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HISTÓRIA DO BRASIL. 
PROF. EPIFÂNIO CAVALCANTE 
 
Brasil Colônia (1500-1822). 
 
A Expansão Marítima Portuguesa. 
Para entendermos o processo de colonização do novo 
mundo, mais especificamente do território que viria a ser 
chama do de Brasil, temos que recordar o processo de 
Expansão Marítima Portuguesa, iniciada em princípios do 
século XV. 
 
Já disseram sobre... 
 
Os impulsos para a aventura marítima não eram ape-
nas comerciais. Há cinco séculos, havia continentes 
mal ou inteiramente desconhecidos, oceanos inteiros 
ainda não atravessados. As chamadas regiões ignotas 
concentravam a imaginação dos povos europeus, que 
aí vislumbravam, conforme o caso, reinos fantásticos 
monstruosos, a sede do paraíso terrestre. 
Por exemplo, ao descobrir a América, Colombo pen-
sava que, mais para o interior da terra por ele desco-
berta, encontraria homens de um só olho e outros com 
focinho de cachorro. Viu três sereias pularem fora do 
mar, decepcionando-se com seu rosto: não eram tão 
belas como imaginara. Em uma das suas cartas, refe-
ria-se às pessoas que, na direção do poente nasciam 
com rabo. 
Fonte: FAUSTO, História Concisa do Brasil. São Paulo: 
Edusp, 1995. 
 
No início do século XV, Portugal começa os seus empre-
endimentos marítimos, lançando-se ao mar na busca de 
riquezas diversas, bem como um caminho alternativo para 
as índias e isso só foi possibilitado pela conjunção de vari-
ados fatores: 
 
Precoce centralização política: 
 
Portugal nesse contexto se apresenta como um ponto fora 
da curva em relação aos demais territórios que compu-
nham a Europa, desde o século XII, com a instalação da 
dinastia de Borgonha o processo de formação de um Es-
tado Nacional foi iniciado e no século XIV, foi consolidado 
com um evento que ficou conhecido como a Revolução de 
Avis (1383-1385). Portanto, Portugal tinha uma burocracia 
com as principais instituições centralizadas no monarca 
absoluto, fato que facilitou a montagem do projeto de ex-
pansão marítima. 
 
Avanços técnicos: 
 
Portugal era um dos principais redutos do desenvolvimen-
to técnico referentes as navegações, a construção de naus 
e caravelas, o desenvolvimento das cartas náuticas, o uso 
da bússola e astrolábio. 
 
A localização geográfica: 
 
A proximidade com as ilhas do atlântico, a posição penin-
sular de Portugal, formam condições naturais favoráveis 
para o projeto de expansão portuguesa, o porto de Lisboa 
já era bastante movimentado mesmo antes do processo 
de Expansão Marítima, com embarcações vindas do Atlân-
tico Norte e do Mar Báltico. 
 
A busca por novas rotas comerciais: 
A situação política consolidada na centralização do poder, 
o desenvolvimento do comércio interno principalmente via 
porto de Lisboa, mas ainda assim o acesso português as 
ricas especiarias, era limitado, pois a via terrestre pela 
Ásia era controlada pelos Árabes e o mar mediterrâneo 
era controlado pelos genoveses e venezianos. Por isso 
era fundamental encontrar um caminho alternativo para o 
acesso as lucrativas especiarias das índias. 
 
Gosto pela aventura: 
 
Como já mencionado, os interesses pela aventura maríti-
ma não eram apenas de ordem prática, financeira, havia 
todo um imaginário espetacular que motivava, instigava 
aspirantes a navegadores, pois os que tivessem a oportu-
nidade de navegar certamente teriam uma projeção em 
seu status social, mesmo que não conquistasse riquezas. 
 
 
 
A dura vida dos navegantes 
Nas caravelas dos descobrimentos, a busca por aven-
tura, fama e fortuna, fazia os marinheiros passarem 
por maus bocados. 
 
Fome, sede, doença e estupro eram apenas algumas das 
palavras incorporadas ao cotidiano dos navegantes nos 
séculos XV e XVI. Fugindo de uma vida dura na Europa, 
centenas de homens embarcaram nas caravelas dos des-
cobrimentos. Alguns buscavam enriquecimento rápido e 
fama; outros buscavam penitência pelos pecados e opor-
tunidade de difundir a fé em Cristo. Eram atraídos pela 
brisa do mar e pela aventura, encontrando uma existência 
repleta de surpresas nem sempre agradáveis. 
Dentre os obstáculos que precisaram ser vencidos para 
desbravar os mares, nenhum supera a dureza do cotidiano 
nas caravelas. Os tripulantes eram confinados a um ridícu-
lo espaço que impedia qualquer tipo de privacidade. Os 
 
 
 
 
 
 
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hábitos de higiene eram precários. Proliferavam insetos 
parasitas: pulgas, percevejos e piolhos. O mau cheiro se 
acumulava, tornando-se insuportável em pouco tempo. 
Além disso, havia o perigo constante de naufrágio e a 
possibilidade de serem mal recebidos pelos nativos. Ainda 
assim, apesar de todas as mazelas, a vida no mar podia 
ser instigante: encontrar novas terras e gentes, escapar da 
rotina. 
A rígida separação que existia na Europa entre nobres e 
plebeus, com leis distintas para cada categoria, era atenu-
ada no universo marítimo. Só o mar podia proporcionar a 
quebra de hierarquia que dificilmente ocorreria em terra, 
num continente dominado pelos títulos de nobreza que 
separavam aqueles com sangue azul da imensa maioria 
da população. Os perigos e o limitado espaço para circular 
a bordo estimulavam a camaradagem, o que podia servir, 
inclusive, como meio de ascensão social. 
Por Fábio Pestana Ramos, Revista de História da Bi-
blioteca Nacional. 
 
A Chegada dos Portugueses ao “Brasil”. 
 
O retorno de Vasco da Gama a Portugal produziu grande 
otimismo, meses depois o governo português envia uma 
verdadeira expedição, partindo de Lisboa 13 navios deixa-
vam o rio Tejo, o maior aparato marítimo até aquele mo-
mento, o comando da expedição era de um fidalgo, Pedro 
Álvares Cabral. Ocorreu um afastamento da frota em refe-
rência a costa africana até avistar em 21 de abril o que 
seria a terra brasileira e no dia seguinte a frota ancoraria 
em Porto Seguro. 
 
As populações nativas. 
...Mandou lançar o prumo. Acharam vinte e cinco bra-
ças; e ao sol posto, obra de seis léguas da terra, sur-
gimos âncoras, em dezenove braças -- ancoragem 
limpa. Ali permanecemos toda aquela noite. E à quin-
ta-feira, pela manhã, fizemos vela e seguimos em direi-
tos à terra, indo os navios pequenos diante, por de-
zessete, dezesseis, quinze, catorze, treze, doze, dez e 
nove braças, até meia légua da terra, onde todos lan-
çamos âncoras em frente à boca de um rio. E chegarí-
amos a esta ancoragem às dez horas pouco mais ou 
menos. 
Dali avistamos homens que andavam pela praia, obra 
de sete ou oito, segundo disseram os navios peque-
nos, por chegarem primeiro. 
Então lançamos fora os batéis e esquifes, e vieram 
logo todos os capitães das naus a esta nau do Capi-
tão-mor, onde falaram entre si. 
E o Capitão-mor mandou em terra no batel a Nicolau 
Coelho para ver aquele rio. E tanto que ele começou 
de ir para lá, acudiram pela praia homens, quando aos 
dois, quando aos três, de maneira que, ao chegar o 
batel à boca do rio, já ali havia dezoito ou vinte ho-
mens. 
Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes 
cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos 
com suas setas. Vinham todos rijos sobre o batel; e 
Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os ar-
cos. E eles os pousaram. 
Ali não pôde deles haver fala, nem entendimento de 
proveito, por o mar quebrar na costa. Somente deu-
lhes um barrete vermelho e uma carapuça de linho que 
levava na cabeça e um sombreiro preto. Um deles deu-
lhe um sombreiro de penas de ave, compridas, com 
uma copazinha de penas vermelhas e pardas como de 
papagaio; e outro deu-lhe um ramal grande de conti-
nhas brancas, miúdas, que querem parecer de aljavei-
ra, as quais peças creio que o Capitão manda a Vossa 
Alteza, e com isto se volveu às naus por ser tarde e 
não poder haver deles mais fala, por causa do mar. 
Trecho da carta de Pero Vaz de Caminha. 
A população da terra de ―Santa Cruz‖ pode ser dividida em 
dois grandes grupos: os tupis-guaranis e os tapuias. Os 
tupis se espalhavam por quase toda costa brasileira, des-
de o Ceará até a lagoa dos patos no extremo sul. Emal-
guns pontos do litoral, a presença dos tupis e guaranis era 
interrompida por outros grupos, pelos aimorés, pelos Tre-
membés na faixa entre o Ceará e o Maranhão, essas po-
pulações eram chamadas de tapuais, uma palavra generi-
camente usada pelos tupis –guaranis para designar os 
índios que falavam outra língua. 
Diversos povos indígenas habitavam o Brasil muito tempo 
antes da chegada dos portugueses em 1500. Cada povo 
possuía sua própria cultura, religião e costumes. Viviam 
basicamente da caça, pesca e agricultura. Tinham um 
contato total com a natureza, pois dependiam dela para 
quase tudo. Os rios, árvores, animais, ervas e plantas 
eram de extrema importância para a vida destes índios. 
 O termo índio como nos é conhecido hoje deriva de um 
―suposto‖ erro do navegador Cristóvão Colombo, que 
acreditando ter chegado as índias denominou os habitan-
tes da terra de índios. 
 
Apesar do mau uso do termo em que os habitantes foram 
denominados, convencionou-se a chamar de índio toda e 
qualquer pessoa que aqui vivia antes da chegada dos 
europeus, mesmo que a população aqui encontrada seja 
diferente da população encontrada pelos espanhóis na 
América central. Além dessas imensas diferenças exter-
nas, existia também uma grande diferença interna, dentro 
do imenso território da América Portuguesa. Outros termos 
também foram designados para se falar dos índios, como 
por exemplo: Gentios, usado para designar todos os que 
não eram cristãos e Negros da terra, como os portugueses 
já conheciam a exploração de negros africanos, denomi-
nou-se negros da terra para os índios explorados que aqui 
viviam. 
 
Tal heterogeneidade pode ser constatada na vida antes da 
chegada dos portugueses aqui no Brasil. A vida era muito 
variada de tribo para tribo, região para região, apesar de 
haver muitas diferenças entre eles, existia também muitas 
coisas em comum. De modo geral os indígenas não eram 
apenas caçadores e coletores, os índios exerciam também 
trabalho no campo, a agricultura. Plantavam a mandioca, 
batata-doce, amendoim, feijão, abóbora, plantas que eram 
usadas na medicina própria, em rituais e etc. Além da 
pesca e caça de pequenos animais, pois os animais de 
grande porte como vacas e cavalos foram trazidos pelos 
europeus posteriormente. 
 
Com a chegada dos europeus na nova terra e o choque 
dessas duas culturas ficou claro que as diferenças eram 
enormes, os nativos brasileiros tinham costumes que para 
 
 
 
 
 
 
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os portugueses eram ou desconhecidos ou no mínimo 
estranhas, como por exemplo, a prática indígena de ofer-
tar mulheres aos hóspedes. Outro exemplo dessas dife-
renças era a poligamia, que não chegou a existir de forma 
geral na cultura ameríndia, mas que aparentemente cho-
cou os pudicos portugueses com sua moral cristã, apenas 
aparentemente. A visão dos portugueses em relação aos 
índios logo na sua chegada foi um misto de estranheza e 
encantamento principalmente pelo fato de andarem nus e 
não terem vergonha disso, sua língua que era totalmente 
diferente davam, aos portugueses duas alternativas: ou 
aprendiam as língua e dialetos dos índios ou ensinavam o 
português a eles. Os Jesuítas acharam estranho o fato de 
que algumas tribos viviam em sossego enquanto outras 
tribos viviam em constantes guerras umas com as outras, 
as crises diplomáticas foram utilizadas muito bem a favor 
dos portugueses. Mas o pensamento de encantamento 
principalmente dos jesuítas mudou quando conheceram 
seus rituais sagrados, curandeirismo e principalmente o 
canibalismo, tanto o endocanibalismo, onde eles comiam 
algum parente morto por motivos principalmente religiosos 
e o exocanibalismo, onde comiam inimigos capturados nas 
guerras, para adquirir sua força e coragem. 
 
As relações ―incestuosas‖ deixam claro tais diferenças de 
pensamentos culturais, para os índios o parentesco verda-
deiro vinha da parte dos pais. Sendo assim não viam pro-
blemas em ter relações sexuais com as filhas de suas irmãs 
ou com qualquer parente que não seja da linhagem de seu 
pai. O asseio do corpo praticado pelos ameríndios foi tam-
bém uma das práticas que surpreendeu os europeus de 
forma geral, o asseio com vários banhos de rios foi recebido 
pelos europeus como algo estranho tendo em vista que os 
mesmos não tinham costumes de tomar banho sem-
pre. Com a chegada dos europeus ao Brasil, aos poucos se 
desorganizara a vida social e econômica indígena. 
 
Os índios foram usados pelos portugueses como meio de 
adaptação a terra, aos costumes, aos alimentos, em geral 
a vida na nova terra. Para isso tiveram que definir dois 
tipos de índios, os amigos e os inimigos. Aproveitando-se 
dessa divisão e utilizando os primeiros contra os últimos 
para fazerem guerras e obterem escravos. 
Com os índios amigos trabalhando para os portugueses e 
ainda escravizando os inimigos podemos dizer que tanto 
os índios amigos como os inimigos estavam inconscien-
temente ficando a mercê dos portugueses. 
 
A primeira forma de exploração que se viu aqui foi a troca 
também conhecida como escambo, os portugueses davam 
produtos seus em troca de algum tipo de trabalho, alimen-
tos e até mesmo escravos que eram capturados pelos 
indígenas para os portugueses. Aos poucos os índios es-
tavam deixando toda sua cultura e passando a viver a vida 
que os portugueses estavam querendo que eles vivessem. 
Os índios foram explorados de três maneiras: O trabalho, 
obrigatório ou não, sendo pago aos índios uma remunera-
ção quase sempre irrisória, a outra forma era a escravidão 
propriamente dita e a terceira o regime de administração, 
que seria um tipo de escravidão na qual os índios seriam 
forros ou livres formalmente, pois na prática continuariam 
sendo escravos. Além de tudo havia os jesuítas com seu 
trabalho de evangelização dos índios ao catolicismo o que 
fez ainda mais os índios se desvincularem de sua cultura 
original, com a introdução, por exemplo, do uso da roupa, 
que foi largamente contestado pelas índias, pois assim, 
segundo elas, ficaria mais difícil para tomarem banhos 
regularmente como era de costume. Sem contar que tais 
roupas trouxeram várias doenças para os índios, como 
doenças respiratórias e de pele. Os mesmos jesuítas tra-
varam uma longa disputa em função da escravização dos 
índios, a Coroa estava querendo ganhar lucros com a terra 
para isso teria que explorá-los enquanto os jesuítas en-
tendiam que os índios não poderiam ser explorados e sim 
cristianizados, podendo assim explorar e guerrear contra 
aqueles que não aceitassem o catolicismo, a chamada 
guerra justa. A forma de pensamento dos portugueses em 
relação aos índios era bem simples: para os índios que 
implantasse resistência à ocupação do território ou que 
não aceitassem a conversão ao cristianismo, à resposta 
seria a violência, com aprisionamento e morte de tribos 
inteiras, o aprisionamento dos chefes dos índios entre 
outras coisas. 
 
Com tudo isso e ainda muitas doenças trazidas pelos eu-
ropeus e que com o contato com o indígena dizimou mi-
lhares e milhares de índios, a degradação não só da cultu-
ra, mas do próprio índio ficou evidente. A brusca passa-
gem do nomadismo para o sedentarismo, o trabalho diário 
e contínuo, além de guerras mais freqüentes que o normal 
contra os portugueses e no caso dos índios amigos con-
tra outras tribos, guerras financiadas pelos portugueses, 
mudou completamente o metabolismo, o ritmo de vida e o 
esforço físico indígena, causando desta maneira a dizima-
ção de milhares de índios. 
 
Não houve para o indígena, em relação à preservação de 
sua cultura, quase nenhuma vantagem desse encontro com 
os portugueses, tal contato foi em grande parte dissolvente 
apesar de muito da cultura indígena está viva hoje princi-
palmente nos interiores, com seus alimentos como o milho, 
mandioca, abóbora, a moqueca, o caju, e outros costumes 
como o pé descalço, o tabaco, o banho de rio e etc. Apesar 
desse contato com os indígenas é certo que existia no perí-
odo colonial inteiro tribos indígenas queviviam no sertão 
brasileiro e que não entraram em contato com a cultura 
portuguesa, sendo assim tal cultura continuou viva por mui-
to mais tempo do que as tribos litorâneas. 
 
Já disseram sobre... 
 
SINCRETISMO NOSSO DE CADA DIA 
Entre os documentos das visitações inquisitoriais enviadas 
ao Nordeste brasileiro no final do século XVI, vários dão 
pistas da religiosidade popular da Colônia. Um senhor de 
escravos, cristão-novo, mandou Cristo à merda ao acom-
panhar a procissão do Santíssimo Sacramento na Bahia 
seiscentista. Uma cigana espanhola, em meio a um tem-
poral nas ruas de Salvador, gritou: ―bendito sea el carajo 
de Cristo que mija sobre mí‖. Outro gostava de colocar o 
crucifixo embaixo da cama, para dar sorte, quando transa-
va com a esposa – o que não deu certo, pois a mulher era 
adúltera. Um senhor de escravos do Recôncavo Baiano 
resolveu abrigar nas suas terras uma seita indígena meio 
tupinambá, meio católica, e ainda se ajoelhava diante do 
ídolo de pedra que os índios cultuavam. O chefão da seita 
 
 
 
 
 
 
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dizia nada menos que era o verdadeiro papa e sua mulher, 
ou a principal delas, ostentava o título de Santa Maria Mãe 
de Deus. Falando nisso, e pulando para o século XVIII, 
Tereza de Jesus, cristã-nova pela metade, pois a mãe era 
católica, disse que Santa Maria e Santa Esther eram a 
mesma coisa, assim como Cristo e Moisés eram pareci-
dos. Morava no Rio de Janeiro, morreu queimada em Lis-
boa. 
 
Onde estamos? Em alguma Babel religiosa? Não. No Bra-
sil Colônia, onde a única religião admitida era o catolicis-
mo. Mas a Coroa portuguesa fez alguma coisa para asse-
gurar o triunfo do catolicismo no Brasil? 
Ao menos tentou. Além das motivações comerciais, é sa-
bido que um dos principais objetivos da colonização era o 
de expandir o catolicismo no Novo Mundo. Isto vale tam-
bém para outras partes do império português, como os 
enclaves no Oriente ou na África, embora nelas a presen-
ça portuguesa tenha sido superficial, feitorial. No Brasil, 
onde os portugueses ocuparam o território e a Coroa in-
centivou o povoamento, o esforço evangelizador foi mais 
saliente. 
 
Não surpreende, porém, o abismo entre o catolicismo colo-
nial e o projeto da Igreja de Roma. Menos surpreendente 
ainda é que tenham grassado no Brasil variadas formas de 
sincretismo religioso, mistura entre o catolicismo e crenças 
nativas e africanas, para não falar das judaicas, trazidas 
pelos cristãos-novos que fugiam da Inquisição, quando não 
vinham degredados por judaizar. Mesmo assim, o Santo 
Ofício prendeu muitos e queimou alguns por heresia. 
 
Em todo caso, quando falamos de religiosidade popular na 
Colônia, não convém adotar uma sociologia rígida. O popu-
lar, no caso, diz mais respeito à religiosidade cotidiana do 
que à posição social do indivíduo. Se o sincretismo religioso 
prevaleceu desde o início, ele foi compartilhado, em vários 
graus, por senhores e escravos, portugueses e naturais da 
Colônia, brancos, negros, índios, mulatos, pardos, cafuzos, 
enfim, por toda a sociedade luso-brasileira. 
 
Além disso, vale pôr em xeque dois estereótipos consa-
grados no senso comum. O primeiro é a ideia de que o 
nosso sincretismo religioso se limitou à mistura do catoli-
cismo com as religiões africanas. O segundo é a ideia de 
que o catolicismo fracassou no Brasil, aviltado pela mistu-
ra de religiões. 
 
Sincretismo religioso colonial: o que foi isto? Um mix cul-
tural de várias faces e múltiplas combinações. Começou 
pela mistura do catolicismo com a mitologia tupinambá, do 
que dá mostra a Santidade baiana de Jaguaripe. Nela 
pontificava, sem trocadilho, o papa Antônio, índio educado 
pelos jesuítas, mas com vocação de pajé. Homem que 
também dizia, em transe, que encarnava o ancestral-mor 
dos tupis, Tamandaré, enquanto fumava o petim (tabaco) 
em um cachimbo comprido. O próprio ídolo da seita tinha 
um nome que, apesar da língua, era cristão: Tupanasu, 
grande deus, invenção jesuítica para nomear o deus cris-
tão em língua inteligível para os índios. O sincretismo fez 
sua estreia sob a batuta dos jesuítas. 
Sincretismo afro-brasileiro: nomeá-lo assim é dizer pouco. 
Isto porque o catolicismo, antes de ser brasileiro, era por-
tuguês. Segundo, o catolicismo dos portugueses não era 
exatamente o da Roma dos papas. Os portugueses do 
Brasil eram mais dados à aventura do que à religião. Ter-
ceiro, porque nunca houve uma África, senão várias. Áfri-
ca bantu, África iorubá, para dizer o mínimo. 
 
Na prática, as misturas foram extraordinárias. Um dos 
primeiros a enxergar o sincretismo afro-brasileiro foi Nina 
Rodrigues, médico de profissão, etnólogo por vocação. 
Sugeriu, no início do século XX, que os africanos cultua-
vam seus deuses tradicionais misturados aos santos cató-
licos. Ingenuidade. O etnólogo e filho de santo Roger Bas-
tide, francês, foi além e considerou tais cultos originais. 
Interpretou a ―religiosidade negra‖ como resistência à es-
cravidão ancorada em sobrevivências religiosas africanas. 
Ingenuidade também. 
 
O sincretismo afro-brasileiro nem foi resistência, nem fin-
gimento acomodativo. Também não foi só afro-brasileiro, 
pois vicejou em Portugal. Na Colônia, foi invenção constru-
ída por africanos, de várias origens, para lidar com o so-
brenatural em uma situação de diáspora. Situação coloni-
al. Em alguns casos, chegou-se a esboçar um protocan-
domblé, nas palavras de Luiz Mott, referindo-se ao terreiro 
dirigido pela negra Josefa Maria, perto de Paracatu, Minas 
Gerais, no século XVIII. Na escuridão da noite, escravos e 
forros se reuniam para bailar a Dança da Tunda, Acontu-
dá, ritual da nação courana, originária do Daomé. No Rio 
de Janeiro também havia um calundu dirigido por uma 
parda forra, Veríssima, onde todos dançavam ao som dos 
batuques. Quais orixás baixavam nesses terreiros? Não 
faço a menor ideia. Os inquisidores, menos ainda. 
 
A própria palavra calundu, de origem bantu, consagrada no 
século XVII para designar os cultos da senzala, foi invenção 
colonial para generalizar a religiosidade negra. Gregório de 
Mattos, o Boca do Inferno, escreveu sem rodeios: ―o que 
digo é que, nestas danças, Satã tem parte nelas‖. 
 
Falar em sincretismo afro-brasileiro, portanto, é dizer pouco. 
Como interpretar as ―bolsas de mandinga‖, cobiçadas por 
protegerem seus portadores de todos os males, além de 
facilitar amores, fechar o corpo e ganhar no jogo? Pois bem, 
as bolsas tiveram origem no norte africano, entre os man-
dingas, povo islamizado. Eram uns saquinhos, como 
sachês, que continham um verso do Alcorão escrito em um 
pedaço de papel. A coisa se espalhou pela África, pelo Bra-
sil e Portugal e foi aumentando de tamanho. Passou a inclu-
ir ossinhos de mortos, pedaços de pedra d‘ara (altar cris-
tão), cabelos, unhas... O sachê original virou um bolsão de 
algodão cru repleto de elementos religiosos, vivos ou mor-
tos. Impossível conceituar este mélange, senão como resul-
tado de um intercurso cultural de diversos continentes. 
 
O catolicismo fracassou? Só se adotarmos o modelo do 
Concílio de Trento. Não é o caso dos historiadores. De 
sorte que, na verdade, o catolicismo irrigou toda a religio-
sidade colonial. Esteve presente em algumas rezas do 
Acotundá mineiro, na Santidade indígena da Bahia, no 
terreiro carioca da forra Veríssima, nas bolsas de mandin-
ga, nos calundus e catimbós, nas invenções de cristãos-
novos que misturavam Cristo e Moisés. 
 
 
 
 
 
 
 
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Uma evidência indiscutível é a crença de que as palavras 
eucarísticas tinham poder de atração sexual ou, ao me-
nos, de amansar maridos hostis. Hoc est enim corpus 
meum – ―este é o meu corpo‖. Na Bíblia, consta que Jesus 
assim consagrou o pão na última ceia, e nisto reside o 
mistério da transubstanciação. É o corpo de Cristo que 
está na hóstia consagrada? Ou é um símbolo, uma metá-
fora? O povo entendia este mistério de modo direto: se o 
corpo de Cristo entrava na hóstia por meio daquelas pala-
vras, o corpo do amado passava a ser de quem proferisse 
a mesmafrase. Mas havia um detalhe: era preciso dizê-las 
em latim e no ato da cópula. Entre gemidos e gozos. 
 
Outra evidência final: Madre Vitória da Encarnação, freira 
do convento baiano de Santa Clara do desterro. Era tre-
mendamente religiosa. Punha cinza na comida para estra-
gar o paladar. Carregava nas costas uma cruz pesada 
pelos corredores do convento. Usava cilícios para flagelar 
o corpo. Esbofeteava-se. Um exemplo do catolicismo co-
lonial: sensível, barroco. Madre Vitória também dizia ter 
visões. Dizia que visitava, à noite, as almas do Purgatório. 
 
Contava ainda que, algumas vezes, viu o Diabo, que lhe 
aparecia na forma de um ―molequinho negro‖. Catolicismo 
barroco, catolicismo escravista. O arcebispo da Bahia 
instruiu processo para transformá-la em santa, ao menos 
beata. Não prosperou a ação do arcebispo. O Brasil nunca 
teve santos. Nem santas. 
 
Ronaldo Vainfas é professor da Universidade Federal 
Fluminense e autor de A heresia dos índios: catolicismo e 
rebeldia no Brasil Colonial (Companhia das Letras, 2010). 
 
Extrativismo do Pau Brasil. 
 
 
 
Durante o retorno da Índia, em 1501,Cabral encontrou-se 
com uma pequena frota portuguesa, formada por três na-
vios que se destinavam ao Brasil, sob o comando de Gon-
çalo Coelho. Tratava-se da primeira expedição enviada 
pelo rei de Portugal para fazer o reconhecimento do terri-
tório, depois de o descobrimento ser comunicado à corte 
por Gaspar de Lemos. A bordo de um desses navios, en-
contrava-se o florentino Américo Vespúcio, que fez várias 
viagens ao continente americano e escreveu sobre ele, 
conseguindo batizá-lo com seu nome. 
 
A partir dessa expedição, várias outras - tanto portuguesas 
quanto espanholas - iriam reconhecendo aos poucos o 
litoral brasileiro e sul-americano, durante as primeiras dé-
cadas do século 16. Frequentemente, deixaram aqui al-
guns tripulantes para permanecer entre os indígenas. 
Condenados ao exílio ou sobreviventes de naufrágios, 
esses homens constituíram um importante grupo de inter-
mediários entre os índios e os navegadores europeus, 
atuando na exploração do que se transformou na principal 
mercadoria da terra. 
 
Rapidamente descoberto pelos primeiros navegantes, o 
pau-de-tinta ou pau-brasilera uma espécie de árvore 
abundante no território brasileiro, que servia como maté-
ria-prima para o tingimento de tecidos. Apresentava parti-
cular importância para a indústria têxtil europeia, que pas-
sava por um período de crescimento. 
 
O comércio dessa mercadoria tornou-se um empreendi-
mento lucrativo, que deu início à atividade econômica dos 
europeus no Brasil, bem como à efetiva ocupação da ter-
ra. Além do pau-de-tinta, papagaios e macacos também 
obtiveram grande valor comercial, devido aos seus aspec-
tos exóticos e ornamentais. 
 
Os portugueses realizavam trocas com os índios, dando-
lhes principalmente ferramentas - como enxadas e ma-
chados - pelos produtos da terra. Ferramentas de metal 
representavam uma verdadeira revolução tecnológica para 
os nativos, que só conheciam os instrumentos de pedra e 
madeira. O relacionamento amistoso entre o índio e o 
branco, baseado na troca de mercadorias ou escambo, foi 
fundamental para os europeus nos seus primeiros momen-
tos no Brasil. Além de fornecer as mercadorias de valor 
comercial, os índios ainda garantiam a alimentação e os 
braços para o trabalho de abate e transporte do pau-brasil. 
 
 
http://educacao.uol.com.br/biografias/pedro-alvares-cabral.jhtm
http://educacao.uol.com.br/biografias/americo-vespucio.jhtm
 
 
 
 
 
 
8 
O sistema de Capitanias Hereditárias, que já havia sido 
utilizado com relativo sucesso na África, dividiu o território 
em 15 partes e pretendia viabilizar a exploração das rique-
zas do ―Novo Mundo‖. As terras tinham como limites o 
Oceano Atlântico, a Leste, e o Tratado de Tordesilhas, a 
Oeste. 
 
Primeira estrutura de governo colonial - extremamente 
descentralizada - implantada pela metrópole para funcio-
nar em todo o território brasileiro. Em 1532, dom João III 
anuncia a intenção de dividir a colônia em 15 amplas fai-
xas de terra e entregá-las a nobres do reino, os capitães 
donatários, para povoá-las, explorá-las com recursos pró-
prios e governá-las em nome da Coroa. 
 
Essas faixas são de largura bastante diversa, podendo 
variar de 150 a 600 quilômetros, e estendem-se do litoral 
para o interior até a linha imaginária de Tordesilhas. Entre 
1534 e 1536, dom João III implanta 14 capitanias, conce-
didas a 12 donatários, que se vieram somar àquela doada 
em 1504 a Fernão de Noronha pelo rei dom Manuel. 
 
Direitos e deveres 
 
Nas Cartas de Doação é fixado o caráter perpétuo e here-
ditário das concessões. Em troca do compromisso com o 
povoamento, a defesa, o bom aproveitamento das rique-
zas naturais e a propagação da fé católica em suas terras, 
o rei atribui aos donatários inúmeros direitos e isenções. 
Cabe aos donatários distribuir sesmarias - terras incultas 
ou abandonadas - aos colonos, fundar vilas com as res-
pectivas câmaras municipais e órgãos de justiça, além do 
direito de aprisionar índios. São também isentos do paga-
mento de tributos sobre a venda de pau-brasil e de escra-
vos. 
 
Criar vilas e distribuir terras a quem desejasse cultiva-las. 
Exercer plena autoridade no campo judicial e administrati-
vo, podendo inclusive autorizar pena de morte. Escravizar 
os índios, obrigando-os a trabalhar na lavoura. Também 
podiam enviar índios como escravos para Portugal, até o 
limite de 30 por ano. Receber a vigésima parte dos lucros 
sobre o comércio do Pau-Brasil. 
 
O donatário era obrigado a entregar 10% de todo o lucro 
sobre os produtos da terra ao rei de Portugal. 1/5 dos me-
tais preciosos encontrados nas terras do donatário deveria 
ser entregue a coroa portuguesa. O monopólio do Pau-
brasil. 
 
Falência do sistema. 
 
Em sua maior parte, as capitanias brasileiras não conse-
guem desenvolver-se por falta de recursos ou por desinte-
resse de seus donatários. No final do século XVI, apenas 
as capitanias de Pernambuco (de Duarte Coelho) e 
de São Vicente (de Martim Afonso de Souza) alcançam 
certa prosperidade com o cultivo da cana-de-açúcar. É 
esse quadro pouco animador que leva a Coroa portuguesa 
a instituir, em 1548, um governo mais centralizado e capaz 
de uma ação mais direta - o governo-geral. No século 
XVII, outras capitanias são criadas para ocupar a Região 
Norte. 
 
Cada vez mais enfraquecidas e progressivamente retoma-
das pela Coroa, as capitanias são extintas em 1759. Mas 
deixam sua marca na ocupação do território, sobretudo da 
faixa litorânea, e na formação política do país. Além de 
fixar o nome de muitos dos atuais estados brasileiros, as 
capitanias dão origem a uma estrutura de poder regional 
que ainda se mantem atuantes. 
 
Governo Geral. 
 
 “Eu, o rei, faço saber a vós, Tomé de Sousa, fidalgo de 
minha casa, que vendo eu quanto serviço de Deus e 
meu é conservar e enobrecer as capitanias e povoa-
ções das terras do Brasil e dar ordem e maneira com 
que melhor e mais seguramente se possam ir povoan-
do, para exaltamento da nossa Santa Fé e proveito de 
meus reinos e senhorios, e dos naturais deles, ordenei 
ora de mandar nas ditas terras fazer uma fortaleza e 
povoação grande e forte, em lugar conveniente, para 
daí se dar favor e ajuda às outras povoações e se mi-
nistrar a justiça e prover nas coisas que cumprirem a 
meu serviço e aos negócios de minha fazenda e a bem 
das partes” […]. 
 
Porque a principal coisa que me moveu a mandar po-
voar as ditas terras do Brasil, foi para que a gente de-
las se convertesse à nossa Santa Fé Católica, vos en-
comendo muito que pratiqueis com os ditos capitães e 
oficiais a melhor maneira para que isso se pode ter; e 
de minha parte lhes direis que lhes agradecerei muito 
terem especial cuidado de os provocar a serem cris-
tãos; e, para eles mais folgarem de o ser, tratem bem 
todos os que forem de paz, e os favoreçam sempre, e 
não consintam que lhes seja feita opressão, nem 
agravo algum; e, fazendo-se-lhes, lhe façam corrigir e 
emendar, de maneira que fiquem satisfeitos, e as pes-
soas que lhes fizerem, sejam castigados como for 
justiça.” 
 
Regimento de Tomé de Sousa (17 de dezembro de 1548) 
 
Devido aos resultados insatisfatórios do sistema 
de capitanias hereditárias, a Coroa portuguesa decidiu 
estabelecer um Governo geral no território brasileiro. Com 
a missão de restabelecer o domínio português sobre toda 
a extensão da colônia e defender os estabelecimentos 
lusitanos, tanto dos corsários franceses quanto dos índios 
hostis, o primeiro governador-geral Tomé de Sou-
sa chegou à Baía de Todos os Santos em 29 de março de 
1549, com uma expedição formada por cerca de 1.000 
homens. 
 
Além de colonos propriamente ditos, parte deles estava 
destinada a integrar as entidades administrativas a serem 
aqui implantadas. Ao longo do tempo, as vilas e cidades 
constituíram seus governos, as Câmaras municipais, for-
madas por quatro vereadores e um juiz, todos escolhidos 
entre os grandes proprietários de terras. As Câmaras des-
frutaram de grande autonomia, chegando a mandar repre-
sentantes próprios para a Corte, em Lisboa, ou ainda a 
opor-se ao governo geral. 
 
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/capitanias-hereditarias-a-primeira-tentativa-de-colonizacao-do-brasil.htm
http://educacao.uol.com.br/biografias/tome-de-sousa.jhtm
http://educacao.uol.com.br/biografias/tome-de-sousa.jhtm
 
 
 
 
 
 
9 
Com o fracasso do empreendimento do donatário Francis-
co Pereira Coutinho, a capitania da Bahia foi retomada 
pela Coroa portuguesa, mediante pagamento de indeniza-
ção. Tornou-se a sede do governo geral ou, em outras 
palavras, a capital da colônia. 
 
Levando em conta necessidades defensivas, o Governa-
dor escolheu uma colina na enseada da Barra (onde hoje 
se localiza o bairro da Vitória) para fundar a cidade-
fortaleza de Salvador. Ao longo de quatro meses, constru-
iu-se uma muralha de taipa dotada de quatro torres com 
artilharia e, em seu interior, uma centena de casas que 
abrigariam os moradores e os órgãos governamentais e 
eclesiásticos. 
 
Para a empreitada da construção da cidade e da implanta-
ção de fazendas ao seu redor, Tomé de Sousa tratou de 
promover imediatamente acordos de paz com os indíge-
nas, contando com o apoio de Diogo Álvares Correia, um 
náufrago que se estabelecera entre os índios do local, em 
1510, exercendo sobre eles um papel de influência. 
Como garantia da convivência pacífica com o índio, Tomé 
de Sousa restabeleceu a prática do escambo e restringiu a 
escravidão, limitando-a às tribos que resistiam à coloniza-
ção. Mais uma vez, por meio da troca de mercadorias, os 
portugueses conseguiram que os índios lhes fornecessem 
mão-de-obra e alimentação. 
 
Jesuítas. 
 
O trabalho de pacificação dos indígenas contou também 
com a participação decisiva de seis padres jesuítas que 
chegaram juntamente com o Governador-geral, sob a lide-
rança de Manoel da Nóbrega. Ordem religiosa fundada em 
1540, a Companhia de Jesus tinha entre seus objetivos 
principais a expansão do cristianismo nas colônias ultra-
marinas espanholas e portuguesas. 
 
No Brasil, seus missionários encarregaram-se da cateque-
se dos índios, convertendo-os à religião cristã, ao mesmo 
tempo em que os adaptavam a um novo modo de vida, 
constituído de acordo com os critérios e padrões do colo-
nizador europeu. Para isso, os jesuítas trataram de agru-
par as tribos dispersas e semi-nômades em "reduções", 
isto é, aldeias organizadas para fixá-los em locais deter-
minados, sob a supervisão dos padres e a autoridade do 
governo geral. Assim, os portugueses conseguiram se 
impor na região da Bahia e, ao longo dos cinco anos se-
guintes, estender seu domínio sobre o litoral nordestino 
como um todo. 
 
Progressivamente, a cultura da cana-de-açúcar substituiu 
a extração do pau-brasil, tornando-se a principal atividade 
econômica da região. Fazendas e engenhos foram se 
espalhando ao longo da costa do Nordeste, do sul da Ba-
hia ao norte de Pernambuco. 
 
Extermínio indígena. 
 
O desenvolvimento do Brasil português teve como contra-
partida a derrocada do Brasil indígena. Nas reduções, 
embora de modo pacífico, os índios perdiam não somente 
sua liberdade como também sua identidade cultural: desde 
as terras, originalmente suas, até seus hábitos e costumes 
lhes foram sendo subtraídos no processo de aculturação, 
isto é, no intercâmbio de sua cultura com a do colonizador. 
Doenças que eram desconhecidas aqui e para as quais os 
índios não apresentavam resistência natural foram disse-
minadas nas aldeias, juntamente com o Evangelho e os 
novos ordenamentos administrativos. 
Epidemias de tifo e a varíola, por exemplo, foram respon-
sáveis pela morte de dezenas de milhares de indígenas, 
entre as décadas de 1550 e 1570. 
 
Inspeção do território. 
 
Concluído com êxito seu trabalho na região nordestina, em 
1552, Tomé de Sousa iniciou uma viagem de inspeção às 
capitanias ao Sul da Bahia. No decurso dessa missão, 
dirigiu a fortificação das vilas e povoações que visitou, 
organizando também nelas as instituições governamen-
tais. 
A viagem estendeu-se até a capitania de S. Vicente e as 
regiões do extremo sul dos domínios de Portugal vaga-
mente demarcados pelo Tratado de Tordesilhas, onde a 
presença espanhola era grande. Assim, o governador 
cuidou de implantar ali os marcos ou padrões da posse 
portuguesa, bem como de restringir as relações comerci-
ais estabelecidas entre portugueses e espanhóis. 
Duarte da Costa 
 
Em 1553, Tomé de Sousa retornou a Portugal, sendo 
substituído no governo da colônia por Duarte da Costa, 
que ocupou o cargo durante os quatro anos seguintes. A 
administração do segundo governador geral, entretanto, 
foi desastrosa, chegando a comprometer o trabalho de seu 
antecessor e colocando em risco o domínio português no 
território brasileiro. Por um lado, seu fracasso se deveu à 
postura adotada diante dos índios, que colocava por terra 
a política de pacificação desenvolvida por Tomé de Sousa. 
Sob Duarte da Costa, o sistema do escambo cedeu nova-
mente lugar à escravização do índio como forma de obter 
mão de obra para o trabalho nas lavouras de cana-de-
açúcar. Os colonos voltaram a escravizar os indígenas, 
realizando incursões para a captura de escravos não so-
mente nas selvas e entre os índios hostis, mas também 
nas próprias reduções jesuítas. 
 
Desse modo, as guerras indígenas contra os brancos ga-
nharam um novo impulso, da mesma maneira que a fuga 
de grandes contingentes nativos para as regiões interiora-
nas. Simultaneamente, os jesuítas entraram em confronto 
com o governo e com os colonos, numa atitude de defesa 
dos índios convertidos. 
 
 
http://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/historia-do-brasil/jesuitas-fundam-a-maior-cidade-do-brasil.htm
http://educacao.uol.com.br/biografias/manuel-da-nobrega.jhtm
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/grandes-navegacoes-a-expansao-maritima-espanhola.htm
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/grandes-navegacoes-a-expansao-maritima-espanhola.htm
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/pau-brasil-extrativismo-foi-a-primeira-atividade-economica-da-colonia.htm
 
 
 
 
 
 
10 
As câmaras municipais. 
A partir de 1550 começaram a surgir as câmaras munici-
pais, que eram órgãos políticos compostos pelos ―homens-
bons‖, que eram homens ricos, proprietários de terras que 
definiam os rumos políticos das cidades Brasileiras, já que 
as massas populares do Brasil não poderiam participar da 
vida pública nesta fase. 
 
A instituição municipal representava a administração das 
cidades e vilas e as câmaras também eram compostas por 
um alcaide (palavra de origem árabe, e que designa um 
magistrado), que tinha funções administrativas e judiciá-
rias, por juizes ordinários, vereadores, almotacés (funcio-
nários de confiança) e os homens-bons. Funcionários 
nomeados, conhecidos como ―oficiais da Câmara‖ cabia 
aos membros da Câmara elaborar as leis e fiscalizar oseu 
cumprimento, assim como nomear juízes, arrecadar im-
postos e cuidar do patrimônio público (estradas, ruas, pon-
tes etc.), do abastecimento e da regulamentação das pro-
fissões e do comércio. 
 
As câmaras municipais representavam os interesses dos 
proprietários locais. Esse poder, delegado pelos senhores 
de engenho aos vereadores (membros eleitos da Câma-
ra), às vezes entrava em conflito com o poder central, 
representado pelo govemador-geral. Exemplo disso foi a 
Câmara de Olinda, na capitania de Pernambuco, que em 
1710 chegou a comandar uma luta armada contra as tro-
pas do governo porque se opunha à elevação do Recife à 
condição de vila. 
 
A partir de 1642, com a criação do Conselho Ultramarino, 
que detinha forte controle político-administrativo sobre a 
colônia, as câmaras municipais foram pouco a pouco per-
dendo seu poder. A partir de 1720 os governantes gerais 
passaram a utilizar o título de vice-rei, que lembrava me-
nos um funcionário executante de ordens e parecia a pró-
pria personificação do sagrado poder monárquico. 
O governo durou até a vinda da família real para o Brasil 
em 1808, apesar de algumas tentativas de divisão que 
ocorreram, primeiramente na Bahia e logo após no Rio de 
Janeiro, que durou de 1573 a 1578. 
 
Economia Açucareira. 
 
No primeiro século da conquista, Portugal preocupou-se 
em defender a posse das terras brasileiras contra a amea-
ça de invasão de outros povos (franceses, holandeses). 
Até a metade do século XVI, o governo português e a bur-
guesia mercantil estavam mais interessados nos lucros 
que obtinham com o comércio dos produtos orientais. Po-
rém, com a crise do comércio com o Oriente, Portugal 
voltou sua atenção para a sua colônia na América. A solu-
ção encontrada foi implantar a empresa açucareira no 
Brasil. nessa época, o açúcar era um artigo de luxo muito 
procurado na Europa. Sua venda alcançava altos preços 
no mercado. 
 
A economia açucareira implantada no Brasil desenvolveu-
se sob o "Antigo Sistema"colonial, portanto, sujeita às 
regras ditadas pela Metrópole. Sistema, que tinha suas 
bases no mercantilismo. Durante os séculos XVI e XVII, a 
nossa economia baseou-se na produção da cana-de-
açúcar. O açúcar tornou-se o nosso principal produto de 
exportação, situação que se manteve até a segunda me-
tade do século XVII, quando começou a sofrer a concor-
rência das Antilhas. 
 
De origem asiática, a cana foi levada para o continente 
europeu pelos árabes. Portugal, já conhecia as técnicas 
de produção do açúcar, ao colonizar as ilhas do Atlântico 
(Cabo Verde e Madeira), dando início à plantação da cana 
e a fabricação do açúcar. Portugal viu na implantação da 
empresa açucareira no Brasil, uma forma de organizar 
uma atividade econômica permanente e iniciar o povoa-
mento sistemático da colônia. 
 
A cana foi introduzida pela primeira vez no Brasil, na Capi-
tania de São Vicente, por Martim Afonso de Sousa, em 
1532. Na ilha de São Vicente, no litoral paulista, ele cons-
truiu o primeiro engenho de açúcar - o engenho 
dos Erasmos. Em 1540 havia engenhos nas capitanias 
hereditárias de São Vicente e de Pernambuco. Em 1560, 
já havia 62 engenhos na colônia. O nordeste tornou-se a 
principal região produtora de cana-de-açúcar. 
 
O sucesso da empresa açucareira no Brasil, se deveu as 
condições favoráveis para a adaptação da cana, como: o 
clima tropical e o solo de massapé. Portugal via também 
na implantação da empresa açucareira a possibilidade de 
ampliação do mercado consumidor, particularmente devi-
do à colaboração dos holandeses, que já estavam envol-
vidos na sua distribuição, e o alto preço do produto pode-
ria atrair mais investimentos. 
 
Os holandeses participaram desde o primeiro momento, 
com o financiamento da empresa açucareira. Controlavam 
o transporte, o refino e a distribuição do açúcar no merca-
do europeu. Criou-se no Brasil, uma economia exclusiva-
mente voltada para o mercado externo. Uma economia 
fundamentada nos sistemas da grande propriedade, da 
monocultura e do trabalho escravo. 
 
A grande propriedade foi criada devido à extensão dos 
territórios coloniais e ao fato da cultura da cana-de-açúcar 
só ser rentável numa produção em larga escala. A mono-
cultura era essencial, para a implantação de um tipo de 
economia que tivesse alta rentabilidade para a Metrópole. 
A opção pela cana praticamente impôs a monocultura, isto 
é, o Brasil precisava tornar-se uma empresa altamente 
especializada na produção do açúcar. 
 
Os tipos de engenho: 
 
Neste caso refiro-me a tipo ao se tratar o quesito da força 
motriz usada para girar as engrenagens das moendas, as 
quais esmagam a cana, e dela jorra o chamado caldo de 
cana, o qual por sua vez consiste na matéria-prima para o 
fabrico do açúcar, de aguardente e de rapadura (tipo de 
doce), embora o caldo de cana possa ser consumido puro. 
Basicamente os portugueses usaram três tipos de enge-
nho ao longo da história colonial brasileira, pois o terceiro 
tipo foi só incluído no Brasil, no século XIX, na época 
do Império do Brasil. 
Alçaprensa ou alçaprema: engenho movido a força hu-
mana. Geralmente usado nas chamadas engenhocas (pe-
quenos engenhos), os quais fabricavam rapadura ou 
aguardente para consumo interno. Poderiam também fa-
bricar pequenas quantidade de açúcar para uso caseiro. 
 
 
 
 
 
 
11 
Almanjarra, trapiche, molinote, atafona ou de 
bois: engenho movido pela força de animais, geralmente 
bois, mas havia casos que se usava cavalos. 
Água ou real: engenho movido pela força da água, usan-
do-se uma roda d'água. Foram considerados os mais efi-
cientes, por longos séculos. 
Banguê: engenho movido a vapor. Começou a ser usado a 
partir do século XIX. O termo também foi usado anterior-
mente para se referir a engenhos que produziam garapa. 
Entrosa: pequeno engenho movido por três paus. Usava-
se também a força humana. 
Gangorra: pequeno engenho de madeira manual com 
dois cilindros. Usava-se também a força humana. 
Fogo-morto: termo usado para se referir a um engenho 
inoperante. 
 
