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Em 2002 o laureado com o prêmio Nobel, Paul Crutzen, propôs em um artigo conceitual publicado na revista Nature entitulado “Geology of mankind”, onde ele propôs uma nova época geológica denominada Antropoceno. Nesse artigo ele também propunha que o início dessa nova era seria no final do século XVIII, coincidente com a invenção da máquina movida a vapor por James Watt. Essa proposição foi baseada no fato a concentração de CO2 e CH4 medidas em bolhas de ar presas em testemunhos de gelo polar, começaram a aumentar aproximadamente no final do século XVIII. 1 1873 – Antonio Stoppani Corso di Geologia Na verdade essa não foi uma ideia original de Paul Crutzen, pois como ele mesmo a firma no seu artigo, em 1873, um padre geológo italiano publicou uma apostila denominada Corso di Geologia, onde ele propõe a denominação de uma era Antropozóica, em vez de Antropoceno. Como pode ser visto aqui, na Introdução dessa obra ele diz que o homem é uma nova força telúrica, que pela sua força e amplitude não ficaria atrás de nenhuma força natural do globo. 2 Paul J. Crutzen (2002) Outro predecessor de Crutzen foi o historiador James MacNeill que no ano 2000, portanto, dois anos antes que Crutzen, publicou um livro mostrando que a história Ambiental do século XX tinha sido algo inusitado na face da Terra. 4 Em 2004, portanto, dois anos após o livro de McNeill, o International Geosphere-Biosphere Programe publicou um livro denominado Global Change and the Earth System – A Planet Under Pressure, onde no capítulo II, liderado por Will Steffen, foram apresentados uma série de gráficos sobre parâmetros globais sócio-ecônomicos e naturais que caracterizaram o Antropoceno 5 Ambio (2007) O capítulo do livro foi resumido e se transformou em um artigo tendo como autores Will Steffen, Paul J. Crutzen e John McNeill 6 Esses são dos gráficos publicados nesse artigo que cobrem um período de 1750 até o ano 2000. Essa primeira série de gráficos mostram uma série de parâmetros sócio-econômicos. 7 Nesta série são mostrados uma série de parâmetros digamos ambientais. 8 Esses trabalhos inicias sobre o Antropoceno causaram um grande impacto na chamada ciências naturais, mas foram em alguns casos muito mal recebido pelas ciências sociais. A principal crítica dessa comunidade foi que os autores fizeram uma análise global, como se toda a população do planeta tivesse feito parte da Grande Aceleração. O ponto desses autores é muito interessante, pois eles afirmam que toda essa aceleração foi feita por uma casta priveligiada principalmente por uma casta pertencente aos países mais desenvolvidos. Eu li esse artigo inteiro e posso afirmar que os autores bateram duro na visão míope dos naturalistas. 9 Como uma resposta a essas críticas contundentes da comunidade social, Will Steffen e colegar publicaram uma revisão dos dados, extendendo a análise até 2010 e dividindo o mundo em três blocos, pelo menos para alguns parámetros sócio-econômicos. O bloco de países afluentes, conhecido como OECD - Organisation for Economic Co-operation and Development. Outro bloco foi constituídos pelos BRICS - 10 Existem diferenças importantes quando os dados globais são desagregados por diferentes blocos de países. Como esperado, os países da OECD são de longe os responsáveis pela aceleração, mesmo tendo uma população menor que o BRICS e o restante dos países. 12 Ellis et al. (2016) - Nature How can a human-centred geological period be defined without characterizing the development of societies, urbanization, colonization, trading networks, ecosystem engineering and energy transitions from biomass to fossil fuels? 13 Ellis et al. (2016) - Nature 14 https://www.webofscience.com/wos/woscc/citation-report/96403a52-f31c-492b-8127-d64c040d299f-2bc156bd Apesar das críticas, o número de artigos tendo como tema o Antropoceno explodium. Desde 2001 já foram publicados mais de 6 mil artigos, gerando mais de 100 mil citações, resultando em um índice h de 125. 15 16 These include novel markers associated with radionuclides from above-ground nuclear detonations (Waters et al., 2015), fly ash (Rose, 2015), microplastics (Zalasiewicz et al., 2016), fundamental indicators of carbon-nitrogen-sulphur cycle changes such as nitrogen isotopes and diatoms (Wolfe et al., 2013) andbiodiversity changes involving species losses, translocations of species and expansion of domesticated species (Williams et al., 2022). Williams et al. 2022 18 Williams et al. 2022 19 Holtgrieve et al. 2011 21 Global boundary Stratotype Section and Point (GSSP) 22 23 Antropocene: The Human Epoch Laçamento: Toronto (2018) Direção: Jennifer Baichwal, Edward Burtynsky e Nicholas de Pencier Roteirista: Jennifer Baichwal Artista: Alicia Vikander(narração) Inclusive foram feitos documentários sobre o Antropoceno. Um dos mais famosos é 24 The Guardian Movie Review https://www.theguardian.com/film/2021/sep/01/anthropocene-the-human-epoch-review-jennifer-baichwal-nicholas-de-pencier-edward-burtynsky Welcome to the Anthropocene, http://vimeo.com/39048998) image1.png image2.png image3.png image4.jpeg image5.png image6.png image7.png image8.jpeg image9.jpeg image10.png image11.jpeg image12.png image13.png image14.png image15.png image16.png image17.jpeg image18.png image19.jpeg image20.png image21.png image22.png image23.png image24.png image25.png image26.png image27.png image28.png image29.png image30.png image31.png image32.png image33.png image34.jpeg image35.jpeg image36.jpeg image37.jpeg image38.png image39.png image40.jpeg image41.png image42.jpeg image43.png image44.jpeg