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CENTRO UNIVERSITÁRIO NATALENSE CURSO DE ENGENHARIA CIVIL INTERAÇÃO SOLO-ESTRUTURA: UMA ABORDAGEM NO DESEMPENHO ESTRUTURAL DE FUNDAÇÕES PARA UM EDIFICIO RESIDENCIAL SOIL-STRUCTURE INTERACTION: AN APPROACH TO THE STRUCTURAL PERFORMANCE OF FOUNDATIONS FOR A RESIDENTIAL BUILDING INTERACCIÓN SUELO-ESTRUCTURA: UNA APROXIMACIÓN AL DESEMPEÑO ESTRUCTURAL DE CIMENTACIONES PARA UN EDIFICIO RESIDENCIAL JOSÉ EMILIO PAIVA DA NÓBREGA NATAL-RN 2023 JOSÉ EMÍLIO PAIVA DA NÓBREGA INTERAÇÃO SOLO-ESTRUTURA: UMA ABORDAGEM NO DESEMPENHO ESTRUTURAL DE FUNDAÇÕES PARA UM EDIFICIO RESIDENCIAL Trabalho de Conclusão de Curso de Engenharia Civil do Centro Universitário Natalense - UNICEUNA, como requisito parcial para a obtenção do título de Engenheiro Civil. Orientador: Daniel Borba NATAL-RN 2023 3 Centro Universitário Natalense – UNICEUNA Ficha catalográfica Elaborado por Kaliane Eveny Martins de Oliveira CRB15/986 – PB/RN N754i Nóbrega, José Emilio Paiva da. Interação solo-estrutura: Uma abordagem no desempenho estrutural de fundações para um edifício residencial / José Emilio Paiva da Nóbrega. – Natal, 2023. 62 f. : il. color Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Engenharia Civil) apresentado ao Centro Universitário Natalense, UNICEUNA, Natal, 2023. Orientador: Prof. Esp. Eng. Civil Daniel Carlos de Macêdo Borba. Coorientador: Prof. Elio Pessoa Cazuza 1. Engenharia Geotécnica- TCC. 2. Ensaio de solo- TCC. 3. Sistemas prediais- TCC. 4. BIM- TCC. I. Borba, Daniel Carlos de Macêdo. II. Cazuza, Elio Pessoa. III. Título. CDU 340 4 JOSÉ EMÍLIO PAIVA DA NÓBREGA INTERAÇÃO SOLO-ESTRUTURA: UMA ABORDAGEM NO DESEMPENHO ESTRUTURAL DE FUNDAÇÕES PARA UM EDIFICIO RESIDENCIAL Trabalho de Conclusão de Curso de Engenharia Civil do Centro Universitário Natalense - UNICEUNA, como requisito parcial para a obtenção do título de Engenheiro civil. Aprovada em: 26 / 01 / 2024 BANCA EXAMINADORA _______________________________________________________________ Prof. Daniel Borba (Orientador) – UNICEUNA _______________________________________________________________ Prof. José Pedro (Avaliador) – UNICEUNA ______________________________________________________________ Prof. Elio Cazuza (Avaliador) – UNICEUNA 5 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO......................................................................................................... 10 2 OBJETIVO GERAL ................................................................................................ 12 3 METODOLOGIA.....................................................................................................13 4 REFERENCIAL TEÓRICO ..................................................................................13 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO.............................................................................41 6 CONCLUSÕES.........................................................................................................57 7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................... 59 6 LISTA DE FIGURAS Figura 1 Mapa topográfico Rio Grande do Norte ........................................................................ 13 Figura 2 Localização macro no Estado do Rio Grande do Norte ................................................ 14 Figura 3 Detalhe dos municípios que integram a região metropolitana de Natal ...................... 15 Figura 4 Mapa do relevo na região de Macaíba com setorização em 4 quadrantes dos tipos de solo predominantes. ................................................................................................................... 16 Figura 5 Bulbo de tensões provocado por pressão vertical das partes de uma edificação sendo transmitido ao subsolo. ............................................................................................................... 16 Figura 6 Abertura de vala 1x1m apresentando 27cm de camada inicial .................................... 18 Figura 7 Aparelho de investigação do solo 'SPT' ......................................................................... 18 Figura 8 Coletor provisório para amostra de solo no local 1. ..................................................... 20 Figura 9 Operação da sondagem rotativa por trado manual ...................................................... 20 Figura 10 Trados manuais mais utilizados; Em A, cavadeira; Em B, espiral ou torcido; Em C, helicoidal ..................................................................................................................................... 20 Figura 11 Taquímetro de ponteiro para determinação do atrito entre solo e amostrador ....... 21 Figura 12 Cone eletrônico atual (CPTu)....................................................................................... 21 Figura 13 Cone elétrico penetrômetro (CPT) .............................................................................. 22 Figura 14 Exemplo de resultados do CPTu .................................................................................. 22 Figura 15 Método para ensaio do pressiômetro ......................................................................... 23 Figura 16 Equipamento 'dilatômetro de marchetti' ................................................................... 24 Figura 17 Método para ensaio 'dilatométrico' ............................................................................ 24 Figura 18 Equipamento 'Panda 2' para medir a velocidade de impactos ................................... 25 Figura 19 Método para ensaio 'Panda 2'..................................................................................... 25 Figura 20 Cravação do penetrômetro 'Panda 2' ......................................................................... 26 Figura 21 Massa da haste penetrômetro .................................................................................... 27 Figura 22 Bloco residencial 'A' construído .................................................................................. 29 Figura 23 Simulação 01 dos blocos 'A' e 'B' ................................................................................. 29 Figura 24 Simulação 02 dos blocos 'A' e 'B' ................................................................................. 29 Figura 25 Local de implantação do bloco 'B' ............................................................................... 30 Figura 26 Blocos A e B executados .............................................................................................. 30 Figura 27 Ampliação para bloco ‘C’ ............................................................................................. 30 Figura 28 Planta de implantação com os pontos geotécnicos ensaiados ................................... 31 Figura 29 Pórtico estrutural do bloco ‘C’ .................................................................................... 32 Figura 30 Planta de fundações do Bloco C .................................................................................. 33 Figura 31 Pórtico com deslocamentos limite bloco ‘C’ ............................................................... 34 Figura 32 Teste pressiometrico durante amostra de solo 01 ..................................................... 35 Figura 33 Furo PMT 1 na amostra de solo 03. ............................................................................ 37 Figura 34 Furo Spt 1 realizado pela empresa 'A' ......................................................................... 38 Figura 35 Furo Spt 2 realizado pela empresa 'B'......................................................................... 38 Figura 36 Colocação da haste percussão no tubo amostrador SPT ............................................ 39 Figura 37 Contagem de golpes com martelo 65kg no ensaio SPT .............................................. 39 Figura 38 Amostras de solo coletados em recipientes específicos. ............................................ 39 Figura 39 Verificação de massas em balança comercial ............................................................. 39 Figura 40 Forno para secagem durante 24h e temperatura 100° C ........................................... 40 Figura 41 Bandejas de granulometria do solo seco e peneirador............................................... 40 Figura 42 Aparelho de casagrande com amostra do solo n° 02. ................................................. 41 Figura 43 Níveis de resistência e amostras de solo ..................................................................... 41 7 Figura 44 Detalhe de seção do maciço sólido e porosidade ....................................................... 43 Figura 45 Zoneamento do bulbo de tensões na sapata .............................................................. 44 Figura 46 Planta de fundações do bloco 'B' ................................................................................ 46 Figura 47 Pórtico original do bloco 'b' ........................................................................................ 47 Figura 48 Pórtico estrutural dos blocos A, B e C. ........................................................................ 48 Figura 49 Dimensionamento das estacas usando o método das bielas ..................................... 50 Figura 50 Detalhe de bloco sobre duas estacas .......................................................................... 50 Figura 51 Pasta virtual para coordenação de projetos ............................................................... 51 Figura 52 Relatório de conflitos do modelo federado ................................................................ 52 Figura 53 Custo de fundações diretas entre os blocos residenciais ........................................... 54 Figura 54 Custo entre fundação e estaca .................................................................................... 55 Figura 55 Cronograma da obra em 12 meses ............................................................................. 56 LISTA DE QUADROS Quadro 1 Relação de desperdícios mais comuns sobre cada etapa de obra .............................. 10 Quadro 2 Métodos para investigação geotécnica ...................................................................... 17 Quadro 3 Categorias da estrutura para aplicação geotécnica .................................................... 17 Quadro 4 Programação do número de sondagens SPT .............................................................. 19 Quadro 5 Estados de compacidade e consistência. .................................................................... 19 Quadro 6 Comparativo de utilização entre ensaios de solo ....................................................... 27 Quadro 7 Fatores de segurança conforme Wright [1969] .......................................................... 28 Quadro 8 Correlação entre método Terzaghi e Panda ............................................................... 43 Quadro 9 Velocidade dos ventos no pórtico 'bloco c' ................................................................ 49 Quadro 10 Curva ABC por etapas de obra .................................................................................. 55 Quadro 11 Prazo de obra entre dois sistemas construtivos ....................................................... 56 LISTA DE TABELAS Tabela 1 Carga solicitada de fundações do bloco ‘C’ .................................................................. 32 Tabela 2 Entrada de dados para cálculo 'gama z' ....................................................................... 34 Tabela 3 Índices físicos dos solos amostrados ............................................................................ 40 Tabela 4 Limites de atteberg e índice de consistência ................................................................ 41 Tabela 5 Níveis de resistência ensaiados .................................................................................... 42 Tabela 6 Tensão total (kpa) por amostras de solo ...................................................................... 42 Tabela 7 Comparativo de tensões parciais entre camadas de solo ............................................ 43 Tabela 8 Correlações usando métodos semiempíricos ............................................................... 45 Tabela 9 Dados de fundações do bloco ‘B’ ................................................................................. 