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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO - UFPE 
CENTRO DE ARTES E COMUNICAÇÃO - CAC 
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO – DCI 
CURSO DE GESTÃO DA INFORMAÇÃO 
 
 
 
 
 
ELIAS JOSÉ DA SILVA 
 
 
PALAVRAS-CHAVE: RECURSOS PARA REPRESENTAÇÃO DE 
TENDÊNCIAS TEMÁTICAS DO DOUTORADO DE GEOGRAFIA DA 
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RECIFE 
2015 
 
 
 
Elias José da Silva 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PALAVRAS-CHAVE: RECURSOS PARA REPRESENTAÇÃO DE 
TENDÊNCIAS TEMÁTICAS DO DOUTORADO DE GEOGRAFIA DA 
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de 
Gestão da Informação do Centro de Artes e Comunicação da 
Universidade Federal de Pernambuco, como requisito para 
obtenção do título de Bacharel em Gestão da Informação. 
 
Orientador: 
Prof. Dr.Fábio Mascarenhas e Silva 
 
 
 
 
 
RECIFE 
2015 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Catalogação na fonte 
Bibliotecário Jonas Lucas Vieira, CRB4-1204 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
S586p Silva, Elias José da 
Palavras-chave: recursos para a representação de tendências temáticas 
do doutorado em Geografia da Universidade Federal de Pernambuco / 
Elias José da Silva. – Recife: O Autor, 2015. 
 64 f.: il., fig. 
 
 Orientador: Fábio Mascarenhas e Silva. 
 Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Universidade Federal 
de Pernambuco. Centro de Artes e Comunicação. Ciência da Informação, 
2016. 
 
 Inclui referências e apêndice. 
 
1. Ciência da informação. 2. Organização da informação. 3. 
Representação do conhecimento (Teoria da informação). 4. Ensino 
superior – Pesquisa. 5. Educação – Estudo e ensino (Pós-graduação). I. 
Silva, Fábio Mascarenhas e (Orientador). II. Título. 
 
 
658.4038 CDD (22.ed.) UFPE (CAC 2015-20) 
 
 
 
 
 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
A Deus, por me conceder a benção da vida, da fé e coragem de ir a luta do sonho. 
 
Aos meus pais: Severino José da Silva e Aderita Gomes da Rocha Silva, eternos 
meninos de engenho, sábios, guerreiros e que de sua forma simples são a base da 
minha formação humana; 
 
Aos meus irmãos Isaias, Iranita e Severo (in memoria) e aos meus sobrinhos 
os quais sempre dividi as lutas e conquistas; 
 
Ao meu estimado Jurandi Donato por dividir comigo os vários momentos da 
vida, pelos incentivos e pela paciência em me ouvir, ler e discuitir as leituras. 
 
Aos meus amigos meio irmãos, Nívea Maria, José Luciano, Gilvanice 
Marques e Juliano Vidal; 
 
A todos os amigos que conviveram e convivem comigo na rotina do trabalho 
escolar, em especial a Miriam da Paz por conceder os momentos que tanto precisei 
e a Virginia Lícia pelas palavras de incentivo;. 
 
Aos Funcionários do DCI, em especial Jorge e Tereza pelo constante prazer e 
simpatia ao atender. 
 
Aos Professores do Curso de Gestão da Informação que colaboraram 
diretamente e indiretamente na minha formação, em especial a Luciana Vidal, Fábio 
Pinho, Vildeane Borba, Raimundo Nonato, Nadi Helena, André Fell e Maria Cristina . 
 
Aos colegas da segunda turma do Curso de Gestão da Informação, em 
especial a Valquíria, Fabio, Ivanildo, Fernando, Neuton e Ciro por dividir as alegrias, 
dilemas e expectativas como estudantes desbravadores de um curso em ascensão. 
 
Ao meu orientador Prof. Fábio Mascarenhas e Silva, pelas palavras de 
ânimo, a quem estimo respeito e admiração pelo modelo de profissional 
humanizado e que não desistiu de mim em nenhum momento, meus sinceros 
agradecimentos. 
Elias José. 
 
SILVA, Elias José. Palavras-chave: Recursos para representação de Tendências 
Temáticas do Doutorado de Geografia da Universidade Federal de Pernambuco. 
2015. 64. f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Gestão da 
Informação) – Departamento de Ciëncia da Informação, Universidade Federal de 
Pernambuco. Recife, 2015. 
RESUMO: 
O presente Trabalho visou verificar a possibilidade do uso de palavras-chave como 
recurso para representação das tendências temáticas do Curso de Doutorado do 
Programa de Pós-graduação de Geografia (PPGEO) da Universidade Federal de 
Pernambuco (UFPE). Analisaram-se e compararam-se três conjuntos de palavras-
chave que fazem referência às teses defendidas entre 2008 e 2014. O primeiro 
conjunto de palavras-chave trata das que foram citadas pelos autores nos resumos 
de suas teses; o segundo constitui-se de palavras-chave que foram indexadas às 
teses quando armazenadas no Repositório Informacional (RI) da UFPE; e o terceiro 
conjunto refere-se às palavras-chave presentes na ficha catalográfica das teses. 
Para tanto, realizou-se um estudo bibliográfico para nortear as questões de 
identidade da Ciência da Informação e seu objeto de estudo, em particular, a 
informação científica, bem como os referenciais teóricos que abordam sobre a 
representação e organização da informação e do conhecimento, e a função das 
palavras-chave nesse processo. As nuvens de palavras foram ferramentas 
elencadas para visualização das palavras-chave citadas nos três conjuntos acima 
descritos. Constatou-se que as palavras-chave da ficha catalográfica, diante do seu 
caráter de linguagem controlada, exercem o papel, exclusivo, de auxiliar nos 
processos de identificação da área geral de conhecimento e o da localização física 
do documento. Verificaram-se semelhanças entre as palavras-chave atribuídas às 
teses no RI da UFPE e as atribuídas pelos autores nos resumos, demonstrando o 
predomínio de termos da linguagem natural no repositório. O uso da única 
ferramenta de visualização atendeu os objetivos da pesquisa, no entanto, limitou as 
análises mais aprofundadas e representou-se um panorama temático, em vez da 
tendência temática. Sugere-se que relações entre as palavras-chave e entre elas e 
as linhas de pesquisa de um programa de pós-graduação podem enriquecer a 
pesquisa. 
Palavras-chave: Representação da informação e do conhecimento; Gestão da 
Informação; Repositório; Palavra-chave; Nuvem de palavra; Geografia; 
SILVA, Elias José. Keywords: Resources for representation trends theme in 
Geography Course Doctoral of Universidade Federal de Pernambuco. 2015. 64. f. 
Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Gestão da Informação) – 
Departamento de Ciëncia da Informação, Universidade Federal de Pernambuco. 
Recife. Brazil, 2015. 
 
ABSTRACT: 
This research aimed to verify the possibility of using keywords as a resource for 
representation of thematic trends Doctoral Course Geography (PPGEO) of the 
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Analyzed and compared three sets of 
keywords, as its source, that reference to theses between 2008 and 2014. The first 
set of keywords comes from those cited by the authors in the summaries of their 
theses; the second is made up of keywords that have been indexed to the theses 
when stored in Informational Repository (IR) of UFPE; and the third set refers to the 
keywords present in the card catalog of the theses. For this, we used a 
bibliographical study to guide the science questions of identity information and its 
subject matter, in particular, scientific information, as well as the theoretical 
frameworks that address on the representation and organization of information and 
the role of Keywords in this process. The tag clouds were listed tools for keywords of 
view. It was found that the keywords of the catalog card, before his character 
symbolic language, play the role, unique, to assist in the identification process of the 
general area of knowledge and the physical location of the document. There were 
similarities between the keywords assigned to the theses in RI UFPE and assigned 
by the authors in the abstract, showing the predominance of terms of natural 
language in the repository. Using the unique visualizationtool has met the objectives 
of the research, however: limited the further analysis and is represented an overall 
view rather than the thematic trend. It is suggested that relationships between 
keywords and between them and the research lines of a post graduate program can 
enrich the research. 
 
Keywords: Information Representation and knowledge; Information management; 
Repository; Keyword; Tag cloud; Geography; 
 
 
LISTA DE FIGURAS 
 
Figura 1: PÁGINA INICIAL DO RI DA UFPE ................ Erro! Indicador não definido. 
Figura 2: COLEÇÕES DE ITENS POR COMUNIDADE DO PPGEO DA UFPE .. Erro! 
Indicador não definido. 
Figura 3: FILTROS DE BUSCA DO RI DA UFPE ........ Erro! Indicador não definido. 
Figura 4: USO DO FILTRO DE BUSCA POR DATA DO DOCUMENTO ............. Erro! 
Indicador não definido. 
Figura 5: DESCRIÇÃO FÍSICA E TEMÁTICA DO DOCUMENTOErro! Indicador não 
definido. 
Figura 6: LOCALIZAÇÃO DAS PALAVRAS-CHAVE ATRIBUIDAS AO DOCUMENTO 
NO RI DA UFPE ........................................................... Erro! Indicador não definido. 
Figura 7: LOCALIZAÇÃO DAS PALAVRAS-CHAVE NA FICHA CATALOGRÁFICA
 ..................................................................................... Erro! Indicador não definido. 
Figura 8: LOCALIZAÇÃO DAS PALAVRAS-CHAVE NO RESUMO DA TESE .... Erro! 
Indicador não definido. 
Figura 9: TESES ARMAZENADAS EM BASE DE DADOS PESSOALErro! Indicador 
não definido. 
Figura 10: PÁGINA INICIAL DO SITE TAGCROWD .... Erro! Indicador não definido. 
Figura 11: REPRESENTAÇÃO DOS TERMOS NATURAIS DAS TESES 
DEFENDIDAS EM 2008 ............................................... Erro! Indicador não definido. 
Figura 12: REPRESENTAÇÃO DOS TERMOS DA FICHA CATALOGRÁFICADAS 
TESES DEFENDIDAS EM 2008 .................................. Erro! Indicador não definido. 
Figura 13: REPRESENTAÇÃO DOS TERMOS NATURAIS DAS TESES 
DEFENDIDAS EM 2009 ............................................... Erro! Indicador não definido. 
Figura 14: REPRESENTAÇÃO DOS TERMOS DA FICHA CATALOGRÁFICA DAS 
TESES DEFENDIDAS EM 2009 .................................. Erro! Indicador não definido. 
Figura 15: REPRESENTAÇÃO DOS TERMOS NATURAIS DAS TESES 
DEFENDIDAS EM 2010 ............................................... Erro! Indicador não definido. 
Figura 16: - REPRESENTAÇÃO DOS TERMOS DA FICHA CATALOGRÁFICA DAS 
TESES DEFENDIDAS EM 2010 .................................. Erro! Indicador não definido. 
Figura 17: REPRESENTAÇÃO DOS TERMOS NATURAIS DAS TESES 
DEFENDIDAS EM 2011 ............................................... Erro! Indicador não definido. 
Figura 18: REPRESENTAÇÃO DOS TERMOS DA FICHA CATALOGRÁFICA DAS 
TESES DEFENDIDAS EM 2011 .................................. Erro! Indicador não definido. 
Figura 19: REPRESENTAÇÃO DOS TERMOS NATURAIS DAS TESES 
DEFENDIDAS EM 2012 ............................................... Erro! Indicador não definido. 
Figura 20: REPRESENTAÇÃO DOS TERMOS DA FICHA CATALOGRÁFICA DAS 
TESES DEFENDIDAS EM 2012 .................................. Erro! Indicador não definido. 
Figura 21: REPRESENTAÇÃO DOS TERMOS NATURAIS DAS TESES 
DEFENDIDAS EM 2013 ............................................... Erro! Indicador não definido. 
Figura 22: REPRESENTAÇÃO DOS TERMOS DA FICHA CATALOGRÁFICA DAS 
TESES DEFENDIDAS EM 2013 .................................. Erro! Indicador não definido. 
Figura 23: - REPRESENTAÇÃO DOS TERMOS NATURAIS DAS TESES 
DEFENDIDAS EM 2015 ............................................... Erro! Indicador não definido. 
Figura 24: REPRESENTAÇÃO DOS TERMOS DA FICHA CATALOGRÁFICA DAS 
TESES DEFENDIDAS EM 2014 .................................. Erro! Indicador não definido. 
Figura 25: NUVEM DE PALAVRAS DAS PALAVRAS-CHAVE DOS RESUMOS DAS 
TESES. ........................................................................ Erro! Indicador não definido. 
Figura 26: NUVEM DE PALAVRAS DAS PALAVRAS-CHAVE DAS TESES NO RI 
DA UFPE. ..................................................................... Erro! Indicador não definido. 
Figura 27: NUVEM DE PALAVRAS DAS PALAVRAS-CHAVE ATRIBUÍDAS NAS 
FICHAS CATALOGRÁFICAS DAS TESES. ................. Erro! Indicador não definido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE QUADROS 
 
