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Aula 2 – Sociedade Colonial 223 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência tempo. Apesar de transformar a sociedade indígena, os jesuítas permitiam que algumas práticas culturais desse povo continuassem fazendo parte de sua rotina, como o canto e a dança, e ainda incentivaram que os índios investissem nessa área, ministrando aulas de canto e ensinando-lhes novos instrumentos. Não se pode dizer que as missões foram ruins para indígenas e nem afirmar que foram boas, a única certeza é que elas alteraram o modo de vida e o olhar que o índio tinha sobre a realidade que o cercava. Todo o processo de colonização do território brasileiro acabou traçando um caminho onde ao final, os índios, verdadeiros donos de toda a terra, sairiam dizimados e sem suas raízes culturais, com curumins que já não saberiam mais quem eram os deuses para quais os seus avós apelavam e quais leis seguiam, com filhos que nem bem saberiam qual o idioma de seus pais. Hoje o processo inverso acontece no âmbito cultural, os costumes indígenas e sua língua são objetos de estudo e passam por um resgate, mas a quem pertence suas terras ainda é motivo de discussão entre indígenas, agricultores e governo. Talvez os índios consigam alcançar o patamar de igualdade algum dia, mas o de justiça, não parece estar tão perto. NEGROS Os portugueses já exploravam o mercado africano de escravos, precisavam ampliar o negócio, organizando a transferência dessa mão-de-obra para o Brasil. Os negros africanos já estavam habituados ao trabalho agrícola, ao pastoreio e a utilização de ferramentas e instrumentos feitos de metais, fora o lucrativo tráfico negreiro. Na colônia formaram-se duas classes antagônicas: as do todo- poderosos senhores de engenho, vivendo na casa grande, e a dos negros escravos, na senzala, praticamente inexistindo camadas sociais intermediarias. No entanto, “os escravos são as mãos e os pés do senhor de engenho, porque sem eles no Brasil não é possível fazer, conservar e aumentar fazenda, nem ter engenho corrente”. A frase expressa na obra de Antonil, Cultura e Opulencia do Brasil relata o papel do escravo negro na sociedade colonial brasileira. No começo do século XVI, eram trocados no continente africano por aguardente, tabaco, instrumentos de metal e outros objetos de pouco valor para os portugueses, mas atraentes para os captores. Os principais grupos negros trazidos para o Brasil foram os Sudaneses, originários da Nigeria, Daome e Costa do Ouro. Os Bantos de Angola, Congo e Moçambique. E os Males sudaneses islamizados. Cerca de 40% dos negros escravos morriam durante a viagem nos porões dos navios negreiros. E apesar, da grande resistência sobreviviam em média na colônia de 7 a 10 anos. Praticamente toda a riqueza produzida na colônia era fruto do trabalho escravo. Os negros conviviam com um pequeno número de trabalhadores assalariados, cuja função era vigia-los e realizar trabalhos que exigiam certos conhecimentos técnicos. Essa situação obedecia ao espírito do capitalismo comercial, que visava obter o Máximo de lucros com o mínimo de gastos. RESISTENCIA ESCRAVA Contra os atos de rebeldia aplicavam-se as mais variadas torturas. Os negros podiam ser colocados no vira-mundo, instrumento de ferro no qual amarravam mãos e pés. Em outras ocasiões recebiam açoites com o bacalhau ou chicote de couro cru. Os atos considerados mais graves eram punidos com a castração, amputação de seio ou quebra de dentes a marteladas. As condições de vida nas minas chegavam a ser piores que nos canaviais, nas minas a média de vida de um escravo girava entre 2 e 5 anos. O contrabando de ouro era uma das formas utilizadas pelos negros para obter dinheiro para comprar sua alforria. As fugas e a formação de quilombos. A historiografia tradicional normalmente não se referia às formas de resistência escrava. Essa omissão foi facilitada pela escassez de documentos