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F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// PROFESSOR(A): DAWISON SAMPAIO ASSUNTO: EXPANSÃO MARÍTIMA EUROPEIA E PERÍODO PRÉ-COLONIAL FRENTE: HISTÓRIA OSG.: 117255/17 AULA 1 EAD – MEDICINA CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS Resumo Teórico EXPANSÃO MARÍTIMA EUROPEIA 1. Introdução • Contexto histórico: Transição do Feudalismo × Capitalismo Feudalismo Capitalismo Economia Agrária, Subsistência Comercial – Urbana Renascimento comercial e urbano. Sociedade, Trabalho Estamental, trabalho servil Com mobilidade social, trabalho assalariado Burguesia, artesão, trabalhador livre. Política Descentralização política Estado centralizado Estado Moderno Absolutismo. Cultura Teocêntrica Antropocêntrica Renascimento cultural. 2. O que foi: Período em que as nações europeias iniciaram um processo de exploração e conquistas em novos territórios, que ampliou o mundo até então conhecido. 3. Quando ocorreu? Principalmente entre os séculos XV e XVI. 4. Causas e motivações • Busca de especiarias nas Índias. Tentativa de romper o monopólio comercial das cidades italianas; • Busca de metais preciosos; • Expansão da fé cristã (justificativa); • Fortalecimento das monarquias nacionais e desenvolvimento da política mercantilista. Observações: a) A expansão comercial europeia, iniciada nos séculos XI e XII, foi bloqueada por uma crise econômica do final do século XVI. Parecia ter sido atingido o limite máximo de consumo das mercadorias orientais, principalmente especiarias. Além disto, havia a falta de metal nobre – ouro e prata – para a confecção das moedas. b) A necessidade de se encontrar a liga metálica em outros lugares e também buscar novos caminhos marítimos que levassem as especiarias diretamente da fonte produtora, eliminando os vários intermediários existentes. Daí os Grandes descobrimentos dos séculos XV e XVI. 5. Razões do pioneirismo português. A. Centralização Política: Formação do Estado Português (pequena cronologia). • Invasão dos muçulmanos no século VIII (711). • Formação dos reinos cristãos (Leão – Castela – Navarra – Aragão). Nas Astúrias, sob o comando de D. Afonso VI e apoio de D. Henrique de Borgonha (FRA) = Guerra da Reconquista. • Nasce o Condato Portucalense (1094). • Em 1139 o Condato torna-se um Estado Nacional independente sob o comando de D. Afonso Henriques. (Nasce a dinastia de Borgonha). antes 914 914-1080 (Francos)(Francos) LeãoLeão NavarraNavarra PortugalPortugal AragãoAragão CastelaCastela CórdobaCórdoba GranadaGranada 1080-1130 1130-1210 1210-1250 1250-1480 1480-1492 A Reconquista Disponível em: <http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Pt-Reconquista2.jpg> • A necessidade de manter a autonomia fortaleceu o poder central. • A crise do século XIV (Peste, Fome e Guerras) de certa forma favoreceu Portugal, pois desviou a rota terrestre para o Mediterrâneo onde tornou-se um dos principais entrepostos comerciais. • A sucessão do trono português com a morte de D. Fernando, O Formoso (1383). A sucessão com D. Beatriz (filha de D. Fernando), que era casada com D. João I, rei de Leão e Castela, gerou oposição da burguesia que temia a perda de autonomia. • 1383-85 Revolução de Avis (apoio da burguesia a D. João I, Mestre de Avis). Observação: A Expansão Marítima só foi possível graças a ação coordenadora de um Estado centralizado que foi capaz de reunir os capitais necessários para um empreendimento desse nível. Até aquela época, o capital privado ainda não tinha força suficiente para montar uma empresa ultramarina. 2F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// MÓDULO DE ESTUDO OSG.: 117255/17 B. Burguesia ávida de lucros (a concentração em algumas áreas da Península Ibérica de capitais interessados na expansão comercial e que financiaram os empreendimentos marítimos); C. Fascínio pelas Índias; D. Paz interna e externa; E. Tradição pesqueira e a Escola de Sagres; F. Surgimento e aperfeiçoamento de novos aparelhos para a navegação (bússola, astrolábio, caravela, desenvolvimento da cartografia...); G. Localização geográfica favorável; H. O engajamento da nobreza e do clero, imprimindo um caráter cruzadístico à expansão. 6. Rotas, Bulas e Tratados • A circunavegação dos espanhóis = 1492, expulsão definitiva dos Mouros da Europa; • O Périplo Africano = 1415, iniciado com a tomada da Ceuta e concluído com a chegada a Calicute, em 1498, por Vasco da Gama (aproximadamente 6.000%); LISBOALISBOA CanáriasCanárias Cabo Verde BezeguicheBezeguiche MelindeMelinde Porto SeguroPorto Seguro QuíloaQuíloa SofalaSofala AngedivaAngediva CananorCananor CALECUTECALECUTE CochimCochim I. de MoçambiqueI. de Moçambique Viagem de Cabral ao Brasil e Calecute, 1500 Primeiras e Segundas Primeiras e Segundas C. da Boa Esparança C. da Boa Esparança Oceano Atlântico Norte Oceano Atlântico Sul Oceano Índico Disponível em: <http://upload.wikimedia/commons/c/ca/Cabral_voyage_1500_PT> • A Bula inter Coetera (Papa Alexandre VI) em 1493; • O Tratado de Tordesilhas em 1494. Espanha Portugal Ilhas de Cabo Verde OCEANO ATLÂNTICOOCEANO PACÍFICO Terras pertencentes à Portugal Tratado de Tordesilhas. PERÍODO PRÉ-COLONIAL (1500-1530) 1. O que foi? Corresponde aos primeiros 30 anos da história do Brasil. 2. Principal característica: relativo desinteresse de Portugal pelo Brasil • O comércio das especiarias era bastante lucrativo; • Inicialmente não encontraram ouro; • Pequena disponibilidade de mão de obra. 3. Expedições exploradoras (reconhecimento) A. Gaspar de Lemos – 1501 B. Gonçalo Coelho – 1503 4. Expedições Guarda-Costeiras (defesa) A. Cristóvão Jaques – 1516 – 1526 5. Expedição colonizadora – 1530 A. Comando: Martin Afonso de Souza. B. 1ª Vila: São Vicente. C. 1º Engenho: Engenho do Governador. Observação: Martim Afonso possuía amplos poderes. Designado Capitão-mor da esquadra e do território descoberto, deveria fundar núcleos de povoamento, exercer justiça civil e criminal, tomar posse das terras em nome do rei, nomear funcionários e distribuir sesmarias. 6. Exploração do Pau Brasil A. Primeira atividade econômica. B. Localização: Mata Atlântica (RN ao RJ). C. Usado na fabricação de Corantes. D. Exploração predatória e assistemática. E. Gênero estancado aos cristãos novos. F. Fundação de feitorias: entrepostos comerciais. G. Mão-de-obra indígena – trabalho em forma de escambo. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/ Ficheiro:Brazil-16-map.jpg> Detalhe do mapa Terra Brasilis, 1519, o pau-brasil representado ao longo da costa da Mata Atlântica Observação: Carta de Pero Vaz de Caminha • 1º documento do Brasil. • Depois de tomar conhecimento por meio da famosa carta de Caminha das terras do Brasil, o Rei D. Manuel resolveu enviar às novas terras expedições para conhecer melhor o território recém- -descoberto. 3 F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// OSG.: 117255/17 MÓDULO DE ESTUDO Exercícios 1. (Enem/2014) Todo homem de bom juízo, depois que tiver realizado sua viagem, reconhecerá que é um milagre manifesto ter podido escapar de todos os perigos que se apresentam em sua peregrinação; tanto mais que há tantos outros acidentes que diariamente podem aí ocorrer que seria coisa pavorosa àqueles que aí navegam querer pô-los todos diante dos olhos quando querem empreender suas viagens. J. PT. “Histoire de plusieurs voyages aventureux”. 1600. In: DELUMEAU, J. História do medo no Ocidente: 1300-1800. São Paulo Cia. das Letras. 2009 (adaptado). Esse relato, associado ao imaginário das viagens marítimas da época moderna, expressa um sentimento de a) gosto pela aventura. b) fascínio pelo fantástico. c) temor do desconhecido. d) interesse pela natureza. e) purgação dos pecados. 2. (Unesp/2012) Leia o texto a seguir. Nas primeiras três décadas que se seguiram à passagem da armada de Cabral, além das precárias guarnições das feitorias [...], apenas alguns náufragos [...] e “lançados” atestavam a soberania do rei de Portugal nolitoral americano do Atlântico Sul. Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota. História do Brasil: uma interpretação, 2008. No processo de ocupação portuguesa do atual território do Brasil, as primeiras três décadas que se seguiram à passagem da armada de Cabral podem ser caracterizadas como um período em que a) Portugal não se dedicou regularmente à sua colonização, pois estava voltado prioritariamente para a busca de riquezas no Oriente. b) prevaleceram as atividades extrativistas, que tinham por principal foco a busca e a exploração de ouro nas regiões centrais da colônia. c) Portugal estabeleceu rotas regulares de comunicação, interessado na imediata exploração agrícola das férteis terras que a colônia oferecia. d) prevaleceram as disputas pela colônia com outros países europeus e sucessivos episódios de invasão holandesa e francesa no litoral brasileiro. e) Portugal implantou fortificações ao longo do litoral e empenhou-se em estender seus domínios em direção ao sul, chegando até a região do Prata. 3. (Unesp/2016) Entre os motivos do pioneirismo português nas navegações oceânicas dos séculos XV e XVI, podem-se citar a) a influência árabe na Península Ibérica e a parceria com os comerciantes genoveses e venezianos. b) a centralização monárquica e o desenvolvimento de conhecimentos cartográficos e astronômicos. c) a superação do mito do abismo do mar e o apoio financeiro e tecnológico britânico. d) o avanço das ideias iluministas e a defesa do livre-comércio entre as nações. e) o fim do interesse europeu pelas especiarias e a busca de formas de conservação dos alimentos. 4. (Fuvest/2012) Deve-se notar que a ênfase dada à faceta cruzadística da expansão portuguesa não implica, de modo algum, que os interesses comerciais estivessem dela ausentes – como tampouco o haviam estado das cruzadas do Levante, em boa parte manejadas e financiadas pela burguesia das repúblicas marítimas da Itália. Tão mesclados andavam os desejos de dilatar o território cristão com as aspirações por lucro mercantil que, na sua oração de obediência ao pontífice romano, D. João II não hesitava em mencionar entre os serviços prestados por Portugal à cristandade o trato do ouro da Mina, “comércio tão santo, tão seguro e tão ativo” que o nome do Salvador, “nunca antes nem de ouvir dizer conhecido”, ressoava agora nas plagas africanas… Luiz Felipe Thomaz, “D. Manuel, a Índia e o Brasil”. Revista de História (USP), 161, 2º Semestre de 2009, p.16-17. Adaptado. Com base na afirmação do autor, pode-se dizer que a expansão portuguesa dos séculos XV e XVI foi um empreendimento a) puramente religioso, bem diferente das cruzadas dos séculos anteriores, já que essas eram, na realidade, grandes empresas comerciais financiadas pela burguesia italiana. b) ao mesmo tempo religioso e comercial, já que era comum, à época, a concepção de que a expansão da cristandade servia à expansão econômica e vice-versa. c) por meio do qual os desejos por expansão territorial portuguesa, dilatação da fé cristã e conquista de novos mercados para a economia europeia mostrar-se-iam incompatíveis. d) militar, assim como as cruzadas dos séculos anteriores, e no qual objetivos econômicos e religiosos surgiriam como complemento apenas ocasional. e) que visava, exclusivamente, lucrar com o comércio intercontinental, a despeito de, oficialmente, autoridades políticas e religiosas afirmarem que seu único objetivo era a expansão da fé cristã. 5. (Unicamp simulado/2011) Segundo o historiador indiano K.M. Panikkar, a viagem pioneira dos portugueses à Índia inaugurou aquilo que ele denominou como a época de Vasco da Gama da história asiática. Esse período pode ser definido como uma era de poder marítimo, de autoridade baseada no controle dos mares, poder detido apenas pelas nações europeias. Adaptado de C.R. Boxer, O império marítimo português, 1415-1835. Lisboa: Ed. 70, 1972, p. 55. Os domínios estabelecidos pelos portugueses na Índia e na América a) se diferenciavam, pois na Índia a presença dos portugueses visava o comércio, e para este fim eles estabeleciam feitorias, enquanto na América o território se tornaria uma possessão de Portugal, por meio de um empreendimento colonial destinado a produzir mercadorias para exportação. b) se diferenciavam, pois a colonização dos portugueses na Índia buscava promover o comércio de especiarias e de escravos, enquanto na América estabeleceu-se uma colônia de exploração, que visava apenas a extração de riquezas naturais que serviriam às manufaturas europeias. c) tinham semelhanças e diferenças entre si, porque em ambas se estabeleceu um sistema colonial baseado na monocultura, no latifúndio e na escravidão, mas na América este sistema era voltado para a produção de açúcar, enquanto na Índia produziam-se especiarias. d) tinham semelhanças e diferenças entre si, porque ambas sofreram exploração econômica, mas na Índia uma civilização mais desenvolvida apresentou resistência à dominação, levando à sua destruição, ao contrário do Brasil, onde a colonização foi mais pacífica, por meio da civilização dos índios. 4F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// MÓDULO DE ESTUDO OSG.: 117255/17 6. (Enem/2007) A identidade negra não surge da tomada de consciência de uma diferença de pigmentação ou de uma diferença biológica entre populações negras e brancas e(ou) negras e amarelas. Ela resulta de um longo processo histórico que começa com o descobrimento, no século XV, do continente africano e de seus habitantes pelos navegadores portugueses, descobrimento esse que abriu o caminho às relações mercantilistas com a África, ao tráfico negreiro, à escravidão e, enfim, à colonização do continente africano e de seus povos. K. Munanga. Algumas considerações sobre a diversidade e a identidade negra no Brasil. In: Diversidade na educação: reflexões e experiências. Brasília: SEMTEC/MEC, 2003, p. 37. Com relação ao assunto tratado no texto acima, é correto afirmar que a) a colonização da África pelos europeus foi simultânea ao descobrimento desse continente. b) a existência de lucrativo comércio na África levou os portugueses a desenvolverem esse continente. c) o surgimento do tráfico negreiro foi posterior ao início da escravidão no Brasil. d) a exploração da África decorreu do movimento de expansão europeia do início da Idade Moderna. e) a colonização da África antecedeu as relações comerciais entre esse continente e a Europa. 7. (UNIFOR/2009.2) Analise o texto. De fato, gestando-se no processo de expansão mercantil da época dos descobrimentos e articulando-se ao não menos importante processo de formação dos Estados, a faina colonizadora tendeu sempre a ampliar a área de dominação (competição entre os Estados) e a montar uma empresa de exploração predatória, itinerante, compelindo o trabalho para intensificar a acumulação de capital nos centros metropolitanos. Fernando A. Novais. Condições da privacidade na colônia. In: História da vida privada no Brasil: cotidiano e vida privada na América Portuguesa. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. p. 30 Pode-se associar corretamente ao texto que a) a colonização do Novo Mundo articulou-se de maneira direta aos processos correlatos de formação dos Estados e de expansão do comércio que marcaram a abertura da modernidade europeia. b) a colonização do tipo plantation, que prevaleceu na América portuguesa, determinou a formação de uma população dispersa, que se deslocava intensamente no território. c) o trabalho na colônia era executado pelos escravos africanos e ameríndios sob a supervisão de Portugal, que tinha como objetivo fazer a metrópole produzir em grande escala para as colônias. d) as metrópoles europeias, no processo colonizador, dividiam as áreas de dominação por meio de tratados comerciais que fossem vantajosos para todos os Estados signatários. e) a colonização moderna foi um fenômenoessencialmente demográfico, portanto, foi impulsionada por pressões demográficas como ocorreu na colonização grega da Antiguidade Clássica. • Texto para a próxima questão: “O Descobrimento da América, no quadro da expansão marítima europeia, deu lugar à unificação microbiana do mundo. No troca- -troca de vírus, bactérias e bacilos com a Europa, África e Ásia, os nativos da América levaram a pior. Dentre as doenças que maior mortandade causaram nos ameríndios estão as ‘bexigas’, isto é, a varíola, a varicela e a rubéola (vindas da Europa), a febre amarela (da África) e os tipos mais letais de malária (da Europa mediterrânica e da África). Já a América estava infectada pela hepatite, certos tipos de tuberculose, encefalite e pólio. Mas o melhor ‘troco’ patogênico que os ameríndios deram nos europeus foi a sífilis venérea, verdadeira vingança que os vencidos da América injetaram no sangue dos conquistadores. Traços do trauma provocado por essas doenças parecem ter-se cristalizado na mitologia indígena. Quatro entidades maléficas se destacavam na religião tupi no final do Quinhentos: Taguaigba (‘Fantasma ruim’), Macacheira ou Mocácher (‘O que faz a gente se perder’), Anhanga (‘O que encesta a gente’) e Curupira (‘O coberto de pústulas’). É razoável supor que o curupira tenha surgido no imaginário tupi após o choque microbiano das primeiras décadas da descoberta.” Luiz Felipe de Alencastro. “Índios perderam a guerra Bacteriológica”. Folha de S. Paulo, 12.10.1991, p. 7. Adaptado. 8. (PUC-SP/2017) O texto expõe uma das características mais importantes da expansão marítima europeia dos séculos XV e XVI, a) seu esforço saneador, que garantiu o acesso das populações americana, asiática e africana aos avanços técnicos europeus. b) sua dimensão eurocêntrica, que assegurou uma dominação pacífica da América e da África pelos conquistadores europeus. c) seu caráter globalizador, que permitiu articular os continentes, estabelecendo maior circulação de pessoas e mercadorias. d) sua concepção lógica, que orientou o planejamento minucioso da conquista, evitando que os europeus enfrentassem imprevistos. 9. (UFU/2015) Se essa passagem de século tem hoje um sentido para nós, um sentido que talvez não tinha nos séculos anteriores, é porque vemos que aí é que surgem as primícias da globalização. E essa globalização é mais que um processo de expansão de origem ibérica. Em 1500, ainda estamos bem longe de uma economia mundial. No limiar do século XVI, a globalização corresponde ao fato de setores do mundo que se ignoravam ou não se frequentavam diretamente serem postos em contato uns com os outros. GRUZINSKI, Serge. A passagem do século: 1480-1520 – as origens da globalização. São Paulo: Companhia das Letras, 1999, p. 96-98. Adaptado. Na busca das raízes do conceito de globalização, os historiadores têm voltado suas atenções às grandes navegações, porque este momento histórico a) permitiu, com anuência da Igreja, a formação de um verdadeiro mercado global de mão de obra escrava, composta de indígenas. b) tornou a Igreja uma força política global, com hegemonia, por exemplo, sobre todo o continente americano. c) representou a unificação dos mercados coloniais principalmente a partir do fornecimento de gêneros de subsistência. d) foi decisivo na expansão da atividade comercial para além das fronteiras europeias e na ampliação dos mercados. 5 F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// OSG.: 117255/17 MÓDULO DE ESTUDO 10. (UPE/2013) Segundo Alexandre de Freitas, “A globalização caracteriza-se, portanto, pela expansão dos fluxos de informações — que atingem todos os países, afetando empresas, indivíduos e movimentos sociais —, pela aceleração das transações econômicas — envolvendo mercadorias, capitais e aplicações financeiras que ultrapassam as fronteiras nacionais — e pela crescente difusão de valores políticos e morais em escala universal”. BARBOSA, Alexandre de Freitas. O mundo globalizado: política, sociedade e economia. São Paulo: Contexto, 2010, p. 12-13. Com base na definição acima e nos estudos sobre globalização, é correto afirmar que a) o autor não leva em consideração a internet e a tecnologia para a construção de computadores no processo de globalização. b) segundo a definição de Freitas, a globalização se restringe aos eventos em escala internacional. c) a globalização, por sua natureza planetária, é um duro golpe contra a expansão religiosa. d) há autores que consideram a Expansão Marítima do século XVI como primeiro ato na história do processo de globalização. e) por suas carências políticas, sociais e financeiras, os países pobres não participam do processo de globalização. 11. (Enem/2009 – Prova cancelada) Distantes uma da outra quase 100 anos, as duas telas seguintes, que integram o patrimônio cultural brasileiro, valorizam a cena da Primeira Missa no Brasil, relatada na carta de Pero Vaz de Caminha. Enquanto a primeira retrata fielmente a carta, a segunda – ao excluir a natureza e os índios – critica a narrativa do escrivão da frota de Cabral. Além disso, na segunda, não se vê a cruz fincada no altar. Primeira Missa no Brasil. Victor Meirelles (1861). Disponível em: <http://www.moderna.com.br.> Acesso em: 3 nov. 2008. Primeira Missa no Brasil. Cândido Portinari (1948).Disponível em: <http://www.casadeportinari.com.br>Acesso em: 3 nov. 2008. Ao comparar os quadros e levando-se em consideração a explicação dada, observa-se que a) a influência da religião católica na catequização do povo nativo é objeto das duas telas. b) a ausência dos índios na segunda tela significa que Portinari quis enaltecer o feito dos portugueses. c) ambas, apesar de diferentes, retratam um mesmo momento e apresentam uma mesma visão do fato histórico. d) a segunda tela, ao diminuir o destaque da cruz, nega a importância da religião no processo dos descobrimentos. e) a tela de Victor Meirelles contribuiu para uma visão romantizada dos primeiros dias dos portugueses no Brasil. 12. (PUC-RS/2010) Entre 1500 e 1530, os interesses da coroa portuguesa, no Brasil, focavam o pau-brasil, madeira abundante na Mata Atlântica e existente em quase todo o litoral brasileiro, do Rio Grande do Norte ao Rio de Janeiro. A extração era feita de maneira predatória e assistemática, com o objetivo de abastecer o mercado europeu, especialmente as manufaturas de tecido, pois a tinta avermelhada da seiva dessa madeira era utilizada para tingir tecidos. A aquisição dessa matéria-prima brasileira era feita por meio da a) exploração escravocrata dos europeus em relação aos índios brasileiros. b) criação de núcleos povoadores, com utilização de trabalho servil. c) utilização de escravos africanos, que trabalhavam nas feitorias. d) exploração da mão de obra livre dos imigrantes portugueses, franceses e holandeses. e) exploração do trabalho indígena, no estabelecimento de uma relação de troca, o conhecido escambo. 13. (Fuvest/2003) Os portugueses chegaram ao território, depois denominado Brasil, em 1500, mas a administração da terra só foi organizada em 1549. Isso ocorreu porque, até então, a) os índios ferozes trucidavam os portugueses que se aventurassem a desembarcar no litoral, impedindo assim a criação de núcleos de povoamento. b) a Espanha, com base no Tratado de Tordesilhas, impedia a presença portuguesa nas Américas, policiando a costa com expedições bélicas. c) as forças e atenções dos portugueses convergiam para o Oriente, onde vitórias militares garantiam relações comerciais lucrativas. d) os franceses, aliados dos espanhóis, controlavam as tribos indígenas ao longo do litoral bem como as feitorias da costa sul-atlântica. e) a população de Portugal era pouco numerosa, impossibilitando o recrutamento de funcionários administrativos. 14. (Unicamp/2011) Em carta ao rei D. Manuel, Pero Vaz de Caminha narrou os primeiros contatos entre os indígenase os portugueses no Brasil: “Quando eles vieram, o capitão estava com um colar de ouro muito grande ao pescoço. Um deles fitou o colar do capitão, e começou a fazer acenos com a mão em direção à terra, e depois para o colar, como se quisesse dizer-nos que havia ouro na terra. Outro viu umas contas de rosário, brancas, e acenava para a terra e novamente para as contas e para o colar do capitão, como se dissesse que dariam ouro por aquilo. Isto nós tomávamos nesse sentido, por assim o desejarmos! Mas se ele queria dizer que levaria as contas e o colar, isto nós não queríamos entender, porque não havíamos de dar-lhe!” Adaptado de Leonardo Arroyo, A carta de Pero Vaz de Caminha. São Paulo: Melhoramentos; Rio de Janeiro: INL, 1971, p. 72-74. 6F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// MÓDULO DE ESTUDO OSG.: 117255/17 Esse trecho da carta de Caminha nos permite concluir que o contato entre as culturas indígena e europeia foi a) favorecido pelo interesse que ambas as partes demonstravam em realizar transações comerciais: os indígenas se integrariam ao sistema de colonização, abastecendo as feitorias, voltadas ao comércio do pau-brasil, e se miscigenando com os colonizadores. b) guiado pelo interesse dos descobridores em explorar a nova terra, principalmente por meio da extração de riquezas, interesse que se colocava acima da compreensão da cultura dos indígenas, que seria quase dizimada junto com essa população. c) facilitado pela docilidade dos indígenas, que se associaram aos descobridores na exploração da nova terra, viabilizando um sistema colonial cuja base era a escravização dos povos nativos, o que levaria à destruição da sua cultura. d) marcado pela necessidade dos colonizadores de obterem matéria-prima para suas indústrias e ampliarem o mercado consumidor para sua produção industrial, o que levou à busca por colônias e à integração cultural das populações nativas. 15. (Enem/2013) De ponta a ponta, é tudo praia-palma, muito chã e muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa. Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares [...]. Porém o melhor fruto que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente. Carta de Pero Vaz de Caminha. In: MARQUES, A.; BERUTTI, F.; FARIA, R. História moderna através de textos. São Paulo: Contexto, 2001. A carta de Pero Vaz de Caminha permite entender o projeto colonizador para a nova terra. Nesse trecho, o relato enfatiza o seguinte objetivo: a) Valorizar a catequese a ser realizada sobre os povos nativos. b) Descrever a cultura local para enaltecer a prosperidade portuguesa. c) Transmitir o conhecimento dos indígenas sobre o potencial econômico existente. d) Realçar a pobreza dos habitantes nativos para demarcar a superioridade europeia. e) Criticar o modo de vida dos povos autóctones para evidenciar a ausência de trabalho. Anotações SU PE RV IS O R/ D IR ET O R: M A RC EL O – A U TO R: D A W IS O N S A M PA IO D IG .: C IN TH IA – R EV .: RI TA F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// RESOLUÇÃORESOLUÇÃO OSG.: 117301/17 HISTÓRIA AULA 1: EXPANSÃO MARÍTIMA E PERÍODO PRÉ-COLONIAL EXERCÍCIOS 1. O texto indica um dos elementos que permeava o imaginário popular e o inconsciente coletivo na época das Grandes Navegações: o temor do desconhecido. A mentalidade medieval sob a influência dos valores religiosos propiciou a disseminação de tais elementos. O próprio Oceano Atlântico era conhecido como “Mar Tenebroso”. Naufrágios e mortes também contribuíram para a mentalidade descrita no fragmento. Resposta: C 2. Após a chegada dos portugueses ao Brasil observou-se, por parte dos lusos, relativo desinteresse que perdurou por cerca de 30 anos. Nesse período foram fundadas feitorias que serviam de entrepostos comerciais. Apesar da exploração de aves exóticas, couros e peles, predominava a exploração do pau-brasil que contava com a mão de obra dos nativos que trabalhavam na base do escambo. A justificativa para os portugueses terem relegado a nova possessão a uma condição subalterna se dá pelos lucros obtidos com a exploração do comércio oriental de especiarias que se apresentava muito mais lucrativo neste momento. Resposta: A 3. Questão clássica que propõe a identificação dos fatores responsáveis pelo pioneirismo português nas Grandes Navegações. O crescente interesse no ocidente pelas especiarias orientais somado às adversidades para aquisição desses gêneros em virtude do ataque dos piratas mouros e do monopólio das cidades italianas, levou os lusitanos a se lançaram ao oceano em busca de uma rota alternativa que os levassem até a fonte dos valiosos produtos orientais. Para esse fim, contribuiu decisivamente a prematura centralização do poder na mão do rei, processo iniciado com a dinastia de Borgonha no século XII e que teve seu ápice no século XIV com a chamada Revolução de Avis. Os investimentos dos soberanos de Avis se somavam ao contexto favorável de incremento dos conhecimentos técnicos que favoreceram a navegação oceânica, como era o caso dos instrumentos de orientação, como a bússola, astrolábio e ainda o aperfeiçoamento das cartas náuticas. Resposta: B 4. Ainda que os interesses econômicos, como a busca de metais preciosos e das especiarias devido à necessidade de um novo caminho para o oriente (monopólio das cidades italianas e dos riscos da navegação no Mediterrâneo), estejam entre as mais importantes motivações da expansão marítima, não devemos esquecer que, além da burguesia mercantil e do Estado moderno que procurava fortalecer-se, a Igreja também tinha interesses associados a esse empreendimento, pois ali estava uma oportunidade de expandir a fé cristã católica (motivação religiosa), conferindo um caráter cruzadístico servindo inclusive para legitimar o movimento em questão. Resposta: B 5. Dentro do contexto da formação dos impérios coloniais, resultado da Expansão Marítima, Portugal teve papel de destaque, figurando entre suas principais motivações a busca de especiarias e de metais preciosos bem como a aquisição de matérias-primas que contribuíssem para uma balança comercial favorável. Nesse sentido, a relação de Portugal com as Índias se estruturava em linhas gerais em torno da fundação de feitorias (entrepostos comerciais), que permitiam aos lusos adquirir as especiarias tão apreciadas na Europa. Já as terras recém-descobertas no novo mundo assumiam uma tarefa complementar à metrópole, oferecendo gêneros tropicais, além de servir de mercado consumidor para os produtos manufaturados, constituindo uma típica colônia de exploração assentada no latifúndio, monocultor, escravista e exportador. Devemos no entanto, considerar que, o sistema de feitorias também foi implantado, por exemplo, na exploração do Pau-Brasil nos primeiros anos da colonização. Resposta: A 6. É importante observar a importância da África no processo de expansão marítima europeia dos séculos XV e XVI. A tomada de Ceuta, marco inicial das Grandes Navegações pelos portugueses em 1415, é indicativo de tal importância. O projeto português consistia no contorno do litoral africano (Périplo Africano) até chegar às Índias, o que se concretizou em 1498. Na passagem portuguesa no litoral africano, ainda que não se observe esforços para colonizar o continente, fato que os europeus, via de regra, só farão no contexto do neocolonialismo no século XIX, manifestavam-se as primeiras relações de exploração em que os portugueses retiravam alguns produtos que tivessem relevância econômica dentro da lógica mercantilista e principalmente o tráfico humano de escravos. Esses elementos posteriormente passaram a constituir a principal mão de obra para os gêneros do plantation do Brasil. Essa exploração,ao longo do tempo, contribuiu para o quadro de miséria na África e que só seria agravado nos séculos seguintes. Resposta: D 7. Dentre os acontecimentos que assinalaram a passagem para os tempos modernos, destacam-se, pela profundidade de suas consequências, as Grandes Navegações. Nessa época, os europeus contornaram a África, estabeleceram novas rotas comerciais com o Oriente, circunavegaram o mundo e chegaram às Américas. Reconhecido por muitos historiadores como o primeiro passo no complexo processo de globalização do planeta, o expansionismo marítimo possibilitou aos europeus, especialmente Portugal e Espanha, pioneiros nesse processo, o domínio de várias regiões do mundo durante um longo período. Resposta: A 2 F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// OSG.: 117301/17 RESOLUÇÃO – HISTÓRIA 8. O trecho destaca as consequências do contato entre os povos dos três continentes evidenciando que houve uma espécie de globalização resultante da Expansão Marítimo-Comercial. Resposta: C 9. Tem sido comum a análise feita por alguns autores associando o processo histórico da Expansão Marítima como sendo a origem da globalização. Tal pensamento se justifica na medida em que os empreendimentos marítimos, sobretudo os ibéricos, contribuíram com suas descobertas (Novo Mundo), para uma irreversível expansão e integração comercial. Resposta: D 10. Pela interpretação do fragmento oferecido na questão, podemos afirmar que o processo de globalização trata-se de um fenômeno amplo e com implicações econômicas, sociais, culturais entre outras e que tende a se acelerar pela “expansão dos fluxos de informação”. De fato, os avanços tecnológicos ao longo da história contribuíram para diminuir as distâncias entre países permitindo uma ampliação das relações comerciais e de alguma forma também a integração de culturas distintas, sendo estes considerados elementos constitutivos do que se convencionou chamar de globalização. Alguns autores interpretam a expansão marítima como uma manifestação da globalização pois permitiu uma ampliação do conceito de mundo conhecido além da expansão do comércio. Ainda que tal expansão econômica tenha ocorrido praticamente de maneira unilateral dentro de uma postura eurocêntrica e etnocêntrica submetendo a América a uma rígida dominação e exploração, desprezando e até suprimindo por vezes sua realidade cultural. Resposta: D 11. A riqueza de detalhes da pintura de grandes dimensões, representando múltiplas expressões e situações, eternizaram a versão histórica oficial da descoberta do Brasil como um ato heroico e pacífico, celebrado em ecumenismo por colonizadores e indígenas. Essa visão romantizada da chegada dos portugueses projeta a ideologia da classe dominante, ou seja, da história oficial. Rendeu homenagens a Victor Meirelles, como a Ordem da Rosa, também originou as primeiras críticas, justamente pelo que seria “um excesso de imaginação”. O item E responde à questão, na qual o quadro de Victor Meirelles repassa excesso de imaginação dos primeiros dias da ocupação portuguesa no Brasil. Resposta: E 12. O pau-brasil foi a primeira atividade econômica fonte de lucros dos portugueses no Brasil. Para obtenção da madeira, criaram um sistema de feitorias que, por meio do escambo, intermediava com os índios o corte e o transporte do pau-brasil para os navios. Entenda-se por escambo uma relação de troca que, nesse caso específico, os índios recebiam produtos de pequeno valor pelo seu trabalho. Resposta: E 13. Nos trinta primeiros anos (1500 – 1530), denominados pela historiografia tradicional como período pré-colonial, Portugal não promoveu ações concretas no sentido de iniciar efetivamente a colonização do Brasil, tal fato só ocorreria a partir da década de 1530 com a expedição colonizadora de Martim Afonso de Sousa e a implantação do sistema de Capitanias Hereditárias. Dentre as razões desse relativo desinteresse pelo Brasil, destacamos o fato de o comércio oriental das especiarias ser mais lucrativo e por não terem inicialmente encontrado metais preciosos. Porém, deve-se ressaltar que Portugal não abandonou o território, destacando para a área recém-descoberta expedições que visavam o reconhecimento, exploração (expedições exploradoras em 1501 e 1503) e a defesa contra as investidas das demais nações europeias (expedições guarda-costeiras em 1516 e 1526). Resposta: C 14. É possível perceber, desde os primeiros registros, a perspectiva econômica que os navegadores atribuíram sobre a terra recém-“descoberta”. De fato, essa visão é reflexo da mentalidade mercantilista que predominava naquele momento, em que a busca de metais preciosos e de especiarias era prioritário para a consagração do projeto expansionista no qual Portugal se insere. Desta maneira, a lógica do sistema colonial orientava-se para a busca de matérias-primas e gêneros de primeira necessidade para que fossem transformados em manufaturados (note que, nesse período, ainda não se pode falar em industrialização, que será capitaneada pela Inglaterra no séc. XVIII), sendo as colônias uma reserva de mercado para tais produtos. Percebe-se ainda que tal mentalidade contribuía para que os europeus não percebessem e não respeitassem os valores culturais e econômicos dos povos nativos, o que gerou muitos conflitos e mortes (genocídio), além da tentativa de imposição dos valores europeus (etnocídio). Resposta: B 15. A Carta de Pero Vaz de Caminha evidencia a visão dos europeus sobre as terras recém-descobertas revelando ainda uma das motivações do projeto expansionista levado a cabo pelos portugueses no qual a Igreja teve importante papel. Logo, diante da frustração inicial por não terem encontrado metais preciosos, a Carta destaca como maior valor a catequese dos nativos. Resposta: A SUPERVISOR/DIRETOR: MARCELO – AUTOR: DAWISON SAMPAIO DIG.: CINTHIA – REV.: RITA CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// PROFESSOR(A): DAWISON SAMPAIO ASSUNTO: ADMINISTRAÇÃO COLONIAL FRENTE: HISTÓRIA I OSG.: 117376/17 AULA 02 EAD – MEDICINA Resumo Teórico ADMINISTRAÇÃO COLONIAL Introdução A. Por que colonizar o Brasil? – Crise do comércio das especiarias. – Constantes navegações estrangeiras. – Esperança de encontrar metais preciosos. B. Colonizar não é uma tarefa fácil. – Colonizar = povoar + administrar + defender + desenvolver + sistematizar. – Custo elevado x situação econômica de Portugal. ESTRUTURA ADMINISTRATIVA MONTADA NO BRASIL COLONIAL REI PODER CENTRAL – METRÓPOLE PODER CENTRAL – COLÔNIA PODER REGIONAL PODER LOCAL GOVERNO GERAL CAPITANIAS HEREDITÁRIAS CÂMARAS MUNICIPAIS Sistema de Capitanias Hereditárias - 1534 A. D. João III, O Colonizador, 1534. B. Causas: • Experiência nas ilhas do Atlântico. • A coroa transferia para os particulares as despesas da colonização. C. Documentos básicos. • Carta de Doação: Documento que definia as condições de posse da capitania. • Foral: era onde vinham detalhados os direitos e deveres dos donatários, além dos impostos e tributos a serem pagos. 9 Direitos – aplicar a justiça, escravizar índios e doar sesmarias. 9 Deveres – fundar povoados, cobrar impostos e defender o território. D. Participação de particulares: os donatários eram membros da baixa nobreza. E. Estrutura descentralizada: autonomia (doação das sesmarias) F. No Brasil houve feudalismo? 9 No feudalismo: a economia é voltada para o consumo interno, subsistência. 9 Nas capitanias visava o mercado externo. 9 No feudalismo: a mão de obra é basicamente servil. 9 Nas capitanias a mão de obra é essencialmente escrava. G. Razões do fracasso econômico do sistema. 9 Distância da metrópole. 9 Falta de recurso dos donatários. 9 Conflito com os índios. 9 Má administração. 9 Exceções: Pernambuco e São Vicente. Governo Geral (1548/1549) A. Objetivo: Criado com a função de coordenar e reerguer as capitanias hereditárias. B. Política centralizada – Regimento Geral ou Regimento de Tomé de Sousa. C.O Governo Geral não acabou com o sistema de Capitanias hereditárias (1759, fim da última capitania). D. Órgãos Auxiliares: 9 Ouvidor: Responsável pela justiça. 9 Provedor: Responsável pelas finanças ou fazenda. 9 Capitão: Pela defesa do litoral. Observação: Lembre que o Governo Geral não acabou com o sistema de Capitanias (1759, fim da última capitania). E. Primeiros Governadores • Tomé de Souza (1549 – 1553): 9 Desenvolvimento da agricultura e pecuária 9 Fundou a primeira cidade do Brasil (Salvador). 9 Criou o primeiro bispado. 9 Fundou o primeiro colégio (Cia. de Jesus). 9 Vinda dos padres jesuítas para o Brasil chefiados por Manuel da Nóbrega. 2F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// MÓDULO DE ESTUDO OSG.: 117376/17 • Duarte da Costa (1553 – 1558): 9 Fundação do Colégio São Paulo 9 Invasão dos franceses no Rio de Janeiro, fundando a França Antártica. • Mem de Sá (1558 – 1572): 9 Fundação da segunda cidade do Brasil: (Rio de Janeiro) 9 Expulsão dos franceses do RJ com a ajuda de seu sobrinho Estácio de Sá. Câmaras Municipais A. Representação do poder local. B. Primeira Câmara – São Vicente em 1532 C. As funções das Câmaras Municipais: 9 Estabelecer impostos e taxas, 9 Fixar o valor de moedas, salários e produtos, 9 Criar leis e aprovar a criação de povoados. D. Composição: aristocracia rural brasileira e lideranças religiosas – homens bons (homens brancos e ricos proprietários de terra). E. As Câmaras Municipais possuíam um espírito autonomista. F. Para limitar o poder das Câmaras Municipais foi criado o Conselho Ultramarino que objetivava a maior fiscalização portuguesa. Observação: Conflito à vista: As Câmaras Municipais possuíam um espírito autonomista, que questionava a política mercantilista portuguesa e a autoridade do Governo Geral. Conselho Ultramarino (1642) A. Após a restauração do trono português, D. João IV criou o Conselho Ultramarino em 1640, regulamentado em 1642. B. Foi um passo decisivo para a centralização administrativa colonial. C. Com o Conselho Ultramarino, os poderes dos donatários, que já haviam sido limitados com a criação do governo-geral, diminuíram sensivelmente. A ADMINISTRAÇÃO COLONIAL APÓS A RESTAURAÇÃO REI Conselho Ultramarino Governo Geral Donatarias Câmaras Municipais A Divisão Da Colônia: 9 1573 – 1578 – Grande extensão territorial. – Perigo de invasões. – Brasil do Norte (Salvador*). – Brasil do Sul (Rio de Janeiro*). 9 1621 – 1675 – Estado do Brasil (Salvador*). – Estado do Maranhão (São Luís*). A marca administrativa do Marquês de Pombal 9 Marquês de Pombal: representante do Despotismo Esclarecido em Portugal. 9 Tentativa de modernizar Portugal, diminuindo influência inglesa no país. 9 Estratégia: aumentar a exploração sobre o Brasil, combatendo a sonegação e o contrabando. 9 Aumento do controle administrativo. 9 Criação de companhias de comércio (reforço do monopólio). 9 Criação da Derrama. 9 Expulsão de Jesuítas de Portugal – destruição das missões no RS. Exercícios 01. (FGV/2008) “...se V.A. não socorre a essas capitanias e costas do Brasil, ainda que nós percamos a vida e fazendas, V.A. perderá o Brasil.” Carta, de 1548, enviada ao rei de Portugal, pelo capitão Luís de Góis, da capitania de São Vicente. O documento: A) mostra que São Paulo e São Vicente foram as duas únicas capitanias que não conseguiram prosperar. B) alerta a Coroa portuguesa a que mude com urgência a política, para não perder sua nova colônia. C) revela a disputa entre donatários, para convencer o Rei a enviar auxílio para suas respectivas capitanias. D) exagera o risco de invasão do território, quando não havia interesse estrangeiro de explorá-lo. E) demonstra a incapacidade dos primeiros colonizadores de estabelecer atividade econômica no território. 02. (Puccamp/2017) Do Brasil descoberto esperavam os portugueses a fortuna fácil de uma nova Índia. Mas o pau-brasil, única riqueza brasileira de simples extração antes da “corrida do ouro” do início do século XVIII, nunca se pôde comparar aos preciosos produtos do Oriente. (...) O Brasil dos primeiros tempos foi o objeto dessa avidez colonial. A literatura que lhe corresponde é, por isso, de natureza parcialmente superlativa. Seu protótipo é a carta célebre de Pero Vaz de Caminha, o primeiro a enaltecer a maravilhosa fertilidade do solo. MERQUIOR, José Guilherme. De Anchieta a Euclides − Breve história da literatura brasileira. Rio de Janeiro: José Olympio, 1977, p. 3-4) 3 F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// OSG.: 117376/17 MÓDULO DE ESTUDO A colonização portuguesa, no século XVI, se valeu de algumas estratégias para usufruir dos produtos economicamente rentáveis no território brasileiro, e de medidas para viabilizar a ocupação e administração do mesmo. São exemplos dessas estratégias e dessas medidas, respectivamente, A) a prática do escambo com os indígenas e a instituição de vice-reinos, comarcas, vilas e freguesias. B) a implementação do sistema de plantation no interior e a construção, por ordem da Coroa, de extensas fortalezas e fortes. C) a imposição de um vultoso pedágio aos navios corsários de distintas procedências e a instalação de capitanias hereditárias. D) a introdução da cultura da cana-de-açúcar com uso de trabalho compulsório e a instituição de um governo-geral. E) o comércio da produção das missões jesuíticas e a fundação da Companhia das Índias Ocidentais. 03. (Unesp/2014) Em 1534, a Coroa portuguesa estabeleceu o regime de capitanias hereditárias no Brasil Colônia. Entre as funções dos donatários, podemos citar A) a nomeação de funcionários e a representação diplomática. B) a erradicação de epidemias e o estímulo ao crescimento demográfico. C) a interação com os povos nativos e a repressão ao trabalho escravo. D) a organização de entradas e bandeiras e o extermínio dos indígenas. E) a fundação de vilas e cidades e a cobrança de impostos. 04. (UFTM/2012) Observe o mapa. O mapa faz alusão A) ao Tratado de Madri, que dividiu as terras americanas entre Portugal e Espanha, colocando fim a décadas de disputas. B) à estratégia imaginada pelos portugueses para enfrentar o avanço dos franceses sobre suas terras na América. C) ao Tratado de Tordesilhas e ao sistema de capitanias, doação hereditária feita pela coroa a colonos portugueses. D) à ação de Martim Afonso de Souza, encarregado de iniciar a colonização efetiva das terras brasileiras. E) ao sistema de sesmarias, utilizado pelos portugueses para garantir a posse da terra contra ameaças estrangeiras. 05. (Unifesp/2004.1) Entre os donatários das capitanias hereditárias (1531-1534), não havia nenhum representante da grande nobreza. Esta ausência indica que: A) a nobreza portuguesa, ao contrário da espanhola, não teve perspicácia com relação às riquezas da América. B) a Coroa portuguesa concedia à burguesia, e não à nobreza, os principais favores e privilégios. C) no sistema criado para dar início ao povoamento do Brasil, não havia nenhum resquício de feudalismo. D) na América portuguesa, ao contrário do que ocorreu na África e na Ásia, a Coroa foi mais democrática. E) as possibilidades de bons negócios aqui eram menores do que em Portugal e em outros domínios da Coroa. 06. (Uespi/2007) A dificuldade em ocupar do território o Brasil colônia fez Portugal criar o sistema de capitanias hereditárias para manter sua dominação. Com essa criação, Portugal: A) teve êxito econômico imediato, crescendo a produção de açúcar e a criação de gado. B) fortaleceu a centralização administrativa e a atuação das companhias de comércio inglesas. C) favoreceu a montagem da exploração econômica, protegendo mais a colônia contra ataques de inimigos. D) ajudou na expansão das expedições exploradoras, encarregadas de descobrir ouro e diamantes. E) ocupou a colônia de maneira uniforme, sem grandes conflitos com os indígenas. 07. (Mackenzie/2001) A divisão do Brasil em capitaniashereditárias não seria apenas a primeira tentativa oficial de colonização portuguesa na América, mas também a primeira vez que europeus transportaram um modelo civilizatório para o Novo Mundo. A esse respeito é correto afirmar que: A) o modelo implantado era totalmente desconhecido dos portugueses e cada donataria tinha reduzidas dimensões. B) representava uma experiência feudal em terras americanas, sem nenhum componente econômico mercantilista. C) atraiu sobretudo a alta nobreza pelas possibilidades de lucros rápidos. D) a coroa com sérias dívidas transferia, para os particulares, as despesas da colonização, temendo perder a colônia para os estrangeiros que ameaçavam nosso litoral. E) o sistema de capitanias fracassou e não deixou como consequências a questão fundiária e a estrutura social excludente. 08. (Enem/2012) A experiência que tenho de lidar com aldeias de diversas nações me tem feito ver, que nunca índio fez grande confiança de branco e, se isto sucede com os que estão já civilizados, como não sucederá o mesmo com esses que estão ainda brutos. NORONHA, M. Carta a J. Caldeira Brant. 2 jan. 1751. Apud CHAIM, M. M. Aldeamentos indígenas (Goiás: 1749-1811). São Paulo: Nobel, Brasília: INL, 1983. Adaptado. Em 1749, ao separar-se de São Paulo, a capitania de Goiás foi governada por D. Marcos de Noronha, que atendeu às diretrizes da política indigenista pombalina que incentivava a criação de aldeamentos em função A) das constantes rebeliões indígenas contra os brancos colonizadores, que ameaçavam a produção de ouro nas regiões mineradoras. B) da propagação de doenças originadas do contato com os colonizadores, que dizimaram boa parte da população indígena. C) do empenho das ordens religiosas em proteger o indígena da exploração, o que garantiu a sua supremacia na administração colonial. D) da política racista da Coroa Portuguesa, contrária à miscigenação, que organizava a sociedade em uma hierarquia dominada pelos brancos. E) da necessidade de controle dos brancos sobre a população indígena, objetivando sua adaptação às exigências do trabalho regular. 