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COMBO DA FÉ20 LIVROS DE MIZAEL XAVIER
MIZAEL DE SOUZA XAVIER
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS: Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ouprocesso, especialmente por sistemas gráficos, sem a devidaautorização assinada pelo autor, Mizael de Souza Xavier. A violaçãodos direitos é punível como crime (art. 184 e parágrafos do CódigoPenal), com pena de prisão e multa, busca e apreensão eindenizações diversas (art. 101 a 110 da Lei 9.610, de 19/02/1998,Lei dos Direitos Autorais). 
Distribuição gratuitaVenda proibidaPODE COMPARTILHAR À VONTADE!
5S EDITORAPARNAMIRIM, RN/2022
APRESENTAÇÃO
Seja bem-vindo ao livro “Combo da fé”! Este volume contém umcapítulo de cada um dos vinte livros que o compõem. Ele foiidealizado para abençoar a sua vida com estudos riquíssimo daPalavra de Deus e para que você conheça um pouco mais do meutrabalho como escritor. Como você poderá ver no catálogo no finaldeste PDF, possuo mais de 100 e-books já publicados, com temas quevariam entre espiritualidade, gestão, poesia, contos e tantos outros.
Ao lado de cada título no sumário, encontram-se os números deregistro dos livros na Amazon, onde você poderá encontrar a versãointegral de cada um destes livros. As citações bibliográficasencontram-se nas referências bibliográficas dos livros de origemdestes textos.
Fique à vontade para compartilhar este PDF com seus amigos,familiares, irmãos da igreja, colegas de trabalho e nas suas redessociais.
Desejo que Deus fale grandemente ao seu coração através destescapítulos e que a sua vida seja ricamente abençoada e transformadapelo poder do Espírito de Cristo.
Mizael XavierEscritor
SUMÁRIO
Dê um UPGRADE na sua fé (B0B4GV3M1T)Texto: Espiritualidade prática
O que é ser Igreja (B08LLCJTPT)Texto: Consciência da verdadeira conversão
Decepcionados com a Igreja (B08H4JD81B)Texto: Quais são os seus interesses na Igreja?
Ninguém morre de amor (B08J2873C3)Texto: O que é o amor?
Batalha Espiritual (B08KDVGZBL)Texto: Cura e libertação
Faça a escolha certa (B08PDS1PM5)Texto: A vontade de Deus e o Espírito Santo
O poder da fé (B08ZM34NQX)Texto: O poder da ressurreição de Jesus
A graça de ofertar (B08HSV7FBN)Texto: A verdadeira oferta ao Senhor
Maria e a vontade de Deus para nós (B08HDF8J19)Texto: O Deus que se revela
Pai Nosso: uma oração com a vida (B08L251C4R)Texto: Doxologia
O Deus desconhecido (B0BJ7WMQNN)Texto: O Deus que não conhecemos
A ovelha peregrina (B08KBX7ZV1)Texto: Glorioso
Manual do obreiro aprovado (B08JHGRHYK)Texto: O crescimento do obreiro
Corpo e espiritualidade (B08MZ3QS8H)Texto: Olhos
Integridade cristã (B08J4JN858)
Texto: A impossibilidade do equilíbrio
Espiritualidade líquida (B08J4JN858)Texto: Supervalorização da experiência
Mais que vencedores (B09XJ8H6HG)Texto: O poder transformador da Palavra de Deus
Educação cristã de filhos (B08HZ6XZNZ)Texto: Educar é influenciar
Os 7 hábitos da espiritualidade biblicamente eficaz (B08LYQPPNP)Texto: Hábito 1: fé + virtude
O poder da oração (B08NZ7P324)Texto: O que é a oração?
ESPIRITUALIDADE PRÁTICADo livro “Dê um UPGRADE na sua fé”
Uma das grandes características da espiritualidade cristã é que elanão é contemplativa, mas se desenvolve por meio decomportamentos e relacionamentos. Embora parta de uma meditaçãoa respeito da Palavra de Deus e fundamentar-se na sã doutrina, elase efetiva no viver diário. Portanto, precisamos distinguir“espiritualidade prática” de “práticas espirituais”. A primeira dizrespeito ao viver piedoso em fé, santidade, obediência, amor eserviço. Ela é reflexo do nosso novo nascimento e da nossa vidadiária com Deus, o que se evidencia, também, através das boas obraspara as quais fomos salvos pela graça de Deus (Ef 2:8-10). Já aspráticas espirituais (ou religiosas) são as nossas orações, o jejum, osdízimos e ofertas, a Santa Ceia, o batismo, o culto público e tudomais que envolve a nossa vivência dentro e fora da igreja. As práticasespirituais são legitimadas por meio da espiritualidade prática, quetem em sua base, como já disse, o novo nascimento. De nada adiantaoração e jejum sem fé, santidade, obediência, amor e serviço. Denada adianta cultuar a Deus na igreja se fora dela não oferecemos aEle sacrifícios espirituais. A Palavra de Deus nos chama a viver de maneira prática aquiloque cremos. A Igreja de hoje vive uma teologia repleta demisticismos e modismos que buscam colocar o homem em sintoniacom Deus através de práticas mecânicas e vazias que se dizemespirituais. Somos espirituais porque oramos mais e melhor, porquesabemos muitos versículos decorados, porque não bebemos nemfumamos, porque damos nossos dízimos, porque vestimos certo tipode roupa, porque falamos a “língua dos anjos”, porque somos“ungidos” do Senhor. O formato do culto e a própria estrutura dealgumas igrejas têm sido pensados para fornecer um ambiente maisespiritual, acomodando o que ali acontece aos anseios dos crentes,procurando fazer com que eles se sintam à vontade, o que reflete,inclusive, no tipo de pregação que é oferecida. Além dos temaspsicológicos e de autoajuda, existe um cuidado com temas comopecado e inferno, para não causar nenhum tipo de transtorno ou mal-estar aos ouvintes.Essa espiritualidade, porém, não reflete na vida diária comDeus e com as pessoas e rapidamente denuncia o farisaísmo. Em suaepístola, Tiago, irmão do Senhor, expressa claramente o que estamosfalando: “Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somenteouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tg 1:22). O cristão coerentenão é aquele que apenas ouve a Palavra, mas que a transforma emobras (v. 25). No segundo capítulo, Tiago prossegue e insiste nessatemática, ao afirmar: “E assim, também a fé, se não tiver obras, por
si só é morta” (2:17). Uma vida repleta de boas obras é a verdadeiraespiritualidade.Qualquer espiritualidade não cabe na vida do crente, senãoaquela que está fundamentada na Palavra de Deus. Antes de tudo, aBíblia. Assim como não podemos jogar futebol sem conhecer asregras próprias desse esporte, não podemos jogá-lo obedecendo asregras do vôlei. De igual modo, devemos desenvolver a nossaespiritualidade, mas seguindo as regras próprias da vida cristã.Conhecimento e prática caminham unidos. Em seu livro “A maldiçãodo Cristo genérico” (2007, p. 18), Eugene H. Peterson nos chama aatenção para o significado de “teologia espiritual”. Segundo elesabiamente afirma, a teologia espiritual “Representa o esforço dacomunidade da igreja para manter os pensamentos a respeito deDeus (teologia) em ligação orgânica com a maneira como vivemosem Deus (espiritualidade)”. Ainda segundo Peterson (idem):
O “espiritual” impede que a “teologia” se deteriore numsimples e distante exercício de pensar, falar, ler e escreversobre Deus. A “teologia” evita que o “espiritual” se torneapenas a atividade emocional de pensar, falar e escreversobre sentimentos e ideias individuais de Deus. Uma palavranecessita da outra, pois sabemos como é fácil desassociar oestudo sobre Deus (teologia) da maneira como vivemos;também sabemos como é fácil desvincular nosso desejo deviver com plenitude e satisfação (vida espiritual) daquilo queDeus é, de fato, e das maneiras como ele opera entre nós.
Na nossa caminhada cristã, a nossa espiritualidade deve sercoerente com aquilo que professamos a respeito de Deus, não aimagem que temos de Deus e que muitas vezes forja umaespiritualidade carente de apoio bíblico, mas a imagem que Deus nospassa de Si mesmo através da revelação da sua Palavra e do seuFilho, Jesus Cristo. O que Cristo nos revela? Como Ele vivia a suaespiritualidade? Se Jesus é o nosso modelo, talvez muitas das nossaspráticas espirituais necessitem de uma urgente revisão. Vale acendervelas? Vale rodar e gritar freneticamente? Vale cair em transe eurrar como animais? Vale se isolar do mundopara encontrar Deus nasolidão? Vale trilhar o caminho de Santiago de Compostela? Se sim,onde encontrar apoio na Palavra de Deus e na vida de Cristo e dosapóstolos para essas coisas? Vale uma espiritualidade santa nosofrimento? Sim, isso vale! O apóstolo Pedro escreveu: “Porquantopara isso mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu emvosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos” (1Pe 2:21). Mas quem quer tal espiritualidade?Somos convocados a viver uma espiritualidade coerente, quetransforma a nossa vida em uma vida prática, não apenas abstrata,teórica. Como o próprio subtítulo do livro citado sugere, estamosbanalizando o Senhor Jesus, transformando o cristianismo em apenasmais uma religião, um ajuntamento de pessoas que dizem seguir aCristo, mas que, em sua prática de vida, não demonstram ser
verdadeiramente seus discípulos. Deus nos chama a sermoscoerentes com aquilo que professamos. Aquilo que sentimos,pensamos, falamos, pregamos e escrevemos acerca de Deus deveestar bem firmado na sua Palavra e ao mesmo tempo ser prático:amor prático, solidariedade prática, fé prática, esperança prática,caridade prática, santidade prática, dons práticos, responsabilidadeprática. Para isso, devemos lutar diariamente, desenvolvendo a nossasalvação com temor e tremor, aprendendo e praticando esseaprendizado.
O risco da hipocrisia
Conforme lemos em Mateus 23:13-15, os fariseus eram mestresna arte de interpretar papéis. Eles maquiavam o seu exterior,cuidavam bem da sua aparência, dos seus aparatos; estudavam cadapalavra e cada gesto e tomavam cuidados minuciosos para que cadaação fosse ou parecesse santa. A estes, Jesus chamou de hipócritas.A palavra “hipocrisia” vem do grego hupokrisis e significarepresentar um papel, utilizada com referência ao trabalho do atorno teatro, que vivia de máscaras e as trocava de acordo com o papelque representava. O hipócrita aplica às pessoas crenças, virtudes,ideias, sentimentos e valores que ele mesmo não possui ou nãopratica, ou finge ter esses valores por meio de práticas externas quedestoam completamente da sua realidade interior. Ele é alguém queprega o politicamente correto, mas que, em oculto, pratica tudo oque condena abertamente. Uma das características dos hipócritasdenunciados por Jesus era justamente a máscara da religião que elesutilizavam na interpretação dos seus papéis. Essas máscaras eramcompostas de legalismos na incorreta interpretação da Lei deMoisés, que construíam uma espiritualidade totalmente baseada naaparência (vestes, festas, roupas, cerimônias, proibições – não toque,não prove, não fale). O Senhor Jesus mostra que a verdadeira espiritualidade nãoestá ligada aos fatores externos – de fora para dentro – mas aosfatores internos: de dentro para fora. A verdadeira religião(religare=religar) é prática. É uma vida transformada pelo EspíritoSanto de Deus, lavada e remida no sangue de Cristo, obediente aDeus e à sua Palavra. Essa transformação interior promovida pelagraça nos santifica, transforma as nossas ações, o nossocomportamento. O que sai pela boca é o que contamina, poisdemonstra o que existe de fato no coração do homem. Uma vidatransformada por Deus vive de maneira coerente com o que crê, comas suas virtudes, seus ideais, seus sentimentos e seus valores. É umavida fiel.Em outro episódio, o Senhor Jesus nos ensina a orar apósdenunciar a forma hipócrita e vangloriosa como os fariseusmantinham a sua religiosidade (Mt 6:1-7). Aqueles homens que se
gabavam de serem doutores e praticantes perfeitos da Lei, tinham ocostume de atrair para si a atenção das pessoas em tudo aquilo quefaziam. O objetivo não era didático, não visava ganhar os incrédulospor meio do seu testemunho fiel, mas pretendia tão somente merecero aplauso e o reconhecimento das pessoas. Jesus convoca os seusdiscípulos a agirem de maneira totalmente inversa, buscando nãoserem vistos e recompensados pelos homens, mas por Deus. A oraçãodo cristão deve estar isenta de manifestações egocêntricas. Oversículo-chave para isso é o 7: “Venha o teu Reino. Seja feita a tuavontade, assim na terra como no céu”. Isso é muito mais que umadeclaração ou um anseio, mas envolve viver de modo que o Reino deDeus e a sua vontade estejam em primeiro lugar (Lc 12:31). Istosignifica que a vontade que é feita no céu deve ser feita aqui naterra, deve ser real no nosso dia a dia. Se a vontade de Deus é boa, perfeita e agradável (Rm 12:2), énecessário que o nosso comportamento na terra seja bom, perfeito eagradável. Os valores eternos de Deus precisam se fazer presentesem nossas atitudes, de modo que a nossa espiritualidade não sejafarisaica, aparente, mas reveladora e transformadora, ao ponto de aspessoas olharem para nós e verem Jesus, imaginarem o céu. Se oReino de Deus é justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14:7), anossa interação com este mundo deve refletir esses valores.Desejamos e pedimos muito de Deus em nossas orações, mas seatentarmos para aquilo que a Bíblia diz, veremos que já temos muitasrespostas do que precisamos ser, ter e fazer aqui na Terra. Devemosviver neste mundo como se estivéssemos no céu, desfrutando dapresença de Deus, mas também praticando os valores do seu Reinocelestial, pregando e vivendo a vontade do Pai que está nos céus.Esta é a verdadeira vida espiritual que devemos cultivar.
CONSCIÊNCIA DA VERDADEIRA CONVERSÃODo livro: “O que é ser Igreja”
Criou-se uma ilusão de que Deus está atrás de números. Por isso seinveste tanto em estratégias – algumas santas, outras nem tanto –para lotar templos. O resultado é a invasão do curral santo porovelhas que não fazem parte do rebanho de Jesus, que nãoreconhecem e por isso não ouvem a sua voz. Ocultas entre as poucasovelhas preocupadas em se identificar com o Pastor por meio daobediência à sua Palavra, estão dezenas que acreditam que podemser ovelhas vivendo como se fossem bodes ou lobos. Mas é possíveldeclarar-se cristão, afirmar-se convertido sem haver algumamudança de posição diante de Deus e, consequentemente, decomportamento? Quando olhamos para algumas igrejas e vemos asintrigas, arrumadinhos, fofocas, mentiras, adultérios, jogos de poder,soberba, corrupção, nepotismo, arrogância, estrelismo e tantasoutras mazelas, ficamos a nos perguntar se algumas pessoas são defato convertidas ou se apenas foram convencidas por si próprias deque seguem a Jesus, mas sem qualquer compromisso moral com ele.Não podemos esquecer que o joio cresce no meio do trigo.Quando falamos em conversão, outros temas nos vêm à mentee implicam em algumas dificuldades para entendermos a genuínaadesão a Cristo. Se pensarmos em ternos de arminianismo,entenderemos que o ser humano não é corrompido totalmente e porisso ainda possui uma capacidade dada pela “graça preveniente” deDeus de responder positivamente ao chamado à conversão. Logo,esta partiria de um entendimento humano da sua condiçãopecaminosa e a sua resposta ao chamado gracioso de Deus paraabraçar a salvação oferecida a todos por Cristo. Pensando sob oponto de vista calvinista e a depravação total do ser humano, aconversão parte de um chamado eficaz do Senhor aos seus eleitos,que não veem outra opção senão se converterem a Ele. A isso sechama “graça irresistível”. Não há como resistir ao chamado deDeus. Este chamado é “especial” ou “eficaz”. Embora o arminianismocreia que a salvação é em Cristo somente, por meio da graça, o fatode o pecador escolher ou não ser salvo, afeta negativamente asoberania de Deus e torna o homem participante da sua salvação(sinergismo), uma vez que cabe a ele dizer sim ou não a Deus. Nadoutrina calvinista, a obra da conversão, inclusive a própria fé quesalva (Ef 2:8,9), é exclusivamente de Deus e não há participaçãoalguma do pecador nesseprocesso (monergismo).Aqueles que se convertem genuinamente a Cristo são objetosdo chamado especial de Deus. Embora haja um chamado geral àconversão (p. ex. Mt 11:28 e 22:14), somente nos eleitos aconversão ocorre de fato. De acordo com Millard J. Erickson a
respeito do chamado especial (1992, p. 362): “Deus atua de formaparticularmente eficaz com os eleitos, dando-lhes condições dereagirem com arrependimento e fé, e fazendo com que de fato assimreajam”. Ainda segundo o mesmo autor, “O chamado especial é, emgrande medida, a obra da Iluminação do Espírito Santo, dando aoreceptor a capacidade de compreender o verdadeiro significado doevangelho. Essa obra do Espírito é necessária porque a depravaçãoque caracteriza todos os homens os impede de captar a verdaderevelada de Deus”. Somente iluminado pelo Espírito Santo o pecadorpode compreender a loucura de Deus na cruz (2 Co 5:19; 1 Co 1:18-25; 12:3). Ao haver experimentado essa iluminação, a sua respostasempre será positiva, isto é: a conversão. A vontade soberana e opoder de Deus para salvar o pecador são preservados e estão sempreem evidência. Mas o que de fato significa “conversão” no que dizrespeito a essa busca pelo Deus que dele nos aproxima por meio deCristo?Geralmente, quando nos referimos àquele momento do nossoencontro pessoal com Jesus, o nosso primeiro passo na caminhadacristã, começamos o relato dizendo “Quando eu me converti a Jesus”.Assim, referimo-nos ao momento em que erguemos nossa mãorespondendo a um apelo após o culto ou que nos sentimos tocadospor Deus em algum lugar onde estávamos sós e vimos que aquele erao momento de “nos convertermos” a Ele. A nossa atitude sempre estáno foco da questão. A conversão é um ato de Deus, uma mudançaque nos tira de uma direção e nos coloca em outra: o abandono dopecado e a volta para Cristo. Tanto no Antigo Testamento (p. ex. Ez18:30-32), quanto no Novo (p. ex. Ef 5:14; At 3:19), a conversão semostra como o despertar espiritual que desvia o homem datransgressão. A conversão envolve dois aspectos ou movimentos:negativo, que inclui o arrependimento e o abandono do pecado; epositivo, que significa voltar-se pela fé a Jesus Cristo. Ainda segundoErickson (idem, p. 394), é um ato único que possui dois aspectosdistintos e inseparáveis: a fé e o arrependimento.O arrependimento, como vimos, é o aspecto negativo daconversão e mostra a necessidade de abandonar o pecado para tercomunhão com Deus. O hebraico utiliza duas palavras para referir-seao arrependimento. A primeira é nachan, como em Gênesis 6:6,sempre ligada a um aspecto de Deus; a outra é shûv, expressando anecessidade do homem de voltar-se para o seu Criador e abandonarsuas práticas pecaminosas. No Novo Testamento, encontramostambém duas palavras gregas para arrependimento: metamelomai,que demonstra o aspecto emocional do arrependimento, como umpesar ou remorso por um ato cometido (cf. Mt 21:30); e metanoeo,que significa pensar de forma diferente sobre algo, mudar de ideia. Omomento do arrependimento é apenas o início de um processo; umadisposição que não ocorre necessariamente pelas razões corretas.Podemos nos arrepender de haver pecado não porque entendemosque ofendemos a Deus, mas por medo dos efeitos que nosso pecado
poderá nos trazer. É preciso julgar as nossas intenções. Judas foiacometido de um grande remorso após trair Jesus e ver no que seuato resultou. Esse remorso, todavia, não gerou nele transformação,mas o conduziu ao desespero, levando-o ao suicídio (Mt 27:3). Overdadeiro arrependimento implica em mudança real decomportamento, como ocorreu com Pedro em contraste com Judas(Jo 21:15-19).Outro aspecto da conversão é a fé. Quando nós cremos emJesus Cristo, podemos reconhecer a nossa condição de pecadores,arrependermo-nos e nos converter – ou ser convertidos. Não épossível haver a genuína conversão se o arrependimento não forseguido pela fé em Jesus. Sentir-se culpado pelos próprios pecados epedir perdão a Deus não resolve a questão da conversão. Sem aceitara Cristo como Senhor e Salvador, ninguém pode se considerarconvertido. Em Romanos, Paulo fala acerca da rejeição dos judeus eexpressa a sua vontade: “Irmãos, a boa vontade do meu coração e aminha súplica a Deus a favor deles são para que sejam salvos” (10:1).Falando a respeito da autojustiça dos judeus que zelam por Deus sementendimento, ele afirma que “o fim da lei é Cristo, para justiça detodo aquele que crê” (v. 4). Esta justiça é decorrente da fé (v. 6),fruto da palavra da fé que é pregada (v. 8): “Se, com a tua bocaconfessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus oressuscitou dentro os mortos, serás salvo. Porque com o coração secrê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação” (vs.9,10). Esta fé não deixa o homem confundido, porque “Todo aqueleque invocar o nome do Senhor será salvo” (vs. 12,13). A salvação éfruto da fé. Através da fé em Cristo o homem é justificado e muda deposição diante de Deus. Antes dessa mudança ele não passa de umcadáver, um morto-vivo, como afirma Paulo em Efésios 2:1: “Ele vosdeu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados”. Se nãohouve a fé salvadora, se o pecador não foi tocado pelo Espírito Santo,a sua conversão não é genuína. Ninguém pode converter a si mesmoou declarar-se salvo se a sua conversão não foi uma obra do Espírito.Outra questão é: como ocorre a conversão? Ela é instantânea,no momento em que o pecador ouve o apelo do Evangelho e decideradicalmente atender ao chamado de Deus, ou é um processo no qualo pecador se converte aos poucos? Essas duas linhas de pensamentosão possíveis. Algumas pessoas, a exemplo de Nicodemos (cf. Jo19:39) parecem experimentar uma conversão gradativa a partir domomento em que ouvem a mensagem de Cristo. Outros passam porum momento de crise em que se convertem em um instante, como oexemplo do carcereiro (At 16:30). O importante é sabermos que emambos está a ação do Espírito Santo, quer mostrando aos poucos averdade da salvação, quer impactando com essa verdade a vida dealguém ao ponto de num único instante levá-la ao arrependimento eà conversão. Muitas pessoas se convertem após um longo período detempo sentindo o coração arder com a mensagem do Evangelho.