É importante ressalvar que as palavras, almanjarra, trapi-
che e banguê possuem outros significados, daí serem 
escritas como: engenho de trapiche, engenho de almanjar-
ra ou engenho-banguê, como forma de referir-se ao uso 
dessas palavras com a estrutura dos engenhos de açúcar. 
Não obstante, dependendo do lugar, pode-se encontrar 
outros termos para se referir a força motriz usada nos 
engenhos. Aqui fiz uso dos nomes mais comuns usados 
no Brasil, na Madeira e nos Açores. 
 
"Quem chamou as oficinas, em que se fabrica o açúcar, 
engenhos, acertou verdadeiramente no nome. Porque 
quem quer que as vê, e considera com reflexão, que me-
recem, é obrigado a confessar, que são uns dos principais 
partos, e invenções do engenho humano, o qual com pe-
quena porção do Divino, sempre se mostra no seu modo 
de obrar, admirável. Dos engenhos uns se chamam reais, 
outros inferiores vulgarmente engenhocas. Os reais ga-
nharam este apelido, por terem todas as partes, de que se 
compõem, e todas as oficinas perfeitas, cheias de grande 
número de escravos, com muitos canaviais próprios, e 
outros obrigados à moenda; e principalmente por terem a 
realeza de moerem com água, à diferença, de outros, que 
moem com cavalos e bois, e são menos providos e apare-
lhados; ou pelomenos com menor perfeição, e largueza, 
das oficinas necessárias, e com pouco número de escra-
vos, para fazerem como dizem, o engenho moente e cor-
rente‖. (ANTONIL, 1711, p. 13-14). 
No caso do Brasil, os engenhos de água proliferaram de-
vido a grande disponibilidade de rios e riachos, além de 
também não haver inicialmente muito gado, embora que o 
uso de bois requeresse a existência de pastos mais vastos 
e currais maiores para mantê-los. 
 
Moinho de cana de açúcar em Minas Gerais. Rugendas, 1835. 
"No Brasil não podia ser assim; eram de tal monta as des-
pesas das instalações coloniais, nas suas terras virgens e 
num meio hostil, com todo o seu necessário aparelhamen-
to de defesa,cultura, transporte e embarque, que nos 
primeiros tempos não se justificava a montagem dos então 
chamados pequenos engenhos. Daí a construção desde 
logo de engenhos médios, produzindo acima de três mil 
arrobas anuais, os quais, a seguir, foram se desenvolven-
do pela construção de instalações com produção acima de 
dez mil arrobas". (AMARAL, 1958, p. 329). 
 
 
A estrutura de um engenho: 
 
Na nomenclatura rural, a palavra engenho passou a se 
referir tanto a chamada Casa de Engenho, local onde se 
moía a cana e produzia o açúcar, rapadura ou aguardente; 
mas também passou a se referir a toda a fazenda em si, a 
todo o complexo agroindustrial envolvido no cultivo da 
cana e no preparo do açúcar. 
 
"O seu elemento central é o engenho, isto é, a fábrica 
propriamente, onde se reúnem as instalações para a ma-
nipulação da cana e o preparo do açúcar. O nome de "en-
genho" estendeu-se depois da fábrica para o conjunto da 
propriedade com suas terras e culturas: "engenho" e "pro-
priedade canavieira" se tornaram sinônimos". (PRADO JR, 
1981, p. 23). 
 
"O engenho representava uma verdadeira povoação, obri-
gando a utilização não só de muitos braços, como as ne-
cessárias terras de canaviais, de mato, de pasto e de 
mantimentos. Com efeito, além da casa do engenho, da 
de moradia, senzalas e enfermarias, havia que contar com 
uns cem colonos ou escravos, para trabalharem umas 
1.200 tarefas de massapê (de 900 braças quadradas), 
além dos pastos, cercas, vasilhames, utensílios, ferro, 
cobre, juntas de bois e outros animais". (SIMONSEN, 
1937, p. 149). 
 
"Que seria um engenho, no século do descobrimento? A 
mesma coisa ainda descrita por Saint-Hilaire, no século 
XIX. Descreve-o Fernão Cardim: "Cada um deles é uma 
máquina e fábrica incrível; uns são de água rasteiros, ou-
tros de água copeiros, os quais moem mais e com menos 
gastos; outros não são de água, mas moem com bois, e 
chamam-se trapiches; estes têm muito maior fábrica e 
gasto, ainda que moem menos, moem todo o tempo do 
ano, o que não têm os de água, porque às vezes lhes 
falta. Em cada um deles, de ordinário há seis, oito e mais 
fogos brancos e ao menos 60 escravos, que se requerem 
para o serviço ordinário, mas os mais deles têm cento e 
duzentos escravos de Guiné e da terra. Os trapiches re-
querem 60 bois, os quais moem de 12 em 12 revezados; 
começa-se de ordinário a tarefa à meia-noite e acaba-se 
ao dia seguinte às três ou quatro horas depois do meio-
dia. Em cada tarefa se gasta uma barcada de lenha que 
tem 12 camadas, e deita 60 fôrmas de açúcar branco, 
mascavado, mole e alto. Cada fôrma tem pouco mais de 
meia arroba, ainda que em Pernambuco se usam já gran-
des de arroba." (AMARAL, 1958, p. 329). 
 
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12 
Gilberto Freyre em seus livros Casa-grande & Senza-
la (1933), Nordeste(1937) e Açúcar (1939) assinalara 
que as principais estruturas de um engenho (aqui no sen-
tido de fazenda) eram a casa-grande, a senzala, o enge-
nho, a capela e o canavial. A casa-grande era a moradia 
do senhor de engenho e de sua família, o nome "casa 
grande" não era por menos, pois realmente eram verda-
deiros casarões, mas estes casarões só começaram a 
ficar luxuosos a partir de fins do século XVIII e ao longo do 
XIX. Nos séculos XVI e XVII, as casas-grandes não eram 
tão luxuosa assim, e eram até mesmo feitas de taipa, pe-
dra-lavada, cal, teto de palha ou de sapê. Freyre aponta 
que no século XIX, já notamos materiais mais caros e 
mais luxuosos na construção e decoração destas casas. 
 
 
Pintura de uma casa-grande. Inicialmente as casas-
grandes lembravam casa-fortes, construções fortificadas, 
pois a ameaça de ataques de indígenas era ocasional. No 
século XIX já vemos as casas-grandes como palacetes, 
principalmente na região cafeeira. 
"O ser senhor de engenho é título, a que muitos aspiram, 
porque traz consigo, o ser servido, obedecido e respeitado 
de muitos. E se for, qual deve ser, homem de cabedal, e 
governo; bem se pode estimar no Brasil o ser senhor de 
engenho, quanto proporcionadamente se estimam os títu-
los entre os fidalgos do reino. Porque engenhos há na 
Bahia, que dão ao senhor quatro mil pães de açúcar, e 
outros pouco menos, com cana obrigada à moenda, de 
cujo rendimento logra o engenho ao menos a metade, 
como de qualquer outra, que nele livremente se mói; e em 
algumas partes ainda mais que a metade‖. (ANTONIL, 
1711, p. 19). 
 
As senzalas eram as habitações onde os escravos negros 
residiam. Eram locais com péssimas acomodações e insa-
lubres, em muitos casos, os escravos dormiam com os 
pés presos para evitar de tentarem fugir ou de brigarem 
entre si, pois os escravos eram mercadorias caras.. As 
senzalas eram extensas, pois abrigavam de 20, 50 ou 
mais escravos, pois dependia da fortuna do senhor do 
engenho para se poder comprar mão de obra, mas em 
geral os grandes engenhos tinham entre 50 e 60 escravos. 
Não havia divisão de cômodos; homens, mulheres e crian-
ças dormiam no mesmo lugar. Diante das senzalas ficava 
o chamado tronco ou pelourinho, lugar usado para se 
castigar ou "educar" como se falava no século XVI, os 
escravos. 
A capela era uma necessidade religiosa e governamental, 
pois como Portugal era uma nação católica, e sua popula-
ção massivamente católica, pois os índios e africanos 
eram convertidos ao catolicismo, era necessário que os 
cristãos católicos frequentassem as missas de domingo, 
que fossem se confessar com o padre, fossem realizar o 
batismo dos filhos, a catequização, o crisma, o casamento, 
participar dos dias litúrgicos, etc. Como as fazendas fica-
vam distantes das vilas e cidades, era necessário levar a 
palavra de Deus até os seus fiéis, daí as grandes fazen-
das terem capelas e capelães. 
 
Os capelães além de serem os representantes clericais 
nestas fazendas, eram também os responsáveis por edu-
car os filhos do senhor engenho. No caso do menino, 
quando este chegava a adolescência seria enviado para 
uma outra escola na vila ou na cidade, ou se fosse o caso, 
iria para Portugal para ir estudar nas universidades em 
Lisboa ou Coimbra, contudo, essa prática de enviar os 
varões para Portugal começou a se tornar mais comum no 
século XVIII, antes disso, temos poucos senhores de en-
genho enviando os filhos para a Europa, pois para eles, o 
que os filhos deveriam aprender, aprenderiam ali mesmo, 
para poderem administrar a fazenda. 
 
Além dos canaviais que eram as principais plantações do 
engenho, havia outras pequenas lavouras, pois não se 
vive apenas de açúcar. Encontramos nas grandes fazen-
das e até mesmo nas médias e pequenas, as lavouras 
ouroçados, usando um termo brasileiro para isso. Os 
roçados ou roça cultivavam principalmente a mandioca, 
da qual fazia-se farinha (a mandioca se consumida crua 
oferece o risco de envenenamento, daí a necessidade de 
se fazer a farinha para expurgar a substância venenosa). 
Pelo fato de por muito tempo não haver plantações de 
trigo na colônia, apenas os ricos podiam importar farinha 
de trigo para poderem fazer pão, bolos, massas, etc., mas 
até mesmo os ricos que não gostavam dos altos preços da 
farinha de trigo, tinham que se contentar com a farinha de 
mandioca. A farinha de mandioca era o alimento base 
para a sociedade colonial, e até mesmo se alimentar os 
escravos e os animais. 
 
Esses roçados foram criados para garantir a alimentação 
dos escravos, pois inicialmente não havia roçados nos 
engenhos, logo, os senhores de engenho dependiamde 
ter que comprar alimento nas vilas, cidades ou em outras 
fazendas, contudo, com o passar do tempo, já notamos 
estes roçados nas grandes propriedades. Estas lavouras 
que além de plantar mandioca, plantavam outros gêneros 
vegetais como leguminosas, feijão, arroz, milho, batata, 
bananas, laranjas, limões, abacaxis, mangas, jacas, bata-
tas, etc., eram cuidados por escravos ou por pessoas li-
vres. Além do senhor de engenho, da sua família e do 
capelão, havia outros homens e mulheres livres, que exer-
ciam diversos trabalhos, desde trabalhos no fabrico do 
açúcar como será visto mais a frente; trabalhavam como 
capatazes, supervisionando os escravos; trabalhavam 
como artesãos, ferreiros, barqueiros, pescadores, vaquei-
ros, pastores, oleiros, etc., cuidavam dos roçados, atua-
vam como mensageiros, médicos-informais, etc. 
 
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13 
"Engenhos havia movidos por água e por bois; servidos 
por carros ou barcos; situados à beira-mar ou mais afasta-
dos, não muito, porque as dificuldades de comunicações 
só permitiam arcos de limitados raios; havia-os suficientes 
para produzir mais de dez mil arrôbas de açúcar e incapa-
zes de dar um têrço desta soma. Imaginemos um engenho 
esquemático para termo de comparação — do esquema 
os engenhos existentes divergiam mais ou menos, como é 
natural. Devia possuir grandes canaviais, lenha abundante 
e próxima, escravaria numerosa, boiada capaz, aparêlhos 
diversos, moendas, cobres, formas, casas de purgar, 
alambique; devia ter pessoal adestrado, pois a matéria 
prima passava por diversos processos antes de ser entre-
gue ao consumo; daí certa divisão muito imperfeita de 
trabalho, sobretudo certa divisão de produção. O produto 
era diretamente remetido para além-mar; de além-mar 
vinha o pagamento em dinheiro ou em objetos dados em 
troca e não eram muitos: fazendas finas, bebidas, farinha 
de trigo, em suma, antes objetos de luxo. Por luxo podiam 
comprar os mantimentos aos lavradores menos abastados 
e isto era usual em Pernambuco, tanto que entre os agra-
vos dos pernambucanos contra os holandêses capitulava-
se o de por êstes terem sido obrigados a plantar certo 
número de cóvas de mandioca". (BRANDÃO, 1956, p. 6). 
 
Um fato a se mencionar antes de prosseguir para a próxi-
ma parte desse trabalho é importante salientar que os 
senhores de engenho poderiam ceder parte de suas terras 
para arrendatários, como também recebiam a produção 
de lavradores menores, para ser moída em seu engenho. 
 
"Embora o proprietário explore, em regra, diretamente 
suas terras (como ficou entendido acima), há casos fre-
qüentes em que cede partes delas a lavradores que se 
ocupam com a cultura e produzem a cana por conta pró-
pria, obrigando-se contudo a moerem sua produção no 
engenho do proprietário. São as chamadas fazendas 
obrigadas; o lavrador recebe metade do açúcar extraído 
da sua cana, e ainda paga pelo aluguel das terras que 
utiliza uma certa porcentagem, variável segundo o tempo 
e os lugares, e que vai de 5 a 20%. Há também 
os lavradores livres, proprietários das terras que ocupam, 
e que fazem moer a sua cana no engenho que entendem; 
recebem então a meação integral. Os lavradores, embora 
estejam socialmente abaixo dos senhores de engenho, 
não são pequenos produtores, da categoria de campone-
ses. Trata-se de senhores de escravos, e suas lavouras, 
sejam em terras próprias ou arrendadas, formam como os 
engenhos grandes unidades". (PRADO JR, 1981, p. 23). 
 
A sociedade açucareira. 
 
Nos primeiros séculos da colonização, parcela considerá-
vel da população colonial concentrava-se no campo, em 
torno das grandes propriedades rurais ligadas à produção 
agrícola e pecuária. As principais produtoras de açúcar 
eram as capitanias da Bahia e de Pernambuco, mas tam-
bém era produzido nas capitanias do Rio de Janeiro e de 
São Vicente. 
 
O açúcar era produzido principalmente nos engenhos, que 
além de serem unidades produtivas, eram núcleo social, 
administrativo e cultural. Para alguns historiadores, o en-
genho de açúcar é a unidade produtiva que melhor carac-
teriza as condições de riqueza, poder, prestígio e nobreza 
do Brasil Colonial. (Faria apud COTRIM, 2005, p. 210). 
Havia no engenho a casa-grande, um casarão térreo ou 
um sobrado geralmente construído num lugar central e um 
pouco elevado da propriedade. Na casa-grande moravam 
o senhor de engenho e sua família, além de capatazes 
que cuidavam de sua segurança pessoal. Os quartos e 
salas eram espaçosos e existia uma grande varanda onde 
o senhor de engenho descansava e ficava de olho na pro-
priedade. O senhor de engenho era o proprietário desse 
estabelecimento e geralmente sua autoridade ultrapassa-
va os limites de suas terras, estendendo-se às vilas e aos 
povoados vizinhos. 
 
Senhores, escravos e trabalhadores assalariados forma-
vam a sociedade açucareira. Entre os últimos contavam-
se os feitores, mestres-de-açúcar, purgadores, agregados, 
padres, alguns funcionários do rei e profissionais liberais 
(médicos, advogados, engenheiros). 
 
Como vimos, o senhor de engenho vivia na ampla e fresca 
casa-grande, no entanto, os escravos eram alojados em 
uma pequena, suja, baixa e quente senzala com poucas 
janelas. A senzala era uma construção coletiva e rústica. 
Segundo Schwartz, "as senzalas consistiam de cabanas 
separadas, de paredes de barro e telhado de sapé, ou, 
mais caracteristicamente, de construções enfileiradas divi-
didas em compartimentos, cada um ocupado por uma 
família ou unidade residencial" (Schwartz apud. COTRIM, 
2005, p. 210). As camas eram feitas de varas, o chão era 
de terra batida, os utensílios da cozinha eram feitos de 
estanho, a roupa feita de algodão grosso. Não havia priva-
cidade para as famílias. Na mesma senzala viviam escra-
vos vindos de regiões diversificadas da África, com costu-
mes, tradições, religiões diferentes. 
 
No engenho, havia ainda a capela, onde a comunidade 
local se reunia nos domingos, em dias santos, em batiza-
dos, casamentos e funerais. Além da capela, das moradi-
as das famílias de senhores e de escravos, havia constru-
ções reservadas propriamente à produção do açúcar, 
chamadas de casa de engenho, com instalações como a 
moenda e as fornalhas; a casa de purgar, onde o açúcar, 
depois de resfriado e condensado, era branqueado; e os 
galpões, onde os blocos de açúcar eram quebrados em 
várias partes e reduzidos a pó. As máquinas dos grandes 
engenhos eram de alta tecnologia para a época. Vinham 
da Europa e o senhor de engenho mandava importar fer-
ramentas de metal, roupas de luxo para sua família, comi-
das especiais (vinho, azeite, queijos) e alguns móveis e 
objetos para a casa. As diferenças sociais, como se per-
cebe, já eram grandes naquela época. Isso fica mais evi-
dente ainda quando tomamos conhecimento de que ―os 
escravos comiam tudo o que lhes caísse nas mãos. Além 
de sua cota de comida, os escravos adulavam, mendiga-
vam e roubavam por mais alimento‖. 
 
A desigualdade social do Brasil nasceu no Nordeste açu-
careiro. Os senhores de engenho eram ricos e poderosos, 
mas eles não eram os únicos. Os grandes comerciantes 
que importavam e exportavam mercadorias e traziam es-
cravosda África para serem vendidos no Brasil também 
 
 
 
 
 
 
14 
acumulavam fortunas. Abaixo da elite, vinha uma multidão 
de homens livres pobres: pequenos proprietários de terra, 
artesãos, pequenos comerciantes. Na última camada so-
cial estavam os escravos, que em algumas regiões eles 
eram mais da metade da população. 
 
A crise do açúcar. 
 
No século XVII, a Holanda era uma das maiores potências 
econômicas da Europa. Um dos negócios mais lucrativos 
da burguesia flamenga tinha a ver com o açúcar do Brasil. 
Os holandeses financiavam a produção do açúcar, em 
troca recebiam o pagamento dos juros. Em várias ocasi-
ões, os comerciantes portugueses contrataram companhi-
as de navegação holandesas para transportar o açúcar do 
Brasil até Lisboa. Grande parte do açúcar saía do Brasil 
em estado bruto para ser refinado em Amsterdã. 
 
Naqueles tempos de mercantilismo, os burgueses holan-
deses monopolizavam muitas rotas de comércio de açúcar 
entre os países europeus. Por isso os comerciantes portu-
gueses tinham de vender seu açúcar diretamente aos 
holandeses, que revendiam pelo resto da Europa. 
 
No entanto, a ligação comercial amistosa que existia entre 
Holanda, Portugal e Brasil foi encerrada, quando aconte-
ceu a União Ibérica, ou seja, o jovem rei português, D. 
Sebastião morreu sem deixar filhos e o parente mais pró-
ximo era o seu primo, Filipe II, rei da Espanha. Dessa ma-
neira, Filipe II tornou-se também rei de Portugal. A União 
Ibérica durou de 1580 a 1640. Acontece que na época a 
Holanda estava em guerra com a Espanha, sua antiga 
metrópole. 
 
A Espanha fez de tudo para atrapalhar os negócios dos 
holandeses, decretando o embargo espanhol, onde o co-
mércio entre as colônias que estavam sob o domínio es-
panhol estava suspenso com a Holanda. 
 
A forma encontrada pelos holandeses para não perderem 
seu lucrativo comércio era invadir o Brasil. Em 1621, os 
holandeses haviam fundado a Companhia das Índias Oci-
dentais. A ocupação do nordeste brasileiro foi planejada 
pelos dirigentes dessa Companhia. Em 1624, a frota ho-
landesa chegou à Bahia e tentou tomar Salvador. Porém, 
uma poderosa expedição militar portuguesa-espanhola 
veio em apoio aos baianos e os holandeses foram obriga-
dos a se retirar. Mas não desistiram. Em 1630, enviaram 
uma frota mais poderosa ainda e conquistaram Olinda, a 
capital pernambucana. Os holandeses dominaram o Nor-
deste de 1630 a 1654. 
 
O mais importante administrador do Brasil holandês foi o 
príncipe Maurício de Nassau. Ele era contratado pela 
Companhia das Índias Ocidentais e fez de tudo para que 
os senhores de engenho colaborassem com os holande-
ses. 
 
Em 1640, encerrou-se a União Ibérica e Portugal voltava a 
ter seu rei próprio. Apesar disso, os holandeses permane-
ceram no Brasil, mas a Holanda estava desgastada e não 
podia mais investir tanto nas terras brasileiras. A Compa-
nhia das Índias Ocidentais demitiu Nassau e nomeou no-
vos administradores que acabaram descontentando os 
senhores de engenho. Em 1654, a Cia. se retirou do Brasil 
após conflitos com os donos dos engenhos. Em troca, 
Portugal pagou uma indenização que incluía ouro e prata, 
carregamentos de açúcar e de tabaco para os holandeses. 
 
Os holandeses instalaram engenhos nas Antilhas e come-
çaram a exportar açúcar para a Europa. Dessa maneira, a 
produção mundial de açúcar aumentou demais e o açúcar 
brasileiro passou a ter de disputar compradores com o 
açúcar antilhano, o que fez os preços caírem. O consumo 
na Europa também havia diminuído devido a uma crise. 
Muitos senhores de engenho faliram. No entanto, o con-
sumo interno aumentou. 
 
No século XVIII, o açúcar caiu para o segundo lugar em 
importância na economia brasileira, superado pelo ouro. 
Hoje em dia ele ainda ocupa um lugar de destaque. No 
Brasil contemporâneo, a propriedade de terra continua 
sendo uma das mais concentradas do mundo. Cerca de 
3% da população rural detém, aproximadamente, 43% das 
terras agrícolas disponíveis. 
 
 
 
A União Ibérica e o Brasil Holandês - 1580 - 1640 
 
 Anexação de Portugal. Desde 1556 a Espanha era gover-
nada por Filipe II (1556 - 1598), membro de uma das mais 
poderosas dinastias europeias: os Habsburgos ou Casa 
d'Áustria, que além da Espanha detinha o controle do Sa-
cro-Império Romano Germânico, sediado na Áustria, com 
influências também sobre a Alemanha e a Itália. 
 
 Nos tempos do reinado de Filipe II, a exploração das mi-
nas de prata da América espanhola havia atingido o seu 
apogeu. Com a entrada da prata do México e do Peru, a 
Espanha se transformara, durante o século XVI, na mais 
poderosa nação europeia. Isso levou os historiadores a 
classificarem o século XVI como o século da preponde-
 
 
 
 
 
 
15 
rância espanhola. Tendo em mãos recursos abundantes, 
Filipe II aliou o poderio econômico a uma agressiva políti-
ca internacional, da qual resultou a anexação de Portugal 
(até então, reino independente) e a independência da Ho-
landa (até então, possessão espanhola). Vejamos como 
Portugal passou ao domínio espanhol. 
 Em 1578, o rei de Portugal, D. Sebastião, morreu na 
batalha de Alcácer-Quibir, no atual Marrocos, em luta con-
tra os árabes. Com a morte do rei, que não tinha descen-
dentes, o trono de Portugal foi ocupado pelo seu tio-avô, o 
velho cardeal D. Henrique, que, no entanto, faleceu em 
1580, naturalmente sem deixar descendência... Com a 
morte deste último, extinguia-se a dinastia de Avis, que se 
encontrava no trono desde 1385, com a ascensão de D. 
João I, mestre de Avis. 
 Vários pretendentes se candidataram então ao trono 
vago: D. Catarina, duquesa de Bragança, D. Antônio, prior 
do Crato e, também, Felipe II, rei da Espanha, que des-
cendia, pelo lado materno, em linha direta, do rei D. Ma-
nuel, o Venturoso, que reinou nos tempos de Cabral. De-
pois de invadir Portugal e derrotar seus concorrentes, o 
poderoso monarca espanhol declarou: "Portugal, lo herdé, 
lo compré y lo conquisté". 
 Assim, de 1580 até 1640, o rei da Espanha passou a 
ser, ao mesmo tempo, rei de Portugal, dando origem ao 
período conhecido como ―União Ibérica‖. 
 
Um governo holandês no Brasil colonial. 
 
Os holandeses perceberam a vulnerabilidade que as colô-
nias portuguesas instaladas no Brasil apresentavam e 
decidiram colocar parte de seus planos em prática inva-
dindo a região Nordeste do Brasil nas primeiras décadas 
do século XVII. A Holanda, nesta época, contava com uma 
poderosa tecnologia naval, fruto de investimentos advin-
dos do "acolhimento", da parte dos holandeses, com rela-
ção aos cristãos -- novos, foragidos de outras regiões. 
 
A distinção entre cristãos -- velhos e cristãos -- novos per-
correu desde o início desta instituição até 1775. Em Lisboa 
os judeus foram convertidos à força pela então realeza 
portuguesa. Entretanto, o que pretendemos a respeito da 
Inquisição é com relação ao seu alvo de atuação, ou fundo 
de argumentação, melhor dizendo, para o desenvolvimen-
to das perseguições. 
 
Grande parte dos livros de história relatam a questão reli-
giosa referente a "necessidade" de tal perseguição. No 
entanto, é importante sabermos que além da dimensão 
religiosa (escândalos sexuais, heresia, questionamentos 
feitos a santos católicos, etc), há também a questão eco-
nômica. A grande maioria dos descendentes de judeus, 
convertidos sob o reinado manoelita eram portadores de 
significativas fortunas, eram comerciantes de importante 
potencial, tais fortunas eram também representadas pelos 
bens materiais dos judeus. 
 
O Santo Ofício, quando capturava um "herege" executava 
um procedimento. Este procedimento consistia no confisco 
de todos os bens do acusado, uma atitude que prevalecia 
até o julgamento final, seja ele condenatório ou não. Os 
bens do prisioneiro "teoricamente" eram devolvidos em 
casos raríssimos de absolvição do julgado. Além disto, 
durante todo período de trâmite do processo inquisitorial, 
todas as despesas com o próprio acusado, como também 
a dos funcionários do Santo Ofícioeram pagas pela famí-
lia da própria "vítima". 
 
"O confisco de seus bens significava a transferência de 
enormes somas para Inquisição e para Coroa. Tratava-se 
de uma forma de apropriar-se de lucros de comerciantes 
bem -- sucedidos. Por esta razão, o impacto das persegui-
ções inquisitoriais sobre a economia foi bastante negati-
va." Era desta forma que agia o tribunal do Santo Ofício. 
No Brasil não fora diferente, as visitas inquisitoriais ocorre-
ram em localidades de maior riqueza e de maior popula-
ção. No século XVII o Nordeste brasileiro foi alvo dos tri-
bunais, já no século XVIII foi a vez de Minas Gerais e de-
pois Rio de Janeiro. Estas atuações do Santo Ofício aca-
bou desenvolvendo dificuldades para Coroa portuguesa, 
este remanejamento de grandes fatias econômicas de 
certa forma, desestabilizou os investimentos na tecnologia 
naval, os cristãos -- novos foram perseguidos e com eles 
suas fortunas que mantinham a armada lusitana. Portugal 
que mantivera grande estabilidade econômica lucrativa 
nos séculos XV e XVI, ao final deste último, passou a co-
nhecer as dificuldades e sua decadência. Portugal, agora 
era exclusivista, sujeitando-se a disposição da Coroa es-
panhola, o que acarretou no aparecimento dum poderoso 
inimigo, a Holanda, até então grande distribuidora de seus 
produtos. Todo este ambiente é importante e, sobretudo, 
necessário para que possamos entender um pouco melhor 
sobre as invasões holandesas no Nordeste do Brasil. Evi-
dente que o fato desta manutenção da economia influen-
ciada pelo Santo Ofício, na transferência de importantes 
valores e com o abrigo dado pela Holanda aos cristãos -- 
novos não satisfaz totalmente nossa pesquisa, mas de-
monstra uma importante contribuição. 
 
Evaldo Cabral de Mello, o mais capacitado dentre os histo-
riadores para relatar de forma brilhante este período da 
açucarocracia brasileira, termo por ele mesmo definido, 
afirma que as colônias portuguesas, desde sua formação, 
sempre ofereceram maior fragilidade com relação a um 
possível ataque do inimigo. Diferentemente da Espanha, o 
litoral brasileiro não dispunha de nenhum tipo de seguran-
ça, um ataque inimigo provavelmente seria bem sucedido, 
pois a concentração da produção de açúcar não ficava 
muito distante da região litorânea. Talvez este tenha sido 
outro atrativo para Holanda resolver atacar primariamente 
as colônias portuguesas no Brasil. Mas além desta fragili-
dade de localidade, a Holanda também pode contar com 
extremo avanço em sua tecnologia naval, tomando o pri-
meiro lugar de Portugal e Espanha. 
 
A ascensão holandesa. 
 
Enquanto Portugal observava seu próprio fracasso, a Ho-
landa crescia em seu importante comércio de tecidos, com 
significativa ajuda dos cristãos -- novos, acolhidos pelo 
país. A Holanda desenvolveu um tipo de navio destinado 
especificamente para guerras, era a fragata. Com isto, o 
domínio marítimo até então atribuído a Espanha e Portu-
gal, passara a Holanda. Ao final do século XVII a Holanda 
consegue sua dependência, após guerrear contra Espa-
nha. Os holandeses, apercebidos dos bons resultados 
 
 
 
 
 
 
16 
obtidos, tanto em estratégias com sua independência com 
também em seu poderio comercial, decide elaborar um 
plano para atacar as colônias portuguesas, por meio de 
um modelo já conhecido: a Companhia da Índias Orien-
tais. Então, em 1620 é fundada, pelos holandeses, a 
Companhia das Índias Ocidentais, a exemplo da primeira, 
representando uma fusão entre comércio e guerra. 
 
O primeiro ataque ao Brasil. 
 
O Brasil foi o primeiro alvo a ser atacado pelos holande-
ses. O primeiro ataque ocorreu na Segunda década do 
século XVII, com 1700 homens os holandeses invadiram a 
Bahia iniciando o conflito na região urbana, depois foram 
atraídos para regiões distantes, onde ficavam as instala-
ções dos engenhos de cana -- de -- açúcar que funciona-
vam com a mão -- de -- obra escravista. Estes modelo de 
produção até então exclusivo dos portugueses despertou 
grande interesse aos holandeses. 
 
Em maio de 1625 uma frota portuguesa consegue expul-
sar os holandeses, mas, durante o tempo em que os inva-
sores estiveram ali, foi o suficiente para aprenderem o até 
então modelo exclusivo de produção escravista dos portu-
gueses no trabalho com engenhos. Com isto o monopólio 
açucareiro da colônia portuguesa termina, tendo agora de 
competir sua produção com ingleses, franceses, holande-
ses e espanhóis. 
 
O modelo escravista, grosso modo representado pelos 
senhores de engenho e escravos conquistou a Europa 
daquele século. As Antilhas foram cede de engenhos fran-
ceses, ingleses, holandeses, etc. mesmo com toda con-
corrência, o Brasil ainda ocupava o primeiro lugar em lu-
cratividade na produção do açúcar. Sua localização privi-
legiada contribuía para isto, pois ficava próximo da África 
(facilitando o abastecimento de escravos), contava ainda 
com o fornecimento de alimentos advindos dos índios, 
fator que barateava a empresa. 
 
Os holandeses, após serem derrotados no Brasil em 1625, 
decidem-se em 1630 realizar um novo ataque, agora em 
Pernambuco, região extremamente desenvolvida na pro-
dução açucareira do Nordeste brasileiro. 
Desta vez com 3800 homens atracaram em Pernambuco, 
depois os holandeses contaram com reforço de mais 
aproximadamente 6000 homens, o domínio por parte dos 
holandeses foi incontestável, atingindo todo litoral nordes-
tino até o Maranhão. 
 
Jacobi Rabi. 
 
Estes personagem de origem alemã, chegou ao Brasil em 
1637, logo se envolveu com os indígenas e fez uma ver-
dadeira revolução com os nativos, ensinando-lhes táticas 
de guerra da europa, uma fusão da crueldade nativa com 
européia. Os índios ficaram fortes aliados de Jacobi. Por-
tugueses, judeus, protestantes, todos detinham grande 
ódio deste estrangeiro que não excitava em criar grandes 
problemas com quem resistia a seus interesses. Sua atua-
ção durou até 1645, quando os próprios holandeses, te-
mendo perder o controle sobre ele, decidiram executá-lo. 
Esta atitude dos holandeses foi um verdadeiro desastre 
contra eles próprios, pois todos os nativos que o apoiavam 
Jacobi passaram a apoiar os portugueses, com esta ajuda, 
o território seria novamente luso. 
 
Porém, 1637 foi o ano em que ocorrera o fato mais ousado 
dos holandeses, agora com pleno domínio dos engenhos 
açucareiros, trouxeram para o Recife o conde Maurício de 
Nassau, que desembarcou no Brasil em janeiro de 1637, 
trazendo condigo uma equipe composta por pintores, es-
critores, arquitetos, etc. Nassau com isto, pretendia restau-
rar o Recife. 
 
Pela primeira vez, uma colônia da América seria governa-
da à europeia. Com supremacia militar e prevendo exce-
lentes perspectivas econômicas, Nassau usou dinheiro e 
escravos da Companhia para atrair os donos de engenho 
para órbita holandesa. Com sinal de sua grandeza come-
çou a reformar Recife, a primeira cidade planejada para 
ser capital do Brasil. 
 
João Maurício de Nassau. 
 
Sem dúvida um personagem de muito destaque durante o 
período da presença holandesa no Brasil. O Conde Maurí-
cio de Nassau chegou no Brasil, mais precisamente em 
Recife, região Nordeste do país, em 1637 -- quando a 
situação e ocupação militar já estava praticamente estabi-
lizada, no que diz respeito ao domínio holandês frente as 
colônias portuguesas. 
 
No entanto, Nassau não chegara só no território brasileiro, 
trouxe consigo uma equipe cultural, sim, composta, como 
já dissemos, por pintores, arquitetos, escritores, naturistas, 
médicos, astrólogos, etc. Suas intenções uniam conforto 
para sua estadia no país e também domínio da produção 
açucareira. Com a presença de Maurício, Recife sofreu 
uma verdadeira reformulação urbana, ele mandou constru-
ir jardins, lagos e um palácio para sua acomodação, locali-
zado na ilha de Antônio Vaz. Em 1639 Nassau foi mais 
longe, acompanhou a construção de uma cidade inteira a 
seu gosto, denominada Cidade Maurícia, esta cidade fica-
va localizada ao lado de Recife, entre a foz do Capiberibee Beberibe. 
 
Artistas registram as riquezas do Brasil holandês. 
 
Os artistas que acompanharam Nassau retratavam a Amé-
rica naturalista, preocupavam-se em registrar a natureza 
destacando os animais e as paisagens vegetais, demons-
trando assim, toda opulência do Brasil holandês, estes 
registros tinham o caráter científico, pois estas ilustrações 
ficaram conhecidas em toda Europa. Frans Post e Albert 
Eckhout foram os principais pintores trazidos por Maurício 
ao Brasil, registraram o Nordeste brasileiro, revelando as 
riquezas dos trópicos, a produção do açúcar, a cidade 
Maurícia, todos os feitos de Nassau foram devidamente 
registrados por estes dominadores de imagens. 
 
Reação de Portugal. 
 
Diferentemente da dimensão holandesa, o Brasil portu-
guês mostrava-se de mal a pior. A grande alternativa de 
Portugal foi buscar sua independência em 1640 ao nome-
 
 
 
 
 
 
17 
ar o duque de Bragança como D. João IV. Portugal de-
pendia totalmente dos recursos advindos do açúcar brasi-
leiro, distribuído pelos holandeses, para financiar seu con-
flito com a Espanha. 
 
Holandeses próximos de deixar o Brasil. 
 
D. João IV conseguiu assegurar a independência de Por-
tugal, sua busca agora referia-se a retomada das colônias 
apoderadas pela Holanda. Tarefa difícil, pois Nassau, por 
meio da Companhia das Índias, concedia créditos e escra-
vos à vontade para os senhores de engenho do Brasil, a 
produção aumentava a cada período, entretanto, os pró-
prios cofres na Holanda verificaram a falta de dinheiro em 
espécie, tudo o que tinham eram títulos de dívidas e em-
préstimos destes senhores de engenho. Começa então 
um questionamento quanto as atitudes de Maurício de 
Nassau. Em maio de 1644 a Holanda convoca a volta de 
Maurício de Nassau para estabelecer alguma manobra 
para reverter esta situação, então redigiram acordos, ou 
melhor, contratos onde ficou estabelecido que os senhores 
de engenho só teriam acesso a novos empréstimos após 
pagamento total das dívidas pendentes. 
 
 
Em 1645, após tomarem conhecimento de que teriam de 
mexer em seus próprios bolsos, os colonos revoltaram-se 
contra tal atitude dos holandeses, a rebelião estava for-
mada. Em pouco tempo, a Holanda perdera tudo o que 
havia conquistado até então, pondo fim ao grande sonho 
de conquista da América proferido pelos holandeses. So-
mente em 1654 os holandeses deixaram definitivamente o 
território brasileiro, mas como dissemos, não entraremos 
nos detalhes das batalhas havidas, pelo menos neste ex-
pediente. 
 
As terras brasílicas já conviveram com batalhas francesas, 
holandesas, enfim, com todos que aproveitavam-se de 
maneira ilegal das terras dos portugueses, que queriam 
manter o processo de colonização em desenvolvimento. 
Afinal, esta era uma alternativa que a Coroa portuguesa 
apostou com todas as suas forças para manter-se no ce-
nário como nação a partir do século XVI. 
 
 
A verdade é que os holandeses também desfrutaram um 
pouco das riquezas presentes nesta imensidão de terras 
produtivas, similarmente aos franceses que traficaram, em 
enorme quantidade, o pau -- brasil, por toda região litorâ-
nea. Fato que despertou os olhares de Portugal, no senti-
do da proteção e da necessidade de ocupação das terras 
recém "descobertas" por Cabral. 
 
Franceses no Brasil. 
 
No século 16, quando teve início a sua expansão maríti-
ma, a França vivia um período de relativo equilíbrio políti-
co, depois de uma fase marcada por lutas internas no 
plano religioso e social. O rei Francisco 1º exercia sua 
autoridade sem contestação. A economia crescia, as artes 
e ciências progrediam, ainda refletindo as grandes mu-
danças decorrentes do Renascimento italiano. Pouco tem-
po após a chegada dos primeiros portugueses ao litoral 
brasileiro, os franceses já marcavam sua presença na 
região, desde a foz do rio Amazonas ao Rio de Janeiro. Já 
em 1504 o navio Espoir (Esperança), comandado pelo 
capitão Paulmier de Gonneville, alcançou o litoral brasilei-
ro à altura de Santa Catarina. 
 
 
Esse tipo de expedição, empreendida tanto por armadores 
quanto por corsários, passou a ficar tão frequente que, em 
1526, veio de Portugal uma frota com objetivo específico 
de patrulhar a costa e expulsar os franceses que navega-
vam naquela região. No comando estava Cristóvão Ja-
ques, que, dez anos antes, já havia percorrido o litoral 
brasileiro em uma expedição guarda-costas. Dessa última 
vez a sua frota chegou a enfrentar naus francesas, aprisi-
onando tripulantes. 
 
Mercadores e corsários. 
 
Em 1534, o capitão francês Jacques Cartier chegou ao 
estuário do rio São Lourenço, no atual Canadá. Ali, os 
franceses se estabeleceram para construir uma colônia. 
Somente bem mais tarde, já no século 17, é que ela se 
desenvolveria, mas o interesse francês na América pros-
seguiu: corsários e mercadores das regiões francesas da 
Bretanha e da Normandia continuaram a incluir o Brasil 
entre seus objetivos. Em termos econômicos, a principal 
atração do território brasileiro era o pau-brasil, madeira de 
cor avermelhada utilizada no tingimento de tecidos, já que 
na época a indústria têxtil na França, bem como no restan-
te da Europa, estava em pleno desenvolvimento. 
 
A França Antártica. 
 
Em 1555, os franceses invadiram o Rio de Janeiro e cons-
truíram o forte Coligny numa das ilhas da baía da Guana-
bara: estava assim fundada a França Antártica, que teve 
cinco anos de vida. A colônia francesa foi desbaratada 
pelos portugueses, sob o comando do terceiro governa-
dor-geral, Mem de Sá, em 1560. Mas o fim da França An-
tártica não significou a expulsão definitiva dos franceses 
do litoral sul e sudeste do Brasil. Corsários e comerciantes 
continuaram o tráfico de pau-brasil com a mesma frequên-
cia, inclusive na própria região da baía da Guanabara. 
Mem de Sá enviou então seu sobrinho Estácio de Sá para 
erguer uma fortaleza no local. Ela ficou pronta em 1565 e 
deu origem à cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. 
Mesmo assim, somente dois anos depois é que os france-
ses seriam expulsos de vez da Guanabara. 
 
A França Equinocial. 
 
Os franceses passaram então a ocupar territórios mais ao 
norte e a nordeste do Brasil, sempre buscando comerciar 
com os índios: peles, madeira, algodão, pimenta e outros 
produtos, além de animais como macacos e papagaios. 
 
Em 1584 foram expulsos da região que hoje corresponde 
ao estado da Paraíba, o mesmo ocorrendo a seguir em 
Sergipe, Rio Grande do Norte e Ceará. Mas eles retornari-
am mais tarde, desta vez no Maranhão, tendo à frente 
Daniel de la Touche. Ali, fundaram, em 1612, a atual capi-
tal do estado, São Luís, e uma colônia que chamariam de 
França Equinocial. Dali seriam expulsos três anos depois. 
http://educacao.uol.com.br/historia/ult1704u71.jhtm
http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/ult1702u47.jhtm
http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/ult1689u12.jhtm
http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u340.jhtm
http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u370.jhtm
 
 
 
 
 
 
18 
Piratas e intelectuais. Em 1616, perderiam seu último terri-
tório no país, o Pará. Depois disso, instalaram-se ao norte 
do continente sul-americano, na região que hoje é a Guia-
na. Durante o século 18, corsários franceses ainda assola-
ram o Rio de Janeiro, invadido por duas vezes para saque 
do ouro das Minas Gerais que o porto escoava. 
 
No século seguinte, após a independência do Brasil, a 
França passou a exercer outro tipo de influência sobre o 
país, desta vez no aspecto mais estritamente cultural, e 
que se estendeu ainda ao longo do século 20. Por exem-
plo, vários professores franceses lecionaram no departa-
mento de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Univer-
sidade de São Paulo, que ajudaram a fundar. 
 
No Rio de Janeiro. 
 
Villegaignon, navegador francês, recebeu dois grandes 
navios, artilharia e munições para todas as armas e ferra-
mental para a construção e defesa de um forte, além do 
subsídio de dez mil libras tornesas e a promessa do título 
de vice-rei dasterras que conquistasse. A dificuldade no 
recrutamento de marinheiros e colonos foi grande, forçan-
do-o abaixar o nível moral inicial. Mobilizou colonos nos 
cárceres de Paris, de Rouen e outras cidades. Só assim 
conseguiu reunir o efetivo suficiente de homens de todas 
as idades, condições, índoles e crenças. 
 
A expedição compunha-se exclusivamente de 600 homens 
e de nenhuma mulher e partiu do porto do Havre, chegan-
do à Guanabara em 10 de novembro de 1555. Estabele-
ceu-se num rochedo à entrada da barra, a que denomina-
ram Ratier e que foi artilhado (atual Forte da Laje). Depois, 
houve a transferência para a ilha de Seregipe (Serijipe) 
mais para o Interior da baía. O fortim ali erigido recebeu o 
nome de Coligny (atual Escola Naval). 
 
Logo se solidificou a aliança com os T a m o i o s, graças 
aos franceses que ali jáviviam. A notícia, na França, da 
chegada da expedição ao Brasil, entusiasmou os armado-
res. Os comerciantes procuravam o porto do Rio de Janei-
ro, com a proteção de um posto militar sob a bandeira da 
França. Formavam aldeias, negociavam em todo o litoral e 
faziam viagens pelo interior. Os que desertavam da ilha 
ampliavam a conquista da terra. 
 
Pedido por Villegaignon a Coligny, chegou à Guanabara, 
em 7 de março de 1557, o reforço de esquadrilha de 3 
navios, artilhados com 18 peças, denominados Grande 
Roberge, Petite Roberge e Rosée. Comandava-a o sobri-
nho de Villegaignon, Comandante Bois-le-Conte, A tropa 
era de 200 homens. Vieram fidalgos, artesãos e missioná-
rios calvinistas, enviados pela igreja protestante de Gene-
bra. Entre estes, Jean de Lery, que se tornou o cronista da 
expedição, ao publicar " Histoire d‘un Voyage fait en la 
terre du Brésil"-- La Rochelle, 1578. Essa 2
a
 Expedição -foi 
mais militar do que colonizadora. 
 
Governo de Mem de Sá. 
 
 Aos fins de 1557, chegou ao Brasil o 3º Governador-
Geral, Mem de Sá. Sua escolha baseara-se no conceito e 
prestígio que desfrutava na terra-mãe, onde era conside-
rado homem decidido, de pulso forte e seguro, e dotado 
de alto valor moral. A repercussão na Metrópole, com a 
fixação dos franceses no Rio de Janeiro, na baía de Gua-
nabara, e a incapacidade demonstrada por Duarte da Cos-
ta para expulsá-los, estavam a exigir uma figura ímpar, do 
quilate de Mem de Sá. E este, depois de nomeado, procu-
rou inteirar-se da situação da longínqua colônia, e verifi-
cou, pelas informações obtidas, que eram apreciáveis as 
forças de mar francesas no Brasil; que havia necessidade 
de grande prudência na ofensiva a ser desencadeada 
contra o Forte Coligny, a fim de preservar os parcos recur-
sos humanos e materiais de que dispunham os portugue-
ses; que tornava imperioso contar com forte poder naval e 
considerável contingente de tropas terrestres, para o bom 
êxito do empreendimento. Tudo isso transparecia claro na 
comparação com o que possuía Villegaignon, comandante 
e chefe francês, servido por gente muito bem armada e 
que ainda tinha a grande facilidade em receber reforços, 
pois que, em sua empresa, constavam enormes interesses 
comerciais franceses, especialmente os relativos ao pau-
brasil. 
 
Logo ao assumir o governo, fundou, na capitania do Espí-
rito Santo, uma base terrestre capaz de lhe fornecer o 
indispensável apoio cerrado às operações e de impedir a 
expansão dos franceses para o norte, barrando-lhes o 
acesso fácil à capital da colônia – Salvador – sede admi-
nistrativa. Daí pretendia fustigá-los com freqüência, en-
quanto montava incursão de vulto e decisiva. 
 
Os erros da administração precedente e os efeitos da 
ocupação francesa haviam tornado difíceis as condições 
de vida na colônia. Corrigiu erros e abusos, ordenou a vida 
financeira e terminou com o jogo, o roubo, a vadiagem e 
outras pragas. Seu pulso firme e senso de justiça criaram 
as condições mínimas para aquilo que era importante: a 
expulsão do invasor francês. Igualmente graves e proble-
máticas, as relações colono e gentio. Obedecendo à sua 
consciência e sentimentos religiosos, fiel à sua concepção 
da sociedade futura, e contando com a preciosa colabora-
ção da Igreja, representada pelos jesuítas, com os quais 
acertou medidas para coibir os abusos. Baixou atos ten-
dentes a acabar com a antropofagia, e luta entre os índios 
e entre estes e colonos. Os indígenas aliados foram reuni-
dos em reduções – grandes aldeias – e intensificou-se sua 
catequese. 
 
Com energia, castigou os infratores, fossem eles colonos 
ou silvícolas, demonstrando desse modo absoluta eqüida-
de nas relações da autoridade com as duas raças. Orde-
nou ainda que se pusessem em liberdade os índios escra-
vos em poder dos colonos. 
 
Franceses expulsos da Guanabara. 
 
