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1 INTRODUÇÃO A CONSTRUÇÃO CIVIL 1 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 2 2. DESENVOLVIMENTO DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL .................... 3 2.1 O Espaço Urbano ........................................................................................... 4 3. CONSTRUÇÃO INDUSTRIALIZADA................................................................... 6 3.1 Conceitos ....................................................................................................... 6 4. PROCESSO CONSTRUTIVO INDUSTRIALIZADO ........................................... 12 4.1 Tipos de sistemas construtivos .................................................................... 12 5. TECNOLOGIA BIM na construção civil ........................................................... 14 5.1 Conceito ....................................................................................................... 14 5.2 O Que é BIM? .............................................................................................. 16 Referências .............................................................................................................. 19 2 1. INTRODUÇÃO A construção civil nos últimos anos constitui num dos setores da atividade econômica em desenvolvimento. Tais movimentos vem de encontro com movimentos ocorridos no século XX, a combinação de fatores relacionados a crise fiscal e previdenciária do Estado, movidos pelo advento da Terceira Revolução Industrial que desencadeou severas transformações fizeram surgir por meio de relações sociais de produção até a reprodução do cotidiano ou seja, meios de produção e família, com isso surge as novas redes socioespaciais globalizando a vida social (SANTOS, 1997). A preocupação com o futuro das cidades, incluindo nesse contexto população, desperta para a fragilidade de reorganização e rediferenciação territorial, dessa expansão urbana e produtiva e a influência desse crescimento das cidades. Existe confusão dos papeis de assumir uma postura sobre a sociedade urbana com o processo de mudança social (FARIA, 1991) deixando de lado o valor social. A construção civil e o desenvolvimento econômico estão intrinsecamente ligados, a indústria da construção promove incrementos capaz de elevar o crescimento econômico. Isso ocorre principalmente pela proporção do valor adicionado total das atividades, como também pelo efeito multiplicador de renda e sua interdependência estrutural (TEIXEIRA, 2O1O). As tratativas da indústria da construção civil como parte fundamental para o crescimento e desenvolvimento econômico de um país ficam relegadas a um segundo plano. 3 2. DESENVOLVIMENTO DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL Ao estudar o desenvolvimento da Indústria da Contração Civil deve-se contextualizar o lugar suscita-se que seu objetivo é apenas achar que é lugar seria um território, mas promulgamos a globalização e ultrapassamos essa definição, ao ponto de conceituar o lugar como forma externa ou informacional pensando especificamente no lugar determinado. (SANTOS, 2006). Carlos (2007) analisa o lugar como cidadão-identidade-lugar, componente essencial para existência do lugar, as habilidades cotidianas, como ir ao supermercado, caminhar, ir a uma banca de jornal, criam laços existenciais que o definem como lugar. A condição que os atores se impõem para que haja um lugar vai além do espaço físico, depende da necessidade e da evolução global para otimizar as atividades cotidianas do indivíduo, surgindo às conexões entre um lugar e outro, deixando para segundo plano o lugar como fonte de apreciação e descanso, imprimindo a existência das simbioses. Por outro lado o conceito território abrange várias áreas como ciência política, geografia e a antropologia. Nesse caso aborda-se o conceito baseado em que nomeia o território como sendo parte do espaço: Nesse sentido, o território é por nós entendido como fruto e condição ele mesmo da territorialização. É substantivado por territorialidades, ou, por obras e relações, formas e conteúdos, considerando-se uma abordagem a partir do pensamento