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1 Experimentação Agrícola Introdução ao planejamento agrícola Msc. Flávia Luciane Bidóia • Unidade de Ensino: 1 • Competência da Unidade: Conhecimento dos princípios básicos de experimentação agrícola. • Resumo: Conhecer os princípios, importância, planejamento e fatores da experimentação agrícola. • Palavras-chave: repetição, casualização, controle, parcela, amostra, variância. • Título da Teleaula: Introdução ao planejamento agrícola • Teleaula nº: 01 Introdução ESTRATÉGIA DE SUCESSO PRODUTOS: variedades, híbridos, adubos, defensivos agrícolas, entre outros, fazer uma recomendação de variedade para uma região; de doses de um determinado adubo, etc. ou utilizar uma tecnologia, é necessária a realização de experimentos para testá-los CONFIABILIDADE: produtos, recomendações e tecnologia O objetivo da disciplina Experimentação Agrícola é: CAPACITAÇÃO: planejamento, execução, análise de dados e interpretação dos seus resultados. 1- PRINCÍPIOS BÁSICOS: Testes de significância, delineamentos experimentais, experimentos fatoriais e parcelas subdivididas, análises conjuntas e interpretação de resultados 2- PLANEJAMENTO AGRÍCOLA EXPERIMENTAL 3- FATORES IMPORTANTES DA EXPERIMENTAÇÃO Introdução ao planejamento agrícola experimental: princípios 1 2 3 4 5 6 2 O que é estatística? Estatística é a ciência que coleta, organiza, analisa e interpreta dados para tomada de decisões, sendo que esses dados são oriundos de informações que vêm de observações, contagens, medições ou respostas. As primeiras aplicações da estatística eram registros que atendiam às necessidades de Estado para que os governantes tomassem conhecimento de dados demográficos e econômicos. Na atualidade, a estatística é uma ciência moderna de extrema importância para estudar e elucidar os problemas em todas as áreas do conhecimento DADOS: são analisados a partir da estatística, podem constituir toda uma população ou uma amostra Planejamento de investigação: seguir princípios Quais os princípios da experimentação??? Princípio da repetição Princípio da casualização Princípio do controle local Princípio da repetição Consiste na reprodução de um determinado tratamento em mais de uma unidade experimental ou parcela Hipóteses: testar produtos, método, tecnologia... Erro experimental: poderá ser estimado se houverem repetições "Quanto maior o número de repetições, menor será o erro experimental. Portanto, o teste de hipótese será mais preciso". Como calcular o erro experimental??? Como verificar a dispersão dos dados??? Qual o número de repetições? Estimar as variâncias: amostral ou populacional Calcular o desvio padrão, que é uma medida de dispersão Coeficiente de variação: verificar a relação, em percentagem, do desvio padrão com a média. 7 8 9 10 11 12 3 Estas são algumas das principais medidas utilizadas em experimentos para se ter uma melhor visão de como os dados estão distribuídos. Quando o objetivo é constatar a precisão da média estimada da amostra, podemos realizar a análise do erro experimental ou erro padrão da média, a qual reflete a variância da média dos tratamentos, que pode ser estimada por: Exemplificando Se um híbrido A tiver maior produtividade do que o híbrido B, sem repetições, não podemos afirmar que o A é mais produtivo, pois esse melhor desempenho poderá ter ocorrido devido ao acaso ou ter sido influenciado por fatores externos Por outro lado, se os dois híbridos tivessem sido semeados em várias parcelas (repetições) e, ainda assim, verificássemos que o híbrido A apresentou, em média, maior rendimento, então, já existe um indicativo de que ele seja realmente mais produtivo. Princípio da casualização A casualização é a distribuição aleatória dos tratamentos, e parcelas em um experimento. Essa casualização pode ser realizada em todo o experimento ou dentro de um bloco, dependendo do delineamento estatístico utilizado. A figura abaixo mostra um esquema básico de experimento, em que a representação “A” não tem casualização, sendo todas as repetições a mesma sequência. Já no esquema “B” há casualização, modificando a ordem em cada repetição. 