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1 
 
 
INTRODUÇÃO A CONSTRUÇÃO CIVIL 
1 
 
 
SUMÁRIO 
 
1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 2 
2. DESENVOLVIMENTO DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL .................... 3 
2.1 O Espaço Urbano ........................................................................................... 4 
3. CONSTRUÇÃO INDUSTRIALIZADA................................................................... 6 
3.1 Conceitos ....................................................................................................... 6 
4. PROCESSO CONSTRUTIVO INDUSTRIALIZADO ........................................... 12 
4.1 Tipos de sistemas construtivos .................................................................... 12 
5. TECNOLOGIA BIM na construção civil ........................................................... 14 
5.1 Conceito ....................................................................................................... 14 
5.2 O Que é BIM? .............................................................................................. 16 
Referências .............................................................................................................. 19 
 
 
2 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
A construção civil nos últimos anos constitui num dos setores da atividade 
econômica em desenvolvimento. Tais movimentos vem de encontro com movimentos 
ocorridos no século XX, a combinação de fatores relacionados a crise fiscal e 
previdenciária do Estado, movidos pelo advento da Terceira Revolução Industrial que 
desencadeou severas transformações fizeram surgir por meio de relações sociais de 
produção até a reprodução do cotidiano ou seja, meios de produção e família, com 
isso surge as novas redes socioespaciais globalizando a vida social (SANTOS, 1997). 
A preocupação com o futuro das cidades, incluindo nesse contexto população, 
desperta para a fragilidade de reorganização e rediferenciação territorial, dessa 
expansão urbana e produtiva e a influência desse crescimento das cidades. 
Existe confusão dos papeis de assumir uma postura sobre a sociedade urbana 
com o processo de mudança social (FARIA, 1991) deixando de lado o valor social. 
A construção civil e o desenvolvimento econômico estão intrinsecamente 
ligados, a indústria da construção promove incrementos capaz de elevar o 
crescimento econômico. Isso ocorre principalmente pela proporção do valor 
adicionado total das atividades, como também pelo efeito multiplicador de renda e sua 
interdependência estrutural (TEIXEIRA, 2O1O). 
As tratativas da indústria da construção civil como parte fundamental para o 
crescimento e desenvolvimento econômico de um país ficam relegadas a um segundo 
plano. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
2. DESENVOLVIMENTO DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL 
 
Ao estudar o desenvolvimento da Indústria da Contração Civil deve-se 
contextualizar o lugar suscita-se que seu objetivo é apenas achar que é lugar seria 
um território, mas promulgamos a globalização e ultrapassamos essa definição, ao 
ponto de conceituar o lugar como forma externa ou informacional pensando 
especificamente no lugar determinado. (SANTOS, 2006). 
Carlos (2007) analisa o lugar como cidadão-identidade-lugar, componente 
essencial para existência do lugar, as habilidades cotidianas, como ir ao 
supermercado, caminhar, ir a uma banca de jornal, criam laços existenciais que o 
definem como lugar. 
A condição que os atores se impõem para que haja um lugar vai além do 
espaço físico, depende da necessidade e da evolução global para otimizar as 
atividades cotidianas do indivíduo, surgindo às conexões entre um lugar e outro, 
deixando para segundo plano o lugar como fonte de apreciação e descanso, 
imprimindo a existência das simbioses. 
Por outro lado o conceito território abrange várias áreas como ciência política, 
geografia e a antropologia. Nesse caso aborda-se o conceito baseado em que nomeia 
o território como sendo parte do espaço: 
Nesse sentido, o território é por nós entendido como fruto e condição ele 
mesmo da territorialização. É substantivado por territorialidades, ou, por obras e 
relações, formas e conteúdos, considerando-se uma abordagem a partir do 
pensamento lefebvriano sobre a produção do espaço geográfico (SAQUET, 2005, p. 
13885). 
Souza (2000) destaca a formação do território com pequenas habitações, 
lavouras, pontes, rodovias, obras públicas ou privadas que envolvam entre si e sejam 
elas políticas, culturais, econômicas ou sociais, mas que constitua redes onde o 
processo de construção seja do, e no, espaço. São vários os diagnósticos pautados 
no conceito de território, fundindo-se entre em tempo e espaço. O ordenamento 
territorial é a concretização das políticas e ações resultantes do planejamento urbano. 
O planejamento urbano é fator determinante para a urbanização dos centros e 
das cidades, os quais são produtos da luta do homem em relação a renovação urbana 
e uma nova concepção de que o espaço urbano atende a todos, por isso, deve manter 
a organização das cidades. 
4 
 