Esse sentimento já é o despertar do Espírito promovendo aconversão.Erickson (ibdem) também nos chama a atenção para adiferença entre “conversão” e “conversões”. A primeira é um atoúnico e inicial de volta para Cristo, onde o pecador arrependido éselado com o Espírito Santo, justificado, redimido e adotado comofilho de Deus. Este momento jamais se repetirá, uma vez que asalvação não pode ser perdida e o Espírito Santo jamais é retirado docristão. Se houver uma “nova” conversão, significa claramente que aprimeira não foi verdadeira. A segunda é fruto do trabalhar doEspírito Santo na vida do convertido, onde ele vai, imediatamente ouaos poucos, convertendo áreas da sua vida que precisam serreparadas. Esse é o processo da santificação. O evento principal, aprimeira conversão, é que lhe fornece os meios para as conversõessecundárias. Se em momento algum da vida do indivíduo houve essas“conversões”, pode ser que a primeira jamais tenha acontecido.Uma explicação para definir o sentido de conversão é aqueladada por Jesus a Nicodemos: “Importa-vos nascer de novo” (Jo 3:7).Todavia, existem muitas implicações neste novo nascimento quedevemos estudar. Afinal, como Nicodemos bem sabia, todos jánascemos uma vez, já estamos vivos e atuantes no mundo. Por quedeveríamos nascer novamente? E como se dá este novo nascimento?Qual a sua finalidade? Certamente este “nascer de novo” nosidentifica com Cristo, o qual nos dá uma nova identidade como filhosde Deus. Antes do novo nascimento existe algo imprescindível: a fé(Ef 2:8,9). Essa fé vem pelo ouvir a Palavra de Cristo (Rm 10:17).Está implícito nesteversículo que a palavra que gera fé não é outrasenão a de Cristo. Não estamos falando da fé que atrai bênçãos, masda fé salvadora. Outra palavra e outro evangelho não geram a fénecessária à conversão. Deste modo, a fé está intrinsecamente ligadaao caráter do verdadeiro seguidor de Jesus e é uma marca indelévelda Igreja. Um problema pode estar naquilo que entendemos por fé. Eesta é uma questão muito importante, porque “sem fé é impossívelagradar a Deus” (Hb 11:6). Em um estudo adiante definiremos o queé a fé, e já estaremos cientes da sua realidade.Um dos grandes problemas da Igreja atual é a falta de umacompreensão bíblica do que é a conversão. Isto se dá porque ospregadores têm perdido de vista a necessidade da conversão para afiliação divina. O tema do pecado já não é tão enfocado, de modo queas pessoas não têm consciência de que estão agindo contra a Lei deDeus e por isso estão sob condenação. Se não existe a consciência deestar ofendendo a Deus e, portanto, caminhando para a morteeterna, não há a percepção da necessidade de arrependimento, esem arrependimento não há salvação (Mt 3:2; 4:17; At 17:30). Então,o que dizer dos milhares de pessoas que abraçam o Evangelho todosos dias e lotam os templos evangélicos? Em primeiro lugar, é precisoesclarecer se o que está sendo pregado é de fato o Evangelho deCristo, a mensagem da cruz. Se o ouvinte não está sendo informado
da sua condição de pecador nem levado ao conhecimento de Cristocomo a Rocha da sua salvação, não é o verdadeiro Evangelho queestá sendo transmitido. De fato, tantas numerosas conversões sedevem, em não poucas vezes, a pregações que não apresentam Deuscomo o Soberano sobre a humanidade, mas como um Paicomplacente e permissivo, interessado no sucesso e na felicidade dosseus filhos. A fé em Deus que é gerada não produz arrependimentode pecados, mas expectativa de bênçãos.Então é possível que muitos seguidores de Jesus não sejamverdadeiramente seus discípulos. Estar dentro de uma igreja não é osuficiente para nos garantir a salvação, porque ser cristão não éestar na igreja, mas “ser” Igreja. Aquilo que geralmente se entendecomo igreja onde podemos entrar e de onde podemos sair, ésimplesmente um prédio. A espiritualidade do cristão acaba sendomedida pela sua frequência nos cultos e por aquilo que ele realizadentro das suas quatro paredes. Então, abandonar a Cristo não ésimplesmente deixar de ir à igreja, assim como aceitá-lo não ésimplesmente passar a frequentá-la. Dentro de um contexto bíblico,igreja está além do templo. A igreja somos nós, os cristãos, reunidosem torno de Cristo, unidos pelo Espírito Santo, compartilhando damesma fé, do mesmo batismo, do mesmo Deus. Então, é precisoentender o que é ser um verdadeiro convertido ao Senhor Jesusantes de declarar que todos os frequentadores das igrejas sãocristãos. Muitos dos que seguiam a Jesus não o faziam por umaconversão genuína, mas interessados naquilo que poderiam obterdele. Tão logo o discurso os desagradou, pararam se segui-lo. Nãodeixaram de ser discípulos, porque na verdade nunca foram (cf. Jo6:60-71).Embora pareça incoerente, é triste ver certas conversões queocorrem nas igrejas. O pastor prega sobre um tema ligado àprosperidade, diz que o ser humano é um miserável, não por serpecador, mas porque é um sofredor num mundo mau. Ele indica ocaminho da prosperidade, do sucesso e da felicidade total: JesusCristo. “Quem quer receber a Jesus para parar de sofrer?”, opregador pergunta. Então, muitas pessoas endividadas,desempregadas, solteiras, desesperadas e cheias de crisesexistenciais levantam as suas mãos e se aproximam do púlpitoafogadas em lágrimas para receberem a oração da cura e dalibertação. Outras são movidas mesmo por sua ganância em arrancarde Deus as bênçãos prometidas pelo pregador. Isso se assemelhamuito à Teologia da Libertação e a sua tentativa de salvar o serhumano por meio da libertação das injustiças sociais através demovimentos revolucionários de tomada do poder. No caso dodiscurso neopentecostal, essa revolução se dá por meio da tomada deposse das bênçãos. O pecador precisa se libertar da sua condiçãosocial degradante, mas por métodos espirituais de batalhas econquistas de riquezas. 
É muito preocupante esse tipo de conversão. Em primeiro lugarporque é produto de uma pregação mentirosa. Não que as nossasdores não sejam do interesse de Deus, mas pelo fato de que aconversão deve partir da compreensão que o homem tem de si comopecador miserável e carente de uma salvação que somente a graçade Deus tem para lhe dar, por meio da fé e do arrependimento. Esses“convertidos” não estão ali crendo que Cristo salva dos pecados e dáa vida eterna a todo o que nele crê, mas acreditando que Eleresolverá todos os seus problemas pessoais. E é este o compromissoque eles terão com Jesus, nada mais. Qual é o fruto dessasconversões? Igrejas lotadas de pessoas totalmentedescomprometidas com o Evangelho, que não oram, não leem aBíblia, não nasceram de novo e por isso não possuem o carátertransformado nem vida santa diante de Deus. Portanto, se nãonasceram de novo, não foram lavadas e remidas no sangue de Cristoe, como resultado, não possuem a salvação, não tardará aabandonarem a igreja, deixando o Evangelho de lado pararetornarem às suas antigas práticas, se é que em algum momento asabandonaram. Neste ponto podemos afirmar que o cão tornou aopróprio vômito e a porca ao lamaçal (2 Pe 2:22). Jamais deixaram deser cães ou porcos; jamais se tornaram ovelhas. Então percebemosque tais indivíduos não possuíam a marca de Cristo, não eram de fatoIgreja do Senhor. Compreender corretamente a conversão éessencial para nos firmarmos como corpo de Cristo: se não háconversão, não há enxerto neste corpo santo. Quem não é marcadopela conversão operada pelo Espírito Santo, não é seu templo.Por fim, a conversão não é apenas a inserção de um indivíduona vida da comunidade cristã, da Igreja como instituição, mas umamudança de posicionamento diante de Deus que redunda emtransformação de vida, onde uma mudança sensível e necessária sefaz real. Essa mudança é operada exclusivamente pela graça de Deuse nos leva a uma vontade diferente daquela que tínhamos quandoainda estávamos mortos, gerando compromisso com a Palavra deDeus e uma consequente mudança de comportamento. Dever (2007,p. 123) escreve que a mudança que necessitamos é “uma mudançade vida de pecado, que incorre em culpas, para uma vida perdoada,de confiança em Cristo”. E acrescenta: “Para fazermos isso, temosque arrepender-nos de nosso pecado e crer em Cristo. E isto só podeacontecer pela graça de Deus, mediante a pregação do evangelho”(idem). A conversão é evidenciada, não apenas afirmada. Ela éprática, não apenas proclamada. Não é um levantar da mão após oapelo fervoroso do pastor, mas um entregar total de vida e coraçãonas mãos do supremo Pastor da nossa alma. Além de um preço que jáfoi pago na cruz, a conversão tem consequências atuais e eternas.
QUAIS SÃO OS SEUS INTERESSES NA IGREJA? Do livro: “Decepcionados com a Igreja”
Geralmente, as pessoas olham para a Igreja como que para umespelho, esperando ver refletir nela a sua imagem: suapersonalidade, seus interesses e suas expectativas. Procuramos naigreja aquilo que somos ou que reflita quem esperamos ser e ter. Deigual modo, tendemos a nos afastar quando somos confrontados comaquilo que somos e convocados a mudar, ou quando vemos que osinteresses da instituição não são condizentes com os nossos.Devemos avaliar, à luz da Palavra de Deus, quem está certo nessecaso. Se o nosso interesse for ver a nossa vontade sendo supridaenquanto vivemos uma vida cristã desregrada e sem compromisso,podemos nos frustrar ao nos depararmos com igrejas queprocuram avontade de Deus e primam por uma vida santa e comprometida como Reino dos céus. Por outro lado, podemos estar em busca dogenuíno Evangelho da graça de Deus, interessados em uma vidasanta e ávidos em servir, mas sair frustrados ao encontrar igrejasque só pensam em estratégias para tirar o nosso dinheiro. Ointeresse correto de um lado precisa encontrar o interesse correto dooutro.As origens de muitas novas "igrejas de garagem" ou atégrandes denominações acompanham essa tendência da busca porinteresses pessoais. Alguns líderes acabam crescendo demais nassuas denominações e acham que já é hora de abrir o seu próprioministério, que para alguns significa literalmente abrir o seu próprionegócio. O mercado da fé está crescendo e dá ocasião a esse tipo decoisa, principalmente com uma visibilidade cada vez mais crescenteatravés da midiatização da fé, onde pregadores medem o seu sucessopelo número de curtidas, acessos e comentários nas suas publicaçõese lives. E essa fama toda tem ajudado a engordar o "cachê" de tantosao serem convidados para pregações, palestras, congressos, shows ecruzadas evangelísticas. O Cristianismo dos séculos passadosproduziu grandes pregadores, teólogos e missionários, comoSpurgeon, Lloyd-Jones, Moody, John Wesley e o saudoso Dr. RussellShedd, entre tantos outros. Hoje, o que o cristianismo fast-food temproduzido? Muitos Macedos, Soares e Santiagos. Claro, as exceçõesexistem e estão na Igreja verdadeira, não em empresas particularesda fé. Um ministério particular em que o fundador é o presidente e oadministrador de toda a vida da igreja oferece grandesoportunidades de independência total. Se é ele o poderoso chefão dasua denominação, está em seu poder estabelecer as doutrinas, oestilo do culto, os usos e costumes, além de administrar todos os
dízimos e ofertas. Ele pode idealizar as unções e as campanhas quedesejar, seguindo a sua imaginação. Não é necessário consultar umcorpo de ministros, muito menos a congregação para decisõesimportantes para a comunidade. Se durante a noite ele sonhar comalguma coisa, pode chegar diante da igreja e transmitir seu sonhocomo revelação da vontade de Deus. Na verdade, nem é necessárioesperar o sonho acontecer, basta dizer que sentiu da parte de Deusou que Deus lhe revelou que quem der o "trízimo" será abençoado 30vezes mais. Quem se levantará para contrariá-lo? Quem abrirá aBíblia para demonstrar que ele é um herege e que aquilo é doutrinade demônios? Quem o fizer, pode se dirigir logo depois à porta desaída, ou será escoltado para fora a força pelos obreiros(seguranças). Embora eu resista em citar os nomes dessas pessoas esuas denominações, essas informações se baseiam em fatos reais,como aquela camisa manchada com o sangue de certo apóstolo quelhe rendeu muitos lucros financeiros. Sem falar no álcool em gelungido durante a pandemia de Corona vírus.Por todas essas coisas é importante que aqueles que afirmamhaver se convertido e manifestem o desejo de fazer parte de umaigreja local tenham em mente algumas questões e doutrinasfundamentais aceitas pelas igrejas genuinamente cristãs. São elas: anatureza do Senhor da Igreja, a natureza da Igreja e a natureza daconversão. Esse conhecimento nos mostrará que não estamos naigreja para ter os nossos próprios interesses atendidos, mas paraservir Àquele que é Senhor da Igreja e que, de acordo com a suavontade soberana, irá nos abençoar. Também aprenderemos que oapelo à conversão só é legítimo quando enfatiza o nosso estado deperdição e a graça salvadora de Deus em Cristo como único meio deredenção. Também teremos consciência de que qualquer pessoapode entrar para a igreja, mas tornar-se membro do Corpo de Cristoé somente para aqueles que pelo Espírito Santo foram convencidos econvertidos, sendo regenerados, adotados por Deus como filhos eselados para o Dia da salvação. São esses que subirão quando oSenhor vier resgatar a sua Igreja santa.Outra preciosa contribuição do conhecimento do senhorio deCristo sobre a sua Igreja, da natureza desta e daqueles que fazemparte dela, é que não existe nenhuma igreja cristã verdadeira queseja personalista, que esteja edificada sobre a vontade e a figura dequalquer homem ou mulher, acima de tudo aqueles e aquelas quederam para si próprios o título de apóstolos ou "apóstolas". Sobreeste tema, o reverendo Augustus Nicodemus (2011, p. 20) escreveque os apóstolos de Cristo não se tornaram donos, presidentes,chefes e proprietários das igrejas locais que eles mesmos fundaram.O próprio apóstolo Paulo, o maior missionário e plantador de igrejasdo período apostólico, não requereu para si nenhuma autoridadeespecial separada dos demais apóstolos, muito menos permitiu quehouvesse partidarismo entre este ou aquele ministro do Senhor.Paulo ou Apolo? Nenhum dos dois, pois "De modo que nem o que
planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá ocrescimento" (1 Co 3:7). Nicodemus também escreve que aqueleshomens comissionados e enviados diretamente por Jesus eram“apóstolos da Igreja de Cristo, da Igreja universal, e não de igrejaslocais. A autoridade deles era reconhecida por todos os cristãos detodos os lugares. Onde eles chegavam, eram reconhecidos comoemissários de Cristo, com autoridade designada por ele” (idem). Queautoridade os apóstolos modernos possuem diante de Deus e da suaIgreja? Nenhuma! Eles são, na verdade, ridículos e hereges. Ocristão se ri e ao mesmo tempo se lamenta deles. Já os verdadeirosapóstolos, quem se ria deles eram os inimigos da igreja, seusperseguidores, aqueles que os martirizaram. Que grande diferença!A abertura de igrejas comandadas pelos seus fundadores é aexpressão máxima daqueles que anseiam por uma igreja nos moldesdas suas necessidades, vontades, valores, projetos pessoais ecaprichos. O pensamento é: se não encontro nenhuma comunidadeque se enquadre nos meus padrões, criarei uma para mim e elapoderá satisfazer a todos os meus interesses. Todavia, nem todos têmessa ideia ou condições financeiras de colocá-la em prática, emboramuitos comecem pequeno até se tornarem grandes empreendedoresda fé. A maioria permanece na sua igreja de origem, insatisfeita comtudo, participando de má vontade, falando mal dos seus pastores ecriticando o modo como todos os trabalhos da igreja são realizados.Outros saem, migram para outras denominações ou ficam em casamesmo. A sua fé não está submissa a Cristo, não serve ao Evangelhonem busca a vontade de Deus. É uma fé em si mesmo e napossibilidade se ser feliz e ter os seus problemas resolvidos. Elesdesconhecem o que o apóstolo Paulo aprendeu do próprio SenhorJesus: “Mais bem-aventurado é dar que receber” (At 20:35). Quantossinceramente vão ao culto para dar algo que receberam de Deus? Agrande maioria dos cristãos atuais vai ao culto para “receber” algode Deus: “Estendam as suas mãos para receber a bênção...”.Com todo o bem que promete trazer, o movimento dosdesigrejados pode estar contribuindo para facilitar o trânsito dessesindivíduos. O que pode ser melhor que um ambiente onde você entrae de onde você sai a hora que quiser? Não existe uma liderançaautoritativa, rol de membros, credos, regimento interno,compromisso com ministérios, disciplina eclesiástica, prestação decontas ou qualquer outra coisa que faça com que o crente sinta quepertence àquele grupo de pessoas. Se não me sinto bem na reuniãoda igreja na casa do seu Zé, na próxima me reúno no lar da donaMaria. E se dona Maria não gostar do meu jeito de ser ou eu não forcom a cara de alguém por lá, migro para a residência de seu João.Mas se lá em seu João não for do jeito que eu gosto e eu nãoconseguir o que tanto quero, tem a casa da dona Joana. Mas se por lácomeçarem as cobranças, ainda haverá muitas outras opções. Eninguém me dirá em que devo crer,não me pedirá sujeição aqualquer liderança, então estou livre para viver a minha fé do meu
jeito. E quem poderá dizer que estou errado se a igreja se reúnesomente nos lares e tenho o direito de estar onde eu quiser? Por tudoisso, percebemos o quanto é nocivo tentar ser crente e membro daIgreja fora dos padrões da Palavra de Deus.A Igreja, portanto, não é um ambiente nosso, mas de Deus. Épreciso primeiro pertencer a Ele antes de pertencer a ela. Casocontrário, somos um corpo estranho no Corpo de Cristo, como umparasita que suga de um organismo apenas aquilo que satisfaz ao seuapetite. E grande é o apetite desses novos bispos, missionários eapóstolos das mega igrejas! Conforme escreveu Salomão, asanguessuga tem duas filhas: Dá e Dá (Pv 30:15a). Já o crentegenuíno e a Igreja verdadeira pregam e vivem como o apóstoloPaulo: "Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro”(Fp 1:21). Enquanto para muitos hoje o lucro em seguir a Cristo sãobênçãos financeiras, Paulo cria que lucraria muito mais com a morte,porque assim estaria logo com o Senhor (v. 23). Aquele que vai àigreja cultuar a Deus somente para "receber algo dele", está indomesmo cultuar a Deus? Aquele que mede a qualidade da igreja quefrequenta pelo seu próprio bem-estar, faz parte da Igreja? Aqueleque não quer se submeter à liderança de ministros ordenados porDeus para guiar o seu rebanho poderá se submeter ao SupremoPastor da nossa alma? Aquele que usa a estrutura da igreja paraencher-se de dinheiro e propriedades tem parte no Reino de Deus?Talvez o apóstolo Pedro lhe dissesse: "Não tens parte nem sorteneste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus" (At8:21).Precisamos entender que a igreja não é um local para sermosquem quisermos, mas para, em contato com outros irmãos, termos onosso caráter moldado através do processo de santificação queobjetiva nos tornar parecidos com Cristo. A igreja também não é umambiente para fazermos o que quisermos, mas existem mandamentosbíblicos (bases de fé e doutrinas) e regras de conduta comuns aqualquer organização humana (regimento interno) que devem serrespeitados Por fim, não são os nossos próprios interesses que estãoem evidência, mas a vontade de Deus acima de tudo e os interessesdos irmãos, o que pode até mesmo se chocar com os nossos próprios.O que fazer? Abrir mão de nós mesmos por amor ao outro. Fraseinconcebível nos anais da autoajuda, mas que reflete a essência doEvangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, “o qual a si mesmo se deupor nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade e purificar, para simesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras” (Tt2:14). Paulo declara: “Portanto, quer comais quer bebais ou façaisoutra coisa qualquer, fazei tudo para glória de Deus” (1 Co 10:31). Etambém: “Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu,senão também cada qual o que é dos outros” (Fp 2:4). O apóstoloPaulo também apela para a nossa sensatez: “Por esta razão, não vostorneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade doSenhor” (Ef 5:17).
O QUE É O AMOR?Do livro: “Ninguém morre de amor
Certa vez escrevi: “O amor é um lugar onde a minha alma fazmorada, onde meu coração busca descanso, onde os meuspensamentos procuram abrigo. O amor é o meu porto seguro, ondetenho certeza que o navio da minha vida jamais irá naufragar”. Serápossível definir algo tão transcendente como o amor? Onde buscarconceitos em pensamentos humanos tão complexos que anseiam porexplicar algo que parece estar muito além da sua capacidade decompreensão? E será mesmo que explicar o amor é tão complicadoassim? Na Bíblia não encontramos explicações como aquelasfigurinhas dos anos de 1980 onde aprendemos que “amar é”. Mesmoo texto áureo do amor – 1 Coríntios 13 – não diz: o amor “épaciência”, mas que o amor “é paciente”. Ele não ensina que o amor“é benignidade”, mas que ele “é benigno”. Então o amor não é, oamor faz. E é pelos frutos que reconheceremos aquilo que é amor e oque não é. É fácil ser paciente quando algo nos interessa muito.Precisamos cavar profundo.Muitos estudiosos procuram classificar as diversas formas deamor existentes nas relações humanas: um amor ligado a família,outro expressado nas relações interpessoais; o amor a si mesmo, oamor de reprodução e aquele puramente de recreação. Tantasclassificações podem gerar alguma confusão quando falamos deamor num sentido mais pleno. Tais estudiosos não veem barreiraspara, por exemplo, a poligamia ou a relação amorosa entre pessoasdo mesmo sexo ou até mesmo entre pais e filhos. A relaçãoextraconjugal também não é um problema, uma vez que o indivíduosaiba fazer a separação entre o amor que sente por sua esposa eaquele que se presta apenas a recreação. Mas no amor, é possívelhaver dois amores? A prática nos mostra duas realidades: naprimeira, o casal pensa que se ama e se trai mutuamente, mantendouma relação de aparências que cumpre uma função social na vidados dois; ou seja: eles se usam mutuamente. Na segunda, uma daspartes sairá machucada quando descobrir este “segundo amor”.O amor já foi definido como um termo único para designardiferentes sentimentos, pensamentos e ações. Se for assim, podemoscrer que possam existir diversos tipos de amor, visto a complexidadede sentimentos, pensamentos e ações do ser humano, todosocasionados por motivações e causas diversas. Por não existir umapessoa idêntica à outra, embora fisicamente elas possam serperfeitas cópias, a forma como cada uma sentirá e vivenciará o amorserá diferente. Cada pessoa acaba dando ao amor o seu própriosignificado. Mas o que realmente é o amor? Apenas um sentimentodo coração ou um sistema de valores que redundam em atitudesamorosas? O conceito de amor será diferente para cada povo do
planeta, para cada seguimento religioso e social. O conceito de amortambém irá variar de acordo com as crenças e os valores de cadaindivíduo. O modo diferente como experimentamos o amor nos fazter percepções diferentes, o que não afasta a possibilidade deinvestirmos pesquisa e conhecimento em busca de uma definiçãoideal que possa refletir de maneira positiva este poder universal quenos acompanha desde o início dos tempos.O objetivo primordial deste estudo não é se aprofundar nasquestões teóricas sobre o amor, mas debater pontos importantes naarte de amar, o que envolve um estudo mais acurado. Todavia, paracompreendermos a profundidade do tema e a sua dificuldade deestudo, devemos dar uma busca em alguns conceitos sobre o amor.Como afirmei no início, o meu norte está na Palavra de Deus, onde oDeus-amor se revela a nós. Estes conceitos não têm a intenção dedescartar as descobertas cientificas acerca dos relacionamentoshumanos e de como agimos em dadas situações. Na verdade, elestencionam reafirmar descobertas racionais e ao mesmo tempofundamentar aquilo que não se pode provar através de experimentoscientíficos, mas que a Palavra de Deus demonstra claramente.
