, 1976), o país definiu sua opção pelos critérios de</p><p>registro e mensuração de eventos e pela estrutura dos relatórios contábeis que eram</p><p>exclusivos da contabilidade norte-americana. Antes dessa lei, a contabilidade</p><p>brasileira era regulada pelo Decreto n. 2627, de 26 de setembro de 1940, inspirada</p><p>na escolarização europeia.</p><p>A influência norte-americana contribuiu para a interiorização das normas de</p><p>registros contábeis e mensuração de eventos econômicos, que sofreu certo</p><p>desinteresse a partir de 2005, com a formação do Comitê de Pronunciamentos</p><p>Contábeis (CPC) e com a promulgação da Lei n. 11.638, de 28 de dezembro de 2007,</p><p>e, posteriormente, da Lei n. 11.941, de 27 de maio de 2009, que alavancou vários</p><p>ajustes contábeis na finalidade de ajustar a contabilidade brasileira à internacional.</p><p>Dessa forma, o Brasil determinou realizar oficialmente a convergência de sua</p><p>estrutura contábil às normas internacionais de contabilidade (IFRS), regras oriundas</p><p>do International Accounting Standards Board (LASB), órgão europeu de normatização</p><p>contábil. Apesar de filosoficamente possa ser considerado próximo do Financial</p><p>Accounting Standards Board (FASB), órgão americano de normatização contábil, as</p><p>instituições diferem em detalhes (LUZ, 2015).</p><p>4 ALGUNS PRINCÍPIOS E CONVENÇÕES CONTÁBEIS ACEITOS</p><p>Dentre os diversos princípios e convenções atualmente aceitos, alguns dos</p><p>mais relevantes são os seguintes:</p><p>32</p><p>Vários autores e trabalhos apresentam certa diferenciação quanto ao número</p><p>e à nomenclatura dos princípios e convenções. A seguir, será feita uma análise do</p><p>significado desses princípios e convenções, bem como sua adequação às condições</p><p>econômicas atuais.</p><p>Princípios Contábeis</p><p>Conforme Iudícibus et al. (2023), os Princípios contábeis são premissas básicas</p><p>sobre os fatos e eventos considerados pela Contabilidade, premissas a qual são o</p><p>ápice da análise e observação da realidade econômica, social e institucional.</p><p>Como já estudado nas aulas anteriores, a principal área de atuação da</p><p>Contabilidade são as entidades (pessoa física ou pessoa jurídica), sejam elas de</p><p>finalidade lucrativa ou não. A Contabilidade trata do Patrimônio das entidades. Procura</p><p>captar e evidenciar as variações ocorridas tanto na estrutura patrimonial como na</p><p>estrutura financeira, conforme as decisões da administração, e também trata das</p><p>variáveis externas que estão fora do controle da administração e da autoridade</p><p>decisória.</p><p>Observe que a inflação e as variações nos preços de bens e serviços são as</p><p>variáveis que mais preocupam os gestores.</p><p>Princípios</p><p>• Entidade.</p><p>• Continuidade.</p><p>• Realização.</p><p>• Custo como Base de Valor.</p><p>• Confrontação das Despesas com as Receitas.</p><p>• Denominador Comum Monetário.</p><p>Convenções (Restrições)</p><p>• Consistência (uniformidade).</p><p>• Conservadorismo (prudência).</p><p>• Materialidade (relevância).</p><p>• Objetividade.</p><p>33</p><p>Dentro dessa complexa realidade, o observador analisa as principais</p><p>características do sistema e chegam a certas conclusões sobre seu</p><p>funcionamento. Tais conclusões, quando aceitas pela classe contábil, tornam-se</p><p>princípios aos quais todas as práticas contábeis, principalmente o processo de</p><p>auditoria, devem aderir.</p><p>Por outro lado, quando se verificam alterações nas circunstâncias em que o</p><p>conjunto inicial de princípios foi estabelecido, o observador tem a responsabilidade de</p><p>fazer uma nova análise da situação e alterar, adaptar ou mesmo substituir os</p><p>princípios originais por outros conforme a nova realidade. A função de observador é,</p><p>atualmente, desempenhada pelas entidades de classe, pelos comitês especialmente</p><p>designados e, pelas comissões especiais de conferências e convenções</p><p>internacionais (ou por agências governamentais).