 
a. O Espaço Urbano 
1. 
O espaço urbano refere-se ao uso das terras nas cidades de modo a garantir 
um espaço para todos, ou seja, o modo da estruturação do espaço regional e as 
funções de grupos que atendam as conexões sociais e de infraestrutura. 
Conforme salienta Corrêa (1995), o espaço urbano é construído pelos 
proprietários das indústrias, os fundiários, imobiliários, Estado e os grupos sociais 
excluídos. A estruturação do espaço urbano para o uso da construção civil é fator que 
necessita de um planejamento e da organização da regionalização com o intuito de 
favorecer uma ambiência de que o espaço urbano é parte da produção da terra para 
favorecer as mudanças em relação às estruturas da terra. 
O setor imobiliário segundo Corrêa (2000) trata dos conjuntos dos agentes que 
realizam parcialmente ou totalmente os financiamentos, estudo técnico, construção 
ou produção física do imóvel, comercialização e a transformação do capital em 
mercadoria no capital e a habilitação no todo. 
O objetivo do setor imobiliário além do financeiro consiste em manter a venda 
do imóvel, de modo que este ofereça rentabilidade aos gestores e os demais 
componentes das atividades que são exercidas do local. Quanto à construção esta é 
direcionada de acordo com a necessidade da sociedade, ou seja, alguns setores 
imobiliários atuam na construção de apartamentos, outros casas, ou seja, de acordo 
com o setor/bairro em que o setor imobiliário encontra inserido. 
O setor imobiliário conforme destaca Corrêa (2000), possui uma relação 
significativa quanto ao espaço e a urbanização porque correlacionam as variáveis do 
bairro, a terra, a produção, a acessibilidade e o Estado enquanto agente das 
mudanças de promotores da segregação territorial. 
O Estado também é uma importante fonte de instrumento para a relação do 
espaço urbano porque atua no direito de desapropriação e precedências na compra 
de terra; nas regulamentações do uso do solo, controle do preço da terra, atuação dos 
impostos, investimentos de atividades do espaço para a infra-estrutura demonstrada 
quanto a eficácia da locação do espaço urbano e os materiais que são alocados para 
o processo de construção (CORRÊA, 1998). 
A regularização do espaço, ou seja, a organização de como este é 
fundamentado em práticas e tendências quanto aos recursos e ajustes de melhorias 
do setor da construção de modo que a regionalização encontre em equilíbrio torna 
5 
 
 
evidente que as mudanças favorecem a participação de recursos que atendam aos 
investimentos do setor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
 
3. CONSTRUÇÃO INDUSTRIALIZADA 
a. Conceitos 
 
Para o melhor entendimento deste Manual da Construção Industrializada, é 
necessária a apresentaçãode alguns conceitos que são utilizados ao longo do texto, 
referentes aos sistemas construtivos, por exemplo: componente, elemento, sistema 
construtivo, projeto e processo construtivo. Além disso, são também conceituados 
industrialização, racionalização, modulação e outros termos referentes ao contexto do 
manual. 
A ABNT NBR 15575 (2013) define, para o componente, o elemento e o sistema, 
os seguintes conceitos: 
 Componente – unidade integrante de determinado sistema da edificação, com 
forma definida e destinada a atender funções específicas (exemplo: bloco cerâmico 
ou de concreto, telha, folha de porta etc.); 
 Elemento – parte de um sistema com funções específicas. Geralmente é 
composto por um conjunto de componentes. Exemplos: vedação de blocos, painel de 
vedação pré-fabricado, estrutura de cobertura. Figuras 1 e 2: 
 
Figura 1: Painéis de vedação pré-fabricados de concreto (Fonte: ABCIC) 
 
Fonte: Adaptado de SUCCAR, 2017. 
 
 
 
 
7 
 
 
Figura 2: Escada pré-fabricada de concreto (Fonte: ABCIC) 
 
Fonte: Adaptado de SUCCAR, 2017. 
 
