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EXPERIMENTO I — PÊNDULO SIMPLES. Manuela Leal Soares de Bairros - 202220160 (Turma 11-Engenharia de Produção) 1 INTRODUÇÃO Na natureza frequentemente são observados variados fenômenos que exibem alguma periodicidade. Um desses fenômenos é o movimento harmônico simples (MHS), movimento periódico que acontece exclusivamente em sistemas conservativos e que pode ser observado através do pêndulo simples, um sistema que consiste em um corpo de massa m preso a um fio inextensível de comprimento L oscilando em torno de uma posição de equilíbrio. Quando esta massa é afastada da sua posição de equilíbrio, ela se move em um segmento de arco de circunferência de comprimento s e raio L, conforme mostra a figura abaixo (figura 1). Figura 1 Representação esquemática de um pêndulo simples UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA CURSO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO FÍSICA EXPERIMENTAL II – UFSM00028 Posição de equilíbrio Fg Como mostra a figura acima, o movimento oscilatório do pêndulo decorre das forças que atuam no sistema: o peso (Fg) e a tensão no fio T. Utilizando relações trigonométricas, decompondo a força peso teremos: cos (θ)= 𝐹𝑔𝑦 𝐹𝑔 => Fgy = Fg . cos(θ) sen (θ)= 𝐹𝑔𝑥 𝐹𝑔 => Fgx = Fg . sen(θ) Na direção do movimento, atuará a força restauradora, tangencial ao arco de deslocamento percorrido. Sendo o somatório das forças igual a componente horizontal do peso, ou seja, -m.g.sen θ. Utilizando a 2° Lei de Newton teremos: ∑Ft = m.at -Fg.sen(θ) = m.at -m.g.sen(θ) = m.at (simplificando a massa, que se encontra nos dois lados) -g.sen(θ) = 𝑑2𝑠 𝑑𝑡2 Sabendo que o comprimento do arco é s= θL, encontramos: -g.sen(θ) = 𝑑2(θL) 𝑑𝑡2 -g.sen(θ) = L 𝑑2(θ) 𝑑𝑡2 (1) Para simplificarmos a equação (1), consideramos que quando o ângulo θ é pequeno, a trajetória é praticamente retilínea, paralela ao eixo horizontal x. Por isso, realizamos uma aproximação em que sen(θ)≈ θ. Com essa aproximação, a equação (1) é reescrita na forma: -g. θ= L 𝑑2(θ) 𝑑𝑡2 𝑑2(θ) 𝑑𝑡2 = −𝑔 𝐿 . θ Definindo, w² = 𝑔 𝑙 e usando o cálculo diferencial teremos 𝑑2(θ) 𝑑𝑡2 = -w².θ, cuja solução é: θ= θ0. cos (wt+δ). Sabendo que o período de oscilação corresponde ao intervalo de tempo para que a partícula realize uma oscilação completa, teremos que T= 2π 𝑤 = 2π√ 𝐿 𝑔 . Ou seja, no pêndulo Figura 2 Decomposição Fg simples, e com a aproximação para pequenas amplitudes, o período T depende apenas do comprimento L do fio e do módulo da aceleração da gravidade g. Dito isso, com base nos conceitos básicos sobre oscilações e as equações encontradas, realizamos o nosso experimento com o objetivo de analisar o comportamento do movimento de um pêndulo simples, coletando dados para encontrar o período de oscilação, estimar o valor da aceleração da gravidade e construir de gráficos. 2 DESENVOLVIMENTO 2.1 – Materiais utilizados Para realização do experimento foram utilizados: Esfera de massa m; Fio inextensível; Tripé Universal ( marca Cidepe); Transferidor; Trena; Cronômetro digital do celular. 2.2- Descrição do experimento Para realização do experimento, foram seguidos os seguintes passos: a) Definir o comprimento de L, fazendo a medição com uma trena; b) Ao deslocar o pêndulo de um ângulo pequeno, medir o período de oscilação. Para isso, cronometrar o intervalo de tempo correspondente a 10 oscilações, dividindo o tempo total por 10. Isso deve ser feito para minimizar erros sistemáticos decorrentes do fato que o período a ser medido é muito pequeno. Repetir o procedimento 5 vezes, calculando o tempo médio. c) Fixar mais 9 comprimentos de L, repetindo os passos acima. Inserir todos os dados coletados na tabela disponibilizada pela professora. d) Construção, através do software Excel, de um gráfico relacionando o período médio (segundos) em função do comprimento L (metros). e) Através do software Excel, construir um gráfico relacionando o período médio ao quadrado (segundos) em função do comprimento L (metros). Através da análise deste gráfico, determinar a razão ∆(𝑇2) ∆𝐿 (coeficiente angular) para 5 combinações diferentes, calculando o valor de g a partir da equação: g = 4𝜋² ∆𝐿 ∆(𝑇2) 3- DISCUSSÃO Através do experimento foram coletados os seguintes dados: Tabela 1 – Dados experimentais coletados A partir dos dados acima foram obtidos os