4F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// MÓDULO DE ESTUDO OSG.: 117376/17 09. (UFMG/2010) Leia este trecho do documento: Eu el-rei faço saber a vós [...] fidalgo de minha casa que vendo eu quanto serviço de Deus e meu é conservar e enobrecer as capitanias e povoações das terras do Brasil e dar ordem e maneira com que melhor e seguramente se possam ir povoando para exaltamento da nossa santa fé e proveito de meus reinos e senhorios e dos naturais deles ordenei ora de mandar nas ditas terras fazer uma fortaleza e povoação grande e forte em um lugar conveniente para daí se dar favor e ajuda às outras povoações e se ministrar justiça e prover nas coisas que cumprirem a meus serviços e aos negócios de minha fazenda e a bem das partes [...] É correto afirmar que, nesse trecho de documento, se faz referência A) à criação do Governo-Geral, com sede na Bahia. B) à implantação do Vice-Reinado no Rio de Janeiro. C) à implementação da Capitania-sede em São Vicente. D) ao estabelecimento de Capitanias Hereditárias, no Nordeste. 10. (Unifesp/2008) Encerrado o período colonial no Brasil, entre as várias instituições que a metrópole implantou no país, uma sobreviveu à Independência. Trata-se das A) Províncias gerais. B) Milícias rurais. C) Guardas nacionais. D) Câmaras Municipais. E) Cortes de justiça. 11. (Ufal/2009) Como o sistema de capitanias gerais não conseguiu sucesso na colonização do Brasil, devido a várias dificuldades, Portugal resolveu organizar o governo-geral, que: A) centralizou a exploração econômica e reorganizou a administração das riquezas até 1822. B) conseguiu superar certos obstáculos e evitar, sem maiores dificuldades, o isolamento das capitanias. C) teve o cuidado de fortalecer a colônia contra as invasões estrangeiras e de melhorar as relações com os indígenas. D) se chocou com os objetivos da Igreja Católica, preocupada com a libertação dos nativos e dos escravos. E) manteve a dominação portuguesa de forma violenta, fracassando, no entanto, na superação das dificuldades já existentes. 12. (PUC-MG/2006) A expressão “Círculo de ferro da opressão colonial”, do historiador Caio Prado Jr., sintetiza admiravelmente a nova política adotada por Portugal com o fim da União Ibérica, em 1640. Com relação a essa nova política administrativa, é correto afirmar: A) O Conselho Ultramarino se tornou o órgão supremo da administração responsável por todos os negócios das colônias portuguesas. B) As Câmaras Municipais se tornaram soberanas e independentes expressando o poder máximo dos grandes senhores rurais. C) A Intendência do Ouro, órgão especial de arrecadação tributária, passou a se subordinar diretamente ao controle do governador da Capitania das Gerais. D) Os Capitães donatários adquirem mais prestígio, principalmente, após a instalação do Vice-Reinado na América portuguesa. 13. (Fatec/2005) O papel das Câmaras Municipais, durante o Brasil Colônia, foi o de: A) criar um sistema administrativo próprio, capaz de suprir a falta de experiência dos donatários. B) ter completa autonomia jurídico-administrativa para levar adiante os negócios públicos. C) contribuir para acabar com os frequentes atritos entre colonos e capitães donatários. D) consolidar a colonização por meio de uma política administrativa local. E) unificar o sistema de governo das capitanias, valendo-se de um juiz ordinário, nomeado pela Coroa, para supervisioná-las. 14. (ENCCEJA) Perde-se o Brasil, Senhor (...) porque alguns ministros de Sua Majestade não vêm cá buscar o nosso bem, vêm buscar nossos bens. (...) Esse tomar o alheio, ou seja, o do Rei ou o dos povos, é a origem da doença da colônia brasileira. Adaptado de Padre Antônio Vieira, século XVII, in FAORO, R. Os donos do poder. S. Paulo: Globo, 1991. De acordo com o Padre Antônio Vieira, no século XVII, o maior problema da colônia brasileira era A) o abuso do poder do Rei de Portugal. B) a corrupção praticada por ministros portugueses. C) a doença causada pela ignorância do povo. D) o mau aproveitamento das riquezas pelo povo. 15. (Fuvest/2001) “Eu, el-rei D. João lII, faço saber a vós, Tomé de Sousa, fidalgo da minha casa que ordenei mandar fazer nas terras do Brasil uma fortaleza e povoação grande e forte na Baía de Todos-os-Santos. (...) Tenho por bem enviar-vos por governador das ditas terras do Brasil.” “Regimento de Tomé de Sousa”, 1549 As determinações do rei de Portugal estavam relacionadas A) à necessidade de colonizar e povoar o Brasil para compensar a perda das demais colônias agrícolas portuguesas do Oriente e da África. B) aos planos de defesa militar do Império português para garantir as rotas comerciais para a Índia, Indonésia, Timor, Japão e China. C) a um projeto que abrangia conjuntamente a exploração agrícola, a colonização e a defesa do território. D) aos projetos administrativos da nobreza palaciana visando à criação de fortes e feitorias para atrair missionários e militares ao Brasil. E) ao plano de inserir o Brasil no processo de colonização escravista semelhante ao desenvolvido na África e no Oriente. Anotações SU PE RV IS O R/ D IR ET O R: M ar ce lo P en a – A U TO R: D aw is on S am pa io D IG .: Re na n O liv ei ra – R EV .: Ri ta d e C ás si a F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// RESOLUÇÃORESOLUÇÃO OSG.: 117377/17 HISTÓRIA I ADMINISTRAÇÃO COLONIAL AULA02 EXERCÍCIOS 01. O texto datado de 1548 é um pedido de auxílio e nos remete às dificuldades encontradas pelos donatários para efetivar a posse da terra como emissários que eram da Coroa, pois eram cada vez mais frequentes a presença de estrangeiros que ignoravam as determinações do Tratado de Tordesilhas e, desta forma, o risco de perder a terra era iminente, sugerindo uma maior presença militar em terras brasileiras.Essas condições, somadas ao fracasso econômico da maior parte das capitanias, levaria o Rei a criar o Governo-Geral neste mesmo período. Resposta: B 02. Em paralelo montagem à do equipamento administrativo no Brasil (Capitanias e posteriormente Governo-Geral), Portugal buscou viabilizar a colonização do território mediante a exploração de gêneros que se enquadrassem na lógica comercial mercantilista. Diante da frustração inicial por não terem encontrado metais preciosos, os portugueses se voltaram para a produção da cana-de-açúcar estruturada nos moldes do plantation (latifúndio, monocultor, escravista e exportador) Resposta: D 03. A escolha do sistema de capitanias hereditárias atendia bem aos interesses portugueses, primeiro porque os lusitanos já tinham uma certa experiência no uso desse sistema (ilhas do Atlântico), segundo porque, na prática, a responsabilidade (entenda-se custos também) de colonizar passava a ser do donatário. Em troca, os donatários desfrutavam de um alto grau de autonomia na administração dos territórios a eles confiados. Essa articulação entre os deveres e direitos dos donatários era definida nos Forais que estabeleciam, entre outras coisas, ao capitão donatário o direito de fundar vilas e cidades, cobrar impostos e doar sesmarias. Resposta: E 04. O pioneirismo ibérico exigiu a delimitação de fronteiras das áreas descobertas a fim de evitar confronto entre as potências coloniais. Nesse contexto, surgia o Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494. Sua linha imaginária distaria 370 léguas da ilha de Cabo Verde, sendo a leste possessões portuguesas e a oeste possessões espanholas. Com a chegada dos portugueses ao Brasil em 1500 e passados os trinta anos iniciais de relativo desinteresse pelas novas terras, veio a expedição de Martim Afonso de Sousa, denominada de colonizadora, em 1530, mas foi somente em 1534 que efetivamente foi implantado, a partir da experiência portuguesa, o sistema de capitanias hereditárias que se vê demarcado no mapa oferecido na questão. Resposta: C 05. Com a implantação do sistema de Capitanias Hereditárias, em 1534, portugueses oriundos da pequena nobreza, funcionários do Estado e comerciantes, possuindo em comum vínculos com a Coroa, tornaram-se donatários. A ausência inicial de elementos da grande nobreza se justifica pela falta de atrativos econômicos no Brasil que superassem as perspectivas de lucros do comércio oriental. Embora não possamos dizer que a implantação do sistema de capitanias representou uma transplantação do modelo feudal para o Brasil, já que o tipo de mão de obra e a função econômica das capitanias se diferenciava do feudo, não podemos deixar de observar algumas semelhanças, especialmente no caráter essencialmente agrícola e no alto grau de autonomia que possuíam os donatários. Resposta: E 06. Mesmo enfrentando grandes dificuldades, devemos destacar a importante contribuição do sistema de capitanias hereditárias na efetivação do projeto colonizador português no Brasil. Vale lembrar que o sistema que concedia alto grau de autonomia também impunha algumas obrigações aos donatários, dentre as quais a de garantir a segurança e de viabilizar a exploração econômica. Ainda que o sistema não viabilizasse uma ocupação homogênea do vasto território, tendo a mesma se dado mais na faixa litorânea e mediante o fracasso econômico da maior parte das unidades, os portugueses conseguiram, com base nesse modelo administrativo, alguns importantes objetivos estratégicos em seu projeto colonizador, especialmente no que se à refere defesa do território. Resposta: C 07. A adoção do sistema de Capitanias Hereditárias em, 1534, no Brasil se explica pela realidade histórica vivida por Portugal que, desgastada pelo declínio do comércio oriental, buscava uma alternativa econômica para aliviar seu quadro de crise. A decisão pela efetiva colonização do Brasil se deu também pela constante presença estrangeira que ameaçava as possessões lusitanas no Novo Mundo. O sistema já experimentado trazia como vantagem a transferência de boa parte dos custos para particulares escolhidos pelo rei para administrar os lotes por ele divididos. Ainda que se encontre certa semelhança entre o sistema de capitanias hereditárias e o modelo feudal, especialmente no que se refere à estrutura descentralizada e à economia de caráter essencialmente agrário, entre os dois encontramos substanciais diferenças. Diferente do feudo que, a rigor, cumpria uma função de subsistência sustentado no trabalho servil, a economia colonial, na qual se inserem as capitanias, era voltada para a produção destinada à exportação e sustentada pelo trabalho escravo. O fato de muitos dos donatários, membros em geral da baixa nobreza, terem poucos recursos, somado à inexperiência administrativa e à falta de uma maior fiscalização, levaram ao fracasso da maior parte das capitanias. Finalmente, devemos lembrar como a distribuição das capitanias e a doção de sesmarias pelos donatários contribuíram para a construção de uma estrutura fundiária concentradora e excludente. Resposta: D 2 F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// OSG.: 117377/17 RESOLUÇÃO – HISTÓRIA I 08. A Era Pombalina caracterizou-se por forte política nacionalista portuguesa, que precisava confirmar o poder do Estado Absolutista. O Governo Lusitano de D. José I criou decisões que enfrentavam a influência dos Jesuítas e que buscavam aumentar a procura por riquezas, no intuito de financiar o reerguimento de Portugal. A consolidação do poder estatal nacionalista, o crescimento do colonialismo e a aceleração de uma economia diversificada em solo português inserem a Era Pombalina no “Despotismo Esclarecido”. Resposta: E 09. O fragmento oferecido na questão faz parte de um importante documento da vida administrativa do Brasil colonial. Trata-se do Regimento Geral em que o Rei atribui a Tomé de Sousa a responsabilidade de fundar o Governo-Geral no Brasil, com sede em Salvador. Sua implantação faz parte de um contexto marcado pelo fracasso econômico da maior parte das capitanias hereditárias e pelo risco iminente de “invasores” se fixarem no Brasil, notadamente franceses. Resposta: A 10. De fato, ainda hoje, podemos comprovar a atuação das Câmaras Municipais como órgão administrativo ligado ao poder local. Atualmente é formada por vereadores com número variando proporcionalmente à população da cidade. Convém lembrar que essa instituição criada nos primórdios da colonização, mais precisamente em 1532 quando da criação da vila de São Vicente, continuou existindo mesmo depois da Independência em 1822. Resposta: D 11. O Governo-Geral foi o dispositivo administrativo criado em 1548 pelos portugueses na tentativa de recuperar a economia colonial, ante ao fracasso das capitanias hereditárias, mas que também tinha a função de promover a estabilidade interna buscando relações mais amistosas com os índios (tendo os jesuítas importante papel neste sentido), além de garantir a segurança do território, ante as ameaças constantes de invasões de europeus não portugueses. O Governo-Geral que perdurou até 1808, quando da chegada da Corte ao Brasil, a despeito da centralização política que aplicou, encontrou enormes dificuldades para concretizar, pelo menos em parte, seus objetivos. Resposta: C 12. Com a criação do Governo-Geral em 1548, a Coroa portuguesa pretendia imprimir um maior controle da colônia brasileira submetendo os donatários ao poder do Governador-Geral. Porém, em 1580, ante aos problemas de sucessão do trono, Portugal foi submetido á tutela espanhola, o que ficou conhecido como União Ibérica, tendo durado até 1640, período em que o controle sobre a colônia ficou relativamente prejudicado. Após a Guerra de Restauração em 1640, Portugal materializou seu desejo de estabelecer o pleno controle sobre as atividades coloniais com a criação do Conselho Ultramarino. Além de regulamentar os monopólios, o Conselho diminuiu sensivelmente o poder das CâmarasMunicipais, que possuíam um espírito autonomista, com a criação do cargo de Juiz de Fora. Resposta: A 13. Transplantadas para as áreas coloniais, as Câmaras Municipais eram representações da administração voltadas para o provimento das necessidades locais (municipais), sendo a primeira em São Vicente em 1532, assumindo as mais variadas funções neste nível, que iam desde cuidar da limpeza e conservação pública até a questão dos impostos e da nomeação de funcionários. A participação neste órgão era restrita a um grupo seleto a que a historiografia convencionou chamar de homens bons (grandes proprietários de terras e membros do Clero). Resposta: D 14. É inegável que os portugueses enfrentaram enormes dificuldades econômicas, administrativas e até mesmo militares para efetivar a colonização do Brasil. Não alheio a tudo isso, o texto traz uma situação que historicamente tem sido um dos maiores entraves ao desenvolvimento do Brasil. Trata-se da corrupção, em que o cargo público é usado não em benefício da sociedade mas em proveito próprio. Resposta: B 15. A criação do Governo-Geral, em 1548, decorre do insucesso econômico da maior parte das capitanias devido a inúmeros fatores, dentre os quais a falta de recursos dos donatários e a má administração das áreas concedidas pela Coroa. Note que a criação do Governo-Geral não extinguiu as capitanias, apenas eliminou boa parte da autonomia de que desfrutavam os donatários. Como prova disso, estava entre as funções do Governador-Geral, a de dar favor e auxílio às capitanias. Dessa forma, por indicação estratégica, que se observa nas determinações reais, foi montada a sede da nova administração na Bahia. Resposta: C SUPERVISOR/DIRETOR: Marcelo Pena – AUTOR: Dawison Sampaio DIG.: Renan Oliveira – REV.: Rita de Cássia FRENTE: HISTÓRIA I PROFESSOR: DAWISON SAMPAIO ASSUNTO: ECONOMIA E SOCIEDADE AÇUCAREIRA OSG.: 117385/17 CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS EAD – MEDICINA AULA 03 AGROMANUFATURA AÇUCAREIRA 1. Introdução 2. Montagem da empresa açucareira 9 9 9 SOCIEDADE COLONIAL 1. Introdução 2. Sociedade açucareira 9 9 9 9 9 2 OSG.: 117385/17 MÓDULO DE ESTUDO 3. Comunidade indígena – coletivismo 9 9 9 4. Branco europeu. 9 9 9 5. O Negro e a questão da mão de obra 3 OSG.: 117385/17 MÓDULO DE ESTUDO 4 OSG.: 117385/17 MÓDULO DE ESTUDO 5 OSG.: 117385/17 MÓDULO DE ESTUDO SG.: 117386/17 DISCIPLINA ECONOMIA E SOCIEDADE AÇUCAREIRA AULA 03 EXERCÍCIOS RESOLUÇÃO RESOLUÇÃO – DISCIPLINA 2 OSG.: 117386/17 RESOLUÇÃO – DISCIPLINA 3 OSG.: 117386/17 CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// PROFESSOR(A): DAWISON SAMPAIO ASSUNTO: MINERAÇÃO E PRODUTOS COMPLEMENTARES FRENTE: HISTÓRIA I OSG.: 117401/17 AULA 04 EAD – MEDICINA Resumo Teórico Mineração Fu nd aç ão B ib lio te ca N ac io na l R io d e Ja ne iro Lavagem de diamantes em Serro Frio, MG, por Carlos Julião, c. 1770. 1) Período: Século XVIII na região de MG, MT e GO. 2) Ação dos Bandeirantes. • A construção mítica dos bandeirantes: heróis desbravadores × vilões assassinos. 3) Para onde foi o ouro brasileiro? • Tratado de Methuem (1703): “O ouro brasileiro deixou buracos no Brasil, templos em Portugal e fábricas na Inglaterra.“ (Eduardo Galeano). 4) Tipos básicos de exploração • Faiscação: percorriam o leito dos rios, possibilidade de mão de obra livre, exploração rudimentar. • Lavra: grande propriedade, predomínio de mão de obra escrava, uso de recursos tecnológicos. 5) Fiscalização: • Intendência de Minas – 1702 (distribuição das datas) • Casas de Fundição – 1719/1720 – fundição do ouro 6) Cobrança de impostos • Quinto: 20% da produção • Captação: 17g de ouro por escravo (1715 -51) • Derrama: o Quinto foi fixado em 100 arrobas, posteriormente passou a ser cobrada a Derrama aos que não atingissem a meta. Observação: Lembre que com o aumento da tributação a insatisfação aumenta. Ex. Revolta de Vila Rica e Inconfidência Mineira. 7) O Distrito Diamantino • Maior controle de PORTUGAL. (M. de Pombal) • Até 1740 cobrava-se normalmente o Quinto. (Livre extração). • A partir de 1740: Monopólio Real – Concessão de contrato. – O Contratador pagava antecipado o Quinto. • A partir de 1771: Real extração – monopólio de Portugal. 8) Principais consequências da Mineração para o Brasil Colonial a) Aumento populacional. b) Aparecimento concreto de um segmento médio na sociedade. c) Maior mobilidade social. d) Ativação do mercado interno. e) O referencial de status na sociedade passou a ser também a posse de dinheiro. f) Aparecimento concreto de núcleos urbanos. g) Mudança do pólo econômico do Nordeste para o Centro-Sul. h) Mudança da capital do Brasil de Salvador para o Rio de Janeiro. i) Melhoria nas estradas e nas comunicações. j) Incentivo às artes (barroco). k) Maior exploração da mão de obra escrava. Produtos Complementares 1) Pecuária Re pr od uç ão /M us eu C as tr o M ai a Cena da Província do Rio Grande do artista Jean Baptista Debret. A. Economia complementar da cana-de-açúcar e mineração. B. Atividade essencialmente voltada para o mercado interno. C. Responsável pela ocupação do sertão nordestino: Penetração do gado para o interior: Formação do CE, PB, PI, SE e AL. D. Fatores favoráveis no Nordeste e principalmente no Ceará. • Investimento inicial era baixo (comparado a outras atividades) • Necessitava de pequena disponibilidade de mão de obra. • Disponibilidade de terra. (Doação de sesmaria) • O Ceará foi favorecido pela adaptação do gado à caatinga, salinização do solo e a abundância de pastagens. 2F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// MÓDULO DE ESTUDO OSG.: 117401/17 E. Uso de mão de obra livre: • Por que não o trabalho escravo? • Facilidade das fugas, • Economia que exigia mais atenção e zelo. • Custo da mão de obra escrava. • O símbolo de resistência nordestina – o Vaqueiro. • Sistema de quartiamento – recebia o pagamento em espécie (1/4) dos animais nascidos vivos. • A “civilização do couro”: além de fornecer carne e leite, o couro do gado passou a ser usado na fabricação de quase tudo que era necessário para vingar a vida no isolamento do sertão. • Sociedade rústica, conservadora, machista e católica. 2) Outros Produtos A. Algodão: contexto da Revolução Industrial – Maranhão e Ceará; plantation. B. Drogas do sertão: ocupação do Norte: Drogas do sertão, comando dos jesuítas e uso de mão de obra indígena. C. Tabaco: Produto complementar da cana, Bahia, plantation, era um importante moeda de troca por escravos. Exercícios 01. (Unesp/2017) Em meados do século o negócio dos metais não ocuparia senão o terço, ou bem menos, da população. O grosso dessa gente compõe-se de mercadores de tenda aberta, oficiais dos mais variados ofícios, boticários, prestamistas, estalajadeiros, taberneiros, advogados, médicos, cirurgiões-barbeiros, burocratas, clérigos, mestres-escolas, tropeiros, soldados da milícia paga. Sem falar nos escravos, cujo total, segundo os documentos da época, ascendia a mais de cem mil. A necessidade de abastecer-se toda essa gente provocava a formação de grandes currais; a própria lavoura ganhava alento novo. Sérgio Buarque de Holanda. “Metais e pedras preciosas”. História geral da civilização brasileira, vol. 2, 1960. Adaptado. De acordo com o excerto, é correto concluir que a extração de metais preciosos em Minas Gerais no século XVIII A) impediu o domínio do governo metropolitano nas áreas de extração e favoreceu a independência colonial. B) bloqueou a possibilidade de ascensão social na colônia e forçou a alta dos preços dos instrumentos de mineração. C) provocou um processo de urbanização e articulou a economia colonial em torno da mineração. D) extinguiu a economiacolonial agroexportadora e incorporou a população litorânea economicamente ativa. E) restringiu a divisão da sociedade em senhores e Escravos e limitou a diversidade cultural da colônia. 02. (Fuvest/2013) A economia das possessões coloniais portuguesas na América foi marcada por mercadorias que, uma vez exportadas para outras regiões do mundo, podiam alcançar alto valor e garantir, aos envolvidos em seu comércio, grandes lucros. Além do açúcar, explorado desde meados do século XVI, e do ouro, extraído regularmente desde fins do XVII, merecem destaque, como elementos de exportação presentes nessa economia: A) tabaco, algodão e derivados da pecuária. B) ferro, sal e tecidos. C) escravos indígenas, arroz e diamantes. D) animais exóticos, cacau e embarcações. E) drogas do sertão, frutos do mar e cordoaria. 03. (FGV/2014) O trabalho escravo nas minas tinha singularidade, era uma realidade bem distinta das áreas agrícolas. O complexo meio social lhe permitia maior iniciativa e mobilidade. Neusa Fernandes, A Inquisição em Minas Gerais no século XVIII. p. 66. Acerca da singularidade citada, é correto afirmar: A) O Regimento das Minas, publicado em 1702, determinava que depois de sete anos de cativeiro, os escravos da mineração seriam automaticamente alforriados. B) A presença de escravos nas regiões mineiras foi pequena, pois a especialização da exploração do ouro exigia um número reduzido de trabalhadores. C) A dinâmica da economia mineira, no decorrer do século XVIII, comportou o aumento do número das alforrias pagas, gratuitas ou condicionais. D) A exploração aurífera nas Minas Gerais organizava-se por meio de grandes empresas, o que impediu a formação de quilombos na região. E) A preponderância do trabalho livre na mineração do século XVIII permitiu melhores condições de vida para os escravos indígenas e africanos. 04. (Puccamp/2016) Também no Brasil o século XVIII é momento da maior importância, fase de transição e preparação para a Independência. Demarcada, povoada, defendida, dilatada a terra, o século vai lhe dar prosperidade econômica, organização política e administrativa, ambiente para a vida cultural, terreno fecundo para a semente da liberdade. (...) A literatura produzida nos fins do século XVIII reflete, de modo geral, esse espírito, podendo- se apontar a obra de Tomás Antônio Gonzaga como a sua expressão máxima. COUTINHO, Afrânio. Introdução à Literatura no Brasil. Rio de Janeiro: EDLE, 1972, 7. Ed. p. 127 e p. 138. É correto afirmar que, no século a que o texto de Afrânio Coutinho se refere, a mineração, ao atuar como polo de atração econômica, A) foi responsável pela entrada no país de uma grande quantidade de produtos sofisticados que incentivou a criação de uma estrutura para o desenvolvimento da indústria nacional. B) reforçou os laços de dependência e monopólio do sistema colonial ao garantir aos comerciantes portugueses o comércio de importação e exportação e impedir a concorrência nacional. C) promoveu a descentralização administrativa colonial para facilitar o controle da produção pela metrópole e fez surgir o movimento de interiorização conhecido como bandeirismo de contrato. D) iniciou o processo de integração das várias regiões até então dispersas e desarticuladas e fez surgir um fenômeno antes desconhecido na colônia: a formação de um mercado interno. E) alterou qualitativamente o sistema social pois, ao estimular a entrada de imigrantes, promoveu a transformação dos antigos senhores de terras e minas em capitães de indústria brasileira. 05. (UFSM/2015) 3 F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// OSG.: 117401/17 MÓDULO DE ESTUDO A igreja de São Francisco (foto), construída em Ouro Preto no século XVIII, é um marco do barroco e da arquitetura brasileira. O contexto histórico que explica a realização dessa obra é criado pelo(a) A) crise do sistema colonial e eclosão das revoltas regenciais. B) deslocamento do centro administrativo da Colônia para a cidade de Ouro Preto. C) exploração econômica das minas de ouro e consolidação da agricultura canavieira. D) ciclo da mineração e decorrente diversificação do sistema produtivo. E) distanciamento em relação a autoridade colonial e consequente maior liberdade de expressão. 06. (Fuvest/2010) “E o pior é que a maior parte do ouro que se tira das minas passa em pó e em moeda para os reinos estranhos e a menor quantidade é a que fica em Portugal e nas cidades do Brasil...” João Antonil. Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas, 1711. Essa frase indica que as riquezas minerais da colônia A) produziram ruptura nas relações entre Brasil e Portugal. B) foram utilizadas, em grande parte, para o cumprimento do Tratado de Methuen entre Portugal e Inglaterra. C) prestaram-se, exclusivamente, aos interesses mercantilistas da França, da Inglaterra e da Alemanha. D) foram desviadas, majoritariamente, para a Europa por meio do contrabando na região do rio da Prata. E) possibilitaram os acordos com a Holanda que asseguraram a importação de escravos africanos. 07. (Unicamp/2011) A arte colonial mineira seguia as proposições do Concílio de Trento (1545-1553), dando visibilidade ao catolicismo reformado. O artífice deveria representar passagens sacras. Não era, portanto, plenamente livre na definição dos traços e temas das obras. Sua função era criar, segundo os padrões da Igreja, as peças encomendadas pelas confrarias, grandes mecenas das artes em Minas Gerais. Adaptado de Camila F. G. Santiago, “Traços europeus, cores mineiras: três pinturas coloniais inspiradas em uma gravura de Joaquim Carneiro da Silva”, em Junia Furtado (org.), Sons, formas, cores e movimentos na modernidade atlântica. Europa, Américas e África. São Paulo: Annablume, 2008, p. 385. Considerando as informações do enunciado, a arte colonial mineira pode ser definida como A) renascentista, pois criava na colônia uma arte sacra própria do catolicismo reformado, resgatando os ideais clássicos, segundo os padrões do Concílio de Trento. B) barroca, já que seguia os preceitos da Contrarreforma. Era financiada e encomendada pelas confrarias e criada pelos artífices locais. C) escolástica, porque seguia as proposições do Concílio de Trento. Os artífices locais, financiados pela Igreja, apenas reproduziam as obras de arte sacra europeias. D) popular, por ser criada por artífices locais, que incluíam escravos, libertos, mulatos e brancos pobres que se colocavam sob a proteção das confrarias. 08. (UFG/2012) No século XVIII, um dos instrumentos utilizados para a extração de ouro em Goiás foi a bateia: um prato na forma de cone, com o qual os mineradores executavam um movimento circular, separando o solo proveniente do leito dos rios e o ouro. A utilização desse instrumento na atividade mineradora A) demonstrava o interesse pelo desenvolvimento técnico da mineração, com inserção de mecanismos de retardamento do processo de decantação. B) demandava mão de obra especializada, capaz de estabelecer critérios de contraste entre translucidez aurífera e opacidade da bateia. C) isentava a obrigatoriedade régia da fundição do ouro, ao facilitar a extração do minério, quando exposto ao sol, por meio da refração. D) dispensava a utilização de outros instrumentos de trabalho, tendo em vista a eficiência do processo de decantação aplicado ao sistema de extração. E) tornava o trabalho nas minas desgastante, pois havia a exigência constante em produzir um processo de centrifugação na bateia. 09. (PUC-RS/2009.2) No século XVI, a economia do Brasil colonial era voltada à monocultura de exportação da cana-de-açúcar. Outras atividades econômicas complementares contribuíram também para a manutenção deste modelo, tais como A) pecuária, fumo, mandioca e algodão. B) drogas do sertão, hortaliças e gado. C) avicultura, café e algodão. D) café, indústria de pequeno porte e fumo. E) mandioca, suinocultura e artesanato.10. (Fuvest/2009) A criação, em território brasileiro, de gado e de muares (mulas e burros), na época da colonização portuguesa, caracterizou-se por: A) ser independente das demais atividades econômicas voltadas para a exportação. B) ser responsável pelo surgimento de uma nova classe de proprietários que se opunham à escravidão. C) ter estimulado a exportação de carne para a metrópole e a importação de escravos africanos. D) ter-se desenvolvido, em função do mercado interno, em diferentes áreas no interior da colônia. E) ter realizado os projetos da Coroa portuguesa para intensificar o povoamento do interior da colônia. 11. (Vunesp/2008) Entre aproximadamente 1770 e 1830, a região maranhense conheceu um ciclo de prosperidade econômica, graças A) à produção e exportação do algodão, matéria-prima então muito requisitada por causa da Revolução Industrial em curso na Inglaterra. B) à criação da pecuária e à indústria do charque, para abastecer o mercado interno então em expansão por causa da crise do sistema colonial. C) ao extrativismo dos produtos florestais, cuja demanda pelo mercado internacional teve lugar exatamente naquele momento. D) à produção e exportação de arroz, cacau e fumo, cujos produtos começaram a ter aceitação no mercado mundial de matérias-primas. E) à produção e exportação do açúcar, o qual, com o aumento da demanda, exigiu novas áreas de cultivo, além da nordestina. 12. (Enem/2010) Os tropeiros foram figuras decisivas na formação de vilarejos e cidades do Brasil colonial. A palavra tropeiro vem de “tropa” que, no passado, se referia ao conjunto de homens que transportava gado e mercadoria. Por volta do século XVIII, muita coisa era levada de um lugar a outro no lombo de mulas. O tropeirismo acabou associado à atividade mineradora, cujo auge foi a exploração de ouro em Minas Gerais e, mais tarde, em Goiás. A extração de pedras preciosas também atraiu grandes contingentes populacionais para as novas áreas e, por isso, era 4F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// MÓDULO DE ESTUDO OSG.: 117401/17 cada vez mais necessário dispor de alimentos e produtos básicos. A alimentação dos tropeiros era constituída por toucinho, feijão preto, farinha, pimenta-do-reino, café, fubá e coité (um molho de vinagre com fruto cáustico espremido). Nos pousos, os tropeiros comiam feijão quase sem molho com pedaços de carne de sol e toucinho, que era servido com farofa e couve picada. O feijão tropeiro é um dos pratos típicos da cozinha mineira e recebe esse nome porque era preparado pelos cozinheiros das tropas que conduziam o gado. Disponível em <http://www.tribunadoplanalto.com.br.> Acesso em: 27 nov. 2008. A criação do feijão tropeiro na culinária brasileira está relacionada à A) atividade comercial exercida pelos homens que trabalhavam nas minas. B) atividade culinária exercida pelos moradores cozinheiros que viviam nas regiões das minas. C) atividade mercantil exercida pelos homens que transportavam gado e mercadoria. D) atividade agropecuária exercida pelos tropeiros que necessitavam dispor de alimentos. E) atividade mineradora exercida pelos tropeiros no auge da exploração do ouro. 13. (Enem/2006) No princípio do século XVII, era bem insignificante e quase miserável a Vila de São Paulo. João de Laet dava-lhe 200 habitantes, entre portugueses e mestiços, em 100 casas; a Câmara, em 1606, informava que eram 190 os moradores, dos quais 65 andavam homiziados*. *homiziados: escondidos da justiça. Nelson Werneck Sodré. Formação histórica do Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1964. Na época da invasão holandesa, Olinda era a capital e a cidade mais rica de Pernambuco. Cerca de 10% da população, calculada em aproximadamente 2.000 pessoas, dedicavam-se ao comércio, com o qual muita gente fazia fortuna. Cronistas da época afirmavam que os habitantes ricos de Olinda viviam no maior luxo. Hildegard Féist. Pequena história do Brasil holandês. São Paulo: Moderna, 1998 (com adaptações). Os textos acima retratam, respectivamente, São Paulo e Olinda no início do século XVII, quando Olinda era maior e mais rica. São Paulo é, atualmente, a maior metrópole brasileira e uma das maiores do planeta. Essa mudança deveu-se, essencialmente, ao seguinte fator econômico: A) Maior desenvolvimento do cultivo da cana-de-açúcar no planalto de Piratininga do que na Zona da Mata Nordestina. B) Atraso no desenvolvimento econômico da região de Olinda e Recife, associado à escravidão, inexistente em São Paulo. C) Avanço da construção naval em São Paulo, favorecido pelo comércio dessa cidade com as Índias. D) Desenvolvimento sucessivo da economia mineradora, cafeicultura e industrial no Sudeste. E) Destruição do sistema produtivo de algodão em Pernambuco quando da ocupação holandesa. 14. (Mackenzie/2009) “De todas as colônias inglesas, a melhor é o reino de Portugal” Dito popular, Portugal – século XVIII, citado por Teixeira, F. M. P., Brasil História e Sociedade. Assinale a alternativa que explica, corretamente, a afirmação acima. A) As relações econômico-comerciais entre Inglaterra e Portugal estavam baseadas no Pacto Colonial, o que garantia vultosos lucros aos ingleses. B) A Inglaterra participava dos lucros da mineração brasileira, visto as trocas comerciais favoráveis a ela, estabelecidas com Portugal pelo Tratado de Methuen. C) O declínio do setor manufatureiro em Portugal, decorrente do Embargo Espanhol, tornou a economia lusa altamente dependente das exportações agrícolas inglesas. D) A Revolução Industrial inglesa foi possível, graças à importação de matéria-prima barata proveniente de Portugal. E) Portugal e Inglaterra eram parceiros no comércio com as colônias portuguesas na Ásia, entretanto o transporte era realizado por navios ingleses, o que lhes garantia maior participação nos lucros daí advindos. 15. (Cesgranrio/2010) Analise os dados relativos ao século XVIII apresentados no quadro a seguir. OS ALTOS PREÇOS COBRADOS NAS MINAS Mercadorias Valor em São Paulo Valor nas Minas 1 cavalo 10 mil réis 120 mil réis 1 libra de açúcar 120 réis 1.200 réis 1 boi de corte 2 mil réis 120 mil réis FREIRE, Américo e outros. História em curso – O Brasil e suas relações com o mundo ocidental. Rio de Janeiro: FGV, 2008, p. 91. A justificativa das cifras apresentadas é que A) os preços das mercadorias em São Paulo tornaram-se os menores do Brasil com a urbanização e o povoamento das regiões mineradoras, já que os trabalhadores e, consequentemente, os consumidores migraram para o interior da colônia. B) os preços tornaram-se elevados na região das Minas, devido à necessidade de abastecimento da população em crescimento, à dificuldade de acesso à região e à pequena disponibilidade de mão de obra, empregada preferencialmente na mineração. C) os preços tornaram-se exorbitantes na área da mineração porque não havia disponibilidade de mão de obra na região mineira, já que a escravidão era proibida e todo e qualquer trabalho deveria ser assalariado ou contratado. D) os preços elevados dos alimentos e do transporte na região das Minas serviu como atrativo para a manutenção da população que retornava para a área açucareira de Pernambuco e constituiu uma tentativa de manter Minas Gerais como polo econômico da colônia. E) o alto valor das mercadorias, com a decadência da mineração, foi mantido pela Corte Portuguesa, atendendo aos comerciantes mineiros, como forma de garantir seu poder político e frear o deslocamento da população para São Paulo, onde já corriam boatos sobre a emancipação. SUPERVISOR/DIRETOR: Marcelo Pena – AUTOR: Dawison Sampaio naldo/REV.: Rita de Cássia Anotações F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// RESOLUÇÃORESOLUÇÃO OSG.: 117402/17 HISTÓRIA I ASSUNTO: MINERAÇÃO E PRODUTOS COMPLEMENTARES AULA 04 EXERCÍCIOS 01. O desenvolvimento da exploração de metais preciosos no Brasil provocou transformações políticas, econômicas e sociais entre as quais podemosdestacar a criação de um fluxo imigratório espontâneo daqueles que pretendiam e sonhavam em enriquecer contribuindo para o surgimento concreto de um segmento médio na sociedade. Observa-se ainda uma maior mobilidade social. Além disso, a busca do ouro contribuiu para a interiorização do território, resultado de iniciativas como a dos bandeirantes. À medida que se expandem as fronteiras, também ocorre, paralelamente, um surto de urbanização a fim de criar uma infraestrutura. Em termos econômicos, observou-se o fortalecimento do mercado interno e o dinheiro passou a ser também um referencial de status na sociedade. Em termos políticos, foi exemplo a mudança da capital de Salvador para o Rio de Janeiro. Resposta: C 02. A lógica mercantilista moldou a economia colonial brasileira na medida em que as principais atividades econômicas aqui desenvolvidas se destinavam a atender os interesses metropolitanos, em geral matérias-primas e gêneros de elevado valor comercial para os europeus. Durante o período colonial, embora a cana-de-açúcar figurasse como atividade principal, não podemos deixar de destacar o papel do tabaco, do algodão e dos derivados da pecuária (couro, por exemplo) na sustentação das bases da economia brasileira no período colonial. Resposta: A 03. Como já colocamos em outras questões, a exploração aurífera foi responsável por transformações em diferentes níveis. Vale destacar que a criação de um fluxo imigratório crescente daqueles que sonhavam em enriquecer, contribuiu para o surgimento concreto de um segmento médio na sociedade. Esse acréscimo da população na região das Gerais fez surgir um segmento médio que fortalecia progressivamente o mercado interno ao mesmo tempo que se consolidava o espaço urbano. Ainda que sustentada pelo trabalho escravo, era possível observar condições nas quais alguns cativos poderiam obter a sua liberdade. Podemos concluir dessa forma que a atividade mineradora se diferenciava, entre outras coisas, da canavieira por permitir uma maior mobilidade social. Resposta: C 04. Ainda que a mineração tenha contribuído para a dinamização da economia não se pode afirmar que a exploração aurífera favoreceu o desenvolvimento da indústria nacional. Aliás, a descoberta do ouro provocou uma postura ainda mais rígida por parte de Portugal no trato com a colônia, especialmente com o Marquês de Pombal que procurou desenvolver medidas que combatessem a sonegação e o contrabando do ouro. No entanto, mesmo sendo constatado o reforço dos laços de dependência e monopólio, é equivocado afirmar que coube aos comerciantes portugueses o controle de importação e exportação impedindo a concorrência nacional. O controle das atividades coloniais estava nas mãos de Cias de Comércio comandadas pela metrópole. Por fim, podemos concluir que o desenvolvimento da exploração de metais preciosos no Brasil provocou transformações políticas, econômicas e sociais entre as quais podemos destacar a criação de um fluxo imigratório espontâneo daqueles que sonhavam em enriquecer, contribuindo para o surgimento concreto de um segmento médio na sociedade. Observa-se ainda uma maior mobilidade social. Além disso, a busca do ouro contribuiu para a interiorização do território, resultado de iniciativas como a dos bandeirantes. À medida que se expandem as fronteiras também ocorre paralelamente um surto de urbanização a fim de criar uma infraestrutura. Em termos econômicos, observou-se o fortalecimento do mercado interno e o dinheiro passou a ser também um referencial de status na sociedade. Resposta: D 05. Entre as várias transformações provocadas pela exploração aurífera no Brasil colonial destacamos o desenvolvimento da arte barroca. Vinculada ao contexto religioso (produção de obras sacras), resultado da ação de missionários católicos no contexto da contrarreforma, o barroco é visto por muitos especialistas como uma das primeiras manifestações de uma arte nacional. Resposta: D 06. Apesar da euforia com que a notícia da descoberta de ouro foi recebida em Portugal nos momentos finais do século XVII, podemos perceber que o principal beneficiado desta notícia foi mesmo a Inglaterra, local onde a maior parte do ouro brasileiro foi parar, confirmando a famosa frase de Eduardo Galeano que diz “O ouro brasileiro deixou buracos no Brasil, templos em Portugal e fábricas na Inglaterra.” As razões para tal relação se deve ao Tratado de Methuen ou dos Panos e Vinhos assinado em 1703 entre Portugal e Inglaterra. Nesta troca de tecidos por vinhos Portugal, acumulava sucessivos déficits que eram então pagos com o ouro brasileiro. Resposta: B 07. Entre as várias transformações provocadas pela exploração aurífera no Brasil colonial destacamos o desenvolvimento da arte barroca. Vinculada ao contexto religioso (produção de obras sacras), resultado da ação de missionários católicos no contexto da contrarreforma, o barroco é visto por muitos especialistas como uma das primeiras manifestações de uma arte nacional. Resposta: B 2 F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// OSG.: 117402/17 RESOLUÇÃO – HISTÓRIA I 08. A descoberta do ouro foi sobretudo consequência das investidas de grupos particulares que saíam de São Vicente e que organizaram as chamadas bandeiras de prospecção. Quanto às formas de exploração, existiam duas categorias: uma era a lavra, uma grande propriedade em que havia um considerável contingente de escravos, e a outra era uma forma mais simplificada, na qual os mineradores percorriam o leito dos rios fazendo uso de alguns poucos instrumentos, como era o caso da bateia. Essa exploração rudimentar era denominada de faiscação, pois o minerador deveria girar a água retirada do fundo dos rios na peneira a fim de separar o ouro dos detritos muitas vezes arremessando-os contra o sol no intuito de que reluzissem ou faiscassem. Essa atividade era exaustiva e nem sempre produzia bons resultados, fazendo com que as esperanças de muitos de ficar rico facilmente virassem um verdadeiro pesadelo. Resposta: E 09. O desenvolvimento de atividades econômicas no Brasil obedecia em, linhas gerais, à lógica do sistema colonial com a colônia funcionando como área fornecedora de matérias-primas, com destaque para a agromanufatura açucareira. Mas devemos lembrar que outras atividades tiveram sua importância na pauta de exportações brasileiras, tais como o fumo, a mandioca e o algodão. Observe que a indicação da pecuária como atividade associada ao modelo monocultor e exportador pode gerar confusão e certa estranheza, já que, a princípio, a criação de gado, neste período, se orientava para o mercado interno. Devemos, no entanto, estar atentos ao enunciado que se refere a atividades econômicas complementares que contribuíram para a manutenção do modelo em questão e não necessariamente que tais atividades se baseiem nele, o que viabilizaria o item correto já que sabemos que pecuária desempenhava importante atividade complementar à cana-de-açúcar. Resposta: A 10. A criação de gado e mulas era uma atividade complementar e que estava presente em várias regiões do país. Embora esteja especialmente ligada ao sertão nordestino e à região Sul, quase sempre esteve vinculada a uma atividade principal, como a cana-de-açúcar ou a mineração, na qual a criação desses animais destinava-se ao consumo ou como força de tração, atendendo ao mercado interno. Após a proibição de ser realizada no litoral para não prejudicar a produção de açúcar, a pecuária foi penetrando no interior contribuindo, por exemplo, com a ocupação do sertão nordestino. Era uma atividade que não exigia um investimento inicial tão elevado até por não necessitar de uma grande quantidade de mão de obra. Resposta: D 11. No final do século XVIII e início do século XIX a cultura do algodão encontrou espaço para se desenvolver no Brasil, especialmente no Maranhão e no Ceará. Observe que as condições internacionais eram especialmente favoráveis, já que a expansão econômica inglesa, impulsionada pela indústria têxtil,necessitava cada vez mais fontes abastecedoras de matérias-primas. Resposta: A 12. Os tropeiros foram essenciais para o crescimento da economia de extração de metais preciosos no interior do Brasil porque abasteciam essa região de produtos que seriam utilizados pelos mineradores no dia a dia, como o alimento e a vestimenta. Enquanto os moradores da região da mineração viviam da própria extração do ouro, os tropeiros eram sustentados pelo lucro da venda das mercadorias. É importante salientar que o tema culinária, que é assunto cultural, foi usado como elemento de ligação para os aspectos econômicos. Resposta: C 13. A condição atual de subordinação econômica da região Nordeste a outros centros, especialmente ao Sudeste, encontra raízes históricas. Na comparação entre Olinda e São Paulo, é possível perceber as transformações, com base nos números oferecidos nestes fragmentos. Para essas transformações, contribuíram bastante o desenvolvimento de atividades econômicas no Sudeste, tais como a mineração, a cafeicultura e a atividade industrial. Resposta: D 14. Após o rompimento da relação estabelecida para a produção de açúcar com os holandeses, expulsos do Brasil em 1654, Portugal acabou estabelecendo vínculos econômicos com a Inglaterra, nação que se fortalecia a partir das práticas comerciais, especialmente impulsionadas pela indústria têxtil. Exemplo dessa ligação foi o Tratado de Methuen ou dos Panos e Vinhos, assinado em 1703, em que Portugal comprava tecidos ingleses e, em troca, a Inglaterra se comprometia a dar preferência, em seu mercado interno, aos vinhos portugueses. Esse acordo, no entanto, favorecia especialmente aos britânicos que acumulavam sucessivos superávits em balança comercial. Em desvantagem, Portugal utilizou o ouro brasileiro para saldar seus déficits comerciais com a Inglaterra. Resposta: B 15. A descoberta de ouro no Brasil no final do século XVII e início do século XVIII provocou diversas transformações sociais, econômicas e políticas. Destaque na questão para os fatores sociais e econômicos, já que o desenvolvimento da atividade mineradora levou o Brasil à condição de polo atrativo, resultando em um grande crescimento populacional. Diante desse quadro, e pela pequena disponibilidade de mão de obra, direcionada prioritariamente para a mineração, o fluxo de produção não atendia a demanda que cresceu gerando inflação. Resposta: B SUPERVISOR/DIRETOR: Marcelo Pena – AUTOR: Dawison Sampaio naldo/REV.: Rita de Cássia FRENTE: HISTÓRIA I PROFESSOR: DAWISON SAMPAIO ASSUNTO: INVASÕES ESTRANGEIRAS, OCUPAÇÃO E EXPANSÃO TERRITORIAL OSG.: 117987/17 CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS EAD – MEDICINA AULA 05 Invasões Estrangeiras 01. Introdução (Panorama Geral). a) Contexto: Não reconhecimento do Tratado de Tordesilhas. Observação que forma Francisco I Rei da França b) Expansão Marítima tardia da França, Holanda e Inglaterra. c) A importância das Reformas Protestantes (contestação da hegemonia católica e identificação com os valores burgueses.) TRATADO DE TORDESILHAS EM MAPA ATUAL VISÃO GERAL Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/ Tratado_de_Tordesilhas >.