 Sistema construtivo – a maior parte funcional do edifício. Conjunto de 
elementos e componentes destinados a cumprir com uma macrofunção que a define. 
Exemplos: fundação, estrutura, vedações verticais, instalações hidrossanitárias, 
cobertura. Figuras 3 e 4. 
Projeto, segundo a ABNT NBR 13531 (2000) é o conjunto de instruções 
construtivas definidas e articuladas em conformidade com os princípios e técnicas 
específicas da arquitetura e da engenharia para, ao integrar a edificação, 
desempenhar determinadas funções em níveis adequados. 
 
Figura 3: Habitação Unifamiliar – Sistema construtivo em light steel framing (Font: Saint-
Goban) 
 
Fonte: Adaptado de SUCCAR, 2017. 
 
 
 
8 
 
 
Figura 4: Sistema construtivo em pré-fabricados em concreto aplicados no segmento 
habitacional (Font: ABCIC) 
 
Fonte: Adaptado de SUCCAR, 2017. 
 
De maneira geral, o processo pode ser considerado como o resultado obtido 
por meio de um potencial ou de uma ação transformadora (Maranhão; Macieira, 2008). 
Aplicado à edificação, pode-se afirmar que o Processo Construtivo é formado por 
entradas ou insumos (materiais, componentes, energia, água, mão de obra e 
equipamentos), processos de transformação (mais ou menos elaborados – 
equipamentos manuais ou mecânicos, ou tecnologias mais ou menos avançadas ou 
industrializadas) de acordo com um projeto e planejamento. Esse processo (insumos 
e atividades de transformação), atendendo a um projeto específico, é inerente a cada 
tipo de edificação. Como saídas ou resultados, tem-se o produto/edificação. Meseguer 
(1990) afirma que o processo construtivo é constituído por planejamento, projeto, 
materiais, construção (execução) e manutenção; o início do processo se dá devido ao 
atendimento da necessidade do usuário em relação à edificação. 
Os processos construtivos podem ser classificados como: tradicional (uso de 
técnicas artesanais), convencional (caracterizado por tecnologias normalmente 
utilizadas no mercado, com maior tempo de execução), racionalizado (caracterizado 
pela melhoria gradativa dos processos convencionais) e industrializado ou pré-
fabricado. 
Na ABNT NBR 9062 são apresentados os conceitos de pré-fabricado e de pré-
moldado: 
 Elemento pré-fabricado – é em geral executado industrialmente, mesmo em 
instalações temporárias em canteiros de obra, ou em instalações permanentes de 
empresa destinada para esse fim que atende aos requisitos mínimos de mão de obra 
9 
 
 
qualificada (a matéria-prima deve ser ensaiada e testada quando no recebimento pela 
empresa e previamente à sua utilização). 
 Elemento pré-moldado – é executado fora do local de uso definitivo, com menor 
rigor nos padrões de controle de qualidade (os componentes podem ser 
inspecionados individualmente ou em lotes, por inspetores ou empresas 
especializadas, dispensando-se a existência de laboratório e demais instalações 
próprias necessárias ao controle de qualidade). 
Ribeiro (2002) afirma que quando o produto é único e realizado em um 
processo específico, não repetitivo, não se tem condições de aplicar séries de 
produção, mas a mecanização e outros instrumentos de industrialização são válidos 
(pré-fabricação). 
Linner e Bock (2012) afirmam que a industrialização, no setor da construção 
civil se deu a partir do deslocamento dos processos convencionais para a fábrica, 
combinado com elementos da produção seriada por meio da pré-fabricação de 
componentes. 
A industrialização representa o mais elevado estágio de racionalização dos 
processos construtivos e, independente da origem de seu material, está associada à 
produção dos componentes em ambiente industrial e, posteriormente, montados nos 
canteiros de obras, assemelhando-se às montadoras de veículos, possibilitando 
melhores condições de controle e a adoção de novas tecnologias. 
No Brasil, as primeiras aplicações de pré-fabricação ou industrialização na 
construção civil se deram com o uso do concreto armado e da estrutura metálica (aço) 
seguidas de chapas de gesso acartonado com montante metálico para vedações do 
tipo drywall, entre outras. Também pode ser citado o banheiro pronto, que consiste 
em uma célula acabada cuja operação no canteiro é apenas a sua colocação na laje 
preparada para recebê-lo. Mais recentemente, observou-se no Brasil a intensificação 
do uso de estruturas industrializadas para os complexos esportivos (Copa 2014 e 
Olimpíadas 2016) bem como em obras de infraestrutura e, em especial, nos 
aeroportos (Figura 5 e 6). 
Ainda no âmbito da compreensão dos conceitos deste Manual, entende-se por 
processo industrializado um processo evolutivo que, através de ações organizacionais 
e da implementação de inovações tecnológicas, métodos de trabalho e técnicas de 
planejamento e controle, objetiva incrementar a produtividade e o nível de produção e 
aprimorar o desempenho da atividade construtiva (Sabatini, 1989). 
10 
 
