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Educação, 
Movimentos Populares
e Transformação
História dos Movimentos Sociais
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Profª. Ms. Wanderli Cunha de Lima
Revisão Técnica:
Prof.ª Me. Denise Jarcovis Pianheri
Revisão Textual:
Profª. Esp. Vera Lidia de Sá Cicaroni
5
• Movimentos Sociais e Associações Civis
• Movimentos Identitários e Culturais
• Movimentos e Lutas Sociais no Brasil nos séculos XIX
Esta unidade tem como tema principal os Movimentos Sociais no Brasil. O texto foi organizado 
em fases históricas. Essa cronologia – baseada nos estudos de Gohn (2012) – contribui 
para a percepção das ações coletivas, do ponto de vista não só da ordem de sucessão dos 
acontecimentos, mas também das razões que levaram um acontecimento a outro.
A organização desta unidade apresenta o retorno a alguns assuntos já discutidos na unidade 
anterior. Iniciamos situando as questões relativas à historicidade das divisões em classes 
sociais. Também abordamos os movimentos identitários e culturais e, em seguida, pontuamos 
os movimentos e as lutas sociais (como já citado) de acordo com a cronologia.
Fique atento a essa correlação de acontecimentos e observe a participação sociopolítica da 
sociedade civil. 
Para realizarmos aprofundamento da discussão acerca do tema, faremos uma atividade 
reflexiva, com a escrita de um texto argumentativo. Participe dessa atividade, colocando em 
prática o que foi estudado na unidade.
Como você já sabe, é muito importante aproveitar as indicações feitas no material teórico 
e no material complementar. Elas favorecem a compreensão e completam o conteúdo 
estudado, auxiliando-o no momento da realização das atividades tanto de sistematização do 
conhecimento como de aprofundamento do tema.
Nesta unidade, vamos, a partir de um breve mapeamento, 
conhecer as lutas e movimentos sociais que fazem parte da 
construção da cidadania de classes sociais no Brasil e observar 
a participação da educação nesse processo. 
História dos Movimentos Sociais
• Movimentos, Lutas Sociais no Brasil no Século XX
6
Unidade: História dos Movimentos Sociais
Contextualização
“Como pode o educador assumir o papel dirigente na sociedade se na sua formação o todo 
social resume-se a uns poucos conhecimentos de métodos e técnicas pedagógicas ou a uma 
história da educação que se perdeu no passado e nunca chega aos nossos dias? Como pode 
uma nação esperar que as novas gerações sejam educadas para o progresso, o desenvolvimento 
econômico e social, para a construção do bem-estar para todos, sem uma sólida formação 
política?” (GADOTTI, 2010, p. 89).
 
 Explore
http://www.youtube.com/watch?v=406ujmrth_w
Assista ao vídeo: “A História dos Movimentos Sociais”. Observe as várias manifestações 
populares em diferentes tempos e lugares, autoquestionando-se sobre:
• Por que é importante conhecer essas lutas e movimentos?
• Como esse conhecimento irá contribuir para a minha formação enquanto pessoa?
• E, na minha formação e atuação profissional, o que implicam esses conhecimentos?
7
1. Movimentos Sociais e Associações Civis
A conquista da cidadania, em nosso país, não se deu de modo linear e tranquilo, mas, ao 
contrário, dependeu de várias lutas sociais.
Entretanto, apesar de ter sido uma grande conquista, ainda não se pode dizer que vivemos 
em uma sociedade justa e igualitária. A esse respeito Cortella (2011) afirma:
“[...] a vida social é, também, uma vida política, isto é, configura-se como espaço de conquista 
e manutenção de poder sobre os bens e pessoas, não havendo, ainda, sociedades complexas de 
composição igualitárias.” (CORTELLA, 2011, p. 41).
É fato que as divisões de classe datam de muito tempo. Já no período clássico grego (V e IV 
a.C.), pode-se observar a revelação de bases fundadoras da divisão de classes. Isso aparece 
com maior evidência no Período Arcaico1, com a ocorrência de inúmeros conflitos sociais.
Seja em qual tempo for, as lutas e os movimentos sociais sempre são vistos como disfunções 
da ordem social em vigor.
Segundo Gohn (2012), na história do nosso país, essas lutas pela conquista dos direitos ou 
ações contra as injustiças que foram realizadas por diferentes classes e categorias aparecem nos 
registros e estudos históricos como acontecimentos marginais. A respeito dessas manifestações, 
a autora ainda ressalta que “várias transformaram-se em movimentos, lutas prolongadas ou até 
guerras. Outras se institucionalizaram e foram incorporadas ou absorvidas pela sociedade civil 
e política brasileira.” (GOHN, 2012, P. 7). 
Na formação de classes sociais o poder econômico, ideológico e político é elemento constituinte 
fundamental. E os “indivíduos dos grupos” são determinados pelo lugar que ocupam nessa 
luta – dominados ou dominadores; subordinados ou mandantes; burgueses ou trabalhadores. 
Portanto ser pertencente a uma classe implica a existência de problemas ou interesses comuns.
Mas a consciência de ser pertencente a uma determinada classe social não significa estar 
satisfeito com essa condição; por isso muitas lutas foram desbravadas contra a dominação. Para 
Gadotti (2010): 
“Consciência de classe não significa apenas uma tomada de consciência 
da realidade, acima de qualquer ato de transformação da sociedade. [...]. 