46 Tabela 10 Otimização de sapatas do ‘bloco b’ ............................................................................ 47 Tabela 11 Tensão de ruptura usando método teórico ............................................................... 47 Tabela 12 Otimização de sapatas no modelo ‘bloco c’ ............................................................... 48 Tabela 13 Resistência admissível na estaca ................................................................................ 49 Tabela 14 Cálculo geotécnico adotado para estacas .................................................................. 49 Tabela 15 Orçamento preliminar do avaliando .......................................................................... 53 Tabela 16 Custo global para execução do bloco 'C' .................................................................... 53 8 INTERAÇÃO SOLO-ESTRUTURA: UMA ABORDAGEM NO DESEMPENHO ESTRUTURAL DE FUNDAÇÕES PARA UM EDIFICIO RESIDENCIAL SOIL-STRUCTURE INTERACTION: AN APPROACH TO THE STRUCTURAL PERFORMANCE OF FOUNDATIONS FOR A RESIDENTIAL BUILDING INTERACCIÓN SUELO-ESTRUCTURA: UNA APROXIMACIÓN AL DESEMPEÑO ESTRUCTURAL DE CIMENTACIONES PARA UN EDIFICIO RESIDENCIAL José Emílio Paiva da NÓBREGA1 Daniel BORBA2 RESUMO Este trabalho visa apresentar uma abordagem no levantamento de solos para aplicação no estudo de caso direto em um edifício residencial múltiplo-andares, na qual está situado no município de Macaíba-RN. De que maneira o solo interage nas condições de resistência de uma fundação, bem como no seu tipo a ser adotado pelo engenheiro responsável? As hipóteses para resolução deste problema foram realizadas por meio da análise de modelos geométricos utilizando parametrização BIM dos sistemas prediais envolvidos, além das cinco dimensões existentes por esta tecnologia de modelagem digital. Esta pesquisa tem caráter exploratório com objetivo verificar um método alternativo de compressão manual para o ensaio de solos para utilização em pequenas construções, tendo em vista que a prática geotécnica neste segmento é pouco lembrada e com intuito de subsidiar a viabilidade econômico-financeira global da obra. A metodologia buscou o levantamento de literatura publicada com a fundamentação de outros autores sobre o tema da engenharia geotécnica e as formas de ensaio mais comuns no mercado. Os resultados apresentaram o desempenho econômico com dois cenários de fundações dimensionadas, assim a conclusão demonstrou as possíveis interferências desses elementos com os sistemas prediais, cuja aparição possivelmente iria ocorrer durante a execução das etapas no canteiro de obra. Palavras-chaves: Engenharia geotécnica; Ensaio de solo; BIM. 1 Autor do trabalho, email: emilioarq@live.com 2 Professor orientador 9 ABSTRACT This work aims to present a soil survey approach for its application in the direct case study in a multi-story residential building, located in the municipality of Macaíba-RN. How does the soil interact in the resistance conditionsof a foundation, as well as in its type to be adopted by the responsible engineer? The hypotheses for the solution of this problem were carried out through the analysis of geometric models through BIM parameterization of the construction systems involved, in addition to the five existing dimensions by this digital modeling technology. This research is exploratory in nature with the objective of verifying an alternative method of manual compression for soil testing for use in small constructions, considering that the geotechnical practice in this segment is little remembered and with the intention of subsidizing global economic and financial viability. of the work The methodology sought to relieve the published literature based on other authors on the subject of geotechnical engineering and the most common forms of testing in the market. The results showed the economic performance with two dimensioned foundation scenarios, so the conclusion demonstrated the possible interference of these elements with the construction systems, whose appearance would possibly occur during the execution of steps on the construction site. Keywords: Geotechnical engineering; Soil test; BIM. RESUMEN Este trabajo tiene como objetivo presentar un enfoque de levantamiento de suelos para su aplicación en el estudio de caso directo en un edificio residencial de varios pisos, ubicado en el municipio de Macaíba-RN. ¿Cómo interactúa el suelo en las condiciones de resistencia de una cimentación, así como en su tipo a adoptar por el ingeniero responsable? Las hipótesis para la solución de este problema se llevaron a cabo mediante el análisis de modelos geométricos mediante parametrización BIM de los sistemas constructivos involucrados, además de las cinco dimensiones existentes por esta tecnología de modelado digital. Esta investigación es de carácter exploratorio con el objetivo de verificar un método alternativo de compresión manual para ensayos de suelos para uso en pequeñas construcciones, considerando que la práctica geotécnica en este segmento es poco recordada y con la intención de subsidiar la viabilidad económica y financiera global. del trabajo La metodología buscó relevar la literatura publicada en base a otros autores sobre el tema de la ingeniería geotécnica y las formas de ensayo más comunes en el mercado. Los resultados mostraron el desempeño económico con escenarios de cimentación bidimensionales, por lo que la conclusión demostró la posible interferencia de estos elementos con los sistemas constructivos, cuya aparición posiblemente ocurriría durante la ejecución de pasos en el sitio de construcción. Palabras-clave: Ingeniería geotécnica; Ensayo en solitario; BIM. 10 1. INTRODUÇÃO “A preocupação com a qualificação profissional, tecnologia operacional, treinamento, especialização, automação, qualidade e organização dos materiais e componentes nunca foi a principal prioridade. O setor da construção civil, em especial o subsetor de edificações, sempre apresentou sérios problemas com perdas, desperdícios, prazos, produtividade e qualidade, problemas relacionados, [...], com a administração da cadeia de suprimentos (cadeia produtiva).” VIEIRA [2006] Para exemplificar este ciclo de altos e baixos gerado pelos pequenos empreendedores, que por sua vez dispõem de pouca informação no canteiro de obras, (controle de materiais, aquisição de insumos, gestão dos resíduos, etc), são atraídos pela crescente oferta para comercialização das habitações de pequeno porte, em geral com até dois pavimentos. Esta assessoria incompleta por parte de uma participação multidisciplinar favorece como um dos fatores ao desperdício, conforme elencado anteriormente. A mão-de-obra contratada normalmente é sob regime de administração direta e a figura do legalizador de obra não é tão assíduo como deveria ser. Este por sua vez, desempenhando parcialmente a função de coordenador da documentação básica necessária para licenciamento do alvará de obras municipal, cujo escopo de itens no Estado do Rio Grande do Norte, não menciona os fatores geotécnicos e estruturais para usos enquadrados por ‘residencia unifamiliar e multifamiliar’, ou seja, são requisitados em geral os projetos de Arquitetura, Prevenção e Combate a incêndios, Esgotamento sanitário e Drenagem de águas pluviais. YAZIGI [2007] "[...] tenta-se determinar as origens dos desperdícios possíveis, bem como o percentual sobre cada etapa construtiva, em uma obra com controle de qualidade ruim, bom ou rigoroso, de conformidade com o quadro a seguir". Etapa construtiva % de desperdício sobre cada etapa com controle Ruim Bom Rigoroso Infra/Superestrutura 8 5 3 Vedação 30 20 10 Forros 20 10 5 Revestimentos 31,5 21 10,5 Piso interno 26,25 17,5 8,75 Quadro 1 Relação de desperdícios mais comuns sobre cada etapa de obra FONTE: YAZIGI [2007] adaptado AUTOR [2023] As maiores perdas apontadas pelo quadro acima são refletidas pela falta dos projetos de engenharia nos casos enquadrados por ‘unifamiliar’ nas residências de baixo padrão. Verifica-se forte elevação de desperdícios a partir do segundo mês da execução, onde ocorre cruzamentos na aquisição dos insumos de curto e médio prazo para estocagem no 11 canteiro, ou durante sua montagem e necessidade de adaptações em virtude das falhas de coordenação entre sistemas prediais, por exemplo as análises pontuais entre ‘Alvenaria e Estrutura’, ‘Estrutura e Instalações, ‘Arquitetura e Instalações’. Na fase de revestimentos ocorre o pico máximo de fornecedores e operários trabalhando em segmentos paralelos para acompanhar a linha de produção, a necessidade de quebra dos materiais já instalados, também implica em desequilíbrio financeiro para nova reposição daquele setor. Tal fato é justificado pela habilidade técnica do gestor de obras, na qual não detém a formação em engenharia civil e carece de outras informações para avaliar o equilíbrio entre o risco assumido pelo contrato firmado com o cliente consumidor, em relação ao modo como ele irá minimizar os impactos gerados durante a logística de produção dos imóveis residenciais, na qual deve obedecer a um sequencial de normativos no tramite em atendimento da legislação urbanístico e ambiental. YAZIGI [2007] reforça que "Na etapa de projeto habitacional, dispõe-se hoje no País de uma documentação técnica que mesmo não contemplado todos os aspectos [...], de infraestrutura e das edificações, fornece uma base mínima para elaboração [...]" A fase de planejamento e projetos inicia o primeiro contato com a obra que será erguida, buscando racionalidade no consumo de materiais e melhor tempo possível para o cumprimento do cronograma físico-financeiro. Após o término da obra, a benfeitoria no antigo terreno traz nova especulação imobiliária, cujo cenário de valorização passa atuar com mais evidencia entorno das zonas de expansão (periferia) das cidades, consequentemente gera a repetição do ciclo para outras conexões entre o público consumidor e investidores. Nesse momento será fundamental o bom desempenho da edificação, visando oferecer boas condições de segurança, conforto, estabilidade e vida útil mínima ao futuro morador. Nesse sentido, de acordo com a Lei n° 10.257/2001 que trata do Estatuto das cidades, onde estabelece as principais diretrizes para gestão urbana e seu uso-ocupação do solo construído mostra que "[...] VI – ordenação e controle do uso do solo, de forma a evitar: a) a utilização inadequada dos imóveis urbanos; b) a proximidade de usos incompatíveis ou inconvenientes; c) o parcelamento do solo, a edificação ou o uso excessivos ou inadequados em relação à infraestrutura urbana; d) a instalação de empreendimentos ou atividades que possam funcionar como polos geradores de tráfego, sem a previsão da infraestrutura correspondente; e) a retenção especulativa de imóvel urbano, que resulte nasua subutilização ou não utilização; f) a deterioração das áreas urbanizadas; g) a poluição e a degradação ambiental; [...]" BRASIL [2001]. A ausência de contratação dos projetos 12 completos de engenharia tem sido pratica bastante recorrente e colabora no aumento dos impactos ambientais para aquela centralidade urbana, como por exemplo o desperdício de materiais de obra, geração dos resíduos e descarte inadequado, logística comprometida na vizinhança, formação das ilhas de calor, etc. demonstram forte apelo técnico e exigem cada vez mais multidisciplinaridade dos profissionais para exercer um trabalho de qualidade sem a preocupação de retrabalhos em assistência técnica e garantias legais ao público consumidor, face a insegurança jurídica predominante na fase do pós-venda. Assim, este trabalho pretende apresentar um estudo de caso direto sobre a viabilização de execução das fundações em um edifício multifamiliar, evidenciando o comparativo as diferentes estratégias para otimização da estrutura por meio do método alternativo de investigação geotécnica, denominado ‘PANDA 2’ e como podemos aproveitar os resultados de tensão do solo obtidos nos trechos de carregamento da superestrutura para dimensionar as fundações, além da tomada de decisões sobre o tipo de fundação que será adotado. O conjunto do imóvel é formado em três blocos distintos, sendo dois já existente no local, na qual situado no centro do município de Macaíba. Pretende-se também abordar sobre o planejamento dos projetos de engenharia e suas particularidades para vencer os desafios da obra e de que maneira se deu a evolução do partido arquitetônico projetado. A realização da pesquisa ficou enquadrada em duas etapas, onde a primeira aborda a ciência da mecânica dos solos com o levantamento de literatura publicada com os tipos de ensaio existentes; A segunda etapa irá tratar do projeto, coordenação dos sistemas prediais, orçamento e planejamento da obra utilizando a normatização técnica de engenharia, legislação pertinente (urbanístico, ambiental e civil) para fundamentar o exercício profissional na centralidade urbana envolvida. 