Amor é partilha
Precisamos entender que o amor se mede em atos, mas os atosde amor devem ser feitos “sem fins lucrativos”. Se desejamos obteralgum lucro no amor, este amor de nada nos adianta, pois o amornão é mesquinho, nem egoísta ao ponto de querer somente o bempara si. Ainda, todas as nossas ações quando feitas sem amor denada valem, apenas denunciam o nosso orgulho e a nossaprepotência; apenas mostram a nossa tentativa de nos exaltarmos, deexpormos nossa “bondade”. Quem assim procede está a quilômetrosde distância do amor puro, verdadeiro e sincero. Devemos aprendera amar com o amor de Deus, o amor altruísta que desiste de simesmo em benefício do outro; amor que se aniquila, que se anula ese eterniza. Amar assim é saber abrir mão de nossas opiniões, sabercompreender o outro lado, aceitar seus defeitos e limitações, ajudarno crescimentoe no amadurecimento sem críticas e represálias.Deus assim nos ama e assim nos pede para amar. Essa é, porém, umaação de mão dupla, não de dar para receber, mas receber comoconsequência natural de ter dado.Este amor não impõe condições para amar. Existem muitoscasais que vivem a crise da “suprema decisão”. Uma das partes éobrigada a decidir entre algo ou alguém e o seu (sua) amado (a):Você escolhe: ou o seu emprego ou eu! Ou: Você decide: ou eu ou osseus amigos! E ainda: Você escolhe: ou a sua família ou eu! Agindodeste modo, o amante pensa que pode manipular a vida do seramado e moldá-la ao seu jeito de ser, ao seu modo de vida. Impede-o
de exercer uma profissão, por preconceitos ou ciúmes; impede-o,talvez pelos mesmos motivos, de dar continuidade à sua vida social efamiliar. Esquece, porém, que antes de conhecê-lo, este ser amadotinha uma vida pessoal e não é obrigado a abrir mão dela (a não serque seja esta a sua abnegada vontade!) por causa dos caprichos dealguém que quer imperar sobre a sua vida. Será que isto é amor ouapenas um mecanismo de auto-realização? Se não houver a partilha,não se pode falar de amor. Deus partilhou de Si conosco e nóscompartilhamos de nós com Ele.
A verdade da palavra “amor”
Existem muitas pessoas que brincam com a palavra “amor”,que a confundem com uma simples atração sexual de momento ouum emocionalismo, fruto de frustrações e carência afetiva. Quandochegamos a dizer a alguém que o amamos, devemos estar cientes daveracidade desta declaração, pois o impacto que ela poderá causarno outro pode trazer consequências irremediáveis se não contivernenhum fundo de verdade. O que pode acontecer algumas vezes é oamor cair nas garras da monotonia e aquela declaração que outrorafizemos ir perdendo todo o seu sentido. O amor resiste à monotoniaquando é cuidado, alimentado, transformado a cada dia. Em muitasdeclarações que afirmam “Eu te amo”, existe uma gama desentimentos e intenções que não traduzem o verdadeiro amor. Tentarmanter uma relação com base nisso é um caminho para a frustração.Como existem diferentes tipos de amor, é preciso que saibamoscom certeza que tipo de amor alimentamos pela pessoa que dizemosamar. É comum ocorrer um tipo de “amor de infância” entreparentes ou amigos bem próximos, que crescem juntos. Uma daspartes pode passar a desenvolver um amor platônico, que no coraçãodo outro não passa de amor fraterno. Por mero costume com apessoa tão querida de infância, mesmo inconscientemente, é possívelque este outro alimente ilusões que jamais poderão ser supridas. Ador será grande quando ele decidir envolver-se amorosamente comuma terceira pessoa. Quando alguém se apaixona por nós semnecessariamente termos alimentado tal sentimento, é necessário quemantenhamos nossa autoafirmação de lado, não permitindo a nósmesmos iludir este alguém só para vê-lo “aos nossos pés” e tirarmosdisto algum proveito. O amor não pode se transformar num jogo deinteresses medíocre, um mecanismo de conquistas egoístas ondeuma das partes sempre sai machucada. Amor não é brincadeira.
O amor é um exercício diário
Quando aspiramos a alguma profissão ou carreira, nós nosempenhamos o máximo nos estudos e em tudo mais que lhe digarespeito para alcançarmos nossos objetivos. Se somos desportistas,aplicamo-nos diligentemente em treinar nosso esporte preferido,ultrapassando limites e barreiras de tempo e espaço. Se somosatores de teatro, aprofundamo-nos em técnicas de interpretação eexpressão corporal, em incontáveis ensaios e decoração de textospara estarmos perfeitos na hora da apresentação do espetáculo.Enfim, tudo o que fazemos desprendemos esforço e força, queremocionais, intelectuais ou físicos. Quando assim não procedemos,nosso trabalho não rende os frutos necessários, não nos saímos bem,não nos sentimos realizados ou satisfeitos. Por que o mesmo nãoocorre com o amor? Porque não consideramos o amor um exercíciodiário, um aprendizado constante, um desenvolvimento que requerprática ininterrupta e abnegada? Por que somo relapsos com aspessoas que dizemos amar e deixamos que o tempo apague a chamaque em nós foi acesa no início? Uma planta sem água pode até germinar, mas não cresce eacaba morrendo. Um atleta que ambiciona ganhar uma medalhaolímpica jamais deixa de lado seus constantes exercícios e treinos,pois deles depende para obter sucesso, chegar ao primeiro lugar nopódio. No amor, não se trata de vencer, de estar em primeiro, mas dealcançar a sua plenitude, de amar incondicionalmente, amar de fatoe de verdade. Não um amor de aparências, mas um amor real,transparente. Muitos relacionamentos começam de formaespetacular e vão-se esfriando ao longo do tempo. O problema nãoestá no amor, mas na nossa incapacidade de continuar cuidandodele, o que significa cuidar da pessoa que amamos, não desistirjamais de respeitar, de dar carinho e atenção. Os problemascotidianos e a monotonia da vida vêm como sombras, tapando o soldo amor na relação, impedindo que ela cresça e se fortaleça. Se nãoentendermos isso, não tomaremos os cuidados necessários com aservas daninhas e os predadores, como ciúme, indiferença e traição.Não há relacionamento que resista a isso e permaneça saudável.
O amor é uma reação aprendida
Todos nós nascemos predispostos a amar. Amar é umanecessidade básica que todo ser humano carrega dentro de si,necessidade de se apegar a alguém, ser importante, de expressõesde amor e de afeto, do sentimento de pertença, dando-nos umasegurança necessária para que possamos cultivar a autoconfiança,sem a qual não podemos enfrentar a vida. A nossa maior dificuldadeé saber que o amor é um aprendizado, que amar significa se envolver
e se entregar, estar disposto a passar por provações. Esteaprendizado, esta capacidade, todos precisamos desenvolver nodecorrer de nossas vidas. Mas, infelizmente, parece que a maioriadas pessoas se acham autossuficientes, de modo que não precisamaprender nada, basta entrar numa relação e exercer o amor damaneira como achar melhor. Algumas sequer aprendem algo com oserros do passado, mas seguem cometendo os mesmos equívocos,impondo a sua maneira de amar, sem se importar com o que o amorrealmente é e com o que a outra pessoa pensa e sente.A forma como somos amados ou não desde os primeirosinstantes de nossa infância é que servirá de base para o nossoaprendizado na arte de amar. Na medida em que recebemos amor,correspondemos a este amor e aprendemos a devolvê-lo. Se nãorecebemos amor, como saberemos como amar? Crianças quecrescem em lares desajustados, onde seus pais brigamconstantemente em gritantes demonstrações de desarmonia edesrespeito mútuo, aprenderão desde então a agirem desta mesmaforma e na vida adulta terão maiores dificuldades de se relacionar.Quando o amor que a criança necessita não é demonstrado em seular, ela parte para outras fontes, que certamente lhe fornecerão umavisão completamente distorcida de amor, vida e felicidade. Graças aDeus que colocar pessoas na nossa vida para nos dar o que talveznunca tivemos quando crianças, algo que não conseguimosdesenvolver da maneira correta. Mas é preciso estar atendo,aprender, assimilar.Nós somos produtos de vários fatores: genéticos e hereditários,educacionais (educação familiar, escolar, religiosa, política, etc.),biológicos, sociais e culturais. Ao mesmo tempo em que construímosnosso caráter, nosso conjunto de crenças e valores através dapercepção e da vivência de todos estes fatores, vamos tambémtransformando o mundo pelas nossas ações, que revolucionam etransgridem na medida em que vão de encontro a velhos sistemasestabelecidos, buscando o novo. Nesse processo, o amor caminhaconosco e seguimos nos moldando segundo a vida que vivemos,nossospensamentos, sonhos e ideais, nossas atitudes para com aspessoas e o mundo ao nosso redor. O amor subverte a vida ao passoque a recria. O amor evolui, apesar de ser eterno. Ele éconstrutivista, aceita a interatividade; não é passivo, sabe o momentocerto de desistir das teorias arcaicas.Aprendemos a amar conforme nos permitimos amar e seramados. Se amar se aprende amando, ser amado só se aprende sepermitindo amar. E se amar só é possível se nos compreendermos enos aceitarmos na expressão mais exata do nosso ser. As limitaçõesimpostas pelo aprendizado deturpado ou insuficiente nos colocamnuma situação desagradável, mas não limitadora. Por menos quesaibamos a respeito do amor e por menor capacidade queencontremos de nos lançar nesta odisseia, sempre haverá o desejo decrescer, de desbravar florestas e transpor barreiras. Não existem
barreiras para o amor e quem decide amar deve munir-se da certezade que o amor é real e ilimitado, não se molda na forma do tempo oudo espaço e não se deixa levar pela mentira e a inveja. O amor estáalém da nossa capacidade de controle, embora possa esfriar-se pornossa falta de zelo. 
Direitos e deveres 
Apesar do dever de nos esquecermos de nós mesmos embenefício da pessoa amada, o amor é uma relação entre dois seresdistintos, e por isso envolve direitos e deveres. Assim como temos odever de amar, também temos o direito de sermos amados. Sedevemos aceitar, compreender, perdoar, suportar, esperar, abnegar-nos, temos também o direito de receber em troca os mesmos atos deamor. Todos os relacionamentos humanos envolvem direitos edeveres: pais e filhos, patrões e empregados, técnico e jogadores,diretores e atores, comércio e consumidor, cidadão e estado. Nesterelacionamento, nenhuma das partes pode abrir mão de suasresponsabilidades ou ser leviana, para que ambos sigam por umcaminho único e jamais em direções opostas. Quando isto ocorre, umdos lados sofrerá. Se o indivíduo age contra a lei, sofrerá asconsequências. No caso do amor, infelizmente, quando uma daspartes resolve burlar as leis, a parte afetada é que sofre asconsequências.Quando a Bíblia fala em “amar”, sempre se refere a umarelação de “uns aos outros” (Jo 13:34; 1 Pe 1:22; Hb 10:24,25; Gl5:13; Ef 4:32) . Ou seja: eu amor o meu irmão que me ama também.Não que devemos amar o nosso irmão apenas se ele nos amar oupara que ele também nos ame. Mas é essa a dinâmica do amor. Oamor não é uma obrigação ou uma dívida. Ele é um presente quedamos e recebemos. O fim de muitos relacionamentos está na faltadessa compreensão. Uma das partes da relação decide que não irádar, mas apenas receber, sugando do outro as suas forças semrecarregá-lo. Mas uns aos outros significa que aquele que fala, deveaprender a escutar; aquele que quer receber carinho, deve darcarinho também; aquele que espera compreensão e apoio, deve agirda mesma forma; aquele que cobra respeito, precisa igualmenterespeitar. Essa mutualidade só não deve acontecer quando ossentimentos e atitudes são negativas. Aquele que sofre com a falta dodialogo do companheiro, por exemplo, não deve devolver comsilêncio, mas deve trabalhar para que o diálogo aconteça. Se recebeuuma palavra dura, não deve retribuir da mesma forma. E pagartraição com traição não resolverá o problema. Devemos ser mútuosno amor e nos seus frutos, não na sua ausência.
CURA E LIBERTAÇÃODo livro: “Batalha Espiritual”
De acordo com tudo o que vimos a respeito do Movimento deBatalha Espiritual e daquilo que a Bíblia de fato nos ensina,precisamos pensar a libertação sob dois pontos de vista diferentes.Primeiro: a libertação como o exorcismo quando a pessoa estáendemoninhada. A libertação ocorre quando o demônio é expulso dopossesso. Se este não se converter a Jesus, poderá ficar num estadopior que o anterior, além de continuar na prática do pecado econdenado. A libertação total só ocorre quando o indivíduo éconvertido pelo Espírito Santo e o diabo não pode mais se apossardele corporalmente. Embora o pecado ainda continue sendo umaprática provável, o convertido tem o Espírito dentro de si que oestimula a não pecar. Segundo: a libertação de influências eopressões demoníacas. Essa libertação praticada em muitas igrejasenvolve a amarração de demônios e a libertação de uma influênciaocorrida por meio de pecados, doenças, desemprego, vida financeiraamarrada, sensualidade, etc. Neste caso, o liberto participa deencontros e rituais que prometem expulsar essas influências da suavida e da sua família, não havendo nenhuma pregação evangelísticaou apelo à conversão, porque, a priori, é tudo culpa do diabo.Segundo um estudo publicado por George Átila Moreira(2016), a libertação está associada à expulsão de demônios e a comofechar as portas para o demônio não voltar mais. Aqui podemosobservar que é preciso, antes de tudo, entender se o que estáatormentando a pessoa – tanto externa como externamente – é defato uma atuação diabólica ou o seu próprio pecado e as suasconsequências. Entendemos, neste livro, que nenhum ser humanoprecisa de uma influência da “Pomba-Gira Rosa Vermelha” para seuspecados de lascívia; ou do Zé Pilintra para passar a madrugada seembriagando. Se falamos em “expulsão de demônios”, estamos nosreferindo a uma verdadeira incorporação demoníaca. No estudo deMoreira, seguem-se os métodos apresentados por ele para tratar oproblema, a fim de que a libertação ocorra. O “estilo entrevistaparticular” é uma forma apresentada pelo autor para haver alibertação, onde o indivíduo deve participar de algumas sessões econferências, que duram determinado tempo cada uma, quando seráanalisado onde está o problema que gera a necessidade de libertação(pg. 5 e 6). Essa entrevista traz à luz quando e como os demôniosentram na vida da pessoa, ajuda a fechar as portas depois que osdemônios são expulsos, o que provoca “distúrbios” nos demônios quefacilitam a sua expulsão.Essa ministração também pode ocorrer com grupos grandes oumultidões, como geralmente ocorre nos cultos das igrejas quesobrevivem das atividades diabólicas. O ministro da libertação
mandará os demônios saírem ou se manifestarem em Nome de Jesus,o que eles começarão a fazer, de acordo com a direção do EspíritoSanto. Dependendo do número de pessoas para serem libertas, osobreiros poderão ser mobilizados para trabalhar com cada uma.Como possivelmente não haverá uma libertação total, a ministraçãosegue na igreja ou nas casas, por meio do “Ministério de Libertação”.O atendimento prestado à pessoa após a libertação requer umamaior atenção, exigindo confissão de pecados, renúncias,fechamento de portais e quebra de proteções de guias, devendo oatendimento ser feito por pessoas treinadas. Algumas pessoasprecisam de um trabalho diferenciado: praticantes de Yoga,membros de seitas como a Massonaria, Hare Krishna, Gnose, etc.Citando o líder da Missão Evangélica Shekinah do Brasil, opastor Jersey Cardoso, em seu Manual de Libertação, Moreiraexplica que a ministração de libertação possui duas faces: expulsão erenegação (p. 7). Ele cita, ainda, o libertador Frank Hamond, que dizque a libertação não envolve necessariamente a expulsão, mas àsvezes quando alguém está quebrando os seus vínculos (renegando),pode acontecer uma manifestação, e neste caso é necessário haver aexpulsão. Isto envolve alguém que tenha feito pactos com o diabo e oesteja servindo. Após ser expulso o demônio, é necessário fechar asportas para que o estado da vítima não se torne pior que o anterior.Ele explica, então, o que significa a renegação (p. 8):
Renegar significa tornar sem efeito e rejeitar. Adquiri-se umdesprezo pela coisa renegada. Portanto, não é simplesmenteabandonar. É por esta razão que renegação,desempenha opapel de veneno contra Satanás e sua força contra nós.Funciona também como antídoto do veneno dele sobre apessoa que o renega (...) A renegação deve ser feita pelapessoa oprimida em voz audível para Satanás e seusdemônios ouvirem, pois eles não são oniscientes. Arenegação é uma declaração aos demônios e não oração aDeus. Não sendo oração, não se deve ficar de joelhos. Apessoa deve renegar todos os vínculos que mantinha com astrevas.
Renegar os vínculos é, então, fechar as portas de entradas dedemônios. E que portas são essas? Ele utiliza como exemplo o textode Atos 19:18-20, quando muitos praticantes de artes mágicascreram em Jesus e queimaram seus livros em público. Estes livrosseriam “objetos-vínculos”. Isto é: o vínculo que aqueles homenspossuíam com Satanás eram os seus livros de magia; tendo-sequeimado os livros, o vínculo foi quebrado. Tais vínculos ou laçoscom as trevas são divididos em quatro grandes categorias, podendoestar vinculados direta ou indiretamente à pessoa: (1) a Idolatria etudo que lhe diz respeito, como consagrar-se à Maria ou algumsanto, carregar crucifixos, participar de novenas, etc.; (2)espiritismo/feitiçaria, o que inclui todas as crenças e práticas quelhes dizem respeito, como consagração de pessoas, lugares ou
objetos às entidades, passes, benzimentos, etc.; (3) novaera/esoterismo, que envolve jogo de búzios, pirâmides, as diversasformas de medicina alternativa, incluindo a acupuntura, etc.; (4)seitas e organizações satânicas, como Testemunhas de Jeová,Maçonaria, etc. Os vínculos diretos com as trevas incluem jogo debaralho, tatuagem, consagração no ventre às entidades, pacto desangue, qualquer ritual que retire o sangue do corpo e roupasconsagradas a Satanás.O autor também dá alguns exemplos de vínculos indiretos comas trevas: o símbolo do Yin-Yang, perfumes da Natura e da Boticário,certos quadros de meninos e meninas que choram, a realidadevirtual, roupas de grife, artes marciais, algumas literaturas infantis,etc. A quebra de vínculo deve ser feita com a renegação e a expulsãodo demônio. Essa quebra pode ser feita ungindo a mente da pessoacom óleo, quebrando-se o vínculo com seitas e religiões não-cristãs,orar para que o Espírito Santo preencha as áreas que ficaram vaziase iniciar um processo de cura interior. Vemos até aqui que todo oprocesso de renegação envolve a destruição de algo exterior aohomem, isto é, de um objeto que o vincula a Satanás, de forma diretae indireta. Somente após todo este processo de quebra de vínculos, oindivíduo é encaminhado à “cura interior”. Em momento algum éfalado sobre o que motivou a busca pelas coisas que supostamentevinculam uma pessoa aos demônios, que é o que realmente precisaser quebrado: o pecado individual. Não está em vista a possessãopropriamente dita, mas o uso de objetos considerados demoníacospelos pregadores do ministério de cura e libertação. Isto é: o pecadonão está na pessoa que faz uso desses objetos, mas do objeto em si.Outra grande heresia que este ensino de demônios nos traz éque em momento algum a conversão a Cristo foi cogitada comosolução para os problemas de vínculos com as trevas. Em tese, asministrações e as quebras de vínculos tornam possíveis a totallibertação das forças malignas. Isto significa que é possível paraalguém que nunca aceitou a Jesus ficar imune contra Satanás apenasrenegando-o verbalmente. Mesmo que o Nome de Jesus sejainvocado e um pedido de preenchimento do Espírito seja feito, se nãohouve conversão, o oprimido (ou ex-oprimido) continua morto emseus delitos e pecados, permanecendo no estado de filho do diabo esujeito a coisas ainda piores. Levando em conta que a maioria dosvínculos listados não estejam ligados à Satanás, mas ao pecado dopróprio homem, renegar o demônio sem renegar o próprio pecado éde todo inútil. Satanás continuará atuando, fazendo com que oindivíduo acredite que está liberto, mas sem saber que ainda éprisioneiro do inimigo e de si próprio, seu pior inimigo.Outro terrível engano é a possibilidade de libertação sem aintervenção direta de Deus. Quando o autor diz que a renegação nãoé uma oração a Deus, mas uma declaração a Satanás, percebemosque o próprio indivíduo pode resolver as suas questões diretamentecom o inimigo, sem apelar antes para a ação libertadora de Deus.
Existe muita ênfase naquilo que o homem pode fazer por si própriopara a sua libertação, como se a sua vontade e a sua palavra fossemo suficiente para afugentar as trevas, mas pouca ou nenhuma ênfasena obra de Cristo na cruz, que destruiu principados e potestades. Ocaminho percorrido por esse movimento herético é: libertar-se paraencher-se de Deus, quando a Bíblia nos apresenta o contrário: sercheio de Deus para ser liberto.Algo que precisamos saber, também, é que o objeto em si nãopossui valor algum, seja pra o bem ou para o mal; o seu valordependerá do uso que fizermos dele. A mesma faca utilizada parasangrar um animal num ritual satânico pode servir para cortar o pãoque será apresentado na ceia do Senhor na Igreja. O objeto em si nãoé sagrado nem profano, isto dependerá do destino que dermos a ele.Neste caso, o bem e o mal ou o sagrado e o profano não estão nosobjetos, mas nas pessoas que fazem uso deles. É claro que existemobjetos criados para a prática ritualística envolvendo as trevas e depecados, muitos deles sexuais (como aqueles usados nosadomasoquismo, por exemplo), mas ainda assim o pecado está emquem o pratica, não no objeto. Os búzios utilizados pelos adivinhossão feitos de cochas criadas por Deus. Aliás, tudo o que se encontrana natureza foi criado por Deus, inclusive as árvores que dão acelulose que faz o papel das cartas do baralho de tarô, asseringueiras que fornecem o material plástico presente em muitosobjetos dedicados aos Exus, o barro usado para confeccionarimagens de santos, a cera para fazer as velas que serão acesas nasencruzilhadas, o algodão para a confecção do tecido dasindumentárias dos pais de santo, e tudo o mais que pudermos listar.Portanto, não devemos expulsar os demônios supostamentepresentes nos objetos nem simplesmente quebrar o vínculo comesses objetos, mas quebrar – por meio do arrependimento, daconfissão de pecados e da conversão a Cristo – o pecado que nos levaao adultério, à perversão, à idolatria, ao assassinato, à mentira, àfofoca, às doenças sexualmente transmissíveis, à subserviênciaconsciente a Satanás.Nessa batalha equivocada contra as trevas, só quem sailucrando é o próprio diabo, que convence o homem de que rituais sãocapazes de resolver os seus problemas. Em algumas observaçõesimportantes sobre a ministração de libertação, Moreira (p. 17) diz,inclusive, sobre as relações sexuais fora do casamento e afornicação, que é preciso realizar o desligamento de almas de acordocom a Palavra em Gênesis 2:24; 1 Coríntios 6:15-18 e Hebreus 4:12,textos que falam do casamento e da eficácia da Palavra de Deus, oque não explica absolutamente nada. O desejo pelo pecado, pelafornicação, pelo adultério está sempre ligado à influência dabruxaria, dos vínculos com as trevas ou da possessão demoníaca,jamais com o desejo natural do homem por fazer o que é errado. Aoreceitar alguns tratamentos, o autor chega a falar sobre vícios eperversões sexuais que se deve pedir perdão em arrependimento,
mesmo pelos pecados cometidos em pensamento, mas tambémafirma que é preciso fazer o desligamento de alma, anularabominação e queimar os vermos espirituais malignos(homossexualismo, lesbianismo, bestialidade), desligar oencantamento maligno para a prática desses pecados, expulsar osdemônios Pomba-Giras, Ameba e outros. Em suma: volta-se para oerro de que o pecado sempre provém de uma influênciaexterna aopecador, que sempre atua como oprimido, como vítima.