 
 
Figura 5: Arena de Handebol estruturada em aço (Parque Olímpico – Rio de Janeiro, 
Olimpíadas 2016). Foto: Silvia Scalzo. 
 
Fonte: Adaptado de SUCCAR, 2017. 
 
Figura 6: Velódromo (Parque Olímpico – Rio de Janeiro, Olimpíada 2016). Foto: ABCIC. 
 
Fonte: Adaptado de SUCCAR, 2017. 
 
O processo industrializado requer que decisões sobre a tecnologia a ser 
adotada anteceda o desenvolvimento de projetos (ROSSO, 1990), com planejamento 
mais efetivo e detalhado, potencializando os benefícios da construção industrializada. 
Ao se analisar os aspectos apresentados por Sabatini (1989) citados 
anteriormente, observa-se que o planejamento e o controle, associados às técnicas 
mais desenvolvidas, principalmente com o uso da mecanização, usuais nos sistemas 
11 
 
 
construtivos industrializados, fazem com que os mesmos potencializem a eficácia e a 
eficiência do processo como um todo, que é uma das metas desejadas para o 
desenvolvimento tecnológico do Brasil. 
Os processos construtivos industrializados podem oferecer melhores 
condições de maior controle do desempenho ambiental, com a redução da geração 
de resíduos, emissão de CO2, uso de energia e água no processo de fabricação e no 
canteiro. Considerando que o processo de fabricação tem maior controle, há maior 
facilidade no levantamento de dados, por exemplo, para a avaliação do ciclo de vida 
(ACV), que permite demonstrar com mais transparência o desempenho ambiental de 
produtos e processos. 
Dessa forma, pode-se considerar que o uso de sistemas construtivos 
industrializados permite produzir em maior quantidade, com melhor qualidade, melhor 
controle e demonstração do desempenho ambiental e em um tempo menor 
comparativamente a outros tipos de sistemas construtivos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
 
 
4. PROCESSO CONSTRUTIVO INDUSTRIALIZADO 
a. Tipos de sistemas construtivos 
 
O processo construtivoindustrializado pode envolver componentes, elementos 
ou sistemas construtivos como um todo, o que significa que, quando se trata de 
sistemas construtivos híbridos, componentes e elementos podem ser contratados 
separadamente para compor uma solução construtiva. 
Em se tratando de contratação de sistemas construtivos como um todo, na 
produção da edificação e infraestrutura, é possível contratar três tipos de sistemas 
construtivos: 
• Sistema que utiliza técnicas ou métodos convencionais na produção dos 
elementos e componentes: é caracterizado pelo uso de métodos convencionais, nos 
quais há necessidade de mão de obra de forma intensiva, como na execução de 
formas e escoramentos de madeira e aço para pilares, vigas e lajes, na elevação de 
alvenarias e na execução de revestimentos de argamassa e outros serviços comuns 
a esse processo. Esses serviços são realizados no canteiro, e o prazo de execução, 
nesse caso, deve levar em conta os tempos de espera de recebimento e 
armazenamento de materiais e o seu transporte interno, além, é claro, da cura dos 
diversos serviços, como os componentes de concreto ou os revestimentos de 
argamassa. Em geral, devido às características intrínsecas a esse processo, há um 
percentual maior de perdas e um menor controle na fase de execução. Em processos 
de construção convencionais, há, ainda, frequentemente, o problema da construção 
ter o seu início sem ter findado o projeto, por exemplo, o de instalações, já que o 
mesmo é feito de forma convencional com o corte das alvenarias para o seu 
embutimento. Os projetos de arquitetura, tanto em fase inicial, de anteprojeto, quanto 
o projeto executivo e os complementares, são desenvolvidos, muitas vezes, de 
maneira quase independente. Essa alternativa de construção já tem, há alguns anos, 
sofrido críticas, e vem se modificando com o uso de sistemas racionalizados e de 
sistemas pré-fabricados ou industrializados que, em geral, acarretam melhorias no 
processo, tanto na fase de execução como nas outras fases, que incluem 
planejamento e projeto. 
• Sistema que utiliza técnicas e métodos racionalizados e pré-fabricados e 
industrializados a partir de elementos e componentes: é caracterizado por métodos e 
processos industrializados e abrange tanto os componentes quanto os elementos ou 
13 
 