2. OBJETIVO GERAL Verificar um método alternativo de compressão manual para o ensaio de solos em pequenas construções 2.1. OBJETIVOS ESPECIFICOS Analisar modelos geométricos com utilização de ferramentas BIM digitais; Elaborar cenários de desempenho econômico com dois resultados de fundações dimensionadas; Avaliar a viabilidade econômico-financeira no custo global da obra. 13 3. METODOLOGIA Para realização deste trabalho buscou-se a realização de pesquisas publicadas em domínio público, tais como dissertações, artigos científicos, matérias sobre o tema da geotecnia, literatura física e aplicação de um estudo direto para geração de dados quantitativos e comparação com as normas brasileiras pertinentes. 4. REFERENCIAL TEÓRICO 4.1 GEOMORFOLOGIA POTIGUAR “O conhecimento sobre as características físicas de uma região é importante para entender a dinâmica do ambiente e planejar adequadamente as formas como a sociedade pode utilizar os recursos naturais disponíveis, sem gerar grandes impactos, como a degradação dos solos e da água, por exemplo.” NETO et al [2016] A palavra ‘geomorfologia’ estuda a forma do relevo em uma dada região, "[...] responsável pelo estudo das formas superficiais de relevo, tanto em suas fisionomias atuais quanto em seu processo geológico e histórico de formação e transformação" PENA [s.a] 4.1.2 Formação estadual “O relevo potiguar é dividido em uma extensa planície litorânea que contorna todo o litoral estadual. Além disso, no interior há regiões de planalto, como parte do planalto da Borborema, e também de depressões e chapadas, como a chapada do Apodi.” CAMPOS [s.a] Figura 1 Mapa topográfico Rio Grande do Norte FONTE: TOPOGRAPHIC [2023] adaptado AUTOR [2023] 14 “Com 83% do seu território abaixo dos trezentos metros de altitude, e 60% destes abaixo dos duzentos metros, [...]” WIKIPÉDIA [s.a] apud TOPOGRAPHIC [2023] O mapa da figura acima indica variações na altimetria do relevo potiguar, na qual indica a profundidade média daquela região para escavações de engenharia. Esta é somente uma das análises a serem examinadas, e não confere informações quanto a rigidez e saturação do solo local, por exemplo. Na região do alto oeste “[...] predominam geologias com rochas graníticas, gnáissicas, biotita-gnaisses ricas em minerais de quartzo, feldspatos e biotitas [...]” NETO et al [2016] De acordo com o mapa da figura anterior, a presença de elevações implica um solo com maior resistência em relação as camadas próximas ao nível do mar. Esta, devido à proximidade com umidade apresenta maior saturação e grau de porosidade, tornando o solo menos denso com a presença de vazios (ar) na sua composição. As elevações de altimetria no relevo de uma região são consequência do movimento das placas tectônicas, SOUSA [s.a] aponta que "Os movimentos realizados pelas placas tectônicas ocorrem em virtude das altas temperaturas existentes no interior da Terra [...] A movimentação das placas é lenta, contínua e ocorre no limite entre elas. Esse deslocamento leva bastante tempo e é responsável por diversas transformações e fenômenos que ocorrem na crosta terrestre, como a formação de montanhas e vulcões, terremotos e aglutinação ou separação dos continentes. Os movimentos das placas tectônicas podem ser laterais, de afastamento e de colisão." Vale ressaltar que as evidências sentidas pelas pessoas na superfície são através de vibrações transmitidas por ressonância do subsolo (choque ou deslizamento entre placas), abertura de fissuras e até mesmo fendas em algumas regiões próximas ao pico de influência. 4.1.3 Formação metropolitana De acordo com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE [2023] o município de Macaíba integra a Mesorregião Leste potiguar (figura ao lado); Possui área territorial de 510,092km² sendo 6,42% com área urbanizada. Figura 2 Localização macro no Estado do Rio Grande do Norte FONTE: GOOGLE MAPS [2023] adaptado por AUTOR [2023] 15 O último censo3 publicado de 2010 mostrou uma população de 69.467 habitantes e 19,3% da região possui esgotamento sanitário instalado. Possui distância de 19,3 km ao centro da capital Natal e 10km ao município intermediário, Parnamirim-RN. "O relevo de Macaíba, com altitudes inferiores a cem metros, é constituído pelos tabuleiros costeiros ou planaltos rebaixos [...] Às margens dos rios estão as planícies fluviais, [...] caracterizados pela presença de sedimentos de areia, arenitos e siltito [...]" WIKIPÉDIA [2023] “[...] a primeira diferença entre os solos a se notar é o tamanho dos grãos. A textura de um solo é dada pelo tamanho e distribuição, podendo-se observar partículas de diversos tamanhos. No Brasil, é adotada a divisão proposta pela NBR 6502/95, [...] PINTO [2006] apud SILVA [2019] Figura 3 Detalhe dos municípios que integram a região metropolitana de Natal FONTE: IBGE [2016]; EMPLASA[2018] apud FNEM [s.a] adaptado AUTOR [2023] 3 apud IBGE [2023] 16 Figura 4 Mapa do relevo na região de Macaíba com setorização em 4 quadrantes dos tipos de solo predominantes. FONTE: GOOGLE MAPAS [2023] adaptado AUTOR [2023] Pela figura ao lado, em ‘A’ e ‘D’ ocorre a presença do latossolo, coloração vermelho-amarelo distrófico, profundo e bastante drenado, alto grau de porosidade [...] A oeste estão os solos podzólicos (C), menos drenados. Em B há presença dos planossolos a noroeste e nordeste, [...] pequenas áreas de areia quartzosa e solo indiscriminado de mangue, [...] indicando alto grau de salinidade. WIKIPÉDIA [2023] O terreno escolhido para aplicação prática deste estudo está localizado na região central do município, representado pelo quadrante Nordeste da figura acima,cujo análise visual apresenta características do ‘planossolo’ com mistura heterogênea entre areia e silte. “O Planossolo possui forte perda de argila na parte superficial e concentração intensa de argila no horizonte subsuperficial.” SILVA [2019] 4.2 INVESTIGAÇÃO GEOTÉCNICA “[...] conhecer o solo no qual se está construindo é essencial, sendo possível prever seu comportamento e garantir a segurança da obra. A investigação (ou prospecção) do subsolo tem como principais objetivos: Identificação e classificação dos materiais [...] dividindo-os em camadas de espessuras determinadas; Determinação das propriedades do solo através de ensaios de campo e laboratório; Posição do nível d´agua; Posição da rocha (impenetrável) [...]” SILVA [2019] A rigidez do solo irá definir o tipo de fundação adotada ou a união entre dois tipos. A figura ao lado apresenta sapatas isoladas recebendo o carregamento vertical de um pórtico com 04 pavimentos. Figura 5 Bulbo de tensões provocado por pressão vertical das partes de uma edificação sendo transmitido ao subsolo. FONTE: GUSMÃO4 [s.a] 17 SILVA [2019] aponta ainda que existem métodos para investigação do solo, alguns em menor uso na engenharia ou pouco conhecidos em função das particularidades locais. Método 01 Método 02 Método 03 Adotar alto fator de segurança Utilizar práticas regionais Executar sondagem detalhada Quadro 2 Métodos para investigação geotécnica Fonte: PECK [1969] apud SCHNAID et al [2012] adaptado AUTOR [2023] O quadro acima sugere a indicação de três critérios comumente adotados pelo projetista da estrutura, na qual duas delas refere-se a ausência de detalhamentos por sondagem penetrante. Esta decisão deve ser acompanhada pela equipe envolvida com outras interpretações acompanhada de modelo analítico. SCHNAID et al [2012] “O planejamento de uma campanha de investigação geotécnica deve ser, portanto, concebido por engenheiro geotécnico experiente, que possa ponderar os custos e as características da obra com base nas complexidades geológicas do local." Categoria I Categoria II Categoria III estruturas simples e de pequeno porte, nas quais o projeto é baseado em experiência e investigação geotécnica qualitativa estruturas convencionais que não envolvem riscos excepcionais estruturas de grande porte associadas a risco elevado, [...], cargas elevadas e eventos sísmicos, entre outros fatores Quadro 3 Categorias da estrutura para aplicação geotécnica Fonte: SCHNAID et al [2012] adaptado AUTOR [2023] O quadro anterior mostra que uma estrutura é classificada em função da sua complexidade para distribuição da capacidade de cargas nas fundações. Os riscos envolvidos podem ser exemplificados pela topografia (declive, proximidade com mananciais, recalque ocasionado por sobreposição do bulbo de pressão), pelo pórtico formado e condições estáticas envolvidas. Nesse sentido, uma residência pode ser enquadrada como pequeno porte ou risco elevado na sua concepção. 4.2.1 Método direto Permitem a observação direta e/ou coleta de amostras do solo, através da abertura de Poços, trincheiras, sondagem a percussão (SPT), sondagem rotativa e sondagem mista. SILVA [2019] 18 4.2.1.1 Poços ou trincheiras Figura 6 Abertura de vala 1x1m apresentando 27cm de camada inicial FONTE: AUTOR [2023] A simples abertura de valas facilita a estratigrafia das camadas de solo e propor um simples reconhecimento dos tipos envolvidos naquela seção alterada. Segundo a NBR 9604 [2016] apud SILVA [2019] “Abertura de poço ou trincheira de inspeção em solo, com retirada de amostras deformadas ou indeformadas, enquanto os poços apresentam seção circular ou quadrada, as trincheiras escavadas por uma linha [...] para que se obtenha uma exposição contínua do terreno”. A escavação de trincheiras em linha pode ser vista durante o preparo de baldrame, ou em aberturas verticais para o preparo de cisternas, tanques sépticos. 4.2.1.2 Sondagem percussão (SPT) “Regida pela NBR 6484 [2020] as sondagens à percussão de simples reconhecimento com SPT, é a técnica mais aplicada no Brasil. Consiste na perfuração do solo pela cravação dinâmica do amostrador-padrão [...] mede sua resistência à penetração através da contagem do número de golpes necessário para cravação do amostrador por um peso de 65 kg que cai em queda livre de uma altura de 75cm. [...] Inicia-se a operação perfurando o primeiro metro com trado. [...] registrando o numero de golpes necessários para cravação de 15cm, em três segmentos, totalizando 45cm. Feito isso, avança-se ao segundo metro com trado até atingir o nível d´agua ou até não ser possível prosseguir manualmente.” SILVA [p.100-101; 2019] Figura 7 Aparelho de investigação do solo 'SPT' FONTE: PENNA [2017] “[...] a cravação do marcador pode ser interrompida antes dos 45cm, quando: Em um dos 15cm se obtiver mais que 30 golpes; Se chegar 50 golpes durante toda cravação; Não se 19 obtiver avanço durante a aplicação de cinco golpes sucessivos do martelo.” ABNT NBR 6484- item 6.3.12 apud SILVA [2019] A quantidade de furos para sondagem a percussão varia em função da área de projeção do edifício projetado. Área de projeção da edificação (m²) Numero mínimo de sondagens (NBR 8036) Outras recomendações Até 200 2 - Entre 200 e 600 3 - Entre 600 e 800 4 - Entre 800 e 1000 5 - Entre 1000 e 1200 6 - Entre 1200 a 1600 7 - Entre 1600 e 2000 8 - Entre 2000 e 2400 9 - Entre 2400 e 5000 - 12 Entre 5000 e 10.000 - De 12 a 20 Acima de 10.000 - 1 para cada 500m² Quadro 4 Programação do número de sondagens SPT FONTE: ABNT NBR 8036 [1983] apud PENNA [2017] A partir do número de golpes feito pelo amostrador, a tabela 5.2 da NBR 6484 propoe identificar os estados de consistência e compacidade para aquela camada avaliada. Solo Indice de resistência à penetração (N) Designação Areias e siltes arenosos < 4 Fofa (o) 5 a 8 Pouco compacta(o) 9 a 18 Medianamente compacta (o) 19 a 40 Compacta (o) > 40 Muito compacta (o) Argilas e siltes argilosos < 2 Muito mole 3 a 5 Mole 6 a 10 Média 11 a 19 Rija > 19 Dura (o) Quadro 5 Estados de compacidade e consistência. FONTE: anexo A ABNT NBR 6484 apud PENNA [2017] 20 Figura 8 Coletor provisório para amostra de solo no local 1. FONTE: AUTOR [2023] Em cada camada de 15cm é necessário a coleta do solo e anotado a amostragem para posterior analise dos índices físicos em laboratório. A característica do tubo de cravação ser vazio em seu interior, permite essa coleta parcial para analise tátil-visual pelo operador. Os testes em laboratório não devem exceder o período de 24 horas após a coleta, uma vez que os resultados poderão sofrer influência do novo meio em repouso. 