A VONTADE DE DEUS E O ESPÍRITO SANTODo livro: “Faça a escolha certa”
A atuação do Espírito Santo é um elemento crucial na busca docrente pela vontade de Deus. Ele não somente direciona a vida docristão, como também o capacita a buscar e a fazer a vontade deDeus, com sua infusão de poder (At 4:8,31; 6:10; 8:29; 10:44) e comsua orientação (At 10:19,20; 11:12; 13:2-5; 16:6-10). Os apóstolosagiam pelo poder do Espírito Santo (Rm 15:18,19). O Espíritoacompanhou a pregação missionária na confirmação da verdade damensagem no coração dos ouvintes e no fortalecimento de Paulo edos demais apóstolos e missionários na tarefa da proclamação doEvangelho de Cristo, inclusive por meio de sinais e prodígios (2 Co12:2; Rm 15:18,19). Além disso, os fiéis tinham experiências com oEspírito (1 Ts 1:4-6; Gl 3:1-3; 1 Co 2:4-5), e poder e sabedoria paratestemunhar a respeito de Jesus (1 Ts 2:2; 1:5,6). Paulo era apóstolopela vontade de Deus (2 Co 1:1). Todo o seu ministério foi vividodebaixo da direção do Espírito Santo, de modo a atender ao chamadode Cristo e submeter-se em todas as coisas à vontade de Deus. Eledeixa bastante claro que o seu objetivo não era pregar a si mesmonem cumprir a sua vontade, mas realizar aquilo para o que foradesignado. A sua vida inteira estava totalmente entregue nas mãosde Deus, de modo que ele não vivia mais, mas Cristo vivia nele (Gl2:20). A sua vida só possuía importância à medida que ele pudessecumprir o que Deus lhe determinara (At 20:24). A mesma condiçãode fé e de vida que Paulo empregava em si mesmo, desejava àquelesa quem pregava o Evangelho, então orava para que conhecessem avontade de Deus e poder, desse modo, levar uma vida digna doSenhor (Cl 1:9,10). Os planos de viagem de Paulo estavam sujeitos àvontade de Deus (1 Co 4:19; 16:7; Rm 1:10; 15:32). No livro de Atos,o Espírito Santo de diversas maneiras guiou Paulo em suas viagensmissionárias, e até mesmo iniciou novas fases da missão (At 11:27-30; 13:1-3; 16:6-10; 18:9,10).É a presença do Espírito Santo em nós que nos liberta do jugoda lei e nos capacita a conhecer e a fazer a vontade de Deus. Em 2Coríntios 3:6, a letra (gr. gramma) declara a vontade de Deus e julgaquem não a cumpre, mas não fortalece a pessoa para cumpri-la, parase afastar do mal e praticar o bem. Somente a partir doderramamento do Espírito Santo, em resultado da obra de Cristo, ajustiça de Deus é cumprida (2 Co 3:6-9; HAFEMANN, p. 277).Apenas o Espírito Santo possibilita um estilo de vida agradável aDeus. Deus revela a sua vontade na Lei (Rm 10:6-8; Dt 30:12-14). Eleestabelece a sua vontade santa e justa como um contraponto àvontade humana. Deus não criou preceitos fora da nossa realidade
pecadora, mas baseado na nossa condição distante da sua glória. Osmandamentos de Deus não dizem respeito a proibições que noslevam a pecar porque elas existem, mas a mandamentos quedenunciam a transgressão que já vive em nós. Se tomarmos decisõese fazermos escolhas sem levarmos em conta a nossa situaçãopecaminosa e a santidade da Palavra de Deus, a sua Lei escrita nosnossos corações, todos os nossos projetos serão equivocados, todosos nossos planos nos conduzirão ao fracasso espiritual, por mais queaparentemente deem certo. Se não formos orientados pelo EspíritoSanto, tatearemos como cegos sem jamais chegar a lugar algum.Um exemplo clássico disso está na entrega dos dezmandamentos no Monte Sinai. No mesmo instante em que Deusentregava a Lei a Moisés, o povo já transgredia o primeiromandamento de amar a Deus e não confiar em outros deuses (Ex32:7,8). Isto é, o mandamento existe por causa do pecado que há nohomem, e não o pecado que há no homem existe por causa domandamento. A Nova Aliança inaugurada por Cristo na cruz, liberta-nos da escravidão do pecado e nos torna aceitáveis diante de Deus,munidos de poder para tomar decisões e fazer escolhas que nosconduzam a realizar a sua vontade (Gl 3:15-18). A Lei de Deus ésanta, justa, boa e espiritual (Rm 7:12,14,22; 3:31). Ela mostra opecado e condena o transgressor. Ela expressa a vontade de Deus,mas ainda é instrumento do pecado e da morte. Quando a Lei traz àluz o pecado, ela torna a vontade de Deus explícita, de modo que opecador toma conhecimento dessa vontade e pode lhe dar umaresposta, entendendo que não a cumpriu (Rm 3:20, 4:15; 5:13;7:7,21-23). A Lei definia a vontade de Deus, mas não atuavasalvificamente. Como é impossível para o homem pecador cumprir alei, foi necessário que o nosso reparador, o Senhor Jesus, cumprisse-a em nosso lugar, de modo que já não estamos mais sujeitos à Lei,para a qual morremos em Cristo (Rm 6:14; 7:4; 8;2). O cristão é chamado por Deus e capacitado por sua graça acumprir a sua vontade expressa na Lei, nas palavras de Jesusregistradas nos Evangelhos e no livro dos Atos dos apóstolos, bemcomo nas epístolas e no livro do Apocalipse. Só é possível cumprir ajustiça exigida pela lei estando em Cristo (Rm 8:2) e vivendo sob odomínio do Espírito Santo (Rm 8:4; 13:8-10), o que os incrédulosestão impossibilitados de fazer, uma vez que permanecem mortos emseus delitos e pecados e não são selados com o Espírito Santo (Rm8:7). Somos libertos do pecado e da morte e feitos escravos de Cristopara estarmos livres para fazer a vontade de Deus e viver (Rm6:1,15-23). Só podemos fazer a vontade de Deus uma vez que fomoslibertos por Cristo do pecado que nos aprisionava e nos tornavamortos. É a vida em Cristo que nos liberta do que nos prende aopecado e nos dá a graça de fazer a sua vontade, e isso quem tornapossível é o Espírito Santo que habita em nós e que produz asantificação conquistada por Cristo na cruz.
A santificação é uma oba operada na vida do crente peloEspírito Santo, tanto aquela posicional e instantânea onde nostornamos filhos de Deus, separados para Ele e regenerados; quanto aprogressiva, onde desenvolvemos a nossa salvação através dasantificação diária. Essa santificação inclui uma sincera obediência àvontade de Deus em Cristo, de modo que o Espírito Santo nos conduza uma entrega irrestrita a Deus e nos capacita e exorta a vivermosem conformidade com a sua vontade e a obedecê-lo (Rm 12:1; 6:15-22; 1 Ts 4:1-8). A santificação também inclui um lado negativonecessário, sem o qual é impossível que ela possa ser desenvolvida: amorte para o pecado (Rm 6:12-23), a renúncia aos impulsos da nossacarne (Gl 5:16-24; Rm 8:2-14) e uma entrega total à soberanavontade de Deus. Essa vivência constante sob o senhorio de Cristo,onde abrimos mão daquilo que somos pela graça de Deus e nosentregamos por essa mesma graça ao agir sobrenatural do Espírito,leva-nos ao crescimento e à maturidade (1 Co 3:6,7; 2 Co 10:15; Ef2:21; 4:13-16; Cl 2:19), até que sejamos perfeitos como o nosso Pai éperfeito pelo Espírito de Cristo que habita em nós (Rm 12:2; 2 Co7:1; 13:9; 1 Ts 3;13). Só é possível ser santo e desenvolver estasantidade rumo à perfeição porque estamos em Cristo (1 Co 2:6-10).Em Cristo, as nossas escolhas e decisões são santas, porqueobedecem à voz do Espírito Santo.Estar em Cristo nos mune de discernimento espiritual, tantopara discernir as coisas de Deus quanto para praticá-las (1 Co 2:12-14). Este é o desígnio de Deus para o seu povo: a santidade, quecada um seja apresentado diante dele sendo perfeito em Cristo (Cl1:28). Logo, devemos viver conforme a vontade de Deus, na busca doque é perfeito (Rm 12:2) e por viver de acordo com a verdade queprofessamos, para que estejamos no centro da vontade do Pai (Cl4:12). A salvação produz a reconciliação entre o pecador e Deus, demodo que já é suficiente para produzir uma santificação instantânea,um reposicionamento positivo diante de Deus. Ainda assim, a novavida em Cristo precisa ser desenvolvidanum processo de perfeiçãoindividual e coletivo (Ef 3:19; 2:15; 4:16; Cl 3:14), ondereconhecemos que nesta vida tal perfeição não se dará totalmente,mas apenas na glória celestial. Enquanto o cristão não alcança oestado em que não poderá mais pecar, o Espírito Santo o capacita,nesta vida, a viver em santidade, a não buscar apenas aquilo que seinclina para a realização dos desejos da carne, mas para o queedifica e o leva à maturidade espiritual em conformidade com avontade de Deus (1 Co 13:10; Fp 3:12-14; Gl 5:16-26; Rm 6:2:6,11-14,18,22).
O PODER DA RESSURREIÇÃO DE JESUSDo livro: “O poder da fé”
O poder da fé começa quando cremos na verdade de que Cristomorreu e ressuscitou pelos nossos pecados. Podemos crer em Deusde todo o nosso coração, mas se não cremos nessa verdade, a nossafé é totalmente vã e inútil, como um pensamento positivo que sedireciona ao Universo. Cada religião tem a sua própria fé, o queenvolve o objeto da sua crença (Jeová, Buda, Alá, Gaia, etc.), a formacomo esta crença se manifesta (práticas espiritualísticas) e asdoutrinas que regulamentam essa fé (livro Sagrado, revelações, etc.).A nossa fé – a verdadeira fé – está fundamentada na Bíblia e temcomo objeto (alvo) o Senhor Jesus Cristo. Todavia, os muçulmanos,os espíritas, as Testemunhas de Jeová, os Mórmons, entre outros,também creem na existência de Jesus. O que difere a nossa fé detodas essas é que a fé desses é morta e a nossa é viva. Falta-lhes oelemento principal: a ressurreição de Jesus, sem a qual nem a fé nemo próprio cristianismo têm razão de existir. É isto que Paulo prega aodefender a ressurreição de Cristo com um fato ocorrido eincontestável (1 Co 15:3-8,12-19). Sem esta fé na ressurreição deCristo, o cristianismo se torna uma religião vã (v. 17), não havendoperdão para os pecados, ressurreição e vida eterna (Rm 4:25). SeCristo não ressuscitou, continuamos mortos em nossos pecados e nãotemos esperança alguma após a morte. É a ressurreição de Cristoque valora, justifica e legitima a nossa fé e todas as suasmanifestações. A própria fé em si depende dela. Sem ressurreição,sem fé, sem poder da fé.É a ressurreição, conforme atesta Dr. Russel Shedd, o cerne daesperança do cristão (1 Pe 1:3ss). A fé na ressurreição, por sua vez,está ligada à escatologia. Isto é: a fé cristã não está limitada a estetempo e lugar, mas aponta para a eternidade. É pela fé queaguardamos a realização da promessa da volta de Cristo (Gl 5:5),tendo a certeza da sua libertação operada em nós. A fé produz ajustiça de Deus em Jesus Cristo (Rm 3:22-26; Fp 3:9) e nos confirmacomo seus filhos (Gl 3:26). Retiram-se os fatos de que Cristo é Deus,morreu pelos nossos pecados, ressuscitou, subiu aos céus, sentou-sea destra do Pai e voltará um dia para julgar a humanidade, o que nossobra é a religião, como há tantas outras no mundo. O que pode fazerMaomé pelos seus seguidores? O que nos dá a esperança eternaleva-nos a orar, estimula-nos a obedecer, motiva-nos a prosseguir emmeio às tribulações e testifica a nossa fé é a alegria de crer naressurreição do Senhor (At 3:15; Jo 11:25; 1 Co 6:14; Fp 3:10; Mt20:17-19). Quais as consequências práticas de crer na ressurreiçãode Cristo para a nossa fé? São consequências morais e eternas, quenos transformam em novas criaturas que amam e servem ao Senhor,
que vivem uma vida diferente e lutam contra o seu próprio pecado.Essas consequências são percebidas no nosso comportamento, nosnossos relacionamentos, nas nossas escolhas e decisões, nas nossasmotivações e nos nossos objetivos: ansiamos pelo céu.Como aqueles que creem num reino celestial e na esperançaeterna com a vinda do Senhor e a subida gloriosa da igreja, as nossasações devem demonstrar o nosso anseio pelo céu e a nossadespreocupação com os valores e os prazeres deste mundo. O nossocoração clama pela volta do Senhor. Os valores presentes na nossaespiritualidade integral são os valores do Reino de Deus e não osnossos próprios. Se a ressurreição de Cristo é bem compreendida,queremos que ela se torne cada vez mais real em nós. Algumasquestões, todavia, precisam ser levantadas. A Igreja tem caminhadonessa fé na ressurreição de Cristo, tem anelado por sua volta, vive osvalores do seu Reino eterno e é transformada pelo Senhor que reinaglorioso? A espiritualidade praticada hoje tem nos lançado para forada esfera da nossa vontade e atraído para nosso ser a vontade do Paique está nos céus? O nosso culto pessoal e comunitário celebra essaressurreição, tornando-a o cerne da nossa adoração e daproclamação do Evangelho? Ou quem sabe a nossa pregação oculteeste fato de proporções eternas?Não adianta falar em poder da fé enquanto desprezamos arealidade da ressurreição do Senhor. Para muitas correntesevangélicas que tem a sua crença totalmente alicerçada sobre aTeologia da Prosperidade, a ressurreição de Cristo e a suaentronização nos céus teve como único objetivo conquistar para nósas bênçãos e vitórias de Deus, guardadas para nós nos cofrescelestiais, o que é mentira. É tempo de crer na ressurreição de Cristoe na nossa, que com Ele ressuscitamos para uma nova e abundantevida. Sem crer nisso, a nossa fé não terá poder algum paratransformar aquilo que realmente importa: a nossa relação com Deuse com as pessoas, o conteúdo do nosso coração e a qualidade dosnossos pensamentos. O nosso desejo por mover montanhas deve sersubstituído pelo desejo de mover a nossa ansiedade, as nossasintrigas e disputas, as nossas mentiras, os nossos pecados, a nossafalta de perdão e de misericórdia, a nossa apatia frente a obra doSenhor, a nossa avareza e tantas outras montanhas invisíveis quevivem dentro de nós. O poder da ressurreição de Cristo remove todasessas montanhas e nos faz experimentar o verdadeiro poder de Deus.
A VERDADEIRA OFERTA AO SENHORDo livro: “A graça de ofertar”
Quando estudamos 2 Coríntios 9:7, vemos que a cobrança dopagamento do dízimo aos cristãos é indevida e antibíblica. O dízimonos moldes da lei do Antigo Testamento deve ser substituído pelaoferta no padrão da graça do Novo Testamento. A oferta quedevemos dar na Igreja não é mais que a consequência de um coraçãotransformado por Deus, que transborda de amor por Ele, pela suaobra e pelas pessoas, cristãos ou não. E para isso não há necessidadede lei alguma nos forçando a fazer algo, porque o amor que vem deDeus não nos força a nada, mas nos impele a amar ao próximo comoa nós mesmos. A lei que se constituía de ordenanças externas foisubstituída pela lei do amor, gravada não em tábuas de pedra, masnas tábuas de carne do nosso coração (cf. Jr 31:33; 2 Co 3:3). Então,se a lei agora é espiritual, a nossa oferta a Deus deve ser, também,espiritual. Essa espiritualidade da oferta, contudo, precisa serprática para ser legítima.O autor de Hebreus escreve: “Por meio de Jesus, pois,ofereçamos a Deus sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto doslábios com confessam o seu nome. Não negligencieis igualmente aprática do bem e a mútua cooperação, pois com tais sacrifícios Deusse compraz” (13:15,16). No Antigo Testamento, o que agradava aDeus era o cumprimento da sua Lei e os sacrifícios que os judeusofereciam. Com o tempo, porém, a desobediência passou a reinar nocoração do povo e Deus já não se agradava mais dos sacrifícios queeles ofereciam (cf. Is 1:10-17). Hoje, tendo Cristo oferecido por nósum único e perfeito sacrifício para cumprir a Lei e nos reconciliarcom Deus ,somos chamados, também, a sacrificar. Mas essesacrifício que o Senhor pede de nós não é mais como aquelesoferecidos pelos judeus para se tornarem aceitáveis diante dele, poispela sua morte e ressurreição Deus já nos aceitou. É um sacrifícioespiritual que demonstra a mudança de posição que assumimosdiante de Deus por meio de Cristo. Esta é a maior oferta a Deus quedevemos oferecer diária e continuamente:a nossa vida. É umsacrifício diligente (“não negligencieis”), prático (“prática do bem”) ecomunitário (“mútua cooperação”). E isso só é possível se nascemosde novo.Estudando a Palavra de Deus, encontramos alguns fatores quemostram que realmente nascemos de novo: crer em Jesus Cristocomo Senhor e Salvador (Jo 1:12; Gl 3:26); ser guiado pelo EspíritoSanto (Rm 8:14-18; Gl 4:4-7); amar uns aos outros (1 Jo 3:10; 4:7);praticar a justiça (1 Jo 2:29; 3:10); desenvolver a salvação (Fp 2:12-18); tornar-se desconhecido para o mundo (1 Jo 3:1); vencer o mundo
(1 Jo 5:4,5); ser irrepreensível, inculpável e sincero (Fp 2:15); andarna luz (Jo 12:36; Ef 5:8; 1 Ts 5:5); seguir os mandamentos do Senhor(1 Jo 2:1-6). Dessa forma, percebemos que a oferta que Deus esperade nós não é feita de bens perecíveis, mas de bens espirituais eeternos. A oferta que Deus quer de nós é espiritual. Vamos analisaressa oferta espiritual observando os pontos a seguir.Primeiro, o dízimo no Antigo Testamento era a décima partedas colheitas e dos animais que deveria ser ofertado a Deus. É claroque Deus não precisava dessas coisas, mas elas se destinavam àmanutenção do Templo, a “casa” de Deus, onde a sua presença – aArca da Aliança – estava. A oferta espiritual que Deus espera de nós,entretanto, não é 10% dos nossos bens, mas 100% da nossa vida.Não podemos ofertar a Deus parte do nosso ser, mas é necessárioque a totalidade da nossa existência esteja diante dele. Assim seexpressou o apóstolo Paulo: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelasmisericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifíciovivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm12:1). O culto através do sacrifício de animais tornou-se obsoleto emCristo e foi substituído pelo sacrifício mais sublime: o sacrifício diárioe voluntário de nós mesmos em obediência a Deus. É um cultoracional – ou espiritual (logikos no grego; cf. 1 Pe 2:2) – que em tudocontrasta com o culto formal oferecido no Antigo Testamento.Esse culto espiritual tem uma explicação bem lógica. O cristãoé o próprio templo do Espírito Santo e o seu coração é o Santo dosSantos, onde Deus habita (cf. 1 Co 3:16; 6:19; 2 Co 6:16). Paulomostra aos cristãos de Roma que esse culto espiritual é prático,repleto de virtudes proporcionadas pelo Espírito Santo, onde ocristão adora a Deus de forma pessoal e diária, servindo a Ele, aosseus irmãos e ao próximo em amor. A oferta de sacrifício e louvor aDeus é muito maior que um dízimo que é dado como uma obrigaçãosob o risco de ser anátema ou perder as bênçãos do Senhor. Elapode, inclusive, levar o cristão a ofertar muito mais que 10% naigreja como fruto de uma vida transformada.Segundo, em toda a Bíblia, Deus tem nos chamado a abrir mãode uma vida materialista e avarenta para buscar aquilo querealmente interessa: os bens espirituais duráveis nos céus. É isso quetemos a oportunidade de aprender ao estudarmos textos comoMateus 6:33, Colossenses 3:1, Efésios 3:1 e tantos outros quecondenam o amor ao dinheiro e o apego às coisas deste mundo. Ora,se o que Deus requer de nós é que pensemos nas coisas do alto, quebusquemos os bens espirituais e eternos, por que Ele nos cobrariaque retribuíssemos isso com dinheiro? Se Deus nos cumula debênçãos espirituais em Cristo e nos chama a trabalhar por umacomida que não perece, não seria sensato que devolvêssemos a Ele,também, coisas espirituais, como nossa obediência e uma vida santana sua presença?Deus não quer dinheiro, pois não precisa disso. Ele quer anossa vida, a nossa disposição para servi-lo sem esperar receber
nada em troca. Ele quer o sacrifício do nosso tempo dedicado à suaobra. De que adianta ser um dizimista fiel e não sair um dia sequerpara evangelizar? De que adianta darmos 10% de todo o nossorendimento bruto se não colocamos nem esses mesmos 10% da nossavida aos pés da cruz? Dizimista fiel – ou ofertante fiel - é aquele quededica tempo de oração, leitura da Palavra; tempo de preocupaçãocom aquilo que diz respeito ao reino de Deus, com as pessoas; quepede e oferta perdão, que é generoso, que sabe que deve fazer o beme faz, que refreia a sua língua do mal, que é humilde, que ama servir,que glorifica a Deus com suas palavras e atitudes, o que incluicontribuir financeiramente. Paulo escreveu aos coríntios: “Ora, alémdisso o que se requer dos despenseiros é que cada um deles sejaencontrado fiel” (1 Co 4:2).Terceiro, o culto mais perfeito, o sacrifício mais agradável, odízimo verdadeiramente aceitável e a verdadeira circuncisão docristão é aquela do coração, que nos transforma em novas criaturaspara servirmos a Deus em novidade de vida (cf. Cl 2:11; 1 Co 7:19; Gl5:16; Rm 6:4; 7:6). O coração de onde não procedia bem algum,agora é lavado e remido no sangue de Cristo e se transforma emmorada do Espírito Santo. É um coração renovado, que produz umamente transformada, que traz novas convicções, novas atitudes einclinações. O fiel não é mais propenso ao mal que a sua carne desejafazer, mas a graça santificadora de Deus o recria para dar frutos doEspírito Santo.O nosso culto não pode girar em torno de coisas materiais, daliturgia, das programações, dos dízimos, da forma dos cristãos seportarem na Igreja, da reverência ao prédio onde essa se reúne comoum local sagrado, das roupas, da medida do cabelo, dos usos ecostumes. Nada disso produz a verdadeira espiritualidade, overdadeiro culto a Deus. A oferta que Deus espera de nós não é defora para dentro, mas de dentro para fora: o fruto dos lábios queprofessam o seu Nome. E o que significa professar o Nome de JesusCristo? Significa reconhecer-se pecador e enxergar em Cristo a únicachance de salvação. Significa fazer dele Senhor absoluto de nossasvidas e obedecer aos seus mandamentos, amando o próximo eservindo a Deus.Quarto, o autor de Hebreus expressa claramente que a práticado bem e a mútua cooperação são sacrifícios com os quais Deus secompraz. Isto é: o nosso culto a Deus nos remete diretamente aonosso compromisso com o corpo – que é a igreja – e com o próximo.Não há como prestar qualquer culto a Deus se negligenciamos oamor e o cuidado com aqueles que estão ao nosso redor. O dízimo,como é cobrado, traz uma característica bastante mesquinha eegoísta: quanto mais o cristão der, mais “ele” será abençoado.Todavia, nos voltando para 2 Coríntios 9:6, vemos que a oferta quedamos não é para o nosso próprio benefício nem para que Deus nosdevolva cem vezes mais, mas para abençoar a vida das pessoas.
