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A PEDAGOGIA EMPRESARIAL E OS PROJETOS EDUCACIONAIS NA EMPRESA W BA 06 60 _v 1. 0 22 © 2019 POR EDITORA E DISTRIBUIDORA EDUCACIONAL S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A. Presidente Rodrigo Galindo Vice-Presidente de Pós-Graduação e Educação Continuada Paulo de Tarso Pires de Moraes Conselho Acadêmico Carlos Roberto Pagani Junior Camila Braga de Oliveira Higa Carolina Yaly Giani Vendramel de Oliveira Juliana Caramigo Gennarini Nirse Ruscheinsky Breternitz Priscila Pereira Silva Tayra Carolina Nascimento Aleixo Coordenador Giani Vendramel de Oliveira Revisor Sueli de Fátima da Silva Ferraz Editorial Alessandra Cristina Fahl Beatriz Meloni Montefusco Daniella Fernandes Haruze Manta Hâmila Samai Franco dos Santos Mariana de Campos Barroso Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Pinto, Rosângela Oliveira P659a A pedagogia empresarial e os projetos educacionais na empresa / Rosângela Oliveira Pinto, – Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2019. 98 p. ISBN 978-85-522-1483-0 1. Educação corporativa. 2. Pedagogia empresarial. I. Pinto, Rosângela Oliveira. II. Título. CDD 370 Responsável pela ficha catalográfica: Thamiris Mantovani CRB-8/9491 2019 Editora e Distribuidora Educacional S.A. Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza CEP: 86041-100 — Londrina — PR e-mail: editora.educacional@kroton.com.br Homepage: http://www.kroton.com.br/ 3 3 A PEDAGOGIA EMPRESARIAL E OS PROJETOS EDUCACIONAIS NA EMPRESA SUMÁRIO Apresentação da disciplina 4 As transformações no mundo do trabalho 5 A ciência Pedagogia e a Pedagogia Empresarial 23 A aprendizagem nas organizações e o desenvolvimento do potencial humano 40 Desenvolvimento de programas e projetos educacionais nas organizações 60 Planejamento e execução de projetos educacionais nas organizações: Como? Para quem? Por quê? 78 Acompanhamento e avaliação dos projetos educacionais nas organizações 95 Promovendo transformações na cultura organizacional, difusão de conhecimentos e a educação integral de cada colaborador 114 44 Apresentação da disciplina Durante a disciplina, o aluno deverá compreender as mudanças organizacionais no que se refere à importância da aprendizagem das pessoas e como a Pedagogia Empresarial pode contribuir de forma significativa no desenvolvimento do potencial das pessoas, no clima organizacional e, consequentemente nos resultados da empresa. Deverá desenvolver competências e habilidades para o planejamento, execução, acompanhamento e avaliação dos programas e projetos dentro de organizações não escolares. Dentre os conteúdos abordados estão: • As transformações no mundo do trabalho. • A ciência Pedagogia e a Pedagogia Empresarial. • A aprendizagem nas organizações e o desenvolvimento do potencial humano. • Desenvolvimento de programas e projetos educacionais nas organizações. • Planejamento e execução de projetos educacionais nas organizações. • Acompanhamento e Avaliação dos projetos educacionais nas organizações. • Cultura organizacional, difusão de conhecimentos e a educação integral de cada colaborador. Espera-se, com a disciplina, que o aluno adquira compreensão da ciência Pedagogia e sua importância dentro das organizações não escolares; a relação entre educação e trabalho: princípios, fundamentos e organização no cotidiano da empresa; a aprendizagem e desenvolvimento do potencial humano nas organizações; os projetos educacionais nas organizações em equipes multidisciplinares. 55 5 As transformações no mundo do trabalho Autora: Rosângela de Oliveira Pinto Objetivos Os objetivos desta temática são: • Apresentar, de forma geral, as mudanças que ocorreram no mundo do trabalho através da construção histórica. • Apresentar os principais desafios das organizações e dos profissionais no século XXI. • Promover reflexões sobre o profissional do século XXI. 66 1. Mundo do trabalho: construção histórica Quero convidá-lo a pensar nas principais transformações no mundo do trabalho durante a história da humanidade. Na antiguidade, o conceito de trabalho esteve ligado a uma visão negativa, dividida em atividade humana intelectual e física. O trabalho intelectual era considerado digno dos seres racionais e livres e o trabalho manual e físico era tarefa dos escravos, resumindo-se ao esforço físico. Entre os séculos XIV e XVII, com o início das relações capitalistas e o desenvolvimento da técnica e da ciência, o homem passa a ser encarado de outra forma, assim como suas atividades em relação à natureza. O trabalho manual deixa de ter a conotação de escravidão e humilhação e passa a ter um valor em si. No Século XVIII, por meio de alguns pensadores, o valor do trabalho passa a ter maior importância. Vou citar três principais estudiosos: Adam Smith, John Stuart Mil e Karl Marx. Adam Smith, em seus estudos, compreende o trabalho como essencial para a produção de bens e constrói o conceito de especialização para o aumento da produtividade. Portanto, para o trabalho gerar riquezas, é necessário o aumento de destreza do trabalhador, economia de tempo, condições adequadas para o aperfeiçoamento de máquina e instrumentos que poupem esforços no trabalho. Stuart Mil considera o trabalho indispensável para a produção, porém entende que nem sempre o trabalho é produtivo, ele também pode ser improdutivo. Para ele, há muitos trabalhos com alto grau de utilidade que não têm como objetivo a produção. Por isso, apesar das polêmicas, Stuart Mil acreditou que o trabalho pode ser dividido em produtivo e improdutivo. 77 7 Já para Karl Marx, o trabalho produtivo é todo aquele que gera mais valia e, de acordo com o processo capitalista de produção, em que o trabalhador recebe pela sua força de trabalho e não pelo trabalho. Nas suas teses, Karl Marx defende o trabalho como totalidade, de homem, natureza e sociedade. Paralelo a estes estudos, entre os séculos XVIII e XIX acontece a Revolução Industrial, que foi um conjunto de mudanças na Europa, em que a principal foi a substituição do trabalho artesanal pelo assalariado e com o uso das máquinas. Aqui, inicia-se uma exploração maior do operário em função de altos lucros para os empresários. Uma jornada de trabalho muito longa, salários baixos, modelo de produção e organização do trabalho que privilegiava a sua fragmentação, condições inadequadas, entre outros. Pode-se afirmar que a organização do trabalho de forma mais sistematizada foi incorporada pelo modo de produção capitalista a partir da Revolução Industrial, dividida em etapas diferentes neste processo. O controle do trabalho humano foi instaurando-se por meio dos processos de produção. A grande proliferação de estratégias cada vez mais agressivas visando aumentar as escalas de produção, padronizar a qualidade dos produtos, diminuir custos de produção e transporte, etc., consolidou e levou ao mais cruel estágio o controle sobre o trabalho humano empregado na produção, tido cada vez mais, pelos empregadores, como simples “ingrediente” dos processos produtivos, agora realizados em lugares especialmente determinados para tal. (PINTO, 2007, p. 17). Na busca por maior eficiência na produção gerando mais riquezas por meio do trabalho, vários estudiosos se debruçaram, desde meados do século XIX, sobre as questões da organização do trabalho para o aperfeiçoamento da qualidade e a diminuição do tempo gasto na realização de tarefas complexas. 88 O primeiro que se destacou foi Frederick Taylor, com seus estudos defendendo a divisão técnica do trabalho humano dentroda produção industrial, com especialização extrema de todas as funções e atividades e como elemento prático central o “estudo do tempo”. Estas defesas tiveram como foco a redução da quantidade de operações desnecessárias, do tempo de execução, dos gastos de energia física e mental dos trabalhadores, da ociosidade dos equipamentos, dos intervalos entre uma operação e outra, entre outros objetivos. Seguindo a lógica de organização do trabalho de forma organizada e em larga escala, Henry Ford introduziu a linha de produção em série, num mecanismo automático, percorrendo todas as fases produtivas desde o início até o estágio final. Estas formas de organização do trabalho ficaram conhecidas como os sistemas taylorista e fordista de organização do trabalho e expandiram- se nas economias capitalistas centrais durante as duas guerras mundiais, fundado na produção e no consumo de massa. A primeira metade do Século XX foi caracterizada pela exploração do trabalhador visando maior produtividade e maiores lucros para os empresários. Os conflitos de interesses entre trabalhadores e empresários cresceram e, também, os movimentos dos trabalhadores reivindicando melhores condições de trabalho, salário e benefícios. E, na década de 1950, foi desenvolvido o mais ousado e polêmico sistema de organização na Toyota Motor Company, Japão, que ficou conhecido como Toyotismo. Esse sistema expandiu, chegando aos países em desenvolvimento do final do Século XX. No Toyotismo, além da profunda reorganização do trabalho internamente às plantas, ele se sustentava numa rede de subcontratação entre grandes firmas cujas relações eram muito mais fortes e estruturadas, principalmente, em vista da aplicação do sistema just-in-time. Esta organização do trabalho tinha como fundamento uma metodologia de produção e de entrega mais 99 9 rápidas e precisas que os demais, associada justamente à manutenção de uma empresa “enxuta” e “flexível”. Isso era obtido pela focalização no produto principal, gerando desverticalização e subcontratação de empresas que passavam a desenvolver e a fornecer produtos e atividades, com utilização de uma força de trabalho polivalente – agregando em cada trabalhador atividades de execução, controle de qualidade, manutenção, limpeza, operação de vários equipamentos simultaneamente, dentre outras responsabilidades. (PINTO, 2007, p. 40). Durante o século XX, as empresas caracterizaram-se, em sua maioria, em uma produção para a massa, no controle gerencial e considerando as pessoas como mais um “insumo” da produção. No final do século XX, o auge do capitalismo através do fordismo e taylorismo entrou em uma crise aguda e o capitalismo precisou se reinventar. Um conjunto de transformações macro e microeconômicas, juntamente com o desenvolvimento da tecnologia, a acumulação de capital passou a acontecer em nível internacional com princípios de flexibilização dos mercados de trabalho, das relações de trabalho, dos mercados de consumo, das barreiras comerciais, do controle da iniciativa privada pelo Estado. No Brasil, após a década de 1990, a globalização traz grandes mudanças na organização do trabalho e nas atribuições e responsabilidades do Estado. O Estado passa a ser concebido em torno do princípio do Estado Mínimo. 1.1 O trabalho no Século XXI As últimas décadas do século XX foram marcadas por profundas transformações que anunciavam a chegada do Século XXI. Período de importantes movimentos sociais, revolução tecnológica e mudanças econômicas que impactaram a política. O sistema capitalista precisou se reestruturar com a mundialização do capital. E o capitalismo busca novas estratégias com o neoliberalismo. 1010 ASSIMILE “O neoliberalismo tem sido uma espécie de releitura atualizada do liberalismo a partir das concepções econômicas neoclássicas. Trata-se, pois, de uma determinada visão social do capitalismo a partir da ótica dos capitalistas, portanto, da burguesia. Assim, tornou-se um conjunto de ideias capitalistas de políticas e economia fundadas principalmente na não participação do Estado na economia e na liberalização total do comércio (mercado livre) em nível mundial. Enfim, defende a livre circulação de capitais internacionais, abertura das economias nacionais para a entrada de multinacionais, a implantação de ações que impeçam o protecionismo econômico, adoção de política de privatização de empresas estatais etc.” (OLIVEIRA, 2015, p. 230). O trabalho, suas relações e a sua organização sofrem mudanças significativas. A organização do trabalho, num modelo fordista e taylorista, não cabe nesta nova dimensão; necessita-se de outro modelo de organização do trabalho e de formação do trabalhador, pois para conseguir e/ou manter um emprego e para ser cidadão do século XXI é necessário dominar novos códigos. As pessoas precisam buscar o desenvolvimento de competências tanto técnicas, quanto comportamentais para ter sucesso na moderna organização do mundo do trabalho (PINTO, 2011). A Internet e o mundo digital provocam transformações rápidas e intensas na forma de se comunicar, relacionar, trabalhar. Ela passa a estar presente no nosso cotidiano, as mensagens fluem de muitos para muitos e de forma interativa. Conceitos como Polivalência aparecem como premissa para o trabalhador. Polivalência apresenta “caráter flexível, obedece a uma racionalização de tipo pragmático, utilitarista e instrumental, que exige do trabalhador, principalmente, capacidades de abertura, de adaptação às mudanças e de lidar com situações diferenciadas” (PINTO, 2011, p. 29). 1111 11 Este contexto com novas dinâmicas impactaram os empregos. O emprego formal reduziu e outras formas como a terceirização e a prestação de serviços ganharam espaços. Os indivíduos foram obrigados a repensar o conceito tradicional de emprego, com horário, carteira, direitos, entre outros. E não parou por aí! Os avanços continuam, a revolução digital avança numa velocidade incrível, os interesses, as relações mundiais, sem fronteiras, a rapidez da informação. Zygmunt Bauman (2000) em seu livro Modernidade Líquida, por meio de uma metáfora com a liquefação, expõe suas percepções e estudos sobre o indivíduo no mundo moderno, o indivíduo do século XXI. Conceitos como fluidez, maleabilidade, flexibilidade, são muito utilizados neste novo contexto, como a capacidade do indivíduo se moldar e adaptar às transformações que a sociedade vem passando de forma acelerada. Ressalta que a cultura do EU passa a prevalecer sobre o NÓS, e o relacionamento eu/outro ganha dimensão mercantilista. Muitas patologias intensificam-se na modernidade líquida como a depressão, solidão, desamparo, isolamento, entre outros. A sensação de liberdade é também exclusão ou inclusão perversa. Imagem 1 – Revolução Digital Fonte: gorodenkoff/Istock.com. 1212 1.2 Os desafios atuais do profissional As transformações continuam! Ouvimos tantos termos e conceitos defendidos por diferentes estudiosos, das mais diversas formações, na tentativa de compreender e explicar as transformações e os caminhos que devemos seguir. As empresas tradicionais são cada vez mais escassas. Atualmente, temos as holdings financeiras, que só lidam com “intangíveis”, com gestão, promoção, organização, deixando a produção para empresas subcontratadas; empresas que se concentram apenas no core business, na atividade nuclear, terceirizando o resto; empresas com poder econômico enorme que fazem fusões com marcas diferentes e criam dependência quase total de um único comprador; cooperativas de nova geração e produções conveniadas de vários tipos; prestação de serviços de diversos tipos por meio de franquias ligadas a um franqueador; a Startup, que num cenário de tantas incertezas, buscam “soluções” a serem desenvolvidas, por meio de inovação. Importante ressaltar as relações de trabalho a partir da atualização da Consolidação das leis do Trabalho (CLT) em 2018. A CLT foi criada no século XX peloDecreto-lei de 5.452, de 1º de maio de 1943, sancionada pelo presidente Getúlio Vargas, durante o período do Estado Novo. A consolidação foi um marco nas relações trabalhistas brasileira, pois, pela primeira vez, garantiam-se, em forma de lei, os direitos trabalhistas, regulamentando as relações individuais e coletivas do trabalho. Um dos fatores que proporcionou a criação da CLT foi a ebulição dos movimentos sindicais dos operários na cidade de São Paulo. Os conflitos entre empresários e trabalhadores no mundo são antigos e se intensificaram com a Revolução Industrial. No Brasil, somente após a Revolução Industrial de 1930 é que os movimentos pela luta dos direitos dos trabalhadores despontaram. 1313 13 Portanto, diante de tantas transformações na organização do trabalho em mais de 75 anos de CLT, atualizá-la se fez necessário. Porém, é sempre importante fazer uma reflexão crítica e ampla compreendendo se a reforma realizada na CLT beneficia empregadores e empregados ou apenas um dos lados. Vamos conhecer as principais mudanças na CLT. Tabela 1 – Principais mudanças da Reforma CLT 2018: Fim da contribuição sindical obrigatória Antes, a cobrança sindical era obrigatória, mesmo que o trabalhador não fosse filiado a nenhum sindicato. A partir de 2018, o desconto anual feito pelas empresas na folha de pagamento do mês de março será efetuado apenas aos que quiserem dar a contribuição. Prática do contrato intermitente Não estava previsto na CLT antiga e passa a ser praticado a partir de agora pelas empresas. O contrato de trabalho intermitente é destinado ao trabalhador que alterna períodos de inatividade e atividade. Nesse caso, ele recebe apenas quando trabalha e não fica à disposição do patrão. O modelo também é chamado de “contrato-zero”, pois o empregado é contratado para não trabalhar até que seja convocado. Teletrabalho/ home-office A modalidade passa a ser prevista na nova lei trabalhista. O tele trabalhador é o funcionário que executa seus serviços preponderantemente fora do estabelecimento do empregador, por meio da informática ou da telemática. Foi acrescido o inciso III ao artigo 62 da CLT para excluir esse trabalhador do capítulo “Da Duração do Trabalho”, o que significa que ele não terá direito às horas extras, noturnas, aos intervalos intrajornadas ou interjornadas. Mesmo que sejam monitorados, controlados, fiscalizados e trabalham em jornadas extenuantes, os funcionários em regime de home-office não receberão horas extras. Férias fracionadas Antes, os 30 dias de férias por ano podiam ser divididos em até duas vezes, sendo que o menor período era de, no mínimo, dez dias. O artigo 134, no parágrafo 1º da CLT, modificado pela Reforma Trabalhista, autoriza o fracionamento em até três períodos o gozo das férias, desde que o empregado concorde. 1414 Jornada de trabalho e banco de horas A jornada continua a mesma, conforme estabelece a Constituição Federal. Isso é, a jornada diária é de oito horas, limitadas em 44 horas semanais. A novidade trazida pela lei 13.467/17 diz respeito às formas de ajuste da compensação da jornada. A partir da sua vigência, será possível ajuste individual entre patrão e empregado para o banco de horas, desde que compensado no semestre. A MP 808/17 alterou o artigo 59-A da CLT, acrescido pela lei 13.467/17, para autorizar a compensação pelo sistema 12x36, mas só por norma coletiva. Também foi admitido o acordo tácito, desde que a compensação ocorra dentro do mês. Processo de demissão Em caso de demissão sem justa causa, o trabalhador tem direito às verbas rescisórias, como a multa de 40% sobre o FGTS, além do seguro-desemprego. A nova lei mantém esses direitos para essas situações e criou a rescisão de comum acordo. Pelo sistema, o trabalhador pode sacar 80% do FGTS, acrescido da multa, e receber metade do aviso prévio, se for indenizado. Porém, não tem direito ao seguro-desemprego. Rescisão contratual Pela antiga lei, a homologação da rescisão contratual de trabalhador com mais de 12 meses de emprego tinha que ser feita em sindicatos. Agora, a rescisão poderá ser na empresa, na presença dos advogados do patrão e do funcionário, que pode contar com assistência do sindicato. Local de trabalho para grávidas A MP 808 de 14.11.17 corrigiu algumas injustiças praticadas pela lei 13.467/17, como, por exemplo, o trabalho da grávida. Antes, ela poderia trabalhar em local insalubre, salvo se o médico recomendasse seu afastamento. Agora, a grávida será afastada de qualquer ambiente insalubre. Ela só poderá retornar para o local de insalubridade média ou mínima se o médico de sua escolha expressamente autorizar. Também foi revogado o inciso XIII do artigo 611-A e modificado o inciso XII do mesmo artigo. A partir da Medida Provisória, a norma coletiva só poderá alterar o grau de insalubridade ou autorizar a prorrogação do trabalho insalubre se isso não violar normas de medicina e segurança do trabalho. Fonte: Nova lei trabalhista – principais mudanças para o trabalhador. LFG. Publicado em: 12 de jan. de 2018. Disponível em: https://www.lfg.com.br/conteudos/artigos/geral/nova- lei-trabalhista-principais-mudancas-para-o-trabalhador. Acesso em: 30 de jan. 2019. 1515 15 PARA SABER MAIS Para maiores informações sobre a Reforma da CLT procure consultar a legislação na íntegra, buscando em sites oficiais, como do planalto federal, que é o portal oficial da Presidência da República. O quadro apresenta apenas algumas mudanças desta reforma, nas relações empregador e empregado. Porém, outras alterações aconteceram. As atualizações necessitam ser realizadas de acordo com as mudanças na dinâmica social, política e econômica. Mas, os empregados precisam estar atentos aos seus direitos e continuar reivindicando os mesmos, caso sejam feridos. O fato é que, desde a Era Industrial, vivenciam-se mudanças intensas, porém que ainda não atendem às expectativas da sociedade quando se refere à melhor distribuição de renda, melhores oportunidades, maior inclusão. Embora a riqueza aumente para alguns, cresce também a desigualdade, a deterioração do meio ambiente e a fragmentação social. É difícil saber quais os caminhos que ainda vamos trilhar no mundo do trabalho, porém é importante olhar para a história e compreender o que alguns estudiosos abordam sobre as revoluções industriais. A primeira Revolução Industrial iniciou no final do Século XVIII. A evolução da ciência proporcionou a descoberta de novas tecnologias que transformaram a vida do homem e o modo de produzir mercadorias. Os avanços nesta época giraram em torno da energia mecânica e motores a vapor. A segunda Revolução Industrial, que aconteceu durante o século XIX, é decorrente da primeira revolução, pois a busca por novas tecnologias para tornar mais eficiente a produção de mercadorias tornou-se uma 1616 constante. Os avanços deste período estão relacionados à eletrificação da fábrica e utilização dos métodos científicos de produção, culminando com a fábrica de produção em massa. A terceira Revolução Industrial inicia após a segunda metade do século XX, depois da Segunda Guerra Mundial, quando profundas evoluções no campo tecnológico são desencadeadas pela junção entre conhecimento científico e produção industrial. A informatização chega à fábrica para automatizar tarefas mecânicas e repetitivas. Já a quarta Revolução Industrial iniciou-se no Século XXI e tem provocado impactos profundos, devido aos avanços tecnológicos que têm transformado a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Trata-se de uma transição em direção a novos sistemas construídos sobre a infraestrutura da revolução digital. Exemplos das principais tecnologias que permitem a fusão dos mundos físico, digital e biológico: a Manufatura Aditiva, a IA, a IoT, a Biologia Sintética e os Sistemas Ciber Físicos (CPS). Tabela 2 – Principais tecnologias que permitem a fusão dos mundos físico, digital e biológico.Tecnologias Definição Manufatura Aditiva Chamada também de Impressão 3D, caracteriza-se pela adição de material para fabricar objetos, formados por várias peças, constituindo uma montagem. Inteligência Artificial Segmento da computação que busca simular a capacidade humana de raciocinar, tomar decisões, resolver problemas, dotando softwares e robôs de uma capacidade de automatizarem vários processos. Internet das Coisas Representa a possibilidade de que objetos físicos estejam conectados à internet, podendo assim executar de forma coordenada a uma determinada ação. Um exemplo seriam carros autônomos que se comunicam entre si e definem o melhor momento (velocidade e trajeto, por exemplo) de fazer um cruzamento em vias urbanas. 