 
Quadro 1: COMPARAÇÃO DAS VANTAGENS E DESVANTAGENS DA 
LINGUAGEM NATURAL (LN) E DA LINGUAGEM CONTROLODA (LC) ............ Erro! 
Indicador não definido.2 
 
Quadro 2: ÁREA DE CONCENTRAÇÃO E LINHAS DE PESQUISA DO PPGEO DA 
UFPE .......................................................................... Erro! Indicador não definido.7 
 
Quadro 3: TESE EM DUPLICIDADE NO RI DA UFPEErro! Indicador não 
definido.5 
 
Quadro 4: TESE ARMAZENADA NO RI COM TÍTULO DIVERGENTE DA OBRA 
FÍSICA ........................................................................ Erro! Indicador não definido.5 
 
Quadro 5: EXEMPLO DA ORGANIZAÇÃO DAS PALAVRAS-CHAVE PARA 
GERAÇÃO DE NUVENS DE PALAVRAS ................ Erro! Indicador não definido.40 
 
Quadro 6: PALAVRAS-CHAVE ATRIBUIDAS PELOS AUTORES DAS TESES 
DEFENDIDAS EM 2008 
 ................................................................................. Erro! Indicador não definido.43 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE SIGLAS 
 
BD - BIBLIOTECA DIGITAL 
BDTD - BIBLIOTECA DIGITAL DE TESES E DISSERTAÇÕES 
CAPES - 
COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL 
DE NIVEL SUPERIOR 
CDD - CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY 
CFCH - CENTRO DE FILOSOFIA E CIENCIAS HUMANAS 
CI - CIËNCIA DA INFORMAÇÃO 
CTG - CENTRO DE TECNOLOGIA E GEOCIËNCIAS 
ENANCIB - 
ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM POS 
GRADUAÇÃO EM CIENCIA DA INFORMAÇÃO 
FURG UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE 
GI - GESTÃO DA INFORMAÇÃO 
IFES - INSTITUIÇÃO FEDERAL DE ENSINO SUPERIOR 
LC - LINGUAGEM CONTROLADA 
LN - LINGUAGEM NATURAL 
MEDILINE - 
MEDICAL LITERATURE ANALYSIS AND RETRIEVAL 
SYSTEM ON LINE 
MeSH - MEDICAL SUBJECT HAADINGS 
OAIS OPEN ARCHIVAL INFORMATION SYSTEM 
PPG PROGRAMA DE POS GRADUAÇÃO 
PPGEO - PROGRAMA DE POS GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA 
RI - REPOSITORIO INFORMACIONAL 
TCC - TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO 
UFPE - UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
1 INTRODUÇÃO 11 
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 14 
2.1 A Ciência da Informação e seu Objeto de Estudo 14 
2.2 A Representação e Organização da Informação: Bases 
Conceituais 
18 
2.2.1 Palavras-Chave: Conceitos e Definições 20 
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 26 
3.1 Caracterização do Programa de Pós-Graduação em Geografia 
da UFPE (PPGEO da UFPE) 
26 
3.2 Características do Repositório Informacional da UFPE (RI da 
UFPE) 
28 
3.3 A Coleta das Teses no RI da UFPE 31 
3.4 A Organização e a Representação Visual das Palavras-Chave 40 
4 ANÁLISE DOS RESULTADOS 43 
4.1 Primeira Análise 44 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 53 
UFRJ - UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO 
USP - UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO 
 
 REFERÊNCIAS 56 
 
 
 
 
 
 
11 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
Na obra A sociedade em rede, Castells (2000) diferencia a sociedade 
industrial da atual pós-industrial ao afirmar que esta ancora-se na economia 
informacional para estabelecer seus meios de produção, e Santos (2000) corrobora 
afirmando que este período, denominado por ele de técnico-científico-informacional, 
é marcado pela necessidade crescente da relação entre ciência e tecnologia para o 
alcance do progresso. No entanto, comunicar os resultados alcançados nos 
diversos canais informacionais, hoje disponíveis, ganha relevância, pois o que é 
produzido cientificamente num dado período de tempo tem relações diretas com o 
desenvolvimento de uma sociedade. 
Neste contexto, a Ciência da informação (CI) colabora com as demais áreas 
exercendo uma das suas finalidades que é a disseminação do seu objeto de estudo 
(a informação), e para tanto, a sua organização e a sua representação são aspectos 
essenciais para que o conhecimento construídopela humanidade seja melhor 
recuperado, visualizado, divulgado e (re)significado. 
No caso da informação científica, enquanto insumo para a ciência e a 
tecnologia, ressalta-se a importância do partilhamento, da validação e da 
colaboração desta aos demais pesquisadores. Esse tipo de informação se renova 
na comunidade que tem interesse nela, por meio da sua comunicação nos eventos 
científicos e registrada em documentos. 
Dessa maneira, os documentos de cunho científico também se caracterizam 
como objeto de interesse da CI diante da necessidade dos mesmos serem 
identificados, organizados e recuperados com maior precisão. 
Nesse aspecto, a indexação dos documentos por meio de palavras-chave nas 
bases de dados tanto físicas quanto as digitais tem sido amplamente utilizada não 
apenas para facilitar a recuperação, como também para representar o conteúdo do 
documento a partir da visão e da linguagem dos autores. 
Assim, a questão central desta pesquisa foi: Seria possível utilizar as 
palavras-chave atribuídas à teses para constituir um mapa temático de um Programa 
de Pós-graduação? 
Para este estudo pressupôs que seria sim possível fazer uso de palavras 
como forma de representação da memória científica de uma determinada área do 
12 
 
conhecimento, pelo fato delas serem signos representativos do conteúdo do 
conhecimento registrado, ou seja, do documento. 
Para tanto, o presente Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), do 
Bacharelado em Gestão da Informação (GI) da Universidade Federal de 
Pernambuco (UFPE), tem como objetivo Geral representar, através de nuvem de 
palavras, as tendências temáticas do Curso de Doutorado do Programa de Pós-
graduação de Geografia (PPGEO) da UFPE, defendidas entre 2008 e 2014, a partir 
da análise e comparação de três conjuntos de palavras-chave referentes às suas 
Teses. O primeiro conjunto trata das palavras-chave utilizadas pelos autores nos 
resumos de suas teses; o segundo constitui-se de palavras-chave que foram 
indexadas às teses quando armazenadas no Repositório Informacional (RI) da 
referida Instituição Federal de Ensino Superior (IFES); e o terceiro conjunto refere-se 
às palavras-chave presentes na ficha catalográfica das teses, as quais resultam das 
linguagens controladas, como por exemplo, a Classificação Decimal de Dewey 
(CDD), ou Classificação Decimal Universal (CDU). 
Inicialmente a proposta desta pesquisa limitava-se a analisar as palavras-
chave citadas pelos autores nos resumos de suas teses. Mas, no percurso da 
investigação percebeu-se que durante a organização das palavras-chave, numa 
base de dados pessoal, curiosamente, verificou-se que a maioria destas era a 
mesma das que foram adotadas na indexação das Teses no RI da UFPE e que 
estas se diferenciavam das que foram atribuídas na ficha catalográfica das mesmas. 
Isso instigou a considerar não apenas os termos propostos pelos autores, mas 
também a estudar os adotados no Sistema de Informação Institucional e na ficha 
catalográfica. 
A identificação das palavras-chave nos três conjuntos citados, mapear os 
temas e visualizá-las por meio das nuvens de palavras configuram-se como 
objetivos específicos. 
 A escolha do tema para desenvolvimento deste TCC demonstrou-se 
desafiador pelos seguintes motivos: A possibilidade de se construir um perfil de 
tendências temáticas, por meio do uso de palavras-chave das teses de um dos 
importantes centros de pesquisa geográfica do Brasil e do Nordeste brasileiro (área 
de minha primeira formação superior). Pela possibilidade da inserção do autor deste 
trabalho no campo da pesquisa em Ciência da Informação (área de minha segunda 
formação superior). 
13 
 
Este TCC estrutura-se em cinco seções, sendo a introdução a primeira. A 
segunda trata do referencial teórico o qual se configura numa exploração 
bibliográfica. Foram consultados livros, artigos de periódicos e teses, para embasar 
as questões referentes à Ciência da Informação e seu objeto de estudo, as 
especificidades da informação científica, alguns conceitos que tratam da 
representação do conhecimento e da informação, bem como reflexões teóricas 
acerca das palavras-chave, as quais estão inseridas na análise e representação 
documental. Os procedimentos metodológicos constam na terceira seção, onde 
apresenta, brevemente o Programa de Pós-graduação de Geografia da UFPE 
(PPGEO da UFPE), e em particular o Curso de Doutorado. Aborda sobre o RI, sua 
importância e gerenciamento da informação da produção científica nele existente. 
Nesta mesma seção demonstra-se o passo a passo do acesso a base de 
dados online da IFES e a coleta das teses, bem como a organização das palavras-
chave. Encerra com uma breve abordagem conceitual sobre Nuvem de Palavras 
(Tags Clouds) e o sua importância para visualização dos termos empregados, os 
quais representam as temáticas do Curso de Doutorado do PPGEO-UFPE. 
 A quarta seção ficou reservada para uma discussão e análise dos resultados 
visualizados pelas nuvens de palavras e a quinta com as considerações finais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 
 
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 
 
Esta seção consiste em realizar uma revisão do tema, sob o aspecto teórico, 
realizado em pesquisas e trabalhos cientificamente confiáveis (ECO, 2010; 
LAKATOS; MARCONI, 2001; MARION; DIAS; TRALDI, 2002). Para tanto, livros, 
artigos de periódicos e teses foram consultados para nortear as questões de 
identidade da Ciência da Informação e seu objeto de estudo (BARRETO, 2007; 
BORKO, 1968; LE COADIC, 1996; MIRANDA, 2002; ROBREDO, 2003), em 
particular, a informação científica (SANTOS et al., 2007; SANTOS; KOBASHI, 2009; 
SILVA; SMIT, 2008), bem como os referenciais teóricos que abordam sobre a 
representação do conteúdo do conhecimento científico (BRASCHER; CAFÉ, 2008; 
FUJITA et al., 2009; NOVELLINO, 1996;) e a função das palavras-chave nesse 
processo (BORBA; VAN DER LAAN; CHINI, 2012; FERREIRA, 2012; MIGUÉIS et 
al., 2013). 
 
