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BEM ESTAR NA PRODUÇÃO DE AVES 
MORAES, Gabriele Almeida¹; PIMENTEL, Joyce Rodrigues¹; PEIXOTO, Gabriela Vitória Costa¹; 
DUTRA, Joyce Carolina da Costa¹; CARVALHO, Sabrina de Souza¹; MARTINS, Mila Albuquerque 
Barbosa¹; SILVA, Beatris Cardoso RODRIGUES¹, SILVA, Paloma Resende¹; MOURA, João Victor 
Silva¹; BITTENCOURT, Tatiana² 
 
¹Graduando em Medicina Veterinária, Unipac -Lafaiete, MG, ²Médica Veterinária autônoma, Conselheiro 
Lafaiete, MG. *E-mail do autor para correspondência. 
 
RESUMO: O bem-estar animal na avicultura é um tema crescentemente relevante, 
impactando não apenas a ética da produção, mas também a qualidade do produto final, a 
saúde dos consumidores e a performance econômica das empresas. Para garantir o bem-
estar das aves, diretrizes específicas incluindo conforto, nutrição, manejo e atenção à 
saúde são essenciais. O Protocolo de Bem-Estar Animal na Produção de Frangos de Corte, 
baseado em padrões internacionais e legislações, fornece um guia para empresas avícolas 
brasileiras. A insensibilização das aves é crucial, requerendo monitoramento rigoroso 
para garantir a inconsciência imediata. O "abate humanitário" visa manter o bem-estar 
das aves durante todo o processo, com atenção especial à sangria. Priorizar o bem-estar 
animal não apenas reflete valores éticos, mas também melhora a qualidade do produto e 
o desempenho econômico, contribuindo para uma indústria avícola sustentável. 
Palavras-chave: Abate humanitário, avicultura, bem-estar animal, Protocolo de Bem-
Estar Animal. 
 
INTRODUÇÃO 
 O bem-estar animal é um tópico de crescente importância na indústria de 
produção animal. Garantir o bem-estar das aves na avicultura não apenas está 
relacionado à ética da produção, mas também afeta a qualidade do produto final, a saúde 
dos consumidores e o desempenho econômico das empresas. O tratamento adequado 
das aves, atendendo às suas necessidades físicas e emocionais, é fundamental para evitar 
o sofrimento desnecessário. Para alcançar isso, são necessárias diretrizes específicas, 
incluindo aspectos como nutrição adequada, manejo correto, cuidados médicos, 
compreensão do comportamento das aves e treinamento da equipe envolvida. Uma 
abordagem importante para avaliar e melhorar o bem-estar animal é aderir às "Cinco 
Liberdades" propostas pelo Conselho de Bem-Estar na Produção Animal (FAWC). 
Essas liberdades incluem garantir que as aves estejam livres de medo, dor, fome, sede, 
desconforto e tenham a liberdade de expressar comportamento natural. A avicultura é 
uma indústria significativa no Brasil, contribuindo substancialmente para o PIB do país 
e gerando empregos. A avicultura brasileira é reconhecida como uma das mais 
avançadas do mundo, devido a investimentos em áreas como genética, nutrição, manejo, 
biossegurança e bem-estar animal. Para atender a esses padrões elevados, o Protocolo de 
Bem-Estar Animal na Produção de Frangos de Corte foi desenvolvido como um guia 
para empresas avícolas. Nesta revisão de literatura, examinaremos os principais 
aspectos relacionados ao bem-estar animal na avicultura, desde as diretrizes gerais até 
os procedimentos específicos de manejo, como a apanha e transporte das aves, 
insensibilização elétrica e outros aspectos cruciais. 
 