(adaptado) As tentativas francesas no Rio de Janeiro e no Maranhão a) França Antártica (Rio de Janeiro 1555). Antecedentes: contrabando do pau-brasil. Objetivo: fundar uma colônia de povoamento. Composição: predominantemente huguenotes perseguidos. Líder: Nicolau Durand de Villegaignon. Os Franceses promoveram uma aliança com os índios Tamoios: Confederação dos Tamoios. Ação mediadora da Igreja: Anchieta e Nóbrega atuam em favor dos portugueses. Estácio de Sá sobrinho de Mem de Sá, é responsável pela expulsão dos franceses do RJ, com a ajuda dos índios Termiminós. b) França Equinocial (Maranhão 1612). Contexto: expulsão dos franceses do Rio de Janeiro e a União Ibérica enfraquecimento de Portugal. Objetivo de saquear os navios espanhóis que traziam prata. Comando de Daniel de La Touche. Passagem no Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norde e Pará. Fundação do Forte de São Luís (homenagem ao Rei Luís IX líder de uma das Cruzadas) Expulsos por coligação luso-espanhola. As tentativas Holandesas na Bahia e em Pernambuco 01. Introdução. a) Contexto: União Ibérica (1580 1640): Período de 60 anos em que Portugal subordinou-se a Espanha. b) Consequências da União Ibérica. Acordo com nobreza portuguesa determina manutenção de órgãos administrativos portugueses nas colônias, portanto, internamente não houve alterações no Brasil. Tratado de Tordesilhas começa a ser ultrapassado. Inimigos da Espanha na Europa invadem o Brasil em represália ao Governo espanhol. Holanda, um dos inimigos da Espanha, é impedida de fazer comércio em qualquer possessão espanhola. 2 OSG.: 117987/17 MÓDULO DE ESTUDO Comércio do açúcar no Brasil que tinha participação holandesa é atingido. Holandeses invadem o Brasil tentando romper o bloqueio espanhol ao comércio de açúcar. 02. As Invasões Holandesas (1624 1654): a) Tentativa de romper o bloqueio econômico imposto pelo Governo espanhol ao comércio do açúcar. b) 1624 Invasão da Bahia (fracasso). Curta duração. Ação da Igreja (Jesuítas) c) Criação da W.I.C. (Cia. das Índias Ocidentais Empresa holandesa responsável por viabilizar recursos para invadir novamente o Brasil). d) 1630 1654 Invasão de Pernambuco (destaque mundial de produção açucareira). Resistência do Arraial do Bom Jesus A polêmica figura de Calabar. Foi mesmo um traidor? e) Administração de Maurício de Nassau (1637 1644) representante da W.I.C Financiamento para donos de engenho. Modernização e urbanização. Embelezamento de cidades (vinda de artistas holandeses). Liberdade de culto. Substituído em 1644 pela W.I.C (Agravamento das tensões) f) Insurreição Pernambucana (1645 1654): movimento luso-brasileiro que expulsou os holandeses do Brasil. g) Consequência da expulsão dos holandeses: início da crise do ciclo do açúcar (concorrência antilhana) As Incursões Inglesas 01. Introdução: Atuaram de forma diferente dos franceses e holandeses. a) Ataques de piratas e corsários. b) Sobretudo durante a União Ibérica. c) Cidades litorâneas (Santos e Recife). d) Não se fixaram nem fundaram colônias. Ocupação e expansão territorial do Brasil 01. Introdução a) Contexto da União Ibérica: Na prática significou a anulação do Tratado de Tordesilhas. b) Desinteresse espanhol. 02. Aspectos econômicos da expansão. a) Região Norte: busca de drogas do sertão e instalação de reduções jesuíticas (ambos feitos a partir da Bacia do rio Amazonas). b) Região Nordeste: defesa da costa (litoral), caça e massacre de indígenas (litoral e interior), criação de gado (ocupação do interior). c) Região Centro-sul: pecuária, mineração e a atividade bandeirante. d) Região Sul: Interesse português no comércio da Bacia do Prata, Pecuária (secundário) e fundação de cidades costeiras para garantir o comércio português no Prata. Quadro geral de ocupação do território brasileiro (Expansão territorial). 03. Tratados de limites: O Tratado de Madri (1750): a) Principal dos tratados. b) Configuração semelhante ao Brasil atual. c) Uti Possidetis posse por ocupação reconhecida. d) Sete Povos das Missões = Portugal. e) Colônia do Sacramento = Espanha. 3 OSG.: 117987/17 MÓDULO DE ESTUDO 01. (Enem P PL/2014) Os holandeses desembarcaram em Pernambuco no ano de 1630, em nome da Companhia das Índias Ocidentais (WIC), e foram aos poucos ocupando a costa que ia da foz do rio São Francisco ao Maranhão, no atual Nordeste brasileiro. Eles chegaram ao pontode destruir Olinda, antiga sede da capitania de Duarte Coelho, para erguer no Recife uma pequena Amsterdã. NASCIMENTO, R. L. X. A toque de caixas. Revista de História da Biblioteca Nacional, ano 6, n. 70, jul. 2011. Do ponto de vista econômico, as razões que levaram os holandeses a invadirem o nordeste da Colônia decorriam do fato de que essa região A) era a mais importante área produtora de açúcar na América portuguesa. B) possuía as mais ricas matas de pau-brasil no litoral das Américas. C) contava com o porto mais estratégico para a navegação no Atlântico Sul. D) representava o principal entreposto de escravos africanos para as Américas. E) constituía um reduto de ricos comerciantes de açúcar de origem judaica. 02. (Enem/2009) BETHEL, L . História da América. V. I. São Paulo: Edusp, 1997. As terras brasileiras foram divididas por meio de tratados entre Portugal e Espanha. De acordo com esses tratados, identificados no mapa, conclui-se que A) Portugal, pelo Tratado de Tordesilhas, detinha o controle da foz do rio Amazonas. B) o Tratado de Tordesilhas utilizava os rios como limite físico da América portuguesa. C) o Tratado de Madri reconheceu a expansão portuguesa além da linha de Tordesilhas. D) Portugal, pelo Tratado de San Ildefonso, perdia territórios na América em relação ao de Tordesilhas. E) o Tratado de Madri criou a divisão administrativa da América portuguesa em Vice-Reinos Oriental e Ocidental. 03. (Enem cancelado/2009) Quando tomaram a Bahia, em 1624-1625, os holandeses promoveram também o bloqueio naval de Benguela e Luanda, na costa africana. Em 1637, Nassau enviou uma frota do Recife para capturar São Jorge da Mina, entreposto português de comércio do ouro e de escravos no litoral africano (atual Gana). Luanda, Benguela e São Tomé caíram nas mãos dos holandeses entre agosto e novembro de 1641. A captura dos dois polos da economia de plantações mostrava-se indispensável para o implemento da atividade açucareira. ALENCASTRO, L. F. Com quantos escravos se constrói um país? In: Revista de História da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro, ano 4, n. 39, dez. 2008 (adaptado). Os polos econômicos aos quais se refere o texto são A) as zonas comerciais americanas e as zonas agrícolas africanas. B) as zonas comerciais africanas e as zonas de transformação e melhoramento americanas. C) as zonas de minifúndios americanas e as zonas comerciais africanas. D) as zonas manufatureiras americanas e as zonas de entreposto africano no caminho para Europa. E) as zonas produtoras escravistas americanas e as zonas africanas reprodutoras de escravos. 04. (Fuvest/2007) Este quadro, pintado por Franz Post por volta de 1660, pode ser corretamente relacionado A) à iniciativa pioneira dos holandeses de construção dos primeiros engenhos no Nordeste. B) à riqueza do açúcar, alvo principal do interesse dos holandeses no Nordeste. C) à condição especial dispensada pelos holandeses aos escravos africanos. D) ao início da exportação do açúcar para a Europa por determinação de Maurício de Nassau. E) ao incentivo à vinda de holandeses para a constituição de pequenas propriedades rurais. 4 OSG.: 117987/17 MÓDULO DE ESTUDO 05. (Fuvest/2016) Eu por vezes tenho dito a V. A. aquilo que me parecia acerca dos negócios da França, e isto por ver por conjecturas e aparências grandes aquilo que podia suceder dos pontos mais aparentes, que consigo traziam muito prejuízo ao estado e aumento dos senhorios de V. A. E tudo se encerrava em vós, Senhor, trabalhardes com modos honestos de fazer que esta gente não houvesse de entrar nem possuir coisa de vossas navegações, pelo grandíssimo dano que daí se podia seguir. Serafim Leite. Cartas dos primeiros jesuítas do Brasil, 1954. O trecho acima foi extraído de uma carta dirigida pelo padre jesuíta Diogo de Gouveia ao Rei de Portugal D. João III, escrita em Paris, em 17/02/1538. Seu conteúdo mostra A) a persistência dos ataques franceses contra a América, que Portugal vinha tentando colonizar de modo efetivo desde a adoção do sistema de capitanias hereditárias. B) os primórdios da aliança que logo se estabeleceria entre as Coroas de Portugal e da França e que visava a combater as pretensões expansionistas da Espanha na América. C) a preocupação dos jesuítas portugueses com a expansão de jesuítas franceses, que, no Brasil, vinham exercendo grande influência sobre as populações nativas. D) o projeto de expansão territorial português na Europa, o qual, na época da carta, visava à dominação de territórios franceses tanto na Europa quanto na América. E) a manifestação de um conflito entre a recém-criada ordem jesuíta e a Coroa portuguesa em torno do combate à pirataria francesa. 06. (Enem/2001) Rui Guerra e Chico Buarque de Holanda escreveram uma peça para teatro chamada Calabar, pondo em dúvida a reputação de traidor que foi atribuída a Calabar, pernambucano que ajudou decisivamente os holandeses na invasão do Nordeste brasileiro, em 1632. Calabar traiu o Brasil que ainda não existia? Traiu Portugal, nação que explorava a colônia onde Calabar havia nascido? Calabar, mulato em uma sociedade escravista e discriminatória, traiu a elite branca? Os textos referem-se também a esta personagem. Texto I: a inflexível História, lhe chamará infiel, desertor e traidor, por todos os séculos. Visconde de Porto Seguro, In: SOUZA JÚNIOR, A. Do Recôncavo aos Guararapes. Rio de Janeiro: Bibliex, 1949. Texto II: minas de Belchior Dias com a gente da Casa da Torre; ajudara Matias de Albuquerque na defesa do Arraial, onde fora ferido, e desertara em consequência de vários crimes roubo). CALMON, P. História do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1959. Pode-se afirmar que: A) A peça e os textos abordam a temática de maneira parcial e chegam às mesmas conclusões. B) A peça e o Texto I refletem uma postura tolerante com relação à suposta traição de Calabar, e o Texto II mostra uma posição contrária à atitude de Calabar. C) Os Textos I e II mostram uma postura contrária à atitude de Calabar, e a peça demostra uma posição indiferente em relação ao seu suposto ato de traição. D) A peça e o Texto II são neutros com relação à suposta traição de Calabar, ao contrário do Texto I, que condena a atitude de Calabar. E) A peça questiona a validade da reputação de traidor que o Texto I atribui a Calabar, enquanto o Texto II descreve ações positivas e negativas dessa personagem. 07. (UEG/2011) Brigam Espanha e Holanda Pelos direitos do mar O mar é das gaivotas Que nele sabem voar O mar é das gaivotas E de quem sabe navegar Brigam Espanha e Holanda Pelos direitos do mar Brigam Espanha e Holanda Porque não sabem que o mar É de quem o sabe amar DINIZ, Leila. Leila Diniz. São Paulo: Editora Brasiliense,1983 A final da Copa do Mundo de 2010 reproduziu de modo simbólico um conflito que tem origens históricas: a disputa entre Espanha e Holanda pela hegemonia do comércio marítimo mundial no século XVII. Um evento diretamente relacionado a essa disputa pelo domínio marítimo foi A) a criação da Companhia das Índias Ocidentais, pela Holanda, com o objetivo de explorar as colônias e possessões espanholas. B) a Guerra dos Trinta Anos, motivada pelos interesses ingleses e holandeses em estabelecer colônias no continente africano. C) a tomada do Cabo da Boa Esperança em 1650 pelas tropas portuguesas, que criam na região a Cidade do Cabo. D) a Guerra dos Emboabas, motivada pelo controle do comércio escravista nas regiões mineradoras brasileiras. 08. (UPE-SSA 1/2016) Os holandeses ocuparam, durante 24 anos, o Nordeste brasileiro: Pernambuco, Paraíba, Rio Grande doNorte e Itamaracá (1630-1654). Nesse período, Pernambuco se transformou numa verdadeira metrópole, com uma vida cultural intensa, onde poetas, cientistas e filósofos tornaram o Brasil um centro intelectual único na América do Sul. Nesse contexto, os judeus puderam constituir uma comunidade com escolas, sinagogas e cemitério, dando sua contribuição ao enriquecimento da vida cultural da região. LEVY, Daniela Tonello. Judeus e Marranos no Brasil Holandês. Pioneiros na colonização de Nova York. Século XVII. São Paulo: USP, 2008. (Adaptado) 5 OSG.: 117987/17 MÓDULO DE ESTUDO Uma característica sociopolítica da ocupação holandesa no contexto mencionado foi A) a retração da produção de açúcar. B) o florescimento de um movimento antimodernizador. C) o estabelecimento da tolerância e da liberdade religiosa. D) a preocupação apenas em explorar comercialmente o território. E) a manutenção de boas relações comerciais com o mundo ibérico. 09. Navegamos pelo espaço de quatro dias, até que, a dez de novembro, encontramos a barra de um grande rio chamado de Guanabara, pelos nativos (devido à sua semelhança com um lago) e de Rio de Janeiro pelos primeiros descobridores do local. [...] o Senhor de Villegagnon, para se garantir contra possíveis ataques selvagens, que se ofendem com extrema facilidade, e também contra os portugueses, se estes alguma vez quisessem aparecer por ali, fortificou o lugar da melhor maneira que pôde. Os víveres eram-nos fornecidos pelos selvagens e constituídos dos alimentos do país, a saber, peixes e veação diversa, constante de carne de animais selvagens (pois eles, diferentemente de nós, não criam gado), além de farinha feita de raízes [...] Pão e vinho não havia. Em troca destes víveres, recebiam de nós alguns objetos de pequeno valor, como facas, podões e anzóis. THEVET, André. As singularidades da França Antártica. Belo Horizonte/São Paulo: Itatia/Edusp. 1978, p. 93-94. O frei franciscano André Thevet esteve em terras brasileiras entre 1555 e 1556, junto com outros franceses comandados por Nicolas de Villegagnon. A leitura do trecho do relato dessa expedição permite A) constatar a aceitação, pelo reino francês, da partilha do Novo Mundo realizada por portugueses e espanhóis. B) identificar as diferenças entre as práticas coloniais e o tratamento dispensado aos indígenas pelos portugueses e franceses. C) perceber as diferenças culturais entre os povos indígenas e os conquistadores europeus. D) reconhecer a necessidade da escravidão africana como base para a montagem das estruturas produtoras coloniais. E) diferenciar as orientações religiosas dos protestantes franceses das referências católicas ibéricas. 10. (Unifor/2009.2) Reflita sobre o texto. Na versão dos estudiosos das bandeiras, o bandeirante, que em suas ações é homem de seu tempo, na perspectiva histórica realmente rompe com o curso dos eventos, ele altera as disposições de Portugal, Espanha e da Santa Sé sobre a distribuição geográfica do Novo Mundo, modifica os desígnios da expansão espanhola e jesuítica, faz descobertas que redirecionam o curso da história (...). Carlos Davidoff. Bandeirantismo: verso e reverso. São Paulo: Brasiliense, 1982. p. 88-9 De acordo com o autor do texto, o movimento bandeirante A) direcionou o interesse metropolitano para o interior do território espanhol a fim de explorar os recursos naturais dessa região. B) possibilitou o abastecimento de escravos ameríndios nas regiões da colônia espanhola, durante a dominação francesa no Brasil. C) expandiu as fronteiras geográficas do território português no continente americano, ao avançar além de seus limites oficiais. D) fundou núcleos populacionais para servir de escoadouro dos produtos oriundos das capitanias do Sul, em um projeto da metrópole portuguesa. E) manteve a integridade do território português no continente americano ao assegurar a atividade produtora açucareira, durante o domínio holandês. 11. (UFG/2013) O Tratado de Madri (1750) pretendeu atender à disputa de territórios entre Portugal e Espanha, representando também uma estratégia para melhor administrar os domínios ibéricos na chamada região das Missões. A tentativa de impô-lo gerou uma guerra que, ao seu final, terminou por definir o controle sobre as colônias que ocupavam a região dos Pampas. Esse tratado A) determinou a troca entre os sete povos das missões, no Uruguai, e a colônia de Sacramento, no Brasil. B) redefiniu as fronteiras territoriais na América do Sul, com base no Uti Possidetis. C) permitiu aos jesuítas exercer um domínio que se estendeu por toda a região do Prata. D Igreja Católica. E) possibilitou a anexação da região das Missões ao território argentino e do Chaco ao Uruguai. 12. (Fuvest/2008) A atividade extrativista desenvolvida na Amazônia, durante o período colonial, foi importante, porque: A) garantiu a ocupação da região e aproveitou a mão-de-obra indígena local. B) reproduziu, na região, a estrutura da grande propriedade monocultora. C) gerou riquezas e permitiu a abertura de estradas na região. D) permitiu a integração do norte do Brasil ao contexto andino. E) inviabilizou as aspirações holandesas de ocupação da floresta. 13. (Enem/2010) Os tropeiros foram figuras decisivas na formação de vilarejos e cidades do Brasil colonial. A palavra tropeiro vem de "tropa" que, no passado, se referia ao conjunto de homens que transportava gado e mercadoria. Por volta do século XVIII, muita coisa era levada de um lugar a outro no lombo de mulas. O tropeirismo acabou associado à atividade mineradora, cujo auge foi a exploração de ouro em Minas Gerais e, mais tarde, em Goiás. A extração de pedras preciosas também atraiu grandes contingentes populacionais para as novas áreas e, por isso, era cada vez mais necessário dispor de alimentos e produtos básicos. A alimentação dos tropeiros era constituída por toucinho, feijão preto, farinha, pimenta-do-reino, café, fubá e coité (um molho de vinagre com fruto cáustico espremido). 6 OSG.: 117987/17 MÓDULO DE ESTUDO Nos pousos, os tropeiros comiam feijão quase sem molho com pedaços de carne de sol e toucinho, que era servido com farofa e couve picada. O feijão tropeiro é um dos pratos típicos da cozinha mineira e recebe esse nome porque era preparado pelos cozinheiros das tropas que conduziam o gado. Disponível em: <http://www.tribunadoplanalto.com.br>. Acesso em: 27 nov. 2008. A criação do feijão tropeiro na culinária brasileira está relacionada à A) atividade comercial exercida pelos homens que trabalhavam nas minas. B) atividade culinária exercida pelos moradores cozinheiros que viviam nas regiões das minas. C) atividade mercantil exercida pelos homens que transportavam gado e mercadoria. D) atividade agropecuária exercida pelos tropeiros que necessitavam dispor de alimentos. E) atividade mineradora exercida pelos tropeiros no auge da exploração do ouro. 14. (Enem/2003) O mapa a seguir apresenta parte do contorno da América do Sul destacando a Bacia amazônica. Os pontos assinalados representam fortificações militares instaladas no século XVIII pelos portugueses. A linha indica o Tratado de Tordesilhas revogado pelo Tratado de Madri, apenas em 1750. Adaptado de Carlos de Meire Mattos. Geopolítica e teoria de fronteiras. Pode-se afirmar que a construção dos Fortes pelos portugueses visava, principalmente, dominar A) militarmente a Bacia Hidrográfica do Amazonas. B) economicamente as grandes rotas comerciais. C) as fronteiras entre nações indígenas. D) o escoamento da produção agrícola. E) o potencial de pesca da região. 15. (UFSJ/2013) estado de Tocantins, ano de 1750. Um grupo de homensdescalços, sujos e famintos se aproxima de uma aldeia carajá. Cautelosamente, convencem os índios a permitirem que acampem na vizinhança. Aos poucos, ganham a amizade dos anfitriões. Um belo dia, entretanto, mostram a que vieram. De surpresa, durante a madrugada, invadem a aldeia. Os índios são acordados pelo barulho de tiros de mosquetão e correntes arrastando. Muitos tombam antes de perceber a traição. Mulheres e crianças gritam e são silenciadas a golpes de machete. Os sobreviventes do massacre, feridos e acorrentados, iniciam, sob chicote, uma marcha de 1500 quilômetros até a vila de São Paulo TORAL, A.; BASTOS, G. Os brutos que conquistaram o Brasil. In: Revista Superinteressante, abr. 2000. Disponível em: <http://super.abril.com.br/historia/brutos-conquistaram-brasil- 441292.shtml>. Acesso em 29 ago. 2012 Ações desse gênero, ocorridas na América portuguesa, eram frequentemente empreendidas pelos A) bandeirantes paulistas. B) jesuítas ibéricos. C) funcionários da Coroa portuguesa. D) invasores franceses. Resoluções 01. Devido aos embargos promovidos pela Espanha durante a União Ibérica os holandeses promoveram incursões no Nordeste brasileiro, principal região produtora de açúcar, a fim de recuperar os investimentos e manter os altos lucros proporcionados por esse produto. RESPOSTA: A 02. O Tratado de Tordesilhas foi assinado em 1494 e delimitava as possessões portuguesas e espanholas nas terras recém-descobertas no Novo Mundo. No período colonial brasileiro, houve um avanço da ocupação para além dos limites difundidos pelo Tratado de Tordesilhas, especialmente por motivos econômicos, pela ação de bandeirantes e missões jesuítas. A expansão territorial brasileira provocou conflitos com a Espanha, especialmente devido à colônia do Sacramento, demandando uma nova definição das fronteiras luso- espanholas na América do Sul. No Tratado de Madri, a Espanha reconheceu a posse portuguesa das terras ocupadas além da linha de Tordesilhas, bem como a cessão da colônia dos Sete Povos das Missões. Em troca, Portugal cedeu a colônia do Sacramento à Espanha. RESPOSTA: C 03. O projeto de invasão holandês ao Nordeste brasileiro, motivada pela rivalidade com os espanhóis que controlavam Portugal no contexto da União Ibérica, se orientava no propósito de não abrir mão do lucrativo comércio açucareiro onde tinham substancial experiência. Ainda assim sabiam eles que uma empresa deste porte exigia mais do que experiência e disponibilidade de créditos para investimentos. O texto explicita tal situação onde era preciso garantir grandes extensões de terras (que a propósito eles não possuíam) com condições de solo e clima que se adequassem a produção do produto (zonas produtoras escravistas americanas). Além disso precisavam também controlar as áreas capazes de garantir o abastecimento de mão de obra escrava na África (zonas africanas reprodutoras de escravos). RESPOSTA: E 7 OSG.: 117987/17 MÓDULO DE ESTUDO 04. A montagem da empresa açucareira no Brasil embora fosse uma iniciativa portuguesa esta contou com um forte apoio dos holandeses que em virtude da disponibilidade de capitais e da marinha comercial atuavam desde o financiamento dos engenhos, até a refino, comercialização e distribuição do produto. A figura do pintor holandês Fraz Post se relaciona a segunda invasão dos holandeses ao Brasil, quando por ocasião da proibição imposta pela Espanha, no contexto da União Ibérica, os holandeses procuravam recuperar o monopólio do comércio do açúcar. Fraz Post estava incumbido de documentar a topografia, a arquitetura militar e civil, cenas de batalhas navais e terrestres. Mesmo tendo retornado a Holanda em 1644, continuou ele a retratar cenas brasileiras. RESPOSTA: B 05. O texto remete a preocupação com a constante presença francesa no Brasil e o risco da permanência desses invasores nas terras portuguesas. A França não aceitava os termos do Tratado de Tordesilhas que beneficiava Portugal e Espanha. Os franceses que para cá vieram e se instalaram no Rio de Janeiro eram protestantes (huguenotes). Portugal procurava dessa forma confirmar a posse do território americano nos termos de Tordesilhas. Os jesuítas portugueses foram elementos importantes para a expulsão dos invasores quer sejam franceses ou holandeses. RESPOSTA: A 06. A interpretação do texto estabelece vínculo direto com a resposta. A figura de Calabar dentro da historiografia tradicional tem sido apresentado por anos a fio como traidor, por ter se aliado aos holandeses no contexto das invasões estrangeiras ao Brasil. Note que os fragmentos apresentados estabelecem diferentes pontos de vista a respeito do assunto. Enquanto a peça teatral questiona o tema de maneira crítica apresentando argumentos, o Texto I reforça a condição irrefutável de infidelidade aos valores nacionais a que Calabar faz jus merecer da história condenação eterna. O Texto II ressalta características do personagem histórico sem necessariamente atribuir juízo de valor. RESPOSTA: E 07. Com disponibilidade de capitais e com experiência marítima destacada o fortalecimento da Holanda especialmente com a criação da Companhia das Índias Ocidentais entrava em rota de colisão com os interesses dos castelhanos que passava agora a ter um forte concorrente na busca pela hegemonia marítima. No contexto da União Ibérica (1580 a 1640) período em que Portugal e suas colônias ficaram sob o controle espanhol a situação se agravou pois os holandeses impedidos pela Espanha de manter as lucrativas relações comerciais com o Brasil resolveram invadir o território fornecedor desta matéria-prima. Foram duas tentativas. A primeira foi de curta duração na Bahia, já em Pernambuco a experiência foi mais duradoura (24 anos) até a expulsão dos holandeses em 1654. Ressalte-se que a resposta correta pode ter causado dúvida aos alunos por se referir ao desejo holandês de explorar colônias espanholas, já que o Brasil era colônia portuguesa. Mas destaca-se que neste período Portugal e suas colônias estavam sob o controle do rei Felipe II da Espanha devido a União Ibérica. RESPOSTA: A 08. O texto aponta para adoção de alguns elementos que eram considerados símbolo da modernidade e que foram introduzidos pelos holandeses em sua passagem no Nordeste, especialmente em Pernambuco. Na sequência, o trecho aponta para um traço da passagem dos holandeses, ou pelo menos durante a era nassoviana, que foi a tolerância e liberdade religiosa. RESPOSTA: C 09. A leitura do texto aponta para uma descrição feita pelos franceses relatando sua chegada ao Rio de Janeiro em meados do século XVI. No trecho fica evidente a preocupação com a segurança e no estabelecimento de relações amistosas com os nativos a fim de que esses não se rebelassem contra a sua presença bem como a avaliação dos hábitos alimentares dos nativos em contraposição aos dos franceses. RESPOSTA: C 10. A atividade bandeirante surgiu das próprias dificuldades encontradas pelos colonos na região de São Vicente (São Paulo), sendo uma iniciativa geralmente particular. Os grupos se internavam pelos sertões com apoio de alguns (bandeiras de apresamento) ou busca de metais preciosos (bandeiras de prospecção). Rompendo a linha imaginária do Tratado de Tordesilhas, sem dúvida, os bandeirantes contribuíram para o alargamento das fronteiras do Brasil. RESPOSTA: C 11. Dentro do contexto da expansão territorial do Brasil resultante, entre outros fatores, da exploração econômica nas diversas regiões e do momento da União Ibérica, tornava-se necessário rediscutir os limites oficiais outrora determinados pelo Tratado de Tordesilhas assinado em 1494. Baseado no Uti Possidetis osse útil, e contando com a habilidosa ação do diplomataAlexandre de Gusmão, foi assinado em 1750 o Tratado de Madri que deu ao Brasil uma feição espacial próxima da atual. REPOSTA: B 12. A região Norte se apresentou desde o início do projeto colonizador como um desafio aos portugueses, quer seja pelas adversidades impostas pela natureza ou pela falta de produtos de grande valor dentro da lógica mercantilista vigente. Mesmo com todas essas dificuldades a exploração ativismo vegetal, contribuiu para a ocupação do território. Destaque-se que o sucesso dessa atividade, pelo próprio conhecimento do território, dependia do trabalho indígena, estes eram aldeados pelos jesuítas que controlavam essa atividade. RESPOSTA: A 8 OSG.: 117987/17 MÓDULO DE ESTUDO 13. Os tropeiros foram essenciais para o crescimento da economia de extração de metais preciosos no interior do Brasil porque abasteciam essa região de produtos que seriam utilizados pelos mineradores no dia a dia, como o alimento e a vestimenta. Enquanto os moradores da região da mineração viviam da própria extração do ouro, os tropeiros eram sustentados pelo lucro da venda das mercadorias. É importante salientar que o tema culinária, que é assunto cultural, foi usado como elemento de ligação para os aspectos econômicos. RESPOSTA: C 14. A construção de Fortes e fortalezas sempre foi recurso utilizado pelos portugueses para garantir a segurança das áreas colonizadas, especialmente no litoral do Brasil onde a ocupação era mais intensa, mas no caso específico da questão, a localização das fortificações mostra claramente que elas circundam a área da Bacia Amazônica e buscavam assegurar o controle de pontos estratégicos do curso dos rios. Estas construções seriam úteis aos portugueses para ocupação e exploração econômica. Observe que na região exploravam-se as função de combater a presença de estrangeiros como os espanhóis ou mesmo franceses. RESPOSTA: A 15. A atividade bandeirante surgiu das próprias dificuldades encontradas pelos colonos na região de São Vicente (São Paulo), sendo uma iniciativa geralmente particular. Os grupos se em busca de índios para escravizar (bandeiras de apresamento) ou busca de metais preciosos (bandeiras de prospecção). A historiografia oficial contribuiu para a visão romanceada da atividade bandeirante, sendo seus integrantes vistos como corajosos desbravadores. Porém a análise feita por alguns historiadores dos relatos e documentos das ações bandeirantes revelam seu caráter cruel na sua relação com os índios. RESPOSTA: A SUPERVISOR(A)/DIRETOR(A): DESIRÉE AUTOR: DAWISON SAMPAIO DIG.: JULIANA REV.: KATIARY CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// Professor(a): Dawison sampaio assunto: Crise Do Sistema Colonial: Revoltas Nativistas e Separatistas frente: História i OSG.: 118288/17 AULA 06 EAD – MEDICINA Resumo Teórico Crise do sistema colonial em face das transformações do Antigo Regime europeu Introdução a) Contexto: Declínio do Antigo Regime e a ascensão do ideal liberal burguês na Europa. b) Crise do Sistema Colonial: século XVIII. c) Influência da Independência dos EUA (1776) e da Revolução Francesa (1789). Revoltas Nativistas 1. Características gerais a) Ocorreram no final do século XVII e início do século XVIII. b) Eram em geral de perfil elitista e regional. c) Não possuía base ideológica definida. d) Não questionava o Antigo Regime. e) Não queriam a independência do Brasil. f) Criticavam especificamente o fiscalismo exagerado e a forma de monopólio. 2. Revolta de Beckmam (1684/MA) – Questão da Cia de Comércio do Maranhão e da escravidão dos índios. 3. Guerra dos Emboabas (1709/MG) – Disputa pela região mineradora entre bandeirantes e forasteiros. 4. Guerra dos Mascates (1710/PE) – Disputa entre senhores de engenho de Olinda e comerciantes portugueses do Recife. 5. Revolta de Vila Rica ou Felipe dos Santos (1720/MG) – contexto da criação das Casas de Fundição. Revoltas Separatistas ou de Libertação Nacional 1. Características gerais: a) Ocorreram entre o final do século XVIII e início do XIX. b) Tiveram repercussão nacional. c) Questionavam o Antigo Regime. d) Possuíam base ideológica no Iluminismo. e) Influência da Independência dos EUA (1776), Independência do Haiti (1791) e da Revolução Francesa (1789). f) Queriam a ruptura do Pacto Colonial. 2. A Inconfidência Mineira (1789): a) Influência: Independência dos EUA de 1776. b) Composição: classe dominante (elite rica e letrada). c) Causas: • Crise econômica com o esgotamento do ouro; • Exploração abusiva de Portugal (derrama, proibição de produção de manufaturados na colônia – Alvará de D. Maria I); • Penetração de ideais iluministas. d) Objetivos: • Fim do Pacto Colonial; • Proclamação da República; • Estímulo ao desenvolvimento de manufaturas; • Criação de uma universidade em Vila Rica. Bandeira com a inscrição “Libertas quae sera tamen” (Liberdade ainda que tardia). Disponível em: <https://pt.wikipedia.org> 2F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// Módulo de estudo OSG.: 118288/17 e) Líderes: elite mineira (Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Alvarenga Peixoto, exceto por Joaquim José da Silva Xavier – o “Tiradentes”); f) Traição: Denunciada por Joaquim Silvério dos Reis; g) Repressão: A maioria dos líderes foram presos e degredados para a África. Tiradentes é enforcado e esquartejado (para servir de exemplo). Obra: Tiradentes esquartejado de Pedro Américo – 1893 http://pt.wikipedia.org Observação: O incidente literário ou Conjuração Carioca (1794): A. Manifestações contrárias ao absolutismo. B. Ideais iluministas (sociedade literária). C. Líderes presos e libertados a seguir por falta de provas. D. Sociedade literária é fechada. Observações: Conjuração Carioca (1794): • Um incidente literário em meio a um contexto de manifestações contrárias ao absolutismo. • Ideais iluministas (sociedade literária). • Líderes presos e libertados a seguir por falta de provas. • Sociedade literária é fechada. 3. Conjuração Baiana (Alfaiates) – 1798 A. Influência: mais influenciada pelo ideário da Revolução Francesa. (Liberdade – Igualdade – Fraternidade). B. Composição: segmentos médios e populares. C. Causas: • Crise da lavoura tradicional e política de mandonismo da Aristocracia Rural; • Extrema pobreza; • Desigualdades sociais. D. Objetivos: • Independência; • República; • Liberdade de comércio; • Igualdade em todos os níveis; • Abolição da escravidão. E. Líderes: João de Deus Nascimento, Manuel Faustino dos Santos (alfaiates e mulatos), Luís Gonzaga das Virgens, Lucas Dantas Amorim Torres (soldados e mulatos), entre outros. INCONFIDÊNCIA MINEIRA 1789 CONJURAÇÃO BAIANA 1798 composição predominantemente elitista segmentos médios e populares influência destacada Indep. dos EUA de 1776 Rev. Francesa de 1789 e Indep. do Haiti de 1791 – 1804 causas aspecto político + crise da mineração aspecto social + crise do abastecimento modelo político predominantemente republicano republicano propostas sociais moderadas radicias (abolicionismo) objetivo comum fim do Pacto Colonial fim do Pacto Colonial Adaptado de: SCHIMIDT, Mário Furley. Nova História Crítica do Brasil: 500 anos de história malcontada. São Paulo – Nova Geração. Exercícios 01. (Fuvest/2017) Os ensaios sediciosos do final do século XVIII anunciam a erosão de um modo de vida. A crise geral do Antigo Regime desdobra-se nas áreas periféricas do sistema atlântico – pois é essa a posição da América portuguesa –,apontando para a emergência de novas alternativas de ordenamento da vida social. István Jancsó, “A Sedução da Liberdade”. In: Fernando Novais. História da Vida Privada no Brasil, v. 1. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. Adaptado. A respeito das rebeliões contra o poder colonial português na América, no período mencionado no texto, é correto afirmar que, A) em 1789 e 1798, diferentemente do que se dera com as revoltas anteriores, os sediciosos tinham o claro propósito de abolir o tráfico transatlântico de escravos para o Brasil. B) da mesma forma que as contestações ocorridas no Maranhão em 1684, a sedição de 1798 teve por alvo o monopólio exercido pela companhia exclusiva de comércio que operava na Bahia. C) em 1789 e 1798, tal como ocorrera na Guerra dos Mascates, os sediciosos esperavam contar com o suporte da França revolucionária. D) tal como ocorrera na Guerra dos Emboabas, a sedição de 1789 opôs os mineradores recém-chegados à capitania aos empresários há muito estabelecidos na região. E) em 1789 e 1798, seus líderes projetaram a possibilidade de rompimento definitivo das relações políticas com a metrópole, diferentemente do que ocorrera com as sedições anteriores. 3 F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// OSG.: 118288/17 Módulo de estudo 02. (Enem/2010 – 2ª aplicação) O alfaiate pardo João de Deus, que, na altura em que foi preso, não tinha mais do que 80 réis e oito filhos, declarava que “Todos os brasileiros se fizesse franceses, para viverem em igualdade e abundância”. MAXWELL, K. Condicionalismos da independência do Brasil. SILVA, M. N. (Org.). O império luso-brasileiro, 1750-1822. Lisboa: Estampa, 1986. O texto faz referência à Conjuração Baiana. No contexto da crise do Sistema Colonial, esse movimento se diferenciou dos demais movimentos libertários ocorridos no Brasil por A) defender a igualdade econômica, extinguindo a propriedade, conforme proposto nos movimentos liberais da França napoleônica. B) introduzir no Brasil o pensamento e o ideário liberal que moveram os revolucionários ingleses na luta contra o absolutismo monárquico. C) propor a instalação de um regime nos moldes da República dos Estados Unidos, sem alterar a ordem socioeconômica escravista e latifundiária. D) apresentar um caráter elitista burguês, uma vez que sofrera influência direta da Revolução Francesa, propondo o sistema censitário de votação. E) defender um governo democrático que garantisse a participação política das camadas populares, influenciado pelo ideário da Revolução Francesa. 03. (Unicamp/2012) Emboaba: nome indígena que significa “o estrangeiro”, atribuído aos forasteiros pelos paulistas, primeiros povoadores da região das minas. Com a descoberta do ouro em fins do século XVII, milhares de pessoas da colônia e da metrópole vieram para as minas, causando grandes tumultos. Formaram-se duas facções, paulistas e emboabas, que disputavam o governo do território, tentando impor suas próprias leis. Adaptado de Maria Beatriz Nizza da Silva (coord.), Dicionário da História da Colonização Portuguesa no Brasil. Lisboa: Verbo, 1994, p. 285. Sobre o período em questão, é correto afirmar que: A) as disputas pelo território emboaba colocaram em confronto paulistas e mineiros, que lutaram pela posse e exploração das minas. B) a região das minas foi politicamente convulsionada desde sua formação, em fins do século XVII, o que explica a resistência local aos inconfidentes mineiros. C) a luta dos emboabas ilustra o processo de conquista de fronteiras do império português nas Américas, enquanto na África os portugueses se retiravam definitivamente no século XVIII. D) a monarquia portuguesa administrava territórios distintos e vários sujeitos sociais, muitos deles em disputa entre si, como paulistas e emboabas, ambos súditos da Coroa. 04. (ESPM/2016) Das minas e seus moradores bastava dizer que é habitada de gente intratável. A terra parece que evapora tumultos; a água exala motins; o ouro toca desaforos; destilam liberdades os ares; vomitam insolências as nuvens; influem desordens os astros; o clima é tumba da paz e berço da rebelião; a natureza anda inquieta consigo, e amotinada lá por dentro é como no inferno. Lilia Schwarcz e Heloisa Starling. Brasil: uma Biografia. O texto é parte do discurso histórico e político sobre a sublevação que nas minas houve no ano de 1720 e que o governador Pedro Miguel de Almeida e Portugal, o conde de Assumar, fez chegar às mãos das autoridades régias em Lisboa. A respeito da Sedição de Vila Rica, em 1720, é correto assinalar: A) Os sediciosos planejavam forçar a Coroa a suspender o estabelecimento das casas de fundição, onde se registrava o ouro em barras e se deduzia o quinto por arroba, o imposto devido ao rei. B) Os sediciosos planejavam forçar a Coroa a abolir a derrama, que determinava a cobrança de todos os impostos atrasados. C) Os sediciosos rebelaram-se contra forasteiros, que eram beneficiados pela Coroa com privilégios na exploração das jazidas auríferas. D) Os projetos dos sediciosos eram o rompimento com Portugal, a adoção de um regime republicano é a criação de uma universidade em Vila Rica. E) A sublevação desafiou a ação do marquês de Pombal que havia determinado o monopólio régio sobre a extração de diamantes. 05. (FGV – Economia/2011) Ele virou um herói nacional, antecessor de Tiradentes e coisas do tipo. [Ele] foi enforcado realmente, punido pela Coroa porque prendeu o governador e o mandou de volta para a metrópole. Mas quais eram suas reivindicações? Primeiro, reivindicava que a Coroa chamasse os jesuítas de volta para Portugal, porque eles atrapalhavam o uso dos índios, impedindo sua escravização. Segundo, como não se tinha índios para trabalhar, tinha-se que comprar escravos africanos. Mas só se podia comprar da Companhia de Comércio, que colocava o preço nas nuvens. Logo, as grandes reivindicações desse herói eram o direito de escravizar índios e de comprar africanos a preço baixo. Fernando Novaes. Tendência e debate, no 4, abril, maio e junho de 2000. Apud Luiz Koshiba e Denise Manzi Frayze Pereira. História do Brasil no contexto da história ocidental, 2003. A rebelião analisada ocorreu no contexto A) do reforço das restrições mercantilistas, decorrente das frágeis condições do Império português após a Restauração de 1640. B) das Reformas Pombalinas, na segunda metade do século XVIII, que impuseram ao Brasil uma série de mecanismos opressores. C) das primeiras descobertas de ouro em Minas Gerais, que geraram relações tensas entre os paulistas e os emboabas ou forasteiros. D) da transição das capitanias hereditárias à organização do governo-geral, no século XVI, que trouxe grande prejuízo aos senhores de terra. E) da exploração dos bandeirantes paulistas em terras à oeste de Minas Gerais, como Goiás e Mato Grosso, a partir de 1720. 06. (Unesp/2017) A Inconfidência Mineira (1789) e a Conjuração Baiana (1798) tiveram semelhanças e diferenças significativas. É correto afirmar que A) as duas revoltas tiveram como objetivo central a luta pelo fim da escravidão. B) a revolta mineira teve caráter eminentemente popular e a baiana, aristocrático e burguês. C) a revolta mineira propunha a independência brasileira e a baiana, a manutenção dos laços com Portugal. D) as duas revoltas obtiveram vitórias militares no início, mas acabaram derrotadas. E) as duas revoltas incorporaram e difundiram ideias e princípios iluministas. 4F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// Módulo de estudo OSG.: 118288/17 07. (Fuvest/1999) A elevação de Recife à condição de vila; os protestos contra a implantação das Casas de Fundição e contra a cobrança de quinto; a extrema miséria e carestia reinantes em Salvador, no final do século XVIII, foram episódios que colaboraram, respectivamente, para as seguintes sublevações coloniais:A) Guerra dos Emboabas, Inconfidência Mineira e Conjura dos Alfaiates. B) Guerra dos Mascates, Motim do Pitangui e Revolta dos Malês. C) Conspiração dos Suassunas, Inconfidência Mineira e Revolta do Maneta. D) Confederação do Equador, Revolta de Felipe dos Santos e Revolta dos Malês. E) Guerra dos Mascates, Revolta de Felipe dos Santos e Conjura dos alfaiates. 08. (UFRN/2000) A Guerra dos Emboabas, a dos Mascates e a Revolta de Vila Rica, verificadas nas primeiras décadas do século XVIII, podem ser caracterizadas como A) movimentos isolados em defesa de ideias liberais, nas diversas capitanias, com a intenção de se criarem governos republicanos. B) movimentos de defesa das terras brasileiras, que resultaram num sentimento nacionalista, visando à independência política. C) manifestações de rebeldia localizadas, que contestavam aspectos da política econômica de dominação do governo português. D) manifestações das camadas populares das regiões envolvidas, contra as elites locais, negando a autoridade do governo metropolitano. 09. (Uece/2016.2) Atente às seguintes afirmações acerca da Inconfidência Mineira (1789): I. A constituição de um regime republicano no Brasil estava entre os objetivos de boa parte dos conspiradores de Vila Rica; II. Havia, por parte dos inconfidentes, a preocupação com o desenvolvimento de produtos manufaturados, pois objetivavam a diminuição da dependência de artigos importados; III. Constituía interesse dos conspiradores a criação de uma nova capital localizada em uma área mais favorável à expansão da lavoura e da pecuária — atividades fundamentais para a subsistência dos mineradores. Está correto o que se afirma em: A) I e II apenas. B) I e III apenas. C) II e III apenas. D) I, II e III. 10. (Fatec/2007.1) No século XVIII, a colônia Brasil passou por vários conflitos internos. Entre eles, temos a A) Guerra dos Emboabas, luta entre paulistas e gaúchos pelo controle da região das Minas Gerais. Essa guerra impediu a entrada dos forasteiros nas terras paulistas e manteve o controle da capitania de São Paulo sobre a mineração. B) Revolta Liberal, tentativa de reagir ao avanço conservador da monarquia portuguesa, que usava de seus símbolos monárquicos e das baionetas do Exército da Guarda Nacional, como forma de cooptar e intimidar os colonos portugueses. C) Revolta de Filipe dos Santos, levante ocorrido em Vila Rica e liderado pelo tropeiro Filipe dos Santos. O motivo foi a cobrança do quinto, a quinta parte do ouro fundido pelas Casas de Fundição controladas pelo poder imperial. D) Farroupilha, revolta que defendia a Proclamação da República Rio-Grandense (República dos Farrapos), como forma de obter liberdades políticas, fim dos tributos coloniais e proibição da importação do charque argentino. E) Cabanagem, movimento de elite dirigido por padres, militares e proprietários rurais, que propunham a proclamação da república como forma de combater o controle econômico exercido pelos comerciantes portugueses. 11. (Vunesp/2008) Observe o quadro. Pedro Américo, Tiradentes esquartejado — óleo sobre tela 262 x 162cm — Museu Mariano Procópio, Juiz de Fora-MG. Pode-se afirmar que a representação de Pedro Américo do inconfidente mineiro A) data dos primeiros anos da República, sugerindo a semelhança entre o drama de Tiradentes e o de Cristo. B) foi elaborada durante o período da Independência, como expressão dos ideais nacionalistas da dinastia de Bragança. C) caracteriza-se pela denúncia da interferência da Igreja católica nos destinos políticos e culturais nacionais. D) foi censurada pelo governo de Getúlio Vargas, porque expressa conteúdos revolucionários e democráticos. E) foi proibida de ser exposta publicamente, por incitar o preconceito contra o governo português, responsável pela morte de Tiradentes. 5F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// Módulo de estudo OSG.: 118288/17 12. (FGV/2008) Leia os quatro trechos seguintes. I. Acreditavam os conspiradores que a derrama seria o estopim que faria explodir a rebelião contra a dominação colonial. Em uma de suas reuniões criaram até a palavra de ordem para começarem a agir. “Tal dia faço o batizado” era a senha; II. Dois envolvidos (...) escaparam às garras da repressão: José Basílio da Gama, que fugiu para Lisboa quando começaram as prisões, e Manoel Arruda da Câmara, que era sócio correspondente da Sociedade Literária do Rio de Janeiro, mas vivia no exterior. (...) O fato é que um ano após a prisão dos acusados nada de grave fora apurado, até porque recorreram ao recurso de negar articulação contra o domínio português. Em geral, admitiram que suas reuniões eram marcadas por discussões filosóficas e científicas; III. (...) dentre os 33 presos e processados, havia 11 escravos, cinco alfaiates, seis soldados, três oficiais, um negociante e um cirurgião. (...) Suas ideias principais envolviam o seguinte: a França constituía o modelo a seguir; o fim da escravidão; a separação entre Igreja e Estado (...); IV. Criou-se um Governo Provisório (...), integrado por representantes de cinco segmentos da sociedade: Domingos Teotônio Jorge (militares), Domingos José Martins (comerciantes), Manoel Correia de Araújo (agricultores), padre João Ribeiro Pessoa de Melo Montenegro (sacerdotes) e doutor José Luís Mendonça (magistrados); (...) Empenhado em ampliar o movimento anticolonial, o Governo Provisório enviou emissários a outras capitanias: Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Alagoas e Bahia. Rubim Santos Leão Aquino et alii, Sociedade brasileira: uma história através dos movimentos sociais. Os trechos de I a IV tratam, respectivamente, dos seguintes eventos: A) Conjuração Mineira; Confederação do Equador; Conjuração Baiana; Guerra dos Mascates. B) Conjuração Mineira; Conjuração do Rio de Janeiro; Conjuração Baiana; Revolução de 1817. C) Revolta de Vila Rica; Conjuração do Rio de Janeiro; Conjuração Baiana; Revolução de 1817. D) Conjuração Mineira; Conjuração do Rio de Janeiro; Revolução de 1817; Revolta dos Cabanos. E) Conjuração Baiana; Conjuração Mineira; Revolução de 1817; Conspiração dos Suassuna. 13. (IFCE/2008) Em relação aos movimentos de libertação colonial, é coerente dizer que: A) A Inconfidência Mineira, que foi de caráter popular, preconizava o fim da escravidão. B) A Conjura Carioca, de caráter literário, teve em Tiradentes um de seus principais expoentes e líderes, principalmente ao propagar as ideias liberais. C) A Conjura Carioca foi motivada pela crise da Mineração e pelo desejo dos falidos mineradores de se verem livres de suas dívidas, como buscando a implantação de uma República Independente em Minas Gerais. D) A Conjuração Baiana, também chamada de Conjuração dos Alfaiates, contou com a participação popular e teve projetos sociais radicais, como a abolição da escravidão. E) A Revolta de 1817, que só ocorreu no Ceará, foi de tendência separatista e estava amparada nas ideias restauradoras, ou seja, defendia um projeto de aliança com Portugal. 