4.2.1.3 Sondagem rotativa Esta sondagem é outro tipo de investigação direta, na qual SILVA [2019] “O procedimento de ensaio, chamado ‘manobra’, é realizado através de ciclos de perfuração (movimentos de rotação de uma coroa conectada ao barrilete) e retirada dos testemunhos. A manobra dependerá do tamanho do barrilete, que pode chegar até 5m de comprimento. Figura 9 Operação da sondagem rotativa por trado manual FONTE: MOURA [2016] "Obtêm-se somente informações sobre o tipo do material atravessado, não podendo visualiza-lo como caso da trincheira; coloca-se no chão (coberto com uma lona) o material retirado dos furos de acordo com a profundidade que ele se encontrava" MOURA [2016] "Tem por finalidade a coleta de amostras deformadas, determinação da profundidade de nível d´agua e identificação dos horizontes do terreno [...] São rápidas e baratas, não exige equipamentos e mão de obra especializada; Profundidade limitada [...]" MOURA [2016] Figura 10 Trados manuais mais utilizados; Em A, cavadeira; Em B, espiral ou torcido; Em C, helicoidalFONTE: MOURA [2016] 21 4.2.2 Método semidiretos Permitem a observação direta do solo, porém sem a possibilidade de coleta de amostra, por exemplo, Vane test, CPT, ensaio pressiometrico, ensaio dilatometrico. SILVA [2019] 4.2.2.1 Vane test (VST) “Este ensaio tem como objetivo a determinação da resistência não drenada de argilas moles, medindo-se o torque necessário para fazer girar uma palheta de seção cruciforme cravada no solo. Regulamentado pela NBR 10905 [1989] apud SILVA [2019] Figura 11 Taquímetro de ponteiro para determinação do atrito entre solo e amostrador FONTE: PENNA [2017] “Com o equipamento na posição desejada, a palheta gira é girada a uma velocidade de 6°/min, cisalhando o solo. [...]o tempo entre a cravação da palheta e a realização do ensaio não passe de 5 min, para que ele ocorra sob condição não drenada”. SILVA [2019] 4.2.2.2 Ensaio do cone/ piezocone (CPT) “Também conhecido como ensaio de penetração estática ou pela sigla CPT (cone penetration test), sua normalização no Brasil é dado pela NBR 12069 [1991] O procedimento de execução consiste cravar-se estaticamente no solo uma ponteira cônica de dimensões padronizadas (seção transversal de 10cm² e ângulo da ponta 60°), a uma velocidade de 2cm/s.” SILVA [2019] Figura 12 Cone eletrônico atual (CPTu) FONTE: PENNA [2017] 22 Figura 13 Cone elétrico penetrômetro (CPT) FONTE: PENNA [2017] Segundo SCHNAID et al [2012] apud SILVA [2019] divide-se o ensaio em três modalidades: 1) Cone mecânico: Através da transferência mecânica pelas hastes, mede-se o esforço necessário para cravação da ponta (qc) e o atrito lateral (Fs); 2) Cone elétrico: A resistência de ponta e o atrito lateral são medidos através de uma célula de carga elétricas instaladas na ponteira; 3) Piezocone (CPTu): Além das medidas elétricas, também fornece medidas da poropressão gerada pela cravação do equipamento no solo.” Pela figura ao lado, a equação indica: Fs= atrito lateral; ub=poropressão da agua; aN=área liquida; qc=tensão medida na ponta; qt=tensão de ponta corrigida= qc+(1-aN)Ub "Diferentemente do SPT, no CPT/CPTu os registros são realizados continuamente, além de descartar o problema da mão de obra humana na medição dos resultados, o que reduz a possibilidade de erros. É necessário, portanto, pessoal treinado para execução do ensaio [...]" SILVA [2019] Figura 14 Exemplo de resultados do CPTu FONTE: PENNA [2017] “As medidas são coletadas a cada 1,0m pelo aparelho penetrômetro, ou seja, informação de cada parâmetro, por metro. As informações são apresentadas em unidades de pressões (Kpa)" reforça PENNA [2017] 4.2.2.3 Ensaio pressiométrico (PMT) “Aplicável so estudo de comportamento tensão x deformação dos solos, pode ser realizado em três modalidades: em um furo previamente executado, com um equipamento autoperfurante ou com o equipamento cravado no solo” SILVA [2019] 23 Figura 15 Método para ensaio do pressiômetro FONTE: PENNA [2017] De acordo com PENNA [2017] Este ensaio não possui norma brasileira, é regulamentado por norma europeia (ASTM 4719-07) e foi desenvolvido por Louis Ménard na França em 1955, em 1963 ele publica a aplicação direta da capacidade de carga e recalques de fundações. Seu procedimento ocorre: 1) Perfuração com circulação de água interna ao revestimento; 2) Remoção da ferramenta de perfuração; 3) Limpeza interna; 4) Introdução do pressiometro; 5) Execução do ensaio. SCHNAID et al [2012] "O pressiômetro é um ensaio concebido com base nos princípios de expansão de cavidade e, portanto, sua interpretação é baseada em formulações analíticas. O procedimento consiste em medir, em campo, uma curva de pressão versus expansão de cavidade, permitindo, a partir desse registro, a determinação de parâmetros elástico-plásticos do solo. “Este ensaio consiste na expansão de uma sonda cilíndrica no interior do terreno, em profundidades preestabelecidas. Dependendo do modo de inserção do pressiômetro no solo, pode ser classificado como pressiômetro em pré-furo (ou de Ménard), autoperfurante. O ensaio permite a obtenção de propriedades de resistência e tensão-deformação do material.” NBR 6122, item 4.5.6 [ABNT; 2022] 4.2.2.4 Ensaio dilatométrico (DMT) “Neste ensaio, o equipamento é cravado no terreno com interrupções para, em seguida aplicar-se uma pressão pela introdução de gás nitrogênio, na membrana metálica localizada em sua ponteira. O procedimento é realizado até que se atinja um deslocamento máxima de 1,10mm, medindo-se as pressões iniciais e final com equipamentos de alta precisão. É adotada como convenção que as interrupções para realização do ensaio serão feitas a cada 20cm de cravação”. SILVA [2019] 24 Figura 16 Equipamento 'dilatômetro de marchetti' FONTE: PENNA [2017] Desenvolvido em 1975 pelo prof. Silvano Marchetti, segue regulamentado por normas internacionais (ASTM D6635-01 e Eurocode 7). A figura ao lado apresenta em 'A' o detalhe de lâmina e 'B' a unidade de controle. PENNA [2017] Figura 17 Método para ensaio 'dilatométrico' FONTE: PENNA [2017] 4.2.2.5 Ensaio PANDA 2 "A empresa francesa Soil Solution em parceria com laboratório de engenharia civil LERMES/CUST, da Universidade Blaise Pascal de Clermont – Ferrand, foi a responsável pela criação e desenvolvimento do ensaio de penetração dinâmica de cone tipo PANDA 2. Tal ensaio se difere dos penetrômetros usuais, pelo fato do equipamento utilizado ser leve, portátil, possuir um sistema de aquisição automática da energia e profundidade de cravação [...] GOURVÈS [1991] apud AZEVEDO; RODRIGUES; [2014] 25 "[...] o penetrômetro PANDA 2 é capacitado de penetrar em solos com resistências de até 50 MPa, em uma profundidade de aproximadamente 6 m. NAVARRETE [2009] apud AZEVEDO; RODRIGUES [2014] Sua utilização será adaptada para validação das fundações rasas em face aos carregamentos solicitados por edificações até 5 pavimentos sem a necessidade de estaqueamento. Figura 18 Equipamento 'Panda 2' para medir a velocidade de impactos FONTE: AZEVEDO;RODRIGUES[2014] "[...] o instrumento utilizado no ensaio é composto por hastes de cinquenta centímetros (50 cm), com quatorze milímetros (14 mm) de diâmetro que são unidas umas às outras de acordo com a profundidade desejada, um martelo manual de dois quilogramas (2 kg). Também há no equipamento: pontas cônicas de 2, 4 ou 10 centímetros quadrados (cm²), sensor de penetração e central de processamento (microprocessador) para armazenar os dados." CARVALHO JR [2014] apud AZEVEDO; RODRIGUES [2014] Figura 19 Método para ensaio 'Panda 2' FONTE: AZEVEDO; RODRIGUES [2014] “O ensaio PANDA 2 consiste na cravação de um conjunto de hastes, com uma ponteira cônica (ângulo da ponta de 90º) acoplada à base, no interior do solo, sob a energia de batidas de um martelo. Sua particularidade em relação ao anterior, PANDA, está na medição da energia da batida do martelo através da deformação de um sensor.” ANGELIM et al. [2008] apud AZEVEDO; RODRIGUES [2014] "Para cada golpe do martelo, é registrada de maneira contínua a penetração (e) alcançada e a resistência de ponta do solo ( ) associada à energia transmitida e calculada mediante a Fórmula dos Holandeses FERREIRA; QUIRINO; SOARES [2013] apud AZEVEDO; RODRIGUES [2014], conforme a expressão: q= E.(M/Ae'(M+P) 26 Figura 20 Cravação do penetrômetro 'Panda 2' FONTE: RESTREPO [2010] apud AZEVEDO; RODRIGUES [2014] onde, E= energia fornecida ao sistema (em Joules); A=área de seção da ponta (metro quadrado); e'=penetração plástica (metros); M=massa do martelo (quilogramas); P=massa da cabeça + hastes + pontas (quilogramas) AZEVEDO; RODRIGUES [2014] aponta ainda que “Segundo a norma NF P94-105 AFNOR [2012], deve-se garantir que o solo tenha um comportamentoperfeitamente plástico durante a penetração do instrumento. Além disso, o atrito lateral sobre o conjunto de hastes deve ser desprezado.” O gráfico de resultados para este método segue equivalente ao apresentado anteriormente no método ‘CPTu’, tendo o eixo de correlação dado por ‘Resistência do cone penetrante x profundidade em metros’. 4.2.3 Método indireto Neste tipo, suas características são determinadas por métodos geofísicos, como resistividade elétrica ou velocidade de propagação das ondas, por exemplo, ensaio crosshole, GPR, caminhamento elétrico. SILVA [2019] 4.2.4 Resumo entre ensaios De acordo com o exposto anteriormente, dois ensaios chamam a atenção para investigação geotécnica completa, o primeiro pela “[...] representatividade do ensaio 'SPT' é muito grande se considerado as diretrizes da norma brasileira de fundações, NBR 6122. O ensaio atende a coleta de amostras a cada metro de profundidade, permitindo a classificação táctil e visual dos materiais atingidos; identificação do início ao fim de camada de solo, pela observação do material aderido ao trado ou pela observação de água de lavagem; avaliação da profundidade do lençol freático e de eventual artesianismo ou lençol empoeirado; avaliação da consistência e compacidade das argilas ou das areias, respectivamente, pelo número de golpes 'spt', necessários para a cravação do amostrador padrão. PENNA [2017] O segundo pelo ensaio 'CPT' se assemelha ao ‘PANDA 2’, na 27 qual a haste penetrômetro recebe as informações por um display para leitura dos dados e estratigrafia do solo (profundidade x resistência). Ensaio Utilização Norma Brasileira Poços e trincheiras Análise tátil-visual do solo NBR 9604/16 SPT camadas, amostras, nível d’água, compacidade, consistência; NBR 6484/20 CPTu camadas, resistência, deformabilidade, tempo de adensamento; NBR 12069/91 Panda 2 Camadas, resistência, deformabilidade, tempo de adensamento Não DMT camadas, resistência, deformabilidade Não VST resistência, sensibilidade, adensamento NBR 10905/89 PMT resistência e deformabilidade Não Quadro 6 Comparativo de utilização entre ensaios de solo FONTE: PENNA [2017] adaptado AUTOR [2023] Para aplicar os resultados nesta pesquisa, optou-se pela realização do método Panda 2 parcialmente, na qual a metodologia envolveu a remoção dos equipamentos eletrônicos, mudança na geometria do tubo e tramitação dos resultados manual para tabulação dos dados e mais adiante será comparado com método SPT para validação da eficácia de golpes atingida em função de três tipos de solo existente na região metropolitana. A norma 6122 (item 4.3) define como primário os ensaios a percussão, os demais são tidos como complementares para situações especificas de exploração e particularidades do subsolo. A instrumentação utilizada consiste de 01 tubo em aço Ø48mm; haste=1,20m com m=3,2kg; Martelo com m=2kg; 01 enxada para abertura de vala com 1m desprezado; 01 coletor para amostra do solo na 3° camada atingida. A cravação da haste metálica (aço carbono) pode ser ampliada com união rosqueada e permite avançar as camadas de subsolo, contudo limitada até 3m sem a participação do apoio tripé para sua retirada da vala. Figura 21 Massa da haste penetrômetro FONTE: AUTOR [2023] O atrito gerado pela cravação manual da haste, dificulta o seu içamento em função da pressão de solo aderente. 