Qualquer oferta que não tenha em vista beneficiar o próximoaltruisticamente é um culto a si mesmo, uma barganha com Deus.Por fim, podemos resumir a nossa “oferta espiritual” em umasó palavra: santidade, e tudo aquilo que lhe diz respeito. Essasantidade está além da separação do mundo para Deus, mas envolveconsagração do nosso ser e serviço abnegado. Assim como o povo deIsrael era um povo santo, separado dos outros povos para servir aDeus, como cristãos em Cristo Jesus, separados do mundo e dopecado, o nosso objetivo deve ser, também, servi-lo (1 Pe 2:9; Hb13:15; Rm 12:1; Ef 2:8-10). Não existe dízimo santo, oferta santa,lugar santo, vestes santas, mas “cristão santo.” Sem essa santidadede vida conquistada por Cristo na cruz (Hb 10:10,29; 2:11; 9:13,14;10:14; 13:12), nem o dízimo que é cobrado como uma obrigação nema oferta que é dada com o coração terão o mínimo significado paraDeus.
O DEUS QUE SE REVELADo livro: “Maria e a vontade de Deus para nós”
Começamos agora a estudar a Anunciação, este episódio bíblicocrucial no plano eterno de Deus para a nossa salvação, que está noEvangelho segundo Lucas 1:26-56. O evangelista Lucas, igualmenteautor do livro dos Atos dos apóstolos, apresenta a história danatividade de Jesus segundo a perspectiva de Maria. Deus envia oseu mensageiro,o anjo Gabriel, com uma mensagem que possuía umendereço específico: uma cidade na Baixa Galileia, ao norte daplanície de Esdraelom, chamada Nazaré, onde, infelizmente, os seushabitantes não gozavam de boa reputação. O destinatário damensagem também era um: a virgem despojada com José, e seunome era Maria (Lc 1:26-28). No texto, desposada significa noiva,promessa ou compromisso, isto é: cônjuge (Mt 1:19; Gn 4:1). Mariahavia sido prometida como esposa para José e, seguindo os costumesda época, embora não tivessem ainda coabitado, já eramconsiderados casados. A seriedade desse compromisso na sociedadejudaica da época só poderia ser quebrada com o divórcio ou a mortede um dos cônjuges. Tão logo lhe apareceu, o anjo a saudou: “Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo” (1:28b). Precisamos fazeralgumas considerações importantes a respeito dessa saudação. Emprimeiro lugar está a expressão “Alegra-te”, que em algumastraduções católicas da Bíblia – como a edição catequética popular daAve Maria, por exemplo – é traduzida pela saudação “Ave”, presentena oração da Ave-Maria. Entretanto, outras edições católicas trazemo termo correto – “Alegra-te”, conforme o texto original grego. ABíblia de Jerusalém (católica), comentando esse versículo, afirma que“Alegra-te” seria uma tradução melhor do que “Ave” e que essasaudação é um apelo “à alegria messiânica, eco do convite dosprofetas à Filha de Sião e motivado, como ele, pela vinda de Deus emmeio a seu povo” (cf. textos indicados: Is 12:6; Sf 3:14,15; Jl 2:21-27;Zc 2:14; 9:9). Com isso também concorda E. Toniolo, um dos autoresdo Dicionário de Mariologia, que afirma que o termo grego kaire(alegra-te) foi traduzido impropriamente em latim e em portuguêspor “ave” (1995, p. 28). A saudação “Alegra-te” (do grego chairo) erabastante comum naquela época, significando: ser alegre,calmamente feliz e confortável, afortunado; usado como saudação deencontros ou despedidas (adeus, seja feliz, bem-sucedido); regozijar-se, alegrar-se, estar alegre (cf. exemplos de outras saudações com omesmo termo: At 15:23; 23:26; Tg 1:1).A segunda expressão importante para o estudo do texto é“muito favorecida” (do grego kecharistomene), que em algumastraduções católicas é traduzido por “cheia de graça”. Na ediçãoAlmeida Revista e Atualizada no Brasil emprega-se “muitofavorecida”, enquanto a Revista e Corrigida usa o termo “agraciada”,
como na King James Atualizada (mui agraciada). Mais adiante,aprofundaremos esse tema ao estudarmos a palavra do anjo “poisachas-te graça diante de Deus” (v. 30). Ainda outra expressãoimportante nesta saudação é “bendita és tu entre as mulheres”conforme a oração da Ave-Maria e a tradução Almeida Revista eCorrigida, que traz essa expressão logo no v. 28. Entretanto, nem atradução da Bíblia de Jerusalém, a da Ave Maria, a Almeida Revista eAtualizada ou a King James trazem esse trecho. O texto originalgrego é: kai eiselthon pros auten eipen Chaire kecharitomene hoKyrios meta sou (“Salve, favorecida, o Senhor [está] contigo”). Aexpressão “Bendita és tu entre as mulheres” aparece somente na falade Isabel ao receber Maria em sua casa (v. 42), como veremosadiante. De qualquer forma, Maria foi de fato bendita entre todas asmulheres, escolhida para uma função única em toda a históriahumana, dentre todas as mulheres que já viveram e ainda viverãosobre a terra.Podemos imaginar, pela forma como o anjo a saudou, a alegriadaquele ser angelical. E essa alegria tinha um motivo: o Senhorcumpriria o que há séculos prometera por meio dos profetas,enviando o seu Filho para a salvação de todo aquele que nele viessea crer (Jo 3:16). Que grande alegria para todos os seres angelicais epara toda a criação! Após saudá-la, Gabriel transmitiu a suamensagem: “Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus.Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelonome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo;Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará parasempre sobre a casa de Jacó, e o seu reino não terá fim”. Nãopodemos definir qual terá sido o pensamento de Maria naqueleinstante sobre o reinado do seu filho, se ela compreendeu claramenteque se tratava de um reino celestial ou se imaginava que Jesus viria ase tornar o novo rei de Israel, como pensou Herodes posteriormente.Não podemos deduzir nada além daquilo que a Bíblia nos ensina,mas podemos supor que esse pensamento deve ter passado pela suamente, até que aos poucos ela foi se dando conta de quem JesusCristo realmente era e qual era a natureza do seu Reino eterno.A primeira grande lição que aprendemos com a anunciação donascimento de Jesus à virgem chamada Maria, é que Deus se revela anós para nos transmitir a sua vontade, e sempre fez isso de váriasmaneiras (Hb 1:1). Deus revelou a sua vontade a Maria porintermédio do anjo Gabriel (Lc 1:26-28). Antes disso, o mesmoGabriel já havia aparecido a Zacarias, predizendo o nascimento deJoão Batista (1:5-20). Maria com certeza era uma mulher piedosa,que buscava a Deus em oração para manter um relacionamento comEle e conhecer a sua vontade. Assim como Maria, o mundo estárepleto de pessoas que também anseiam por isso. Desde osprimórdios o ser humano alimenta um desejo, ainda que muitas vezesinconsciente, de obter explicações que satisfaçam aos seus anseiosinteriores, à inquietude da sua alma; explicações que vão além da
sua compreensão humana e limitada. Por isso o homem criou areligião e inventou sua maneira própria de cultuar o “sagrado” (At17:23). Mas esse sagrado, transcendente, que reconhecemos comoDeus, não pode ser conhecido pela mente do ser humano finito.Então, como conhecer a Deus e nos relacionar com Ele? Só existeuma maneira: através da “Revelação”, embora nenhuma revelaçãoseja suficiente para se conhecer Deus, pois Ele é infinito (Jo 17:3; Cl1:27; Ef 3:5; Os 6:3; Jó 42:5; Is 55:8).
DOXOLOGIADo livro: “Pai Nosso: uma oração com a vida”
A oração do Pai Nosso nos ensina sobre qual deve ser o conteúdodas nossas orações, a maneira como Deus deseja que nos dirijamos aEle, mas também retrata o que deve ser o estilo de vida dos filhos doPai que está nos céus. Ela nos mostra que a oração deve estarimpregnada por uma vida totalmente dedicada a Deus, onde asnossas palavras não se perdem no vazio, mas se transformam numaprática de vida íntegra e ao mesmo tempo revela algo que já existe: aregeneração experimentada pela fé em Jesus Cristo, a comunhãoreatada com Deus por sua graça e a santidade produzida eestimulada pelo Espírito Santo e pela Palavra. Quando oramos,relacionamo-nos com Deus. Este relacionamento vai além do diálogoe se legitima através da obediência e do amor: amor a Deus acima detudo e ao próximo como a nós mesmos. Se não amamos aqueles queestão à nossa volta nem nos importamos com eles, não amamostambém a Deus nem nos identificamos com Ele (1 Jo 4:20,21).Precisamos orar de acordo com o que somos em Cristo e viver emconsonância com as nossas orações, quando estas são corretas. Seclamamos pela vontade de Deus e não a obedecemos quando temosoportunidade, de que serviu a nossa oração, além de deixar patente oquanto somos pecadores e carecemos da santidade que vem do Alto?Se pedimos pelo pão nosso, mas negamos socorrer aqueles quecarecem da nossa ajuda, o que esperamos receber de Deus?O Pai Nosso é a oração perfeita, tanto por seu conteúdo quantopor sua forma. Todas as perspectivas que estudamos no iníciorevelam-na como uma proclamação do Reino de Deus entre nós: asua presença e o seu agir. Somos o que somos e fazemos o quefazemos porque a graça de Deus nos foi revelada, dando-nos acessogratuito à presença daquele que invocamos como Pai. Comodiálogocom Deus, o Pai Nosso é também uma atitude de louvor e adoração,onde buscamos aquele que é o Eterno, o Senhor do mundo e danossa vida. Não apenas declaramos quem Ele é – Pai, Santo e Rei –mas também o louvamos, bendizemos o seu Nome, prestamos-lhereverência respeitosa. A doxologia presente no final do Pai Nosso –“Porque teu é o reino, e o poder, e a glória para sempre” – é umlouvor a Deus, como um hino de expressão de adoração à sua glória.Ela não se encontra nos melhores manuscritos do Evangelhosegundo Mateus. Mas, mesmo sendo um acréscimo tardio, essadoxologia traz uma grande verdade a respeito do Pai que está noscéus: Ele é soberano sobre tudo e sobre todos. Tudo pertence a Ele,conforme escreveu Paulo: “Porque dele [Reino] e por ele [o poder], e
para ele, são todas as coisas; glória pois a ele eternamente [a glória].Amém” (Rm 11:36; os colchetes são meus). Essa doxologia torna-se um apelo e um argumento para ocumprimento das nossas petições, conforme ensinou A. W. Pink (op.cit., p. 32). Ao mesmo tempo em que argumentamos com Deus quetudo o que pedimos pode ser atendido porque a Ele pertencem oReino, o poder e a glória eternamente, dizemos a nós mesmos quetudo o que lhe pedimos não será feito conforme a nossa vontade, masde acordo com a vontade daquele a quem pertencem o Reino, opoder e a glória eterna. Essa doxologia também nos dá segurança deque seremos ouvidos, de que as nossas orações serão atendidas notempo e na forma corretos. Não precisamos fazer promessas nemsacrifícios, pois o Deus que tudo pode e a quem tudo pertence tem anossa vida e o nosso destino em suas mãos. O seu poder e a suaglória são suficientes para nos atender e para fazer aquilo que for asua soberana vontade.O Senhor Jesus utiliza a conjunção “pois” (porque, por conta dofato) no final da oração, o que pode ser compreendido que todas assuas petições se tornarão possíveis porque a Ele pertencem o Reino,o poder e a glória para sempre, como vimos. Entretanto, ela estáligada imediatamente a “mas livra-nos do mal”, que indica o poder deDeus para nos livrar de toda forma de mal e das astúcias de Satanás.Aqui está declarado que o pecado já foi derrotado e que o inimigo deDeus e da nossa alma já perdeu. Oramos ao Deus Todo-Poderosocontra dois inimigos já derrotados. Clamamos pelo mal do mundo,para que ele cesse e para que sejamos protegidos e livres da suainfluência, mas tendo a certeza de que o mundo também é uminimigo morto e que já está morto para nós, e nós para ele (Gl2:19,20; 6:14).A doxologia é uma ação de graças. As ações de graças devemestar presentes nas nossas orações. Louvamos a Deus por quem Eleé e por tudo que Ele tem feito e fará (Fp 4:6; Sl 22:3; 67:5,6; Cl 4:2).Vejamos os motivos que nos levam a louvar e engrandecer o Nomedo Senhor através da oração do Pai Nosso e dessa doxologia:
Teu é o Reino. Aqui reconhecemos que somos filhos e servos de umDeus Soberano sobre tudo e sobre todos, porque não existe lugar ousituação em que a sua autoridade esteja ausente. Independente dasnossas falhas ou dos nossos acertos, a sua vontade será concretizadade acordo com os seus planos eternos. Enxergamos nessa declaraçãoo reinado universal de Deus. O seu infinito poder e a sua glóriadevem ir além de nos animar quanto aos pedidos que lhe fizemos,mas tornar ainda mais excelente o nosso relacionamento com Ele. Areverência que demonstramos ao orar reflete-se no nosso caráter,transforma-se em atitudes santas e transborda para os nossosrelacionamentos. Ao passo em que nos sujeitamos a Deus através doreconhecimento da sua Realeza, também nos vemos responsáveis porviver dignamente como seus súditos, extrapolando as palavras,
transformando oração e doxologia em um estilo de vida que agradaao Pai que está nos céus, por sua graça.
Teu é o poder. Nada escapa do poder de Deus nem pode resisti-lo.Ele é poderoso para fazer muito mais do que tudo que lhe pedimosou pensamos, não porque lhe pedimos um Fusca e Ele nos dá umaBMW, mas porque não será a nossa vontade que prevalecerá, pormais altruísta e justa que nos pareça, mas a sua vontadeverdadeiramente boa, perfeita e agradável. Ao orar pelos efésios,Paulo deixa bastante claro que o poder que opera neles não vinhadeles mesmos, mas de Deus, Único capaz de mantê-los firmes na fé ena graça (Ef 3:14-21; cf. Rm 16:25; 2 Co 9:8). Vemos isso nasexpressões: “segundo a riqueza da sua glória”, “mediante o seuEspírito no homem interior”, “estando vós arraigados e alicerçadosem amor”, “conhecer o amor de Cristo... para que sejais tomados detoda plenitude de Deus”, “Ora, àquele que é poderoso para fazerinfinitamente mais do que tudo quanto pedimos e pensamos,conforme o seu poder que opera em nós”. É o poder de Deus queopera em nós, por nós e através de nós. O poder de Deus não estádesvinculado da sua soberania: Ele age de acordo com o seupropósito.
Tua é a glória. Aqui somos lembrados de algo que está presentedesde o início da oração: toda a glória pertence a Deus. Tudo o queEle faz é para o louvor da sua glória. Até mesmo a nossa escolha eeleição, a redenção que experimentamos pela fé em Cristo tem comorazão “o louvor da glória da sua graça” (Ef 1:6). O apóstolo Pauloescreveu aos crentes de Corinto: “Portanto, quer comais, quer bebaisou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1Co 10:31). Jesus é o resplendor da glória de Deus, exaltado eglorificado por Ele (Fp 2:9-11; Hb 1:3). É em seu Nome que oramos,é nele que esperamos, é para a sua glória que vivemos. O SenhorJesus Cristo, em nós, é a nossa esperança de glória (Cl 1:27). Tudoisso nos anima e nos motiva a viver de maneira santa e justa,louvando a Deus por quem Ele é e por tudo que Ele faz. A glória nãoestá em nós nem em qualquer mediador em quem podemos nos fiarpara ter as nossas orações respondidas, mas somente em Deus epara Ele. Isso também nos chama a atenção para o conteúdo dasnossas orações: Deus jamais nos dará algo que lhe pedimos se issonão lhe render glória. Por isso oramos: “Faça-se a tua vontade, assimna terra como no céu”.
Para sempre. O Reino eterno de Deus se contrasta com o reinopassageiro deste mundo, no qual vivemos e lutamos. Ele é deeternidade em eternidade (Sl 90:2). Cristo Jesus, no Nome de quemoramos, o nosso único Mediador, é o mesmo ontem, hoje e sempre(Hb 13:8). Estamos seguros quanto às nossas petições, porque oEterno as acolheu e nos dará a resposta que precisamos. Estamos
firmes na sua graça que nos dá o pão, o perdão, o livramento dastentações e a proteção contra o mal. O seu poder não muda, nãodiminuiu nem se altera. Além de segurança, essa certeza nos revelamais uma vez que é a sua vontade, não a nossa, que será feita. Asnossas orações, por mais fervorosas que sejam, não alteram avontade decretada de Deus, não reduzem a esfera do seu reinado.Não podemos excluir Deus de parte alguma da nossa existência.Também somos lembrados do seu caráter imutável, que jamais seadequará aos nossos esquemas, jamais se curvará aos nossos planos.Não adianta pedir nada a Deus que vá de encontro a sua Santidade.Orações que contêm declarações do tipo “eu exijo”, “eu determino” e“eu declaro” são diabólicas, presunçosas e carnais.
Amém. O Pai Nosso termina com um fervoroso “amém”. No grego,essa palavra é uma partícula asseverativa, que significaverdadeiramente, em verdade, com certeza somente em palavras deJesus (Mt 5:18; Mc 3:28; Jo 1:51). Como fórmula litúrgica, “amém”significa assim seja ou que assim seja (1 Co 14:16; 2 Co 1:20; Gl6:18; 1 Pe 4:11. Em Apocalipse 3:14, “amém” aparece como título deJesus, que é a “testemunha fiel e verdadeira” e “o princípio dacriação de Deus”. Manifestamos aqui uma expectativa pela respostadas nossas orações, firmados naquele que tem a palavra final, porqueEle é o Criador e Fim de todas as coisas. O nosso amém percorretoda a oração,porque em toda ela desejamos que Deus seja o nossoAmém, que Ele cumpra tudo segundo seu propósito eterno. Podemosdescansar na certeza de que o nosso Deus reina e que o seu reinadonão terá fim (Lc 1:33).
O DEUS QUE NÃO CONHECEMOSDo livro: “O Deus desconhecido”
Hoje, podemos questionar a fé de muitas pessoas, como questionávelera a fé dos atenienses, porque se baseava em deuses mortos,incapazes de manter qualquer tipo de relação com eles. A idolatria éum testemunho contra os homens, contra a raça humana depravadadesde a Queda1, por diversos motivos. Primeiro, a idolatria revelaque existe uma busca natural do ser humano pelo sagrado, pelodivino, algo que lhe foi implantado por Deus desde o momento emque criou o homem à sua imagem e semelhança (Gn 1:26,27). Deusnos criou para se relacionar conosco e para manifestar em nós eatravés de nós a sua glória. Embora caído e condenado a vagar semuma relação íntima e direta com Deus, o homem segue nessa busca,mas o faz de maneira errada, cega, ofuscada pelo seu pecado.Segundo, a idolatria revela as consequências da Queda, como ohomem insiste em virar as suas costas para Deus. A prova é amaneira como ele se volta para os seus ídolos, como prefere crer emimagens de esculturas e entidades do que se entregar ao Deusverdadeiro. Terceiro, a idolatria serve de comprovação contra essarebeldia, porque Deus jamais deixa de se revelar, de manifestar a suaexistência por meio da própria natureza que Ele criou (Rm 1:18-27),da sua Palavra e do seu Filho (Hb 1:1-4). Quarto, a idolatria e aincapacidade do pecador em buscar a Deus revela que somente Deusé quem tem o poder de fazer com que o pecador o busque, quando oatrai para si e o convence do seu pecado, regenerando-o pela fé emCristo para uma nova vida longe dos seus ídolos.Todavia, essa fé questionável inclui muitos que se declaramcristãos e frequentam alguma igreja, quando vemos que elesdeclaram sua fé em Deus, afirmam ter Jesus na sua vida, mas o seucoração é um “altar ao Deus desconhecido”. O que isto significa? Emprimeiro lugar, significa que alguns têm Deus como a divindade dareligião cristã, a quem dirigem suas orações, cantam hinos e prestamculto. Todavia, não o conhecem de fato, não foram convertidos peloEspírito Santo, não amam a sua Palavra nem o obedecem. Fingemcultuar um Deus com o qual não se relacionam, do qual não sãofilhos nem servos. No fundo, o seu coração é um altar ao Deusdesconhecido. Entre eles estão muitos falsos mestres e falsosprofetas que se infiltram nas igrejas. Conforme escreve Paulo aofalar a respeito dos falsos mestres das igrejas em Creta: “No tocantea Deus, professam conhecê-lo; entretanto, o negam por suas obras; é
1 No livro “A Queda e suas consequências” analiso as desastrosas consequências da
Queda para a natureza humana, tendo como base o pensamento agostiniano da
“depravação total”, buscando compreender os seus reflexos na nossa vida pessoal e
interpessoal, na natureza e no mundo.