13 14 15 16 17 18 4 Para evitar que um tratamento seja favorecido por qualquer fator externo, deve-se realizar a casualização dos tratamentos nas parcelas. Cada tratamento tem a mesma probabilidade de ser alocado em qualquer parcela do experimento. A casualização pode ser realizada de várias formas, como em urna e tabelas de números aleatórios e o uso de aplicativos computacionais. Princípios: do controle local Princípio do controle local Consiste em distribuir os tratamentos na área experimental, sempre em áreas mais homogêneas, quanto às condições de tipo de solo, umidade, insolação São arranjos na distribuição dos tratamentos, de modo a atenuar os efeitos da heterogeneidade ambiental O delineamento mais utilizado é o em blocos casualizados O controle local: os tratamentos são aleatórios dentro de cada bloco O grupo de parcelas dentro de cada bloco deve ser o mais uniforme possível de forma que a variação dentro do bloco seja a menor possível, enquanto a variação entre blocos pode ser grande. "Para que um experimento consiga responder aos seus objetivos e para que suas hipóteses sejam testadas, é necessário levar em consideração os princípios da repetição, casualização e controle local. Dessa forma eliminará o efeito do ambiente, permitindo comparações precisas entre os tratamentos". Conceitos - Tratamentos - População - Amostra - Unidade experimental ou parcela 19 20 21 22 23 24 5 Tratamentos Pode ser um método, elemento ou material cujo efeito deve ser medido e comparado, dentro do experimento. Alguns exemplos de tratamento: diferentes híbridos de milho, métodos de aplicação de herbicidas, diferentes espaçamentos em café, diferentes doses de adubações, doses de produtos. Tratamentos Entre os tratamentos, é importante que se tenha a testemunha (tratamento controle), sendo um método, elemento ou material comumente utilizado como referência. O efeito da testemunha será comparado com as respostas dos demais tratamentos com a finalidade de verificar a eficiência dos tratamentos testados. População É uma coleção de todos os resultados, respostas, ou contagens que são de interesse no estudo. Também pode ser entendida como o total dos elementos que se desejam as informações. Amostra É um subgrupo de uma população, que tenha pelo menos uma característica em comum relacionada ao fator que se deseja estudar. A partir das amostras pode-se estudar e inferir a respeito da população, que auxiliará na tomada de decisão. Unidade experimental ou parcela Pode ser um indivíduo ou grupo ou até uma área experimental que receberá o tratamento, fornecer os dados que serão analisados Em todas as parcelas devem ser avaliadas todas as características de interesse Deve apresentar tamanho suficiente, ser uniforme e apresentar bordadura Unidade experimental ou parcela Considera-se como parcela total toda a área da parcela (área útil mais bordadura), e a área da parcela que será avaliada (de onde serão coletadas as informações) é denominada de parcela útil 25 26 27 28 29 30 6 Princípios em experimentação agrícola Situação-problema 1 1. Avaliação de 20 cultivares de milho Informações: Número de tratamentos: 20; solo não homogêneo; espaçamento utilizado de 80 cm entre linhas e uma população de 60.000 plantas por ha. Situação-problema 1 Qual a importância das repetições e as consequências de não respeitar esses princípios? Como deve ser realizado o experimento neste local? Considerações: Os princípios da experimentação agrícola são a repetição, a casualização e o controle local. O cálculo da variância depende do nº de repetições Considerações: Se não é possível calcular a variância, também não será possível calcular o desvio padrão, o coeficiente de variação e nem o erro experimental, pois dependemdiretamente da variância. Todos os tratamentos devem ser avaliados mais de uma vez, e estas repetições devem ser casualizadas Como o solo é heterogêneo, deve-se utilizar o controle local, restringindo as repetições. Considerações: A unidade experimental deve representar a lavoura comercial do milho em campo. Os espaçamentos nas parcelas deverão ser de 80 cm entre linhas e 20 cm entre plantas. 31 32 33 34 35 36 7 Princípios em experimentação agrícola Situação-problema 2 2. Foram recebidos os dados de um experimento. Ao analisá-los, verificou-se que o coeficiente de variação estava muito alto, demonstrado que algo poderia estar errado. Situação-problema 2 Ao analisar a resposta, você observou que no experimento foi utilizada uma variedade de soja, quatro doses diferentes de adubações e três repetições. O experimento foi instalado no campo e suas repetições foram aleatórias em toda a área, ou seja, a repetição um poderia ficar ao lado da repetição dois. Vale salientar que o solo onde a pesquisa foi realizada é heterogêneo. O que pode ter ocorrido de errado? Considerações: Os princípios de repetição e casualização foram respeitados, como o recomendado, pois houve três repetições e a disposição dos tratamentos foi aleatória. Possivelmente o princípio de controle local não foi respeitado. Em experimentos de campo deve-se realizar o controle local, ainda mais se o solo for heterogêneo. Considerações: É importante salientar que, quando se realiza pesquisa com experimento em campo deve-se restringir a aleatorização. Cada bloco terá todos os tratamentos que devem ser aleatórios. Dessa forma, diminuirá a variação entre as parcelas dentro de cada bloco. A diferença entre os blocos não influenciará a precisão experimental, uma vez que essa variabilidade será estimada e retirada