</p><p>O processo exposto, ou seja, o estabelecimento dos princípios que se adaptam</p><p>às novas análises da realidade, toda vez que ocorrem mudanças significativas e com</p><p>a revisão dos velhos princípios, é realmente o processo ideal e lógico.</p><p>Dois requisitos fundamentais devem ser atendidos para que um princípio</p><p>ultrapasse o estágio de tentativa e se transforme em amplamente aceito e incorporado</p><p>à doutrina e prática contábeis:</p><p>Observe que a ordem de classificação não é determinada aleatoriamente:</p><p>certos contadores, que possuem autoridade para tomar decisões sobre essas</p><p>questões, podem dar maior importância à praticabilidade de um princípio do que à sua</p><p>efetiva utilidade. Em Contabilidade, entretanto, é fundamental que a noção de utilidade</p><p>esteja sempre associada ao conceito de relevância.</p><p>Em certas ocasiões, o termo de praticabilidade é atribuído um significado rígido,</p><p>de tal modo que tudo o que não for praticável será considerado impraticável para</p><p>efeitos contábeis.</p><p>Nos parágrafos anteriores, foi feita uma crítica àqueles que exageram no grau</p><p>de praticabilidade, tornando qualquer tentativa de melhoria inaceitável, por ser</p><p>• deve ser considerado praticável e objetivo pelo consenso profissional;</p><p>• deve ser considerado útil.</p><p>34</p><p>impraticável. No entanto, quando o termo é utilizado em seu significado normal e,</p><p>quando um princípio é analisado à luz de sua possibilidade de aplicação prática (de</p><p>forma menos dependente do grau de dificuldade), é preciso reconhecer sua relevância</p><p>como condição geral de aceitação.</p><p>Caso se conclua que o custo corrente é mais importante como base de</p><p>avaliação contábil que o custo histórico, devem-se prever também os meios viáveis</p><p>de se calcularem os custos correntes no mercado.</p><p>Portanto, para que um princípio seja amplamente aceito, é preciso, em primeiro</p><p>lugar, que ele seja considerado adequado e condizente com a realidade. Em seguida,</p><p>deve-se avaliar sua praticabilidade. A simples aderência de um princípio à realidade</p><p>econômica é uma condição necessária, mas não suficiente, para promovê-lo à classe</p><p>de “aceito”. Para isto, é necessário ser vencido o teste da praticabilidade.</p><p>Princípio da Continuidade</p><p>Este princípio, com grande validade do ponto de vista prático, apresenta</p><p>importantes consequências para a Contabilidade. De fato, se for aceita a hipótese de</p><p>que a duração da empresa é indeterminada, a filosofia de avaliação a ser adotada</p><p>deverá ser oposta àquela que seria adotada no caso de liquidação da empresa,</p><p>quando interessam os valores de liquidação do Passivo e de realização do Ativo.</p><p>Trata-se de um princípio muito explorado pelos defensores dos custos</p><p>históricos sob a alegação de que, se os valores de realização (valores de saída, de</p><p>venda) não interessam, então deve-se focar no custo de aquisição ou fabricação</p><p>(valores de entrada, de compra).</p><p>Observe que o custo para os referidos autores é sinônimo de custo original,</p><p>quando se sabe que os conceitos de custo são vários: custo original, custo de</p><p>reposição, custo de oportunidade, custo original ajustado pelas variações do índice</p><p>geral de preços, etc.</p><p>Quando o valor de realização não interessa à Contabilidade, isto não quer dizer</p><p>que o único tipo de custo relevante, para efeito de avaliação contábil, seja o custo</p><p>histórico.</p><p>35</p><p>Princípio da Entidade</p><p>A Contabilidade é uma área essencial para as entidades, tratadas como</p><p>entidades distintas das pessoas físicas ou jurídicas dos sócios. Mesmo que uma</p><p>empresa individual pague uma despesa, é o caixa da empresa que realiza o</p><p>desembolso, e não o proprietário da empresa, embora em muitos casos, essas coisas</p><p>se confundam materialmente.</p><p>Esse princípio é de grande importância, pois consolida a antiga distinção</p><p>jurídica entre pessoas físicas e jurídicas. Ele estabelece que as entidades devem ser</p><p>consideradas entidades legais independentes, com obrigações e direitos próprios.