Prévia do material em texto
W BA 05 93 _V 2. 0 FERRAMENTAS E FRAMEWORK DIGITAL DA EDUCAÇÃO CORPORATIVA 2 Rafael Souza Coelho Londrina Editora e Distribuidora Educacional S.A. 2023 FERRAMENTAS E FRAMEWORK DIGITAL DA EDUCAÇÃO CORPORATIVA 1ª edição 3 2023 Platos Soluções Educacionais S.A Alameda Santos, n° 960 – Cerqueira César CEP: 01418-002— São Paulo — SP Homepage: https://www.platosedu.com.br/ Diretora Sr. de Pós-graduação & OPM Silvia Rodrigues Cima Bizatto Conselho Acadêmico Alessandra Cristina Fahl Ana Carolina Gulelmo Staut Camila Braga de Oliveira Higa Camila Turchetti Bacan Gabiatti Giani Vendramel de Oliveira Gislaine Denisale Ferreira Henrique Salustiano Silva Mariana Gerardi Mello Nirse Ruscheinsky Breternitz Priscila Pereira Silva Coordenador Ana Carolina Gulelmo Staut Revisor Thiago Oliveira da Silva Editorial Beatriz Meloni Montefusco Carolina Yaly Márcia Regina Silva Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________ Coelho, Rafael Souza Ferramentas e framework digital da educação corporativa/ Rafael Souza Coelho, – São Paulo: Platos Soluções Educacionais S.A., 2023. 32 p. ISBN 978-65-5903-296-9 1. Educação Corporativa 2. Tendências 3. Pedagogia Empresarial I. Título. CDD 371 _____________________________________________________________________________ Raquel Torres – CRB 8/10534 C672f © 2023 por Editora e Distribuidora Educacional S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Platos Soluções Educacionais S.A. 4 SUMÁRIO Apresentação da disciplina __________________________________ 05 Percurso histórico da educação corporativa _________________ 07 Práticas da pedagogia empresarial __________________________ 18 Educação corporativa como estratégica pedagógica na construção da jornada do colaborador e de employer brandings __________ 30 Tendências em Educação Corporativa _______________________ 40 FERRAMENTAS E FRAMEWORK DIGITAL DA EDUCAÇÃO CORPORATIVA 5 Apresentação da disciplina As organizações contemporâneas buscam, cada vez mais, profissionais devidamente capacitados para assumirem desafios das mais diversas naturezas e demandas, combinando habilidades técnicas e comportamentais, a fim de atingirem os objetivos estratégicos. Em contrapartida, os profissionais procuram empresas que proporcionem o desenvolvimento de suas competências e capazes de auxiliar no crescimento profissional e realização por meio do trabalho. Nesse sentido, se faz presente a necessidade da formar profissionais capazes de assumir cargos estratégicos junto à alta gestão, sendo primordial a formação individual dos profissionais, seu preparo para trabalhar com equipes de alta performance e a necessidade do preparo de gestores além do potencial humano, para atuarem na alta gestão de uma organização. A partir do contexto apresentado, a disciplina Ferramentas e Framework digital da Educação Corporativa tem o intuito de levar a compreensão da importância do novo contexto da educação corporativa na formação profissional. Abaixo, são apresentados os objetivos específicos: • Entender o percurso histórico da educação corporativa e sua importância para formação contínua dos profissionais. • Diferenciar a gestão do conhecimento e aprendizagem organizacional e a interação com a educação corporativa. 6 • Desenvolver estratégias de pedagogia empresarial no planejamento da jornada do colaborador. • Aplicar as boas práticas de educação corporativa em estratégias de construção do employer branding. • Estruturar um programa de educação corporativa, de acordo com as melhores práticas pedagógicas. Renovamos o convite para o estudo desta disciplina. Bons estudos!! 7 Percurso histórico da educação corporativa Autoria: Rafael Souza Coelho Leitura crítica: Thiago Oliveira da Silva Objetivos • Explicar os conceitos sobre educação corporativa. • Clarificar o percurso histórico da educação corporativa. • Diferenciar a gestão do conhecimento e aprendizagem organizacional, e a interação com a educação corporativa. 8 1. Introdução A educação corporativa é uma prática adotada por empresas de todo o mundo, e que tem se tornado cada vez mais importante na era da informação e da globalização. O conceito de educação corporativa surgiu nos Estados Unidos, na década de 1950 e, desde então, se expandiu para diversos países, com o objetivo de desenvolver competências e habilidades nos colaboradores e aprimorar o desempenho das empresas. Em resumo, a educação corporativa é uma prática adotada por empresas de todo o mundo, que se adaptam aos diferentes contextos culturais e econômicos para desenvolver programas de formação de alta qualidade, que contribuem para o aprimoramento do desempenho das organizações e para o desenvolvimento das competências e habilidades dos colaboradores. No decorrer das próximas seções, serão apresentados os principais conceitos acerca da educação corporativa, o percurso histórico e a interação da gestão do conhecimento e aprendizagem organizacional com a educação corporativa. 2. O que é educação corporativa? Para tratar o conceito de educação corporativa, é necessário resgatar a relevante obra Corporate universities, de Meister (1999), publicada em 1999, pois é considerada a obra magna da área. Meister (1999, p. 29) conceitua Universidade Corporativa como “um guarda-chuva estratégico para desenvolver e educar funcionários, clientes, fornecedores e comunidade, a fim de cumprir as estratégias empresariais da organização”. 9 Sob a ótica da autora, as universidades corporativas operam como unidades de negócio e não se restringem ao público interno; impacta fornecedores, clientes e influencia o mercado. Por outro lado, Allen (2002) explica que a universidade corporativa é uma ferramenta estratégica para orientar o aprendizado e conhecimento interno para cumprir os objetivos da organização. Entretanto, educação corporativa é o mesmo conceito que universidade corporativa? De acordo com Eboli (2012), os termos são similares e possuem a mesma proposta: ser o guarda-chuva estratégico nas organizações para educação de colaboradores. No Brasil, educação corporativa é um conceito relativamente novo, que tem sido cada vez mais adotado por empresas de todos os tamanhos e setores nos últimos anos. A sua implementação no país está diretamente relacionada à necessidade das empresas de se manterem competitivas em um mercado cada vez mais globalizado e complexo. Na Europa, a educação corporativa tem sido influenciada pela estratégia de aprendizagem ao longo da vida, que visa à formação contínua dos colaboradores e pela valorização do capital humano, que é considerado um ativo essencial para o sucesso das organizações. Muitas empresas europeias têm adotado modelos de educação corporativa em parceria com instituições de ensino, como universidades e escolas de negócios, para desenvolver programas de formação de alta qualidade. No Japão, a educação corporativa é uma prática comum, baseada no conceito de Kaizen, que prega a melhoria contínua e aperfeiçoamento constante. As empresas japonesas valorizam muito o desenvolvimento dos colaboradores e oferecem programas de treinamento intensivos, como o sistema de treinamento on the job, que envolve o aprendizado de novas habilidades na prática, no próprio local de trabalho. Na América Latina, a educação corporativa tem sido adotada, principalmente, por grandes empresas multinacionais, que buscam 10 aprimorar a qualificação de seus colaboradores para enfrentar os desafios da competição global. As empresas latino-americanas enfrentam desafios específicos,como a falta de investimentos em educação e a falta de uma cultura de aprendizagem contínua, o que torna a educação corporativa ainda mais importante para o desenvolvimento das competências e habilidades dos colaboradores. Entretanto, para se pensar em um programa de educação corporativa, é fundamental pensar em dois pontos cruciais: 1. Avaliar se há cultura de aprendizagem estabelecida. 2. Capacidade de desenvolver competências da organização e dos profissionais. A próxima seção abordará os aspectos históricos da educação corporativa. 