1717 17 Biologia Sintética Convergência de novos desenvolvimentos tecnológicos nas áreas de química, biologia, ciência da computação e engenharia, permitindo o projeto e construção de novas partes biológicas tais como enzimas, células, circuitos genéticos e redesenho de sistemas biológicos existentes. Sistemas Ciber-físicos Sintetizam a fusão entre o mundo físico e digital. Dentro desse conceito, todo o objeto físico (seja uma máquina ou linha de produção) e os processos físicos que ocorrem, em função desse objeto, são digitalizados. Ou seja, todos os objetos e processos na fábrica têm um irmão gêmeo digital. Fonte: Agenda brasileira para a indústria 4.0. ABDI. Disponível em: http://www.industria40.gov.br/. Acesso em: 18 de fev. 2019. A quarta revolução tem provocado rápidas transformações no mercado de trabalho e profissões. Com todos os avanços tecnológicos e digitais, algumas profissões já desapareceram, outras tendem a desaparecer e, muitas outras deverão surgir. As competências que devem ser desenvolvidas pelos profissionais, atualmente, precisam estar conectadas com a robótica, tecnologias digitais, entre outros. Um exemplo, de acordo com a Classificação Internacional Padronizada da Educação (ISCED), de profissão do futuro: Agricultura e Veterinária g Agricultor digital Será o novo perfil de agricultor, pois junta tecnologias inovadoras que utilizam sistemas de geolocalização, internet, computador, smartphone e outros recursos digitais que tornam tudo mais fácil no campo. Conhecimentos necessários: Tecnologia, métodos de agricultura de precisão, controle de drones que monitorem plantações, sistemas de análise de clima e tempo, estatística e Big Data1. 1 Agenda brasileira para a indústria 4.0. ABDI. Disponível em: http://www.industria40.gov.br/. Acesso em: 18 de fev. 2019. 1818 PARA SABER MAIS Para compreender melhor a quarta Revolução Industrial ou Indústria 4.0, assista o vídeo “Indústria 4.0: Preparados para revolução?” produzido pela empresa Deloitte. O vídeo apresenta os desafios e oportunidades para as empresas em todo o mundo e a necessidade das organizações se adequarem às novas demandas da Quarta Revolução Industrial. Portanto, os profissionais que possuem o desafio de formar, desenvolver, treinar, capacitar pessoas dentro das organizações precisam conhecer todo o contexto das relações de trabalho, os avanços, as perspectivas de futuro, proporcionando condições aos indivíduos de lidarem e se desenvolverem neste contexto de incertezas e insegurança. O caminho é, com certeza, a aprendizagem. A aprendizagem dos indivíduos e a aprendizagem das organizações. Todos precisam estar preparados para aprender e desaprender, para reinventar-se, para repensar conceitos há tanto tempo estabelecidos, a compreender que não há verdade absoluta e que a aprendizagem contínua e coletiva é fundamental. A verdadeira aprendizagem chega ao coração do que significa ser humano. Através da aprendizagem nos recriamos. Através da aprendizagem tornamo-nos capazes de fazer algo que nunca fomos capazes de fazer. Através da aprendizagem percebemos novamente o mundo e nossa relação com ele. Através da aprendizagem ampliamos nossa capacidade de criar, de fazer parte do processo gerativo da vida. Existe dentro de nós uma intensa sede para este tipo de aprendizagem. (SENGE, 2006, p. 47). Você estudou as principais transformações no mundo do trabalho até os dias atuais. Os conhecimentos sobre o mundo do trabalho e os principais desafios para o trabalhador e organizações proporcionarão a você compreender melhor a importância dos profissionais que estudam os processos de aprendizagem e desenvolvimento dentro das organizações. 1919 19 TEORIA EM PRÁTICA Um Pedagogo recém-formado deseja atuar nas organizações com o processo de aprendizagem de adultos. Se interessou pela área ainda na graduação, quando cursou uma disciplina optativa chamada Psicologia Organizacional e identificou a necessidade de profissionais que atuem com o processo de desenvolvimento das pessoas, dentro das organizações. Começou então a buscar vagas e, após verificar algumas descrições de cargo, percebeu que precisava de maiores conhecimentos. Ou seja, precisava conhecer o contexto das organizações e como promover o desenvolvimento de profissionais. Reflita sobre os conteúdos que envolvem as transformações do mundo do trabalho e os desafios dos profissionais e organizações e, porque um Pedagogo que deseja atuar no desenvolvimento de pessoas dentro das organizações deve estudá-los e conhecê-los? Esses conhecimentos irão agregar na sua atuação como Pedagogo em empresas? VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. A Revolução Industrial aconteceu em qual período da história? a. Antiguidade, até o século XV. b. Século XVII. c. Entre os Séculos XVIII e XIX. d. Século XX. e. Século XXI. 2020 2. O controle do trabalho humano foi instaurando-se por meio dos processos de produção. O primeiro estudioso que se destacou nos estudos sobre os processos de produção foi: a. Henry Ford. b. Frederick Taylor. c. Adam Smith. d. Stuart Mil. e. Karl Marx. 3. Zygmunt Bauman (2000), em seu livro Modernidade Líquida, utiliza uma metáfora para expor suas percepções e estudos sobre o indivíduo no mundo moderno, o indivíduo do século XXI. Qual metáfora o autor utiliza? a. Solidificação. b. Gaseificação. c. Liquefação. d. Sublimação. e. Ebulição. Referências bibliográficas DOWBOR, Ladislau. O que acontece com o trabalho? 3ª edição revisada e atualizada. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2017. Disponível em http://cdn-html5. s3.amazonaws.com/new-client/senac/index.html?#biblioteca/users/115359. Acesso em: 28 jan. 2019. MINISTÉRIO DA INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS. Agenda brasileira para a Indústria 4.0. Disponível em: http://www.industria40.gov.br/. Acesso em: 19 fev. 2019. 2121 21 OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino de. A mundialização do capital e a crise do neoliberalismo: o lugar mundial da agricultura brasileira. Geousp – Espaço e Tempo (Online), v. 19, n. 2, p. 229-245, ago. 2015. ISSN 2179-0892. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/geousp/ article/view/102776. Acesso em: 28 jan. 2019. PINTO, Geraldo Augusto. A organização do trabalho no século 20: taylorismo, fordismo e Toyotismo. 1ª ed. São Paulo: Expressão Popular, 2007. PINTO, Rosângela de Oliveira. Educação profissional: a avaliação da aprendizagem e a lógica das competências. Dissertação de Mestrado. Campinas: PUC-Campinas, 2011. 133p. SENGE, Peter M. A quinta disciplina: arte e prática da organização que aprende. Trad. OP Traduções; consultoria Zumble Aprendizagem Organizacional. 22ª ed. Rio de Janeiro: Best-Seller, 2006. ZANELLI, José Carlos; BORGES-ANDRADE Jairo Eduardo; BASTOS, Antonio Virgílio Bittencourt (Org.). Psicologia, Organização e Trabalho no Brasil. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. ZYGMUNT, Bauman. Modernidade Líquida. Trad. Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Zahar, 2000. Gabarito Questão 1 – Resposta: C Entre os séculos XVIII e XIX acontece a Revolução Industrial, que foi um conjunto de mudanças na Europa, em que a principal foi a substituição do trabalho artesanal pelo assalariado e com o uso das máquinas. Questão 2 – Resposta: B Oprimeiro que se destacou foi Frederick Taylor com seus estudos defendendo a divisão técnica do trabalho humano dentro da produção industrial, com especialização extrema de todas as funções e atividades e como elemento prático central o “estudo do tempo”. Estas defesas tiveram como foco a redução da quantidade de operações desnecessárias, do tempo de execução, dos gastos de energia física e mental dos trabalhadores, da ociosidade dos equipamentos, dos intervalos entre uma operação e outra, entre outros objetivos. 2222 Questão 3 – Resposta: C Zygmunt Bauman (2000), em seu livro Modernidade Líquida, por meio de uma metáfora com a liquefação, expõe suas percepções e estudos sobre o indivíduo no mundo moderno, o indivíduo do século XXI. Conceitos como fluidez, maleabilidade, flexibilidade, são muito utilizados neste novo contexto como a capacidade do indivíduo se moldar e adaptar às transformações que a sociedade vem passando de forma acelerada. 2323 23 A ciência Pedagogia e a Pedagogia Empresarial Autora: Rosângela de Oliveira Pinto Objetivos A temática que será estudada tem como principais objetivos: • Apresentar a ciência Pedagogia, proporcionando a compreensão da importância dos conhecimentos desta ciência dentro das organizações. • Discutir a atuação do Pedagogo em espaços não escolares. • Apresentar quem é o Pedagogo Empresarial e quais suas contribuições e desafios dentro das organizações. 2424 1. A ciência Pedagogia O termo pedagogo surgiu na Grécia Clássica, da palavra παιδαγωγός, cujo significado etimológico é preceptor, mestre, guia, aquele que conduz. Como ciência, a Pedagogia organizou-se somente a partir dos pressupostos da ciência positivista. O positivismo, como sabemos, foi uma ampla corrente de pensamento que durante o século XIX teve uma repercussão na Europa, e assentava- se na ideia de que a ciência é o nosso único meio de construção do conhecimento verdadeiro, ou seja, pregava uma espécie de primazia da ciência em detrimento de outras formas do conhecimento humano. Baseado no enorme avanço que as ciências naturais vinham conquistando, o positivismo vai encontrar nessas ciências o único método de conhecer digno de confiança, qual seja: a construção de leis que possam explicar os fatos. A pretensão do positivismo foi estender tal método para os estudos humanos e sociais. O que significa dizer que os fenômenos humanos e sociais seriam, assim como os fenômenos naturais, submetidos a um único método científico. O positivismo, portanto, vai postular uma unidade metodológica das ciências. (BRANDÃO, 2011, p. 80). De acordo com Libâneo (2011, p. 6), a Pedagogia como ciência da educação pode ser definida como “um campo de conhecimentos sobre a problemática educativa na sua totalidade e historicidade e, ao mesmo tempo, uma diretriz orientadora da ação educativa.” Porém, o reconhecimento da cientificidade das Ciências Humanas é questionado desde muito tempo. Olhando para a história da ciência, até o século XV prevaleceu a Metafísica Medieval, e somente com Descartes e os racionalistas em geral houve o rompimento com esta concepção criacionista e religiosa do mundo. Os empiristas no Século XVIII e a Filosofia Positivista de Comte no Século XIX também influenciaram fortemente a ciência moderna. Neste período, as ciências naturais, sustentadas pelo “método experimental” tornaram-se o modelo de cientificidade, fundamentadas na observação e na experimentação, tendo a objetividade e a neutralidade como pressupostos básicos. 2525 25 Assim como as demais ciências, as humanas utilizavam o mesmo método experimental, porém, em decorrência das especificidades das ciências humanas, aplicar esse método foi sempre um grande desafio. Iniciou-se então, no Século XX, uma grande discussão epistemológica sobre a cientificidade ou não das ciências humanas. Nas ciências naturais o objeto de estudo é a própria natureza, uma realidade dada, exterior ao homem e o sujeito do conhecimento se põe fora dela para estudá-la. Já nas ciências humanas, o objeto de estudo é o próprio homem, vivendo em sociedade, ou seja, o homem nas suas relações com os outros homens e com a própria natureza. (CAMARGO; ELESBÃO, 2004, p. 7). As Ciências Humanas possuem uma linguagem própria, gera um corpo de conhecimentos, uma série de experimentações e de técnicas necessárias para os estudos dos seus fenômenos e objetos. E, portanto, necessitam de métodos mais adequados e específicos aos seus estudos, que se desenvolveram mais para o final do século XX. A Pedagogia, como ciência, estuda o fenômeno educativo em todas as suas dimensões, compreendendo os elementos da ação educativa e sua contextualização. De acordo com Pimenta (1996), nos estudos da Pedagogia, o sujeito e o objeto se inter-relacionam e se constituem um ao outro e, sendo sua natureza de prática social, possibilita a relação com outras ciências. ASSIMILE A Pedagogia “é a ciência que tem na prática da educação razão de ser – ela parte dos fenômenos educativos para a eles retornar.” A práxis educativa tem o sentido de transformação das condições da realidade que impedem a humanização dos homens (PIMENTA, 1996, p. 53). 2626 O conceito de práxis foi elaborado por Karl Marx e “compreende uma ação transformadora realizada pelo ser humano, pela qual transforma o mundo e se transforma e, é a capacidade de transformação (do mundo e de si mesmo) que faz a sua história” (COUTINHO, 2012, p. 128). Perante as ambiguidades do termo Pedagogia, (...) certos pensadores de ontem e de hoje mostraram a sua preferência por uma noção que é simultaneamente mais extensa e menos ambiciosa: a de Ciências da Educação. (...) Empreendimento de equipes de especialistas que se encontram na encruzilhada das diversas ciências humanas, as Ciências da Educação realizam incontestavelmente uma promoção da pedagogia, assegurando-lhe condições de objetividade e de rigor científico. (AMADO, 2007, p. 6). A Pedagogia, em primeiro lugar, se ocupa do ato educativo na atividade humana e da vida social do indivíduo. Considerando a educação como uma prática humana e social, que transforma os seres humanos, são estas transformações o objeto de estudo da Pedagogia, visando o entendimento global e intencionalmente dirigido, dos problemas educativos e, para isso, recorre aos aportes teóricos providos pelas demais ciências da educação. “A pedagogia, como teoria da educação, busca equacionar, de alguma maneira, o problema da relação educador-educando, de modo geral, ou, no caso específico da escola, a relação professor-aluno, orientando o processo de ensino e aprendizagem” (SAVIANI, 2001, p. 102). Mas o Pedagogo pode e deve atuar apenas no âmbito escolar e na educação formal? 2. O pedagogo em espaços não escolares A ação educativa e o processo de ensino-aprendizagem se dão em diferentes espaços, escolares ou não. Por muitos anos, a prática pedagógica ficou restrita ao âmbito escolar, porém, a partir das 2727 27 mudanças tecnológicas, relações sociais numa nova organização capitalista, relações e organização do trabalho, entre outras, surgiu a necessidade de novos aprendizados e saberes aos indivíduos e profissionais não somente nas Instituições Educacionais. A educação é um fenômeno plurifacetado e extensivo em diversas esferas da sociedade e, portanto, possível de promover a educabilidade humana em face de demandas que marcam os contextos de inserção do sujeito nas dinâmicas sociais (SEVERO, 2015). Nesse contexto, o Pedagogo é um profissional importante em diferentes espaços onde há uma ação educativa intencional para a formação e desenvolvimento dos sujeitos, não só no âmbito escolar, mas também no social, hospitalar, empresarial, entre outros. Na escola, na sociedade, na empresa, em espaços formais ou não formais, escolares ou não escolares, estamos constantemente aprendendo e ensinando. Assim, como não há forma única nem modelo exclusivo de educação, a escola não éo único em que ela acontece e, talvez, nem seja o mais importante. As transformações contemporâneas contribuíram para consolidar o entendimento da educação como fenômeno multifacetado, que ocorre em muitos lugares, institucionais ou não, sob várias modalidades. (FRISON, 2004, p. 88). É importante ressaltar que a formação do Pedagogo no decorrer da história do curso até os dias atuais não contribui com a preparação deste profissional para atuação em outros campos que não o escolar. Desta forma, se faz necessário que os profissionais Pedagogos interessados na atuação em outros espaços que não sejam os escolares, busquem capacitação e formação complementar. Mesmo assim, a formação do Pedagogo possui uma base ampla, passando por diversas ciências como a Sociologia, Filosofia, Psicologia, Antropologia, entre outras, que proporciona um conhecimento amplo sobre os sujeitos e o seu contexto. 2828 O pedagogo gerencia muito mais do que aprendizagens, gerencia um espaço comum, o planejamento, a construção e a dinamização de projetos, de cursos, de materiais didáticos, as relações entre o grupo de alunos ou colaboradores. Isso significa que não basta possuir inúmeros conhecimentos teóricos sobre determinado assunto, é preciso saber mobilizá-los adequadamente. (FRISON, 2004, p. 89). Assim, pode-se afirmar que o Pedagogo possui competências básicas fundamentais para a atuação em espaços não escolares. Tardif (2003) afirma que o saber do pedagogo é um saber diversificado, pois sua prática implica vários saberes inter-relacionados, direta ou indiretamente. 3. A pedagogia empresarial E o Pedagogo no ambiente empresarial? Em todo lugar que houver prática educativa com intencionalidade, haverá a necessidade do Pedagogo. As empresas/organizações há algumas décadas vêm passando por transformações nas suas estruturas, organização do trabalho e gestão, necessitando de pessoas com saberes diversificados que precisam ser atualizads constantemente; a capacidade de aprendizagem contínua torna-se um diferencial. Portanto, profissionais como o pedagogo, adquiriram importância num cenário em que se valoriza cada vez mais o conhecimento, levando as empresas a investir na formação e desenvolvimento dos seus profissionais. A pedagogia empresarial torna-se um ramo da pedagogia responsável pelo desenvolvimento dos profissionais como um diferencial da empresa, ligada às atividades que estimulam o desenvolvimento profissional e pessoal. O pedagogo começou a atuar nas empresas no final da década de 1960, pois as escolas, na época, não davam conta de preparar mão de obra para as fábricas, contribuindo para a aceleração e desenvolvimento econômico do país. 2929 29 No final do Século XX e início do Século XXI, diante de todas as mudanças que estavam ocorrendo no Brasil e no mundo, “as empresas percebem que o seu sucesso não está restrito somente à força física do trabalhador, mas sim à sua capacidade inventiva e dedutiva, ou seja, buscam-se profissionais com a facilidade de aprender e aplicar o que foi aprendido” (CARVALHO; SILVA, 2016, p. 16). O pedagogo, neste contexto, ganha mais espaço no ambiente empresarial. O conceito de competência que começou a ser utilizado na Europa nos anos de 1980, após a crise do sistema fordista e taylorista e mundialização da economia, invade as organizações no Brasil e a educação na década de 1990. A competência como “a capacidade de mobilizar, articular os conhecimentos e habilidades necessárias para o desempenho eficiente das atividades requeridas pela natureza do trabalho” (CARVALHO; SILVA, 2016, p. 36). [...] na fábrica fordista o trabalhador não cessava de recomeçar um mesmo trabalho (com algumas variações), já nas empresas contemporâneas a condição típica é a instabilidade, a mudança contínua, ou seja, tudo é passível de revisão, de remodulação contínua, seja o conteúdo do trabalho, sejam as metas ou as aquisições cognitivas do indivíduo. (Zarifian, 2002 apud Lima, Zambroni-de-Souza & Araújo, 2015, p. 1225). A perspectiva do desenvolvimento das competências exige dos formadores/educadores metodologias centradas no sujeito que aprende, a partir de ações desencadeadas por desafios, problemas e projetos, com o objetivo de formar indivíduos com autonomia, iniciativa e com a capacidade de solucionar problemas. Na área administrativa, é muito comum ouvirmos a sigla CHA para denominar o desenvolvimento de competências. Por meio deste ideograma CHA, refere-se ao conhecimento, habilidade e atitude. O conhecimento corresponde ao domínio de um determinado know-how, 3030 é o saber. A habilidade diz respeito à capacidade em realizar uso real do conhecimento e produzindo algo efetivamente, é o saber fazer. E a atitude, que deve ser assertiva e proativa, ser capaz de fazer o que precisa ser feito de forma assertiva. É o querer fazer. Os termos como sociedade do conhecimento, qualidade total, pedagogia das competências e empregabilidade são comuns no mercado de trabalho e na preparação dos indivíduos para o trabalho. Do ponto de vista do trabalhador assalariado, “a garantia do emprego como direito social desmanchou-se diante da nova promessa de empregabilidade como capacidade individual para disputar as limitadas possibilidades de inserção que o mercado oferece” (GENTILI apud FRIGOTTO, 1998, p. 89). Portanto, a manutenção do emprego diante de um contexto com escassez de oportunidades, leva os indivíduos a buscarem um desenvolvimento eficiente e eficaz do ofício, com postura flexível e dinâmica e, uma incessante atualização e aprimoramento intelectual e emocional. A competitividade, não somente interempresarial, mas interpessoal e fortemente individualizante (PINTO, 2011, p. 28). Do ponto de vista das empresas/organizações, estão em busca de profissionais cada vez melhor preparados, polivalentes, flexíveis e dispostos ao aperfeiçoamento constante para o desenvolvimento de novas competências que atendam ao mercado de trabalho. Capacidades como adaptação às mudanças e saber lidar com situações diferenciadas passaram a ser valorizadas, uma vez que as empresas se encontram neste contexto. Do ponto de vista dos trabalhadores assalariados, as habilidades exigidas para o século XXI não os tornam, necessariamente, “mais hábeis” para nós mesmos, mas mais “bem encaixados” no ritmo da produtividade neoliberal” (DEMO, 2008, p. 5). 3131 31 A organização do trabalho nas empresas deixou de necessitar de uma divisão técnica totalmente marcada, mas sim do trabalho em equipe e funções mais polivalentes. O trabalho passou a ficar mais intelectualizado, autônomo, coletivo e complexo, relacionado às informações, signos e linguagens simbólicas. O desenvolvimento de habilidades cognitivas e comportamentais, entre as quais estão: analises, síntese, criatividade, rapidez de respostas, comunicação clara e interpretação das diferentes formas de linguagem, o gerenciamento de processos, a avaliação de procedimentos, enfim, tudo o que envolve o aprimoramento contínuo, são exigidas nas organizações do Século XXI. As empresas/organizações necessitam manter a competitividade numa economia mundial, com base na evolução tecnológica e, portanto, exige que novas competências sejam desenvolvidas nos funcionários. Profissionais como o Pedagogo podem contribuir de forma significativa nas empresas/organizações, atuando no diagnóstico das necessidades, na aprendizagem, no desenvolvimento e na avaliação dos profissionais. A ramificação da Pedagogia que, na grande maioria, acontece por meio de pós-graduação lato sensu, é a Pedagogia Empresarial. A possibilidade da existência do pedagogo nas empresas traz uma nova área de atuação formada por uma equipe multidisciplinar, composta, na maioria das vezes, por psicólogos, administradores e, pedagogos. Segundo Ribeiro (2003), o pedagogo empresarial necessita de uma formação que inclua a didática aplicada ao treinamento, jogos e simulações empresariais, administraçãodo conhecimento, ética nas organizações, comportamento humano nas organizações, educação e dinâmica de grupos, relações interpessoais nas organizações, desenvolvimento organizacional e avaliação do desempenho. Observe que está é uma formação humanística e técnica voltada para a atuação junto aos recursos humanos da empresa. (CARVALHO; SILVA, 2016, p. 38). 3232 O Pedagogo empresarial atua na aprendizagem dos colaboradores por meio de treinamentos e capacitações, mas também nos processos de conscientização, com as lideranças argumentando e defendendo as necessidades de capacitação e formação dos funcionários de acordo com cada momento e contexto, na inovação e formação dentro das universidades corporativas, nos programas de especialização de mão de obra, nos projetos educacionais para públicos externo e interno, orientação para o desenvolvimento gerencial e educação continuada, entre outros. O Pedagogo empresarial pode e deve contribuir na melhoria do clima organizacional, atento às relações interpessoais e intersetoriais e atuando na administração de conflitos. Figura 1 – Aprendizagem dentro das organizações Fonte: https://media.istockphoto.com/photos/eager-to-absorb-the-information- picture-id892252504. Acesso em: 16 fev. 2019. A atuação do pedagogo se dá em todas as áreas de Recursos Humanos, porém é no Treinamento, Desenvolvimento e Educação (T, D & E) e Desenvolvimento Organizacional (DO) sua maior atuação. Sua atuação deve estar intrinsecamente ligada às estratégias definidas pela direção da empresa. 