</p><p>Portanto, a contabilidade deve ser executada e mantida separadamente das pessoas</p><p>físicas ou jurídicas dos sócios, para garantir uma gestão financeira correta e</p><p>transparente da entidade.</p><p>O princípio da Entidade não se limita ao seu significado comum. Em</p><p>Contabilidade, entidade é todo “núcleo” capaz de manipular recursos econômicos (e</p><p>organizacionais) e consiga adicionar valor (ou utilidade, em sentido amplo) aos</p><p>recursos manipulados. Há verdadeiras macroentidades representadas pelos</p><p>conglomerados de companhias investidoras e por suas subsidiárias ou controladas.</p><p>O balanço consolidado representa uma macroextensão do conceito de</p><p>entidade. Por outro lado, qualquer divisão ou setor de uma empresa descentralizada</p><p>capaz de contribuir para o esforço de produção de receita da entidade maior (desde</p><p>que esse esforço seja mensurável em termos de receitas e despesas, mesmo que</p><p>para as receitas tenha-se que recorrer, às vezes, a preços imputados de transferência</p><p>entre setores) constitui uma subentidade digna de atenção para a Contabilidade.</p><p>Assim, o sentido contábil de entidade vai muito além do jurídico, para atingir o</p><p>econômico e o social. Cada entidade será, sob a ótica do usuário da informação, a</p><p>mais importante em certas circunstâncias. Assim, para os acionistas da companhia-</p><p>mãe, o balanço consolidado é mais importante do que o individual de cada entidade,</p><p>ao passo que, para os acionistas das controladas, os balanços individuais podem ser</p><p>mais importantes.</p><p>36</p><p>Princípio da Realização</p><p>Como norma geral, a receita é reconhecida no período contábil em que é</p><p>realizada. A realização ocorre quando bens ou serviços são fornecidos a terceiros em</p><p>troca de dinheiro (receita à vista), de direitos a receber (receita a prazo) ou de outro</p><p>elemento do ativo (permuta).</p><p>Este princípio tem sido um dos mais visados, principalmente pelos</p><p>economistas, por julgarem que o processo de produção adiciona valor aos fatores que</p><p>estão sendo manipulados, ao passo que, contabilmente, se verifica apenas uma</p><p>“integração de fatores”, e a receita e, consequentemente, o lucro (ou prejuízo) só</p><p>ocorrem no ato da venda. O lucro só se realiza, contabilmente, no ato da venda.</p><p>A administração pode obter lucros não só de suas operações de venda</p><p>normais, mas também de atividades de estocagem de fatores, ou seja, podem-se</p><p>obter ganhos de caráter especulativo. Isso se torna verídico quando as flutuações de</p><p>preços da economia são mais acentuadas. Por outro lado, quando uma empresa</p><p>comercial vende determinada mercadoria por $150, e esta lhe custou apenas $100, a</p><p>Contabilidade ortodoxa apura imediatamente um lucro bruto de $50. Esse lucro é, para</p><p>todos os efeitos, considerado operacional, mesmo que a mercadoria vendida, para ser</p><p>reposta, exija um desembolso de $130.</p><p>Se antes da venda fosse reconhecido um “lucro realizável” de $30 (que é a</p><p>diferença entre o custo original da mercadoria e o de reposição), no ato da venda</p><p>somente $20 seriam considerados lucro operacional corrente, o que daria uma</p><p>informação mais completa.</p><p>Com este exemplo, pretende-se demonstrar que o não reconhecimento de</p><p>lucros (ou perdas) devido às variações específicas de preços de elementos de ativo</p><p>nos “intervalos de espera” faz com que tais variações sejam consideradas ganhos ou</p><p>perdas operacionais mais tarde, no momento da “realização”, o que, na realidade,</p><p>pode não ser totalmente correto, pois podem ter-se verificado independentemente da</p><p>vontade da administração, e em virtude de movimentos de preços ocorridos durante</p><p>o tempo em que os ativos permaneceram estocados.