sobre as rebeliões e pela visão eurocêntrica, que acaba por criar uma falsa ideia de passividade e resignação do povo brasileiro. No entanto, encontram-se indícios de variadas formas de luta dos negros. A fuga, o suicídio, a execução de brancos são algumas dessas manifestações. Tanto o Banzo, conhecido como nostalgia africana, era uma forma de reação dos negros escravos. Não se identificando com o mundo para o qual fora trazido, o negro entrava em profunda depressão, recusando-se a comer e definhando até a morte. Mas a maior ameaça para a ordem colonial era certamente a reação coletiva. As fugas em massa geralmente resultavam na formação de quilombos. Nessas comunidades, os negros procuravam reorganizar sua vida como na África. O mais importante reduto de luta contra a escravidão em toda a história brasileira foi o quilombo de Palmares (1600-1695). Liderados inicialmente por Ganga Zumba e depois por Zumbi, os negros formaram em Alagoas e no sul de Pernambuco um verdadeiro Estado. Devido à momentânea desorganização da produção açucareira e da sociedade patriarcal além da invasão holandesa ampliou bastante a população do quilombo. Agregando cerca de 20 mil escravos foragidos. CULTURA AFRICANA Moleque, quiabo, fubá, caçula e angu. Cachaça, dengoso, quitute, berimbau e maracatu. Todas essas palavras do vocabulário brasileiro têm origem africana ou referem-se a alguma prática desenvolvida pelos africanos escravizados que vieram para o Brasil durante o período colonial e imperial. Elas expressam a grande influência africana que há na cultura brasileira. A existência da escravidão no Brasil durante quase quatrocentos anos, além de ter constituído a base da economia material da sociedade brasileira, influenciou também sua formação cultural. A miscigenação entre africanos, indígenas e europeus é a base da formação populacional do Brasil. Dessa forma, a matriz africana da sociedade tem uma influência cultural que vai além do vocabulário. O fato de as escravas africanas terem sido responsáveis pela cozinha dos engenhos, fazendas e casas-grandes do campo e da cidade permitiu a difusão da influência africana na alimentação. São exemplos culinários da influência africana o vatapá, acarajé, pamonha, mugunzá, caruru, quiabo e chuchu. Temperos também foram trazidos da África, como pimentas, o leite de coco e o azeite de dendê. No aspecto religioso os africanos buscaram sempre manter suas tradições de acordo com os locais de onde haviam saído do continente africano. Entretanto, a necessidade de aderirem ao catolicismo levou diversos grupos de africanos a misturarem as religiões do continente africano com o cristianismo europeu, processo conhecido como sincretismo religioso. São exemplos de participação religiosa africana o candomblé, a umbanda, a quimbanda e o catimbó. Algumas divindades religiosas africanas ligadas às forças da natureza ou a fatos do dia a dia foram aproximadas a personagens do catolicismo. Por exemplo, Iemanjá, que para alguns grupos étnicos africanos é a deusa das águas, no Brasil foi representada por Nossa Senhora. Xangô, o senhor dos raios e tempestades, foi 224 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE HISTÓRIA DO BRASIL – (Prof. Márcio Michiles) representado por São Jerônimo. O samba, afoxé, maracatu, congada, lundu e a capoeira são exemplos da influência africana na música brasileira que permanecem até os dias atuais. A música popular urbana no Brasil Imperial teve nos escravos que trabalhavam como barbeiros em Salvador e Rio de Janeiro uma de suas mais ricas expressões. Instrumentos como o tambor, atabaque, cuíca, alguns tipos de flauta, marimba e o berimbau também são heranças africanas que constituem parte da cultura brasileira. Cantos, como o jongo, ou danças, como a umbigada, são também elementos culturais provenientes dos africanos. Historiadores como João José Reis chegam a afirmar que essa cultura da diáspora negra,essa cultura dos africanos