3333 33 O principal desafio da área de Recursos Humanos é defender uma cultura organizacional voltada à gestão do conhecimento, promovendo o desenvolvimento de uma cultura da aprendizagem e o compartilhamento do conhecimento dentro da organização, além das políticas de recursos humanos. PARA SABER MAIS Leia o artigo “Pedagoga Empresarial: contribuições do pedagogo na gestão de pessoas” (verifique indicação na referência bibliográfica) que apresenta uma pesquisa bibliográfica sobre a atuação do pedagogo nas empresas, por meio da análise de publicações relacionadas ao tema do ano de 2006 a 2012. Os resultados identificaram que os conhecimentos pedagógicos são de suma importância para a organização. A cultura organizacional é o que é compartilhado com relação às crenças, suposições e expectativas dos indivíduos da organização e a percepção e sentimento sobre as normas, valores e ambiente da empresa. Segundo Freeman e Gilbert (1995), a cultura como um todo é menos explícita que os procedimentos e as regras, podendo ser comparada a um iceberg em que, na superfície, estão os aspectos visíveis, formais, e abaixo dela os aspectos ocultos e não formais (FERREIRA, 2017). Pode-se afirmar que, para este século XXI, são o conhecimento e a aprendizagem os grandes diferenciais para o profissional e para a empresa. Por isso, o desenvolvimento dos diversos saberes (teórico, prático, emocional, social, digital, entre outros) é de fundamental importância, bem como as estratégias para disseminar a aprendizagem. O papel do pedagogo nunca foi tão valorizado e desafiador, pois cabe a ele propor ações efetivas para o desenvolvimento e gestão do conhecimento dentro do meio organizacional. 3434 Portanto, o Pedagogo que deseja atuar nas empresas/organizações com a aprendizagem e desenvolvimento das pessoas deve estar consciente dos conhecimentos e saberes que deverá adquirir, complementando a sua formação. Conhecimentos e saberes que envolvem a educação de adultos e profissionais, organização empresarial, desenvolvimento de competências, entre outros. Nesta temática, você estudou a Pedagogia como ciência, o foco dos seus estudos e como as mudanças sociais, econômicas e políticas levaram à percepção dos processos de ensino e aprendizagem em vários espaços além do escolar, formal. Espaços estes cada vez mais diversos como organizações não-governamentais, hospitais, museus e, entre outros, as empresas. Os ambientes empresarias com trabalho basicamente operacional, fragmentando, perdeu espaço há muitas décadas. A evolução tecnológica e, atualmente, digital, têm exigido cada vez mais dos indivíduos e empresas competências mais abstratas e complexas onde diversos saberes se fazem necessários, principalmente o conhecimento. Espero que você tenha compreendido este contexto e identificado as possibilidades de atuação do Pedagogo e também os desafios deste profissional dentro das organizações. TEORIA EM PRÁTICA Uma empresa no seguimento alimentício está com um projeto para implantação da Universidade Corporativa. A empresa possui 3.000 funcionários, que atuam nos setores administrativos, produção e pesquisa e funciona em três turnos. O projeto para a Universidade Corporativa prevê modalidades de educação presencial e a distância e oferta de treinamento, capacitação cursos livres e formação técnica (por meio de parcerias). 3535 35 O conceito de universidade corporativa surgiu nos Estados Unidos, no início da segunda metade do século XX, e vem sendo discutido desde que a General Eletric (GE) lançou a Crotonville Management Development Institute, em 1955. Para coordenar o projeto de implantação da Universidade Corporativa, a empresa contratou duas pedagogas com especialização em pedagogia empresarial. Quais os primeiros passos das duas pedagogas para dar andamento ao projeto de implantação da Universidade Corporativa na empresa? Quais os principais desafios que poderão enfrentar? Quais as possibilidades de inovação? Como promover por meio da UC a aprendizagem individual e coletiva na empresa? VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. Como ciência, a Pedagogia organizou-se somente a partir dos pressupostos da ciência positivista. O que foi o positivismo? a. Corrente filosófica que atribui particular confiança à razão humana e baseia-se no princípio de que a razão é a principal fonte de conhecimentos e que essa é inata aos humanos. b. Ampla corrente de pensamento que, durante o século XIX, teve uma repercussão na Europa e assentava- se na ideia de que a ciência é o nosso único meio de construção do conhecimento verdadeiro. 3636 c. Posição filosófica que aceita a experiência como base para a análise da natureza, procurando rejeitar as doutrinas dogmáticas. Defendem que o conhecimento é primariamente obtido pela experiência sensorial. d. Influente processo cultural, social, filosófico e político que tem suas origens ainda no século XVII, com a Revolução Científica. e. Corrente filosófica com base nas crenças religiosas e o conhecimento clássico, influenciados pelas obras de Aristóteles e Platão. 2. O Pedagogo pode atuar em outros espaços que não sejam escolares, nos âmbitos sociais e empresarias. Para que sua atuação seja necessária nestes espaços é preciso que haja primeiramente: a. Ação educativa intencional. b. Necessidade de Mediação. c. Necessidade de um docente. d. Necessidade de planejamento e avaliação. e. Ação educativa não intencional. 3. A ramificação da Pedagogia que atua nas organizações é a Pedagogia Empresarial. O que é correto afirmar sobre a atuação do Pedagogo Empresarial? I. Atuar no treinamento, jogos e simulações empresariais. II. Mediar e promover melhorias nas relações interpessoais nas organizações. 3737 37 III. No processo seletivo dos profissionais. IV. Nos projetos e programas educacionais nas organizações. Assinale a alternativa com a sequência correta: a. I, II, III, IV. b. I, II, IV. c. I, II, III. d. I, III, IV. e. II, III, IV. Referências bibliográficas AMADO, Casimiro Manuel Martins. HISTÓRIA DA PEDAGOGIA E DA EDUCAÇÃO. Évora: Universidade de Évora, 2007. Disponível em: http://home.dpe.uevora. pt/~casimiro/HPE-%20Guiao%20-%20tudo.pdf. Acesso em: 07 fev. 2019. ANTONELLO, Claudia Simone [et al.]. Aprendizagem organizacional no Brasil. Porto Alegre: Bookman, 2011. BRANDÃO, Ana Rute Pinto. A postura do positivismo com relação às ciências humanas. Theoria- Revista Eletrônica de Filosofia, v. 03, n. 06, 2011. Disponível em: http://www.theoria.com.br/edicao0611/a_postura_do_positivismo.pdf. Acesso em: 10 fev. 2019. CAMARGO, José Carlos Godoy; ELESBÃO, Ivo. O problema do método nas ciências humanas: o caso da Geografia. Mercator - Revista de Geografia da UFC, Rio Claro: UNESP, ano 03, n. 06, 2004. Disponível em file:///C:/Users/Eduardo-Dell/ Downloads/120-1-400-1-10-20081119.pdf. Acesso em: 11 fev. 2019. CARVALHO, Juliana Marques de; SILVA, Carolina Modena da. Pedagogia empresarial. São Paulo: Cengage Learning, 2016. COUTINHO, Suzana Costa. A práxis educativa popular. Theoria - Revista Eletrônica de Filosofia. Pouso Alegre: Faculdade Católica de Pouso Alegre, v. 04, n. 10, ano 2012. Disponível em: http://www.theoria.com.br/edicao10/a_praxis_educativa_ popular.pdf. Acesso em: 11 fev. 2019. 3838 DEMO, P. Habilidades do século XXI. Boletim Técnico do Senac, Rio de Janeiro, v. 34, n. 2, mai/ago., 2008. FERREIRA, Patricia Itala. Clima organizacional e qualidade de vida no trabalho. Rio de Janeiro: LTC, 2017. FRIGOTTO, G. (org.). Educação e crise do trabalho: perspectivas de final de século. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998. FRISON, Lourdes Maria Bragagnolo. O pedagogo em espaços não escolares: novos desafios. Ciência. Porto Alegre: n. 36, p. 87-103, jul./dez. 2004. LIBÂNEO, José Carlos. Pedagogia e pedagogos: inquietações e buscas. Educar. n. 17, p. 153-176. Editora da UFPR. Curitiba, 2001. LIMA, Claudia Maria Pereira de; ZAMBRONI-DE-SOUZA, Paulo César; ARAUJO, Anísio José da Silva. A Gestão do Trabalho e os Desafios da Competência: uma Contribuição de Philippe Zarifian. Psicol. cienc. prof., Brasília, v. 35, n. 4, p. 1223-1238, Dec. 2015. 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Acesso em: 10 mar. 2019. TARDIF, M. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis: Vozes, 2003. Gabarito Questão 1 – Resposta: B O positivismo foi uma ampla corrente de pensamento que durante o século XIX teve uma repercussão na Europa, e assentava-se na ideia de que a ciência é o nosso único meio de construção do conhecimento verdadeiro, ou seja, pregava uma espécie de primazia da ciência em detrimento de outras formas do conhecimento humano. Questão 2 – Resposta: A O Pedagogo é um profissional importante em diferentes espaços onde há uma ação educativa intencional para a formação e desenvolvimento dos sujeitos, não só no âmbito escolar, mas também no social, hospitalar, empresarial, entre outros. Questão 3 – Resposta: B O pedagogo empresarial possui formação para o atuar no treinamento, jogos e simulações empresariais, administração do conhecimento, ética nas organizações, comportamento humano nas organizações, educação e dinâmica de grupos, relações interpessoais nas organizações, desenvolvimento organizacional e avaliação do desempenho. 404040 A aprendizagem nas organizações e o desenvolvimento do potencial humano Autora: Rosângela de Oliveira Pinto Objetivos A temática desenvolvida tem como objetivos: • Apresentar e promover o conhecimento e compreensão sobre a aprendizagem nas organizações. • Apresentar e proporcionar conhecimento e compreensão sobre o desenvolvimento do potencial humano. • Proporcionar reflexões importantes sobre a prática da aprendizagem e desenvolvimento do potencial humano nas organizações. 4141 41 1. A aprendizagem nas organizações A quarta Revolução Industrial tem provocado mudanças e transformações nas organizações, sociedade e, consequentemente, na vida profissional e pessoal dos indivíduos. Muitos são os desafios das organizações e dos profissionais neste contexto. O interesse crescente pelos estudos sobre a aprendizagem nas organizações, impulsionadas pela Revolução Tecnológica e Digital, parte da compreensão que o conhecimento é um diferencial e uma vantagem competitiva na sociedade do “conhecimento”. Assim, as organizações precisam aprender constantemente e dependem de conhecimentos aplicados ao seu negócio para se destacar. Alguns autores, entre eles Peter M. Senge, defendem a aprendizagem como o grande diferencial para as organizações e indivíduos, numa sociedade em que o “conhecimento” é um diferencial estratégico. “À medida que o mundo torna-se mais interligado e os negócios mais complexos e dinâmicos, o trabalho precisa ligar-se em profundidade à aprendizagem” (SENGE, 2006, p. 37). A concepção de aprendizagem organizacional ou organizações que aprendem surgiu ainda na década de 1950, mas foi após as décadas de 1980 e 1990 que os estudos sobre a temática expandiram. Na pesquisa e produção do conhecimento sobre a temática, há acadêmicos das diversas áreas do conhecimento como psicologia, sociologia, antropologia e, também, consultores e profissionais da área de administração. A diversidade de áreas estudando sobre a temática, promove diferentes enfoques sobre a aprendizagem nas organizações. A prevalência dos estudos sobre o tema aprendizagem nas organizações está na literatura estrangeira, produzida por autores posicionados nos Estados Unidos. A literatura sobre Aprendizagem Organizacional tem avançado nos últimos tempos, não somente no volume de publicações, mas também descortinando outras dimensões do tema. Ela apresenta um legado 4242 de mais de 30 anos, com crescimento exponencial a partir dos anos 90 (Crossan; Guatto, 1996; Easterby-smith, 1997). Desde então, diversas revisões de literatura contribuíram para a consolidação e o progresso neste campo de estudo (Easterby-smith, 1997; Miller, 1996; Dodgson, 1993, Huber, 1991; Fiol; Lyles,1985). (ANTONELLO; GODOY, 2011, p. 32). Importante ressaltar as diversas linhas de estudos sobre a aprendizagem organizacional e, portanto, a divergência que existe entre o conceito na área, colocando em risco a sua clara compreensão. O processo de aprendizagem nas organizações promovendo uma organização que aprende não é simples e não deve ser apenas um modismo. Conhecer o processo de aprendizagem dos profissionais dentro das organizações é o primeiro passo para promover de forma sustentável a aprendizagemnas organizações e contribuir na construção de uma organização que aprende. Mas, quais concepções e conceitos de aprendizagem estão orientando as organizações? Os estudos sobre aprendizagem têm contribuição de muitos teóricos e estudiosos. No campo educacional, temos vários estudiosos, entre eles, Vygotsky, famoso pelo conceito de zona de desenvolvimento proximal e a interação social no processo de aprendizagem. Para Vygotsky, a aprendizagem é uma experiência social, mediada pela utilização de instrumentos e signos e a ação. A aprendizagem ocorre no intervalo da zona de desenvolvimento proximal (ZDP) – a distância existente entre aquilo que o sujeito já sabe, seu conhecimento real, e aquilo que o sujeito possui potencialidade para aprender, seu conhecimento potencial – e o professor, outro indivíduo e/ou instrumento tem o papel de mediador neste intervalo e promovendo nova ZDP. No campo empresarial, as concepções se diferenciam de acordo com a sua base teórica que, segundo Antonello e Godoy (2011), podem se dividir em: aprendizagem organizacional e a perspectiva 4343 43 psicológica; aprendizagem organizacional e a perspectiva sociológica; aprendizagem organizacional e a perspectiva antropológica; aprendizagem organizacional e a perspectiva da ciência política; aprendizagem organizacional e a perspectiva econômica. Quadro 1 – A Aprendizagem Organizacional em diferentes abordagens teóricas Abordagens Teóricas Linha de raciocínio Aprendizagem organizacional e a perspectiva psicológica A literatura da administração contemporânea contém basicamente duas visões sobre a relação entre Aprendizagem Organizacional e o processo de aprendizagem estudado em Psicologia. Na primeira, a Aprendizagem Organizacional é vista como uma analogia da aprendizagem individual. Sob esta perspectiva, o conhecimento sobre processos de aprendizagem individual pode ser usado para compreender o processo de aprendizagem organizacional (Walsh; Ungson, 1991). Na segunda visão, a aprendizagem individual é a base para a Aprendizagem Organizacional (Argyris; Schon, 1978; Cangelosi; Dill, 1965; Duncan; Weiss, 1979; Hedberg, 1981; March; Olsen, 1976). De acordo com esta visão, o incremento do conhecimento organizacional – um indicador de Aprendizagem Organizacional – está baseado na aquisição de conhecimentos dos indivíduos na organização. Aprendizagem organizacional e a perspectiva sociológica De acordo com Gherardi e Nicolini (2001, p. 47), os “sociólogos não abordam a aprendizagem como algo que acontece na mente, mas como algo produzido e reproduzido nas relações so ciais dos indivíduos quando eles participam de uma sociedade”. Este conceito sugere que a aprendizagem está integrada no cotidiano dos indivíduos. Sugere também, que grande parte da aprendizagem é oriunda da fonte informal das relações sociais, o que introduz, posteriormente, o conceito de prática como um fator proeminente na visão sociológica. Gherardi e Nicolini (2001, p. 49) comentam que “prática é um sistema de atividades no qual saber não está separado do fazer e das situações e poderia ser chamado de conhecimento coproduzido por meio da atividade”. Pressupõe que toda atividade na vida dos indivíduos é uma oportunidade para aprendizagem e que a aprendizagem em situações sociais casuais é tão importante quanto experiências de aprendizagem formais. 4444 Aprendizagem organizacional e a perspectiva antropológica Uma maneira de construir a ponte entre a antropologia e a teoria das organizações foi conceber a organização como processos e não como estruturas. Os próprios antropólogos providenciaram argumentos para tratar esta questão: “culturas são organizações para fazer algo, para perpetuar a vida humana e a si mesmas” (Czarniawska, 2001, p. 24). A antropologia começou a utilizar o termo Aprendizagem Organizacional como uma referência à aprendizagem que o indivíduo realiza em contexto de estruturas sociais. O conceito entrecruza diferentes disciplinas e está focado na maneira como as pessoas aprendem em estruturas sociais. A natureza e o processo da aprendizagem podem variar em culturas e situações diferentes. Aprendizagem organizacional e a perspectiva da ciência política Aprendizagem é percebida como um processo político no qual os atores investem muitos esforços para influenciar uns aos outros, interpretar a experiência e tentar construir coalizões internas. O framework conceitual pelo qual a experiência é interpretada; a comunicação, estruturada; a informação, difundida, torna-se muito importante. Aprendizagem é vista como uma luta interna para o desenvolvimento de novos modelos mentais compartilhados. Uma ênfase é atribuída ao conflito intraorganizacional, isto é, ao conflito entre subgrupos ou partes com interesses políticos diferentes (Lapalombara, 2001). Aprendizagem organizacional e a perspectiva histórica Conforme Weber e Berthoin Antal (2001, p. 358), a “história tem um efeito de identificação para organizações”. A forma como uma organização empregou a aprendizagem no passado pode ser utilizada em oportunidades futuras. A história ou a identidade de uma organização é construída, em parte, sobre a aprendizagem coletiva de indivíduos e grupos, dentro da organização, no transcorrer do tempo. É esta dimensão histórica do tempo que, de fato, capta esses elementos e os apresenta como uma combinação dos efeitos de tempo na habilidade da organização para aprender. Estes autores dizem que “a influência da história na organização pode ser positiva como também disfuncional” (Weber; Berthain Antal, 2001, p. 358). Organizações podem usar sua história para ampliar o potencial de seu conhecimento coletivo armazenado. Porém, elas têm que se precaver da obsolescência que pode ocorrer com a aderência rígida às práticas e aos procedimentos passados, sem a consideração de novas aprendizagens e oportunidades. 4545 45 Aprendizagem organizacional e a perspectiva econômica Nesta perspectiva, a aprendizagem é definida como aquisição e uso do conhecimento existente e/ou criação de novo conhecimento com o objetivo de melhorar o desempenho econômico (Boerner; Macher; Teece, 2001). Apesar da centralidade da aprendizagem em questões econômicas fundamentais, seu tratamento na literatura da economia ortodoxa é escasso e, frequentemente, caricaturado. De certa forma, este descaso da economia para com a aprendizagem organizacional não surpreende. A negligência em relação à aprendizagem em economia sustenta-se, em parte, pelo fato de os teóricos construírem suas suposições a partir dos processos de comportamento e da tomada de decisão dos agentes econômicos. Em um ambiente baseado nestas suposições, os agentes são perfeitamente racionais e capazes de responder ótima e instantaneamente a condições variáveis. A natureza estilizada de tal ambiente é resumida por Nelson e Winter (1982). Fonte: Antonello e Godoy (2011). Importante ressaltar que o quadro apresenta abordagens a partir de estudos realizados por diversos autores e que Antonello e Godoy (2011) realizaram a categorização destes estudos de acordo com as áreas de conhecimento. Porém, na prática, dentro das organizações, nem sempre há esta clareza e as abordagens se misturam e predominam em uma ou outra. De acordo com Coelho Junior e Borges-Andrade, 2008, p. 224: Segundo Auelete (2004), Ausubel, Novak e Hansesian (1983), Ferreira (1999) e Salvador (1994), os principais usos do conceito de aprendizagem na linguagem cotidiana dentro das organizações referem-se a: (1) ação de reter algo, de fixar algo na memória, qualquer ofício, arte, ciência ou uma profissão (saber como, tornar-se capaz de); (2) ato, processo ou efeito de obter conhecimento por meio de escolarização/estudo, ficar sabendo (de algo com alguma finalidade); (3) aprender algo ou alguma coisa (conhecimento ou habilidade) por meio de escolarização e estudo, instruir- se em e instruir-se para; (4) adquirir habilidade prática(em aprender um esporte); (5) conhecimento ou habilidade obtido por meio de treino e/ou estudo, aplicada a principiantes em torno da aquisição de algo; (6) reter algo na memória, esforço deliberado para se obter conhecimento sobre algo e que se relaciona à vontade de aprender; (7) vivência, carga afetiva e de sensibilidade “aprendeu com a vida”. 4646 A aprendizagem dentro das organizações sempre estará ligada às estratégias e objetivos da empresa, ao desempenho que se espera em nível individual e coletivo para se alcançar o organizacional. A aprendizagem organizacional acontece por meio das experiências e das ações dos seus colaboradores. A aprendizagem organizacional é um processo contínuo de apropriação e geração de novos conhecimentos nos níveis individual, grupal e organizacional, envolvendo todas as formas de aprendizagem – formais e informais – no contexto organizacional, alicerçado em uma dinâmica de reflexão e ação sobre as situações-problema (...). (ANTONELLO, 2005, p. 27). Figura 1 – Teia da aprendizagem organizacional Fonte: Antonello, 2005 - adaptado. Observando a imagem que Antonello (2005) apresenta, é possível afirmar que a aprendizagem organizacional, para ser efetiva, deve promover transformações nas concepções, cultura organizacional, rotinas, ações e práticas da empresa por meio dos indivíduos. Como já foi citado, as empresas, muitas vezes compreendem de forma equivocada como ocorre o aprendizado e como incentivá-lo no seu ambiente. 4747 47 Para que a aprendizagem ocorra dentro das organizações, é necessária a criação de processos de gestão do conhecimento, a compreensão do processo de aprendizagem e criação de um clima organizacional propício à aprendizagem contínua e coletiva, à inovação, à criatividade e à criação de comunidades de aprendizagem (ABBAD e BORGES-ANDRADE, 2004). Promover este ambiente de aprendizagem exige conhecimento sobre a complexidade que envolve uma organização. As organizações são formadas por pessoas que representam unidades singulares e únicas, ao mesmo tempo em que faz parte de unidades maiores (departamentos, divisões), também únicas e interdependentes, com finalidades semelhantes e complementares. O modelo de gestão do conhecimento nas organizações deve buscar a criação de uma cultura organizacional que valorize o desenvolvimento e a aprendizagem de forma contínua, desde os cargos estratégicos até os mais operacionais da empresa, envolvendo clientes internos e externos. Garvin (2002, p. 10) afirma que as organizações que aprendem são aquelas mais “hábeis na criação, aquisição, interpretação, transferência e retenção de conhecimento, e na modificação deliberada de seu comportamento para refletir novos conhecimentos e insights”. As velhas abordagens, conceituais e reducionistas sobre a complexidade das organizações e os processos de aprendizagem presentes neste ambiente, estão perdendo espaço. Hoje, a necessidade gira em torno de concepções interativas e integrais sobre os indivíduos e organização. A gestão do conhecimento prezando pela aprendizagem individual, coletiva e organizacional deve promover transformações conscientizando os dirigentes, as equipes e as pessoas sobre a necessidade da aprendizagem contínua: aprender, desaprender e aprender novamente. 4848 Um limitador no processo de aprendizagem nas organizações é não conhecer e/ou considerar o potencial humano. A literatura sobre a temática é bastante limitada e é na literatura da psicologia organizacional que o conceito de potencial é estudado a partir dos trabalhos de Ellliott Jaques e Gillian Stamp que desenvolveram conceitos sobre estruturas organizacionais complexas, sobre a capacidade humana para o trabalho e sobre o crescimento dessas capacidades ao longo do tempo, na Universidade de Brunel, em Londres. E como o potencial humano é compreendido dentro das organizações? 2. O desenvolvimento do potencial humano A definição sobre o Potencial Humano nas organizações, de acordo com os estudos de Elliott Jaques e Gillian Stamp, se refere à capacidade humana que se desdobra em diferentes padrões de crescimento ao longo do tempo. Contudo, o crescimento não acontece no mesmo padrão para todas as pessoas, mas todos temos um potencial que se desdobra e pode ser identificado. ASSIMILE Importante ressaltar que cada indivíduo tem o seu potencial, que é único, pois os indivíduos são diferentes. Isso significa que uma equipe que reúne diferentes pessoas terá um X potencial que é diferente do potencial de outra equipe. Considerando que cada potencial humano é singular, o olhar para as complexidades de cada projeto, atividades e desafios são diferentes. Pode-se afirmar que o Potencial Humano é o intervalo entre a capacidade que indivíduo atua no presente, de acordo com seu histórico, e a capacidade que pode alcançar num intervalo de tempo determinado por meio de mediação humana ou não (livros, entre outros). 