2.1 A Ciência da Informação e seu Objeto de Estudo 
 
Definições do termo ‘informação’ são apresentadas por pesquisadores de 
diferentes áreas, o que por vezes resultam em conceitos evasivos e controversos, 
até mesmo utilizado como sinônimo de conhecimento. A questão terminológica 
envolvendo os termos informação e conhecimento também é apontada por Bräscher 
e Café (2008) no intuito de diferenciá-los no âmbito da Ciência da Informação (CI). 
Apesar de não ter ainda uma definição esclarecida, nem esclarecedora, a 
literatura em CI apresenta diversas definições do seu objeto de estudo (a 
informação) e assim a sua definição ainda se encontra num processo em 
consolidação. Por este motivo e outros, a CI travou, desde a sua origem, 
dificuldades diante das outras áreas de conhecimento de se firmar e ser reconhecida 
enquanto Ciência. 
Num artigo bastante conhecido e clássico, sob o título Information Science – 
what is it? Borko (1968) bem que procurou caracterizar, delimitar e apontar o objeto 
de estudo da CI ao ter afirmado que ela: 
 
[...] investiga as propriedades e o comportamento da informação, as 
forças que regem o fluxo informacional e os meios de processamento da 
informação para a otimização do acesso e uso. Está relacionado com um 
15 
 
corpo de conhecimento que abrange a origem, coleta, organização, 
armazenamento, recuperação, interpretação, transmissão, transformação e 
utilização da informação. Isto inclui a investigação, as representações da 
informação tanto no sistema natural, como no artificial, o uso de códigos 
para uma eficiente transmissão de mensagens e o estudo dos serviços e 
técnicas de processamento da informação e seus sistemas de 
programação. Trata-se de uma ciência interdisciplinar derivada e 
relacionada com vários campos como a matemática, a lógica, a lingüística, 
a psicologia, a tecnologia computacional, as operações de pesquisa, as 
artes gráficas, as comunicações,a biblioteconomia, a gestão e outros 
campos similares. (BORKO, 1968, p.3, traduzido por ROBREDO, 2003, 
p.56-57).1 
 
Para Miranda (2002, p.10), “o problema da nova ciência estaria na definição 
de ‘informação’ que, conforme as origens profissionais dos especialistas teriam 
sentidos e conotações próprias e diferenciadas”. 
Le Coadic (1996) reconhece o crescimento do volume de informação, ou 
explosão da informação, como o elemento primordial para a gênese da CI, 
marcadamente notada após a segunda guerra mundial. O autor afirma que a CI, 
enquanto Ciência, realizar uma: 
 
[...] produção consciente da espécie humana com origens bem 
precisas, um objeto e um conteúdo bem definidos e especialistas facilmente 
identificáveis. Suas origens são recentes: 1968, data de nascimento da 
primeira grande sociedade cientifica nos Estados Unidos, a American 
Society for Information Science (ASIS). Tem, portanto, um quarto de século, 
tempo de uma geração, o que é também uma idade adulta. A ciência da 
informação tornou-se uma ‘ciência adulta’, que conta com uma definição do 
seu objeto de estudo, métodos, alguns conceitos básicos, leis fundamentais, 
etc. Enfim, refere-se cada vez mais à sua própria história, o que é sinal de 
maturidade. Seu objeto é uma matéria, a informação. Trata-se de recurso 
vital do qual ainda não se mediu suficientemente a extensão dos usos e 
não-usos, por falta de atenção com seus usuários. Seu conteúdo, marcado 
pelo selo da interdisciplinaridade, é uma sábia dosagem de ciências 
matemáticas e físicas, bem como ciências sociais e humanas. (LE COADIC, 
1996, p. 109). 
 
 
 
 
 
 
 
1 […] investigates the properties and behavior of information, the forces governing the flow of 
information, and the means of processing information for optimum accessibility and usability. It is 
concerned with that body of knowledge relating to the origination, collection, organization, storage, 
retrieval, interpretation, transmission, transformation, and utilization of information. This includes the 
investigation of information representations in both natural and artificial systems, the use of codes for 
efficient 2 3 message transmission, and the study of information processing devices and techniques 
such as computers and their programming systems. It is an interdisciplinary science derived from and 
related to such fields as mathematics, logic, linguistics, psychology, computer technology, operations 
research, the graphic arts, communications, library science, management, and other similar fields. 
(Borko, 1968, 3). 
16 
 
Mesmo de forma modesta, a importância da CI para a sociedade tem sido 
demonstrada desde então. Seus principais objetivos vão desde o estudo das 
propriedades gerais da informação, passando pela análise e seus processos de 
construção, comunicação, até o uso da mesma. 
Sobre as características da Ciência da Informação (CI), Novellino (1996) 
acrescenta que: 
A Ciência da Informação é uma disciplina voltada para o estudo de 
fenômenos subjacentes à produção, circulação e uso da informação. O 
estudo desses fenômenos tem como finalidade possibilitar a criação de 
instrumentos e o estabelecimento de metodologias que viabilizem a 
transferência de informações. (NOVELLINO, 1996, p.37). 
 
 Bräscher e Café (2008, p.107) acrescentam que a CI de fato caracteriza-se 
pela perspectiva interdisciplinar, estruturada num “[...] corpus teórico próprio, mas 
para afirmar-se como legítimo, precisa também travar relações com outras áreas”, 
que em seu estudo elas escolheram o termo ‘interfaces’, em vez de 
interdisciplinaridade, para referir-se a atividade da CI a qual conflui na mesma 
direção de algumas outras áreas, porém cada uma detentora de um acervo prático e 
teórico específico. 
Apresentados as definições da CI cabe apontar os entendimentos e conceitos 
do seu objeto de estudo. Nesse sentido, Capurro e Hjørland (2007 apud 
FERREIRA, 2012, p.24) colaboraram com um extenso trabalho no qual, “[...] entre 
muitas colocações, escreveram que o conceito de informação deveria ser elaborado, 
considerando contextos”. 
Souza (2007) corrobora ao explicitar que estes diferentes contextos (no 
científico, no tecnológico, no educacional, no político, no artístico e cultural) a 
informação é um produto do homem, sendo a chave e a matéria-prima para a 
aquisição e (re)construção do conhecimento. 
Para Barreto (2007), conhecer é ato de interpretação individual, apropriação 
do objeto informação pelas estruturas mentais de cada sujeito. Em suma, é a 
modificação do seu estoque mental após a interação com uma nova forma de 
informação. 
Robredo (2007) acrescenta que a informação pode ser registrada, duplicada, 
transmitida, armazenada, organizada, processada e codificada pela linguagem 
natural (falada ou escrita), seguindo normas e padrões (gramática, sintaxe) próprios 
17 
 
de cada língua, ou de outras linguagens criadas pelo homem. Informação seria 
então o conhecimento externalizado mediante algum tipo de codificação. 
Buckland (1991) identifica três principais usos da palavra informação para 
classificar as atividades a ela relacionadas. O primeiro e o segundo apresentam a 
informação como intangíveis, por gerarem apenas conhecimentos tácitos, que 
dificilmente podem ser percebidos, manipulados ou recuperados por sistemas de 
informação. Inicialmente, a “informação-como-processo”, a qual equivale ao ato de 
informar, de comunicar algo a alguém, de narrar algo e proporcionar modificações 
no saber do indivíduo. Em seguida, a “informação-como-conhecimento”, aquela que 
é percebida a partir da informação como processo, ou seja, assimilada e 
compreendida. Por fim, o terceiro uso aborda a “informação-como-coisa”, a 
informação registrada em qualquer suporte, entidade tangível e possível de ser 
tratada por sistemas de informação. Este termo seria, portanto, aplicado aos 
documentos, livros e qualquer tipo de objeto que possa ter valor informativo, o que, 
em princípio, literalmente pode ser qualquer coisa, desde que tenha a qualidade de 
conhecimento comunicado, materializado. 
Enfim, a informação existe e isso é fato. Sua comunicação, seleção ou 
agregação de valor é que lhe conferem uma existência visível, palpável e 
mensurável às pessoas e pelas pessoas. Dessa maneira, as teses defendidas no 
PPGEO desempenham um papel fundamental neste TCC, as quais se classificam 
como informação cientifica registrada e validada por pesquisadores. Portanto, a 
informação-como-coisa é o conceito que mais se coaduna com o escopo desta 
pesquisa. 
A informação científica resulta das pesquisas e serve como insumo básico 
para o desenvolvimento científico e tecnológico de um país. Macias-chapula (1998) 
e Santos et al. (2007) afirmam que os dados estatísticos da produção cientifica 
caracterizam-se como instrumentos indispensáveis para a tomada de decisão na 
política científica, em especial em relação às prioridades a serem estabelecidas nos 
Programas de Pós-graduação. Santaella (2001, p.46-47) aponta que “a) não há 
comunicação sem transmissão de informação; b) não há informação que não seja 
encarnada numa mensagem; c) não há mensagem sem signos; d) não há 
transmissão de mensagem sem canal de transporte”. Para tanto, comunicar e 
refletir sobre a produção e circulação dos conhecimentos científicos, nos diversos 
canais informacionais hoje disponíveis, ganha relevância. 
18 
 
Assim, as teses podem revelar aspectos importantes da atividade cientifica de 
um país, de uma instituição, ou de um grupo de pesquisadores, servindo de matéria-
prima para a geração de novos conhecimentos científicos e tecnológicos. Conforme 
Santos et al. (2007), conhecer em profundidade as características e hábitos de cada 
setor, elaborar hipóteses plausíveis, fazer uso de metodologias de coleta e análise 
que produzam resultados confiáveis são primordiais. No casoparticular do 
desenvolvimento desta pesquisa, a representação do conhecimento produzido no 
Curso de Doutorado do PPGEO da UFPE, o qual está registrado nas teses, 
demonstra ser uma atividade contribuidora nos domínios da CI no momento em que 
“[...] toma por objeto a informação a partir da sua geração, participando da sua 
seleção, tratamento e disseminação nas instituições [...]”. (FERREIRA, 2012. p. 19). 
 
2.2 A Representação e Organização da Informação: Base Conceitual 
 
Alvarenga (2006, p.5) parte da definição de que “representar significa o ato de 
colocar algo no lugar de” e nesse sentido, as representações são artifícios que o 
homem criou para conseguir captar a vastidão e complexidade do conhecimento 
construído. Dessa maneira, as representações assumem aspectos essenciais para 
que o conhecimento seja melhor recuperado, visualizado, divulgado e 
(re)significado. (DODEBEI, 2002; VITAL, 2010). 
Em seu sentido amplo, Bettencourt (2014, p.52) traz o conceito de 
representação, “o qual é encontrado na teoria das ciências cognitivas tratando o 
tema da representação mental, mediante a qual o sujeito organiza o seu 
conhecimento”. No estudo das interfaces entre a CI e outras áreas, Bräscher e 
Café (2008, p.115) complementam afirmando que os estudos sobre a representação 
do conhecimento se aproximam do paradigma cognitivo, na medida em que as 
linguagens documentárias, a classificação e a análise de assunto são interfaces 
entre a CI e a Semiótica, a Lingüística, a Arquivologia e a Biblioteconomia, em 
função das características instrumentais dessas áreas quando se estuda a 
terminologia em sistemas de indexação permeados pelas TICs. 
Novellino (1996) aponta em seu artigo que a CI se volta para a organização 
da informação, a qual também diz respeito à sua representação. 
19 
 
Quanto à delimitação dos conceitos de organização e representação da 
informação (OI/RI) e organização e representação do conhecimento (OC/RC), 
Bräscher e Café (2008) esclarecem que: 
 
a organização da informação é um processo que envolve a descrição física 
e de conteúdo dos objetos informacionais. O produto deste processo 
descritivo é a representação de determinado objeto informacional, enquanto 
que a organização do conhecimento, caracterizadas pelos conceitos, 
classificações e relacionamentos visa à construção de modelos de mundo 
que se constituem em abstrações da realidade. (BRASCHER; CAFÉ 2008, 
p.6) 
 
No contexto desta pesquisa, adota-se a proposta conceitual de Novellino 
(1996) pois esclarece que: 
 
A principal característica do processo de representação da 
informação é a substituição de uma entidade lingüística longa e complexa - 
o texto do documento - por sua descrição abreviada. O uso de tal 
]sumarização não é apenas uma conseqüência de restrições práticas 
quanto ao volume de material a ser armazenado e recuperado. Essa 
sumarização é desejável, pois sua função é demonstrar a essência do 
documento. Ela funciona então como um artifício para enfatizar o que é 
essencial no documento. (NOVELLINO, 1996, p.38). 
 