saídos do continente, caracterizada pelo otimismo, pela coragem, musicalidade e ousadia estética e política, foi incomparável no contexto da chamada Civilização Ocidental. Como não foi fácil a vida em terras americanas, precisando lutar para sobreviver, a criação cultural “com a expressão de liberdade que a cultura negra possui” foi “um lutar dobrado” para imprimir na cultura brasileira sua influência. SENHORES DE ENGENHO A opulência e o requinte atribuídos ao modo de vida dos senhores coloniais brasileiros não são reais. Os senhores tinham casas simples, pobres, acanhadas e vazios de objetos. Com a transferência da corte real no século XIX a riqueza passou a ser mais detalhada pelo interior das suas residências. No período colonial era a quantidade de escravos ou agregados que mediam o prestigio e status quo. Ou os trajes e objetos que pudessem ser observados em público. A falsa opulência foi melhor analisada pela historiografia que desconfiava da veracidade dos relatos exagerados das riquezas das famílias aristocráticas brasileiras. Aula 2 – Sociedade Colonial 225 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM Questão 01 CONFISSÃO DE FERNÃO RIBEIRO, ÍNDIO DO BRASIL, EM 12 DE AGOSTO DE 1591: "Por querer confessar sua culpa, ser do gentio desta Bahia, e não saber a língua portuguesa, esteve presente o padre Francisco de Lemos, religioso da Companhia de Jesus, como intérprete. (...) E confessando-se, contou que há dois anos disse-lhe um outro gentio, de nome Simão, que os cristãos que comungam (...) são os homens mais virtuosos. Então ele, confessante, respondeu ao dito Simão que naquele Sacramento de comunhão estava a morte, e que quem comungava recebia a morte [muitos índios associavam este sacramento à morte porque, por vezes, ele era ministrado a moribundos]. Depois de o ter dito ficou muito arrependido e lhe pesou muito o Diabo lhe fazer dizer tão ruim palavra. Contou ainda que, sabendo do ocorrido, o padre superior de sua aldeia, João Alvares, da Companhia de Jesus, que tem cuidado de os doutrinar e instruir na fé, o prendeu e penitenciou na igreja, fazendo- o pedir perdão a todos e aplicando-lhe castigos, ao que ele, confessante, satisfez (...). " (Adaptado de Vainfas, Ronaldo (org.) CONFISSÕES DA BAHIA. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. P.81-2) O texto anterior registra uma das inúmeras confissões que, entre julho de 1591 e fevereiro de 1592, os moradores da cidade de Salvador e do Recôncavo Baiano prestaram à Visitação do Santo Ofício da lnquisição de Lisboa. A respeito dos jesuítas: a) que os jesuítas eram contrários à escravidão dos indígenas e dos africanos, posição que provocou conflitos constantes com o governo português. b) um dos momentos cruciais da crise entre o governo português e a Companhia de Jesus, que culminou com a expulsão dos jesuítas do território brasileiro. c) que o ponto fundamental dos confrontos entre os padres jesuítas e os colonos referia-se à escravização dos indígenas e, em especial, à forma de atuar dos bandeirantes. d) aconteceram episódios isolados como a ação do padre Vieira na luta contra a escravização indígena no Estado do Maranhão, que evitava a ação dos bandeirantes para caçar os nativos. e) que os padres jesuítas, em oposição à ação dos colonos paulistas, contavam com o apoio do governo português na luta contra a escravização indígena. Questão 02 1) Antropofagia foi a deglutição, em 1556, do bispo Sardinha pelos índios caetés. (Gilberto Cotrim) 2) Antes de os portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade. (Oswald de Andrade) 3) Que diferença enorme existe entre as duas humanidades: uma em explosão, na qual é preciso um aparato, um sistema repressivo para manter a ordem e a paz; outra tranquila, em que o homem é senhor de todos os seus atos. Se um indivíduo der um grito no centro de São Paulo, uma radiopatrulha poderá levá-lo preso. Se um índio der um tremendo berro no meio da