REVISÃO DE LITERATURA 
Para garantir o bem-estar animal na avicultura, é essencial aderir a diretrizes 
específicas que incluem proporcionar conforto adequado, nutrição balanceada, cuidados 
médicos e considerar o comportamento e fisiologia das aves. 
A avicultura brasileira desempenha um papel significativo na economia, com altos 
padrões de qualidade e bem-estar animal. Investimentos em genética, nutrição, manejo e 
biossegurança contribuíram para esse reconhecimento global. O Protocolo de Bem-Estar 
Animal na Produção de Frangos de Corte foi criado para guiar as empresas avícolas 
brasileiras, levando em consideração protocolos internacionais e legislações relacionadas 
ao bem-estar animal. O Protocolo de Bem-estar Animal na Produção de Frangos de Corte 
foi concebido como um guia orientador destinado às empresas avícolas no Brasil. Sua 
elaboração envolveu a análise de protocolos similares de outros países, bem como o 
documento preparado pelo Comitê Interamericano de Sanidade Avícola da Organização 
Mundial de Saúde Animal. Além disso, levou-se em consideração a legislação que 
estabelece as regras mínimas para a proteção dos frangos de corte (Silva et al., 2009). 
Esse protocolo detalha os requisitos de bem-estar animal aplicáveis aos sistemas de 
produção e abate de frangos de corte, visando garantir que as aves sejam manejadas em 
condições que assegurem conforto e evitem situações de estresse desnecessárias. O 
conceito de um animal em boas condições de bem-estar abrange sua saúde, conforto, 
nutrição adequada, segurança e a capacidade de expressar comportamentos naturais, 
enquanto evita experiências desagradáveis como dor, medo e sofrimento. Para assegurar 
a conformidade com esses padrões de bem-estar animal, as granjas avícolas devem ser 
registradas, georeferenciadas e sujeitas ao controle tanto do programa quanto da 
instituição responsável por verificar e certificar o bem-estar dos animais (BRASIL, 2013). 
Na produção das aves as condições de alojamento devem ser adequadas, 
proporcionando ventilação, temperatura, umidade e proteção contra elementos climáticos 
adversos. A iluminação também desempenha um papel importante pois as aves precisam 
de um período adequado de luz contínua, com intensidade suficiente para estimular a 
atividade e permitir a inspeção adequada. A captura e o transporte das aves são etapas 
críticas que podem causar estresse e lesões. O manejo adequado, evitando métodos 
brutais, é essencial. O transporte deve considerar a densidade das aves, condições 
climáticas e qualidade dos veículos (UBA, 2008). O tempo de jejum alimentar antes do 
abate deve ser adequado, evitando contaminações e garantindo o esvaziamento do trato 
digestório das aves (ROSA et al., 2012). A insensibilização das aves deve ser realizada 
de forma a induzir imediatamente a inconsciência, mantendo esse estado até a morte. A 
eficácia desse processo está diretamente relacionada a diversos parâmetros, como a 
quantidade e a frequência da corrente elétrica aplicada, o tempo de imersão das aves na 
água, a velocidade da linha de produção, o comprimento da cuba, a resistência do meio e 
a profundidade de imersão das aves. É recomendável monitorar os sinais que indicam a 
eficiência da insensibilização, como um leve arqueamento do pescoço, a ausência de 
batimentos coordenados das asas, a falta de vocalização e a ausência de respiração rítmica 
(ABPA, 2016). 
O conceito de "abate humanitário" é definido como um conjunto de diretrizes 
técnicas e científicas que têm como objetivo garantir o bem-estar dos animais ao longo 
de todo o processo, desde a recepção até a operação de sangria (BRASIL, 2000). Durante 
o período que se estende da pendura à insensibilização, é crucial que a linha de abate seja 
mantida o mais linear possível, com iluminação reduzida, uma vez que ambientes mais 
escuros tendem a manter as aves mais calmas (UBA, 2008). A eficácia da sangria deve 
ser monitorada na entrada do tanque de escalda, com a estrita exigência de que nenhuma 
ave permaneça consciente (viva) durante esse processo (ABPA, 2016). 
O bem-estar animal não apenas promove valores éticos, mas também impacta o 
desempenho e a qualidade do produto final. Medidas para garantir o bem-estar das aves 
incluem o controle de fatores estressantes, como temperatura e umidade, e a atenção à 
saúde e ao comportamento das aves. Essas práticas contribuem para uma indústria avícola 
mais sustentável e ética. 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
De maneira abrangente, o bem-estar pode ser compreendido como a qualidade de 
vida experimentada pelo animal, englobando sua saúde, condição física, saúde mental e 
capacidade de manifestar comportamentosnaturais. 
O bem-estar na produção de aves de corte é de extrema importância para garantir 
a saúde e o crescimento saudável das aves. Isso envolve proporcionar um ambiente 
adequado, espaço suficiente, boa ventilação, acesso a água e alimento de qualidade, além 
de prevenir doenças e minimizar o estresse, quando damos atenção as necessidades dos 
animais, melhor e mais fácil será sua adaptação. Promover práticas de manejo não apenas 
será benéfica as aves, mas que também contribui para a qualidade do produto final e a 
reputação da indústria avícola. 
É crucial para os produtores adotar medidas que visem ao equilíbrio entre 
produção eficiente e bem-estar animal. E quando adotamos essas práticas, na produção 
de aves de corte, elas não devem ser vistas apenas como algo que irá gerar um aumento 
nos custos da produção, mas sim atitudes que proporcionará um aumento na 
produtividade, na qualidade dos produtos e na capacitação dos envolvidos no processo. 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
ABPA - Associação Brasileira de Proteína Animal: Protocolo de Bem-Estar para 
Frangos de Corte. São Paulo, 2016. 
 
BRASIL. (2000). Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução 
Normativa N° 3, de 17 de janeiro de 2000, aprova o regulamento técnico de métodos de 
insensibilização para abate humanitário de animais de açougue. Diário Oficial da União. 
Brasília, DF, 24 jan. 2000. Seção 1, p.14. 
 
BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Bem-estar animal o 
Brasil se importa. 2013. 
 
UNIÃO BRASILEIRA DE AVICULTURA (UBA). Protocolo de bem-estar para aves 
poedeiras. São Paulo ,2008. 23p. 
 
ROSA, P.S.; ALBINO, J.J.; BASSI, L.J.; GRAH, R.A.; ROSA, D.R.; NIENDICKER, 
T.P. Manejo PréAbate em Frangos de Corte. Instrução Técnica para o Avicultor. 
Embrapa suínos e aves, ed 1, 2012. 
 
SILVA, I.J.O.; MIRANDA, K.O.S. Impactos do bemestar na produção de ovos. Revista 
Thesis, São Paulo, ano VI, n.11,2009.