3. Percurso histórico da educação corporativa Apesar do conceito de educação corporativa ser relativamente recente e ter suas raízes no desenvolvimento da indústria moderna e da economia global, há indícios de práticas educacionais no trabalho que contribuíram para o surgimento e evolução da educação corporativa. Gombrich (1999) traz um recorte histórico importante. Já na Grécia Antiga, a educação era valorizada como um meio de desenvolver as virtudes cívicas e pessoais dos cidadãos. As escolas de filosofia, como a Academia de Platão e o Liceu de Aristóteles, formavam jovens para a vida pública e para o exercício da cidadania. A educação era uma atividade coletiva, voltada para a formação integral do indivíduo. O autor enfatiza que a civilização egípcia também possuía práticas de qualificação profissional, pois havia a transferência de conhecimento de 11 mestre (instrutor) para um artista (aprendiz). Durante a Idade Média, a educação era predominantemente religiosa e voltada para a formação de sacerdotes e monges. As corporações de ofício, que surgiram na Europa no século XII, eram responsáveis por formar aprendizes nas artes e ofícios, com o objetivo de garantir a qualidade do trabalho e preservar as tradições culturais (HUBERMAN, 1986; VARGAS, 1996). No século XIX, com o desenvolvimento da Revolução Industrial, surgiu a necessidade de formar trabalhadores qualificados para atuar nas fábricas e indústrias. As empresas passaram a investir em treinamento e desenvolvimento de seus colaboradores, com o objetivo de aumentar a produtividade e a eficiência. Nesse período, surgiram as primeiras escolas técnicas e profissionais, que ofereciam formação especializada para atender às demandas do mercado de trabalho (VARGAS, 1996). No século XX, a educação corporativa se consolidou como uma prática empresarial, com a criação de programas de formação e treinamento de colaboradores em larga escala. Com o advento da globalização e da economia do conhecimento, a educação se tornou um fator estratégico para o sucesso das empresas. A educação corporativa passou a ser vista como uma forma de investir no capital humano das organizações, desenvolvendo as competências e habilidades necessárias para enfrentar os desafios do mercado globalizado. (EBOLI, 2012) As primeiras universidades corporativas surgiram entre as décadas de 1950 e 1970, como foi o caso da General Eletric (General Eletric Crotonville), a Motorola (Motorola University) e a Disney (Disney University) (MEISTER, 1999). No tocante do percurso histórico, ressalta-se que a indústria moderna e a economia global impulsionaram o desenvolvimento das práticas de educação corporativa e, no decorrer do tempo, evoluiu e contribuiu de maneira ímpar com o desenvolvimento dos colaboradores a fim de aumentar a produtividade, a eficiência e eficácia das organizações. 12 Nesse sentido, a próxima seção discutirá como ocorre o processo de interação da gestão do conhecimento e da aprendizagem organizacional com a educação corporativa. 4. A interação da gestão do conhecimento e aprendizagem organizacional com a educação corporativa A gestão do conhecimento e a aprendizagem organizacional são duas práticas empresariais que têm como objetivo criar ambientes de aprendizagem contínua nas organizações, visando melhorar a eficiência, a competitividade e a inovação. Para melhor aprofundamento dessas duas práticas, ambas serão explicadas separadamente nas próximas subseções. 4.1 Gestão do conhecimento Construir o conhecimento exige esforço e comprometimento de todos no processo. Com a passagem da sociedade industrial para sociedade do conhecimento, empresas e profissionais são exigidos a buscar novas competências a fim de atender as demandas de mercado. Nonaka e Takeuchi (2008), teóricos renomados e que trouxeram o conceito de gestão do conhecimento para o campo corporativo, explicam que: As contradições, as inconsistências, os dilemas, as dualidades, as polaridades, as dicotomias e as oposições não são alheios ao conhecimento, pois o conhecimento em si é formado por dois componentes dicotômicos e aparentemente opostos – isto é, o conhecimento explícito e o conhecimento tácito (NONAKA; TAKEUCHI, 2008, p.19). 13 De maneira sucinta, o conhecimento tácito é aquele que está presente no cérebro dos indivíduos e que é difícil de ser transmitido ou compartilhado, pois,, muitas vezes, é baseado em experiências, habilidades e intuições pessoais. Já o conhecimento explícito, é aquele que pode ser formalizado, documentado e compartilhado de forma clara e objetiva, como manuais, procedimentos, bases de dados, entre outros. O conhecimento tácito é, geralmente, gerenciado por meio de práticas de compartilhamento de experiências, conversas informais entre colaboradores, mentoring e outros tipos de interações interpessoais. Essas práticas visam capturar e formalizar o conhecimento tácito, transformando-o em conhecimento explícito que pode ser compartilhado e utilizado por toda a organização. Já o conhecimento explícito pode ser gerenciado por meio de sistemas de gestão de conteúdo, bases de dados, manuais e outros tipos de ferramentas que permitem o armazenamento, a organização e o compartilhamento de informações e conhecimentos. Para melhor absorção deste conceito, Nonaka e Takeuchi (2008) propuseram um modelo de criação de conhecimento chamado SECI, que significa, respectivamente, Socialização, Externalização, Combinação e Internalização. O processo de criação do conhecimento baseado no modelo SECI acontece da seguinte maneira: 1. Socialização: fase que motiva os colaboradores a partilharem o conhecimento tácito por meio da conscientização dos integrantes da equipe. 2. Externalização: fase importante em que o conhecimento se torna público para um novo conhecimento. 3. Combinação: fase de mescla do conhecimento externado para formação do conhecimento explícito, ou seja, da materialização. 14 4. Internalização: fase na qual o conhecimento socializado, externalizado e combinado se internaliza, ou seja, é documentado para ser replicado para toda organização. Quando o conhecimento se torna explícito, há estratégias como criação de bancos de dados e sistemas de informação, a elaboração de manuais e procedimentos, a realização de treinamentos e capacitações, entre outras, para utilizar esse conhecimento de forma eficiente na organização. Na próxima seção, aprofundaremos sobre as principais questões relacionadas à aprendizagem organizacional e contribuições com a educação corporativa. 4.2 Aprendizagem organizacional Na subseção anterior, foi possível entender que a gestão do conhecimento é responsável por criar um ambiente propício à aprendizagem organizacional. Em contrapartida, nesta subseção, será abordado como a aprendizagem organizacional se apropria de ferramentas e práticas da gestão do conhecimento para alcançar os objetivos de aprendizagem. No contexto multifacetado e cada vez mais desafiador das organizações, a aprendizagem dentro das empresas é necessária para evolução das competências de profissionais e empresas. Fleury e Fleury (1997, p. 19) explicam que o conceito de aprendizagem trata do “[...]processo de mudança, resultante de prática ou experiência anterior, que pode vir, ou não, a manifestar-se em uma mudança perceptível de comportamento”. Senge (2004) reitera que uma proposta de aprendizagem organizacional condizentedeve respeitar, ao menos, cinco disciplinas, conforme mostrado no Quadro 1. 15 Quadro 1 – As cinco disciplinas Disciplina Significado Domínio pessoal. Cultiva as aspirações individuais e a consciência da realidade. Modelos mentais. O indivíduo deve se tornar consciente das fontes do próprio pensamento. Visão compartilhada. Incentiva o compromisso com propósitos comuns. Aprendizagem em equipe. Transforma a capacidade do indivíduo em pensar coletivamente. Pensamento sistêmico. Desenvolver a consciência da complexidade, interpendência, mudança e poder de influenciar. Fonte: adaptado de Senge (2004). Corroborando com Senge (2004), Antonello (2005) explica que para promover a aprendizagem organizacional é importante considerar a cultura organizacional, os sistemas e as estruturas organizacionais. Na visão da autora, as organizações que são orientadas à aprendizagem, buscam novos saberes e criam vantagens competitivas ao negócio com menos dificuldade. Entretanto, empresas que vão de encontro com as boas práticas de aprendizagem, possuem dificuldades para estabelecer uma cultura de aprendizagem e, consequentemente, não conseguirão desenvolver as melhores estratégias de capacitação. A próxima subseção trará uma visão mais abrangente da interação da gestão do conhecimento e aprendizagem organizacional com a educação corporativa. 4.3 A interação da gestão do conhecimento e aprendizagem organizacional com a educação corporativa Foi possível verificar, nas subseções anteriores, que ambas as práticas vão por caminhos distintos, porém, chegam ao mesmo ponto: propiciar conhecimento para organização. 16 Quando relacionamos os conceitos de educação corporativa e aprendizagem organizacional, vemos que são conceitos relacionados à formação e ao desenvolvimento de competências nas empresas. Já o conceito de gestão do conhecimento está ligado ao processo de sistematização e materialização do conhecimento gerado pelas ações educacionais. Em resumo, a combinação da gestão do conhecimento e aprendizagem organizacional pode ajudar a educação corporativa no que tange a identificação das necessidades de aprendizagem, o compartilhamento de conhecimento, criação de ambientes de aprendizagem, identificação de boas práticas de educação corporativa e desenvolvimento de competências e habilidades estímulo à aprendizagem contínua. 