Na Bahia a armada de Bartolomeu Vasconcelos. De posse 
de informações colhidas de um fidalgo francês, que lhe 
forneceu toda a ordem de batalha dos invasores, e tendo 
antes o cuidado de enviar mensageiros a todas as capita-
nias, partiu sem mais demora. 
Em Salvador, deixou um mínimo de tropas, apenas o ne-
cessário para a defesa. Durante a viagem em direção ao 
Rio de Janeiro, tocou em Porto Seguro, Ilhéus e Espírito 
 
 
 
 
 
 
19 
Santo, onde recolheu reforços em pessoal e gêneros. 
Fundeou na barra da baía de Guanabara a 28 de fevereiro 
de 1560 e obteve informações da ausência de Villegaig-
non, fato que decidiu a antecipação do ataque à Fortaleza 
ou Forte Coligny, localizada na ilha que hoje tem o nome 
de Villegaignon e onde se encontra a nossa Escola Naval. 
Reunidos, os chefes foram contrários ao ataque naquelas 
circunstâncias, já que da comparação ressaltara menor o 
número dos atacantes. Ademais, os defensores contavam 
não apenas com maior efetivo, mas também estavam com 
a vantagem de defender uma posição fortificada. No en-
tanto, a decisão coube a Mem de Sá, chefe supremo da 
empresa. 
 
Foi o padre Nóbrega enviado a São Vicente a apressar os 
reforços que tardavam. Por feliz coincidência, já estavam 
chegando . A 15 de março de 1560, uma Sexta-feira, teve 
início o combate. Na noite de Sábado, alguns portugueses 
e mamelucos brasileiros conseguiram heroicamente pene-
trar de surpresa no forte e tomar uma das baterias. Por aí, 
apesar da reação dos franceses, entraram os reforços e 
com tamanho ímpeto que os defensores fugiram para o 
continente. Eram cerca de 200 franceses e 800 tamoios a 
eles aliados. No outro dia, Domingo, pela primeira vez, foi 
realizada missa de ação de graças naquela ilha. 
 
Feita a limpeza na baía, o inimigo refugiou-se no sertão. 
Enquanto eram reparadas as naus, Mem de Sá determi-
nou fosse o forte arrasado, apressando-se, a seguir, em 
abandonar a área sem deixar um único defensor. Esse 
procedimento, pouco depois, invalidava todo aquele esfor-
ço da luta. Recuou para São Vicente e daí mandou Está-
cio de Sá a Portugal, para relatar o ocorrido. 
Retornando à Bahia, empenhou-se em luta contra os ai-
morés, que haviam devastado várias povoações, conse-
guindo derrotá-los. Sua imprevidência, deixando desguar-
necida a baía de Guanabara, muito cedo foi comprovada. 
Os tamoios, aliados dos franceses e por estes insuflados, 
passaram a mover Guerra implacável a todas as povoa-
ções portuguesas de São Vicente. Graças à coragem e 
abnegação dos padres Nóbrega e Anchieta em Iperoig, 
concertando com eles a paz e conseguindo aplacar o ódio 
dos selvagens, o fato não teve consequências desastro-
sas. 
 
Também os remanescentes franceses aos poucos foram 
retornando à baía de Guanabara, onde guarneceram e 
fortificaram uma aldeia, agora no continente. Restabeleci-
dos, mudaram de atitude, passando a assaltar navios e a 
saquear os colonos portugueses. Os tamoios sentiram-se 
fortes e correram a imitá-los, desrespeitando inclusive os 
jesuítas. 
 
Estácio de Sá retornou de Portugal, com dois navios de 
Guerra e ordens expressas de executar a expulsão defini-
tiva do invasor francês. Com os meios que Mem de Sá, 
em Salvador, pôs à sua disposição, partiu para o Rio de 
Janeiro em princípios de 1564. Hostilizado, entretanto, 
pelos tamoios,prosseguiu para São Vicente, já sabendo 
que alguns índios haviam quebrado a paz de Iperoig. 
 
Em meados de janeiro de 1567, após receber reforços 
chegados da Metrópole e poderoso contingente vindo de 
São Vicente, ficou decidida, em conselho, a data de 20 
para início da ofensiva. Depois de rezada missa campal, 
iniciaram-se os ataques, primeiro contra Uruçumirim e em 
seguida contra o Forte de Paranapuã, na ilha dos Maraca-
jás. Os franceses, que deles escaparam, tomaram suas 
naves e desapareceram da baía de Guanabara para sem-
pre, mas foram estabelecer-se em Cabo Frio, um pouco 
ao norte. Estácio de Sá, ferido por uma flechada no braço, 
veio a falecer cerca de um mês depois. Os portugueses 
contaram com valorosa colaboração dos Temiminós, che-
fiados por Araribóia, a quem doaram as terras em que hoje 
está edificada a cidade de Niterói. Foi inestimável o auxí-
lio, tanto da gente de São Vicente e Itanhaém, quanto dos 
jesuítas, para o desfecho feliz das operações que culmina-
ram com a expulsão dos franceses da Guanabara. 
Mem de Sá retornou à Bahia. Idoso e alquebrado, após 14 
anos de lutas constantes, e solicitou a el-rei a vinda de 
substituto. 
 
Atividade bandeirante. 
 
 
 
Foi a partir do século 17 que as terras do interior do Brasil 
passaram a ser rotineiramente exploradas. O desbrava-
mento e povoação dessas terras foram iniciados por ex-
pedições pioneiras chamadas de Entradas e Bandeiras. 
As Entradas geralmente eram expedições oficiais, ou seja, 
foram organizadas pelo governo da autoridade colonial. Já 
as Bandeiras tinham motivação particular, isto é, eram 
organizadas por colonos que se estabeleceram nos povo-
ados. 
 
Os historiadores ainda hoje debatem sobre a caracteriza-
ção dos dois tipos de expedições, mas ainda assim acei-
tam a diferenciação mencionada acima. O mais importante 
é entender os fatores que ocasionaram a criação das En-
tradas e das Bandeiras e as mudanças que essas expedi-
ções provocaram no processo de colonização do Brasil. 
Riquezas e escravos 
 
As Entradas e Bandeiras foram expedições organizadas 
para explorar o interior com o propósito de procurar rique-
zas minerais, tais como ouro, prata e pedras preciosas. 
Objetivavam também caçar e apresar índios para escravi-
zá-los. Não era uma tarefa fácil organizá-las, e muito me-
nos explorar o interior do território colonial. Havia a neces-
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/brasil-colonia-caracteristicas-da-estrutura-que-permaneceu-por-seculos.htm
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/escravidao-no-brasil-escravos-eram-base-da-economia-colonial-e-imperial.htm
 
 
 
 
 
 
20 
sidade do preparo de muitas provisões, como alimentos, 
armas e instrumentos, que deviam ser transportados por 
animais e pelos próprios exploradores. 
 
Outra tarefa difícil era reunir homens que estivessem dis-
postos a penetrar mata adentro e permanecer muitos me-
ses no interior, sem a certeza de que retornariam com vida 
para seus povoados e do êxito que teriam na descoberta 
de riquezas ou no enfrentamento e apresamento dos ín-
dios. 
 
As Entradas tiveram início logo após a descoberta do Bra-
sil. Em 1504, Américo Vespúcio organizou uma Entrada 
composta por trinta homens que partiu de Cabo Frio e 
penetrou no sertão. Martim Afonso de Souza organizou 
duas Entradas. A primeira foi composta por quatro ho-
mens, saiu da Guanabara e permaneceu no interior por 
cerca de dois meses. A segunda foi composta por cerca 
de 80 homens e chefiada por Pedro Lobo. Saiu da ilha de 
Cananeia (no atual estado de São Paulo) e jamais retor-
nou. Após o estabelecimento do Governo-Geral, as Entra-
das passaram a ser organizadas com maior frequência, 
mas restringiram-se a explorar o interior da Bahia e de 
Minas Gerais. 
 
São Vicente e São Paulo. 
 
As Entradas declinaram no início do século 17. As Bandei-
ras surgiram no início do desse mesmo século e se esten-
deram por todo o século seguinte. Foi na vila de São Vi-
cente que surgiram as primeiras Bandeiras. O solo dessa 
região, impróprio para o plantio da cana-de-açúcar, ocasi-
onou o rápido declínio da produção açucareira levando a 
estagnação econômica dos povoados. Os habitantes da 
região tiveram que encontrar outra atividade econômica 
para sobreviver. A alternativa foi a organização das expe-
dições desbravadoras. 
 
 
A vila de São Paulo também ficou famosa pela organiza-
ção de expedições bandeirantes. As Bandeiras organiza-
das pelos habitantes de ambas as vilas dedicaram-se, 
inicialmente, à caça e apresamento de índios para vendê-
los como mão-de-obra escrava aos engenhos produtores 
de açúcar, situados nos ricos solos do Nordeste brasileiro. 
Seus alvos principais eram as missões jesuíticas que con-
centravam grande número de índios em fazendas, para 
serem pacificados e depois catequizados pelos religiosos 
da Companhia de Jesus. 
 
O colégio de Piratininga. 
 
Foram os jesuítas, liderados pelo padre Nóbrega, que se 
estabeleceram na região de Piratininga, fundando um pe-
queno povoado que cresceu e deu origem a vila de São 
Paulo. Tudo começou com a construção de um colégio e 
uma casa, que eram locais para catequese dos índios. 
Com o surgimento das Bandeiras e das atividades de caça 
e apresamento dos índios, os jesuítas entraram em confli-
to com os bandeirantes. Na década de 1640, os bandei-
rantes expulsaram os jesuítas de São Paulo. Muitas mis-
sões jesuíticas, além das que se fixaram em Piratininga, 
foram destruídas pelos bandeirantes. 
 
Com a substituição do índio pelo negro africano no traba-
lho escravo da grande lavoura, o ciclo do bandeirismo de 
caça e apresamento dos nativos declinou. Os bandeiran-
tes passaram, então, a se concentrar na exploração de 
riquezas minerais. As Bandeiras organizadas pelos habi-
tantes da vila de São Vicente começaram a procura de 
ouro nos leitos dos rios da região e foram percorrendo a 
zona litorânea. 
 
As Bandeiras organizadas pelos habitantes de São Paulo, 
com o mesmo propósito, foram motivadas a penetrar no 
sertão brasileiro, favorecidas pela situação geográfica da 
vila e pelo curso dos rios da região, que facilitavam a ex-
ploração do interior. Mas é importante assinalar que a 
caça e apresamento de índios não parou por completo, os 
próprios bandeirantes passaram a utilizar a mão-de-obra 
indígena para trabalharem nas pequenas lavouras de sub-
sistência e até nas próprias expedições de exploração. 
 
Povoamento e expansão territorial. 
 
As expedições bandeirantes tiveram importância crucial 
para o povoamento, diversificação das atividades econô-
micas e expansão territorial do Brasil colonial. Ao longo 
das trilhas percorridas e dos caminhos abertos pelos ban-
deirantes foram surgindo diversos povoados. As Bandeiras 
que percorreram o litoral à procura de ouro, partindo de 
São Vicente, deram origem às vilas de Itanhaém, Iguape, 
Paranaguá, Laguna e Desterro, entre outras. A penetração 
no sertão deu origem a vilas e arraiais como Cuiabá, Vila 
Rica, Diamantina, Sabará e Mariana, entre outras. 
 
As expedições bandeirantes também possibilitaram a des-
coberta de riquezas minerais como ouro, prata e diamante, 
metais preciosos que deram origem a um novo ciclo eco-
nômico de exploração colonial. O êxito dos bandeirantes, 
principalmente na descoberta de metais preciosos, fez 
com que a Coroa portuguesa passasse a financiar muitas 
expedições com o objetivo de encontrar essas riquezas 
minerais e explorá-la como alternativa a crise econômica 
provocada pelo declínio da produção do açúcar. 
 
Enquanto as Entradas respeitavam os limites territoriais 
fixado pelo Tratado das Tordesilhas, que dividia as terras 
do continente americano entre Portugal e Espanha, as 
Bandeiras geralmente ultrapassavam essa fronteira, em 
direção às regiões Sul, Norte e Centro Oeste. Entre 1580 
e 1640, Portugal ficou sob domínio Espanhol. Durante 
esse período, também conhecido como a união das Coro-
as ibéricas, a Espanha governou Portugal e todos os seus 
domínios. Nessa época, os bandeirantesnão encontraram 
resistências quanto a ultrapassar Tordesilhas. Quando 
Portugal se libertou do jugo espanhol o território colonial 
brasileiro havia se ampliado significativamente. 
 
Mitos e monumentos. 
 
As Bandeiras deram origem a narrativas épicas, mitos e 
lendas sobre o desbravamento e conquista do sertão bra-
sileiro, que hoje fazem parte do simbolismo regional. Em-
bora tenham sido responsáveis pela escravização e dizi-
mação de inúmeras etnias indígenas e pela destruição de 
http://educacao.uol.com.br/biografias/martim-afonso-de-souza.jhtm
http://educacao.uol.com.br/datas-comemorativas/ult1688u23.jhtm
http://educacao.uol.com.br/datas-comemorativas/ult1688u13.jhtm
 
 
 
 
 
 
21 
muitas missões jesuíticas, os bandeirantes são retratados 
como homens heroicos, portadores de coragem, bravura e 
espírito aventureiro, que penetraram na mata e desbrava-
ram a vastidão do interior até então desconhecido, enfren-
taram e dominaram índios, descobriram e exploraram ri-
quezas minerais e fundaram povoados. 
 
Na capital paulista, outrora vila e centro irradiador das 
expedições bandeirantes, ergueu-se o Monumento às 
Bandeiras, de Victor Brecheret, um dos mais importantes 
escultores brasileiros. E bandeirantes famosos como Bar-
tolomeu Bueno da Silva (conhecido como Anhanguera), 
Antônio Raposo Tavares e Fernão Dias Pais, foram ho-
menageados tendo seus nomes dados a importantes ro-
dovias que percorrem o interior do Estado de São Paulo. 
 
Atividade mineradora. 
 
A mineração, marcada pela extração de ouro e diamantes 
nas regiões de Goiás, Mato Grosso e principalmente Mi-
nas Gerais, atingiu o apogeu entre os anos de 1750 e 
1770, justamente no período em que a Inglaterra se indus-
trializava e se consolidava como uma potência hegemôni-
ca, exercendo uma influência econômica cada vez maior 
sobre Portugal. 
 
Contexto europeu: Inglaterra/Portugal. 
 
Em contrapartida ao desenvolvimento econômico da Ingla-
terra, Portugal enfrentava enormes dificuldades econômi-
cas e financeiras com a perda de seus domínios no Orien-
te e na África, após 60 anos de domínio espanhol durante 
a União Ibérica (1580-1640). Dos vários tratados que 
comprovam a crescente dependência portuguesa em rela-
ção à Inglaterra, destaca-se o Tratado de Methuem (Pa-
nos e Vinhos) em 1703, pelo qual Portugal é obrigado a 
adquirir os tecidos da Inglaterra e essa, os vinhos portu-
gueses. Para Portugal, esse acordo liquidou com as ma-
nufaturas e agravou o acentuado déficit na balança co-
mercial, onde o valor das importações (tecidos ingleses) 
irá superar o das exportações (vinhos). É importante notar 
que o Tratado de Methuem ocorreu alguns anos depois da 
descoberta das primeiras grandes jazidas de ouro em 
Minas Gerais, e que bem antes de sua assinatura as im-
portações inglesas já arruinavam as manufaturas portu-
guesas. O tratado, deve ser considerado assim, bem mais 
um ponto de chegada do que de começo, em relação ao 
domínio econômico inglês sobre Portugal. 
 
A rigidez fiscal. 
 
Nesse mesmo período, em que na América espanhola o 
esgotamento das minas irá provocar uma forte elevação 
no preço dos produtos, o Brasil assistia a passagem da 
economia açucareira para mineradora, que ao contrário da 
agricultura e de outras atividades, como a pecuária, foi 
submetida a uma rigorosa disciplina e fiscalização por 
parte da metrópole. Já por ocasião do escasso e pobre 
ouro de lavagem achado desde o século XVI em São Vi-
cente, tinha-se promulgado um longo regulamento estabe-
lecendo-se a livre exploração, embora submetida a uma 
rígida fiscalização, onde a coroa reservava-se no direito ao 
quinto, a quinta parte de todo ouro extraído. Com as des-
cobertas feitas em Minas Gerais na região de Vila Rica, a 
antiga lei é substituída pelo Regimento dos Superinten-
dentes, Guardas-mores e Oficiais Deputados para as Mi-
nas de Ouro, datada de 1702. Esse regimento se manteria 
até o término do período colonial, apenas com algumas 
modificações. 
 
O sistema estabelecido era o seguinte: para fiscalizar diri-
gir e cobrar o quinto nas áreas de mineração criava-se a 
Intendência de Minas, sob a direção de um superintenden-
te em cada capitania em que se descobrisse ouro, subor-
dinado diretamente ao poder metropolitano. O descobri-
mento das jazidas era obrigatoriamente comunicado ao 
superintendente da capitania que requisitava os funcioná-
rios (guarda-mores) para que fosse feita a demarcação 
das datas, lotes que seriam posteriormente distribuídos 
entre os mineradores presentes. O minerador que havia 
descoberto a jazida tinha o direito de escolher as duas 
primeiras datas, enquanto que o guarda-mor escolhia ou-
tra para a Fazenda Real, que depois a vendia em leilão. 
 
A distribuição dos lotes era proporcional ao número de 
escravos que o minerador possuísse. Aqueles que tives-
sem mais de 12 escravos recebiam uma "data inteira", que 
correspondia a cerca de 3 mil metros quadrados. Já os 
que tinham menos de doze escravos recebiam apenas 
uma pequena parte de uma data. Os demais lotes eram 
sorteados entre os interessados que deviam dar início à 
exploração no prazo de quarenta dias, sob pena de perder 
a posse da terra. A venda de uma data era somente auto-
rizada, na hipótese devidamente comprovada da perda de 
todos os escravos. Neste caso o minerador só podia rece-
ber uma nova data quando obtivesse outros trabalhadores. 
A reincidência, porém, resultaria na perda definitiva do 
direito de receber outro terreno. 
 
A cobrança do quinto sempre foi vista pelos mineradores 
como um abuso fiscal, o que resultava em frequentes ten-
tativas de sonegação, fazendo com que a metrópole crias-
se novas formas de cobrança. A partir de 1690 são cria-
das as Casas de Fundição, estabelecimentos controlados 
pela Fazenda Real, que recebiam todo ouro extraído, 
transformando-o em barras timbradas e devidamente qui-
tandas, para somente depois, devolve-las ao proprietário. 
A tentativa de utilizar o ouro sob outra forma -- em pó, em 
pepitas ou em barras não marcadas -- era rigorosamente 
punida, com penas que iam do confisco dos bens do infra-
tor, até seu degredo perpétuo para as colônias portugue-
sas na África. Como o ouro era facilmente escondido gra-
ças ao seu alto valor em pequenos volumes, criou-se a 
finta, um pagamento anual fixo de 30 arrobas, cerca de 
450 quilos de ouro que o quinto deveria necessariamente 
atingir, sob pena de ser decretada a derrama, isto é, o 
confisco dos bens do devedor para que a soma de 100 
arrobas fosse completada. Posteriormente ainda foi criada 
a taxa de capitação , um imposto fixo, cobrado por cada 
escravo que o minerador possuísse. 
 
Para o historiador Caio Prado Júnior, "cada vez que se 
decretava uma derrama, a capitania, atingida entrava em 
polvorosa. A força armada se mobilizava, a população 
vivia sobre o terror; casas particulares eram violadas a 
qualquer hora do dia ou da noite, as prisões se multiplica-
 
 
 
 
 
 
22 
vam. Isto durava não raro muitos meses, durante os quais 
desaparecia toda e qualquer garantia pessoal. Todo mun-
do estava sujeito a perder de uma hora para outra seus 
bens, sua liberdade, quando não sua vida. Aliás as derra-
mas tomavam caráter de violência tão grande e subversão 
tão grave da ordem, que somente nos dias áureos da mi-
neração se lançou mão deles. Quando começa a deca-
dência, eles se tornam cada vez mais espaçados, embora 
nunca mais depois de 1762 o quinto atingisse as 100 arro-
bas fixadas. Da última vez que se projetou uma derrama 
(em 1788), ela teve de ser suspensa à última hora, pois 
chegaram ao conhecimento das autoridades notícias posi-
tivas de um levante geral em Minas Gerais, marcado para 
o momento em que fosse iniciada a cobrança (conspiração 
de Tiradentes)." 
 
A exploração das jazidas. 
 
Havia duas formas de extração aurífera: a lavra e a faisca-
ção. As lavras eram empresas que, dispondo de ferramen-
tas especializadas, executavam a extração aurífera em 
grandes jazidas, utilizando mão-de-obra de escravos afri-canos. O trabalho livre era insignificante e o índio não era 
empregado. A lavra foi o tipo de extração mais frequente 
na fase áurea da mineração, quando ainda existia recurso 
e produção abundantes, o que tornou possível grandes 
empreendimentos e obras na região. 
 
 
 
 
Extração aurífera. 
 
A faiscação era a pequena extração representada pelo 
trabalho do próprio garimpeiro, um homem livre de poucos 
recursos que excepcionalmente poderia contar com alguns 
ajudantes. No mundo do garimpo o faiscador é considera-
do um nômade, reunindo-se às vezes em grande número, 
num local franqueado a todos. Poderiam ainda ser escra-
vos que, se encontrassem uma quantidade muito significa-
tiva de ouro, ganhariam a alforria. Também conhecida 
como faisqueira, tal atividade se realizava principalmente 
em regiões ribeirinhas. De uma maneira ou de outra, a 
faiscação sempre existiu na mineração aurífera da colônia 
tornando-se mais intensa com a própria das minas, sur-
gindo então o faiscador que aproveita as áreas empobre-
cidas e abandonadas. Este cenário torna-se mais comum 
pelos fins do século XVIII, quando a mineração entra num 
processo de franca decadência. 
 
A extração de diamantes. 
 
A extração mineral não se restringiu apenas ao ouro. O 
século XVIII também conheceu o diamante, no vale do rio 
Jequitinhonha, sendo que durante muito tempo, os mine-
radores que só viam a riqueza no ouro, ignoraram o valor 
desta pedra preciosa, utilizada inclusive como ficha para 
jogo. Somente após três décadas que o governador das 
Gerais, D. Lourenço de Almeida, enviou algumas pedras 
para serem analisadas em Portugal, que imediatamente 
aprovou a criação do primeiro Regimento para os Diaman-
tes, que estabeleceu como forma de cobrar o quinto, o 
sistema de capitação sobre mineradores que viessem a 
trabalhar naquela região. 
 
O principal centro de extração da valiosa pedra, foi o Ar-
raial do Tijuco, hoje Diamantina em Minas Gerais, que em 
razão da importância, foi elevado à categoria de Distrito 
Diamantino, com fronteiras delimitadas e um intendente 
independente do governador da capitânia, subalterno ape-
nas à coroa portuguesa. A partir de 1734, visando um 
maior controle sobre a região diamantina, foi estabelecido 
um sistema de exclusividade na exploração de diamantes 
para um único contratador. O primeiro deles em 1740, foi o 
milionário João Fernandes de Oliveira, que se apaixonou 
pela escrava Chica da Silva, tornando-a uma nobre senho-
ra do Arraial do Tijuco. Devido ao intenso contrabando e 
sonegação, como também ao elevado valor do produto, a 
metrópole decretou a Extração Real em 1771, represen-
tando o monopólio estatal sobre o diamante, que vigorou 
até 1832. 
 
Desdobramentos: sociedade e cultura. 
 
O ciclo do ouro e do diamante foi responsável por profun-
das mudanças na vida colonial. Em cem anos a população 
cresceu de 300 mil para, aproximadamente, 3 milhões de 
pessoas, incluindo aí, um deslocamento de 800 mil portu-
gueses para o Brasil. Paralelamente foi intensificado o 
comércio interno de escravos, chegando do Nordeste cer-
ca de 600 mil negros. Tais deslocamentos representam a 
transferência do eixo social e econômico do litoral para o 
interior da colônia, o que acarretou na própria mudança da 
capital de Salvador para o Rio de Janeiro, cidade de mais 
fácil acesso à região mineradora. 
A vida urbana mais intensa viabilizou também, melhores 
oportunidades no mercado interno e uma sociedade mais 
flexível, principalmente se contrastada com o imobilismo 
da sociedade açucareira. Embora mantivesse a base es-
cravista, a sociedade mineradora diferenciava-se da açu-
careira, por seu comportamento urbano, menos aristocrá-
tico e intelectualmente mais evoluído. Era comum no sécu-
lo XVIII, ser grande minerador e latifundiário ao mesmo 
tempo. Portanto, a camada socialmente dominante era 
mais heterogênea, representada pelos grandes proprietá-
rios de escravos, grandes comerciantes e burocratas. A 
novidade foi o surgimento de um grupo intermediário for-
 
 
 
 
 
 
23 
mado por pequenos comerciantes, intelectuais, artesãos e 
artistas que viviam nas cidades. 
 
O segmento abaixo era formado por homens livres pobres 
(brancos, mestiços e negros libertos), que eram faiscado-
res, aventureiros e biscateiros, enquanto que a base social 
permanecia formada por escravos que em meados do 
século XVIII, representavam 70% da população mineira. 
Para o cotidiano de trabalho dos escravos, a mineração foi 
um retrocesso, pois apesar de alguns terem conseguido a 
liberdade, a grande maioria passou a viver em condições 
bem piores do que no período anterior, escavando em 
verdadeiros buracos onde até a respiração era dificultada. 
Trabalhavam também na água ou atolados no barro no 
interior das minas. Essas condições desumanas resultam 
na organização de novos quilombos, como do rio das Mor-
tes, em Minas Gerais, e o de Carlota, no Mato Grosso. 
Com o crescimento do número de pequenos e médios 
proprietários a mineração gerou uma menor concentração 
de renda, ocorrendo inicialmente um processo inflacioná-
rio, seguido pelo desenvolvimento de uma sólida agricultu-
ra de subsistência, que juntamente com a pecuária, conso-
lidam-se como atividades subsidiárias e periféricas. 
A acentuação da vida urbana trouxe também mudanças 
culturais e intelectuais, destacando-se a chamada escola 
mineira, que se transformou no principal centro do Arca-
dismo no Brasil. São expoentes as obras esculturais e 
arquitetônicas de Antônio Francisco Lisboa, o "Aleijadi-
nho", em Minas Gerais e do Mestre Valentim, no Rio de 
Janeiro. 
 
Na música destaca-se o estilo sacro barroco do mineiro 
José Joaquim Emérico Lobo de Mesquita, além da música 
popular representada pela modinha e pela cantiga de ninar 
de origem lusitana e pelo lundu de origem africana. 
 
A decadência do período. 
 
Na segunda metade do século XVIII, a mineração entra 
em decadência com a paralisação das descobertas. Por 
serem de aluvião o ouro e diamantes descobertos eram 
facilmente extraídos, o que levou a uma exploração cons-
tante, fazendo com que as jazidas se esgotassem rapida-
mente. Esse esgotamento deve-se fundamentalmente ao 
desconhecimento técnico dos mineradores, já que en-
quanto a extração foi feita apenas nos veios (leitos dos 
rios), nos tabuleiros (margens) e nas grupiaras (encostas 
mais profundas) a técnica, apesar de rudimentar, foi sufi-
ciente para o sucesso do empreendimento. Numa quarta 
etapa, porém, quando a extração atinge as rochas matri-
zes, formadas por um minério extremamente duro (quartzo 
itabirito), as escavações não conseguem prosseguir, inici-
ando o declínio da economia mineradora. Como as outras 
atividades eram subsidiárias ao ouro e ao diamante, toda 
economia colonial entrou em declínio. Sendo assim, a 
primeira metade do século XIX será representada pelo 
Renascimento Agrícola, fase economicamente transitória, 
marcada pela diversificação rural (algodão, açúcar, taba-
co, cacau e café), que se estenderá até a consolidação da 
monocultura cafeeira, iniciada por volta de 1870 no Vale 
do Paraíba. 
A suposta riqueza gerada pela mineração não permane-
ceu no Brasil e nem foi para Portugal. A dependência lusa 
em relação ao capitalismo inglês era antiga, e nesse sen-
tido, grande parte das dívidas portuguesas, acabaram 
sendo pagas com ouro brasileiro, o que viabilizou ainda 
mais, uma grande acumulação de capital na Inglaterra, 
indispensável para o seu pioneirismo na Revolução Indus-
trial. 
 
Rebeliões Nativistas. 
 
Durante muito tempo, as rebeliões coloniais acontecidas 
no Brasil foram interpretadas por meio de parâmetros que 
escapavam da natureza assumida pelas experiências que 
foram historicamente desenvolvidas. Ainda hoje, sabemos 
que algumas pessoas aprendem ou interpretam as rebe-
liões coloniais em bloco, julgando, quase sempre, todos os 
eventos como uma prova incontestável do desejo e da luta 
pela romântica e patriótica autonomia políticada nação. 
De fato, várias revoltas, motins e conspirações marcaram 
o nosso passado colonial e revelavam a insatisfação dos 
colonos e a dificuldade de controle por parte das forças 
metropolitanas. Contudo, dizer que eles lutavam pela au-
tonomia do nosso povo ou defendiam a construção de 
uma nação autônoma incorre em um grande equívoco. 
Afinal de contas, as ideias de povo ou nação brasileira 
nem sequer eram debatidos nos meios intelectuais da 
época. 
 
Observando os primeiros conflitos ocorridos na colônia, 
observamos que a intenção fundamental era a de promo-
ver algumas mudanças nas exigências e práticas impostas 
pela metrópole. Em nenhum momento, as primeiras gran-
des revoltas, acontecidas entre os séculos XVII e XVIII, 
pretendiam extinguir o pacto colonial ou estabelecer a 
independência da América Portuguesa. Com isso, temos 
mais um argumento que vai contra a tradicional interpreta-
ção dada aos levantes decorridos no período colonial. 
 
Conhecidos como revoltas nativistas, esses movimentos 
tiveram início no século XVII, momento em que diversas 
regiões da colônia enfrentavam sérias dificuldades eco-
nômicas provenientes da crise da economia açucareira. 
Adentrando o século XVIII, vemos que essas rebeliões 
persistem com a rigorosa fiscalização imposta por Portugal 
nessa mesma época. Entre as maiores rebeliões nativistas 
destacamos a Revolta de Beckman (1684), a Guerra dos 
Emboabas (1708), a Guerra dos Mascates (1710) e a Re-
volta de Filipe dos Santos (1720). 
 
A Revolta dos Beckman (1684). 
 
No final do século XVII, as atividades produtivas do Mara-
nhão foram prejudicadas por dois fatores: 
Firme posição dos jesuítas em defesa dos índios contra os 
colonos que queriam escravizá-los. 
As atividades da Companhia Geral do Comércio do Estado 
do Maranhão, fundada em 1682 e encarregada de mono-
polizar todas as relações comerciais da região Norte do 
Brasil. 
 
 
 
 
 
 
 
24 
O papel dos Jesuítas. 
 
Recém-chegado ao Maranhão, em princípios de 1653, o 
padre Antônio Vieira logo se revelou um ardoroso defensor 
dos pontos de vista da Companhia de Jesus, a respeito da 
escravidão do gentio. Por longo tempo, apesar dos esfor-
ços dos jesuítas, o governo português admitiu o apresa-
mento do silvícola por motivo de ―guerra justa‖. Todavia, 
pressionado por Vieira, D. João IV, pelo Alvará de 1º de 
abril de 1680, proibiu a escravidão indígena. A partir desta 
data, o rei só permitiria o trabalho dos aborígines nas mis-
sões inacianas. Em represália, os colonos de São Luís do 
Maranhão invadiram os colégios dos jesuítas, prendendo 
os padres e expulsando-os para Lisboa. 
 
O papel da Companhia Geral do Comércio do Estado 
do Maranhão. 
 
A Companhia Geral do Comércio do Estado do Maranhão, 
criada em 1682, objetivava: monopolizar o comércio im-
portador e exportador da região Norte do Brasil; introduzir 
escravos negros e gêneros necessários à população da 
área, recebendo em pagamento drogas locais (com essa 
finalidade foi assinado um contrato válido por vinte anos, 
no qual ficou estipulado que a Companhia do Comércio do 
Maranhão se obrigaria a trazer, durante esse tempo, 
10.000 negros a preços previamente especificados). En-
tretanto, a atuação da Companhia produziu apenas resul-
tados desastrosos. As mais diversas irregularidades eram 
praticadas pelos funcionários do órgão monopolizador. 
Além disso, as mercadorias europeias trazidas ao Brasil 
pela Companhia eram de qualidade inferior: não obstante, 
seus representantes insistiam em negociá-las por preços 
exorbitantes. 
 
Além disso, a entrega de escravos africanos tornava-se 
cada vez mais irregular e caracterizava-se pe-
la inobservância dos preços, que anteriormente já tinham 
sido combinados. Estes foram os fatores que mais contri-
buíram para aumentar a irritação dos habitantes do Mara-
nhão, já bastante indignados com a proibição da escravi-
dão indígena. 
 
A Rebelião. 
 
Manuel Beckman, rico e influente proprietário de terras, foi 
o líder da revolta maranhense. Em sua casa, diversos 
colonos, insatisfeitos com a realidade econômica do Ma-
ranhão, tramaram a expulsão dos inacianos e a extinção 
do monopólio. Na noite de 23 de fevereiro de 1680, os 
conspiradores resolveram dar início à Insurreição. Às pri-
meiras horas do dia 24, os revoltosos, após prenderem 
alguns militares lusos, encaminharam-se para a residência 
do capitão-mor Baltasar Fernandes. Este, na ausência do 
governador do Maranhão (Francisco de Sá), ocupava pro-
visoriamente o supremo cargo administrativo da capitania. 
Em seguida, os insurretos se apoderaram dos armazéns 
da Companhia do Comércio do Maranhão. As-
sim, completava-se a ação revolucionária dos latifundiários 
maranhenses. 
 
Ao amanhecer, realizou-se uma grande assembleia na 
Câmara Municipal de São Luís, e os vitoriosos rebeldes 
tomaram importantes decisões, decretando: a abolição do 
monopólio; o encerramento das atividades da Companhia 
do Comércio do Maranhão; a deposição do capitão-mor e 
do governador; a expulsão dos inacianos, a formação de 
uma junta provisória de governo integrada por dois repre-
sentantes de cada categoria social (clero, latifundiários e 
povo); o envio de um emissário para Lisboa (To-
más Beckman) para informar oficialmente à Coroa sobre 
os acontecimentos, bem como solicitar providências no 
sentido de se eliminarem os motivos que geraram o movi-
mento. 
 
A Repressão. 
O governo português, informado da rebelião, tomou seve-
ras medidas repressivas. Tomás Beckman, imediatamente 
após desembarcar em Lisboa, foi preso e remetido para o 
Maranhão. Além disso, com a missão de debelar o levan-
te, o rei nomeou um novo governador, Gomes Freire de 
Andrade. Esse, instigado pelo filho adotivo de Manuel 
Beckman, deu início à prisão dos mentores da revolta. 
Manuel Beckman e Jorge Sampaio, apontados como os 
cabeças da sublevação, foram condenados à morte e en-
forcados. Outros participantes da Insurreição foram degre-
dados. Os representantes do Reino absolveram apenas os 
menos comprometidos. Terminava assim, de maneira 
trágica, o mais típico movimento nativista do Brasil-
Colônia. 
 
A Guerra dos Emboabas (1708). 
 
Como já vimos no fascículo em que estudamos a ―Expan-
são Territorial‖, coube aos paulistas a primazia no desco-
brimento de minerais preciosos nas Minas Gerais. Em 
1700, os paulistas, por intermédio de uma petição enviada 
ao governo português, reivindicaram a posse exclusiva 
das minas encontradas, alegando terem sido os pioneiros 
na conquista das referidas minas. Entretanto, os paulistas 
jamais veriam a concretização de suas pretensões. 
 
Numerosos forasteiros portugueses e baianos, na maioria, 
foram atraídos pela miragem do ouro. Em pouco tempo 
eles se estabeleceram nas Minas Gerais, disputando com 
os paulistas a obtenção de concessões auríferas. Além 
disso, dotados de habilidade comercial, muitos dos recém-
chegados montaram vendas e quitandas, monopolizando 
os gêneros mais procurados pelos habitantes da região 
mineradora: fumo, aguardente e carne. Logo começaram a 
ocorrer diversos incidentes, provocados pela animosidade 
reinante entre os paulista e os estrangeiros. A estes, os 
primeiros davam o irônico apelido de emboabas. O termo, 
que passou a significar ―inimigo‖ ou forasteiro, aparente-
mente deriva de ―mbuab‖, designação indígena para uma 
ave de perna emplumada. Por analogia, os paulistas cha-
mavam por esse nome os portugueses, que usavam botas 
e perneiras, enquanto os paulistas, mais pobres, andavam 
descalços. 
 
O estopim do conflito. 
 
Três incidentes, aparentemente sem importância, provoca-
ram a eclosão do conflito armado. O primeiro foi o assas-
sinato, cuja autoria se atribuiu a um paulista, de um embo-
aba casado com uma paulista a quem maltratava. O se-
 
 
 
 
 
 
25 
gundo, ocorrido na porta de uma igreja em Caeté, deu-se 
em virtude da acusação feita a um português de ter rou-
bado uma espingarda pertencente a Jerônimo Pedroso de 
Barros, membro de uma importante família paulista; o 
terceirofoi o linchamento de um influente paulista, José 
Pardo, que havia dado proteção ao assassino, também 
paulista, de um emboaba. Em função desses pequenos 
atritos, os paulistas preparam-se para a luta. Os emboa-
bas, temendo uma vingança paulista, proclamaram Manu-
el Nunes Viana, abastado contrabandista de gado na regi-
ão aurífera, governador de Minas Gerais. 
 
A traição emboaba. 
 
Após os primeiros combates, travados nas proximidades 
de Cachoeira do Campo e Sabará, os paulistas viram-se 
forçados a uma desastrosa retirada para as margens do 
rio das Mortes. Os emboabas, comandados por Bento do 
Amaral Coutinho, iniciaram uma campanha de embosca-
das. Cercados num matagal, trezentos paulistas rende-
ram-se mediante a promessa de que seriam poupa-
dos fisicamente após a entrega das armas. Entretanto, ao 
vê-los indefesos, o comandante emboaba ordenou 
a matança geral. O local deste episódio, que provocou 
viva indignação em São Paulo, passou a ser conhecido 
pelo nome de ―Capão da Traição‖. 
 
Decidido a pôr termo aos conflitos e matanças inúteis, 
partiu para as Minas Gerais o governador do Rio 
de Janeiro, D. Fernando Mascarenhas de Lencastre. Ime-
diatamente começaram os rumores de que o objetivo de 
D. Fernando era punir severamente os sublevados e que 
na comitiva o próprio governador levara as algemas para 
prendê-los. Por esse motivo, D. Fernando e seus acompa-
nhantes tiveram sua passagem barrada no Arraial de 
Congonhas pelos homens de Manuel Nunes Viana. Este, 
por meio de um emissário, revelou ao governador seu 
intento como ―ditador‖ das Minas Gerais. 
 
Somente em 1709, a Coroa portuguesa resolveu interferir 
diretamente na questão. D. Fernando de Lencastre foi 
substituído no cargo de governador do Rio de Janeiro por 
D. Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, descrito 
pelos seus contemporâneos como ―homem justo, inteligen-
te e fino diplomata‖. Esse, logo após assumir seu posto, 
recebeu do carmelita Frei Miguel Ribeiro informações de 
que os emboabas desejavam uma solução pacífica para o 
conflito. Imediatamente, o mandatário seguiu incógni-
to para as Minas Gerais. 
 
Fase final da Guerra dos Emboabas. 
 
Já havia várias dimensões nas hostes emboabas. Em 
Caeté, principal reduto das tropas forasteiras, 
o governador Antônio de Albuquerque encontrou oposição 
aberta à liderança de Manuel Nunes Viana. Aproveitando-
se da fragmentação do movimento Albuquerque intimou 
Viana a comparecer à sua presença. O chefe emboaba 
obedeceu, prestou-lhe submissão e retirou-se para a sua 
fazenda nas margens do Rio São Francisco. 
 
Os paulistas, porém, não tinham esquecido o massacre do 
Capão da Traição. Dispostos a vingar o vergonhoso even-
to, prepararam uma expedição militar composta por 1.300 
homens, chefiados por Amador Bueno da Veiga, para 
atacar e expulsar os emboabas. As tropas paulistas cerca-
ram o Arraial da Ponta do Morro, núcleo de fortificações 
emboabas. Lutou-se aí durante uma semana. Os coman-
dantes paulistas não conseguiram superar suas divergên-
cias referentes à condução das operações. Além disso, 
corriam insistentes rumores de que poderosos reforços 
emboabas, saídos de Ouro Preto, rumaram para o local. 
Atemorizados, os paulistas se retiraram. O recuo de su-
as tropas marcou o término da Guerra dos Emboabas. 
 
A pacificação. 
 
Com a finalidade de pacificar a região D. João V, por meio 
de uma carta Régia, datada de 09 de novembro de 1709, 
ordenou a criação da Capitania de São Paulo e Minas de 
Ouro. A nova divisão regional, separada da jurisdição do 
governo do Rio de Janeiro, teve, porém, pouca duração: 
em 1720, a Coroa criou a Capitania de Minas Gerais. Além 
disso, devolveram algumas lavras auríferas a seus antigos 
proprietários paulistas e fundaram, na região muitas vilas. 
 
Essas medidas, tomadas por Antônio de Albuquerque, 
governador da nova capitania, muito contribuíram para 
serenar os ânimos nas Minas Gerais. 
 
A Guerra dos Mascates (1710). 
 
A Guerra dos Mascates ocorreu devido às rivalidades exis-
tentes entre os comerciantes reinóis da cidade do Recife 
(pólo monopolizador) e a nobreza agrária pernambucana 
residente em Olinda (pólo produtor-consumidor colonial). A 
animosidade existente entre ambas as classes intensifi-
cou-se, porque a empobrecida aristocracia pernambucana, 
embora estivesse perdendo a liderança econômica da 
capitania, procurava manter a primazia política. 
 
A Câmara Municipal de Olinda, sob cuja jurisdição estava 
Recife, impedia sistematicamente que os comerciantes 
portugueses ricos, mas destituídos de nobreza, ocupas-
sem cargos administrativos de importância. Os mascates - 
nome pejorativo dado aos comerciantes do Recife - ansio-
sos por uma autonomia política e inconformados com a 
hegemonia de Olinda, solicitaram à Corte, por meio de 
um requerimento, a elevação do Recife à condição de vila. 
 
Em novembro de 1709, o governo de Lisboa, atendendo 
às reivindicações dos recifenses, determinou que o gover-
nador da Capitania, Sebastião de Castro Caldas, e o res-
pectivo ouvidor, José Inácio de Arouche, fixassem os limi-
tes do novo município. Logo começaram a surgir vários 
desentendimentos. O ouvidor José Inácio, que tinha notó-
ria simpatia por Olinda, indispôs-se com o governador 
favorável à posição dos mascates e transferiu seu cargo 
de ouvidor para o magistrado Luís de Valenzuela Ortiz. 
Enquanto isso, os mercadores do Recife, numa discreta 
cerimônia realizada na madrugada de 15 de fevereiro de 
1710, erigiram, na praça municipal da cidade, um pelouri-
nho, símbolo da autonomia do município. 
 
Outro fato agravaria ainda as já tensas relações entre 
recifenses e olindenses. A 17 de outubro, Sebastião de 
 
 
 
 
 
 
26 
Castro Caldas foi alvejado a tiros, saindo ferido. Imediata-
mente, o mandatário deu início à repressão: inúmeras 
prisões foram ordenadas. Em represália, os olindenses 
iniciaram os preparativos para a luta armada. Caldas, te-
mendo as consequências de uma eventual invasão do 
Recife, fugiu para a Bahia. Logo após a deserção do go-
vernador, os olindenses entraram sem resistência no Reci-
fe e demoliram o pelourinho. Fizeram-no na presença de 
doze mamelucos enfeitados de penas, como se estives-
sem manifestando publicamente seu nativismo. 
 
Com a vitória, os mais radicais, conduzidos por Bernardo 
Vieira de Melo, propuseram a independência 
de Pernambuco e a proclamação da República, nos mol-
des de Veneza. Os moderados opinavam que se deveria 
entregar o poder ao legítimo sucessor do governador fora-
gido, o bispo D. Manuel Álvares da Costa. Vitoriosa a se-
gunda tese, o prelado, ao assumir o governo pernambu-
cano, comprometeu-se a respeitar uma série de exigên-
cias dos olindenses, entre as quais se destacam: 
Reconhecimento da hegemonia de Olinda. 
Anistia para todos os implicados no levante. 
Anulação da medida que elevara Recife à categoria de 
vila. 
Abertura dos portos pernambucanos às embarcações 
estrangeiras. 
Limitações às cobranças de juros e dívidas por parte dos 
comerciantes do Recife. 
Inconformados com a vitória de Olinda, os mercadores 
recifenses deram início aos preparativos para uma revolta 
geral. Um incidente de pequena importância, ocorrido en-
tre soldados da guarnição de Vieira de Melo e do desta-
camento do Recife, serviu de pretexto para a retomada 
das hostilidades. Os recifenses, liderados por João da 
Mota, detiveram o bispo Álvares da Costa no Colégio dos 
Jesuítas, cercaram a moradia de Vieira de Melo e restau-
raram Sebastião Caldas, ainda refugiado na Bahia, no 
cargo de governador de Pernambuco. Este, entretanto, 
não conseguiu voltar à capitania; D. Lourenço de Almei-
da, governador -geral do Brasil, informado da agitação em 
Pernambuco, prendeu-o na fortaleza militar de Santo An-
tônio. 
 
O bispo Manuel Álvares da Costa, forçado pelos mascates 
a assinar uma proclamação às forças milita-
res pernambucanas, ordenando que respeitassem o ―go-
verno restaurado‖, fugiu de Olinda. Aí, alegando querer 
evitar um banho de sangue, passou o poder auma junta, 
por ele nomeada, de que faziam parte o ouvidor Valenzue-
la Ortiz, o coronel Domingos Bezerra Monteiro, o capitão 
Antônio Bezerra Cavalcanti, o procurador Estevão Soares 
de Aragão e o mestre de campo Cristóvão de Mendonça 
Arrais. 
 
Interessada em por fim as hostilidades, a Coroa nomeou 
um novo governador para a área. A 06 de outubro de 
1711, chegava ao Recife, trazendo o perdão real para 
todos os envolvidos no conflito, Félix José Machado de 
Mendonça Eça Castro e Vasconcelos. Com a chegada de 
novo mandatário, as duas facções depuseram as armas. 
 
Entretanto, o novo governador, que inicialmente se mos-
trava apartidário, aos poucos passou a favore-
cer ostensivamente os mascates. Alegando a existência 
de uma conspiração contra sua vida, ordenou a prisão de 
dezenove olindenses de prestígio. Em virtude da perse-
guição movida pelo governador, os líderes de Olinda, re-
fugiados no sertão, fundaram a ―Liga de Tracunhaém‖, 
com a finalidade de depor Félix José Machado. 
 
Finalmente, D. João V, em virtude das reclamações envia-
das a Lisboa pela Câmara de Olinda, restituiu a liberdade 
e os bens das vítimas do governador Félix José Machado. 
Recife, porém, manteve a condição de vila e capital de 
Pernambuco, depois de restaurados seu pelourinho e seus 
foros de município. Com a vitória dos comerciantes portu-
gueses, encerrou-se a Guerra dos Mascates. 
 
A Rebelião de Vila Rica (1720). 
 
A Rebelião de Vila Rica foi um dos inúmeros levantes pro-
vocados pelo rigoroso fiscalismo exercido pelos portugue-
ses durante o ―ciclo do ouro‖. Desde o início da exploração 
aurífera, a Real Fazenda vinha impondo sobre a minera-
ção uma série de pesados tributos. A 11 de fevereiro de 
1719, a Coroa instituiu um pesado imposto; o ―quintamen-
to‖ do ouro. 
 
Esse tributo obrigava cada minerador a dar à Coroa a 
quinta parte de toda a sua produção. Para melhor controle 
da cobrança do ―quinto‖, as autoridades reinóis proibiram, , 
em 1720, a circulação do ouro em pó. Ao mesmo tempo, 
estabeleceram-se as Casas de Fundição, onde, depois de 
deduzida a parte que cabia ao Real Erário, fundia-se o 
ouro em barras e marcavam-se estas com o selo Real. 
Somente o ouro quintado - o nome que dava ao metal 
após a fundição - podia ser negociado livremente. 
 