A libertação não se opera no interior da consciência dos homens, mas na 
história que eles fazem.” (GADOTTI, 2010, p. 190).
Daí a manifestação se dá por essa consciência de classe dentro de um determinado contexto, 
passando a ser denominada como luta de classes. 
Para conhecer um pouco mais sobre lutas de classes, leia o texto escrito por Carlos 
Gomes sobre os antecedentes do capitalismo no site: http://www.eumed.net/libros-
gratis/2008a/372/LUTA%20DE%20CLASSES.htm
1 - Período após o período homérico, marcado pela consolidação de Cidades-Estado, principalmente as de Esparta, Tebas, Corinto e Atenas.
8
Unidade: História dos Movimentos Sociais
2. Movimentos Identitários e Culturais 
Os movimentos sociais apresentam diferentes correntes 
teóricas. Entre elas a histórico-estrutural e a culturalista-
identitária. Esta tem como base o idealismo kantiano, o 
romantismo rousseauniano, as teorias utópicas e libertárias 
do século XIX, e aquela, baseada nas abordagens de Marx, 
Gramsci, Lefevre, Rosa de Luxemburgo, Trotsky, Lênin, Mao 
Tse Tung. (GOHN, 2008).
O movimento histórico-estrutural constituiu-se de eventos ocorridos ao longo dos 
tempos, os quais favoreceram ou fortaleceram outros já existentes, possuindo um caráter de 
movimento de classe. Entretanto esse caráter de movimento de classe pode não ocorrer nos 
“novos movimentos sociais”. 
Gohn (2006) entende o culturalista-identitário como integrante dos “novos movimentos 
sociais organizados”, que envolvem sujeitos de diferentes classes sociais, unidos por algum 
traço identitário ou alguma causa e não pela classe social pertencente. Ainda a autora reforça 
que esses novos movimentos sociais colocam como horizonte a construção de uma sociedade 
democrática, lutam pela inclusão, atuam pelo reconhecimento da diversidade cultural e fazem 
parcerias com outras entidades da sociedade civil e política. 
[…] é sempre expressão de uma ação coletiva e decorrente de uma luta 
sociopolítica, econômica ou cultural. Usualmente ele tem os seguintes 
elementos constituintes: demandas que configuram sua identidade; 
adversários e aliados; bases, lideranças e assessorias – que se organizam 
em articuladores e articulações e formam redes de mobilizações; práticas 
comunicativas diversas que vão da oralidade direta aos modernos recursos 
tecnológicos; projetos ou visões de mundo que dão suporte a suas 
demandas; e culturas próprias nas formas como sustentam e encaminham 
suas reivindicações (GOHN, 2008, p. 14).
 
 Explore
Leia o artigo de Joziane M. Fialho, no qual ela faz breves considerações sobre os Movimentos Sociais 
no Brasil. Acesse: https://bit.ly/3SPp0d7
Esses novos movimentos podem ter sua identidade configurada pelo gênero, pela etnia,ou 
pela geração (geração: em defesa dos idosos, jovens, etc.).
Os novos movimentos sociais foram fortalecidos e impulsionados pela promulgação, em 
1948, da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Constituindo ponto de referência na luta 
contra a discriminação e a favor do reconhecimento dos direitos.
John Leach - Flickr.com
9
3. Movimentos e Lutas Sociais no Brasil nos séculos XIX 
Na história do Brasil, nos períodos do Império e Colônia, os conflitos existentes eram similares 
em diferentes regiões, apesar da vasta extensão territorial e da falta de comunicação existente 
em nosso país. Segundo Gohn (2012), no século XIX, as lutas tinham como herança as lutas 
sociais do século XVIII, por isso vamos relembrar algumas delas.
No século XVIII, a luta social era movida pelo desejo de libertação da Metrópole; seus líderes 
eram “liberais radicais” inspirados nos modelos da Revolução Francesa e Revolução Norte-
americana (GOHN, 2012). 
Começaremos pela Inconfidência Mineira (1789). Participaram 
desse movimento as elites intelectuais, mineradores ricos ou 
proprietários rurais, clérigos e militares. Este foi o primeiro movimento 
a determinar claramente as intenções de separação da Metrópole. 
Ele se deu a partir de três dimensões: a dimensão econômica, 
pois havia uma insatisfação com a cobrança abusiva de impostos; 
dimensão política, que surgia de uma ordem interna, devido às 
inúmeras arbitrariedades do, então, governador da Capitania de 
Minas Gerais; e a dimensão ideológica, pois o liberalismo inglês e 
os filósofos da época, com suas ideias e produções, influenciaram 
os inconfidentes. O desenrolar desse movimento foi conhecido 
por todos. Com a delação de um dos participantes, Tiradentes – 
principal líder do movimento – foi enforcado e esquartejado e os 
demais participantes sofreram a pena do degredo.
Em 1794/1795, surgiu o movimento conhecido como “Conjuração 
do Rio de Janeiro”, em que congregados da Academia Científica do Rio 
de Janeiro – fundada, em 1771, por escritores – começaram a discutir 
questões científicas e políticas e a demonstrar simpatia pelas ideias 
republicanas. Houve delação e o grupo sofreu processo de devassa, mas 
foi absolvido por faltas de provas (GOHN, 2012).