</p><p>Na verdade, a teoria atual já admite reconhecer a receita em outros pontos do</p><p>processo, inclusive antes da venda ou do fim da produção. Um exemplo típico é o</p><p>caso dos produtos sujeitos ao processo natural de crescimento, como vinho, gado,</p><p>37</p><p>reservas florestais, etc. Outro caso é o de contratos de longa duração, nos quais pode-</p><p>se reconhecer a receita (e o lucro) de cada período numa base proporcional aos</p><p>custos incorridos.</p><p>Princípio do Denominador Comum Monetário</p><p>A Contabilidade preocupa-se em captar e registrar eventos e transações</p><p>suscetíveis de avaliação monetária. É uma das características do modelo de</p><p>informação e mensuração contábil. Embora na avaliação monetária possam estar</p><p>ocultas algumas considerações de natureza física e de quantidades, o denominador</p><p>comum (daí a denominação do princípio em epígrafe) é a avaliação monetária.</p><p>O princípio do Denominador Comum Monetário não impede que a</p><p>Contabilidade levante balanços e demonstrações corrigidos para efeito de análise de</p><p>resultados reais e para finalidades fiscais e societárias (pelas normas legais de</p><p>correção).</p><p>Não se deve confundir correção monetária operacional, que altera o valor dos</p><p>saldos devidos ou a que se tem direito pela inflação, com correção monetária contábil,</p><p>que permite melhor avaliação dos resultados da empresa pela expressão de</p><p>demonstrações ao poder aquisitivo de uma mesma data.</p><p>Princípio do Custo como Base de Valor</p><p>Talvez seja mais apropriado denominá-lo “Princípio do Custo Histórico</p><p>(Original) Como Base de Valor”, pois, como já foi visto, são vários os conceitos de</p><p>custo existentes. Como princípio aceito, refere-se ao custo original. Na conceituação</p><p>ortodoxa, os elementos do Ativo entram nos registros contábeis pelo preço pago para</p><p>adquiri-los ou fabricá-los. A não ser para aqueles elementos do Ativo sujeitos à</p><p>amortização, depreciação ou exaustão que, uma vez registrados, não têm seu valor</p><p>inscrito alterado, ressalvando-se ainda a regra conhecida como “custo ou mercado, o</p><p>que for mais baixo” e os casos de reavaliação de ativo previstos pelas legislações de</p><p>alguns países (bem</p><p>como de correção monetária).</p><p>38</p><p>É evidente que a aplicação irrestrita deste princípio, especialmente em períodos</p><p>de flutuações de preços, restringe as possibilidades informativas da Contabilidade, se</p><p>não estiverem ligados à ideia da correção monetária (custo histórico corrigido).</p><p>Note que este princípio teve sua origem em tempos já remotos, quando se</p><p>procuravam registrar os resultados de empreendimentos isolados, que não tinham</p><p>continuidade. Em tais casos, bastava saber qual o retorno do capital investido no início</p><p>do empreendimento.</p><p>Terminado este, encerrava-se o ciclo contábil e o resultado era apurado. A este</p><p>princípio deve ser atribuído um significado mais amplo, podendo determinar o tipo de</p><p>custo mais relevante, em condições de continuidade de operações, como norma de</p><p>valor. No Brasil, durante muitos anos, aceitou-se o conceito de custo histórico corrigido</p><p>pela variação do poder aquisitivo da moeda.</p><p>Atualmente, os elementos do Patrimônio podem sofrer variações decorrentes</p><p>de:</p><p>Custo Corrente: são os valores utilizados para adquirir ativos ou liquidar</p><p>passivos na data de encerramento das demonstrações contábeis.</p><p>• Ativos: são reconhecidos pelos valores em caixa que teriam de ser pagos se</p><p>fossem adquiridos na data do balanço.</p><p>• Passivos: são reconhecidos pelos valores em caixa, que serão necessários</p><p>para liquidar a operação na data do balanço.</p><p>Valor Realizável: são os valores que a entidade obteria se alienasse seus</p><p>ativos ou liquidasse seus passivos.</p><p>• Ativos: são reconhecidos pelos valores em caixa que poderiam ser obtidos pela</p><p>sua venda em forma ordenada.</p><p>• Passivos: são reconhecidos pelos valores de liquidação, ou seja, pelos valores</p><p>de caixa não descontados, que serão pagos para liquidar as obrigações no</p><p>curso normal das operações da entidade.