por isso que são abomináveis, desobedientes e reprovados para todaboa obra” (Tt 1:16). Toda forma de idolatria é um pecado abominávela Deus, mas afirmar que crê em Deus e viver de modo totalmentecontrário ao seu caráter Santo é igualmente abominável. Se aidolatria produz toda sorte de pecados, a desobediência a Deusproduz pecados ainda piores. Não porque exista distinção entrepecados, mas porque o idólatra é um desobediente confesso; já ofalso crente, é um desobediente dissimulado. A sua mentira é bemmaior e mais reprovável.Em segundo lugar estão aqueles que se declaram cristãos e osão de fato, mas que possuem no altar do seu coração deusesdesconhecidos, que não são o verdadeiro Deus, mas são ídolos que,na prática, tornam-se deuses. Esta era a situação do povo de Israelno tempo do profeta Ezequiel, ao ponto de Deus se negar a escutarseu povo (Ez 14:3). Outro retrato da condição espiritual do povo deDeus está no livro do profeta Isaías (29:13) e é igualmentedirecionado aos fariseus da época de Jesus: “Este povo honra-mecom os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mt 15:8). Umcoração longe de Deus está perto do pecado, troca a adoraçãosincera pela religiosidade vã, busca as riquezas terrenas, serve aoseu próprio ego, prima por satisfazer as vontades da sua carne emdetrimento do frutificar no Espírito. Um rápido olhar para aspregações e os louvores em muitas igrejas atuais, acima de tudoaqueles movimentos que surgem da noite para o dia em umagaragem e que, geralmente, estão ligados ao neopentecostalismo,revelará que o deus ali cultuado se chama “ego”. Jesus não é Senhor,mas apenas a senha de um cartão de crédito celestial com muitasbênçãos creditadas na conta dos crentes. Basta apenas sacar pela fée pelo dízimo.Em terceiro lugar, o altar ao Deus desconhecido é erguido namente daqueles que creem que podem conceber a Deus de formaempírica e por meio de experiências sensitivas e emocionalistas. Elesconhecem o Deus da experiência, mas não o Deus que se revela nasEscrituras, não leem nem estudam as Escrituras que revelam esteDeus. Assim, criam a sua própria versão de Deus e sua própriaespiritualidade. Entretanto, a experiência com Deus se inicia noescutar da sua Palavra, quando o Evangelho da sua graça nos épregado e podemos crer para a salvação: “em quem também vós,depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossasalvação, tendo nele também crido, fostes selados com o EspíritoSanto da promessa” (Ef 1:13). Afinal, “a fé vem pela pregação, e apregação, pela palavra de Cristo” (Rm 10:17). Sem ler e estudar aBíblia, Deus será sempre desconhecido ou conhecido de maneiracompletamente distorcida. Quem já é conhecido de Deus e por isso ésalvo, deve conhecê-lo e prosseguir nesse conhecimento fecundo eabundante (Os 6:3).Em quarto lugar, podemos destacar aqueles que seguem alinha dos atenienses: alguns escarnecem da doutrina do Evangelho,
enquanto outros, mostram-se indiferentes a ele, como também vivemindiferentes à existência de Deus, mesmo que professem crer nele.Am Atenas, a pregação de Paulo não despertou a mesma oposiçãoque ele experimentara em Tessalônica e que o acompanhou atéBereia (17:1-15). Nessas duas cidades, diante da pregação daressurreição, houve diversas conversões. Em Tessalônica, gregospiedosos (ou homens prosélitos) e muitas mulheres distintas forampersuadidos (v. 4). Em Bereia, muitos também creram apósconsultarem as Escrituras para conferir se o discurso de Pauloestava de acordo com aquilo que elas revelavam (17:10-12). Tudoisso suscitou a inveja dos judeus, que passaram a atentar contra aIgreja do Senhor, prendendo a Jason (vs. 5-9), em Tessalônica eexcitando o povo contra Paulo, em Bereia (v. 13).Em Atenas, embora Paulo tenha encontrado o descréditoquanto à sua pregação, parecia que o Evangelho era apenas maisuma das novidades que para lá eram trazidas, uma nova filosofia, oque foi motivo de tristeza para o apóstolo, que logo se retiroudaquele local (v. 33). Embora tenha ocorrido duas conversões (v. 34),o que nos chama a atenção nesse episódio é a frieza com que osatenienses, homens letrados e inteligentes, receberam o Evangelho.É assim para a maioria das pessoas que escutam a Palavra de Deus:não lhe dão ouvidos, não se permitem ser transformados por ela, nãoa consideram como importante para suas vidas. Em se tratando depessoas ímpias, é de se esperar esse tipo de comportamento, porquesomente quando iluminados por Deus os pecadores podem atenderao chamado do Evangelho e compreender como suas verdades sãodecisivas para a sua vida, como comprometem a eternidade da suaalma. Os atenienses não julgaram segundo o Espírito, mas conformea sua filosofia e, nela, a ressurreição do corpo não tinha espaço, nadapoderia fazercontra as suas próprias crenças. Quem era Jesus?Quem era Jeová? Para os judeus, no entanto, a pregação doEvangelho era uma afronta àquilo em que acreditavam, pois lidavadiretamente com as suas crenças e tinha como alicerce o seu livroSagrado.Já que não creem em Deus para a salvação, os ímpios não seimportam com as doutrinas bíblicas, a não ser quando elas ameaçamo seu estilo de vida, como acontece atualmente com os adeptos daideologia de gênero. Mas quando falamos de cristãos professos, deindivíduos declaradamente “crentes”, que leem a Bíblia e frequentamuma igreja, espanta-nos que muitos vivem em total indiferença àquiloque ela revela. Entra domingo e sai domingo e suas vidas nãoapresentam nenhum crescimento, não parecem impactadas edesafiadas pela verdade. Essa apatia espiritual se revela nãosomente na falta de crescimento, mas na continuidade em praticarpecados que deveriam ter sido abandonados. Será que esses crentesconhecem mesmo a Deus ou Deus permanece como “o Deusdesconhecido” dentro do seu coração? Em sua carta, Tiago nosconvoca a um estilo de vida diferente, onde nos despojamos dos
nossos pecados para acolher “com mansidão, a palavra em vósimplantada, a qual é poderosa para salvar a vossa alma” (Tg 1:21). APalavra que já habita em nós deve se tornar operante: “Tornai-vos,pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vosa vós mesmos. Porque, se alguém é ouvinte da palavra e nãopraticante, assemelha-se ao homem que contempla, num espelho, oseu rosto natural; pois a si mesmo se contempla, e se retira, e paralogo se esquece de como era a sua aparência. Mas aquele queconsidera, atentamente, na lei perfeita, lei da liberdade, e nelapersevera, não sendo ouvinte negligente, mas operoso praticante,esse será bem-aventurado no que realizar” (vs. 22-25).
GLORIOSO Do livro: “A ovelha peregrina”
É interessante notarmos o final do v. 3 do Salmo 23: “por amor doseu nome”. Todas as ações de Deus com relação à humanidade,desde a criação até o juízo final, têm como finalidade única aglorificação do seu Santo Nome. É por amor do Seu próprio Nomeque o Pastor protege, cuida, livra e salva a sua ovelha. É para a suaprópria glória que Ele a busca e a faz caminhar pelas veredas dajustiça, que se reconcilia com ela e a conduz em segurança eterna.Dois textos bíblicos exemplificam isto. O primeiro está no livro doprofeta Ezequiel e trata sobre a restauração do povo de Israel queestava no cativeiro. Apesar de ser o povo escolhido de Deus, osisraelitas faziam o que era mau diante dos seus olhos, praticando aidolatria própria dos povos pagãos. Tal pecado não só ofendia aDeus, como também levava esses povos a escarnecerem do povoescolhido e do próprio Deus, afirmando: “São estes o povo doSenhor, porém tiveram de sair da terra dele” (36:16-20). Arestauração do povo era necessária não somente para devolver-lhes àsua terra e a prática devida a um povo santo e escolhido, mas, acimade tudo, para que o Nome de Deus parasse de ser blasfemado entreas nações da terra. Assim disse o Senhor: “Mas tive compaixão domeu santo nome, que a casa da Israel profanou entre as nações ondefoi” (v. 21).Quando imaginamos o pastor guiando a sua ovelha pelasveredas da justiça, devemos imaginar o Senhor guiando o seu povopelo cativeiro, curando-o dos seus pecados e reconduzindo-o aoestado santo pretendido por Ele quando chamou Abraão. Arestauração do povo vai além desse cuidado amoroso, mas dizrespeito ao próprio Deus. Ele afirma: “Não é por amor de vós quefaço isto, ó casa de Israel, mas pelo meu santo nome, queprofanastes entre as nações para onde fostes. Vindicarei a santidadedo meu grande nome, que foi profanado entre as nações, o qualprofanastes no meio delas; as nações saberão que eu sou o SenhorDeus, quando eu vindicar a minha santidade perante elas” (vs.22,23). A restauração de Israel era uma reparação ao Nome de Deusprofanado pelo seu próprio povo e ao mesmo tempo o juízo contraessas nações que zombaram do povo e de Deus.O segundo texto é Efésios 1:3-14, onde Paulo, inspirado peloEspírito Santo, fala a respeito da escolha soberana de Deus para quefôssemos santos, predestinados para a adoção de filhos, tendo aremissão dos nossos pecados e feitos sua herança. Nesse texto, alémde ficar patente a soberania de Deus em escolher os seus segundo obeneplácito da sua vontade (v. 5), também ficam claros a razão e ofim dessa escolha: para o louvor da sua glória (v. 6,12,14). A nossacomunhão com Deus é restaurada por amor ao próprio Deus. Quando
Adão e Eva pecaram, o Nome de Deus também foi profanado. Areparação efetuada na cruz por Cristo, além de ser fruto do amordescrito em João 3:16, tem um propósito muito maior de glorificar oNome do Senhor.Se Deus glorifica a si mesmo ao nos imputar graciosamente ajustiça que nos salva, o nosso objetivo como ovelhas do seu pasto éem tudo glorificar o seu Nome. Até mesmo os nossos pedidos emoração possuem uma razão de serem atendidos: a fim de que o Paiseja glorificado no Filho (Jo 14:14,14). O novo homem tem um novopropósito de vida: o de ser ministro da graça de Deus, testemunha doEvangelho da salvação (At 1:8; 26:16), o que Paulo chama de“sagrado encargo” (Rm 15:16). Em qualquer área da nossa vidasomos seres espirituais e temos a missão de glorificar a Deus atravésdo nosso viver santo, do nosso testemunho e da pregação doEvangelho (Sl 111:9; Mt 6:9; Lv 19:2; 1 Pe 1:14-16). Não importa asituação, o nosso alvo deve ser sempre fazer a vontade de Deus.O cristão vive na perspectiva de que Cristo ressuscitou e porisso há esperança eterna e compromisso de vida com a sua Palavra.A filosofia mundana diz: “Comamos e bebamos que amanhãmorreremos” (1 Co 15:32). Isto é: aproveite ao máximo para ser felizagora, não importam os meios, porque você não sabe se amanhãainda estará vivo. A filosofia cristã e bíblica diz: “Quer comais, querbebais, ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória deDeus” (1 Co 10:31). A nossa busca pelo certo e pelo errado estásempre balizada por aquilo que traz glória a Deus. O que pensamos ecremos acerca de Deus influencia os nossos valores. Aquilo que élícito nem sempre convém ou edifica (1 Co 6:12). Em todas as nossasações temos uma resposta a dar a Deus. E essa resposta éconsequência da seguinte pergunta: “No meu lugar, o que Jesusfaria?”. Jesus vivia de acordo com a ética do Pai, para cumprir a suavontade (Jo 6:38). Os seus valores estavam arraigados ao conteúdodo seu Evangelho, que é muito mais que um conjunto de preceitos,mas um sistema baseado na prática de uma vida santa e servidora. Aovelha conhece o seu Senhor e espelha-se nele para que todas assuas ações sejam santas e redundem em glórias a Ele. Aqueles queestão de fora observam o seu santo procedimento, a sua novanatureza e dessa forma glorificam ao Pai que está nos céus (Mt5:16).Outro aspecto a ser observado neste versículo é a situação dafé cristã atual e a forma como usam o Nome de Deus apenas comouma chave para a sua vitória financeira. O objetivo desta fé não éque Deus seja glorificado, mas que Ele cumpra aquilo que prometeuna sua Palavra e dê aos seus filhos as bênçãos que eles própriosdeterminarem. Pode-se imaginar a ovelha virando-se para o seupastor e exigindo que tipo de pasto e de água deverão ser servidosnaquele dia. Em vez de viver sob a autoridade do pastor, ela mantémo pastor debaixo das suas rédeas, conduzindo sua vara e seu cajado aseu bel-prazer. Nesse tipo de fé muito cantado nas músicas
evangélicas atuais e pregado de forma triunfalista nas igrejasneopentecostais, não é a Deus que é dada a glória, mas ao crente eaos seus problemas, sonhos, desejos e projetos. A ovelha não vive emfunção do pastor, mas o pastor viveem função da ovelha; ele não aconduz, mas é conduzido por ela; ele já não é mais senhor dorebanho, mas está submisso a ele. Está claro que essas ovelhas nãosão parte do rebanho do Senhor, mas seguem e servem aosmercenários (Jo 10:9-13), aos lobos vorazes espalhados pelo mundo(At 20:29), aos falsos profetas (2 Pe 2:1), aos escarnecedores (Jd 18),aos falsos mestres (2 Pe 2:1) e a si próprias (2 Tm 4:3,4).
O CRESCIMENTO DO OBREIRODo livro: “Manual do obreiro aprovado”
A salvação é algo que todo crente precisa e deve desenvolver (Fp2:12). Deus não nos dá a perfeição e a santidade em sua totalidadelogo após a conversão, mas leva o crente a batalhar dia após dia paraalcançar o nível de perfeição por Ele desejado, mantendo totaldependência dele. Isto significa crescimento, desenvolvimentoespiritual, amadurecimento ou qualquer outro nome que se queiradar. Deus salva o pecador e deseja que ele cresça como Jesus: emestatura e sabedoria (Lc 2:52; Ef 4:13). O seu objetivo é oaperfeiçoamento dos seus santos (Rm 12:2) com o fim de torná-loscomo Ele é (Lv 20:7; 1 Pe 1:16).Existem muitas pessoas que iniciam sua vida no cristianismocom muito ânimo e vontade de crescer, o que comumente se chamade primeiro amor. Elas falam em dons e ministérios, estão semprelendo a Bíblia, participando de todos os cultos e da escola bíblicadominical. Mas parece que chega um ponto em que muitas achamque já conquistaram tudo, já foram batizadas com o Espírito Santo, járeceberam a unção, leram a Bíblia toda, participam de um ministérioe simplesmente estacionam. Outros nem tentam chegar um poucomais além do levantar da mão no dia da conversão e se enfiam emum cristianismo medíocre, protegendo-se do mundo pregados nosbancos da igreja. Esta não é uma verdade aplicada aos membroscomuns da Igreja, mas, acima de tudo, aos seus ministros, indivíduosordenados que creem não precisar mais desenvolver a sua fé, crescerespiritualmente; que já alcançaram um nível de conhecimento epráticas que lhes dispensam a necessidade de mais aprendizado,crescimento e desenvolvimento.Examinando as Escrituras, todo cristão poderá perceber quenão existe completude no que diz respeito à espiritualidade. Emboraos crentes possuam Aquele que é perfeito habitando dentro de si – oEspírito Santo – a sua natureza pecaminosa não os permite alcançar,neste mundo, a totalidade da perfeição que Deus deseja.Diferentemente dos animais e das coisas, os seres humanos possuema consciência de que são seres inacabados, que ainda têm muito queevoluir e aprender. O processo de maturidade do ser humano é algoque começa e jamais termina, vivendo sempre para crescer por meiode aprendizados e experiências, construindo o seu caráter, seuconhecimento, sua realidade, sua história. O único ser completo éDeus: Ele não precisa conhecer mais nada ou aprender, pois seuconhecimento de tudo é perfeito, porque Ele é onisciente.A compreensão desta realidade pode tornar a ministraçãocristã viva e eficaz. Quando o obreiro acha que já sabe tudo, aprópria natureza e a evolução constante da sociedade,principalmente tecnológica, se encarregam de nos mostrar que ele
não sabe nada (Gl 6:3). O obreiro aprovado compreende que somenteDeus é o Eu Sou e que ele é apenas o “estou sendo”. O obreiroaprovado tem sempre em mente o aprendizado constante, a suaevolução como ser humano e cristão, como ministro de Cristo. Opróprio ministério não deve estacionar, chegar a um patamarconsiderado perfeito, porque, mesmo que ele alcance sua excelência,as constantes mudanças da sociedade sempre exigirão novosdesafios, novos caminhos. Para este crescimento, existem barreirasque precisam ser quebradas, dentro e fora de cada um, dentro e forado ministério. Pedro negou a Cristo por três vezes antes que o galocantasse, mas depois que quebrou a barreira do medo pelo poder doEspírito Santo, pôde pregar com grande poder e autoridade. Zaqueutambém encontrava limites para seu crescimento nas riquezas quepossuía, mas após um encontro pessoal com Cristo, esses limitesforam quebrados.
OLHOSDo livro: “Corpo e espiritualidade”
Todas as outras partes do nosso corpo a serem estudadas sãoguiadas pelas duas primeiras: mente e coração. Assim são os olhos.Um cego não é menos pecador que alguém que enxerganormalmente, porque, mesmo sem enxergar, ele pode terpensamentos libidinosos e sentimentos destrutivos. Mas os olhos sãoas janelas da nossa alma, por onde entra e sai quem somos. Elespodem estar cheios de toda espécie de cobiças (1 Jo 2:16). Umexemplo de como olhos e coração estão interligados está em Mateus5:27,28, onde o Senhor diz: "Ouvistes o que foi dito: Não adulterarás.Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher comintenção impura, no coração, já adulterou com ela". A questão é tãoséria que o Senhor diz que é melhor arrancar fora o olho pecador (v.30). Perceba que a cobiça nasce no coração e guia depois os olhos.Se os olhos seguem a cobiça do coração, o que precisamos realmentefazer: amputar os olhos ou resolver o problema do pecado que osinfluencia? Basta o coração desejar aquilo que é errado para que osolhos o busquem. O pecado não acontece quando os olhos buscam,mas antes disso, quando o coração deseja.O Senhor Jesus também ensinou: "São os olhos a lâmpada docorpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso;se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará emtrevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandestrevas serão!" (Mt 6:22,23). Existe aí uma inconstância, ou seja: osnossos olhos podem nos guiar para o bem ou para o mal. Os olhossão utilizados como metáforas para a nossa consciência moral. Elesapontam para o que desejamos de acordo com nossas crenças,valores e inclinações. Se essa consciência pende para o que é errado,a integridade do nosso corpo estará comprometida, surgindo vícios,paixões nocivas, adultério, cobiça, ganância, promiscuidade eapostasia. Como, então, glorificar a Deus nos nossos olhos?Arrancando-os literalmente? Provavelmente não, uma vez que nãoprecisamos enxergar algo para cobiçá-lo. O problema é interno.O que precisamos é de um referencial seguro que mantenha aintegridade do nosso juízo moral, de modo que avaliemos todas ascoisas biblicamente e saibamos fazer escolhas certas e santas, deacordo com o padrão moral divino. Em primeiro lugar, é importantedesviar os olhos do que é inútil (Sl 119:37), que não edifica. Comofazer isso? Mantendo os olhos fixos em Cristo: seu senhorio, suavontade, sua santidade, sua justiça, seu exemplo, seu reino e seuamor (Hb 12:2; Sl 123:2; 25:15; Pv 4:25). Além disso, Deus églorificado nos nossos olhos quando estes têm em vista a esperançaeterna no céu (2 Co 4:18; Ef 1:18). Anelar pela glória celestialmantém nosso foco em Jesus, o que traz luz para a nossa alma e
santifica os nossos olhos. Se o céu não é o nosso alvo, os nossos olhosjamais buscarão o que agrada a Deus, mas viverão em busca deriquezas e prazeres. Para ter olhos santos, precisamos usar a lenteda graça de Deus em tudo que enxergarmos.Como acontece com todas as partes do nosso corpo naglorificação de Deus, existem ações positivas e negativas queprecisamos observar com relação aos olhos. As negativas são todasas coisas para as quais direcionamos o nosso olhar e querepresentam pecado. Por sua vez, as positivas dizem respeito a tudoo que precisamos enxergar para render glórias a Deus. Por exemplo,quando fechamos os nossos olhos para irmãos da igreja que estãopadecendo algum tipo de necessidade, significa que o nosso coraçãoestá fechado para o amor, por isso não consegue compadecer-sedaqueles que sofrem. Um exemplo disso está em 1 João 3:17,18,onde o apóstolo diz: “Ora, aquele que possuir recursos deste mundo,e vir a seu irmão padecer necessidade,e fechar-lhe o seu coração,como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemosde palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade”. Veja como osolhos revelam a disposição interior de alguém com base nas suasatitudes ou a falta delas. Os olhos veem o irmão necessitado,percebem a sua carência, sabem que possuem plenas condições deajudar, mas não o fazem. O amor permanece nos discursos, mas nãose legitima no cuidado com os desvalidos.Para manter os nossos olhos sãos e santos, devemos enxergartodas as coisas dentro de uma perspectiva divina e bíblica de mundo,a nossa cosmovisão. A cosmovisão é a nossa maneira de enxergar omundo, a ideia que fazemos de tudo e de todos com base nas nossaspróprias crenças. Essa maneira de enxergar o mundo é que definiráa forma como nos relacionaremos com ele, como empregaremos osnossos esforços, as nossas preocupações, as nossas orações; comodirecionaremos o nosso amor, as nossas obras, a nossa fé. Seenxergamos o mundo como um navio lotado de almas perdidas que jáestão condenadas ao inferno, isso afetará o nosso evangelismo. Senos enxergamos como crentes capacitados por Deus para a sua obra,isso nos levará a um engajamento sério nessa obra. Aquilo que éobjeto do nosso desejo ou alvo do nosso ódio parte da nossacosmovisão, construída ao longo da nossa vida até aqui por meio daeducação, das experiências, da conversão, da nossa comunhão comDeus e do conhecimento da sua Palavra. Como uma cosmovisãomundana ou carnal direcionará o nosso olhar e, consequentemente,as nossas atitudes? Como uma visão espiritual e bíblica nos levará aenxergar a vida e vivê-la? Uma cosmovisão de pecado pertence aomundo e é uma base movediça para firmarmos o nosso caráter (1 Jo2:16).A maneira como enxergamos a nós mesmos, as pessoas, a vida,o mundo e Deus irá influenciar as nossas escolhas e decisões.Quando temos a chance de fazer o mal ou o bem, quando nos vemosem situações difíceis que pedem nos cobram um rápido
posicionamento ou mesmo situações que nos convidam a pecar, nãoseremos vítimas das circunstâncias nas atitudes que tomaremos, masda nossa cosmovisão, que revela nada mais que o nosso “homeminterior”. Se os nossos olhos estão iluminados pela Palavra de Deus,se eles são direcionados pelo Espírito Santo, o nosso comportamentoresponderá a uma cosmovisão santa, bíblica. Portanto, glorificamos aDeus nos nossos olhos quando percebemos o mundo a partir daperspectiva de Cristo. Tendo em mente que essa perspectiva éformada a partir da experiência da conversão, da sã doutrina e doamor, vejamos o que o apóstolo João escreveu: “Aquele que diz: Eu oconheço e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele nãoestá a verdade. Aquele, entretanto, que guarda a sua palavra, nele,verdadeiramente, tem sido aperfeiçoado o amor de Deus. Nissosabemos que estamos nele: aquele que diz que permanece nele, essedeve também andar assim como ele andou” (1 Jo 2:4-6). Para responder à pergunta “Como glorificar a Deus através dosnossos olhos”, basta a afirmação: “Andar como Jesus andou”. Esseandar como Cristo nos levará a enxergar com os seus olhos amorosose misericordiosos, olhos que foram humildes e obedientes, olhos quese sacrificaram por amor ao pecador, olhos que choravam diante dasmisérias humanas. E esse olhar cristológico e cristocêntrico noslevará a comportamentos e atitudes que glorificam a Deus. Comoenxergar com os olhos de Cristo o nosso cônjuge, os nossos pais, osnossos filhos, os nossos amigos, os nossos familiares, os nossoscolegas de trabalho, os criminosos, os políticos, os perdidos domundo, a obra do Senhor, o irmão da igreja, os vizinhos? Como é anossa visão hoje e como ela passará a ser através de uma cosmovisãocristã? Com certeza haverá uma migração dos frutos da carne para ofruto do Espírito listados em Gálatas 5:19-23. Enquanto a nossacarne clama por vingança, os olhos de Cristo nos convidam aperdoar. Enquanto a nossa carne acredita que o nosso compromissocom o Evangelho é ir aos cultos todos os domingos, o olhar de Cristonos chama a um envolvimento efetivo na sua obra. Enquantoescolhemos quem vamos ou não amar, o Senhor nos chama a amarao próximo como a nós mesmos e a orar pelos nossos inimigos. Esteé o olhar que agrada a Deus e que o glorifica.