5. Considerações finais As temáticas apresentadas ajudam a compreender como a educação corporativa é um caminho sem volta no processo de potencialização de competências de organizações e pessoas. De certo modo, foi possível notar que as interações entre educação corporativa, gestão do conhecimento e aprendizagem organizacional são fundamentais para criar uma cultura propícia para disseminação do conhecimento e, sem esses componentes, não há programa de educação corporativa que se sustente. Referências ALLEN, M. Why is a corporate university and why study should na organization have one? In: ALLEN, M. The Corporate University Handbook: design, managing, and growing a sucessful program. New York: Amacom, 2002. 17 ANTONELLO, C. S. A metamorfose da aprendizagem organizacional. In: RUAS, R. L.; ANTONELLO, C. S.; BOFF, L. H. (orgs.). Os novos horizontes da gestão: aprendizagem organizacional e competências. p. 12-33. Porto Alegre: Bookman, 2005. EBOLI, M. Fundamentos e evolução da educação corporativa. In: EBOLI, M.; FISCHER, A. L.; MORAES, F. et al. (orgs.). Educação corporativa: fundamentos, evolução e implantação de projetos. p. 140-161. São Paulo: Atlas, 2012. GOMBRICH, E. H. A história da arte. Rio de Janeiro: LTC, 1999. HUBERMAN, L. História da riqueza do homem. 21. ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986. MEISTER, J. C. Educação corporativa: a gestão do capital intelectual através das universidades corporativas. Tradução de Maria Cláudia Santos Ribeiro Ratto. São Paulo: Makron Books, 1999. FLEURY, A. C. C.; FLEURY, M. T. L. Aprendizagem e inovação organizacional: as experiências de Japão, Coréia e Brasil. São Paulo: Atlas, 1997. NONAKA, I.; TAKEUCHI, H. Gestão do conhecimento. Tradução de Ana Thorell. Porto Alegre: Bookman, 2008. SENGE, P. A quinta disciplina: arte e prática da organização que aprende. 17. ed. Rio de Janeiro: Best Seller, 2004. VARGAS, M. R. M. Treinamento e desenvolvimento: reflexões sobre seus métodos. Revista de Administração, São Paulo, v. 31, n. 2, p. 126-136, 1996. 18 Práticas da pedagogia empresarial Autoria: Rafael Souza Coelho Leitura crítica: Thiago Oliveira da Silva Objetivos • Explicar os conceitos da pedagogia empresarial. • Mostrar os principais componentes e práticas pedagógicos utilizados na educação corporativa. • Apresentar os principais caminhos para elaboração de um programa de educação corporativa. 19 1. Introdução Para melhorar resultados e potencializar as competências dos colaboradores, é fundamental que as organizações se esforcem em estruturar programas de educação corporativa. Por isso, no decorrer das próximas seções, serão explicados os conceitos sobre a pedagogia empresarial. Serão demonstradas os principais componentes e práticas pedagógicas utilizadas na educação corporativa, bem como serão apresentados os principais caminhos para elaboração de uma proposta de programa de educação corporativa. 2. Pedagogia empresarial O processo de aprendizagem não ocorre somente no ambiente escolar, vai além. Um dos ambientes mais propícios para o desenvolvimento de uma atividade pedagógica é justamente o ambiente de trabalho (BORGES; MENDES, 2022). Afinal, mesmo que a empresa não possua um programa de capacitação estruturado, no dia a dia da empresa, há trocas de experiências sobre as rotinas de trabalho, transferência de conhecimento entre um superior e um colaborador recém-admitido para cumprir determinada função. Pensar em pedagogia empresarial é fomentar ações proativas que favoreçam o aprendizado do colaborador, a fim de aperfeiçoá-lo para atingir os objetivos estratégicos organizacionais (BORGES; MENDES, 2022). Na contemporaneidade do mundo do trabalho, as organizações devem identificar as habilidades profissionais, compreender as técnicas de atuação, aperfeiçoar conhecimentos, a fim de melhorar a prestação de serviços no ambiente corporativo e contribuir na formação educacional corporativa (DELORS, 1996). 20 Para melhor aprofundamento, a próxima seção abordará o entendimento sobre a pedagogia empresarial sob os aspectos relacionados aos componentes e práticas pedagógicos. 3. Componentes e práticas pedagógicos Para executar uma atividade de educação corporativa, é necessário clarificar duas questões importantes: as práticas pedagógicas e os materiais instrucionais. As próximas subseções abordarão de forma conceitual e prática, os principais pontos relacionas às práticas pedagógicas e aos materiais instrucionais. 3.1 Práticas pedagógicas Aplicar boas práticas pedagógicas na educação corporativa são essenciais, tanto para o desenvolvimento dos colaboradores quanto para o aprimoramento das competências necessárias para o sucesso do negócio. Nesse sentido, o Quadro 1 traz práticas pedagógicas que podem ser aplicadas em atividades de educação corporativa. Quadro 1 – Práticas pedagógicas que podem ser aplicadas em educação corporativa Atividade Definição Prática Aprendizagem baseada em problemas. Abordagem educacional que se concentra em envolver os alunos em situações ou projetos do mundo real, em que são incentivados a resolver problemas, tomar decisões e aplicar conhecimentos e habilidades para alcançar soluções significativas. Os alunos trabalham em grupos, fazem perguntas e procuram respostas, compartilham ideias, discutem soluções e realizam pesquisas, a fim de resolver problemas ou desafios específicos. . 21 Atividade Definição Prática Aprendizagem baseada em projetos. Enfatiza a aprendizagem prática e a aplicação de habilidades e conhecimentos em um contexto de projeto com base em práticas de metodologiasde projetos (ágeis, PBMOK) e afins. Os envolvidos trabalham em equipe, discutem ideias, fazem pesquisas, elaboram planos de ação e implementam soluções práticas para os problemas identificados e, assim, podem desenvolver habilidades e competências práticas e aplicáveis ao seu trabalho realizado na empresa. Aulas expositivas. Abordagem tradicional de ensino, em que o professor apresenta informações e conceitos para os alunos de forma unidirecional, ou seja, de forma que apenas o professor fala e os alunos escutam, mediados por um instrutor ou professor. O professor ou instrutor, geralmente, usa recursos como lousa (analógica ou digital), slides ou material impresso para apresentar o conteúdo e os alunos são encorajados a tomar notas e a fazer perguntas durante a aula, entretanto, a interação, geralmente, é limitada. Autoinstrução. O estudante é o responsável por sua própria instrução, definindo suas metas de aprendizagem e seguindo um plano de estudos independente. O aluno define seus próprios objetivos de aprendizagem e trabalha para alcançá-los de forma autônoma, utilizando recursos, como livros, materiais impressos, vídeos, cursos on-line, entre outros, sendo responsável por avaliar seu próprio progresso e ajustar seu plano de estudos de acordo com suas necessidades. Coaching. Prática de desenvolvimento pessoal e profissional que envolve a colaboração entre um coach (treinador) e um coachee (cliente). O objetivo do coaching é ajudar o coachee a identificar e alcançar seus objetivos, melhorar sua performance e maximizar seu potencial. Sua prática envolve uma série de sessões individuais ou em grupo e desenvolve as competências por meio de diálogos, questionamentos que incentivem o indivíduo ou o grupo a pensar em suas ações e desenvolvimento. Comunidades de prática. São grupos de pessoas que compartilham o mesmo interesse por alguma coisa que praticam e trabalham juntas para aprender e aprimorar suas habilidades e conhecimentos relacionados a essa área. Os alunos podem ajudar uns aos outros a aprender e crescer em suas áreas de interesse e ser um canal interessante de networking e colaboração, a fim de criar oportunidades para novas parcerias e projetos. Debates. Tipo de estratégia que envolve a discussão estruturada de um tópico controverso ou problemático entre dois ou mais participante. O objetivo principal dos debates como prática educacional é fornecer aos alunos a oportunidade de aprimorar habilidades de comunicação, pensamento crítico, persuasão e trabalho em equipe e podem ser conduzidos por meio de seminários, congressos, simpósios ou discussão de leituras. 