Temendo que a medida provocasse tumultos, o governador 
das Minas Gerais, D. Pedro de Almeida Portugal, Conde de 
Assumar, pediu o envio de um regimento da cavalaria à 
zona mineradora. Com a chegada dos soldados, os habi-
tantes de Pitangui, liderados por Domingos Rodrigues Pra-
do, realizaram várias manifestações. As tropas portuguesas 
prontamente reprimiram o levante. Ao descontentamen-
to causado pela nova legislação referente à cobrança do 
―quinto ― real, acrescentou-se a revolta da população diante 
da ação violenta dos dragões de cavalaria. 
 
Às 23 horas do dia 28 de junho de 1720, véspera da festa 
de São Pedro, um grupo de mascarados atacou a casa do 
ouvidor-mor de Vila Rica. Ao amanhecer, quando uma 
multidão se aglomerava no largo da Câmara, os chefes da 
revolta enviaram um memorial ao governador, redigido 
pelo letrado José Peixoto da Silva. Nesse documento exi-
giam-se: 
Redução de diversos impostos e das custas judiciais. 
Abolição dos ―estancos‖ (monopólios) da carne, aguarden-
te, fumo e sal. 
A suspensão da medida que determinava a obrigatorieda-
de da fundição do ouro. 
 
O Conde de Assumar, temendo que a revolta se alastras-
se, respondeu que ―concederia ao povo tudo que fosse 
justo, contanto que se restabelecesse a ordem‖. Os revol-
tosos, percebendo que o governador procurava ganhar 
 
 
 
 
 
 
27 
tempo, exigiram que o mesmo abandonasse Ribeirão do 
Carmo, onde se encontrava, e se dirigisse para Vila Rica. 
Diante da recusa de Assumar, na madrugada de 02 de 
junho, uma enorme multidão partiu a seu encontro. Ao 
chegar a Ribeirão do Carmo, a turba, após ocupar a praça 
fronteira ao palácio, foi recebida de maneira conciliadora. 
 
Novamente, o mesmo letrado Peixoto apresentou por es-
crito as reivindicações populares. A cada item 
do memorial, Assumar respondia, ―deferido como pedem‖. 
Quando Peixoto leu, de uma das janelas do paço, o alvará 
que garantia a concessão de tudo que se pedira, aclama-
ções entusiásticas se fizeram ouvir. Com a leitura do alva-
rá - que o conde não pretendia cumprir de forma alguma - 
, os habitantes de Vila Rica julgaram-se quase completa-
mente livres das prerrogativas, regalias e interferências da 
Coroa portuguesa. 
 
Pacificada, a multidão regressou triunfante a Vila Rica. 
 
O Conde de Assumar aproveitou-se do arrefecimento dos 
ânimos do povo, ludibriado pelas ―conces-
sões‖ governamentais, para debelar o levante. Inicialmen-
te, ordenou a prisão de líderes. Antes que se pudes-
se organizar uma reação em Vila Rica, foram detidos Ma-
nuel Mosqueira da Rosa, Sebastião da Veiga Ca-
bral, Pascoal Guimarães de Filipe dos Santos. Este último, 
minerador pobre e brilhante orador, defendera posições 
radicais, projetando-se como líder popular do movimento. 
 
Na manhã de 16 de julho de 1720, o governador, à frente 
de 1.500 homens armados, entrou vitoriosamente em Vila 
Rica. Imediatamente, a pretexto de vingança, mandou 
incendiar as casas dos revoltosos. O fogo consumiu ruas 
inteiras no Arraial situado no, hoje chamado, Morro das 
Queimadas em Ouro Preto. No mesmo dia, Filipe dos San-
tos, humilde e desprovido de amigos influentes, foi enfor-
cado e esquartejado. 
 
Revoltas emancipacionistas. 
 
 
 
Inconfidência Mineira. 
A Inconfidência Mineira, também chamada de Conjuração 
Mineira, foi a conspiração de uma pequena elite de Vila 
Rica - atual Ouro Preto (MG) -, ocorrida em 1789, contra o 
domínio português. Desse grupo, fizeram parte intelectu-
ais, religiosos, militares e fazendeiros, dentre os quais 
estava o alferes Joaquim José da Silva Xavier, sempre 
lembrado como principal líder do movimento. 
 
O motivo principal da Inconfidência foi a questão da der-
rama. Tratava-se de uma operação fiscal realizada pela 
Coroa portuguesa para cobrar os impostos atrasados. O 
chamado quinto, como o próprio nome já indica, corres-
pondia à cobrança de 20% (1/5) sobre a quantidade de 
ouro extraído anualmente. Quando o quinto não era pago, 
os valores atrasados iam se acumulando. Então, a Metró-
pole podia lançar mão da "derrama" para cobrar esses 
impostos, utilizando-se até mesmo do confisco dos bens 
dos devedores. 
 
Todos os líderes da Inconfidência estavam endividados 
com o Real Erário Português, motivo pelo qual, segundo 
especialistas, teriam sido motivados a se envolver na re-
volta contra a Metrópole. Emblemático, nesse sentido, foi 
o fato de a eclosão do movimento ter sido agendada jus-
tamente para o dia em que se esperava que o governador 
da Capitania de Minas Gerais, visconde de Barbacena, 
ordenasse a cobrança da derrama. Esperavam, com isso, 
ganhar o apoio da população à sua luta anticolonial. 
Ideias republicanas 
 
Em geral, a Inconfidência Mineira sempre é apresentada 
como um movimento que, combatendo o domínio portu-
guês e inspirada nas experiências revolucionárias da 
França e dos Estados Unidos, defendia a transformação 
do Brasil numa república. Não raro, associada a essa 
ideia, está a questão da igualdade social - o que seria uma 
influência direta dos exemplos das revoluções francesa e 
norte-americana. Embora os inconfidentes falassem de 
república, é preciso ter em vista que o significado do termo 
naquele momento estava associado à sua viabilidade num 
pequeno território, como Minas Gerais, por exemplo - ou, 
quando muito, incluindo o Rio de Janeiro e São Paulo. 
 
A ideia segundo a qual um movimento surgido em Vila 
Rica propunha a transformação do Brasil numa república é 
problemática, até mesmo quando pensamos sob o prisma 
da nacionalidade. 
 
A proposta de criação de vários parlamentos - tida por 
alguns como prova incontestável de que se tratava de uma 
revolução republicana nacional - também pode ser questi-
onada pela evidência de que otermo "parlamento", tal 
como "república", não tinha o mesmo significado que hoje. 
Isto é, não remetia à ideia das nossas atuais assembleias 
estaduais (o que poderia sugerir que a Inconfidência pro-
punha parlamentos em diferentes regiões da república 
nacional que supostamente defendia), mas, sim, à das 
câmaras municipais. Quando falavam de república, portan-
to, referiam-se basicamente a Minas. 
 
De outro lado, muito se fala da grande recepção que a 
conhecida obra de Montesquieu sobre revolução norte-
americana teria tido entre os inconfidentes. Alguns, inclu-
sive, possuíam o livro entre as obras de sua biblioteca 
particular. Mas, ao que tudo indica, o exemplo revolucioná-
rio dos Estados Unidos foi tomado em sua dimensão anti-
colonial, e não igualitarista. Vários líderes inconfidentes 
eram donos de escravos. E se a república fazia parte de 
suas propostas, o abolicionismo não. 
 
http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u137.jhtm
http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u639.jhtm
 
 
 
 
 
 
28 
Tiradentes, o mártir. 
 
Tão controversa quanto o ideal republicano é a transfor-
mação de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, em 
mártir da Inconfidência Mineira. 
 
É versão comum na historiografia a ideia segundo a qual 
Tiradentes teria sido o principal líder do movimento, o que 
explicaria a decisão da rainha de Portugal, d. Maria 1ª, de 
manter a pena de morte para Joaquim José da Silva Xavi-
er ao invés de alterá-la, como fez em relação aos demais, 
para o banimento nas colônias portuguesas na África. 
 
De fato, Tiradentes foi o único dentre os inconfidentes a 
assumir a participação na conspiração. Ato de coragem, 
sem dúvida, isso acabou encobrindo vários aspectos im-
portantes, que afastam Joaquim José da Silva Xavier da 
figura de mártir construída no século 19, a partir da recu-
peração de seu exemplo pelos que defendiam a procla-
mação da República. 
 
Há fortes indícios de que Tiradentes não ocupava senão 
um lugar marginal, secundário, nas articulações do movi-
mento. Não era, portanto, seu principal líder, o cabeça do 
grupo. 
 
O inventário de seu patrimônio também revela que Tira-
dentes possuía vestuário e mobílias semelhantes aos utili-
zados pela aristocracia da época. Sabendo-se que isso 
era fator importante de distinção social, trata-se de mais 
um indício que aponta para o fato de que a Inconfidência 
Mineira, apesar de seu caráter anticolonial, visava constru-
ir um Estado independente, que garantisse o controle do 
espaço político e social aos grupos sociais representados 
em sua liderança. 
 
 
Resquícios de um mártir. 
Mais de duzentos anos após a morte de Tiradentes, o 
paradeiro de sua ossada permanece um mistério. Ou 
não: cidade no interior do Rio de Janeiro diz possuir 
parte dos ossos do Inconfidente morto pela Coroa 
portuguesa. 
 
Alice Melo 
 
Portanto condenam o réu Joaquim José da Silva Xavier, 
por alcunha o Tiradentes, alferes que foi da tropa paga da 
capitania de Minas, a que com baraço e pregão seja con-
duzido pelas ruas públicas ao lugar da forca, e nela morra 
morte natural para sempre, e que depois de morto lhe seja 
cortada a cabeça e levada a Vila Rica, aonde em o lugar 
mais público dela será pregada em um poste alto até que 
o tempo a consuma; o seu corpo será dividido em quatro 
quartos e pregados em postes pelo caminho de Minas, no 
sítio da Varginha e de Sebollas, aonde o réu teve as suas 
infames práticas, e os mais nos sítios de maiores povoa-
ções, até que o tempo também os consuma– Autos-crime, 
18 de abril de 1792. 
 
A sentença que condenou Tiradentes à morte não deu 
margem para dúvida: após ser enforcado em local público, 
o réu deveria ser esquartejado e ter seus restos exibidos 
em diferentes localidades até que apodrecessem. O casti-
go era comum à época e tinha a intenção de servir de 
exemplo a outros possíveis revoltosos na Colônia, princi-
palmente em tempos de extração de ouro das Minas. O 
documento jurídico de 18 de abril – hoje em posse do Ar-
quivo Nacional – é o único registro capaz de apontar para 
onde teriam ido as partes do corpo do inconfidente. Mas, 
após o consumo de sua carne pelo tempo, que fim teriam 
levado os despojos do mártir? 
No interior do Rio de Janeiro, cercada por bambuzais e 
construída ao redor de uma estrada ainda de pedra, a vila 
de Sebollas exibe num pequeno museu alguns ossos atri-
buídos a Tiradentes. Segundo Regina Vaz, presidente da 
Fundação de Cultura de Paraíba do Sul, os supostos os-
sos do inconfidente foram encontrados na década de 
1970, após uma escavação realizada pela população num 
antigo cemitério da Igreja Sant‘anna. As pistas teriam sido 
dadas por um documento paroquial que registrou o enterro 
em solo sagrado e pela tradição oral local. 
 
―Os ossos são atribuídos a ele, não podemos provar, as 
escavações foram feitas pelas pessoas da região, incenti-
vadas pelo que ouviram de seus pais e avós e deste do-
cumento da Matriz‖, conta Regina. De fato, Sebollas rece-
beu, em 1792, um quarto do corpo de Tiradentes – um 
quinto, se contar a cabeça – como mandava a sentença; e 
isso, de acordo com Regina, já é o suficiente para dar ao 
vilarejo situado na antiga Estrada Real uma importância 
histórica nacional. ―Tiradentes passava temporadas na 
região, tem um passado que se mistura ao passado do 
lugar – isso foi muito importante para a História do Brasil‖. 
 
Há controvérsias. 
 
O historiador André Figueiredo Rodrigues, autor de O cle-
ro e a Conjuração Mineira (2002), por exemplo, é cético 
quanto à procedência das ossadas e diz que outros aspec-
tos da morte de Tiradentes têm mais necessidades de 
serem estudados do que possíveis destinos de seus os-
sos: ―Acho que essa polêmica tem uma importância mais 
local, na história da Inconfidência, Sebollas não foi muito 
representativa‖. 
 
André conta não acreditar que os ossos sejam do inconfi-
dente, acrescentando que Tiradentes dificilmente teria sido 
enterrado em solo sagrado, como diz a lenda: diferente de 
hoje, o mártir não era uma famoso na época, além de ter 
sido considerado criminoso pela Coroa. ―Réus não podiam 
ter morte social, com enterro em solo santo. Além disso, 
as pessoas tinham muito medo do governo, não gostavam 
de contrariá-lo e pagar um preço alto... É muito complica-
do pensar em enterro no século XVIII, era tudo muito pre-
cário... Para se ter uma ideia, a cova não era feita nem a 
sete palmos da superfície do solo! Era bem menos, não 
havia catalogação de nada e restos mortais de desconhe-
cidos ou sentenciados eram mais ou menos jogados em 
uma vala‖. 
 
Ainda assim, o mistério motiva a peregrinação de curiosos 
em busca de resquícios do ou único executado da Inconfi-
dência para a região próxima à Petrópolis, o que movi-
menta a economia local: no mês de abril, o município pro-
move uma série de festejos para relembrar o martírio do 
 
 
 
 
 
 
29 
herói e várias pessoas são mobilizadas para trabalhar nas 
comemorações. Verdade ou mentira, os ossos ainda da-
rão muito no que falar. Foi de uma denúncia feita ao vis-
conde de Barbacena, governador de Minas Gerais em 
1789, que veio à tona a Inconfidência Mineira, um movi-
mento de contestação ao governo que administrava a 
capitania. A acusação, feita pelo coronel Joaquim Silvério 
dos Reis, dizia que alguns indivíduos pretendiam organizar 
um motim contra a derrama – uma cobrança sobre cada 
cidadão da região para completar a quantia mínima de 
cem arrobas anuais de ouro. Naquele ano, Minas devia 
aos cofres públicos cerca de 538 arrobas, ou o equivalente 
a quase oito toneladas de ouro. 
 
Os revoltosos contavam com o temor da cobrança do 
quinto atrasado para obter apoio popular. Os sediciosos 
alimentavam o desejo de se ver livres das cobranças dos 
tributos e impostos feitas por Portugal, o que lhes garanti-
ria liberdade comercial. Outro motivo de revolta era o ódio 
generalizado aos apadrinhados – pessoas que vinham 
para Minas Gerais, sob a proteção do governador, para 
administrar cargos públicos – que seaproveitavam de sua 
posição para se apossar de terras e rendas dos mineiros. 
Para diminuir o prejuízo e preservar suas riquezas, os 
principais fazendeiros, exploradores de ouro e diamantes, 
criadores de gado, militares, contratadores, magistrados e 
eclesiásticos resolveram aderir ao movimento. Os inconfi-
dentes, como o poeta Cláudio Manuel da Costa, o ouvidor 
Tomás Antônio Gonzaga e o ouvidor e proprietário de 
terras Inácio José de Alvarenga Peixoto, eram quase to-
dos escravistas e constituíam a elite letrada da época. O 
processo instaurado também condenou cinco religiosos: o 
cônego Luís Vieira da Silva, proprietário de uma das me-
lhores bibliotecas do Brasil, e os padres Carlos Correia de 
Toledo, José Lopes de Oliveira, Manuel Rodrigues da 
Costa e José da Silva e Oliveira Rolim. Ainda foram consi-
derados culpados o tenente-coronel Francisco de Paula 
Freire de Andrada, comandante do Regimento de Cavala-
ria e a mais alta patente envolvida na Inconfidência, o 
sargento-mor Luís Vaz de Toledo Piza, o comerciante e 
contratador Domingos de Abreu Vieira, o cirurgião Salva-
dor Carvalho do Amaral Gurgel, os doutores Domingos 
Vidal de Barbosa Lage e José Álvares Maciel e os latifun-
diários José Aires Gomes e Francisco Antônio de Oliveira 
Lopes, entre outros. 
 
Onze pessoas foram condenadas à morte, mas dez tive-
ram a pena modificada e foram degredados para a África – 
os réus religiosos ficaram presos em Lisboa. O alferes 
Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, considerado 
líder do movimento, foi enforcado, e teve a cabeça dece-
pada e o corpo esquartejado no Rio de Janeiro, em 21 de 
abril de 1792. 
 
Conjuração Baiana. 
 
Em agosto de 1798 começam a aparecer nas portas de 
igrejas e casas da Bahia, panfletos que pregavam um 
levante geral e a instalação de um governo democrático, 
livre e independente do poder metropolitano. Os mesmos 
ideais de república, liberdade e igualdade que estiveram 
presentes na Inconfidência Mineira, agitavam agora a Ba-
hia. As inflamadas discussões na "Academia dos Renasci-
dos" resultarão na Conjuração Baiana em 1789. Esse mo-
vimento, também chamado de Revolta dos Alfaiates foi 
uma conspiração de caráter emancipacionista, articulada 
por pequenos comerciantes e artesãos, destacando-se os 
alfaiates, além de soldados, religiosos, intelectuais, e seto-
res populares. 
Se a singularidade da Inconfidência de Tiradentes está em 
seu sentido pioneiro, já que apesar de todos seus limites, 
foi o primeiro movimento social de caráter republicano em 
nossa história, a Conjuração Baiana, mais ampla em sua 
composição social, apresenta o componente popular que 
irá direciona-la para uma proposta também mais ampla, 
incluindo a abolição da escravatura. Eis aí a singularidade 
da Conjuração Baiana, que também é pioneira, por apre-
sentar pela primeira vez em nossa história elementos das 
camadas populares articulados para conquista de uma 
república abolicionista. 
 
Antecedentes. 
 
A segunda metade do século XVIII é marcada por profun-
das transformações na história, que assinalam a crise do 
Antigo Regime europeu e de seu desdobramento na Amé-
rica, o Antigo Sistema Colonial. 
No Brasil, os princípios iluministas e a independência dos 
Estados Unidos, já tinham influenciado a Inconfidência 
Mineira em 1789. Os ideais de liberdade e igualdade se 
contrastavam com a precária condição de vida do povo, 
sendo que, a elevada carga tributária e a escassez de 
alimentos, tornavam ainda mais grave o quadro sócio-
econômico do Brasil. Este contexto será responsável por 
uma série de motins e ações extremadas dos setores mais 
pobres da população baiana, que em 1797 promoveu vá-
rios saques em estabelecimentos comerciais portugueses 
de Salvador. 
 
Nessa conjuntura de crise, foi fundada em Salvador a 
"Academia dos Renascidos", uma associação literária que 
discutia os ideais do iluminismo e os problemas sociais 
que afetavam a população. Essa associação tinha sido 
criada pela loja maçônica "Cavaleiros da Luz", da qual 
participavam nomes ilustres da região, como o doutor Ci-
priano Barata e o professor Francisco Muniz Barreto, entre 
outro. A conspiração para o movimento, surgiu com as 
discussões promovidas pela Academia dos Renascidos e 
contou com a participação de pequenos comerciantes, 
soldados, artesãos, alfaiates, negros libertos e mulatos, 
caracterizando-se assim, como um dos primeiros movi-
mentos populares da História do Brasil. 
 
A participação popular e o objetivo de emancipar a colônia 
e abolir a escravidão, marcam uma diferença qualitativa 
desse movimento em relação à Inconfidência Mineira, que 
marcada por uma composição social mais elitista, não se 
posicionou formalmente em relação ao escravismo. 
 
 
A conjuração. 
 
Entre as lideranças do movimento, destacaram-se os al-
faiates João de Deus do Nascimento e Manuel Faustino 
dos Santos Lira (este com apenas 18 anos de idade), além 
dos soldados Lucas Dantas e Luiz Gonzaga das Virgens, 
 
 
 
 
 
 
30 
todos mulatos. Um outro destaque desse movimento foi a 
participação de mulheres negras, como as forras Ana Ro-
mana e Domingas Maria do Nascimento. 
 
As ruas de Salvador foram tomadas pelos revolucionários 
Luiz Gonzaga das Virgens e Lucas Dantas que iniciaram a 
panfletagem como forma de obter mais apoio popular e 
incitar à rebelião. Os panfletos difundiam pequenos textos 
e palavras de ordem, com base naquilo que as autorida-
des coloniais chamavam de "abomináveis princípios fran-
ceses". 
 
A Revolta dos Alfaiates foi fortemente influenciada pela 
fase popular da Revolução Francesa, quando os jacobinos 
liderados por Robespierre conseguiram, apesar da ditadu-
ra política, importantes avanços sociais em benefício das 
camadas populares, como o sufrágio universal, ensino 
gratuito e abolição da escravidão nas colônias francesas. 
 
Essas conquistas, principalmente essa última influencia-
ram outros movimentos de independência na América 
Latina, destacando-se a luta por uma República abolicio-
nista no Haiti e em São Domingos, acompanhada de liber-
dade no comércio, do fim dos privilégios políticos e soci-
ais, da punição aos membros do clero contrários à liber-
dade e do aumento do soldo dos militares. 
 
A violenta repressão metropolitana conseguiu deter o mo-
vimento, que apenas iniciava-se, detendo e torturando os 
primeiros suspeitos. Governava a Bahia nessa época 
(1788-1801) D. Fernando José de Portugal e Castro, que 
encarregou o coronel Alexandre Teotônio de Souza de 
surpreender os revoltosos. Com as delações, os principais 
líderes foram presos e o movimento, que não chegou a se 
concretizar, foi totalmente desarticulado. 
Após o processo de julgamento, os mais pobres como 
Manuel Faustino dos Santos Lira e João de Deus do Nas-
cimento e os mulatos Luiz Gonzaga das Virgens e Lucas 
Dantas foram condenados à morte por enforcamento, 
sendo executados no Largo da Piedade a 8 de novembro 
de 1799. Outros, como Cipriano Barata, o tenente Hernó-
genes de Aguilar e o professor Francisco Moniz foram 
absolvidos. Os pobres Inácio da Silva Pimentel, Romão 
Pinheiro, José Félix, Inácio Pires, Manuel José e Luiz de 
França Pires, foram acusados de envolvimento "grave", 
recebendo pena de prisão perpétua ou degredo na África. 
Já os elementos pertencentes à loja maçônica "Cavaleiros 
da Luz" foram absolvidos deixando clara que a pena pela 
condenação, correspondia à condição sócio-econômica e 
à origem racial dos condenados. A extrema dureza na 
condenação aos mais pobres, que eram negros e mulatos, 
é atribuída ao temor de que se repetissem no Brasil as 
rebeliões de negros e mulatos que, na mesma época, 
atingiam as Antilhas. 
 
A vinda da família Real para o Brasil. 
 
Nos primeiros anos do século XIX grande parte da Europa 
estava sob o domínio de Napoleão Bonaparte, que se 
tornara imperador francês, em 1804. O único obstáculo à 
consolidação de seu Império na Europa era a Inglaterra, 
que, favorecida por sua posição insular, por seu poderio 
econômico e por sua supremacianaval, não conseguiria 
conquistar. Para tentar dominá-la, Napoleão usou a estra-
tégia do Bloqueio Continental, ou seja, decretou o fecha-
mento dos portos de todos os países europeus ao comér-
cio inglês. Pretendia, dessa forma, enfraquecer a econo-
mia inglesa, que monopolizava o mercado consumidor 
europeu com seus produtos manufaturados. Com essa 
medida, Napoleão buscava garantir mercados consumido-
res para as manufaturas francesas. 
 
O decreto, datado de 21 de novembro de 1806, dependia, 
para sua real eficácia, de que todos os países da Europa 
aderissem à idéia e, para tanto, era crucial a adesão dos 
portos localizados nos extremos do Continente, ou seja, os 
do Império russo e os da Península Ibérica, especialmente 
os de Portugal. O Acordo de Tilsit, firmado com o tzar Ale-
xandre I da Rússia, em julho de 1807, garantiu a Napoleão 
o fechamento do extremo leste da Europa. Faltava agora o 
fechamento a oeste, quer dizer, os portos das cidades de 
Lisboa e do Porto, fosse por meio de acordo ou de ocupa-
ção militar. 
Um grande problema para os planos expansionistas de 
Napoleão era a posição dúbia do Governo de Portugal, 
que relutava em aderir ao Bloqueio Continental devido à 
sua aliança com a Inglaterra, da qual era extremamente 
dependente. O príncipe D. João, que assumira a regência 
em 1792, devido ao enlouquecimento de sua mãe, a rai-
nha D. Maria I, estava indeciso quanto à alternativa menos 
danosa para a Monarquia portuguesa. 
Sendo um reino decadente, cuja grande riqueza eram as 
suas colônias, especialmente o Brasil, Portugal não tinha 
como enfrentar Napoleão. Permanecer na Europa signifi-
cava, portanto, ficar sob a esfera de dominação francesa. 
A alternativa que sua aliada, a Inglaterra, lhe apontava 
como a melhor era a transferência da Corte portuguesa 
para o Brasil, que passaria a ser a sede do reino. Essa 
alternativa contava com o apoio de uma parte da nobreza 
portuguesa, sendo, também, bastante atraente para os 
interesses ingleses. 
 
O sentimento de inferioridade de Portugal em relação às 
demais potências europeias é apontado pelo historiador 
Sérgio Buarque de Holanda como um forte motivador para 
o desejo da instalação da Corte no Brasil, quando diz que 
"...o luxo da Corte não apaga no reino a consciência da 
inferioridade dentro de velho continente. Portugal está 
cansado de ser pequeno, e, reatando a antiga vocação 
transmarina pela voz de alguns expoentes, toma a consci-
ência de que pode ser muito grande...". 
Muitos dos letrados do reino reconheciam que a importân-
cia de Portugal no cenário internacional devia-se à sua 
rica Colônia americana, e a viam como sua tábua de sal-
vação. Para os que defendiam essa ideia, o ideal seria a 
implantação, no Brasil, de um Império luso-americano. 
Assim, tendo em vista a difícil situação em que se encon-
trava o Governo português, imprensado entre 
os interesses ingleses e franceses, era natural que essa 
possibilidade fosse lembrada como a melhor das soluções. 
Dessa forma, a expansão napoleônica na Europa e a 
ameaça de invasão de Portugal por suas tropas serviram 
de elemento desencadeador de uma idéia há muito elabo-
rada. 
 
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/enraizamento.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/interesses_ingleses.html
 
 
 
 
 
 
31 
Os interesses ingleses. 
 
Para os ingleses a vinda da Corte para a Colônia era mui-
to importante, pois, por meio de acordos diplomáticos, 
poderiam conseguir inúmeras vantagens para os seus 
negócios. Esse comércio serviria de compensação para os 
prejuízos econômicos causados pelo Bloqueio Continental. 
Outro fator de interesse dos ingleses na questão dizia 
respeito à possibilidade de utilização dos portos brasileiros 
para fazer chegar suas mercadorias à região do rio 
da Prata, bem como facilitar sua estratégia de penetração 
militar na América espanhola. 
 
A insistência do embaixador inglês em Portugal, Lord 
Strangford, em convencer o príncipe-regente a deixar logo 
Lisboa relaciona-se ao temor de que a esquadra portu-
guesa, concentrada no rio Tejo, caísse em poder das for-
ças napoleônicas. Não interessava aos ingleses que o 
imperador francês tirasse algum proveito do reino e de 
suas colônias. Com a situação ficando cada vez mais ten-
sa, após um segundo ultimato francês, a Coroa portugue-
sa se viu forçada a assinar uma Convenção secreta com a 
Inglaterra, em 22 de outubro de 1807, pela qual os dois 
países acertavam os termos de uma cooperação caso 
Portugal fosse obrigado a se voltar contra a Inglaterra, 
para evitar a guerra. 
 
A Convenção secreta, assinada em Londres por represen-
tantes dos dois países, detalhava as várias medidas pas-
síveis de ser tomadas por Portugal na questão, e previa as 
ações necessárias à sua proteção, a cargo da Inglaterra, 
em qualquer caso. A posse da Colônia americana, de cuja 
riqueza dependia a Metrópole, era a preocupação máxima 
tanto da Coroa portuguesa, como da Inglaterra, que a via 
como grande fonte de lucros. O documento dispunha, 
também, sobre a transferência temporária da sede da 
Monarquia portuguesa para a Colônia, no caso de Portu-
gal ser invadido. Enfatizava ainda a recomendação do 
príncipe-regente para que nenhuma assistência fosse 
prestada a qualquer oficial francês, nem no Brasil, nem na 
ilha da Madeira. Esse acordo foi elaborado pelos ingleses, 
por meio do Lord Strangford, que buscava, dessa maneira, 
tornar o Governo português ainda mais dependente e, 
com isso, obter o maior número de concessões possíveis 
 
O embarque e a viagem. 
 
A hesitação de D. João em cumprir as determinações de 
Napoleão fez com que se visse com o Exército francês 
praticamente às suas costas. Sem saída, embarcou para o 
Brasil com toda a família real e a Corte, cerca de 10 mil 
pessoas da aristocracia, além de trazer todo o Tesouro 
português. Este embarque, realizado às pressas, como 
uma fuga, apenas um dia antes de as tropas napoleônicas 
ocuparem Lisboa, tirou a grandeza da idéia da transferên-
cia da Corte. 
Alguns historiadores, como Oliveira Lima, consideram que 
a vinda da Corte para as terras americanas foi uma inteli-
gente e feliz manobra política. Para ele, agindo assim, D. 
João "escapava, de todas as humilhações sofridas por 
seus parentes castelhanos e mantinha-se na plenitude dos 
seus direitos, pretensões e esperanças. Era como que 
uma ameaça viva e constante à manutenção da integrida-
de do sistema napoleônico. (...)." Entretanto, há aqueles 
que a vêem como uma deserção covarde, não percebendo 
nela qualquer resquício de estratégia política. 
O embarque de milhares de pessoas e seus pertences, 
em um dia bastante chuvoso, foi extremamente confuso, 
visto D. João ter se decidido em cima da hora. Todo um 
aparelho burocrático vinha para a Colônia: ministros, con-
selheiros, juizes da Corte Suprema, funcionários do Te-
souro, patentes do Exército e da Marinha e membros do 
alto Clero. Baús com roupas, malas, sacos e engradados 
seguiam junto com as riquezas da Corte. Obras de arte, 
objetos dos museus, a Biblioteca Real com mais de 60 mil 
livros, todo o dinheiro do Tesouro português e as jóias da 
Coroa iam sendo colocados nos porões dos navios, bem 
como cavalos, bois, vacas, porcos e galinhas e mais toda 
a sorte de alimentos. Na manhã do dia 29 de novembro a 
esquadra portuguesa finalmente partiu do porto de Lisboa 
com destino ao Rio de Janeiro. 
A população de Lisboa assistia atônita a toda essa movi-
mentação. Não podia acreditar que estivesse sendo aban-
donada pelo príncipe-regente e demais autoridades, le-
vando tudo o que estivesse à mão, deixando-a totalmente 
desamparada para enfrentar o Exército de Napoleão. Lis-
boa estava um caos. Junot e sua tropa, apesar de bastan-
te desfalcada, não tiveram problema para dominar a cida-
de, cuja população estava atordoada com o que conside-
ravam uma fuga vergonhosa. 
Mais tarde, no Rio de Janeiro, na nova sede do Reino, 
essa situação seria assim traduzida em versos populares: 
 
"É chegado a PortugalO tempo de padecer, Se te oprime 
a cruel França Sorte melhor hás de ter". 
 
"Quem oprime os portugueses, Quem os rouba sem ter 
dó? É esta tropa francesa De quem é chefe Junot". 
 
A viagem foi difícil. Com os navios superlotados não havia 
espaço para todos se acomodarem. Muitos viajaram com 
a roupa do corpo, pois nem tudo pôde ser embarcado, já 
que a capacidade dos navios há muito havia sido supera-
da. A água e os alimentos foram racionados. A higiene era 
de tal forma precária, que houve um surto de piolho nos 
navios, obrigando as mulheres a rasparem a cabeça, entre 
elas a princesa Carlota Joaquina e as demais damas da 
família real e da Corte. Para complicar a situação, quando 
a esquadra portuguesa estava próxima à ilha da Madeira, 
uma forte tempestade a dividiu, sendo que metade das 
embarcações, inclusive a que levava o príncipe-regente, 
foi parar no litoral da Bahia. Preocupado em evitar maiores 
problemas, D. João ordenou que todos parassem no porto 
mais próximo antes de seguir viagem para o Rio de Janei-
ro. A esquadra portuguesa, com o príncipe-regente, apor-
tou assim, em Salvador, em 22 de janeiro de 1808, após 
54 dias de viagem. 
 
A Penetração Britânica no Brasil 
 
Breve histórico – Desde a sua formação, Portugal esteve 
sob permanente ameaça de anexação por parte da Espa-
nha, finalmente concretizada com a União Ibérica em 
1580. A consequência imediata dessa união foi, como 
vimos, a ocupação holandesa a partir de 1630. 
Motivado por tais experiências, Portugal adotou sempre 
uma cautelosa política de neutralidade e buscou apoio, 
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/bloqueio_continental.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/tema71.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/vida_corte.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/corte_rj.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/vinda.html
 
 
 
 
 
 
32 
quando necessário, na Inglaterra. Logo após a Restaura-
ção (1640), Portugal foi obrigado a fazer concessões co-
merciais aos ingleses em troca de apoio contra a Espanha 
e a Holanda. Os tratados de 1641, 1654 e 1661, com a 
Inglaterra, foram produtos dessa concessão que, afinal, 
acabou resultando na crescente dependência de Portugal. 
Através desses tratados foi aberto à burguesia inglesa o 
mercado colonial português, na condição de nação mais 
favorecida. 
 
O mais importante tratado, pelo seu caráter lesivo a Portu-
gal, foi o de Methuen, assinado em 1703, em pleno início 
da mineração no Brasil. O tratado possuía apenas dois 
artigos: 
Artigo 1°. Sua Sagrada Majestade El Rei de Portugal pro-
mete, tanto em seu próprio Nome, como no de Seus Su-
cessores, admitir para sempre de aqui em diante, no Rei-
no de Portugal, os panos de lã e mais fábricas de lanifício 
de Inglaterra, como era costume até o tempo em que fo-
ram proibidas pelas leis, não obstante qualquer condição 
em contrário. 
Artigo 2º. - E estipulado que Sua Sagrada e Real Majes-
tade Britânica, em Seu Próprio Nome, e no de Seus Su-
cessores, será obrigada para sempre, de aqui em diante, 
de admitir na Grã Bretanha os vinhos do produto de Por-
tugal, de sorte que em tempo algum (haja paz ou guerra 
entre os Reinos de Inglaterra e de França) não se poderá 
exigir direitos de Alfândega nestes vinhos, ou debaixo de 
qualquer outro título direta ou indiretamente, ou sejam 
transportados para Inglaterra em pipas, tonéis ou qualquer 
outra vasilha que seja, mais que o que se costuma pedir 
para igual quantidade ou medida de vinho de França, di-
minuindo ou abatendo terça parte do direito de costume. 
 
O Tratado de Methuen estipulou, em síntese, a compra do 
vinho português em troca de tecidos ingleses. Esse acordo 
bastante simples foi, entretanto, altamente nocivo para 
Portugal porque, em primeiro lugar, importava-se mais 
tecido do que se exportava vinho, tanto em termos de 
quantidade como em valor; em segundo, as manufaturas 
portuguesas foram eliminadas pela concorrência inglesa. 
Por último, dado o desequilíbrio do comércio com a Ingla-
terra, a diferença foi paga pelo ouro brasileiro. Desse mo-
do, o Tratado de Methuen abriu um importante canal para 
a transferência da riqueza produzida no Brasil para a In-
glaterra, razão por que D. João finalmente se submeteu às 
exigências inglesas e se transferiu para o Brasil. Em 1810, 
quando a Corte já se encontrava no Rio de Janeiro, a In-
glaterra fez D. João assinar três tratados que a favorecia. 
Um deles era o de Amizade e Aliança o outro de Comércio 
e Navegação e um último que veio regulamentar as rela-
ções postais entre os dois reinos. 
 
Do conjunto dos dispositivos, destacavam-se alguns arti-
gos que feriam frontalmente os interesses econômicos de 
Portugal e do Brasil, além da humilhação política que ou-
tros itens impuseram à soberania lusitana. 
Em um artigo do segundo tratado, por exemplo, a Inglater-
ra exigiu o direito de extraterritorialidade. Isso significava 
que os súditos ingleses radicados em domínios portugue-
ses não se submeteriam às leis portuguesas. Assim; es-
ses súditos elegeriam seus próprios juízes, que os julgari-
am segundo as leis inglesas. 
 
E os portugueses residentes em domínios britânicos gozari-
am dos mesmos direitos? Não. O príncipe regente aceitou, 
resignadamente, a "reconhecida equidade da jurisprudência 
britânica" e a "singular excelência da sua Constituição‖. 
Inversamente, pode-se dizer que a Inglaterra não reconhe-
ceu nenhuma equidade na jurisprudência lusitana... 
 
Outro aspecto escandaloso dos tratados foi o direito asse-
gurado à Inglaterra de colocar suas mercadorias no Brasil 
mediante a taxa de 15% ad valorem *, enquanto os produ-
tos portugueses pagavam 16%, isto é, 1 % a mais que os 
ingleses! Os demais países estavam submetidos à taxa-
ção de 24% em nossas alfândegas. 
 
Em síntese: A extrema brutalidade dos tratados impostos 
pela Inglaterra não foi obra do acaso. Ela se explica pela 
pesada pressão econômica que o bloqueio napoleônico 
exerceu sobre a Inglaterra. De fato, as guerras napoleôni-
cas, e suas consequências para a economia inglesa, tor-
naram premente a necessidade de abrir novos mercados, 
sob pena de a Inglaterra sucumbir às pressões da conjun-
tura. A quebra do pacto colonial era vital, pois as mercado-
rias estavam se acumulando e precisavam ser escoadas 
de algum modo, o que tornava a exclusão inglesa do mer-
cado americano algo impensável. Ora, a relativa facilidade 
com que a Inglaterra impôs seus interesses ao Brasil per-
mitiu a maciça exportação de seus produtos, inundando o 
nosso mercado. Mais do que isso, a presença inglesa 
trouxe modificações radicais na posição do Brasil dentro 
do mercado internacional: saímos da órbita do colonialis-
mo mercantilista português para ingressar na dependência 
do capitalismo industrial inglês. 
 
A Inglaterra e as Novas Formas de Dominação 
 
Transformações do Rio de Janeiro – Após a abertura dos 
portos, pela primeira vez o Brasil pôde manter contatos 
comerciais diretos e regulares com o exterior, sem a in-
termediação de Portugal. O Rio de Janeiro transformou-se 
então num "empório do Atlântico Sul", nas palavras do 
historiador Nelson Werneck Sodré. Ali chegavam merca-
dorias de diversas procedências e dali eram exportados os 
produtos brasileiros. 
As formas da nova dependência – Com o fim do exclusivo 
metropolitano, uma nova forma de dependência se estabe-
leceu, manifestando-se no déficit permanente da balança 
comercial externa. Essa situação decorreu da franquia dos 
portos, que alterou as tarifas alfandegárias de 48%, na 
época do exclusivo, para 24% com D. João, a fim de favo-
recer contatos comerciais diversificados. As trocas comer-
ciais, todavia, não favoreceram o Brasil, e diversas razões 
podem ser alinhadas para explicar essa situação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
33 
A vida da corte na colônia. 
 
Após uma cansativa viagem de quase dois meses para 
atravessar o Atlântico, a Corte portuguesa finalmente che-
gava ao litoral luso-americano.Precedida de uma breve 
parada na cidade de Salvador, a caravana real aportou 
definitivamente na capital Rio de Janeiro em 07 de março 
de 1808. Cidade portuária habitada por cerca de 60.000 
pessoas, o Rio de Janeiro nem de longe se assemelhava 
às grandes capitais europeias. Pantanosa e assolada pe-
las mais diversas pestes tropicais, a nova sede da família 
real portuguesa não apresentava a menor infraestrutura 
para receber os ilustres recém-chegados. 
 
O primeiro grande problema enfrentado por D. João e sua 
corte foi a escassez de habitações que pudessem ser 
transformadas em suas novas residências. A solução en-
contrada foi polêmica, com os melhores domicílios sendo 
transformados forçosamente em propriedades reais, des-
pertando a insatisfação da população local. 
 
A partir de então, a cidade sofreu uma variedade de tantas 
outras transformações urbanísticas e culturais: teatros 
foram construídos, a Academia Real Militar e a de Belas 
Artes do Rio de Janeiro foram criadas, a Biblioteca Real foi 
edificada e o Horto Real foi arquitetado com o propósito de 
ampliar as pesquisas sobre a rica e exótica flora brasileira. 
Além disso, a ―Gazeta do Rio de Janeiro‖ passou a ser 
publicada, constituindo-se no primeiro jornal redigido na 
América Portuguesa. 
 
Buscando retratar as belezas e peculiaridades das terras 
brasileiras, D. João VI patrocinou a vinda de uma ―Missão 
Artística Francesa‖ à América Portuguesa. Liderados por 
Jean-Baptiste Debret, os artistas europeus representavam 
em suas artes os costumes e valores da sociedade coloni-
al. Em destaque estavam temáticas ―exóticas‖ (ao olhar do 
europeu, evidentemente) como as paisagens tropicais, o 
folclore indígena e o cotiodiano do trabalho escravo. 
 
A vinda da família real para a América Portuguesa trans-
formou ainda outros setores da colônia. Suas estruturas 
econômicas, por exemplo, foram profundamente alteradas 
a partir da ―Abertura dos Portos às Nações Amigas‖ (1808) 
e da assinatura dos ―Tratados de Livre Comércio e Nave-
gação‖ (1810). Tais acordos estabeleciam, respectivamen-
te, a possibilidade dos portos brasileiros comercializarem 
com outras nações e tarifas alfandegárias mais vantajosas 
aos produtos ingleses em nosso mercado. 
Na prática, tais medidas representaram o fim do pacto 
colonial, corrompendo qualquer tipo de exclusividade ou 
prevalência de representantes portugueses nos negócios 
da colônia. Ao mesmo tempo, o Brasil entrava progressi-
vamente na órbita de influência da economia inglesa, situ-
ação que viria a perdurar até ao menos as primeiras déca-
das do século XX. 
Em termos políticos, além da própria presença da Coroa 
portuguesa em terras brasileiras, outro fator modificou 
bruscamente o destino da América Portuguesa: em 1815, 
o Brasil foi elevado a ―Reino Unido de Portugal e Algar-
ves‖, abandonando definitvamente seu status de colônia. 
A partir de então, os colonos passariam a gozar de uma 
grande autonomia, liberdade esta que jamais viriam a ab-
dicar. 
A Revolução pernambucana de 1817 foi o último movi-
mento de revolta anterior àIndependência do Brasil. Mas, 
diferentemente de todos os outros movimentos sediciosos 
que eclodiram no período colonial, a Revolução pernam-
bucana conseguiu ultrapassar a fase conspiratória e atingir 
a etapa do processo revolucionário de tomada do poder. 
As causas da Revolução pernambucana estão intimamen-
te relacionadas ao estabelecimento e permanência 
do governo português no Brasil (1808-1821). 
Quando a Corte portuguesa abandonou Portugal e estabe-
leceu-se no Brasil, fugindo da invasão napoleônica, adotou 
uma série de medidas econômicas e comerciais que gera-
ram crescente insatisfação da população colonial. A im-
plantação dos novos órgãos administrativos governamen-
tais e a transmigração da Corte e da família real portugue-
sa exigiram vultosas somas de recursos financeiros. Para 
obtê-las, a Coroa lusitana rompeu com o pacto colonial, 
concedendo inúmeros privilégios à burguesia comercial 
inglesa, e criou novos impostos e tributos que oneraram as 
camadas populares e os proprietários rurais brasileiros. 
Ideais liberais em Pernambuco 
Em nenhuma outra região, a impopularidade da Corte 
portuguesa foi tão intensa quanto em Pernambuco. Outro-
ra um dos mais importantes e prósperos centros da produ-
ção açucareira do Nordeste brasileiro, Pernambuco estava 
atravessando uma grave crise econômica em razão do 
declínio das exportações do açúcar e do algodão. Além 
disso, a grande seca de 1816 devastou a agricultura, pro-
vocou fome e espalhou a miséria pela região. A insatisfa-
ção popular, que já era grande, generalizou-se diante dos 
pesados tributos e impostos, cobrados pelo governo de 
dom João. 
Foi também em Pernambuco, que os princípios de "liber-
dade, igualdade e fraternidade", que compunham os ideais 
da Revolução Francesa de 1789, encontraram "solo fértil" 
para circular e se propagar. Coube as sociedades secretas 
e aos maçons, a organização de permanentes e acirrados 
debates sobre as novas doutrinas revolucionárias, com o 
propósito de avaliar a adequação dessas ideias à situação 
de crescente insatisfação da população colonial da região 
do Nordeste brasileiro. Destacaram-se neste trabalho, os 
padres João Ribeiro e Miguelinho, e os líderes maçons 
Domingos José Martins e Antônio Cruz. 
Governo provisório 
O movimento de revolta ainda estava em sua fase prepa-
ratória, quando o governador Caetano Pinto de Miranda 
Montenegro tomou conhecimento da conspiração, orde-
nando, em seguida, a prisão imediata dos envolvidos. 
Porém, os pernambucanos rebeldes conseguiram resistir 
ao cerco das tropas militares oficiais. Esse fato é conside-
rado como o estopim da rebelião, que rapidamente ga-
nhou força. Diante disso, o governador fugiu do palácio, 
mas foi preso pelos rebeldes. 
Os rebeldes tomaram o palácio e em pouco tempo domi-
naram Recife. Os líderes da rebelião chegaram a constituir 
um governo provisório, composto por representantes de 
várias classes sociais. A partir de então, para consolidar o 
movimento revolucionário, os rebeldes adotaram uma 
série de medidas de caráter político e econômico com 
objetivo de obter o apoio da população e das elites locais. 
De imediato, o governo provisório ordenou a libertação 
dos presos políticos, aumentou o soldo dos soldados, abo-
liu os títulos de nobreza e extinguiu alguns impostos. 
http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/ult1689u6.jhtm
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/familia-real-no-brasil-1-coroa-portuguesa-antecipa-independencia.htm
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/bloqueio-continental-napoleao-proibiu-comercio-com-a-inglaterra.htm
http://educacao.uol.com.br/historia/ult1690u8.jhtm
 
 
 
 
 
 
34 
Falta de apoio e repressão. 
 
O governo provisório também organizou grupos de emis-
sários, que ficaram encarregados de se dirigirem para as 
províncias do Norte e Nordeste para desencadear um 
movimento revolucionário mais amplo. Na Bahia, Ceará e 
Rio Grande do Norte, porém, as tentativas malograram 
diante da repressão desencadeada por forças militares 
oficiais, e também pela falta de apoio popular. Em Per-
nambuco, dom João ordenou uma violentíssima repressão 
militar contra os revolucionários. 
As tropas oficiais atacaram por terra e mar, cercando o 
porto de Recife com uma grande esquadra. O governo 
provisório durou 75 dias, os revolucionários pernambuca-
nos foram derrotados. Os que não morreram em combate 
foram rapidamente presos. Todos os líderes revolucioná-
rios presos acabaram sendo sumariamente condenados à 
morte, entre eles: Teotônio Jorge, padre Pedro de Souza 
Tenório, Antônio Henriques e José de Barros Lima. 
 
República e revolução 
 
As lideranças do movimento revolucionário tinham como 
projeto político o estabelecimento de uma República e a 
elaboração de uma Constituição, norteadas pelos princí-
pios e ideais franceses de igualdade e liberdade para to-
dos. Mas, o ideário republicano dos rebeldes encontrou 
algunslimites de classe diante da questão do trabalho 
cativo. Para não perder o apoio dos proprietários de enge-
nho locais, as lideranças do movimento revolucionário não 
chegaram a propor uma ruptura radical com a escravidão 
negra. Não obstante, a Revolução pernambucana, apesar 
do seu fracasso, entrou para a história como o maior mo-
vimento revolucionário do período colonial. 
 
Revolução liberal do porto. 
 
Influenciados pelas ideias difundidas pelas lojas maçôni-
cas, pelos liberais emigrados, principalmente em Londres, 
os portugueses criticavam e questionavam a permanência 
da Corte no Rio de Janeiro. O momento era favorável à 
eclosão de um movimento liberal. Em 1817, Gomes Freire 
de Andrada, que ocupava posição de destaque na Maço-
naria, liderou uma revolta para derrubar Lord Beresford e 
implantar um regime republicano em Portugal. A descober-
ta do movimento e a confirmação de sua ligação com a 
Maçonaria desencadeou uma grande perseguição aos 
maçons, culminando com a proibição das sociedades se-
cretas por D. João VI, em 1818, não só em Portugal como 
também no Brasil. 
Os portugueses sofriam ainda a influência dos movimen-
tos havidos na Espanha, que já aprovara uma Constituição 
em 1812 e onde, em inícios de 1820, ocorrera uma revolu-
ção liberal. 
 