28 4.3 INTERAÇÃO SOLO-ESTRUTURA Segundo NBR 6122 esta interação se refere [ABNT; 2022] “processos de análise estrutural que consideram conjuntamente as deformabilidades das fundações e da superestrutura”. Os blocos de fundação devem ser projetados com distanciamentos adequados a ressonância de ondas dissipadas pela pressão em cada pilar, a profundidade é outro fator para melhoria da rigidez no solo. A adoção dos fatores de segurança implica na majoração da capacidade reativa da superfície enterrada. Para SCHNAID et al [2012] “Um programa de investigação bem concebido, que resulte na avaliação precisa dos parâmetros constitutivos do solo, pode resultar na otimização da relação custo/benefício da obra. O impacto econômico pode ser avaliado a partir da proposição de Wright (1969), que condiciona a magnitude do fator de segurança ao tipo de obra (magnitude do carregamento e possibilidade de ocorrência de cargas máximas) e ao grau de exploração do subsolo (Tab. 1). Como orientação, obras monumentais são aquelas em que a carga máxima ocorre com frequência (p. ex., silos, pontes ferroviárias, barragens), em que o colapso pode produzir dano ambiental severo [...]” Tipo de estrutura Investigação Precária Normal Precisa Monumental 3,5 2,3 1,7 Permanente 2,8 1,9 1,5 Temporária 2,3 1,7 1,4 Quadro 7 Fatores de segurança conforme Wright [1969] FONTE: SCHNAID et al [2012] “As cargas dos prédios têm no final que ser transmitidas ao terreno. Ou seja, as cargas correspondentes à: peso próprio da estrutura [...]; carga acidental [...]; carga do vento; eventual carga de um muro de arrimo que se apoia na estrutura do prédio, etc.” BOTELHO [p.28; 2006] Este somatório de carregamentos realizado durante o dimensionamento do edifício será distribuído em diferentes apoios e áreas de seção para anulação das tensões diretamente recebida pelas condições de solo, na qual foram alteradas as propriedades naturais para receber as medidas de compensação verificadas. "Os requisitos de projeto devem promover condições de estabilidade (edifício); Deformações toleráveis (danos estéticos, danos funcionais e danos estruturais) e Durabilidade (vida útil da estrutura)" GUSMÃO4 [s.a] adaptado AUTOR [2023] Além disso, BOTELHO [2006] aponta que “Os fatores que governam a escolha da fundação 4 Material virtual ‘patologia das fundações’, Poli-UPE, Cefet-PE, Prof.° Dsc. Alexandre Duarte Gusmão 29 são: cargas; tipo de solo [...]; aceitação ou não da estrutura; custo, prazo de execução, possibilidade de danos a obras próximas, etc.” 4.4 ESTUDO DE CASO DIRETO A proposta que norteou o objetivo desta pesquisa é formada por um empreendimento residencial para locação comercial de 10 unidades pelo proprietário, sendo 04 imóveis em tipologia duplex e 06 unidades elevadas em pórtico múltiplo-andar. O terreno de implantação possui as dimensões 20,00 x 18,75m, na qual perfaz uma área de superfície total de 375,00m² e localizado na região de Macaíba-RN. 4.4.1 Projeto Arquitetônico O estudo do empreendimento iniciou pela concepção de 04 unidades tipo duplex entre o período de 2016 a 2017, mais tarde em 2019 surgiu a necessidade de ampliação para viabilizar novas unidades dentro dos limites da legislação urbanística. Figura 22 Bloco residencial 'A' construído FONTE: AUTOR [2019] O conjunto edificado que iremos denominar ‘bloco A’ possui uma área construída de 246,91m² com ocupação de 32,92% sobre o terreno. Figura 23 Simulação 01 dos blocos 'A' e 'B' FONTE: AUTODESK [2023] adaptado AUTOR [2023] Figura 24 Simulação 02 dos blocos 'A' e 'B' FONTE: AUTODESK [2023] adaptado AUTOR [2023] O planejamento das unidades ao novo bloco B apresentou uma área construída de 358,32m² e mais 30,5% a ser ocupado na área a direita do bloco A conforme figura acima. 30 Esta área remanescente abrange o equivalente a 12,50 x 18,75m sendo 5,00m preservado para a via interna de veículos, drenagem pluvial e esgotamento sanitário. Figura 25 Local de implantação do bloco 'B' FONTE: AUTOR [2019] Mais tarde por volta do ano 2018, a evolução deste partido arquitetônico proposto ao bloco b culminou em uma adaptação efêmera para uso comercial pelo proprietário. Esta decisão trouxe a execução de uma edificação tipo pré-fabricada em concreto armado, único pavimento e perfazendo a mesma área projeção anterior. Figura 26 Blocos A e B executados FONTE: AUTOR [2023] Para compor o correto ordenamento urbanístico dareforma e ampliação do futuro bloco C, proposto neste trabalho é necessário o acréscimo de potencial construtivo, cuja simulação acadêmica irá englobar o confrontante lateral direito com extensão de 18,00m para incorporação da especulação imobiliária na centralidade urbana do município. Nesse sentido, sabendo que a proposta inicial do bloco B foi arquivada sem a sua concretização para 06 unidades residenciais, a nova simulação (figura abaixo) prevê a adição de nove habitações com o acréscimo do quarto pavimento. Figura 27 Ampliação para bloco ‘C’ FONTE: AUTODESK [2023] adaptado AUTOR [2023] 31 Com essa reforma o antigo bloco B existente pelo galpão comercial, sofreu subtração de (A=112,54 – 23,59= 88,95m²) para ceder espaço ao núcleo rígido do novo edifício (bloco C) com os ambientes de Lobby, Escada aberta, Shaft de instalações, Abrigo para resíduos sólidos, parte das rotas de fuga e três unidades, perfazendo área construída de 438,93m²; O empreendimento situa-se em uma rua sem saída, uma das medidas compensatórias para minimizar os efeitos de alta vazão pluvial acumulado a jusante foi destinar uma vala de absorção no trecho com muro de fundos; Já o desempenho estrutural entre superestrutura e fundações no custo final de obra, irá depender dos ensaios de reconhecimento geotécnico (direto e complementares). Figura 28 Planta de implantação com os pontos geotécnicos ensaiados FONTE: AUTODESK [2023] adaptado AUTOR [2023] O terreno remanescente medindo 18,00 x 18,75m apresenta área de 337,50m² do total de 712,50m² (38,00 x 18,75m), o quadro 04 anterior mostra que o número mínimo de sondagens deve ser de 02 pontos (n=338/200=1,69), conforme destaca na figura acima, onde em ‘A’ realizou-se o ensaio pressiométrico, em B e C para Ensaio SPT. A decisão para escolha destes locais se deu em virtude da localização do maior carregamento dos reservatórios, momento de inércia do edifício, posição de cisterna hidráulica, tanques sépticos e sumidouro. Este ultimo quanto a verificação do nível de lençol freático existente durante o ano, podendo interferir na percolação natural dos efluentes e/ou danos por erosão. 32 4.4.2 Análise da superestrutura Figura 29 Pórtico estrutural do bloco ‘C’ Fonte: ALTOQI [2023] adaptado AUTOR [2023] Tipo Dimensões de sapata (m) Carga (Tf) P1 1,7x1,9 36,42 P2 2,4x2,6 77,95 P3 2,3x2,55 71,80 P4 1,7x1,9 36,24 P5 1,5x1,7 23,26 P6 2,3x2,55 69,97 P7 2,7x3,0 91,29 P8 2,2x2,4 64,01 P9 1,7x1,9 33,76 P10 2,2x2,45 60,86 P11 2,2x2,45 57,77 P12 1,5x1,7 23,04 P13 1,3x1,5 19,78 P14 1,3x1,5 18,60 Tabela 1 Carga solicitada de fundações do bloco ‘C’ Fonte: AUTOR [2023] O somatório de cargas é a resultante de forças permanentes, peso próprio dos elementos estruturais e reações indiretas (ventos, solo e acidental). De acordo com a tabela 13.3 da NBR 6118 [ABNT; 2023] sobre os deslocamentos limites a qual o pórtico da superestrutura deve atender, como parte dos fatores para estabilidade global. A altura total (piso zero ao topo de reservatório) é igual a 14,30m; Temos que: 1) Efeito de aceitabilidade sensorial: 1430/250= 5,72cm; 2) Efeito do movimento lateral de ventos entre pavimentos: 1430/ 850= 1,68cm. 33 Figura 30 Planta de fundações do Bloco C Fonte: ALTOQI [2023] adaptado AUTOR [2023] De acordo com os dados na tabela anterior pode-se verificar a transmissão de cargas assimétricas sobre as fundações rasas e dimensões mínimas, cuja superestrutura irá solicitar ao solo local. Durante a análise do modelo analítico estrutural pode-se identificar a participação das prumadas dos pilares com a região de maior concentração das forças ‘z’ verticais ou centro de massas característico, culminando em momentos que geram deslocamentos (ventos), tensões de ruptura, tensões de cisalhamento, etc. O projetista da superestrutura deve condicionar seu modelo estrutural dentro dos limites ‘gama z’ de estabilidade global, podendo variar até 1,30 conforme item 15.7 da NBR 6118 [ABNT; 2023]. Nesse sentido, o fator 1,30 deve ser observado como limite ideal para manter condições flexíveis no pórtico sem haver alta rigidez dos pilares e vigas. Em edifícios com até 4 pavimentos este fator gama z não tem aplicação direta em virtude da baixa turbulência de ventos incidente, sendo considerado os momentos de 2° ordem (análise P-delta). 34 Figura 31 Pórtico com deslocamentos limite bloco ‘C’ Fonte: ALTOQI [2023] adaptado AUTOR [2023] “Os esforços, determinados a partir das ações e suas combinações, conforme prescrito na ABNT NBR 8681, devem ser solicitados ao projetista da estrutura, a quem cabe individualizar qual o conjunto de esforços para verificação dos estados limites últimos (ELU) e qual o conjunto para verificação dos estados limites de serviço (ELS).” Item 5.1, NBR 6122 [2019, p.13] No planejamento da estrutura a forma adotada pela arquitetura contribui para induzir na eficácia do modelo estrutural a ser adotada pelo projetista de engenharia, em seguida garantir que os estados limites atendam equilíbrio e menor deformação nas ligações locais e globais. ∑ Força vertical Força Horiz. Flecha vert. Desloc. horizontal ∆m Inércia de pilar 20x40cm M1dt 4056,92kn.m 63,5 kn 7,58cm 1430/250= 5,72cm 17228,54 kn.m 1,06x10-3 790.793,73kn.m Tabela 2 Entrada de dados para cálculo 'gama z' FONTE: AUTOR [2023] O coeficiente de avaliação dos parâmetros de estabilidade dos esforços de 2° ordem para estruturas reticuladas com até 4 pavimentos é dado pela equação: γz=(1/(1-M2/M1*γf/γf3)). Logo: γz= (1/(1-17223,73/790793,73))= 1,022 * 0,95 * 790793,73= 1/0,9776= 1,03. Este fator representa 3% de rigidez dos elementos. 35 4.5 LEVANTAMENTO AMOSTRAL A decisão para validar o método alternativo ao ‘Panda 2’ buscou selecionar três cenários de solo, onde os pontos de investigação selecionados estão distantes entre si e localizado em três municípios da região metropolitana do Natal. Este método é uma derivação das sondagens a percussão no solo, conhecido por ‘ensaio pressiométrico’. Figura 32 Teste pressiometrico durante amostra de solo 01 FONTE: AUTOR [2023] O procedimento consiste na cravação manual (1) pela haste de percussão a partir de uma trincheira (02) até 1m para garantir a exclusão de primeira camada rasa formada por aterro e ou orgânicos; inicia os golpes do martelo e penetração das três camadas de 15cm com intervalos não superiores a 20 golpes. Em caso de solo duro, uma subdivisão da camada 15cm em três novos filetes será aplicado como auxilio na interpretação dos dados posteriores. Durante a pausa de percussão é anotado a profundidade penetrada através da parte externa da haste; Ao final da terceira camada de 15cm e totalizando 45cm, é coletado o solo no interior do amostrador, bem como no fundo de vala, em seguida encaminhados em recipientes fechados até o laboratório. Neste serão examinados os índices físicos (umidade, saturação, granulometria, massa especifica de sólidos, compacidade, índice de vazios) e identificação do tipo de solo avaliado. Segundo SCHNAID et al [2012] sobre o método de perfuração SPT “Não há um procedimento único de perfuração. A depender das condições do subsolo e do sistema de perfuração utilizado, procedimentos e equipamentos distintos podem ser empregados. Perfuração manual acima no nível freático deve ser executada com trados helicoidais. Abaixo do nível freático, prossegue-se com sistema de circulação de água, bombeada pelo interior das hastes até a extremidade inferior do furo, na cota onde se posiciona o trépano para a desintegração do solo.” 4.5.1 Ensaios de campo O primeiro local foi realizado na região Norte do município São Jose de Mipibu-RN, região que compreende o loteamento bosque das colinas, área de expansão urbana do bairro taborda. O segundo pontoestá localizado na zona sul do município de Parnamirim- RN. O terceiro local compreende o próprio terreno para simulação arquitetônica do empreendimento residencial, localizado na região central de Macaíba-RN. Neste foram 36 realizados três furos em pontos distintos, sendo um pelo método tradicional SPT entorno de 5m. Os demais furos investigados tiveram profundidade até 2m. 4.5.1.1 Ensaio pressiometrico 15- Escavação de vala com auxilio de enxada até 1m; Analise visual das camadas de solo aparentes 2-Inspeção visual de camadas para análise qualitativa 3-Colocação da haste; 4- Aplicação de golpes; 5-Anotação de resultados e altura remanescente da haste. 