 
células com funções específicas a desempenhar; são constituídos por sistemas 
reticulados de pilares, vigas e lajes, ou no caso de elementos ou células, fachadas, 
banheiros prontos e outros. Nesse caso, a fase de execução difere do método 
convencional, pois os componentes ou elementos já são projetados com dimensões 
moduladas no projeto e chegam prontos ao canteiro, onde há operações quase que 
somente de montagem. Há, dessa forma, um percentual menor de perdas no canteiro, 
já que as peças chegam prontas, de acordo com o projeto, precisando ser apenas 
montadas. Além disso, há também menor percentual de mão de obra in loco e menor 
prazo de execução, comparativamente ao sistema convencional, pois as etapas 
acabam se sobrepondo entre fábrica e obra. Como exemplos desses elementos e 
sistemas, podem ser apontados: os de concreto armado ou protendido, como pilares 
e vigas com consoles, lajes para piso e cobertura, fechamentos com chapas 
cimentícias, banheiros prontos; os de aço, como pilares, vigas e lajes de piso e de 
cobertura, coberturas termoacústicas (com isolantes térmicos) e elementos de 
fachada (fachada cortina ou fachada ventilada), podendo, esses últimos, serem 
constituídos de alumínio. 
• Sistema que utiliza parte do sistema convencional e parte de sistemas 
industrializados: integra soluções industrializadas e convencionais, como elementos 
industrializados de concreto armado (pilares) e vedações de blocos cerâmicos, lajes 
pré-fabricadas mistas, por exemplo a tipo volterrana, treliçada e pré-laje, executadas 
em conjunto com operações de concreto armado moldado in loco para o 
preenchimento da capa e nervuras; também podem ser citadas, no caso do aço, lajes 
do tipo steel deck, que combina elementos prontos de aço com concreto armado 
moldado in loco para a sua finalização. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 
 
 
5. TECNOLOGIA BIM NA CONSTRUÇÃO CIVIL 
a. Conceito 
 
Em 1982 foram inseridos numa calculadora os primeiros códigos de 
programação de um sistema para elaboração de um projeto em 3D de uma 
usina nuclear na Hungria. A calculadora era de 64K e o sistema era o ArchiCad. 
Gallello, presidente da Graphisoft, desenvolvedora do sistema, relata este fato 
lembrando que o ingresso da computação na arquitetura ocorreu nos anos 1980, 
“revolucionou o processo de criação, de projeto e até mesmo a criação do espaço” 
(FRANK, 2008). A partir dessa época, então, a sigla CAD (Computer Aided Design) 
passou a representar essa tecnologia. 
Para Scheer et al (2007) a tecnologia CAD é a inovação mais importante dos 
últimos 40 anos. Este autor indica três gerações distintas na evolução do 
uso do computador em arquitetura: a primeira é a do desenho assistido por 
computador, a segunda a modelagem geométrica e, por fim, a modelagem do produto, 
com início no final da década de 1980 (KALES;ARDITI, 2005 apud SCHEER ET 
AL, 2007). O principal objetivo desta última geração é a conjunção de dois 
grupos de informações: as informações geométricas, que dizem respeito às 
características espaciais do produto, tais como forma, posição e dimensões e as 
não-geométricas, onde se incluem custo, resistência, peso, dentre outras 
características. Esta conjunção, aliada a uma abordagem colaborativa de todo 
o ciclo de vida do empreendimento, compõe a tecnologia BIM (Building Information 
Modeling). 
Na fase de projeto, a tecnologia BIM, mais do que uma ferramenta para 
desenho, propicia ao arquiteto a possibilidade de conceber um projeto construindo 
seu modelo parametrizado, o que permite que visualize a volumetria, estime 
custos, quantifique e qualifique o material aplicado, observando e ajustando 
conforto ambiental e outros itens projetuais, e facilitando a comunicação entre 
os diversos profissionais integrantes do processo. As modificações e 
aperfeiçoamentos ao projeto são processados automaticamente nas planilhas de 
custos, nas plantas baixas e elevações da construção, permitindo um incremento 
significativo na qualidade da comunicação e, conseqüentemente, na qualidade 
do produto final, a edificação. Vários trabalhos (KIVINIEMI, 2005; GARCIA et 
al., 2003) relacionam esse conjunto de itens para o desenvolvimento 
15 
 