A IMPOSSIBILIDADE DO EQUILÍBRIODo livro: “Integridade cristã”
A palavra “equilíbrio” é um substantivo masculino que expressaharmonia, estabilidade e solidez. Relacionado às leis da física, oequilíbrio se mostra como o estado do sistema cujas forças que sobreele agem se contrabalançam e se anulam de maneira mútua. Umcorpo que se encontra estável é desprovido de oscilação ou desvio.Ele é, também, uma força que age de maneira igual entre duas oumais coisas (ou pessoas). No meio financeiro existe equilíbrio entreos lucros e os gastos. Em sentido figurado, o equilíbrio pode ser apropriedade ou estado daquilo que permanece estável (constante);também está relacionado ao equilíbrio de oportunidades de trabalho.Não somente os corpos e os sistemas possuem equilíbrio, mastambém as pessoas: comedimento emocional, estado mental estável eautocontrolado. Todavia, aos dicionários não compete explicar comose dá esse equilíbrio, que forças são necessárias para que algo oualguém encontre a sua harmonia, estabilidade e solidez. O queprecisa ser acrescentado? O que precisa ser tirado? É possívelmanter-se todos os elementos igualmente equilibrados para que hajaessa harmonia? Quem ou o que decidirá isso? Diferentemente dos objetos sólidos inanimados, os sereshumanos agem sobre o seu meio, não apenas sofrem a ação dele.Eles reagem às tentativas de manter-se ou tirar-se o seu equilíbrio.Embora o seu corpo possa estar estável, não se pode afirmar omesmo da sua mente e do seu coração. Definir um indivíduomentalmente equilibrado pode significar afirmar que a sua loucura ea sua lucidez estão sob controle e que ele é capaz de manter-se firmecom ambas as forças atuando dentro de si, muitas vezes sob o efeitode medicamentos. Novamente a pergunta: quem decidirá o ponto deequilíbrio? O que para uns pode parecer loucura ou extremismo,para outros pode significar seu modo natural de agir, muitas vezesrespaldado pela sua própria cultura, suas crenças e seus valores.No campo do conhecimento humano, quando falamos embuscar um equilíbrio a respeito de determinado assunto, estamos nosreferindo a encontrar um ponto que não se situe em nenhumextremo. Pensemos em um tema qualquer como sendo uma balança:o equilíbrio só pode ser mantido quando os dois lados da balançaestão no mesmo nível; isto é, não existe uma tendência de se pesarum lado em detrimento de outro. O que se busca é equilibrar ospontos de vista e as práticas a respeito desse tema sem que nada seperca no processo, mas que tudo seja validado para ambos os lados eassim se mantenha o equilíbrio. Tomando como exemplo o amor,pode-se afirmar que ele não deve ser ofertado de maneira exagerada
nem em porções mínimas, mas de forma equilibrada. Contudo, nãohá quem possa nos dar a certeza onde se encontra esse ponto deequilíbrio. O que é amar demais? O que é amar de menos? Quandopodemos saber se exageramos ou se nos doamos insuficientemente?Qual será o fiel da balança? O mesmo pode-se dizer do ódio. Nãoexiste ódio com uma pitada de amor ou vice-versa. Os dois nãocomungam, não compactuam, não se completam. O ódio é a ausênciado amor, como a mentira é a ausência da verdade e o mal é aausência do bem.Mas será mesmo que existe algum equilíbrio ou, pelo menosque, em tudo este equilíbrio deve ser buscado? Pode ser que a nossabusca por equilibrar alguns conhecimentos e práticas esteja ligada àfilosofia reinante no mundo pós-moderno de que não existe umaverdade absoluta ou um conceito final a respeito de qualquer coisa,mas tudo é relativo e isento de uma concepçãototalmente acabada.Aquilo que é verdade para alguns, pode não ser para outros; aquiloque para uns é certo, para outros pode ser errado; e o que éconsiderado como bem aqui, mais adiante pode se revelar um grandemal. De acordo com MacArthur (2014, p. 39)2, “o pós-modernismo émarcado por uma tendência de repudiar a possibilidade de qualquerconhecimento seguro e sólido acerca da verdade” (itálicos do autor).Logo, se a verdade objetiva existe, ela jamais poderá ser conhecidaverdadeiramente, porque a objetividade é uma ilusão. Aquele quepretende proclamar um conhecimento suficiente a respeito dealguma verdade é reputado como arrogante e ingênuo. A verdade decada um é que irá decidir, e esse é um direito que não pode sersuprimido. Isto envolve a moralidade. Não existe uma ética, masdiversas éticas que variam de acordo com os valores e as crençasrelativistas de cada pessoa. Mentir, matar, adulterar, furtar, ludibriarou corromper são conceitos subjetivos que irão se adequar àscircunstâncias sem jamais se configurarem como bons ou maushábitos. Como não existe um padrão, todo padrão será aceito.O que se está afirmando, na verdade, é que podemos ficar comos dois lados da balança, sem desprezar nenhum. Isto é, podemossuportar opiniões contrárias às nossas para que mantenhamos oequilíbrio e não pendamos para nenhum dos lados, sob o risco desermos taxados de “extremistas”, de modo que todos saiamganhando. Ou ainda pior: um conhecimento ou prática podecomportar diversas verdades e ainda assim se manter íntegro, semque em algum momento essas verdades se choquem, ainda quecontrárias umas às outras. Logo, na justiça poderá haver um grau deinjustiça, na verdade poderá haver um pouco de mentira, alegalidade poderá conter certa ilegalidade. O equilíbrio entre ideias eforças não comporta a verdade bíblica, onde, por exemplo, o bem e omal são excludentes, assim como o certo exclui o errado e a verdadeexclui a mentira. Do ponto de vista de Deus, não apenas existe averdade absoluta, como ela é eterna e imutável. E esta verdade é Ele
2 MACARTHUR, John. A guerra pela verdade. São Paulo: Fiel, 2008
mesmo, como afirmou o Senhor Jesus: “Eu sou o caminho, a verdadee a vida” (Jo 14:6). Ou como João declarou a respeito de Cristo: “E oVerbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade,e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo 1:14).Cristo está “cheio” de graça e de verdade, completo. Ele nãocompactua com a mentira nem pode conter parte dela. Se Ele é ocaminho, não existe uma rota alternativa; se Ele é a verdade,qualquer “verdade” que divirja dele deve ser considerada enganosa;e se Ele é a vida, qualquer experiência fora dele significa a morte.Aquele que crê em Jesus e diz segui-lo, não pode presumir ter a vidase também não tiver a verdade. É impossível ter apenas uma partede Jesus.
SUPERVALORIZAÇÃO DA EXPERIÊNCIADo livro: “Espiritualidade líquida”
Mesmo com a Bíblia em mãos, a Igreja parece ter perdido a suareferência. O mundo cristão como o conhecíamos já não existe mais.O mundanismo tem tomado conta da Igreja mais do que esta teminfluenciado o mundo com o Evangelho de Cristo. O estudosistemático da Palavra de Deus que poderia colocar a cristandade nocaminho certo, tem sido trocado pelo subjetivismo dependenteunicamente do sujeito: a experiência pela experiência. Karnal diz quese o cristão não fotografou, não viveu. A imagem é a experiência,tudo é apenas registrado, e não vivido. A realidade da Igreja é: senão possuímos uma experiência sobrenatural com Deus (baseada nodom de línguas e nas manifestações físicas emocionalistas, como asdiversas unções, sapateados, etc.), não vivemos Deus. O volume deexperiências é muito grande, mas sem qualquer relevância para aespiritualidade. Aquilo que não se consegue comprovar comogenuína espiritualidade cristã recebe o nome de “mistério”. E comomistério é algo aparentemente inexplicável, deixar-se que cada umviva a sua própria experiência sem julgar se ela é certa ou não. Oproblema dessa questão é que as coisas de Deus sempre envolvemuma certeza, jamais a dúvida. A sua Palavra revela como Ele pensa eage em relação ao cristão e a sua espiritualidade. O que vai além nãovem de Deus, mas do maligno (Gl 1:6-9).A experiência não garante uma verdadeira espiritualidadebaseada nas Escrituras e na vontade de Deus, mesmo que sejarepleta de milagres e sinais. Como escreveu Lutero: “Qualquerensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado,mesmo que faça chover milagres todos os dias”. Os israelitaspresenciaram diversos milagres: as 10 pragas, a travessia do MarVermelho, a nuvem e a coluna de fogo no deserto, o maná e ascodornizes, as sandálias que não se gastavam, entre tantas outrasmaravilhas que Deus operou. A maioria deles, porém, ficou prostradano deserto após 40 anos de peregrinação e não entrou na terraprometida. Uma vida repleta de milagres, de sinais e maravilhas, deexperiência mística com Deus jamais nos garantirá a vida eterna. Seo perdido não aceitar a Jesus Cristo como o seu único e suficienteSalvador, se ele não se reconhecer pecador nem a graça de Deuscomo a única forma de alcançar a terra prometida nos céus, pereceráquando o Senhor vier. Sem obediência à Palavra de Deus, osmilagres de nada valerão. Milagre sem conversão sara o corpo, masnão salva a alma. Independente de haver ou não milagres, sinais eprodígios, devemos conhecer a Deus e obedecê-lo. 
A igreja atual vive movida por milagres e sinais maravilhosos,como se este fosse o fim último do Evangelho e da vida cristã.Precisamos de uma Igreja com mais fé e menos milagres. Osmilagres de Jesus eram um sinal do seu messianismo e do seu Reino,para que todos cressem. Nós já experimentamos o maior dosmilagres: a salvação. Ainda assim queremos ver sinaisextraordinários. Parece que a nossa fé se firma apenas diante doincrível. A fé que Deus deseja de nós é aquela que espera a volta doRedentor, o resgate da sua Igreja santa. Ele quer que creiamos nelenão porque vimos os sinais, mas porque Ele é Deus. O que a Igrejaprecisa é cultivar a fé da obediência à Bíblia, da prática do amor aopróximo, do evangelismo integral. Nós já somos sinais de Deus nomundo, somos sal e luz. Através das nossas boas obras, o mundoglorifica ao Pai que está nos céus. A espiritualidade verdadeira vivepela fé, independente de milagres, pois o Senhor voltará.A lei vigente no evangelicalismo atual é: “Se me faz bem, é deDeus, mesmo que eu não possa explicar. Se me sinto em paz, Deusestá presente”. Além do mais, a lei do politicamente correto e do“não julgueis” sugere que todas as manifestações espirituais sejamaceitas e consideradas corretas sem quaisquer questionamentos,alegando-se que Deus tem a sua forma de trabalhar com cada pessoae que o Espírito não está preso, mas age como quer. Como últimaanálise de defesa da situação, agride-se as próprias EscriturasSagradas ao afirmar que Deus não se limita àquilo que está escritona Bíblia e que, portanto, essa nova espiritualidade pode serlegitimada, mesmo que não encontre apoio escriturístico. Entretanto,não existe objetividade na experiência se esta não partir deprincípios bíblicos. Aquilo que para uns pode ser a manifestação doEspírito Santo na vida da Igreja, para outros pode não significarnada. Trocar a certeza bíblica e a proclamação do Evangelho porexperiências místicas não produz transformação de vidas e,raramente, conversões. O que as experiências dizem sobre anecessidade de arrependimento e conversão para obter a vidaeterna? O que elas falam a respeito da transformação do caráter e docomportamento? Que tipo de santidade e envolvimento com osvalores do Reino de Deus surgem a partir das manifestações místicasocorridas em alguns cultos de fogo?A espiritualidade líquida flutuaentre um modismo e outro: hoje é a unção do leão, amanhã seráoutra; hoje é o paletó ungido, amanhã o travesseiro. Esses elementosestão ausentes das Escrituras, acima de tudo o Novo Testamento,onde a espiritualidade se mostra como algo prático e real na vida docrente: amor, obediência e santificação. E isso é transformador, geravida, cria compromisso, leva à evangelização e traz crescimento paraa Igreja, quantitativo e qualitativo.
O PODER TRANSFORMADOR DA PALAVRA DE DEUSDo livro: “Mais que vencedores”
Até este ponto, aprendemos sobre a vitória que Deus nos dá por suagraça, quando somos convencidos dos nossos pecados pelo EspíritoSanto e, pela fé salvífica em Cristo, alcançamos a grande salvaçãoque Ele conquistou por nós ao triunfar na cruz. A sua vitória nostrouxe vitória. A sua vida nos trouxe vida. Vimos, também, quepodemos contar com Deus nas nossas tribulações, porque Ele cuidade nós e nos guarda. As angústias desta vida não são em vão nacaminhada do crente, mas produzem aprendizado e crescimento,além de servirem para o consolo de outras pessoas. Além disso, e omais importante, as provações revelam a glória que nos espera noporvir. Enquanto o mundo se desespera, podemos ter paciência,porque sabemos que tudo aqui é passageiro e em breve a nossaverdadeira bênção virá. Mas isso também é um alerta sobre asbenesses desta vida, as conquistas deste mundo: também passarão enão devem nos prender nem nos afastar de Deus. Uma inverdadepostada nas redes sociais diz: “A nossa fé é do tamanho dos nossossonhos”. Mas a verdade da Palavra de Deus nos revela que a fé cristãvem dele e é do tamanho do deu poder, da sua graça e da suasoberana vontade.Tudo isso é possível porque cremos em Deus e na sua Palavra.São as Escrituras Sagradas – Antigo e Novo Testamento – a fontesegura da nossa fé e da nossa esperança. Temos nelas a nossa totalconfiança. Se acreditarmos, como alguns o fazem, que a Bíbliacontém erros ou é incompleta; se pensamos que Deus não nosrevelou o suficiente e que Ele continua a revelar ainda a sua Palavrapara nós, que segurança podemos ter daquilo que já está escrito?Muito pelo contrário, talvez algo possa mudar! Certa vez, debati comuma pessoa na Internet sobre o assunto. Ela afirmou que é um erroachar que na Bíblia sagrada Deus já revelou tudo, que isso é umengano. Disse, também, que a própria Bíblia é clara em dizer quenem tudo foi escrito, porque, se fosse, não existiriam papirossuficientes para tal, uma provável alusão a João 21:25. Segundo oseu pensamento, o que está selado são os fundamentos da fé cristã,nos quais nada se pode acrescentar. Todavia, conforme seupensamento, quando se trata de revelação, isso não acaba, cada diaDeus traz revelações novas ao seu povo. Então, ele conclui: “se Deusnão fizesse assim, seria um tédio ser cristão depois de alguns anos,porque seria ouvir todos os dias a mesma coisa. O espírito derevelação é que faz no mesmo texto bíblico sair várias mensagens(revelação nova) e assim o cristianismo caminha”.
Em suma, o que esta pessoa afirma é que, mesmo após aRevelação haver terminado, Deus continua a revelar coisas que, semas quais, a vida cristã seria tediosa, porque viveríamos a escutarsempre as mesmas coisas. Todavia, várias mensagens (revelaçõesnovas) podem ser inspiradas no mesmo texto bíblico, conforme o“espírito de revelação”. De fato, é graças a este “espírito derevelação” (que a Bíblia chama de Satanás, falsos profetas, falsosmestres, apóstolos e anticristos) que o cristianismo vive hoje umperíodo negro de sua história, com todas as heresias e bizarricestrazidas pelo neopentecostalismo, pela Teologia da Prosperidade etantas unções, campanhas e promessas bizarras e diabólicas que serenovam a cada dia. Ora, se Deus ainda nos revela algo, quemescreverá a próxima Bíblia? Quem autenticará o seu conteúdo? Comoveremos aqui, somos mais que vencedores pela Palavra viva e eficazque nos salvou e na qual podemos ter plena confiança. A Bíblia sócausa tédio naqueles que não são selados com o Espírito Santo, quenão nasceram de novo, que não amam a Palavra de Deus.Entretanto, pense e responda: Ler a Bíblia já é suficiente paratransformar a vida de alguém? Se sim, por que muitos ateus,cientistas, filósofos e historiadores a leem e releem, mas, mesmoassim, morrem na incredulidade e não se deixam transformar porela? E por que tantas pessoas que estão dentro das igrejas jamais sepermitem transformar pela Palavra, ao ponto de serem chamadas dejoio, falsos irmãos, falsos apóstolos, falsos profetas e falsos mestres?Terá a Palavra de Deus falhado? Será possível resistir a um DeusTodo-poderoso e Soberano? Tenho na minha família um belíssimotestemunho. Tenho duas irmãs e um irmão. O meu irmão, que hoje épastor, foi o primeiro de nós a entregar a sua vida a Jesus. Assimcomo todo novo convertido sempre faz, meu irmão começou a pregaro Evangelho em casa. A minha mãe e a minha irmã mais velha – nóssempre fomos católicos – decidiram começar a ler a Bíblia pararebater as mensagens que meu irmão trazia. Com pouco tempo,ambas foram convencidas e convertidas pela Palavra e pelo EspíritoSanto de Deus. Minha caminhada começou depois.Por que uns sim e outros não? Neste capítulo, tentarei elucidaressas e outras questões referentes ao poder transformador daPalavra de Deus. Podemos começar questionando que a tipo detransformação nos referimos. Não é preciso nem mesmo crer emDeus para utilizar os ensinamentos bíblicos para alcançar algumaretidão moral. De fato, estudiosos e fiéis de outras religiõesconsideram Jesus um mestre, um grande modelo de bondade e decaráter. Alguns até procuram seguir seus exemplos. Amar aopróximo como a si mesmo, fazer aos outros o que queremos que elesnos façam, dizer a verdade, praticar o bem, buscar a paz, entretantos outros conceitos bíblicos, são aceitos e praticados porindivíduos que jamais leram uma página sequer da Bíblia. Maspergunte a qualquer um deles se creem em Cristo como Deus,Senhor e Salvador e a resposta será negativa. Então já percebemos
que ser transformado pela Palavra de Deus é mais que crer na Bíbliacomo um manual de modelos e práticas éticas, morais e espirituais.Ela não é um livro qualquer. Por outro lado, em muitas igrejas cristãs, a Bíblia parece nãopassar de um mero manual de autoajuda ou um simples manancial debênçãos e vitórias. A superficialidade da fé de alguns irmãos não ospermite ir mais além. A sua fé não ultrapassa as barreiras das suasambições pessoais nem parece mudar o seu caráter. Eles nãoenxergam a pessoalidade de Deus, muito menos a eternidade. Nãosabem sequer explicar as doutrinas mais básicas da fé cristã. Comoter práticas corretas sem o conhecimento correto necessário? Quetransformação eles têm experimentado? Ela é bíblica? Se não, quetransformação a Palavra de Deus nos traz e como ela acontece? Senão lemos nem compreendemos as revelações que a Bíblia nos traz,jamais poderemos ter uma espiritualidade correta, muito menos falarsobre ser mais que vencedores, porque poderemos estar com amente em uma vitória que não vem de Deus. Ao contrário do queafirmou meu interlocutor, a Revelação como a temos em mãos nãonos causa tédio, mas vida nova todos os dias, alegria no Senhor,esperança eterna, santidade, amor e compromisso com o bem, a paze a justiça.
EDUCAR É INFLUENCIARDo livro: “Educação cristã de filhos”
O verbo “educar” significa dar a alguém todos os cuidadosnecessários ao pleno desenvolvimento de sua personalidade, o queinclui os processos utilizados para o alcance desse fim e o conteúdoque esses processos carregam. Muito mais que a transmissão deconhecimento, educar envolve estimular na pessoa a capacidade depensar por si própria, de ter uma visão crítica desi mesma, daspessoas, do mundo e de Deus. O pedagogo Paulo Freio escreveu que“Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens seeducam entre si, mediatizados pelo mundo”, o que retrata umagrande verdade. Educamos e somos educados na convivência com asoutras pessoas; aprendemos ao mesmo passo em que ensinamos.Tudo isso ocorre dentro de uma realidade chamada “mundo”, ondeos padrões socioeconômicos e culturais influenciam nessa troca deeducação.No âmbito estritamente familiar, não se pode negar ainfluência desses padrões, que diariamente ditam as regras de comoas famílias devem ser e até mesmo do que é ser família. Costuma-sedizer que a mídia destrói as famílias, acima de tudo as novelasglobais, o que não é uma verdade plena. Está claro que a mídiaexerce influência sobre as pessoas, mas também é certo que cada umescolhe aquilo que irá influenciá-lo. Assim, só absorve o padrãodistorcido ensinado pelas mídias quem não possui padrões morais,sociais e familiares bem definidos ou que simpatiza com essespadrões externos. Quando somos educados por aquilo que é errado ereproduzimos na nossa vida e na sociedade esse padrão, podemosestar certos de estarmos agindo de maneira coerente com nossopróprio interior. Conforme o Senhor declarou: “a boca fala do queestá cheio o coração” (Mt 12:34).Se somos influenciados e influenciamos uns aos outros (1 Co7:14), como crentes devemos nos importar com o tipo de influênciaque sofremos, reproduzimos e repassamos aos nossos filhos. Assimcomo liderar, educar é influenciar. Os pais influenciam seus filhos deforma direta (através da educação verbalizada) e indireta (através doseu próprio exemplo), estimulando-os a fazerem algo ou areproduzirem determinado tipo de comportamento. Os pais cristãosdevem estar certos de que estão exercendo uma influência positiva,bíblica e santa sobre os seus filhos, motivando-os a serem parecidoscom eles, que procuram se parecer com Jesus. Muitos pais,infelizmente, inclusive no meio cristão, exercem uma péssimainfluência sobre os seus filhos, não apenas desestimulando-os, masfazendo-os desejar jamais se parecerem com eles, o que podeenvolver nunca se tornarem crentes.
Pais cheios do Espírito Santo se tornam sal e luz no seu própriolar. Se a nossa luz não brilhar dentro da nossa própria casa, como omundo poderá vê-la? Se, como sal, não salgamos a nossa própriafamília, como o mundo sentirá o sabor de Cristo através das nossasobras (Mt 5:13-16). Muitas crianças estão desanimadas porque nãoconseguem encontrar dentro de casa um padrão correto a serseguido, não se sentem emocional e espiritualmente seguras. Assim,o tipo de influência que exercermos no lar determinará a qualidadeda família que seremos e o tipo de filhos que educaremos. Essainfluência é exercida por meio de informações e estímulos, comoveremos neste estudo.