No ano de 1797, houve a “Revolta de Mulatos e Negros” e, no ano seguinte (1798), a 
”Conspiração dos Alfaiates”, também conhecida por “Conjuração dos Alfaiates”, ambas na 
Bahia. Esta composta por membros de duas categorias sociais: baianos brancos, pertencentes 
às elites; e baianos pobres, brancos e negros – artesãos, soldados, oficiais e escravos. Daí a 
segunda denominação, devido à participação predominante de alfaiates no grupo dos artesãos. 
E foi exatamente a diferenciação de classes que se tornou um complicador quando as ações 
cresceram, pois o desejo de liberdade dos escravos chocou-se com a posição dos senhores 
brancos da elite. Esta também foi delatada. A punição resumiu-se à morte ou degredo das 
lideranças populares – somente os pertencentes à classe popular foram punidos.
A primeira metade do século XIX (1800 a 1850) foi marcada por lutas, movimentos e 
rebeliões nativistas. Esses foram eventos importantes para a construção da cidadania em nosso 
país, apesar de muitos deles não terem tido força suficiente para alcançar o objetivo.
quadro A resposta de Tiradentes, de 
Leopoldino de Faria
Degredo: Pena de 
desterro imposta a 
criminosos.
Devassa: 
sindicância, 
inquérito.
10
Unidade: História dos Movimentos Sociais
Os movimentos tinham dificuldades de se estabelecer ou de permanecer 
no poder, sendo em maior ou menor tempo massacrados, nas várias 
regiões do país, pelas forças da legalidade colonial ou imperial. As alianças 
de classe existentes eram tênues e contraditórias. (GOHN, 2012, p. 23).
Isso acontecia porque, muitas vezes, era o calor da luta e a 
revolta que os motivava, faltando estruturação racional que 
fundamentasse as ações e “a falta de unidade criava espaço 
também para delações e traições.” (GOHN, 2012, p. 24).
Essa falta de unidade, neste período, facilitava, para as elites 
dominantes, a desarticulação das lutas, assinalando-as como 
ações de barbáries.
A seguir, apresentamos um quadro com todos os Movimentos e Lutas Sociais da primeira 
metade do século XIX, mapeados por Gohn (2012), em seus estudos, registrando o nome, o 
local e o ano em que aconteceu. Depois faremos uma breve pontuação sobre alguns deles.
Movimentos e Lutas Ano Local
Conspiração dos Suassunas 1801 Pernambuco
Luta Sete Povos das Missões 1801 
Movimento dos Maçons 1801-17 Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro
Atos de Insubordinação de Clérigos 1806 Rio Grande do Norte
Revolta de Escravos 1807-1835 Bahia
Revolta de Escravos 1814 Alagoas 
Ajuntamento de Pretos 1815 Pernambuco
Revolução Pernambucana 1817 Pernambuco
Movimento de Monte Rodeador 1817-20 Pernambuco
Atos de Adesões à Revolução no Porto 1820 Rio de Janeiro e São Paulo
Agitações políticas de rua em torno da 
partida de D. João VI 1821 Rio de Janeiro
Bernarda 1822 São Paulo e Rio de Janeiro
Movimentos de Goiana 1822 Recife 
Proclamação da Independência do Brasil 1822
Rebeliões contra as Juntas 
Constitucionais e Infantarias Lusas 1822-23 Bahia, Pará, Piauí e Paraíba
Motins de Pedroso 1823 Recife, Pernambuco 
Confederação de Equador 1824 Recife 
A batalha dos farrapos, de Wasth Rodrigues
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Constituição de 1824 1824
Guerra Cisplatina 1825-31 Região do Rio da Prata
Revolta dos Roma 1827 Pernambuco
Revolta Popular em Afogados 1829 Recife, Pernambuco 
Conflitos entre brasileiros e portugueses 1829-31
Atos de Protesto 1830 Minas Gerais
A Balaiada 1830-41 Maranhão 
Setembrizada 1831 Pernambuco
A Novembrada 1831 Pernambuco
Revolta dos “Exaltados” 1832 Rio, Minas, São Paulo, etc.
Caramurus 1832 Rio de Janeiro
Os Chimagos 1831-35
Movimento Cabanada 1832 Pernambuco, Maranhão, Alagoas e Piauí
A Abrilada 1832 Recife 
Noite das Garrafadas 1831 Rio de Janeiro
As Carneiradas 1834-35 Pernambuco
Movimento Cabanagem 1835 Belém do Pará
A Revolta dos Malês 1835 Bahia 
A Guerra dos Farrapos 1835-45 Rio Grande do Sul
Movimento Messiânico Sebastianista 1836-38 Bahia 
A Sabinada 1837 Bahia 
Revoltas Escravas 1838 Maranhão e Minas Gerais
Criação do Falenstério de Saí e do 
Palmital 1841 Santa Catarina
Rebelião Liberal 1842 São Paulo
Rebelião Liberal 1842-44 Minas Gerais
Revolução Praieira 1847-49 Pernambuco
Quadro 1 – Lutas e Movimentos Sociais na primeira metade do século XIX
Como podemos observar, foram várias as resistências e os combates nesse período. Alguns, 
inclusive, de caráter internacional, como a Luta Sete Povos das Missões e a Guerra Cisplatina. 