22 Atividade Definição Prática Dramatização. Prática que envolve a interpretação de personagens e situações por meio da atuação para representar uma determinada situação ou fato. Essa técnica é frequentemente utilizada no contexto educacional para ajudar os alunos a compreender e internalizar conceitos e informações de forma mais significativa, pois os envolvidos são incentivados a desempenhar papéis e situações específicas, criando um ambiente imersivo que os ajuda a entender melhor as informações que estão sendo aprendidas. Estudo de caso. Trata-se de uma estratégia educacional que envolve a análise aprofundada e detalhada de um ou mais casos específicos de um fenômeno ou situação. Sua prática pressupõe a análise de casos práticos de dentro ou de fora da empresa, reais ou fictícios, e são usados para fornecer um contexto concreto e aplicável para a aprendizagem de conceitos e teoria, podendo ocorrer em grupo ou de forma individual. Gamificação. Aplicação de elementos de jogos em contextos que não são necessariamente relacionados a jogos, com o objetivo de aumentar a motivação, engajamento e aprendizagem dos usuários. Envolve o uso de técnicas, como pontos, medalhas, recompensas, desafios, narrativas e feedbacks, que são comuns em jogos, para tornar uma atividade mais envolvente e, no contexto corporativo, incentiva a competição entre os colaboradores. Job rotation. É uma prática que permite aos indivíduos alternarem as atividades em diferentes departamentos da organização, adquirindo, assim, uma visão sistêmica de todo contexto organizacional. Na prática, o Job Rotation retira da sua rotina de trabalho por um determinado tempo e o faz conhecer os outros ambientes e atividades de um departamento específico, o que estimula a empatia e reflexão individual e coletiva. Jogos. Atividades lúdicas que são projetadas para ensinar habilidades, conceitos ou conhecimentos específicos a alunos de diferentes idades e níveis educacionais, com objetivos claros, regras definidas e estruturas bem definidas para envolver os alunos em uma experiência interativa de aprendizado. Os jogos podem ser aplicados em diferentes áreas do conhecimento, como matemática, ciências, história, literatura, entre outras e podem ser usados para ensinar habilidades cognitivas, como pensamento crítico, resolução de problemas e tomada de decisão, bem como habilidades sociais, como trabalho em equipe, comunicação e colaboração. Mentoring. Prática de aprendizagem colaborativa em que uma pessoa mais experiente (o mentor) orienta e aconselha uma pessoa menos experiente (o mentorado) em uma área específica de interesse ou objetivo. Um mentor pode orientar um funcionário em seu desenvolvimento profissional ou ajudá-lo a superar desafios no trabalho. 23 Atividade Definição Prática Oficinas de trabalho. Prática de aprendizagem colaborativa, cujo objetivo é reunir os participantes para discutir, explorar e trabalhar em torno de um tema específico ou de um projeto comum. Essas oficinas são projetadas para promover a participação ativa dos participantes e incentivar a troca de ideias e experiências e podem ser usadas para discutir novas ideias ou projetos, treinar habilidades específicas ou resolver problemas em equipe. Fonte: adaptado de Moscardini e Klein (2015). As práticas pedagógicas apresentadas no Quadro 1 podem ser utilizadas na educação corporativa, desde que estejam alinhadas aos objetivos estratégicos da empresa e às necessidades de desenvolvimento dos colaboradores. É importante destacar que o advento dos aparatos digitais e a massificação do uso da Internet, surgiram novas formas, espaços e tempos em que as atividades de educação corporativa podem ser aplicadas. Um exemplo dessa evolução é o local para realização de um treinamento. O espaço presencial tradicional, que, normalmente, propicia interações mais próximas e em tempo real entre os participantes, divide o lugar com a modalidade on-line. Seja síncrono (ao vivo) ou assíncrono (gravado), a empresa pode proporcionar, por meio de plataformas digitais, acesso aos conteúdos educacionais, criar trilhas de aprendizagem, desenvolver projetos de gamificação e transformar o ambiente de trabalho mais colaborativo (KRAJDEN, 2017). A próxima subseção apresentará os caminhos para construção de um material instrucional de qualidade, que é um dos desafios dos cursos on-line. 3.3 Criação de material instrucional Quando uma organização propõe a oferta de cursos em um programa de educação corporativa, principalmente, na modalidade à distância, 24 é importante construir materiais instrucionais relevantes e que façam sentido ao aluno. Conceitualmente, Langhi (2015) explica que: Os materiais instrucionais têm por função auxiliar o alcance de determinados objetivos de ensino, como por exemplo: a) melhorar a qualidade de ensino oferecido aos estudantes; b) reduzir os custos dessa qualidade. (LANGHI, 2015, p.37) Corroborando ao conceito apresentado por Langhi (2015), o Quadro 2 traz relevantes componentes e questionamentos que contribuem para a entrega de um bom conteúdo instrucional e ajudam aluno, instrutor, professor e organização a atingirem seus objetivos, principalmente, em cursos cuja modalidadeé on-line. Quadro 2 – Componentes e questionamentos essenciais para desenvolvimento de material instrucional Em que se atentar? O que responder? Público-alvo. Quem são as pessoas que utilizarão o material instrucional? Quais são suas necessidades e expectativas para criar um conteúdo que atenda o que precisa? Objetivos. Quais objetivos deseja alcançar? Que tipo de conteúdo atenderá esses objetivos? Conteúdo. O que será abordado? Quais são as referências para o conteúdo fazer sentido ao público? Metodologia. Que tipo de metodologia será utilizada? Qual o tipo de metodologia mais adequada para atender as necessidades de aprendizagem do público em questão? Recursos de Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs). Quais recursos audiovisuais poderão ser utilizados? O que será mais atraente para engajar o público? Práticas pedagógicas Quais práticas pedagógicas causarão mais impacto e interação com público? Exercícios? Jogos? Quizzes? Debates? Aprendizagem baseada em problemas? Avaliação. Como mediremos o nível de aprendizado? Quais indicadores são importantes aferir com o público em questão? Fonte: adaptado de Langhi (2015). 25 Com base nas informações apresentadas no Quadro 2, a Figura 1 elucida os quatro pilares essenciais no planejamento do material instrucional. Figura 1 – Quatro pilares essenciais no planejamento do material instrucional Fonte: adaptada de Langhi (2015). Aprofundando-se sobre a construção do material, Langhi (2015) pondera os pontos micro na elaboração do material instrucional: a. Relação prática-teórica: com possibilidade aplicação de atividades de fixação e/ou exercícios. b. Autoavaliação: com questões que elevem o pensamento crítico do aluno. c. Glossário: com o intuito de esclarecer termos técnicos e conceitos presentes no texto. 26 d. Exemplificação: para elucidar questões teóricas. e. Elementos audiovisuais: com objetos de aprendizagem compostos por animações, vídeos, podcasts, para auxiliar o aluno na absorção do conteúdo. f. Sínteses: para aprofundar o conteúdo apresentado no decorrer do curso. g. Desafios: com o intuito de levar o aluno à prática profissional. h. Referências externas: com dicas de filmes, reportagens e recortes de artigos científico, a fim de ampliar o arcabouço teórico e prático do aluno. Em suma, envolver os componentes necessários, fazer o planejamento adequado e se atentar nos pontos micros, são detalhes essenciais para deixar o material mais envolvente e atrativo para o colaborador. Por isso, tanto para a produzir um material instrucional de qualidade quanto para escolher uma prática pedagógica para desenvolver determinada competência com os colaboradores, a abordagem deve ser personalizada, ou seja, ir ao encontro das reais necessidades e interesses. Agora que você tem a dimensão da importância das práticas pedagógicas e da construção de um material instrucional de qualidade, a próxima seção trará os passos para elaboração de um programa de educação corporativa de excelência. 4. Passos para se elaborar um programa de educação corporativa de excelência Meister (1999) explica que, prioritariamente, um programa de educação corporativa necessita do apoio da alta gestão. Para ter sucesso nessa 27 empreitada, é necessário seguir alguns passos importantes, conforme defendido pela autora e mostrado no Quadro 3. Quadro 3 – Componentes essenciais para a elaboração de um programa de educação corporativa Componente Função 1. Controle. Formar um sistema de controle, agregando outras pessoas. 2. Visão estratégica. Elaborar uma visão estratégica inspiradora, com missão, visão e valores definidos e de fácil absorção por todos da companhia. 3. Fontes de receita. Definir quais recursos financeiros suprirão as necessidades da educação corporativa. 4. Organização. Definir as funções operacionais, táticas e estratégicas e estabelecer os papéis dos autores no processo. 5. Partes interessadas. Identificar as partes interessadas que participarão do ecossistema da educação corporativa, seja o público interno (colaboradores) ou o externo (fornecedores, comunidade, parceiros, entre outros). 6. Produtos/ serviços. Desenvolver modelo um modelo pedagógico e instrucional que atendam as demandas das partes interessadas. 