lefebvriano sobre a produção do espaço geográfico (SAQUET, 2005, p. 13885). Souza (2000) destaca a formação do território com pequenas habitações, lavouras, pontes, rodovias, obras públicas ou privadas que envolvam entre si e sejam elas políticas, culturais, econômicas ou sociais, mas que constitua redes onde o processo de construção seja do, e no, espaço. São vários os diagnósticos pautados no conceito de território, fundindo-se entre em tempo e espaço. O ordenamento territorial é a concretização das políticas e ações resultantes do planejamento urbano. O planejamento urbano é fator determinante para a urbanização dos centros e das cidades, os quais são produtos da luta do homem em relação a renovação urbana e uma nova concepção de que o espaço urbano atende a todos, por isso, deve manter a organização das cidades. 4 a. O Espaço Urbano 1. O espaço urbano refere-se ao uso das terras nas cidades de modo a garantir um espaço para todos, ou seja, o modo da estruturação do espaço regional e as funções de grupos que atendam as conexões sociais e de infraestrutura. Conforme salienta Corrêa (1995), o espaço urbano é construído pelos proprietários das indústrias, os fundiários, imobiliários, Estado e os grupos sociais excluídos. A estruturação do espaço urbano para o uso da construção civil é fator que necessita de um planejamento e da organização da regionalização com o intuito de favorecer uma ambiência de que o espaço urbano é parte da produção da terra para favorecer as mudanças em relação às estruturas da terra. O setor imobiliário segundo Corrêa (2000) trata dos conjuntos dos agentes que realizam parcialmente ou totalmente os financiamentos, estudo técnico, construção ou produção física do imóvel, comercialização e a transformação do capital em mercadoria no capital e a habilitação no todo. O objetivo do setor imobiliário além do financeiro consiste em manter a venda do imóvel, de modo que este ofereça rentabilidade aos gestores e os demais componentes das atividades que são exercidas do local. Quanto à construção esta é direcionada de acordo com a necessidade da sociedade, ou seja, alguns setores imobiliários atuam na construção de apartamentos, outros casas, ou seja, de acordo com o setor/bairro em que o setor imobiliário encontra inserido. O setor imobiliário conforme destaca Corrêa (2000), possui uma relação significativa quanto ao espaço e a urbanização porque correlacionam as variáveis do bairro, a terra, a produção, a acessibilidade e o Estado enquanto agente das mudanças de promotores da segregação territorial. O Estado também é uma importante fonte de instrumento para a relação do espaço urbano porque atua no direito de desapropriação e precedências na compra de terra; nas regulamentações do uso do solo, controle do preço da terra, atuação dos impostos, investimentos de atividades do espaço para a infra-estrutura demonstrada quanto a eficácia da locação do espaço urbano e os materiais que são alocados para o processo de construção (CORRÊA, 1998). A regularização do espaço, ou seja, a organização de como este é fundamentado em práticas e tendências quanto aos recursos e ajustes de melhorias do setor da construção de modo que a regionalização encontre em equilíbrio torna 5 evidente que as mudanças favorecem a participação de recursos que atendam aos investimentos do setor. 6 3. CONSTRUÇÃO INDUSTRIALIZADA a. Conceitos Para o melhor entendimento deste Manual da Construção Industrializada, é necessária a apresentaçãode alguns conceitos que são utilizados ao longo do texto, referentes aos sistemas construtivos, por exemplo: componente, elemento, sistema construtivo, projeto e processo construtivo. Além disso, são também conceituados industrialização, racionalização, modulação e outros termos referentes ao contexto do manual. A ABNT NBR 15575 (2013) define, para o componente, o elemento e o sistema, os seguintes conceitos: Componente – unidade integrante de determinado sistema da edificação, com forma definida e destinada a atender funções específicas (exemplo: bloco cerâmico ou de concreto, telha, folha de porta etc.); Elemento – parte de um sistema com funções específicas. Geralmente é composto por um conjunto de componentes. Exemplos: vedação de blocos, painel de vedação pré-fabricado, estrutura de cobertura. Figuras 1 e 2: Figura 1: Painéis de vedação pré-fabricados de concreto (Fonte: ABCIC) Fonte: Adaptado de SUCCAR, 2017. 