6- Após cravação da haste, remoção da vala; 7- Verificação da percolação hídrica no fundo de vala; 8- Demarcar sub-vala 10x10x10cm 8-Verificar percolação hídrica com inserção de 1 litro; 9-Anotar resultados da absorção em três níveis 10-Coleta do solo no fundo de vala e interior do amostrador na haste. 11-Reaterro de vala investigada. O perfil de solo a seguir obteve solo médio compacto a partir da leitura de golpes nas três camadas sugeridas pela NBR 6484. 5 As figuras 1 a 11 do AUTOR [2023] ilustram as etapas de coleta do solo e tratamento nos locais 01, 02 e 03 selecionados. 37 Figura 33 Furo PMT6 1 na amostra de solo 03. FONTE: AUTOR [2023] Neste teste utilizando o método alternativo, a primeira camada esta representado pela boca de furo (trincheira) para reconhecimento do substrato de aterro e orgânicos residuais do terreno. A partir desta profundidade igual a 1 metro, foi iniciado o lançamento livre pelo martelo de 2kg e contagem subsequente. Com auxílio de uma luva rosqueada, pode- se prolongar a haste em seções de 1 metro a fim de verificar o solo rígido. O içamento das três hastes submersas foi retirado com auxílio de roldana e manivela rotatória, uma vez que o atrito lateral incide pressão reativa na haste penetrante. 4.5.1.2 Ensaio a percussão SPT A investigação de subsolo buscou levantar dois levantamentos por operadores distintos no mercado local, a empresa A realizou o ensaio durante o mês de Março-2023 (período sem ocorrência de chuvas), enquanto a empresa B realizou o ensaio no mês de Agosto- 2023 (período com chuvas esparsas). 6 Sigla em inglês com tradução adaptada ‘Teste manual pressiométrico’ 38 Figura 34 Furo Spt 1 realizado pela empresa 'A' FONTE: AUTOR [2023] O primeiro furo representado pelo perfil da figura acima foi realizado em período sem chuvas na região, na qual a profundidade rígida obteve 8,45m sem evidencia hídrica ou elevação do lençol freático. O número de golpes mostra um solo médio compacto, denota boas condições para reação de cargas. Figura 35 Furo Spt 2 realizado pela empresa 'B' FONTE: AUTOR [2023] O segundo furo acima foi realizado em período com chuvas regulares no mês de Agosto/2023 por outra empresa local, as evidências hídricas apresentaram elevação já na camada 4,86m pelo amostrador padrão. Dado essa umidade, as características do solo foram alteradas para mais coesivo e sua profundidade rígida atingiu 10,0m. 39 Figura 36 Colocação da haste percussão no tubo amostrador SPT FONTE: AUTOR [2023] Figura 37 Contagem de golpes com martelo 65kg no ensaio SPT FONTE: AUTOR [2023] 4.6 PROCEDIMENTOS DE LABORATÓRIO Durante a realização dos três ensaios, sendo um pelo método alternativo foram coletadas amostras de solo em recipientes catalogados, dimensões distintas entre si. O material conduzido para laboratório, devidamente sinalizado acerca da região analisada e sua posição extraída no local; 1) Foi feito a triagem com verificação de sua massa úmida (solo natural) e massa do recipiente. Figura 38 Amostras de solo coletados em recipientes específicos. FONTE: AUTOR [2023] Figura 39 Verificação de massas em balança comercial FONTE: AUTOR [2023] 2) Após secagem do material foram obtidas as primeiras correlações para determinar o teor de umidade em cada amostra de solo, subtraindo a massa de recipiente. Esta taxa representa o principal índice para inferência dos demais propriedades naturais do solo. 40 Figura 40 Forno para secagem durante 24h e temperatura 100° C FONTE: AUTOR [2023] Figura 41 Bandejas de granulometria do solo seco e peneirador FONTE: AUTOR [2023] 4.6.1 Análise dos índices físicos “Um solo é formado por, além e suas partículas sólidas (grãos), água e ar, presentes em seus vazios, formando então um sistema trifásico. [...] As fases de um solo se relacionam através dos índices físicos, agrupados [...] a seguir: Massa especifica total; Massa especifica da água; Massa especifica seca; Massa especifica dos sólidos; Peso especifico; Peso especifico da água; Peso especifico submerso; Densidade relativa dos grãos; Umidade; Grau de saturação; Indice de vazios e Porosidade” adaptado SILVA [2019, p. 36-38] Os dados da tabela 3 mostram a situação da amostra de solo 03 na região de Macaiba/RN, demonstrando boas condições para compactação, baixa porosidade de vazios, baixa umidade por concentração excessiva de líquidos durante percolação. Solo 1 Solo 2 Solo 3 Solo 4 Coesão 32,2 21,8 36,6 33,4 Umidade 5,1% 1,0% 5,3% 2,4% Saturação 2,6% 1,2% 5,0% 3,3% Indice vazios 0,20 0,11 0,11 0,08 Porosidade 0,17 0,10 0,10 0,08 Granulometria 3,69% 3,44% 4,57% 3,81% Tabela 3 Índices físicos dos solos amostrados FONTE: AUTOR [2023] A granulometria apresenta o modulo de finura ensaiado no peneiramento entre 4 a 750mm ilustrado na figura 41. De acordo com item 4.6 “Estes ensaios visam classificar os solos, determinar parâmetros de resistência, de deformabilidade e de permeabilidade. [...] Os ensaios mais usuais são: 1) Caracterização (granulometria, umidade natural, limite de liquidez, limite de plasticidade, peso especifico real dos grãos; 2) Cisalhamento direto; 3) Triaxial; 4) ensaio para expansibilidade; 5) colapsibilidade; 6) permeabilidade; 7) ensaios químicos". Adaptado NBR 6122 [2022, p 12] 41 Já durante a investigação do solo 01 e 02, o solo na região de São josé Mipibu e Parnamirim-RN apresentaram características de argila em sua composição. Então surgiu a necessidade para aplicar os limites de atteberg, por meio do ensaio de ‘casagrande’ ao lado e modelo analítico abaixo. Figura 42 Aparelho de casagrande com amostra do solo n° 02. FONTE: AUTOR [2023] Limites Solo 01 Solo 02 Solo 03 Solo 04 Plasticidade 73,76 15,45 23,6 25,8 Liquidez 77,94 16,8 29,7 20,5 Consistência 1 2 3 3 Tabela 4 Limites de atteberg e índice de consistência FONTE: AUTOR [2023] O modelo analítico acima permitiu encontrar a rigidez entre as concentrações de argila misturados com solo silte durante os ensaios geotécnicos. A região São josé de Mipibu (solo 01) mostrou boa vantagem nesse sentido, tornando vantajoso seu uso na reação das novas fundações construídas. 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO 5.1 COMPARATIVO DOS NIVEIS DE RESISTÊNCIA Figura 43 Níveis de resistência e amostras de solo FONTE: AUTOR [2023] O gráfico da figura acima sintetiza os valores da tabela sobre os níveis de resistência no intervalo médio de 1,54m. De acordo com a NBR 6484 [ABNT; tabela 2] os solos silte 42 argilosos com índice de resistência entre 3 a 5 são considerados mole; Para o silte arenoso menor ou igual a 4 estão designados por fofo. Solo N Pmt N Spt (kg/cm²) 1 3,30 2,73 2 2,73 1,93 3 2,60 4,47 Tabela 5 Níveis de resistência ensaiados FONTE: AUTOR [2023] A tabela acima apresenta os valores de compressão nos três tipos de solo avaliados com profundidade entre 1,47 a 1,90m interpretado a partir da extração de dados em cada gráfico do perfil geotécnico, na qual utilizou respectivamente o método alternativo PMT e SPT. O método ‘Panda’ proposto pela equação q= E.(M/Ae'(M+P) citado em AZEVEDO;RODRIGUES [2014] onde, q= 20 x [(2/(0,0018 x 1,03)x(5,2))] apresenta resistência nas camadas de solo em função da energia, massa do martelo, área da ponta no amostrador e altura penetrante. Os dados deste método foram correlacionados entre as tensões de solo por camada na tabela 07. RIBEIRO [2021] aponta que “Para o cálculo da tensão total, são necessários os valores das espessuras das camadas com seus respectivos pesos específicos (γt ou γ sat), lançados no seguinte somatório: ∑ zi x i, onde: Solo 01 Solo 02 Solo 03 s 104,8 g/cm³ s 134,6 g/cm³ s 104,6 g/cm³ z1 0,81m z1 1,13m z1 1,20m z2 1,36m z2 1,39m z2 1,60m z3 1,8m z3 1,65m z3 1,90m 5,1% 1,0% 5,3% (kpa) 207,50 (kpa) 139,98 (kpa) 146,44 Silte argiloso Areia Silte argila Tabela 6 Tensão total (kpa) por amostras de solo FONTE: RIBEIRO [2021] adaptado AUTOR [2023] Na amostra de solo 03 a verificação de poropressão entre a cota úmida e seca, de acordo com o perfil SPT 2 da figura 35, tem-se: u (tensão neutra) = z . = (4,85 – 1,90m) . 33,7 (massa úmida)= 99,41 kpa; Logo, a tensão efetiva no solo 03 será 146,44 (tensão total) – 99,41 (tensão neutra)=47,02 kpa. 43 A tabela abaixo mostra as tensões parciais aplicadas para determinar as tensões totais anteriormente, na qual compara com os resultados de resistência obtidos em cada maciço de subsolo no ensaio pressiométrico ‘Panda’. Tensão parcial Terzaghi Metodo Panda Camada (kpa) solo 01 (kpa) solo 02 (kpa) solo 03 (kpa) z1 57,64 32,0 41,84 40,49 z2 46,11 35,0 31,38 36,91 z3 103,75 69,9 73,22 32,08 média 57,64 35,0 41,84 36,91 Desv pad. 30,50 20,2 21,77 4,22 Tabela 7 Comparativo de tensões parciais entre camadas de solo FONTE: RIBEIRO [2021]; AZEVEDO; RODRIGUES [2014] adaptado AUTOR [2023] As tensões físicas indicam o comportamento estável das partículas no solo analisado (figura 43), estes conceitos são amplamente utilizados para estimativas de recalques, fluxo em meios porosos, teoria do adensamento unidimensional e resistência ao cisalhamento. RIBEIRO [2021; p.7] A confiabilidade entre os métodos Terzaghi e Panda apresentou grau forte em seu modelo analítico conforme quadro a seguir. Terza S1 Terza S2 Terza S3 Panda Ter S1 1,00 Ter S2 0,97 1,00 Ter S3 1,00 0,95 1,00 Panda 0,81 0,93 0,78 1 Quadro 8 Correlação entre método Terzaghi e Panda FONTE: AUTOR [2023 A aplicação da equação proposta pelo método Panda apresentou menor grau de confiança estatística no solo 03, através do índice ‘0,78’ do quadro acima. Tal fato pode ser justificado em virtude das condições coesivas identificado no reconhecimento local, a limitação do ensaio pressiométrico mecânico (altura da haste, profundidade atingida, peso do martelo sobre amostrador, etc.) podem ser uma das hipóteses, contudo o modelo global demonstrou forte equilíbrio, na qual o índice ideal tende a ser o mais próximo de ‘1,0’. Figura 44 Detalhe de seção do maciço sólido e porosidade FONTE: RIBEIRO [2021] 44 5.2 CAPACIDADE DE CARGA GEOTÉCNICA Para tornar algo com melhor facilidade de montagem ou execução é preciso amadurecimento e visão técnica dos envolvidos, ao contrário disso os resultados serão meramente plotados pelos aplicativos de cálculo existente hoje no mercado da engenharia. Antes de otimizar alguma etapa de construção, seja no segmento de instalações, Arquitetura (obra fina e acabamentos) ou Estrutura, é importante que estes sistemas prediais garantam condições de desempenho capaz de atingir sua vida útil, dentro dos limites mínimos para que não haja deformação excessiva, desprendimentos, etc. Com isso, não será diferente este conceito ao abordarmos as fundações. "[...] é verificado por meio de pelo menos o monitoramento dos recalques medidos na estrutura, sendo obrigatório nos seguintes casos: a) estruturas nas quais a carga variável é significativa em relação à carga total, tais como silos e reservatórios; b) estruturas com mais de 55,0 m de altura do piso do térreo até a laje de cobertura do último piso habitável; c) relação altura/largura (menor dimensão) superior a quatro; d) fundações ou estruturas não convencionais." Item 9.1, NBR 6122 [2019, p. 38] Figura 45 Zoneamento do bulbo de tensões na sapata FONTE: MOURA [2016; p.12] Os valores dimensionados para as fundações (sapatas) serão relacionados quanto a capacidade de carga reagente e carga solicitante da superestrutura, devendo ser imediatamente inferior para promover as condições de equilíbrio. MOURA [2016; p.3] define esta capacidade de carga como “[...] a tensão que provoca a ruptura do maciço de solo em que a fundação está embutida.” A autora também aponta, enquanto a capacidade de carga da sapata depende do solo (N spt), a capacidade de carga reagente do solo depende da geometria de sapata adotada (largura, comprimento, profundidade útil e altura do maciço até seu assentamento). 