4949 49 A equipe de Recursos Humanos deve atuar na identificação e desenvolvimento dos potenciais humanos dentro da organização, utilizando estratégias adequadas alinhadas aos objetivos organizacionais e dos indivíduos. Importante salientar que no século XXI, com os novos paradigmas de carreira, os profissionais passaram a exigir das empresas condições de desenvolvimento e atendimento de suas expectativas. As organizações, portanto, devem promover o alinhamento dos desempenhos individual e institucional, atendendo às expectativas do trabalhador e da empresa, em uma responsabilização de ambos com o objetivo de ganho mútuo. PARA SABER MAIS Assista ao vídeo “Pool de potenciais – Maximize o potencial humano da sua empresa”, publicado por RH 365. O vídeo apresenta o que significa potencial para as empresas. Nas últimas décadas, o desenvolvimento de competências e a gestão por competências se tornou comum no meio organizacional em função, principalmente, da necessidade de diferentes saberes e capacidades dos indivíduos. Mas, o que isso significa? A gestão por competências utiliza do conceito de competência para “orientar diversos processos organizacionais, utilizando diferentes estratégias e instrumentos, com o propósito de identificar, desenvolver e mobilizar as competências necessárias à consecução dos objetivos organizacionais” (BRANDÃO, 2017, p. 8). Competência não é um termo de consenso entre os estudiosos nas diversas áreas de conhecimento, mas pode-se definir como o conjunto de saberes, incluindo habilidades, conhecimentos e atitudes que o indivíduo possui e que o torna capaz de agir de forma adequada em determinada situação. 5050 Para McClelland (1973), autor seminal da corrente americana, competência seria a capacidade de o indivíduo fazer algo a partir dos seus conhecimentos e habilidades. Na sequência, o termo passou a considerar também as atitudes dos trabalhadores, passando a ser associado aos CHAs necessários ao trabalho dos indivíduos na ocupação de seus cargos (Fleury & Fleury, 2001). Os conhecimentos dizem respeito às informações e aos aprendizados que a pessoa teve ao longo da vida; as habilidades estão relacionadas à capacidade de executar uma determinada tarefa; e as atitudes estão associadas aos conceitos e valores do indivíduo que mobilizam a sua ação (Chouhan & Srivastava, 2014). Já a corrente europeia aprofunda o conceito de competência ao associá-la a um saber-fazer, a experiências e comportamentos que se exerce em um determinado contexto (Zarifian, 2001). Assim, para Le Bortef (2005), um dos principais autores da corrente europeia, as competências referem-se ao conjunto de conhecimentos, habilidades, qualidades, experiências, capacidades cognitivas, recursos emocionais e contextuais que são mobilizados pelo indivíduo para produzir atividades e condutas profissionais necessárias à determinada situação de trabalho. (SILVA; MOURAO, 2018, p. 413). Alguns estudiosos afirmam que as competências podem se manifestar em nívelindividual, coletivo e organizacional. Zarifian, por exemplo, afirma que em cada equipe de trabalho se manifesta uma competência coletiva, que representa mais do que a simples soma das competências individuais de seus integrantes, devido às interações sociais estabelecidas entre eles. Já Prahalad e Hamel referem-se às competências organizacionais como o que confere vantagem competitiva, gera valor distintivo percebido pelos clientes e são difíceis de ser imitadas pela concorrência. Os atributos da organização, e não de suas equipes ou empregados isoladamente (BRANDÃO, 2017). Desta forma, é possível classificar as competências como individuais e organizacionais, sendo que um nível influencia o outro, e vice-versa. 5151 51 Sob essa perspectiva, as competências individuais dos integrantes de uma equipe de trabalho influenciam as competências coletivas da equipe, ao mesmo tempo em que são influenciadas por estas. Da mesma forma, as competências de equipes de trabalho afetam as competências organizacionais, e vice-versa. As competências nos diferentes níveis (individual, de equipes e organizacional), por sua vez, são influenciadas por estímulos e demandas presentes no contexto organizacional, social e econômico, ao mesmo tempo em que influenciam o ambiente ou contexto no qual a organização está inserida. (BRANDÃO, 2017, p. 7). A figura a seguir exemplifica a relação das competências nos diferentes níveis organizacionais e como estão interligadas. Figura 2 - Competências nos diferentes níveis organizacionais Fonte: Adaptado de Brandão, 2017, p. 8. O desenvolvimento das competências nas organizações, considerando a inter-relação entre todos os níveis organizacionais supera o âmbito do Treinamento e Desenvolvimento que compõe a área de Recursos Humanos e passa a ser uma atividade estratégica de toda a organização. 5252 O Potencial Humano, desta forma, é identificado entre as competências que os indivíduos já possuem e aquelas que são desejáveis de ser alcançadas. O potencial de cada indivíduo para alcançar as competências desejadas pela organização será diferente, assim como o tempo em que alcançarão. Observe a imagem: Figura 3 – O Potencial Humano. Fonte: Próprio Autor. Realizar a análise do Potencial Humano dentro das organizações e planejar as melhores estratégias de intervenção para o desenvolvimento destes potenciais é tarefa importante do Pedagogo Empresarial. A avaliação do potencial humano visa não só avaliar as competências dos profissionais, mas também proporcionar o desenvolvimento do autoconhecimento, favorecendo o reconhecimento dos pontos fortes e de melhoria. Os estudos proporcionaram a compreensão dos aspectos teóricos da aprendizagem organizacional, como ela é interpretada dentro das organizações e qual o papel do Pedagogo neste contexto. Foi possível também identificar como os estudos sobre o Potencial Humano é escasso e a importância deste conceito para o desenvolvimento humano e organizacional. O Pedagogo Empresarial compondo uma equipe multidisciplinar possui, entre muitos outros desafios, garantir que a aprendizagem organizacional, o potencial humano e o desenvolvimento de competências, entre outros, sejam interpretados e implementados da forma adequada. 5353 53 TEORIA EM PRÁTICA “Aprendizagem e inovação na indústria automobilística – o caso da ToyotaKyushu - o estudo de caso do setor automobilístico no Japão”. A planta da TMK, instalada em 1992, em Kyushu, Japão, possui alguma autonomia em termos de organização de trabalho, embora deva estar de acordo com o Sistema de Produção Toyota e seu plano de produção seja estabelecido de acordo com outras plantas. Na nova planta é dada uma grande importância ao ambiente físico e humano, tendo- se tratado com cuidado desde questões de localização, ruídos e vibração até iluminação interna, cores e layout. O processo produtivo está organizado em minilinhas, cada uma das quais possui função específica e contribui de maneira diferenciada para o produto final; é permitida alguma variação no ritmo de trabalho. Os trabalhadores aprendem sobre questões de qualidade durante o trabalho e durante sessões específicas dos círculos de qualidade. Para caracterizar o caso da planta de Kyushu como parte do processo de aprendizagem e inovação da Toyota, Afonso Fleury e Maria Tereza Leme Fleury lançam mão de conceitos de Garvin sobre organizações que aprendem. Assim, observando a TMK como resultado de um processo de solução sistemática de problemas, eles concluem que “a criação da TMK como uma companhia independente, numa região geográfica diferente, abre espaço para novos acordos com os trabalhadores e também para o desenvolvimento de novos fornecedores”, num contexto de demanda em expansão, insuficiência de mão de obra e alta de salários. Para Afonso Fleury e Maria Tereza Leme Fleury, a TMK também se transformou em campo de experimentação de novos conceitos de automação 5454 industrial e inovou ao introduzir estoques intermediários, que “visam dar aos trabalhadores um mínimo grau de controle sobre o ritmo de trabalho”, mas, por outro lado, deu continuidade a experiências passadas, à medida que transferiu cultura organizacional e princípios de gestão desde a planta da Toyota City. Os autores supõem que a experiência de Kyushu foi influenciada principalmente pelo projeto Toyota/GM-Nummi e pela Volvo, o que ilustra a capacidade da Toyota em aprender com a experiência de terceiros. Segundo eles, a TMK é fonte de aprendizado para toda a corporação. O principal mecanismo para difundir esse conhecimento na organização se dá pela interação direta entre seus gerentes e os da planta-mãe”. Fonte: CELIA, Maria; LOIOLA, Elizabeth. Aprendendo a aprender: análise de três estudos de caso em aprendizagem organizacional a partir do construtivismo. Organ. Soc., Salvador, v. 8, n. 22, p. 1-15, Dec. 2001. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S1984-92302001000300003&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 09 abr. 2019. Com base no case acima, reflita: a aprendizagem organizacional proporcionada foi conduzida de forma adequada? Atendeu às necessidades organizacionais, coletivas e individuais? VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. No campo empresarial, as concepções de aprendizagem organizacional se diferenciam de acordo com a sua base teórica. Segundo Antonello e Godoy (2011) podem se dividir em? 5555 55 a. aprendizagem organizacional e a perspectiva administrativa; aprendizagem organizacional e a perspectiva sociológica; aprendizagem organizacional e a perspectiva antropológica; aprendizagem organizacional e a perspectiva da ciência política; aprendizagem organizacional e a perspectiva econômica. b. aprendizagem organizacional e a perspectiva psicológica; aprendizagem organizacional e a perspectiva filosófica; aprendizagem organizacional e a perspectiva antropológica; aprendizagem organizacional e a perspectiva da ciência política; aprendizagem organizacional e a perspectiva econômica. c. aprendizagem organizacional e a perspectiva psicológica; aprendizagem organizacional e a perspectiva sociológica; aprendizagem organizacional e a perspectiva literária; aprendizagem organizacional e a perspectiva da ciência política; aprendizagem organizacional e a perspectiva econômica. d. aprendizagem organizacional e a perspectiva psicológica; aprendizagem organizacional e a perspectiva sociológica; aprendizagem organizacional e a perspectiva antropológica; aprendizagem organizacional e a perspectiva da ciência política; aprendizagem organizacional e a perspectiva econômica. e. aprendizagem organizacional e a perspectiva psicológica; aprendizagem organizacional e a perspectiva sociológica; aprendizagem organizacional e a 5656 perspectiva antropológica; aprendizagem organizacional e a perspectiva da ciência religiosa; aprendizagem organizacional e a perspectiva econômica. 2. Com relação à AprendizagemOrganizacional o que é correto afirmar? a. As diversas linhas de estudos sobre a aprendizagem organizacional promovem um consenso sobre o conceito, com compreensão clara dentro das organizações. b. A aprendizagem dentro das organizações sempre estará ligada às estratégias e objetivos do indivíduo primeiramente, em seguida do coletivo e, por fim, da organização. c. A aprendizagem organizacional é um processo contínuo de apropriação e geração de novos conhecimentos nos níveis individual, grupal e organizacional. d. A aprendizagem organizacional, para ser efetiva, não deve promover transformações nas rotinas e práticas dos indivíduos. e. O processo de aprendizagem nas organizações e o potencial humano são conceitos distintos sem inter-relações. 3. A definição sobre o Potencial Humano nas organizações, de acordo com os estudos de Elliott Jaques e Gillian Stamp, se refere à capacidade humana que se desdobra em diferentes padrões de crescimento ao longo do tempo. 5757 57 Com relação ao identificar do Potencial Humano, o que é correto afirmar? a. É identificado entre as competências que os indivíduos já possuem e aquelas que são desejáveis de ser alcançadas. b. É identificado nas capacidades e habilidades atuais dos profissionais. c. É identificado apenas nos traços da personalidade, observando os pontos fortes e de melhoria. d. É identificado somente nos comportamentos dos colaboradores em situações normais do cotidiano de trabalho. e. É identificado apenas durante o processo de seleção e recrutamento dos colaboradores. Referências bibliográficas ANTONELLO, C. S. A metamorfose da aprendizagem organizacional: uma revisão crítica. In RUAS, R. L.; ANTONELLO, C. S.; BOFF, L. H. (Orgs.) 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Tradução OP traduções; Consultoria Zumble Aprendizagem Organizacional. 22ª ed. Rio de Janeiro: BestSeller, 2016. SILVA, Ana Cecília Gomes da; MOURAO, Luciana. Mapeamento de competências essenciais à atuação de dirigentes sindicais. Rev. Psicol., Organ. Trab., Brasília, v. 18, n. 3, p. 412-421, jun. 2018. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo. php?script=sci_arttext&pid=S1984-66572018000300003&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 05 mar. 2019. ZANELLA, Andréa Vieira. Zona de desenvolvimento proximal: análise teórica de um conceito em algumas situações variadas. Temas psicol., Ribeirão Preto, v. 2, n. 2, p. 97-110, ago. 1994. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo. php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X1994000200011&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 05 mar. 2019. Gabarito Questão 1 – Resposta: D Segundo Antonello e Godoy (2011), as concepções de aprendizagem organizacional podem se dividir em: aprendizagem organizacional e a perspectiva psicológica; aprendizagem organizacional e a perspectiva sociológica; aprendizagem organizacional e a perspectiva antropológica; aprendizagem organizacional e a perspectiva da ciência política; aprendizagem organizacional e a perspectiva econômica. Questão 2 – Resposta: C Com relação à Aprendizagem Organizacional é correto afirmar que é um processo contínuo de apropriação e geração de novos conhecimentos nos níveis individual, grupal e organizacional. Não há consenso sobre o conceito, nem compreensão clara dentro das organizações; a aprendizagem dentro das organizações sempre estará ligada às estratégias e objetivos da organização considerando os objetivos individuais e coletivos; a aprendizagem 5959 59 organizacional, para ser efetiva, deve promover transformações; aprendizagem nas organizações e o potencial humano são conceitos que se complementam. Questão 3 – Resposta: A O Potencial Humano é identificado entre as competências que os indivíduos já possuem e aquelas que são desejáveis de ser alcançadas. Deve observar o passado, presente e futuro, não deve considerar apenas saberes e capacidades isoladas dos indivíduos, mas competências diversas em situações normais e atípicas do cotidiano de trabalho. 606060 Desenvolvimento de programas e projetos educacionais nas organizações Autora: Rosângela de Oliveira Pinto Objetivos A temática possui como objetivos: • Apresentar a Educação Corporativa como foco de atuação do Pedagogo Empresarial. • Proporcionar a compreensão sobre o que são os Programas e Projetos Educacionais desenvolvidos nas organizações. • Promover reflexões sobre a Educação Corporativa e os programas e projetos educacionais implementados nas organizações. 6161 61 1. O papel do Pedagogo nas organizações O Pedagogo, nas últimas décadas, apesar de pouco disseminado ainda, vem atuando em outros espaços além das instituições formais de educação. Um destes espaços são as organizações empresariais, atuando em cooperação com os outros profissionais de gestão e compondo uma equipe multidisciplinar, geralmente formada por psicólogos, administradores, entre outros. O papel do pedagogo dentro de uma organização envolve o desenvolvimento das relações humanas, o desenvolvimento das pessoas e a cultura organizacional. Portanto, este profissional deve estar envolvido, desde o diagnóstico das deficiências e necessidades com relação ao desenvolvimento das relações humanas, das pessoas e da cultura organizacional, o mapeamento das competências, potencial humano, assim, como no planejamento, implementação e avaliação de programas e projetos educacionais/organizacionais. A função do pedagogo empresarial não é só́ preparar os treinamentos, mas também definir, em conjunto com os comandos da empresa, quem participará dos mesmos; motivar os colaboradores e conscientizá-los da importância dessas capacitações e, além de tudo, atuar diretamente com as lideranças, desenvolvendo a consciência de que a participação dos seus colaboradores nos programas de treinamento deve ser facilitada, resultando em pessoas cada vez mais qualificadas, autônomas e inovadoras. (CARVALHO; SILVA, 2016, p. 22). O Pedagogo empresarial, portanto, está envolvido em várias frentes, necessitando de sólidos saberes para promover o desenvolvimento cognitivo, comportamental, profissional, considerando a criatividade, comunicação, capacidade de trabalho em grupo, gerenciamento de processos, avaliação de procedimentos, entre outros. 6262 A presença de um Pedagogo na área de desenvolvimento de pessoas em uma organização contribui no olhar para a inclusão. Inclusão das pessoas portadoras de deficiência (PCD), assim como toda e qualquer diversidade como: as mulheres, os negros, os homossexuais, os transgêneros, os obesos, pessoas que possuem diversas crenças, costumes e valores, entre outros (CARVALHO; SILVA, 2016). O processo de inclusão deve prever também a sensibilização de todos os profissionais, lideranças e alta gestão sobre as diferenças, compreendendo suas especificidades, mas também suas potencialidades individuais e na equipe. A aprendizagem nas organizações deve incluir os saberes técnicos, comportamentais, mas também, os éticos e sociais, contribuindo para o desenvolvimento de profissionaiscidadãos. Portanto, o Pedagogo atuará nas organizações contribuindo para o desenvolvimento das pessoas e as relações estabelecidas neste contexto. Estará vinculado à área de Treinamento e Desenvolvimento e/ou a Educação Corporativa – a Educação organizada e ofertada pelas empresas dos diversos setores. 2. A Educação Corporativa A Educação Corporativa é um termo que passou a ser utilizado na década de 1950 por empresas americanas a fim de melhorar a vantagem competitiva, promovendo a educação de funcionários, clientes e fornecedores, pois passou a apresentar resultados mais eficazes que o tradicional modelo de Treinamento e Desenvolvimento (T&D). No Brasil, a Educação Corporativa surge apenas na década de 1990, no contexto de abertura econômica do país e mercado globalizado. De acordo com Jeanne C. Meister (1999) – estudiosa de destaque sobre Educação Corporativa – a educação corporativa é uma iniciativa organizacional que visa garantir um processo contínuo e estruturado 6363 63 de aprendizagem vinculada a objetivos estratégicos. Ela pode ser definida como um sistema de desenvolvimento de pessoas, pautado pela gestão por competências, cujo papel é o de servir de ponte entre o aprimoramento pessoal e a estratégia de atuação da instituição. A Educação Corporativa inclui um conjunto de práticas educacionais planejadas fomentando a cultura de aprendizagem contínua e proporcionando a aquisição de novas competências vinculadas às estratégias empresariais. A Educação Corporativa surgiu e foi disseminada entre as organizações com o objetivo de desenvolvimento contínuo de aprendizagem e por não conseguirem, através das Instituições de Ensino formais, a educação e capacitação que necessitam de forma rápida e flexível. Tabela 1 – Principais diferenças entre Treinamento e Educação Corporativa. Treinamento Educação corporativa Trabalha as competências individuais. Trabalha as competências de acordo com as necessidades do negócio. Ênfase nas competências individuais e pontuais dos colaboradores. Ênfase nas competências individuais, do grupo e da organização alinhadas às necessidades estratégicas do negócio. Foco no desenvolvimento de competências individuais com uma visão de curto prazo. Foco no desenvolvimento de competências de forma contínua que contribua para o aumento da competitividade com uma visão de longo prazo. Aprendizagem passiva em que o colaborar recebe o conhecimento para assimilação. Aprendizagem ativa em que o colaborar é protagonista do seu desenvolvimento. Fonte: próprio autor. No processo de implantação da Educação Corporativa na Organização, o comprometimento e o envolvimento da alta cúpula, o alinhamento do modelo de gestão de pessoas e programas e projetos educacionais às estratégias do negócio, são fundamentais. Sem estes requisitos básicos, o projeto de Educação Corporativa não sairá do papel. 6464 A Educação Corporativa abrange várias modalidades de ensino, tais como: cursos de formação continuada, cursos técnicos, educação básica, pós-graduação lato sensu, entre outros. A certificação dos cursos de educação formal são empecilhos para as empresas, pois somente instituições acadêmicas credenciadas pelo Ministério da Educação (MEC) ou secretarias de educação (no caso da Educação Básica) podem emitir diplomas. Desta forma, as empresas realizam parcerias com as Instituições de Ensino tanto públicas quanto privadas. A Educação Corporativa pode ser ofertada por meio da educação presencial, à distância ou semipresencial. A Revolução tecnológica e digital proporciona às organizações a utilização da Educação a Distância que promove uma qualificação por um tempo menor e com custos reduzidos. Porém, não é adequado escolher a modalidade a Distância apenas pelos custos reduzidos e menor tempo gasto. O Pedagogo e os demais profissionais envolvidos nos programas de Educação Corporativa devem trabalhar no processo de conscientização das lideranças para que as escolhas das modalidades, cursos e investimentos possam atender às necessidades de todos - indivíduos e organização -, visando processos de desenvolvimento efetivos e, portanto, com maiores e melhores resultados organizacionais. PARA SABER MAIS Pesquise na internet o canal produzido pelo professor Wagner T. Cassimiro, denominado Espresso 3. Trata-se de um canal de aprendizagem contínua em educação corporativa e gestão de pessoas. Educação Corporativa se destaca como um dos temas abordados pelo professor. Indicamos em especial a entrevista intitulada “As cinco principais tendências na educação corporativa”, que contou 6565 65 com a participação da professora Marisa Eboli. Esse vídeo aborda as cinco tendências na educação corporativa levantadas na Pesquisa Nacional 2015 – Práticas e Resultados da Educação Corporativa organizada pela entrevistada. A atuação do Pedagogo na Educação Corporativa deve ter como foco uma educação inclusiva e emancipatória. O que isso significa? Significa promover aprendizagens que incluam todos, respeitando as diferenças e considerando a importância das mesmas para o crescimento das equipes. Significa não apenas transmitir conhecimentos, mas promover, por meio de diversos saberes, aprendizagens que promovam mudanças e transformações nas organizações e nos projetos pessoais. Portanto, são necessárias estratégias de desenvolvimento de ações educacionais, alinhadas com as lideranças e pares, que superem a visão simplista, de curto prazo e pragmática, ampliando para estratégias que contribuam com a construção da autonomia do trabalhador, do desenvolvimento de sua capacidade de pensar e agir, de aprender a aprender. ASSIMILE Se pensarmos que a prática educativa ocupada com a emancipação do indivíduo pode acontecer dentro do espaço formal de aprendizagem, mas que é um processo que pode acontecer no espaço não formal de aprendizagem, então, a empresa pode ser compreendida como mais um ambiente lícito à promoção da autonomia e da liberdade individual, desde que comprometida com os valores de uma educação que valoriza o indivíduo, respeita a sua individualidade, promove sua autonomia e busca desenvolvê-lo integralmente (SANTOS; RICARDO, 2013, p. 74). 