 
coordenado de modelos de empreendimentos. Cheng e Law (2002) propõem que 
uma equipe de projeto utilize simultaneamente softwares de planejamento, de 
acompanhamento, de organização, para estimativa de custos e de visualização do 
progresso da construção, afirmando que num ambiente diversificado, a engenharia 
simultânea e a interoperabilidade da informação desempenham um papel 
importante no gerenciamento do empreendimento. 
A implantação de novas tecnologias baseadas em BIM no entanto, 
pressupõe a reestruturação das empresas através da reorganização dos 
processos, da implementação de uma nova forma de organização do trabalho 
e de um novo modo de pensar o processo de projeto, visto agora de forma totalmente 
integrada. Além disso, o uso do BIM requer novas qualificações do profissional, 
aquisição de novos equipamentos, e uma nova forma de lidar com os demais 
agentes no processo (JUSTI, 2008). 
Observa-se na Europa e Estados Unidos o crescimento da aplicação do 
conceito BIM em projetos de arquitetura e engenharia, tratando de formaintegrada os elementos de projeto, da obra e processos gerenciais a partir da 
formulação de modelos virtuais (FIESP, 2008). As experiências internacionais vêm 
confirmando a forte tendência de adoção da tecnologia, que tem demonstrado 
um grande potencial para ser aplicada no desenvolvimento de projetos da 
indústria de AEC (Arquitetura, Engenharia e Construção), melhorando a 
produtividade e proporcionando aumento da qualidade. 
Motivados pelas inúmeras possibilidades e facilidades apresentadas 
pela tecnologia BIM, alguns escritórios de projeto brasileiros acompanharam 
o movimento internacional, lançando-se na vanguarda da aplicação dos sistemas 
BIM em suas empresas ainda no início dos anos 2000. Tal processo intensificou-
se nos últimos anos, frente à evolução dos programas e estímulos para compra 
dos softwares, fazendo-os migrar para a prateleira dos escritórios, mas 
não definitivamente para as máquinas dos projetistas. 
A escassez de mão-de-obra especializada, a resistência à mudança, 
o alto investimento com máquinas e treinamento, como veremos adiante, são 
alguns fatores que dificultam a implantação efetiva da tecnologia nos escritórios de 
projeto do país. Devido a riscos e incertezas as empresas acabam criando 
barreiras e aguardando a consolidação da tecnologia para sua implantação 
(NASCIMENTO; SANTOS, 2003). 
16 
 
 
A indústria nacional precisa acompanhar a evolução mundial, buscando 
adaptações da tecnologia BIM ao perfil brasileiro de forma a facilitar a sua 
implantação em maior escala no país, buscando a modernização dos processos 
da construção civil. 
 
b. O Que é BIM? 
 
Em Building Information Modeling - BIM é um conjunto de políticas, processos 
e tecnologias que, combinados, geram uma metodologia para gerenciar o processo 
de projetar uma edificação ou instalação e ensaiar seu desempenho, gerenciar as 
suas informações e dados, utilizando plataformas digitais (baseadas em objetos 
virtuais), através de todo seu ciclo de vida. 
• BIM é um processo progressivo que possibilita a modelagem, o 
armazenamento, a troca, a consolidação e o fácil acesso aos vários grupos de 
informações sobre uma edificação ou instalação que se deseja construir, usar e 
manter. Uma única plataforma de informações que pode atender todo o ciclo de vida 
de um objeto construído. 
• BIM é uma nova plataforma da tecnologia da informação aplicada à 
construção civil e materializada em novas ferramentas (softwares), que oferecem 
novas funcionalidades e que, a partir da modelagem dos dados do projeto e da 
especificação de uma edificação ou instalação, possibilitam que os processos atuais, 
baseados apenas em documentos, sejam realizados de outras maneiras (baseados 
em modelos) muito mais eficazes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
BIM não deve ser considerado uma tecnologia tão nova, embora o termo 
seja relativamente novo. 
17 
 
 
Figura 7: Os fundamentos do BIM. 
 