 
No dia 24 de agosto de 1820 começou, na cidade 
do Porto, um movimento liberal que logo se espalhou por 
outras cidades, consolidando-se com a adesão de Lisboa. 
Não houve resistência. Iniciada pela tropa irritada com a 
falta de pagamento e por comerciantes descontentes, 
conseguiu o apoio de quase todas as camadas sociais: 
Clero, Nobreza, e Exército. A junta governativa de Lord 
Beresford foi substituída por uma junta provisória, que 
convocou as Cortes Gerais Extraordinárias e Constituintes 
da Nação Portuguesa para elaborar uma Constituição para 
Portugal. Enquanto a Carta estava sendo feita, entrou em 
vigor uma Constituição provisória, que seguia o modelo 
espanhol. 
 
A revolução vitoriosa, que ficaria conhecida como a Revo-
lução do Porto, exigia o retorno da Corte, visto como forma 
de "restaurar a dignidade metropolitana", o estabelecimen-
to, em Portugal, de uma Monarquia constitucional e a res-
tauração da exclusividade de comércio com o Brasil. 
 
A Revolução de 1820 apresentava duas faces contraditó-
rias. Para Portugal, era liberal, na medida em que convo-
cou as Cortes (Assembléia), que não se reuniam desde 
1689, com o objetivo de elaborar uma Constituição que 
estabelecesse os limites do poder do rei. Para o Brasil, foi 
conservadora e recolonizadora, visto que se propunha a 
anular as medidas concedidas por D. João, exigindo a 
manutenção dos monopólios e privilégios portugueses, 
limitando a influência inglesa, subordinando novamente a 
economia e a administração brasileiras a Portugal. 
 
No Brasil, as primeiras notícias sobre o movimento chega-
ram por volta de outubro, ocasionando grande agitação. 
Todos se confraternizaram, mas aos poucos ficou clara a 
divergência de interesses entre os diversos setores da 
população. No Grão-Pará, na Bahia e no Maranhão, as 
tropas se rebelaram em apoio aos revolucionários portu-
gueses, formando Juntas governativas que só obedeceri-
am às Cortes de Lisboa. A presença da família real no Rio 
de Janeiro agravara as diferenças que separavam o Cen-
tro-Sul do Norte e Nordeste, sobrecarregando essas regi-
ões com o aumento e criação de novos tributos, destina-
dos à manutenção da Corte, chamada de a "nova Lisboa". 
Muitos comerciantes portugueses, ansiosos por recuperar 
seus privilégios, aderiram ao movimento. Foram apoiados 
pelas tropas portuguesas. Outros grupos acreditavam que 
o regime constitucional implantado em Portugal seria tam-
bém aplicado no reino do Brasil. Havia também aqueles 
que, beneficiados com o estabelecimento da Corte no Rio 
de Janeiro, não queriam a volta a Lisboa. Afinal, seus ne-
gócios estavam correndo bem e o retorno significaria o fim 
das vantagens e de seu prestígio social e político. Funcio-
nários que haviam recebido cargos públicos e proprietários 
de escravos e terras do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e 
de São Paulo, manifestaram-se contra a Revolução 
do Porto, defendendo a permanência da família real no 
Brasil. 
 
O retorno da Corte para Portugal dividia as opiniões. De 
um lado o Partido Português, que agrupava as tropas por-
tuguesas e os comerciantes reinóis, exigindo o regresso 
da família real. De outro, aqueles que se opunham, por 
terem progredido, ganho prestígio e poder com a vinda da 
Corte para o Rio de Janeiro e que portanto, queriam que o 
rei ficasse. A partir do momento em que se manifestaram 
favoráveis à permanência de D. João, passaram a ser 
conhecidos como Partido Brasileiro. Seus integrantes não 
eram necessariamente brasileiros de origem, mas tinham 
seus interesses vinculados ao Brasil. 
 
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/lojas_maconicas.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/lojas_maconicas.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/corte_rj.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/rev_porto.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/vida_corte.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/rep_revolucao.html#monopolio
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/top09.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/tema63.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/top06.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/vida_corte.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/corte_rj.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/corte_rj.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/tema53.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/rev_porto.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/vinda.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/partido_brasileiro.html
 
 
 
 
 
 
35 
D. João VI resolveu ficar, mas, tentando contornar a situa-
ção, anunciou que enviaria o príncipe D. Pedro a Portugal, 
"para ouvir os povos". Essa medida não foi bem aceita por 
comerciantes e tropas portuguesas do Rio de Janeiro. Em 
fevereiro de 1821, as tropas reuniram-se no largo do Ros-
sio, atual praça Tiradentes, exigindo que D. Pedro e D. 
João jurassem a Constituição que estava sendo feita pelas 
Cortes, e a substituição de ministros e de funcionários que 
ocupavam os principais cargos administrativos. D. João 
concordou com tudo. 
 
Alguns dias depois de jurar, antecipadamente, a Constitui-
ção, no Real Teatro São João, atual João Caetano, o rei 
foi pressionado a retornar a Lisboa, deixando o príncipe D. 
Pedro como regente. Ficou também decidido que se reali-
zariam eleições para a escolha dos representantes brasi-
leiros nas Cortes. 
 
No entanto, a agitação continuava. No dia 21 de abril, 
grupos populares reuniram-se em assembleia no edifício 
da praça do Comércio, exigindo que D. João jurasse a 
Constituição espanhola enquanto era elaborada a Consti-
tuição portuguesa. Devido aos sucessivos adiamentos da 
partida, manifestações tanto a favor como contra o retorno 
do rei tomaram conta da reunião. Para controlar a situação 
e terminar com a manifestação, D. Pedro ordenou à tropa 
que dispersasse a assembléia. Uma pessoa morreu e 
muitas ficaram feridas e, por isso, o edifício projetado por 
Grandjean de Montigny, a atual Casa França-Brasil, pas-
sou a ser conhecido como "Açougue dos Braganças". 
 
Dias depois, a 26 de abril de 1821, D. João VI deixava o 
Brasil, acompanhado por 4 mil pessoas, levando tudo o 
que puderam, inclusive todo o ouro que existia no Banco 
do Brasil. Grupos de brasileiros tentaram impedir a volta 
das jóias e dos bens do Tesouro para Lisboa. Cantava-se 
nas ruas: 
"Olho vivo, pé ligeiro, vamos a bordo, buscar o dinheiro". 
 
Seu regresso atendia às exigências das Cortes, mas, dei-
xando D. Pedro como príncipe-regente do Brasil, agradava 
também ao grupo político que defendera a permanência 
da família real no Brasil - o Partido Brasileiro, que come-
çava então,a se formar. 
 
Durante o período em que a Corte esteve no Rio de Janei-
ro, Portugal foi governado por uma junta presidida por Lord 
Beresford, que comandava o Exército e mantinha sob seu 
controle a nação portuguesa. A economia vivia um momen-
to de profunda crise. O comércio estava decadente, prati-
camente paralisado, não só pela ocupação francesa como 
também pela abertura dos portos da Colônia em 1808. Os 
comerciantes portugueses estavam descontentes pois ha-
viam perdido o monopólio comercial, situação agravada 
pelos Tratados de 1810, assinados com os ingleses. A agri-
cultura estava desorganizada, as cidades destruídas por 
causa das lutas com os franceses e as manufaturas portu-
guesas não tinham condições de concorrer com as ingle-
sas. Para muitos, tudo isso era resultante da ausência do 
rei. Além disso, sabia-se que as lojas maçônicas, em Portu-
gal, divulgavam as ideias liberais, defendendo uma Consti-
tuição que limitaria o poder do soberano instituindo, assim, 
uma Monarquia constitucional. 
Guerras de independência. 
 
A Guerra da Independência, ocorrida entre 1822 e 1824, 
representou a luta dos patriotas, aqueles que, imbuídos de 
um forte nativismo, se contrapunham à recolonização pro-
posta pelas Cortes portuguesas. 
Oficializada a separação política de Portugal, a Indepen-
dência não foi aceita imediatamente por todos. Governa-
dores de algumas províncias resistiram em aceitar a sepa-
ração, apoiados pelas tropas militares portuguesas. Embo-
ra o sul permanecesse coeso, nas províncias do Norte -
 Maranhão e Grão-Pará -, na Bahia, no Mato Grosso, e 
na Cisplatina houve lutas entre partidários de Portugal e 
os defensores da Independência do Brasil. Essas provín-
cias contavam com grande número de tropas e comercian-
tes portugueses com interesses muito mais ligados a Por-
tugal do que ao Rio de Janeiro. Além disso, muitos ressen-
timentos acumulados contra a "nova Lisboa", faziam com 
que as juntas governativas permanecessem ligadas às 
Cortes de Lisboa. 
 
Como as forças militares brasileiras não formassem ainda 
uma tropa bem treinada, era necessário organizá-las. Pro-
videnciou-se a compra de armas, de navios e foram recru-
tados militares estrangeiros, franceses e ingleses, que atua-
ram como mercenários. A ajudadas milícias populares, prin-
cipalmente nas regiões Norte e Nordeste, foi muito impor-
tante na luta contra os portugueses. 
 
Na Bahia, em inícios de 1822, a população se rebelou 
contra as tropas portuguesas comandadas por Madeira de 
Melo, cercando a cidade de Salvador. Apesar do envio de 
tropas do Rio de Janeiro, lideradas pelo brigadeiro francês 
Labatut, os rebeldes não conseguiram vencer os portu-
gueses, que, por seu lado, também receberam. reforços, 
mas ficaram isolados em Salvador. Nessa ocasião, os 
soldados portugueses invadiram o convento da Lapa, em 
busca de "patriotas" escondidos, assassinando a madre 
superiora, irmã Joana Angélica, que tentou impedir a inva-
são. 
 
Os patriotas retiraram-se para o interior, dominaram todo o 
Recôncavo Baiano, controlando inclusive a ilha de Itapari-
ca. Nesses grupos de guerrilheiros voluntários estava Ma-
ria Quitéria de Jesus Medeiros, filha de um fazendeiro do 
interior , que teve atuação importante na luta contra as 
tropas de Madeira de Melo, recebendo, mais tarde, a me-
dalha Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul. 
Em maio de 1823 chegou à Bahia uma esquadra coman-
dada pelo Almirante Lord Cochrane. As tropas de Madeira 
de Melo não tinham mais condições de resistir. Ameaça-
das pela fome, pois com o Recôncavo dominado pelos 
"patriotas" era cada vez mais difícil conseguir alimentos, 
deixaram Salvador no dia 2 de julho, data em que, na Ba-
hia, se comemora a Independência. 
As províncias do Norte, formadas pelo Maranhão, Piauí e 
pelo Grão-Pará, estavam mais ligadas a Portugal do que 
às províncias do Sul. Assim, quando foi proclamada a 
Independência, preferiram se manter fiéis às Cortes de 
Lisboa. 
 
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/vida_corte.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/corte_rj.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/corte_rj.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/fim_monopolio.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/crise_portuguesa.html#monopolio
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/presenca_inglesa.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/lojas_maconicas.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/top06.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/tema64.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/tema63.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/cisplatina.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/guerra_independencia.html#mercenario
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/guerra_independencia.html#milicia
 
 
 
 
 
 
36 
Em São Luís, capital do Maranhão, a esquadra de Lord 
Cochrane ameaçou bombardear a cidade, conseguindo a 
rendição dos portugueses, em 28 de julho de 1823. 
No Piauí, as tropas de João da Cunha Fidié foram derro-
tadas e a província aderiu à Independência por volta de 
agosto do mesmo ano. 
 
Na província do Grão-Pará, mesmo antes da Independên-
cia já havia lutas entre a população e a junta governativa. 
O ano de 1823 marcou o auge dos conflitos. Quando o 
navio Maranhão, comandado por Lord Grenfell, chegou à 
costa paraense, trazendo a notícia da chegada da esqua-
dra do almirante Cochrane, a população invadiu o palácio 
do governador, demitiu a junta e entregou o poder provin-
cial aos líderes populares. Grenfell reprimiu violentamente 
a população e seus líderes. Muitos foram fuzilados, e cer-
ca de 300 prisioneiros foram colocados no porão de uma 
embarcação com escotilhas fechadas e cal jogada sobre 
eles. Todos morreram asfixiados. 
 
Na província Cisplatina, as forças da junta estavam dividi-
das. Os favoráveis às Cortes, chefiados por D. Álvaro da 
Costa, obrigaram os partidários da Independência a reti-
rar-se de Montevidéu. Após a vitória sobre as forças de 
Madeira de Melo, na Bahia, o almirante Cochrane enviou à 
Cisplatina cinco navios, que bloquearam Montevidéu. Em 
fins de 1823, as tropas portuguesas foram expulsas. 
Com o término da Guerra da Independência, todas as 
províncias estavam incorporadas ao Império brasileiro, o 
que, no entanto, não significou o fim das rivalidades entre 
as forças favoráveis a Portugal e os patriotas. 
 
Reconhecimento exterior. 
 
Mas isso não era fácil. Na Europa, a Santa Aliança se 
opunha ao reconhecimento da independência de qualquer 
ex-colônia, defendendo o absolutismo e o colonialismo. Os 
países da antiga América espanhola, recém - independen-
tes, que haviam adotado a República como forma de go-
verno, desconfiavam da solução monárquica adotada no 
Brasil. Havia receio de que os países europeus pudessem 
usar o Brasil para tentar a recolonização americana. 
 
A Inglaterra, que não fazia parte da Santa Aliança, e que 
desejava garantir seus privilégios comerciais e políticos no 
Brasil, foi a grande intermediária junto às demais nações 
para o reconhecimento externo da nossa Independência. 
 
Os Estados Unidos foram o primeiro país a reconhecer a 
Independência do Brasil, em 1824. A "Doutrina Monroe", 
criada pelo presidente James Monroe em 1823, muito 
contribuiu para isso. Sintetizada na frase "A América para 
os americanos", defendia o direito à soberania das nações 
e era contrária a qualquer intervenção européia no conti-
nente americano. No entanto, por trás dessa doutrina de 
não - intervenção e de não-colonização, havia o interesse 
em diminuir a influência inglesa e em obter, com o reco-
nhecimento, vantagens comerciais para os Estados Uni-
dos. 
A Inglaterra, apesar de seu interesse em reconhecer logo 
a Independência do Brasil, era tradicional aliada de Portu-
gal e não pretendia entrar em atritos com Lisboa. Assim, o 
Governo inglês assumiu a posição de mediador entre Bra-
sil e Portugal, buscando um acordo que satisfizesse a 
Casa de Bragançae permitisse o reconhecimento do Im-
pério do Brasil. Segundo o historiador Pedro Moacyr Cam-
pos, "havia na Inglaterra certa benevolência para com 
Portugal... Por isso Canning preferia não reconhecer a 
Independência antes de Portugal". 
As negociações se arrastaram por quase três anos, entre 
Londres, Lisboa e Rio de Janeiro, contando sempre com a 
orientação do diplomata inglês George Canning. Finalmen-
te, em agosto de 1825, Portugal assinou o acordo de re-
conhecimento, mediante uma indenização de 2 milhões de 
libras e da concessão a D. João VI do título de Imperador 
Honorário do Brasil. No entanto, o Brasil não possuía essa 
quantia e, por outro lado, Portugal já tinha uma dívida 
grande com os ingleses. A solução veio através do em-
préstimo feito na Inglaterra, o primeiro empréstimo contra-
ído pelo Brasil em Londres. Como Portugal tinha uma dívi-
da de mais de 2 milhões de libras com a Inglaterra, o di-
nheiro nem chegou a sair dos cofres ingleses. Ao Brasil 
coube o pagamento dos juros e dos serviços da dívida, 
aumentando o endividamento com a Inglaterra por todo o 
século XX. O acordo não foi bem aceito nem em Portugal 
nem no Brasil. 
Após o reconhecimento por parte de Portugal, não demo-
rou muito para que as outras nações reconhecessem a 
nossa Independência. A Inglaterra o fez oficialmente em 
1825, tratando em seguida de garantir a manutenção das 
vantagens concedidas aos comerciantes ingleses desde o 
estabelecimento de D. João no Rio de Janeiro. 
Em 1827 foi assinado o Tratado de Aliança, Comércio e 
Amizade, renovando na prática os Tratados de 1810. O 
Governo inglês obtinha uma série de vantagens, mas a 
maior de todas estava nas taxas alfandegárias - "as mer-
cadorias inglesas continuariam a pagar direitos de impor-
tação de 15%..." Por outro lado, o Brasil não recebeu 
compensações visto que os artigos brasileiros ficaram 
excluídos do mercado interno da Inglaterra, por serem 
similares aos produzidos nas colônias inglesas. Uma das 
cláusulas do tratado estabelecia que o Brasil deveria ex-
tinguir o tráfico negreiro até 1830. O novo tratado não foi 
bem recebido pelos brasileiros e a decisão de suspender o 
tráfico desagradou profundamente os proprietários de 
escravos e de terras. 
 
 
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/guerra_independencia.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/tema17.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/presenca_inglesa.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/pressao_inglesa.html
 
 
 
 
 
 
37 
VAMOS PRATICAR! 
 
Tema: os primeiros tempos da colônia. 
 
 
1. (G1 - cftmg 2015) TEXTO 1 
 
 
 
TEXTO 2 
 
―A ciência e a arte, dentro de um processo intrincado, fa-
bricavam realidades mitológicas que tiveram, e ainda têm 
vida prolongada e persistente‖. 
 
COLI, Jorge. A invenção da descoberta. In: Como estudar 
arte brasileira no século XIX? São Paulo: Senac, 2005, p. 
23. 
 
 
Sobre os documentos referentes ao Descobrimento do 
Brasil e à arte produzida no século XIX, é correto afir-
mar que: 
 
a) ignoram a participação dos indígenas no processo de 
formação da identidade nacional. 
b) derrubam uma imagem hierarquizada do encontro das 
etnias que formaram a nação brasileira. 
c) consolidam uma visão da colonização marcada pela 
exploração portuguesa das matérias-primas. 
d) constroem uma memória pacífica do nascimento da 
nação fundada sob a égide do catolicismo. 
 
2. (Uece 2015) A compreensão cristã do encontro dos 
portugueses com os primeiros habitantes da América 
teve forte conotação maniqueísta: de um lado estava o 
bem, simbolizado pelos europeus na sua suposta 
busca pelo paraíso; de outro, o mal, representado pe-
los indígenas e suas práticas diabólicas. 
 
Analise as afirmações abaixo acerca dessa compreensão. 
 
I. Tal compreensão foi alimentada por considerações im-
precisas de alguns viajantes que classificavam de ―demo-
níacas‖ certas práticas culturais dos povos americanos. 
II. A leitura das práticas dos povos americanos pelos eu-
ropeus aliou a ideia da conquista de novas terras com o 
desejo de levar a palavra de Deus àquelas criaturas ―de-
monizadas‖. 
III. O pensamento cristão português dissociava-se das 
ideias e políticas expansionistas; desse modo, a propaga-
ção da fé era desvinculada da empresa marítima. 
 
É correto o que se afirma em 
a) I, II e III. 
b) II e III apenas. 
c) I e III apenas. 
d) I e II apenas. 
 
3. (Pucrs 2014) Analise as afirmativas sobre o Desco-
brimento do Brasil, preenchendo os parênteses com V 
(verdadeiro) ou F (falso). 
 
( ) Pode ser enquadrado no processo de expansão co-
mercial europeia do início da Era Moderna, que objetivava 
a descoberta de novas fontes de metais preciosos e de 
mercadorias atrativas para o mercado consumidor euro-
peu. 
( ) Foi fundamental na construção do império ultramari-
no português, na medida em que as riquezas logo encon-
tradas na nova terra levaram a coroa lusitana a promover 
a imediata colonização do atual território brasileiro. 
( Atendeu aos interesses estratégicos da coroa portu-
guesa, pois a rota descoberta por Vasco da Gama para o 
comércio com as Índias, em 1498, necessitava de portos 
no Atlântico Sul onde fosse possível reparar e reabastecer 
os navios. 
( ) É considerado um momento trágico para as popula-
ções originais do atual território brasileiro, porque a explo-
ração do pau-brasil, primeira riqueza encontrada no novo 
território, levou à escravização do indígena. 
 
O correto preenchimento dos parênteses, de cima para 
baixo, é 
a) V – V – F – F 
b) V – F – V – F 
c) V – F – F – V 
d) F – F – V – V 
e) F – F – V – F 
 
4. (Uepb 2014) Considerando a realidade da América 
Portuguesa nas três primeiras décadas do século XVI, 
é correto afirmar: 
a) A expedição exploradora de Gaspar de Lemos, em 
1501, implantou o sistema de Capitanias Hereditárias para 
garantir o desenvolvimento da cana de açúcar. 
b) A Coroa Portuguesa proibiu o estanco do pau-brasil, já 
que a madeira era contrabandeada por franceses e ingle-
ses. 
c) As expedições de Cristovão Jackes, em 1516 e 1526 
não tinham caráter militar, nem combateram estrangeiros. 
Tinham a função específica de reconhecer o território e 
implantar as feitorias. 
d) A atividade desenvolvida com autorização da Coroa 
Portuguesa foi a extração de pau-brasil, uma atividade 
nômade e predatória, que não tinha a finalidade de pro-
mover o povoamento. 
e) A mão de obra indígena foi pouco explorada e bastante 
valorizada pelos portugueses, que presenteavam os nati-
vos com objetos de grande valor no mercado europeu. 
 
 
 
 
 
 
38 
5. (Udesc 2014) Analise as proposições referentes ao 
estado de Santa Catarina, e assinale (V) para verdadei-
ra e (F) para falsa. 
 
( ) Os principais grupos indígenas que habitavam a re-
gião do atual estado de Santa Catarina eram os Carijós, 
os Kaingáng e os Xokleng. Estes grupos estavam distribu-
ídos em diferentes áreas do estado e tiveram contato com 
os europeus em distintos períodos históricos. 
( ) A passagem da Monarquia para a República ocorrida 
no final do século XIX, no Brasil, não acarretou maiores 
conflitos no estado, uma vez que os grupos políticos que 
detinham o poder, no estado, não foram destituídos de 
seus cargos. 
( ) A segunda metade do século XIX, no Brasil, é mar-
cada pelo grande contingente de pessoas que imigraram 
para o país, sendo que estas eram de origem europeia e 
foram responsáveis pela fundação de cidades como Join-
ville e Blumenau. 
( ) Com a entrada do Brasil na II Guerra Mundial ocorre-
ram muitos problemas no país, como a desconfiança e a 
prisão de pessoas que viviam em Santa Catarina, princi-
palmente aqueles que eram imigrantes e descendentes de 
imigrantes de origem portuguesa e espanhola, também 
identificados como ―5ª coluna‖. 
 
Assinale a alternativa que contém a sequência correta, de 
cima para baixo. 
a) F – F – V – Vb) V – V – F – F 
c) F – V – F – V 
d) V – F – F – V 
e) V – F – V – F 
 
6. (Uepb 2014) A riqueza cultural do povo brasileiro 
advém da pluralidade de etnias que nos formaram, 
produzindo um patrimônio cultural diversificado. 
Assinale a alternativa correta: 
a) Os grupos indígenas encontrados no litoral pelo portu-
guês eram principalmente tribos de tronco tupi que, ha-
vendo se instalado uns séculos antes, ainda estavam de-
salojando antigos ocupantes oriundos de outras matrizes 
culturais. 
b) Na época da chegada da esquadra cabralina, as tribos 
do tronco tupi eram as únicas que tinham uma organiza-
ção social de classes, e a presença do Estado já era uma 
realidade. 
c) A instituição social que dificultou a formação do povo 
brasileiro foi o cunhadismo, velho uso indígena que proibia 
a incorporação de estrangeiros à sua comunidade. 
d) O surgimento de uma etnia brasileira não anulou as 
identificações étnicas dos índios e africanos consolidando 
a democracia racial que vivemos na contemporaneidade. 
e) Desde os primeiros dias da colonização, o projeto jesuí-
tico se configurou como única alternativa de garantia das 
culturas indígena e africana, respeitando suas crenças e 
representações. 
 
7. (Enem 2013) De ponta a ponta, é tudo praia-palma, 
muito chã e muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, 
vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, 
não podíamos ver senão terra com arvoredos, que nos 
parecia muito longa. Nela, até agora, não pudemos 
saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de 
metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é 
de muito bons ares [...]. Porém o melhor fruto que dela 
se pode tirar me parece que será salvar esta gente. 
 
Carta de Pero Vaz de Caminha. In: MARQUES, A.; BE-
RUTTI, F.; FARIA, R. História moderna através de textos. 
São Paulo: Contexto, 2001. 
 
A carta de Pero Vaz de Caminha permite entender o proje-
to colonizador para a nova terra. Nesse trecho, o relato 
enfatiza o seguinte objetivo: 
a) Valorizar a catequese a ser realizada sobre os povos 
nativos. 
b) Descrever a cultura local para enaltecer a prosperidade 
portuguesa. 
c) Transmitir o conhecimento dos indígenas sobre o po-
tencial econômico existente. 
d) Realçar a pobreza dos habitantes nativos para demar-
car a superioridade europeia. 
e) Criticar o modo de vida dos povos autóctones para evi-
denciar a ausência de trabalho. 
 
8. (G1 - cps 2012) O termo cidadania teve sua origem 
no modo de vida das antigas cidades de Grécia e Ro-
ma. 
Leia atentamente o texto a seguir que traz uma das 
interpretações sobre a cidadania na Antiguidade. 
 
Se quisermos definir os cidadãos dos tempos antigos por 
seu atributo mais essencial, é necessário dizer-se que 
cidadão é o homem que pratica a religião da cidade. É o 
que honra os mesmos deuses da cidade. 
O estrangeiro, pelo contrário, é aquele a quem os deuses 
da cidade não protegem, e que não tem nem mesmo o 
direito de invocá-los. As leis da cidade não existiam para 
ele. 
 
(COULANGES, Fustel de. A cidade Antiga. Disponível em 
http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/cidadeantiga.pdf, 
p.302-303. Acesso em: 24.01.2012. Adaptado) 
 
De acordo com a interpretação de Coulanges, é correto 
afirmar que o conceito de cidadania da Antiguidade greco-
romana era 
a) estabelecido de acordo com critérios monoteístas, pois 
havia crença em um único Deus. 
b) baseado no princípio de que todos os habitantes da 
cidade tinham os mesmos direitos. 
c) definido por critérios de nobreza, já que os reis determi-
navam quem eram os cidadãos. 
d) relacionado à prática religiosa de cada cidade, por isso 
a cidadania era vetada aos estrangeiros. 
e) aplicado, por meio de uma Constituição, a todos os que 
haviam nascido em território greco-romano. 
 
 
 
 
 
 
39 
9. (Pucrj 2012) “Eu, El-Rei, faço saber aos que este 
meu regimento virem, que sendo informado das mui-
tas desordens que há no sertão do pau-brasil, e na 
conservação dele, de que se tem seguido haver hoje 
muita falta, cada vez será o dano maior se não se atalhar 
e der nisso a ordem conveniente (...): mando que nenhu-
ma pessoa possa cortar, nem mandar cortar o dito pau-
brasil, por si ou seus escravos, sem expressa licença do 
provedor-mor da minha Fazenda (...); e quem o contrário 
fizer incorrerá em pena de morte e confiscação de toda a 
sua fazenda.‖ 
 
Felipe III, Regimento do pau-brasil, 1605. 
 
No contexto da colonização das terras do Brasil, o regi-
mento do rei Felipe III apresenta medidas associadas: 
a) à afirmação do poder da Coroa espanhola, em detri-
mento dos comerciantes e colonos portugueses. 
b) ao caráter monopolista da extração do pau-brasil, pois 
era necessária autorização expressa da Coroa para ativi-
dade extrativista. 
c) às preocupações da Coroa na preservação da Mata 
Atlântica, que estava sendo devastada pelos colonos. 
d) à importância do pau-brasil no comércio colonial como 
principal produto de exportação da América Portuguesa, 
em inícios do século XVII. 
e) à afirmação da política absolutista dos reinos europeus 
cerceadora de todas as iniciativas dos colonos nas Améri-
cas. 
 
10. (G1 - cftce 2005) Sabe-se que, quando os portu-
gueses chegaram ao Brasil, encontraram vários povos 
que aqui habitavam, dentre eles os tupis, os jês, os 
karib e os aruak. Corresponde a uma de suas caracte-
rísticas gerais. 
a) assim como os colonizadores portugueses, já pratica-
vam a concepção de propriedade privada, sendo este um 
dos fatores de maior relevância na fusão cultural desses 
povos 
b) por praticarem a monogamia, o monoteísmo e o patriar-
calismo, essas comunidades indígenas, facilmente assimi-
laram os valores da religião católica como se adaptaram 
aos modelos econômicos dos colonizadores. Daí a mão de 
obra indígena ter sido satisfatória para o processo da mon-
tagem da empresa agrícola açucareira 
c) para promover a sua alimentação, os povos indígenas 
tupis chegaram a praticar uma agricultura de regadio se-
melhante aos povos maias e incas, enquadrando-se no 
modo de produção servidão coletiva 
d) os povos indígenas estavam muito envolvidos com a 
natureza e tinham uma maneira peculiar de entendê-la, 
através de uma concepção mítica de mundo 
e) os povos indígenas foram vítimas de genocídio e etno-
cídio no processo de colonização dos portugueses, entre-
tanto não ofereceram resistência devido ao fato de acredi-
tarem que este era o seu destino de acordo com suas 
crenças 
 
 
 
 
 
 
11. (Ufsm 2001) 
 
 
A charge 
I. ilustra a maneira formal dos navegantes portugueses 
frente à ingenuidade dos índios. 
II. refere-se a uma passividade dos índios diante dos na-
vegantes portugueses. 
III. assinala, de maneira cômica, o encontro de duas civili-
zações que resultaria em etnocídio. 
IV. anuncia a disposição bélica do expansionismo portu-
guês e a resistência indígena. 
 
Está(ão) correta(s) 
a) apenas I. 
b) apenas II. 
c) apenas I e III. 
d) apenas II e IV. 
e) apenas III e IV. 
 
12. (Ufsm 2000) "Esta terra, Senhor, é muito chã e 
muito formosa. Nela não podemos saber se haja ouro, 
nem prata, nem coisa alguma de metal; porém, a terra 
em si é de muitos bons ares (...) querendo aproveitar 
dar-se-á nela tudo (...)". Esse trecho é parte da carta 
que Pero Vaz de Caminha escreveu, em 1500, ao rei de 
Portugal, com informações sobre o Brasil. Com base 
no texto, é correto afirmar: 
a) Havia a intenção de colonizar imediatamente a terra, 
retirando os bens exportáveis para atender o mercado 
internacional. 
b) Iniciava-se o processo de ocupação da terra, circunscri-
to aos limites do mercantilismo industrial e colonial. 
c) Desde o princípio, os portugueses procuraram escravi-
zar os povos indígenas a fim de encontrarem os metais 
preciosos. 
d) Estava evidente o interesse em explorar a terra nos 
moldes do mercantilismo. 
e) Era preponderante a intenção de estabelecer aagricul-
tura com o trabalho livre e familiar no Brasil. 
 
 
 
 
 
 
 
40 
13. (Mackenzie 2000) ...Esta terra, senhor, nela não 
podemos saber que aja ouro nem prata, nem coisa 
alguma de metal ou ferro, nem lho vimos (...) o melhor 
fruto que dela se pode tirar me parece será salvar esta 
gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa 
Alteza em ela deve lançar. (...), pois o desejo que tinha 
de tudo vos dizer, mo fez por assim pelo miúdo. 
Beijo as mãos de Vossa Alteza. 
Deste Porto Seguro, da Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, 
Sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500. 
 
Esses trechos da carta do escrivão Pero Vaz de Cami-
nha apresentam elementos que nos indicam alguns 
objetivos das grandes navegações. Dentre esses obje-
tivos, podemos destacar: 
 
a) acabar com a circulação de mercadorias baseada no 
bulionismo, em decorrência da escassez de metais precio-
sos na Europa Ocidental. 
b) a conquista de terras para a obtenção de riquezas, 
através da renda sobre a terra, defendida pelos teóricos 
fisiocratas da época. 
c) a obtenção de novos mercados de matéria-prima e a 
política do laissez faire para a ampliação do fornecimento 
de produtos manufaturados. 
d) o processo de crescimento econômico, através da con-
quista de novos mercados, a catequese e a consequente 
afirmação dos Estados Nacionais. 
e) a emigração do excedente populacional europeu, decor-
rente da descentralização política e investimento de capi-
tais na periferia do sistema capitalista. 
 
14. (Mackenzie 1999) Enquanto os portugueses escu-
tavam a missa com muito "prazer e devoção", a praia 
encheu-se de nativos. Eles sentavam-se lá surpresos 
com a complexidade do ritual que observavam ao lon-
ge. Quando D. Henrique acabou a pregação, os indí-
genas se ergueram e começaram a soprar conchas e 
buzinas, saltando e dançando (...) 
 Náufragos Degredados e Traficantes 
 (Eduardo Bueno) 
 
 Este contato amistoso entre brancos e índios preservado: 
a) pela Igreja, que sempre respeitou a cultura indígena no 
decurso da catequese. 
b) até o início da colonização quando o índio, vitimado por 
doenças, escravidão e extermínio, passou a ser descrito 
como sendo selvagem, indolente e canibal. 
c) pelos colonos que escravizaram somente o africano na 
atividade produtiva de exportação. 
d) em todos os períodos da História Colonial Brasileira, 
passando a figura do índio para o imaginário social como 
"o bom selvagem e forte colaborador da colonização". 
e) sobretudo pelo governo colonial, que tomou várias me-
didas para impedir o genocídio e a escravidão. 
 
15. (Ufmg 1999) Leia o texto. 
 
"As águas são muitas e infindas. E em tal maneira [a 
terra] é grandiosa que, querendo aproveitá-la, tudo 
dará nela, por causa das águas que tem. 
Porém, o melhor fruto que dela se pode tirar me pare-
ce que será salvar esta gente. E esta deve ser a princi-
pal semente que Vossa Alteza nela deve lançar. 
E que não houvesse mais que ter aqui Vossa Alteza 
esta pousada para a navegação [...], isso bastava. Mas 
ainda, disposição para nela cumprir-se - e fazer - o que 
Vossa Alteza tanto deseja, a saber o acrescentamento 
da nossa Santa Fé!" 
("Carta de Pero Vaz de Caminha", 1º de maio de 1500.) 
 
Com base nesse trecho da carta de Caminha, o des-
cobrimento do Brasil pode ser relacionado. 
a) à procura de produtos para o comércio no Continente 
Europeu. 
b) ao ideal de expansão religiosa do cristianismo. 
c) à divisão do cristianismo pela Reforma Religiosa. 
d) à procura do caminho marítimo para as Índias. 
 
16. (Mackenzie 1999) A árvore de pau-brasil era fron-
dosa, com folhas de um verde acinzentado quase me-
tálico e belas flores amarelas. Havia exemplares extra-
ordinários, tão grossos que três homens não poderi-
am abraçá-los. O tronco vermelho ferruginoso chega-
va a ter, algumas vezes, 30 metros(...) 
 Náufragos, Degredados e Traficantes. (Eduardo Bueno) 
 
Em 1550, segundo o pastor francês Jean de Lery, em 
um único depósito havia cem mil toras. 
 
Sobre esta riqueza neste período da História do Brasil 
podemos afirmar. 
a) O extrativismo foi rigidamente controlado para evitar o 
esgotamento da madeira. 
b) Provocou intenso povoamento e colonização, já que 
demandava muita mão de obra. 
c) Explorado com mão de obra indígena, através do es-
cambo, gerou feitorias ao longo da costa; seu intenso ex-
trativismo levou ao esgotamento da madeira. 
d) O litoral brasileiro não era ainda alvo de traficantes e 
corsários franceses e de outras nacionalidades, já que a 
madeira não tinha valor comercial. 
e) Os choques violentos com as tribos foram inevitáveis, já 
que os portugueses arrendatários escravizaram as tribos 
litorâneas para a exploração do pau-brasil. 
 
 
 
 
 
 
 
41 
17. (Ufsm 1999) O ano de 1998 marca os quinhentos 
anos do Descobrimento do Brasil, pois, "Em 1498, D. Ma-
nuel ordenava que Duarte Pacheco Pereira navegasse 
pelo Mar Oceano, a partir das ilhas de Cabo Verde até o 
limite de 370 léguas [estipuladas pelo Tratado de Tordesi-
lhas]. É esta a primeira viagem, efetivamente conhecida 
pelos portugueses, às costas do litoral norte do Brasil" 
 (FRANZEN, Beatriz. A presença portuguesa no Brasil antes de 1500. 
In: ESTUDOS LEOPOLDENSES. São Leopoldo: Unisinos, 1997. p. 95.). 
 
Esse fato fez parte 
a) da expansão marítimo-comercial europeia, que deslo-
cou o eixo econômico do Mediterrâneo para o Atlântico. 
b) da expansão capitalista portuguesa, em sua fase mer-
cantil-colonial plenamente consolidada no Brasil. 
c) do avanço marítimo português, tendo Duarte Pacheco 
Pereira papel relevante na espionagem e pirataria no 
Atlântico. 
d) do processo de instalação de feitorias no Brasil, pois 
Duarte Pacheco Pereira instalou a primeira feitoria, ou 
seja, São Luiz do Maranhão. 
e) das expedições exploradas do litoral brasileiro, cujo 
papel de reconhecimento econômico e geográfico coube a 
Duarte Pacheco Pereira. 
 
18. (Faap 1997) Em apenas uma alternativa é falsa a 
correspondência entre a data e o fato importante: 
a) 1315 - Tomada de Ceuta (Início das Grandes Navega-
ções) 
b) 1434 - Gil Eanes chega à Índias 
c) 1471 - Os portugueses chegam ao Equador 
d) 1488 - Bartolomeu Dias chega ao Cabo da Boa Espe-
rança 
e) 1498 - Vasco da Gama chega às Índias 
 
19. (Fgv 1997) Com relação aos indígenas brasileiros, 
pode-se afirmar que: 
a) os primitivos habitantes do Brasil viviam na etapa paleo-
lítica do desenvolvimento humano; 
b) os índios brasileiros não aceitaram trabalhar para os 
colonizadores portugueses na agricultura não por pregui-
ça, e sim porque não conheciam a agricultura; 
c) os índios brasileiros falavam todos a chamada "língua 
geral" tupi-guarani; 
d) os tupis do litoral não precisavam conhecer a agricultura 
porque tinham pesca abundante e muitos frutos do mar de 
conchas, que formaram os "sambaquis"; 
e) os índios brasileiros, como um todo, não tinham homo-
geneidade nas suas variadas culturas e nações. 
 
20. (Faap 1997) Em apenas uma alternativa é falsa a 
correspondência entre a data e o fato importante: 
a) 1380 - Tárik, chefe muçulmano, invadiu a Península 
Ibérica 
b) 1385 - Batalha de Aljubarrota com a vitória dos portu-
gueses contra os espanhóis 
c) 1415 - Queda de Ceuta e início da expansão portugue-
sa 
d) 1498 - Vasco da Gama chegou às Índias 
e) 1500 - A expedição de Cabral chegou às costas do 
Brasil 
 
21. (Ufpe 1996) Portugal e Espanha foram, no século 
XV, as nações modernas da Europa, portanto pionei-
ras nos grandes descobrimentos marítimos. Identifi-
que as realizações portuguesas e as espanholas, no 
que diz respeito a esses descobrimentos. 
 
1. Os espanhóis, navegando para o Ocidente, descobri-
ram, em 1492, as terras do Canadá. 
2. Os portugueses chegaram ao Cabo das Tormentas, na 
África, em 1488. 
3. Os portuguesescompletaram o caminho para as Índias, 
navegando para o Oriente, em 1498. 
4. A coroa espanhola foi responsável pela primeira circu-
navegação da Terra iniciada em 1519, por Fernão de Ma-
galhães. Sebastião El Cano chegou de volta à Espanha 
em 1522. 
5. Os portugueses chegaram às Antilhas em 1492, con-
fundindo o Continente Americano com as Índias. 
 
Estão corretos apenas os itens: 
a) 2, 3 e 4; 
b) 1, 2 e 3; 
c) 3, 4 e 5; 
d) 1, 3 e 4; 
e) 2, 4 e 5. 
 
22. (Mackenzie 1996) As razões do pioneirismo portu-
guês na Expansão Marítima dos séculos XV e XVI fo-
ram: 
a) a invasão da Península Ibérica pelos árabes e a con-
quista de Calicute pelos turcos. 
b) a assinatura do Tratado de Tordesilhas por Portugal e 
pelos demais países europeus. 
c) um Estado Liberal centralizado, voltado para a acumu-
lação de novos mercados consumidores. 
d) As guerras religiosas, a descentralização política do 
Estado e o fortalecimento dos laços servis. 
e) uma monarquia centralizada, interessada no comércio 
de especiarias. 
 
23. (Fuvest 1995) Sobre o Tratado de Tordesilhas, 
assinado em 7 de junho de 1494, pode-se afirmar que 
objetivava: 
a) demarcar os direitos de exploração dos países ibéricos, 
tendo como elemento propulsor o desenvolvimento da 
expansão comercial marítima. 
b) estimular a consolidação do reino português, por meio 
da exploração das especiarias africanas e da formação do 
exército nacional. 
c) impor a reserva de mercado metropolitano, por meio da 
criação de um sistema de monopólios que atingia todas as 
riquezas coloniais. 
d) reconhecer a transferência do eixo do comércio mundial 
do Mediterrâneo para o Atlântico, depois das expedições 
de Vasco da Gama às Índias. 
e) reconhecer a hegemonia anglo-francesa sobre a explo-
ração colonial, após a destruição da Invencível Armada de 
Felipe II, da Espanha. 
 
 
 
 
 
 
 
42 
24. (Cesgranrio 1995) O descobrimento do Brasil foi 
parte do plano imperial da Coroa Portuguesa, no sécu-
lo XV. Embora não houvesse interesse específico de 
expansão para o Ocidente,... 
a) a posse de terras no Atlântico ocidental consolidava a 
hegemonia portuguesa neste Oceano. 
b) o Brasil era uma alternativa mercantil ao comércio por-
tuguês no Oriente. 
c) o desvio da esquadra de Cabral seguia a mesma inspi-
ração de Colombo para chegar às Índias. 
d) a procura de terras no Ocidente foi uma reação de Por-
tugal ao Tratado de Tordesilhas, que o afastava da Améri-
ca. 
e) essa descoberta foi mero acaso, provocado pelas in-
tempéries que desviaram a esquadra da rota da Índia. 
 
25. (Ufmg 1995) O Tratado de Tordesilhas, assinado 
em 1494, 
a) foi elaborado segundo os mais modernos conhecimen-
tos cartográficos, baseados nas teorias do geógrafo e 
astrônomo grego Ptolomeu. 
b) foi respeitado pelos portugueses até o século XVIII, 
quando novas negociações resultaram no Tratado de Ma-
dri. 
c) nasceu de uma atitude inovadora na época: a de resol-
ver problemas políticos entre nações concorrentes pela via 
diplomática. 
d) resultou da ação dos monarcas espanhóis que resisti-
ram à adoção da Bula lntercoetera, contrária aos seus 
interesses. 
e) surgiu da necessidade de definir a possessão do territó-
rio brasileiro disputado por Portugal e Espanha. 
 
26. (Unesp 1995) Os primitivos habitantes do Brasil 
foram vítimas do processo colonizador. O europeu, 
com visão de mundo calcada em preconceitos, me-
nosprezou o indígena e sua cultura. A acreditar nos 
viajantes e missionários, a partir de meados do século 
XVI, há um decréscimo da população indígena, que se 
agrava nos séculos seguintes. Os fatores que mais 
contribuíram para o citado decréscimo foram: 
a) a captura e a venda do índio para o trabalho nas minas 
de prata do Potosi. 
b) as guerras permanentes entre as tribos indígenas e 
entre índios e brancos. 
c) o canibalismo, o sentido mítico das práticas rituais, o 
espírito sanguinário, cruel e vingativo dos naturais. 
d) as missões jesuíticas do vale amazônico e a exploração 
do trabalho indígena na extração da borracha. 
e) as epidemias introduzidas pelo invasor europeu e a 
escravidão dos índios. 
 
27. (Cesgranrio 1993) Acerca da expansão marítima 
comercial implementada pelo Reino Português, pode-
mos afirmar que: 
a) a conquista de Ceuta marcou o início da expansão, ao 
possibilitar a acumulação de riquezas para a manutenção 
do empreendimento. 
b) a conquista da Baía de Arguim permitiu a Portugal mon-
tar uma feitoria e manter o controle sobre importantíssima 
rota comercial intra-africana. 
c) a instalação da feitoria de São Paulo de Luanda possibi-
litou a montagem de grande rede de abastecimento de 
escravos para o mercado europeu. 
d) o domínio português de Piro e Sidon e o consequente 
monopólio de especiarias do Oriente Próximo tornaram 
desinteressante a conquista da Índia. 
e) a expansão da lavoura açucareira escravista na Ilha da 
Madeira, após 1510, aumentou o preço dos escravos, 
tanto nos portos africanos, quanto nas praças brasileiras. 
Tema: Primeiros tempos da colônia (Parte 02) 
 
1. (Espcex (Aman) 2015) “Os primeiros trinta anos da 
História do Brasil são conhecidos como período Pré-
Colonial. Nesse período, a coroa portuguesa iniciou a 
dominação das terras brasileiras, sem, no entanto, 
traçar um plano de ocupação efetiva. […] A atenção da 
burguesia metropolitana e do governo português es-
tavam voltados para o comércio com o Oriente, que 
desde a viagem de Vasco da Gama, no final do século 
XV, havia sido monopolizado pelo Estado português. 
[…] O desinteresse português em relação ao Brasil 
estava em conformidade com os interesses mercanti-
listas da época, como observou o navegante Américo 
Vespúcio, após a exploração do litoral brasileiro, po-
de-se dizer que não encontramos nada de proveito”. 
 
Berutti, 2004. 
 
Sobre o período retratado no texto, pode-se afirmar 
que o(a) 
a) desinteresse português pelo Brasil nos primeiros anos 
de colonização, deu-se em decorrência dos tratados co-
merciais assinados com a Espanha, que tinha prioridade 
pela exploração de terras situadas a oeste de Greenwich. 
b) maior distância marítima era a maior desvantagem bra-
sileira em relação ao comércio com as Índias. 
c) desinteresse português pode ser melhor explicado pela 
resistência oferecida pelos indígenas que dificultavam o 
desembarque e o reconhecimento das novas terras. 
d) abertura de um novo mercado na América do Sul, am-
pliava as possibilidades de lucro da burguesia metropolita-
na portuguesa. 
e) relativo descaso português pelo Brasil, nos primeiros 
trinta anos de História, explica-se pela aparente inexistên-
cia de artigos (ou produtos) que atendiam aos interesses 
daqueles que patrocinavam as expedições. 
 
2. (Udesc 2015) Leia com atenção o fragmento retira-
do da Carta de Pero Vaz de Caminha. 
 
“E quando veio ao Evangelho, que nos erguemos to-
dos em pé, com as mãos levantadas, eles [os índios] 
se levantaram conosco e alçaram as mãos, ficando 
assim, até ser acabado; e então tornaram-se a assen-
tar como nós. E quando levantaram a Deus, que nos 
pusemos de joelhos, eles se puseram assim todos, 
como nós estávamos com as mãos levantadas, e em 
tal maneira sossegados, que, certifico a Vossa Alteza, 
nos fez muita devoção.” 
 
Pero Vaz de Caminha. In: OLIVIERI, A. C. e VILLA, M. A. 
Crônicas do descobrimento. São Paulo: Ática, 1999, p. 23. 
 
 
Em relação à Carta de Caminha para o Rei de Portugal, 
pode-se dizer que é: 
a) Uma narrativa que projeta sobre as populações nativas 
uma visão de mundo cristão, como se o Brasil fosse uma 
espécie de paraíso edênico. 
b) Um relato imparcial sobre as populações indígenas, 
porque o autor narra exatamente o que viu e viveu no Bra-
sil. 
 
 
 
 
 
 
43 
c) Uma narrativa capaz de identificar a verdadeira essên-
cia das populações indígenas brasileiras que já conheciam 
o cristianismo, e traziam no seu íntimo um conhecimentoprévio dos ensinamentos pregados por Cristo a seus dis-
cípulos. 
d) Um relato que expressa total ignorância e despreparo 
do cronista sobre o caráter dissimulado e estratégico das 
populações indígenas, que desejavam tão somente ga-
nhar a confiança dos viajantes europeus para obter lucros 
e fazer alianças políticas para derrotar seus inimigos. 
e) Um relato sem valor histórico, pois está marcado por 
uma perspectiva eurocêntrica e preconceituosa sobre os 
habitantes nativos do Brasil. 
 