7 Figura 2: Escada pré-fabricada de concreto (Fonte: ABCIC) Fonte: Adaptado de SUCCAR, 2017. Sistema construtivo – a maior parte funcional do edifício. Conjunto de elementos e componentes destinados a cumprir com uma macrofunção que a define. Exemplos: fundação, estrutura, vedações verticais, instalações hidrossanitárias, cobertura. Figuras 3 e 4. Projeto, segundo a ABNT NBR 13531 (2000) é o conjunto de instruções construtivas definidas e articuladas em conformidade com os princípios e técnicas específicas da arquitetura e da engenharia para, ao integrar a edificação, desempenhar determinadas funções em níveis adequados. Figura 3: Habitação Unifamiliar – Sistema construtivo em light steel framing (Font: Saint- Goban) Fonte: Adaptado de SUCCAR, 2017. 8 Figura 4: Sistema construtivo em pré-fabricados em concreto aplicados no segmento habitacional (Font: ABCIC) Fonte: Adaptado de SUCCAR, 2017. De maneira geral, o processo pode ser considerado como o resultado obtido por meio de um potencial ou de uma ação transformadora (Maranhão; Macieira, 2008). Aplicado à edificação, pode-se afirmar que o Processo Construtivo é formado por entradas ou insumos (materiais, componentes, energia, água, mão de obra e equipamentos), processos de transformação (mais ou menos elaborados – equipamentos manuais ou mecânicos, ou tecnologias mais ou menos avançadas ou industrializadas) de acordo com um projeto e planejamento. Esse processo (insumos e atividades de transformação), atendendo a um projeto específico, é inerente a cada tipo de edificação. Como saídas ou resultados, tem-se o produto/edificação. Meseguer (1990) afirma que o processo construtivo é constituído por planejamento, projeto, materiais, construção (execução) e manutenção; o início do processo se dá devido ao atendimento da necessidade do usuário em relação à edificação. Os processos construtivos podem ser classificados como: tradicional (uso de técnicas artesanais), convencional (caracterizado por tecnologias normalmente utilizadas no mercado, com maior tempo de execução), racionalizado (caracterizado pela melhoria gradativa dos processos convencionais) e industrializado ou pré- fabricado. Na ABNT NBR 9062 são apresentados os conceitos de pré-fabricado e de pré- moldado: Elemento pré-fabricado – é em geral executado industrialmente, mesmo em instalações temporárias em canteiros de obra, ou em instalações permanentes de empresa destinada para esse fim que atende aos requisitos mínimos de mão de obra 9 qualificada (a matéria-prima deve ser ensaiada e testada quando no recebimento pela empresa e previamente à sua utilização). Elemento pré-moldado – é executado fora do local de uso definitivo, com menor rigor nos padrões de controle de qualidade (os componentes podem ser inspecionados individualmente ou em lotes, por inspetores ou empresas especializadas, dispensando-se a existência de laboratório e demais instalações próprias necessárias ao controle de qualidade). Ribeiro (2002) afirma que quando o produto é único e realizado em um processo específico, não repetitivo, não se tem condições de aplicar séries de produção, mas a mecanização e outros instrumentos de industrialização são válidos (pré-fabricação). Linner e Bock (2012) afirmam que a industrialização, no setor da construção civil se deu a partir do deslocamento dos processos convencionais para a fábrica, combinado com elementos da produção seriada por meio da pré-fabricação de componentes. A industrialização representa o mais elevado estágio de racionalização dos processos construtivos e, independente da origem de seu material, está associada à produção dos componentes em ambiente industrial e, posteriormente, montados nos canteiros de obras, assemelhando-se às montadoras de veículos, possibilitando melhores condições de controle e a adoção de novas tecnologias. No Brasil, as primeiras aplicações de pré-fabricação ou industrialização na construção civil se deram com o uso do concreto armado