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Miscigenação
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Miscigenação ou mestiçagem significa a mistura de elementos de diferentes etnias, religiões, arte, e que
vão originar um terceiro elemento.
A miscigenação é uma das características marcantes do povo e da cultura brasileira. No entanto, ao longo
do tempo, este conceito foi aproveitado por várias ideologias para justificar as qualidades ou os defeitos do
País.
Miscigenação étnica
A miscigenação étnica acontece entre pessoas que não possuem as mesmas características de biotipo
físico.
Não devemos usar a palavra “raça” para se referir a este fenômeno, pois para os seres humanos só existe
uma raça: a humana. Atualmente, prefere-se empregar o termo “etnia” para diferenciar os distintos grupos
humanos.
Para fins de estudo, a humanidade é dividida em três grandes grupos étnicos: brancos, negros e amarelos.
Neste último, estão incluídos os indígenas.
Haverá miscigenação, por exemplo, quando um(a) negro(a) e um(a) branco(a) gerarem um(a) filho(a). Por
isso, não se considera miscigenação quando duas pessoas com a mesma cor da pele, mesmo que
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pertençam a nacionalidades diferentes, gerem outro indivíduo.
É importante destacar que etnia não se confunde com nacionalidade. Por exemplo: qual será a etnia do
filho de um alemão e uma sueca (ou vice e versa)? Sabemos que a maioria dos alemães e suecos é
branca, mas o que dizer daqueles que são imigrantes, porém possuem a nacionalidade alemã ou sueca?
Assim, o conceito de nacionalidade é mais abrangente que o de etnia.
A miscigenação do povo brasileiro
Pela sua formação histórica, o Brasil é um país miscigenado cultural e etnicamente.
Os portugueses, que eram brancos, tiveram filhos com índias e negras. Por sua vez, os negros também se
uniram com indígenas.
Os filhos nascidos dessa união foram classificados pelo tom da pele como mulatos, cafuzos e caboclos.
Cada uma dessas uniões, posteriormente, receberiam outros nomes.
Isto gerou uma sociedade onde a cor da pele determinava o lugar que o indivíduo ocupava.
Veja também: Democracia Racial.
Pardos
Atualmente, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) utiliza a classificação "pardo" para
aqueles que se autodeclaram miscigenados. No entanto, esta denominação existe desde o censo de 1872.
O primeiro registro da palavra pardo pode ser encontrado na Carta de Pero Vaz Caminha, que a utiliza
para descrever a cor da pele dos indígenas.
Veja também: Formação do Povo Brasileiro: história e miscigenação
Miscigenação no Brasil
A miscigenação do Brasil foi tema de estudo de vários pensadores e até hoje esta questão é debatida
pelos movimentos negro e indígena.
Durante a maior parte da história brasileira, notamos que a miscigenação ocorre pela via masculina. O
branco europeu tinha filhos com a indígena e a negra. Isso reflete o poder do homem na sociedade
colonial.
Abaixo fazemos uma pequena cronologia de como o conceito de miscigenação foi entendido no Brasil:
Miscigenação no século XIX
https://undefined/democracia-racial/
https://undefined/formacao-do-povo-brasileiro/
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A Redenção de Cam (1895), Modesto Broco (Museu Nacional de Belas-Artes, Rio de Janeiro). A
pintura expressa que os negros no Brasil desapareceriam em três gerações.
Na segunda metade do século XIX, parte da elite brasileira se perguntava sobre os motivos do atraso
brasileiro em relação aos outros países. Uma das ideias mais difundidas, especialmente pelo Positivismo,
era que a mestiçagem não era algo bom.
Assim, começa-se o processo de branqueamento da população, com a vinda de vários imigrantes
europeus para trabalhar nas fazendas de café.
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Parte da elite acreditava que os brancos se uniriam com os negros e estes desapareceriam do território
nacional.
Veja também: Positivismo
Miscigenação na Primeira República (1889-1930)
Com a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, surgem uma série de autores que
defendem que o Brasil era mestiço e isto era algo que deveria ser superado.
Desta maneira, a mestiçagem é vista como algo negativo. Para isso acontecer, os mestiços devem
embranquecer, pois o branco é considerada a etnia "superior".
Surgem livros como “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, que também dão ênfase ao meio geográfico para
que um povo possa florescer e progredir.
Veja também: Os Sertões, de Euclides da Cunha
Miscigenação na Era Vargas - Décadas de 30 e 40
Com a publicação de “Casa-Grande e Senzala”, de Gilberto Freyre, a mestiçagem ganha um valor positivo.
Segundo Freyre, a miscigenação de etnias produziu um país onde viviam em harmonia, sem grandes
conflitos sociais. A expressão “democracia racial” foi usada para definir o Brasil.
Embora Freyre rompa com a noção pessimista dos positivistas, sua teoria acabou por mascarar os
problemas sociais que negros e indígenas sofriam no Brasil. Afinal, estes dois grupos não tinham
representação na elite brasileira.
Veja também: Gilberto Freyre
Miscigenação na segunda metade do século XX
Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o mundo passa por uma profunda revisão dos conceitos de
raça, etnia e nação. O conflito, que foi especialmente duro com as minorias, abriu espaço para discussões
sobre este tema.
O movimento de descolonização da África e as lutas pelos Direitos Civis dos negros nos Estados Unidos
fazem surgir uma nova maneira de pensar a miscigenação.
Algumas interpretações utilizaram as teorias econômicas marxistas para explicar o fenômeno, como o
pensador Florestan Fernandes. Desta maneira, percebe-se que no Brasil, quanto mais escura a pele de
uma pessoa, mais ela teria menos chances de ascensão social.
Veja também: Descolonização da África
Miscigenação e Embranquecimento
Atualmente, o conceito de miscigenação vem sendo questionado no Brasil. Essa reflexão surge a partir do
momento quando os miscigenados se dão conta que estariam numa espécie de limbo, entre o negro e o
https://undefined/positivismo/
https://undefined/os-sertoes-de-euclides-da-cunha/
https://undefined/gilberto-freyre/
https://undefined/descolonizacao-da-africa/
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branco.
Também o movimento em favor das cotas raciais ajudou a questionar a definição de mestiço no Brasil.
Geralmente, as pessoas que têm ascendentes negros, mas possuem a cor da pele clara, não se
identificam como negras, mas sim, como brancas.
A miscigenação só é vista de forma positiva quanto mais clara for a cor da pele, mais liso for o cabelo e
menos pronunciado for o nariz, por exemplo.
Por isso, a condição do miscigenado vem sendo revista. Isto ajudou autores como Machado de Assis ou a
compositora Chiquinha Gonzaga, serem reivindicados como negros.

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