14. (Unifesp/2002.2) “Não resta outra coisa senão cada um defender- se por si mesmo; duas coisas são necessárias... a fim de se recuperar a mão livre no que diz respeito ao comércio e aos índios”. Manuel Beckman, 1684. As duas principais reivindicações do líder da Revolta que leva seu nome são A) a revogação do monopólio da Companhia de Comércio do Estado do Maranhão e a expulsão dos jesuítas que se opunham à escravidão indígena. B) a saída dos portugueses do Grão Pará e Maranhão e a supressão dos aldeamentos indígenas, que monopolizavam as chamadas “drogas do sertão”. C) a repressão ao contrabando estrangeiro, que prejudicava os negócios dos atacadistas portugueses, e a liberdade para importar escravos negros. D) a expulsão dos holandeses do Nordeste, que monopolizavam o comércio do açúcar, e a reedição da guerra justa, que proibia a escravidão indígena. E) a revogação do monopólio comercial da Metrópole sobreo Norte e Nordeste da colônia e a proibição para importar escravos negros. 15. (IFBA/2012) “De uma perspectiva geral, podemos dizer que a conspiração baiana como que atou as pontas das duas vertentes subversivas do Brasil Colônia.” RISÉRIO, Antônio. Em torno da Conspiração dos Búzio. In: DOMINGUES, Carlos Vasconcelos; LEMOS, Cícero Bathomarco; YGLESIAS, Edyala. (Orgs). Animai-vos, Povo Bahiense! A Conspiração dos Alfaiates. Salvador: Omar G. Editora, 1999, p. 53. A ideia apresentada por Antônio Risério se sustenta historicamente no fato de que a Conjuração Baiana foi o movimento anticolonial brasileiro que A) aliou à luta emancipacionista reivindicações sociais, como a questão escravista. B) inseriu o ideal de unidade territorial à luta pela independência da América Portuguesa. C) reduziu a luta libertária à defesa do livre comércio e da autonomia administrativa. D) defendeu a independência do Brasil e a proclamação de uma República de base oligárquica. E) apresentou caráter de luta nacionalista à medida que representou o ideal de liberdade de todos os brasileiros. 6F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// Módulo de estudo OSG.: 118288/17 Resolução 01. O excerto da questão procura estabelecer a relação entre o declínio do Antigo Regime na Europa e as revoltas anticoloniais no Brasil. Nesse sentido, devemos considerar o contexto da evolução do liberalismo/iluminismo na Europa no decorrer do século XVIII que impactou decisivamente as relações entre as metrópoles e as colônias, fazendo surgir nas áreas periféricas um sentimento de reação à dominação europeia, evidenciando as novas demandas sociais que se estabeleciam nessas áreas. Destaque-se um certo teor positivista na questão que exigia que o aluno, a partir da indicação das datas reconhecesse o que concernia a Inconfidência Mineira e Conjuração Baiana, por exemplo. Nesse sentido, convém lembrar que o propósito abolicionista só era claro, até pela composição de seus participantes, na Conjura Baiana. É equivocado afirmar que Revolta no Maranhão ocorrida em 1684 (Revolta dos Beckmam) e a Conjuração Baiana tiveram por alvo a contestação do monopólio da Cia de Comércio do Maranhão. Em Salvador, além do questionamento ao Pacto Colonial, foram incorporadas demandas sociais resultante do quadro geral de desigualdades que marcavam a região do conflito. Ainda que a Inconfidência Mineira tenha ocorrido no mesmo ano da Revolução Francesa, em termos de influência externa, era muito mais evidente em Minas Gerais, o exemplo das 13 Colônias que romperam o Pacto Colonial em 1776, além do que, a Guerra dos Mascates, ocorrida em 1710 é anterior ao processo revolucionário na França ocorrido em 1789, não podendo, dessa forma, receber influência da mesma. Por fim, o que diferenciava os movimentos da Inconfidência Mineira e Conjuração Baiana dos que os antecederam, como a Guerra dos Emboabas, era a proposta de romper o Pacto Colonial. Resposta: E 02. A Conjuração Baiana, de 1798, inscreve-se no contexto dos movimentos separatistas, durante a crise do Sistema Colonial. O movimento se notabilizou, especificamente, pelo fato de reunir alfaiates, mestiços, negros e vendedores ambulantes que reivindicavam alterações políticas, econômicas e sociais que atendessem à demanda das classes populares. Inspirou-se na Revolução Francesa de tal maneira que chegou a se utilizar da distribuição de panfletos e alguns de seus membros chegaram a se autodenominar “jacobinos”. Uma das principais lutas dos conjurados estava associada à implantação de um regime democrático de governo e contemplando, inclusive, a abolição dos escravos. Resposta: E 03. Em grande parte resultado da atividade levada a cabo por particulares paulistas que se arriscavam pelo sertão em busca de riquezas, conhecidos por bandeirantes, podemos constatar que a notícia de descoberta de ouro logo mudou a feição da colônia, tornando-a uma área especialmente atrativa. Ainda que buscasse exercer o controle sobre a atividade aurífera na colônia, a Coroa estimulava a iniciativa dos que demonstrassem ter capacidade de explorar eficazmente a região, que naquele momento estava especialmente ligado ao número de escravos que o candidato possuísse. Tal processo era oficializado pela Intendência de Minas, encarregada entre outras coisas, de distribuir os lotes denominados “datas”. Os paulistas (bandeirantes) questionavam o favorecimento concedido pelas autoridades metropolitanas na aquisição destes lotes a grupos que chegaram a região mineradora posteriormente, a que eles denominavam de “emboabas” (estrangeiros), tratava-se não só de elementos vindos da metrópole (portugueses), mas de elementos oriundos de outras regiões da colônia. Tais divergências se intensificaram e resultaram no conflito conhecido como a Guerra dos Emboabas. Resposta: D 04. Ao fazer referência a Revolta de Vila Rica o aluno deveria associá-la a indignação dos mineradores ante a determinação da criação das Casas de Fundição que elevaria ainda mais o custo de exploração devido as novas exigências estabelecidas. Resposta: A 05. O texto de Fernando Novaes oferece informações que nos permite concluir que se trata da Revolta de Beckmam, em 1684, no Maranhão, afinal mencionou que seu líder antecedeu Tiradentes e que foi submetido ao castigo exemplar, indicou que o retorno dos jesuítas a Portugal figurava entre as suas reivindicações, já que estes obstaculavam a escravização dos índios, questionava ainda o monopólio da Cia. de Comércio. As condições que deram origem ao movimento estão relacionadas às necessidades do Império português se reestruturar após o fim da União Ibérica em 1640, sendo para tanto necessário reforçar as amarras do Pacto Colonial através do aumento da tributação das colônias. Resposta: A 06 A questão faz a clássica comparação entre os eventos de 1789, em Minas, e 1798 na Bahia. Com substanciais diferenças em termos de propostas sociais, resultado da composição social de cada movimento, ambas tinham em comum a contestação do Pacto Colonial e consequência da influência das ideias iluministas. Resposta: E 07. Dentre as várias sublevações que ocorreram no Brasil entre o final do século XVII e por todo o século XVIII, tiveram destaque os movimentos nativistas, de perfil predominantemente elitista e regional que não tiveram por proposta a quebra do Pacto Colonial e os movimentos separatistas que buscavam a separação de Portugal. Nesta questão, cabe ao aluno reconhecer as motivações das revoltas nativistas que ocorreram em Pernambuco (Mascates), que foi consequência da disputa entre os senhores de engenho de Olinda e os comerciantes portugueses de Recife, e em Minas Gerais que foi resultado do aumento da fiscalização sobre a atividade mineradora com a introdução das Casas de Fundição. No primeiro, teve destaque a elevação de Recife a condição de Vila que contrariava os interesses dos senhores de engenho de Olinda. No segundo, a execução do líder do movimento Felipe dos Santos evidencia o caráter repressor da metrópole. Após esses episódios, na segunda metade do século XVIII, devido ao agravamento da crise do Sistema Colonial, com a penetração das ideias iluministas, além das precárias condições sociais e econômicas na colônia, surgiram movimentos como a Conjuração Baiana ou dos Alfaiates que aglutinou a insatisfação dos segmentos médios e populares assumindo um perfil republicano e abolicionista. Resposta: E 7F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// Módulo de estudo OSG.: 118288/17 08. A partir do final do século XVII os reflexos das transformações na Europa se manifestam em movimentos sediciosos no Brasil. A Guerra do Emboabas, a Guerra dos Mascates e a Revolta de Vila Rica ou Felipe de Santos citadas na questão assim como a Revolta de Beckmam são expressões de rebeldia localizada contra o fiscalismo exagerado da Coroa. Esses movimentos são comumente chamadosde nativistas por serem predominantemente elitistas, regionais, sem base ideológica substancial e que não propunham a ruptura do Pacto Colonial. Resposta: C 09. CRISE DO SISTEMA COLONIAL – INCONFIDÊNCIA MINEIRA Resultado entre outras coisas do aumento da opressão tributária associada a difusão das ideias iluministas a Inconfidência Mineira, iniciada em 1789, foi uma das mais expressivas manifestações da crise do Sistema Colonial no Brasil, sendo tradicionalmente considerado o primeiro movimento a propor efetivamente o fim do Pacto Colonial. A liderança do movimento ligado à elite econômica e intelectual mineira resultou em propostas como a ruptura do Pacto Colonial que deveria ter início a partir de Minas Gerais e Rio de Janeiro. O modelo republicano, embora fosse contestado por alguns que temiam à associação do projeto aos interesses populares, era compartilhado pela maioria dos que estavam envolvidos no movimento. O fim da proibição das manufaturas, a criação de uma universidade em Vila Rica e a transferência da capital para São João del Rei estavam presentes também entre as propostas. Convém lembrar que a questão da abolição dos escravos, embora estivesse entre os pontos discutidos, não figurou entre as propostas apresentadas pelos inconfidentes. Resposta: D 10. Tomando como referencial o enunciado da questão que se reporta ao século XVIII é possível eliminar três itens, já que a Cabanagem no Pará, a Farroupilha no Rio Grande do Sul bem como a Revolta Liberal são movimentos que ocorreram no séc. XIX. Como a referência feita a Guerra dos Emboabas foi equivocada ao relacionar este episódio ao conflito entre paulistas e gaúchos quando certo era fazer referência aos estrangeiros denominados de emboabas, chegamos a conclusão que o movimento que está corretamente associado ao séc. XVIII é a Revolta de Felipe dos Santos, também conhecida como Revolta de Vila Rica. Resposta: C 11. A análise do conhecido quadro de Pedro Américo, Tiradentes esquartejado, faz parte do esforço dos primeiros anos da República recém-proclamada em 1889 na intenção de legitimar o novo regime buscando resgatar o personagem histórico de Tiradentes como herói e mártir, imagem aliás, bem diferente da que foi construída durante os anos de vida de Tiradentes e no período subsequente a sua morte, pelo menos até a Proclamação da República. Entre as mais conhecidas interpretações dadas ao quadro, está que o pintor buscava associar o martírio de Tiradentes ao do próprio Cristo. Resposta: A 12. A questão traz fragmentos que se reportam a um conjunto de movimentos que marcaram a história do Brasil no final do séc. XVIII e início do séc. XIX que manifestavam a insatisfação dos diferentes setores sociais da colônia e que, ainda que tivessem suas particularidades quanto a composição social, modelos políticos e objetivos pretendidos, foram caracterizados em geral pela influência das ideias liberais-iluministas evidenciando o quadro de declínio do Antigo Regime e a crise do Sistema Colonial sinalizando que a ruptura do Pacto Colonial era um processo gradativo e irreversível. Resultado do fiscalismo exagerado na região mineradora a Inconfidência Mineira de 1789 se notabilizou por ser o primeiro movimento a questionar efetivamente o Pacto Colonial. A Conjuração Carioca por sua vez, para muitos, não passou de incidente literário. Esse movimento se contextualiza quando os encontros de uma Sociedade Literária que se reunia para promover discussões filosóficas e científicas chamou a atenção das autoridades metropolitanas. A Conjuração Baiana de 1798, influenciada pelos ventos revolucionários que chegavam da França, especialmente na fase da República, denominado de Convenção, se notabiliza especialmente pela composição social heterogênea, com a presença marcante de elementos oriundos das camadas médias e baixas da sociedade que resultou em propostas sociais consideradas radicais como se evidencia no desejo de por fim a escravidão. A Revolução Pernambucana em 1817 teve como componente extra a crise resultante da chegada da Corte ao Brasil. Esse movimento teve como diferencial o sucesso, ainda que por algumas semanas, da realização de um projeto anticolonial e republicano de governo que inclusive buscou contar com adesão de localidades vizinhas. Resposta: B 13. Os movimentos de libertação colonial foram aqueles que contestavam a dominação portuguesa e queriam a independência, podemos citar os seguintes: Inconfidência Mineira (elitista e não queria o fim da escravidão), Conjuração Carioca (de caráter literário, não passou de um incidente literário), Conjuração Baiana (popular e queria o fim da escravidão), Revolta Suassuna (ocorreu em Pernambuco), e a Revolta de 1817, iniciada em Pernambuco, e que se expandiu para o Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte queria a independência sem vínculo com Portugal sendo de caráter liberal. Resposta: D 14. As condições precárias de abastecimentos e altos preços cobrados pela Cia. de Comércio do Maranhão motivou elementos como os irmãos Beckmam a insurgirem contra a Coroa e suas arbitrariedades. O movimento ainda desejava a expulsão dos jesuítas que se opunham a escravização dos índios, que serviam como alternativa ante ao reduzido plantel de escravos aos quais iam comercializados a preços exorbitantes mesmo para os padrões da época. Resposta: A 15. Tanto a Inconfidência Mineira quanto a Conjuração Baiana são reflexos da Crise do Sistema Colonial no contexto do declínio do Antigo Regime. Mas ao contrário da Inconfidência Mineira, a Conjuração Baiana teve em sua composição social e na divulgação panfletária um convite a participação popular, em que o questionamento das desigualdades sociais, passava invariavelmente pela abolição dos escravos. Podemos ainda destacar que o movimento tinha como referencial a famosa República instaurada pelos jacobinos no contexto da Revolução Francesa. Resposta: A SUPERVISOR/DIRETOR: MARCELO PENA – AUTOR: DAWISON SAMPAIO DIG.: REJANE/REV.: KATIARY CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// Professor(a): Dawison sampaio assunto: processo De InDepenDência – PeríoDo Joanino no Brasil frente: História i OSG.: 118289/17 AULA 07 EAD – MEDICINA Resumo Teórico Transferência da Corte portuguesa para o Brasil A. Vinda da família real para o Brasil: Contexto histórico: • Rivalidades França e Inglaterra: Bloqueio Continental de 1806. • A difícil situação de Portugal. • Decisão de transferir a Corte portuguesa para o Brasil. Período Joanino: 1808 a 1821 A. A chamada “inversão”: A colônia virou metrópole. B. Abertura dos Portos em 1808: significou o rompimento do pacto colonial, favorecendo os interesses ingleses na colônia. C. Algumas realizações de D. João VI no Brasil: • Liberdade Industrial e Comercial: Liberação para a produção de manufaturas (Revogação do Alvará de D. Maria I), porém frustrada pela concorrência inglesa. • Academia militar. • Banco do Brasil. • Imprensa Régia. • Biblioteca Real. • Escola de Medicina (BA e RJ). • Real Teatro de São João. • Jardim Botânico (RJ). D. Os Tratados Comerciais de 1810: • Aliança e Amizade: Eliminação progressiva da escravidão e a promessa de D. João VI de não implantar a inquisição no Brasil. (Interesse na ampliação de mercados consumidores.) • Comércio e Navegação: Tarifas preferenciais aos produtos ingleses – impostos (Inglaterra: 15% – Portugal: 16% – Nações Amigas: 24% ad valorem). E. Consequências da instalação da Corte no Brasil: • Costumes importados da Europa no Rio de Janeiro. • Alta do custo de vida: Aumento de impostos para financiar despesas da Corte. • Crescimento populacional do Rio de Janeiro (urbanização). • Criação de cargos públicos para ocupar nobres: Distribuição de títulos nobiliárquicos. F. Política externa: • 1807 – Invasão da Guiana Francesa (devolvida em 1817). • 1816 – Anexação da Província Cisplatina (Uruguai) –independente em 1828. G. O Brasil como Reino Unido de Portugal – 1815: • O Brasil foi elevado a Reino Unido de Portugal para garantir participação portuguesa no Congresso de Viena. Observações: A Revolução Pernambucana de 1817 a) Composição heterogênea. b) Único movimento de natureza separatista a superar a fase de conspiração. c) Causas: • A estagnação econômica da região Nordeste. • Política centralizadora da Corte no Rio de Janeiro. • Influência dos princípios liberais/iluministas. • Adesão de AL, PB e RN. d) Objetivos: • Caráter emancipacionista. • Abolição de impostos sobre gêneros básicos. • Proclamação de uma República. • Liberdade de expressão e religiosa. e) Polêmica a respeito da permanência da escravidão. f) Forte repressão da Coroa. 2F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// Módulo de estudo OSG.: 118289/17 Revolução liberal do Porto (1820) A. Local: Cidade do Porto B. Causa básica: Ascensão da burguesia em Portugal, que pretendia pôr fim ao absolutismo por meio da formação de um Parlamento. C. Objetivos: • Recolonizar o Brasil. • Elaboração de uma constituição para Portugal e a redução do poder de D. João VI. • A volta de D. João VI para Portugal. • Fim da influência inglesa em Portugal. D. Contradições da revolução: liberal apenas para Portugal, porém pretendia restaurar o pacto colonial no Brasil. Observações: Revolução Liberal do Porto por ter representado um risco de recolonização acelerou o processo de independência do Brasil. Regência de D. Pedro no Brasil A. Após o retorno de D. João VI a Portugal, D. Pedro assume como príncipe regente. B. Janeiro de 1822 e o “Dia do Fico”. C. Maio de 1822 e o Decreto do “Cumpra-se”. D. Em 7 de setembro de 1822, após receber ultimato de Portugal, D. Pedro proclama a independência. DEBRET, Jean-Baptiste (1768-1848). Retratos de D. João VI e D. Pedro I. Observações: Por que ao contrário da América de colonização espanhola, ao invés de surgirem vários, surgiu apenas um país da América portuguesa? – A transferência da Corte portuguesa para o Rio de Janeiro contribuiu para a manutenção de uma estrutura centralizada. Exercícios 01. (Enem/2014) A transferência da Corte trouxe para a América portuguesa a família real e o governo da metrópole. Trouxe também, e sobretudo, boa parte do aparato administrativo português. Personalidades diversas e funcionários régios continuaram embarcando para o Brasil atrás da Corte, dos seus empregos e dos seus parentes após o ano de 1808. NOVAIS, F. A.; ALENCASTRO, L. F. (Org.). História da vida privada no Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 1997. Os fatos apresentados se relacionam ao processo de independência da América portuguesa por terem A) incentivado o clamor popular por liberdade. B) enfraquecido o pacto de dominação metropolitana. C) motivado as revoltas escravas contra a elite colonial. D) obtido o apoio do grupo constitucionalista português. E) provocado os movimentos separatistas das províncias. 02. (UFMG/2008) Analise estas duas representações do chamado Grito do Ipiranga, de 7 de setembro de 1822. Independência ou Morte, de Pedro Américo (1888) Proclamação da Independência, de François René-Moreaux (1844) A partir da análise dessas duas representações e considerando-se outros conhecimentos sobre o assunto, é correto afirmar que, em ambas, A) a disposição dos atores – coletivos e individuais, bem como dos aspectos que compõem o cenário – é diferenciada e expressa uma visão particular sobre D. Pedro – na primeira, como o protagonista central; na segunda, como líder de uma ação popular. B) as mesmas concepções históricas e estéticas fundamentam e explicam a participação dos mesmos grupos sociais e personagens históricos – o príncipe, militares, mulheres, camponeses e crianças. C) D. Pedro, embora seja o protagonista, se destaca de modo diferente – na primeira, ele recebe o apoio de diversos grupos sociais; na segunda, a participação das camadas populares é mais restrita. D) os artistas conseguem causar um mesmo efeito – descrever a Independência do Brasil como um ato solene, grandioso, sem participação popular e protagonizado por D. Pedro. 3 F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// OSG.: 118289/17 Módulo de estudo 03. (Unesp/2011) Artigo 5.º – O comércio de mercadorias inglesas é proibido, e qualquer mercadoria pertencente à Inglaterra, ou proveniente de suas fábricas e de suas colônias, é declarada boa presa. (...) Artigo 7.º — Nenhuma embarcação vinda diretamente da Inglaterra ou das colônias inglesas, ou lá tendo estado, desde a publicação do presente decreto, será recebida em porto algum. Artigo 8.º — Qualquer embarcação que, por meio de uma declaração, transgredir a disposição acima, será apresada e o navio e sua carga serão confiscados como se fossem propriedade inglesa. Excerto do Bloqueio Continental, Napoleão Bonaparte. Citado por Kátia M. de Queirós Mattoso. Textos e documentos para o estudo da história contemporânea (1789-1963), 1977. Esses artigos do Bloqueio Continental, decretado pelo Imperador da França em 1806, permitem notar a disposição francesa de A) estimular a autonomia das colônias inglesas na América, que passariam a depender mais de seu comércio interno. B) impedir a Inglaterra de negociar com a França uma nova legislação para o comércio na Europa e nas áreas coloniais. C) provocar a transferência da Corte portuguesa para o Brasil, por meio da ocupação militar da Península Ibérica. D) ampliar a ação de corsários ingleses no norte do oceano Atlântico e ampliar a hegemonia francesa nos mares europeus. E) debilitar economicamente a Inglaterra, então em processo de industrialização, limitando seu comércio com o restante da Europa. 04. (Enem/2010) Eu, o Príncipe Regente, faço saber aos que o presente Alvará virem: que desejando promover e adiantar a riqueza nacional, e sendo um dos mananciais dela as manufaturas e a indústria, sou servido abolir e revogar toda e qualquer proibição que haja a este respeito no Estado do Brasil. Alvará de liberdade para as indústrias (1º de Abril de 1808). In: Bonavides, P.; Amaral, R. Textos políticos da História do Brasil. Vol. 1. Brasília: Senado Federal, 2002 (adaptado). O projeto industrializante de D. João, conforme expresso no alvará, não se concretizou. Que características desse período explicam esse fato? A) A ocupação de Portugal pelas tropas francesas e o fechamento das manufaturas portuguesas. B) A dependência portuguesa da Inglaterra e o predomínio industrial inglês sobre suas redes de comércio. C) A desconfiança da burguesia industrial colonial diante da chegada da família real portuguesa. D) O confronto entre a França e a Inglaterra e a posição dúbia assumida por Portugal no comércio internacional. E) O atraso industrial da colônia provocado pela perda de mercados para as indústrias portuguesas. 05. (Enem/2010) Em 2008 foram comemorados os 200 anos da mudança da família real portuguesa para o Brasil, onde foi instalada a sede do reino. Uma sequência de eventos importantes ocorreu no período 1808-1821, durante os 13 anos em que D. João VI e a família real portuguesa permaneceram no Brasil. Entre esses eventos, destacam-se os seguintes: • Bahia – 1808: Parada do navio que trazia a família real portuguesa para o Brasil, sob a proteção da marinha britânica, fugindo de um possível ataque de Napoleão; • Rio de Janeiro – 1808: desembarque da família real portuguesa na cidade onde residiriam durante sua permanência no Brasil; • Salvador – 1810: D. João VI assina a carta régia de abertura dos portos ao comércio de todas as nações amigas, ato antecipadamente negociado com a Inglaterra em troca da escolta dada à esquadra portuguesa; • Rio de Janeiro – 1816: D. João VI torna-se rei do Brasil e de Portugal, devido à morte de sua mãe, D. Maria I; • Pernambuco – 1817: As tropas de D. João VI sufocam a revolução republicana. GOMES.L. 1808: como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma Corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil. São Paulo: Editora Planeta, 2007 (adaptado). Uma das consequências desses eventos foi A) a decadência do Império britânico, em razão do contrabando de produtos ingleses por meio dos portos brasileiros. B) o fim do comércio de escravos no Brasil, porque a Inglaterra decretara, em 1806, a proibição do tráfico de escravos em seus domínios. C) a conquista da região do rio da Prata em represália à aliança entre a Espanha e a França de Napoleão. D) a abertura de estradas, que permitiu o rompimento do isolamento que vigorava entre as províncias do país, o que dificultava a comunicação antes de 1808. E) o grande desenvolvimento econômico de Portugal após a vinda de D. João VI para o Brasil, uma vez que cessaram as despesas de manutenção do rei e de sua família. 06. (UFSM/2002) TEIXEIRA, Francisco M. P. Brasil História e Sociedade. São Paulo: Ática, 2000. p.162. O quadro Independência ou Morte, de Pedro Américo, concluído em 1888, é uma representação do 7 de setembro de 1822, quando o Brasil rompeu com Portugal. Essa representação enaltece o fato e enfatiza a bravura do herói D. Pedro, ocultando que A) o fim do pacto colonial, decretado na Conjuração Baiana, conduziu à ruptura entre o Brasil e Portugal. B) o processo de emancipação política iniciara com a instalação da Corte portuguesa no Brasil e que as medidas de D. João puseram fim ao monopólio metropolitano. C) o Brasil continuara a ser uma extensão política e administrativa de Portugal, mesmo depois do 7 de setembro. D) a Abertura dos Portos e a Revolução Pernambucana se constituíram nos únicos momentos decisivos da separação Brasil-Portugal. E) a separação estava consumada, o processo estava completo, visto que havia, em todo o Brasil, uma forte adesão militar, popular e escravista à emancipação. 4F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// Módulo de estudo OSG.: 118289/17 07. (Enem/2007) Após a independência, integramo-nos como exportadores de produtos primários à divisão internacional do trabalho, estruturada ao redor da Grã-Bretanha. O Brasil especializou-se na produção, com braço escravo importado da África, de plantas tropicais para a Europa e a América do Norte. Isso atrasou o desenvolvimento de nossa economia por pelo menos uns oitenta anos. Éramos um país essencialmente agrícola e tecnicamente atrasado por depender de produtores cativos. Não se poderia confiar a trabalhadores forçados outros instrumentos de produção que os mais toscos e baratos. O atraso econômico forçou o Brasil a se voltar para fora. Era do exterior que vinham os bens de consumo que fundamentavam um padrão de vida “civilizado”, marca que distinguia as classes cultas e “naturalmente” dominantes do povaréu primitivo e miserável. (...) E de fora vinham também os capitais que permitiam iniciar a construção de uma infraestrutura de serviços urbanos, de energia, transportes e comunicações. Paul Singer. “Evolução da economia e vinculação internacional”. In: I. Sachs; J. Willheim; P. S. Pinheiro (Orgs.). Brasil: um século de transformações. São Paulo: Cia. das Letras, 2001, p. 80. Levando-se em consideração as afirmações anteriores, relativas à estrutura econômica do Brasil por ocasião da independência política (1822), é correto afirmar que o país A) se industrializou rapidamente devido ao desenvolvimento alcançado no período colonial. B) extinguiu a produção colonial baseada na escravidão e fundamentou a produção no trabalho livre. C) se tornou dependente da economia europeia por realizar tardiamente sua industrialização em relação a outros países. D) se tornou dependente do capital estrangeiro, que foi introduzido no país sem trazer ganhos para a infraestrutura de serviços urbanos. E) teve sua industrialização estimulada pela Grã-Bretanha, que investiu capitais em vários setores produtivos. 08. (Enem/2009) No tempo da independência do Brasil, circulavam nas classes populares do Recife trovas que faziam alusão à revolta escrava do Haiti: Marinheiros e caiados Todos devem se acabar. Porque só pardos e pretos O país hão de habitar. AMARAL, F. P. do. Apud CARVALHO, A. Estudos pernambucanos, Recife: Cultura Acadêmica, 1907. O período da independência do Brasil registra conflitos raciais, como se depreende A) dos rumores acerca da revolta escrava do Haiti, que circulavam entre a população escrava e entre os mestiços pobres, alimentando seu desejo por mudanças. B) da rejeição aos portugueses, brancos, que significava a rejeição à opressão da metrópole, como ocorreu na Noite das Garrafadas. C) do apoio que escravos e negros forros deram à monarquia, com a perspectiva de receber sua proteção contra as injustiças do sistema escravista. D) do repúdio que os escravos trabalhadores dos portos demonstravam contra os marinheiros, porque estes representavam a elite branca opressora. E) da expulsão de vários líderes negros independentistas, que defendiam a implantação de uma república negra, a exemplo do Haiti. 09. (UEMG/2008.2) Leia o trecho do artigo de Rubens Ricupero, a seguir. “Seria mais correto dizer que o tratado e o predomínio comercial britânico, assim como a Abertura dos Portos, faziam parte de conjunto de acontecimentos que iriam transferir, de fato e de direito, a anacrônica dependência da colônia em relação a uma metrópole decadente há séculos para o país hegemônico da Revolução Industrial e novo centro do poder econômico e político mundial. É esse processo de modernização do modelo de inserção do Brasil no sistema internacional que tem como ponto de partida formal a Abertura dos Portos de 1808.” RICUPERO, Rubens. O problema da Abertura dos Portos. Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial. São Paulo: Faap, 2008. p. 2. Considerando a abordagem sobre a Abertura dos Portos autorizada por D. João VI, conforme texto apresentado, assinale a alternativa que interpreta corretamente o pensamento do autor. A) O processo de Abertura dos Portos é visto como o fim do monopólio lusitano sobre o comércio brasileiro e marca uma nova fase das relações internacionais do Brasil com a Inglaterra, país modelo da Revolução Industrial. B) Os acordos realizados após a chegada da família real inauguram a fase mercantilista da economia brasileira, ainda marcada pelo escambo e pelas propriedades extrativistas. C) As cláusulas de nação mais favorecida, praticadas nos acordos de importação que se seguiram após a abertura, favoreciam os privilégios portugueses e colaboravam para manter a ordem lusitana sobre o comércio brasileiro. D) Os acordos realizados no Brasil pela diplomacia britânica, às vésperas da emancipação norte-americana, demonstravam que o Reino Unido seria tolerante aos interesses dos colonos rebeldes da América espanhola, como forma de estabelecer um acordo de paz com a França napoleônica. 10. (Fuvest – 2008) Em novembro de 1807, a família real portuguesa deixou Lisboa e, em março de 1808, chegou ao Rio de Janeiro. O acontecimento pode ser visto como A) incapacidade dos Braganças de resistirem à pressão da Espanha para impedir a anexação de Portugal. B) ato desesperado do príncipe regente, pressionado pela rainha- mãe, Dona Maria I. C) execução de um velho projeto de mudança do centro político do Império português, invocado em épocas de crise. D) culminância de uma discussão popular sobre a neutralidade de Portugal com relação à guerra anglo-francesa. E) exigência diplomática apresentada por Napoleão Bonaparte, então primeiro cônsul da França. 11. (IFSC/2015) Em 1806, o Imperador francês Napoleão Bonaparte anunciou o Bloqueio Continental à Inglaterra, estabelecendo que nenhum país europeu poderia comercializar com os ingleses. O rei de Portugal, pressionado pela onda liberal da Revolução Francesa e apoiado pela Inglaterra, fugiu para a Colônia portuguesa, na América,para esperar a situação se normalizar. Com relação à presença da família real portuguesa no Brasil, é correto afirmar que A) A Revolução Farroupilha, ocorrida no sul do Brasil, tinha como principal objetivo expulsar a Corte portuguesa e proclamar a independência da Colônia americana. B) Salvador foi elevada à condição de capital do Reino Unido de Portugal e Algarves, tornando-se o maior centro político, econômico e cultural da colônia. 5F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// Módulo de estudo OSG.: 118289/17 C) A presença da Corte portuguesa no Brasil, exercendo um governo absolutista e conservador, contribuiu para retardar a independência do Brasil, pois as melhorias administrativas e econômicas deixaram a elite liberal brasileira satisfeita. D) Chegando ao Brasil, D. João VI tratou logo de cumprir o prometido aos ingleses e decretou a abertura dos portos, em 1808, para as nações amigas comercializarem diretamente com a colônia. E) Em 1821, os franceses foram expulsos de Portugal e D. João VI foi chamado para assumir o trono português, mas ele preferiu ficar no Brasil. Esse fato ficou conhecido como “Dia do Fico”. 12. (IBMec – ADM/2010.2) O dia sete de setembro marca anualmente as comemorações de nossa independência em relação a Portugal. Entre os vários fatores que colaboraram para isto, podemos destacar A) o apoio recebido pelo príncipe regente D. Pedro por parte das tropas portuguesas que aqui se encontravam. B) a transferência para Portugal de uma série de repartições criadas durante a permanência de D. João VI em nosso território, aumentando a insatisfação dos brasileiros com aquela situação de dependência. C) a submissão do príncipe regente às ordens vindas de Portugal, levando à formação de um grupo de notáveis, sob a liderança de José Bonifácio, que se encarregariam de elaborar a nossa primeira constituição. D) o apoio dos cafeicultores paulistas, que, apesar do início recente da exportação cafeeira, já constituíam o grupo econômico mais importante do período colonial brasileiro. E) a permanência de D. João VI em nosso território, desagradando os revolucionários portugueses que participaram de um movimento na cidade do Porto que exigia imediatamente a volta do monarca a Lisboa. 13. (Mackenzie/2011) No ano de sua independência, o Brasil tinha […] tudo para dar errado. De cada três brasileiros, dois eram escravos, negros forros, mulatos, índios ou mestiços. Era uma população pobre e carente [...]. O medo de uma rebelião dos cativos assombrava a minoria branca. O analfabetismo era geral. […]. Os ricos eram poucos e, com raras exceções, ignorantes. O isolamento e as rivalidades entre as províncias prenunciavam uma guerra civil […]. Laurentino Gomes, 1822. É correto afirmar que a independência do Brasil só não confirmou os temores apresentados no trecho, A) porque ao defender a revolução popular de inspiração camponesa, inspirou legisladores como José Bonifácio e Joaquim Nabuco a defenderem a emancipação completa em relação a Portugal. B) porque o povo conseguiu entender os anseios de D. Pedro e da elite brasileira, ao pegar em armas e defender até a morte uma independência que parecia condenada em sua própria estrutura. C) porque foi realizada à revelia da população pobre – destacadamente de origem africana e indígena –, uma vez que suas simpatias pela Revolução Americana ameaçavam os poderes da elite branca. D) porque parcelas significativas da elite brasileira se aglutinaram em torno de D. Pedro, a fim de manter as antigas bases de um Brasil colonial na estrutura do novo país que nascia em 1822. E) porque foi inspirada pela Revolução Francesa e pelas ideias iluministas, no contexto da crise do Antigo Sistema Colonial, sendo liderada pela elite burguesa contra a tirania representada por D. Pedro. O movimento de independência foi liderado pela elite rural e pela alta burocracia civil e militar ligada a D. Pedro I. 14. (Uespi/2007) Houve mudanças na economia brasileira, no século XIX, que indicavam crescimento das cidades e sinais de modernização. A cidade do Rio de Janeiro, capital do Império, A) tornou-se o centro político e cultural do Brasil, influenciada por hábitos franceses. B) teve um surto de industrialização bastante significativo para a época. C) comandou o movimento abolicionista, liderado por intelectuais socialistas. D) dinamizou seu comércio, embora não tenham sido feitas reformas urbanas. E) cresceu com a chegada de imigrantes, mas perdeu sua importância política. 15. (Enem/2011) No clima das ideias que se seguiram à revolta de São Domingos, o descobrimento de planos para um levante armado dos artífices mulatos na Bahia, no ano de 1798, teve impacto muito especial; esses planos demonstravam aquilo que os brancos conscientes tinham já começado a compreender: as ideias de igualdade social estavam a propagar-se em uma sociedade em que só um terço da população era de brancos e iriam inevitavelmente ser interpretados em termos raciais. MAXWELL, K. “Condicionalismos da independência do Brasil”. In: SILVA, M. N. (coord.) O Império luso-brasileiro, 1750-1822. Lisboa: Estampa, 1986. O temor do radicalismo da luta negra no Haiti e das propostas das lideranças populares da Conjuração Baiana (1798) levou setores da elite colonial brasileira a novas posturas diante das reivindicações populares. No período da independência, parte da elite participou ativamente do processo, no intuito de A) instalar um partido nacional, sob sua liderança, garantindo participação controlada dos afrobrasileiros e inibindo novas rebeliões de negros. B) atender aos clamores apresentados no movimento baiano, de modo a inviabilizar novas rebeliões, garantindo o controle da situação. C) firmar alianças com as lideranças escravas, permitindo a promoção de mudanças exigidas pelo povo sem a profundidade proposta inicialmente. D) impedir que o povo conferisse ao movimento um teor libertário, o que terminaria por prejudicar seus interesses e seu projeto de nação. E) rebelar-se contra as representações metropolitanas, isolando politicamente o príncipe regente, instalando um governo conservador para controlar o povo. Resolução 01. A presença da Corte portuguesa no Brasil representou uma espécie de inversão, com a colônia sendo, nestas condições, a sede da administração portuguesa. Vale lembrar que, historicamente, a transferência da família real para o Brasil e a instalação da Corte portuguesa no Rio de Janeiro, em 1808, são consideradas marcos no processo de independência do Brasil, especialmente com a decretação da Abertura dos Portos, significando o enfraquecimento do domínio metropolitano sobre a colônia e, na prática, o fim do pacto colonial. Resposta: B 6F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// Módulo de estudo OSG.: 118289/17 02. As pinturas destacadas na questão procuram apresentar concepções e ângulos diferentes ao se referir ao processo de independência do Brasil, parecendo cumprir uma função política legitimadora. Ainda que em ambos a condição de D. Pedro, futuro Imperador, apareça como personagem principal, é possível verificar diferenças nas duas obras. Na primeira, a independência é retratada por um caráter mais formal e solene, com D. Pedro rodeado por militares, assumindo, desta forma, um papel heroico ao se contrapor as ordens de retorno imediato para sua terra natal. Na segunda, o Imperador é saudado por elementos de diversos segmentos sociais, o que possivelmente foi uma tentativa de auferir um significado popular ao processo de independência. Reposta: A 03. Foram as antigas rivalidades entre os franceses e ingleses que levaram ao estabelecimento do Bloqueio Continental por Napoleão Bonaparte, em 1806. Fracassada na tentativa de dominar militarmente (Batalha de Trafalgar), a França pretendia debilitar economicamente a Inglaterra, pioneira na Revolução Industrial, que seria então privada de fontesde matérias-primas e de mercados consumidores na Europa. Tal processo resultou na transferência da Corte portuguesa para o Brasil. Resposta: E 04. A questão aborda as dificuldades enfrentadas para a concretização de um projeto de industrialização no Brasil. Observe que, mesmo com o fim da proibição às manufaturas, promovida pelo Príncipe Regente D. João com o Alvará de Liberdade para as indústrias, o projeto industrializante não se concretizou, pois a hegemonia inglesa sobre Portugal e, consequentemente, sobre o Brasil inviabilizava um projeto industrial autônomo na medida em que a Inglaterra desfrutava no Brasil de grandes vantagens comerciais (alfandegárias). Resposta: B 05. A presença da Corte portuguesa no Brasil foi responsável por várias e importantes transformações na mais importante colônia lusitana, que culminaram na sua elevação a Reino Unido e posterior independência política. A diversidade de eventos citados na questão dizem respeito a aspectos da política interna e externa de D. João no Brasil. Uma das consequências dessa transferência foi a anexação da Guiana Francesa e da Província Cisplatina após a declaração de guerra à França napoleônica. Resposta: C 06. A obra Independência ou Morte, atualmente no salão nobre do Museu Paulista da USP, é a principal obra do museu e a mais divulgada de Pedro Américo, sendo uma das grandes representações do patrimônio artístico brasileiro. Para solucionar a questão, observemos que o contexto no qual Pedro Américo pintou o quadro (1888) era um momento em que o Império caminhava a passos largos para o seu fim, que ocorreria no ano seguinte (1889) com a Proclamação da República. Acreditava-se que o pintor buscava resgatar as raízes (memória) do Brasil independente, estabelecendo o rompimento com a Metrópole portuguesa como uma atitude heroica de D. Pedro I (pai de D. Pedro II), que rompeu com seus patrícios em virtude dos interesses brasileiros. A posição central que D. Pedro I ocupava no quadro denuncia a intenção de ocultar que a independência do Brasil resultou de um processo e não de um ato isolado de heroísmo. De fato, podemos considerar que o processo de independência do Brasil se iniciou com a transferência da Corte portuguesa para o Brasil, especialmente a partir da decisão pela Abertura dos Portos de 1808, que rompeu de maneira efetiva o pacto colonial. Além disso, podemos destacar que a montagem, por parte de D. João VI, de uma infraestrutura administrativa dotou progressivamente a colônia de maior grau de autonomia. Resposta: B 07. A leitura atenta do texto oferecido na questão nos permite chegar à resposta correta, no entanto, é preciso contextualizá-la. A independência não significou para o Brasil o abandono da estrutura social e econômica montada desde os primórdios da colonização. A ruptura se deu muito mais ao nível político, em relação a sua antiga metrópole. Em termos econômicos, isso não se repetiu, pois as vantagens que ingleses começaram a ter no Brasil, desde a Abertura dos Portos, estabeleceram fortes laços de dependência econômica entre Brasil e Inglaterra, fazendo com que o Brasil funcionasse como uma área fornecedora de matérias-primas e consumidora de produtos manufaturados, contribuindo para que o Brasil tivesse um processo tardio de industrialização. Resposta: C 08. A questão faz referência à demanda por mudanças que marcavam os interesses dos grupos populares, especialmente negros e mulatos, no período da independência do Brasil. A autonomia política não foi acompanhada por grandes transformações econômicas e sociais, mantendo-se velhas estruturas coloniais, como o latifúndio, a economia agrária exportadora, a escravidão e a exclusão social. Essa situação levou ao surgimento de movimentos e ideias que resgatavam o processo de independência do Haiti, marcado pelo radicalismo e a violência, principalmente contra os brancos. Resposta: A 09. O texto do ex-ministro e economista Rubens Ricupero retrata o processo de transição da dependência política do Brasil em relação a Portugal para dependência econômica em relação a Inglaterra, tendo como marco fundamental a Abertura dos Portos em 1808, que na prática eliminava o pacto colonial. Os tratados comerciais assinados em 1810 favoreceram ainda mais os ingleses, que passaram a ter no Brasil um importante mercado para seus produtos industrializados. Resposta: A 10. A transferência da Corte portuguesa para o Brasil se explica no contexto das Guerras Napoleônicas, em que a França pretendia, por meio do Bloqueio Continental, fragilizar a Inglaterra. Eis o dilema português, pois dependia economicamente da Inglaterra e temia por uma ação militar francesa ao seu território. Ainda que não possamos desprezar a questão da impossibilidade ou mesmo inviabilidade de Portugal enfrentar os franceses em uma possível invasão, sabe-se, por meio de relatos, que não era a primeira vez que os portugueses pensavam na hipótese de transferir-se para o Brasil, especialmente em momentos de crise. Resposta: C 7F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// Módulo de estudo OSG.: 118289/17 11. Ao avaliar o momento da transferência da Corte portuguesa para o Brasil, percebemos uma singularidade, já que era a primeira vez que uma metrópole executava um plano de transferência de sua administração para uma de suas colônias, tendo ainda esse episódio contribuído para acelerar a independência do Brasil. Ainda que por motivações externas – no caso, a pressão francesa, que decretou o Bloqueio Continental contra os ingleses, ameaçando quem o desrespeitasse –, a presença portuguesa no Brasil provocou muitas transformações. A primeira parada ocorreu na Bahia, mas a permanência ali duraria pouco. Após a chegada, uma das principais medidas decretadas foi a Abertura dos Portos, compromisso assumido com os ingleses que fizeram a escolta dos navios portugueses. Esse decreto teve várias implicações econômicas para a colônia. Entre os seus desdobramentos veio a liberdade comercial e a liberação para indústria. Já no Rio de Janeiro foram tomadas inúmeras medidas para dotar a capital de um mínimo de infraestrutura. Dessa necessidade foram criados o Banco do Brasil, a Imprensa Régia, Biblioteca, a Academia Militar, Universidades e o Jardim Botânico. Títulos foram concedidos e foi formado um corpo técnico de burocratas. Mais tarde, consequência dos episódios na cidade do Porto que exigiam o retorno da família real para Portugal, D. João VI retorna, mas deixa seu filho no Brasil como príncipe regente. Resposta: D 12. O dia sete de setembro de 1822, data símbolo da independência do Brasil, aparece nessa questão como resultado de um longo processo que se inicia com a transferência da família real portuguesa para o Brasil e da montagem de toda uma infraestrutura que dotaria a colônia de um elevado grau de autonomia, a ponto de determinados historiadores se referirem a esse momento como a fase da “inversão”, já que a colônia virou centro das decisões políticas. Porém, o retorno de D. João VI para Portugal e a tentativa de refazer o pacto colonial consubstanciado nos propósitos da Revolução Liberal do Porto acentuaram as divergências entre brasileiros e portugueses. Resposta: B 13. O processo de independência política do Brasil se caracterizou por ser um movimento articulado pelas elites, em especial pela aristocracia rural brasileira, que não pretendia alterar drasticamente a estrutura econômica e social do Brasil herdada do período colonial, que se evidenciou na manutenção do modelo agrário, exportador e escravista após o rompimento com a metrópole. Para tanto, era indispensável a manutenção do regime monárquico, o que explica a aproximação dos segmentos da elite agrária e da alta burocracia ao príncipe regente D. Pedro, evitando que ele cedesse às pressões para retornar a Portugal. Resposta: D 14. A chegada da Corte despejou quase 15 mil portugueses no Rio deJaneiro e contribuiu para mudanças significativas nos costumes da sociedade colonial, que procurava cada vez mais copiar os hábitos europeus, cujo padrão de comportamento era a França. As mudanças não se limitavam aos aspectos socioculturais, pois, nesse momento, o Brasil passou a ser a sede da monarquia portuguesa e centro das decisões políticas, tendo alcançado seu ápice em 1815, quando foi elevado à categoria de Reino Unido de Portugal. Resposta: A 15. No processo de crise do sistema colonial no Brasil, ocorreram movimentos que contestavam aspectos da estrutura vigente, como a Conjuração Baiana, que defendia a liberdade dos escravos e a igualdade jurídica; e a Revolução Pernambucana, que criticava o regime monárquico. A independência do Brasil ocorreu a partir de um ajuste de interesses das elites nacionais que se uniram em torno do príncipe regente Dom Pedro, excluindo as massas das decisões políticas e preservando as velhas estruturas coloniais. Resposta: D SUPERVISOR/DIRETOR: MARCELO PENA – AUTOR: DAWISON SAMPAIO DIG.: REJANE/REV.: ALLANA FRENTE: HISTÓRIA I PROFESSOR: DAWISON SAMPAIO ASSUNTO: O PRIMEIRO REINADO (1822 A 1831) OSG.: 118290/17 CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS EAD – MEDICINA AULA 8 Repensando nossa independência A questão do reconhecimento o o Aspectos Políticos – Projetos Constitucionais 2 OSG.: 118290/17 MÓDULO DE ESTUDO Reação do Nordeste: A Confederação do Equador de 1824 Abdicação de D. Pedro I Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Liberal_Wars.jpg> http://pt.wikipedia.org/wiki/Charge http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerras_Liberais http://pt.wikipedia.org/wiki/1831 http://pt.wikipedia.org/wiki/1834 http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/cc/Liberal_Wars.jpg http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Liberal_Wars.jpg 3 OSG.: 118290/17 MÓDULO DE ESTUDO 4 OSG.: 118290/17 MÓDULO DE ESTUDO 5 OSG.: 118290/17 MÓDULO DE ESTUDO Resolução 6 OSG.: 118290/17 MÓDULO DE ESTUDO 7 OSG.: 118290/17 MÓDULO DE ESTUDO CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// Professor(a): Dawison sampaio assunto: o períoDo Das regências (1831 a 1840) frente: História i OSG.: 118291/17 AULA 09 EAD – MEDICINA Resumo Teórico Contexto Geral das Regências 1. Debate político: em torno da centralização ou descentralização do poder. 