e da estrutura metálica (aço) seguidas de chapas de gesso acartonado com montante metálico para vedações do tipo drywall, entre outras. Também pode ser citado o banheiro pronto, que consiste em uma célula acabada cuja operação no canteiro é apenas a sua colocação na laje preparada para recebê-lo. Mais recentemente, observou-se no Brasil a intensificação do uso de estruturas industrializadas para os complexos esportivos (Copa 2014 e Olimpíadas 2016) bem como em obras de infraestrutura e, em especial, nos aeroportos (Figura 5 e 6). Ainda no âmbito da compreensão dos conceitos deste Manual, entende-se por processo industrializado um processo evolutivo que, através de ações organizacionais e da implementação de inovações tecnológicas, métodos de trabalho e técnicas de planejamento e controle, objetiva incrementar a produtividade e o nível de produção e aprimorar o desempenho da atividade construtiva (Sabatini, 1989). 10 Figura 5: Arena de Handebol estruturada em aço (Parque Olímpico – Rio de Janeiro, Olimpíadas 2016). Foto: Silvia Scalzo. Fonte: Adaptado de SUCCAR, 2017. Figura 6: Velódromo (Parque Olímpico – Rio de Janeiro, Olimpíada 2016). Foto: ABCIC. Fonte: Adaptado de SUCCAR, 2017. O processo industrializado requer que decisões sobre a tecnologia a ser adotada anteceda o desenvolvimento de projetos (ROSSO, 1990), com planejamento mais efetivo e detalhado, potencializando os benefícios da construção industrializada. Ao se analisar os aspectos apresentados por Sabatini (1989) citados anteriormente, observa-se que o planejamento e o controle, associados às técnicas mais desenvolvidas, principalmente com o uso da mecanização, usuais nos sistemas 11 construtivos industrializados, fazem com que os mesmos potencializem a eficácia e a eficiência do processo como um todo, que é uma das metas desejadas para o desenvolvimento tecnológico do Brasil. Os processos construtivos industrializados podem oferecer melhores condições de maior controle do desempenho ambiental, com a redução da geração de resíduos, emissão de CO2, uso de energia e água no processo de fabricação e no canteiro. Considerando que o processo de fabricação tem maior controle, há maior facilidade no levantamento de dados, por exemplo, para a avaliação do ciclo de vida (ACV), que permite demonstrar com mais transparência o desempenho ambiental de produtos e processos. Dessa forma, pode-se considerar que o uso de sistemas construtivos industrializados permite produzir em maior quantidade, com melhor qualidade, melhor controle e demonstração do desempenho ambiental e em um tempo menor comparativamente a outros tipos de sistemas construtivos. 12 4. PROCESSO CONSTRUTIVO INDUSTRIALIZADO a. Tipos de sistemas construtivos O processo construtivoindustrializado pode envolver componentes, elementos ou sistemas construtivos como um todo, o que significa que, quando se trata de sistemas construtivos híbridos, componentes e elementos podem ser contratados separadamente para compor uma solução construtiva. Em se tratando de contratação de sistemas construtivos como um todo, na produção da edificação e infraestrutura, é possível contratar três tipos de sistemas construtivos: • Sistema que utiliza técnicas ou métodos convencionais na produção dos elementos e componentes: é caracterizado pelo uso de métodos convencionais, nos quais há necessidade de mão de obra de forma intensiva, como na execução de formas e escoramentos de madeira e aço para pilares, vigas e lajes, na elevação de alvenarias e na execução de revestimentos de argamassa e outros serviços comuns a esse processo. Esses serviços são realizados no canteiro, e o prazo de execução, nesse caso, deve levar em conta os tempos de espera de recebimento e armazenamento de materiais e o seu transporte interno, além, é claro, da cura dos diversos serviços, como os componentes de concreto ou os revestimentos de argamassa. Em geral, devido às características intrínsecas a esse processo, há um percentual maior de perdas e um menor controle na fase de execução. Em processos de construção convencionais, há, ainda, frequentemente, o problema da construção ter o seu início sem ter findado o projeto, por exemplo, o de