3. (Pucsp 2014) "Descoberto o Novo Mundo e instau-
rado o processo de colonização, começou a se desen-
rolar o embate entre o Bem e o Mal." 
Laura de Mello e Souza. Inferno Atlântico. São Paulo: 
Companhia das Letras, 1993, p. 22-23. 
 
Na percepção de muitos colonizadores portugueses do 
Brasil, uma das armas mais importantes utilizadas nesse 
―embate entre o Bem e o Mal‖ era a 
a) retomada de padrões religiosos da Antiguidade. 
b) defesa do princípio do livre arbítrio. 
c) aceitação da diversidade de crenças. 
d) busca da racionalidade e do espírito científico. 
e) catequização das populações nativas. 
 
4. (G1 - ifsp 2013) Publicado em Veneza, em 1556, o 
mapa abaixo é um dos primeiros a mostrar o Brasil 
individualmente. Raro, ele faz parte de uma obra italia-
na, Atlas dele navigazione e Viaggi (Atlas de navega-
ção e Viagens), de Giovanni Battista Ramusio. 
 
 
 
Trata-se de uma pintura da época sobre o Brasil, a qual 
revela pouca preocupação geográfica, mas que nos mos-
tra: 
a) uma terra de riquezas: a exuberância das matas, a far-
tura de peixes nos mares e a existência de povoadores 
fortes, sadios e trabalhadores. 
b) indígenas extraindo troncos de pau-brasil que, depois, 
eram empilhados nas feitorias. Chegando os portugueses, 
os nativos eram recompensados através de um escambo 
com produtos europeus. 
c) o início da colonização do Brasil: os indígenas estão 
derrubando as árvores para formar os campos onde seria 
feito o plantio da cana-de-açúcar e a construção dos en-
genhos. 
d) o medo dos nativos brasileiros com a chegada das naus 
portuguesas: eles estão abatendo árvores para construção 
de fortificações e defesa da ameaça europeia. 
e) homens nus, selvagens, que conviviam pacificamente 
com animais de grande porte, o que causava grande es-
panto e medo aos colonizadores. 
 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Leia o texto para responder à questão. 
 
[Os tupinambás] têm muita graça quando falam [...]; mas 
faltam-lhe três letras das do ABC, que são F, L, R grande 
ou dobrado, coisa muito para se notar; porque, se não têm 
F, é porque não têm fé em nenhuma coisa que adoram; 
nem os nascidos entre os cristãos e doutrinados pelos 
padres da Companhia têm fé em Deus Nosso Senhor, 
nem têm verdade, nem lealdade a nenhuma pessoa que 
lhes faça bem. E se não têm L na sua pronunciação, é 
porque não têm lei alguma que guardar, nem preceitos 
para se governarem; e cada um faz lei a seu modo, e ao 
som da sua vontade; sem haver entre eles leis com que se 
governem, nem têm leis uns com os outros. E se não têm 
esta letra R na sua pronunciação, é porque não têm rei 
que os reja, e a quem obedeçam, nem obedecem a nin-
guém, nem ao pai o filho, nem o filho ao pai, e cada um 
vive ao som da sua vontade [...]. 
 
(Gabriel Soares de Souza. Tratado descritivo do Brasil em 
1587, 1987.) 
 
 
5. (Unesp 2013) Os comentários de Gabriel Soares de 
Souza expõem 
a) a dificuldade dos colonizadores de reconhecer as pecu-
liaridades das sociedades nativas. 
b) o desejo que os nativos sentiam de receber orientações 
políticas e religiosas dos colonizadores. 
c) a inferioridade da cultura e dos valores dos portugueses 
em relação aos dos tupinambás. 
d) a ausência de grupos sedentários nas Américas e a 
missão civilizadora dos portugueses. 
e) o interesse e a disposição dos europeus de aceitar as 
características culturais dos tupinambás. 
 
 
 
 
 
 
 
44 
6. (Unimontes 2012) O período compreendido entre 
1500 e 1530 é denominado, pela historiografia tradici-
onal, de “período pré-colonial”. Entre as característi-
cas dessa época, é INCORRETO elencar. 
 
 
a) a fundação de feitorias e a exploração do pau-brasil. 
b) o envio de expedições ―guarda-costas‖ para a defesa do 
litoral. 
c) a presença de franceses ―contrabandeando‖ pau-brasil. 
d) a fundação de vilas e cidades e a introdução da escra-
vidão. 
 
 
7. (Pucsp 2012) Mostraram-lhes um carneiro; não fize-
ram caso dele. Mostraram-lhes uma galinha; quase 
tiveram medo dela, e não lhe queriam por mão. Depois 
lhe pegaram, mas como espantados. Deram-lhes ali de 
comer: pão e peixe cozido, confeitos, bolos, mel, fi-
gos-passa. Não quiseram comer daquilo quase nada; e 
se provaram alguma coisa, logo a lançavam fora. 
Trouxeram-lhes vinho em uma taça; mal lhe puseram a 
boca, não gostaram dele nada, nem quiseram mais. 
 
―A carta de Pero Vaz Caminha‖, maio de 1500. Extraído de 
Dea Ribeiro Fenelon. 50 textos de história do Brasil. São 
Paulo: Hucitec, 1986, p. 23. 
 
O documento mostra um dos primeiros contatos entre 
portugueses e nativos do atual Brasil. Podemos dizer, 
entre outras coisas, que a carta, na sua íntegra, demons-
tra a 
a) superioridade técnica dos europeus em relação aos 
indígenas e os motivos de a conquista portuguesa não ter 
enfrentado resistência. 
b) necessidade de reeducar os hábitos dos indígenas, cuja 
alimentação cotidiana era muito menos diversificada que a 
dos conquistadores. 
c) importância da chegada dos portugueses ao continente 
americano, pois eles trouxeram melhores alimentos e me-
lhores hábitos de vestimenta. 
d) variedade de hábitos culturais de europeus e indígenas, 
ao expor diferenças nas vestimentas, nos utensílios e na 
alimentação. 
e) harmonia plena com que se deram as relações entre 
conquistadores e conquistados, que se identificaram facil-
mente. 
 
 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Leia o texto a seguir. 
 
Nas primeiras três décadas que se seguiram à passagem 
da armada de Cabral, além das precárias guarnições das 
feitorias [...], apenas alguns náufragos [...] e “lançados” 
atestavam a soberania do rei de Portugal no litoral ameri-
cano do Atlântico Sul. 
 
(Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota. História do Bra-
sil: uma interpretação, 2008.) 
 
 
8. (Unesp 2012) No processo de ocupação portuguesa 
do atual território do Brasil, as primeiras três décadas 
que se seguiram à passagem da armada de Cabral 
podem ser caracterizadas como um período em que 
a) Portugal não se dedicou regularmente à sua coloniza-
ção, pois estava voltado prioritariamente para a busca de 
riquezas no Oriente. 
b) prevaleceram as atividades extrativistas, que tinham por 
principal foco a busca e a exploração de ouro nas regiões 
centrais da colônia. 
c) Portugal estabeleceu rotas regulares de comunicação, 
interessado na imediata exploração agrícola das férteis 
terras que a colônia oferecia. 
d) prevaleceram as disputas pela colônia com outros paí-
ses europeus e sucessivos episódios de invasão holande-
sa e francesa no litoral brasileiro. 
e) Portugal implantou fortificações ao longo do litoral e 
empenhou-se em estender seus domínios em direção ao 
sul, chegando até a região do Prata. 
 
9. (Pucsp 2011) “O Brasil é uma criação recente. An-
tes da chegada dos europeus (...) essas terras imen-
sas que formam nosso país tiveram sua própria histó-
ria, construída ao longo de muitos séculos, de muitos 
milhares de anos. Uma história que a Arqueologia co-
meçou a desvendar apenas nos últimos anos.” 
 
Norberto Luiz Guarinello. Os primeiros habitantes do Bra-
sil. A arqueologia pré-histórica no Brasil. São Paulo: Atual, 
2009 (15ª edição), p. 6 
 
O texto acima afirma que 
a) o Brasil existe há milênios, embora só tenham surgido 
civilizações evoluídas em seu território após a chegada 
dos europeus. 
b) a história do que hoje chamamos Brasil começou muito 
antes da chegada dos europeus e conta com a contribui-
çãode muitos povos que aqui viveram. 
c) as terras que pertencem atualmente ao Brasil são ex-
cessivamente grandes, o que torna impossível estudar sua 
história ao longo dos tempos. 
d) a Arqueologia se dedicou, nos últimos anos, a pesquisar 
o passado colonial brasileiro e seu vínculo com a Europa. 
e) os povos indígenas que ocupavam o Brasil antes da 
chegada dos europeus, foram dizimados pelos conquista-
dores portugueses. 
 
10. (Unicamp 2011) Em carta ao rei D. Manuel, Pero Vaz 
de Caminha narrou os primeiros contatos entre os indí-
genas e os portugueses no Brasil: “Quando eles vieram, 
o capitão estava com um colar de ouro muito grande ao 
pescoço. Um deles fitou o colar do Capitão, e começou a 
fazer acenos com a mão em direção à terra, e depois 
para o colar, como se quisesse dizer-nos que havia ouro 
na terra. Outro viu umas contas de rosário, brancas, e 
acenava para a terra e novamente para as contas e para 
o colar do Capitão, como se dissesse que dariam ouro 
por aquilo. Isto nós tomávamos nesse sentido, por assim 
o desejarmos! Mas se ele queria dizer que levaria as con-
tas e o colar, isto nós não queríamos entender, porque 
não havíamos de dar-lhe!” 
(Adaptado de Leonardo Arroyo, A carta de Pero Vaz de Caminha. São 
Paulo: Melhoramentos; Rio de Janeiro: INL, 1971, p. 72-74.) 
 
 
 
 
 
 
45 
Esse trecho da carta de Caminha nos permite concluir que 
o contato entre as culturas indígena e europeia foi 
a) favorecido pelo interesse que ambas as partes demons-
travam em realizar transações comerciais: os indígenas se 
integrariam ao sistema de colonização, abastecendo as 
feitorias, voltadas ao comércio do pau-brasil, e se misci-
genando com os colonizadores. 
b) guiado pelo interesse dos descobridores em explorar a 
nova terra, principalmente por meio da extração de rique-
zas, interesse que se colocava acima da compreensão da 
cultura dos indígenas, que seria quase dizimada junto com 
essa população. 
c) facilitado pela docilidade dos indígenas, que se associa-
ram aos descobridores na exploração da nova terra, viabi-
lizando um sistema colonial cuja base era a escravização 
dos povos nativos, o que levaria à destruição da sua cultu-
ra. 
d) marcado pela necessidade dos colonizadores de obte-
rem matéria-prima para suas indústrias e ampliarem o 
mercado consumidor para sua produção industrial, o que 
levou à busca por colônias e à integração cultural das 
populações nativas. 
 
11. (Ufv 2010) Sobre o período Pré-colonial, é COR-
RETO afirmar: 
a) Um grupo de mercadores portugueses, representados 
por Fernão de Loronha, arrendou o direito de exploração 
do território, no início do século XVI. 
b) A extração de pau-brasil era destinada à exportação 
dessa madeira para a construção de fortes e edifícios ad-
ministrativos portugueses nas possessões ultramarinas do 
Oriente, como Goa e Nagasaki. 
c) A administração do Governador-Geral Duarte da Costa 
permitiu a utilização da mão de obra indígena na instaura-
ção de feitorias que, mais tarde, possibilitariam a imple-
mentação dos engenhos de açúcar. 
d) A produção de cana-de-açúcar em Pernambuco e São 
Vicente, assim como de algodão, no Maranhão, permitiu a 
expansão da presença portuguesa para além dos limites 
impostos pelo Tratado de Tordesilhas. 
 
12. (Ufpi 2008) O período da nossa história conhecido 
como Pré-colonizador pode ser caracterizado pelos 
seguintes pontos: 
 
I. A descoberta de metais preciosos, particularmente, prata 
e diamantes na região amazônica. 
II. A montagem de estabelecimentos provisórios, conheci-
dos como feitorias, onde eram feitas trocas comerciais 
entre os navegantes portugueses e os povos indígenas do 
Brasil. 
III. A criação das cidades de São Vicente e Desterro no 
litoral da América Portuguesa. 
IV. A utilização da mão de obra indígena para a explora-
ção de madeira, particularmente, do pau-brasil. 
 
Dentre as afirmativas anteriores estão corretas apenas: 
a) I e II 
b) II e III 
c) II e IV 
d) III e IV 
e) I e IV 
 
13. (Pucsp 2008) Leia as duas estrofes a seguir: 
 
"Pindorama, Pindorama 
É o Brasil antes de Cabral 
Pindorama, Pindorama 
É tão longe de Portugal 
Fica além, muito além 
Do encontro do mar com o céu 
Fica além, muito além 
Dos domínios de Dom Manuel. 
 
Vera Cruz, Vera Cruz 
Quem achou foi Portugal 
Vera Cruz, Vera Cruz 
Atrás do Monte Pascoal 
Bem ali Cabral viu 
Dia vinte e dois de abril 
Não só viu, descobriu 
Toda terra do Brasil." 
 
 Pindorama, de Sandra Peres e Luiz Tatit, in "Pala-
vra Cantada", Canções Curiosas, 1998. 
 
Entre as várias referências da letra da canção à chegada 
dos portugueses à América, pode-se mencionar 
a) a preocupação com os perigos da viagem, a distância 
excessiva e a datação exata do momento da descoberta. 
b) o caráter documental do texto, que reproduz o tom, a 
intenção informativa e a estrutura dos relatos de viajantes. 
c) a dúvida quanto à expressão mais adequada para de-
signar a chegada dos portugueses, daí a variação de ver-
bos. 
d) o pequeno conhecimento das novas terras pelos con-
quistadores, indicando sua crença de terem chegado às 
Índias. 
e) a diferença entre os termos que nomeavam as terras, 
sugerindo uma diferença entre a visão do índio e a do 
português. 
 
14. (Ufpa 2008) Considere o texto a seguir: 
 
"Em toda a semana [os homens] se ocupam em fazer 
roças para seus mantimentos (que antes não faziam 
senão as mulheres)". 
("Cartas dos primeiros jesuítas do Brasil (1538-1553)". 
Editadas por Serafim Leite. São Paulo: Comissão do IV 
Centenário, 1954, v. I, p. 179). 
 
Neste texto descreve-se uma mudança na divisão social 
do trabalho indígena (trabalho masculino e feminino), que 
ocorreu no Brasil colonial com a chegada dos padres jesu-
ítas. Contudo, antes desta mudança, cabia aos homens e 
às mulheres tupinambás: 
a) os homens derrubavam a floresta, caçavam e pesca-
vam, e as mulheres trabalhavam no plantio. 
b) os homens trabalhavam no plantio, caçavam, pesca-
vam, e as mulheres derrubavam a floresta. 
c) os homens trabalhavam na obtenção de alimentos, e as 
mulheres na criação dos filhos. 
d) os homens derrubavam a floresta, e as mulheres obti-
nham os alimentos. 
e) os homens trabalhavam na obtenção de alimentos, e as 
mulheres na organização das cerimônias religiosas. 
 
 
 
 
 
 
46 
15. (Ufal 2007) Considere a ilustração. 
 
Extração do pau-brasil pelos índios. Detalhe ornamental 
de mapa do Atlas de Johannes van Keulen, 1683. 
 (In: Elza Nadai e Joana Neves. "História do Brasil". 
São Paulo: Saraiva, 1996. p. 39) 
 
A devastação das florestas brasileiras não é uma prá-
tica recente. No contexto da história do Brasil colonial, 
essa devastação decorreu da exploração do pau-
brasil, como mostra a ilustração, que era uma ativida-
de 
a) praticada pelos povos indígenas para comércio interno, 
antes mesmo da chegada dos europeus. 
b) desprezada pelos colonizadores portugueses, razão 
pelo qual os franceses a praticavam utilizando o trabalho 
dos índios. 
c) considerada monopólio da Coroa portuguesa e gerou 
muitos conflitos entre índios, portugueses e franceses. 
d) realizada entre índios e ingleses porque os franceses 
estavam interessados exclusivamente na busca do ouro e 
prata. 
e) desenvolvida pelos holandeses que utilizavam o traba-
lho do índio e os remuneravam com baixos salários. 
 
16. (Fatec 2007) Se levarmos em conta que os coloni-
zadores portugueses mantiveram um contato maior 
com as nações tupi, podemos dizer que as sociedades 
indígenas brasileiras viviam num regime de comuni-
dade primitiva, no qual 
a) não existia propriedade privada, pois os únicos bens 
individuais eram os instrumentos de caça, pesca e traba-
lho, como o arco, a flecha e o machado de pedra. 
b) cabia aos homens, além da caça e da pesca, toda a 
atividade agrícola do plantio a da colheita. 
c) cada família tinha a sua propriedade, apesar de todos 
trabalharempara o sustento da comunidade. 
d) a economia era planificada, e todo o excedente era 
trocado com as tribos vizinhas. 
e) tanto a propriedade privada quanto a agricultura de 
subsistência e a divisão de trabalho obedeciam a critérios 
naturais, ou seja, de acordo com o sexo e a idade. 
 
17. (Ufscar 2006) (...) Pré-História do Brasil compreen-
de a existência de uma crescente variedade linguísti-
ca, cultural e étnica, que acompanhou o crescimento 
demográfico das primeiras levas constituídas por 
poucas pessoas (...) que chegaram à região até alcan-
çar muitos milhões de habitantes na época da chega-
da da frota de Cabral. (...) não houve apenas um pro-
cesso histórico, mas numerosos, distintos entre si, 
com múltiplas continuidades e descontinuidades, tan-
tas quanto as etnias que se formaram constituindo ao 
longo dos últimos 30, 40, 50, 60 ou 70 mil longos anos 
de ocupação humana das Américas. 
 (Pedro Paulo Funari e Francisco Silva Noeli. "Pré-
História do Brasil", 2002.) 
 
Considerando o texto, é correto afirmar que 
a) as populações indígenas brasileiras são de origem his-
tórica diversa e, da perspectiva linguística, étnica e cultu-
ral, se constituíram como sociedades distintas. 
b) uma única leva imigratória humana chegou à América 
há 70 mil anos e dela descendem as populações indíge-
nas brasileiras atuais. 
c) a concepção dos autores em relação à Pré-História do 
Brasil sustenta-se na ideia da construção de uma experi-
ência evolutiva e linear. 
d) os autores descrevem o processo histórico das popula-
ções indígenas brasileiras como uma trajetória fundada na 
ideia de crescente progresso cultural. 
e) na época de Cabral, as populações indígenas brasilei-
ras eram numerosas e estavam em um estágio evolutivo 
igual ao da Pré-História europeia. 
 
18. (Ueg 2005) Seja qual for o termo utilizado para 
descrever o encontro de indígenas e europeus no con-
tinente americano no findar do século XV, é consenso 
que seu resultado foi, ao mesmo tempo, lucrativo para 
os europeus e desastroso para as populações indíge-
nas. Sobre as consequências de tal encontro, analise 
as seguintes proposições: 
 
I. A colonização da América do Norte foi empreendida por 
famílias inglesas em fuga da Inglaterra por causa das per-
seguições religiosas. Ao implementá-la, os colonos dizima-
ram grande parte da população nativa, considerada um 
empecilho para os seus interesses. 
II. A estrutura básica da economia colonial na América do 
Norte foi a pequena propriedade fundamentada no traba-
lho familiar, na policultura e em uma indústria rudimentar, 
principalmente na área têxtil. 
III. A partir da descoberta da América, pode-se notar o 
interesse da Igreja em cristianizar os nativos, preservando 
as culturas locais, ao mesmo tempo em que se introduzia 
pacificamente a nova religião. 
IV. Nas possessões portuguesas, houve pouco interesse 
na efetiva ocupação do território, devido à prioridade dada 
pelo reino lusitano ao comércio com as Índias e ao fato de 
não terem sido encontrados metais preciosos nos primei-
ros contatos. 
 
Assinale a alternativa CORRETA: 
a) As proposições I, II e III são verdadeiras. 
b) As proposições II, III e IV são verdadeiras. 
c) As proposições I, II e IV são verdadeiras. 
d) As proposições I e III são verdadeiras. 
e) Todas as proposições são verdadeiras. 
 
 
 
 
 
 
 
47 
19. (Unesp 2004) Observe a figura e leia o texto. 
 
(Reprodução da tela Primeira Missa no Brasil. Vítor Meireles, 1861.) 
 
Chantada a Cruz, com as Armas e a divisa de Vossa 
Alteza, que primeiramente lhe pregaram, armaram altar 
ao pé dela. Ali disse missa o padre Frei Henrique (...). 
Ali estiveram conosco (...) cinquenta ou sessenta de-
les, assentados todos de joelhos, assim como nós. (...) 
[Na terra], até agora, não pudemos saber que haja ou-
ro, nem prata, nem coisa alguma de metal (...) Porém, 
o melhor fruto que dela se pode tirar me parece que 
será salvar esta gente. E esta deve ser a principal se-
mente que Vossa Alteza em ela deve lançar. 
(Pero Vaz de Caminha. Carta do Achamento do Brasil, 
10.05.1500.) 
 
A respeito da tela e do texto, é correto afirmar que 
a) demonstram a submissão da monarquia portuguesa à 
contra-reforma católica. 
b) expressam o encantamento dos europeus com a exube-
rância natural da terra. 
c) atestam, como documentos históricos, o caráter confli-
tuoso dos primeiros contatos entre brancos e índios. 
d) representam o índio sem idealização, reservando-lhe 
lugar de destaque no quadro, o que era pouco comum. 
e) apresentam uma leitura do passado na qual os portu-
gueses figuram como portadores da civilização. 
 
20. (Ufc 2004) Acerca das pretensões iniciais da ex-
ploração e conquista do Brasil, assinale a alternativa 
correta. 
a) Interesses antropológicos levaram os portugueses a 
fazer contato com outros povos, entre eles os índios do 
Brasil. 
b) O rei dom Manuel tinha-se proposto chegar às Índias 
navegando para o ocidente, antecipando-se, assim, a Cris-
tovão Colombo. 
c) O interesse científico de descobrir e classificar novas 
espécies motivou cientistas portugueses para lançarem-se 
à aventura marítima. 
d) Os conquistadores estavam interessados em encontrar 
terras férteis para desenvolver a cultura do trigo e, assim, 
dar solução às crises agrícolas que sofriam em Portugal. 
e) Os portugueses estavam interessados nas riquezas que 
as novas terras descobertas podiam conter, além de ga-
rantir a segurança da rota para as Indias. 
 
 
 
21. (Ufpe 2003) As feitorias portuguesas no Novo 
Mundo foram formas de assegurar, aos conquistado-
res, as terras descobertas. Sobre essas feitorias, é 
correto afirmar que: 
a) a feitoria foi uma forma de colonização, empregada por 
portugueses na África, na Ásia e no Brasil, com pleno êxito 
para a atividade agrícola. 
b) as feitorias substituíram as capitanias hereditárias du-
rante o Governo Geral de Mem de Sá, como proposta 
mais moderna de administração colonial. 
c) as feitorias foram estabelecimentos fundados por portu-
gueses no litoral das terras conquistadas e serviam para 
armazenamento de produtos da terra, que deveriam seguir 
para o mercado europeu. 
d) tanto as feitorias portuguesas fundadas ao longo do 
litoral brasileiro quanto as fundadas nas Índias tinham 
idêntico caráter: a presença do Estado português e a au-
sência de interesses de particulares. 
e) o êxito das feitorias afastou a presença de corsários 
franceses e estimulou a criação das capitanias hereditá-
rias. 
 
22. (Fuvest 2003) Os portugueses chegaram ao terri-
tório, depois denominado Brasil, em 1500, mas a ad-
ministração da terra só foi organizada em 1549. Isso 
ocorreu porque, até então, 
a) os índios ferozes trucidavam os portugueses que se 
aventurassem a desembarcar no litoral, impedindo assim a 
criação de núcleos de povoamento. 
b) a Espanha, com base no Tratado de Tordesilhas, impe-
dia a presença portuguesa nas Américas, policiando a 
costa com expedições bélicas. 
c) as forças e atenções dos portugueses convergiam para 
o Oriente, onde vitórias militares garantiam relações co-
merciais lucrativas. 
d) os franceses, aliados dos espanhóis, controlavam as 
tribos indígenas ao longo do litoral bem como as feitorias 
da costa sul-atlântica. 
e) a população de Portugal era pouco numerosa, impossi-
bilitando o recrutamento de funcionários administrativos. 
 
23. (Ufes 2001) Os Tupinikim, uma das maiores na-
ções indígenas brasileiras, possuíam as seguintes 
características no período colonial: 
 
I - viviam da pesca, da caça, da coleta de frutos e raízes 
proporcionada pelas florestas e matas; 
II - tiveram suas manifestações culturais, tradições e ritos 
cerceados, nas regiões onde foram encampados pelos 
aldeamentos jesuítas; 
III - exploravam latifúndios respeitados pela colonização 
branca e viviam pacificamente com os portugueses no 
interior do Brasil; 
IV - ocupavam parte do litoral brasileiro, nafaixa compre-
endida entre o sul da Bahia e o Paraná. 
 
Em relação às proposições acima, está CORRETO o que 
se afirma 
a) apenas em I, II e III. 
b) apenas em II, III e IV. 
c) apenas em I, III e IV. 
d) apenas em I, II e IV. 
e) em todas elas. 
 
 
 
 
 
 
48 
24. (Mackenzie 2001) E então, por cerca de trinta anos, 
aquele vasto território seria virtualmente abandonado pela 
Coroa portuguesa, sendo arrendado para a iniciativa Pri-
vada e se tornando uma imensa fazenda extrativista de 
pau-brasil. Iriam se iniciar, então, as três décadas menos 
documentadas e mais desconhecidas da História do Bra-
sil. 
 Náufragos, Traficantes e Degredados 
 - As Primeiras Expedições do Brasil 
 
Assinale o período histórico analisado pelo texto acima e 
suas características. 
a) Período Colonial, caracterizado pela monocultura e 
economia exportadora de cana-de-açúcar. 
b) Economia mineradora, marcada pelo povoamento da 
área mineira e intensa vida urbana. 
c) Período Pré-Colonial, fase de feitorias, economia extra-
tivista, utilização do escambo com os nativos, ausência de 
colonização sistemática. 
d) Fase da economia cafeeira, com acumulação interna de 
capitais e sem grandes mudanças na estrutura de produ-
ção. 
e) Período Joanino, de grande abertura comercial e pro-
fundas transformações culturais. 
 
25. (Ufrgs 2001) Observe o Cartum abaixo: 
 
 
(Fonte: "Primeira Missa" de Sampaio. ln: "Humores nunca 
dantes navegados: o Descobrimento segundo os cartunis-
tas do sul do Brasil". Porto Alegre: SEC-RS, 2000.) 
 
Considerando a situação histórica e os significados ex-
pressos no cartum acima, analise as seguintes afirma-
ções. 
 
I - O cartum retrata o momento inicial da conquista portu-
guesa, demonstrando aspectos do "choque cultura" ocor-
rido entre os conquistadores e os indígenas. 
II - A dominação portuguesa do Brasil não se deu unica-
mente com base na exploração dos recursos naturais e do 
trabalho indígena, mas também apresentou aspectos niti-
damente ideológicos, como a imposição da religião católi-
ca aos autóctones. 
III - O cartum apresenta o momento inicial do contato inte-
rétnico como sendo de tensão e conflito armado e econô-
mico, visto que os nativos reagiram às tentativas de vigi-
lância impostas pelos conquistadores. 
Quais estão corretas? 
a) Apenas I. 
b) Apenas I e II. 
c) Apenas I e III. 
d) Apenas II e III. 
e) I, II e III. 
 
26. (Ufmg 2000) Leia o texto. 
 
E aproximava-se o tempo da chegada das notícias de 
Portugal sobre a vinda das suas caravelas, e espera-
va-se essa notícia com muito medo e apreensão; e por 
causa disso não havia transações, nem de um ducado 
[...] Na feira alemã de Veneza não há muitos negócios. 
E isto porque os Alemães não querem comprar pelos 
altos preços correntes, e os mercadores venezianos 
não querem baixar os preços [...] E na verdade são as 
trocas tão poucas como se não poderia prever. 
 DIÁRIO DUM MERCADOR VENEZIANO, 1508. 
 
O quadro descrito nesse texto pode ser relacionado à 
a) comercialização das drogas do sertão e produtos tropi-
cais da colônia do Brasil. 
b) distribuição, na Europa, da produção açucareira do 
Nordeste brasileiro. 
c) importação pelos portugueses das especiarias das Ín-
dias Orientais. 
d) participação dos portugueses no tráfico de escravos da 
Guiné e de Moçambique. 
 
27. (Uflavras 2000) Enumere os eventos, de acordo 
com o período em que ocorreram e indique a alternati-
va que apresente a ordem CORRETA: 
 
1. Período Pré-colonial (1500-1530) 
2. Período Colonial (1530-1808) 
 
( ) extração assistemática de pau-brasil. 
( ) criação das Capitanias Hereditárias (D. João III). 
( ) envio das expedições "exploradoras" e "guarda-
costas". 
( ) chegada dos jesuítas para catequese dos índios e 
educação dos colonos. 
 
a) 1 - 2 - 2 - 1 
b) 2 - 2 -1 - 1 
c) 1 - 1 - 2 - 2 
d) 2 - 1 - 1 - 2 
e) 1 - 2 - 1 - 2 
 
28. (Ufrrj 2000) "Até agora não pudemos saber se há 
ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal ou ferro; 
nem lha vimos. Contudo a terra em si é de muito bons 
ares frescos e temperados como os de Entre-Douro e 
Minho, porque neste tempo dagora assim os acháva-
mos como os de lá. (As) águas são muitas; infinitas. 
Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, 
dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem! 
 Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar 
parece-me que será salvar esta gente. E esta deve ser 
a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lan-
çar. E que não houvesse mais do que ter Vossa Alteza 
aqui esta pousada para essa navegação de Calicute 
(isso) bastava. Quanto mais, disposição para se nela 
 
 
 
 
 
 
49 
cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a sa-
ber, acrescentamento da nossa fé!" 
 ("Carta de Pero Vaz Caminha ao Rei de Portugal" 
em 1
°
/5/1500.) 
 
Seguindo a evidente preocupação de descrever ao Rei de 
Portugal tudo o que fora observado durante a curta estadia 
na terra denominada de Vera Cruz, o escrivão da frota 
cabralina menciona, na citada carta, possibilidades ofere-
cidas pela terra recém-conhecida aos portugueses. 
Dentre essas possibilidades estão 
a) a extração de metais e pedras preciosas no interior do 
território, área não explorada então pelos portugueses. 
b) a pesca e a caça pela qualidade das águas e terras 
onde aportaram os navios portugueses. 
c) a extração de pau-brasil e a pecuária, de grande valor 
econômico naquela virada de século. 
d) a conversão dos indígenas ao catolicismo e a utilização 
da nova terra como escala nas viagens ao Oriente. 
e) a conquista de Calicute a partir das terras brasileiras e a 
cura de doenças pelos bons ares aqui encontrados. 
 
29. (Uff 2000) A "Carta de Pero Vaz de Caminha", es-
crita em 1500, é considerada como um dos documen-
tos fundadores da Terra Brasilis e reflete, em seu tex-
to, valores gerais da cultura renascentista, dentre os 
quais destaca-se: 
a) a visão do índio como pertencente ao universo não 
religioso, tendo em conta sua antropofagia; 
b) a informação sobre os preconceitos desenvolvidos pelo 
renascimento no que tange à impossibilidade de se formar 
nos trópicos uma civilização católica e moderna; 
c) a identificação do Novo Mundo como uma área de insu-
cesso devido à elevada temperatura que nada deixaria 
produzir; 
d) a observação da natureza e do homem do Novo Mundo 
como resultado da experiência da nova visão de homem, 
característica do século XV; 
e) a consideração da natureza e do homem como inferio-
res ao que foi projetado por Deus na Gênese. 
 
30. (Fgv 2000) Sobre os povos dos sambaquis, é in-
correto afirmar que: 
a) sendo nômades, ocuparam a faixa amazônica, deslo-
cando-se durante milhares de anos, do Marajó a Piratinin-
ga; 
b) sedentários, viviam da coleta de recursos marítimos e 
de pequenas caças; 
c) as pesquisas arqueológicas demonstram que tais povos 
desenvolveram instrumentos de pedra polida e de ossos; 
d) na chegada dos primeiros invasores europeus, esses 
povos já se encontravam subjugados por outros grupos 
sedentários; 
e) esses povos viveram na faixa litorânea, entre o Espírito 
Santo e o Rio Grande do Sul, basicamente dos recursos 
que o mar oferecia. 
 
TEMA: SISTEMA COLONIAL. 
 
01. (Uece 2015) Sobre a sociedade brasileira do perío-
do colonial, pode-se afirmar corretamente que. 
a) buscava afirmar valores nativistas contestando a explo-
ração colonial. 
b) era alicerçada em relações sociais que primavam por 
igualdade e fraternidade. 
c) baseava-se em relações sociais de cunho escravista e 
patriarcal. 
d) procurou imprimir uma nova dinâmica social que em 
nada lembrava a metrópole colonizadora. 
 
2. (Uece 2015) As atividades manufatureiras eram 
geralmente proibidas no Brasil Colonial. Tal proibição 
ocorria, porque. 
a) os produtos consumidos pelos centros urbanos coloni-
ais deveriam ser exclusivamente produzidos na Metrópole. 
b) era preciso garantir quea Colônia fosse consumidora 
dos produtos oferecidos pelos detentores do monopólio 
comercial. 
c) a produção artesanal e industrial no Brasil Colônia po-
deria competir com os produtos metropolitanos. 
d) a produção que atendia ao consumo dos núcleos rurais 
significava uma ameaça ao monopólio comercial. 
 
3. (Uece 2015) A descoberta do ouro no interior de 
Minas deslocou parte da população colonial do litoral 
para o interior. A região das minas foi ocupada por 
centenas de novos habitantes que careciam de tudo: 
alimentos, roupas, gado, cavalos, produtos europeus 
e muitos escravos para trabalhar nas minas. Atente 
para o que se diz acerca dessa que ficou conhecida 
como a “sociedade do ouro”. 
 
I. A base da sociedade mineira eram os africanos escravi-
zados, que constituíam boa parcela dessa sociedade. E, 
embora não representasse a maioria da população, seu 
trabalho era fundamental. 
II. A atividade mineradora também deu origem a uma ca-
mada da sociedade que era extremamente pobre e que 
tinha sido atraída pela ilusão do ouro; era formada por 
escravos libertos e brancos pobres. 
III. Havia uma camada média, composta principalmente de 
brancos, que incluía pequenos comerciantes, tropeiros e 
pequenos produtores de gêneros agrícolas. 
 
Está correto o que se afirma em 
a) I, II e III. 
b) I e II apenas. 
c) II e III apenas. 
d) I e III apenas. 
 
4. (Uece 2015) A seca que, entre 1777 e 1779, devas-
tou o Ceará trouxe uma nova realidade para a cidade 
de Fortaleza, alterando sua paisagem urbana e popu-
lacional. Analise as proposições abaixo e assinale 
aquela que NÃO corresponde ao contexto enunciado. 
a) Os abarracamentos eram chefiados pelos próprios reti-
rantes que se organizavam em vários grupos e dividiam-se 
para distribuir comida, medicação, roupas e até auxílio 
funeral para os que morriam em consequência da varíola 
ou de outra doença qualquer. 
 
 
 
 
 
 
50 
b) Durante a citada seca, a população de Fortaleza teria 
triplicado, em virtude da grande onda de indivíduos que 
foram obrigados a abandonar o interior do Estado em bus-
ca de sobrevivência na capital. 
c) A solução encontrada pelo Presidente da Província para 
abrigar os retirantes foi a criação dos abarracamentos, que 
se constituíram numa solução emergencial para a deman-
da populacional do momento. 
d) A presença dos retirantes na cidade era o retrato vivo 
da miséria, e chocava os olhos da elite e dos moradores 
da cidade de Fortaleza, de modo geral; os poderes institu-
ídos viam–nos como uma gente perigosa que necessitava 
ser vigiada. 
 
5. (Uece 2015) Atente para as afirmações abaixo acer-
ca da utilização da mão de obra indígena nos enge-
nhos de açúcar no período colonial brasileiro. 
 
I. Os indígenas aceitaram mais facilmente o trabalho es-
cravo e se acostumaram à vida com seus senhores, ao 
contrário dos africanos que sempre resistiram. 
II. Os jesuítas empreenderam uma intensa campanha 
contra a escravização dos indígenas, razão pela qual vie-
ram para o Brasil no início da colonização. 
III. As dificuldades de escravização dos indígenas e os 
lucros do tráfico negreiro levaram os portugueses a optar 
pela mão de obra africana. 
 
Está correto o que se afirma somente em 
a) I e II. 
b) II. 
c) II e III. 
d) III. 
 
6. (Uece 2015) Assinale a opção que apresenta corre-
tamente ações atribuídas ao Marquês de Pombal na 
Colônia Brasileira. 
a) Extinção do sistema de capitanias hereditárias e trans-
ferência da sede do governo colonial de Salvador para o 
Rio de Janeiro. 
b) Criação das Companhias Comerciais do Grão Pará e do 
Maranhão, e a organização da Universidade de Coimbra. 
c) Extinção da Mesa de Inspeção dos Portos e da cobran-
ça do quinto na região das minas. 
d) Expulsão dos Jesuítas do Brasil e incentivo à criação 
das indústrias de manufaturas. 
 
7. (Uece 2014) A peculiaridade da pecuária sertaneja 
no Brasil do século XVIII esteve ligada principalmente 
às relações de trabalho nela estabelecidas. Acerca 
dessas relações, é correto afirmar-se que: 
a) predominava o trabalho escravo em larga escala, seme-
lhante ao sistema aplicado nos grandes engenhos de açú-
car. 
b) havia predominância do trabalho de negros libertos, 
mestiços livres, brancos pobres e, em pequena escala, 
escravos africanos. 
c) a mão de obra negra e escrava na pecuária era maioria 
em relação a outros trabalhadores, mas diferenciava-se 
pelo fato de o trabalho ser mais brando. 
d) nas fazendas de gado, o percentual de livres e escravos 
era em torno de cinquenta por cento para cada categoria, 
uma vez que era um trabalho que exigia um grande núme-
ro de trabalhadores. 
 
8. (Uece 2014) Leia o fragmento abaixo atentamente. 
 
“(...) é junto ao papado que os reinos ibéricos buscam 
autoridade para dirimir as disputas pela partilha dos 
mundos a descobrir; e, a partir daí, a legitimação da 
conquista pela catequese (...)” 
 
NOVAIS, Fernando A. In SOUZA, Laura de Mello. Histó-
ria da Vida Privada no Brasil. São Paulo: Companhia 
das Letras, 1997. 
 
A partir do excerto acima, considere as seguintes 
afirmações: 
 
I. A cristianização interligou-se às necessidades do desen-
volvimento mercantil e aos interesses políticos, assumindo 
uma importância decisiva no projeto português para o 
novo mundo. 
II. A religião forneceu a base ideológica da conquista e da 
colonização brasileira; além disso, a catequese possibilitou 
algumas atrocidades cometidas em nome da fé. 
III. A colonização foi motivada por questões materiais e 
políticas, e o discurso universalista da Igreja, de conversão 
dos povos, pouco contribuiu para o projeto da colonização. 
 
Está correto o que se afirma somente em 
a) I e III. 
b) I e II. 
c) II. 
d) III. 
 
9. (Uece 2014) “Em 1590, a colônia brasileira já conta-
va com 150 engenhos espalhados pelas capitanias de 
Pernambuco, Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro. 
As duas primeiras, no entanto, correspondiam a 80% 
do total.” 
LOPEZ, Adriana. “Açúcar: esse doce objeto de dese-
jo”. Revista História Viva: Temas Brasileiros. São Pau-
lo: Duetto Editorial, 2007. p. 20-23. 
 
Dentre os incentivos fiscais e privilégios oferecidos pela 
Coroa aos produtores de cana, encontrava(m)-se 
a) a isenção de impostos para engenhos recém-
construídos e os benefícios tributários sobre o açúcar. 
b) a isenção vitalícia de impostos, ou seja, enquanto o 
proprietário de engenho fosse vivo, não pagaria nenhum 
tipo de imposto. 
c) a redução de pagamento de taxas na importação de 
mão de obra africana apenas para as capitanias do Nor-
deste, em virtude de sua alta produtividade. 
d) a gratuidade da mão de obra para os engenhos recém-
construídos em toda a Colônia. 
 
10. (Uece 2008) "Em 1590, a colônia brasileira já 
contava com 150 engenhos espalhados pelas capita-
nias de Pernambuco, Bahia, Espírito Santo e Rio de 
Janeiro. As duas primeiras, no entanto, correspondi-
am a 80% do total". 
 
 
 
 
 
 
51 
 (Fonte: LOPEZ, Adriana. "Açúcar: esse doce 
objeto de desejo". Revista História Viva: Temas Brasi-
leiros. São Paulo: Duetto Editorial, 2007, pp.20-23.) 
 
Dentre os incentivos fiscais e privilégios oferecidos pela 
Coroa aos produtores de cana, podemos, corretamente, 
citar: 
a) Isenção de impostos para engenhos recém construídos 
e benefícios tributários sobre o açúcar. 
b) Isenção de impostos vitalícios, ou seja, enquanto o pro-
prietário fosse vivo não pagaria nenhum tipo de imposto. 
c) Redução de pagamento de taxas na importação de mão 
de obra africana apenas para as capitanias do Nordeste, 
em virtude de sua alta produtividade. 
d) Mão de obra para os engenhos recémconstruídos e 
situados em Manaus e Belém, providenciada, gratuitamen-
te, pela Coroa Portuguesa. 
 
11. (Uece 2008) Assinale a alternativa em que todos 
os espaços (hoje, estados) sofreram ofensivas holan-
desas, no Brasil Colonial. 
a) Maranhão, Ceará e Pernambuco. 
b) Ceará, Pernambucoe Amazonas. 
c) Ceará, Mato Grosso e Goiás. 
d) Piauí, Pernambuco e Mato Grosso. 
 
12. (Uece 2007) "A corrida do ouro, entre o final do 
século XVII e a primeira década do século XVIII, foi 
talvez a maior migração de homens brancos livres na 
América Portuguesa ao longo de todo o período colo-
nial. Não há nada na história do Brasil que se compare 
a este movimento". 
 Fonte: ROMEIRO, Adriana. A Febre do Ouro. 
"Revista Nossa História". Rio de Janeiro: ano III, n. 36, 
outubro, 2006, p 13/21. 
 
No que compete à situação vivida pelos moradores 
das Gerais na época da corrida do ouro, considere as 
seguintes afirmativas: 
 
I - Nos primeiros tempos, a fome foi companheira fiel dos 
povoadores que, desconhecendo a pobreza da zona mine-
radora, se lançavam na aventura do ouro. Nas ondas de 
fome, ocorridas em períodos críticos, os trabalhadores 
recorriam à caça para garantir algum sustento. 
II - O sal era raro, mas a cachaça era farta. Nas condições 
em que trabalhavam (escravos, na maioria) a aguardente 
proporcionava um estado de semi-embriaguez que tornava 
mais suportáveis as condições de trabalho. 
III - A imagem caótica típica dos relatos dessa época, não 
correspondia à realidade, uma vez que a fluidez geográfi-
ca dos trabalhadores dava-se ao sabor das novas desco-
bertas e do esgotamento das velhas lavras. 
 
São corretas 
a) apenas I e II 
b) apenas I e III 
c) apenas II e III 
d) I, II e III 
 
13. (Uece 2007) "Logo que missionários e cronistas 
pisaram com suas sandálias as margens do Novo 
Mundo, o fervor religioso típico da época combinou-se 
com a beleza estonteante da natureza tropical: terreno 
fértil, chuvas regulares, animais graciosos, boas 
águas e nativos dóceis ao trabalho evangelizador". 
 Fonte: FIGUEIREDO, Luciano. "Rebeliões no 
Brasil Colônia". Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 
2005, p 07/09. 
 
Tomando por base o texto acima, marque a opção que 
revela possíveis razões para as insatisfações que se su-
cederam na relação colônia-metrópole. 
a) As relações mercantis desenvolvidas entre comercian-
tes reinóis e nativos que findavam por privilegiar os habi-
tantes da nova terra. 
b) Nos primórdios da colonização, os produtos agrícolas 
cultivados pelos nativos em grande escala, foram em 
grande parte, o motivo da eclosão dos primeiros conflitos. 
c) O idílio e harmonia acima mencionados se dissipariam à 
medida que Portugal instituía novos poderes e a coloniza-
ção avançava com a intensificação da busca de almas 
para a conversão e de braços para as lavouras. 
d) No período acima sugerido, eram numerosos os protes-
tos realizados pelos nativos que em conjunto com colonos 
armados invadiam as propriedades rurais e espaços da 
administração metropolitana. 
 
14. (Uece 1999) Dentre as principais medidas tomadas 
pelo Marquês de Pombal com relação à colonização 
do Brasil, pode-se assinalar corretamente: 
a) permissão para a criação de manufaturas e indústrias 
no Brasil, liberalização dos impostos alfandegários sobre 
os produtos brasileiros e maior controle sobre as ativida-
des religiosas. 
b) criação de Companhias de Comércio, expulsão dos 
jesuítas e maior pressão fiscal sobre as áreas produtoras 
de ouro. 
c) transferência da capital da colônia do Rio de Janeiro 
para Salvador, expulsão da Companhia de Jesus dos terri-
tórios portugueses e criação de mesas de negociação de 
impostos com os produtores de ouro. 
d) extinção dos monopólios comerciais estatais, assinatura 
de acordos com a Igreja sobre a ação dos jesuítas e trans-
ferência da capital da colônia de Salvador para o Rio de 
Janeiro. 
 
15. (Uece 1997) Neste ano de 1996, comemoraram-se 
os 300 anos da morte de Zumbi, o líder maior do Qui-
lombo de Palmares. Segundo as historiadoras Elza 
Nadai e Joana Neves, "o século XVI foi marcado por 
uma guerra sem tréguas aos quilombos de Palmares". 
Sobre a resistência negra à escravidão no Brasil, é 
correto afirmar que: 
a) a única vez em que os negros escravos se insurgiram 
contra a escravidão foi sob a liderança de Zumbi, que or-
ganizou a comunidade de Palmares 
b) além das revoltas e dos quilombos, os escravos come-
tiam assassinatos, crimes, suicídios, mutilações e outras 
formas de resistir à condição de escravo 
c) os quilombos, centros de resistência negra que se cons-
tituíam nos matos e nas florestas, não mantinham qual-
quer contato com as populações das vilas e reproduziam 
fielmente a estrutura social das tribos da África 
d) com exceção do quilombo de Palmares, a única forma 
de resistência encontrada pelos escravos foi o sincretismo 
 
 
 
 
 
 
52 
religioso, em que conseguiam praticar sua religião ances-
tral 
 
16. (Uece 1997) Sobre a estrutura social e econômica 
dos engenhos coloniais no Brasil, marque a opção 
certa: 
a) a escravidão era a forma de trabalho predominante, 
fazendo com que não houvesse qualquer divisão técnica 
do trabalho 
b) na agro-manufatura do açúcar, os escravos trabalha-
vam nas plantações de cana-de-açúcar enquanto os ho-
mens livres se ocupavam do trabalho nos engenhos 
c) os engenhos mantinham uma divisão do trabalho muito 
desenvolvida, com escravos realizando tarefas simples e 
homens livres realizando atividades que exigiam maior 
conhecimento técnico 
d) apesar de uma certa divisão do trabalho ser estabeleci-
da nos engenhos, geralmente os homens livres se ocupa-
vam das tarefas menos importantes e mais simples, em 
que se exigia somente a força física 
 
17. (Uece 1996) A administração colonial portuguesa 
exercia seus poderes através das Câmaras Municipais. 
Sobre estas instituições de poder local no Brasil colô-
nia, podemos afirmar corretamente que: 
a) tinham funções exclusivas de aplicar as determinações 
da Coroa, sendo compostas por funcionários sem qual-
quer poder de decisão 
b) eram compostas exclusivamente pelos "homens bons", 
os grandes proprietários de terras, o que garantia a estabi-
lidade econômica e permitia ampla autonomia local 
c) as câmaras detinham poderes limitados à aplicação da 
justiça em casos de crimes comuns e à arrecadação dos 
impostos locais, apesar de formada pelos "homens bons" 
da colônia 
d) tinham amplos poderes, tanto ao nível político como 
administrativo, e eram compostas por vereadores escolhi-
dos em eleições diretas e universais 
 
18. (Uece 1996) Sobre a assim chamada Guerra dos 
Mascates, pode-se afirmar corretamente que: 
a) significou a retomada de Recife pelos portugueses, 
após um período de dominação holandesa. 
b) os produtores de cana-de-açúcar de Recife, endivida-
dos, revoltaram-se contra os comerciantes de Olinda. 
c) resultou de conflitos entre comerciantes de Recife e 
senhores de engenho de Olinda a respeito do controle 
político-administrativo da região. 
d) foi uma típica revolta anti-colonialista, pois os "masca-
tes" eram os comerciantes portugueses que dominavam a 
economia local, com o apoio dos senhores de engenho. 
 