7. Parceiros. Selecionar os fornecedores de atividades educacionais, como, por exemplo, plataformas digitais, instrutores, professores, designers instrucionais e profissionais afins. 8. Infraestrutura. Avaliar o parque tecnológico e os recursos que serão utilizados no programa de educação corporativa, tendo em vista que, eventualmente, esse escopo poderá mudar por necessidades específicas de alguma atividade. 9. Avaliação. Medir a absorção do conhecimento e o engajamento dos alunos, a fim de avaliar se a cultura de aprendizagem está sendo estabelecida e de acordo com o plano estratégico da organização. 10. Comunicação. Elaborar um plano de comunicação para divulgar, engajar e motivar os envolvidos no programa de educação corporativa proposto. Fonte: adaptado de Meister (1999). Em relação ao exposto no Quadro 3, é importante ressaltar que ter os objetivos claros ajuda a definir quais são os objetivos da empresa em relação aeducação corporativa. É importante ter em mente quais competências e habilidades precisam ser desenvolvidas para alcançar os resultados esperados. 28 Borges e Mendes (2012) ressaltam que a fluidez e a consistência do processo passam pela identificação das necessidades de treinamento, seja por meio de entrevistas, questionários, avaliações de desempenho ou outras ferramentas. Dessa forma, é possível criar um programa de educação corporativa personalizado para cada colaborador ou departamento para atender as demandas descritas no planejamento estratégico. Com isso, ressalta-se a importância de definir uma equipe responsável, a fim de garantir o sucesso do programa, pois suportará não só a implementação, mas também a coordenação das atividades oriundas do programa, o que exigirá conhecimento, habilidades e atitudes sobre as necessidades e desafios da empresa (MUNHOZ, 2015). Adicionado à responsabilidade da gestão, o líder de um programa de educação corporativa deve estar atento à escolha da metodologia adequada, avaliando individual, o tipo de treinamento a ser aplicado, a disponibilidade dos colaboradores, as características do conteúdo e as necessidades de aprendizagem. Por fim, e não menos importante, é necessário avaliar os resultados. Afinal, são por meio dos indicadores de desempenho, dos quais podem ser apurados por meio das avaliações das atividades ou pesquisa de satisfação dos alunos, é que a alta gestão terá a visão macro se os objetivos de aprendizagem foram alcançados (ou não) e identificar os possíveis ajustes e correções de rota do processo estabelecido. 5. Considerações finais As temáticas apresentadas trazem uma visão de que maneira as práticas pedagógicas em educação corporativa contribuem para o desenvolvimento de atividades educacionais a fim de potencializar competências individuais e coletivas nas organizações do trabalho. 29 Sobre as práticas pedagógicas em educação corporativa, foi possível entender que é possível a organização angariar benefícios para ela, como, por exemplo, aumentar a produtividade dos colaboradores, melhorar a qualidade do trabalho, reduzir a rotatividade de funcionários, desenvolver líderes internos, aumentar a competitividade e melhorar a imagem da empresa. Referências BORGES, M.; MENDES, G. S. Princípios e práticas da pedagogia empresarial. Curitiba: Interateres, 2022. DELORS, J. et al. Educação: um tesouro a descobrir. Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI. São Paulo: Cortez/MEC, 1996. KRAJDEN, M. O despertar da gamificação corporativa. Curitiba: InterSaberes, 2017. LANGHI, C. Materiais instrucionais para o ensino a distância: uma abordagem da teoria da aprendizagem significativa de Ausubel.São Paulo: Centro Paula Souza, 2015. MEISTER, J. C. Educação corporativa: a gestão do capital intelectual através das universidades corporativas. Tradução de Maria Cláudia Santos Ribeiro Ratto. São Paulo: Makron Books, 1999. MOSCARDINI, T. N.; KLEIN, A. Educação corporativa e desenvolvimento de lideranças em empresas multisite. Revista de Administração Contemporânea,[s. l.], v. 19, n. 1, p. 84-106, 2015. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rac/v19n1/1982-7849- rac-19-1-0084.pdf. Acesso em: 29 maio 2023. MUNHOZ, A. S. Educação corporativa: desafio para o Século XXI. Curitiba: InterSaberes, 2015. 30 Educação corporativa como estratégica pedagógica na construção da jornada do colaborador e de employer brandings Autoria: Rafael Souza Coelho Leitura crítica: Thiago Oliveira da Silva Objetivos • Explicar o que é a jornada do colaborador. • Mostrar os caminhos para construção do employer branding, por meio da gestão do talento. • Conectar as práticas da educação corporativa com a formação individual do colaborador. 31 1. Introdução As organizações buscam constantemente inovar processos, a fim de se tornarem mais competitivas e atrativas na atração e retenção de talentos. Quando há essa combinação de esforços, a empresa tem mais condições de atingir os objetivos estratégicos. Nesse sentido, é importante trazer a discussão sobre pontos importantes, mas que não estão tão evidentes na educação corporativa. Uma delas é a jornada do colaborador, prática esta que influencia diretamente o nível de satisfação e motivação dos funcionários e impacta na produtividade, retenção e desempenho da equipe. Outro ponto é a consequência da jornada do colaborador, que é o employer branding, ou marca empregadora. No entanto, essa construção envolve cultura organizacional, políticas e boas práticas de gestão de pessoas, oportunidades de carreira, ambiente de trabalho, entre outros fatores. Por isso, nas próximas seções, serão discutidas todas essas temáticas, a fim de entender suas conexões com a educação corporativa e seus benefícios no desenvolvimento de competências por meio das ações educacionais nas empresas. 2. Employee experience: a jornada do colaborador O employee experience, também conhecida como jornada do colaborador, é o conjunto de experiências que um funcionário vivencia ao longo de seu tempo de trabalho em determinada empresa. Isso inclui desde o processo de seleção e contratação, passando pelo treinamento e integração à cultura organizacional, até o desenvolvimento profissional, avaliação de desempenho e eventual desligamento (MADRUGA, 2021). Uma boa jornada do colaborador é importante para a satisfação e engajamento dos funcionários, o que pode levar a um melhor 32 desempenho e produtividade, além de reduzir o turnover e os custos associados à contratação e treinamento de novos funcionários. Madruga (2021) propõe algumas práticas para conduzir uma boa jornada do colaborador na empresa, como mostra o Quadro 1. Quadro 1– Boas práticas de jornada do colaborador Ação Boa prática Processos de seleção justos e transparentes. Levar em consideração as habilidades técnicas e as competências comportamentais dos candidatos. Onboarding. Apresentar, aos novos colaboradores, a cultura organizacional, os valores da empresa, as políticas e procedimentos, bem como os colegas de trabalho e suas responsabilidades. Plano de carreira. Oferecer oportunidades de desenvolvimento e crescimento profissional aos colaboradores. Avaliação de desempenho. Feedback regular e construtivo sobre o desempenho dos colaboradores, com o objetivo de ajudá-los a melhorar e crescer em suas funções. Meritocracia. Cultura de reconhecimento e recompensa, que valorize o trabalho dos colaboradores e motive a continuarem se empenhando. Ambiente de trabalho favorável. Promover a saúde física e mental dos colaboradores. Benefícios e remuneração. Justos e competitivos, que reconheçam o valor e a contribuição dos colaboradores para a empresa. Fonte: adaptado de Madruga (2021). Ao implementar essas práticas, as empresas podem criar uma jornada do colaborador positiva, que ajude a atrair e reter talentos e a impulsionar o sucesso do negócio. A próxima subseção trará subsídios para entender estratégias de educação corporativa atreladas à jornada do colaborador. 