45 "Os Métodos para determinação da capacidade de carga são: 1) Métodos teóricos: Terzaghi, Vesic, Skempton, Meyerhof, Brinch-Hansen; 2) Métodos semi-empíricos; 3) Métodos práticos" MOURA [2016; p.2] adaptado AUTOR [2023] Uma das combinações pode ser obtida pelo método teórico de Terzaghi com proposições de Vesic e fatores de correção na geometria (Nc, Nq, Ny, Sc, Sq, Sy), na qual serão confrontados com o método prático, por exemplo a prova de carga sobre placa sugerido pela ABNT NBR 6489. Os métodos semiempíricos trazem interpretações acerca da tensão admissível a partir dos ensaios percussão conforme autores na tabela abaixo: SPT Teixeira [1996] Mello [1975] Teixeira & Godoy [1996] = Nspt/50 =0,05+(1,04B)N/100 =0,1(√N-1) =qc/15 < 4mpa (areia) =qc/10 <4mpa (argila) Tabela 8 Correlações usando métodos semiempíricos FONTE: MOURA [2016; p.51-54] adaptado AUTOR [2023] De acordo com o explanado anteriormente, a proposta de investimento para um edifício múltiplo-andar sofreu adaptações no que tange seu partido arquitetônico. O projeto original apresentado nas figuras 23 e 24, bloco B apresentaram carregamentos menores obviamente, pois tinha-se três pavimentos. A solução dada pelo projetista de estrutura na época foi adotar 15 unidades de sapatas isoladas com dimensões padrões em 1,60 x 1,60m. Observe que o pórtico 1 a 3 possui simetria de cargas com 13 a 15, o pilar 10 sofre maior as solicitações flexo compressão e torção. Os pilares 4,5, 7 e 8 compõe o núcleo de maior rigidez do edifício além da inércia, a qual pode interferir em deslocamentos excessivos ao modelo analítico. 5.2.1 Fundações diretas No estudo das fundações superficiais para um edifício, o engenheiro geotécnico deve ter algumas interpretações a partir dos dados do engenheiro estrutural, tais como carregamentos horizontais, verticais e momentos; onde, 1) Definir qual classificação seguir, rasas ou profunda, por exemplo as superficiais devem ser "[...] assentada em profundidade inferior a duas vezes a menor dimensão da fundação[...]” ABNT NBR 6122 [2020; item 3.28], já as profundas devem ter sua ponta ou base apoiada no mínimo “[...]oito vezes a sua menor dimensão em planta[...]” ABNT NBR 6122 [2020; item 3.27]; 46 2) Conhecer as características de solo; 3) Avaliar custos; 4) Deixar claro as etapas de projeto (coleta de dados, conceito e detalhamento); 5) Avaliar os objetivos da fundação, quanto segurança a rigidez, recalques e economia. NETO [2022] adaptado AUTOR [2023] Figura 46 Planta de fundações do bloco 'B' FONTE: ALTOQI [2023] adaptado AUTOR [2019] Tipo Sapatas adotadas (m) Sapatas calculadas (m) Carga (Tf) P1 1,6x1,6 1,7x1,9 30,46 P2 1,6x1,6 1,7x1,9 33,24 P3 1,6x1,6 1,25x1,45 18,22 P4 1,6x1,6 1,95x2,15 36,11 P5 1,6x1,6 1,7x1,9 34,05 P6 1,6x1,6 1,25x1,45 26,24 P7 1,6x1,6 1,9x2,1 37,50 P8 1,6x1,6 1,7x1,9 34,04 P9 1,6x1,6 1,25x1,45 25,44 P10 1,6x1,6 1,9x2,1 46,61 P11 1,6x1,6 1,95x2,15 49,22 P12 1,6x1,6 1,55x1,7532,26 P13 1,6x1,6 1,45x1,65 23,56 P14 1,6x1,6 1,5x1,70 31,32 P15 1,6x1,6 1,25x1,45 18,08 Tabela 9 Dados de fundações do bloco ‘B’ FONTE: AUTOR [2019] Os dados da tabela 9 refletem o dimensionamento usando tensão admissível igual a 1,50 kg/cm². Este valor para tensão de solo é genérico pelo aplicativo, erroneamente adotado por projetistas pela ausência de ensaio geotécnico. Em contrapartida os valores encontrados na investigação complementar foi de 3,07 kg/cm² (SPT) onde, N= [(11+15+20)/3)*20]=306,67 kpa= 3,07 kg/cm², enquanto que o ensaio pressiométrico (PMT) obteve 2,60 kg/cm² utilizando o bulbo de pressões na cota 1,50m. 47 Ref. L1 L2 (m) Q sd (t/m) Qu Redução Figura 47 Pórtico original do bloco 'b' FONTE: ALTOQI [2023] adaptado AUTOR [2023] s1 1,3 1,7 30 48 -12% s2 1,4 1,6 33 49 -11% s3 1,1 1,7 18 46 -27% s4 1,4 1,4 36 49 -21% s5 1,4 1,7 34 49 -5% s6 1,3 1,7 26 48 -15% s7 1,5 1,6 38 50 -11% s8 1,4 1,8 34 49 -3% s9 1,3 1,7 25 47 -16% s10 1,5 1,6 47 50 -9% s11 1,8 1,6 49 53 14% s12 1,4 1,9 32 49 4% s13 1,4 1,7 24 49 -7% s14 1,4 1,7 31 49 -9% s15 1,4 1,7 18 49 -9% Tabela 10 Otimização de sapatas do ‘bloco b’ FONTE: AUTOR [2023] O comparativo da tabela 10 acima apresenta o índice percentual com redução média de 9% da sapatas quadradas (1,6x1,6m) do pórtico original para a verificação de ruptura e nova configuração em formato retangular, cujo modelo analítico relacionou a carga solicitante (Q sd) e Carga de ruptura do solo (Qu) com método teórico de terzaghi na equação ‘Qu= (cNcSc)+(qNqSq)+(1/2gBNySy)’. Este somatório representa Coesão, Sobrecarga e atrito do solo e proposição de Vesic. s Df ϕ ° atrito Nc Nq Ny Sc Sq Sy q 104,56 1,6 44 118,37 115,31 224,64 1,1 1 0,9 254,74 134,6 1,6 38 61,35 48,93 78,03 1,1 1 0,9 229,14 Tabela 11 Tensão de ruptura usando método teórico FONTE: PINTO [2018] adaptado AUTOR [2023] A primeira linha da tabela 11 apresenta os coeficientes de solo argiloso de acordo com os resultados de laboratório. Na segunda linha tem-se propriedades com solo arenoso. O acréscimo de tensões [q=(H)+z1+z2] em kpa, para a profundidade de solo até base de apoio nas sapatas, proporciona um comportamento não linear no maciço, com incidência pequena de deformação em virtude do estado natural de compactação. Sapata Qsd qu' B´ L' Redução N° estacas s1 36 50 1,5 1,9 -13% 2 s2 78 55 2,0 2,4 -24% 3 s3 72 55 1,9 2,3 -23% 3 s4 36 50 1,5 1,9 -13% 2 48 s5 23 48 1,3 1,7 -17% 1 s6 70 54 1,9 2,3 -25% 3 s7 91 57 2,1 2,5 -34% 4 s8 64 54 1,8 2,2 -22% 3 s9 34 49 1,4 1,5 -31% 1 s10 61 53 1,8 2,2 -26% 3 s11 58 53 1,8 2,2 -29% 2 s12 23 49 1,4 1,5 -21% 1 s13 20 49 1,4 1,5 8% 1 s14 19 49 1,4 1,5 4% 1 Tabela 12 Otimização de sapatas no modelo ‘bloco c’ FONTE: AUTOR [2023] A redução média entre fôrma e concreto nesta verificação da tensão reagente do solo, cujo impacto pode desencadear cisalhamento e deformidades, foi de 23%. Observe que 07 sapatas não atenderam ao equilíbrio de forças (qu’) para esta profundidade adotada. Diante disso pode-se propor algumas soluções, a primeira na equalização das fundações com aumento de suas dimensões, porém pode ocorrer transferência de tensões e culminar em recalques imediatos no trecho. Em segunda hipótese o uso de fundações mistas entre elementos rasos e profundos conforme carregamento da superestrutura; Em terceiro lugar pode-se generalizar em fundações profundas através do estaqueamento até a camada mais firme conforme perfil geotécnico anterior (figuras 33 a 35), equivalente a 10 metros no inverno e 8 metros no verão. Figura 48 Pórtico estrutural dos blocos A, B e C. FONTE: ALTOQI [2023] adaptado AUTOR [2023] A escolha do estaqueamento total no modelo ‘bloco c’ oferece melhor segurança aos ocupantes no longo prazo, os critérios devem-se a análise dos estados limites (figura 31), capacidade de carga e previsão de recalques. Pela figura 48 o núcleo rígido a esquerda do ‘bloco c’ possui melhor solidarização com ‘bloco b’, já a direita se torna vulnerável as ações de tração nas sapatas e torção nos pavimentos aéreos gerado pelos ventos. A vizinhança é classificada como alta turbulência, onde a altura média das edificações é 49 inferior ao pórtico projetado. De acordo com NBR 6123 [1988] a velocidade dinâmica ‘vk’ é calculada em função dos pavimentos do pórtico, largura e quantidade de nós; A equação é dada por: Vk= vo.s1.s2.s3 onde ‘S’ são os fatores topográfico (1,0), morfologia do terreno (0,7342 e 0,8979) e estatístico (1,0). Metodologia Vento na base (m/s) Vento de topo (m/s) PECIN [2022] 22,03 26,94 Quadro 9 Velocidade dos ventos no pórtico 'bloco c' FONTE: AUTOR [2023] A simulação está configurada com [vo= 30m/s] para curva isopleta no Estado do Rio Grande do Norte. Os dados do quadro acima mostram uma metodologia para o pórtico em concreto armado, na qual é equivalente ao pórtico de estrutura metálica de mesma altura do topo. O tema dos ventos em edificações com baixa estatura é bastante recorrente entre profissionais calculistas, mas nunca devem ser negligenciados pois o seu parâmetro será importante para tomada de decisões no índice global ‘gama z’ conforme explanado anteriormente. 5.2.2 Fundações profundas A tabela 12 anterior apresentou uma estimativa do número de estacas pelo método DÉCOURT-QUARESMA [1978] apud DIAS [2022] em função da carga solicitante majorada e pressão admissível com ponta. O comprimento útil da escada é dado pela subtração ‘∆L’ entre a primeira camada e ponta final. Estaca Hélice contínua Furo Prof (m) 45cm (Tf) 50cm (Tf) 60cm (Tf) PMT 1 3,0 13,26 15,95 22,08 SPT 1 8,45 19,60 22,82 29,88 SPT 2 10 20,43 23,74 30,98 Tabela 13 Resistência admissível na estaca FONTE: AUTOR [2023] O diâmetro adotado igual a 50cm possui melhor logística para execução e resistência admissível com ponta encontrado no furo ‘spt 2’, na qual equivale a pior situação do período de chuvas com nível de água (NA) elevado. Estaca Diâmetro Ap (m³) FS ∆L (m) NA Hélice continua 50cm 0,1963 2,0 10-1=9 6,0 Tabela 14 Cálculo geotécnico adotado para estacas FONTE: DIAS [2022] adaptado AUTOR [2023] 50 A partir dos dados da tabela anterior foi realizado as configurações de cada estaca através de cálculo manual proposto por DIAS [2022] e adaptado em planilha conforme a figura 49. A distribuição das estacas deve buscar os blocos de menor área; Espaçamento mínimo entre eixos igual a 3 vezes o seu diâmetro; Cobrimento mínimo igual a 10cm; Altura util mínima dos blocos de coroamento igual a 40cm. Figura 49 Dimensionamento das estacas usando o método das bielas FONTE: DIAS [2022] adaptado AUTOR [2023] O bloco de coroamento transfere as ações dos pilares para fundações, estes quando o diâmetro for superior a 40cm a taxa de armadura mínima é 6% Ac. Em ‘N1 e N4’ são as armaduras superior e inferior principal; N3, o estribo vertical (Ast) e N2 os estribos horizontais. As recomendações devem ser para concreto magro de 5cm antes da colocação de armadura, fck igual ao especificado em projeto, altura útil (d) maior ou igual ao arranque do pilar, espaçamento de ferros entre 10 a 20cm. DIAS [2022] Figura 50 Detalhe de bloco sobre duas estacas FONTE: ALTOQI [2023] adaptado AUTOR [2023] 5.3 CONTEXTO BIM 5.3.1 Coordenação e compatibilização dos sistemas prediais “A falta de coordenação diretamente pelo projeto autoral produzido por um dos aplicativos de modelagem paramétrica (Autodesk Revit e Graphisoft Archicad) tornam menos acessível a configuração do ponto de origem [...], cuja sobreposição dos modelos incorreu em falha na plataforma de analise coletiva, consequentemente não puderam ser verificados outros indícios dos modelos 3D, [...]” APOLINÁRIO [2023] 51 Este novo fluxo de dados proporcionado pela metodologia BIM (sigla inglês ‘Modelagem de informaçõespara construção’) torna mais fiel e transparente a tabulação de informações, acesso de dados remoto, troca de informações simultânea entre técnicos e cliente contratante no CDE (sigla inglês ‘Ambiente Comum de Dados’) exemplificado pela figura 51. Figura 51 Pasta virtual para coordenação de projetos FONTE: USBIM [2023] adaptado AUTOR [2023] A equipe multidisciplinar deve manter boa comunicação e sintonia, de maneira que a simulação posterior dos cenários com melhor benefício entre parâmetros diretos e indiretos será influenciado e pode incorrer atrasos para retrabalhos durante composição de etapas posteriores. As novas ferramentas digitais propiciam boa dinâmica para facilitar o cotidiano de Engenheiros e Arquitetos, onde os projetos confeccionados podem ser reunidos em plataformas para coordenação de dois ou mais elementos, filtros de quantitativos e composição de conflitos, na qual serão descobertos antes mesmo da montagem no canteiro de obras. Vale lembrar na figura acima que os sete modelos digitais gerados para compatibilização irão facilitar o rastreamento entre sistemas, pois em caso contrário a interpretação dos conflitos ocorrerá de maneira generalizada, conforme ilustra a figura na pagina seguinte pelo número excessivo superior a 1000 interações. Por exemplo, apresentar os dados das instalações em arquivos ‘ifc’ parciais entre hidráulica, sanitária, pluvial, elétrica, cabeamento estruturado, lógica, antena, telefonia, e compor novas analises com a Arquitetura. 