6666 Pensar em uma Educação Corporativa que promova emancipação dos colaboradores, nos obriga a refletir sobre qual educação corporativa estamos tratando: uma aprendizagem restrita aos anseios e interesses da empresa ou que promova aprendizagens alinhadas também aos anseios dos trabalhadores? A Educação Corporativa precisa ter como um dos seus principais focos os negócios da empresa num contexto de competitividade. Porém, é possível atender os negócios da empresa e também promover uma educação inclusiva e emancipatória. A educação corporativa em empresas engajadas nesta concepção de educação visa contemplar a inclusão em diversas dimensões, principalmente, as que privilegiam o bem-estar social e a cidadania em uma sociedade mais igualitária com respeito às diferenças. (...) desenvolvendo trabalhadores bem qualificados e comprometidos com o seu fazer no cotidiano do chão de fábrica, mas, também, com valores éticos e de respeito às individualidades. (SANTOS; RICARDO, 2013, p. 76). Uma Educação Corporativa com base nesta concepção promove muitos benefícios para as empresas que realmente desejam ser cada vez mais competitivas. “As organizações inseridas num ambiente de forte competitividade enfrentam o desafio de transformar a vida de trabalhadores e os resultados das organizações” (SANTOS; RICARDO, 2013, p. 77). As organizações que necessitam de mais inovação e pesquisa podem investir na Universidade Corporativa. O fenômeno das universidades corporativas não é tão recente, mas é após o final do Século XX e início do Século XXI que o conceito se expandiu e intensificou nas empresas de diversos setores. As primeiras experiências de Universidade Corporativa no Brasil são: Academia Accor (1992), a Universidade Brahma (1995), Universidadedo McDonald’s (1997), Siemens Management Learning (1998), entre outras. 6767 67 As universidades corporativas devem ser compreendidas como um espaço de aprendizagem dos profissionais para a realização de estudos e pesquisas que envolvem o nível de ensino superior, gerando maior conhecimento não só dentro da organização, mas também, no seu entorno e promovendo um trabalho educacional inclusivo. Para a implementação de uma Universidade Corporativa é necessária a parceria empresa-escola devido às questões legais da educação formal. Área esta que o Pedagogo domina e pode contribuir muito. A Universidade Corporativa, para ter sucesso e proporcionar à empresa resultados importantes e significativos, deve ser bem planejada e gerida para não correr o risco de se limitar apenas a portais, sistemas on-line engessados e ações educacionais voltadas apenas para as lideranças. A característica fundamental das Universidades Corporativas é a personalização dos cursos de acordo com a realidade de cada empresa, por meio de parcerias estratégicas e inovadoras entre as Universidades Corporativas e as instituições de ensino superior. Observe a comparação realizada por Eboli (1999) entre o papel das escolas de negócio e/ou administração, vinculadas às universidades tradicionais e o papel das Universidades Corporativas. Tabela 2 – Papel das Universidades Tradicionais e das Universidades Corporativas Universidade Tradicional Universidade Corporativa Desenvolver competências essenciais para o mundo do trabalho. Desenvolver competências essenciais para o sucesso do negócio. Aprendizagem baseada em sólida formação conceitual e universal. Aprendizagem baseada na prática dos negócios. Sistema educacional formal. Sistema do desenvolvimento de pessoas pautado pela gestão por competências. Ensinar crenças e valores universais. Ensinar crenças e valores da empresa e do ambiente de negócios. Desenvolver cultura acadêmica. Desenvolver cultura empresarial. Formar cidadãos competentes para gerar o sucesso das instituições e da comunidade. Formar cidadãos competentes para gerar o sucesso da empresa e dos clientes. Fonte: EBOLI, Marisa. Coletânea Universidades Corporativas, 1999, p. 117. 6868 Desta forma, as organizações entendem que, por meio da Universidade Corporativa, conseguem unir as necessidades do ensino superior às habilidades, conhecimento e competências necessárias para a realidade organizacional, criando programas de educação que atingem de forma mais eficaz os objetivos estratégicos da organização. PARA SABER MAIS Exemplo de uma Universidade Corporativa “Universidade Corporativa da AmBev - considerada umas das pioneiras, ela foi criada em 1995, na época como Universidade Brahma, e oferece cursos e certificações para os funcionários. Com aulas presenciais e online, nas áreas, industrial, de vendas, marketing, operações, logística, administrativa e financeira, já recebeu mais de R$ 200 milhões em investimentos e superou um total de 20 mil pessoas treinadas a cada ano. O objetivo da Universidade AmBev é aprimorar competências, transformar a cultura organizacional da empresa e colaborar para um ambiente propício para o crescimento”. Fonte: Universidades corporativas: guia definitivo. Blog Fundação Instituto de Administração. São Paulo, 20 de julho de 2018. 3. Programas e projetos educacionais nas organizações Antes de continuar, você sabe o que é um programa, um projeto e a diferença entre eles? 6969 69 O programa possui uma amplitude maior envolvendo um conjunto de projetos que visam objetivos comuns. Já o projeto possui um objetivo mais específico e exige um esforço temporário para criar/desenvolver um produto, serviço ou resultado. Portanto, os programas e projetos são diferentes, mas complementares. Os programas exigem esforços maiores, envolvendo objetivos e múltiplas equipes por um tempo maior de desenvolvimento e implementação. Já os projetos proporcionam o desenvolvimento e alcance dos objetivos dos programas, além de contar com equipes menores e são finitos. Os programas educacionais estão presentes no escopo da Educação Corporativa e demais ações do Pedagogo Empresarial – juntamente com seus pares e lideranças - a fim de promover o desenvolvimento das pessoas, das relações interpessoais e da cultura organizacional. Estes programas possuem intenções, objetivos e metas que são implementadas por meio dos projetos. Os programas e projetos devem ter como foco promover aprendizagens organizacionais que desenvolvam o potencial dos indivíduos, equipes e organização, assim como as competências individuais, coletivas e organizacionais. Sempre alinhados às estratégias organizacionais e alta liderança. Para a construção de programas educacionais, alguns requisitos são fundamentais, como: • Diagnóstico cuidadoso das competências da organização contribuindo de maneira assertiva no atendimento das reais necessidades da organização, grupos e pessoas. Essa análise permite construir eixos de competências a serem desenvolvidas e que na Educação Corporativa, geralmente são subdivididos em “escolas e pilares”. 7070 • Identificação dos públicos a serem atendidos a fim de determinar a natureza dos programas, nível de profundidade dos conteúdos e especificidades de cada público. Tabela 3 – Exemplo Escolas e Pilares da Unise – Universidade das empresas Eletrobras Escola Pilar de formação Excelência Operacional Geração Transmissão Distribuição Programas Governamentais Estratégias de Mercado Comercialização Internacionalização Novos empreendimentos P&D e Inovação Regulação Setorial Gestão Tecnologia de Gestão Suporte ao negócio Comunicação Governança Corporativa Liderança Formação e Desenvolvimento de Líderes Gestão de Pessoas Responsabilidade Social Corporativa Cultura e valores Responsabilidade socioambiental Segurança do trabalho Fonte: Adaptada de ELETROBRAS. Universidade Corporativa – Unise. Todo programa educacional deve prever a educação continuada, ou seja, não deve limitar-se a um conjunto de cursos, mas deve prever também ações educativas no dia a dia profissional, multiplicação dos saberes por meio de coaching, mentoring, entre outras técnicas e estratégias. Os programas educacionais são desenvolvidos dentro das organizações por meio de projetos. Projeto é um esforço temporário empreendido em um produto ou serviço, com estrutura única e busca resultados únicos, inéditos ou inovadores. Nos últimos anos, a utilização de projetos nas mais diversas organizações se tornou uma realidade. 7171 71 Os profissionais que atuam no desenvolvimento de pessoas nas organizações precisam dominar os conhecimentos sobre gestão de projetos a fim de acompanhá-los ou implementá-los com sucesso. A gestão de projetos é a aplicação de conhecimento, habilidades, ferramentas e técnicas às atividades do projeto a fim de atender aos seus objetivos. A gestão de projetos, aliada à gestão estratégica das organizações, proporciona soluções, caminhos e resultados importantes à organização. O Pedagogo Empresarial pode atuar tanto como um membro de um projeto, como também um gestor de projetos para o desenvolvimento de pessoas, relações e cultura organizacional. A gestão de projetos inclui: Identificação das necessidades; estabelecimento de objetivos claros e alcançáveis; balanceamento das demandas conflitantes de escopo, tempo, custo e qualidade; balanceamento dos objetivos do projeto em face de diferentes prioridades e expectativas das partes interessadas. (CAVALCANTI, 2016, p. 3). Uma grande questão deve estar presente em todo projeto: o quanto este projeto irá alterar/impactar a cultura do grupo, as mudanças nas pessoas, a forma de trabalhar e o funcionamento da organização? Questão orientadora para um projeto assertivo e de sucesso. De acordo com Sarkar, autor de Simple steps to ma-nage your project changes, os principais passos para gerenciar melhor as mudanças provenientes da implantação deprojetos, são: definir o orçamento; obter razões para mudar; analisar os impactos; identificar as interdependências; analisar os riscos; determinar o impacto da mudança; documentar o processo (MADRUGA, 2018). Mais do que implementar projetos de forma adequada, é necessário implementar projetos que promovam mudanças e transformações nos indivíduos, grupos e organização de forma satisfatória. 7272 No decorrer desta temática, foi possível identificar o principal foco de atuação do Pedagogo Empresarial nas organizações e porque desenvolver programas e projetos educacionais nas organizações. A atuação do Pedagogo Empresarial nas organizações exige competências complexas para atuar de forma adequada no desenvolvimento das pessoas, do grupo e da organização, sempre preservando uma postura de educador e mediador, intrínseca à formação do Pedagogo. TEORIA EM PRÁTICA Pedagogia de Projetos nas Organizações Empresa de médio porte é comprada por multinacional. O Ramo de negócio das empresas é o setor de alimentos. A Empresa adquirida é transformada em uma unidade produtiva e as áreas administrativas são agregadas à matriz. Desta forma, a cultura organizacional que passa a prevalecer é da empresa multinacional. Alguns funcionários são aproveitados e os demais são demitidos. Os funcionários que vêm da empresa adquirida começam a apresentar várias dificuldades: trabalhar com uma maior pressão para atingir metas, alinhar-se com os valores da nova empresa, adaptar-se a uma cultura de maior concorrência e lidar com uma hierarquia maior e diferente. A empresa multinacional possui uma área de T&D da matriz muito bem estruturada, com equipe multidisciplinar. A área conta também com uma Educação Corporativa que foi implantada há seis anos no Brasil. A Educação Corporativa possui uma estrutura física, mas também oferece a modalidade EAD. As práticas educativas que envolvem a Educação Corporativa são direcionadas a todos os níveis 7373 73 de funcionários e fornecedores. As práticas educativas estão organizadas em cinco categorias: integração (missão, valores, metas e história da organização); operacionais (atividades técnicas relacionadas aos cargos e atividades desenvolvidas na empresa); comportamentais (posturas e atitudes dos comportamentos que a empresa valoriza, assim como os relacionados aos cargos); estratégicos (gestão e atuação estratégica do negócio); e, inovação (práticas que estimulem a criatividade e inovação em relação ao negócio da empresa). As parcerias realizadas são com instituições de educação profissional e escolas de gastronomia e consultorias na área de gestão. No contexto desta organização, reflita sobre o papel do Pedagogo Empresarial e qual sua atuação. VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. De acordo com Jeanne C. Meister (1999) – estudiosa de destaque sobre Educação Corporativa - a educação corporativa é uma iniciativa organizacional que visa garantir um processo contínuo e estruturado de aprendizagem vinculada a objetivos estratégicos. A partir da definição, o que é correto afirmar sobre a Educação Corporativa? a. Ênfase nas competências individuais e pontuais dos colaboradores. b. Foco no desenvolvimento de competências individuais com uma visão de curto prazo. 7474 c. Foco no desenvolvimento de competências de forma contínua que contribua para o aumento da competitividade com uma visão de longo prazo. d. Aprendizagem focada apenas nos saberes e interesses da organização. e. Aprendizagem passiva em que o colaborar recebe o conhecimento para assimilação. 2. A característica fundamental das Universidades Corporativas é a personalização dos cursos de acordo com a realidade de cada empresa, por meio de parcerias estratégicas e inovadoras entre as Universidades Corporativas e as instituições de ensino superior. A partir da característica fundamental da Universidade Corporativa, o que é correto afirmar sobre a mesma? a. Aprendizagem baseada em sólida formação conceitual e universal. b. Formar cidadãos competentes para gerar o sucesso da empresa e dos clientes. c. Ensinar crenças e valores universais. d. Formar cidadãos competentes para gerar o sucesso das instituições e da comunidade. e. Desenvolver cultura acadêmica. 3. O programa possui uma amplitude maior envolvendo um conjunto de projetos que visam objetivos comuns. Já o projeto possui um objetivo mais específico e exige um 7575 75 esforço temporário para criar/desenvolver um produto, serviço ou resultado. Portanto, os programas e projetos são diferentes, mas complementares. Portanto, o que é correto afirmar sobre os programas educacionais nas organizações? a. Proporcionam o desenvolvimento e alcance dos objetivos específicos, além de contar com equipes menores e são finitos. b. Esforço temporário empreendido em um produto ou serviço, com estrutura única e busca resultados únicos, inéditos ou inovadores. c. Exigem uma gestão eficiente na busca do alcance de metas a curto prazo. d. Exigem esforços maiores envolvendo objetivos e múltiplas equipes, por um tempo maior de desenvolvimento e implementação. e. Estão ligados a fatores críticos como tempo, custo e recursos e possuem como foco a entrega de produtos ou serviços exclusivos. Referências bibliográficas CARVALHO, Juliana Marques de; SILVA, Carolina Modena da. Pedagogia empresarial I. Cengage Learning. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2016. MEISTER, J. C. Educação corporativa. São Paulo: Makron Books, 1999. SANTOS, Consuelo Aparecida Sielski; RICARDO, Eleonora Jorge. Educação corporativa e educação emancipatória: a estratégia de inclusão social das universidades corporativas. Inc. Soc., Brasília, DF, v. 7 n. 1, p.73-79, jul./dez., 2013. Disponível em: http://revista.ibict.br/inclusao/article/view/1757/1963. Acesso em: 05 mar. 2019. 7676 CRUZ, Daniele. Educação corporativa: uma proposta da empresa na teoria e na prática. Educ. rev. Belo Horizonte, v. 26, n. 2, p. 317-357, agosto de 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102- 46982010000200016&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 06 mar. 2019. CARVALHO, Renata Pinheiro; CRUZ, Dulce Márcia. Universidade Corporativa: uma nova estratégia para a aprendizagem organizacional. s/d Disponível em: http://www. abenge.org.br/cobenge/arquivos/18/trabalhos/IUE012.pdf. Acesso em: 04 mar. 2019. CAVALCANTI, Francisco Rodrigo P. Fundamentos de gestão de projetos: gestão de riscos. São Paulo: Atlas, 2016. EBOLI, Marisa. Educação Corporativa: muitos olhares. São Paulo: Atlas, 2014. EBOLI, Marisa. Coletânea universidades corporativas: educação para as empresas do século XXI. São Paulo: Schmukler Editores, 1999. ELETROBRAS. Universidade Corporativa – Unise. Disponível em: https://eletrobras. com/en/Paginas/Universidade-Corporativa-Unise.aspx. Acesso em: 23 abr. 2019. MADRUGA, Roberto. Treinamento e desenvolvimento com foco em educação corporativa. 1 .ed. – São Paulo: Saraiva Educação, 2018. REGO, Teresa Cristina. Vygotsky: uma perspectiva histórico-cultural da educação. 12. ed. Petrópolis: Vozes, 2001. Universidades corporativas: guia definitivo. Blog Fundação Instituto de Administração. São Paulo, 20 de julho de 2018. Disponível em: https://fia.com.br/ blog/universidades-corporativas/. Acesso em: 23 abr. 2019. Gabarito Questão 1 – Resposta: C A Educação Corporativa tem como premissas: trabalhar as competências de acordo com as necessidades do negócio; ênfase nas competências individuais, do grupo e da organização alinhadas às necessidades estratégicas do negócio; foco no desenvolvimento de competências de forma contínua que contribua para o aumento da competitividade com uma visão de longo prazo; aprendizagem ativa em que o colaborar é protagonista do seu desenvolvimento. 7777 77 Questão 2 – Resposta: B A Universidade Corporativa preza pelo: desenvolvimento das competências essenciais para o sucesso do negócio; aprendizado baseado na prática dos negócios; sistema do desenvolvimentode pessoas pautado pela gestão por competências; ensino de crenças e valores da empresa e do ambiente de negócios; desenvolvimento da cultura empresarial; formação de cidadãos competentes para gerar o sucesso da empresa e dos clientes. Questão 3 – Resposta: D Os programas educacionais se referem ao desenvolvimento e alcance dos objetivos maiores, alinhados às estratégias do negócio e ao diagnóstico das competências individuais e organizacionais; exigem esforços maiores envolvendo objetivos e múltiplas equipes, por um tempo maior de desenvolvimento e implementação. 787878 Planejamento e execução de projetos educacionais nas organizações: Como? Para quem? Por quê? Autora: Rosângela de Oliveira Pinto Objetivos Os objetivos dos estudos nesta temática são: • Apresentar e promover a compreensão sobre a etapa de planejamento do plano de ação da Educação Corporativa. • Apresentar e promover a compressão sobre a fase de implementação do plano de ação por meio de programas e projetos educacionais para desenvolvimento dos profissionais e da organização. • Promover reflexão sobre a complexidade da atuação do Pedagogo dentro das organizações, destacando as competências a serem desenvolvidas, mas também, a contribuição de um profissional com a formação do Pedagogo no desenvolvimento das pessoas e cultura organizacional. 7979 79 1. Planejamento de projetos educacionais nas organizações O papel do pedagogo dentro de uma organização envolve o desenvolvimento das relações humanas, o desenvolvimento das pessoas e a cultura organizacional. Sua atuação não se limita à educação corporativa, mas é aqui sua principal atuação. Por meio da educação corporativa é possível estabelecer um processo contínuo e estruturado de aprendizagem vinculado a objetivos estratégicos, com o comprometimento e o envolvimento da direção da empresa. Para isso, programas e projetos educacionais são concebidos, alinhados às estratégias do negócio. Assim como em qualquer atividade educativa intencional, o planejamento é fundamental. Ao planejar é possível analisar a realidade, de forma organizada e com foco nos objetivos que se pretende alcançar, refletindo sobre as condições existentes e elaborando estratégias e formas de ação para superar as dificuldades e/ou alcançar os objetivos desejados. O planejamento é uma etapa de tomadas de decisões. Um bom planejamento exige seguir algumas etapas, que são: o diagnóstico, ou seja, o conhecimento da realidade e a elaboração de um plano de ação que inclua todos os detalhes da execução, avaliação e o aperfeiçoamento do plano. Conhecer a realidade Planejo um programa e projetos para quem, como e por quê? Esse precisa ser o primeiro passo de qualquer planejamento, um diagnóstico cuidadoso das competências dos indivíduos e da organização. Em todas as etapas, o envolvimento da alta administração e demais elementos importantes na estrutura organizacional é importante, porém, no diagnóstico é fundamental. As lideranças estratégicas devem contribuir com as necessidades reais das empresas e, consequentemente, as necessidades das pessoas em termos de 8080 preparação e qualificação. “A participação direta e engajada da liderança colabora também ao desenvolver pessoas que compartilham das crenças e valores da organização, contribuindo para a perenidade da organização” (EBOLI, 2014, p. 31). No diagnóstico inicial, o alinhamento estratégico e a harmonia com os demais processos da organização garantem uma boa parte do sucesso nas próximas ações. Em seguida, quais são as pessoas/equipes que serão envolvidas no programa e projetos? Quais são as suas expectativas, necessidades e competências? Aqui o mapeamento das competências se faz imprescindível. O mapeamento objetiva fundamentalmente identificar o denominado gap de competências, isto é, a diferença entre as competências necessárias para concretizar a estratégia formulada e as competências internas já disponíveis na organização. (BRANDÃO, 2017, p. 12). Ao identificarem-se os gaps de competências a serem desenvolvidos, identifica-se o potencial humano de cada indivíduo que, como estudado, não serão iguais e esse fator precisa ser levado em consideração no plano de ação. Vamos observar a figura e compreender melhor. Figura 1 – Identificação do gap (lacuna) de competências Fonte: Brandão, 2017, p. 13. 8181 81 No gráfico é possível identificar que o mapeamento das competências atuais e necessárias está relacionado também ao tempo. Esse tempo irá depender das particularidades de cada indivíduo, suas expectativas, experiências e motivações. É este intervalo o foco principal dos profissionais que atuam com o desenvolvimento de pessoas nas organizações. Ao identificar as competências atuais, tanto individuais como organizacionais, as competências que a organização almeja e as lacunas existentes, a equipe de Recursos Humanos, responsável pela área de treinamento, desenvolvimento e educação da empresa estará preparada para iniciar o planejamento da elaboração do plano de ação a ser desenvolvido. Elaborar o plano estratégico. Com o alinhamento e integração das competências e potencial humano, é possível iniciar a elaboração do plano de ação estratégico que permitirá́: identificar os públicos que deverão ser atendidos; determinar qual a natureza das estratégias e dos programas educacionais; definir os níveis de complexidade dos conteúdos a cada público; alinhar os objetivos organizacionais com os individuais e coletivos; entre outros. ASSIMILE Estratégia é a criação de uma posição única e valiosa que engloba um conjunto diferente de atividades (PORTER, 1999). Estas informações possibilitam definir as diretrizes e pilares do plano de ação, promovendo sustentabilidade, clareza e transparência para todos os envolvidos, inclusive a alta gestão. Essas diretrizes e pilares deverão atender os objetivos estratégicos da empresa e considerar 8282 os objetivos individuais e coletivos. Devem estar sustentados por bases que promovam a aprendizagem contínua, o desenvolvimento dos níveis individuais, coletivos e organizacional. Deve ter como base um desenvolvimento emancipatório. Deve estar alinhada à cultura organizacional a fim de, aos poucos, promover mudanças de hábitos, comportamentos. Para isso, a equipe de RH responsável deve possuir conhecimentos profundos do que está defendendo e ter argumentos claros e objetivos com toda a organização. Importante salientar que não se devem desconsiderar as estratégias de aprendizagem já́ existentes e integrá-las ao novo plano de ação. E quais são os instrumentos, modalidades, recursos necessários, avaliações que serão realizadas? Ao definir o plano de ação, é fundamental prever todos os possíveis impactos nas diferentes áreas da organização, sejam eles positivos ou negativos. Os impactos positivos para justificar a necessidade do plano de ação e os negativos para preparar as soluções, adequar caminhos, entre outros. Os impactos devem ser monitorados durante a implantação. O Pedagogo Empresarial, assim como seus pares devem atuar de forma a obter credibilidade em toda a organização e até fora dela. A qualificação e nível de especialização são fundamentais para uma gestão que proporcione experiências de aprendizagem realmente significantes e que tragam os resultados esperados para a organização. O planejamento do plano estratégico deve ser sistêmico; deve incluir uma linguagem comum e clara; deve proporcionar a integração das ações em toda a organização; deve promover a harmonização e alinhamento com reuniões periódicas com os responsáveis de cada área para integrar processos e iniciativas. A comunicação deve mostrar o alinhamento das ações de desenvolvimento com o negócio e os impactos e resultados positivos alcançados. Todos os públicos de interesse da organização, sejam colaboradores, proprietários/ acionistas, alta administração e demais stakeholders, devem ter acesso às opções de desenvolvimentoe autodesenvolvimento disponíveis e aos resultados obtidos. (EBOLI, 2014, p. 34). 