 
Estas tarefas, organização e representação, envolvem o tratamento da 
informação, as quais não podem alterar o conteúdo da mesma, porém pode criar 
novas informações a partir dela. Silva (2007) afirma que o processo de tratamento 
da informação é feito a partir de metodologias formalizadas de reconhecimentos 
temáticos e descritivos do conhecimento inscritos num suporte documental. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
20 
 
2.2.1 Palavras-Chave: Conceitos e Definições 
 
A partir do momento em que o homem passou a ser capaz de pensar e de 
falar, ele fez uso das palavras, do conjunto de símbolos, de signos e sinais para 
designar os objetos e para traduzir os pensamentos formulados sobre os mesmos 
(DAHLBERG, 1978). Na oralidade, o homem encontrou na memória os princípios da 
organização de seus saberes. Mais tarde, a escrita surgiu em consequência da 
necessidade de se perenizar o conhecimento e de organizá-lo fora da memória. 
 A escrita passou a ter a função de imprimir as informações e de possibilitar a 
comunicação através do tempo, diante do poder que as palavras têm de deter um 
significado. De acordo com Hudon (2010), “as palavras nunca podem ser 
completamente isoladas do sistema lingüístico que pertencem, nem da origem em 
que elas foram criadas”. O que ratifica o valor delas é a vigência do seu significado, 
pois, para a autora, “[...] as palavras não são passivas e nem neutras [...]”.2 
(HUDON, 2010, p.146). 
 Borba, Van de Laan e Chini (2012, p.28) acrescentam que “[...] o estudo das 
palavras-chave só pode ser compreendido com o auxílio do estudo da língua”, e 
assim a ideia de palavras-chave vai mais além, pois estas são signos, conjunto de 
palavras, que representam um documento e seu conteúdo sem necessariamente 
fazer uma leitura total dele. 
Numa definição simples, palavra-chave é a palavra que traduz o sentido de 
um contexto, que o torna claro e o identifica, ou ainda, é a palavra que identifica 
elementos correlatos ou que pertençam à mesma área de interesse para fins de 
pesquisa (HOUAISS, 2001, p. 2108). De uma maneira geral, as palavras-chave 
configuram-se como resultado, produto decorrente de um processo de 
representação de conteúdos. 
Cunha e Cavalcanti (2008, p.274) definem a palavra-chave como a “palavra 
significativa encontrada no título de um documento, no resumo ou no texto. Essa 
palavra (ou grupo de palavras) caracteriza o conteúdo temático do item e é usada 
em catálogos e índices de assuntos”. Nesta definição, a palavra-chave cumpre 
simultaneamente o papel de representar a informação e o de recuperá-la. 
 
2 “Words can never be completely isolated from their context, from the linguistic system to which they belong, 
from the culture that has created them”. “ […]”. “Words are not passive and neutral. They are powerful […].” 
(HUDON, 2010, p.146. Tradução do autor). 
21 
 
 As palavras-chave citadas pelos autores nos trabalhos científicos, 
normalmente, são extraídas do próprio documento e neste TCC considera-se que 
tais palavras fazem parte da Linguagem Natural (LN), termo que “[...] não significa 
outra coisa que a linguagem do discurso comum”. (LANCASTER, 2002, p.177 apud 
GODINHO, 2014, p.33). 
Em um sistema de recuperação com linguagem natural, o assunto dos 
documentos e as necessidades de informação estão representados por um 
vocabulário ilimitado de palavras e frases utilizadas habitualmente no campo 
temático, a qual pode gerar uma riqueza de compreensões, visto que a linguagem 
humana é caracterizada pela polissemia vocabular. (CINTRA et al., 2002). 
O antônimo de linguagem natural é linguagem controlada (LC), ou seja, um 
limitado conjunto de termos, o qual se aproxima, portanto, do âmbito das Linguagens 
Documentárias (LD). Trata-se de um produto que se de define como uma linguagem 
artificial, assim chamada porque não é resultado do processo evolutivo natural e 
necessita de regras explícitas para o seu uso (CINTRA et al., 2002). E nesse 
aspecto Tomás-Casterá (2009, apud Ferreira, 2012, p.43), usa o termo “descritores”, 
para se referir a termos unívocos, cuja característica é o controle de vocabulário, 
normalizados e estruturados de forma hierárquica. Ferreira (2012) orienta que para 
a palavra-chave tornar-se um descritor ela tem que passar por um rígido controle de 
sinônimos, significado e importância na árvore de um determinado assunto. 
As palavras-chave presentes na ficha catalográfica de um documento 
resultam da ordenação de termos conforme o sistema de classificação bibilográfica 
adotada. Marshal (2009, p.25) apresenta em sua monografia as linguagens 
documentárias, seus tipos e funções. A autora acrescenta que nos “[...] sistemas de 
clasiificação bibliográfica, os assuntos são representados por códigos ou símbolos”, 
empregadosem sua maioria para ordenação de classes de assunto e localização 
física do documento. 
Rowley (2002, p. 170-171) contribui ressaltando que “[...] tanto as linguagens 
controladas quanto às naturais são amplamente utilizadas na recuperação de 
informações [...]” e aponta que não foi possível comprovar que uma seja mais 
eficiente do que a outra. A respeito disso, Godinho (2014) apresenta em sua 
dissertação as vantagens e desvantagens dessas linguagens, as quais podem ser 
visualizadas no quadro 1. 
22 
 
Quadro 1: COMPARAÇÃO DAS VANTAGENS E DESVANTAGENS DA LINGUAGEM 
NATURAL (LN) E DA LINGUAGEM CONTROLODA (LC) 
 
 
 
 
 
VANTAGENS 
 
LN 
 
LC 
 
 Baixo custo; 
 Processo de buscas 
simplificado; 
 Possível fazer buscas no 
conteúdo total da base de 
dados; 
 Toda palavra tem valor de 
recuperação igual; 
 Sem erros humanos de 
indexação; 
 Sem demora na incorporação 
de termos novos 
 
 Resolve muitos 
problemas semânticos; 
 Permite que relações de 
gênero-espécie sejam 
identificadas; 
 Mapeia áreas do 
conhecimento 
 
 
DESVANTAGENS 
 
 Maior carga de trabalho para o 
indexador; 
 Podem-se perder informações 
que estejam incluídas implícita 
mas não explicitamente no 
texto; 
 Ausência de vínculos do 
genérico para o específico; 
 É preciso conhecer o 
vocabulário da disciplina. 
 
 
 Custo alto; 
 Possíveis inadequações 
de cobertura; 
 Erro humano; 
 Possibilidade de 
vocabulário 
desatualizado; 
 Dificuldade de incorporar 
sistematicamente todas 
as relações relevantes 
entre os termos. 
 
 Fonte: Godinho (2014, p.34). 
 
A partir da análise desse quadro pode-se observar que tanto uma linguagem 
quanto a outra podem ter efeitos negativos na eficácia da recuperação da 
informação. O uso da linguagem natural (não-controlada) pode provocar resultados 
negativos em uma busca, como exemplo, a não recuperação de documentos cujos 
conceitos se encontram implícitos, por outro lado, a linguagem controlada pode 
sofrer influência de erro do indexador. Assim, as palavras-chave (pertencentes a 
linguagem natural) ou os descritores (pertencentes a linguagem controlada), quando 
atribuídos às teses descrevem o tema, o assunto delas, contribuem nos processos 
de indexação de documentos físicos ou eletrônicos e são usadas pelas ferramentas 
de busca com o propósito de recuperação. (BRANDAU; MONTEIRO; BRAILE, 
2005; CINTRA et al., 2002; VITAL, 2010; TOMÁS-CASTERÁ, 2009; FERREIRA, 
2012). 
23 
 
A revisão da literatura permitiu identificar a existência de poucos trabalhos 
que abordam sobre o uso das palavras-chave como indicadores possíveis de revelar 
tendências temáticas de produção científica, mas outras abordagens têm sido 
bastante pertinentes. 
Miguéis et al. (2013) em seu artigo buscou comparar as palavras-chave dos 
artigos científicos da área da Ciência Farmacêutica, depositados no repositório da 
Universidade de Coimbra, com os termos da linguagem documental do Medical 
Subject Headings (MeSH) e a base de dados MEDLINE. Nesta comparação, 
verificou-se que o número de palavras-chave citadas pelos autores dos artigos é 
significativamente mais baixo do que os termos utilizados pela MEDLINE. Tal 
resultado demonstra a importância da utilização das palavras-chave no processo da 
indexação por assuntos e alerta aos autores de produções cientificas, enquanto 
intervenientes ativos no processo de representação e recuperação da informação, o 
quanto as palavras-chave registradas nos seus artigos, significam para a 
representação e recuperação da informação, bem como na contribuição para uma 
maior visibilidade, probabilidade de aumento de citações, e maior impacto da 
produção científica dos autores. 
Ferreira (2012) em sua dissertação verificou a possibilidade de visualizar a 
memória científica da Ciência da Informação brasileira, através das palavras-chave 
dos trabalhos publicados entre os anos 2003 e 2010 no Encontro Nacional de 
Pesquisa em Ciência da Informação (ENANCIB). Após as coletas, ela utilizou meios 
bibliométricos e representações por meio de gráficos, dendogramas e sociogramas 
para realizar análises. A autora verificou que a forma como as palavras-chave foram 
representadas nas comunicações, não proporcionou uma compreensão rigorosa de 
seus conteúdos. Dessa maneira, para atingir o objetivo foi necessário submeter as 
palavras-chave a uma padronização, a um grau de controle para facilitar a 
representação. 
Zanela e Titon (2005) desenvolveram em seu artigo discussões acerca do 
levantamento realizado por elas sobre dissertações e tese dos PPG em Psicologia, 
disponíveis na base de dados da CAPES, que tinham as seguintes palavras-chave: 
criatividade, atividade criadora, processos de criação, estética. Após realizarem 
análises qualitativas e quantitativas destacaram que a qualidade dos resumos 
analisados constitui uma limitação para as análises empreendidas e apontaram 
24 
 
também a necessidade de haver maior atenção, por parte dos pesquisadores, na 
elaboração dos resumos e na utilização das palavras-chave. 
Barra et al. (2006) desenvolveram em seu artigo discussões sobre os 
resultados de recuperação da informação quando utilizou os descritores em ciência 
da saúde com palavras-chave no Google, no Google scholar e na base de dados 
Scielo. Os autores procuraram entender como funcionavam estas ferramentas e 
como os artigos científicos eram indexados. Logo verificaram que a recuperação por 
meio de descritores (linguagem controlada) era mais eficiente, pois os artigos 
científicos da área de saúde são assim indexados, ao contrário, quando utilizaram as 
palavras-chave (linguagem natural), encontraram grandes dificuldades na 
recuperação de artigos completos, pois elas não seguiam uma normatização. 
 Tonelo, Lunardelli e Almeida Júnior (2012) buscaram evidenciar as palavras-
chave como mediadoras entre a informação registrada e quem dela necessita. 
Verificou-se que as palavras-chave são representações do conteúdo temático do 
documento, elaboradas na maioria das vezes por não profissionais especializados. 
Nesta perspectiva, o estudo buscou evidenciar a estreita relação entre a mediação 
da informação e a elaboração e/ou indicação de palavras-chave que representem, o 
mais fidedignamente possível, o conteúdo do documento. 
Borba, Van de Laan e Chini (2012) destacam a importância das palavras-
chave como unidades de representação e de recuperação da informação. Salienta a 
necessidade de se estabelecer a inter-relação entre linguagem natural e 
terminologia de um domínio, aperfeiçoando a linguagem documentária. Conclui que 
um sistema de recuperação da informação, no qual seja representada a informação 
em consonância com a linguagem dos usuários, possibilitará uma recuperação de 
informação com maior precisão e pertinência. 
Godinho (2014) em seu trabalho objetivou analisar a recuperação da 
informação proporcionada pelo mecanismo de busca do software DSpace e a base 
de dados contida no Repositório Institucional da Universidade de Rio Grande – 
FURG. A autora considerou o uso de linguagem natural e controlada e verificou 
problemas relacionados ao uso de acentos gráficos, a falta de controle de termos 
sinônimos e a ocorrência de silêncio documental. Concluiu que o uso de linguagens 
controladas pode favorecer a recuperação das informações mais eficiente, porém 
não se descarta o uso da linguagem natural. 
25 
 