</p><p>Valor Presente: são os fluxos de caixa futuros obtidos na alienação de ativos</p><p>ou liquidação de passivos descontados a valor presente.</p><p>39</p><p>Valor Justo: são os valores pelos quais ativos podem ser trocados ou</p><p>passivos podem ser liquidados em uma transação sem favorecimentos.</p><p>Atualização Monetária: são efeitos do poder aquisitivo da moeda nacional</p><p>que deveriam ser reconhecidos nos registros contábeis.</p><p>Convenções</p><p>Os princípios contábeis permitem aos contadores uma ampla margem de</p><p>liberdade no registro de operações, porém, as convenções estabelecem limites e</p><p>modificações parciais ao conteúdo desses princípios, a fim de definir com maior</p><p>precisão seu significado (IUDÍCIBUS et al., 2023).</p><p>Convenção da Consistência (Uniformidade)</p><p>A convenção da Consistência estabelece que, uma vez selecionado um</p><p>processo específico entre as diversas opções que satisfazem o mesmo princípio geral,</p><p>ele não deverá ser mudado com muita frequência, pois isso dificulta a comparação</p><p>dos relatórios contábeis. Por exemplo, se a avaliação de estoque for realizada</p><p>utilizando o método PEPS em vez do UEPS, ambos baseados no princípio geral</p><p>"Custo como Base de Valor", é essencial manter o mesmo método em períodos</p><p>subsequentes. Se houver necessidade de utilizar outro critério, essa adoção e seus</p><p>efeitos no resultado devem ser informados e declarados como nota explicativa dos</p><p>relatórios para serem conhecidos pelo leitor.</p><p>A validade desta convenção está relacionada à sua finalidade de reduzir a</p><p>discrepância entre relatórios produzidos pela mesma empresa. Isso contribui, de certa</p><p>forma, para um progresso mais rápido em direção à padronização e unificação</p><p>contábil no mesmo setor de atividade.</p><p>Convenção do Conservadorismo (Prudência)</p><p>Por motivo de precaução, de acordo com essa convenção, sempre que o</p><p>profissional contábil se deparar com alternativas igualmente válidas de atribuir</p><p>valores diferentes a um componente do Ativo (ou do Passivo), deverá optar pelo</p><p>mais alto para o Passivo e pelo mais baixo para o Ativo.</p><p>40</p><p>O mais adequado será adoar o valor do mercado, por ser o menor, caso o valor</p><p>de mercado do inventário final de mercadorias seja menor que o seu valor de custo.</p><p>A convenção promove uma alteração no princípio geral do custo, embasado no valor,</p><p>aceito também pela Lei das Sociedades Anônimas.</p><p>Outra implicação relevante observável durante o processo de apuração de</p><p>resultados. É frequentemente mencionada pelos contadores a seguinte máxima:</p><p>“Considere para a despesa do exercício o maior montante possível, mas atribua à</p><p>receita o menor montante possível” (IUDÍCIBUS, 2023, p.215).</p><p>Embora uma dose apropriada de conservadorismo, no bom sentido, não seja</p><p>de todo desprezível, a adoção irrestrita dessa convenção, em todas as situações,</p><p>pode tornar-se um meio seguro de impedir o progresso da teoria contábil, gerando</p><p>problemas para as empresas, porque, ao se reverterem as causas que deram origem</p><p>à aplicação do conservadorismo sem abandonar a convenção, perde-se o controle de</p><p>seus impactos nos resultados.</p><p>Convenção da Materialidade (Relevância)</p><p>De acordo com essa convenção, é recomendado registrar somente os eventos</p><p>relevantes na contabilidade, no momento adequado, visando evitar o desperdício de</p><p>tempo e dinheiro.</p><p>Um exemplo prático é observado quando os funcionários de um escritório usam</p><p>papéis e impressos, resultando em uma diminuição dos ativos da empresa. Essa</p><p>redução, teoricamente, pode ser lançada nos registros contábeis à medida que ocorre.</p><p>No entanto, isto não é realizado, pela irrelevância da operação, e a despesa só é</p><p>apurada no fim do período por diferença de estoques.