Esta, marcada por um conflito bélico entre Brasil e Argentina, resultando em muitas perdas, 
tanto de vidas humanas quanto materiais, culminando na “perda da região de Cisplatina pelo 
Brasil, dando origem à República do Uruguai.” (GOHN, 2012, p. 31.).
12
Unidade: História dos Movimentos Sociais
Ainda é possível verificar que algumas lutas e movimentos colocavam-se contra o governo e 
outras a favor, como “Caramurus (1832)”, que objetivava a volta de D. Pedro I e a restauração 
do absolutismo; o “Movimento Cabanada (1832)” e “A Abrilada (1832)”, ambos de caráter 
conservador, que também aspiravam à volta de D. Pedro I.
Mas a maioria revelava-se contrária às arbitrariedades do governo e caminhava em busca 
de um governo Republicano. Com essa pretensão, encontramos a “Revolução Pernambucana”, 
em 1817, – também conhecida como Revolução dos Padres, por ser composta por comerciantes 
brasileiros e vários padres, destacando-se Frei Caneca – a qual chegou a tomar o poder em 
Recife, mas que também culminou na derrota.
Eles chegaram a tomar o poder em Recife e implantar um Governo 
Provisório, elaborando uma Lei Orgânica para orientar o novo regime 
até a promulgação de uma nova Constituição para o país, a qual deveria 
ser elaborada por uma Assembleia Constituinte. Assim como outros 
movimentos da época, a Revolução de 1817 foi esmagada e váriosde 
seus líderes presos e mortos. (GOHN, 2012,p. 27).
Também com caráter liberal e constitucionalista, em 1820, a Revolução do Porto fermentou-
se a partir das notícias da Revolução em Portugal. 
A Proclamação da Independência, em 1822, também apareceu, no cenário histórico, como 
um movimento social, mas, segundo historiadores, seu ato, propriamente dito, deu-se a partir 
de um figurante, D. Pedro I.
A partir do crescimento do sentimento de “lusofobia” e do agravamento 
da crise nas relações com a corte, o príncipe D. Pedro I chefia um 
processo político do qual era figurante, aliás um figurante de oposição. 
O povo discutiu, segundo o registro de historiadores do período, nas 
ruas, os acontecimentos, sem ter participado diretamente do ato. 
(GOHN, 2012, p. 29). 
 Após a Independência, continuaram as lutas pela Constituição e pela inserção do povo 
na participação do governo (direito de representação). A “Confederação do Equador”, em 
1824, – liderada por Frei Caneca e por Cipriano Barata – deu-se pela oposição ao processo 
Constituinte pós-Independência. Esse movimento buscava aglutinar as províncias da região 
norte do país, de forma federativa, com um governo representativo e republicano. Realizou ações 
como a formação de uma Assembleia Constituinte, o preparo de um projeto de Constituição, a 
suspensão do tráfico de escravos e a criação de uma nova bandeira, representando, assim, uma 
reação contrária ao absolutismo de D. Pedro I. Essa revolta contou com intensa participação 
popular – “população livre: mulatos, pretos, forros, e militares de baixa patente”, constituía as 
brigadas armadas, embora também houvesse as milícias, batalhões armados. Mas essa revolta 
também foi massacrada e dezenas de seus líderes mortos (GOHN, 2012, p. 30).
Nossa primeira Constituição (1824) consignava poder absoluto ao Imperador e altos poderes 
aos parlamentares. Os poderes políticos eram hierárquicos, e era excluída a nacionalidade dos 
escravos, não sendo estes, dessa forma, considerados brasileiros.
13
Outras revoltas surgiram com sentido republicano e por reformas na Constituição. Podemos 
citar a “Revolta dos Roma” (1829) e a “Revolta Popular, em Afogados” (1829-31), com sentido 
republicano; e “Os Chimagos” (1831-35), com a perspectiva de reformas na Constituição, 
a fim de “reforçar os poderes locais de representação nos municípios e evitar o excessivo 
domínio do governo central” (GOHN, 2012, p.33). Essa revolta tinha em sua composição 
liberais moderados.
Queremos ainda ressaltar três movimentos que ocorreram no primeiro período de século 
XIX, devido à sua importância para a história dos movimentos sociais no Brasil. São eles: a 
“Guerra dos Farrapos” (1835-45), “A Sabinada” (1837) e a “Revolução Praieira” (1847-49).
A mais longa revolta armada da nossa história, no século XIX, foi a Guerra dos Farrapos, 
liderada pelos gaúchos que se organizavam em companhias de guerrilha, as quais “varreram 
as tropas imperiais da região dos pampas”, mas foram “obrigados a se 
render diante dos ataques das forças imperiais comandadas por Caxias e 
atacados ao sul pelos uruguaios” (Gohn, 2012, p. 35-36). Era composta 
por uma grande quantidade de homens livres, não proprietários e pobres. 
Eles foram subjugados, porém foram lhes concedidas várias condições 
nunca dadas, antes, a grupos revoltosos (GOHN, 2012).