De uma maneira geral, indexar documentos com descritores ou com palavras-
chave é uma tarefa racional, em que o sujeito indexador deve estar consciente da 
sua ação, pois, além dessas linguagens representarem o conteúdo, elas tem um fim 
essencial, a recuperação da informação, que é a chegada dela á parte mais 
importante, o usuário. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
26 
 
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 
 
Estaseção aborda os detalhes da pesquisa quanto ao percurso metodológico 
adotado. Contempla detalhes da pesquisa, o universo pesquisado, o processo de 
coleta e tratamento dos dados, bem como as dificuldades encontradas. 
Busca-se por questões e respostas convergentes ao âmbito da CI, todavia, 
outras tantas podem ser reformuladas a respeito do mesmo objeto, e nestas, mais 
perguntas, mais respostas ou refutações podem surgir, conforme os embasamentos 
teóricos existentes. Assim, delimitou-se um recorte espacial e temporal, os quais 
correspondem aos conhecimentos produzidos no Curso de Doutorado do PPGEO da 
UFPE, materializados nas cinqüenta (50) teses que foram defendidas entre os anos 
de 2008 e 2014, disponíveis, on line, no RI da citada IFES. 
 O uso de palavras-chave como recurso para representação da memória 
científica, significa em representar uma atividade social, o fazer científico. Tal 
representação nada mais é que um modelo da realidade, construído de forma a 
selecionar os fenômenos de maior relevância, possível de capturar as características 
essenciais de um domínio de conhecimento (CHORLEY; HAGGETT, 1975; GIL, 
2009; MENDONÇA; ALMEIDA, 2012; TRZESNIAK, 1998;). 
Os procedimentos consistiram numa revisão histórica da formação do PPGEO 
na UFPE, num levantamento dos aspectos do Repositório Informacional, na coleta 
das teses, organização, tratamento e uniformização das palavras-chave para 
geração de tags clouds. 
 
3.1 Caracterizações do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFPE 
(PPGEO da UFPE) 
 
A formação de Doutores em Geografia no Brasil teve iniciativa com os 
primeiros Programas de Pós-Graduação (PPG), nos moldes que hoje conhecemos, 
junto à Universidade de São Paulo (USP) em 1971, e à Universidade Federal do Rio 
de Janeiro (UFRJ) em 1972. O Relatório de Avaliação dos PPG, ano 2005, realizado 
pela Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior 
(CAPES) aponta que o PPGEO da UFPE, iniciado em 1976, foi o terceiro criado no 
país e o primeiro do Norte e Nordeste, com a instalação do curso de Mestrado. 
27 
 
Nos últimos 39 anos, o PPGEO da UFPE tem contribuído para a 
independência intelectual de seus egressos, grande parte já estabelecida como 
docentes de universidades federais, estaduais e privadas, institutos federais de 
educação, órgãos públicos e privados. A criação do Doutorado, em 2004, inaugurou 
um novo momento na trajetória do programa em que ressaltou o crescimento da 
capacidade de formação de recursos humanos qualificados, de um lado, e, de outro, 
a ampliação das competências de pesquisa em geografia física, estudos 
intraurbanos e em novas temáticas, tais como a geografia ambiental, de serviços e 
da inovação. 
Quanto a produção científica, conta-se hoje com aproximadamente, 250 
Dissertações e 55 Teses de Doutorado defendidas até o terceiro trimestre do ano de 
2015, e vem se destacando na região Nordeste do Brasil pela referência na 
qualidade das pesquisas em Geografia. O PPGEO da UFPE oferece duas áreas de 
concentração e seis linhas de pesquisa sincronizadas às inovações teóricas e 
tecnológicas, conforme o quadro 2. 
 
Quadro 2: ÁREA DE CONCENTRAÇÃO E LINHAS DE PESQUISA DO PPGEO DA UFPE 
Fonte: Disponível em: <http://www.ufpe.br/posgeografia/> Acesso em: 15 nov. 2015. 
 
 
 
 
 
ÁREA DE 
CONCENTRAÇÃO 1 DINÂMICAS DAS PAISAGENS NATURAIS E ECOSSISTEMAS 
LINHAS DE PESQUISA 
ANÁLISE, CONSERVAÇÃO E MONITORAMENTO DE ECOSSISTEMAS 
DINÂMICA SUPERFICIAL E CLIMÁTICA DAS PAISAGENS NATURAIS, TROPICAIS 
ÚMIDAS E SEMI-ÚMIDAS 
ÁREA DE 
CONCENTRAÇÃO 2 DINÂMICAS REGIONAIS E SÓCIO ESPACIAIS CONTEMPORÂNEAS 
LINHAS DE PESQUISA 
DINÂMICAS TERRITORIAIS DO DESENVOLVIMENTO E REGIONALIZAÇÃO 
PRODUTO E DINÂMICAS DOS ESPAÇOS METROPOLITANOS E DAS CIDADES 
INTERMEDIÁRIAS 
ESPAÇO AGRÁRIO, MOVIMENTOS SOCIAIS E POLÍTICAS PÚBLICAS 
EDUCAÇÃO, CULTURA, POLÍTICA E INOVAÇÃO NA PRODUÇÃO CONTEMPORÂNEA 
http://www.ufpe.br/posgeografia/
28 
 
3.2 Características do Repositório Institucional da UFPE. 
 
Leite (2009, p. 21) diferencia Biblioteca Digital (BD) de Repositório 
Institucional apontando que este último apresenta conteúdos científicos ou 
acadêmicos produzidos na instituição. Caracteriza-se pela interoperabilidade e o 
software utilizado busca atender demandas da comunicação científica. Ao contrário, 
a BD não necessariamente precisa atender esses critérios. Assim para esse autor, 
RI de acesso aberto constitui “[...] um serviço de informação científica – em ambiente 
digital e interoperável – dedicado ao gerenciamento da produção intelectual de uma 
instituição [...]” abrangendo, dessa forma, “[...] a reunião, armazenamento, 
organização, preservação, recuperação e, sobretudo, a ampla disseminação da 
informação científica produzida na instituição”. Nesse contexto, os repositórios 
digitais emergiram no contexto das universidades e trazem a ideia de preservação 
dos objetos digitais, além de promover o acesso livre a conteúdos. Em geral usados 
para arquivar, disseminar e preservar documentos da literatura científica. (BOSO, 
2011; LEITE, 2006; LEITE, 2009; SAYÃO, 2009;). 
Grande parte da produção da UFPE que em 2013 estava na Base de Dados 
de Teses e Dissertações da UFPE (BDTD) passou a ser migrada para o RI, em 
virtude da necessidade de um modelo de gestão de documentos eletrônicos que 
proporcionasse maior visibilidade à produção intelectual da instituição. O RI da 
UFPE está inserido no movimento mundial de acesso aberto à produção científica 
da instituição e está organizado em comunidades que correspondem aos Centros 
Acadêmicos (CFCH: Centro de Filosofia e Ciências Humanas; CTG: Centro de 
Tecnologia e Geociências; entre outros), com cerca de treze mil arquivos (Teses, 
Dissertações, Trabalhos de Conclusão de Curso, Artigos de periódicos e Livros) 
disponíveis para leitura e download. 
Com base nas definições da literatura e nas experiências institucionais, 
podemos definir um produto de informação como Repositório Digital quando ele 
possuir as seguintes características: 
 Ter uma versão completa da obra, materiais suplementares e cópia da 
licença; 
 Publicada com padrões tecnológicos aderentes a normas técnicas de 
preservação digital (como as definições estabelecidas pelo modelo Open 
Archives e o modelo OAIS); 
29 
 
 Mantido por uma instituição acadêmica, sociedade científica, organismo 
governamental, setor privado, ou outra organização estabelecida que 
pretenda promover o acesso, a distribuição, a interoperabilidade e o 
arquivamento em longo prazo. 
 
Parece, portanto, pertinente enfatizar que as mudanças introduzidas pelo 
desenvolvimento e implementação de RI no ambiente das universidades tem 
influenciado nas mudanças do estudo de problemas que constituem questões 
relevantes para a disseminação da informação, a sua organização e a sua 
representação. Tais mudanças se inserem também no debate a respeito do sistema 
e da gestão do conhecimento cientifico, em um diversificado número de disciplinas, 
entre elas a Gestão da Informação. (LEITE, 2006). 
Godinho (2014) observa no seu trabalho a existência de alguns repositórios 
digitais que fazem uso de palavras-chave em linguagem natural para representar o 
conteúdo de documentos e outros que fazem uso de vocábulos da linguagem 
controlada. A respeito disso, a autora apresenta alguns trabalhos, que abordam 
estas questões e afirma que os primeiros, que usam linguagem natural, podem 
apresentar “[...] limitações nos resultados de buscas ou o silêncio na recuperação 
dos itens, como por exemplo: se o usuário não inserir termo idêntico à palavra-chave 
poderá não ter sucesso em sua busca”, diferentemente dos repositórios que fazem 
uso de vocabulário controlado. A mesma autora ainda acrescenta ter percebido em 
sua pesquisa que uma das grandes diferenças entre os repositórios, pode estar 
relacionada aos tipos de softwares utilizadose as possibilidades oferecidas por 
esses, uma vez que “[...] essas tecnologias devem ser consideradas, pois elas 
podem interferir na recuperação das informações”. (GODINHO, 2014, p.60). 
O Repositório Institucional da Universidade Federal de Pernambuco (RI-
UFPE) utiliza as palavras-chave designadas pelos autores em linguagem natural 
para representar os assuntos contidos nos documentos. Esse repositório busca 
armazenar os itens de forma a preservar a produção intelectual da instituição, e, por 
permite o acesso a seus documentos, favorece a ampliação da visibilidade dos 
autores que nele depositam seus trabalhos e, por consequência, da própria UFPE. 
O software DSpace utilizado por esse repositório tem como finalidade realizar 
diferentes tipos de busca no RI da UFPE pelo índice alfabético de assunto, título, 
autor; pela caixa de busca que permite o emprego de operadores booleanos, 
30 
 
caractere de truncamento, a caixa de busca localiza valores contidos em quaisquer 
dos metadados contidos no formato Dublin Core e pode restringir os resultados pelo 
uso de filtros; pela caixa de busca geral em todo o repositório ou específica por 
comunidade/subcomunidade /coleções, etc.; e, também, pela busca facetada que 
permite o descobrimento de outros documentos a partir da visualização de autores e 
assuntos relacionados com o termo de busca. 
É neste ambiente virtual (RI da UFPE) que estão armazenadas cerca de 170 
dissertações (mais de 50%) e a totalidade das teses defendidas até o terceiro 
trimestre de 2015 (55 teses). O Curso de Doutorado teve inicio em 2004, e as 
defesas ocorreram a partir de 2008, num momento em que o RI já era uma realidade 
para a maioria das IFES (ROSA, 2009). Estes documentos caracterizam-se como 
fontes seguras e como registros da produção de conhecimento de grande 
confiabilidade, pois para a construção delas houve um acompanhamento de um 
orientador e foram submetidas a uma banca de avaliação, a qual constatou a 
importância das mesmas, no meio acadêmico. (SANTOS et al., 2007). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
31 
 
3.3 A Coleta das Teses no RI da UFPE 
 
O RI da UFPE caracteriza-se como um Repositório Digital Institucional onde 
são depositadas obras de caráter acadêmico tais como as teses, documentos que 
foram utilizados para este TCC. O acesso ao ambiente se dá pelo site 
www.repositorio.ufpe.br. A busca das teses se sucedeu ao digitar o nome do curso 
“geografia”, no campo ‘Buscar Dspace’ e com um clique no botão ‘ir’, de acordo com 
a indicação da seta na figura 1. 
 