aldeia, ninguém olhará para ele, nem irá perguntar por que ele gritou. O índio é um homem livre. (Orlando Vilas-Boas. Adaptado.) Os trechos apresentados suscitam reflexões sobre a ação colonizadora dos portugueses no Brasil. Identifique uma interpretação correta relacionada com essa colonização e com o pensamento dos autores. a) Após a chegada dos portugueses ao Brasil, as sociedades indígenas continuaram a viver em perfeita harmonia com a Natureza e entre si, conforme se pode depreender das palavras de Gilberto Cotrim e de Orlando Vilas-Boas. b) Gilberto Cotrim e Orlando Vilas-Boas confirmam a veneração dos indígenas brasileiros pelos jesuítas, que não pouparam esforços para catequizar os indígenas e impedir que eles fossem escravizados. c) Orlando Vilas-Boas reforça a tese de que o sistema colonial teve caráter repressivo, recorrendo à escravidão negra para manter as nações indígenas livres e acessíveis ao trabalho catequético dos jesuítas. d) O fato descrito por Gilberto Cotrim reforça a ideia de que os índios resistiram à dominação europeia e de fenderam, como expressam Oswald de Andrade e Orlando Vilas-Boas, a liberdade de sua organização social. e) Os três autores defendem a tese de que os índios eram desprovidos de organização social e política, já que não possuíam normas institucionais e valores que limitassem seus atos de liberdade. Anotações 226 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE HISTÓRIA DO BRASIL – (Prof. Márcio Michiles) Questão 03 Com base nesta representação cartográfica do Brasil e em outros conhecimentos sobre o assunto, pode-se considerar que: a) o Brasil era visto como uma terra cuja economia se apoiava na agricultura. b) os europeus realizavam o escambo do pau-brasil, utilizando para tanto a mão-de-obra indígena. c) indígenas e africanos, na época em que o mapa foi confeccionado, eram utilizados pelos europeus como trabalhadores escravos. d) a representação de navios europeus e de animais nativos sugere o contrabando de espécimes da fauna silvestre brasileira. e) os indígenas brasileiros costumavam escravizar membros de tribos inimigas. Questão 04 Á língua deste gentio toda pela costa é, uma: carece de três letras - não se acha nela F, nem L, nem R, cousa digna de espanto, porque assim não têm Fé, nem Lei, nem Rei; e desta maneira vivem sem justiça e desordenadamente. Estes índios andam nus sem cobertura alguma, assim machos como fêmeas; não cobrem parte nenhuma de seu corpo, e trazem descoberto quanto a natureza lhes deu. (...). Não há como digo entre eles nenhum Rei, nem justiça, somente cada aldeia tem um principal que é como capitão, ao qual obedecem por vontade e não por força; (...) [e que] não castiga seus erros nem manda sobre eles cousa contra sua vontade". (GANDAVO, Pero de Magalhães. Tratados da Terra do Brasil. História da província Sta. Cruz. Belo Horizonte / São Paulo: Itatiaia/Edusp., 1980). Sobre a sociedade indígena e suas práticas com os portugueses no período colonial brasileiro é possível inferir corretamente que: a) A busca da compreensão da cultura indígena era a maior preocupação do colonizador. b) A desorganização social dos indígenas se refletia no idioma e na escrita complexa. c) A diferença cultural entre nativos e colonos era atribuída à inferioridade do indígena. d) A língua dos nativos era caracterizada pela diversidade gramatical e fonética. e) Os signos e símbolos dos nativos da costa marítima eram homogêneos. Questão 05 A imagem da gravura retrata uma percepção europeiasobre os comportamentos das tribos indígenas. A respeito do tema da gravura e seus conhecimentos é possível inferir que: Canibais de Theodore Bry, 1593 Anotações Aula 2 – Sociedade Colonial 227 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência a) A prática do canibalismo entre os autóctones era a principal característica de sua cultura. b) A imagem retrata indígenas comendo partes de corpos humanos esquartejados enquanto um