</p><p>A avaliação da materialidade está estreitamente ligada à decisão sobre quais</p><p>informações devem ser apresentadas, uma vez que a omissão desses dados dos</p><p>relatórios divulgados pode levar o leitor a inferir de maneira inadequada os resultados</p><p>A regra “Custo ou Mercado, o Mais Baixo” está diretamente relacionada</p><p>ao conceito de conservadorismo. Em outras palavras, a Contabilidade utiliza o</p><p>custo como base de valor, no entanto, se o valor de mercado for menor do que</p><p>o custo, é adotado o valor de mercado.</p><p>41</p><p>e as tendências da organização. Geralmente, a materialidade e a relevância</p><p>caminham juntas.</p><p>Convenção da Objetividade</p><p>A melhor maneira de explicar esta convenção é por meio de um exemplo, a</p><p>seguir.</p><p>Suponha que um contador possua duas fontes para avaliar um bem: a fatura</p><p>referente à compra do bem e um laudo do maior especialista mundial em avaliação.</p><p>Nesse caso, ele deverá escolher, o valor registrado na fatura como o indicador de</p><p>avaliação. Quando se depara com a escolha entre um critério subjetivo de valor, ainda</p><p>que ponderável, e outro objetivo, o contador deve optar pela opção mais objetiva. Essa</p><p>convenção visa eliminar ou restringir áreas de excessivo liberalismo na escolha de</p><p>critérios, principalmente de valor.</p><p>Confrontação das Despesas com as Receitas</p><p>Este princípio demonstra que as despesas são atribuídas aos períodos de</p><p>acordo com as receitas a que se referem, isto é, conforme a data do fato gerador e</p><p>não quando são pagas em dinheiro.</p><p>Por meio desse princípio, a folha de pagamento dos operários relativa ao mês</p><p>de dezembro será considerada despesa de dezembro, mesmo que, na prática o</p><p>pagamento só seja efetuado nos primeiros dias de janeiro. O fato gerador da despesa</p><p>é o serviço prestado pelos operários, e não o pagamento do salário, que ajudou a</p><p>produzir receitas em dezembro.</p><p>Embora com o intuito de observar este princípio, é necessário elaborar algumas</p><p>hipóteses arbitrárias, o que é válido, pois independe da base de valor a ser adotada.</p><p>Ele, com o da Realização das Receitas, forma o conhecido Regime de Competência</p><p>(IUDÍCIBUS et al., 2023).</p><p>Por exemplo, se é mensalmente descoberta uma diferença de cerca de</p><p>$1 no Balancete de Verificação do Razão, o fato em si pode ser imaterial, mas,</p><p>pela repetição, pode ser relevante no sentido de indicar eventuais problemas no</p><p>sistema contábil.</p><p>O fato de a diferença ter sido pequena pode dever-se ao acaso.</p><p>42</p><p>5 REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS</p><p>BRASIL. Lei n. º 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por</p><p>Ações. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6404consol.htm.</p><p>Acesso em: 19 abr. 2023.</p><p>LEMES JUNIOR, A. Princípios contábeis. São Paulo: Atlas, 2016.</p><p>LUZ, E. E. Teoria da Contabilidade. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2015.</p><p>MARION, José C. Contabilidade Básica. 13.ed. Barueri [SP]: Atlas, 2022.</p><p>MARTINES FILHO, J. G. Princípios de contabilidade e normas brasileiras de</p><p>contabilidade. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2019.</p><p>PADOVEZE, C. L. (2016). Contabilidade gerencial: uma abordagem para as</p><p>decisões empresariais. São Paulo: Cengage Learning.</p><p>PADOVEZE, C. L. Contabilidade gerencial: um enfoque em sistema de informação</p><p>contábil. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010.</p><p>RIBEIRO, O. M. (2018). Contabilidade geral fácil. São Paulo: Editora Saraiva.</p><p>RIBEIRO, O. M. Contabilidade introdutória. 11. ed. São Paulo: Saraiva, 2015.</p><p>SANTOS, A. F. Princípios de contabilidade. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2013.</p><p>IUDÍCIBUS, S. et al. Contabilidade Introdutória. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2023.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6404consol.htm</p><p>43</p><p>RIBEIRO, O. M. Contabilidade Básica. 4.ed. – São Paulo: Saraiva Educação, 2018.</p>