 
Figura 1: PÁGINA INICIAL DO RI DA UFPE 
 Fonte: Disponível em: <http:// http://www.repositorio.ufpe.br/> Acesso em 15 nov. 2015. 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.repositorio.ufpe.br/
http://www.repositorio.ufpe.br/
32 
 
O sistema recuperou todos os trabalhos acadêmicos do PPGEO divididos em 
Dissertações e Teses (Figura 2). 
 
 
Figura 2: COLEÇÕES DE ITENS POR COMUNIDADE DO PPGEO DA UFPE 
 Fonte: Disponível em: <http://www.repositorio.ufpe.br/discover> Acesso em 17 nov. 2015. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.repositorio.ufpe.br/discover
33 
 
 Em seguida, clicou-se no link ‘Teses de Doutorado’. O Sistema 
apresentou a lista de teses conforme cronologia de defesa. É possível também usar 
filtros para especificar a pesquisa, tais como: ‘por data do documento’, ‘autores’, 
‘títulos e ‘assuntos’. Para o desenvolvimento deste TCC, utilizou-se o filtro ‘por data 
de documento’ (Figura 3). 
 
 
Figura 3: FILTROS DE BUSCA DO RI DA UFPE 
 Fonte: Disponível em: <http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/308> 
Acesso em 17 nov. 2015. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/308
34 
 
Foi digitado o ano 2007, clicou-se no botão ‘ir’ e o sistema apresentou a lista 
das teses defendidas no ano posterior ao digitado até a mais recente. É possível 
também ordenar os documentos por data ascendente ou descendente, bem como a 
quantidade de documentos para visualizar na página (Figura 4). 
 
 
 
Figura 4: USO DO FILTRO DE BUSCA POR DATA DO DOCUMENTO 
Fonte: Disponível em < http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/308/browse> 
Acesso em 17 nov. 2015. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/308/browse
35 
 
Verificou-se que o RI registra a existência de 57 teses armazenadas. No 
entanto, 2 delas encontram-se duplicadas (Quadro 3), totalizando portanto 55 itens. 
Para este TCC delimitou-se analisar as Teses defendidas até o final de 2014, cujo 
universo de documentos constitui-se de 50 itens na coleção. 
 
Quadro 3: TESE EM DUPLICIDADE NO RI DA UFPE 
ANO DE 
DEFESA/AUTOR 
URL TÍTULO 
 
2012/ Ailton Feitosa 
 
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/10688 
Zoneamento de pequenas 
bacias hidrográficas e 
caracterização de várzeas 
na Bacia do Pajeú, 
Pernambuco 
2013/ Alba Lucia da 
Silva Marinho 
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/10634 
Pontos de cultura em 
Olinda-PE: territórios de 
saberes e tessituras para o 
turismo de base 
comunitária 
Fonte: Disponível em: <http://: www.repositorio.ufpe.br> Acesso em: 15 nov. 2015. 
 
 
Quadro 4: TESE ARMAZENADA NO RI COM TÍTULO DIVERGENTE DA OBRA FÍSICA 
 
ANO DE DEFESA/AUTOR 
 
2012/ Santiago Andrade Vasconcelos 
TÍTULO NO RI 
O uso do território do município de Pedra Lavrada - PB 
pela mineração: Elementos de inserção como lugar do 
fazer no contexto atual da globalização 
 
TÍTULO NA OBRA 
Região, Globalização e Meio 
Técnico-Cientifico-Informacional: Modernizações, 
Horizontalidades e Verticalidades na Região do Seridó 
Paraibano e Potiguar na Transição do Século XX e XXI 
URL http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/10904 
Fonte: Disponível em: <http://: www.repositorio.ufpe.br> Acesso em: 15 nov. 2015. 
 
 
 
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/10688
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/10688
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/10688
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/10688
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/10688
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/10688
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/10634
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/10634
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/10634
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/10634
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/10634
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/10634
http://www.repositorio.ufpe.br/
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/10904
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/10904
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/10904
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/10904
http://www.repositorio.ufpe.br/
36 
 
Verificou-se também que no conjunto das 50 teses, o título de uma delas não 
corresponde ao título da tese original e dessa maneira sugere-se que os setores 
responsáveis possam verificar possíveis equívocos. 
Após as etapas iniciais de acesso ao RI da UFPE até o momento 
apresentadas, dá-se continuidade com um clique em um dos itens da coleção. O 
sistema direcionou para uma página que contém metadados descritivos do item 
selecionado, tais como: título, autor, URL, ano de defesa, resumo, nome eletrônico 
do arquivo, o seu tamanho e tipo do formato, além de dois links, que são: 
‘visualizar/abrir’ e ‘registro completo’ (Figura 5). 
 
 
Figura 5: DESCRIÇÃO FÍSICA E TEMÁTICA DO DOCUMENTO 
Fonte: Disponível em: < http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6097> 
Acesso em: 18 nov. 2015. 
 
 1 link 
2 link 
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6097
37 
 
 O primeiro link, ‘registro completo’, foi clicado e direcionou para uma página 
que apresenta mais detalhadamente a descrição física e temática da tese. Desta 
página coletaram-se as palavras-chave que foramadotadas no RI da UFPE, quando 
as teses foram armazenadas. (Figura 6). 
 
 
Figura 6: LOCALIZAÇÃO DAS PALAVRAS-CHAVE ATRIBUIDAS AO DOCUMENTO NO 
RI DA UFPE 
Fonte: Disponível em: < http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6097?show=full> 
Acesso em 18 nov. 2015. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6097?show=full
38 
 
. O segundo link, ‘visualizar/abrir’, foi clicado e teve acesso ao conteúdo 
completo do documento, formato PDF, e nesse momento coletaram-se as palavras-
chave da ficha catalográfica, as quais fazem parte das linguagens controladas 
(Figura 7). 
 
 
Figura 7: LOCALIZAÇÃO DAS PALAVRAS-CHAVE NA FICHA CATALOGRÁFICA 
Fonte: Disponível em: 
<http://www.repositorio.ufpe.br/bitstream/handle/123456789/6097/arquivo3561_1.pdf?sequence=1&is
Allowed=y> Acesso em: 18 nov. 2015. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.repositorio.ufpe.br/bitstream/handle/123456789/6097/arquivo3561_1.pdf?sequence=1&isAllowed=y
http://www.repositorio.ufpe.br/bitstream/handle/123456789/6097/arquivo3561_1.pdf?sequence=1&isAllowed=y
39 
 
 Coletaram-se também as palavras-chave citadas nos resumos, as quais 
foram atribuídas pelos seus autores (Figura 8) e por fim, as teses foram salvas numa 
base de dados pessoal (Figura 9). 
 
 
Figura 8: LOCALIZAÇÃO DAS PALAVRAS-CHAVE NO RESUMO DA TESE 
Fonte: Disponível em: 
<http://www.repositorio.ufpe.br/bitstream/handle/123456789/6097/arquivo3561_1.pdf?sequence=1&is
Allowed=y> Acesso em: 18 nov. 2015 
 
 
Figura 9: TESES ARMAZENADAS EM BASE DE DADOS PESSOAL 
Fonte: Print screen da pasta elaborada pelo autor contendo as Teses. 
 
 
http://www.repositorio.ufpe.br/bitstream/handle/123456789/6097/arquivo3561_1.pdf?sequence=1&isAllowed=y
http://www.repositorio.ufpe.br/bitstream/handle/123456789/6097/arquivo3561_1.pdf?sequence=1&isAllowed=y
40 
 
3.4 A Organização e Representação Visual das Palavras-Chave 
 
Na medida em que as 50 teses eram acessadas no RI, e salvas numa base 
de dados pessoal, as palavras-chave adotadas no repositório, as descritas na ficha 
catalográfica e as atribuídas pelos autores nos resumo eram coletadas, e 
organizadas em três diferentes tabelas do software Word, formato txt, a exemplo do 
Quadro 5. 
 
Quadro 5: EXEMPLO DA ORGANIZAÇÃO DAS PALAVRAS-CHAVE PARA GERAÇÃO DE 
NUVENS DE PALAVRAS 
 
Nr 
 
Título 
 
Ano de 
Defesa/Autor 
 
Palavra-Chave 
Resumo 
 
Palavra-Chave 
Repositório 
 
Palavra-Chave 
 Ficha 
 
 
 
 
01 
 
Interação de 
comunidades 
rurais com 
recursos vegetais: 
o caso dos 
remanescentes de 
floresta estacional 
do Município de 
Junqueiro (AL-
Brasil) 
2008 / Andre 
Luiz da Silva 
Santos 
Comunidade 
Rural 
Comunidade 
Rural 
Geografia 
Recurso vegetal Recurso vegetal Geografia 
ambiental 
Remanescente 
vegetal 
Remanescente 
vegetal 
Recurso natural 
 
Floresta 
estacional 
 
Floresta 
estacional 
 
Degradação 
ambiental 
Fonte: Elaborado pelo autor, 2015. 
 
A etapa seguinte consistiu em escolher uma ferramenta que possibilitasse 
uma visualização das palavras-chave verificadas. Visualizar é “tornar algo visual ou 
visível, ver uma imagem mental ou figurá-la mentalmente”. (HOUAIS, 2001, p. 
2152). Este conceito difere do conceito de visualização, o qual é definido como a 
“transformação de conceitos abstratos em imagens reais ou mentalmente visíveis”. 
(HOUAIS, 2001, p. 2153). Nesta pesquisa, o conceito de Visualização de 
Informações refere-se ao uso de representações visuais, interativas e suportadas 
por computador, de dados abstratos para ampliar a cognição. (CARD; MACKINLAY; 
SHNEIDERMAN, 1999). 
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6085
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6085
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6085
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6085
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6085
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6085
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6085
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6085
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6085
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6085
41 
 
Ferreira (2012) em sua dissertação recorreu aos sociogramas para 
visualização das relações entre as palavras-chave dos GTs dos ENANCIBs, bem 
como os dendogramas para visualização dos níveis de relação de proximidade e de 
distanciamento entre elas. Santos et al. (2007) fez uso de gráficos gerados pelos 
softwares ‘Dataview’ e ‘Infotrans’ para obter a visualização das temáticas mais 
pesquisadas em dissertações de sete Programas de Pós-graduação em Ciência da 
Informação e no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares. 
Como se pode observar, cada ferramenta de representação visual está mais 
ou menos adequada de acordo com os propósitos de alguma pesquisa. No caso 
desta, a ferramenta para visualização que acredit-se ser pertinente é a Nuvem de 
Palavras (Tags Clouds), pois a mesma pode representar à maior e a menor 
freqüência dos termos. em que se pretende identificar as tendências temáticas do 
Curso de Doutorado do PPGEO, a partir das palavras-chave atribuídas às teses 
A Nuvem de palavras, ou do inglês, Tag Clouds parece ser uma das 
representações gráfica bastante utilizada quando se trata de mineração de texto 
(LEMOS, 2013). Portanto, elas são um método heurístico de análise e por si só não 
vão resolver um problema ou responder a uma questão de pesquisa, mas apontam 
caminhos para o quê se observar em um texto ou, mais importante ainda, em um 
grupo de textos. 
Segundo Nielsen e Loranger (2007, p.258), “a web é um meio direcionado 
aos usuários, em que estes adotam estratégias de busca de informações para 
economizar tempo. Eles não tendem a buscar informações de uma maneira linear. 
Em vez disso, contam com pistas visuais que fornecem uma indicação mais forte 
[...]” e esse sentido, nuvem de palavras é uma abordagem que cria metadados, cuja 
técnica aumentou a popularidade com o advento das chamadas ferramentas de 
bookmarking social, dentre as quais destacam-se o Delicious, Flicker e Technorati, 
sistemas em expansão acelerada no cenário web atual (web 2.0). 
 A função das nuvens de palavras é representar as variáveis de interesse, no 
caso deste TCC, as palavras-chave das teses analisadas. Embora permitam a 
exibição de muito mais itens, de dezenas até centenas, via de regra, em termos 
conceituais, as nuvens de palavras são similares a histogramas e gráficos de 
freqüência. Ainda assim, as nuvens de palavras permitem uma compreensão muito 
mais rápida do contexto associado a um documento. 
42 
 
O experimento aqui apresentado tem as teses do Curso de Doutorado do 
PPGEO da UFPE como documento essencial de onde foram coletadas as palavras-
chave atribuídas no resumo, na ficha catalográfica e no RI da UFPE. Nesse sentido, 
estipularam-se alguns procedimentos, principalmente no sentido de eliminar acentos 
e termos no plural. 
Após isso se procedeu a construção de três nuvens, a partir das palavras-
chave citadas para constituir-se em material de pré-análise das tendências 
temáticas. Dessa maneira, foi utilizada uma aplicação web que gera nuvem de 
palavras estática, denominada de tagcrowd (Figura 10) e acessível pelo site 
http://tagcrowd.com/. 
 