8383 83 Os programas que irão compor o plano estratégico deverão ser divididos por objetivos, ou seja, qual a necessidade dos programas. Podemos exemplificar dividindo em: um programa que tenha como objetivo principal a ‘formação inicial’, ou seja, competências iniciais para realização das atividades de novos funcionários; outro programa que tenha como objetivo o aperfeiçoamento no cargo, ou seja, o desenvolvimento de competências para novas responsabilidades, perfil e atividades; outro programa com o objetivo de transferência, ou seja, desenvolvimento de competências que envolvam alterações de cargos e/ou funções; e, por fim, outro programa que tenha como objetivo a promoção, ou seja, o desenvolvimento de competências para contribuir com a promoção de pessoas a outros postos de trabalho, com atribuições mais complexas. Com o plano de ação em mãos, alinhado com todos os envolvidos e sabendo o que se quer que alguém aprenda e porque, é hora de passar à fase de implantação para possibilitar situações de aprendizagem e acompanhar seus resultados, fazendo as melhorias necessárias. 2. Execução de projetos educacionais nas organizações Implementar um programa com diferentes projetos para promover o desenvolvimento de competências nos diferentes níveis dentro de uma organização exige dos profissionais envolvidos muito conhecimento sobre processo de ensino-aprendizagem, desenvolvimento de pessoas, relações de trabalho, entre outros conhecimentos correlatos. A andragogia é um conhecimento importante para o Pedagogo que deseja atuar dentro das organizações. E o que é Andragogia? O termo Andragogia foi estabelecido em 1833, pelo professor alemão Alexander Kapp, mas a educação de adultos num formato andragógico já é aplicada há séculos, desde a antiguidade grega com forte influência da filosofia socrática. Uma das vertentes da ciência da educação, 8484 onde aprende-se sobre os adultos e utiliza-se os melhores métodos para ensiná-los, respeitando suas necessidades e motivações. Com a Andragogia, surgem fundamentos sobre aprendizagem ao longo da vida. Além dos fundamentos teóricos referentes à aprendizagem e andragogia, um bom conhecimento em design instrucional, do ambiente de trabalho, gestão de projetos, entre outros saberes ajudarão muito o Pedagogo nos desafios diários. Porém, com todo o alinhamento realizado no momento do plano estratégico, a área da Educação Corporativa não estará sozinha. A parceria com as mais diversas áreas como Tecnologia da Informação (TI), financeira (recursos necessários), comunicação (parceira na divulgação), entre outras, garantirá o sucesso dos programas. A área de Recursos Humanos responsável pela Educação Corporativa é a gestora dos programas educacionais e de desenvolvimento, mas é fundamental que toda a organização faça parte dos processos compreendendo que a aprendizagem organizacional depende de todos. Importante ressaltar e considerar que há empresas que terão apenas a Educação Corporativa e outras que terão a Universidade Corporativa. Como já estudado, o princípio da Educação Corporativa e Universidade Corporativa é o mesmo, porém, a Universidade vai um pouco além, ofertando por meio de parcerias com as Instituições de educação tradicional, cursos regulamentados. Seja qual for o formato, os objetivos maiores precisam ser os mesmos, promover o desenvolvimento dos profissionais e, consequentemente, o desenvolvimento da organização. A partir dos programas estabelecidos a serem desenvolvidos no plano de ação, de acordo com as necessidades já alinhadas com a organização, iniciam-se os projetos. Qual curso? Como? Quando? Com qual tipo de oferta? Duração? Carga Horária? Quantas pessoas envolvidas? Quais competências serão desenvolvidas? Inicia-se a gestão dos projetos. 8585 85 Portanto, vale relembrar que a gestão de projetos, aliada à gestão estratégica das organizações, deve incluir: identificação das necessidades; estabelecimento de objetivos claros e alcançáveis; balanceamento das demandas conflitantes de escopo, tempo, custo e qualidade; balanceamento dos objetivos do projeto em face de diferentes prioridades e expectativas das partes interessadas (CAVALCANTE; SILVEIRA, 2016). O projeto de um determinado treinamento, curso, formação terão muitas pessoas envolvidas de forma direta e indireta. No entanto, existem três papéis de destaque: o patrocinador, o gerente e o cliente. O patrocinador é a organização que fornece todos os recursos financeiros para o projeto, que defende no ambiente organizacional, autorizando ou vetando os projetos; o cliente irá receber os produtos e serviços gerados no projeto; e o gerente que irá liderar o projeto e coordenar a utilização dos recursos disponíveis para o alcance dos objetivos (CAVALCANTE; SILVEIRA, 2016). Novamente haverá um planejamento, mesmo que mais curto e objetivo, com base no plano de ação, que se refere aos objetivos, competências a serem desenvolvidas, tipo de oferta, carga horária, período de oferta, público, recursos a serem utilizados, metodologia e avaliação. Além disso, a definição dos requisitos do projeto é realizada pelo cliente e patrocinador. O ideal é garantir uma harmonia e compromisso entre os “desejos” de cada parte envolvida. Em geral, a perspectiva empresarial inclui aspectos de mercado, da concorrência, janelas de oportunidade, incluindo objetivos de negócio, tais como margem de lucro. A perspectiva do cliente inclui requisitos de qualidade, as funções desejadas para o produto e o nível de desempenho esperado. A perspectiva executiva técnica envolve possibilidades de solução técnica, restrições tecnológicas, regulatórias, de prazo e custo, e como elas interagem com as outras duas perspectivas. (CAVALCANTE; SILVEIRA, 2016, p. 13). 8686 De forma bem resumida, deverá ter competências para gerir pessoas; gerir o Ambiente do Projeto; saber realizar a administração do projeto; possuir conhecimentos técnicos. Vamos compreender melhor estas competências no quadro abaixo: Quadro 1 – Áreas de habilidades do gerente de projetos Gestão de Pessoas Capacidade de liderar, influenciar e motivar; de comunicar-se efetivamente; de negociar, resolver conflitos e tomar decisões; capacidade de desenvolver senso de confiança e entrosamento no time; capacidade de aconselhamento (coaching). Gestão do Ambiente do Projeto Noções de cultura e comportamento organizacional; capacidade de percepção do ambiente de negócios; capacidade de identificar partes interessadas e gerenciar seus interesses; consciência e respeito às diferenças culturais em equipes multidisciplinares ou internacionais; capacidade de perceber os aspectos culturais e políticos do contexto do projeto. Administração Competências em gestão de projetos; em gerenciamento financeiro; sobre legislação de contratos, trabalhista e fiscal; noções de logística; noções de planejamento estratégico e operacional; capacidade de comunicação eficiente com as partes interessadas. Conhecimentos Técnicos Aplicação de conhecimentos técnicos da área de aplicação do projeto para a supervisão da qualidade e correção do trabalho do projeto visando atender às necessidades do cliente. Fonte: CAVALCANTE; SILVEIRA, 2016, p. 17. O projeto é composto por quatro fases que são: fases de iniciação (preparação), fase de planejamento, fase de execução e controle e fase de encerramento (conclusão). Durante a execução do projeto, o responsável, ou seja, o gestor do projeto deverá manter as pessoas envolvidas e integradas do objetivo a ser alcançado, estar atentos às ocorrências que podem prejudicar o andamento e ter ações preventivas, resolvendo os problemas que aparecerem; deve também acompanhar todo o processo e garantir o andamento de forma adequada. 8787 87 Assim, se o projeto é um curso para desenvolver as competências de liderança em profissionais que poderão vir assumiresta responsabilidade no futuro, o gestor de projetos terá como funções e responsabilidades convidar as pessoas que podem contribuir na elaboração do curso, definir tipo de oferta, estabelecer cronograma, escopo de trabalho, providenciar os recursos necessários, certificação, assim como, fornecer feedback, resolvendo conflitos e gerenciando mudanças para otimizar o desempenho do projeto, de forma ética e com responsabilidade profissional. PARA SABER MAIS Busque na internet pelo vídeo “Engajamento de parceiros na construção das ações educacionais próprias”, publicado pela página Espresso3, em 01 de set de 2016. O vídeo apresenta uma entrevista com Tatiana Mato da Siccob Universidade, em que ela explica a importância de ter parceiros engajados para a construção das ações educacionais. O controle da qualidade não deve ser realizado apenas no final do projeto, mas durante todo o processo com base nos requisitos estabelecidos a serem alcançados, incluindo prazo, custo, qualidade e riscos. ASSIMILE O feedback eficaz envolve manter a sintonia de cada liderado com os objetivos do projeto; reforçar comportamentos desejáveis através de reconhecimento; redirecionar comportamentos indesejáveis através de 8888 advertências.(...) O objetivo do feedback é reconhecer acertos e sugerir caminhos para melhoria, contando com a compreensão e disposição do avaliado para que se motive a superar-se e crescer (CAVALCANTE; SILVEIRA, 2016, p. 126). Com relação à qualidade, a oferta dos cursos na modalidade EaD é muito comum na atualidade não só nas Instituições Educacionais formais, mas principalmente na Educação Corporativa. Ela promove às organizações agilidade e evita a perda de produtividade, pois o profissional não precisa ausentar-se do posto de trabalho. Porém, é necessária uma visão mais ampla, compreendendo que existem as vantagens e desvantagens pedagógicas e a depender dos objetivos a serem alcançados, a oferta EaD não será a melhor opção/decisão. O Pedagogo inclusive possui competências e formação para a avaliação destas vantagens e desvantagens e qual a melhor oferta de acordo com o público, objetivos, entre outros. Esses cuidados devem ser ampliados para todas as decisões com relação ao desenvolvimento dos profissionais. Como já foi mencionado, a avaliação do projeto deve acontecer durante todo o processo: diagnóstica, continuada e final. Ou seja, ela inicia no planejamento por meio dos diagnósticos para a elaboração do plano de ação; deve continuar durante o processo de execução do projeto, paralela a feedbacks e correções; e, ao final, como forma de analisar a eficácia e eficiência. 3. O diferencial do Pedagogo na Educação Corporativa O Pedagogo deve estar atento a todas as competências que precisa adquirir ao decidir atuar nas organizações com Educação Corporativa. Mas, deve também levar para este ambiente organizacional, práticas e concepções importantes que fazem parte da essência de sua formação: o educador disposto a promover aprendizagem a todos, sem exceção. 8989 89 Portanto, a atuação na melhoria do clima organizacional e na promoção de conscientização e reflexão sobre as questões sociais, políticas e direitos humanos, deve ser considerada pelo Pedagogo. A diversidade e inclusão, por exemplo, em um ambiente tão competitivo é olhada com a atenção que merece? A diversidade e inclusão nas organizações envolvem mudanças culturais e, portanto, não se resumem a questões administrativas. E, ao utilizar os termos diversidade e inclusão, a discussão é bem ampla, pois envolve questões culturais, de gênero, de deficiências, de raça, religiosa e, muitas outras. Como promover então um clima de trabalho para atender os resultados que a organização espera, destacando-se no mercado competitivo e um ambiente que seja colaborativo, de respeito, de empatia, de responsabilização mútua? O Pedagogo, entre outros profissionais envolvidos, possue como desafio promover o repensar das relações de trabalho inseridas no contexto de diversidade e inclusão, em todos os níveis organizacionais, promovendo um novo olhar sobre o outro e sobre o coletivo. Será que não está aqui o grande diferencial das organizações? Nesta temática foi possível estudar o planejamento e execução dos projetos educacionais nos ambientes corporativos e toda a sua complexidade. Os cuidados são diversos, mas com a parceria e engajamento de todos, o resultado será sempre positivo. O diferencial de se ter um pedagogo na equipe responsável pelo desenvolvimento das pessoas também foi destacado por envolver processos pedagógicos e que envolvem o desenvolvimento das pessoas. TEORIA EM PRÁTICA Universidade Corporativa Bradesco – UniBrad A empresa já possuía uma grande e eficaz estrutura de desenvolvimento e capacitação para a implantação da Universidade Corporativa. Porém, sentiu-se a necessidade 9090 de repensar a governança, rever estratégias e modelos pedagógicos para que a sua atuação refletisse um nível educacional ainda mais amplo e efetivo. “Treinar” e “preparar” para o trabalho foram concepções próprias a uma fase em que se fazia necessária a capacitação profissional do trabalhador para determinadas funções. Mas, nos últimos anos, o termo “treinamento” não cabia mais nos esforços de uma atuação mais abrangente que vinham implementando. Já́ havia um forte movimento no sentido de estimular o autodesenvolvimento, minimizando ações de capacitação para funções e estimulando aquelas associadas ao desenvolvimento integral de competências e potencialidades. Um ponto significativo foi a aproximação com a Gestão de Pessoas em um movimento sinérgico para vincular as estratégias de capacitação aos mapeamentos de competências, visando apoiar os planos individuais de desenvolvimento dos funcionários, o desenvolvimento de equipes e os planos de sucessão. O lançamento da UniBrad, em maio de 2013, foi precedido por um cuidadoso processo de transição, no qual houve uma reestruturação da governança; de áreas internas e revisão nas concepções dos projetos, visando obter maior aderência ao planejamento estratégico da empresa e uma abordagem mais alinhada aos processos educacionais e de desenvolvimento de pessoas. No período de reestruturação interna, contou-se com o apoio técnico da FIA (Fundação Instituto de Administração), representada pela Profa. Dra. Marisa Eboli e equipe. Foram organizados grupos de trabalho para discussão sobre as fases e processos de implantação, resultando não em um modelo pronto, mas sim na construção de uma estrutura de universidade corporativa totalmente customizada à realidade e às especificidades da Organização Bradesco, procurando aproveitar os recursos positivos já́ consolidados e definir 9191 91 os aspectos que poderiam ser revistos e aprimorados. Os fatores decisivos na fase de implantação da UniBrad que merecem destaque são: • Apoio e direcionamento da Executiva e Presidência da Empresa, com o levantamento de expectativas com a Diretoria Executiva sobre os aspectos que esperavam ver contemplados na Universidade Corporativa e que estariam alinhados às metas empresariais. • Alinhamento com o Planejamento Estratégico, para se obter um maior alinhamento com os resultados sustentáveis definidos pela Organização. • Comunicação interna para a divulgação das etapas de implantação da UniBrad, em um movimento de contagem regressiva e engajamento crescente das equipes. • Grupos de trabalho para as atividades de transição e de discussão, compartilhando com todas as decisões e tarefas de reorganização. • Entre outras ações. • Fonte: site da Unibrad – Universidade Corporativa Bradesco • Reflita sobre os aspectos abordados no Estudo de Caso da Universidade Corporativa Bradesco e seus estudos nesta temática: desenvolvimento integral de competências e potencialidades. VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. Assim como em qualquer atividade educativa intencional, o planejamento é fundamental. Ao planejar, é possívelanalisar a realidade de forma 9292 organizada e com foco nos objetivos que se pretende alcançar, refletindo sobre as condições existentes e elaborando estratégias e formas de ação para superar as dificuldades e/ou alcançar os objetivos desejados. Quais são as etapas de um planejamento? a. O diagnóstico e a elaboração de um plano de ação que inclua todos os detalhes da execução, avaliação e o aperfeiçoamento do plano. b. O diagnóstico, execução e avaliação/ aperfeiçoamento do plano. c. Um plano e ação que contemple os programas e projetos educacionais definidos pela alta gestão. d. O diagnóstico e a avaliação por meio de indicadores. e. O diagnóstico e a elaboração de um plano que deve conter apenas o como serão executados os programas e projetos. 2. Quais as áreas de habilidades de um gerente de projetos? a. Gestão de riscos, gestão de pessoas, gestão de processos e administração. b. Gestão de pessoas, gestão de avaliação, gestão de processos e conhecimentos técnicos. c. Gestão de pessoas, gestão de ambientes do projeto, administração e conhecimentos técnicos. 9393 93 d. Mediação, gestão de conflitos, gestão de ambientes do projeto e administração. e. Gestão de pessoas, gestão de ambientes do projeto, gestão de conflitos e administração. 3. O que é correto afirmar como atribuição do Pedagogo na liderança de um projeto para o desenvolvimento de Liderança? a. Alinhamento com as estratégias organizacionais e busca de parcerias internas. b. Alinhamento com as estratégias organizacionais e sigilo sobre o projeto. c. Busca de parceiros externos e nunca internos, garantindo neutralidade no processo. d. Alinhamento apenas com a alta gestão, pois se refere a um desenvolvimento estratégico. e. Busca de parceria com a área de Tecnologia para oferta de cursos apenas na modalidade EaD. Referências bibliográficas BRANDÃO, Hugo Pena. Mapeamento de competências: ferramentas, exercícios e aplicações em gestão de pessoas. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2017. BRUNSTEIN, Janette; SERRANA, Cláudia Aparecida. Vozes da diversidade: um estudo sobre as experiências de inclusão de gestores e PcDs em cinco empresas paulistas. Cadernos EBAPE. BR, v. 6, n. 3, set. 2008. Disponível em: www.ebape.fgv. br/cadernosebape. CAVALCANTI, Francisco Rodrigo P.; SILVEIRA, Jarbas A. N. Fundamentos de gestão de projetos: gestão de riscos. São Paulo : Atlas, 2016. 9494 EBOLI, Marisa (Org.). Educação corporativa: muitos olhares. São Paulo: Atlas, 2014. GUIMARÃES, Telma Regina da Costa; CARVALHO, Maria de Lourdes. Planejamento e desenvolvimento de cursos em EAD. Viçosa, MG: Ed. UFV, 2015. Disponível em: https://www2.cead.ufv.br/serieconhecimento/wp-content/uploads/2015/11/ Planejamento-de-desenvolvimento-de-cursos-em-EAD.pdf. Acesso em: 09 mar. 2019. PORTER, Michael E. Competição: estratégias competitivas essenciais. Rio de Janeiro: Campus, 1999. PWC. Modelos e práticas de educação corporativa nas organizações brasileiras. Disponível em: https://www.pwc.com.br/pt/publicacoes/servicos/assets/consultoria- negocios/2016/tl-educacao-corporativa-16.pdf. Acesso em: 28 fev. 2019. TEIXEIRA, Gilberto. Planejamento educacional e planejamento do ensino. Disponível em: https://www.ebah.com.br/content/ABAAABRNAAF/didatica- planejamento-educacional-planejamento-ensino. Acesso em: 09 mar. 2019. Gabarito Questão 1 – Resposta: A As etapas de um planejamento são: o diagnóstico e a elaboração de um plano de ação que inclua todos os detalhes da execução, avaliação e o aperfeiçoamento do plano. O planejamento ou qualquer etapa do processo nunca deve ser definido apenas pela alta direção, mas sim, alinhado com os mesmos. Questão 2 – Resposta: C As áreas de habilidades de um gerente de projetos são: gestão de pessoas, gestão de ambientes do projeto, administração e conhecimentos técnicos. A gestão de riscos e de processos está contemplada nas demais áreas. Questão 3 – Resposta: A Como atribuição do Pedagogo na liderança de um projeto para o desenvolvimento de Liderança deve-se considerar o alinhamento com as estratégias organizacionais e busca de parcerias internas. Os processos de desenvolvimento de pessoas deve ser o mais transparente possível e envolver todos. 9595 95 Acompanhamento e avaliação dos projetos educacionais nas organizações Autora: Rosângela de Oliveira Pinto Objetivos A temática possui como objetivos: • Apresentar as principais abordagens sobre a avaliação no contexto educacional e no contexto das empresas, mostrando as semelhanças e diferenças. • Proporcionar a compreensão da importância da avaliação da aprendizagem no contexto educacional, promovendo reflexões sobre a importância de adotar uma concepção continuada e formativa. • Apresentar e promover a compreensão da avaliação nas etapas dos programas e projetos destinados à aprendizagem organizacional. 9696 1. Acompanhamento e avaliação da aprendizagem organizacional Avaliar é indispensável em toda a atividade humana e não seria diferente com os processos de aprendizagem. Para ser efetiva, precisa ser constante, promovendo ação-reflexão-ação. A avaliação precisa investigar, questionar, refletir, incluindo os diversos aspectos humanos, sociais, políticos, sociais, culturais e contextuais do processo. O Pedagogo, na essência da sua formação, estuda em profundidade a avaliação, seja ela da aprendizagem ou da educação de forma mais ampla, por ser um conceito diretamente ligado à educação. No decorrer da história da educação, as concepções de educação mudaram de acordo com os momentos históricos, políticos e econômicos. Podemos verificar no quadro a seguir uma síntese das concepções. Quadro 1 – Avaliação e modelos epistemológicos AVALIAÇÃO E MODELOS EPISTEMOLÓGICOS Modelos Objetivista Subjetivista Socioconstrutivista Ensino- aprendizagem Conteúdos são transmitidos pelo professor aos alunos. Professor é quem ensina, aluno é quem aprende. Deve adaptar-se ao aluno, os métodos devem ser ativos e atrativos, ênfase em atividades práticas. Valoriza o trabalho individual e em grupo. Professor deve intervir para promover a aprendizagem. Aprendizagem é entendida como o desenvolvimento do aluno. O professor atua de forma interativa e assume a postura de mediador entre o conhecimento e o aluno. Currículo Elaborado da parte para o todo, priorizando as habilidades básicas e seguindo regras rígidas. Elaborado a partir dos interesses do aluno, inclui atividades práticas e trabalhos manuais. É flexível, prioriza os conceitos relevantes e se elabora do todo às partes. Valoriza os aspectos culturais, políticos, históricos e sociais. 9797 97 Aluno Trabalha individualmente e é visto como “receptáculo” de conhecimento, atitude passiva. É responsável pela sua aprendizagem. É o centro do processo ensino-aprendizagem. O ensino gira em torno do aluno e dos seus interesses. É construtor ativo do seu conhecimento, está inserido em um meio sociocultural e interage com ele. Avaliação Dicotomia entre ensino e avaliação. A avaliação deve ser objetiva e se fundamenta na aplicação de provas e testes. A avaliação está relacionada ao ensino, incorpora elementos subjetivos, utiliza instrumentos de autoavaliação e observação. Avaliação é integrada ao ensino, utiliza instrumentos variados e seu objetivo é formativo, ou seja, garantir a aprendizagem dos alunos. Fonte: ARCAS, 2017, p. 21. A avaliação no decorrer da história caminhou por diferentes concepções, como o autor apresenta: abordagens objetivista, subjetivista e socioconstrutivista. Atualmente, apresenta formas mais amplas, de integralidade, continuidade, de processo, formativa, mas ainda convivemos com concepções fragmentadas e reducionistas da avaliação. Assim, a importância da reflexão constante sobre a práxis educativa. E a avaliação da aprendizagem nas organizações? Seguem as mesmas concepções? Possuem os mesmos propósitos? A avaliação da aprendizagem no contextoorganizacional possui a mesma complexidade que nos ambientes escolares, acrescida de alinhamento com as decisões administrativas da empresa. A avaliação neste contexto deve ser um mecanismo para explicar e medir a implementação dos programas, as aprendizagens individuais, a satisfação dos envolvidos, os resultados concretos na prática do dia a dia, o alcance dos objetivos esperados, a melhoria dos resultados organizacionais. Desde meados do século XX, a avaliação organizacional tem sido utilizada. Observe a síntese do referencial teórico da avaliação organizacional a seguir. 