2. Intensa agitação política e social em várias províncias: • Cabanagem (PA), popular. • Malês (BA), escravos. • Sabinada (BA), segmentos médios. • Balaiada (MA), popular. • Farroupilha(RS), elitista*. * Ainda que contassem com a participação de diversos segmentos, inclusive de escravos, a Farroupilha se constituiu como uma revolta ligada aos interesses de latifundiários gaúchos insatisfeitos com o modelo econômico que restringia e prejudicava seus interesses. http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Periodo_Regencial_rebeli%C3%B5es.svg Observações: As Revoltas Regenciais representavam uma ameaça à ordem monárquica na medida em que algumas delas possuíam propostas republicanas, outras colocavam em questão a escravidão, um dos pilares de sustentação do regime, e todas, de maneira geral, expressavam uma crise de autoridade do Governo Central em relação aos interesses políticos locais. Tendências políticas do Período 1. Restauradores ou Caramurus: • Portugueses, descendentes de portugueses e burocratas ligados ao antigo governo de D. Pedro I. • Contrários a qualquer reforma política (conservadores). • Objetivo: volta de D. Pedro I. 2. Liberais Moderados ou Chimangos: • Proprietários rurais, especialmente do Sudeste. • Monarquistas e escravistas. • Principal força política que controlava o governo na época. 3. Liberais Exaltados ou Farroupilhas ou Jurujubas: • Em geral, lutavam pelo Federalismo, pelo fim da Monarquia e pela proclamação da República. • Alguns pregavam ideais democráticos inspirados na Revolução Francesa. • Foco de revoltas. O Avanço Liberal 1. Predomínio da descentralização política. 2. Regência Trina provisória: Brigadeiro Francisco de Lima e Silva, Nicolau Pereira de Campos Vergueiro e José Carneiro de Campos. • Curta duração (abr/jul 1831). • Apenas para manter a ordem aristocrática. Suspensão provisória do Poder Moderador. Proibição de criar novos impostos. Proibição de dissolver a Câmara de Deputados. Eleição de uma Regência Permanente. 3. Regência Trina Permanente (1831-1834): José da Costa Carvalho, João Bráulio Muniz e, novamente, pelo Brigadeiro Francisco de Lima e Silva. a) Feijó: Ministro da Justiça, cria a Guarda Nacional em 1831. Objetivo: oferecer uma base militar que desse sustentação política às tradicionais oligarquias no poder. Composição: formada pelos grandes proprietários de terras (Coronel: fazendeiro mais poderoso) e seus seguidores. 2F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// Módulo de estudo OSG.: 118291/17 Batalhão de fuzileiros da Guarda Nacional (1840-1845) http://pt.wikipedia.org/wiki/Guarda_Nacional_(Brasil)#mediaviewer/ Ficheiro:Batalh%C3%A3o_de_Fuzileiros_da_Guarda_Nacional.jpg b) Criação do Código de Processo Criminal (1832): Autoridade judiciária e policial (nos municípios) aos “juízes de paz”, eleito entre os grandes proprietários. c) Ato Adicional de 1834: Reforma Constitucional (Ensaio republicano ou código da anarquia?) A Regência Trina passou a ser Regência Una, eletiva por um período de 4 anos (semelhante ao Presidencialismo). Criação das Assembleias Legislat ivas Provinciais (Assemelhava-se ao federalismo), porém a Capital nomeava os Presidentes de Província. Foi criado o Município Neutro do Rio de Janeiro (semelhante ao Distrito Federal). Suspensão do Poder Moderador e do Conselho de Estado. d) Regência Una de Feijó (1835-1837): Várias revoltas pelo país (Cabanagem, Sabinada e Revolução Farroupilha). Divisão nos Liberais Moderados. ♦ Progressistas (posteriormente liberais): classe média urbana, alguns proprietários rurais e alguns membros do clero. Favoráveis a Feijó e ao Ato Adicional. ♦ Regressistas (posteriormente conservadores): maioria dos grandes proprietários, grandes comerciantes e burocratas. Centralizadores e contrários ao Ato Adicional. Feijó renuncia em 1837 (oposição crescente). O Regresso Conservador (1837 a 1840) 1. Regência Una de Araújo e Lima (1837-1840). a) Regressistas no poder. b) Retorno da centralização monárquica. c) Lei Interpretativa do Ato Adicional (1840): anulação prática do Ato Adicional. Buscava a centralização como forma de enfrentar os levantes provinciais que ameaçavam a ordem estabelecida, limitando os poderes das Assembleias Legislativas Provinciais. d) Capital (RJ) com poderes para nomear funcionários públicos, controlar órgãos da polícia e da justiça nos estados. 2. Golpe da Maioridade: a) Contexto: Instabilidade das regências (revoltas). Disputas políticas (liberais × conservadores). b) Articulado pelos liberais (objetivo de retomar o poder). Clube da Maioridade. c) Visto como uma solução política, devido à restauração do Poder Moderador. Aclamação de D. Pedro II, em 9 de abril de 1831, por Debret. http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Aclama%C3%A7%C3%A3o_ de_D_Pedro_II_em_1831_by_Debret.jpg Observações: Articulado pelos Liberais, a maioridade de D. Pedro II foi a solução para a crise, pois teve como consequência a restauração do Poder Moderador, além de ser o mecanismo encontrado pelas elites imperiais de retorno à ordem com o fim das revoltas descentralizadoras que ameaçavam a unidade do Império e dos confrontosgerados pelas regências. Exercícios 01. (Enem 2010 – 1ª aplicação) Após a abdicação de D. Pedro I, o Brasil atravessou um período marcado por inúmeras crises: as diversas forças políticas lutavam pelo poder e as reivindicações populares eram por melhores condições de vida e pelo direito de participação na vida política do país. Os conflitos representavam também o protesto contra a centralização do governo. Nesse período, ocorreu também a expansão da cultura cafeeira e o surgimento do poderoso grupo dos “barões do café”, para o qual era fundamental a manutenção da escravidão e do tráfico negreiro. O contexto do Período Regencial foi marcado A) por revoltas populares que reclamavam a volta da monarquia. B) por várias crises e pela submissão das forças políticas ao poder central. C) pela luta entre os principais grupos políticos que reivindicavam melhores condições de vida. D) pelo governo dos chamados regentes, que promoveram a ascensão social dos “barões do café”. E) pela convulsão política e por novas realidades econômicas que exigiam o reforço de velhas realidades sociais. 02. (Unicamp/2017) O escritor José de Alencar relata como ocorriam as reuniões do Clube da Maioridade, realizadas na casa de seu pai, em 1840. Discutia-se, nessas ocasiões, a antecipação da maioridade do imperador D. Pedro II, então com apenas 14 anos, para que ele pudesse assumir o trono antes do tempo determinado pela Constituição. No fim da vida, José de Alencar rememora os 3 F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// OSG.: 118291/17 Módulo de estudo episódios de sua infância e chega a uma surpreendente conclusão: os políticos que frequentavam sua casa na ocasião iam lá não porque estavam pensando no futuro do país, mas apenas para devorar tabletes e bombons de chocolate. Conforme o relato do escritor, os membros do Clube da Maioridade, discutindo altos assuntos na sala de sua casa, pareciam realmente gente séria e preocupada com os destinos do Brasil, até que chegava a hora do chocolate. Para Alencar, a discussão política no Brasil se resumia a um “devorar de chocolate”, isto é, cada um defendia apenas seus interesses particulares e nada mais. Daniel Pinha Silva, “O império do chocolate”. Disponível em: <http://www.revistadehistoria.com.br/secao/leituras/ o-imperio-do-chocolate> Acesso em: 01/08/2016. Sobre o Golpe da Maioridade e a visão de José de Alencar a esse respeito, é correto afirmar que A) o golpe foi uma manobra das elites políticas, que criaram uma forma de alterar a Constituição e contemplar os seus interesses durante o período regencial, fato criticado por Alencar ao fazer uma anedota com o chocolate. B) ao entregar o poder a um jovem de 14 anos, alegando ser maior de 18, os políticos do Império manifestavam uma ousada visão política para evitar a influência da Inglaterra nos assuntos brasileiros, preservando seus interesses como donos de escravos. C) o golpe foi uma resposta dos conservadores às propostas liberais que pretendiam estabelecer a República no país, e Alencar apontou uma prática política dos parlamentares que é recorrente na história do país. D) José de Alencar expressou sua decepção com os políticos e, ao registrar sua visão sobre o Clube da Maioridade, o escritor contribuiu para inibir procedimentos semelhantes durante o Império, assegurando uma transição pacífica e legal para a República, em 1889. 03. (UFC/2007) Leia o texto a seguir. O que fazer com a revolução? Havia basicamente três respostas: negar (os absolutistas ou ultramonarquistas), completar e encerrar (vertente conservadora do liberalismo) e continuar (vertente revolucionária do liberalismo). Impossível era ignorá-la. MOREL, Marcos. O período das Regências (1831-1840). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003, p. 21. O texto faz referência ao contexto posterior à abdicação de D. Pedro I, detendo-se nas concepções sobre a revolução dos três grupos políticos que se embateram durante a Regência Trina (1831-1834). Assinale a alternativa que contempla esses três grupos. A) Saquaremas, luzias e caramurus. B) Restauradores, moderados e exaltados. C) Partido Brasileiro, Partido Português e Partido Inglês. D) Partido Conservador, Partido Liberal e Partido Republicano. E) Partido Conservador, Partido Liberal e Partido Progressista. 04. (Uespi/2012) Durante o Governo Regencial foi criada, no Brasil, a Guarda Nacional (1831), que teve entre seus objetivos A) apoiar o reinado de D. Pedro I na consolidação da Independência. B) proteger os grupos que lideravam a oposição à aristocracia rural. C) substituir as tropas das milícias do exército e reforçar o poder das elites agrárias. D) proteger as fronteiras quanto a possíveis invasões, sobretudo as do Nordeste. E) conter as rebeliões e motins que pudessem perturbar a ordem institucional militar. 05. (IBMEC/RJ-2009.2) Medida jurídica da maior importância, o Ato Adicional de 1834 introduziu as seguintes reformas no Período Regencial brasileiro: A) reabertura do Banco do Brasil e a transformação da Regência Trina em Una. B) separação entre a Igreja e o Estado e a criação do parlamentarismo. C) fim do regime de Capitanias Hereditárias e a instituição da Lei de Terras. D) criação das Assembleias Legislativas Provinciais e a supressão do Conselho de Estado. E) suspensão do Poder Moderador e a introdução da eleição direta para os cargos de regente, com a participação de todos os cidadãos maiores de 21 anos. 06. (Unesp/2015) A escravatura, que realmente tantos males acarreta para a civilização e para a moral, criou no espírito dos brasileiros este caráter de independência e soberania, que o observador descobre no homem livre, seja qual for o seu estado, profissão ou fortuna. Quando ele percebe desprezo, ou ultraje da parte de um rico ou poderoso, desenvolve-se imediatamente o sentimento de igualdade; e se ele não profere, concebe ao menos, no momento, este grande argumento: não sou escravo. Eis aqui no nosso modo de pensar, a primeira causa da tranquilidade de que goza o Brasil: o sentimento de igualdade profundamente arraigado no coração dos brasileiros. Padre Diogo Antônio Feijó apud Miriam Dolhnikoff. O pacto imperial, 2005. O texto, publicado em 1834 pelo Padre Diogo Antônio Feijó, A) parece rejeitar a escravidão, mas identifica efeitos positivos que ela teria provocado entre os brasileiros. B) caracteriza a escravidão como uma vergonha para todos os brasileiros e defende a completa igualdade entre brancos e negros. C) defende a escravidão, pois a considera essencial para a manutenção da estrutura fundiária. D) revela as ambiguidades do pensamento conservador brasileiro, pois critica a escravidão, mas enfatiza a importância comercial do tráfico escravagista. E) repudia a escravidão e argumenta que sua manutenção demonstra o desrespeito brasileiro aos princípios da igualdade e da fraternidade. 07. (ESPM/2014) Num momento da história do império conhecido como “avanço liberal”, durante as regências, foram adotadas algumas medidas que concediam maior poder à representação local. Sônia Guarita do Amaral. O Brasil como império. Aponte, entre as alternativas, aquela que apresenta duas reformas liberais. A) Ato Adicional – Reforma do Código de Processo Criminal. B) Lei de Terras – Lei Saraiva Cotegipe. C) Lei Rio Branco – Código de Processo Criminal. D) Tarifa Alves Branco – Lei Interpretativa do Ato Adicional. E) Código de Processo Criminal – Ato Adicional. 08. (UFRGS/2011) O cargo de Juiz de Paz teve suas funções regulamentadas pelo Código de Processo Criminal de 1832. Esses juízes representavam o liberalismo brasileiro durante o Período Regencial. Esses magistrados eram A) nomeados diretamente pelo Imperador, exercendo as funções de chefe de polícia. B) designados diretamente pelo Ministro da Justiça, exercendo as funções de Promotor Público. 4 F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// OSG.: 118291/17 Módulode estudo C) eleitos pelos cidadãos para exercer funções conciliatórias e de qualificação eleitoral. D) eleitos pelos deputados gerais para administrar os bens dos órfãos e de pessoas ausentes. E) indicados pelo presidente provincial para pacificar os conflitos pela terra. 09. (Fuvest/2009) Nossas instituições vacilam, o cidadão vive receoso, assustado; o governo consome o tempo em vãs recomendações... O vulcão da anarquia ameaça devorar o Império: aplicai a tempo o remédio. Padre Antônio Feijó, em 1836. Essa reflexão pode ser explicada como uma reação à A) revogação da Constituição de 1824, que fornecia os instrumentos adequados à manutenção da ordem. B) intervenção Armada Brasileira na Argentina, que causou grandes distúrbios nas fronteiras. C) disputa pelo poder entre São Paulo, centro econômico importante, e Rio de Janeiro, sede do governo. D) crise decorrente do declínio da produção cafeeira, que produziu descontentamento entre proprietários rurais. E) eclosão de rebeliões regionais, entre elas a Cabanagem, no Pará, e a Farroupilha, no sul do país. 10. (Uern/2015) Após a abdicação de Dom Pedro I, políticos intitulados regentes governaram o Brasil em nome do Imperador, já que o herdeiro do trono, seu filho Dom Pedro II, tinha apenas 5 anos. Essa fase de grande agitação social e política, vai de abril de 1831 a julho de 1840. Observe as duas gravuras relativas às revoltas sociais características desse período histórico específico. Disponível em: <Figurhttp://www.google.com/search?q=252Fwww. brasilescola.com%252Fhistoriab%252F.htm%3B367%3B257>. Disponível em: <https://www.google.com.search?q=rebelioes+ regenciais&_locale%253Des%3B265%3B400 É correto afirmar que as gravuras referem-se, respectivamente, a A) Carrancas e Sabinada. B) Farroupilha e Cabanagem. C) Balaiada e Revolta dos Malês. D) Revolta do Guanais e Setembrada. 11. (Unesp/2013) A Revolução Farroupilha foi um dos movimentos armados contrários ao poder central no Período Regencial brasileiro (1831-1840). O movimento dos Farrapos teve algumas particularidades, quando comparado aos demais. “Em nome do povo do Rio Grande, depus o governador Braga e entreguei o governo ao seu substituto legal Marciano Ribeiro. E em nome do Rio Grande do Sul eu lhe digo que nesta província extrema [...] não toleramos imposições humilhantes, nem insultos de qualquer espécie. [...] O Rio Grande é a sentinela do Brasil, que olha vigilante para o Rio da Prata. Merece, pois, maior consideração e respeito. Não pode e nem deve ser oprimido pelo despotismo. Exigimos que o governo imperial nos dê um governador de nossa confiança, que olhe pelos nossos interesses, pelo nosso progresso, pela nossa dignidade, ou nos separaremos do centro e com a espada na mão saberemos morrer com honra, ou viver com liberdade.” Bento Gonçalves [Carta ao Regente Feijó, setembro de 1835] apud Sandra Jatahy Pesavento. A Revolução Farroupilha, 1986. Entre os motivos da Revolução Farroupilha, podemos citar A) o desejo rio-grandense de maior autonomia política e econômica da província frente ao poder imperial, sediado no Rio de Janeiro. B) a incorporação, ao território brasileiro, da Província Cisplatina, que passou a concorrer com os gaúchos pelo controle do mercado interno do charque. C) a dificuldade de controle e vigilância da fronteira sul do império, que representava constante ameaça de invasão espanhola e platina. D) a proteção do charque rio-grandense pela Corte, evitando a concorrência do charque estrangeiro e garantindo os baixos preços dos produtos locais. E) a destruição das lavouras gaúchas pelas guerras de independência na região do Prata e a decorrente redução da produção agrícola no Sul do Brasil. 12. (Mackenzie/2005) Durante o Período Regencial, o processo de integração política do Brasil foi marcado por uma série de rebeliões. Assinale a alternativa que apresenta a correta relação entre essas rebeliões e o centralismo da época. a) As rebeliões regenciais foram movimentos de cunho exclusivamente econômico, que tiveram em comum o objetivo de reduzir a cobrança de impostos e taxas realizada pelo governo central. b) Todos os movimentos chamados rebeliões do período regencial tiveram como característica comum a luta pela descentralização político-administrativa, visando à autonomia provincial. c) Para os grandes proprietários rurais, interessava que as Assembleias provinciais não tivessem o mínimo de autonomia e que sua liberdade de ação fosse controlada pelo governo no Rio de Janeiro. d) Os participantes das rebeliões coloniais (Balaiada, Cabanagem, Sabinada e Farroupilha) desejavam, todos, a implantação imediata de um regime republicano de governo em todo o território brasileiro. E) Nesse período de transição, do Primeiro Império para o Segundo, as lutas das várias correntes políticas regionais representavam opiniões diferentes a respeito da maneira de organizar a economia do país. 5 F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// OSG.: 118291/17 Módulo de estudo 13. (Uespi/2012) Entre os movimentos sociais que contestavam o poder centralizado do Império brasileiro, destaca-se o conflito cuja duração se estendeu da Regência ao Segundo Reinado, reconhecido como A) Confederação do Equador, que, iniciando-se em Pernambuco, contou com a adesão de grande parte das demais províncias nordestinas. B) Revolução Praieira, que se singularizou pela luta contra o poder das oligarquias locais de Pernambuco. C) Revolta dos Malês, ocorrida em Salvador (BA) e organizada por negros de religião muçulmana, sendo considerada a maior rebelião de escravos do Brasil. D) Guerra dos Farrapos, empreendida pelos Republicanos gaúchos, denominados de Farroupilhas, em que lutaram juntos grandes estancieiros, peões e escravos. E) Revolta de Beckman, deflagrada no Maranhão pelos colonos, contra o poder dos jesuítas e o monopólio comercial português. 14. (Unicamp/Simulado 2011) Desde 1835, cogitava-se antecipar a ascensão de D. Pedro II ao trono. A expectativa de um imperador capaz de garantir segurança e estabilidade ao país era muito grande. Na imagem do monarca, buscava-se unificar um país muito grande e disperso. Lilia Moritz Schwarcz. As barbas do imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 64, 70, 91. Adaptado. No Período Regencial, a estabilidade e a unidade do país estavam ameaçadas porque A) a ausência de um governo central forte causara uma crise econômica, devido à queda das exportações e à alta da inflação, o que favorecia a ocorrência de distúrbios sociais e o aumento da criminalidade. B) o desenvolvimento econômico ocorrido desde a transferência da Corte Portuguesa para o Rio de Janeiro levou as elites provinciais a desejarem a emancipação em relação à metrópole. C) a ausência de um representante da legitimidade monárquica no trono permitia questionamentos ao governo central, levando ao avanço do ideal republicano e à busca de maior autonomia por parte das elites provinciais. D) a expansão da economia cafeeira no sudeste levava as elites agrárias a desejarem uma maior participação no poder político, levando à ruptura da ordem monárquica e à instauração da república. 15. (Vunesp/2010.2) Entre as várias rebeliões ocorridas no Período regencial, destaca-se a chamada Guerra dos Farrapos, iniciada em 1835. O conflito A) prosseguiu até a metade da década seguinte, quando o governo do Segundo Império aumentou os impostos de importação dos produtos bovinos argentinos e anistiou os revoltosos. B) demonstra que as disputas comerciais entre Brasil e Argentina se iniciaram logo depois da independência e desde então se agravaram, até atingir a atual rivalidade entre os dois países. C) permitiu a adoção de um regime federalista no Brasil, uma vez que as negociações entre o governo imperial e os rebeldes determinaram a autonomia política riograndense. D) revelaa impossibilidade de estabelecer relações políticas e diplomáticas na América Latina após a independência política e durante o período de formação dos estados nacionais. E) impediu a continuação do Período Regencial e levou à aceitação de outra exigência dos participantes da revolta: a antecipação da maioridade do futuro imperador Pedro II. Resolução 01. O debate entre a centralização e descentralização do poder estava na ordem do dia no Período Regencial. O quadro de convulsão social, envolvendo as diversas forças políticas, é resultado desse debate do qual emergem as inúmeras revoltas nas províncias que revelam as contradições de interesses dos diversos grupos sociais envolvidos. Em comum entre elas, o desejo de maior autonomia ante o poder central. Resposta: E 02. O Período Regencial (1831 a 1840) foi marcado por forte instabilidade política e social. A antecipação da maioridade era vista por determinados grupos como uma forma de amenizar as disputas políticas e fortalecer o poder central para que este dispusesse de instrumentos para combater as agitações sociais, como a Farroupilha, que ameaçava as bases da Monarquia. Convém lembrar que o episódio do Golpe da Maioridade, que antecipou D. Pedro II no trono, em 1840, com apenas 14 anos, foi uma articulação política dos liberais, que pretendiam tomar o poder que estava nas mãos dos conservadores. Por fim, o relato de José de Alencar, oferecido na questão, retrata metaforicamente o comportamento dos grupos políticos que se reuniam no Clube da Maioridade, que buscavam tão somente satisfazer seus interesses pessoais, em detrimento dos problemas gerais da nação. Essa percepção de Alencar converge para a clássica frase de Oliveira Viana, que vaticinava que “não há nada mais liberal que um conservador governando, e não há nada mais conservador que um liberal na oposição”. Resposta: A 03. Com a abdicação de D. Pedro I, em 1831, ocorreu uma reformulação das correntes políticas que existiam no Primeiro Reinado. Grande parte do Partido Português reuniu-se em torno do Partido Restaurador, que pretendia, entre outras coisas, trazer de volta a figura do Imperador. Já o grupo do Partido Brasileiro, em grande parte, migrou para o grupo dos liberais moderados que desejavam limitar o poder do Imperador, ainda que mantendo a Monarquia. Uma pequena parte ainda compôs, junto com alguns segmentos sociais interessados em mudanças no sistema político, o grupo dos liberais exaltados. Resposta: B 04. Criada pelo ministro da justiça, Diogo Antônio Feijó, em 1831, a Guarda Nacional era comandada por elementos da elite agrária numa organização paramilitar que tinha por finalidade manter a ordem pública, numa perspectiva elitista, combatendo as ações rebeldes nas diversas regiões do Brasil. Resposta: C 05. A Instabilidade política e social foram as principais características do Período Regencial, que se estendeu de 1831 a 1840. As tensões que resultaram em inúmeras revoltas por todo o país ameaçavam a ordem monárquica, já que, via de regra, tais movimentos sociais objetivavam a república e o abolicionismo. Destaque-se ainda que o avanço destes movimentos colocavam em risco a unidade territorial do Brasil. Tentando, pelo menos em parte, solucionar tais 6 F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// OSG.: 118291/17 Módulo de estudo problemas, foi instituído um conjunto de medidas denominado de Ato Adicional, em 1834, que reformava a Constituição vigente desde 1824. Dentre essas medidas destaca-se a criação das Assembleias Legislativas Provinciais, que concedia maior autonomia para as províncias. Resposta: D 06. Diogo Antônio Feijó, ou simplesmente Pe. Feijó, foi um dos mais importantes personagens políticos dos tempos da Regência, criador da Guarda Nacional e primeiro regente eleito após as modificações promovidas pelo Ato Adicional de 1834. A questão, no entanto, depende muito mais da interpretação do texto do que do conhecimento histórico do que representou Feijó nesse momento. Observe que, no texto, Feijó identifica a escravidão como um mal, porém reconhece que o desejo de não ser escravo criou entre os brasileiros “caráter de independência e soberania, que o observador descobre no homem livre, seja qual for o seu estado, profissão ou fortuna”. Resposta: A 07. A fase inicial do Período Regencial, entre 1831 e 1837, foi marcada por medidas de caráter liberal, que promoveram uma relativa descentralização política ampliando os poderes locais. Entre essas medidas podemos destacar a criação do Código de Processo Penal ou Criminal em que ganhava destaque a figura do Juiz de Paz, e o Ato Adicional, que criou as Assembleias Legislativas Provinciais e suprimiu o Poder Moderador. Resposta: E 08. Na primeira fase das Regências algumas iniciativas foram tomadas no sentido de ampliar o poder local e diminuir o poder central. Dentre essas inciativas destacamos a aprovação do Código do Processo Criminal, em 1832, que regulamentava a atuação do Juízes de Paz que, assim como os coronéis que controlavam a Guarda Nacional, eram representativos do poder local. Espécie de juiz e delegado, sua escolha se dava por meio do voto dos cidadãos qualificados por critério censitário. Resposta: C 09. O texto, de autoria do Pe. Diogo Antônio Feijó, que ocupou o cargo de Ministro da Justiça na fase inicial das Regências, tendo criado nessa condição a Guarda Nacional, instrumento de controle social nas mãos da aristocracia, é um indicativo do quadro político e social que marcou todo esse período, marcado por profunda instabilidade política, devido a disputa entre os que pretendiam promover uma descentralização contra os que eram favoráveis à manutenção de uma estrutura centralizada do poder, além da intensa agitação social, manifesta em diversas revoltas espalhadas pelo país, como a Cabanagem, no Pará, e a Farroupilha, no Rio Grande do Sul. Resposta: E 10. Durante a fase das Regências eclodiram diversos movimentos provenientes das mais variadas classes, que buscavam contestar a ordem política e social. Porém, foi na Balaiada e na Revolta dos Malês que evidenciou-se o apelo popular em que escravos, ex-escravos, mulatos e demais camadas marginalizadas participaram e até mesmo comandaram esses movimentos. Observando as imagens, é possível perceber que, na primeira, negros estavam a fazer cestos, denominados balaios; na segunda, a descrição da obra de Debret indica um negro de origem muçulmana, conhecido por malês. Resposta: C 11. A questão procura estabelecer uma análise geral de um dos eventos mais importantes da história dos movimentos sociais do Brasil, a chamada Revolução Farroupilha. A questão dos impostos estava na origem do conflito, que rivalizava os interesses das elites locais e o centralismo imperial manifesto na questão dos impostos sobre a principal atividade na região, que era produção de charque. Ainda que contassem com a participação dos segmentos mais baixos da sociedade, inclusive de escravos, não podemos atribuir a abolição dos escravos e o desejo de usar a mão de obra livre como motivadores do movimento. Resposta: A 12. Os movimentos sociais que permearam toda a fase das Regências, chegando até mesmo ao Segundo Reinado, como no caso da Farroupilha, tiveram aspectos específicos que se explicam a partir das suas composições sociais e das causas gerais que os originaram. Porém, o desejo de maior autonomia e a crítica feroz ao centralismo monárquico era o que aproximava as principais revoltas desta fase da história do Brasil. Ainda que os ideais republicanos e abolicionistas estivessem presentes nestes movimentos, não podemos generalizá-los colocando-os como objetivos comuns de todas as revoltas regenciais. Resposta: B 13. Precisamos destacar que a Farroupilha foi a maior guerra civil da história brasileira, com duração aproximada de 10 anos, na qual os interesses da elite agrária produtora de charque se chocavamcom a política fiscal do império, que estabelecia vantagens ao charque platino. Seu diferencial, no entanto, se deve a que mesmo após quase uma década de batalhas, os revoltosos tiveram parte de suas reivindicações atendidas (em parte, pela composição predominantemente elitista do movimento), dentre elas, a mudança de comportamento da política fiscal que beneficiava os estrangeiros produtores de charque. Resposta: D 14. A abdicação de D. Pedro I, em 1831, em favor do seu filho de apenas 5 anos, gerou, no período conhecido como regencial, forte instabilidade política e social, pois a ausência – ou melhor, a impossibilidade do herdeiro legal assumir – permitiu disputas políticas daqueles que se opunham ao centralismo vigente no Primeiro Reinado, que se refletia nas mais diversas revoltas espalhadas pelo país. Tais movimentos sociais ainda que tivessem óbvias diferenciações de composição e de objetivos, buscavam maior autonomia ante ao poder central representando uma ameaça à ordem monárquica, por frequentemente firmarem compromissos com os ideais republicanos, federalistas e algumas até com o abolicionismo. Os críticos alertavam que, em caso de sucesso de tais movimentos, seria iminente o risco de que o país viesse a perder até a unidade territorial mediante a fragmentação do território. Resposta: C 7 F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// OSG.: 118291/17 Módulo de estudo 15. Entre os conflitos que se manifestaram nas diversas regiões do Brasil na fase das regências, a Farroupilha foi a que teve maior duração, se estendendo até o início do Segundo Reinado, em quase 10 anos de batalhas. Sua origem remonta à insatisfação dos criadores de gado com a política fiscal do Império, que concedia vantagens aos produtores de charque da região platina. O conflito só foi encerrado depois do estabelecimento de acordos com os rebeldes, os quais teriam parte de suas reivindicações atendidas. Embora esteja omisso na questão, devemos lembrar que contribuiu também para o encerramento do conflito a atuação militar do Barão de Caxias, o futuro Duque de Caxias. Resposta: A Anotações Supervisor/Diretor: Marcelo Pena – Autor: Dawison Sampaio Digitadora: Cirlene-29/08/2017 – Revisora: Mayara CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// Professor(a): Dawison sampaio assunto: o segunDo ReinaDo (1840 a 1889) frente: HistóRia i OSG.: 118292/17 AULA 10 EAD – MEDICINA Resumo Teórico Contexto Geral do Segundo Reinado Introdução: Relativa estabilidade • Os lucros do Café • Parlamentarismo às avessas. Fases: • Estruturação (1840 – 1850). • Apogeu (1850 – 1870). • Declínio (1870 – 1889). Política Interna Partidos políticos: Liberais x Conservadores • Sem divergências ideológicas profundas. • Ambos representavam elites econômicas. • Episódio das eleições do “Cacete”. (fraudes e violência) Funcionamento do Parlamentarismo no Império IMPERADOR PODER MODERADOR INDICA O PRES. DO CONSELHO C. DOS DEPUTADOS MAIORIA DO PART. “X” LEGISLATIVO PRES. DO CONSELHO PODER EXECUTIVO FORMA O MINISTÉRIO MINISTÉRIO PARTIDO “X” MANIPULA AS ELEIÇÕES ⇓ ⇓ ⇓ “Não há nada mais liberal do que um conservador governando; não há nada mais conservador do que um liberal na oposição.” Oliveira Viana Revolução Praieira de 1848 1. Influência das ideias liberais/socialistas. 2. Última grande revolta do período. 3. Reduto da revolta: Jornal “Diário Novo” – Rua da Praia. 4. Causas gerais: a) Concentração fundiária e crise econômica. b) O mandonismo da família Cavalcanti. c) Controle do comércio pelos portugueses. 5. “O Manifesto ao Mundo”. 6. Repressão ao movimento. Observações: Propostas do Manifesto ao Mundo • Voto Universal. • Liberdade de Imprensa. • Nacionalização do Comércio. • Eliminação do Senado. Vitalício e do poder moderador. • República Federalista. • Direito ao trabalho. Economia no Segundo Reinado 1. Fatores que contribuíram para o desenvolvimento da cafeicultura. a) Alto valor do produto. b) Fatores Naturais: Solo (“terra roxa”) e clima favoráveis. c) Desenvolvimento do mercado externo (EUA/Europa). 2. Zonas produtoras: Vale do Paraíba e Oeste Paulista. 3. Produto de maior importância na pauta de exportações. a) “O Brasil era o café e o café era o negro” (B. Fausto) b) Chegou a representar mais de 60% das exportações do Brasil. DÉCADA EXPORTAÇÕES 1851-60 48,8% 1861-70 45,5% 1871-80 56,6% 1881-90 61,5% 1891-1900 64,5% Fonte: Anuário Estatístico do Brasil de 1939 2F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// Módulo de estudo OSG.: 118292/177 4. Promoveu modernização e dinamização da economia. a) Ascensão dos Barões do Café. b) Desenvolvimento dos transportes (estradas de ferro, portos) e comunicações (telégrafo, telefone). c) Desenvolvimento de atividades urbanas paralelas (comércio, bancos, fábricas) Observações: O Brasil, durante o século XIX, especialmente na fase do Segundo Reinado, teve sua economia ligada ao setor agroexportador, sendo o café o elemento de maior importância, chagando a responder por mais de 60% das exportações no período. Esse fato se deve à ampliação do consumo mundial do café. Observe que, mesmo sendo um produto agrário, o café exigia uma melhor infraestrutura que resultou em investimentos em vários segmentos, como no setor de transportes, com destaque para os portos e ferrovias. 5. A Era Mauá: O surto industrial a) Lucros obtidos com o café: Aumento do meio circulante. b) Tarifa Alves Branco (1844): Aumento de tarifas para importados. c) Fim do tráfico negreiro (1850): Liberação de capitais para a indústria. Observações: Em meados do século XIX, os lucros obtidos com o café, a criação da Tarifa Alves Branco e o fim do tráfico negreiro, com a Lei Euzébio de Queirós, liberaram capitais e permitiram o Brasil viver um surto industrial. Ao mesmo tempo, surgia um grave problema que era a questão da mão de obra que poderia escassear devido ao fim do tráfico negreiro. Estimulando a imigração, o governo precisava se certificar que os recém-chegados não se negariam a trabalhar nas fazendas de café, e, para isso, editou a Lei de Terras que, ao regulamentar o uso e propriedade, dificultou sobremaneira o acesso à terra. d) Motivos do fracasso: • Falta de apoio do governo. • Sabotagens. • Concorrência inglesa. • Mentalidade Conservadora dos proprietários de escravos. Questões socioeconômicas no Segundo Reinado O problema de mão de obra 1. O problema de mão de obra a) O Bill Aberdeen (1845): Aumento do valor dos escravos. (Aumento do valor dos escravos.) b) Lei Eusébio de Queirós (1850) e o fim do tráfico. • Fim do tráfico de escravos. • Solução imediata: Tráfico interprovincial (NE-SE). ANO Nº DE ESCRAVOS 1849 54.000 1850 23.000 1851 3.000 1852 700 PRADO JÚNIOR, Caio. História Econômica do Brasil, p. 152. 2. Alternativas de mão de obra. a) Solução inicial: Tráfico interprovincial (NE-SE) b) Estímulo à imigração. • Contexto europeu (desemprego gerado pela revolução industrial e as guerras – unificação tardias da Itália e Alemanha) • A ideologia do branqueamento. ANO Nº DE IMIGRANTES 1886 30.000 1887 55.000 1888 133.000 PRADO JÚNIOR, Caio. História Econômica do Brasil, p. 190-1. 3. Tipos de imigração. a) Sistema de Parceria: iniciativa de Particulares, exploração do imigrante – Revolta em Ibicaba/SP. b) Sistema de Imigração Subvencionada: o Estado custeia parte das despesas. 4. Lei de Terras de 1850 e seus desdobramentos. • Regularização mediante à compra de registro das terras sem registro. • Dificultou o acesso à terra, ampliando a oferta de mão de obra para o cultivo do café. Observações: A expansão do cultivo do café coincidiu com o momento da aprovação da Lei Eusébio de Queiroz publicada em 1850 que estabeleceu o fim do tráfico negreiro. Tal dispositivo poderia ter criado um grave problema para os cafeicultores que poderiam ficar sem a quantidade necessária de mão de obra para a produçãodo café. Tal circunstância, no entanto, só não ocorreu, pelo menos como se imaginava, pois se recorreu ao tráfico interprovincial de escravos, oriundos sobretudo da região nordeste, sendo complementado mais tarde com a chegada de imigrantes europeus. Exercícios 01. (Enem/2013) MOREAUX, F. R. Proclamação da Independência Disponível em: www.tvbrasil.org.br. Acesso em: 14 jun. 2010. 3 F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// OSG.: 118292/17 Módulo de estudo FERREZ, M. D. Pedro II SCHWARCZ, L. M. As barbas do Imperador D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Cia. das Letras, 1998. As imagens, que retratam D. Pedro I e D. Pedro II, procuram transmitir determinadas representações políticas acerca dos dois monarcas e seus contextos de atuação. A ideia que cada imagem evoca é, respectivamente A) habilidade militar — riqueza pessoal. B) liderança popular — estabilidade política. C) instabilidade econômica — herança europeia. D) isolamento político — centralização do poder. E) nacionalismo exacerbado — inovação administrativa. 02. (Fuvest/2012) Examine a seguinte tabela: ANO Nº DE ESCRAVOS QUE ENTRARAM NO BRASIL 1845 19.453 1845 50.325 1847 56.172 1848 60.000 Dados extraídos de Emília Viotti da Costa. Da senzala à colônia. São Paulo: Unesp, 1998. A tabela apresenta dados que podem ser explicados A) pela lei de 1831, que reduziu os impostos sobre os escravos importados da África para o Brasil. B) pelo descontentamento dos grandes proprietários de terras em meio ao auge da campanha abolicionista no Brasil. C) pela renovação, em 1844, do Tratado de 1826 com a Inglaterra, que abriu nova rota de tráfico de escravos entre Brasil e Moçambique. D) pelo aumento da demanda por escravos no Brasil, em função da expansão cafeeira, a despeito da promulgação da Lei Aberdeen, em 1845. E) pela aplicação da Lei Eusébio de Queirós, que ampliou a entrada de escravos no Brasil e tributou o tráfico interno. 03. (Mackenzie/2004.1) A tela da atualidade política é uma paisagem uniforme; nada a perturba, nada a modifica. Dissera-se um país onde o povo só sabe que existe politicamente quando ouve o fisco bater-lhe à porta. O que dá razão a este marasmo? Machado de Assis, crônica publicada no Diário do Rio de Janeiro em 1/12/1861 A crítica do autor refere-se à política adotada durante o Segundo Reinado no Brasil (1840-1889). Com relação a esse período, podemos afirmar que: A) a adoção do parlamentarismo às avessas cooperou para a estabilidade política nessa época, impedindo que aspirações populares, divergentes dos interesses da elite agrária, fossem atendidas. B) inspirada no modelo parlamentar inglês, as atribuições políticas ficam concentradas nas mãos do Poder Moderador, permitindo um exercício mais democrático do poder. C) com a centralização político-administrativa, a monarquia estava assegurada, possibilitando que as eleições ocorressem livres de pressões ou fraudes. D) o Senado Vitalício e o Conselho de Estado não eram órgãos meramente consultivos do imperador; eles permitiam, mesmo que de forma limitada, a atuação de conservadores e liberais. E) a centralização de poderes no Poder Moderador ameaçava os interesses da aristocracia agrária, representada pelos Partidos Liberal e Conservador. 04. (PUC/PR/2009.2) O regime monárquico foi marcado na sua primeira fase por uma série de revoltas populares e revoluções que ameaçaram não só a manutenção da monarquia como também a própria integridade territorial do país. O último movimento de caráter revolucionário, ocorrido durante o período imperial e que foi influenciado pela agitação revolucionária europeia de 1848, foi: A) a Revolução Federalista, no Sul do Brasil. B) a Revolução Constitucionalista, em São Paulo. C) a Guerra do Contestado, em Santa Catarina. D) a Revolução Praieira, em Pernambuco. E) o Levante dos Posseiros, no Paraná. 05. (Unicid/SP/2011) Durante o reinado de D. Pedro II (1840-1889), estabeleceu-se no país um “parlamentarismo à brasileira”. Entre os pontos que diferenciavam esse sistema político do parlamentarismo clássico, pode-se destacar A) o fato de o governo estar efetivamente nas mãos do primeiro- ministro. B) a escolha do primeiro-ministro entre os membros do partido mais votado. C) o fato de o Gabinete ou Conselho de Estado depender da confiança da Câmara. D) o direito de o monarca demitir o primeiro-ministro de acordo com sua vontade. E) a função do rei de representar o Estado e não de governar a nação. 06. (UFRN/2004.1) Ironizando a vida política brasileira no Segundo Império, o escritor Machado de Assis, no dia 1º de dezembro de 1861, escreveu no Diário do Rio de Janeiro: O que há de política? É a pergunta que naturalmente ocorre a todos, e a que me fará o meu leitor, se não é ministro. O silêncio é a resposta. Não há nada, absolutamente nada. A tela da atualidade política é uma paisagem uniforme; nada a perturba, nada a modifica. Dissera-se um país onde o povo só sabe que existe politicamente quando ouve o fisco bater-lhe à porta. Apud ALENCAR, Francisco et al. História da sociedade brasileira. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1985. p. 151. 4 F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// OSG.: 118292/17 Módulo de estudo O texto de Machado de Assis se refere à A) opressão exercida contra a população brasileira, com a cobrança de impostos destinados à manutenção de uma corte dispendiosa. B) censura que vigorou no período imperial, decorrente da forma autoritária como o Imperador conduzia os destinos do país. C) permanência das elites no poder, garantida pela convergência de interesses entre os partidos liberal e conservador. D) indiferença da classe política brasileira pelos problemas relacionados à administração do Estado. 07. (IFMG/2010.1) Analise a tabela abaixo, referente à representação partidária no período imperial brasileiro: PARTIDO CONSERVADOR PARTIDO LIBERAL Proprietários Rurais 47,54% 47,83% Comerciantes 13,12% 8,69% Outros 18,03% 26,09% Sem informação 21,31% 17,39% FONTE: CARVALHO, José Murilo. A construção da ordem: teatro de sombras. Rio de Janeiro: UFRJ, Relume-Dumará, 1996. p. 192. Considerando-se o contexto sócio-político nesse período e as informações obtidas na tabela, é correto afirmar que A) a predominância de proprietários rurais e comerciantes acirrava os conflitos internos. B) os partidos políticos no Império representavam igualmente os interesses sociais no Brasil. C) o índice de filiados sem informação profissional refletia a atuação de escravos forros na política. D) a origem social comum dos membros fazia com que ambos os partidos representassem as elites econômicas. E) a presença de classes populares nos partidos facilitava a mobilização de massas através de comitês eleitorais. 08. (Unesp/2010) A expansão da economia do café para o oeste paulista, na segunda metade do século XIX, e a grande imigração para a lavoura de café trouxeram modificações na história do Brasil como A) o fortalecimento da economia de subsistência e a manutenção da escravidão. B) a diversificação econômica e o avanço do processo de urbanização. C) a divisão dos latifúndios no Vale do Paraíba e a crise da economia paulista. D) o fim da república oligárquica e o crescimento do movimento camponês. E) a adoção do sufrágio universal nas eleições federais e a centralização do poder. 09. (Enem/2009) O suíço Thomas Davatz chegou a São Paulo em 1855 para trabalhar como colono na fazenda de café Ibicaba, em Campinas. A perspectiva de prosperidade que o atraiu para o Brasil deu lugar à insatisfação e revolta, que ele registrou em livro. Sobre o percurso entre o porto de Santos e o planalto paulista, escreveu Davatz: “As estradas do Brasil, salvo em alguns trechos, são péssimas. Em quase toda parte, falta qualquer espécie de calçamento ou mesmo de saibro. Constam apenas de terra simples, sem nenhum benefício. É fácil preverque nessas estradas não se encontram estalagens e hospedarias como as da Europa. Nas cidades maiores, o viajante pode naturalmente encontrar aposento sofrível; nunca, porém, qualquer coisa de comparável à comodidade que proporciona na Europa qualquer estalagem rural. Tais cidades são, porém, muito poucas na distância que vai de Santos a Ibicaba e que se percorre em cinquenta horas no mínimo”. Em 1867 foi inaugurada a ferrovia ligando Santos a Jundiaí, o que abreviou o tempo de viagem entre o litoral e o planalto para menos de um dia. Nos anos seguintes, foram construídos outros ramais ferroviários que articularam o interior cafeeiro ao porto de exportação. Santos. DAVATZ, T. Memórias de um colono no Brasil. São Paulo: Livraria Martins, 1941 (adaptado). O impacto das ferrovias na promoção de projetos de colonização com base em imigrantes europeus foi importante, porque A) o percurso dos imigrantes até o interior, antes das ferrovias, era feito a pé ou em muares; no entanto, o tempo de viagem era aceitável, uma vez que o café era plantado nas proximidades da capital, São Paulo. B) a expansão da malha ferroviária pelo interior de São Paulo permitiu que mão de obra estrangeira fosse contratada para trabalhar em cafezais de regiões cada vez mais distantes do porto de Santos. C) o escoamento da produção de café se viu beneficiado pelos aportes de capital, principalmente de colonos italianos, que desejavam melhorar sua situação econômica. D) os fazendeiros puderam prescindir da mão de obra europeia e contrataram trabalhadores brasileiros provenientes de outras regiões para trabalhar em suas plantações. E) as notícias de terras acessíveis atraíram para São Paulo grande quantidade de imigrantes, que adquiriram vastas propriedades produtivas. 10. (Unesp/2016) Os colonos que emigram, recebendo dinheiro adiantado, tornam-se, pois, desde o começo, uma simples propriedade de Vergueiro & Cia. E em virtude do espírito de ganância, para não dizer mais, que anima numerosos senhores de escravos, e também da ausência de direitos em que costumam viver esses colonos na província de São Paulo, só lhes resta conformarem-se com a ideia de que são tratados como simples mercadorias ou como escravos. DAVATZ, Thomas. Memórias de um colono no Brasil (1850), 1941. O texto aponta problemas enfrentados por imigrantes europeus que vieram ao Brasil para A) trabalhar nas primeiras fábricas, implantadas na região Sudeste do país, para reduzir a dependência brasileira de manufaturados ingleses. B) substituir a mão de obra escrava nas lavouras de café e cana- -de-açúcar, após a decretação do fim da escravidão pela Lei Áurea. C) trabalhar no sistema de parceria, estando submetidos ao poder político e econômico de fazendeiros habituados à exploração da mão de obra escrava. D) substituir a mão de obra indígena na agricultura e na pecuária, pois os nativos eram refratários aos trabalhos que exigiam sua sedentarização. E) trabalhar no sistema de colonato, durante o período da grande imigração, e se estabeleceram nas fazendas de café do Vale do Paraíba e litoral do Rio de Janeiro. 