instalações, já que o mesmo é feito de forma convencional com o corte das alvenarias para o seu embutimento. Os projetos de arquitetura, tanto em fase inicial, de anteprojeto, quanto o projeto executivo e os complementares, são desenvolvidos, muitas vezes, de maneira quase independente. Essa alternativa de construção já tem, há alguns anos, sofrido críticas, e vem se modificando com o uso de sistemas racionalizados e de sistemas pré-fabricados ou industrializados que, em geral, acarretam melhorias no processo, tanto na fase de execução como nas outras fases, que incluem planejamento e projeto. • Sistema que utiliza técnicas e métodos racionalizados e pré-fabricados e industrializados a partir de elementos e componentes: é caracterizado por métodos e processos industrializados e abrange tanto os componentes quanto os elementos ou 13 células com funções específicas a desempenhar; são constituídos por sistemas reticulados de pilares, vigas e lajes, ou no caso de elementos ou células, fachadas, banheiros prontos e outros. Nesse caso, a fase de execução difere do método convencional, pois os componentes ou elementos já são projetados com dimensões moduladas no projeto e chegam prontos ao canteiro, onde há operações quase que somente de montagem. Há, dessa forma, um percentual menor de perdas no canteiro, já que as peças chegam prontas, de acordo com o projeto, precisando ser apenas montadas. Além disso, há também menor percentual de mão de obra in loco e menor prazo de execução, comparativamente ao sistema convencional, pois as etapas acabam se sobrepondo entre fábrica e obra. Como exemplos desses elementos e sistemas, podem ser apontados: os de concreto armado ou protendido, como pilares e vigas com consoles, lajes para piso e cobertura, fechamentos com chapas cimentícias, banheiros prontos; os de aço, como pilares, vigas e lajes de piso e de cobertura, coberturas termoacústicas (com isolantes térmicos) e elementos de fachada (fachada cortina ou fachada ventilada), podendo, esses últimos, serem constituídos de alumínio. • Sistema que utiliza parte do sistema convencional e parte de sistemas industrializados: integra soluções industrializadas e convencionais, como elementos industrializados de concreto armado (pilares) e vedações de blocos cerâmicos, lajes pré-fabricadas mistas, por exemplo a tipo volterrana, treliçada e pré-laje, executadas em conjunto com operações de concreto armado moldado in loco para o preenchimento da capa e nervuras; também podem ser citadas, no caso do aço, lajes do tipo steel deck, que combina elementos prontos de aço com concreto armado moldado in loco para a sua finalização. 14 5. TECNOLOGIA BIM NA CONSTRUÇÃO CIVIL a. Conceito Em 1982 foram inseridos numa calculadora os primeiros códigos de programação de um sistema para elaboração de um projeto em 3D de uma usina nuclear na Hungria. A calculadora era de 64K e o sistema era o ArchiCad. Gallello, presidente da Graphisoft, desenvolvedora do sistema, relata este fato lembrando que o ingresso da computação na arquitetura ocorreu nos anos 1980, “revolucionou o processo de criação, de projeto e até mesmo a criação do espaço” (FRANK, 2008). A partir dessa época, então, a sigla CAD (Computer Aided Design) passou a representar essa tecnologia. Para Scheer et al (2007) a tecnologia CAD é a inovação mais importante dos últimos 40 anos. Este autor indica três gerações distintas na evolução do uso do computador em arquitetura: a primeira é a do desenho assistido por computador, a segunda a modelagem geométrica e, por fim, a modelagem do produto, com início no final da década de 1980 (KALES;ARDITI, 2005 apud SCHEER ET AL, 2007). O principal objetivo desta última geração é a conjunção de dois grupos de informações: as informações geométricas, que dizem respeito às características espaciais do produto, tais como forma, posição e dimensões e as não-geométricas, onde se incluem custo, resistência, peso, dentre outras características. Esta conjunção, aliada a uma abordagem colaborativa de todo o ciclo de vida do empreendimento, compõe a tecnologia BIM (Building Information Modeling). Na fase de projeto, a tecnologia BIM, mais do que uma ferramenta para