A Sabinada foi uma revolta urbana na província da Bahia. Ela foi precedida de ampla 
campanha de opinião, através da imprensa da época – essa é a grande diferenciação deste 
movimento. Grupos maçons participavam dos movimentos. Chegaram a conseguir a adesão de 
tropas do governo e proclamar a república na província, mas, a exemplo da “Cabanagem” e 
dos “Farroupilhas”, também foi esmagada com grande brutalidade (GOHN, 2012).
A Revolta Praieira contou com participação marcante de elites intelectuais e políticas (a 
exemplo da maioria dos movimentos dessa época), porém teve uma grande participação 
popular – dois mil homens e armas. A marca dessa revolta foi a “perspectiva de mudança social 
diferente da do projeto das oligarquias rurais latifundiárias” (GOHN, 2012, p.38). Defendiam a 
Reforma Agrária e a abolição do latifúndio. Foi um movimento de defesa das camadas médias 
urbanas: brancos, mulatos e negros livres. Em 1849 resolveram deflagrar a Revolução, a qual 
durou dois meses, mas foram dominados pelas forças armadas legais e os seus líderes mortos 
ou deportados (GOHN, 2012).
 
 Explore
Para exercitar o seu pensamento crítico, assista ao vídeo, atentando para a letra da música e condu-
zindo sua reflexão para o conteúdo desta unidade. https://youtu.be/qbUo0wdEd4k
Reflita: “É possível se fortalecer frente às derrotas?”
Por esse recorte, é possível observar a fragilidade dos movimentos da época na sua concepção, 
devido à falta de clareza nos projetos e de politização e à ambiguidade das alianças que foram 
fatores contribuintes para sua derrota. E devemos assinalar que esses fatores “fizeram com que 
as camadas populares fossem sempre as mais reprimidas.” (GOHN, 2012, p. 25).
subjugado: 
submetido pela 
força das armas, 
dominado, reprimido.
14
Unidade: História dos Movimentos Sociais
Segunda Metade do Século XIX
Na segunda metade do século XIX, as lutas sociais, em grande parte, giraram em torno da 
questão dos escravos e também de movimentos de auxílio mútuo e das lutas contra o fisco.
Esses movimentos “envolviam aspectos da luta pela cidadania, identidade, liberdade humana, 
assim como a luta por questões que interferiam no cotidiano dos meios coletivos urbanos, como 
o transporte.” (GOHN, 2012, p. 40).
Gohn (2012) aponta setenta movimentos sociais ocorridos na segunda metade do século, 
incluindo as guerras contra os países vizinhos ao sul, entretanto nossa atenção estará voltada 
para os movimentos que tiveram maior influência na vida política e social em nosso país.
Iniciaremos pelas lutas em torno da questão dos escravos. Gohn (2012) aponta que a luta 
contra o escravismo foi uma luta dos próprios escravos, com avanços e recuos devido à resistência 
dos fazendeiros à abolição. Mas eles – os escravos – tiveram o apoio, em vários momentos, de 
intelectuais e políticos. Foi uma luta longa e árdua. 
Nos anos de 1850, foi promulgada a Lei Eusébio de Queiroz, que abolia o tráfico negreiro no 
Brasil. Vale ressaltar que houve pressões externas, mas a própria pressão interna dos escravos 
contribuiu, visto que as revoltas eram constantes, “vindo a se transformar nas décadas seguintes 
na principal questão social do país.” (GOHN, 2012, p. 42). 
Entre os vários movimentos, podemos mencionar: a “Luta da Associação Tipográfica 
Fluminense” (1853), para libertar escravos; a “Primeira Greve de Escravos-Operários do Brasil” 
(1857); a “Lei do Ventre Livre” (1871), que foi mais uma concessão que as elites dominantes 
tiveram que fazer: tornar os filhos de escravos nascidos no Brasil livres (isso, devido ao 
movimento escravista); o “Movimento Antiescravista Caifazes” (1880), que apoiava a fuga de 
escravos; e a “Sociedade Abolicionista Ouropretana” (1881) e “Clube do Cupim” (1884), as 
quais organizavam e promoviam fugas de escravos.
“Nos anos de 1880 a Campanha Abolicionista difundiu-se por todo 
país e teve apoio popular. [...]. A abolição da escravatura surgiu, assim 
como as conquistas anteriores, via projeto legislativo, assinado pela 
princesa regente, D. Isabel, consagrada posteriormente pela mídia como 
a “libertadora dos escravos”. A lei que acabou com o cativeiro de negros 
africanos no Brasil teve o nome de Lei Áurea.” (GOHN, 2012, P. 51).
O Movimento Abolicionista durou dez anos (de 1878 a 1888), mas, 
como vimos, as lutas antiescravagistas que precederam esse movimento 
foram de fundamental importância.
Os Movimentos de Auxílio Mútuo configuraram-se numa forma peculiar de associação das 
classes populares. Esses Movimentos visavam ao cuidado tanto das necessidades econômicas, 
quanto dos aspectos culturais, como bibliotecas, festas, jogos, etc. Também representavamum 
forte componente social, partindo da solidariedade para com os doentes, os idosos, as viúvas, 
os inválidos, etc., e dedicando-se, ainda, à construção de casas, creches, abrigos, hospitais 
e orfanatos. Para a camada assalariada, o Movimento Mutualista, no Brasil, desempenhou o 
papel de uma Previdência Social (GOHN, 2012).