2.1 Jornada do colaborador e a educação corporativa As estratégias de educação corporativa são essenciais para o desenvolvimento dos colaboradores e para a melhoria dos resultados da 33 empresa. Quando atreladas à jornada do colaborador, essas estratégias contribuem para a criação de um ambiente de trabalho mais produtivo e saudável, aumentando a satisfação e o engajamento dos funcionários. O Quadro 2 traz algumas das estratégias de educação corporativa que podem ser atreladas à jornada do colaborador. Quadro 2 – Estratégias de educação corporativa atreladas à jornada do colaborador Tipo de ação Impacto na organização Treinamento e capacitação. É importante que a empresa invista em programas de treinamento que ajudem os colaboradores a desenvolverem as habilidades técnicas necessárias para desempenharem suas funções com excelência. Isso pode incluir treinamentos presenciais ou on-line, workshops, palestras e programas de mentoria Desenvolvimento de competências comportamentais. Além das habilidades técnicas, é importante que os colaboradores desenvolvam competências comportamentais que ajudem a lidar com situações do dia a dia no ambiente de trabalho. Essas competências incluem comunicação, liderança, trabalho em equipe, resiliência, adaptabilidade e muitas outras Mentoria e coaching. A mentoria e o coaching são estratégias de educação corporativa que envolvem o acompanhamento individual dos colaboradores por profissionais experientes. Isso ajuda os colaboradores a desenvolverem suas habilidades e competências, bem como a alcançarem seus objetivos profissionais. Programas de liderança. Os programas de liderança são estratégias de educação corporativa que ajudam os colaboradores a desenvolverem suas habilidades de liderança e gestão. Isso pode incluir treinamentos, workshops, mentoria e coaching, bem como programas de formação para cargos de liderança. Fonte: adaptado de Meister (1999). Ao implementar essas estratégias de educação corporativa atreladas à jornada do colaborador, as empresas podem criar um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo, aumentando a satisfação e o engajamento dos colaboradores, contribuindo para o sucesso do negócio. 34 Entretanto, é importante ressaltar que a jornada do colaborador é apenas a ponta do iceberg. Afinal, há algo mais profundo neste contexto, que é justamente o employer branding, ou marca empregadora. Na próxima seção, o conceito de marca empregadora será aprofundado, além de outras temáticas relevantes, como carreira e gestão do talento, e de que maneira estratégias atreladas à educação corporativa podem contribuir para a criação de uma imagem positiva da empresa como um local de trabalho que investe no desenvolvimento dos colaboradores. 3. Employer branding: construção da marca empregadora O employer branding, ou marca empregadora, é um conceito contemporâneo utilizado pelas empresas para designar o conjunto de estratégias e técnicas, a fim de promover atrair, engajar e reter talentos e ratificar sua imagem como marca empregadora. As próximas subseções abordarão de forma conceitual e prática, os principais pontos relacionas sobre carreira, gestão de talento e employer branding, pilares essenciais para empresas que almejam o vanguardismo estratégico. 3.1 Carreira A construção da marca empregadora transita essencialmente pela gestão do talento. Entretanto, é necessário dar um passo para trás e entender algumas premissas sobre carreira aprofundar em uma questão essencial: carreira. A construção de carreira é uma ação contínua e envolve valores culturais, econômicos, educacionais, emocionais esociais e a escolha de 35 uma profissão está permeada por experiências pessoais, familiares e profissionais (GRAMIGNA, 2007). Pensar neste conjunto, é trazer à tona a importância do planejamento de carreira e, para construir uma carreira, deve-se respeitar todo entorno do indivíduo, suas limitações e vivências. Sobre isso, o Portal Vagas (2022) sugere que o plano de carreira deve possuir metas de curto, médio e longo prazo para cumprir e que o progresso seja avaliado. Sophia (2022) explica que o planejamento de carreira é um contínuo que pode auxiliar o profissional a gerenciar seu aprendizado e desenvolvimento. A autora sugere quatro passos importantes a serem seguidos no planejamento de carreira: 1. Autoconhecimento, ou seja, saber quem você é. 2. Mapear as habilidades e os conhecimentos atuais e os requeridos para aquela determinada posição. 3. Traçar seus objetivos a curto, médio e longo prazo. 4. Fazer o seu movimento. E a organização? Qual é a participação dela neste processo? Para responder esses e outros questionamentos que podem aparecer, Fleury e Fleury (1997) esclarecem que é essencial as organizações fomentarem uma cultura de aprendizagem, a fim de potencializarem as competências do colaborador e, consequentemente, a carreira. Como retorno positivo, a alta direção despertará o senso de comprometimento e pertencimento no colaborador e poderá conduzir a gestão do negócio de maneira mais assertiva. 36 Na próxima subseção, será discorrido o papel da organização na gestão dos talentos e suas implicações às organizações. 3.2 Gestão do talento A gestão do talento pode ser uma vantagem competitiva para as organizações. Dutra (2006) explica que a gestão do talento é um processo que necessita do contínuo desenvolvimento da organização e do profissional e busca estabelecer propostas, metas e estratégias para a valorização do talento. Nesse sentido, para proporcionar um ambiente do trabalho agradável e saudável, ao colaborador, é necessária a colaboração mútua, ou seja, uma parceria entre colaborador e organização. No tocante desta discussão, Gramigna (2007) desenvolveu um estudo relevante sobre a gestão do talento, dividindo essa gestão em quatro partes: • Talento: é aquele que possui um rol de competências e um desempenho que o difere como talento. • Mantenedor: colaborador esforçado, mas que possui um gap de competências que o impedem de ser um talento. • Futuro talento: colaborador possui competências diferenciadas, mas pela falta de experiência ou falta de conhecimento em processos da empresa, ainda precisa de maturação para ser um talento. • Ponto crítico: alto risco do colaborador não fazer parte do quadro da organização, pois é um profissional que não possui potencial de competências e não possui bom desempenho. Com isso, é possível entender que o mapeamento das competências e adequação dos processos de desenvolvimento dos colaboradores podem contribuir para melhoria da gestão de talentos nas organizações. 37 Entretanto, é necessário ponderar a necessidade das organizações voltarem o olhar para revisão das práticas de gestão do talento, a fim de criar estratégias que beneficiem tanto colaborador quanto empresa para construção de uma marca empregadora. Por falar em marca empregadora, a próxima subseção trará subsídios para construção de uma marca empregadora atrelada à educação corporativa. 3.2 Papel da educação corporativa na construção da marca empregadora As estratégias de marca empregadora são importantes para a atração e retenção de talentos na empresa. Quando atreladas à educação corporativa, essas estratégias podem contribuir para a criação de uma imagem positiva da empresa como um local de trabalho que investe no desenvolvimento dos colaboradores. Borges e Mendes (2022) elencam algumas estratégias de educação corporativa que podem ser aplicadas para construção de marca empregadora: • Comunicação clara dos benefícios educacionais: comunicar adequadamente aos colaboradores os benefícios educacionais que a empresa oferece, como treinamentos, programas de capacitação, workshops, mentoria, entre outros, traz credibilidade aos processos internos e transmite o comprometimento da instituição em promover a cultura de aprendizagem. • Educação continuada: investir em programas de educação continuada para os colaboradores pode ser realizado por meio de subsídios, que podem incluir cursos de graduação ou pós- graduação, programas de desenvolvimento de liderança e gestão, entre outros. Ressalta-se, no entanto, a importância de ter uma política de bolsa de estudos ou auxílio educacional com direitos e deveres claros, a fim de evitar constrangimentos ou frustrações. 38 • Promoção da cultura de aprendizagem: incentivar a participação dos colaboradores na busca incessante do desenvolvimento profissional. Esse fomento pode ser feito por meio de comunicados internos, informando a comunidade de colaboradores sobre palestras, eventos e workshops internos. • Projetos internos: engajar os colaboradores no desenvolvimento de projetos internos pode despertar novas competências e talvez até novas lideranças. Por isso, ter uma área de inovação de produtos liderada por um profissional que seja capaz de fomentar, captar, incentivar e instruir colaboradores nessa construção pode trazer benefícios não só pessoais, mas também organizacionais. • Programas de mentoria: os programas de mentoria representam uma estratégia importante para a educação corporativa e para a marca empregadora, pois ajudam os colaboradores a se desenvolverem profissionalmente e a se sentirem valorizados pela empresa. Um caminho interessante é ter um representante de cada área da empresa, engajado em todos os âmbitos da cultura organizacional, para ser o mentor do colaborador, principalmente dos novos, a fim de potencializar suas competências e diminuir o lapso temporal nas competências que a empresa dele. • Sucesso dos colaboradores: promover ações de sucesso e conquistas dos colaboradores traz um valor inestimável ao colaborador e fortalece a marca empregadora. Por isso, utilizar os meios internos e externos para destacar algum êxito em projeto ou até mesmo uma conquista pessoal, trará não só para comunidade interna, mas também para clientes e fornecedores, a admiração que tanto a empresa busca. Ao implementar essas estratégias de marca empregadora atreladas à educação corporativa, a empresa pode criar uma imagem positiva como um local de trabalho que investe no desenvolvimento dos colaboradores e contribui para a atração e retenção de talentos. 