desenho, propicia ao arquiteto a possibilidade de conceber um projeto construindo seu modelo parametrizado, o que permite que visualize a volumetria, estime custos, quantifique e qualifique o material aplicado, observando e ajustando conforto ambiental e outros itens projetuais, e facilitando a comunicação entre os diversos profissionais integrantes do processo. As modificações e aperfeiçoamentos ao projeto são processados automaticamente nas planilhas de custos, nas plantas baixas e elevações da construção, permitindo um incremento significativo na qualidade da comunicação e, conseqüentemente, na qualidade do produto final, a edificação. Vários trabalhos (KIVINIEMI, 2005; GARCIA et al., 2003) relacionam esse conjunto de itens para o desenvolvimento 15 coordenado de modelos de empreendimentos. Cheng e Law (2002) propõem que uma equipe de projeto utilize simultaneamente softwares de planejamento, de acompanhamento, de organização, para estimativa de custos e de visualização do progresso da construção, afirmando que num ambiente diversificado, a engenharia simultânea e a interoperabilidade da informação desempenham um papel importante no gerenciamento do empreendimento. A implantação de novas tecnologias baseadas em BIM no entanto, pressupõe a reestruturação das empresas através da reorganização dos processos, da implementação de uma nova forma de organização do trabalho e de um novo modo de pensar o processo de projeto, visto agora de forma totalmente integrada. Além disso, o uso do BIM requer novas qualificações do profissional, aquisição de novos equipamentos, e uma nova forma de lidar com os demais agentes no processo (JUSTI, 2008). Observa-se na Europa e Estados Unidos o crescimento da aplicação do conceito BIM em projetos de arquitetura e engenharia, tratando de formaintegrada os elementos de projeto, da obra e processos gerenciais a partir da formulação de modelos virtuais (FIESP, 2008). As experiências internacionais vêm confirmando a forte tendência de adoção da tecnologia, que tem demonstrado um grande potencial para ser aplicada no desenvolvimento de projetos da indústria de AEC (Arquitetura, Engenharia e Construção), melhorando a produtividade e proporcionando aumento da qualidade. Motivados pelas inúmeras possibilidades e facilidades apresentadas pela tecnologia BIM, alguns escritórios de projeto brasileiros acompanharam o movimento internacional, lançando-se na vanguarda da aplicação dos sistemas BIM em suas empresas ainda no início dos anos 2000. Tal processo intensificou- se nos últimos anos, frente à evolução dos programas e estímulos para compra dos softwares, fazendo-os migrar para a prateleira dos escritórios, mas não definitivamente para as máquinas dos projetistas. A escassez de mão-de-obra especializada, a resistência à mudança, o alto investimento com máquinas e treinamento, como veremos adiante, são alguns fatores que dificultam a implantação efetiva da tecnologia nos escritórios de projeto do país. Devido a riscos e incertezas as empresas acabam criando barreiras e aguardando a consolidação da tecnologia para sua implantação (NASCIMENTO; SANTOS, 2003). 16 A indústria nacional precisa acompanhar a evolução mundial, buscando adaptações da tecnologia BIM ao perfil brasileiro de forma a facilitar a sua implantação em maior escala no país, buscando a modernização dos processos da construção civil. b. O Que é BIM? Em Building Information Modeling - BIM é um conjunto de políticas, processos e tecnologias que, combinados, geram uma metodologia para gerenciar o processo de projetar uma edificação ou instalação e ensaiar seu desempenho, gerenciar as suas informações e dados, utilizando plataformas digitais (baseadas em objetos virtuais), através de todo seu ciclo de vida. • BIM é um processo progressivo que possibilita a modelagem, o armazenamento, a troca, a consolidação e o fácil acesso aos vários grupos de informações sobre uma edificação ou instalação que se deseja construir, usar e manter. Uma única plataforma de informações que pode atender todo o ciclo de vida de um objeto construído. • BIM é uma nova plataforma da tecnologia da informação aplicada à construção civil e materializada