 Fonte: Adaptado de SUCCAR, 2017. 
 
O American Institute of Architects – AIA define BIM como “uma tecnologia 
baseada em um modelo que está associado a um banco de dados de informações 
sobre um projeto”. 
Já para o National Institute of Building Standards– NIBS, BIM é “uma 
representação digital das características físicas e funcionais de uma instalação e um 
recurso de compartilhamento de conhecimento que viabiliza a obtenção de 
informações sobre uma instalação, formando uma base confiável para que decisões 
sejam tomadas durante seu ciclo de vida, definido desde a sua concepção até a 
demolição”. 
A Administração de Serviços Gerais dos Estados Unidos – GSA – United States 
General Services Administration descreve BIM como sendo “o desenvolvimento e o 
uso de um modelo digital de dados, não apenas para documentar o projeto de uma 
construção, mas também para simular a construção e a operação de uma nova 
construção ou de uma instalação já existente que se deseje modernizar. O modelo de 
informações de construção resulta de um conjunto de dados referentes aos objetos, 
que são representações inteligentes e paramétricas dos componentes da instalação. 
18 
 
 
A partir desse conjunto de dados, vários usuários podem extrair visões apropriadas 
para a realização das suas análises específicas e o embasamento dos seus 
correspondentes feebacks que possibilitam a melhoria da concepção do projeto”. 
O National Building Information Modeling Standards – NBIMS define BIM como: 
“Uma representação digital das características físicas e funcionais de uma instalação. 
Um modelo BIM é um recurso para o compartilhamento de informações sobre uma 
instalação ou edificação, constituindo uma base de informações organizada e 
confiável que pode suportar tomada de decisão durante o seu ciclo de vida; definido 
como o período desde as fases mais iniciais de sua concepção até a sua demolição. 
Uma das premissas básicas do BIM é a colaboração entre os diferentes agentes 
envolvidos nas diferentes fases do ciclo de vida de uma instalação ou edificação, para 
inserir, extrair, atualizar ou modificar informações de um modelo BIM para auxiliar e 
refletir os papéis de cada um destes agentes envolvidos”. 
BIM não deve ser considerado uma tecnologia tão nova, embora o termo seja 
relativamente novo. Soluções similares ao BIM têm sido utilizadas em diversas 
indústrias, onde a complexidade logística (ex. uma montagem em alto-mar – offshore) 
ou a repetição de um mesmo projeto (ex. indústria automobilística ou de aviação) 
exigiam e permitiam um maior investimento no desenvolvimento dos projetos e 
especificações. O que é novo é o acesso da indústria da construção civil a essa 
ferramenta, que só se tornou possível pelo aumento da facilidade de aquisição de 
hardwares (computadores pessoais com grande capacidade de processamento) e 
softwares. 
Por definição, BIM é aplicável a todo o ciclo de vida de um empreendimento, 
desde a concepção e a conceituação de uma ideia, para a construção de uma 
edificação ou instalação (ou da constatação da necessidade de construir algo), 
passando pelo desenvolvimento do projeto e incluindo a construção, e também após 
a obra pronta, entregue e ocupada, no início da sua fase de utilização. Neste último 
caso, os modelos BIM poderão ser utilizados para a gestão da própria ocupação e 
para o gerenciamento da manutenção. Portanto, trata-se de algo abrangente demais, 
e este é um dos motivos que dificultam uma adequada compreensão do que é BIM e, 
também, das novas formas de realizar processos, utilizando esta nova plataforma de 
trabalho, que é baseada em modelos, e não apenas em documentos, desenvolvidos 
pela tecnologia predecessora CAD – Computer Aided Design. 
 
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2. REFERÊNCIAS 
 
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