52 Figura 52 Relatório de conflitos do modelo federado FONTE: AUTODESK [2023] adaptado AUTOR [2023] Pela figura 52 o conjunto entre ‘Estrutural x Instalações’ mostra 1671 interações; Na sequência têm-se ‘Arquitetura x Estrutura’ com 2254 e derivações. Cada um destes conflitos será auditado pela figura do coordenador de projetos e proceder a emissão do relatório para equipe de projetistas, nesse sentido os envolvidos terão uma antecipação de possíveis atrasos que poderiam acometer no canteiro de obras, reprogramação das linhas de fluxo do planejamento, conforme tempo de serviço dos fornecedores bem como falhas de desempenho, vulnerabilidade ao aparecimento de patologias (interação, instalação x Estrutura). As reuniões nessa fase de projeto devem ocorrer em prazos não superiores a 15 dias, pois uma nova revalidação do modelo deve ser realizada para fixar os filtros coordenados (revisado, aprovado, ativo, novos). Após a validação do coordenador de projetos (também chamado Gerente BIM), os projetos poderão ser encaminhados para orçamento analítico e detalhamentos executivos, cada projetista irá submeter os modelos 3D na extensão ‘.ifc’ de volta ao autor da Arquitetura e Engenheiro residente da obra. 5.3.2 Orçamento O custo para estimar a execução utiliza parâmetros comuns que foram inicialmente analisados na fase anterior e serão tabulados seguindo critérios sugerido por instituições e consultores de empresas privadas na Construção Civil, por exemplo, o método involutivo baseado no índice Sinapi7, levantado a partir da inferência de preços dos materiais e mão de obra, ou por simples estimativa fundamentado pelo Custo Unitário Básico de Construção-CUB. Este não apresenta intimidade de dados para constatar a curva ABC, sub etapas, percentuais, etc e, não traz valores próximos da realidade. O 7 Sigla ‘Sistema Nacional de pesquisa de Custos e índices da Construção Civil’, CAIXA [2023] 53 último índice consultado no mês de setembro/2023 apresentou uma relação de R$ 1961,54/m² e relacionado com a área construída total na tabela abaixo utilizando o padrão médio, residencial multifamiliar (R-08) CBIC [2023]. Obra Custo preliminar Área de construção Bloco ‘A’ R$ 484.323,84 246,91m² Galpão do bloco ‘B’ R$ 174.478,98 88,95m² Ampliação do bloco ‘C’ R$ 860.878,75 438,93m² Tabela 15 Orçamento preliminar do avaliando FONTE: CBIC [2023] adaptado AUTOR [2023] As ferramentas atuais para automação do modelo de orçamento podem proporcionar o preenchimento do Estudo Analítico de Projeto-EAP com mais facilidade quando comparado as antigas planilhas manuais, comumente conhecido no mercado de engenharia. LACERDA [2019, p.4] aponta que “No paradigma de processos utilizando o BIM 5D é importante que os modelos 3D dos projetos da edificação cheguem até o orçamentista prontos para a retirada de quantitativos, para isso os projetistas devem construir os modelos de forma que a retirada de quantitativos seja realizada de forma fácil e exata e serem compatíveis com os métodos de quantificação do orçamentista.” Modelo Etapa da obra Custo (R$) Ampliação do Bloco C Preliminares 35.796,75 Fundação direta 74.020,33 Superestrutura 212.590,16 Instalações prediais 189.208,53 Acabamentos 95.119,55 Administração direta (BDi) 27% R$ 163.818,54 Total R$ 770.553,86 R$/m² 1755,52 Tabela 16 Custo global para execução do bloco 'C' FONTE: CAIXA [2023] adaptado AUTOR [2023] O primeiro cenário avalia o empreendimento utilizando fundações diretas sobre o solo, cuja viabilidade apresentou ineficácia em função da baixa capacidade de carga em 07 sapatas do total de 14 existente no pórtico projetado para concreto armado do bloco C (figura 48). As condições de cálculo adotaram os métodos semiempíricos segundo variáveis na tabela 12 (página 46). A figura a seguir mostra três tipologias de pavimentos entre as obras de cada bloco residencial no condomínio, na qual o ‘Bloco A’ com 02 pavimentos, ‘Bloco B’ original com 03 pavimentos e ‘Bloco C’ projetado para 05 pavimentos (térreo mais 04 tipos), apresenta uma evolução média 15% no custo direto 54 por pavimento. Perceba que os valores preliminares da tabela 15 anterior, mostram uma majoração de dados, na qual reflete o primeiro momento sem ter formalizado os projetos técnicos para que haja dados palpáveis na tomada de decisões. Figura 53 Custo de fundações diretas entre os blocos residenciais FONTE: AUTOR [2023] Por outro lado, a tabela 16 anterior indica o levantamento manual entre serviços próprios e quantitativos analíticos pelo índice Sinapi sugerido por CAIXA [2023], desta vez com a posse de cada projeto necessário para execução da obra. O item ‘preliminares’ indica a mobilização do galpão existente (demolição parcial, desmonte de cobertura, isolamento por tapume, sinalizações da obra, barracão e insumos de curto prazo); o item ‘fundações direta’ compreende a limpeza do terreno, escavação de valas, corte e dobra do aço, assentamento, fôrmas, tronco de pilares, furos para guia de tubos, concreto, impermeabilização e reaterro; o item ‘superestrutura’ refere-se a montagem de fôrmas, corte e dobra do aço, preparo, lançamento, adensamento do concreto e escoramento; O item ‘instalações prediais’ indica hidráulica, sanitária, pluvial, elétrica, prevenção a incêndios e telecomunicações. O item ‘acabamento’ traz os elementos de obra fina como louças, metais, revestimentos e limpeza. Para ALTOQI [2023] a composição de custo global realizada no aplicativo BIM ‘visus’ apresentou um valor de R$ 707.464,23 equivalente a uma diferença de 8,93% do valor inicial informado na tabela 16. 55 Figura 54 Custo entre fundação e estaca FONTE: AUTOR [2023] O segundo cenário traz a simulação para fundações profundas utilizando estacas moldadas no local do tipo hélice contínua, em função do seu controle tecnológico para execução dos furos, obtendo valor de R$ 190.410,31 e representa 38,8% do aumento sobre as sapatas, de acordo com a figura ao lado. 5.4 PLANEJAMENTO O gerenciamento das etapas de obras é uma das derivações na Engenharia Civil, onde o profissional residente deve ter forte embasamento com as ferramentas de gestão (pessoas, material, horas-homem, segurança ocupacional, resíduos sólidos), controle de qualidade, logística, etc. As linhas de fluxo para montagem e operação das atividadesno canteiro deve ter sintonia sem a sobreposição acima de duas atividades por exemplo, dessa maneira não haverá cruzamentos que podem culminar em picos de saída financeira. A aquisição de insumos está subordinada ao diagrama ou curva ABC, na qual em ‘A’ indica o conjunto dos quantitativos com maior despesa, seguido de ‘B’ média e ‘C’ por baixo custo no período. Curva A Curva B Curva C Alvenaria Inst. Hidrossanitário Agregados Estrutura Cobertura Cimento portland Revestimentos Impermeabilização Pintura Esquadrias Paisagismo Pré-fabricados Louças e metais Bancadas Segurança do trabalho Inst. Eletrica Gesso Limpeza final 79,71% 15,14% 5,15% Quadro 10 Curva ABC por etapas de obra FONTE: ALTOQI [2023] adaptado AUTOR [2023] O setor de compras irá organizar as despesas de cada etapa elencada no quadro acima, em ordem semanal (curto prazo), mensal (médio) ou semestral (longo prazo) de acordo com medições e cronograma físico-percentual da figura abaixo, totalizando 326 dias. 56 Figura 55 Cronograma da obra em 12 meses FONTE: AUTOR [2023] A figura acima mostra como seria a antecipação da obra para planejar a compra dos materiais de acordo com a evolução da obra, minimizando acondicionamento em grandes depósitos que possam comprometer a circulação do local. Nos meses de Julho a Setembro sinalizado entre 7 a 9, apresentam o caminho critico em que o engenheiro gestor estará submetido para organizar as tarefas entre operários fixos e temporários (terceirizados informais, microempresas ‘Pjotinhas’). Outro ponto a observar são os percentuais, cujo teor indica bem distribuída em razão dos doze meses simulado; A mesma obra quando realizada em menor tempo irá desprender maior movimentação financeira, implantação de novas tecnologias ou sistemas alternativos de pré-fabricação, como a execução em painéis modulares, banheiros modulares, estruturas metálicas, automação, etc. Estrutura metálica Concreto Armado 250 dias 321 dias Quadro 11 Prazo de obra entre dois sistemas construtivos FONTE: NÓBREGA [2023] A figura 55 aponta ainda que para construção do pórtico estrutural em concreto armado seriam necessários um total de 321 dias. Para NOBREGA [2023] foi verificado a influencia geotécnica deste mesmo partido arquitetonico verificado pelo Bloco C (figuras 27 a 30) utilizando sistema construtivo pré-fabricado em aço com menor prazo, tendo uma redução de 71 dias conforme aponta o quadro 11. Além disso, NOBREGA [2023] reforça que “o peso total de 603,86 Tf (concreto armado) contra 144,65 Tf o peso total da superestrutura metálica” revelou menor custo e a viabilidade das fundações diretas, que por sua vez obteve dimensões 70x70cm para apoio das placas de chapa-base parafusadas. 57 6. CONCLUSÕES A partir da evolução deste material, que por sua vez esteve enquadrada no contexto da engenharia geotécnica, alguns elementos pontuais foram acrescidos como forma de exemplificar a participação multidisciplinar em cada obra. Desde a mais simples comunicação através dos fornecedores e equipe operária, até as mais complexas que concerne intimidade técnica e/ou social com investidores, outros profissionais, servidores públicos durante a fase de licenciamento e cliente final, cujo engajamento está mais envolvido pelo emocional. Nesse sentido, a boa condução do engenheiro civil durante a execução da obra deve ser pautada pela ética, transparência, idoneidade e capacidade para resolução de conflitos. A razão do cliente consumidor será praticada no momento do pós- venda, onde a vida útil do imóvel irá depender do manual de boas práticas e uso correto dos sistemas prediais instalados, para que haja o desempenho natural antes dos prazos mínimos de garantia. Sobre os aspectos pontuais da investigação geotécnica e como essa influencia pode garantir economia no custo global da construção, pode-se concluir sob cinco direcionamentos; 1) a prática de sondagem percussão utilizando método alternativo ‘pressiométrico’ apresentou bom resultado para fundações diretas, limitando-se a profundidade até 1,80m desde que haja a verificação de ensaios no laboratório, pois as propriedades do solo irão apresentar outras considerações a cerca das tensões locais até a base adotada da sapata; O ensaio percussão ‘SPT’ é o mais conhecido em nível nacional, além de sua simplicidade para levantar a resistência ‘N spt’ estatística; O comparativo entre dois pórticos, com 3 e 4 pavimentos uteis trouxe a tona a importância para verificar a capacidade de carga reagente em face a solicitação, pois durante o cálculo estrutural deve-se ter atenção as dimensões em sapatas superiores a 2,0m; O excedente poderá incorrer recalque pela proximidade de pilares, sobreposição do bulbo de tensões, 58 consequentemente na abertura de fissuras e desgaste para reparos construtivos ou até mesmo a ruína da edificação; 2) o uso de fundações diretas é diretamente proporcional as condições de dureza do solo ensaiado, em situações com tipo arenoso a resistência ganhou boa rigidez a partir de 1,20m escavado com ‘N spt= 1,08 kg/cm²’; A profundidade de 1,0m popularmente utilizada não atendeu resistência palpável, tendo N spt= 0,88 kg/cm²’. Estes dados foram obtidos durante ensaio no ‘solo 2’ na região sul de Parnamirim-RN; Tal fato chamou bastante atenção em virtude do preconceito formado neste solo. 3) O uso de geotecnologias na mecânica dos solos, bem como topografia, georreferenciamento, etc. traz uma nova ótica para indústria 4.0 e automatização no tratamento de dados envolvido, além da precisão adquirida; O uso dessa metodologia ‘BIM’ aplica-se aos parâmetros geométrico do edifício tridimensional na fase de projeto, planejamento e operação; 4) O planejamento de obras e/ou intervenções de reforma, ampliação deve ter a participação dos representantes, Engenheiro Civil e Arquiteto, parece óbvio mas a prática da ‘autoconstrução’ é muito frequente em todas as classes sociais, pelo simples fato da falsa impressão que a obra não vai perdurar além de um mês; 5) a engenharia é dinâmica, ao mesmo tempo apresenta comodismo para lidar com inovações no setor envolvido (indústria, comércio ou habitação); O engenheiro deve conciliar seu raciocínio logico e exato, com humanização através da participação em eventos sociais e manter continuidade na educação, uma vez que os desafios que lhe foram provocados irão ser investigados em uma tese disciplinar (pesquisa acadêmica). Este fluxo entre teoria e prática amplia a visão do profissional liberal para questionar seu método cientifico e validar com outros autores levantados em diferentes canais. Por fim, esta pesquisa serve de incentivo a novas pesquisas sobre a continuidade do tema selecionado e/ou objetos de estudo individuais dissertados com exemplo do estudo de caso adaptado. 59 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118: Projeto de estruturas concreto armado. Rio de Janeiro, 2023; _______. NBR 6122: Projeto e execução de fundações. Rio de Janeiro, 2022; _______. NBR 6123: Força devidas ao vento. Rio de Janeiro, 1988; _______. NBR 6484: Sondagem de simples reconhecimento com SPT. Rio de Janeiro, 2020; _______. NBR 8036: Programação de sondagens de simples reconhecimento do solos para fundações de edificios. Rio de Janeiro, 1983; _______. NBR 9604: Abertura de poço e trincheira de inspeção em solo, com retirada de amostras deformadas e indeformadas-Procedimento. 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