em novas ferramentas (softwares), que oferecem novas funcionalidades e que, a partir da modelagem dos dados do projeto e da especificação de uma edificação ou instalação, possibilitam que os processos atuais, baseados apenas em documentos, sejam realizados de outras maneiras (baseados em modelos) muito mais eficazes. BIM não deve ser considerado uma tecnologia tão nova, embora o termo seja relativamente novo. 17 Figura 7: Os fundamentos do BIM. Fonte: Adaptado de SUCCAR, 2017. O American Institute of Architects – AIA define BIM como “uma tecnologia baseada em um modelo que está associado a um banco de dados de informações sobre um projeto”. Já para o National Institute of Building Standards– NIBS, BIM é “uma representação digital das características físicas e funcionais de uma instalação e um recurso de compartilhamento de conhecimento que viabiliza a obtenção de informações sobre uma instalação, formando uma base confiável para que decisões sejam tomadas durante seu ciclo de vida, definido desde a sua concepção até a demolição”. A Administração de Serviços Gerais dos Estados Unidos – GSA – United States General Services Administration descreve BIM como sendo “o desenvolvimento e o uso de um modelo digital de dados, não apenas para documentar o projeto de uma construção, mas também para simular a construção e a operação de uma nova construção ou de uma instalação já existente que se deseje modernizar. O modelo de informações de construção resulta de um conjunto de dados referentes aos objetos, que são representações inteligentes e paramétricas dos componentes da instalação. 18 A partir desse conjunto de dados, vários usuários podem extrair visões apropriadas para a realização das suas análises específicas e o embasamento dos seus correspondentes feebacks que possibilitam a melhoria da concepção do projeto”. O National Building Information Modeling Standards – NBIMS define BIM como: “Uma representação digital das características físicas e funcionais de uma instalação. Um modelo BIM é um recurso para o compartilhamento de informações sobre uma instalação ou edificação, constituindo uma base de informações organizada e confiável que pode suportar tomada de decisão durante o seu ciclo de vida; definido como o período desde as fases mais iniciais de sua concepção até a sua demolição. Uma das premissas básicas do BIM é a colaboração entre os diferentes agentes envolvidos nas diferentes fases do ciclo de vida de uma instalação ou edificação, para inserir, extrair, atualizar ou modificar informações de um modelo BIM para auxiliar e refletir os papéis de cada um destes agentes envolvidos”. BIM não deve ser considerado uma tecnologia tão nova, embora o termo seja relativamente novo. Soluções similares ao BIM têm sido utilizadas em diversas indústrias, onde a complexidade logística (ex. uma montagem em alto-mar – offshore) ou a repetição de um mesmo projeto (ex. indústria automobilística ou de aviação) exigiam e permitiam um maior investimento no desenvolvimento dos projetos e especificações. O que é novo é o acesso da indústria da construção civil a essa ferramenta, que só se tornou possível pelo aumento da facilidade de aquisição de hardwares (computadores pessoais com grande capacidade de processamento) e softwares. Por definição, BIM é aplicável a todo o ciclo de vida de um empreendimento, desde a concepção e a conceituação de uma ideia, para a construção de uma edificação ou instalação (ou da constatação da necessidade de construir algo), passando pelo desenvolvimento do projeto e incluindo a construção, e também após a obra pronta, entregue e ocupada, no início da sua fase de utilização. Neste último caso, os modelos BIM poderão ser utilizados para a gestão da própria ocupação e para o gerenciamento da manutenção. Portanto, trata-se de algo abrangente demais, e este é um dos motivos que dificultam uma adequada compreensão do que é BIM e, também, das novas formas de realizar processos, utilizando esta nova plataforma de trabalho, que é baseada em modelos, e não apenas em documentos, desenvolvidos pela tecnologia predecessora CAD – Computer Aided Design. 19 2. 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