 
Figura 10: PÁGINA INICIAL DO SITE TAGCROWD 
Fonte: Disponível em: < http://tagcrowd.com/> Acesso em 5 dez.2015. 
 
Basta inserir os termos e solicitar para visualizar clicando no botão ‘visualize’. 
Imediatamente a imagem é gerada, a qual pode ser exportada. O tamanho da fonte 
e a cor das palavras correspondem à freqüência com que cada palavra aparece no 
texto. Esta aplicação web apresenta filtros para personalizar a nuvem de tags. 
Representar visualmente a freqüência das palavras-chave, por meio das tags 
clouds, significa identificar a palavra-chave (temática) mais relevante. 
 
 
http://tagcrowd.com/43 
 
4 ANÁLISE DOS RESULTADOS 
 
 Nesta seção apresentam-se as nuvens de palavras que foram geradas a 
partir da inserção de todas as palavras-chave, citadas pelos autores, atribuídas no 
RI da UFPE e atribuídas nas fichas catalográficas, das teses defendidas no mesmo 
ano, organizadas, como por exemplo, no quadro 6. 
 
Quadro 6: PALAVRAS-CHAVE ATRIBUIDAS PELOS AUTORES DAS TESES DEFENDIDAS EM 
2008 
TOTAL DE 
TESES 
DEFENDIDAS 
EM 2008 
ANO DE 
DEFESA E 
AUTORES 
DA TESE 
TITULO 
 
PALAVRAS-CHAVE RESUMO 
1 
2008 TESE 
Andre Luiz 
da Silva 
Santos 
Interação de 
comunidades rurais 
com recursos 
vegetais: o caso 
dos remanescentes 
de floresta 
estacional do 
Município de 
Junqueiro 
(AL-Brasil) 
COMUNIDADE RURAL; RECURSO VEGETAL; 
REMANESCENTE FLORESTAL; FLORESTA 
ESTACIONAL; INTERACAO PESSOA PLANTA 
2 
2008 TESE 
Maria 
Betania 
Moreira 
Amador 
A visão sistêmica e 
sua contribuição ao 
estudo do espaço 
pecuário de 
Venturosa e Pedra 
no agreste de 
Pernambuco 
GEOGRAFIA; ECODINAMICA; 
AGROECOLOGIA; SISTEMISMO; 
COMPLEXIDADE; SUSTENTABILIDADE; 
 
3 
2008 TESE 
Sergio Luiz 
Malta de 
Azevedo 
Produção do 
espaço urbano-
regional na área 
das hidrelétricas do 
submédio São 
Francisco 
PAULO AFONSO; REGIONALIZACAO; ESPACO 
URBANO-REGIONAL; USINA HIDRELETRICA; 
SUB-MEDIO SÃO FRANCISCO; 
Fonte: Elaborado pelo autor, 2015. 
 
. Não há a visualização dos três conjuntos de palavras-chave, mas de apenas dois, 
pois as palavras-chave atribuídas pelos autores nos resumos das teses, e as 
adotadas no RI da UFPE são praticamente as mesmas. Assim, uma nuvem de 
palavras que representa as palavras-chave do resumo e do RI da UFPE e outra 
nuvem das palavras-chave da ficha catalográfica. 
Durante a inserção das palavras-chave no tagcrowd os termos: ‘paisagem 
rural’, ‘paisagem urbana’, ‘espaço urbano’, entre outros, foram considerados 
separados, assim, cada palavra teve sua freqüência contada no intuito de evitar que 
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6085
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6085
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6085
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6085
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6085
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6085
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6085
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6085
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6085
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6085
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6097
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6097
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6097
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6097
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6097
http://www.repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6097
44 
 
termos similares semanticamente, como por exemplo, ‘bacia hidrográfica’ e ‘bacia 
fluvial’ ficassem ocultos. Eliminaram-se também as stopwords, ou conforme Cunha 
e Cavalcanti (2008), as “palavras não-significativas”, tais como: ‘do’, ‘de’, ‘da’, ‘e’, 
usadas, por exemplo, em, ‘análise do espaço’, pelo fato de ser considerada “[...] uma 
palavra sem valor semântico, que não têm sentido.” (FERREIRA, 2012, p. 50). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
45 
 
4.1 Primeira Análise 
 
 Em 2008, início das primeiras defesas do Curso de Doutorado do PPGEO da 
UFPE, registrou-se naquele ano, a defesa de três teses. A nuvem de palavras 
gerada demonstra uma única freqüência para um total de 16 palavras presentes nos 
resumos e no RI da UFPE, referentes ás teses em questão. (Figura 11). 
 
 
Figura 11: REPRESENTAÇÃO DOS TERMOS NATURAIS DAS TESES DEFENDIDAS EM 2008 
Fonte: Print Screen do Site <http://tagcrowd.com/>, 2015. 
 
 A figura 12 se refere a uma nuvem de palavras gerada das mesmas teses 
que a anterior, porém trata de uma visualização das palavras-chave da ficha 
catalográfica. Nesta representação, o termo ‘geografia’ apresentou maior freqüência 
de repetição, seguido do termo ‘ambiental’. 
 
Figura 12: REPRESENTAÇÃO DOS TERMOS DA FICHA CATALOGRÁFICADAS TESES 
DEFENDIDAS EM 2008 
Fonte: Print Screen do Site <http://tagcrowd.com/>, 2015. 
http://tagcrowd.com/
http://tagcrowd.com/
46 
 
 
Em 2009, outras três teses foram defendidas. Verificou-se que naquele ano o 
termo ‘desenvolvimento’ demonstrou maior relevância no conjunto dos termos 
atribuídos nos resumos e no RI da UFPE (Figura 13). No contexto dos termos da 
ficha catalográfica (Figura 14), a palavra ‘geografia’ e ‘globalização’ são relevantes. 
 
 
 
Figura 13: REPRESENTAÇÃO DOS TERMOS NATURAIS DAS TESES DEFENDIDAS EM 2009 
Fonte: Print Screen do Site <http://tagcrowd.com/>, 2015. 
 
 
Figura 14: REPRESENTAÇÃO DOS TERMOS DA FICHA CATALOGRÁFICA DAS TESES 
DEFENDIDAS EM 2009 
Fonte: Print Screen do Site <http://tagcrowd.com/>, 2015. 
http://tagcrowd.com/
http://tagcrowd.com/
47 
 
Em 2010, houve a defesa de 6 teses. As palavras-chave observadas na 
representação apontam para, ‘espacial’, com 3 freqüências, ‘espaço’ e ‘Paraíba’, 
ambas com 2 freqüências (Figura 15) 
 
 
 
Figura 15: REPRESENTAÇÃO DOS TERMOS NATURAIS DAS TESES DEFENDIDAS EM 2010 
Fonte: Print Screen do Site <http://tagcrowd.com/>, 2015. 
 
A representação dos termos da ficha catalográfica das teses de 2010, apontam para 
‘geografia’ e ‘espaço’ (Figura 16). 
 
 
Figura 16: - REPRESENTAÇÃO DOS TERMOS DA FICHA CATALOGRÁFICA DAS 
TESES DEFENDIDAS EM 2010 
Fonte: Print Screen do Site <http://tagcrowd.com/>, 2015. 
 
http://tagcrowd.com/
http://tagcrowd.com/
48 
 
Em 2011, houve a defesa de 7 teses. E nelas, os termos observados com 
maior freqüência na nuvem de palavras são: ‘desenvolvimento’, ‘espaço’, ‘nordeste’ 
e ‘suape’, cada uma com 2 freqüências (Figura 17). A representação dos termos 
das fichas catalográfica demonstram maior freqüência para ’geografia’ e ‘pe’, este 
referente a sigla do Estado de Pernambuco. (Figura 18). 
 
 
Figura 17: REPRESENTAÇÃO DOS TERMOS NATURAIS DAS TESES DEFENDIDAS EM 2011 
Fonte: Print Screen do Site <http://tagcrowd.com/>, 2015. 
 
 
Figura 18: REPRESENTAÇÃO DOS TERMOS DA FICHA CATALOGRÁFICA DAS TESES 
DEFENDIDAS EM 2011 
Fonte: Print Screen do Site <http://tagcrowd.com/>, 2015. 
 
http://tagcrowd.com/
http://tagcrowd.com/
49 
 
Em 2012 foi o ano que o Curso de Doutorado teve o maior número de 
defesas até aquele momento (9 teses), e verificou-se também a coincidência de 4 
termos presentes tanto nos resumos e RI da UFPE quanto nas fichas catalográficas 
de 8 teses, pois 1 não possuía sua ficha. Conforme a representação abaixo (Figura 
19), destacaram-se 9 termos cada um com 2 freqüências. Em relação aos termos 
das fichas catalográficas (Figura 20), verificou-se os termos ‘geografia’ e ‘ambiental’ 
como os de maior freqüência, 8 e 6 respectivamente. 
 
 
Figura 19: REPRESENTAÇÃO DOS TERMOS NATURAIS DAS TESES DEFENDIDAS EM 2012 
Fonte: Print Screen do Site <http://tagcrowd.com/>, 2015. 
 
 
Figura 20: REPRESENTAÇÃO DOS TERMOS DA FICHA CATALOGRÁFICA DAS TESES 
DEFENDIDAS EM 2012 
Fonte: Print Screen do Site <http://tagcrowd.com/>, 2015. 
 
 
 
http://tagcrowd.com/
http://tagcrowd.com/
50 
 
Os anos de 2013 e 2014 tiveram quantitativo recorde de defesa, 11 teses em 
cada um destes anos. Ao observar os termos mais freqüentes nos resumos/RI da 
UFPE, destacam-se ‘cultura’ e ‘espaço’, com 3 freqüências cada, seguidos de outros 
7 que aparecem com 2 freqüências (Figura 21). 
 
 
Figura 21: REPRESENTAÇÃO DOS TERMOS NATURAIS DAS TESES DEFENDIDAS EM 2013 
Fonte: Print Screen do Site <http://tagcrowd.com/>, 2015. 
 
 Quanto aos termos presentes nas fichas catalográficas das teses de 
2013, verifica-se em sua representação (Figura 22) o predomínio, mais uma vez, do 
termo‘geografia’, seguido do termo ‘espaço’. Das 11 teses, 2 não possuíam a ficha 
catalográfica. Os termos foram retirados de 9 teses. 
 
Figura 22: REPRESENTAÇÃO DOS TERMOS DA FICHA CATALOGRÁFICA DAS TESES 
DEFENDIDAS EM 2013 
Fonte: Print Screen do Site <http://tagcrowd.com/>, 2015. 
 
http://tagcrowd.com/
http://tagcrowd.com/
51 
 
Analisando as 11 teses defendidas em 2014 verifica-se que os termos que 
apareceram com maior freqüência nos resumos e RI da UFPE foram: ‘urbana’, 
‘espaço’ e semi-árido’ com 2 freqüências cada. (Figura 23). 
 