15
Alguns desses movimentos foram: “Sociedade Artística Beneficente” (1859); “Sociedade 
Humanitária dos Empregados no Comércio de Santos” (1879); “Sociedade Suíça de Beneficência 
Helvétia” (1880); “Sociedade Protetora dos Portugueses Desvalidos” (1885); “Associação 
Beneficente dos Funcionários Públicos” (1888); “Sociedade Humanitária dos Empregados 
no Comércio” (1888); “Associação de Socorros Mútuos Artes e Ofícios” (1889); “Sociedade 
Beneficente dos Alfaiates de São Paulo” (1891); entre outros.
Também foi na segunda metade do século XIX que aconteceram a Revolta de Canudos 
(1874 -1897) e o Movimento Republicano (1880 -1889). 
A Revolta de Canudos tinha um cunho religioso; figurava-se, no início, como uma revolta 
contra a cobrança de impostos. Após alguns anos, Canudos tornou-se um espaço geopolítico 
totalmente distinto do território nacional, sendo procurado por milhares de pessoas. Foi 
caracterizado pelos historiadores tradicionais como um movimento de fanatismo religioso e 
pelos historiadores contemporâneos como um movimento de resistência e de caráter social-
libertário. (GOHN, 2012).
Canudos tornou-se questão de política nacional, por lhe ter sido 
atribuído um caráter antirrepublicano, o novo regime político brasileiro; 
a República decretada em 1889, necessitava de “vítimas” para perseguir, 
quanto às supostas conspirações monarquistas. [...]. Em 1887, após 
quatro expedições militares, onze meses de luta sangrenta, com a morte 
de mais de oito mil pessoas, Canudos foi esmagado pelas forças militares 
(GOHN, 2012, p. 49). 
O Movimento Republicano representava a luta pela queda da Monarquia e a implantação da 
República. Esta luta constituía-se em um fato político extremamente ligado à luta abolicionista e 
à questão militar. Essa questão do escravismo deu à causa um caráter muito mais social do que 
político. Foi um movimento predominantemente militar, apesar de contar com apoio popular.
O Movimento Republicano foi precedido de outro movimento chamado de “Questão Militar”.
“A chamada Questão Militar foi um dos fatos que levaram à proclamação 
da República em 1889. Entretanto suas origens datam de 1866, quando 
o Duque de Caxias assumiu o comando total das operações na guerra 
contra o Paraguai.” (GOHN, 2012, p.45).
Em 1891 foi promulgada a Nova Constituição, inspirada no modelo americano e com 
pouca participação do povo em sua elaboração. Ao contrário da Constituição de 1842, 
que trazia a obrigatoriedade da escolarização, a Nova foi omissa quanto às questões da 
educação e do ensino. Além disso, vetou o direito de voto aos analfabetos. Não assegurou 
o direito de greve, mas garantiu o direito de reuniões, liberdade de pensamento e expressão 
(imprensa sem censura). 
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Unidade: História dos Movimentos Sociais
4. Movimentos, Lutas Sociais no Brasil no Século XX
A partir do século XX, as lutas sociais passaram a ter caráter urbano, com o que surgem 
novas categorias de lutas. Essas categorias são diversas e vão desde lutas da classe operária até 
lutas cívicas e movimentos por questões ambientais.
De acordo com a conjuntura sociopolítica do país, cada uma dessas lutas teve maior ou 
menor importância, fazendo parte da História do Brasil.
Durante Primeira República (1900-1930), devido ao avanço da urbanização em razão da 
economia do café na região centro-sul do país, as lutas centraram-se na questão do trabalhador 
imigrante, que reivindicavam melhores salários, rebaixamento do preço dos gêneros alimentícios, 
redução da jornada de trabalho e congelamento dos aluguéis, formando organizações anarco-
sindicalistas. Foram criados vários sindicatos de categorias e, a partir desses, fizeram-se inúmeras 
greves. Os anarco-sindicalistas combatiam toda forma de organização burocratizada e rígida – 
Estado, Igreja –; eles “deram grande ênfase à cultura, à educação das massas e à igualdade 
entre os sexos.” (GOHN, 2012, p. 62).
A questão social nessa época era tratada como “caso” de polícia. Na área da Previdência, as 
políticas eram tímidas e pontuais, configurando-se como política nacional somente nos anos de 
1930, continuando, assim, a cargo das Associações de Mútuo Auxílio realizar esse papel.
Foi uma fase marcada, de um lado, pela pobreza, agravada pelas epidemias: febre amarela, 
varíola, peste bubônica, surtos de gripe; e, de outro lado, pelas elites dominantes, priorizando 
construções de estradas voltadas aos interesses dos donos de cafezais. 