seguintes gráficos: Figura 3 – Gráfico do T médio versus L (comprimento) Fonte: elaborado pelo autor L (m) T1(s) T2(s) T3(s) T4(s) T5(s) Tméd T²méd g(m/s²) 0,58 1,47 1,46 1,44 1,47 1,44 1,45 2,12 10,81 0,55 1,50 1,41 1,44 1,42 1,43 1,44 2,07 10,50 0,44 1,19 1,24 1,20 1,31 1,12 1,21 1,47 11,81 0,29 1,07 1,00 1,03 1,03 1,07 1,04 1,08 10,59 0,28 1,03 1,00 1,01 1,02 1,02 1,01 1,03 10,74 0,25 0,94 0,92 0,94 0,96 0,96 0,94 0,89 11,08 0,16 0,75 0,76 0,72 0,74 0,78 0,75 0,56 11,18 0,14 0,70 0,75 0,68 0,70 0,70 0,70 0,50 11,14 0,09 0,55 0,55 0,55 0,55 0,55 0,55 0,30 11,83 0,06 0,49 0,47 0,50 0,52 0,54 0,50 0,25 9,32 0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2 1,4 1,6 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 L(m) Tméd (s) Figura 4 – Gráfico do T² médio versus L (comprimento) Fonte: elaborado pelo autor Através do coeficiente angular, do gráfico da figura 4, foi determinado a gravidade conforme a tabela abaixo: Tabela 2 – Dados calculados L(M) ΔT²méd ΔL g(m/s²) 0,55 e 0,54 0,6 0,11 7,230373 0,29 e 0,28 0,05 0,01 7,88768 0,28 e 0,25 0,14 0,03 8,451085714 0,25 e 0,16 0,33 0,09 10,75592727 0,14 e 0,09 0,2 0,05 9,8596 Comparando os diferentes valores para a aceleração da gravidade, teremos: Tabela 3 – Comparação de dados g teórico g através da primeira fórmula g pelo coef. angular 9,81 m/s² 10,81 m/s² 7,230373 m/s² 10,50 m/s² 7,88768 m/s² 11,81 m/s² 8,451085714 m/s² 10,59 m/s² 10,75592727 m/s² 10,74 m/s² 9,8596 m/s² 11,08 m/s² 11,18 m/s² 11,14 m/s² 11,83 m/s² 9,32 m/s² 0 0,5 1 1,5 2 2,5 0,06 0,09 0,14 0,16 0,25 0,28 0,29 0,44 0,55 0,58 L(m) T²méd (s) Através do primeiro método para calcular obtivemos uma média de g =10,94 m/s², valor superior ao valor teórico, não tão próximo como esperávamos. Já através do método utilizando o coeficiente angular de 5 combinações de comprimento, obtivemos uma média de valor mais distante ainda e inferior ao teórico, de g = 8,45m/s². Desta forma, o experimento não foi tão certeiro para validar os conceitos teóricos, devido a erros cometidos que prejudicaram as análises. Esses erros podem estar atrelados à medição do comprimento, devido à dificuldade de medir com uma trena na posição que o pêndulo se encontrava, a cronometragem do tempo, pois a mesma depende do tempo de reação do indivíduo que está realizando, que tende a variar. Além da falta de um ambiente controlado, já que no laboratório não garantimos a inexistência do atrito com o ar, e ainda estávamos com o ar condicionado ligado, gerando correntes de ar que podem ter influenciado no tempo. Também podemos perceber que de acordo com os valores encontrados através do primeiro método, um dos valores que mais destoa dos demais, é o do menor comprimento L, uma vez que o período de oscilação é menor, dificultando a medição correta. Por meio da análise do gráfico relacionando o período com o comprimento do fio, podemos concluir visualmente que quanto maior for o comprimento L, maior será o período da oscilação, bem conforme a equação do período de um pêndulo descreve. Além disso, através da equação nota-se que T depende apenas do comprimento e da aceleração da gravidade, ou seja, a variação da massa do pêndulo nesses casos, não gera uma diferença significativa no período. Quanto ao ângulo θ, podemos verificar que realmente se o mesmo é pequeno, variandoentre 0 a 12° conforme fizemos no nosso experimento, a aproximação em que sen(θ)≈ θ é válida. Mesmo com certa diferença entre o valor teórico e os valores de g experimental, podemos dizer que o experimento de maneira geral possibilita a obtenção de um valor aproximado do valor teórico, desde que realizado com maior minimização de erros. Através dele podemos concluir que realmente o pêndulo simples descreve um MHS (para ângulos pequenos), seguindo as mesmas equações. Com ele pudemos visualizar um movimento oscilatório, em que o corpo em movimento sempre volta para sua posição de equilíbrio, mantendo certa periodicidade. Ou seja, o experimento do pêndulo simples é muito interessante, pois o mesmo proporciona um ótimo entendimento sobre o Movimento Harmônico Simples, suas fórmulas e seu funcionamento. 4 REFERÊNCIAS LIVROS David Halliday, Robert Resnick e Jearl Walker, Fundamentos de Física – vol. 2 (Gravitação, Ondas e Termodinâmica), 9ª. Edição (2011) Editora LTC. SOFTWARES Microsoft Office Excel 2010