19. (Uece 1996) A ocupação do interior da colônia 
brasileira aconteceu irregularmente, conforme o de-
senvolvimento das atividades econômicas. Marque a 
opção certa a respeito das principais atividades em-
preendidas pelas BANDEIRAS: 
a) a agricultura monocultora do café e o comércio com os 
espanhóis no Sul 
b) garantir a instalação de núcleos coloniais familiares e o 
estabelecimento de acordos de paz com os indígenas 
c) a busca de uma rota comercial para o Pacífico e garan-
tir a liberdade dos indígenas, conforme a orientação dos 
jesuítas 
d) a procura de metais preciosos e a escravização dos 
indígenas 
 
20. (Uece 1996) A corrida do ouro em Minas Gerais no 
final do século XVII trouxe uma riqueza muito grande 
para a Coroa portuguesa mas também exigiu muitos 
esforços no sentido de fiscalizar a produção e punir o 
contrabando. Assinale a expressão correta a respeito 
das medidas fiscais empreendidas por Portugal na 
área das minas: 
a) apesar dos protestos dos fidalgos encarregadosda 
arrecadação, a Coroa portuguesa evitava pressionar os 
produtores através das derramas, limitando-se a aumentar 
os impostos. 
b) sem conseguir se impor aos proprietários das minas, a 
administração colonial passou a permitir a livre comerciali-
zação do ouro, arrecadando impostos nos portos e nas 
estradas. 
c) a administração colonial instalou as casas de fundição 
para regulamentar a produção do ouro e arrecadar mais 
impostos, obtendo total apoio dos proprietários das minas. 
d) ao aumentar a carga fiscal e as casas de fundição, a 
Coroa logrou aumentar a arrecadação de impostos, mas 
provocou a revolta dos proprietários das minas. 
 
21. (Uece 1996) Dentre as formas de reação coletiva 
dos negros africanos ao processo de escravização 
durante a colonização do Brasil, destaca-se a organi-
zação dos quilombos. Marque a opção correta a res-
peito dos quilombos. 
a) consistiam em paliçadas onde os ex-escravos, liberta-
dos pelos seus senhores, encontravam trabalho e apoio 
comunitário, já que a abolição não lhes garantiu emprego 
fixo. 
b) em toda a área colonial eles existiram, mas jamais che-
garam a constituir um comunidade estável que estabele-
cesse contatos comerciais com as vilas. 
c) o Quilombo de Palmares foi o único que realmente re-
sistiu às primeiras investidas dos "capitães do mato", ape-
sar de não ter sobrevivido por mais de 5 anos. 
d) apesar de não ser o único, Palmares foi o mais impor-
tante dos quilombos, resistindo por décadas às investidas 
portuguesas durante o século XVII. 
 
22. (Uece 1996) "A armada de Martim Afonso de Sou-
sa, que deveria deixar Lisboa a 3 de dezembro de 
1531, vinha com poderes extensíssimos, se compara-
dos aos das expedições anteriores, mas tinha como 
finalidade principal desenvolver a exploração e limpe-
za da costa, infestada, ainda e cada vez mais, pela 
atividade dos comerciantes intrusos." 
(HOLANDA, Sérgio Buarque de. "As Primeiras Expedi-
ções." in: HOLANDA, Sérgio Buarque de. (org) HISTÓ-
RIA GERAL DA CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA. Tomo I, 
Volume 1. São Paulo: DIFEL, 1960. p. 93.) 
 
Com base nesta citação, assinale a alternativa que indica 
corretamente os principais objetivos das primeiras expedi-
ções portuguesas às novas terras descobertas na Améri-
ca: 
 
 
 
 
 
 
53 
a) expulsar os contrabandistas de pau-brasil e combater 
os holandeses instalados em Pernambuco 
b) garantir as terras brasileiras para Portugal, nos termos 
do Tratado de Tordesilhas, e expulsar os invasores es-
trangeiros 
c) instalar núcleos de colonização estável, baseados na 
pequena propriedade familiar, e escravizar os indígenas 
d) estabelecer contatos com as civilizações indígenas 
locais e combater os invasores franceses na Bahia . 
 
Tema: Sistema colonial. (Parte 02). 
 
 1. (Fuvest 2015) Se o açúcar do Brasil o tem dado a 
conhecer a todos os reinos e províncias da Europa, o 
tabaco o tem feito muito afamado em todas as quatro 
partes do mundo, em as quais hoje tanto se deseja e 
com tantas diligências e por qualquer via se procura. 
Há pouco mais de cem anos que esta folha se come-
çou a plantar e beneficiar na Bahia [...] e, desta sorte, 
uma folha antes desprezada e quase desconhecida 
tem dado e dá atualmente grandes cabedais aos mo-
radores do Brasil e incríveis emolumentos aos Erários 
dos príncipes. 
 
ANTONIL André João. Cultura e opulência do Brasil 
por suas drogas e minas. São Paulo: EDUSP, 2007. 
Adaptado. 
 
O texto acima, escrito por um padre italiano em 1711, 
revela que 
a) o ciclo econômico do tabaco, que foi anterior ao do ou-
ro, sucedeu o da cana-de-açúcar. 
b) todo o rendimento do tabaco, a exemplo do que ocorria 
com outros produtos, era direcionado à metrópole. 
c) não se pode exagerar quanto à lucratividade propiciada 
pela cana-de-açúcar, já que a do tabaco, desde seu início, 
era maior. 
d) os europeus, naquele ano, já conheciam plenamente o 
potencial econômico de suas colônias americanas. 
e) a economia colonial foi marcada pela simultaneidade de 
produtos, cuja lucratividade se relacionava com sua inser-
ção em mercados internacionais. 
 
 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
V – O samba 
 
À direita do terreiro, adumbra-se* na escuridão um maciço 
de construções, ao qual às vezes recortam no azul do céu 
os trêmulos vislumbres das labaredas fustigadas pelo ven-
to. 
(...) 
É aí o quartel ou quadrado da fazenda, nome que tem um 
grande pátio cercado de senzalas, às vezes com alpen-
drada corrida em volta, e um ou dois portões que o fecham 
como praça d‘armas. 
Em torno da fogueira, já esbarrondada pelo chão, que ela 
cobriu de brasido e cinzas, dançam os pretos o samba 
com um frenesi que toca o delírio. Não se descreve, nem 
se imagina esse desesperado saracoteio, no qual todo o 
corpo estremece, pula, sacode, gira, bamboleia, como se 
quisesse desgrudar-se. 
Tudo salta, até os crioulinhos que esperneiam no cangote 
das mães, ou se enrolam nas saias das raparigas. Os 
mais taludos viram cambalhotas e pincham à guisa de 
sapos em roda do terreiro. Um desses corta jaca no espi-
nhaço do pai, negro fornido, que não sabendo mais como 
desconjuntar-se, atirou consigo ao chão e começou de 
rabanar como um peixe em seco. (...) 
 
José de Alencar, Til. 
 
(*) ―adumbra-se‖ = delineia-se, esboça-se. 
 
 
2. (Fuvest 2013) Considerada no contexto histórico a 
que se refere Til, a desenvoltura com que os escravos, 
no excerto, se entregam à dança é representativa do 
fato de que 
a) a escravidão, no Brasil, tal como ocorreu na América do 
Norte e no Caribe, foi branda. 
b) se permitia a eles, em ocasiões especiais e sob vigilân-
cia, que festejassem a seu modo. 
c) teve início nas fazendas de café o sincretismo das cultu-
ras negra e branca, que viria a caracterizar a cultura brasi-
leira. 
d) o narrador entendia que o samba de terreiro era, em 
realidade, um ritual umbandista disfarçado. 
e) foi a generalização, entre eles, do alcoolismo, que tor-
nou antieconômica a exploração da mão de obra escrava 
nos cafezais paulistas. 
 
3. (Fuvest 2015) A colonização, apesar de toda violên-
cia e disrupção, não excluiu processos de reconstru-
ção e recriação cultural conduzidos pelos povos indí-
genas. É um erro comum crer que a história da con-
quista representa, para os índios, uma sucessão linear 
de perdas em vidas, terras e distintividade cultural. A 
cultura xinguana – que aparecerá para a nação brasi-
leira nos anos 1940 como símbolo de uma tradição 
estática, original e intocada – é, ao inverso, o resulta-
do de uma história de contatos e mudanças, que tem 
início no século X d.C. e continua até hoje. 
 
FAUSTO Carlos. Os índios antes do Brasil. Rio de Janeiro: 
Zahar, 2005. 
 
Com base no trecho acima, é correto afirmar que 
a) o processo colonizador europeu não foi violento como 
se costuma afirmar, já que ele preservou e até mesmo 
valorizou várias culturas indígenas. 
b) várias culturas indígenas resistiram e sobreviveram, 
mesmo com alterações, ao processo colonizador europeu, 
como a xinguana. 
c) a cultura indígena, extinta graças ao processo coloniza-
dor europeu, foi recriada de modo mitológico no Brasil dos 
anos 1940. 
d) a cultura xinguana, ao contrário de outras culturas indí-
genas, não foi afetada pelo processo colonizador europeu. 
e) não há relação direta entre, de um lado, o processo 
colonizador europeu e, de outro, a mortalidade indígena e 
a perda de sua identidade cultural. 
 
4. (Fuvest 2014) Não há trabalho, nem gênero de vida 
no mundo mais parecido à cruz e à paixão de Cristo, 
 
 
 
 
 
 
54 
que o vosso em um destes engenhos [...]. A paixão de 
Cristo parte foi de noite sem dormir, parte foi de dia 
sem descansar, e tais são as vossas noites e os vos-
sos dias. Cristo despido, e vós despidos; Cristo sem 
comer, e vós famintos; Cristo em tudo maltratado, e 
vós maltratados em tudo. Os ferros, as prisões, os 
açoites, as chagas, os nomes afrontosos, de tudo isto 
se compõe a vossa imitação,que, se for acompanhada 
de paciência, também terá merecimento e martírio[...]. 
De todos os mistérios da vida, morte e ressurreição de 
Cristo, os que pertencem por condição aos pretos, e 
como por herança, são os mais dolorosos. 
 
P. Antônio Vieira, ―Sermão décimo quarto‖. In: I. Inácio & 
T. Lucca (orgs.). Documentos do Brasil colonial. São Pau-
lo: Ática, 1993, p.73�75. 
 
 
A partir da leitura do texto acima, escrito pelo padre jesuíta 
Antônio Vieira em 1633, pode-se afirmar, corretamente, 
que, nas terras portuguesas da América, 
a) a Igreja Católica defendia os escravos dos excessos 
cometidos pelos seus senhores e os incitava a se revoltar. 
b) as formas de escravidão nos engenhos eram mais 
brandas do que em outros setores econômicos, pois ali 
vigorava uma ética religiosa inspirada na Bíblia. 
c) a Igreja Católica apoiava, com a maioria de seus mem-
bros, a escravidão dos africanos, tratando, portanto, de 
justificá-la com base na Bíblia. 
d) clérigos, como P. Vieira, se mostravam indecisos quan-
to às atitudes que deveriam tomar em relação à escravi-
dão negra, pois a própria Igreja se mantinha neutra na 
questão. 
e) havia formas de discriminação religiosa que se sobre-
punham às formas de discriminação racial, sendo estas, 
assim, pouco significativas. 
 
5. (Fuvest 2014) O tráfico de escravos africanos para 
o Brasil 
a) teve início no final do século XVII, quando as primeiras 
jazidas de ouro foram descobertas nas Minas Gerais. 
b) foi pouco expressivo no século XVII, ao contrário do que 
ocorreu nos séculos XVI e XVIII, e foi extinto, de vez, no 
início do século XIX. 
c) teve início na metade do século XVI, e foi praticado, de 
forma regular, até a metade do século XIX. 
d) foi extinto, quando da Independência do Brasil, a des-
peito da pressão contrária das regiões auríferas. 
e) dependeu, desde o seu início, diretamente do bom su-
cesso das capitanias hereditárias, e, por isso, esteve con-
centrado nas capitanias de Pernambuco e de São Vicente, 
até o século XVIII. 
 
6. (Fuvest 2013) A economia das possessões coloni-
ais portuguesas na América foi marcada por mercado-
rias que, uma vez exportadas para outras regiões do 
mundo, podiam alcançar alto valor e garantir, aos en-
volvidos em seu comércio, grandes lucros. Além do 
açúcar, explorado desde meados do século XVI, e do 
ouro, extraído regularmente desde fins do XVII, mere-
cem destaque, como elementos de exportação presen-
tes nessa economia: 
a) tabaco, algodão e derivados da pecuária. 
b) ferro, sal e tecidos. 
c) escravos indígenas, arroz e diamantes. 
d) animais exóticos, cacau e embarcações. 
e) drogas do sertão, frutos do mar e cordoaria. 
 
7. (Fuvest 2012) Os indígenas foram também utiliza-
dos em determinados momentos, e sobretudo na fase 
inicial [da colonização do Brasil]; nem se podia colo-
car problema nenhum de maior ou melhor “aptidão” 
ao trabalho escravo (...). O que talvez tenha importado 
é a rarefação demográfica dos aborígines, e as dificul-
dades de seu apresamento, transporte, etc. Mas na 
“preferência” pelo africano revela-se, mais uma vez, a 
engrenagem do sistema mercantilista de colonização; 
esta se processa num sistema de relações tendentes a 
promover a acumulação primitiva de capitais na me-
trópole; ora, o tráfico negreiro, isto é, o abastecimento 
das colônias com escravos, abria um novo e importan-
te setor do comércio colonial, enquanto o apresamen-
to dos indígenas era um negócio interno da colônia. 
Assim, os ganhos comerciais resultantes da preação 
dos aborígines mantinham-se na colônia, com os co-
lonos empenhados nesse “gênero de vida”; a acumu-
lação gerada no comércio de africanos, entretanto, 
fluía para a metrópole; realizavam-na os mercadores 
metropolitanos, engajados no abastecimento dessa 
“mercadoria”. Esse talvez seja o segredo da melhor 
“adaptação” do negro à lavoura ... escravista. Parado-
xalmente, é a partir do tráfico negreiro que se pode 
entender a escravidão africana colonial, e não o con-
trário. 
 
Fernando A. Novais. Portugal e Brasil na crise do Antigo 
Sistema Colonial. São Paulo: Hucitec, 1979, p. 105. Adap-
tado. 
 
Nesse trecho, o autor afirma que, na América portuguesa, 
a) os escravos indígenas eram de mais fácil obtenção do 
que os de origem africana, e por isso a metrópole optou 
pelo uso dos primeiros, já que eram mais produtivos e 
mais rentáveis. 
b) os escravos africanos aceitavam melhor o trabalho duro 
dos canaviais do que os indígenas, o que justificava o 
empenho de comerciantes metropolitanos em gastar mais 
para a obtenção, na África, daqueles trabalhadores. 
c) o comércio negreiro só pôde prosperar porque alguns 
mercadores metropolitanos preocupavam-se com as con-
dições de vida dos trabalhadores africanos, enquanto que 
outros os consideravam uma ―mercadoria‖. 
d) a rentabilidade propiciada pelo emprego da mão de 
obra indígena contribuiu decisivamente para que, a partir 
de certo momento, também escravos africanos fossem 
empregados na lavoura, o que resultou em um lucrativo 
comércio de pessoas. 
e) o principal motivo da adoção da mão de obra de origem 
africana era o fato de que esta precisava ser transportada 
de outro continente, o que implicava a abertura de um 
rentável comércio para a metrópole, que se articulava 
perfeitamente às estruturas do sistema de colonização. 
 
8. (Fuvest 2011) Quando os Holandeses passaram à 
ofensiva na sua Guerra dos Oitenta Anos pela inde-
pendência contra a Espanha, no fim do século XVI, foi 
 
 
 
 
 
 
55 
contra as possessões coloniais portuguesas, mais do 
que contra as espanholas, que os seus ataques mais 
fortes e mais persistentes se dirigiram. Uma vez que 
as possessões ibéricas estavam espalhadas por todo 
o mundo, a luta subsequente foi travada em quatro 
continentes e em sete mares e esta luta seiscentista 
merece muito mais ser chamada a Primeira Guerra 
Mundial do que o holocausto de 1914-1918, a que ge-
ralmente se atribui essa honra duvidosa. Como é evi-
dente, as baixas provocadas pelo conflito ibero-
holandês foram em muito menor escala, mas a popu-
lação mundial era muito menor nessa altura e a luta 
indubitavelmente mundial. 
 
Charles Boxer, O império marítimo português, 1415-1825. 
Lisboa: Edições 70, s.d., p.115. 
 
Podem-se citar, como episódios centrais dessa ―luta seis-
centista‖, a 
a) conquista espanhola do México, a fundação de Salva-
dor pelos portugueses e a colonização 
holandesa da Indonésia. 
b) invasão holandesa de Pernambuco, a fundação de No-
va Amsterdã (futura Nova York) pelos 
holandeses e a perda das Molucas pelos portugueses. 
c) presença holandesa no litoral oriental da África, a fun-
dação de Olinda pelos portugueses e a 
colonização espanhola do Japão. 
d) expulsão dos holandeses da Espanha, a fundação da 
Colônia do Sacramento pelos portugueses e 
a perda espanhola do controle do Cabo da Boa Esperan-
ça. 
e) conquista holandesa de Angola e Guiné, a fundação de 
Buenos Aires pelos espanhóis e a 
expulsão dos judeus de Portugal. 
 
9. (Fuvest 2011) É assim extremamente simples a es-
trutura social da colônia no primeiro século e meio de 
colonização. Reduz-se em suma a duas classes: de 
um lado os proprietários rurais, a classe abastada dos 
senhores de engenho e fazenda; doutro, a massa da 
população espúria dos trabalhadores do campo, es-
cravos e semilivres. Da simplicidade da infraestrutura 
econômica 
– a terra, única força produtiva, absorvida pela grande 
exploração agrícola – deriva a da estrutura social: a 
reduzida classe de proprietários e a grande massa, 
explorada e oprimida. Há naturalmente no seio desta 
massa gradações, que assinalamos. Mas, elas não são 
contudo bastante profundas para se caracterizarem 
em situações radicalmente distintas. 
 
Caio Prado Jr., Evolução política do Brasil. 20ª ed. São 
Paulo: Brasiliense, p.28-29, 1993 [1942]. 
 
Neste trecho, o autor observa que, na sociedade colonial, 
a) só havia duasclasses conhecidas, e que nada é sabido 
sobre indivíduos que porventura fizessem 
parte de outras. 
b) havia muitas classes diferentes, mas só duas estavam 
diretamente ligadas a critérios econômicos. 
c) todos os membros das classes existentes queriam se 
transformar em proprietários rurais, exceto 
os pequenos trabalhadores livres, semilivres ou escravos. 
d) diversas classes radicalmente distintas umas das outras 
compunham um cenário complexo, 
marcado por conflitos sociais. 
e) a população se organizava em duas classes, cujas gra-
dações internas não alteravam a 
simplicidade da estrutura social. 
 
10. (Fuvest 2010) Os primeiros jesuítas chegaram à 
Bahia com o governador-geral Tomé de Sousa, em 
1549, e em pouco tempo se espalharam por outras 
regiões da colônia, permanecendo até sua expulsão, 
pelo governo de Portugal, em 1759. Sobre as ações 
dos jesuítas nesse período, é correto afirmar que 
a) criaram escolas de arte que foram responsáveis pelo 
desenvolvimento do barroco mineiro. 
b) defenderam os princípios humanistas e lutaram pelo 
reconhecimento dos direitos civis dos nativos. 
c) foram responsáveis pela educação dos filhos dos colo-
nos, por meio da criação de colégios secundários e esco-
las de ―ler e escrever‖. 
d) causaram constantes atritos com os colonos por defen-
derem, esses religiosos, a preservação das culturas indí-
genas. 
e) formularam acordos políticos e diplomáticos que garan-
tiram a incorporação da região amazônica ao domínio 
português. 
 
11. (Fuvest 2010) “E o pior é que a maior parte do ou-
ro que se tira das minas passa em pó e em moeda 
para os reinos estranhos e a menor quantidade é a 
que fica em Portugal e nas cidades do Brasil...” 
João Antonil. Cultura e opulência do Brasil por suas dro-
gas e minas, 1711. 
 
Esta frase indica que as riquezas minerais da colônia 
a) produziram ruptura nas relações entre Brasil e Portugal. 
b) foram utilizadas, em grande parte, para o cumprimento 
do Tratado de Methuen entre Portugal e Inglaterra. 
c) prestaram-se, exclusivamente, aos interesses mercanti-
listas da França, da Inglaterra e da Alemanha. 
d) foram desviadas, majoritariamente, para a Europa por 
meio do contrabando na região do rio da Prata. 
e) possibilitaram os acordos com a Holanda que assegura-
ram a importação de escravos africanos. 
 
12. (Fuvest 2009) A criação, em território brasileiro, de 
gado e de muares (mulas e burros), na época da colo-
nização portuguesa, caracterizou-se por: 
a) ser independente das demais atividades econômicas 
voltadas para a exportação. 
b) ser responsável pelo surgimento de uma nova classe de 
proprietários que se opunham à escravidão. 
c) ter estimulado a exportação de carne para a metrópole 
e a importação de escravos africanos. 
d) ter-se desenvolvido, em função do mercado interno, em 
diferentes áreas no interior da colônia. 
e) ter realizado os projetos da Coroa portuguesa para in-
tensificar o povoamento do interior da colônia. 
 
13. (Fuvest 2008) A atividade extrativista desenvolvida 
na Amazônia, durante o período colonial, foi importan-
te, porque 
 
 
 
 
 
 
56 
a) garantiu a ocupação da região e aproveitou a mão de 
obra indígena local. 
b) reproduziu, na região, a estrutura da grande proprieda-
de monocultora. 
c) gerou riquezas e permitiu a abertura de estradas na 
região. 
d) permitiu a integração do norte do Brasil ao contexto 
andino. 
e) inviabilizou as aspirações holandesas de ocupação da 
floresta. 
 
14. (Fuvest 2007) 
 
Este quadro, pintado por Franz Post por volta de 1660, 
pode ser corretamente relacionado 
a) à iniciativa pioneira dos holandeses de construção dos 
primeiros engenhos no Nordeste. 
b) à riqueza do açúcar, alvo principal do interesse dos 
holandeses no Nordeste. 
c) à condição especial dispensada pelos holandeses aos 
escravos africanos. 
d) ao início da exportação do açúcar para a Europa por 
determinação de Maurício de Nassau. 
e) ao incentivo à vinda de holandeses para a constituição 
de pequenas propriedades rurais. 
 
15. (Fuvest 2006) "O que mais espanta os Índios e os 
faz fugir dos Portugueses, e por consequência das 
igrejas, são as tiranias que com eles usam, obrigando-
os a servir toda sua vida como escravos, apartando 
mulheres de maridos, pais de filhos, ferrando-os, ven-
dendo-os, etc. [...] estas injustiças foram a causa da 
destruição das igrejas..." 
 Padre José de Anchieta, na segunda metade do 
século XVI. 
 
A partir do texto, é correto afirmar que 
a) a defesa dos indígenas feita por Anchieta estava relaci-
onada a problemas de ordem pessoal entre ele e os colo-
nizadores da capitania de São Paulo. 
b) a escravidão dos índios, a despeito das críticas de An-
chieta, foi uma prática comum durante o período colonial, 
estimulada pela Coroa portuguesa. 
c) os conflitos entre jesuítas e colonizadores foram cons-
tantes em várias regiões, tais que: Maranhão, São Paulo e 
Missões dos Sete Povos do Uruguai. 
d) a posição de defesa dos indígenas, assumida por An-
chieta, foi isolada nas Américas, tanto na Portuguesa 
quanto na Espanhola. 
e) a defesa dos jesuítas foi assumida pela Coroa nos epi-
sódios em que essa ordem religiosa lutou por interesses 
antagônicos aos dos colonizadores. 
16. (Espcex (Aman) 2013) No Brasil colônia, particu-
larmente no séc. XVIII, ocorreram dois movimentos 
revolucionários que ficaram conhecidos como Incon-
fidência Mineira (1789) e Conjuração Baiana (1798). 
Quais características são comuns entre eles? 
a) A influência do pensamento iluminista e a participação 
maciça de pessoas da elite da sociedade local. 
b) Foram inspiradas pelo lema Liberdade, Igualdade e 
Fraternidade e pretendiam acabar com a escravidão. 
c) Queriam romper com a dominação colonial e tiveram 
influência do pensamento iluminista. 
d) Foram sufocadas sem grande derramamento de san-
gue, pois havia grande participação de pessoas ligadas à 
elite da sociedade local. 
e) Pretendiam acabar com a escravidão e estabelecer a 
independência política do Brasil. 
 
17. (Espcex (Aman) 2012) Diferentemente de outras 
atividades econômicas do Brasil Colônia, a mineração 
foi submetida a um rigoroso controle por parte da me-
trópole. Neste contexto: 
a) os Códigos Mineiros de 1603 e 1618 já impediam a livre 
exploração das minas, impondo uma série de condições e 
restrições. 
b) as Intendências das Minas criadas pelo Regimento de 
1702 impuseram um controle absoluto sobre toda a produ-
ção mineradora, embora ainda estivessem subordinadas a 
outras autoridades coloniais. 
c) a cobrança do quinto foi facilitada com a criação das 
Casas de Fundição, no final do século XVII, onde o ouro 
era fundido em barras timbradas com o selo real, embora 
a circulação do ouro em pó ainda fosse permitida. 
d) foram instalados postos fiscais em pontos estratégicos 
das estradas, com o objetivo de fiscalizar se o pagamento 
do quinto havia sido realizado; cobrar impostos sobre a 
passagem de animais e pessoas e sobre a entrada de 
todas as mercadorias transportadas para as Minas. 
e) a capitação foi um imposto que exigia do minerador o 
pagamento de uma taxa sobre cada um de seus escravos, 
do qual ficavam isentos os faiscadores que não possuíam 
escravos. 
 
18. (Espcex (Aman) 2012) Durante o período colonial, 
o Brasil sofreu diversas invasões estrangeiras. Nessas 
invasões: 
a) a francesa, na Baía da Guanabara, resultou na criação 
de uma colônia, a França Antártica, formada principalmen-
te por católicos interessados no cultivo da cana-de-açúcar 
e no trabalho de conversão dos índios. 
b) a holandesa foi motivada pelo embargo espanhol que, 
por representar uma ameaça à sua economia, levou o país 
a decidir-se pela invasão do Brasil, inicialmente pela regi-
ão do Rio Grande do Norte, onde encontrou forte resistên-
cia. 
c) a holandesa, em Pernambuco, foi favorecida pelo cons-
tante reforço vindo da Holanda,o auxílio de cristãos-novos 
residentes na região e por estarem seus soldados mais 
bem armados e mais experientes. 
d) a resistência luso-brasileira à invasão pernambucana foi 
organizada em grupos de guerrilha e contou com a lide-
rança de Domingos Fernandes Calabar, morto lutando 
contra os holandeses. 
 
 
 
 
 
 
57 
e) embora a resistência luso-brasileira em Pernambuco 
contasse com a vantagem do fator surpresa e melhor co-
nhecimento do terreno, os holandeses acabaram por con-
quistar o Nordeste, onde se estenderam desde o Mara-
nhão até a Bahia. 
 
19. (Espcex (Aman) 2011) Sobre o Governo Geral, 
instalado no Brasil pelo regimento de 1548, pode-se 
afirmar que 
a) acabou, de imediato, com o sistema de capitanias here-
ditárias. 
b) teve total sucesso ao impor a centralização política em 
toda a colônia, como forma de facilitar a defesa do territó-
rio. 
c) teve curta duração, pois foi dissolvido durante a ocupa-
ção francesa do Rio de Janeiro, em 1555. 
d) durou até 1808, apesar de, a partir de 1720, os gover-
nadores passarem a ser chamados de vicereis. 
e) adotou, desde o início, o Rio de Janeiro como única 
capital, em virtude do grande sucesso da cultura canaviei-
ra nas províncias do Rio de Janeiro e São Paulo. 
 
20. (Espcex (Aman) 2011) O conflito armado travado 
na segunda metade do século XVIII e que ficou conhe-
cido como Guerras Guaraníticas, 
a) foi uma reação dos índios de Sete Povos das Missões, 
liderados por alguns jesuítas, à ocupação de suas terras e 
à possível escravização. 
b) ocorreu entre paulistas com o apoio de diversas tribos 
guaranis e os emboabas, pela hegemonia da extração do 
ouro das Minas Gerais. 
c) definiu a conquista da Colônia do Sacramento por tro-
pas luso-brasileiras. 
d) provocou a assinatura do Tratado de Lisboa, pelo qual 
Portugal devolvia a área conhecida como Sete Povos das 
Missões à Espanha. 
e) abriu caminho para a conquista e ocupação, por parte 
dos portugueses, da calha do rio Solimões – Amazonas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tema: Crise do sistema colonial. 
 
1. (Uece 2015) Pouco antes da independência, o Brasil 
possuía em torno de 1.887.900 habitantes livres e 
1.930.000 escravos negros. Os escravos concentra-
vam-se principalmente em. 
a) Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais. 
b) Pernambuco, Maranhão, Rio de Janeiro e São Paulo. 
c) Minas Gerais, Bahia, São Paulo e Paraíba. 
d) Maranhão, Paraíba, Bahia e Minas Gerais. 
 
2. (Uece 2010) Leia o fragmento a seguir atentamente 
 
“Em seguida, veio a mãe de D. João, em seus 73 anos, 
a rainha Maria I. Dizem que quando a carruagem corria 
para as docas, ela teria gritado: não vá tão depressa, 
pensarão que estamos fugindo. Ao chegar ao porto, 
ela teria se recusado a descer...” 
WILCKEN, Patrick. Império à deriva: a corte portuguesa no 
Rio de Janeiro (1808-1821). Rio de Janeiro: Objetiva, 
2010, p. 44-46. 
 
O episódio narrado acima está relacionado com a 
a) fuga da Família Real Portuguesa para a Colônia Brasi-
leira. 
b) chegada da Família Real Portuguesa ao Rio de Janeiro. 
c) chegada da Família Real Portuguesa a Salvador, pri-
meiro porto após a fuga de Portugal. 
d) fuga da Família Real Portuguesa de Recife, antes do 
desembarque no Rio de Janeiro. 
 
3. (Uece 2008) "A história do Período Joanino no Bra-
sil é inseparável do anedotário que traça o perfil de 
sua mais importante personagem feminina: a Princesa 
Carlota Joaquina de Bourbon e Bragança". 
 (Fonte: AZEVEDO, Francisca L. Nogueira. "Carlo-
ta Joaquina na Corte do Brasil". Rio de Janeiro: Civilização 
Brasileira, 2003, p.17). 
 
Sobre a princesa Carlota Joaquina, são feitas as seguintes 
afirmações: 
I. A historiografia tanto brasileira, quanto portuguesa, foi 
comumente parcial tanto no tocante à vida pública quanto 
à vida privada da Princesa. 
II. O tratamento dado à figura da Princesa fixou no imagi-
nário social a imagem de uma mulher vulgar, ambiciosa e 
transgressora de todas as normas morais e éticas do seu 
tempo. 
III. Enquanto no Brasil a imagem da princesa foi construí-
da de modo negativo, em Portugal sua memória foi cons-
truída de forma apologética e D. Carlota é vista até hoje 
como heroína. 
 
Assinale o correto. 
a) Apenas as afirmações II e III são verdadeiras. 
b) Apenas as afirmações I e III são falsas. 
c) Apenas as afirmações I e II são verdadeiras. 
d) Apenas as afirmações I e II são falsas. 
 
 
 
 
 
 
 
58 
4. (Uece 2008) Sobre a Inconfidência Mineira (1789), 
são feitas as seguintes afirmações: 
I. Estava entre os objetivos de boa parte dos conspirado-
res de Vila Rica, a constituição de um regime republicano 
no Brasil. 
II. Havia, também, por parte dos inconfidentes, a preocu-
pação com o desenvolvimento de produtos manufaturados 
ou, em outras palavras, objetivavam a diminuição da de-
pendência de artigos importados. 
III. A nova capital seria transferida para Belo Horizonte, 
por encontrar-se localizada numa área mais favorável para 
a expansão da lavoura e da pecuária. 
 
Assinale o correto. 
a) Apenas as afirmações I e II são verdadeiras. 
b) Apenas as afirmações I e III são verdadeiras. 
c) Apenas as afirmações II e III são verdadeiras. 
d) Todas as afirmações são verdadeiras. 
 
5. (Uece 1997) "Cada hum soldado he cidadão mor-
mente os homens pardos e pretos que vivem escorna-
dos, e abandonados, todos serão iguaes, não haverá 
diferença, só haverá liberdade, igualdade e fraternida-
de." 
(Manifesto dirigido ao "Poderoso e Magnífico Povo Bahiense Republica-
no", em 1798. Cit. por NEVES, Joana e NADAI, Elza. HISTÓRIA DO 
BRASIL. DA COLÔNIA À REPÚBLICA. 13a ed. São Paulo: Saraiva, 
1990. p. 119.) 
 
Assinale a opção que melhor expressa as diferenças entre 
a Conjuração Baiana e a Inconfidência Mineira: 
a) os mineiros eram mais radicais do que os baianos com 
relação à escravidão, pois defendiam não só liberdade dos 
negros mas sua participação no governo 
b) enquanto em Minas os revoltosos evitavam tocar em 
questões delicadas como a escravidão, na Bahia a in-
fluência da Revolução Francesa era mais marcante 
c) a revolta na Bahia foi liderada e apoiada por setores 
instruídos da população, o que ditou seu tom mais mode-
rado, mas em Minas a população pobre foi às ruas e ex-
pulsou as lideranças conciliadoras 
d) a influência da Independência dos EUA foi mais intensa 
na revolta baiana, enquanto que, em Minas, a presença 
dos ideais franceses foi mais forte 
 
6. (Uece 1996) Com a vinda da família Real portuguesa 
para o Brasil (1808), muitas mudanças se verificaram 
na estrutura da capital, Rio de Janeiro. Sobre estes 
melhoramentos, pode-se afirmar corretamente que: 
a) além da Abertura dos Portos e do incentivo às ativida-
des industriais, muitos equipamentos urbanos foram cria-
dos, como o Jardim Botânico e o Banco do Brasil 
b) a vida na cidade mudou completamente, com sua total 
remodelação baseada nos moldes da reconstrução de 
Lisboa após o terremoto de 1777, destacando-se o siste-
ma de esgotos 
c) os melhoramentos se limitaram às reformas nas casas 
que iriam abrigar os membros da Corte, nada alterando na 
vida de uma cidade colonial 
d) a situação sanitária na cidade melhorou bastante, o que 
ocasionou o fim das epidemias que periodicamente acon-
teciam 
 
7. (Uece 1996) A respeito da Revolução de 1817, que 
empolgou vários estados do nordeste do Brasil, po-
demos afirmar corretamente que: 
a) criticava a política absolutista de D. João VI e cogitava a 
República como forma de governo, mas não conseguiu 
estabelecer um consenso sobre a abolição da escravidão. 
b) pregava uma mudança total na situação do Brasil, com 
a instalação de uma República federativa, o fim da escra-
vidão e a divisão das terras entre os colonos. 
c) não pretendia a independência de Portugal, mas ape-
nas uma maior representação dos brasileiros nas Cortes 
portuguesas. 
d) apesar do radicalismodos líderes revoltosos, o movi-
mento não chegou a incorporar as classes médias e os 
intelectuais. 
 
8. (Uece 1996) Sobre as influências filosóficas e ideo-
lógicas da Inconfidência Mineira (1789), é correto afir-
mar que: 
a) os ideais napoleônicos de ampla extensão da educação 
básica foram a principal meta de governo dos insurretos 
b) o Congresso de Viena foi a principal fonte de inspiração 
para os inconfidentes brasileiros, que viam os governos da 
Europa central como as formas mais desenvolvidas de 
organização política 
c) as campanhas de libertação das colônias latino-
americanas e o nacionalismo foram as principais matrizes 
ideológicas da Inconfidência 
d) a independência dos EUA e o pensamento liberal e 
antiabsolutista muito influenciaram os ideais dos inconfi-
dentes brasileiros 
 
9. (G1 - ifsc 2015) Em 1806, o Imperador francês Napo-
leão Bonaparte anunciou o Bloqueio Continental à 
Inglaterra, estabelecendo que nenhum país europeu 
poderia comercializar com os ingleses. O rei de Portu-
gal, pressionado pela onda liberal da Revolução Fran-
cesa e apoiado pela Inglaterra, fugiu para a colônia 
portuguesa, na América, para esperar a situação se 
normalizar. 
 
Com relação à presença da Família Real portuguesa no 
Brasil é CORRETO afirmar que: 
a) A Revolução Farroupilha, ocorrida no sul do Brasil, tinha 
como principal objetivo expulsar a Corte portuguesa e 
proclamar a independência da colônia americana. 
b) Salvador foi elevada à condição de capital do Reino 
Unido de Portugal e Algarves, tornando-se o maior centro 
político, econômico e cultural da colônia. 
c) A presença da Corte portuguesa no Brasil, exercendo 
um governo absolutista e conservador, contribuiu para 
retardar a Independência do Brasil, pois as melhorias ad-
ministrativas e econômicas deixaram a elite liberal brasilei-
ra satisfeita. 
d) Chegando ao Brasil, D. João VI tratou logo de cumprir o 
prometido aos ingleses e decretou a abertura dos portos, 
em 1808, para as nações amigas comercializarem direta-
mente com a colônia. 
e) Em 1821, os franceses foram expulsos de Portugal e D. 
João VI foi chamado para assumir o trono português, mas 
ele preferiu ficar no Brasil. Esse fato ficou conhecido como 
―Dia do Fico‖. 
 
 
 
 
 
 
 
59 
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES: 
Leia o trecho abaixo. Ele servirá de base para resolução 
da(s) questão(ões). 
 
O termo independência adquiriu ressonância no vocabulá-
rio político especialmente a partir da deflagração da Revo-
lução de 1820, na cidade do Porto. Foi bastante utilizado 
em manifestos revolucionários para sublinhar a possibili-
dade de a ―nação portuguesa‖ e os ―portugueses de am-
bos os mundos‖ regenerarem os tradicionais princípios 
monárquicos do reino, estabelecidos no século XVII com a 
ascensão de D. João IV de Bragança. A proposta funda-
mental era a de construir a ―independência nacional‖, arti-
culando a monarquia a uma Constituição que estabele-
cesse limites ao poder real e garantisse direitos e liberda-
des civis, e políticas aos cidadãos do império. Pretendia-
se por essa via, entre outras exigências, contestar o abso-
lutismo representado por D. João VI e o ―despotismo‖ 
exercido por ministros, por conselheiros e pela corte radi-
cada no Rio de Janeiro desde 1808. 
 
(OLIVEIRA, Cecília H.S. Repercussões da revolução: deli-
neamento do império do Brasil, 1808/1831. In.: GRIN-
BERG, Keila, SALLES, Ricardo (orgs.). O Brasil Imperial. 
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009. p.p. 18-19) 
 
 
10. (Pucmg 2015) Responda a esta questão assina-
lando a afirmativa CORRETA. Enquanto o processo de 
independência da América portuguesa uniu as diferen-
tes facções oligárquicas estabelecendo um sistema 
unitário sob regime monárquico, na América espanho-
la havia diferentes frações de uma mesma oligarquia. 
Esse fato: 
a) evoluiu, justamente por não haver um poder forte, numa 
forma de Estado Nacional moderno, independente do capi-
tal internacional. 
b) levou a uma participação maior das camadas sociais 
mais baixas num movimento que ficou conhecido como 
caudilhismo. 
c) consolidou, logo após a emancipação, um poder político 
ainda mais centralizado e autoritário com uma forma de 
ditadura militarista. 
d) gerou um instável e difícil período com o progressivo 
uso das forças para conter as massas a serviço dos inte-
resses das elites. 
 
11. (Pucmg 2015) O trecho indica a utilização do ter-
mo independência como uma mobilização que contes-
tava o absolutismo de D. João VI, garantisse direitos e 
liberdades civis, e políticas aos cidadãos. Conside-
rando-se o contexto histórico, é CORRETO afirmar: 
a) A independência era elaborada como uma conquista de 
uma autonomia que se concretizaria legalmente por meio 
de uma constituição não implicando, como requisito, o 
rompimento dos vínculos com Portugal. 
b) Os movimentos brasileiros pela independência se ca-
racterizaram pela revolução, já que exigiram luta política e 
militar na consolidação de uma abolição da monarquia e 
sua substituição pela república. 
c) O termo independência faz uma associação com liber-
dade e, como tal, é genuinamente brasileiro, não manten-
do vínculo ou recebendo nenhuma influência dos concei-
tos ou movimentos europeus. 
d) Como princípio, independência significa emancipação, 
ou seja, caminhar com as próprias pernas inaugurando um 
modelo novo de gestão da nação brasileira, alterando 
inclusive a sede do governo. 
 
12. (Pucmg 2015) O trecho destaca o combate ao ab-
solutismo. Em relação ao absolutismo no contexto 
histórico de 1820, é CORRETO afirmar: 
a) O continente europeu em geral já havia vivenciado suas 
revoluções burguesas, que derrubaram o absolutismo 
quando Portugal, tardiamente, derruba sua monarquia 
com a Revolução do Porto em 1820. 
b) O movimento de contestação ao absolutismo tem rela-
ção com os ideais iluministas europeus, que influenciaram 
o estado português a adotar um dispositivo constitucional 
limitando o poder monárquico. 
c) O absolutismo centraliza todas as instâncias de poder 
nas mãos do rei, correspondendo a um retrocesso em 
relação ao período anterior, em que a Lei existia para ga-
rantir as liberdades civis e políticas. 
d) O fim do absolutismo é um acontecimento de ordem 
política, que troca o poder absoluto do rei por outro regi-
me, entretanto, a ordem social e a economia são mantidas 
como estruturas duradouras. 
 
13. (G1 - cftrj 2014) As guerras napoleônicas e a inva-
são francesa da Península Ibérica (1807-1808) resulta-
ram na transferência da Corte portuguesa e de setores 
dirigentes do Estado português para o Brasil, criando 
uma situação inédita para a principal colônia portu-
guesa. Entre as mudanças trazidas, assinale a opção 
que expressa a opção verdadeira: 
a) A transformação do Rio de Janeiro em sede da monar-
quia portuguesa trouxe uma série de benefícios para esta 
cidade, como a criação de indústrias, centros culturais e 
universidades. 
b) A transferência da sede do Império português para o 
Brasil era um projeto existente desde o século XVII, pre-
vendo a modernização econômica da colônia e a gradativa 
abolição da escravidão. 
c) A vinda da família real democratizou de certa forma as 
relações políticas existentes no Brasil, abrindo caminho 
para uma maior participação de camadas populares livres 
na vida política. 
d) A abertura dos portos, em 1808, e os tratados comerci-
ais assinados em 1810 resultaram, na prática, no fim do 
exclusivo colonial português, em benefício dos interesses 
econômicos ingleses. 
 
14. (Pucrs 2014) Considere as afirmações abaixo so-
bre a crise do Antigo Sistema Colonial e a Indepen-
dência do Brasil (1822). 
 
I. O movimento intelectual chamado de Iluminismo teve 
grande influência na crise do Antigo Sistema Colonial, 
pois, além de criticar as bases do Antigo Regime, como o 
absolutismo monárquico e os privilégios da nobreza, con-
denava também o sistema colonial e o monopóliocomer-
cial. 
II. Os conflitos na Europa decorrentes da expansão do 
império napoleônico estiveram na base desse processo, 
 
 
 
 
 
 
60 
na medida em que Napoleão, tentando bloquear o acesso 
da Inglaterra ao mercado colonial ibérico, invadiu Espanha 
e Portugal, precipitando, assim, o processo de indepen-
dência da América. 
III. A vinda da corte portuguesa para o Brasil é considera-
da como um fator que retardou o processo de inde-
pendência brasileiro, pois a presença do monarca lusitano 
na América estreitou ainda mais os laços entre Brasil e 
Portugal, tornando o primeiro ainda mais dependente do 
segundo. 
IV. A Independência do Brasil foi marcada por um forte 
conflito entre o novo país e a sua antiga metrópole euro-
peia, devido à rejeição das elites político-econômicas da 
antiga colônia portuguesa ao modelo agroexportador im-
plantado pela coroa lusitana, baseado na grande proprie-
dade da terra e na mão de obra escrava. 
 
Estão corretas apenas as afirmativas 
a) I e II. 
b) I e III. 
c) II e IV. 
d) I, II e III. 
e) II, III e IV. 
 
15. (Ufsj 2013) Ente os processos históricos a seguir, 
aqueles que ofereceram referências políticas para os 
movimentos de independência das colônias america-
nas da Espanha e de Portugal e influenciaram a orga-
nização das novas nações no século XIX foram 
a) a Revolução Francesa e a Independência dos Estados 
Unidos da América. 
b) a Independência dos Estados Unidos da América e as 
Revoluções europeias de 1848. 
c) a Revolução Francesa e o processo de unificação da 
Alemanha. 
d) o processo de unificação da Alemanha e as Revoluções 
europeias de 1848. 
 
16. (Uern 2013) ... é comumente, datado a partir de 
1808, com a chegada da família real portuguesa ao 
Brasil. A verdade dessa proposição reside, em especi-
al, na montagem pelo Príncipe, e depois Rei, João VI, 
de um aparelho governativo no Brasil. Tal criação dá-
se, por um lado, através da transferência de órgãos 
portugueses e, de outro, com o surgimento, no Rio de 
Janeiro, de estruturas típicas de uma capital, com bi-
bliotecas, um jornal, instituições de fomento. Ao 
mesmo tempo, são substituídos os institutos de cará-
ter colonial, como os monopólios e as restrições in-
dustriais e comerciais. Por fim, todo o processo é co-
roado pela assinatura de dois tratados com a Inglater-
ra, um de Aliança e Amizade e outro de Comércio e 
Navegação, em 1810. 
 
(Monteiro, Hamilton de Mattos. In: Linhares, Maria Yedda. 
História Geral do Brasil. 14ª Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 
1990. p. 129.) 
 
O trecho anterior se refere ao processo de 
a) abolição da escravidão. 
b) independência do Brasil. 
c) descolonização da região Sul do país. 
d) desenvolvimento industrial no Brasil. 
17. (Upf 2013) O processo de independência do Brasil 
teve raízes na chegada da Corte Portuguesa ao país, 
em 1808. A partir daí, a quebra do pacto colonial resul-
tou em significativas transformações econômicas que 
foram exigindo, também, um novo estatuto político. 
Esse processo de mudanças culminou com a separa-
ção política, quando em 1822 o príncipe regente D. 
Pedro proclamou a Independência do Brasil em rela-
ção a Portugal. Sobre o contexto imediatamente após 
o 7 de setembro de 1822, assinale a alternativa correta. 
a) O modelo político implantado e que era desejado pelas 
classes conservadoras foi a monarquia absolutista, com 
todos os poderes concentrados nas mãos de D. Pedro I. 
b) O governo implantado e conduzido por D. Pedro I aten-
dia unicamente os interesses dos latifundiários, por isso os 
comerciantes portugueses que estavam no Brasil se orga-
nizaram numa oposição ferrenha, que resultou na abdica-
ção do Imperador em 1831. 
c) A forma de governo desejável, segundo os conservado-
res, era a monarquia constitucional, com representação 
limitada, como garantia da ordem e da estabilidade social. 
d) Este contexto foi conduzido pela aristocracia industrial, 
não havendo a participação popular, nem nas chamadas 
guerras de independência, na Bahia, Piauí, Maranhão, 
Pará e Cisplatina. 
e) Implantou-se um modelo econômico autônomo, que 
embora estivesse baseado na escravidão, voltou-se para 
atender as demandas do mercado interno. 
 