Por isso deram-se várias revoltas, algumas voltadas para as questões da saúde, como a 
“Revolta contra a Desinfecção Sanitária” (1900) e “Revolta das Vacinas” (1904); outras de 
cunho político, como o “Movimento Político Contra o Regime Republicano (1902); a “Revolta 
da Escola Militar” (1904), que visava à derrubada do presidente e à instauração de uma 
“nova República” e que abrangeu a jovem oficialidade, sendo esmagada pelo poder central; 
“Liga Republicana” (1906); “Campanha Civilista” (1910), que visava ao lançamento de uma 
candidatura civil para a Presidência da República, movimento que foi derrotado nas urnas com 
a eleição do militar Hermes da Fonseca; “Movimento de Criação do Partido Comunista do 
Brasil”(1922); a “Revolução em São Paulo” (1924), que articulou a Coluna Prestes; a “Coluna 
Prestes” (1925-27), que trazia, em sua plataforma, entre outras coisas, a reivindicação do 
direito ao voto secreto, ao voto das mulheres, à liberdade de imprensa, entre outros; além dos 
movimentos grevistas e ainda a criação de outras associações mútuas.
 
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Para saber, mais leia o capítulo 1, páginas 61-81, de: GOHN, Maria da Glória. História dos mo-
vimentos e lutas sociais: a construção da cidadania dos brasileiros. – 7. ed. – São Paulo: 
Edições Loyola, 2012. 
 A “Revolução Política” (1930) que levou Getúlio Vargas ao poder dá início a uma nova fase 
na história brasileira.
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Trata-se da vitória de um projeto liberal industrializante, que em oposição 
às elites conservadoras rurais, delineará com muita vagarosidade um 
novo cenário para a nação: o urbano passa gradativamente a ser objeto 
de atenção das políticas públicas, visando-se criar condições para o 
adensamento da mão de obra, as indústrias crescem paulatinamente 
na região sul do país, as correntes de imigração estrangeiras são 
definitivamente substituídas pelas migrações nacionais, criam-se 
legislações e ordenamentos jurídicos novos, o Estado passa a organizar 
e a interferir na economia e na sociedade com mais vigor. Ainda que 
as elites conservadoras tenham mantido suas influências junto ao poder 
público, dada a redefinição das alianças políticas que estabelecem 
no cenário do país, o caráter da luta social adquire novos contornos. 
(GOHN, 2012, p. 82) 
 É nessa fase que vemos as camadas populares emergirem como atores históricos dentro 
de um novo prisma, deixando de ser caso de polícia para transformarem-se em cidadãos com 
alguns direitos, como os trabalhistas. Nessa fase (1930 -1945), houve várias lutas e movimentos, 
entre eles, a “Marcha da Fome” (1931); o “Movimento dos Pioneiros da Educação” (1931), a 
“Revolução Constitucionalista” (1932); a “Nova Constituição” (1934) e os “Movimentos de 
Associações de Bairros”.
 Os anos de 1945 a 1964 marcaram um período conhecido como populista ou nacional-
desenvolvimentista, devido às formas de participação social, pois, a partir do processo de 
redemocratização, houve a retomada das disputas político-partidárias no país. Nessa fase os 
movimentos reivindicaram várias questões. Esse período também corresponde à fase de grande 
intervenção do Estado na economia, com o objetivo de criar condições básicas para a nova 
etapa de acumulação do capital. Iniciou-sea intervenção do Estado na sociedade por meio de 
políticas públicas de cunho clientelístico. Também se pode dizer que foi uma fase muito fértil 
culturalmente (GOHN, 2012).
Agora adentramos um período de grande repressão na sociedade brasileira, a ditatura 
militar (1964- 1974), um período de grande efervescência do movimento de esquerda no país. 
Ocorreram várias lutas de resistência e protestos, resultando em prisões, torturas e perseguições. 
Corresponde também à fase do milagre econômico, no qual as massas populares, em geral, 
sofreram com o arrocho salarial, mas mantiveram-se caladas devido à necessidade do emprego 
(GOHN, 2012).
As lutas pela redemocratização correspondem ao período de resistência e enfrentamento ao 
regime militar, ocorrido nos anos de 1975 a 1982, sendo este um dos mais ricos “da História do 
Brasil, no que diz respeito às lutas, movimentos e, sobretudo, projetos para o país.” (GOHN, 2012). 
Ele corresponde a uma fase de resistência e de enfrentamento ao regime 
militar, que já perdera sua base de legitimidade junto à sociedade 
devido à crise econômica que se esboçava desde 1973 com a chamada 
crise do petróleo, a retomada vagarosa da inflação, o desmonte das 
facilidades do paraíso do consumo das classes médias. As eleições de 
1974 significaram um vigoroso “não” da população ao regime político 
vigente, fazendo do partido de oposição, o MDB, o vitorioso das urnas 
(GOHN, 2012, p.114).
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Unidade: História dos Movimentos Sociais
Foi uma fase de crença na volta pela democracia em nosso país e na possibilidade de 
mudanças históricas, não conseguidas no passado, a partir da força do povo, das camadas 
populares organizadas. Gohn (2012) fala dessa esperança, apontando o desejo “dos excluídos” 
da sociedade de serem os novos atores históricos:
Os moradores das periferias, das favelas, cortiços e outros submundos 
saem da penumbra e das páginas policiais para se tornarem os depositários 
das esperanças de serem novos atores históricos, sujeitos de processos de 
libertação e de transformação social (GOHN, 2012, p.114).