5 F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// OSG.: 118292/17 Módulo de estudo 11. (Mackenzie/2011) A linha de força que conduziu os diversos estudos sobre a história do São Paulo oitocentista foi o desejo de explicar o notável crescimento do seu núcleo urbano. Como se sabe, na segunda metade do século XIX, a capital da província passou de 11ª maior aglomeração urbana do Brasil, em 1872, para a segunda em 1920, perdendo apenas para a capital do país. A grande questão era entender como e por que a cidade atingiu tão rapidamente tal posição. Maria Luiza Ferreira de Oliveira. Uma senhora na rua do Imperador: população e transformações urbanas na cidade de São Paulo Dentre as alternativas abaixo, assinale aquela que apresenta uma resposta satisfatória à indagação do texto. A) Apesar de sofrer investimentos advindos dos cafezais, São Paulo se beneficiou, principalmente, da produção açucareira. B) Desde sua fundação, no século XVI, São Paulo despontou como centro econômico do Brasil. C) A cidade de São Paulo se beneficiou de investimentos realizados por diversos segmentos, dentre eles, o setor cafeeiro. D) A cidade só iria se desenvolver realmente com a industrialização, na segunda metade do século XX. E) Diversos fatores explicam as transformações vividas por São Paulo, tais como a cafeicultura, a industrialização e a exploração das drogas do sertão. 12. (FGV/2011 - Economia) Entre 1779 e 1829, a população escrava do município [de Campinas] cresceu de 156 para quase 4800. Em 1872, já com o café como a força motriz da economia, ela atingira 14 mil. A maior parte do aumento desde 1829 se deu antes do final do tráfico africano. Entretanto, o comércio interno de escravos, já bastante ativo nas décadas de 1850 e 1860, recrudesceu nos anos 1870, despejando vários milhares de cativos no Oeste paulista, vindos sobretudo do Nordeste e do Rio Grande do Sul. Foi só a partir de 1881, com a alta tributação sobre o tráfico interno para o Sudeste e a crise da escravidão, que os fazendeiros voltaram-se seriamente para trabalhadores imigrantes. Sua mudança de atitude coincidiu com uma queda nos preços agrícolas da Itália, que expeliu de lá um grande número de trabalhadores do campo. Robert W. Slenes. Senhores e subalternos no Oeste paulista. In Luiz Felipe de Alencastro (org.). História da vida privada no Brasil, volume 2, 1997.) Considerando o texto, sobre a transição do trabalho escravo para o trabalho livre na região do Oeste paulista, é possível afirmar que A) a mentalidade empresarial e arrojada dos fazendeiros paulistas orientou para uma rápida e decisiva opção pela mão de obra livre, em especial a partir de 1831, com a aprovação da lei que extinguiu o tráfico de escravos para o Brasil. B) a necessidade emergencial de abundante mão de obra para as atividades agrícolas de São Paulo, a partir de 1850, uniu os proprietários rurais e os burocratas do Império na organização da entrada de imigrantes oriundos do extremo Oriente. C) a opção decisiva, por parte dos proprietários, pelo trabalhador imigrante relacionou-se com as dificuldades presentes para a obtenção do trabalhador cativo e com a crise na produção agrícola em regiões com potencial de fornecer mão de obra para o Brasil. D) mesmo reconhecendo o papel central da produção cafeeira nas transformações econômicas e políticas na província de São Paulo, em meados do século XIX, a mão de obra imigrante e livre foi usada, inicialmente, na produção de algodão. E) a maciça entrada de imigrantes europeus começou no início do século XIX, como uma decorrência imediata das novas condições econômicas geradas pelo início do tráfico interno, que levou a uma baixa considerável no preço do cativo. 13. (Fuvest/2004) Número de escravos africanos trazidos ao Brasil. PERÍODO MILHARES DE INDIVÍDUOS 1811-1820 327,7 1821-1830 431,4 1831-1840 334,3 1841-1850 378,4 1851-1860 6,4 1861-1870 0 Fonte: Tabelas de Philip Curtin e David Eltis Pelos dados apresentados, pode-se concluir que, no século XIX: A) a importação de mão de obra escrava diminuiu em decorrência da crise da economia cafeeira. B) o surto industrial da época de Mauá trouxe como consequência a queda da importação de mão de obra escrava. C) a expansão da economia açucareira desencadeou o aumento de mão de obra livre em substituição aos escravos. D) a proibição do tráfico negreiro provocou alteração no abastecimento de mão de obra para o setor cafeeiro. E) o reconhecimento da independência do Brasil pela Inglaterra causou a imediata diminuição da importação de escravos. 14. (ESPM/2015) “Durante todo o reinado de D. Pedro II, foi necessário administrar conflitos com a Inglaterra, a maior potência econômica da época e acostumada, desde a época colonial, a gozar de privilégios nas relações comerciais com o Brasil. Os atritoscomeçaram logo em 1842, dois anos após a coroação, quando expirou o Tratado de Comércio de 1827. O governo de D. Pedro II decidiu não dar continuidade a essa política e o acordo de 1842 não foi renovado.” Sonia Guarita do Amaral. O Brasil como Império . Ao não renovar o Tratado de Comércio de 1827, o governo de D. Pedro II adotou em 1844: A) a tarifa Alves Branco, uma medida protecionista. B) a decisão de romper relações diplomáticas com a Inglaterra. C) a decisão de conceder vantagens comerciais para a França. D) a decisão de substituir a Inglaterra pelos EUA na condição de principal parceiro comercial do Brasil. E) a tarifa Silva Ferraz que extinguiu a cobrança de tributos sobre produtos importados. 15. (FGV/2007.2) A Lei de Terras, aprovada em 1850, duas semanas após a proibição do tráfico de escravos, “tentou pôr ordem na confusão existente em matéria de propriedade rural, determinando que, no futuro, as terras públicas fossem vendidas e não doadas, como acontecera com as antigas sesmarias, estabeleceu normas para legalizar a posse de terras e procurou forçar o registro das propriedades.” Boris Fausto. História do Brasil, 1994. 6 F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// OSG.: 118292/17 Módulo de estudo Sobre essa Lei de Terras, é correto afirmar que: A) sua promulgação coincidiu com a Lei Eusébio de Queiroz, mas não há nenhuma relação de causalidade entre ambas. B) ao entrar em vigor, não foi respeitada, podendo ser considerada mais uma “lei para inglês ver”. C) sua promulgação foi concebida como uma forma de evitar o acesso à propriedade da terra por parte de futuros imigrantes. D) sua aprovação naquele momento decorreu de os Estados Unidos terem acabado de aprovar uma lei de terras para o seu território. E) ao entrar em vigor, teve efeito contrário ao de sua intenção original, que era a de facilitar o acesso à propriedade. Resolução 01. A exposição das imagens relativas a duas fases ou representações de poder, durante a fase imperial brasileira, evidencia o interesse em identificar sua caracterização. Apesar de D. Pedro I representar o interesse, o quadro de Moreaux o situou na conta de líder popular, pelo que se depreende quanto à existência de membros das camadas populares. O segundo quadro relativo a D. Pedro II representa uma fase de certa estabilidade política, sem que, para isso, seja necessário recorrer à forma como o protagonista político se acha apresentado. Resposta B 02. A partir de meados do século XIX, o Brasil voltava a se destacar no cenário econômico internacional devido à expansão da produção cafeeira. Inicialmente, a produção estruturada nos moldes do plantation dependia essencialmente do trabalho escravo. Mas, a manutenção do trabalho escravo neste período encontrava forte obstáculo devido à grande força e pressão que os ingleses exerciam para que o Brasil extinguisse a escravidão, que era um entrave à expansão do mercado consumidor. Os compromissos assumidos desde os Tratados Comerciais de 1810 para por fim ao tráfico e progressivamente à escravidão eram sucessivamente descumpridos, como foi o caso da lei aprovada em 1831, que ficou conhecida como "lei pra inglês ver”. Entre os esforços ingleses para acabar com a escravidão, podemos destacar a lei antitráfico, denominada de Bill Aberdeen, aprovada pelo Parlamento inglês em 1845. Não obstante a essa proibição, percebemos pelos dados oferecidos na tabela a crescente entrada de escravos, fato que só será alterado com a aprovação no Brasil da Lei Eusébio de Queirós em 1850, quando o número de escravos será sensivelmente reduzido. Resposta D 03. O parlamentarismo aplicado no Brasil diferia substancialmente do modelo inglês, já que a indicação do Presidente do Conselho de Ministros (equivalente ao cargo de 1º Ministro) era de responsabilidade do Imperador, que, percebendo a falta de diferenças ideológicas expressivas entre os partidos liberal e conservador, promovia uma espécie de revezamento entre eles. Este mecanismo político foi um dos fatores que contribuiu para uma certa estabilidade política no período do II Reinado. Resposta A 04. Ainda que o II Reinado tenha se caraterizado como uma fase de maior estabilidade política e social que contrastava com a fase histórica anterior que foi marcada por grande instabilidade, observamos nele um conflito que foi fortemente influenciado pelos ideais liberais e socialistas europeus, que, somado à questão do latifúndio, do mandonismo da família Cavalcanti e do sentimento lusofobista em Pernambuco, culminou com a chamada Revolução Praieira em 1848. Resposta D 05. O parlamentarismo é um sistema de governo que se cristalizou com a revolução gloriosa na Inglaterra em 1688/89. Esse modelo político estabelece uma clara divisão entre a chefia de Estado, que cabe ao presidente, rei ou imperador, e a chefia de governo, em que o poder executivo é exercido pelo 1º ministro, indicado pela maioria do parlamento. No Brasil, o parlamentarismo foi praticado de maneira diferente, já que a indicação do Presidente do Conselho de Ministros, cargo equivalente ao de 1º ministro, era feita pelo imperador, que usava das prerrogativas do poder moderador, sendo lhe dado o direito de substituir o Presidente do Conselho de Ministros a qualquer momento para atender às conveniências políticas do período. Resposta D 06. O parlamentarismo, como foi implantado no Brasil a partir de 1847, é conhecido como parlamentarismo às avessas, por ser a indicação do Presidente do Conselho de Ministros uma escolha do monarca que fazia uso dos atributos do poder Moderador e não dos deputados (parlamento) que eram eleitos pelo povo, ainda que sob os critérios censitários que limitavam bastante a participação verdadeiramente popular. Observe que, ainda que não tivessem substanciais diferenças ideológicas, liberais e conservadores ao disputarem o poder, poderiam gerar instabilidade política. Reconhecendo às vantagens que poderiam desfrutar, liberais e conservadores acabavam por reforçar a autoridade monárquica que promoveria entre estes partidos hegemônicos uma espécie de revezamento no poder. Resposta C 07. Durante o II Reinado, observamos a predominância política de dois partidos, o liberal e o conservador. Pela tabela oferecida na questão, percebe-se a pouca diferença em termos de composição social dos participantes dos dois partidos. Sem dúvida, essa origem comum contribuiu para a estabilidade que marcou esse período, na medida que, pouco ou quase nada, se observa em termos de diferenças ideológicas entre os partidos que representavam, a grosso, modo as elites do país. Resposta D 08. Ainda que a atividade cafeicultora tenha surgido nos mesmos moldes de outros gêneros, como o açúcar e o algodão, ratificando o modelo econômico agroexportador herdado desde os tempos coloniais, o café tinha dinâmica própria e exigia uma série de investimentos, especialmente na área de infraestrutura (ex. ruas, portos, ferrovias e etc.), além de incorporar novidades nas áreas de produção e circulação do produto (ex. trabalho assalariado). O crescimento da demanda mundial contribuiu também para a efetivação de novos segmentos sociais ligados à produção do café e que passavam a atuar com frequência cada vez maior em outras atividades (diversificação). O fortalecimento deste grupo se deu, sobretudo, pelo crescimento do mercado interno, em virtude ao aumento do meio circulante e pelo desenvolvimento de atividades, especialmente nos espaços urbanos, como bancos e comércio. Resposta B 7 F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// OSG.: 118292/17 Módulo de estudo 09. A economia cafeeira paulista, no século XIX, estruturou-se no trabalho escravo negro e no de imigrantes, principalmente italianos. Os imigrantes possuíam dificuldade em se adaptar ao sistema de parceria, bem como de se deslocar para o interior, já que as estradas, como o texto afirma, eram de péssima qualidade,quando comparadas com as europeias, o que também provocava um gargalo econômico porque o café, obviamente, também tinha dificuldade em ser escoado do interior para o Porto de Santos. A construção da estrada de ferro, financiada pelo capital britânico, contribuiu para amenizar a problemática do transporte, elevando a velocidade do imigrante do litoral para o interior, e do café inversamente. Resposta B 10. O incentivo à imigração europeia como solução para o abastecimento de mão de obra na lavoura de café tem relação direta com a interrupção do tráfico negreiro com a Lei Eusébio de Queirós em 1850. O sistema de parceria tinha, a princípio, uma iniciativa particular, isto é, sem apoio mais explícito do estado, que buscava “seduzir” o colono com a possibilidade de obtenção de terras e de prosperidade. Excetuando-se casos isolados e por não se darem conta de que já chegavam endividados, os colonos viam seus sonhos se transformarem em pesadelo, sendo muitas vezes submetidos a formas de controle similares às que eram impostas aos escravos. Resposta C 11. Analisar o crescimento econômico de São Paulo em meados do século XIX está diretamente relacionado à produção cafeeira que expandia na mesma rapidez com que seu consumo se tornava mais intenso pelo mundo. O café foi, sobretudo, um agente de modernização econômica na medida que exigia investimentos em infraestrutura (portos, estradas e ferrovias), fortaleceu o comércio e estimulou a atividade bancária e industrial. Resposta C 12. Observe que a transição para o trabalho assalariado não foi resultado de um projeto consciente das vantagens que a mão de obra assalariada traria, e sim fruto das dificuldades de obtenção de escravos que aumentavam progressivamente após a Lei Euzébio de Queirós de 1850. Após 1881, como indica o texto, o próprio tráfico interprovincial que tinha sido uma solução emergencial também se tornou inviável pela alta tributação. O contexto de crise na Europa (guerras e desemprego) acabou por favorecer a propaganda que atraía milhares de imigrantes para o Brasil, apresentado como a terra das oportunidades. Dessa forma, o trabalho do assalariado foi deitando raízes especialmente na região do Oeste Paulista. Resposta C 13. A expansão da produção de café se deu especialmente em meados do século XIX, provocando o aumento da necessidade de mão de obra que, a princípio, se assentava, assim como outras atividades, no trabalho escravo. Mesmo diante da pressão inglesa, o Brasil burlava os compromissos de extinguir o tráfico. Em geral, estes acordos foram inócuos até a promulgação da Lei Euzébio de Queirós, em 1850, que se mostrou mais eficaz no seu intento, como observamos pelos dados oferecidos na tabela. Ainda que houvesse uma redução do tráfico, o peso do trabalho escravo permanecia grande na atividade cafeeira, obrigando os cafeicultores a encontrarem alternativas para suprir a necessidade de mão de obra. Resposta D 14. Ainda que o período do II Reinado se apresentasse como uma fase mais promissora em termos econômicos, o governo encontrava sérias dificuldades para equilibrar suas contas. Dessa maneira, o ministro da fazenda, Manuel Alves Branco, determinou a elevação das tarifas para produtos importados, o que afetaria diretamente os privilégios concedidos aos produtos ingleses no Brasil. Resposta A 15. Com o fim do tráfico negreiro, havia grande receio por parte dos cafeicultores de uma crise de abastecimento de mão de obra. Uma alternativa que se apresentou foi o estímulo à imigração. Esses indivíduos vivendo um quadro de acentuada crise vinham para o Brasil em busca de oportunidades, especialmente terras. Dessa forma, logo após a Lei Euzébio de Queirós, o governo baixou a chamada Lei de Terras, que regulamentava a posse das terras especialmente das terras devolutas (desocupadas). As novas exigências acabavam por dificultar sobremaneira o acesso às terras pelas populações pobres nacionais e estrangeiras (imigrantes). Resposta C SUPERVISOR/DIRETOR: MARCELO– AUTOR: DAWISON SAMPAIO DIG.: VICENTINA – REV.: LUCELENA CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// Professor(a): Dawison sampaio assunto: o segunDo ReinaDo (paRte 2) e a CRise Do impéRio frente: HistóRia i – BRasil OSG.: 120086/17 AULA 11 EAD – MEDICINA Resumo Teórico A política externa do Segundo Reinado 1) A Questão Christie (1862–1865) – Antecedentes: Cancelamento dos Tratados Comerciais em 1843 e o Bill Aberdeen em 1845. – 1° episódio: afundamento de um navio inglês (Príncipe de Gales) em 1861. – 2° episódio: conflitos entre oficiais ingleses e soldados brasileiros em 1862. – William Christie (embaixador inglês no Brasil) aprisiona 5 navios brasileiros no porto do RJ a título de indenização. – O BRASIL paga indenização, mas exige desculpas da INGLATERRA por invadir porto do RJ. – Arbítrio internacional de Leopoldo I (BÉLGICA) favorável ao BRASIL; – Negativa inglesa resultou no rompimento de relações diplomáticas entre os dois países em 1863 – INGLATERRA desculpa-se oficialmente em 1865 e reata relações com o Brasil. 2) A Guerra do Paraguai (1864-1870) a) Evolução histórica do Paraguai: • De Francia a Solano Lopez: reformas no Paraguai (Haciendas da Pátria, educação, cotonicultura) b) Causas: 1) Disputas na região platina: As disputas pela navegação nos rios da bacia platina, a existência de territórios fronteiriços em litígio, as alianças e contra alianças entre os países da região (a intervenção do Brasil na política interna do Uruguai, apoiando o Partido Colorado em oposição ao Blanco, a aproximação entre Brasil e Argentina de Bartolomeu Mitre) 2) Política expansionista de Solano López: Tentativa de formar o grande Paraguai em busca de uma saída para o mar 3) Oposição inglesa ao nacionalismo platino. c) Participação de soldados negros e mulatos, livres e escravos, nas tropas brasileiras. • A participação de negros e mulatos nas tropas do exército brasileiro na Guerra do Paraguai, levou os militares a condenarem a instituição da escravidão, o que fortaleceu as campanhas abolicionistas em curso. Fonte: Ricardo Salles. Guerra do Paraguai. Memórias e imagens. Biblioteca Nacional, 2003. 3) Consequências da guerra. – Paraguai: economicamente ficou arruinado; grande parte da população foi vítima do conflito, destruição do seu potencial industrial e eliminação das fazendas da pátria. – Brasil: aumento da dívida externa brasileira, o fortalecimento da identidade nacional, por meio dos voluntários e a valorização do hino e da bandeira imperiais; a consolidação do Exército brasileiro, até então desprestigiado frente ao poder da Guarda Nacional; o avanço da questão abolicionista pelo emprego de libertos e escravos na guerra. Observações: A vitória na Guerra do Paraguai conferiu prestígio, como instituição, ao Exército brasileiro, levando os militares a se insubordinarem contra os desmandos dos políticos civis. Alguns oficiais, influenciados pelos ideais republicanos e pela filosofia positivista passaram a contestar o regime monárquico, sendo levados a integrar o movimento que destituiu a monarquia em 1889. Crise do Império – Golpe Republicano 1) Contexto geral da crise do Império: Transformações econômicas, sociais e políticas que ocorreram na segunda metade do século XIX. a) O fim do tráfico negreiro que acabou por liberar capitais para o surto industrial. b) A expansão do café para o oeste de São Paulo, que permitiu o fortalecimento de uma nova elite econômica que buscava maior autonomia de governo, ao mesmo tempo que se mostrava disposta a participar mais ativamente das decisões políticas. c) O descontentamento do Exército, que voltou fortalecido da Guerra do Paraguai, questionando sua posição subalterna na esfera política, passando a exigir maior participação política. 2F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// Módulo de estudo OSG.: 120086/17 d) O avanço do abolicionismo,principalmente após a Guerra do Paraguai, fez com o Imperador perdesse sua base sociopolítica na medida que os escravocratas culpavam o trono pelos prejuízos causados pela abolição dos escravos. e) Por fim, todas essas situações contribuíram para o avanço do Republicanismo, que tem no Manifesto Republicano de 1870 e na fundação do Partido Republicano de 1873 dois momentos de grande relevância. f) Ao que tudo indica, o Império fragilizou-se por não conseguir atender às novas expectativas resultantes destas transformações, ruindo aos poucos, sem esboçar qualquer reação capaz de deter seu desmoronamento. 2) Aspectos específicos da crise a) A Questão Religiosa: – Igreja atrelada ao Estado pelo Padroado e Beneplácito. (Constituição de 1824) – 1864 – Bula Syllabus (Papa Pio IX): maçons expulsos dos quadros da Igreja. – D. Pedro II proíbe tal determinação no Brasil. – Bispos de Olinda e Belém descumprem imperador e são presos. – Posteriormente anistiados. – Igreja deixa de prestar apoio ao Imperador. Charge de Bordallo Pinheiro, de 1875, fazendo referência à Questão Religiosa. A legenda original era: Afinal... deu a mão à palmatória! Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Quest%C3%A3o_religiosa.jpg>. Acesso em 15/07/2017. b) Questão Militar: – Exército desprestigiado pelo governo: baixos soldos, pouca aparelhagem e investimentos. – Exército fortalecido nacionalmente após a Guerra do Paraguai. – Punições do governo a oficiais que manifestavam-se politicamente. • Sena Madureira, Cunha Matos. – Penetração de ideias abolicionistas e republicanas positivistas nos quadros do Exército associam o Império ao atraso institucional e tecnológico do país. c) Questão Abolicionista: – Movimento abolicionista: intelectuais, camadas médias urbanas, setores do Exército. – Prolongamento da escravidão por meio de leis inócuas: • Lei do Ventre Livre (1871): Emancipação dos filhos dos escravos. • Lei dos Sexagenários ou Saraiva-Cotegipe (1885): libertação dos escravos com mais de sessenta anos de idade, embora estes devessem trabalhar mais cinco anos gratuitamente, a título de indenização. • Lei Áurea (1888): Abolição da Escravidão – aristocracia tradicional retira do governo imperial sua última base de sustentação. – Império é atacado por todos os setores, sendo associado ao atraso e decadência. d) Questão Republicana: – 1870: Manifesto Republicano (RJ) – dissidência radical do Partido Liberal. – 1873: Fundação do PRP (Partido Republicano Paulista), vinculado a importantes cafeicultores do Estado. – Descompasso entre poderio econômico dos cafeicultores do oeste paulista e sua pequena participação política. – Abolicionismo em contradição com o escravismo defendido por velhas elites aristocráticas cariocas. – Ideia do Federalismo – maior autonomia estadual. – Apoio de classes médias urbanas, também pouco representadas pelo governo imperial. Observações: As transformações econômicas e sociais que o Brasil viveu em meados do século XIX estiveram em muitos momentos associados a ascensão dos cafeicultores do oeste paulista. Este grupo que se mostrava disposto a ter maior influência no processo político nacional, fez duras críticas ao centralismo imperial definido na Constituição de 1824. A síntese do projeto dos cafeicultores do oeste paulista se apresenta no Manifesto Republicano de 1870 em que destacamos a defesa do federalismo em oposição ao unitarismo monárquico. e) A Proclamação da República (15/11/1889): – 1888 – D. Pedro II tenta implementar reformas políticas inspiradas no republicanismo por meio do Visconde de Ouro Preto: • Autonomia provincial, liberdade de culto e ensino, senado temporário, facilidades de crédito... – Reformas negadas pelo parlamento que é dissolvido pelo imperador. – Republicanos espalham boatos de supostas prisões de líderes militares. – Marechal Deodoro da Fonseca simboliza historicamente este momento. Observações: A Proclamação da República figura entre os mais destacados temas da história nacional. Para esse episódio, existem as mais variadas explicações. Não podemos, no entanto, desconhecer o quadro de instabilidade em que estava mergulhado o Império. A relação do Trono com a Igreja Católica também estava desgastada, especialmente após os episódios envolvendo a Igreja, o Estado e a maçonaria. Após 1870, com o término da Guerra do Paraguai, a situação tende a se agravar quando a percepção por parte dos militares de sua limitada atuação política, estava diretamente associada ao modelo político vigente. Além disso, a participação dos escravos naquele conflito contribuiu para mudar a visão sobre a escravidão por parte de alguns militares que passaram a simpatizar com a causa abolicionista. O avanço dessas ideias comprometia, em muito, a relação do Imperador com os escravocratas, que cobravam uma atuação do Estado a fim de que não tivessem seus interesses econômicos contrariados. Enfim, a condição de continuidade de uma monarquia parecia cada vez mais remota devido à saúde do Imperador e à questão de gênero da sucessora (Princesa Isabel). Na interpretação de muitos, o golpe republicano foi 3 F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// OSG.: 120086/17 Módulo de estudo a conjugação de interesses dos cafeicultores, classe média e militares, ficando a população mais uma vez marginalizada do contexto histórico do seu país como atesta o jornalista Aristides Lobo ao afirmar que ’’O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem saber o que significava. Muitos acreditavam estar vendo uma parada.’’ Homenagem da Revista Illustrada à Proclamação da República. Disponível em: <http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/71/Republica_no_ brasil.jpg>. Acesso em: 15/07/2017. 3) Diferentes projetos Republicanos: Ainda que unidos em torno do ideal republicano, os idealizadores da República divergiam quanto ao modelo e aos objetivos a serem alcançados. a) República Positivista: Pensamento predominante entre os militares, pretendiam um governo forte e centralizado (unitarismo), valorizador do mérito e disciplinado pela razão, evidenciado na proposta de um estado laico. Prevaleceu entre 1889 e 1894, durante a chamada República da Espada. b) República Liberal: Especialmente os cafeicultores do oeste Paulista pautavam sua proposta nos ideais liberais inspirados no modelo federalista norte-americano, isto é, federalismo descentralizado com grande autonomia para os estados. Prevaleceu entre 1894 e 1930, durante a chamada República Oligárquica. c) República Jacobina: as camadas médias urbanas, inspiradas nas decisões da Convenção Francesa, na qual se destacavam as lideranças do partido Jacobino, pretendiam expandir o conceito de cidadania com a formação de uma República com forte participação popular e favorável à criação de medidas com alcance social. Postura predominante entre setores da classe média urbana. Exercícios 01. (Enem 2010 – 2ª aplicação) Leia o texto: “Para o Paraguai, portanto, essa foi uma guerra pela sobrevivência. De todo modo, uma guerra contra dois gigantes estava fadada a ser um teste debilitante e severo para uma economia de base tão estreita. Lopez precisava de uma vitória rápida e, se não conseguisse vencer rapidamente, provavelmente não venceria nunca”. (LYNCH, J. “As Repúblicas do Prata: da Independência à Guerra do Paraguai”. BETHELL, Leslie (Org.). História da América Latina: da independência até 1870, v. III. São Paulo: EDUSP, 2004.) A Guerra do Paraguai teve consequências políticas importantes para o Brasil, pois: A) representou a afirmação do Exército Brasileiro como um ator político de primeira ordem. B) confirmou a conquista da hegemonia brasileira sobre a Bacia Platina. C) concretizou a emancipação dos escravos negros. D) incentivou a adoção de um regime constitucional monárquico. E) solucionou a crise financeira, em razão das indenizações recebidas. 02. (UFG/2005) Durante o SegundoReinado, as relações entre o Brasil e a Inglaterra ficaram tensas. Nesse clima, a Questão Christie (1863) foi deflagrada pela A) resistência das elites escravistas brasileiras em extinguir o tráfico de africanos, gerando descontentamento entre os diplomatas ingleses. B) decisão do governo brasileiro de não renovar o tratado de comércio com a Inglaterra, favorecendo a situação financeira do governo imperial. C) aprovação da Lei Bill Aberdeen pelo Parlamento inglês, proibindo o tráfico de escravos no Atlântico, sob pena da apreensão de navios negreiros. D) pilhagem da carga de um navio inglês naufragado no Brasil e pelo aprisionamento, pela Inglaterra, de navios brasileiros no Rio de Janeiro. E) instabilidade nas relações comerciais do Brasil com a Inglaterra, decorrente da entrada de produtos industrializados, principalmente dos Estados Unidos. 03. (FGV-RJ/2007) No curso do século XIX, os principais conflitos militares, em termos de número de vítimas e impactos sociais, ocorreram no continente americano: a Guerra de Secessão, nos Estados Unidos, entre 1861 e 1865, e a Guerra do Paraguai, envolvendo os governos do Paraguai, da Argentina, do Uruguai e do Brasil, entre 1864 e 1870. Assinale a alternativa que identifica corretamente um efeito comum a esses dois episódios. A) A abolição do regime republicano de governo e o crescimento das influências de militares na vida política. B) A aceleração do crescimento industrial em detrimento da expansão das atividades agroexportadoras. C) A crise do escravismo, fosse por sua abolição, fosse pelo aumento de críticas à sua vigência. D) A corrida armamentista e a implementação do serviço militar obrigatório. E) A adoção de políticas alfandegárias de natureza protecionista associadas ao reforço do intervencionismo estatal. 04. (Enem/2010 – 1ª aplicação) Substitui-se então uma história crítica, profunda, por uma crônica de detalhes onde o patriotismo e a bravura dos nossos soldados encobrem a vilania dos motivos que levaram a Inglaterra a armar brasileiros e argentinos para a destruição da mais gloriosa república que já se viu na América Latina, a do Paraguai. CHIAVENATTO, J. J. Genocídio americano: A Guerra do Paraguai. São Paulo: Brasiliense, 1979 (adaptado). O imperialismo inglês, “destruindo o Paraguai, mantém o status quo na América Meridional, impedindo a ascensão do seu único Estado economicamente livre”. Essa teoria conspiratória vai contra a realidade dos fatos e não tem provas documentais. Contudo essa teoria tem alguma repercussão. DORATIOTO, F. Maldita guerra: nova história da Guerra do Paraguai. São Paulo: Cia. das Letras, 2002 (adaptado). 4F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// Módulo de estudo OSG.: 120086/17 Uma leitura dessas narrativas divergentes demonstra que ambas estão refletindo sobre A) a carência de fontes para pesquisa sobre os reais motivos dessa Guerra. B) o caráter positivista das diferentes versões sobre essa Guerra. C) o resultado das intervenções britânicas nos cenários de batalha. D) a dificuldade de elaborar explicações convincentes sobre os motivos dessa Guerra. E) o nível de crueldade das ações do exército brasileiro e argentino durante o conflito. 05. (Unicamp/2012) A política do Império do Brasil em relação ao Paraguai buscou alcançar três objetivos. O primeiro deles foi o de obter a livre navegação do rio Paraguai, de modo a garantir a comunicação marítimo-fluvial da província de Mato Grosso com o restante do Brasil. O segundo objetivo foi o de buscar estabelecer um tratado delimitando as fronteiras com o país guarani. Por último, um objetivo permanente do Império, até o seu fim em 1889, foi o de procurar conter a influência argentina sobre o Paraguai, convencido de que Buenos Aires ambicionava ser o centro de um Estado que abrangesse o antigo vice-reino do Rio da Prata, incorporando o Paraguai. (Adaptado de Francisco Doratioto, Maldita Guerra: nova história da Guerra do Paraguai. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p. 471.) Sobre o contexto histórico a que o texto se refere é correto afirmar: A) A Guerra do Paraguai foi um instrumento de consolidação de fronteiras e uma demonstração da política externa do Império em relação aos vizinhos, embora tenha gerado desgastes para Pedro II. B) As motivações econômicas eram suficientes para empreender a guerra contra o Paraguai, que pretendia anexar territórios do Brasil, da Bolívia e do Chile, em busca de uma saída para o mar. C) A Argentina pretendia anexar o Paraguai e o Uruguai, mas foi contida pela interferência do Brasil e pela pressão dos EUA, parceiros estratégicos que se opunham à recriação do vice-reino do Rio da Prata. D) O mais longo conflito bélico da América do Sul matou milhares de paraguaios e produziu uma aliança entre indígenas e negros que atuavam contra os brancos descendentes de espanhóis e portugueses. 06. (Vunesp/2011) A Guerra do Paraguai (1864-1870) foi definida, por alguns historiadores, como um momento de apogeu do Império brasileiro. Outros preferiram considerá-la como uma demonstração de seu declínio. Tal discordância se justifica porque o conflito sul-americano A) estabeleceu pleno domínio militar brasileiro na região do Prata, mas provocou grave crise financeira no Brasil. B) abriu o mercado paraguaio para as manufaturas brasileiras, mas não evitou a entrada no Paraguai de mercadorias contrabandeadas. C) freou o crescimento econômico dos países vizinhos, mas permitiu o aumento da influência americana na região. D) ajudou a profissionalizar e politizar o Exército brasileiro, mas contribuiu na difusão, entre suas lideranças, do abolicionismo. E) fez do imperador brasileiro um líder continental, mas gerou a morte de milhares de soldados brasileiros. 07. (UPE/2012) Analise a charge a seguir. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Quest%C3%A3o_religiosa.jpg>. Acesso em 15/07/2017. A charge de Bordallo Pinheiro, publicada em 1875, mostra o imperador D. Pedro II sendo castigado pelo Papa em clara alusão à chamada Questão Religiosa. Sobre esse episódio do final do regime monárquico no Brasil, é correto afirmar que A) a tensão entre Estado e Igreja não contribuiu para a crise da monarquia no Brasil. B) a origem da Questão foi a não determinação de expulsão de maçons das irmandades religiosas por D. Pedro II, descumprindo determinação papal. C) apesar da opinião pública contrária, o imperador manteve na prisão, até o cumprimento total da pena, os dois bispos por não acatarem suas determinações. D) na província de Pernambuco, as determinações de D. Pedro II foram postas em prática pelo bispo de Olinda. E) após o incidente, a Igreja passou a condenar oficialmente a prática da escravidão negra no Brasil. 08. (Enem/2010 – 2ª aplicação) A dependência regional maior ou menor da mão de obra escrava teve reflexos políticos importantes no encaminhamento da extinção da escravatura. Mas a possibilidade e a habilidade de lograr uma solução alternativa – caso típico de São Paulo – desempenharam, ao mesmo tempo, papel relevante. FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo: EDUSP, 2000. A crise do escravismo expressava a difícil questão em torno da substituição da mão de obra, que resultou A) na constituição de um mercado interno de mão de obra livre, constituído pelos libertos, uma vez que a maioria dos imigrantes se rebelou contra a superexploração do trabalho. B) no confronto entre a aristocracia tradicional, que defendia a escravidão e os privilégios políticos, e os cafeicultores, que lutavam pela modernização econômica com a adoção do trabalho livre. C) no “branqueamento” da população, para afastar o predomínio das raças consideradas inferiores e concretizar a ideia do Brasil como modelo de civilização dos trópicos. D) no tráfico interprovincial dos escravos das áreas decadentes do Nordeste para o Vale do Paraíba, para a garantia da rentabilidade do café. E)na adoção de formas disfarçadas de trabalho compulsório com emprego dos libertos nos cafezais paulistas, uma vez que os imigrantes foram trabalhar em outras regiões do país. 09. (Enem/2010 – 2ª aplicação) Ó sublime pergaminho Libertação geral A princesa chorou ao receber A rosa de ouro papal Uma chuva de flores cobriu o salão E o negro jornalista 5 F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// OSG.: 120086/17 Módulo de estudo De joelhos beijou a sua mão Uma voz na varanda do paço ecoou: “Meu Deus, meu Deus Está extinta a escravidão” MELODIA, Z.; RUSSO, N.; MADRUGADA, C. Sublime Pergaminho. Disponível em http:// www.letras.terra.com.br. Acesso em: 28 abr. 2010. O samba-enredo de 1968 reflete e reforça uma concepção acerca do fim da escravidão ainda viva em nossa memória, mas que não encontra respaldo nos estudos históricos mais recentes. Nessa concepção ultrapassada, a abolição é apresentada como A) conquista dos trabalhadores urbanos livres, que demandavam a redução da jornada de trabalho. B) concessão do governo, que ofereceu benefícios aos negros, sem consideração pelas lutas de escravos e abolicionistas. C) ruptura na estrutura socioeconômica do país, sendo responsável pela otimização da inclusão social dos libertos. D) fruto de um pacto social, uma vez que agradaria os agentes históricos envolvidos na questão: fazendeiros, governo e escravos. E) forma de inclusão social, uma vez que a abolição possibilitaria a concretização de direitos civis e sociais para os negros. 10. (Enem/2015) Texto I Em todo o país a Lei de 13 de maio de 1888 libertou poucos negros em relação à população de cor. A maioria já havia conquistado a alforria antes de 1888, por meio de estratégias possíveis. No entanto, a importância histórica da Lei de 1888 não pode ser mensurada apenas em termos numéricos. O impacto que a extinção da escravidão causou numa sociedade constituída a partir da legitimidade da propriedade sobre a pessoa não cabe em cifras. ALBUQUERQUE, W. O jogo da dissimulação: Abolição e cidadania negra no Brasil. São Paulo: Cia. das Letras. 2009 (adaptado). Texto II Nos anos imediatamente anteriores à Abolição, a população livre do Rio de Janeiro se tornou mais numerosa e diversificada. Os escravos, bem menos numerosos que antes, e com os africanos mais aculturados, certamente não se distinguiam muito facilmente dos libertos e dos pretos e pardos livres habitantes da cidade. Também já não é razoável presumir que uma pessoa de cor seja provavelmente cativa, pois os negros libertos e livres poderiam ser encontrados em toda parte. CHALHOUB, S. Visões da liberdade: uma história das últimas décadas da escravidão na Corte. Sâo Paulo: Cia. das Letras. 1990 (adaptado). Sobre o fim da escravidão no Brasil, o elemento destacado no texto I que complementa os argumentos apresentados no texto II é o(a) A) variedade das estratégias de resistência dos cativos. B) controle jurídico exercido pelos proprietários. C) inovação social representada pela lei. D) ineficácia prática da libertação. E) significado político da Abolição. 11. (Enem/2010 – 1ª aplicação) I. Para consolidar-se como governo, a República precisava eliminar as arestas, conciliar-se com o passado monarquista, incorporar distintas vertentes do republicanismo. Tiradentes não deveria ser visto como herói republicano radical, mas sim como herói cívico-religioso, como mártir, integrador, portador da imagem do povo inteiro. CARVALHO, J. M. C. A formação das almas: O imaginário da República no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. II. Ei-lo, o gigante da praça, / O Cristo da multidão! É Tiradentes quem passa / Deixem passar o Titão. ALVES, C. Gonzaga ou a revolução de Minas. In: CARVALHO, J. M. C. A formação das almas: O imaginário da República no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. A Primeira República brasileira, nos seus primórdios, precisava constituir uma figura heroica capaz de congregar diferenças e sustentar simbolicamente o novo regime. Optando pela figura de Tiradentes, deixou de lado figuras como Frei Caneca ou Bento Gonçalves. A transformação do inconfidente em herói nacional evidencia que o esforço de construção de um simbolismo por parte da República estava relacionado A) ao caráter nacionalista e republicano da Inconfidência, evidenciado nas ideias e na atuação de Tiradentes. B) à identificação da Conjuração Mineira como o movimento precursor do positivismo brasileiro. C) ao fato de a proclamação da República ter sido um movimento de poucas raízes populares, que precisava de legitimação. D) à semelhança física entre Tiradentes e Jesus, que proporcionaria, a um povo católico como o brasileiro, uma fácil identificação. E) ao fato de Frei Caneca e Bento Gonçalves, terem liderado movimentos separatistas no Nordeste e no Sul do país. 12. (Unicamp/2013) Assinale a afirmação correta sobre a política no Segundo Reinado no Brasil. A) Tratava-se de um Estado centralizado, política e administrativamente, sem condições de promover a expansão das forças produtivas no país. B) O imperador se opunha ao sistema eleitoral e exercia os poderes Moderador e Executivo, monopolizando os elementos centrais do sistema político e jurídico. C) O surgimento do Partido Republicano, em 1870, institucionalizou uma proposta federalista que já existia em momentos anteriores. D) A política imigratória, o abolicionismo e a separação entre a Igreja e o Estado fortaleceram a monarquia e suas bases sociais, na década de 1870. 13. (IFMG/2014) Analise a charge publicada em 1887. AGOSTINI, Ângelo. Revista Ilustrada. Disponível em: <http://lounge.obviousmag.org. Acesso em: 27 jul. 2013. Nela, o artista retrata o imperador Dom Pedro II como um governante omisso A) diante dos graves problemas da nação publicados pelos jornais. B) acerca das notícias sobre as pressões inglesas pelo fim do tráfico. C) frente à onda de manifestações feministas divulgadas pela imprensa. D) diante das manchetes diárias sobre a destruição das matas nacionais. 6F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// Módulo de estudo OSG.: 120086/17 14. (IBMEC/2008) Utilize o texto abaixo para responder ao teste “O povo assistiu bestializado à proclamação da República, segundo Aristides Lobo; não havia povo no Brasil, segundo observadores estrangeiros, inclusive os bem informados como Louis Couty; o povo fluminense não existia, afirmava Raul Pompéia. (…) O povo sabia que o formal não era sério. Não havia caminhos de participação, a República não era para valer. Nessa perspectiva, o bestializado era quem levasse a política a sério, era o que se prestasse à manipulação. Num sentido talvez ainda mais profundo que o dos anarquistas, a política era tribofe. Quem apenas assistia, como fazia o povo do Rio por ocasião das grandes transformações realizadas a sua revelia, estava longe de ser bestializado. Era bilontra. (CARVALHO, José Murilo de. Os bestializados: o Rio de Janeiro e a república que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. p. 140 e 160.) Glossário: tribofe = deboche e bilontra = esperto Segundo o texto do historiador José Murilo de Carvalho, a Proclamação da República brasileira: A) foi uma passeata de militares que lideraram o povo até o Passo Imperial e, de lá, tiraram D. Pedro II que foi imediatamente deportado para a França; era o início da "república da espada". B) não contou com a participação do povo que ficou à margem no dia 15 de novembro, apenas assistindo às manifestações e assim permaneceu nos anos que se seguiram, à margem dos interesses públicos. C) foi realizada no dia 15 de novembro de 1889 por insistência do Partido Republicano Paulista, PRP, que desejava criar uma ligação entre a nossa proclamação e a Revolução Francesa, proclamando-a um século depois. D) contou com a participação do povo que não assistiu pura e simplesmente às ações de Marechal Deodoro e dos republicanos históricos.Apesar de ser colocado à margem do processo, o povo se posicionou e tomou para si o papel de protagonista dessa história. E) foi liderada por Silva Jardim, do grupo jacobino, os mais exaltados do movimento, que desejavam o fim da monarquia a qualquer preço e foram incumbidos de tirar a família real do palácio e levá-los para a prisão. 15. (Enem/2014) De volta do Paraguai Cheio de glória, coberto de louros, depois de ter derramado seu sangue em defesa da pátria e libertado um povo da escravidão, o voluntário volta ao seu país natal para ver sua mãe amarrada a um tronco horrível de realidade!... AGOSTINI. A vida fluminense, ano 3. n. 128.11 jun. 1870. In: LEMOS. R. (Org.). Uma história do Brasil através da caricatura (1840-2001). Rio de Janeiro: Letras & Expressões. 