 
 
Figura 23: - REPRESENTAÇÃO DOS TERMOS NATURAIS DAS TESES DEFENDIDAS EM 2015 
Fonte: Print Screen do Site <http://tagcrowd.com/>, 2015. 
 
Quanto aos termos presentes nas fichas catalográficas das teses de 2014, 
verifica-se em sua representação (Figura 24) o predomínio, mais uma vez, do termo 
‘geografia’, seguido do termo ‘clima’ e ‘climatologia’. 
 
 
Figura 24: REPRESENTAÇÃO DOS TERMOS DA FICHA CATALOGRÁFICA DAS TESES 
DEFENDIDAS EM 2014 
 Fonte: Print Screen do Site <http://tagcrowd.com/>, 2015. 
 
http://tagcrowd.com/
http://tagcrowd.com/
52 
 
As nuvens de palavras abaixo resultam da condensação dos termos 
presentes nos resumos das teses (Figura 25), dos atribuídos a elas e que constam 
no RI da UFPE (Figura 26) e os termos que foram empregados na ficha catalográfica 
(Figura 27), citados com maior freqüência ao longo dos anos 2008-2014. 
 
 
Figura 25: NUVEM DE PALAVRAS DAS 
PALAVRAS-CHAVE DOS RESUMOS DAS TESES. 
Fonte: Elaborado pelo Autor, 2015. 
 
 
 
Figura 26: NUVEM DE PALAVRAS DAS 
PALAVRAS-CHAVE DAS TESES NO RI DA 
UFPE. 
Fonte: Elaborado pelo Autor, 2015. 
 
 
 Como se pode observar, o Repositório Institucional da Universidade 
Federal de Pernambuco (RI da UFPE) tem utilizado as palavras-chave designadas 
pelos autores em linguagem natural para representar os assuntos contidos nos 
documentos. A respeito disso, Fujita (2009, p.130), acrescenta ao discorrer sobre a 
abordagem sociocognitiva, a qual visa a: 
 
[...] compatibilidade entre a linguagem documentária e a linguagem 
de busca do usuário e, conseqüentemente, do equilíbrio entre a revocação 
e a precisão do sistema, apresentamos indicadores como contribuição para 
o aperfeiçoamento e a adequação do uso de linguagem documentária de 
áreas científicas especializadas de catálogos coletivos, no contexto 
sociocognitivo de bibliotecários indexadores e usuários para a 
representação e recuperação da informação em bibliotecas universitárias, a 
saber: construção do vocabulário a partir das linguagens de especialidades 
das áreas científicas e da linguagem de busca do usuário, com vistas à 
compatibilidade entre a linguagem adotada pelo sistema e a de busca do 
usuário [...]. 
 
 Godinho (2014) aponta que as linguagens de indexação não-controladas 
apresentam como vantagem a simplificação no processo de busca. Nesse sentido, 
parece ser mais fácil digitar, por exemplo, um termo de assunto em LN numa caixa 
53 
 
de busca do que manejar um vocabulário controlado que pode exigir a verificação 
antecipada se determinado termo existe na base de dados ou catálogo. 
Outros pesquisadores apontam que sistemas de recuperação da informação 
baseado em LN compromete o resultado da busca devido as características próprias 
das línguas naturais, como a polissemia, a homonímia, a sinonímia, as quais 
interferem no resultado significativo da busca. Dodebei (2002, p.12) acrescenta que 
“a recuperação da informação em LN deve considerar a digitalização de textos 
completos e o uso de operadores lingüísticos [...]” para haver acesso direto ao 
documento. 
 A nuvem de palavras abaixo se diferencia, em grande parte, das duas 
anteriores. A Figura 27 é a visualização do conjunto das palavras-chave presentes 
nas fichas catalográficas, as quais são resultados de termos controlados que 
refletem um assunto, conforme um sistema de classificação bibliográfica. 
 
 
Figura 27: NUVEM DE PALAVRAS DAS PALAVRAS-CHAVE ATRIBUÍDAS NAS FICHAS 
CATALOGRÁFICAS DAS TESES. 
Fonte: Elaborada pelo Autor, 2015. 
 
 
A partir do exposto, uma solução parece explicitada por Rowley (2002, p. 171) 
quando afirma que “[...] várias bases de dados já vêm utilizando os dois tipos de 
linguagens, ou seja, fazendo uso da LN e empregando termos controlados”. 
Lancaster (2004) ressalta que os Sistemas de Recuperação de Informação 
ideais constituem-se de sistemas híbridos que utilizam ambas as linguagens, natural 
e controlada. Semelhantemente, Dias (2006) aponta como situação ideal a 
combinação, em Sistema de Recuperação da Informação dos vocabulários 
controlados com as buscas em linguagem natural. 
 
 
54 
 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Esta pesquisa apresentou uma estrutura textual na qual o tema convergiu 
com a proposta do objetivo: verificar se o uso das palavras-chave de teses é 
potencial recurso para constituição de um mapa temático da memória científica do 
PPGEO da UFPE. Tal posicionamento se deu pelo fato de entendermos que as 
palavras são signos dotados de significado e, portanto, representativos do conteúdo 
do conhecimento registrado. O recenseamento de trabalhos científicos (total de 
trabalhos elaborados que tratam de um tema, ou que são publicados num período 
de tempo, ou escritos por um ou mais autores, ou instituições) e as representações 
estatísticas destes trabalhos são levantamentos da ciência, cruciais na sociedade 
atual, pois se relaciona com a produção de bens. (MACIAS-CHAPULA, 1998; 
SANTOS et al., 2007; KOBASHI; SANTOS, 2008; BUFREM; PRATES, 2005; 
BRASCHER; CAFÉ, 2008; KLEINUBING, 2010). 
O RI da UFPE é um importantíssimo meio para comunicar e disseminar a 
memória científica da instituição, inclusive, as teses do Curso de Doutorado do 
PPGEO da UFPE. A nuvem de palavras funcionou neste trabalho como ferramenta 
para visualizar a representatividade das palavras-chave citadas pelos autores, às 
atribuídas no RI da UFPE e as indicadas na ficha catalográfica das teses. 
Constatou-se que as palavras-chave atribuídas na ficha catalográfica , diante 
do seu caráter de linguagem controlada, exercem o papel, exclusivo, de auxiliar nos 
processos de identificação da área geral de conhecimento e o da localização do 
documento na biblioteca física. Verificaram-se semelhanças entre as palavras-
chave atribuídas às teses no RI da UFPE e as atribuídas pelos autores nos resumos, 
demonstrando o predomínio de termos da linguagem natural no repositório. 
Os resultados alcançados nesta pesquisa convergem para o que diversos 
pesquisadores têm apresentado sobre os aspectos positivos e negativos sobre o uso 
de uma linguagem natural (LN) ou linguagem controlada (LC) num repositório 
institucional. Positivamente, apontam para o imediato registro da informação em 
uma base de dados, sem necessidade de consultar a uma linguagem de controle, 
assim, temas específicos citados nos documentos podem ser encontrados 
facilmente. Como aspecto negativo, o processo de busca exige um esforço 
intelectual maior para identificar os sinônimos, as grafias alternativas, os 
homônimos, além de favorecer o silêncio no sistema, ou seja, a existência de 
55 
 
documentos relevantes na base de dados e que não são recuperados. Dessa 
maneira, a representação temática da produção científica por meio de palavras-
chave, sejam elas as oriundas da LN ou da LC é um recorte do todo, é um 
panorama de uma realidade que em certa medida algumas partes são excluídas e 
outras aparecem. 
Todo tipo de representação é um filtro, um recorte da realidade, a qual nunca 
abarcará todos os elementos de uma realidade. As nuvens de palavras representam 
recortes, olhares, ponto de vista de um conhecimento. O que elas fazem é formar 
um mapa, ou vários mapas indicadores, os quais denotam, através de sua 
visualização, tendências ou panoramas temáticos estudados. Houve grande 
dificuldade em encontrartrabalhos científicos ou orientações confiáveis que tratam 
da importância da nuvem de palavras enquanto recurso representativo, denotando a 
necessidade de ampliar pesquisas sobre ou com o recurso. 
Dentro de um universo aproximado de 238 palavras-chave, os termos que 
demonstraram maior relevância, no âmbito das palavras-chave mais citadas nas 
fichas catalográfica, foram os termos: a) ‘geografia’, b) ‘espaço’, c) ‘urbano’. O 
primeiro termo, presente em quase todas as fichas catalográficas parece assumir a 
função exclusiva de indicar o conhecimento geral que a tese faz parte, de acordo 
com a Classificação bibliográfica adotada, além disso, possibilita a atribuição de um 
código para localização do item no acervo físico. O segundo termo ‘espaço’, é 
objeto de estudo para a Ciência Geográfica, assim como é a informação para CI. No 
entanto é um termo muito amplo, carecendo de um entendimento específico sobre 
qual tipo de análise se faz sobre e nesse espaço. O termo ‘urbano’ pode ser um 
indicador da temática em que o Doutorado do PPGEO da UFPE vem se 
especializando nos últimos anos, ou seja, a cidade parece ser um dos principais 
recortes espacial de análise. 
No contexto das palavras-chave citadas pelos autores e as atribuídas no RI 
da UFPE, totalizaram aproximadamente 240 palavras. Destas, ‘espaço’ e 
‘desenvolvimento’ demonstraram ser as que apareceram com maior freqüência. A 
primeira, anteriormente comentada, a segunda tem conceito que se aproxima do 
processo dinâmico de melhoria, de mudança dos aspectos qualitativos de vida de 
uma sociedade. 
Neste trabalho, pode-se apontar que as palavras-chave sinalizam algumas 
faces temáticas do Curso de Doutorado que sem dúvida mantém relação com o 
56 
 
espaço geográfico em sua base discursiva. No entanto, este estudo é limitado, uma 
vez que, outros pontos não foram evidenciados e isso demonstra que a 
representação aqui visualizada não aponta uma conclusão ou verdade irrefutável, 
mas que se torna necessário aprofundar a metodologia adotada e uma escolha mais 
coerente das palavras-chave. 
É importante frisar que raramente um pesquisador atribui palavras-chave às 
suas produções de acordo com uma convenção requerida ou tem a intenção de que 
haja a recuperação informacional, e na maioria das vezes não sabe que sua ação 
representará a memória científica da sua área de estudo. Dessa maneira 
sugerimos ser importante que os autores e orientadores nos Programas de pós-
graduação possam ter um olhar mais atencioso no momento da escolha das 
palavras-chave que realmente irá representar a produção científica que 
desenvolvem, uma vez que elas parecem se revelar útil para a indexação e vital 
tanto para representação temática como para a recuperação de documentos em 
mecanismos de pesquisa, em especial no RI da UFPE. 
Verificou-se também que a nuvem de palavras atendeu aos objetivos da 
pesquisa, mas assim como outras ferramentas, esta apresentou limitações para que 
fosse possível aprofundar análises e alcançar conclusões mais rebuscadas. 
Portanto, limitou as possibilidades de apontar com profundidade, um panorama da(s) 
temática(s) em que o Curso de Doutorado do PPGEO tem se especializado, 
provavelmente devido ao uso de uma única ferramenta para análise das palavras-
chave. Assim, parece ser oportuno diversificar ferramentas nos procedimentos 
metodológicos para proceder a comparações, relações entre as palavras-chave 
periféricas e as palavras-chave principais. 
Sugere-se que outros pesquisadores possam verificar a relação entre as 
palavras-chave e as linhas de pesquisa do Programa de Pós-graduação e quem 
sabe atrelá-los aos campos ou subárea de domínio geográfico como por exemplo: 
Geografia humana, Geografia econômica, Biogeografia, Climatologia, Hidrografia, 
Geografia histórica. 
Os objetivos foram alcançados, as etapas foram cumpridas, análises, 
inferências e conclusões foram feitas. Espera-se que esta pesquisa sirva como 
modelo, ou fonte para estudos futuros. 
 
57 
 
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