9898 Quadro 2 – Síntese do referencial teórico de avaliação: 1960 – 2009 Fase Ênfase Principais Autores Desenvolvimento Predominantemente metodológica. Ênfase na resolução dos principais problemas sociais e na aplicação rigorosa de métodos científicos Campbell (1963); Tyler (1967); Provus (1969; 1971); Eisner (1967); Metfessel e Michael (1967); Glaser (1963); Popham (1971); Cook (1966); Scriven (1967, 1969); Stufflebeam (1967; 1971); Stake (1967). Profissionalização (1973 – 1982) Preocupação com questões pragmáticas e com o incremento do uso da avaliação nas tomadas de decisão no desenvolvimento de programas. Especialmente, as decisões relacionadas à concepção, alteração ou continuidade dos programas. Patton (1978, 1980, 1982); Rich (1977); Weiss (1972, 1981); Wholey (1979); Stake (1975, 1981); Alkin, Daillak e White (1979). Integração e expansão (1983 – 2009) Integração e legitimação das técnicas, métodos e ênfase das fases anteriores, mas de forma condicional. A escolha de uma determinada prática de avaliação deve considerar as circunstâncias, o contexto organizacional e o propósito da avaliação. Compreensão da avaliação como “empowerment” no sentido de fortalecer a autodeterminação no aperfeiçoamento de indivíduos e programas. Importância da autoavaliação; enfoque participativo e colaborativo da avaliação. Avaliação como mecanismo de aprendizagem organizacional. Crombach (1982, 1983); Newman, Brown e Rivers (183); Chelimsky (*1986); Greene (1987, 1988); Guba e Lincoln (1989); Brunner e Guzman (1989); Mathison (1991, 1994); Rossi e Freeman (1993); Cousins e Earl (1992, 1995); Forss, Cracknell e Samset (1994); Owen e Lambert (1995); Fetterman (1994, 1996); Torres, Preskill e Pointek (1996, 1997); Weiss (1987), 1998); Bradon (1998); Cousins e Whitmore (1998); Sonnichsen (1999); Owen e Rogers (1999); Preskill e Torres (1999, 2000); Shulha (1997, 2000); Russ-Eft e Preskill (2001). Fonte: MÜLLER, 2009, p. 58. Com relação à aprendizagem organizacional identifica-se também uma evolução de uma concepção mais pragmática para uma concepção que considera a complexidade da avaliação, que a enxerga como processo e que deve prezar pela melhoria contínua, envolvendo o feedback para promover mudanças; e, que considera a cultura organizacional e o alinhamento de valores, atitudes e percepções entre membros da organização (MÜLLER, 2009). 9999 99 ASSIMILE O feedback deve ser a informação sobre a distância entre o nível atual e o nível de referência de um parâmetro sistêmico usado para alterar essa distância de alguma forma. Deve ser utilizado para ambas as partes: avaliador e avaliado. O primeiro deve utilizá-lo para decisões programáticas, diagnose, recuperação. O segundo deve utilizá-lo para acompanhar as potencialidades e fraquezas do seu desempenho, para que aspectos associados a um sucesso e alta qualidade possam ser reconhecidos e reforçados, assim como para que os aspectos insatisfatórios possam ser modificados ou melhorados (VILLAS BOAS, 2008, p. 40). A avaliação deve estar presente durante todo o processo de ensino e aprendizagem, ou seja, desde o diagnóstico, as ações/atividades, até o final. Essa é uma premissa importante para promover melhorias e ser formativa, ou seja, ser um instrumento capaz de identificar as potencialidades e deficiências, promover revisões, ajuste do caminho, autoavaliação, enfim, ser efetiva. Assim, a avaliação nas organizações inicia no momento do planejamento ao identificar a organização como um todo, alinhar os objetivos com a alta gestão, ao mapear as competências individuais e organizacionais e os gaps. Neste momento, a avaliação é considerada de diagnóstico. Qual é o contexto? As necessidades? Os objetivos? O público? As questões sociais, econômicas, políticas e culturais que influenciam o contexto? Entre outras questões. 100100 PARA SABER MAIS Pesquise na internet pelo vídeo “Diagnóstico de Necessidades de Aprendizagem. Parte 1: Visão geral” publicado pelo canal Espresso3 em 17 de jul. de 2018. O vídeo apresenta como fazer diagnósticos para levantar as necessidades de aprendizagem estratégicas para o negócio. Como estudado na fase do planejamento, entre outros instrumentos, o mapeamento das competências é fundamental. Quais as competências atuais, os objetivos organizacionais e as competências que pretendem ser desenvolvidas e, qual o potencial dos indivíduos e organização para a análise do prazo, das competências que serão atingidas num curto, médio e longo prazo, quais as estratégias a serem utilizadas etapa por etapa para que as competências desejadas sejam alcançadas, entre outros. Os instrumentos utilizados nesta fase devem ser selecionados com bastante atenção, verificando se fornecerá as informações necessárias. Por isso, formulários bem elaborados; conversas para ouvir as pessoas e identificar seus anseios e necessidades; questionários; dinâmicas de grupo que proporcionem identificar comportamentos, valores, habilidades; grupo focal; técnicas como brainstorming, entre outros. Com todas as informações em mãos, é possível estabelecer planos que envolvam as possibilidades e que previnam os riscos para que os programas e projetos tenham sucesso e promovam as aprendizagens individuais, coletivas e organizacionais. Iniciando a implementação dos programas e projetos para a aprendizagem organizacional, a avaliação precisa ser um acompanhamento de todas as etapas, ou seja, deve ser contínua, deve promover reflexões, deve 101101 101 promover a correção de caminhos, deve permitir o erro, deve ser formativa. A avaliação necessita de mecanismos de retroalimentação adequados, capaz de detectar “erros” e promover a correção, contribuindo para melhorar a eficiência e eficácia organizacional. ASSIMILE A Avaliação Formativa é a mediadora, emancipatória, dialógica, fundamentada, cidadã, considera todas as atividades como informações para serem usadas como feedback para reorganizar o trabalho. Quando promove autoavaliação (VILLAS BOAS, 2008). O processo de avaliação deve promover mudanças nos ambientes internos e externos da organização. Deve promover a aquisição de novas competências individuais, coletivas e organizacionais, que reflitam na vantagem competitiva. A avaliação consegue promover estas mudanças quando utiliza a concepção de avaliação formativa. Assim, fazer o acompanhamento do desenvolvimento das competências é fundamental para tomar as decisões e agir de forma adequada. Existem vários instrumentos para fazer o acompanhamento e avaliação. Primeiramente, estabelecer os padrões que se esperam, os objetivos a serem alcançados, em quantas etapas, por meio de qual concepção de competências, entre outros, é fundamental para acompanhar o desenvolvimento individual, coletivo e organizacional, ajustando os caminhos quando necessário. A seguir, o quadro 3 apresenta um exemplo de tipologia de competências e níveis de maturidade das mesmas como orientação para acompanhamento. 102102 Quadro 3 – A tipologia de competências de Noudaugh (1998) Especificidades para a tarefa Especificidade Organizacional Baixa Alta Especificidade para setor de atividade Baixa Alta - Baixa Metacompetências ou competências aplicáveis a diferentes tarefas, organizações, e setores. Exemplo: capacidade de leitura, de aprendizagem, criatividade,etc. Competências gerais para um setor de atividades. Exemplos: conhecimento sobre o setor, capacidade de análise de estratégias de competidores, redes no setor, etc. Competências intraorganizacionais Exemplos: conhecimentos sobre pessoas, sobre cultura organizacional, redes informais internas, etc. Alta Competências técnicas padrão Exemplos: capacidade de uso programas básicos de computador, de conhecimentos sobre orçamento e finanças, etc. Competências técnicas do negócio Exemplos: construção de automóveis, montagem de computadores, pesquisa em biotecnologia, etc. Competências técnicas idiossincráticas Exemplos: uso de ferramentas, tecnologias e metodologias especializadas desenvolvidas por uma organização. Fonte: Nordaugh (1998) apud Borges-Andrade, Abbad, Mourão, 2007, p. 206. Portanto, é importante realizar os acompanhamentos individuais e coletivos das competências que estão sendo desenvolvidas, por meio de planilhas, portfólios, entre outros recursos. Estabelecer os critérios para as avaliações é um desdobramento desta etapa e que não constitui algo fácil, assim, seguir os pontos que fazem parte do dia a dia da empresa moderna, facilita a definição: • Diversidade de expectativas sobre a atuação das pessoas no ambiente organizacional; • Ambientes impactados por constantes mudanças, que fazem com que os instrumentos de avaliação sejam desenhados de forma abrangente para que seus critérios se sustentem no tempo enquanto referencial 103103 103 de medida, ou sejam especificados em detalhe, demandando que os instrumentos sejam continuamente revistos e atualizados. Vale mencionar que, quanto mais abrangente a caracterização dos critérios de avaliação, mais subjetivos eles tendem a ser; • Impactos potenciais (positivos e negativos) das sinalizações dadas pelos instrumentos de avaliação sobre as atitudes, comportamentos e expectativas das pessoas em relação à organização, impactos estes que ganham proporções significativas nas empresas e segmentos onde a atuação humana se constitui no grande diferencial; • Dimensão multifacetada dos aspectos que procuramos medir na atuação dos profissionais, ou seja, não nos contentamos em medir a contribuição atual das pessoas, mas desejamos também elementos que sinalizem para a predição de sua contribuição futura, apontem comportamentos que devem sustentar essa contribuição, dentre outros aspectos. Afinal, a atuação das pessoas na organização é complexa e seria simplista restringirmos o olhar em relação a elas a apenas um aspecto ou dimensão. (FERNANDES e HIPÓLITO, 2010, p. 3). Os instrumentos diversos de avaliação devem possuir uma abordagem constitutiva, devem avaliar conhecimentos; padrões de comportamento humano; habilidades para determinadas tarefas, papel e carreira; níveis de motivação, crenças e valores; atributos individuais; adaptabilidade a diferentes contextos e tarefas; aplicação de tarefas em novos contextos; possibilidades de desenvolvimento. Resgatando as etapas da avaliação organizacional devem iniciar no planejamento, levantando as necessidades e fazendo diagnóstico, avaliar todo o processo de implantação e execução e, por fim, a avaliação final, a avaliação dos resultados. Esta avaliação é definida como avaliação somativa que se refere à análise das informações, fornecendo subsídios úteis para decidir sobre a adoção ou rejeição de um programa, projeto ou evento isolado. A avaliação final deve identificar alterações na produção ou nos serviços prestados por esta organização, ou outros benefícios sociais e econômicos. 104104 Importante ressaltar que a avaliação de resultados na Educação Corporativa é um grande desafio. Essa avaliação envolve a avaliação dos resultados de um projeto e/ou um programa da Educação Corporativa. Envolve comportamentos, autoavaliação, ações, valores agregados à organização de acordo com as estratégias de negócio. Essa avaliação envolve diversas áreas, utilização de instrumentos e análises adequados, além de um tempo adequado para sua realização. A avaliação de resultados na Educação Corporativa possui poucas pesquisas e estudos. Os modelos que podem ser citados como exemplo são: modelo Kirkpatrick, modelo MAIS, modelo IMPACT e modelo ROI. Vamos compreender o foco de cada modelo. Quadro 4 – Modelos Avaliação de Resultados Modelo Teórico Concepção Modelo Kirkpatrick Donald Kirkpatrick (1959); Hamblin (1978) Modelo dos quatro níveis que avalia as reações, o aprendizado, a mudança de comportamento observável e os resultados do treinamento. Kirkpatrick (1993), descreve os quatro níveis com uma articulação de interdependência e sequência entre si. Modelo MAIS Borges-Andrade (1982) Modelo de Avaliação Integrado e Somativo - compreende os seguintes elementos de mensuração: insumo, procedimentos, processo, resultados e ambiente. O modelo de avaliação de Borges- Andrade (1982) revela um importante elemento de acréscimo aos Modelos de Kirkpatrick (1993) e Hamblin (1978), que é o fato de considerar na avaliação do treinamento, não apenas o alcance dos objetivos propostos, mas também o contexto em que se inserem os treinandos, antes e depois do treinamento. 105105 105 Modelo ROI Phillips (1997) Foco na análise do retorno sobre investimento em treinamento. Esse método consiste nos seguintes elementos principais: (a) avaliação e definição dos objetivos; (b) processo modelo, planejamento; (c) casos, aplicações e prática; (d) padrões operacionais e filosofia; e (e) implementação. Modelo IMPACT Abbad (1999) Modelo Integrado de Avaliação do Impacto do Treinamento - é composta por sete componentes: Percepção de Suporte Organizacional, Características do Treinamento, Características da Clientela, Reação, Aprendizagem, Suporte à Transferência e Impacto do Treinamento no Trabalho. Para Abbad (1999) o que se torna evidente na representação gráfica de seu modelo, é que o impacto do treinamento no trabalho é fortemente influenciado pelo suporte organizacional que se dá ao treinamento, pelo próprio perfil da clientela atendida pelo programa e como um resultado geral da integração de todos os demais itens. Fonte: SCORSOLINI-COMIN; FORLI INOCENTE; KAZUMI MIURA, 2011. Os modelos citados ainda possuem gaps e, portanto, precisam ser utilizados com atenção, adaptados a cada contexto organizacional e, complementados um pelo outro. Observe a figura a seguir que apresenta a avaliação na gestão baseada em competências, do início ao final do processo. 106106 Figura 1 - Modelo de gestão baseado em competências Fonte: Borges-Andrade, Abbad, Mourão, 2007, p. 219 (adaptado). A imagem nos proporciona uma compreensão de forma sistêmica de como a avaliação da aprendizagem nas organizações deve estar presente em todas as etapas. Ela está no diagnóstico e durante todo o processo influenciando, inclusive nas tomadas de decisão sobre os indivíduos, grupos e caminhos da organização. Nesta temática, você estudou as principais concepções da aprendizagem organizacional e como ela deve ser realizada em toda a etapa do processo, ou seja, desde o início, no planejamento até o final, com a avaliação dos resultados. O acompanhamento e a avaliação devem ser contínuos, devem promover melhorias contínuas, devem corrigir rotas, devem ser formativos. 107107 107 TEORIA EM PRÁTICA CASO CEMIG A Cemig é uma concessionária de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica do Estado de Minas Gerais; possui 52 usinas hidrelétricas, 4 usinas termelétricas e 1 usina eólica. A Corporação Cemig, incluindo participações em empresas de outros Estados, é a maior distribuidora, a quinta maior geradora e a sexta maior transmissora de energia elétrica do Brasil. Para avaliar melhor seus funcionários, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) implantou um processo inovador de gestão de desempenho, tendo assim uma gestão estratégica de recursos humanos. Para implantar o processo de gestãode carreiras, a Cemig contou com o apoio de outras duas empresas. Foi aplicado um modelo constituído de uma avaliação composta por autoavaliação, avaliação do superior, avaliação de três pares e avaliação de subordinados, no caso de supervisores. A Cemig possui um ambiente complexo para avaliação de performance, devido ao grande número de empregados e da grande variedade de atividades executadas por eles. E o resultado seria utilizado para a aplicação de alterações e aumentos salariais, o que tornou o processo mais complexo. Foram avaliados 10 mil funcionários. Todo o processo de preenchimento dos questionários foi acompanhado, todos os empregados que acessavam os questionários pela internet receberam suporte. Tiveram 99,8% de respostas, um número alto, resultado do acompanhamento. 108108 Por meio dos resultados apurados, a Cemig pode planejar o desenvolvimento das competências identificadas como pontos de melhoria de cada empregado. Cada empregado foi avaliado por 5 pessoas, incluindo a autoavaliação, avaliação do superior e de três pares, o que gerou uma confiabilidade na operação. O fato de uma empresa externa ter ficado responsável pela aplicação da avaliação, o processo tornou-se mais preciso. Com a avaliação o RH da Cemig pode sustentar um sistema de remuneração baseado na meritocracia, legitimou todo o processo de avaliação e tornou justos os abonos salariais (NASCIMENTO, 2009, p. 07). Fonte: NASCIMENTO, Nísia M. Alguns casos de sucesso na aplicação da avaliação de desempenho. In: VI SEGeT – Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia, out. 2009. O processo utilizado pela Cemig é capaz de promover a avaliação por competências? VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. A avaliação da aprendizagem no decorrer da história caminhou por diferentes concepções, com abordagens objetivistas, subjetivistas e socioconstrutivistas. Atualmente como a avaliação da aprendizagem se apresenta? a. Com dicotomia entre ensino e avaliação, de forma objetiva e se fundamenta na aplicação de provas e testes. 109109 109 b. Relacionada ao ensino, incorporando elementos subjetivos, utilizando instrumentos de autoavaliação e observação. c. Integrada ao ensino, utilizando instrumentos variados e seu objetivo é formativo, ou seja, garantir a aprendizagem dos alunos. d. Sob formas mais amplas, de integralidade, continuidade, de processo, formativa, mas ainda convivemos com concepções fragmentadas e reducionistas da avaliação. e. Ora sob forma objetiva, ora sob forma subjetiva. 2. A avaliação da aprendizagem no contexto organizacional possui a mesma complexidade que nos ambientes escolares, acrescida de alinhamento com as decisões administrativas da empresa. O que é correto afirmar sobre a avaliação da aprendizagem nas organizações? I. A avaliação deve estar presente durante todo o processo de ensino e aprendizagem, ou seja, desde o diagnóstico, as ações/atividades, até o final. II. A avaliação nas organizações inicia no momento do planejamento ao identificar a organização como um todo, alinhar os objetivos com a alta gestão, ao mapear as competências individuais e organizacionais e os gaps. III. A avaliação precisa ser um acompanhamento de todas as etapas, ou seja, deve ser contínua, deve promover reflexões, deve promover a correção de caminhos, deve permitir o erro, deve ser formativa. 110110 IV. O processo de avaliação deve promover mudanças nos ambientes internos e externos da organização. Deve promover a aquisição de novas competências individuais, coletivas e organizacionais, que reflitam na vantagem competitiva. Assinale a alternativa correta: a. I, II, III, IV. b. Apenas I, II, III. c. Apenas I, II, IV. d. Apenas I, III, IV. e. Apenas II, III, IV. 3. A avaliação de resultados na Educação Corporativa possui poucas pesquisas e estudos. Os modelos que podem ser citados como exemplo, são: modelo Kirkpatrick, modelo MAIS, modelo IMPACT e modelo ROI. O que é importante compreender ao estudar os modelos de avaliação de resultados? a. Escolher um modelo e seguir todas as etapas de forma sistemática. b. Compreender qual a concepção do modelo e seus princípios para adequá-lo da melhor forma ao contexto organizacional que será aplicado. c. Compreender o modelo de forma aprofundada e a interdependência e sequência entre as etapas. 111111 111 d. Compreender o quanto cada modelo consegue avaliar dos impactos das ações educativas sobre o comportamento dos indivíduos. e. Compreender que cada modelo possui gaps e, portanto, precisam ser utilizados com atenção, adaptação a cada contexto organizacional e, complementados um pelo outro. Referências bibliográficas ARCAS, Paulo Henrique. Avaliação educacional: abordagem histórica e teórica. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A. 2017. BORGES-ANDRADE, Jairo; ABBAD, Gardênia da Silva; MOURÃO, Luciana. 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Gabarito Questão 1 – Resposta: D A avaliação da aprendizagem no decorrer da história caminhou por diferentes concepções, com abordagens objetivistas, subjetivistas e socioconstrutivistas, mas atualmente, a avaliação da aprendizagem se apresenta sob formas mais amplas, de integralidade, continuidade, de processo, formativa, mas ainda convivemos com concepções fragmentadas e reducionistas da avaliação. Questão 2 – Resposta: A É correto afirmar sobre a avaliação da aprendizagem nas organizações: deve estar presente durante todo o processo de ensino e aprendizagem,ou seja, desde o diagnóstico, as ações/ atividades, até o final; a avaliação nas organizações inicia no momento do planejamento ao identificar a organização como um todo, alinhar os objetivos com a alta gestão, ao mapear as competências individuais e organizacionais e os gaps; a avaliação precisa ser um acompanhamento de todas as etapas, ou seja, deve ser contínua, deve promover reflexões, deve promover a correção de caminhos, deve permitir o erro, deve ser formativa; o processo de avaliação deve promover mudanças nos ambientes internos 113113 113 e externos da organização. Deve promover a aquisição de novas competências individuais, coletivas e organizacionais, que reflitam na vantagem competitiva. Questão 3 – Resposta: E É importante compreender que cada modelo possui gaps e, portanto, precisam ser utilizados com atenção, adaptados a cada contexto organizacional e, complementados um pelo outro. 114114114 Promovendo transformações na cultura organizacional, difusão de conhecimentos e a educação integral de cada colaborador Autora: Rosângela de Oliveira Pinto Objetivos Para os estudos desta temática, os objetivos são: • Promover a compreensão e reflexão sobre a aprendizagem nas organizações como promotora de transformações. • Chamar a atenção para a necessidade do desenvolvimento da cultura organizacional, construindo uma cultura de aprendizagem para ocorrer mudanças no comportamento/ transformações. • Apresentar as principais tendências da aprendizagem organizacional, destacando a metodologia ativa como um caminho importante. 115115 115 1. A Aprendizagem como promotora de transformações A Aprendizagem já é uma “realidade” desde o final do século XX e início do Século XXI nas organizações, devido às necessidades do contexto social e econômico que foi se delineando. Mas é fato que os desafios ainda são grandes. Os seus estudos proporcionaram a você identificar as possibilidades, mas também os desafios na promoção da aprendizagem individual, coletiva e organizacional gerando resultados satisfatórios a todos. Arrisco afirmar que o primeiro passo para a promoção da aprendizagem individual, coletiva e organizacional é desapegar-se das velhas concepções e hábitos e abrir-se para o novo. ASSIMILE Convido você a fazer uma reflexão antes de continuarmos. Pesquise na internet pela animação “O último tricô”. Qual a relação que você faz da animação com o dia a dia da organização? Trabalhamos, trabalhamos, construímos, construímos e, na maioria das vezes, não paramos para refletir e avaliar o que estamos fazendo. Está sendo assertivo? É sobre estas questões e as possibilidades que existem para promover a aprendizagem nas organizações que quero conversar com você nesta temática! Primeiramente, é importante destacar que promover a aprendizagem nas organizações exige o olhar para a cultura organizacional. Desenvolver pessoas dentro das organizações envolve entender os indivíduos. 