2001. Adaptado. Na charge, identifica-se uma contradição no retorno de parte dos “Voluntários da Pátria" que lutaram na Guerra do Paraguai (1864-1870), evidenciada na A) negação da cidadania aos familiares cativos. B) concessão de alforrias aos militares escravos. C) perseguição dos escravistas aos soldados negros. D) punição dos feitores aos recrutados compulsoriamente E) suspensão das indenizações aos proprietários prejudicados. Resoluções 01. A Guerra do Paraguai foi o maior conflito bélico da história sul- -americana, opondo o Paraguai à Tríplice Aliança composta por Brasil, Argentina e Uruguai. O conflito significou a destruição de todo o desenvolvimento alcançado pelo Paraguai desde a sua independência. Para o Brasil, que lutou praticamente sozinho na fase final da guerra, a vitória não fortaleceu o regime imperial vigente, contribuindo para a consolidação do exército enquanto instituição, que passou a exigir maior participação e espaço na política, questionando a escravidão e o próprio regime monárquico. Resposta: A 02. A política externa do período monárquico esteve intimamente ligada ao relacionamento do Brasil com a Inglaterra. No período do Segundo Reinado estas relações com a Inglaterra, que já estavam estremecidas pela não renovação dos tratados comerciais iniciados em 1810, chegaram ao rompimento diplomático após os incidentes da Questão Christie, quando o representante inglês, William Christie, exigiu o pagamento de uma indenização após o naufrágio do navio inglês Príncipe de Gales, no litoral do Rio Grande do Sul. Após novo incidente envolvendo oficiais de sua marinha, a Inglaterra aprisionou navios brasileiros no Rio de Janeiro. Resposta: D 03. Os eventos militares que marcaram o século XIX na América resultaram em questionamentos da ordem social vigente tanto nos EUA quanto no Brasil. Nos EUA, a disputa entre o projeto industrial nortista se chocava com os interesses da elite agrária do Sul, tendo a questão da escravidão como um dos pontos centrais da discussão. Mesmo com o fim da escravidão nos EUA em 1863, o debate, no que se refere aos direitos sociais e políticos dos negros, ainda que encontrassem em grupos radicais, como os membros da Ku Klux Klan, forte resistência passavam a ser discutidos cada vez mais intensamente por décadas. No Brasil, a participação dos escravos no front de batalha no contexto da Guerra do Paraguai, contribuiu para o questionamento da escravidão como instituição que perdurava no Brasil desde os tempos da colonização. O exército fortalecido retornou do conflito exigindo maior participação na vida política, o que levou a um confronto com o poder monárquico devido à simpatia dos militares ao modelo republicano e ao abolicionismo. Resposta: C 04. A questão traz fragmentos com diferentes visões sobre a Guerra do Paraguai, especialmente quanto à participação da Inglaterra e a defesa de seus interesses na América do Sul. No primeiro, o autor coloca que a atuação dos soldados brasileiros encobriu a “vilania” dos interesses ingleses. No segundo texto, 7 F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// OSG.: 120086/17 Módulo de estudo o autor classifica como “conspiratório” e contrário à realidade dos fatos a ideia de que a Guerra do Paraguai foi motivada por interesses britânicos. A divergência de opiniões não resulta de falta de documentos ou fontes e demonstra a dificuldade de elaborar explicações convincentes e definitivas diante da complexidade e diversidade de fatos e interesses envolvidos na Guerra do Paraguai. Resposta: D 05. Ainda que não possamos negar os interesses econômicos e a influência da Inglaterra que poderia enxergar no Paraguai um “perigoso exemplo” a ser seguido, devemos ressaltar que a Guerra do Paraguai remonta ao processo de colonização das Américas por lusos e espanhóis em que a questão da definição de fronteiras frequentemente gerava incidentes diplomáticos e militares. Eram as rivalidades platinas. A Guerra da Cisplatina, que deu origem ao Uruguai, que separou-se do Império do Brasil, é um exemplo dessas rivalidades. Sob a ditadura da família Lopez, o Paraguai, que tem a limitação geográfica de não ter saída para o mar, desenvolveu uma política imperialista promovendo invasões ao Brasil e à Argentina que formaram a tríplice aliança com participação do Uruguai na intenção de impedir o projeto do “Grande Paraguai”. Se por um lado a vitória do Brasil no conflito consolidou sua hegemonia na América do Sul, o fortalecimento do exército provocou a fragilização das bases de sustentação do Império com o avanço dos ideais republicanos e abolicionistas. Resposta: A 06. Ainda que a Guerra do Paraguai tenha contribuído para o fortalecimento do Brasil no contexto da política externa na América Latina, internamente provocou uma série de transformações especialmente com fortalecimento do exército que progressivamente se chocaria com o poder imperial. Para esse contexto, colaborou a afirmação do exército que retornou do conflito vitorioso e exigindo maior participação na vida política do país. Finalmente, a participação dos escravos nas fileiras do exército contribuiu decisivamente para a difusão do ideal abolicionista entre os militares. Resposta: D 07. A vinculação da Igreja ao Estado, presente desde a Constituição de 1824, acabou gerando, no decorrer do Segundo Reinado, uma forte querela envolvendo o Trono e o Altar. No cerne da questão estava a determinação do Papa Pio IX em expurgar os elementos da maçonaria usando para tal a normativa da Bula Syllabus. No Brasil, o envolvimento de D. Pedro II com a maçonaria, fez com que tal dispositivo papal aqui não tivesse valor, no que se rebelaram dois bispos que por desobediência ao Imperador, acabaram presos. O impasse conhecido como Questão Religiosa ou episco-maçônica acabou contribuindo para a fragilização das bases de sustentação do Império, ainda que os bispos tivessem sido anistiados. Resposta: B 08. A crise do escravismo no século XIX, no contexto do Reinado no Brasil, é decorrente de fatores internos e externos no qual destacamos a Lei Euzébio de Queiroz que, em 1850, extinguiu o tráfico negreiro para o Brasil. A produção de café, que sustentava a pauta das exportações brasileiras, ficava desta forma comprometida devido à questão da falta de mão de obra. Como solução inicial, o tráfico interprovincial mostrou-se incapaz de assegurar a mão de obra necessária para a produção cafeeira, especialmente no Oeste paulista, onde o café se expandia, daí a necessidade de estimular a imigração europeia. A chegada do imigrante contribuiu decisivamente na transição para o trabalho livre, visto que o escravo se tornava cada vez mais antieconômico. Resposta: B 09. No samba-enredo citado na questão é retratada uma visão romântica e tradicional acerca do processo de abolição da escravidão no Brasil, que seria o resultado de uma ação heroica da princesa Isabel, que reconhecia a luta dos escravos por sua liberdade e atendia ao clamor dos segmentos abolicionistas. Resposta: B 10. A escravidão, no final do século XIX, já era um sistema arcaico e em decadência no Brasil, pois grande parte dosnegros já estava com suas liberdades individuais consolidadas, havendo a dificuldade em diferenciar negros ladinos e boçais. Apesar do racismo, as etnias africanas eram vistas como tendo o direito à liberdade, ficando marginalizadas, mas livres. Contudo, o sistema brasileiro permitia que o negro se tomasse uma mercadoria que pertencesse a “outra” pessoa, ou seja, o escravo não seria considerado uma pessoa. A abolição, lendo os dois textos, foi uma revolução que destruiu os preceitos da ideologia defendida pela minoria aristocrática promovendo um abalo de fortes repercussões. Resposta: E 11. A identificação de Tiradentes como herói do republicanismo brasileiro foi incentivada pela elite, pois as características da Inconfidência Mineira objetivavam uma independência, mas sem radicalização, ou seja, o programa político não destruiria a estrutura vigente, como a monocultura e o latifúndio. Já outros movimentos republicanos se tornaram radicais, como a Confederação do Equador, pois permitiam uma relativa ascensão popular, o que deixava a aristocracia temerosa, além de quebrar a unidade territorial do país. Resposta: C 12. Se os anos anteriores foram marcados por relativa estabilidade raramente alterado o período pós 1870 marcou a crise do Império que culminou com o golpe Republicano de 1889. A vitória do Brasil na Guerra do Paraguai e o consequente fortalecimento do Exército e a propagação do ideal abolicionista e republicano se chocavam com governo monárquico-centralista e escravista de D. Pedro II. Ainda que com divergências quanto ao modelo, o partido Republicano aglutinou elementos que interpretavam a manutenção da monarquia e da escravidão como entraves ao desenvolvimento da nação. Entre as elites agrárias do Oeste paulista predominavam a proposta federalista inspirada no modelo norte-americano que tinha feito parte do programa de reivindicações de várias revoltas que antecederam este período. Resposta: C 13. O uso da imagem para construir uma visão ideologizada de um governante ou de um período tem se feito presente em vários momentos da história. A clássica representação de D. Pedro II como um senhor de idade, buscando vincular o Segundo Reinado a um período de estabilidade, ganha aqui outra versão. 8F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// Módulo de estudo OSG.: 120086/17 Nessa charge de Agostini, de 1887, o imperador aparece dormindo com jornal no colo. Não se trata de serenidade, mas apatia, ou como diz o próprio comando da questão, omissão, diante do quadro de crise decorrente do agravamento da Questão Militar e do avanço do abolicionismo que culminariam com o golpe republicano de 1889. Resposta: A 14. A consagrada obra de José Murilo de Carvalho – Os bestializados – é constantemente usada na análise da questão da Proclamação da República no Brasil, destacando o caráter excludente do movimento, que foi conduzido pela elite cafeeira do Oeste paulista, pelos militares e segmentos das classes médias urbanas, deixando de fora a maior parte da população. Mesmo pós a República proclamada, as expectativas de ampliação da cidadania logo foram frustradas com a limitação do voto imposta pelo texto Constitucional de 1891. De fato, podemos constatar que a maior parte da população permaneceu nesse momento a margem do processo político de seu país. Detalhe é que, ainda que o item certo não aluda esse aspecto especificamente, percebemos que o texto lança um outro olhar na medida em que a passagem do Império para a República, sem a participação do povo, tenha ocorrido não por este ser bestializado (alienado), mas bilontra (esperto) em perceber que os grupos que lideravam este processo não estariam dispostos a discutir ou mesmo levar em consideração os interesses populares. Resposta: B 15. Um dos mais importantes eventos que marcaram a política externa do Brasil durante o Segundo Reinado foi a Guerra do Paraguai (1864 a 1870). Entre os fatores que merecem destaque, tomando como referência a imagem oferecida na questão, destacamos a incorporação de escravos ao Exército brasileiro. Essa circunstância, potencializada pela vitória do Brasil no conflito, contribuiu para uma reflexão sobre a escravidão. De fato, a imagem e o texto evidenciam uma contradição, na medida em que, os soldados negros obtiveram sua liberdade mas ao retomar para o Brasil constatavam a manutenção da escravidão, inclusive de seus familiares. Resposta: A SUPERVISOR/DIRETOR: Marcelo Pena – AUTOR: Dawison Sampaio DIG.: Georgenes – 10/10/17 – REV.: Rita de Cássia CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// Professor(a): Dawison sampaio assunto: a República Da espaDa (1889 a 1894) frente: HistóRia i OSG.: 120087/17 AULA 12 EAD – MEDICINA Resumo Teórico República da Espada (1889 – 1894) 1. República da Espada (1889 – 1894): • Contexto: Período em que o Brasil foi governado por dois presidentes militares: Mal. Deodoro da Fonseca (1889 – 1891) e Mal. Floriano Peixoto (1891 – 1894). G ov er no d o Br as il G ov er no d o Br as il Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto: os presidentes militares que consolidaram a República. 2. O Governo Provisório de Deodoro da Fonseca (1889-1891) A. Primeiras medidas 1) Decreto do regime republicano. 2) Transformação das antigas províncias em Estados. 3) A grande naturalização. 4) Separação da Igreja do Estado. 5) Instituição do casamento civil. B. O “Encilhamento” de Rui Barbosa. 1) Objetivo: incentivar o desenvolvimento econômico, principalmente a indústria e pagar os salários dos operários. 2) Método: grande emissão de dinheiro por parte dos bancos. 3) Resultado: onda especulativa, empresas fantasmas e inflação generalizada EM TEMPOS DE ENCILHAMENTO, ENQUANTO OS POBRES JOGAVAM NO BICHO, OS RICOS JOGAVAM NA BOLSA Fu nd aç ão B ib lio te ca d o Ri o de J an ei ro Charge de Angelo Agostini o Encilhamento publicada na Revista Ilustrada em 1890/FBN, Rio de Janeiro. C. A Constituição de 1891. 1) Inspirada no modelo norte-americano: República – representativa – federalista e presidencialista. 2) Divisão em 20 estados e 1 distrito federal (antigo município neutro) 3) Tripartição do poder (executivo – legislativo – judiciário) 4) Voto aberto aos homens maiores de 21 anos de idade e alfabetizados. 5) Estado laico. Observações: VOTO E A EXCLUSÃO SOCIAL O voto aberto facilita o controle do eleitorado pelas oligarquias. Estavam excluídos: mulheres, membros de ordens religiosas, soldados e mendigos. 3. Governo Constitucional de Deodoro e Floriano (1891 – 1894): A. Eleição e Renúncia de Deodoro: (1891) 1) Civis (federalistas) x Militares (Centralistas) 2) Apesar da oposição do congresso Deodoro é eleito devido a pressão dos militares. 3) Hostilização de Deodoro pelo Congresso. 4) Deodoro decretou o fechamento do Congresso. 5) Ameaçado por protestos resolve renunciar. B. Assume Floriano Peixoto (1891 – 1894) 1) Destituiu os elementos ligados a Deodoro e reabriu o Congresso. 2) Facilitação do crédito para importação de máquinas e concessão de financiamentos aos industriais. 3) O controle da emissão monetária lhe valeu a simpatia das camadas urbanas. 4) Autoritarismo: acusado de continuísmo por não convocar novas eleições, recebe a alcunha de “Marechal de Ferro”. 5) Revoltas: Manifesto dos 13 generais – Revolta da Armada e Revolução Federalista. RESULTADO DO MANIFESTO POLÍTICO ASSINADO POR 13 GENERAIS: REFORMAS E PROMOÇÕES EM PENCA Disponível em: <https://pt.wikipedia.org>. 2F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// Módulo de estudo OSG.: 120087/17 Observações: A gestão do Floriano Peixoto (1891 a 1894) foi marcada pela contestação da sua legalidade no cargo pelos grupos que tiveram seus interesses contrariados pela facilitação da atividade industrial. Pressionado a convocar novas eleições Floriano enfrentou manifestações e revoltas nas quais se destacam a Revolta da Armada e aRevolução Federalista no Rio Grande do Sul. Ainda assim Floriano concluiu o mandato, sendo desta forma conhecido como o Marechal de Ferro. Exercícios 01. (Enem/2009) A definição de eleitor foi tema de artigos nas Constituições brasileiras de 1891 e de 1934. Diz a Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil de 1891: Art. 70. São eleitores os cidadãos maiores de 21 anos que se alistarem na forma da lei. A Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil de 1934, por sua vez, estabelece que: Art. 180. São eleitores os brasileiros de um e de outro sexo, maiores de 18 anos, que se alistarem na forma da lei. Ao se comparar os dois artigos, no que diz respeito ao gênero dos eleitores, depreende-se que A) a Constituição de 1934 avançou ao reduzir a idade mínima para votar. B) a Constituição de 1891, ao se referir a cidadãos, referia-se também às mulheres. C) os textos de ambas as Cartas permitiam que qualquer cidadão fosse eleitor. D) o texto da Carta de 1891 já permitia o voto feminino. E) a Constituição de 1891 considerava eleitores apenas os indivíduos do sexo masculino. 02. (Vunesp/2008) Com a proclamação da República no Brasil, as antigas províncias receberam a denominação de estados. A mudança de província no Império para estado na primeira República não foi somente questão de nomenclatura, considerando que A) os presidentes das províncias indicavam o primeiro ministro no parlamentarismo brasileiro e os estados eram administrados por interventores nomeados pelo Presidente. B) os governantes das províncias eram membros das famílias tradicionais da sociedade local e os presidentes dos estados atendiam aos interesses gerais da nação. C) os presidentes das províncias exerciam um mandato de quatro anos, enquanto na presidência dos estados havia grande rotatividade política provocada por lutas partidárias. D) as províncias substituíam o poder central na manutenção da integridade territorial do país, enquanto os estados delegavam essa função ao Presidente da República. E) os presidentes das províncias eram indicados pelo poder central, enquanto os presidentes dos estados eram eleitos pelas situações políticas e sociais regionais. 03. (Unesp/2016) A chamada crise do Encilhamento, no final do século XIX, foi provocada A) pela moratória brasileira da dívida contraída junto a casas bancárias alemãs e italianas. B) pela crise da Bolsa de Valores, que não resistiu ao surto especulativo do pós-Primeira Guerra Mundial. C) pelo fim da política de proteção à produção e exportação de café, que enfrentava forte concorrência colombiana. D) pela emissão descontrolada de papel-moeda, que provocou especulação financeira e alta inflacionária. E) pelo encarecimento dos bens de primeira necessidade, que eram majoritariamente importados dos Estados Unidos. 04. (Uece/2009.1) Pode-se afirmar que a Proclamação da República inaugurou uma nova ordem política no Brasil. Neste sentido, assinale o correto. A) O Centralismo presente no período Imperial foi substituído pelo Federalismo defendido pelas elites do oeste paulista e de Minas Gerais. B) De imediato, o poder político passou a ser controlado pelas oligarquias rurais, mormente de São Paulo e Rio de Janeiro. C) Os quatro primeiros governos republicanos, na primeira República, corresponderam à chamada República da Espada, sob a hegemonia dos militares ligados ao exército. D) A feição política da primeira República explicitou-se num único partido: o Partido Republicano, de âmbito nacional, articulado e forte. 05. (PUC-PR/2007) O clima de crise permanente que caracterizou o mandato de Floriano Peixoto, segundo presidente do Brasil, foi provocado A) pela contestação da legalidade da sucessão do vice-presidente e da necessidade de novas eleições após a renúncia de Deodoro da Fonseca. B) pela manutenção da política de Deodoro, sobretudo quanto à dissolução do Congresso e à permanência do estado de sítio. C) pelo descontentamento dos cafeicultores, ainda inconformados com a abolição da escravatura. D) pelo problema da sucessão entre “civilistas” e “militaristas”, tendo como foco principal a figura de Rui Barbosa. E) pelo desencadeamento do problema de Canudos, que envolveu grande parte do Exército brasileiro. 06. (Enem – 1ª aplicação) O artigo 402 do Código Penal brasileiro de 1890 dizia: Fazer nas ruas e praças públicas exercícios de agilidade e destreza corporal, conhecidos pela denominação de capoeiragem: andar em correrias, com armas ou instrumentos capazes de produzir uma lesão corporal, provocando tumulto ou desordens. Pena: Prisão de dois a seis meses. SOARES, C. E. L. A Negregada instituição: os capoeiras no Rio de Janeiro: 1850-1890. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, 1994 (Adaptado). O artigo do primeiro Código Penal republicano naturaliza medidas socialmente excludentes. Nesse contexto, tal regulamento expressava A) a manutenção de parte da legislação do Império com vistas ao controle da criminalidade urbana. B) a defesa do retorno do cativeiro e escravidão pelos primeiros governos do período republicano. C) o caráter disciplinador de uma sociedade industrializada, desejosa de um equilíbrio entre progresso e civilização. D) a criminalização de práticas culturais e a persistência de valores que vinculavam certos grupos ao passado de escravidão. E) o poder do regime escravista, que mantinha os negros como categoria social inferior, discriminada e segregada. 3 F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// OSG.: 120087/17 Módulo de estudo 07. (UFU/2016) Saído do regime servil sem condições para se adaptar rapidamente ao novo sistema de trabalho, à economia urbano-comercial e à modernização, o “homem de cor” viu-se duplamente espoliado. Primeiro, porque o ex-agente de trabalho escravo não recebeu nenhuma indenização, garantia ou assistência; segundo, porque se viu repentinamente em competição com o branco em ocupações que eram degradadas e repelidas anteriormente, sem ter meios para enfrentar e repelir essa forma mais sutil de despojamento social. Só com o tempo é que iria aparelhar- se para isso, mas de modo tão imperfeito que ainda hoje se sente impotente para disputar “o trabalho livre na Pátria livre”. FERNANDES, Florestan. O negro no mundo dos brancos. São Paulo: Difel, 1971, p.47. Os primeiros anos pós-Abolição, no Brasil, foram marcados por ameaças de convulsão social e de reorganização do sistema produtivo. Nesse cenário, a força de trabalho estava marcada pelos A) fortes fluxos migratórios de ex-escravos para a região Nordeste, onde a permanência da lavoura açucareira constituía um importante polo de trabalho assalariado. B) pela aceleração do emprego nas atividades industriais, cuja preponderância do setor de bens de produção propiciou um forte crescimento da economia nas primeiras décadas do século XX. C) por um processo de transformações, nas quais os imigrantes passavam a ocupar um papel de relevo, especialmente por causa da marginalização de expressivas parcelas de libertos. D) pelo crescimento do trabalho livre em setores de subsistência, especialmente após a forte crise do setor cafeeiro provocada pela Abolição. 08. (Furg/2010) Inspirada na Constituição dos Estados Unidos, foi promulgada no dia 24 de fevereiro de 1891, a primeira Constituição republicana do Brasil a qual apresentava as seguintes definições: A) Forma de governo republicano, forma de Estado unitário, sistema de governo presidencialista, divisão dos poderes em executivo, legislativo e partidário, voto secreto, excetuando-se analfabetos, mendigos, soldados e mulheres. B) Forma de Governo republicano, forma de Estado federalista, sistema de Governo presidencialista, divisão dos poderes em executivo, legislativo e judiciário, voto direto garantido aos brasileiros com mais de 21 anos, excetuando-se analfabetos, mendigos, soldados, mulheres e religiosos sujeitos à hierarquia eclesiástica.C) Forma de Governo republicano, forma de Estado federalista, sistema de Governo monarquista, divisão dos poderes em poder moderador, legislativo e judiciário, voto direto, excetuando-se apenas as mulheres, porque os demais cidadãos eram importantes para compor o eleitorado. D) Forma de Governo republicano, forma de Estado federalista, sistema de Governo presidencialista, divisão dos poderes em executivo, legislativo, poder moderador e judiciário, voto direto garantido aos brasileiros com mais de 18 anos. E) Forma de Governo republicano, forma de Estado federalista, sistema de Governo parlamentarista, divisão dos poderes em executivo, legislativo e judiciário, voto secreto garantido aos brasileiros com mais de 31 anos, excetuando-se apenas os analfabetos. 09. (Ibmec-RJ/2010.1) Uma das mais importantes manifestações populares ocorridas no Brasil no final do século XIX, a Revolta de Canudos teve a liderança do místico Antônio Mendes Maciel, e foi considerada monarquista por se opor a duas decisões tomadas pelo governo republicano. Assinale-as. A) A abolição da escravatura e a instituição do voto secreto. B) O banimento da família imperial e a criação da justiça eleitoral. C) A separação entre a Igreja e o Estado e o surgimento do casamento civil. D) A execução do Encilhamento e a assinatura do Funding Loan. E) O fim do Poder Moderador e a ligação entre a Igreja e o Estado. 10. (PUC-RS/2010.1) Depois de proclamada a República brasileira e instaurado o governo provisório do Mal. Deodoro da Fonseca (1889-1891), foram necessár ias medidas no plano econômico-financeiro para solucionar a insuficiência de papel-moeda em circulação no país. Rui Barbosa, ministro da fazenda, elaborou uma rápida solução que ficou conhecida como Encilhamento. Esse plano econômico-financeiro tinha como principal característica A) o confisco do papel-moeda em circulação, o que gerou inflação e especulação. B) a emissão de papel-moeda para a reativação dos negócios, o que provocou inflação e especulação. C) a criação de nova moeda para o país, levando o Brasil à condição de nação desenvolvida. D) a organização do mercado e de novos negócios, a partir da criação de mais quatro bancos no país. E) a distribuição equilibrada da renda, provocando um aquecimento na economia do mercado interno. 11. (Uece/2010.2) Muitas eram as tarefas da polícia entre as últimas décadas do século XIX e primeiras do século XX na maioria das cidades. Em relação às suas funções, são feitas as seguintes afirmações. I. A polícia representava a instituição através da qual se dava o contato mais frequente do Estado com as camadas mais baixas da população; II. Tinha a incumbência de manter a ordem e a decência, coibindo, na medida do possível, os atos indecorosos em via pública; III. Além de manter a ordem no espaço urbano, ainda tinha que manter um combate pontual aos vadios e desocupados que nele circulavam. É verdadeiro o que se afirma em A) II e III, apenas. B) I e III, apenas. C) I, II e III. D) I, apenas. 12. (Fuvest/2015) Observe a tabela: IMIGRAÇÃO: BRASIL, 1881-1930 (EM MILHARES) Ano Chegadas 1881-1885 133,4 1886-1890 391,6 1891-1895 659,7 1896-1900 470,3 1901-1905 279,7 1906-1910 391,6 1911-1915 611,4 1916-1920 186,4 1921-1925 368,6 1926-1930 453,6 Total 3.964,3 Leslie Bethell (ed.), The Cambridge History of Latin America, vol. IV. (Adaptado) Os dados apresentados na tabela se explicam, dentre outros fatores, A) pela industrialização significativa em estados do Nordeste do Brasil, sobretudo aquela ligada a bens de consumo. B) pela forte demanda por força de trabalho criada pela expansão cafeeira nos estados do Sudeste do Brasil. C) pela democracia racial brasileira, a favorecer a convivência pacífica entre culturas que, nos seus continentes de origem, poderiam até mesmo ser rivais. D) pelos expurgos em massa promovidos em países que viviam sob regimes fascistas, como Itália, Alemanha e Japão. E) pela supervalorização do trabalho assalariado nas cidades, já que no campo prevalecia a mão de obra de origem escrava, mais barata. 4F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// Módulo de estudo OSG.: 120087/17 13. (ESPM/2012) A primeira República no Brasil também é chamada pelos historiadores de a República dos Fazendeiros ou das Oligarquias Agrárias. Os velhos mandões controlavam as eleições e o voto, garantindo com isso, a vitória dos seus parentes e protegidos para cargos de prefeitos, vereadores, deputados, senadores e até para governadores dos estados. Francisco e Assis Silva e Pedro Ivo de Assis Bastos. História do Brasil. O ordenamento institucional do Estado brasileiro durante a República Velha foi dado pela Constituição republicana de 1891, a qual estabelecia A) eleições indiretas e direito de voto restrito aos membros do Congresso Nacional. B) eleições diretas e voto a descoberto e censitário. C) eleições diretas e voto a descoberto e universal. D) eleições diretas e voto secreto e universal. E) eleições indiretas e voto secreto e universal, inclusive para mulheres e analfabetos. 14. (UFRGS/2014) Observe a figura abaixo. Disponível: <http://www.historiapensante.blogspot.com.br/2010/ 08/o-encilhamento.html>. Acesso em: 21 ago. 2013. (Adaptado). Em 1891, ocorreu uma fortíssima crise econômica no Brasil, decorrente da política de Encilhamento do Governo Provisório da República, um plano econômico que tinha por objetivo aumentar a oferta de moeda em circulação, expandir o crédito e promover o desenvolvimento nacional. Entre as consequências dessa crise, está A) o aumento da especulação financeira, a desvalorização da moeda e o crescimento do desemprego. B) um enorme fluxo de capitais britânicos em direção ao país, com a consequente diminuição da dívida externa brasileira. C) o crescimento da importação de produtos estrangeiros e o enfraquecimento da indústria nacional. D) o fortalecimento dos setores médios e populares urbanos, em decorrência da valorização da moeda nacional naquele contexto. E) a crise na produção do café, substituído pelo açúcar como o principal produto brasileiro de exportação. 15. (IFCE/2004) São aspectos do Governo de Floriano Peixoto: A) Promulgação da Constituição de 1891, Revolta da Chibata e Crise do Encilhamento. B) A grande naturalização de estrangeiros, Revolta da Vacina e Política dos Governadores. C) A questão da legalidade, a Revolta da Armada e a Revolta Federalista no Rio Grande do Sul. D) Reorganização da Comissão Verificadora de Poderes, aplicação de uma nova política econômica marcada pelo Funding Loan e fortalecimento da Política do Café com Leite. E) A Guerra do Contestado, o combate ao coronelismo e o tenentismo. Resoluções 01. A questão traz uma comparação entre as Constituições de 1891 e 1934, especificamente quanto à questão da participação política dos cidadãos. É fundamental a percepção do que pede o comando da questão: a comparação dos artigos quanto ao gênero dos eleitores. Assim, está correta a opção E, que afirma que a Constituição de 1891 excluía as mulheres da participação político-eleitoral, restringindo a cidadania política aos homens. O voto feminino e o voto secreto foram inovações implantadas no Brasil pela Constituição de 1934. Resposta: E 02. Ainda que alguns possam encontrar uma forte herança monárquica na fase inicial republicana, sendo por esta razão chamada de República Velha, devemos lembrar que ocorreram nesta fase mudanças significativas no que se refere a escolha dos governos nos estados. Pela Constituição de 1824, cabia ao Imperador a nomeação dos presidentes das províncias. Na República a escolha era feita através de eleição direta pelos que estivessem aptos a votar de acordo com os normativos estabelecidos na Constituição de 1891. Vale lembrar que o voto aberto facilitava o controle político pelas oligarquias regionais dominantes. Resposta: E 03. RuiBarbosa, na fase inicial da República e na condição de Ministro, pretendia estimular a atividade industrial no Brasil. Percebendo a limitação do nosso mercado interno o Ministro recorre ao emissionismo, autorizando a emissão de papel-moeda, ampliando o crédito para fomentar os negócios. Porém, grupos econômicos, especialmente a elite agrária e os capitalistas estrangeiros, que de alguma forma tiveram seus interesses contrariados, contribuíram para o quadro de especulação (crise de confiança consequência das empresas fantasmas) que culminou com a quebra do mercado de ações, na alta da inflação, falências generalizadas e desemprego. Resposta: D 04. Ainda que Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto tenham como legítimos militares controlado o poder nos primeiros anos após a Proclamação da República (Rep. da Espada) onde influenciados pelo ideal positivista tentaram montar o novo regime sob bases unitaristas é impossível não observar a influência dos cafeicultores na construção do novo modelo. Diferentemente dos militares, os cafeicultores, especialmente do oeste paulista, eram influenciados pelo modelo republicano federalista que tomam os EUA como referência maior. Isto significava na prática mais autonomia para as antigas províncias, agora transformadas em estados. O projeto republicano de 1891 consagrava, portanto, o Brasil como uma República, representativa, federalista e presidencialista. Resposta: A 5 F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// OSG.: 120087/17 Módulo de estudo 05. A posse de Floriano Peixoto na presidência da República se dá em meio a uma tentativa frustrada do presidente Deodoro da Fonseca de aplicar um golpe. Após fechar o Congresso Deodoro foi pressionado e acabou renunciando após praticamente apenas 8 meses de governo. Embora determinasse a reabertura do Congresso algumas medidas de Floriano Peixoto que facilitariam a atividade industrial desagradaram aos representantes das oligarquias cafeeiras que procuravam uma brecha legal para retirá-lo do poder. Desta maneira buscaram amparo na Constituição vigente que determinava que nos casos de impedimento legal do presidente concluir seu mandato num prazo inferior a dois anos, deveriam ser convocadas novas eleições. Confrontado, Floriano alegou que tal dispositivo não se atribuía a este caso específico pelo fato de Deodoro não ter sido eleito por voto direto, cabendo a ele o direito de concluir o restante do mandato. Governando até final do seu mandato, teve que enfrentar vários movimentos que questionavam a sua permanência no cargo. Resposta: A 06. Os primeiros anos de Regime republicano no Brasil foram marcados por medidas governamentais e políticas excludentes, seja no Código Penal de 1890 ou na própria Constituição de 1891, que excluía analfabetos, mendigos e mulheres da participação política. Resposta: D 07. Não resta dúvida que mesmo após a Lei Áurea a condição de exclusão e discriminação social continuou sendo a realidade cotidiana de uma grande maioria de negros recém-libertos que dessa forma não conseguiam facilmente ser incorporados ao mercado de trabalho devido ao preconceito dos empregadores que prefeririam o imigrante. Neste sentido o imigrante ocupava um lugar cada vez mais importante a ponto de mobilizar os agentes públicos na República a promover medidas como a “grande naturalização” a fim de assegurar a mão de obra necessárias para as diversas atividades produtivas no Brasil. Resposta: C 08. O Projeto Constitucional de 1891 estabeleceu o modelo republicano, representativo, federalista e presidencialista. Estruturado na divisão em três poderes, transformou ainda as antigas províncias em estados e separou a Igreja do Estado. A grande decepção ficou por conta do direito à cidadania pelo voto que era permitido apenas aos homens, maiores de 21 anos e que fossem alfabetizados, excluindo da vida política mulheres, padres, soldados, mendigos e analfabetos. Resposta: B 09. Além das condições de marginalização social a que eram submetidos os nordestinos, foi o messianismo outro importante componente para o surgimento de movimentos como o de Canudos no sertão da Bahia. Conselheiro não poupava críticas a República recém instituída especialmente pela que toca a religiosidade na medida que foi estabelecido o Estado laico e a instituição do casamento civil. Não raro Conselheiro estimulava seus seguidores, que cresciam dia após dia a não pagarem seus impostos. Resposta: C 10. A política emissionista, isto é, de emitir papel-moeda, nos remete a tentativa do Ministro Rui Barbosa de estimular a atividade industrial, mas que acabou resultando em uma grave crise denominada de Encilhamento na qual a especulação no mercado de ações gerou falências e desemprego. Resposta: B 11. No imaginário popular a função da polícia envolve a garantia da lei e da ordem reprimindo atos de delinquência, principalmente no contexto final do séc. XIX e início do séc. XX com a eclosão de diversos movimentos sociais (greves, passeatas e manifestações) que de alguma forma ameaçavam o domínio das elites nesse período. É bem verdade que a presença e a ação da política de segurança pública tem clara distinção de tratamento no contato com os diversos segmentos da sociedade, evidenciada quando nas incursões nos morros e favelas nas zonas de periferia e nos bairros nobres dos grandes centros urbanos. Resposta: C 12. Embora pela tabela possamos constatar variações consideráveis em relação ao número de imigrantes que entraram no Brasil no final do Império e por toda a primeira República, fica evidente a importância do elemento imigrante na composição do quadro socioeconômico nacional. Desde a interrupção do tráfico negreiro em 1850 e mais tarde com a abolição dos escravos 1888 a imigração foi vista como uma solução ou no mínimo uma alternativa para driblar a dificuldade de aquisição de mão de obra especialmente para atividade agrícola cafeeira. Ressalte-se que para o aumento da importância do imigrante concorreu o preconceito e a discriminação que impediam e dificultavam o ex-escravo de ser incorporado ao mercado de trabalho. Resposta: B 13. Uma das grandes frustrações referentes ao novo regime republicano iniciado em 1889 e institucionalizado em 1891 com a nova Constituição se refere ao voto. Embora as eleições ocorressem de forma direta a expressão universal presente no texto da Constituição é incoerente, podendo causar até dúvida aos candidatos, já que a grande maioria da população estava excluída como era o caso das mulheres, padres soldados e mendigos além dos analfabetos. Na prática apenas os homens maiores de 21 anos e alfabetizados podiam votar. Outro detalhe é o voto aberto ou descoberto que facilitava sobremaneira a manipulação dos grupos oligárquicos mediante a concessão de favores ou pela coação física e moral. Resposta: C 14. Rui Barbosa, na fase inicial da República e na condição de Ministro, pretendia estimular a atividade industrial no Brasil. Percebendo a limitação do nosso mercado interno o Ministro recorre ao emissionismo, autorizando a emissão de papel-moeda, ampliando o crédito para fomentar os negócios. Porém, grupos econômicos, especialmente a elite agrária e os capitalistas estrangeiros, que de alguma forma tiveram seus interesses contrariados, contribuíram para o quadro de especulação (crise de confiança consequência das empresas fantasmas) que culminou com a quebra do mercado de ações, na alta da inflação, falências generalizadas e desemprego. Resposta: A 15. A gestão do Floriano Peixoto (1891 a 1894) foi marcada pela contestação da sua legalidade no cargo pelos grupos que tiveram seus interesses contrariados pela facilitação da atividade industrial. Pressionado a convocar novas eleições Floriano enfrentou manifestações e revoltas nas quais se destacam a Revolta da Armada e a Revolução Federalista no Rio Grande do Sul. Ainda assim Floriano concluiu o mandato sendo desta forma conhecidocomo o Marechal de Ferro. Resposta: C SUPERVISOR/DIRETOR: Marcelo Pena – AUTOR: Dawison Sampaio DIG.: Raul – REV.: Katiary CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// PROFESSOR(A): DAWISON SAMPAIO ASSUNTO: A REPÚBLICA DAS OLIGARQUIAS (PARTE 1) FRENTE: HISTÓRIA OSG.: 120088/17 AULA 13 EAD – MEDICINA Resumo Teórico República das Oligarquias Introdução a) Oligarquia = Governo de poucos. b) Período em que o Brasil foi controlado por cafeicultores da região Sudeste, especialmente de SP e MG. No âmbito regional, outras oligarquias ligadas ao setor rural estavam no poder. c) Lista dos presidentes desse período. 1. (1889-1891): Marechal Deodoro da Fonseca. 2. (1891-1894): Marechal Floriano Peixoto. 3. (1894-1898): Prudente de Morais. 4. (1898-1902): Campos Sales. 5. (1902-1906): Rodrigues Alves. 6. (1906-1909): Afonso Pena. 7. (1909-1910): Nilo Peçanha. 8. (1910-1914): Marechal Hermes da Fonseca. 9. (1914-1918): Wenceslau Brás. 10. (1918-1919): Delfi m Moreira. 11. (1919-1922): Epitácio Pessoa. 12. (1922-1926): Arthur Bernardes. 13. (1926-1930): Washington Luís. O primeiro presidente civil: Prudente de Morais (1894-1898) a) Características Gerais: Típico representante das oligarquias cafeeiras b) Objetivos: obter a pacifi cação interna e reorganizar a economia. c) Revolta sertaneja de Canudos: (BA 1896-1897): d) Barão do Rio Branco – principal responsável pela política externa brasileira no período. – A questão das Palmas (1893-1895): • Disputa de BRA e ARG pela antiga região missioneira, no atual estado de Santa Catarina. • Brasil tem ganho de causa com aval dos EUA. Consolidação das oligarquias no poder: o governo de Campos Sales (1898-1902) a) Estruturação política do domínio oligárquico • A política do “café com leite”: consistia no controle do poder executivo federal por São Paulo e Minas Gerais. • Política dos Governadores: acordo fi rmado entre o presidente e os governadores estaduais que previa o apoio mútuo e a não interferência de ambos em seus governos. • Coronelismo: Uso do poder econômico ou da coação no controle de votos. Os coronéis usavam seu prestígio pessoal ou seu poder econômico para arregimentar votos em troca de fi nanciamentos do governo ou obras infraestruturais como barganha política. • Comissão Verificadora de Poderes: órgão criado para diplomar os candidatos eleitos, fi cou conhecida popularmente como “degola”, devido aos arranjos políticos para sustentar as oligarquias dominantes. Observações: Fraudes eleitorais ou manipulação de resultados • Clientelismo – voto em troca de pequenos favores ou “presentes”. • Voto de Cabresto – voto a partir de intimidações pessoais. • Manipulação de dados com votos repetidos e/ou “criação” de eleitores fantasmas. • “Degola” política em caso de vitória de opositores: não reconhecimento e titulação da vitória por parte da Comissão Verifi cadora de Poderes. b) Economia – Recessão e defl ação no Funding Loan (1898) – Gov. Campos Sales • O que foi? Renegociação da dívida brasileira com os Ingleses (Casa Rothschild) • Exigências: Superávit primário, corte dos gastos públicos e controle da infl ação. • Medidas: – Novo empréstimo; – Promoveu o saneamento fi nanceiro com a restrição do crédito, paralisação da emissão de moeda, congelamento de salários e a criação de novos impostos (os selos daí o apelido Campos “Selos”); 2F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// MÓDULO DE ESTUDO OSG.: 120088/17 – Compromisso de retirada do meio circulante e queima de moeda, visando a valorização monetária; – Decretação de uma moratória: suspensão de juros por 3 anos, 13 anos para início do pagamento e 63 anos para a quitação integral; – Garantias: receitas da alfândega do RJ e demais se necessário, receitas da Estrada de Ferro Central do Brasil e do serviço de abastecimento de água do RJ; – Resultado: redução do poder de compra da classe trabalhadora assalariada e manutenção dos privilégios dos grandes proprietários. c) Incorporação do Amapá. (1900): • Brasil e França disputavam a região fronteiriça entre o estado do Amapá e a Guiana Francesa. • Brasil tem ganho de causa com arbítrio da Suíça e incorpora defi nitivamente toda a região a leste do rio Oiapoque. O Governo de Rodrigues Alves (1902-1906) a) Objetivo: saneamento e urbanização do Rio de Janeiro. • Objetivo: Projeto de modernização e urbanização do Rio de Janeiro. • Método: demolição do centro e deslocamento da população para a periferia (Pereira Passos). • Ação: Vacinação obrigatória contra a varíola de forma arbitrária. (Oswaldo Cruz) • Resultado: o descaso, os maus tratos e desinformação provocaram a Revolta da Vacina. b) Economia: O café e a questão da superprodução: O Convênio de Taubaté (1906): 100 50 25 0 % 1889- 1897 1898- 1910 1911- 1913 1914- 1918 1919- 1923 1924- 1929 75 FLUTUAÇÕES (%) DA PARTICIPAÇÃO DO CAFÉ NA PAUTA DE EXPORTAÇÕES DO BRASIL, 1889-1929 FREIRE, Américo et al. História em curso o Brasil e suas relações com o mundo ocidental. Rio de Janeiro: Editora do Brasil: FGV/CPDOC, 2004, p. 257.(Adaptado) • O que foi? Plano de Valorização artifi cial do café. • Problema: superprodução do café. (Eixo produtivo: SP + RJ + MG) • Proposta: valorização artifi cial do café mediante intervenção do Estado. • Medidas: – O Governo contraia empréstimos: compra e estocagem do excedente. – Desestímulo à produção de café. – Pressão pela desvalorização da moeda. – Fixação do preço da saca de café. c) Anexação do Acre (1903): • Interesse na extração do látex. • Atritos entre seringueiros brasileiros e bolivianos. • Brasil compra a região da Bolívia (Tratado de Petrópolis). • Bolívia recebe em troca do território área que lhe dava acesso ao rio Madeira, e, portanto ao oceano Atlântico. O Governo de Afonso Pena (1906-1909) a) Implantação do Plano Nacional de valorização do café. b) “Governar é povoar”: incentivo à imigração. c) Remodelação do Exército: serviço militar obrigatório. d) Atuação de Rui Barbosa em Haia. NA CARICATURA DE O MALHO. AFONSO PENA É CRITICADO POR TER JOVENS EM SUA EQUIPE. Fu nd aç ão B ib lio te ca N ac io na l R io d e Ja ne iro Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:O_Malho_1junho1907_Afonso_ Pena_caricatura.jpg>. Governo de Nilo Peçanha (1909-1910) a) Características Gerais: • Criação do SPI (Serviço de Proteção ao Índio) • Criação do Ministério da Agricultura • Descoberta a doença de Chagas b) Campanha Civilista: 1ª eleição competitiva: • Rui Barbosa x Hermes da Fonseca • Vitória de Hermes da Fonseca. Primeiros abalos no domínio oligárquico Governo de Hermes da Fonseca. (1910-1914) Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Hermes_da_ Fonseca_%281910%29.jpg>. 3 F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// OSG.: 120088/17 MÓDULO DE ESTUDO a) Contexto: 1910 e primeira eleição competitiva. b) Rui Barbosa e sua campanha “civilista” x Hermes da Fonseca. c) As “salvações”: consistia em desalojar do poder as velhas oligarquias estaduais que não lhe apoiaram substituindo-as por políticos ou militares fi éis ao governo central. d) Revolta da Chibata. • Ocorre na Marinha do Rio de Janeiro devido aos castigos e humilhações sofridas pelos marinheiros. • Causas: maus tratos, baixos soldos, péssima alimentação e castigos corporais. • João Cândido (líder), posteriormente apelidado de “Almirante Negro”. • Reivindicações: fi m dos castigos corporais, melhores condições de trabalho e anistia aos revoltosos. O Governo de Venceslau Brás (1914-1918) a) Características Gerais: • Promulgado o Código Civil brasileiro • Assassinato de Pinheiro Machado b) Guerra do Contestado (1912-1916): Ver aula 19 c) Surto Industrial 1) O Brasil na Primeira Guerra Mundial: em favor dos aliados com quem tinha maior identifi cação. a. Enviou matéria-prima, alimentos e médicos; b. Consequência: surto industrial. 2) Substituição de importações (difi culdadede importar dos países em guerra). 3) Capitais acumulados decorrentes do café: basicamente na região Sudeste 4) Entrada de um grande número de imigrantes (disponibilidade de mão de obra). 5) Impulso aos centros urbanos. 6) Bens de consumo não duráveis. Exercícios 01. (Enem/2014) O problema central a ser resolvido pelo Novo Regime era a organização de outro pacto de poder que pudesse substituir o arranjo imperial com grau sufi ciente de estabilidade. O próprio presidente Campos Sales resumiu claramente seu objetivo: “É de lá, dos estados, que se governa a República, por cima das multidões que tumultuam agitadas nas ruas da capital da União. A política dos estados é a política nacional”. CARVALHO, J. M. Os bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1987. (Adaptado). Nessa citação, o presidente do Brasil no período expressa uma estratégia política no sentido de A) governar com a adesão popular. B) atrair o apoio das oligarquias regionais. C) conferir maior autonomia às prefeituras. D) democratizar o poder do governo central. E) ampliar a infl uência da capital no cenário nacional. 02. (Enem-PPL/2013) No alvorecer do século XX, o Rio de Janeiro sofreu, de fato, uma intervenção que alterou profundamente sua fi sionomia e estrutura, e que repercutiu como um terremoto nas condições de vida da população. BENCHIMOL, J. Reforma urbana e Revolta da Vacina na cidade do Rio de Janeiro. In: FERREIRA, J.; DELGADO, L. A.N. O Brasil republicano: o tempo do liberalismo excludente. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008. O texto refere-se à reforma urbanística ocorrida na capital da República, na qual a ação governamental e seu resultado social encontram-se na: A) Cobrança de impostos – ocupação da periferia. B) Destruição de cortiços – revolta da população pobre. C) Criação do transporte de massa – ampliação das favelas. D) Construção de hospitais públicos – insatisfação da elite urbana. E) Edifi cação de novas moradias – concentração de trabalhadores. 03. (Enem/2013) Nos estados, entretanto, se instalavam as oligarquias, de cujo perigo já nos advertia Saint-Hilaire, e sob o disfarce do que se chamou “a política dos governadores”. Em círculos concêntricos esse sistema vem cumular no próprio poder central que é o sol do nosso sistema. PRADO, P. Retrato do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1972. A crítica presente no texto remete ao acordo que fundamentou o regime republicano brasileiro durante as três primeiras décadas do século XX e fortaleceu o(a) A) poder militar, enquanto fi ador da ordem econômica. B) presidencialismo, com o objetivo de limitar o poder dos coronéis. C) domínio de grupos regionais sobre a ordem federativa. D) intervenção nos estados, autorizada pelas normas constitucionais. E) isonomia do Governo federal no tratamento das disputas locais. 04. (Enem/2016) O coronelismo era fruto de alteração na relação de forças entre os proprietários rurais e o Governo, e signifi cava o fortalecimento do poder do Estado antes que o predomínio do coronel. Nessa concepção, o coronelismo é, então, um sistema político nacional, com base em barganhas entre o Governo e os coronéis. O coronel tem o controle dos cargos públicos, desde o delegado de polícia ate a professora primária. O coronel hipoteca seu apoio ao Governo, sobretudo na forma de voto. CARVALHO, J. M. Pontos e bordados: escritos de história política. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1998 (Adaptado). No contexto da primeira República no Brasil, as relações políticas descritas baseavam-se na A) coação das milícias locais. B) estagnação da dinâmica urbana. C) valorização do proselitismo partidário. D) disseminação de práticas clientelistas. E) centralização de decisões administrativas. 05. (Enem-PPL/2014) Na primeira década do século XX, reformar a cidade do Rio de Janeiro passou a ser o sinal mais evidente da modernização que se desejava promover no Brasil. O ponto culminante do esforço de modernização se deu na gestão do prefeito Pereira Passos, entre 1902 e 1906. “O Rio civilizava-se” era frase célebre à época e condensava o esforço para iluminar as vielas escuras e esburacadas, controlar as epidemias, destruir os cortiços e remover as camadas populares do centro da cidade. OLIVEIRA, L. L. Sinais de modernidade na Era Vargas: vida literária, cinema e rádio. In: FERREIRA, J.; DELGADO, L. A. (Org.). O tempo do nacional-estatismo: do início ao apogeu do Estado Novo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007. O processo de modernização mencionado no texto trazia um paradoxo que se expressava no(a) A) substituição de vielas por amplas avenidas. B) impossibilidade de se combaterem as doenças tropicais. C) ideal de civilização acompanhado de marginalização. D) sobreposição de padrões arquitetônicos incompatíveis. E) projeto de cidade incompatível com a rugosidade do relevo. 4F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// MÓDULO DE ESTUDO OSG.: 120088/17 06. (Enem/2010 – 2ª aplicação) O MESTRE-SALA DOS MARES Há muito tempo nas águas da Guanabara O dragão do mar reapareceu Na fi gura de um bravo marinheiro A quem a história não esqueceu Conhecido como o almirante negro Tinha a dignidade de um mestre-sala E ao navegar pelo mar com seu bloco de fragatas Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas Jovens polacas e por batalhões de mulatas Rubras cascatas jorravam nas costas dos negros pelas pontas das chibatas... BLANC, A., BOSCO, J. O mestre-sala dos mares. Disponível em: <www.usinadeletras.com.br>. Acesso em: 19 jan. 2009. Na história brasileira, a chamada Revolta da Chibata, liderada por João Cândido, e descrita na música, foi A) a rebelião de escravos contra os castigos físicos, ocorrida na Bahia, em 1848, e repetida no Rio de Janeiro. B) a revolta, no porto de Salvador, em 1860, de marinheiros dos navios que faziam o tráfi co negreiro. C) o protesto, ocorrido no Exército, em 1865, contra o castigo de chibatadas em soldados desertores na Guerra do Paraguai. D) a rebelião dos marinheiros, negros e mulatos, em 1910, contra os castigos e as condições de trabalho na Marinha de Guerra. E) o protesto popular contra o aumento do custo de vida no Rio de Janeiro, em 1917, dissolvido, a chibatadas, pela polícia. 