39 4. Considerações finais As temáticas apresentadas trazem uma visão ímpar sobre a construção da jornada do colaborador e a construção da marca empregadora. Sobre esse contexto, foi possível compreender que a educação corporativa está intimamente ligada não somente ao processo de formação e potencialização das competências, possui um papel sustentador nas boas práticas de gestão de pessoas e é um elemento fundamental na promoção da qualidade de vida no trabalho e na construção da marca empregadora. Referências BORGES, M.; MENDES, G. S. Princípios e práticas da pedagogia empresarial. Curitiba: Interateres, 2022. DUTRA, J. S. Administração de carreiras: uma proposta para repensar a gestão de pessoas. São Paulo: Atlas, 2006 FLEURY, A. C. C.; FLEURY, M. T. L. Aprendizagem e inovação organizacional: as experiências de Japão, Coréia e Brasil. São Paulo: Atlas, 1997. GRAMIGNA, M. R. M. Modelo de competências e gestão de talentos. 2. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2007. MADRUGA, R. Employee experience, gestão de pessoas e cultura organizacional: a trilogia para atrair, engajar e desenvolver talentos. São Paulo: Atlas, 2021. MEISTER, J. C. Educação corporativa: a gestão do capital intelectual através das universidades corporativas. Tradução de Maria Cláudia Santos Ribeiro Ratto. São Paulo: Makron Books, 1999. SOPHIA, A. Como criar um mapa mental de planejamento decarreira. Edrawsoft, um de junho de dois mil e vinte e dois. Disponível em: https://www.edrawsoft.com/ pt/create-careerplanning-mindmap.html. Acesso em: 30 maio 2023. VAGAS. Plano de carreira: domine o mercado de trabalho agora. Vagas, [s. l.], 2023. Disponível em: https://www.vagas.com.br/profissoes/plano-de-carreira/. Acesso em: 30 maio 2023. 40 Tendências em Educação Corporativa Autoria: Rafael Souza Coelho Leitura crítica: Thiago Oliveira da Silva Objetivos • Mostrar a importância das TICs no processo de aprendizagem e formação dos colaboradores. • Apontar as tendências da educação corporativa na formação dos colaboradores. • Discutir o papel da liderança no engajamento na formação dos colaboradores. 41 1. Introdução As Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) transformaram a sociedade contemporânea e, por consequência, as organizações do mundo do trabalho e as práticas de educação corporativa. Por meio do uso de sistemas de gestão de aprendizagem, web conferência, vídeos, gamificação ou simulações, as TICs contribuem de maneira significativa no processo de aprendizagem organizacional. Contudo, é importante ressaltar que as TICs, como quaisquer tecnologias, possuem sua limitação e não são uma solução para todos os desafios da educação corporativa. É necessário também uma atuação firme da liderança no engajamento dos colaboradores e fomento da cultura de aprendizagem. Nesse sentido, as próximas seções abordarão a relevância das TICs na educação corporativa, as principais tendências de aprendizagem atreladas às novas tecnologias e o papel da liderança na condução do processo de aprendizagem organizacional. 2. A relação entre as TICs e educação corporativa Com o advento da sociedade do conhecimento, os aparatos de comunicação se tornaram indispensáveis para o acompanhamento do volume de informações que as pessoas recebem em seus aparelhos a todo momento. Esse contexto trouxe inúmeros desafios para o processo educacional e, por isso, é cada vez mais importante as empresas estarem atentas às necessidades de desenvolvimento de habilidades e competências dos colaboradores. 42 Entre esses desafios, é fundamental ressaltar o papel das TICs. Tezani (2017) explica, sobre as TICs, que são todos os meios e recursos tecnológicos de informação e comunicação que o ser humano tem disponível para facilitar a interação com as pessoas e organizações. A autora ressalta que as TICs possuem uma complexidade e envolvem tecnologias, formas de comunicação distintas e transmissão e gestão de informações que necessitam de profissionais qualificados para promover a aprendizagem e experiência educacional ímpar à pessoa. Aquientra o papel das TICs na educação corporativa, que é conectividade, interatividade e diversidade no processo de aprendizagem dentro das empresas (BORGES E MENDES, 2020). Quais são as vantagens de criar um programa de educação corporativa com base nas TICs? Tezani (2017) explica que uma das principais vantagens do uso das TICs está na flexibilidade do acesso e da aprendizagem, uma vez que essas tecnologias permitem que as pessoas acessem o conteúdo de qualquer lugar, a qualquer hora, usando diferentes dispositivos. Isso é particularmente importante para empresas, com colaboradores distribuídos geograficamente ou que trabalham remotamente. A autora também explica que a aprendizagem pode ser personalizada, uma vez que as TICs permitem que os colaboradores possam aprender no seu próprio ritmo, escolhendo os módulos de treinamento que são relevantes para suas necessidades individuais. Outro ponto importante está na avaliação dos resultados, pois as TICs cumprem esse papel de maneira mais precisa, com a possibilidade de gerar relatórios detalhados sobre o progresso e desempenho dos colaboradores em cada módulo de treinamento. Isso permite que as empresas possam medir a eficácia dos programas de treinamento e desenvolvimento e fazer ajustes para melhorar seu impacto. Nesse sentido, Tezani (2017) elenca algumas das TICs mais comuns utilizadas em educação corporativa: 43 • Mobile learning: compreende a utilização de dispositivos móveis para acessar conteúdo educacional, muito útil para colaboradores que trabalham de maneira remota remotamente ou que precisam acessar o conteúdo de treinamento enquanto estão em trânsito. • Realidade virtual e aumentada: permitem que os colaboradores experimentem situações realistas em um ambiente virtual ou que enriqueçam a experiência de aprendizagem com informações adicionais sobre o mundo real. • Simulações: proporcionam que os colaboradores vivenciem situações reais em um ambiente virtual seguro, útil, principalmente, para treinamentos que envolvem riscos ou que requerem prática antes de serem realizados na vida real. • Sistemas de gestão de aprendizagem: plataformas digitais que permitem a criação, gestão e distribuição de conteúdo de aprendizagem para colaboradores em diferentes localizações geográficas, que permitem que os colaboradores acessem o conteúdo de treinamento a qualquer momento e em qualquer lugar, usando diferentes dispositivos. • Sistema de webconferência: ferramentas que permitem a realização de videoconferências em tempo real, muito úteis para treinamentos em tempo real, tutorias, reuniões virtuais, entre outros. • Vídeos: recurso eficaz na educação corporativa, pois podem ser usados para treinamentos, demonstrações, tutoriais e apresentações. Em suma, as TICs podem ser utilizadas na educação corporativa, cada uma com suas vantagens específicas. No entanto, é importante escolher a tecnologia certa com base nas necessidades e objetivos da organização e dos colaboradores e lembrar que as TICs não são uma solução para todos os desafios da educação corporativa. Ainda, é necessário que haja uma estratégia bem definida para a utilização dessas ferramentas, e que sejam integradas de forma 44 eficaz com outros métodos de treinamento e desenvolvimento, como treinamentos presenciais, mentorias e coaching. Por isso, a organização que possui um programa de educação corporativa deve estar sempre atualizada às novas tecnologias que podem ser aplicadas de acordo com seu negócio e avaliar sua eficácia de forma constante. Para complementar o que foi discutido até aqui, a próxima seção trará insumos sobre as principais tendências em educação corporativa, principalmente, no que tange o processo de aprendizagem e aculturamento organizacional. 3. Tendências em educação corporativa Falar em tendências é ter em mente que são mudanças ou direções que ocorrem em determinado campo ou área de interesse, em um período específico, e que podem ser impulsionadas por fatores, como mudanças sociais, políticas, econômicas e culturais, avanços tecnológicos, inovações e descobertas, entre outros. O Relatório do Fórum Econômico de 2018, ocorrido em Davos, Suíça, sobre o futuro do trabalho, trouxe alguns desafios para sociedade em geral, como, por exemplo, a competitividade entre os mercados, o surgimento de novos empregos, países emergentes saindo da crise, impactos ambientais e com isso, reforçou a necessidade de fazer ajustes em novas competências. Nesse sentido, a educação possui um papel singular para o desenvolvimento econômico mundial e formação de novos profissionais, a fim de atender as exigências de mercado (MENINO, 2014). Para tanto, é necessário que as organizações não fiquem estáticas às mudanças, pois o sistema se reconfigura muito mais rápido do que se reconstitui e exige um processo de formação dinâmico (COELHO, 2018). 