116116 A cultura de uma organização é um sistema de valores e crenças compartilhados que influenciam (e não condicionam) o comportamento daqueles que os compartilham. Como aponta De Ré et al. (2007b), cada organização desenvolve sua própria cultura, produzindo sua identidade, a qual se manifestará por meio de padrões de comportamento assumido pelos funcionários, regendo sua conduta. Pois, ao entrarem nas organizações, as pessoas o fazem imbuídas de uma série de normas e valores originados dos valores culturais da sociedade mais ampla. Estas normas e valores, juntamente com a valorização que cada um tem de sua própria eficiência e o nível dos incentivos oferecidos pela empresa, influirão significativamente no rendimento das pessoas e, novos funcionários serão incentivados a seguirem esses padrões de comportamento validados pela cultura da organização. (OLIVEIRA; OLIVEIRA; LIMA, 2016, p. 23). Assim, compreender que cada indivíduo possui uma história, que está inserido em uma determinada cultura, é fundamental para entender as relações estabelecidas e a cultura construída dentro das organizações. A aprendizagem e a cultura são conceitos interdependentes. Somente quando a aprendizagem individual é transferida para outros indivíduos, gerando compartilhamento de ideias e valores é que pode modificar a cultura e gerar novos modos de pensar e aprender. Assim, como a cultura organizacional também pode gerar aprendizagem na organização (OLIVEIRA; OLIVEIRA; LIMA, 2016). Mas transformar a aprendizagem individual em aprendizagem organizacional trata-se de um processo complexo, pois envolve variáveis de relações intrínsecas aos indivíduos, desses com a sociedade e organizações e da organização com os ambientes internos e externos. E a forma mais efetiva de identificar a aprendizagem dentro das organizações é por meio de seus efeitos sobre o comportamento. Para a aprendizagem individual gerar aprendizagem organizacional a comunicação deve promover entendimento mútuo por todos de forma transparente, gerar integração dos grupos e contribuir com o 117117 117 compartilhamento de conhecimentos e a colaboração nos processos de aprendizagem. As aprendizagens individuais, coletivas e organizacionais sofrem influência mútua e de forma dinâmica, pois os processos de aprendizagem são construídos e elaborados a partir de interações, o que destaca uma relação de não linearidade entre eles. A aprendizagem para promover mudança de comportamento precisa ser significativa, os indivíduos precisam saber por que precisam aprender; deve estimular o protagonismo e autonomia no processo de aprendizagem; deve mapear e considerar as experiências e história de vida; deve promover a resolução de problemas diários; deve ser motivadora, promovendo a satisfação em aprender. Cada indivíduo, independente da sua posição hierárquica na organização, precisa sentir-se uma “peça” importante no quebra-cabeça da aprendizagem contínua e coletiva. O comportamento muda com a aprendizagem quando há propósitos, necessidades, significado, por isso, toda ação para promoção da aprendizagem deve estar alinhada com valores compartilhados por todos, é preciso mudar o dia a dia das pessoas, precisa gerar comprometimento das lideranças com todo o processo. Deve promover unificação e diversidade, ou seja, o compartilhamento de ideias, valores, objetivos cumpre um papel fundamental no alinhamento das organizações, assim como a diversidade gera a inovação. Para ocorrer mudança no comportamento, o desenvolvimento das pessoas precisa ser constante, precisa ter acompanhamento e avaliação contínua. Deve acontecer em momentos pontuais por meio dos cursos, encontros, entre outras estratégias, mas, também no dia a dia do indivíduo na organização. Tão ou mais importante que “o que” a organização aprende é a sua capacidade de aprender continuamente. Para a promoção de uma aprendizagem significativa, contínua e transformadora é necessária a construção de uma cultura de aprendizagem nas organizações. Isto é, construir um ambiente em 118118 que todos valorizam e buscam por conhecimento dentro e fora da organização de forma colaborativa. Nesta perspectiva, muitas são as inovações e estratégias. Essas estratégias buscam compreender as necessidades dos indivíduos e organização e como promover a aprendizagem de forma mais efetiva. 2. Tendências da Aprendizagem Organizacional As mudanças que ocorreram a partir do final do século XX e início do século XXI promoveram a transição de um colaborador dependente da organização para um profissional mais autônomo e responsável por sua empregabilidade, além da necessidade de atualização constante e busca contínua por desenvolvimento. A aprendizagem dentro das organizações é necessária e cada vez mais complexa neste contexto, tornando-se um desafio cada vez maior para a área de treinamento e desenvolvimento das empresas. Vimos o conceito de educação corporativa surgir e ganhar destaque e, em seguida, a universidade corporativa,sempre com o objetivo geral de promover a aprendizagem e conhecimento que a organização necessita. Mas quais são as outras tendências e inovações que buscam promover aprendizagem individual, coletiva e organizacional de todos os níveis hierárquicos nas organizações, promovendo transformações que gerem resultados satisfatórios para todos? 2.1 Metodologias ativas de aprendizagem O que significa uma metodologia ativa de aprendizagem? A concepção da metodologia de aprendizagem não é recente. Na educação, tem suas raízes na Escola Nova, se contrapondo à Metodologia Tradicional de aprendizagem. Ou seja, o foco do processo de ensino e aprendizagem sai da figura do professor para o aluno. O aluno é protagonista no processo da sua aprendizagem. 119119 119 As transformações provocadas pela revolução digital no século XXI intensificaram a necessidade de uma comunicação diferente e, portanto, de metodologias mais ativas no processo de ensino e aprendizagem. A geração super conectada, aprende da mesma forma? Rever as formar de ensinar e aprender é necessário para a formação de um sujeito que precisa ser mais ativo, reflexivo e transformador. Muitos estudiosos da área da educação trouxeram contribuições para um processo de ensino e aprendizagem mais ativo, interativo e que considera a história de vida dos alunos, como: John Dewey, Paulo Freire, Lev Semyonovich Vygotsky, entre outros. PARA SABER MAIS Assista ao vídeo do TED Talk “Tragam a revolução no aprendizado!” protagonizado por Sir Ken Robinson. O vídeo promove uma reflexão do que realmente é fazer uma revolução na educação. Sir Ken Robinson | TED2010 A metodologia ativa de aprendizagem se refere a uma concepção, uma mudança de postura, de olhar, do ponto de vista, porém, os métodos e estratégias são diversos. Conheça alguns. Tabela 1 – Alguns métodos da metodologia ativa Flipped classroom Em português significa sala de aula invertida. O aluno é ativo no processo de aprendizagem. O método prevê um estudo antes do encontro (com leituras, vídeos ou atividades prévias), que se torna um lugar de aprendizagem ativa, com perguntas, discussões, atividades práticas, troca de conhecimento e interação. Personalização da aprendizagem ou aprendizagem adaptativa. Componente importante da personalização baseada em um sistema direcionado por dados (data-driven) é a instrução e remediação do caminho do aprendizado. A tecnologia deve empregar algoritmos e avaliações, dar feedbacks aos alunos, oferecer ajustes e intervenções de instrutores. Conforme o aluno progride em uma aula, a tecnologia “aprende” com as interações do estudante e ajusta seu caminho e ritmo de aprendizagem. 120120 Microcertificações As certificações são fracionadas, modulares e flexíveis (como se fossem um “lego”), para tornar a aprendizagem acessível em custo, tempo e apelo aos usuários. O ideal seria nano certificações gradativas, seguidas de certificações intermediárias mais abrangentes até uma certificação final. Aprendizagem em rede social Aprender em rede é uma poderosa ferramenta para se aprender a colocar o conhecimento na prática pela troca de experiências entre alunos. Aprende quem ensina e quem é ensinado. Há diversas formas de aprender, mas poucas de aprender a colocar o conhecimento na prática. Uso de inteligência artificial para a aprendizagem. Parte do princípio de usar a inteligência artificial para humanizar, socializar, aumentar proximidade e personalizar ainda mais as relações entre alunos e professores, fortalecendo o centro da aprendizagem. A tecnologia da computação cognitiva — base da inteligência artificial — fundamentada na compreensão de linguagem natural e de dados não estruturados para uma nova forma de aprender, como base para um assistente de aprendizagem, potencializando a personalização da aprendizagem. Microaprendizagem ou microlearning. Foco de aprendizagem no nível micro, por meio de microconteúdos ou micromídia (recursos de mídia em tamanho micro). A microaprendizagem lida com unidades de aprendizagem relativamente pequenas e com atividades didáticas de curto prazo. Baseia-se na ideia de desenvolvimento de pequenos pedaços de conteúdo, de aprendizagem e no uso de tecnologias flexíveis que permitam aos alunos acessá-los mais facilmente em condições e momentos específicos. É a forma típica de aprendizagem em qualquer momento e em qualquer lugar. Gamificação Processo de utilização de pensamentos e mecânicas baseadas em jogos para engajar usuários e solucionar problemas. Fonte: BENEDITO, 2015; SOUZA e AMARAL, 2013. As tecnologias digitais por meio da interação mobile em tempo real contribuem de forma significativa e intensa para a metodologia ativa de aprendizagem, promovendo uma aprendizagem ativa, fluida e com alto grau de retenção. O uso de infográficos, posts, blogs, vídeos, histórias em quadrinhos e muitas outras atividades criativas, fazem sentido para o aprendizado, instigando os colaboradores a estudarem e a se envolverem na construção do conhecimento. Conheça alguns modelos que são tendências na Educação Corporativa atualmente de forma mais detalhada. 121121 121 2.1.1 Modelo 702010 Este modelo surgiu na década de 1990 com os professores Morgan McCall, Robert Eichinger e Michael Lombardo, que desenvolveram o modelo de aprendizagem chamado 70 : 20 : 10. O estudo resultou a partir da percepção de que a aprendizagem nas organizações, assim como o seu desenvolvimento, se dão por meio de diversas situações. Compreenda melhor este modelo por meio da figura a seguir. Figura 1 – Modelo 70 : 20 : 10 Fonte: ESCOLA CORPORATIVA FIOCRUZ. Portfólio de desenvolvimento, 2018. O modelo proporciona a compreensão de que não basta ter práticas pontuais de cursos e treinamentos, mas é preciso repensar toda a atuação, levando em consideração o dia a dia dos profissionais, assim como a sua história e experiência pessoal. 122122 PARA SABER MAIS Busque na internet pelo vídeo Práticas do modelo 70: 20: 10 publicado pelo Expresso3 em 16 de maio de 2017. O vídeo aborda o que é o modelo 70: 20: 10, quais as principais características, assim como suas vantagens e desafios. 2.1.2 Aprendizado em pequenas doses: microlearning A sociedade, assim como o contexto de trabalho, atualmente promove muitas informações, compromissos, rapidez, uma sensação constante de muita coisa num curto espaço de tempo. Este contexto tem levado a área da educação formal e também corporativa a repensar as estratégias para promoção da aprendizagem, aquisição de conhecimentos, desenvolvimento de competências. Portanto, uma das estratégias que vem sendo utilizada nos processos de aprendizagem nas organizações é o microlearning. Este método prevê o conteúdo estudado de forma subdividida, por meio de vários recursos tecnológicos como vídeos, áudios, textos, entre outros. Os conteúdos são disponibilizados às pessoas a qualquer hora e em qualquer lugar como “pílulas do conhecimento”. Este método tem muito a contribuir quando está inserido numa trilha de aprendizagem sólida, promovendo um zoom em questões importantes, mas não deve ser vista como a solução para todos os problemas de aprendizagem. Simplificar, encurtar ou dividir em partes aquilo que exige maior capacidade cognitiva ou tempo de exposição ao conteúdo é uma falha gravíssima (Moreira, 2018). Esta estratégia exige também um processo de avaliação diferenciado que precisa ser formativo e, portanto, com feedback imediato. Compreenda melhor as características do microlearning: 123123 123 Tabela 2 – Características do microlearning Tempo Esforço relativamente curto, mensurável, baixo custo operacional, consumo de tempo reduzido, etc. Conteúdo Pequeno ou em partes pequenas, tópicos limitados, tratam de problemas simples, etc. Programa de estudos Representa uma parte de um programa completo, partes de módulos, elementos de aprendizado informal, etc. Formato Fragmentado, episódios, pílulas de conhecimento/ aprendizagem,elementos de habilidades específicas, etc. Processo Separados do todo, partes de um todo, métodos iterativos, gestão de atenção, etc. Mediação Presencial, mono mídias, multimídias, objetos informativos ou de aprendizagem, etc. Tipo de ensino Repetitivo, ativo, reflexivo, pragmático, orientado para objetivos ou problemas, ensino corporativo, etc. Fonte: RICHARD, Theo Cardoso, 2016, p. 33. As vantagens deste método para a Educação Corporativa são várias, como a redução de custos, tempo, maior adesão, entre outros. Porém, é fundamental que os profissionais da área de T, D & E, não se deixem levar pela ilusão que o método solucionará todos os problemas de desenvolvimento dos profissionais. Esta estratégia será efetiva na aprendizagem e desenvolvimento nas organizações se utilizada como aprimoramento e complemento de trilhas de aprendizagem bem construídas. 2.1.3 Gamificação O termo gamificação surge em 2002, mas só fica conhecido de fato a partir de McGonigal (2011), autora de Reality is broken: why games make us better and how they can change the world, livro considerado a bíblia da gamificação, que apresentou o seguinte argumento: a soma das horas jogadas pelos frequentadores de World of Warcraft (game online criado em 2001) corresponderia a 5,93 bilhões de anos na resolução de problemas de um mundo virtual. Assim, a reflexão sobre 124124 esses resultados é: que aconteceria se todo esse tempo e esforço fossem investidos para a solução de problemas do mundo real, como aquecimento global, erradicação da pobreza, cura de doenças ou resolução de problemas das grandes cidades? (VIANNA et al., 2013). Porém, a Gamificação não é sinônimo do uso de games. O termo se refere à utilização dos pensamentos e mecânicas baseadas em jogos para engajar usuários e solucionar problemas (Zichermann e Cunningham, 2011). A Gamificação inclui a criação de jogos específicos, como também a criação de “mundos” ou ambientes com alto nível de personalização e com estruturas lúdicas, considerando que os seres humanos sentem-se atraídos por jogos. Portanto, é possível promover motivação, sentimento de enfrentar e vencer desafios, interatividade, por meio de linguagens e estratégias do mundo virtual facilmente aceitas pelas gerações que crescem com a presença de recursos tecnológicos cada vez mais desenvolvidos. A concepção de gamilicação, se bem utilizada, potencializa o processo de ensino e aprendizagem, engajando pessoas para mudança de comportamento, promovendo a mudança de suas atitudes e desenvolvimento de habilidades. Mas alguns cuidados precisam ser tomados como, por exemplo, focar na competição e esquecer o objetivo maior por trás da gamificação, que é promover o engajamento de todos os colaboradores, principalmente os que se encontram no meio da tabela do ranking e no final. Outro erro é não promover o feedback contínuo. É uma estratégia que exige avaliação formativa e, portanto, informar os colaboradores continuamente das suas deficiências e potencialidades, é fundamental. E, por fim, as recompensas precisam atender à satisfação de todos e não somente da organização. Estar atento às necessidades do público-alvo é necessário. Como em qualquer método, o problema não é a gamificação, mas sim, a forma que é aplicada e com quais intenções. 125125 125 2.1.4 Trilhas de aprendizagem As trilhas de aprendizagem possuem, como princípio, caminhos alternativos e flexíveis para o desenvolvimento das pessoas, respeitando suas necessidades e expectativas. No ambiente organizacional, de acordo com Freitas (2002), cada indivíduo concebe sua trilha de aprendizagem a partir de suas conveniências, necessidades, ponto de partida e ponto a que deseja chegar, integrando em seu planejamento de carreira as expectativas da organização, o desempenho esperado, suas aspirações, as competências que já possui e aquelas que necessita desenvolver. As trilhas de aprendizagem partem de uma concepção mais flexível e personalizada do processo de ensino e aprendizagem e de liberdade e autonomia para construir o próprio caminho, disponibilizando percursos formativos que promovam o desenvolvimento das competências necessárias para concretizar objetivos e respeitem ritmos, preferências e limitações. É importante que as trilhas de aprendizagem proporcionem uma diversidade nos recursos de aprendizagem atendendo a todas as individualidades, mesclando encontros presenciais com os recursos das tecnologias digitais, entre outros. Elas podem ser compostas por: encontros, reuniões de trabalho, viagens de estudo, seminários, grupos de discussão na Internet, filmes, vídeos e outros meios para o desenvolvimento pessoal e profissional. A partir das competências mapeadas, dos gaps identificados, das necessidades/expectativas individuais e organizacionais, é possível construir então os caminhos e os programas para o desenvolvimento de todos. Ao escolher a trilha de aprendizagem, o desenvolvimento deverá ser flexível e significativo. Cada profissional deverá percorrer a sua trajetória de acordo com suas necessidades e interesses, porém alguns caminhos essenciais devem ser estabelecidos. 126126 Na trilha de aprendizagem, os caminhos podem e devem ser diferentes atendendo às individualidades de cada profissional, mas devem atingir objetivos e competências desejadas ao final. Durante esta temática, você teve a oportunidade de conhecer as principais tendências nos processos de aprendizagem dentro das organizações. Porém, mais importante do que conhecer estas tendências, é compreender o porquê, para quê e para quem. É possível identificar que os caminhos trilhados seguem concepções próximas às tendências da Educação Formal. E por quê? Por que guardando as devidas proporções e especificidades com relação aos objetivos, faixa etária e momento da vida, trata-se do desenvolvimento de pessoas com foco na transformação dos mesmos e do seu entorno. O Pedagogo no ambiente das organizações tem muito a contribuir por possuir na essência da sua formação o foco no desenvolvimento de indivíduos. Outro ponto importante é compreender que o desenvolvimento das pessoas e da organização para a transformação só será efetivo se, paralelamente, houver a promoção de uma cultura de aprendizagem. Todos precisam estar envolvidos, precisam ser corresponsáveis no processo de aprendizagem de todos, precisam ser protagonistas neste processo, precisam compreender o significado maior de um ambiente que aprende e se desenvolve de forma contínua, precisam identificar os benefícios no dia a dia nas soluções dos problemas profissionais, mas também pessoais e sociais. Qualquer método, estratégia e metodologia será eficaz quando as intenções, os valores e as ações convergirem para o objetivo maior, que é promover as aprendizagens individuais, coletivas e organizacionais promovendo a satisfação de todos. 127127 127 TEORIA EM PRÁTICA Trilhas de Aprendizagem – Hospital Albert Einstein. No Hospital Albert Einstein, 70% dos atendimentos são realizados de forma particular e 30% são atendimentos públicos. O hospital possui uma qualidade reconhecida na sociedade e na área da saúde e, para isso conta com uma Educação Corporativa bem estruturada. No Einstein, cerca de 40% dos candidatos que passam pela prova técnica no processo de recrutamento e seleção são reprovados. Dos que são contratados, a instituição investe fortemente em programas de formação, treinamento e desenvolvimento. Os objetivos da Educação Corporativa é garantir o cumprimento das metas e estratégias institucionais; motivar, desenvolver e reter talentos; garantir o crescimento da organização. Para isso, os treinamentos foram reorganizados priorizando o que é essencial para o profissional, por meio de programa admissional, trilhas de aprendizagem e treinamentos distribuídos (in loco) como ações educacionais. As trilhas de aprendizagem no Eisntein possuem a seguinte estrutura: Institucional – obrigatória para todosos colaboradores – diretrizes institucionais. Profissional – obrigatória de acordo com a categoria profissional (ex. enfermeiros). Setorial – obrigatória de acordo com a categoria profissional da área (setor de atuação) (exemplo: enfermeiros da terapia intensiva). 128128 Individual – gaps identificados no PDI (programa de desenvolvimento individual) e/ou capacitações específicas para desenvolvimento na carreira. A comunicação e avaliação são constantes e contínuas nas trilhas de aprendizagem. Fonte: MOREIRA, Priscila N. e SOUSA, Euma F. de. Case Hospital Albert Einstein – trilhas de aprendizagem Einstein. In: 30º Congresso brasileiro de treinamento e desenvolvimento, Snatos-SP, 2015. Qual a avaliação que você faz sobre as trilhas de aprendizagem da Educação Corporativa do Hospital Albert Einstein? Atendem aos objetivos maiores para uma aprendizagem organizacional prevendo transformações? Você faria alguma observação e/ou sugestão? VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. Leia com atenção o texto e complete a lacuna com o termo correto: A de uma organização é um sistema de valores e crenças compartilhados que influenciam (e não condicionam) o comportamento daqueles que os compartilham. a. Metodologia. b. Cultura. c. Educação. d. Missão e. Liderança. 129129 129 2. As tendências e inovações para promoção da aprendizagem nas organizações são várias e, atualmente, utilizam a concepção de Metodologia Ativa de Aprendizagem. O que significa uma metodologia ativa de aprendizagem? a. O foco do processo de ensino e aprendizagem é o professor. O professor é centro para ocorrer o processo de aprendizagem. b. O foco do processo de ensino e aprendizagem é o outro, ou seja, nem o aluno, nem o professor. c. O foco do processo de ensino e aprendizagem sai da figura do professor para o aluno. O aluno é protagonista no processo da sua aprendizagem. d. O foco do processo de ensino e aprendizagem está nas tecnologias digitais. e. O foco do processo de ensino e aprendizagem está na história de vida dos alunos, inseridos em uma comunidade e região. 3. A metodologia ativa de aprendizagem se refere a uma concepção, uma mudança de postura, de olhar, do ponto de vista, porém, os métodos e estratégias são diversos. Assinale os métodos que podem ser considerados como uma metodologia ativa: I. Flipped classroom. II. Aprendizagem em rede social. III. Conteúdo expositivo em que o professor é o centro do processo. 130130 IV. Uso de inteligência artificial para a aprendizagem. V. Microaprendizagem ou microlearning. Assinale a alternativa que apresenta as afirmativas corretas: a. I, II, III, IV, V. b. Apenas II, III, IV, V. c. Apenas I, III, IV, V. d. Apenas I, II, IV, V. e. Apenas I, II, III, V. Referências bibliográficas BALSAN, Laércio André Gassen; FALLER, Lisiane Pellini Faller; PEREIRA, Breno Augusto Diniz. A transformação da aprendizagem individual em competências organizacionais. ESTUDO & DEBATE, Lajeado, v. 22, n. 2, p. 171-194, 2015. ISSN 1983-036X. Disponível em: http://univates.br/revistas/index.php/estudoedebate/ article/viewFile/661/651. Acesso em: 28 mar. 2019. BENEDITO, Márcio de Araújo. Construção de trilhas de aprendizagem por processos como suporte para o desenvolvimento de competências no SERPRO. Trabalho de Conclusão da Especialização em Gestão Pública pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2015. BITENCOURT, Claudia Cristina; AZEVEDO, Débora. O futuro da aprendizagem organizacional: possibilidades e desafios. ©ERA, vol. 46, Edição Especial, Minas Gerais, 2006. BRANDÃO, Hugo Pena; GUIMARÃES, Tomás de Aquino. 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As tecnologias digitais podem contribuir neste processo se bem utilizadas e a história de vida dos alunos, inseridos em uma comunidade e região devem ser consideradas em qualquer ação educativa. 132132 Questão 3 – Resposta: D A metodologia ativa de aprendizagem se refere a uma concepção, uma mudança de postura, de olhar, do ponto de vista, porém, os métodos e estratégias são diversos. Os principais são: Flipped classroom, Personalização da aprendizagem ou aprendizagem adaptativa, Microcertificações, Aprendizagem em rede social, Uso de inteligência artificial para a aprendizagem, Microaprendizagem ou microlearning e Gamificação. 133133 133