observador europeu demonstra prazer com a cena. c) A carne humana consumida pelos índios tupi era exclusivamente de inimigos mortos em combate e se dava em ritual com participação de toda a tribo. d) A expressão da barbárie indígena, presente no desenho de Theodor de Bry, revela o imaginário europeu do século XVI. e) O ritual antropofágico reunia toda a tribo, quando homens, mulheres e crianças, além dos guerreiros, deveriam comer a carne do inimigo morto. Questão 06 José de Anchieta, missionário jesuíta, veio da Europa, no século XVI, com o objetivo de evangelizar as populações indígenas no Brasil. Acerca dos índios, assim ele escreveu: “Pouco se pode obter deles se a força do braço secular não acudir para domá-los. Para esse gênero de gente não há melhor pregação do que a espada e a vara de ferro.” (Apud COTRIM, Gilberto. História e consciência do Brasil. São Paulo: Saraiva, 1997. p. 28.) O depoimento citado expressa ideias que serviram de base para o(a): a) projeto de manutenção da cultura dos povos nativos levado a cabo pela Companhia de Jesus, apesar do conflito com as autoridades coloniais. b) tratamento dado pelos portugueses aos povos nativos, proibindo sua escravização em todo o território da colônia e importando africanos para a lavoura açucareira. c) política da Coroa portuguesa, que reunia os nativos nas reduções ou aldeamentos, onde ficavam a salvo dos ataques dos colonos interessados em sua escravização. d) conquista dos povos nativos, impondo-lhes o idioma, a religião, o direito e o modelo econômico e político dominante entre os europeus. Questão 07 Sobre a relação entre o uso da língua e as formas de dominação no cotidiano do Brasil Colonial, considere as afirmativas abaixo, assinalando com V a(s) verdadeira(s) e com F a(s) falsa(s). ( ) A tolerância com as “línguas gerais” dos índios ocorreu como forma de viabilizar a ocupação do território pela catequese, pelas bandeiras, pelo comércio e pelas alian- ças necessárias, para combater a presença de outros europeus, como espanhóis e franceses, que também buscavam ocupar as terras do Brasil. ( ) A mistura de etnias, portanto, das línguas dos africanos, era prática corrente do tráfico negreiro e mantinha-se nos engenhos, como forma de dificultar a associação entre escravos e, dessa forma, diminuir o risco de revoltas. Assim sendo, não houve desenvolvimento das línguas africanas. ( ) A imposição da língua portuguesa no Brasil só ocorreu, realmente, a partir do século XVIII, com a racionalização administrativa do governo do Marquês de Pombal. Uma de suas principais medidas de controle sobre a Colônia foi a obrigatoriedade do uso do português no cotidiano com a proibição do uso das demais línguas. A sequência correta é: a) V F V. b) V V F. c) V F F. d) F V V. e) F F V. Questão 08 No século XVI, o alemão Hans Staden, durante vários meses prisioneiro dos tupinambás (uma das tribos do grupo tupi), comenta: “[...] quando querem construir suas choças, reúne o chefe um grupo de cerca de quarenta homens e mulheres, quantos pode conseguir, sendo usualmente seus amigos e parentes que edificam uma cabana.” STADEN, Hans. Duas viagens ao Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia, 1974. p. 155. Esse comentário ilustra o fato de que, na sociedade tribal, à época da chegada dos europeus à América, a) o acúmulo de excedentes econômicos era mínimo, e, por conseguinte, as trocas de produtos entre as tribos ocorriam raramente e em escala reduzida. b) a cooperação entre vizinhos do mesmo grupo, ou até mesmo de outros grupos locais, constituía um dos pilares da sua organização social. c) a distribuição de bens e serviços, nas sociedades indígenas, era determinada por uma série de regras semelhantes às existentes numa economia de mercado. d) o acesso à propriedade da terra era reservado ao chefe tribal e a sua família, devendo o restante dos membros ceder a força de trabalho para o cultivo. Anotações 228 