O verdadeiro padrão do educador cristão3
De uma forma direta ou indireta, aquelas pessoas que estãoenvolvidas conosco sempre acabam nos influenciando e se deixandoinfluenciar por nós, principalmente no lar. Jesus alertou seusdiscípulos contra a hipocrisia dos fariseus, dizendo-lhes para não sedeixassem levar pelo seu péssimo exemplo e os exortou a não imitá-los em seus atos (Mt 23:3). O que aconteceria se os discípuloselegessem como padrão para o seu comportamento o exemplo dosfariseus? O apóstolo Paulo tinha um padrão: Jesus Cristo, e podiadizer aos irmãos de Corinto que fossem seus imitadores (1 Co 4:16;11:1). Além disso ele estabeleceu uma padrão a ser seguido: Deus(Ef 5:1). Em Filipenses 3:17, Paulo exorta os irmãos a serem seusimitadores e a observarem aqueles que andam segundo o modelo quetinham nele. Isto significa que se quisermos obter sucesso em nossoministério como pais ou em qualquer área da nossa vida, precisamosnos cercar de pessoas que padrões santos, elevados, condizentes quea realidade de Deus. Como crentes que amam a Deus e pais que amam seus filhos,precisamos observar aqueles que venceram pela fé e imitá-los (Hb6:12). Essa imitação gera comportamentos santos, gera amor esolidariedade para com os nossos filhos (1 Ts 2:14). Nem todas aspessoas têm esse tipo de padrão elevado, mas muitos sãoescarnecedores (Sl 1:1). Deixando-nos influenciar pelo padrão deJesus, nos tornamos acolhedores da Palavra, ainda que em meio atribulação, e com grande alegria (1 Ts 1:6). Mas mesmo a igreja doSenhor está repleta de padrões distorcidos, de pessoas que são umapéssima influência na vida dos outros. Quanto a esses, a Palavra nosexorta a não manter comunhão com eles, pois o seu péssimoexemplo, o seu caráter distante de Deus, pode influenciar econtaminar toda a igreja (2 Ts 3:6,14,15; Dt 29:18) e se estender atéo oculto do lar. Se alguém não está de acordo com a fé cristã, se temmantido um comportamento incrédulo em meio à congregação“dizendo-se irmão”, é preferível que não nos associemos ou sequer
3 Adaptado do livro “Liderança multifocal”, de minha autoria, ainda a publicar.
comamos com ele (1 Co 5:11). Os pais não podem reproduzircomportamentos e métodos equivocados de educação dos seus filhos,seja aprendidos na própria igreja ou em outros ambientes e fontes. Opadrão é a Bíblia.Devemos nos perguntar: Quem está exercendo influência sobrenós? Em todas as áreas e questões da nossa vida, incluindo aeducação dos nossos filhos, é Deus quem deve exercer a maiorinfluência, é Ele quem deve direcionar os nossos passos, pois a Suavisão é perfeita; Ele sabe o que é melhor para nós. O educador queopera segundo os princípios eternos, busca na Bíblia o auxílionecessário para vencer, ele a tem como última palavra, independentedo que os outros digam.
HÁBITO 1FÉ + VIRTUDEDo livro: “Os sete hábitos da espiritualidade biblicamente eficaz”
Chegamos, então, aos hábitos virtuosos de uma vida remida porCristo e conformada à natureza divina. De acordo com Kistemaker(op. cit., p. 334): “O apóstolo especifica como um cristão deve viverde modo virtuoso, apropriando-se das promessas de Deus e evitandoa corrupção do mundo. Ele faz uma lista das qualidades que oscristãos devem ter, que levam a uma vida espiritual produtiva eeficaz”. Pedro nos exorta a ter várias virtudes, sendo a primeiradelas a fé. “Por esta razão”, ou seja, em virtude de tudo aquilo quefoi dito anteriormente, devemos desenvolver hábitos arraigados aonosso novo caráter que refletem a santidade que o Senhor nos deu,como desenvolvimento da salvação que já nos pertence (Fp 2:12,13).Quando o apóstolo diz que devemos reunir toda a nossa diligência,ele enfatiza a urgência que isso nos traz de viver de modo diferente,coerente com a nossa vocação. Existe aqui o elemento humano doprocesso de santificação, o que não significa que nos santificamos anós mesmos. O sentido do texto – como em todos os textos bíblicos arespeito do assunto – indica a nossa santificação depende de irmosaté Deus, único que pode nos santificar em tudo. Como aquelapessoa que está se afogando e não pode produzir ar para si própria:ela precisa subir à superfície e lá encontrar o ar que precisa paraviver.Pedro escreve: “por isso mesmo, vós, reunindo toda a vossadiligência, associai com a vossa fé a virtude”. Na tradução Revista eCorrigida, o termo utilizado é “acrescentai à vossa fé” (gr.epichorēgēsate) que se compreende como acrescentar, adicionar,suprir, que em 2 Pedro 1:11 está na voz passiva. Segue-se, então,uma lista das virtudes que o cristão deve ter, num total de oitovirtudes, que, associadas umas às outras, revelam-nos sete hábitosindispensáveis á vida do salvo. O primeiro hábito a ser desenvolvidopelo crente para uma espiritualidade eficaz é a somatória da fé e davirtude. A fé, claro, é a base de todas as outras virtudes. Ela é acerteza da nossa vocação em Cristo. Sem esta fé nos seria impossívelalcançartodas as virtudes que o Senhor espera de nós,desenvolvendo os hábitos que revelam em nós a pessoa de Jesus. Éclaro que a fé aqui está muito além de uma crença na existência deDeus ou a apreensão meramente racional da sua Palavra. Esta é umafé salvífica que nos foi dada como dom de Deus, porque do contrárionão poderíamos crer nem ser santos. Essa fé é associada à virtude(ou bondade), que no v. 3 apresenta-se como uma das característicasda natureza divina. Somente nos parecendo com o Senhor é quepoderemos desenvolver estes hábitos santos.
https://bibliaportugues.com/greek/epichore_ge_sate_2023.htm
O apóstolo Pedro nos chama a uma fé prática, fruto do plenoconhecimento de Deus que alcançamos em Cristo. O apelo doapóstolo está ligado aos versículos 3 e 4: Deus nos tem doado todasas coisas que nos conduzem a um propósito, um alvo: à vida e àpiedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou paraa sua própria glória e virtude. Isso transforma a nossa vida demaneira significativa e nos faz co-participantes da natureza divina,livrando-nos da corrupção das paixões que há no mundo. Somente agraça de Deus que habita em nós torna possível desenvolvermos aespiritualidade integral apresentada por Pedro. É Deus quem nosconduz, não a nossa própria capacidade. Pedro utiliza o termo gregopareisenegkantes, (trazer ao lado de, trazer junto com, empregartodo o esforço possível) para falar da nossa diligência ao aplicar-nosna prática de uma vida espiritual correta e equilibrada. Os nossosesforços pessoais só são possíveis porque possuímos o EspíritoSanto. É Ele quem nos capacita a desenvolver-nos da maneira comoDeus espera. Qualquer tentativa humana de se aproximar de Deuspor seus próprios méritos ou desenvolver a santidade por seuspróprios esforços é de toda inútil. Se tirarmos o elemento divino danossa espiritualidade, ficaremos tão somente com o lado humanolimitado e incapaz de alcançar a Deus.Somos diferentes de quem éramos, temos uma naturezatransformada, divina (vs. 1-4). A nossa espiritualidade nãocompactua com a concupiscência que há no mundo, mas se baseia naglória e na virtude de Deus, nas promessas de uma glória futura queexerce a sua influência santa sobre nós hoje. Essa fé geracomportamento por meio de virtudes que o apóstolo lista em suaepístola, que se transformam em hábitos saudáveis e santos. Oprimeiro passo na escala de virtudes de Pedro é a fé virtuosa, sem aqual não existe possibilidade de mantermos comunhão com Deus e,assim, termos a nossa vida redirecionada. Virtude (gr. arete), notexto, significa hombridade (valor), excelência intrínseca ouatribuída, louvor, virtude, qualidade pela qual uma pessoa é avaliada.No Novo Testamento, refere-se ao poder de Deus (2 Pe 1:3), àbondade das ações, às obras virtuosas (Fp 4:8; 3 Pe 1:5). A fé é oprincipio de tudo e influencia diretamente o caráter do crente. Ohomem virtuoso é aquele que demonstra em si o caráter de Deus.Esse é o tipo de fé menos pregado e vivido atualmente nas igrejas.Prega-se, ao contrário, a fé pela fé, que cria a mentalidade coletivade que a fé “remove montanhas”, traz bênçãos, cura as doenças, fazdo fiel um “ungido” e demonstra o seu poder. Uma fé de si para si, daboca para fora, cuja esterilidade não permite ao indivíduo enxergar alegitimação da sua fé na obediência aos mandamentos, no amorfraternal e no cuidado com o próximo. Por maior que seja a fé dealguém, se ela não tiver obras, é morta (Tg 2:17). A espiritualidade integral urge hábitos igualmente integrais,onde a fé não se esconde por trás dos discursos teológicos, daspregações inflamadas e do constante apelo para pôr Deus à prova,
mas revela-se na proclamação do Evangelho, no compartilhar do pão,na solidariedade, no compromisso com o bem comum e com atransformação integral do ser humano. A virtude da fé cristã está nocaráter transformado e no coração repleto do amor de Deus. Abondade moral expressa neste versículo é a essência da nossaespiritualidade e dos bons hábitos cristãos, porque nos lança parafora de nós mesmos e das quatro paredes do templo para nos colocaronde devemos salgar e iluminar: o mundo. Fé sem virtude é estéril,como uma árvore que não produz frutos, que é arrancada e jogadafora. A maior virtude do Espírito Santo é o amor (Gl 5:22-24). Esteamor não é um sentimento, uma experiência mística entre nós eDeus, mas uma ação transformadora na nossa vida, que nos conduz aum viver santo e que envolve o nosso procedimento para com aspessoas. Crente espiritual é aquele que é guiado pelo amor em todosos seus atos, sendo transformado de dentro para fora. E quantochega do lado de fora, o amor que está dentro se demonstra nasrelações interpessoais, no compromisso com a justiça e com o bem.Esses são os hábitos produzidos pela fé associada à virtude.É importante uma palavra a respeito do testemunho pessoal.Quando a nossa fé entra em ação e transforma a nossa vida, aquelesque nos observam diariamente percebem essa transformação,porque os nossos hábitos mudam radicalmente. Tanto o nossolinguajar como nossos costumes sofrem uma mudança significativa.Os pecados que outrora cometíamos, vão sendo drasticamente ou aospoucos abandonados. Podemos chamar a esse testemunho de um“testemunho passivo”, isto é: o crente é observado em seuprocedimento e isso mostra para as pessoas do mundo que ele é umanova criatura. Todavia, existe outro testemunho igualmenteimportante: o “testemunho ativo”. Nele, a transformação não éobservada apenas através de uma mudança de comportamento docrente com relação a si mesmo – aquele que roubava, passou atrabalhar pelo seu próprio sustento –, mas também envolve a suaatitude para com as outras pessoas – ele se preocupa em socorrer osnecessitados com o fruto do seu labor (cf. Ef 4:28). Não é apenas odeixar de fazer a coisa errada, mas passar a fazer a coisa certa,testemunhar de Cristo através do envolvimento integral com a suaobra, o que abrange a prática do amor, o exercício dos donsespirituais, o envolvimento em missões e tudo mais que compõe oimenso trabalho na seara de Cristo. Não é apenas mostrar, masfazer. Esse é o verdadeiro hábito.
O QUE É ORAÇÃO?Do livro: “O poder da oração”
Cada cabeça uma sentença, diz o adágio popular. E é a mais puraverdade! Duas pessoas podem olhar para um mesmo objeto ousituação e ter ideias totalmente distintas a respeito. É a metáfora docopo meio cheio ou meio vazio: um objeto, dois pontos de vista. Masserá que existe uma verdade que seja a correta nisso tudo? Comrelação à Palavra de Deus, sim. Não importa o nosso ponto de vistaou a nossa sentença: A Bíblia apresenta verdades eternas, absolutase imutáveis, inclusive sobre a oração. O que me proponho a ensinarnão significará nada se eu não puder confirmar através das SagradasLetras. Vou dar um exemplo: a prática de tomar um copo com águaapós a oração não existe na Bíblia. Usar objetos ungidos para atrairbênçãos ou expulsar maldições também não é bíblico. Se desejamosaprender sobre o poder da oração, portanto, não podemosnegligenciar o ensino teológico, a compreensão biblicamente corretapara todas as nossas assertivas. Orar não é concessão, é uma ordem, embora não devamos orarapenas por cumprir um mandamento, mas pelo prazer de conversarcom o nosso Pai que está nos céus (Lc 18:1; I Sm 12:23). Tudo o quefazemos não é como queremos, mas como Deus quer. O Senhor Jesusordena que preguemos o Evangelho, mas isso não pode ser feito dequalquer maneira, com qualquer conteúdo. Existem parâmetros aserem respeitados. Da mesma forma acontece com a nossa oração. Épreciso conhecer a regra bíblica a respeito da oração para que asnossas orações sejam feitas da maneira correta e com o propósitocorreto. Tantos livros ensinam sobre o poder da oração comgarantiasde que, se tal esquema for seguido, o crente conseguiráaquilo que deseja. O que seus autores podem fazer é distorcer aomáximo a Palavra de Deus para vender o seu produto: oraçõespoderosas para atrair bênçãos de Deus que mais se assemelham àLei da Atração ensinada por pessoas que creem no poder doUniverso, não do Deus que o criou. Eu poderia lhe ensinar mil passospara uma oração que obriga Deus a dar aquilo que você quer, masseria mentira. Só existe uma oração verdadeiramente poderosa:aquela em que o crente abre mão totalmente da sua vontade esubmete-se inteiramente à vontade soberana de Deus. Aí, então, eleexperimenta o verdadeiro poder quando a vontade de Deus é feita.A oração poderosa também é algo que flui de uma alma que sealegra no Senhor. Quando oramos, estamos gratos a Deus pelaobediência à sua Palavra que nos convida e nos incita a orar. Orar,porém, não pode ser um ritual a ser cumprido, como se após fazer asnossas orações estivéssemos livres de tal “obrigação” para seguircom os nossos afazeres pessoais. A oração é algo que deve brotarnaturalmente da nossa sede pela presença de Deus. Devemos orar
como se não existisse nenhum mandamento que nos ordene isto! Porisso, a oração não pode ser algo de momento ou de horas marcadas,a não ser que haja muita verdade nisso. No livro “Pai Nosso: umaoração com a vida”, o tema central que apresento é justamente este:oração é vida! Se não temos vida com Deus, não temos vida deoração. Se tudo o que dizemos a Deus não é real na nossa práticacotidiana, as nossas orações são Lei da Atração, mas nem mesmo oUniverso as escutará.A maior lição que devemos aprender sobre o poder da oração éque Deus é soberano e não precisa da nossa fé e das nossas súplicaspara operar qualquer tipo de obra no mundo. Isso pode serfrustrante para quem gosta de se gabar das suas orações fervorosasque abrem a mão de Deus. Tudo Ele faz desde o início sem o nossoconsentimento e independente da nossa vontade. A oração é nossaresposta ao Deus que se revela a nós e o reconhecimento da nossadependência dele. Deus pode realizar o impossível sem a nossaintercessão, mas espera que o busquemos para que demonstremosque precisamos do seu auxílio. Este assunto está bastantedesenvolvido no livro “Maria e a vontade de Deus para nós”, onde,baseado na Anunciação e na pessoa de Maria, apresento pontosimportantes sobre a vontade de Deus para os seus filhos. QuandoMaria disse sim a Deus, Deus já havia dito sim a ela: Ele a escolheugraciosamente e lhe deu a fé necessária para crer e aceitar a suavontade já decretada. Quem pretende mover a mão de Deus, deve sermais poderoso do que Ele. Esse alguém existe?Outro aspecto que explica o que é a oração é o diálogo. É omomento em que falamos com Deus diretamente. Todavia, a oração émuito mais que uma conversa, ela é um momento de comunhão comDeus restabelecida por Cristo na cruz. Sem esta comunhão nãopoderíamos nos aproximar dele (Is 59:2). Orar não é rezar, não érepetir fórmulas preestabelecidas, mas manter um diálogo aberto esincero com Deus (Dt 5:24; I Sm 3:10), onde Cristo é o canal que nosliga a Ele. Existe uma diferença enorme entre dialogar com Deus e serelacionar com Ele. Um vendedor de seguros pode conversar conoscodurante uma hora sem saber sequer onde moramos. Podemos ligarpara qualquer serviço de atendimento ao consumidor paraapresentar as nossas queixas ou para um restaurante com deliverypara fazer um pedido, mas não nos relacionamentos intimamentecom nenhum deles. A atendente e o entregador não estãointeressados nos nossos problemas. Eles só querem nos atender omais rápido possível e passar para o próximo cliente. Deus tem todaa eternidade para nós! A oração do crente não é algo esporádico que ele faz quando dávontade ou quando necessita de algo, mas deve se tornar umaprática constante (I Ts 5:17). É preciso investir tempo de qualidadenessa comunhão abençoada com o Pai. O que está em vista não é aquantidade de horas que passamos em oração, mas a quantidade deamor a Deus e fé presentes na nossa oração. Isso nos revela algo
muito importante que também trato nos livros já mencionados: nãooramos porque precisamos de algo, mas porque precisamos de Deus!O poder da oração está na intimidade com o Pai que está nos céus,na contemplação da sua glória na nossa vida, na Igreja e no mundo.Alguns crentes parecem achar que a graça de Deus é um poder a seracessado quando sentem que dela precisam. Alguns dizem: “Hoje euestou só a graça de Deus”. E nos outros dias? Se a graça de Deus nosfosse tirada por apenas um segundo, sentiríamos as labaredas doinferno nos queimar. O crente regenerado está em constante estadode graça. Ela nunca se aparta dele.Oração também é fortalecimento (Ef 3:14-21; Tg 5:13-16).Certa cantora evangélica diz em uma das suas músicas que a oraçãoé “alimento”. Infelizmente, a irmã está equivocada, pois o alimentodo crente é a Palavra de Deus. Oramos, inclusive, quando vamos nosalimentar dessa Palavra. Por ela somos guiados pelas perigosassendas deste mundo. A oração fortalece a nossa alma. Aliado àleitura da Bíblia, o diálogo com Deus nos esvazia de nós mesmos enos enche de graça, dando-nos forças para enfrentar os revezesdiários. Este é um fator do qual a nossa oração é carente: oautoesvaziamento. Geralmente chegamos até Deus com umdocumento já redigido com todas as nossas vontades e anseios, comos planos que traçamos para nós mesmos e um manual de como elesdevem ser executados. Então, o que fazemos é apenas pedir a Deusque coloque o seu carimbo e a sua assinatura, endossando aquilo quepor nós já foi decidido. Se não nos esvaziarmos de nós mesmos paradeixarmos que Deus nos preencha com a sua vontade, dificilmenteteremos as nossas orações atendidas. Lembre-se: não busque o poderde Deus, mas o Deus de poder.Uma vida de oração também se transforma em arma contraSatanás (Mt 17:21). Quando o crente ora segundo a vontade deDeus, o diabo treme. O inimigo nada pode contra a oração do crente,porque quando oramos, oramos com a marca da vitória em nós,revestidos com o sangue santo do Cordeiro. Não oramos para vencer,mas porque em Cristo somos mais que vencedores e esta vitória oinimigo jamais poderá nos tirar. Oração é, também, um canal debênçãos. Deus tem prazer em nos abençoar, em derramar sobre nóscoisas boas, segundo a sua vontade e os seus planos soberanos eeternos (1 Jo 5:14,15). Mas nada devemos exigir, apenas pedir emNome de Jesus e que seja feito segundo a sua vontade. Orar precisaser como o ar que respiramos e o chão que pisamos (Tg 5:14; Jo14:13; Mt 17:21; 21:22; Dn 9:21; Jn 2:7).
MIZAEL DE SOUZA XAVIER
Olá! Sou o Mizael Xavier, poeta e escritor. Tenho 51 anos de idade.Comecei a escrever poemas aos 12 anos, quando eu e meu irmãosonhávamos montar uma banda de Rock; os meus poemas seriam asletras das nossas músicas. Sou natural da cidade de Petrópolis, RJ, eresido no Rio Grande do Norte há 28 anos. Sou cristão reformado,divorciado, conservador, pai de Thiago e Milena. Possuo inúmerosartigos publicados em jornais de Natal. Realizei vários trabalhoscomo ator, diretor e multiplicador de Teatro do Oprimido. Além deescrever, sou ensaísta e teólogo. Em 2013, formei-me em Gestão deRecursos Humanos pela Universidade Potiguar. Sou autor dos livrosfísicos “Eu te amo” (poesia), “Memórias do Silêncio”(autobiografia/Bullying) e “Até onde o amor pode alcançar”(poesias). Participei de duas antologias da editora Lírio Negro(Brasilidade em Versos e Fragmentos de almas eternizadas), e daantologia ¨Poemas do coração V: Em busca da Paz”, da editoraAntologias Brasil. Além disso, possuo mais de 70 e-Books publicadosna Amazon. No Facebook, criei e administro os grupos “Receita deamor” e “Pássaros feridos”, além das páginas “frases.sem.fim” e“Escritor Mizael Xavier”. Sou membro da ALIPE, ocupandoa cadeira125, tendo com patrono Júlio Verne. Sou membro da Igreja Batista.
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Peça teatral “Se Jesus não tivesse vindo: para igrejas, evangelistas emissionários”
Peça teatral “Se Jesus não tivesse vindo: versão para o Natal”
PRÓXIMOS LANÇAMENTOS DO ESCRITOR MIZAEL XAVIER
Espiritualidade
A Queda: as consequências do pecado original e a graça abubdante
Asas de águia: o poder de Deus na resiliência cristã
BOPE: Batalhão de Operações Piromaníacas Espirituais
Eu profetizo: verdades e mentiras sobre o “profetizar bênçãos”
Evangelho segundo Mateus: série Mensagens e Reflexões
Imitação de Deus: como nos tornarmos imitadores de Deus
Inteligência espiritual: vivendo uma espiritualidade inteligente eprática
João 3:16: uma pergunta e muitas certezas
Não acredite em tudo que você crê
Não toquem no ungido do Senhor: uma palavra sobre o autoritarismopastoral
O poder da expansão: supere os seus limites e cresça
O poder do tempo: princípios bíblicos para a administração do tempo
O toque da graça e outros textos para a edificação da nossa fé.
Os leões e a fornalha: o que Daniel e seus amigos têm a nos ensinarsobre a verdadeira fé?
Quem é você? O autoconhecimento cristão
Seitas e heresias: manual de combate
Um milagre por dia: o comum, o extraordinário e o poder de Deus emcada um
Mariologia
A tentação de Maria
Ave Maria
Desvendando o segredo de Maria
Medalha milagrosa
Série Catolicismo Romano: doutrinas e refutações
Celibato
A salvação na Igreja Católica
Infalibilidade do Papa
Tradição e Magistério da Igreja
Purgatório
Série BullyingBullying: o que é? Conheça o problema, os personagens e os tipos deagressão
Bullying: estratégias de superação pessoal
Contos
Histórias de desencantado, o príncipe que não sabia amar (poemas-contos)
Geral
A incrível arte de dar a volta por cima
O caminho do sucesso
Manual prático do agente de portaria: atribuições, procedimentos,comportamento e segurança
Coleção: poesia na escola
Vol. 1: 50 poemas para ler na escola
Vol. 2: Brincadeiras de criança
Vol. 3: Muito mais que a realidade
Vol. 4: É preciso falar de amor
Vol. 5: Ao Mestre dos mestres
Vol. 6: Histórias rimadas
Série liderança cristã
O líder cristão
A essência do líder cristão
O líder eficaz
Liderança e motivação
Liderança e trabalho em equipe
Liderança e planejamento estratégico
A liderança de Neemias
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