dos tratamentos. Portanto, diminuirá o coeficiente de variação. Questionamento 37 38 39 40 41 42 8 Questionamento No planejamento experimental, a determinação do tamanho do experimento está associada ao número de repetições que devem ser empregadas. ( ) Certo ( ) Errado Planejamento de experimentos agrícolas Planejamento de experimentos agrícolas O planejamento experimental é primordial na etapa inicial de qualquer experimento. Um trabalho experimental deve ser devidamente planejado, visando a atender aos interesses do pesquisador e a testar as hipóteses propostas (H0 e H1) Planejamento de experimentos agrícolas Abordagem: - Fatores não controlados - Variação aleatória - Escolha de características a serem analisadas - Determinação: parcela, repetições, análise e tratamento de dados Fatores não controlados e variação aleatória Variabilidades nos espaçamentos entre plantas; pequenas variações na infestação das parcelas por pragas ou doenças; variação na constituição genética das plantas; variabilidade na profundidade de semeadura; variações na fertilidade do solo, entre outros. Os efeitos não controlados em conjunto são denominados de variação do acaso ou variação aleatória, e um dos objetivos do pesquisador é reduzir essa variação. Características a serem analisadas A escolha das características a serem estudadas dependerá dos objetivos da pesquisa a ser realizada. Ex. Teste de eficiência de tratamento de sementes Quais as características a serem analisadas? 43 44 45 46 47 48 9 Precisão experimental: se refere a diferença entre dois tratamentos, podendo ser detectada em um experimento. A precisão experimental pode ser aumentada através da escolha do material experimental; da unidade experimental; dos tratamentos; do aumento do número de repetições; agrupamento das parcelas e técnicas apropriadas Determinação: unidades experimentais ou parcelas, repetições, análise e tratamento de dados Em experimentações in situ, de campo, em casa de vegetação ou laboratório, o tamanho e a forma das unidades experimentais são muito variáveis, pois depende do material utilizado, dos objetivos da pesquisa, número de tratamentos, quantidade disponível do material, utilização de máquinas agrícolas, área total disponível e custo. Na determinação do número de repetições deve-se levar em consideração: heterogeneidade do solo e do material experimental, o tamanho e a forma das parcelas e os tipos de tratamentos. As análises de variância e testes de significância, são altamente influenciados pelos números de repetições, sendo que quanto maior o número de repetições maior a probabilidade dos testes serem precisos. Após a realização das análises estatísticas descritivas, o próximo passo é fazer a estatística inferencial. A experimentação agrícola está dentro da estatística inferencial e, para isso, a análise de variância é uma das ferramentas da experimentação agrícola. Distribuição simétrica e assimétrica Assimetria é o grau de afastamento de uma distribuição em relação ao eixo de simetria. Uma distribuição simétrica apresenta igualdade entre as medidas média, moda e mediana. Caso contrário, a distribuição é denominada assimétrica 49 50 51 52 53 54 10 Para quantificar o desvio de uma distribuição em relação a uma distribuição simétrica, usamos o coeficiente de assimetria. Ele nos permite comparar duas ou mais distribuições diferentes e saber qual delas é mais assimétrica. A curva será mais assimétrica, quanto maior for o coeficiente. Caso os dados sigam a distribuição normal, pode-se realizar as ferramentas de análise de variância e os testes de significância. É importante ressaltar que com os resultados dos cálculos dos coeficientes de assimetria e os de curtose podemos verificar se os dados seguem a distribuição normal dos dados. Para isso, faz-se o teste t para ambos e se não for significativo a população segue a distribuição normal. Fatores importantes da experimentação agrícola Fatores controlados na experimentação agrícola 1- Material de trabalho: variedades, cultivares e híbridos, quantidade de sementes, defensivos, equipamentos agrícolas 2- Objetivos do trabalho 3- Tempo de execução 4- Maquinário 5- Área disponível 6- Custo de montagem 7- Mão-de-obra especializada Delineamento experimental estatístico É um plano de distribuição dos tratamentos nas parcelas experimentais Selecionar e agrupar os tratamentos para reduzir erros Influenciar no modo como os dados serão analisados Croqui ou um esquema representa o experimento instalado em campo Quais os delineamentos experimentais? Delineamento inteiramente casualizado Delineamento em blocos casualizado Quadrado latino 55 56 57 58 59 60 11 Objetivos dos delineamentos Permitir estimativas de erro experimental Aumentar a precisão Fornecer informações para proceder o teste de variância Fatores que afetam a escolha do