A Nova República e a Restauração Democrática são apontadas por Gohn (2012) como uma 
fase marcada pela negociação: a era dos direitos (1982-1995). Essa compreende a sexta fase do 
mapeamento feito pela autora. Ela afirma que, apesar de ser o período mais curto, ele é repleto 
de movimentos e lutas. 
É um período de intensa movimentação social devido à característica da conjuntura política e 
à dimensão dos problemas sociais, resultantes do aumento da população no país e também da 
facilidade de divulgação e reprodução das ações coletivas através dos meios de comunicação 
de massas. (GOHN, 2012).
Após quase duas décadas de indicações de governadores dos estados brasileiros pelo regime 
militar, o povo conquista o poder do voto e de eleger seus representantes ao governo do estado 
por meio de eleições diretas.
A década de 1980 foi marcada por muitas experiências político-sociais, como a “luta 
pelas diretas já”, trazendo a implantação de um calendário político que trouxesse de volta as 
eleições presidenciais e a redução do mandato do presidente. Houve, também, o surgimento 
das Centrais Sindicais e a criação de entidades organizativas e de inúmeros movimentos 
sociais (GOHN, 2012).
Contudo, junto com a volta do jogo democrático, veio a crise econômica, com altos índices 
de inflação e o altíssimo número desemprego. Muitas greves foram deflagradas e houve tumulto 
das massas, chegando ao extremo de saquearem mercados, fazerem linchamentos populares na 
ânsia de fazer justiça com as próprias mãos, revelando um desespero social.
“Os anos de 1980 são fundamentais para a compreensão da construção da cidadania dos 
pobres no Brasil, em novos parâmetros.” (GOHN, 2012, p. 126). Apesar das perdas em termos 
econômicos, foi uma década muito positiva em termos políticos e culturais. Todavia foi uma 
década que findou com a desmobilização e a descrença em massa (GOHN, 2012).
Nos ano de 1990, uma pequena luz de esperança voltou a fazer parte da história social 
do Brasil, com o “Movimento pela Ética na Política”, culminando no impeachment do ex-
presidente Collor. Assim, as lutas sociais foram redefinidas, os movimentos sociais alteraram-se 
substancialmente, chegando até, em alguns casos, a entrar em crise. “Surgem novos movimentos 
sociais, centrados mais em questões éticas ou de revalorização da vida humana.” (GOHN, 
2012, p. 127).
Dessa forma deslocou-se o eixo das reivindicações das questões econômicas para as questões 
de moral, e retomou-se a questão dos direitos sociais tradicionais. 
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Nesse cenário cresceu o número de “Organizações Não-Governamentais” (ONGs) e de 
políticas de parcerias implementadas pelo poder público. 
Trata-se das novas orientações voltadas para a desregulamentação do 
papel do Estado na economia e na sociedade como um todo, transferindo 
as responsabilidades do Estado para as “comunidades” organizadas, com 
a intermediação das ONGs, em trabalhos de parceria entre o público 
estatal e o público não estatal e, às vezes, com a iniciativa privada também. 
(GOHN, 2012, p. 128-129).
Com a volta das eleições gerais, em 1994, alterou-se o cenário sociopolítico. 
“Um novo plano econômico, uma nova moeda e um novo candidato, surgido de um pacto 
político entre as elites, possibilitaram a ascensão de novos quadros ao poder central.” (GOHN, 
2012, p. 129).
Procuramos delinear, em poucas linhas, um pouco da história das lutas e dos movimentos 
sociais ocorridos no Brasil nos séculos XIX e XX. Mas, nas próximas unidades, retomaremos 
alguns pontos desses estudos. 
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Unidade: História dos Movimentos Sociais
Material Complementar
 
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Para conhecer um pouco mais sobre os Movimentos Sociais, acesse o site abaixo e leia a resenha 
do livro: Novas Teorias dos Movimentos Sociais, de Maria da Glória Marcondes Gohn. São Paulo: 
Edições Loyla, 2008.
https://goo.gl/1QmJJ2
 
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Para complementar seus estudos, acesse o link:
https://goo.gl/dseiex
E assista a uma entrevista com o filósofo Mario Sérgio Cortella falando sobre politizar-se. Entrevista 
concedida ao programa “Mais Você”, da Rede Globo.
 
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O artigo “Movimentos identitários e a formação de professores” é fruto de uma pesquisa, realizada 
por Vera Maria Nigro de Souza Placco et.al., que buscou compreender como os movimentos identi-
tários ocorrem durante a formação continuada de professores. 
Veja acessando o site: https://goo.gl/Bjqbgn
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Referências
CORTELLA, Mario Sérgio. A escola e o conhecimento: fundamentos epistemológicos 
e políticos. 14. ed. – São Paulo: Cortez, 2011.
GADOTTI, Moacir. Pedagogia da práxis. 5. ed. – São Paulo: Cortez, 2010.
GOHN, Maria da Glória. História dos movimentos e lutas sociais: a construção da 
cidadania dos brasileiros. – 7. ed. – São Paulo: Edições Loyola, 2012.
______. Teorias dos movimentos sociais. 5.ed. São Paulo: Loyola, 2006.
______. Novas teorias dos movimentos sociais. São Paulo: Edições Loyola, 2008.
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Unidade: História dos Movimentos Sociais
Anotações
www.cruzeirodosulvirtual.com.br
Campus Liberdade
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