45 Nesse sentido, Borges e Mendes (2020) elencam as tendências da educação corporativa na formação dos colaboradores: • Adaptação a novas tecnologias: as tecnologias continuam evoluindo rapidamente e as empresas precisam estar preparadas para integrar novas ferramentas e plataformas de aprendizado em seus programas de treinamento e desenvolvimento. A educação corporativa precisa se manter atualizada e utilizarnovas tecnologias para melhorar a eficácia dos programas. • Adaptação às mudanças no mercado: o mercado e a economia estão em constante mudança, e a educação corporativa precisa estar preparada para se adaptar a essas mudanças. As empresas precisam de colaboradores que estejam atualizados com as tendências e demandas do mercado, e a educação corporativa deve estar preparada para fornecer essa atualização de forma ágil e eficiente. • Alinhamento com a cultura organizacional: a educação corporativa precisa estar alinhada com a cultura organizacional da empresa para ser eficaz. Os programas de treinamento e desenvolvimento devem refletir os valores e objetivos da empresa, e os colaboradores devem entender como os programas se relacionam com o trabalho que fazem. • Aprendizagem personalizada: as empresas estão investindo em soluções de aprendizagem personalizadas que se adaptam às necessidades e preferências individuais dos colaboradores, por meio de tecnologias de inteligência artificial e machine learning. • Aprendizagem social e colaborativa: o incentivo à colaboração entre os colaboradores, por meio de fóruns, grupos de discussão e projetos em equipe, para criar uma cultura de aprendizagem compartilhada. • Avaliação de resultados: as empresas precisam avaliar os resultados dos programas de treinamento e desenvolvimento 46 para garantir que estão tendo impacto positivo na produtividade, retenção de talentos e outros indicadores-chave de desempenho. A educação corporativa deve desenvolver métodos eficazes de avaliação e métricas para medir o sucesso dos programas. • Desenvolvimento de liderança: a educação corporativa precisa preparar a próxima geração de líderes para assumir cargos de liderança na empresa. Isso envolve desenvolver habilidades de liderança, comunicação, resolução de problemas e tomada de decisões. A educação corporativa deve identificar e desenvolver talentos internos para preencher essas posições estratégicas. • Envolvimento dos colaboradores: é importante que os colaboradores se envolvam ativamente nos programas de treinamento e desenvolvimento, caso contrário, o investimento em educação corporativa pode ser desperdiçado. A educação corporativa deve desenvolver programas que incentivem a participação e o engajamento dos colaboradores. • Microlearning: a ideia de que a aprendizagem deve ser fragmentada em módulos curtos e de fácil acesso, que podem ser acessados a qualquer momento e de qualquer lugar, por meio de plataformas digitais. Essas tendências refletem a necessidade de uma abordagem mais ágil e adaptável em relação à educação corporativa, que possa acompanhar as mudanças e demandas do mercado e do ambiente de trabalho. Com a introdução da inteligência artificial e realidade aumentada em vários segmentos de atividade (educação, medicina, transportes, segurança), é necessário que surjam instrutores especiais para os treinamentos (novos métodos de assimilação do conhecimento). Por isso, é faz necessário que organizações, profissionais, sociedade civil e governo se atentem às mudanças e aos desafios propostos pela 47 sociedade do conhecimento, equalizando os interesses de todos os segmentos da sociedade, integrando os conhecimentos a partir da inovação e tecnologia. Contudo, entender a importância das TICs e as principais tendências em educação corporativa não é o bastante, ainda há um ponto que será abordado na próxima seção e, possivelmente, seja o mais desafiador nesse processo: o papel da liderança no fomento da cultura de aprendizagem. 4. Papel da liderança no fomento da cultura da educação corporativa A liderança desempenha um papel fundamental no fomento da educação corporativa dentro das empresas, e tem a responsabilidade de definir e comunicar uma visão clara da importância da educação corporativa para a organização e seus colaboradores. Devem mostrar um compromisso claro com o desenvolvimento dos colaboradores e fornecer recursos adequados para apoiar a educação corporativa. Eboli (2012) explica que a atuação eficaz dos líderes pode influenciar a cultura organizacional e motivar a equipe a se adaptar às mudanças. Uma liderança engajada pode ajudar a criar uma cultura de aprendizagem na empresa, incentivar os colaboradores a buscar oportunidades de desenvolvimento, reconhecendo o valor da aprendizagem contínua a apoiar na implementação de programas de treinamento e desenvolvimento, que são relevantes para as necessidades dos colaboradores e da empresa. A liderança também deve ser um exemplo em termos de participação em programas de treinamento e desenvolvimento, mostrando que valorizam a aprendizagem contínua e que estão comprometidos em aprimorar suas habilidades e conhecimentos. Isso pode motivar 48 outros colaboradores a seguir o exemplo e participar de programas de educação corporativa (EBOLI, 2012). Além disso, a liderança pode ajudar a avaliar e medir o sucesso dos programas de treinamento e desenvolvimento, garantindo que os recursos estão sendo utilizados de forma eficaz e que estão tendo um impacto positivo na produtividade, retenção de talentos e outros indicadores-chave de desempenho. Em resumo, a liderança tem um papel importante no fomento da educação corporativa dentro das empresas, pois são responsáveis por definir a visão, fornecer recursos, criar uma cultura de aprendizagem, ser um exemplo de participação em programas de treinamento e desenvolvimento e avaliar o sucesso dos programas. Quando a liderança está comprometida com a educação corporativa, isso pode levar a uma força de trabalho mais capacitada e engajada, o que pode ter um impacto positivo nos resultados da empresa. 5. Considerações finais Baseado em tudo o que foi discorrido nas seções anteriores, é válido reforçar que a liderança desempenha um papel fundamental no engajamento dos colaboradores nos desafios da educação corporativa. Em razão disso, os líderes devem ser capazes de comunicar a importância da educação corporativa e das TICs para o sucesso da empresa e do desenvolvimento dos colaboradores, destacando os da formação contínua e do uso que as tecnologias podem trazer para a organização e para a carreira dos profissionais. Além disso, os líderes devem se mostrar disponíveis e interessados em ouvir as ideias e sugestões dos colaboradores, devem também 49 incentivar a participação ativa da equipe nos processos de aprendizagem e promover a troca de conhecimentos entre os membros da equipe. Por fim, os líderes devem ser exemplos a serem seguidos, devem ser os primeiros a se engajar nos processos de aprendizagem e demonstrar interesse e curiosidade pelas novas tecnologias. Isso pode incentivar os colaboradores a seguirem o exemplo e se tornarem mais engajados na educação corporativa e na adoção dessas novas tendências educacionais. Referências BORGES, M.; MENDES, G. S. Princípios e práticas da pedagogia empresarial. Curitiba: Interateres, 2022. COELHO, R. Educação corporativa: um estudo sobre sua prática nas pequenas empresas do bairro de Campo Limpo, em São Paulo/SP. Dissertação (Mestrado Profissional em Gestão e Desenvolvimento da Educação Profissional). São Paulo: Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, 2018. EBOLI, M. Fundamentos e evolução da educação corporativa. In: EBOLI, Marisa; FISCHER, A. L.; MORAES, F.; AMORIM, W. A. C. (orgs.). Educação corporativa: fundamentos, evolução e implantação de projetos. São Paulo: Atlas, 2012. MENINO, S. E. Educação profissional e tecnológica na sociedade do conhecimento. São Paulo: Centro Paula Souza, 2014. MUNHOZ, A. S. Educação corporativa: desafio para o Século XXI. Curitiba: InterSaberes, 2015. TEZANI, T. R. C. (org.). Tecnologias da Informação e Comunicação no ensino. São Paulo: Pearson Education, 2017. WORLD ECONOMIC FORUM. The Future of Jobs Report. Disponível em: http://abet- trabalho.org.br/wp-content/uploads/2018/12/WEF_Future_of_Jobs_2018.pdf. Acesso em: 30 maio 2023. 50