delineamento Os objetivos, as características físicas e topográficas da área experimental; variabilidade do solo; número e natureza dos tratamentos; cultura utilizada; tamanho da diferença a ser detectada; nível de significância; disponibilidade de recursos (área, sementes, fertilizantes); custo (dinheiro, tempo e mão de obra) Análise de variância Após a escolha do delineamento estatístico, a implementação e a coleta de dados, é feito a análise de variância. Para cada delineamento existe uma análise de variância específica. Anova – Delineamento inteiramente casualizado Anova – Delineamento de blocos ao acaso 61 62 63 64 65 66 12 Tabelas F – 0,5% e 0,1% Anova – Delineamento inteiramente casualizado Avaliação dos coeficientes Situação-problema 3 Projeto: objetivo é avaliar 20 cultivares de milho na região norte do estado de São Paulo, visando a produção de grãos e silagem. Serão 20 tratamentos (cultivares) e solo não homogêneo, além de possuir grande influência do ambiente, calor, frio, excesso de chuva, seca, entre outros, a planta pode responder de forma diferenciada a esses estímulos. Levando em consideração as informações, 1- Quais são os fatores não controlados e qual a sua importância?2- Como deve ser o processo de escolha das características a serem estudadas? Quais são essas características? 3- Como deve proceder o dimensionamento do tamanho da unidade experimental e o número de repetições? 67 68 69 70 71 72 13 Considerações: Os fatores não controlados são os denominados erros, pois são os fatores que não foram levados em consideração no planejamento dos experimentos, como o excesso de chuva, de calor, de frio, entre outros. Na análise de variância encontraremos os quadrados médios dos resíduos, ou seja, dos erros. Se não for possível estimar o erro, não tem como verificar a eficiência do tratamento que será realizado. Considerações: No experimento que visa a avaliação de milho para grão é importante avaliar as seguintes características: altura de plantas e de espigas; florescimento masculino e feminino; resistência a pragas e doenças; prolificidade (número de espigas por planta); porcentagens de grãos ardidos e produtividade de grãos. Considerações: Para o experimento de silagem deve-se avaliar as seguintes características: altura de plantas e de espigas; florescimento masculino e feminino; resistência a pragas e doenças; prolificidade (número de espigas por planta); produtividade de massa verde e de matéria seca; porcentagem de proteína, de FDN (fibra em detergente neutro) e FDA (fibra em detergente ácido). Considerações: O dimensionamento do tamanho da unidade experimental deve ser realizado em observação de qual é a área mínima cujos resultados sejam confiáveis. Em milho, é usual utilizar quatro linhas de cinco metros espaçadas de 80 centímetros (pode variar dependendo da recomendação do produtor com o tamanho da unidade experimental). Considerações: O número de repetições depende de vários fatores, entre eles o número de plantas, quantidade de sementes, disponibilidade de área, homogeneidade da área, entre outros. Além disso, é necessário atentar-se ao fato de que quanto menor o número de tratamentos maior deverá ser o número de repetições. Em experimentos semelhantes a este é comum utilizar três ou quatro repetições. Produção de mudas de citros 73 74 75 76 77 78 14 Situação-problema 4 Pesquisa é na área de cultura de tecidos. O projeto que ele propôs foi fazer uma avaliação em clones de laranja pera obtidos por meio de micropropagação. Esses clones serão avaliados em dois momentos, sendo primeiro em um viveiro, onde os ambientes são homogêneos, e o segundo em campo. Do exposto, como devem ser os delineamentos estatísticos e qual a influência disso para as análises de variância de ambos os experimentos? Serão avaliados dois experimentos diferentes, sendo que o primeiro será realizado em um ambiente controlado, portanto homogêneo, e o segundo em um ambiente heterogêneo. O experimento que será avaliado em casa de vegetação, onde os tratos culturais e o ambiente são homogêneos, pode ser instalado sob o delineamento inteiramente ao acaso. A justificativa para o uso desse delineamento é que como não há variabilidade ambiental, o erro será menor. O segundo experimento será instalado em campo, onde as condições ambientais são heterogêneas, então deverá ser instalado sob o delineamento em blocos ao acaso. Os blocos limitarão a aleatoriedade, pois nesse delineamento existe o controle local. A análise de variância leva em consideração essa limitação, pois retira do quadrado médio do efeito do bloco. Dessa forma, os resultados serão mais confiáveis. Questionamento Questionamento A principal característica deste delineamento é a distribuição casual dos tratamentos a todas as parcelas do experimento ( ) DIC ( ) DBC Encerramento... 79 80 81 82 83 84