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE HISTÓRIA DO BRASIL – (Prof. Márcio Michiles) Questão 09 Entre as várias formas de resistência do negro ao regime escravista no Brasil Colonial encontramos os quilombos. Palmares, o maior exemplo de grande quilombo, possuía uma organização econômica que apresentava as seguintes características: a) agricultura policultora como principal atividade, organizada com base num sistema de sesmarias semelhante ao dos engenhos, que visava o consumo local e a comercialização do excedente. b) agricultura monocultora, que visava a comercialização, e caça, pesca, coleta e criação de gado para o consumo interno. c) agricultura policultora realizada em pequenos roçados das famílias, e um sistema de trabalho cooperativo que produzia excedentes comercializados na região, além da extração vegetal e da criação para a subsistência. d) atividades extrativas, pecuária bovina e caprina para atender o consumo local, e fabricação de farinha, aguardente e azeite para a comercialização. e) criação de animais, caça, pesca e coleta para a subsistência, e agricultura monocultora que concorria com a produção dos engenhos. Questão 10 “No navio em que saímos de Angola (…) conheci um velho que afirmava ter sido amigo de meu pai. Ele recordou- me que na nossa língua (e em quase todas as outras línguas da África ocidental) o mar tem o mesmo nome que a morte: Calunga. Para a maior parte dos escravos, portanto, aquela jornada era uma passagem através da morte”. (José Eduardo Agualusa, Nação Crioula) O fragmento anterior refere-se a um aspecto da tradição cultural da África ocidental, que os contingentes de escravos trazidos para o Brasil trouxeram consigo. Trata- se da ideia de que: a) a escravidão era considerada de uma forma positiva, havendo seitas místicas que viam no cativeiro uma possibilidade de renascimento. b) a tradição católica foi incorporada pelos africanos, comparando-se a travessia do Atlântico com o episódio bíblico do Êxodo. c) a escravidão era impossível na África, local de vida, sendo apenas tolerada pelos africanos na América. d) a vida deixada na África era a única vida possível, sendo a travessia do Atlântico já considerada uma morte. e) a influência islâmica na África negra via na América local de ressurreição, equivalente ao paraíso muçulmano. Questão 11 A escravidão indígena adotada no início da colonização do Brasil foi progressivamente abandonada e substituída pela africana entre outros motivos, devido: a) ao constante empenho do papado na defesa dos índios contra os colonos. b) à bem-sucedida campanha dos jesuítas em favor dos índios. c) à completa incapacidade dos índios para o trabalho. d) aos grandes lucros proporcionados pelo tráfico negreiro aos capitais particulares e à Coroa. e) ao desejo manifestado pelos negros de emigrarem para o Brasil em busca de trabalho. Questão 12 As relações escravistas de produção marcaram o período colonial brasileiro. Sobre a utilização do trabalho escravo, podemos afirmar que: a) o trabalho negro era de baixa produtividade, mas a forte procriação remunerava os investimentos realizados na compra de escravos. b) a organização tribal dos negros africanos evitava o seu aprisionamento, constituindo-seem um empecilho para as trocas comerciais. c) articulava-se numa estrutura comercial onde a aquisição de escravos permitia o barateamento da produção de produtos tropicais. d) o trabalho escravo era economicamente menos rentável que o trabalho indígena, que possibilitava a existência de um mercado interno na colônia. e) os senhores de engenho brasileiros e a burguesia comercial intermediária favoreceram a acomodação inter-racial existente no Brasil-Colônia, possibilitando a organização dos negros. Questão 13 "Os escravos são as mãos e os pés do senhor de engenho, porque sem eles no Brasil não é possível fazer, conservar e aumentar fazenda." (Antonil, CULTURA E OPULÊNCIA DO BRASIL, 1711, livro 1, Capítulo, IX). Anotações