07. (Enem/2009 – prova cancelada) Houve momentos de profunda crise na história mundial contemporânea que representaram, para o Brasil, oportunidades de transformação no campo econômico. A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a quebra da Bolsa de Nova Iorque (1929), por exemplo, levaram o Brasil a modifi car suas estratégias produtivas e a contornar as difi culdades de importação de produtos que demandava dos países industrializados. Nas três primeiras décadas do século XX, o Brasil A) impediu a entrada de capital estrangeiro, de modo a garantir a primazia da indústria nacional. B) priorizou o ensino técnico, no intuito de qualifi car a mão de obra nacional direcionada à indústria. C) experimentou grandes transformações tecnológicas na indústria e mudanças compatíveis na legislação trabalhista. D) aproveitou a conjuntura de crise para fomentar a industrialização pelo país, diminuindo as desigualdades regionais. E) direcionou parte do capital gerado pela cafeicultura para a industrialização, aproveitando a recessão europeia e norte-americana. 08. (Fatec/2011.1) Leia com atenção os versos de cordel a seguir. “Ele matava de brincadeira, Por pura perversidade, E alimentava os famintos Com amor e caridade.” “Por onde Lampião anda, Minhoca fi ca valente, Macaco briga com onça E o carneiro não amansa.” HOSBAWN, Eric. Bandidos. Rio de Janeiro: Editora Forense-Universitária, 1976. p. 55. Nesses versos, a fi gura de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, apresenta algumas características confl itantes e muito valorizadas dos grupos de cangaceiros que circulavam pelo sertão, na primeira metade do século XX. Essas características, que despertavam respeito e identifi cação dapopulação pobre do sertão com esses grupos, era(m) A) o desprezo pela própria vida e pela vida alheia. B) a violência em alguns momentos e, em outros, a bondade para com os pobres. C) a covardia simbolizada pelas minhocas e, por vezes, a valentia simbolizada pela onça. D) a obediência às palavras do Evangelho – dai pão a quem tem fome – e às palavras da lei republicana, propondo a justiça social no sertão. E) a fraqueza diante dos policiais e a valentia para enfrentar os camponeses. 09. (Mackenzie/2011) A esperta burguesia, para que os jovens operários não despertem contra tanta infâmia, espalha por todos os bairros, clubes de futebol, dancings etc... para distraí-los, para envenenar-lhes a consciência. Jornal O Trabalhador Gráfi co, 1907. Durante a República Velha, a respeito do movimento operário brasileiro e suas reivindicações, é correto afi rmar que A) a constante divulgação, no meio sindical nacional, pelo Partido Comunista Brasileiro, dos ideais marxistas, capacitou a classe operária, no início do período republicano, a se tornar mais consciente de suas reivindicações políticas. B) a fundação de Associações Mutualistas e de Grêmios de Trabalhadores consistiam, na época, no único espaço de reunião e de discussão sindical, onde os operários se organizavam a fi m de obter melhorias em suas condições de vida e de trabalho. C) no meio do movimento operário brasileiro, nas duas primeiras décadas da República, ainda era fraca a penetração dos ideais anarquistas, devido ao repúdio das lideranças nacionais frente à penetração de ideologias estrangeiras, presentes no movimento dos trabalhadores europeus. D) para atingir seus objetivos e buscar suprimir o poder do Estado, os sindicatos nacionais se utilizaram do recurso de decretar greves e paralisações no setor industrial, estatizando empresas estrangeiras, ocasionando prejuízos de ordem econômica e fi nanceira ao país. E) o crescimento do movimento operário brasileiro, nesse período, decorreu da intensa imigração europeia ocorrida desde o fi nal do século XIX, sendo o nosso operariado composto, de forma expressiva, por trabalhadores de origem europeia que sofreram forte infl uência do anarcossindicalismo. 10. (Unicamp/2011) A denominação de República Oligárquica é frequentemente atribuída aos primeiros 40 anos da República no Brasil. Coronelismo, oligarquia e política dos governadores fazem parte do vocabulário político necessário ao entendimento desse período. Maria Efi gênia Lage de Resende, O processo político na Primeira República e o liberalismo oligárquico, em Jorge Ferreira e Lucilia de Almeida Neves Delgado (orgs.), O tempo do liberalismo excludente — da Proclamação da República à Revolução de 1930. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006, p. 91. (Adaptado) Relacionando os termos do enunciado, a chamada “República Oligárquica” pode ser explicada da seguinte maneira: A) Os governadores representavam as oligarquias estaduais e controlavam as eleições, realizadas com voto aberto. Isso sustentava a República da Espada, na qual vários coronéis governaram o país, retribuindo o apoio político dos governadores. 5 F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// OSG.: 120088/17 MÓDULO DE ESTUDO B) Diante das revoltas populares do período, que ameaçavam as oligarquias estaduais, os governadores se aliaram aos coronéis, para que chefi assem as expedições militares contra as revoltas, garantindo a ordem, em troca de maior poder político. C) As oligarquias estaduais se aliavam aos coronéis, que detinham o poder político nos municípios, e estes fraudavam as eleições. Assim, os governadores elegiam candidatos que apoiariam o presidente da República, e este retribuía com recursos aos estados. D) Os governadores excluídos da política do “café com leite” se aliaram às oligarquias nordestinas, a fi m de superar São Paulo e Minas Gerais. Essas alianças favoreceram uma série de revoltas chefi adas por coronéis, que comandavam bandos de jagunços. 11. (Enem/2010 – 2ª aplicação) Para os amigos pão, para os inimigos pau; aos amigos se faz justiça, aos inimigos aplica-se a lei. LEAL, V. N. Cononelismo, enxada e voto. São Paulo: Alfa Omega. Esse discurso, típico do contexto histórico da República Velha e usado por chefes políticos, expressa uma realidade caracterizada A) pela força política dos burocratas do nascente Estado republicano, que utilizavam de suas prerrogativas para controlar e dominar o poder nos municípios. B) pelo controle político dos proprietários no interior do país, que buscavam, por meio dos seus currais eleitorais, enfraquecer a nascente burguesia brasileira. C) pelo mandonismo das oligarquias no interior do Brasil, que utilizavam diferentes mecanismos assistencialistas e de favorecimento para garantir o controle dos votos. D) pelo domínio político de grupos ligados às velhas instituições monárquicas e que não encontraram espaço de ascensão política na nascente república. E) pela aliança política fi rmada entre as oligarquias do Norte e Nordeste do Brasil, que garantiria uma alternância no poder federal de presidentes originários dessas regiões. 12. (FGV/2003.1) Rui Barbosa, como candidato à presidência da República nas eleições que se realizaram em 1910, declarava: “Mas por isso mesmo que quero o exército grande, forte, exemplar, não o queria pesando sobre o Governo do país. A nação governa. O exército, como os demais órgãos do país, obedece”. Apud Edgard Carone. A Primeira República. 1889-1930. São Paulo, Difel, 1969, p. 51 Nesta declaração, Rui Barbosa expressava uma A) crítica ao Governo militar do então presidente Marechal Deodoro da Fonseca. B) crítica à candidatura de seu oponente, o militar Hermes da Fonseca. C) defesa da maior atuação do Exército na política nacional. D) resposta à tentativa de golpe militar liderada pelo Marechal Floriano Peixoto. E) recusa ao apoio da oligarquia paulista para sua candidatura. 13. (Enem/2010 – 1ª aplicação) As secas e o apelo econômico da borracha – produto que no fi nal do século XIX alcançava preços altos nos mercados internacionais – motivaram a movimentação de massas humanas oriundas do Nordeste do Brasil para o Acre. Entretanto, até o início do século XX, essa região pertencia à Bolívia, embora a maioria da sua população fosse brasileira e não obedecesse à autoridade boliviana. Para reagir à presença de brasileiros, o governo de La Paz negociou o arrendamento da região a uma entidade internacional, o Bolivian Syndicate, iniciando violentas disputas dos dois lados da fronteira. O confl ito só terminou em 1903, com a assinatura do Tratado de Petrópolis, pelo qual o Brasil comprou o território por 2 milhões de libras esterlinas. Disponível em: <www.mre.gov.br>. Acesso em: 3 nov. 2008. (Adaptado). Compreendendo o contexto em que ocorreram os fatos apresentados, o Acre tornou-se parte do território nacional brasileiro. A) pela formalização do Tratado de Petrópolis, que indenizava o Brasil pela sua anexação. B) por meio do auxílio do Bolivian Syndicate aos emigrantes brasileiros na região. C) devido à crescente emigração de brasileiros que exploravam os seringais. D) em função da presença de inúmeros imigrantes estrangeiros na região. E) pela indenização que os emigrantes brasileiros pagaram à Bolívia. 14. (Enem/2010 – 1ª aplicação) A serraria construía ramais ferroviários que adentravam as grandes matas, onde grandes locomotivas com guindastes e correntes gigantescas de mais de 100 metros arrastavam, para as composições de trem, as toras que jaziam abatidas por equipes de trabalhadores que anteriormente passavam pelo local. Quando o guindaste arrastava as grandes toras em direção à composição de trem, os ervais nativos que existiam em meio às matas eram destruídos por este deslocamento. MACHADO, P. P. Lideranças do Contestado, Campinas: Unicamp, 2004. (Adaptado). No início do século XX, uma série de empreendimentos capitalistas chegou à regiãodo meio-oeste de Santa Catarina – ferrovias, serrarias e projetos de colonização. Os impactos sociais gerados por esse processo estão na origem de chamada Guerra do Contestado. Entre tais impactos, encontrava-se A) a absorção dos trabalhadores rurais como trabalhadores da serraria, resultando em um processo de êxodo rural. B) o desemprego gerado pela introdução das novas máquinas, que diminuíam a necessidade de mão de obra. C) a desorganização da economia tradicional, que sustentava os posseiros e os trabalhadores rurais da região. D) a diminuição do poder dos grandes coronéis da região, que passavam disputar o poder político com os novos agentes. E) o crescimento dos conflitos entre os operários empregados nesses empreendimentos e os seus proprietários, ligados ao capital internacional. 15. (ESPM/2013) A partir do fi m do século XIX, a cotação do café no mercado internacional havia começado a cair, pois outros países também produziam café. O excesso de oferta do produto derrubou os preços. Os produtores brasileiros não se conformavam com a queda na cotação do produto. Em 1906, os governadores de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro reuniram-se para tratar da situação. Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota. História do Brasil: uma interpretação. Assinale a alternativa que apresente respectivamente o nome da reunião mencionada no texto, bem como a política dela derivada. A) Convênio de Taubaté – fechamento da Caixa de Conversão. B) Convênio de Taubaté – compra do excedente pelo Governo a fi m de manter o equilíbrio entre oferta e procura. C) Pacto de Pedras Altas – manutenção do preço mínimo por saca. D) Pacto de Pedras Altas – empréstimos externos de 15 milhões de libras. E) Tratado de Petrópolis – queima dos estoques excedentes. 6F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// MÓDULO DE ESTUDO OSG.: 120088/17 Resoluções 01. O presidente Campos Sales procurava destacar em seus discursos a importância dos estados como elemento de estabilidade no sistema político nacional. Dessa forma atraía a adesão de grupos que dariam alicerce ao seu Governo. De fato, os estados eram controlados por oligarquias que pactuaram com o presidente recebendo dele autonomia e os recursos necessários para a manutenção de seu quinhão de poder em troca de fi delidade política. Os governadores procuravam eleger deputados e senadores comprometidos com o executivo federal a fi m de que ele tivesse maioria no legislativo e dessa forma conseguisse aprovar seus projetos sem maiores difi culdades. Resposta: B 02. O saneamento e a modernização do Rio de Janeiro na primeira década do século XX era meta prioritária do Presidente Rodrigues Alves. O crescimento populacional e a defi ciente infraestrutura (especialmente a de transportes com destaque para o porto, ruas e estradas da capital), somavam-se às constantes epidemias que atemorizavam e afastavam imigrantes do país. Tal situação contrariava ao projeto governista de estímulo à vinda de imigrantes e a atração de capital estrangeiro. Inspirado em exemplos de metrópoles europeias como era caso de Paris era preciso dotar a capital do Brasil de uma melhor infraestrutura. A execução do projeto coube ao prefeito Pereira Passos, conhecido pela população como o “Bota Abaixo”. Esta alcunha se deve a sua decisão de demolir áreas do centro para reconstruí-las novamente. Para concretizar seu projeto, Pereira Passos determinou a desapropriação de centenas de prédios, sobretudo cortiços. Foram montados então pelotões conhecidos como a turma da demolição. O processo foi feito de forma arbitrária e violenta, tendo a população, em sua maioria humilde, sido obrigada a se deslocar para áreas na periferia. Essas áreas eram de topografi a irregular e desde então ali formaram-se comunidades (favelas) que ainda hoje marcam a paisagem do Rio de Janeiro. Paralelo a esse processo algumas medidas sanitárias foram tomadas sob a direção do médico Osvaldo Cruz, entre elas a determinação de vacinação obrigatória contra a varíola. Novamente o cumprimento da determinação de forma violenta e arbitrária provocou uma grande reação popular que a despeito de algumas tentativas de politizar o movimento (sob o comando de Lauro Sodré), os rebeldes, sobretudo populares, pretendiam acabar com o caráter obrigatório da vacinação. Esse movimento entrou para a história como a Revolta da Vacina. Resposta: B 03. O texto exprime uma crítica dirigida à uma prática política presente no Brasil durante a República Velha e que se denominou como Política dos Governadores; esquema e jogo político-administrativo que situava o poder exclusivamente nas mãos das oligarquias rurais. Essa é a base do questionamento em pauta, quanto à caracterização geral desse sistema. A Política dos Governadores permitiu o clientelismo entre as várias instâncias do poder federal, estadual e regional, alcançado em sua base eleitoral com a prática da política de favores e o voto de cabresto. Resposta: C 04. No período que se convencionou chamar de República Velha, o domínio oligárquico mostrava-se articulado nas esferas federal, estadual e local pela política do “café com leite” dos governadores e o coronelismo, respectivamente. O coronelismo era essencialmente o uso do poder econômico para assegurar o controle político local que se materializava na concessão de favores que evidenciou a disseminação de práticas clientelistas (troca de favores), além, é claro, da coação física e da intimidação aos que não colaborassem com os grupos dominantes. Resposta: D 05. O processo de modernização do Rio de Janeiro no início do século XX, levado a cabo pelo prefeito Pereira Passos, provocou uma segregação social e espacial na medida que a população pobre foi desalojada do centro e deslocada para a periferia. Da mesma forma denúncias davam conta que os “pelotões sanitários” encarregados de cumprir as campanhas governamentais tinham por vezes tratamento diferenciado nos procedimentos como a vacinação, variando a abordagem de acordo com a categoria social do cidadão. Embora se constatasse a necessidade empreender reformas urbanas a fi m de modernizar a capital federal, não podemos esquecer que o processo foi realizado de forma arbitrária e violenta provocando revolta na população. Resposta: C 06. Durante a Primeira República no Brasil (1889 a 1930), não obstante o controle político exercido pelas oligarquias, surgiram algumas manifestações de reação a atitudes arbitrárias, como a dos marinheiros que, em 1910, sob a liderança de João Cândido, se insurgiram contra seus ofi ciais, no episódio denominado de Revolta da Chibata. Essa revolta foi resultado das péssimas condições de trabalho (horas de sono, alimentação precária, jornada de trabalho exaustiva, preconceito contra negros e mulatos) a que eram submetidos os marinheiros, somados ao código disciplinar que estabelecia os castigos corporais (chibatadas) como forma de punição. Resposta: D 07. O processo de industrialização ocorrido no Brasil pode ser considerado como tardio, uma vez que intensifi cou no período posterior a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), todavia, essa fase desenvolvimentista teve início na década de 1930 como a política de substituições das importações, quando o país passou a produzir em território nacional o que antes era importado de países europeus. Esse desenvolvimento ocorreu principalmente em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul defi nindo a grande concentração espacial da indústria, que permanece até hoje. Resposta: E 08. O cangaço foi uma manifestação típica da fase inicial da República e resulta da situação de abandono das autoridades que não se preocupavam com os problemas sociais, especialmente na região Nordeste, onde era imperativo o poder dos coronéis. Diferentemente dos movimentos messiânicos (temática religiosa), os cangaceiros faziam uso da violência. Entre a população havia uma dualidade de percepções acerca do movimento oscilando entre o temor e o pânico e a admiração pela coragem de reagir e enfrentar muitas vezes os coronéis contribuindo para a criação do mito de que cangaceiros eram bandidos sociais, isto é, tiravam dos ricos para dar aos pobres. Essa dualidade é facilmente percebida no trecho do poema oferecido na questão. Reposta: B 7 F B O N L I N E . C O M . B R ////////////////// OSG.: 120088/17 MÓDULO DE ESTUDO 09. O contexto da Primeira Guerra Mundial contribuiu para que o Brasil vivenciasse um surto industrial, na medida que, os produtos importados tenderam a encarecer. A proporção do crescimento industrial só não foi maior que a ganância dos empresários que exploravam os operários. A reação que se manifestou na formação e mobilização do proletariado se relaciona diretamente com a chegada de imigrantes europeus, especialmente italianos e espanhóis que trouxeram sua experiência de combatividade com ideias anarquistas e posteriormente socialistas. Resposta: E 10. Aos grupos oligárquicos comandados pelos cafeicultores estruturou uma correção de poder que compreendia os três níveis, federal, estadual e municipal. A nível federal funcionava a política do “café com leite” que consistia no controle do poder executivo por paulistas e mineiros. Criado pelo Presidente Campos Sales, vigorava a nível estadual a chamada política dos governadores em que ocorria um acordo. O presidente concedia autonomia e apoiava os governadores e em troca exigia apoio aos projetos e aos candidatos que apoiassem o Presidente. Por fi m nos municípios o controle dos votos se dava pela prática do Coronelismo que mediante a realização de favores (clientelismo) controlava o eleitorado de determinada região. Resposta: C 11. No período que se segue à Proclamação da República, as elites agrárias que se fortaleceram no fi nal do Império buscavam se organizar para garantir sua permanência no poder. A perpetuação deste grupo no poder no contexto da República Velha foi possível principalmente pelas práticas de corrupção facilitada pelo voto aberto previsto no texto da Constituição de 1891 e pela articulação de todas as esferas de poder que iam desde o nível federal, com a política do “café com leite”, até os municípios, com a prática do coronelismo. Observe-se que a concessão de favores, isto é, a prática do clientelismo, constituía-se em um importante instrumento de controle político dos líderes locais. Resposta: C 12. A observação atenta do texto nos remete a campanha civilista de Rui Barbosa que destacava os riscos que representavam o retorno dos militares à cena política brasileira, devendo a função militar se restringir a segurança nacional. Este momento representou a primeira eleição competitiva na República Velha bem como um abalo a política dos governadores. Resposta: B 13. O texto retrata o processo de ocupação do território do atual estado do Acre como consequência da migração de nordestinos para trabalhar na exploração do látex das seringueiras. Esse processo de ocupação por brasileiros obrigou o Governo a ter atenção pela região e, posteriormente, negociar com a Bolívia a anexação defi nitiva do Acre. Resposta: C 14. A região do Contestado era um local litigioso onde o poder estatal aristocrático tinha difi culdade em controlar devido haver dúvidas se pertencia a Santa Catarina e Paraná e também pelo fato de ser montanhosa, a elite latifundiária tinha pouco acesso, como consequência, os pequenos lavradores possuíam o controle sobre o uso da terra. Contudo, a elite passou a usurpar a região quando passou a construir uma estrada de ferro utilizando grande parte de lavradores como mão de obra em um processo que distanciou os pequenos camponeses em relação às pequenas propriedades rurais. Com o término, da construção da estrada de ferro, os camponeses perderam o emprego e não tiveram mais acesso à terra, que agora estavam sofrendo a intromissão de grandes latifundiários. A guerra entre os dois grupos foi intensa, e também caracterizou-se pelo messianismo. Resposta: C 15. Diante da progressiva desvalorização do preço do café devido ao aumento exacerbado da produção, os cafeicultores pressionaram o Governo a abandonar o liberalismo com base na lei da oferta e da procura a favor da adoção de medidas protecionista. Diante da negativa de Rodrigues Alves, os estados que constituíam o eixo produtivo cafeeiro (SP + MG + RJ) fi rmaram um acordo denominado de Convênio de Taubaté em que fi cou determinado a realização de um empréstimo que deveria ser usado na compra do excedente cafeeiro, contribuindo ainda que de maneira artifi cial para a valorização do produto. Além disso, foram criados mecanismo de desestímulo a produção de novos cafezais. Resposta: B Anotações SUPERVISOR(A)/DIRETOR(A): MARCELO PENA – AUTOR(A): DAWISON SAMPAIO DIGITAÇÃO: ESTEFANIA – REVISÃO: KATIARY FRENTE: HISTÓRIA I PROFESSOR: DAWISON SAMPAIO ASSUNTO: A REPÚBLICA DAS OLIGARQUIAS (PARTE 2) OSG.: 120089/17 CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS EAD – MEDICINA AULA 14 República das Oligarquias (Parte 2): Declínio do regime oligárquico tradicional (Crise dos anos 1920) 1. O governo provisório de Delfim Moreira (1918-1919) A) Assume em virtude da morte do presidente eleito: Rodrigues Alves. B) Enviou Epitácio Pessoa para o Congresso de Paz em Versalhes. 2. Governo de Epitácio Pessoa (1919-1922) A) Contexto: eleição e morte de Rodrigues Alves. B) Combate à seca no Nordeste. C) Contraiu empréstimos nos EUA. D) A Lei de repressão ao Anarquismo. Observações: Movimento Tenentista. Surge no meio dos jovens militares (baixa oficialidade). Questionavam os vícios do modelo oligárquico (voto aberto, corrupção, federalismo). Objetivavam ainda uma maior participação política. Bases: moralização política (voto secreto, justiça eleitoral), ensino gratuito, centralização política nos moldes positivista. Ex. Auge com a Coluna Prestes. 3. Governo Artur Bernardes (1922 a 1926) A) Instabilidade – permanente estado de sítio B) Reformas na Constituição: aumento do poder de intervenção nos Estados e restrição dos direitos individuais. C) Auge do Tenentismo com a Coluna Prestes (1924-1926). 4. Governo de Washington Luiz (1926 a 1930) A) “Governar é abrir estradas” e “A questão social é um caso de polícia” B) A Lei Celerada de 1927: repressão das atividades políticas e sindicais operárias consideradas nocivas. “crime de delitos ideológicos”. C) 1929 – Crise Mundial desarticula o modelo agroexportador. D) 1930 – Eleições presidenciais e o rompimento da política do café com leite. 5. A Revolução de 1930 A) Crise de 1929 abala poder econômico dos cafeicultores. B) Governo não tem como valorizar artificialmente o café (a caixa de conversão). C) Rompimento do pacto do café-com-leite: era a vez de Minas gerais indicar o candidato, porém, São Paulo indica o paulista Júlio Prestes para a sucessão do presidente Washington Luís. D) Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba formam a Aliança Liberal, sendo Getúlio Vargas (RS) e João Pessoa (PB) candidatos para presidente e vice, respectivamente. E) A Aliança Liberal recebe apoio de alguns tenentes e classe média urbana, além de várias outras oligarquias dissidentes. F) Júlio Prestes vence eleição fraudulenta. G) Protestos contra o resultado das urnas tomam conta do país. H) João Pessoa é assassinado. I) A agitação popular aumenta. J) Exército resolve depor o então presidente Washington Luís antes mesmo da posse de Júlio Prestes e entregar a presidência ao comandante em chefe da revolta, Getúlio Vargas. 2 OSG.: 120089/17 MÓDULO DE ESTUDO 01. (IBMEC/RJ_DIR_2010.2) Entre 1924 e 1927, como parte do chamado movimento tenentista, a Coluna Prestes percorreu milhares de quilômetros em território brasileiro e tinha como objetivo A)alinhar o Brasil ao modelo nazifascista que vinha crescendo na Europa naquele período. B) promover uma ampla reforma agrária, contando para isso com o apoio explícito de alguns setores oligárquicos da região sul. C) criar condições para a ocorrência, no menor espaço de tempo possível, de um movimento comunista apoiado pela União Soviética. D) estimular a sindicalização dos trabalhadores rurais, como forma de dar a eles um mínimo de garantias trabalhistas. E) mudar o esquema político em vigor naquele momento, baseado principalmente nas fraudes eleitorais, na corrupção e no clientelismo. 02. (Enem/2011) Até que ponto, a partir de posturas e interesses diversos, as oligarquias paulista e mineira dominaram a cena política nacional na Primeira República? A união de ambas foi um traço fundamental, mas que não conta toda a história do período. A união foi feita com a preponderância de uma ou de outra das duas frações. Com o tempo, surgiram as discussões e um grande desacerto final. FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo: EdUSP, 2004. (Adaptado) A imagem de um bem-sucedido acordo café com leite entre São Paulo e Minas, um acordo de alternância de presidência entre os dois estados, não passa de uma idealização de um processo muito mais caótico e cheio de conflitos. Profundas divergências políticas colocavam-nos em confronto por causa de diferentes graus de envolvimento no comércio exterior. TOPIK, S. A presença do estado na economia política do Brasil de 1889 a 1930. Rio de Janeiro: Record, 1989 (Adaptado) Para a caracterização do processo político durante a Primeira República, utiliza-se com frequência a expressão Política do Café com Leite. No entanto, os textos apresentam a seguinte ressalva à sua utilização: A) A riqueza gerada pelo café dava à oligarquia paulista a prerrogativa de indicar os candidatos à presidência, sem necessidade de alianças. B) As divisões políticas internas de cada estado da federação invalidavam o uso do conceito de aliança entre estados para este período. C) As disputas políticas do período contradiziam a suposta estabilidade da aliança entre mineiros e paulistas. D) A centralização do poder no executivo federal impedia a formação de uma aliança duradoura entre as oligarquias. E) A diversificação da produção e a preocupação com o mercado interno unificavam os interesses das oligarquias. 03. (Fuvest/2013) Durante os primeiros tempos de sua existência, o PCB prosseguiu em seu processo de diferenciação ideológica com o anarquismo, de onde provinha parte significativa de sua liderança e de sua militância. Nesse curso, foi necessário, no que se refere à questão parlamentar, também proceder a uma homogeneização de sua própria militância. Houve algumas tentativas de participação em eleições e de formulação de propostas a serem apresentadas à sociedade que se revelaram infrutíferas por questões conjunturais. A primeira vez em que isso ocorreu foi, em 1925, no município portuário paulista de Santos, onde os comunistas locais, apresentando-se pela legenda da Coligação Operária, tiveram um resultado pífio. No entanto, como todos os atos pioneiros, essa participação deixou uma importante herança: a presença na cena política brasileira dos trabalhadores e suas reivindicações. Estas, em particular, expressavam um acúmulo de anos de lutas do movimento operário brasileiro. Dainis Karepovs. A classe operária vai ao Parlamento. São Paulo: Alameda, 2006, p.169. A partir do texto anterior, pode-se afirmar corretamente que A) as eleições de representantes parlamentares advindos de grupos comunistas e anarquistas foram frequentes, desde a Proclamação da República, e provocaram, inclusive, a chamada Revolução de 1930. B) comunistas, anarquistas e outros grupos de representantes de trabalhadores eram formalmente proibidos de participar de eleições no Brasil desde a proclamação da República, cenário que só se modificaria com a Constituição de 1988. C) as primeiras décadas do século XX representam um período de grande diversidade político-partidária no Brasil, o que favoreceu a emergência de variados grupos de esquerda, cuja excessiva divisão impediu-os de obter resultados eleitorais expressivos. D) as experiências parlamentares envolvendo operários e camponeses, no Brasil da década de 1920, resultaram em sua presença dominante no cenário político nacional, após o colapso do primeiro regime encabeçado por Getúlio Vargas. E) as primeiras participações eleitorais de candidatos trabalhadores ganharam importância histórica, uma vez que a política partidária brasileira da chamada Primeira República era dominada por grupos oriundos de grandes elites econômicas. 04. (UEPB/2007) O ano de 1922 é considerado por muitos historiadores como o ano chave de um processo de transição histórica da sociedade brasileira que se iniciara ainda no início do século XIX. Esse ano é marcado pela eclosão de alguns acontecimentos que tiveram importantes desdobramentos por quase todo o século XX. Assinale a única alternativa que contém quatro desses acontecimentos. A) Fim da República do Café-com-Leite; centenário da emancipação política; Semana de Arte Moderna; Revolta da Vacina. B) Surgimento do Movimento Integralista; Semana de Arte Moderna; início da marcha da Coluna Prestes; Revolução Constitucionalista de São Paulo. 3 OSG.: 120089/17 MÓDULO DE ESTUDO C) Semana de Arte Moderna; centenário da emancipação política; fundação do Partido Comunista do Brasil; revolta dos 18 do Forte de Copacabana. D) Criação do Centro Dom Vital; lançamento da Campanha Civilista; Revolta da Chibata; revolta do Forte de Copacabana. E) Surgimento da Aliança Nacional Libertadora; início da República do Café-com-Leite; fundação do Partido Comunista do Brasil; crise do Encilhamento. 05. (FGV-RJ/2016) A imagem a seguir é uma foto que retrata a marcha dos “18 do Forte”, ocorrida em 5 de julho de 1922, quando o Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, foi tomado durante um levante militar. Dezessete militares e um civil percorrem Copacabana em julho de 1922. Esse movimento está relacionado A) à indignação dos militares, em relação à política externa brasileira, considerada subserviente aos interesses norte- -americanos. B) à reação contra a chamada Coluna Prestes, que percorria o interior do Brasil combatendo as forças do exército. C) à repressão ao Partido Comunista Brasileiro, que acabara de ser fundado por influência da Revolução Bolchevique. D) aos interesses das elites de São Paulo e Minas Gerais, que estimulavam o levante contra o centralismo do Rio de Janeiro. E) ao tenentismo, movimento nacionalista que propunha reformas na estrutura do poder político oligárquico do país. 06. (Fuvest/2009) Em um balanço sobre a Primeira República no Brasil, Júlio de Mesquita Filho escreveu: “… a política se orienta não mais pela vontade popular livremente manifesta, mas pelos caprichos de um número limitado de indivíduos sob cuja proteção se acolhem todos quantos pretendem um lugar nas assembleias estaduais e federais”. A crise nacional, 1925. De acordo com o texto, o autor A) critica a autonomia excessiva do poder legislativo. B) propõe limites ao federalismo. C) defende o regime parlamentarista. D) critica o poder oligárquico. E) defende a supremacia política do sul do país. 07. (Vunesp/2007) Observe a caricatura. Storni. Careta, ano 22, n. 1102, 10 ago. 1929. A caricatura refere-se A) às disputas em torno do nome do candidato às eleições presidenciais de 1930, vencidas nas urnas por Getúlio Vargas. B) a Luiz Carlos Prestes, que se contrapunha aos políticos tradicionais que dominaram as primeiras décadas republicanas. C) à revolta do eleitorado feminino diante das fraudes, violências e compra de votos que caracterizavam o processoeleitoral brasileiro. D) ao predomínio de paulistas e mineiros no jogo político conhecido como política do café-com-leite e que contou com a adesão de Prestes. E) à tentativa de golpe efetuada pelo Exército, que pretendia derrubar o presidente e colocar Luiz Carlos Prestes no lugar de Washington Luiz. 08. (IFSP/2011) A Revista Feminina de 1920 publicou um decálogo para as mulheres casadas, orientando-as para uma vida “do lar”, com honra e respeito. Alguns de seus itens eram: I. “Ama teu esposo acima de tudo na terra e ama o teu próximo da melhor maneira que puderes, mas lembra-te de que a tua casa é de seu esposo e não do teu próximo.”(…) II. “Espera teu esposo em teu lar sempre em ordem e o semblante risonho, mas não te aflijas excessivamente se alguma vez ele não reparar nisso.” (…) VI. “Lembra-te sempre que te casaste para partilhar com teu esposo as alegrias e as tristezas da existência. Quando todos o abandonarem fica tu a seu lado e diz-lhe: Aqui me tens! Sou sempre a mesma!”(…) X. “Se teu esposo se afastar de ti, espera-o. Se tardar em voltar, espera-o! Porque tu não és somente a sua esposa, és ainda a honra de seu nome. E quando um dia ele voltar, há de te abençoar!” MALUF, M. Mott ,M.L. “Recônditos do mundo feminino”. In: SEVCENKO. (org) História da vida privada no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras,1998, v.3, p. 371-372, 395-396. 4 OSG.: 120089/17 MÓDULO DE ESTUDO Os mandamentos das mulheres casadas, citados anteriormente, revelam que as mulheres brasileiras, no início do século XX, A) viviam em uma sociedade matriarcal, pois cabia a elas todos os cuidados com o lar, com o esposo e com os filhos. B) tinham uma importante posição ao lado do marido, no lar e nos negócios, devendo honrar o nome de seu esposo. Era uma sociedade onde os papéis de mulher e homem eram iguais. C) eram totalmente submissas ao marido, devendo cuidar da melhor maneira possível do lar e dos filhos. Deviam obediência ao esposo, não deveriam nunca reclamar de nada, o que caracterizava uma sociedade patriarcal. D) nunca deveriam suportar em silêncio todos os problemas da vida, mas sim, compartilhar com os amigos suas dificuldades, pois os amigos são o próximo. E) tinham uma vida de trabalhos domésticos pesados, mas algumas já se libertavam dessa submissão, pois se dedicavam à política. 09. (FGV/2012) Leia o texto. A Semana de 22 não foi um fato isolado e sem origens. As discussões em torno da necessidade de renovação das artes surgem em meados da década de 1910 em textos de revistas e em exposições, como a de Anita Malfatti em 1917. Em 1921 já existe, por parte de intelectuais como Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia, a intenção de transformar as comemorações do centenário em momento de emancipação artística. (…) Disponível em: www.itaucultural.org.br. Em geral, os artistas participantes da Semana de Arte Moderna propunham A) que a arte, especialmente a literatura, abandonasse as preocupações com os destinos brasileiros e se voltasse para o princípio da arte pela arte. B) a rejeição ao conservadorismo presente na produção artística brasileira, defendendo novas estéticas e temáticas, como a discussão sobre as questões brasileiras. C) que os artistas estabelecessem vínculos com correntes filosóficas, mas não com projetos políticos e ideológicos, fossem estes progressistas ou conservadores. D) o reconhecimento da superioridade da arte europeia e da importância da civilização portuguesa no notável desenvolvimento cultural brasileiro. E) que apenas as artes plásticas, com destaque para a pintura, poderiam representar avanços revolucionários em direção a uma arte de fato inovadora. 10. (IBMEC/RJ/2009.2) Antes da Revolução de 30, o processo industrializador de São Paulo apresentava como suas principais características A) dependência em relação à produção cafeeira e forte presença de operários estrangeiros de formação anarquista. B) autonomia de investimentos, que priorizaram os setores pesados como a siderurgia; C) grande influência estatal e excelentes níveis de sindicalização, especialmente junto aos anarquistas. D) prevalência dos capitais internacionais e ausência total de regulamentações por parte do Estado. E) prioridade para a produção de bens de consumo durável, como os automóveis e refrigeradores, mas com baixa qualificação da mão de obra. 11. (Uece/2016) O final dos anos 1920 e o início dos anos 1930 foram marcados por uma crise financeira generalizada, agravada pela quebra da bolsa de Nova York, que, no Brasil, afetou mais fortemente a A) economia cafeeira. B) produção algodoeira. C) manufatura açucareira. D) indústria automobilística. 12. (Enem/2011) É difícil encontrar um texto sobre a Proclamação da República no Brasil que não cite a afirmação de Aristides Lobo, no Diário Popular de São Paulo, de que “o povo assistiu àquilo bestializado”. Essa versão foi relida pelos enaltecedores da Revolução de 1930, que não descuidaram da forma republicana, mas realçaram a exclusão social, o militarismo e o estrangeirismo da fórmula implantada em 1889. Isto porque o Brasil brasileiro teria nascido em 1930. MELLO, M. T. C. A república consentida: cultura democrática e científica no final do Império. Rio de Janeiro: FGV, 2007. (Adaptado) O texto defende que a consolidação de uma determinada memória sobre a Proclamação da República no Brasil teve, na Revolução de 1930, um de seus momentos mais importantes. Os defensores da Revolução de 1930 procuraram construir uma visão negativa para os eventos de 1889, porque esta era uma maneira de A) valorizar as propostas políticas democráticas e liberais vitoriosas. B) resgatar simbolicamente as figuras políticas ligadas à Monarquia. C) criticar a política educacional adotada durante a República Velha. D) legitimar a ordem política inaugurada com a chegada desse grupo ao poder. E) destacar a ampla participação popular obtida no processo da Proclamação. 13. (PUC-SP/1997) No período de 1928 existiam em São Paulo pelo menos três propostas de revolução vindas de agrupamentos políticos diferentes: o Partido Democrático, os ‘tenentes’ e o Bloco Operário e Camponês. DECCA, E. de. O Silêncio dos Vencidos. São Paulo: Brasiliense, 1981. p. 81. O trecho anterior aponta algumas das tensões presentes no Brasil do final da década de 1920. A presença de tais propostas revolucionárias A) demonstra a revolta popular contra a política do café-com- -leite e a preparação de um levante constitucionalista, que viria a ocorrer anos depois em São Paulo. B) revela o projeto político golpista resultante da atuação, no sul do Brasil, pouco tempo antes, da Coluna Prestes-Miguel Costa. 5 OSG.: 120089/17 MÓDULO DE ESTUDO C) demonstra a impossibilidade de estabelecimento de um projeto comum entre os militares e civis que haviam controlado, até então, a República da Espada. D) revela o projeto liberal-socialista que, uma década depois, seria expresso no Estado Novo. E) demonstra a insatisfação político-institucional frente ao longo controle político do Estado brasileiro pelos cafeicultores paulistas organizados no PRP. 14. (IFSP/2013) A greve geral dos operários, em julho de 1917, em São Paulo, foi a primeira impressionante manifestação política urbana da Primeira República. Tendo a participação de milhares de operários, o movimento exigia leis que estabelecessem jornada diária de trabalho de 8 horas e a proibição do trabalho de menores de 14 anos, entre outras solicitações. A liderança desse movimento coube A) ao PCB (Partido Comunista Brasileiro), fundado em 1889, quando da proclamação da República, por ex-escravos (libertos no ano anterior, pela Lei Áurea de 1888). B) ao PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) fundado por trabalhadores brasileirosque ora defendiam o capitalismo, ora o socialismo. C) aos anarquistas italianos, que haviam trazido essa ideologia da Europa e divulgavam suas ideias em jornais; contavam com uma forte simpatia dos anarcossindicalistas. D) aos liberais, que desde o século XVIII lutavam pela liberdade e pela igualdade civil. No século XX, os liberais abraçaram a causa operária. E) à imprensa livre, que sempre sofreu forte repressão dos governos oligárquicos existentes durante as primeiras décadas do Brasil Republicano. 15. (UERJ/1998) Não nos enganemos. Somos governados por uma minoria que, proprietária das fazendas e latifúndios, senhora dos meios de produção e apoiada nos imperialismos estrangeiros que nos exploram e nos dividem, só será dominada pela verdadeira insurreição generalizada, pelo levantamento consciente das mais vastas massas das nossas populações dos sertões e das cidades (…). LUÍS CARLOS PRESTES. Manifesto de Maio – 1930. Citado por CARONE. O tenentismo, São Paulo, Difel, 1975. As palavras de Luís Carlos Prestes referem-se ao movimento que ficou conhecido como Revolução de 1930 e tinha o seguinte significado: A) movimento amplo de caráter militar, aliando tenentes e povo contra o domínio oligárquico. B) cisão na República do “café-com-leite”, levando à união entre as oligarquias paulista e gaúcha. C) ruptura parcial dos interesses oligárquicos, acarretando o fim da hegemonia política dos cafeicultores. D) vitória dos interesses da burguesia industrial, apoiando o exército na luta contra os interesses oligárquicos. RESOLUÇÃO 01. A Coluna Prestes foi a mais notável manifestação do Movimento Tenentista no Brasil. Com contingente militar reduzido, Prestes e seus companheiros percorreram um fabuloso trajeto de mais de 24 mil km pelo país. Os tenentes criticavam o excesso de autonomia resultado da opção pelo modelo federalista, o abandono da educação e os vícios do modelo oligárquico, como a corrupção eleitoral fortemente facilitada pelo voto aberto e pelo poder concedido aos líderes locais, conhecidos como coronéis. Em síntese, podemos afirmar que coronelismo, clientelismo, voto de cabresto, curral eleitoral e voto a bico de pena, são expressões que ilustram tais práticas corruptas combatidas pelo Movimento Tenentista. Resposta: E 02. Os textos se referem à Política do Café com Leite, expressão comumente utilizada para designar o domínio político nacional das oligarquias de São Paulo e Minas Gerais durante a Primeira República (1889-1930). Este domínio era favorecido pela riqueza gerada nos dois estados em virtude da exportação de café – que dominava a pauta brasileira. Vale salientar que São Paulo e Minas Gerais eram também os maiores produtores de leite, possuindo ainda o maior número de eleitores do Brasil. A leitura atenta dos textos nos permite concluir que houve momentos de crise nesta aliança, que não esteve marcada somente por harmonia e estabilidade. Um exemplo de dissidência ocorreu no processo eleitoral de 1930, quando o presidente paulista Washington Luís indicou outro político do PRP – Júlio Prestes – à sua sucessão, ao invés de um filiado ao PRM. Resposta: C 03. A análise atenta do texto pode ajudar o candidato, porém ele precisará sem dúvida de embasamento histórico para encontrar a resposta correta. É importante destacar que a representação operária na política durante a primeira república era quase nula. Tal situação só seria em parte alterada com a fundação do PCB, que remonta ao ano de 1922, possibilitando, ainda que de forma pouco expressiva do ponto de vista numérico, a eleição de candidatos egressos das camadas operárias e de ideologia comunista. Vale salientar que o quadro político da chamada República Velha era controlado pelas oligarquias agrárias, em que partidos regionais se revezavam no controle político do país. Resposta: E 04. Na década de 1920, especialmente em 1922 ocorreram vários eventos importantes, como a Semana de Arte Moderna, que contribuiu para um repensar de nossa cultura, as comemorações do centenário da nossa independência política de Portugal, a fundação do PCB, que refletia o aumento da influência do comunismo no operariado brasileiro, e a Revolta dos 18 do forte de Copacabana, que foi a primeira expressão 6 OSG.: 120089/17 MÓDULO DE ESTUDO concreta do Tenentismo, que, como movimento, criticava os vícios do modelo oligárquico, tendo contribuído para o declínio do modelo agroexportador cafeeiro que se estabelecera no Brasil desde a proclamação da República e plenamente consolidado após a chegada dos civis ao poder com a eleição de Prudente de Morais. Resposta: C 05. A Revolta dos 18 do Forte de Copacabana remete uma das primeiras expressões do movimento tenentista que teria seu auge anos depois com a chamada Coluna Prestes. O Movimento Tenentista que se originou em meio a baixa oficialidade criticava os vícios do modelo oligárquico e evidenciava o contexto de agitação do final da década de 1910 e que se agravaria por toda a década seguinte até culminar na Revolução de 1930. O Tenentismo como movimento fundamentava-se nos princípios do positivismo e era mais um integrante do conjunto de forças que questionavam o domínio oligárquico. Resposta: E 06. A crítica feita pelo autor se relaciona ao poder oligárquico (que significa poder nas mãos de poucos) dos cafeicultores, que criaram mecanismos de controle político nas esferas federal (política do café-com-leite), estadual (política dos governadores) e municipal (coronelismo). Desta forma, a vontade popular sucumbe ao interesse deste grupo dominante mediante a concessão de favores (clientelismo) ou coerção física. Resposta: D 07. O processo eleitoral de 1930, no qual Vargas foi derrotado pelo candidato paulista Júlio Prestes, apoiado pelo presidente Washington Luiz, e que desencadeou a Revolução de 1930, é apresentado na charge de Storni. A aliança de Vargas (RS), com Antônio Carlos de Andrada (MG) e João Pessoa (PB) na Aliança Liberal para muitos não representava mais que uma disputa intraoligárquica. Para o chargista, o eleitorado via como única opção de mudança real do panorama político nacional a figura do ex-tenentista Luiz Carlos Prestes. Resposta: B 08. Os trechos apresentados na questão mostram de maneira clara o caráter patriarcalista que foi uma das marcas mais visíveis da sociedade brasileira desde os tempos da colonização. O modelo familiar cristão introduzido pelos europeus desejava uma mulher que, especialmente na condição de esposa, fosse submissa ao homem. Sua principal função estaria ligada às atividades domésticas e ao cuidado com o marido e com os filhos. Resposta: C 09. O fragmento de texto procura destacar as origens do movimento modernista, que protagonizou a importante inciativa de quebrar os padrões artísticos e culturais transplantados da Europa e muitas vezes desconexos com a realidade cultural brasileira. Evidencia-se ainda no texto uma tentativa de relacionar o modernismo ao contexto histórico brasileiro, que passava por muitas transformações nos mais variados campos. Em defesa da liberdade de criação, o movimento modernista abordava o assunto cada vez mais em suas obras temáticas nacionais. Resposta: B 10. Ainda que o Brasil, durante o período da República Velha, tenha mantido o caráter agrário exportador, vivenciamos alguns momentos em que a atividade industrial teve destaque. Vale lembrar, porém, que durante estes surtos, a atividade industrial internamente esteve relacionada aos lucros provenientes do café. Em alguns momentos, a dificuldade de importar gêneros industrializados dos grandes centros, obrigou o Brasil a promover um processo de substituição das importações pelas exportações, como no período em que ocorreu a 1ª Guerra Mundial. Ainda que não se possa