 
18. (Ufsm 2013) No texto “O Império enfermo”, Cláu-
dio Bertolli Filho afirma: 
 
A vinda da Corte portuguesa para o Brasil em 1808 
determinou mudanças na administração pública colo-
nial, inclusive na área de saúde. Como sede provisória 
do império lusitano e principal porto do país, a cidade 
do Rio de Janeiro tornou-se o centro das ações sanitá-
rias. Com elas, dom João VI procurou oferecer uma 
imagem nova de uma região que os europeus definiam 
como território da barbárie e da escravidão. 
Fonte: BERTOLLI FILHO, Cláudio. História da saúde pú-
blica no Brasil. 4.ed. São Paulo: Ática, 2001. p. 8. 
 
As ocorrências mencionadas estão inseridas numa suces-
são em que podem ser destacados, seja como anteceden-
tes, seja como consequentes, os seguintes processos: 
I. a Primeira Revolução Industrial e a busca da Inglaterra 
pela hegemonia comercial na Europa e no mundo. 
II. a Revolução Francesa e as tentativas de expansão das 
conquistas dos revolucionários burgueses para a Europa. 
III. as disputas entre a Inglaterra e a França, o decreto do 
Bloqueio Continental com as repercussões para a Espa-
nha e Portugal e seus domínios ultramarinos. 
IV. a crise do sistema colonial, os processos de indepen-
dência nas Américas e a implantação de Estados Nacio-
nais em ex-colônias da Inglaterra, França, Espanha e Por-
tugal. 
 
Estão corretas 
a) apenas I e II. b) apenas I e IV. 
c) apenas II e III. d) apenas III e IV. 
e) I, II, III e IV. 
 
 
 
 
 
 
61 
19. (Ufsj 2013) Leia o texto a seguir. 
 
“[...] Todas as pessoas de qualquer qualidade e condi-
ção, que sejam, que fizerem armar e preparar Navios 
para o Resgate e Compra de Escravos em qualquer 
dos portos da Costa d'África situados ao Norte do 
Equador, incorrerão na pena de perdimento dos Es-
cravos, os quais imediatamente ficarão libertos, para 
terem o destino abaixo declarado: E lhe serão confis-
cados os Navios empregados nesse tráfico com todos 
os seus aparelhos e pertences, e justamente a Carga, 
qualquer seja, que a seu bordo estiver por conta dos 
donos e fretadores dos mesmos Navios, ou dos carre-
gadores de Escravos. E os oficiais dos Navios (...) e 
sobre a Carga, serão degradados por cinco anos para 
Moçambique, e cada um pagará uma multa [...]”. 
 
Alvará Régio. ―Rio de Janeiro, 26 de Janeiro de 1818‖. 
SCHWARCZ, Lilia Moritz, GARCIA, Lúcia. Registros es-
cravos: repertório das fontes oitocentistas pertencentes ao 
acervo da Biblioteca Nacional. Biblioteca Nacional: Rio de 
Janeiro, 2006, p. 31. 
 
Analise as afirmativas sobre o texto. 
 
I. Faz referência à proibição do comércio de escravos da 
Costa da África ao Norte do Equador, estabelecendo as 
respectivas penas para quem descumprisse a legislação. 
II. Não faz referência à proibição do comércio de escravos, 
mas à abolição da escravatura no Brasil e no Equador 
implicando em pagamento de multas e degradação. 
III. O texto faz referências ao processo de industrialização 
que substituiu a mão de obra escrava, agora liberta pelo 
fim da escravidão, pela mão de obra assalariada a partir 
do século XIX. 
IV. Faz referências ao incentivo do tráfico negreiro e à 
implementação de instrumentos legais do comércio como 
o pagamento dos devidos impostos e multas. 
 
Com base nessa análise, está(ão) CORRETAS apenas 
a(s) afirmativa(s) 
a) IV 
b) I 
c) I e II 
d) III e IV 
 
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: 
Com a vinda da Corte, pela primeira vez, desde o início da 
colonização, configuravam-se nos trópicos portugueses 
preocupações próprias de uma colônia de povoamento e 
não apenas de exploração ou feitoria comercial, pois que 
no Rio teriam que viver e, para sobreviver, explorar ―os 
enormes recursos naturais‖ e as potencialidades do Impé-
rio nascente,tendo em vista o fomento do bem-estar da 
própria população local. 
 
(Maria Odila Leite da Silva Dias. 
A interiorização da metrópole e outros estudos, 2005.) 
 
 
20. (Unesp 2013) A alteração na relação entre o go-
verno português e o Brasil, mencionada no texto, pode 
ser notada, por exemplo, 
a) na redução dos impostos sobre a exportação do açúcar 
e do algodão, no reforço do sistema colonial e na maior 
integração do território brasileiro. 
b) no estreitamento dos vínculos diplomáticos com os Es-
tados Unidos, na instalação de um modelo federalista e na 
modernização dos portos. 
c) na ampliação do comércio com as colônias espanholas 
do Rio da Prata, na reurbanização do Rio de Janeiro e na 
redução do contingente do funcionalismo público. 
d) na abertura de estradas, na melhoria das comunicações 
entre as capitanias e no maior aparelhamento militar e 
policial. 
e) no restabelecimento de laços comerciais com França e 
Inglaterra, na fundação de casas bancárias e no aprimo-
ramento da navegação de cabotagem. 
 
21. (Unesp 2013) A vinda da Corte portuguesa para o 
Brasil, ocorrida em 1808 e citada no texto, foi provo-
cada, sobretudo, 
a) pelo fim da ocupação francesa em Portugal e pelo pro-
jeto, defendido pelos liberais portugueses, de iniciar a 
gradual descolonização do Brasil. 
b) pela pressão comercial espanhola e pela disposição, do 
príncipe regente, de impedir a expansão e o sucesso dos 
movimentos emancipacionistas na colônia. 
c) pelo interesse de expandir as fronteiras da colônia, 
avançando sobre terras da América Espanhola, para as-
segurar o pleno domínio continental do Brasil. 
d) pela invasão francesa em Portugal e pela proximidade e 
aliança do governo português com a política da Inglaterra. 
e) pela intenção de expandir, para a América, o projeto de 
união ibérica, reunindo, sob a mesma administração colo-
nial, as colônias espanholas e o Brasil. 
 
22. (Fgv 2012) Leia a entrevista. 
 
FOLHA – Estamos vivendo um momento de novas 
interpretações em relação ao período imperial? 
MAXWELL – (...) o movimento de independência da 
década de 1820 não aconteceu no Brasil, mas em Por-
tugal. Foram os portugueses que não quiseram ser 
dominados por uma monarquia baseada na América. 
Com a rejeição da dominação brasileira, eles atraíram 
muitos dos problemas de fragmentação, guerras civis 
e descontinuidade que são parecidos com aqueles 
que estavam acontecendo na América espanhola. 
É sempre importante, ao pensar a história do Brasil, 
considerar que ela não se encaixa em interpretações 
convencionais. É sempre necessário pensar um pouco 
de forma contrafactual, porque a história brasileira 
não segue a mesma trajetória de outras histórias das 
Américas. O rei estava aqui, a revolução liberal estava 
lá. A continuidade estava aqui, a descontinuidade es-
tava lá. 
Acho que isto explica muito das coisas que acontece-
ram depois no Brasil, no século 19. 
 
Marcos Strecker, Para Maxwell, país não permite leituras 
convencionais. Folha de S.Paulo, 25-11-2007. 
 
―A história brasileira não segue a mesma trajetória de ou-
tras histórias das Américas‖, pois 
 
 
 
 
 
 
62 
a) em 1824 foi promulgada a primeira constituição do Bra-
sil, caracterizada pela divisão e autonomia dos três pode-
res e por uma legislação social avançada para os padrões 
da época, pois garantia o direito de voto a todos os brasi-
leiros. 
b) com a grave crise estrutural que atingiu as atividades 
produtivas da Europa no início do século XIX, restou ao 
Brasil um papel relevante no processo de recuperação das 
bases econômicas industriais, com o fornecimento de al-
godão, tabaco e açúcar. 
c) os princípios e as práticas liberais do príncipe-regente 
Dom Pedro se chocavam com o conservadorismo das 
elites coloniais do centro-sul, defensoras de restrições 
mercantilistas com o intuito de conter a ganância britânica 
pela riqueza brasileira. 
d) com as invasões napoleônicas, desorganizaram-se os 
contatos entre a metrópole espanhola e seus espaços 
coloniais na América, situação diversa da verificada em 
relação ao Brasil, que abrigou a Corte portuguesa. 
e) a elite colonial nordestina – voltada para o mercado 
interno, defensora do centralismo político-administrativo e 
da abolição da escravatura – apostava na liderança e na 
continuidade no Brasil de Dom João VI para a efetivação 
desse projeto histórico. 
 
23. (Fgv 2012) Leia o fragmento. 
 
Na segunda metade do século XVIII, a preocupação 
com o “bem governar” era um imperativo tanto para a 
manutenção do monarca, de modo a que não se forta-
lecessem outras pretensões de legitimidade, quanto 
para a conservação do próprio regime, da monarquia 
absolutista, pois tratava-se de evitar que certas ideias 
correntes, como governos elegíveis e parlamentos 
poderosos, tomassem corpo. (...) 
(...) o despotismo esclarecido varia de país para país, 
dependendo de cada processo histórico e de sua aber-
tura ao movimento de ideias da ilustração (...) 
 
Antonio Mendes Junior et al. Brasil História: texto e consul-
ta, volume 1, Colônia. 
 
Sobre o fenômeno histórico em referência, no caso de 
Portugal, é correto considerar que 
a) o atraso econômico português gerava dependência 
política e militar, colocando em perigo inclusive o império 
colonial português, e nesse processo ocorreram as refor-
mas pombalinas, que representaram um maior controle 
português sobre o Brasil. 
b) as autoridades monárquicas portuguesas se antecipa-
ram às ondas revolucionárias do mundo atlântico e cria-
ram metas de aumento da participação das diversas clas-
ses sociais nas instâncias de poder, o que gerou o primei-
ro parlamento na Europa moderna. 
c) coube ao Marquês de Pombal o apontamento de um 
acordo estratégico com a Inglaterra, concretizado com o 
Tratado de Methuen, que permitiu a independência eco-
nômica de Portugal e regalias para a mais importante co-
lônia lusa, o Brasil. 
d) as ideias iluministas foram abominadas pelas autorida-
des portuguesas, assim como pelas elites coloniais e me-
tropolitanas, pois representavam um forte retrocesso nas 
concepções de liberdade de mercado, defendidas pelo 
mercantilismo. 
e) o contundente crescimento da economia de Angola, por 
causa do tráfico de escravos e da produção de manufatu-
rados, e da economia açucareira no Brasil, foram decisi-
vos para a opção portuguesa em transferir a sede da Co-
roa portuguesa para a América. 
 
24. (Espm 2012) Em 1720, a Coroa portuguesa decidiu 
proibir definitivamente a circulação de ouro em pó, 
instalando a Casa de Fundição em Vila Rica, onde to-
do o metal extraído das minas deveria ser transforma-
do em barras para depois ser transportado ao litoral. 
 
A medida pretendia acabar com o contrabando e in-
crementar a arrecadação de impostos, prejudicando 
os interesses dos proprietários de lavras auríferas, 
comerciantes e profissionais liberais que recebiam 
ouro em pó pelos seus serviços, além dos tropeiros 
que escoavam a produção. 
 
As novas diretrizes foram intensamente discutidas 
nos bares, nas tavernas, e críticas ferozes eram lança-
das, nas rodas de conversa, contra a administração 
local. Uma revolta se levantaria contra as medidas de 
controle da Coroa. 
 
(Fábio Pestana Ramos e Marcus Vinicius de Morais. Eles 
formaram o Brasil) 
 
A revolta ocorrida contra as medidas de controle da Coroa 
portuguesa foi: 
a) a Guerra dos Emboabas; 
b) a Revolta de Felipe dos Santos; 
c) a Inconfidência Mineira; 
d) a Guerra dos Mascates; 
e) a Revolta de Beckman. 
 
25. (Uespi 2012) O historiador Oliveira Lima define D. 
João VI, como um grande estadista. Com relação às 
medidas adotadas por esse monarca, logo após sua 
chegada ao Brasil, em 1808, destaca-se: 
a) a transposição da estrutura administrativa portuguesa, 
como tribunais, ministérios e cartórios, cujos cargos foram 
preenchidos apenas por brasileiros. 
b) o estreitamento das relações comerciais com a Inglater-
ra, simbolizado pela aberturados portos brasileiros ao 
comércio exterior. 
c) a assinatura do Tratado de Madri, com a Espanha, dis-
tendendo as fronteiras territoriais da região sul do Brasil. 
d) a criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro 
(IHGB), no Rio de Janeiro, para construção de uma nova 
identidade para a nação recém-fundada. 
e) a concessão do perdão para os participantes na Revo-
lução Pernambucana, também reconhecida como Revolu-
ção dos Padres. 
 
 
 
 
 
 
 
63 
26. (Fuvest 2012) Fui à terra fazer compras com Glen-
nie. Há muitas casas inglesas, tais como celeiros e 
armazéns não diferentes do que chamamos na Ingla-
terra de armazéns italianos, de secos e molhados, 
mas, em geral, os ingleses aqui vendem suas merca-
dorias em grosso a retalhistas nativos ou franceses. 
(...) As ruas estão, em geral, repletas de mercadorias 
inglesas. A cada porta as palavras Superfino de Lon-
dres saltam aos olhos: algodão estampado, panos 
largos, louça de barro, mas, acima de tudo, ferragens 
de Birmingham, podem-se obter um pouco mais caro 
do que em nossa terra nas lojas do Brasil. 
 
Maria Graham. Diário de uma viagem ao Brasil. São Paulo, Edusp, 1990, 
p. 230 (publicado originalmente em 1824). Adaptado. 
 
Esse trecho do diário da inglesa Maria Graham refere-se à 
sua estada no Rio de Janeiro em 1822 e foi escrito em 21 
de janeiro deste mesmo ano. Essas anotações mostram 
alguns efeitos 
a) do Ato de Navegação, de 1651, que retirou da Inglaterra 
o controle militar e comercial dos mares do norte, mas 
permitiu sua interferência nas colônias ultramarinas do sul. 
b) do Tratado de Methuen, de 1703, que estabeleceu a 
troca regular de produtos portugueses por mercadorias de 
outros países europeus, que seriam também distribuídas 
nas colônias. 
c) da abertura dos portos do Brasil às nações amigas, 
decretada por D. João em 1808, após a chegada da famí-
lia real portuguesa à América. 
d) do Tratado de Comércio e Navegação, de 1810, que 
deu início à exportação de produtos do Brasil para a Ingla-
terra e eliminou a concorrência hispano-americana. 
e) da ação expansionista inglesa sobre a América do Sul, 
gradualmente anexada ao Império Britânico, após sua 
vitória sobre as tropas napoleônicas, em 1815. 
 
27. (Uftm 2012) Era óbvia a sedução que o enforca-
mento do alferes representava para o governo portu-
guês: pouca gente levaria a sério um movimento che-
fiado por um simples Tiradentes (e as autoridades 
lusas, depois de 1790, invariavelmente se referiam ao 
alferes por seu apelido de Tiradentes). Um julgamento-
exibição, seguido pela execução pública de Silva Xa-
vier, proporcionaria o impacto máximo, como adver-
tência, ao mesmo tempo em que minimizaria e ridicu-
larizaria os objetivos do movimento: Tiradentes seria 
um perfeito exemplo para outros colonos desconten-
tes e tentados a pedir demais antes do tempo. 
 
(Kenneth Maxwell. A devassa da devassa, 1978.) 
 
O texto permite afirmar que 
a) o fato de o movimento ser chefiado por um simples 
Tiradentes foi a razão do seu fracasso. 
b) o governo tentou diminuir a relevância da revolta e apli-
cou punição exemplar em Tiradentes. 
c) o alferes foi enforcado por sua capacidade de liderar e 
seduzir os setores mais pobres do povo. 
d) o despreparo de Tiradentes acabou por frustrar os pla-
nos de revolta contra os portugueses. 
e) o movimento chefiado por Tiradentes não chegou a 
preocupar as autoridades portuguesas. 
28. (G1 - ifba 2012) “Obrigado pelas imperiosas cir-
cunstâncias (...) a transportar a sede do império tem-
porariamente para outra parte dos meus domínios, (...) 
foi necessário procurar elevar a prosperidade daque-
las partes do império (...) para que elas pudessem 
concorrer às despesas necessárias para sustentar a 
honra e o esplendor do trono e para segurar sua defe-
sa contra a invasão de um poderoso inimigo. Para este 
fim (...) fui servido a adotar os princípios (...) da liber-
dade e franquia do comércio e diminuição dos direitos 
de alfândegas (...)”. 
 
Príncipe regente, D. João VI, Rio de Janeiro, 7/3/1810. In: 
INÁCIO, I. C. & LUCA, T. R. de. Documentos de Brasil 
Colonial. São Paulo : Ática, 1983. p. 173. 
 
A diminuição dos direitos de alfândega de que trata o tex-
to, consequências dos Tratados de 1810, resultou no 
a) aumento das exportações brasileiras na medida em que 
se legalizou o comércio com outros países da Europa. 
b) incremento e consolidação do domínio inglês sobre o 
Brasil em função dos privilégios comerciais garantidos à 
Inglaterra. 
c) estabelecimento no Brasil, das primeiras estradas de 
ferro interligando áreas produtoras aos portos, agilizando 
as exportações. 
d) desenvolvimento da indústria manufatureira do Brasil 
incentivada pela entrada de capitais estrangeiros, em par-
ticular ingleses. 
e) crescimento da produção agrária da colônia para aten-
der a demanda dos vários países que passaram a comprar 
matéria prima brasileira. 
 
29. (Pucrs 2012) No século XVIII, ocorrem restrições e 
proibições, por parte da Coroa Portuguesa, às ativida-
des econômicas no Brasil colonial. Essas restrições e 
proibições referem-se 
a) ao Alvará de 1785, de D. Maria I, que proibia a instala-
ção de manufaturas no Brasil. 
b) à produção de aguardente e tabaco na Colônia, dirigida 
pelos senhores de escravos e clérigos. 
c) à vinda de agricultores estrangeiros para a Colônia, 
notadamente espanhóis e holandeses. 
d) à abertura dos portos às Nações Amigas, com a proibi-
ção da introdução de tarifas aduaneiras sobre os vinhos 
brasileiros. 
e) ao Ato de Revogação da Navegação e Comércio entre 
os leais vassalos da Coroa Portuguesa. 
 
30. (Ufsm 2012) Analise o texto e a imagem: 
 
Seus objetivos foram mais abrangentes, não se limi-
tando apenas aos ideais de liberdade e independência. 
O levante do final do século XVIII propunha mudanças 
verdadeiramente revolucionárias na estrutura da colô-
nia. Pregava a igualdade de raça e de cor, o fim da 
escravidão, a abolição de todos os privilégios, poden-
do ser considerada a primeira tentativa de revolução 
social brasileira. 
 
Fonte: COSTA & MELO. História do Brasil. São Paulo: 
Scipione, 1999. p. 118. 
 
 
 
 
 
 
 
64 
 
 
Assinale a alternativa que contém o nome desse movi-
mento e indica a fonte de uma das principais influências 
externas por ele recebidas. 
a) Guerra dos Mascates – Revolução Inglesa 
b) Inconfidência Mineira – Independência dos Estados 
Unidos 
c) Conjuração Baiana – Revolução Francesa 
d) Confederação do Equador – Congresso de Viena 
e) Revolta dos Malês – Revolução Independentista do 
Haiti 
 
 
QUESTÕES CESPE. 
 
 No Brasil, as duas aspirações - a da independência e a da 
unidade -- não nasceram juntas e, por longo tempo ainda, 
não caminharam de mãos dadas. As sublevações e as 
conjunturas nativistas são invariavelmente manifestações 
desconexas da antipatia que, desde o século XVI, opõe o 
português da Europa e o do Novo Mundo. E mesmo onde 
se aguça a antipatia, chegando a tomar colorido sedicioso, 
com a influência dos princípios franceses ou do exemplo 
da América inglesa, nada prova que tenda a superar os 
simples âmbitos regionais. 
 
 Sérgio Buarque de Holanda. A herança colonial - 
sua desagregação. In: História Geral da Civilização 
Brasileira. Tomo II, O Brasil Monárquico. 1.º volume, O 
processo da Emancipação. São Paulo: Difusão Europeia 
do Livro, p. 9 (com adaptações). 
 
Considerando o fragmento de texto acima e o processo 
histórico ao qual se refere, julgue o item que se seguem. 
01. O autor defende o argumento de que o processo 
de separação política do Brasil, ocorrido em 1822, 
não foi um movimento marcado por um sentimento 
nacional unificado. 
02. Entre as heranças do período colonial mencio-
nadas por Sérgio Buarque de Holanda, inclui-se a 
escravidão de africanos e de seus descendentes. 
A expansão da agroindústria açucareira atingiu propor-
ções assombrosas a partir do final do século XVI. Essaexpansão não era coisa simples. Exigia um grande in-
vestimento, que deveria cobrir os gastos em instalações 
para o processamento da cana e na compra de mão de 
obra importada da África. 
 
Considerando o texto acima e os aspectos marcantes 
do processo de colonização do Brasil, julgue os itens 
seguintes. 
 
03. A agroindústria açucareira ocupou, fundamen-
talmente, o litoral nordestino. No século XVIII, a mi-
neração estendeu a colonização para áreas do inte-
rior. 
 
04. Em decorrência da peculiaridade da extração de 
ouro e diamante, a mineração provocou a ampliação 
da utilização de mão de obra escrava, impediu o 
surgimento de classes médias e dificultou o apare-
cimento de cidades. 
 
05. A agroindústria açucareira foi a maneira encon-
trada por Portugal para colonizar suas terras ameri-
canas, já que, ao contrário do ocorrido nas áreas 
pertencentes à Espanha, não foram encontrados 
metais preciosos nos primeiros tempos de ocupa-
ção do Brasil. 
 
Com relação à história colonial brasileira, julgue os 
itens que se seguem. 
 
06. No período colonial brasileiro, o principal pro-
pósito das bandeiras paulistas era a descoberta de 
metais preciosos. O aprisionamento de indígenas 
foi praticado como forma de minimizar os eventuais 
prejuízos da empresa. 
 
07. A descoberta do ouro nos sertões mineiros foi 
recebida pela Coroa portuguesa com grande apre-
ensão. Não havia um projeto de colonização defini-
do a priori. A tarefa de controlar a multidão de aven-
tureiros que se dirigiria àqueles sertões parecia algo 
grande demais para os poucos recursos lusos. Por 
fim, existia a possibilidade da descoberta daquela 
riqueza despertar a cobiça das demais nações euro-
peias. 
 
08. A produção de açúcar, em Pernambuco, foi con-
trolada pelos colonos batavos logo após o início do 
governo de Nassau. A Companhia de Comércio das 
Índias Ocidentais havia confiscado e vendido a ho-
landeses e judeus os engenhos abandonados por 
proprietários que haviam fugido para Bahia e Rio de 
Janeiro. Tal controle da produção manteve-se até o 
início da insurreição restauradora, em 1645. 
 
 
 
 
 
 
 
65 
09. A oposição dos dirigentes da Companhia de 
Comércio das Índias Ocidentais ao uso da mão de 
obra escrava foi um dos principais fatores de des-
gaste nas relações entre a Companhia e os tradicio-
nais senhores de engenho pernambucanos. 
 
10. A possibilidade de ascensão social na América 
portuguesa esteve limitada pelos estatutos de lim-
peza de sangue, pelos quais os descendentes de 
judeus, mouros, ciganos, ameríndios e africanos 
estiveram excluídos da ocupação de altos postos 
eclesiásticos e civis. 
 
 Com relação à ida da família real portuguesa para o 
Rio de Janeiro, julgue os itens subsecutivos. 
 
11. A abertura dos portos da América portuguesa às 
potências amigas foi um dos primeiros atos de D. 
João VI ao chegar ao Brasil. 
 
12. Para muitos historiadores, o fim do período co-
lonial brasileiro ocorreu em 1808, quando da chega-
da da família real ao Rio de Janeiro. No entanto, a 
opção pela independência formal do Brasil passou a 
ser abertamente discutida apenas em 1820, com a 
Revolução do Porto. 
 
13. A transferência da Corte para a América portu-
guesa foi aventada em diferentes crises anteriores à 
de 1808, como estratégia para manutenção da sobe-
rania do pequeno reino ibérico frente às potências 
europeias. 
 
Acerca da configuração territorial da América portugue-
sa, julgue (C ou E) os seguintes itens. 
 
14. A expansão territorial para o sul, para que o Rio 
da Prata fosse limite natural, resultou na fundação 
de Montevidéu em 1680. 
 
15. No século XVII, os portugueses conquistaram o 
litoral nordestino e a foz do rio Amazonas. 
 
16. A criação de gado foi a primeira atividade produ-
tiva promotora da interiorização mais profunda da 
colonização. 
 
 
PRIMEIRO REINADO (1822-1831). 
 
O Primeiro Reinado - 1822/1831 - foi um período da Histó-
ria do Brasil marcado por sérios conflitos de interesses. De 
um lado os que desejavam preservar as estruturas socioe-
conômicas vigentes. Do outro, D. Pedro I pretendendo 
aumentar e reforçar o seu próprio poder, evidenciado na 
marca característica da Constituição outorgada de 1824: o 
Poder Moderador exclusivo do imperador. 
A política autoritária de D. Pedro I sofreu forte oposição 
na imprensa e na Câmara dos Deputados. A situação daí 
resultante, agravada pelos problemas econômicos e finan-
ceiros do país, minaram a popularidade do imperador. 
Este, apesar do apoio de alguns setores da sociedade, 
como o Partido Português, não conseguiu reverter a crise. 
Assim, na madrugada do dia 7 de abril de 1831, declarou 
sua abdicação ao trono em favor do filho menor, o príncipe 
imperial D. Pedro de Alcântara. 
 
Assembleia constituinte. 
 
No dia 12 de outubro de 1822, no Campo de Santana, 
região central da cidade do Rio de Janeiro, um grande 
número de pessoas recebia D. Pedro, que voltara de São 
Paulo. Aplaudia delirantemente o momento da aclamação 
daquele que, de príncipe-regente, transformava-se 
em imperador constitucional e defensor perpétuo do Brasil. 
 
Pelas ruas e vielas da cidade misturavam-se o repique dos 
sinos e os gritos entusiasmados da população. Em meio à 
rotina do dia-a-dia as conversas fervilhavam no vaivém 
junto aos mercados ou às lojas de comércio a varejo. Na-
queles dias agitados, o contentamento expressava-se 
também em versos repetidos aqui e ali: 
 
"Sabiá cantou na mata Eu cantei no meu terreiro 
Viva o Rei do Brasil Viva D. Pedro I." 
 
A 1º de dezembro um outro fato ocorria cercado de agita-
da esperança: a solenidade da coroação de D. Pedro I 
envolvida em pompa absolutista. Apresentava-se, então, 
uma tarefa nada fácil de ser realizada: organizar politica-
mente o nascente Estado. As forças políticas que conduzi-
ram o processo de emancipação, desejando manter suas 
posições já conquistadas, agora divergiam: Império ou 
República? Unitarismo ou federalismo? Constitucionalismo 
ou absolutismo? 
 
Era neste clima de desavenças, onde pontuavam descon-
fianças e a interferência de outros fatores - como a pre-
sença do chamado Partido Português - que se impunha 
organizar politicamente o novo Estado. 
Uma Assembléia Constituinte já havia sido convocada, em 
junho de 1822, como forma de resistência à pressão das 
Cortes portuguesas no sentido de recolonizar o Brasil. 
A 17 de abril de 1823 tiveram lugar as sessões prelimina-
res. No dia 3 de maio reunia-se a Assembleia Constituinte 
em solenidade no Rio. A cidade, em expectativa, se prepa-
rara cobrindo suas ruas principais com folhagens e flores. 
Os balcões e janelas das casas ostentavam, em cli-
ma barroco, colchas de damasco e cetim. D. Pedro I, diri-
gindo-se "aos dignos representantes da nação," declarou: 
 
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/quadro_politico.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/const_1824.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/imprensa.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/abdicacao_dpedroi.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/corte_rj.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/tema53.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/tema53.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/dpedro.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/articulacao.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/const_1823.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/tema815.html
 
 
 
 
 
 
66 
"É hoje o dia maior que o Brasil tem tido; dia em que ele 
pela primeira vez começa a mostrar ao mundo que é Im-
pério, e Império livre‖. 
 
Dentro das forças políticas que conduziam o processo 
da emancipação política urdiu-se uma trama de desenten-
dimentos e desconfianças. Quando da reunião 
da Assembléia os deputados eleitos pelos democratas não 
estiveram presentes. Os aristocratas, sob a liderança 
de José Bonifácio, contando com apoio dos absolutistas, 
foram eliminando da cena política os democratas de Gon-
çalves Ledo que, praticamente,já não existiam quando a 
Constituinte se reuniu. 
 
Este processo de exclusão incluía a proibição de que jor-
nais ligados aos democratas circulassem. Também foi 
determinado por José Bonifácio, então ministro do Império, 
o fechamento das lojas maçônicas ligadas aos seguidores 
de Ledo. 
O político José Martiniano de Alencar, que viveu naquela 
época, descreveu a situação afirmando que (...) "a marcha 
dos negócios públicos não é serena nem regular. O Go-
verno tem tomado medidas violentas e anticonstitucionais; 
tem-se deportado outros, abrindo-se uma devassa não só 
na Corte como pelas províncias (...) a liberdade de im-
prensa está quase acabada, se não de direito, ao menos 
de fato (...) desconfia-se do despotismo; e o desgosto é 
geral." 
 
Alencar referia-se à prisão e exílio de inúmeros deputados 
democratas como Gonçalves Ledo, José Clemente Perei-
ra, Cônego Januário da Cunha Barbosa. Consta, inclusive, 
que Ledo, em vão, requereu um processo de justificação 
para sua forçada saída do país. 
O jornalista Cipriano Barata escreveu (...) "Nosso impera-
dor é um imperador constitucional e não o nosso dono. Ele 
é um cidadão que é imperador por favor nosso e chefe do 
poder executivo, mas nem por isso autorizado a arrogar-se 
e usurpar poderes que pertencem à nação. (...) Os habi-
tantes do Brasildesejam ser bem governados, mas não 
submeter-se ao domínio arbitrário." 
José Bonifácio, por sua vez, fortalecido politicamente na-
quele momento, declarava: "nunca fui nem serei realista 
puro, mas nem por isso me alistarei jamais debaixo das 
esfarrapadas bandeiras da suja democracia." 
 
Na abertura dos trabalhos da Constituinte estavam pre-
sentes duas facções. De um lado, o Partido Brasileiro, 
majoritário, defensor da Monarquia Constitucional que 
limitava os poderes do imperador e dos portugueses. Do 
outro, o Partido Português que defendia a reunião com 
Portugal, especialmente após a restauração do absolutis-
mo por D. João VI. 
 
De um modo geral os constituintes presentes - cerca de 
oitenta - eram inexperientes em assuntos legislativos, ex-
cetuando-se aqueles que haviam participado das Cortes 
portuguesas, como Antônio Carlos de Andrada e Campos 
Vergueiro. Ali estavam magistrados, bacharéis, religiosos, 
militares, professores, proprietários rurais, médicos e fun-
cionários públicos, representantes da pequena parcela de 
eleitores da população. 
As polêmicas começaram já na abertura dos trabalhos. A 
discussão versou sobre a cerimônia inicial, pois um grupo 
se opunha ao fato de o imperador ocupar o centro da me-
sa. Outra questão envolveu a coroa do imperador: se ele 
deveria usá-la sobre a cabeça no recinto da Assembleia; 
votou-se que não. 
 
D. Pedro I, por sua vez, na Fala do Trono - uma longa 
peça que ocupou 15 páginas da publicação oficial - firme-
mente declarou que jurava defender com a espada (...) "a 
pátria, a nação, a Constituição, se fosse digna do Brasil e 
de mim." Esta frase era uma cópia da existente na carta 
constitucional francesa de junho de 1814. A forma condici-
onal usada pelo imperador, segundo um constituinte com 
"palavras ambíguas", levantou inúmeras discussões 
na imprensa e no plenário. 
Em resposta à fala do imperador, a Assembleia manifes-
tou que (...) "confia que fará uma Constituição digna da 
nação brasileira, de si e do imperador". Observa-se, na 
ordem da frase, que D. Pedro I é colocado em último lu-
gar, o que, certamente, não o agradou. 
Em sessão da Assembleia de 21 de maio de 1832, o pa-
dre Diogo Antônio Feijó, então Ministro da Justiça, repor-
tando-se àqueles dias lembrou ter ouvido de um dos ir-
mãos Andradas, Antônio Carlos, provavelmente, a seguin-
te fala: "Se a Assembleia não fizer o que o imperador quer, 
ele a dissolverá." Esta informação, no dizer do historiador 
Américo Jacobina Lacombe, pode ser confirmada se a 
compararmos com os ofícios do ministro austríaco Barão 
Mareschal, nos quais se lê que... "confirma a decisão por 
parte do governo, de recorrer à dissolução, caso a As-
sembleia seguisse o caminho da demagogia". 
 
Em meio a tamanhas divergências dentro da Constituinte 
ocorreu o espancamento do jornalista Luís Augusto May, 
redator do Malagueta, periódico ligado aos democratas e 
responsável por críticas apimentadas aos Andradas. Pu-
blicação típica da imprensa da época e de grande reper-
cussão, na Corte em especial, tinha como lema uma frase 
do filósofo francês Rousseau: "Quando se diz acerca dos 
negócios do Estado - o que me importa? - deve-se dizer 
que o Estado está perdido." 
 
Dentro do Partido Brasileiro, por exemplo, surgiam desa-
venças entre os Andradas e outros membros do seu gru-
po. Estes desacordos ocorreram desde que José Bonifácio 
apresentou à Assembléiauma representação sobre a es-
cravidão no Brasil. Defendia a idéia, que despertava muita 
desconfiança e desagrado em inúmeros componentes do 
Partido Brasileiro (proprietários de escravos e de terras), 
da extinção gradual da escravidão. Dizia que, desta forma, 
surgiria uma (...) "Nação homogênea, sem o que nunca 
seremos verdadeiramente livres, respeitáveis e felizes." 
Tantas discordâncias, acrescidas de inúmeras intrigas 
políticas, propiciaram a queda do Gabinete dos Andradas 
que, segundo o historiador Pedro Octávio Carneiro da 
Cunha, "acontecera sobre um terreno de acordo entre a 
maioria dos deputados e o monarca". A partir de então, na 
Constituinte - para a qual tinham sido eleitos - e no jornal 
O Tamoio, José Bonifácio e seus irmãos Antônio Carlos e 
Martim Francisco promoveram constante oposição 
do governo de D. Pedro I. O escritor e jornalista Euclides 
da Cunha, posteriormente, comentou que os Andradas 
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/top09.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/em_politica.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/assembleia.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/jose_bonifacio.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/lojas_maconicas.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/forcas_1823.html#devassa
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/vida_corte.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/cipriano_barata.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/top09.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/partido_brasileiro.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/morte_djoao.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/assembleia.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/imprensa.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/abert_1823.html#plenario
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/const_1823.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/vida_corte.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/assembleia.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/rep_escravidao.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/rep_escravidao.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/index.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/tema314.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/descontentamentos.html
 
 
 
 
 
 
67 
"apeando-se do poder apelam para os recursos que con-
denavam na véspera". 
 
Dissolução da Assembleia / A "Noite da Agonia" 
 
Com a queda do Gabinete dos Andradas, em julho de 
1823, o Partido Português ascendeu ao Governo. A partir 
daí, ocorreu um acirramento do confronto político dos 
constituintes com o imperador. O projeto da Constituição 
começava a ser lido em setembro de 1823. Como os com-
ponentes do Partido Brasileiro eram a maioria 
na Assembléia, o projeto refletia os seus interesses. Dese-
jando limitar o papel dos portugueses, estipulava que os 
estrangeiros seriam inelegíveis para os cargos de repre-
sentação. Isto acarretaria mais pressão junto às forças 
políticas, já que inúmeros estadistas, magistrados, oficiais 
da tropa, proprietários rurais e comerciantes haviam nas-
cido em Portugal. 
 
O texto do projeto prosseguia decidindo que o imperador 
não poderia ser governantede outro reino a fim de evitar a 
restauração do Reino Unido. Estas restrições refletiam 
uma preocupação que o historiador Caio Prado Júnior 
chama de "fantasma português" 
 
O projeto excluía da vida política a maioria da população, 
pois instituía um sistema eleitoral, indireto e censitário, que 
exigia uma renda mínima equivalente ao valor de "150 
alqueires de farinha de mandioca". Também limitava ao 
máximo os poderes do imperador, valorizando e amplian-
do os do Legislativo. Estabelecia que D. Pedro I não tinha 
poder para dissolver o Parlamento e que as Forças Arma-
das deveriam receber ordens do Legislativo. A Constituin-
te, no dizer de Américo Jacobina Lacombe, considerou-se 
"detentora de poderes excepcionais", já que decidira que 
seus atos não estariam sujeitos à sanção do imperador. 
 
Os conflitos e desentendimentos ultrapassavam os limites 
da Assembléia alcançando a imprensa. O Tamoio, por 
exemplo, publicava em quase todo o seu espaço de quatro 
páginas, um único artigo que tratava dos recentes aconte-
cimentos políticos. Nas palavras de Lacombe, a oposição 
dos Andradas era "franca e ilimitada" como o apoio, che-
gando a extremos como quando estavam ligados ao Exe-
cutivo. 
Na Corte circulara, também, entre agosto e novembro de 
1823, fazendo oposição ao governo de D. Pedro I, a publi-
cação intitulada A Sentinela da Liberdade à Beira Mar da 
Praia Grande, que dizia-se ser influenciada por José Boni-
fácio. Tanto no Tamoio quanto na Sentinela, avolumavam-
se protestos e críticas contra a admissão de portugueses 
nas Forças Armadas, contra a nomeação de reinóis para 
funções de confiança e contra possíveis manobras de 
reaproximação com a antiga Metrópole. 
 
A Constituição Outorgada de 1824. 
 
Após a dissolução da Assembleia Constituinte, Dom Pedro 
I, justificando seu ato, declarou que convocaria uma ou-
tra Assembleia (...) a qual deverá trabalhar sobre o projeto 
de Constituição que eu lhe hei de breve apresentar; que 
será duplicadamente mais liberal, do que a extinta Assem-
bleia acabou de fazer". 
Entretanto, isto não aconteceu. Foi nomeado um Conselho 
de Estado composto por dez membros pelo imperador, 
com a tarefa de redigir um projeto de Constituição. 
Em 25 de março de 1824, em cerimônia solene realizada 
no Rio de Janeiro, o imperador D. Pedro I outorgou a 
Constituição Política do Império do Brasil. Esta Constitui-
ção estabelecia um Governo monárquico, hereditário, 
constitucional, representativo e afirmava que (...), "o Impé-
rio é a associação política a todos os cidadãos brasileiros". 
Também estabelecia que "cidadãos brasileiros" eram 
aqueles que, nascidos no Brasil, fossem "ingênuos" (filhos 
escravos nascidos livres) ou libertos, além daqueles que, 
apesar de nascidos em Portugal ou em suas possessões 
residissem no Brasil (...) "na época em que se proclamou a 
independência", e que tivessem aderido a ela. 
Esta Carta tinha, entre outras características, um sistema 
baseado em eleições indiretas e censitárias. Para votar e 
ser votado apontava requisitos quanto a renda. Isto deno-
tava um caráter excludente na sociedade imperial, já que 
grande parte da população era composta por homens 
livres e pobres e por escravos. 
Para a Câmara dos Deputados elegia-se inicialmente um 
corpo eleitoral que, posteriormente, seria responsável pela 
eleição dos deputados para um período de quatro anos. 
A marca mais característica desta Constituição foi a insti-
tuição de um quarto poder, o Moderador, ao lado do Exe-
cutivo, Legislativo e Judiciário. Este quarto poder era ex-
clusivo do monarca e, por ele, o imperador controlava a 
organização política do Império do Brasil. 
 
Por meio do poder moderador o imperador nomeava os 
membros vitalícios do conselho de estado e os presiden-
tes de província, também nomeava e destituía os ministros 
do poder executivo. 
 
Utilizando-se deste quarto poder, Dom Pedro I aprovava 
ou não as decisões da Assembleia Geral, além de convo-
car ou dissolver a Câmara dos Deputados Dessa forma, o 
imperador concentrava um poder sem paralelo, o que de-
monstrava o caráter centralizador e autoritário da organi-
zação política do Império do Brasil. Tal situação não foi 
aceita por toda a sociedade imperial. Havia quem apro-
vasse, quem calasse por temor e quem contestasse. O 
protesto mais violento partiu da província de Pernambuco 
e se transformou no episódio conhecido como confedera-
ção do Equador. 
 
A Confederação do Equador. 
 
A dissolução da Assembléia de 1823 e a outorga da Cons-
tituição de 1824 geraram de imediato uma violenta reação 
na província de Pernambuco. 
As Câmaras Municipais de Olinda e de Recife já haviam 
negado aprovação àqueles atos do imperador alegando 
que assim agiam movidas pela (...) "desconfiança não 
pequena em que se acham todos os habitantes desta pro-
víncia (...), receando (...) o restabelecimento do antigo e 
sempre detestável despotismo, a que estão dispostos a 
resistir corajosamente". 
Este descontentamento também já atingia outras provín-
cias no Norte e no Nordeste do Brasil. Nelas, avoluma-
vam-se os comentários de que o Rio de Janeiro havia se 
transformado numa "nova Lisboa" dominada por portugue-
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/partido_brasileiro.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/const_1823.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/dissolucao_assemblei.html#censitario
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/imprensa.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/vida_corte.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/oposicao_dpedro.html
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http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/noite_agonia.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/assembleia.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/corte_rj.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/noite_agonia.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/top06.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/index.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/corte_rj.html
 
 
 
 
 
 
68 
ses que oprimiam e prejudicavam os brasileiros. Na pro-
víncia de Pernambuco - em Recife, especialmente - a 
crença generalizada de que os portugueses exploravam 
os "patriotas pernambucanos" teria sido um dos motivos 
que deflagrara a Revolução Pernambucana de 1817. 
 
Não era por acaso que pelas ruas de Recife circulava esta 
quadrinha: 
 
"Sem grande corte na Corte Não se goza um bem geral; 
Que o corte é que nos faz bem, A Corte, é quem nos faz 
mal." 
 
Em meio a isto tudo renasceria em Pernambuco, nos pri-
meiros anos do Governo de D. Pedro I, um sentimento 
nativista inspirado no episódio das invasões holande-
sas da região no século XVII. Agora, este sentimento re-
tornava temperado pela divulgação, e até mesmo encam-
pação, das idéias liberais européias. 
 
Frei Caneca e O Tifis Pernambucano. 
 
Em sintonia com a mesma pregação do político e jornalis-
ta Cipriano Barata estava o frei carmelita Joaquim do 
Amor Divino Rabelo. De origem humilde - conhecido como 
Frei Caneca por ter sido vendedor de canecas quando 
garoto em Recife -, foi educado no Seminário de Olinda 
onde absorveu os ideais liberais. 
 
Erudito, distinguia-se na luta pelas idéias em que acredita-
va e pela vastidão dos seus conhecimentos, o que resulta-
va em críticas profundas à Carta outorgada de 1824. Em 
alguns momentos tomava atitudes interessantes como, por 
exemplo, quando esteve detido em prisões na Bahia, 
usando o seu tempo a ensinar Matemática aos outros 
prisioneiros, chamados por ele "seus companheiros de 
desdita". 
 
Dirigindo o jornal O Tifis Pernambucano Frei Caneca fazia 
sua pregação republicana, denunciando o autoritarismo 
imperial e conclamando a população à luta. 
Em seu primeiro número, lançado a 25 de dezembro de 
1823, o Tifis anunciava que o país parecia (...) "uma nau 
destroçada pela fúria oceânica, ameaçandosoçobro, ca-
recendo da ajuda decidida e abnegada de todos os seus 
filhos." 
Nas páginas de seu jornal Frei Caneca, que tivera partici-
pação ativa na Revolução Pernambuca de 1817 e que, 
segundo o Conde dos Arcos, fora um dos que havia trans-
formado Pernambuco num "covil de monstros infiéis" con-
siderava a Constituição outorgada (...) "iliberal e contrária 
à liberdade, à Independência e direitos do Brasil." Enten-
dia ser o Poder Moderador "a chave mestra da opressão 
da nação brasileira." 
Suas claras posições políticas também chamaram a aten-
ção de Maria Graham que, passando por Recife e obser-
vando o espírito de rebeldia que contagiava os pernambu-
canos, comentou sobre "um padre" lá existente, Frei Ca-
neca, nele identificando, como todo pernambucano, um 
sentido de independência. 
 
A Confederação. 
 
Em meio a este clima tenso, D. Pedro I nomeou um novo 
presidente para a província - Francisco Pais Barreto - des-
tituindo Manuel Paes de Andrade, que fora escolhido pelas 
Câmaras de Olinda, Recife, Igaraçu, Pau-d'Alho, Cabo, 
Limoeiro e Serinhaém. 
 
Esta decisão abriu caminho para o início do movimento 
separatista que ficou conhecido como Confederação do 
Equador. Seus participantes, apresentando-se como "pa-
triotas pernambucanos", discordaram desta medida do 
imperador, considerando-a autoritária. O movimento ga-
nhou ímpeto, desafiando o poder central, espalhando-se 
pelas ruas de Recife, inclusive contando com a adesão de 
alguns estrangeiros. 
A revolta, de conteúdo "antilusitano", teve como líder Ma-
nuel de Carvalho, que participara ativamente da Revolu-
ção de 1817 e que, por conta disto, fora exilado nos Esta-
dos Unidos da América tornando-se grande admirador 
daquele país. A 2 de julho de 1824 Manuel de Carvalho 
proclamou a Confederação do Equador, uma nova Repú-
blica na América que deveria unir, num mesmo Estado, 
todas as províncias da Bahia até o Grão-Pará. 
O Manifesto da Proclamação da Confederação do Equa-
dor declarava, entre outros pontos, que (...) "salta aos 
olhos a negra perfídia, são patentes os (...) perjúrios do 
Imperador". Ficava bem clara a idéia que os participantes 
faziam do monarca, e temiam os rumos que o Império 
tomaria após a outorga da Constituição de 1824. 
A tensão aumentava neste movimento, acentuadamente 
urbano e popular, de caráter mais democrático do que os 
anteriores movimentos nativistas. Era, por exemplo, muito 
diferente da Revolução Pernambucana de 1817, liderada 
por proprietários de escravos e de terras, comerciantes 
locais e muitos militares, que entendiam estar sendo ex-
plorados pelos portugueses da "nova Lisboa". 
Na descrição da viajante Maria Grahan, o ambiente na 
província pernambucana, guardadas as proporções, era 
semelhante ao que se sentia na França ao tempo da Re-
volução Francesa. Muitos olhos espreitavam e muitos 
ouvidos permaneciam atentos, pelos cantos, sempre à 
espera de armadilhas e traições. 
 
Para organizar o Estado que surgia convocou-se uma 
Assembleia, que elaborou um projeto constitucional que 
priorizava o Poder Legislativo. Suspendia também o tráfico 
negreiro no porto de Recife (...) "até que a soberana As-
sembleia resolva este Negócio", considerando ser este (...) 
"um comércio, que está em completa oposição com os 
princípios do Direito Natural, e as luzes do presente sécu-
lo." 
Este ponto, porém, causou um fracionamento no movi-
mento pois atingia em cheio os poderosos interesses lo-
cais, como já ocorrera em 1817. Por outro lado, a partici-
pação de camadas populares - homens livres, pretos, mu-
latos e militares de baixa patente - colocou em pauta ou-
tros enfoques que alarmaram a população branca que 
compunha a elite local. 
 
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/revolucao_pernanbuca.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/oposicao_dpedro.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/tema317.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/tema317.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/cipriano_barata.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/revolucao_pernambucana.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/const_1824.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/guerra_independencia.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/tema63.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/revolucao_pernambuca.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/tema313.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/tema313.html
 
 
 
 
 
 
69 
Com o radicalismo ganhando espaços maiores a classe 
dominante, que aderiu ao movimento, recuou rompendo a 
união que mantinha com a Confederação. Assim como em 
1817 não era apenas o Governo Imperial que se sentia 
ameaçado mas os interesses locais dos proprietários de 
escravos e de terras, dos comerciantes portugueses, dos 
burocratas... 
 
A Repressão à Confederação do Equador. 
 
Uma violenta repressão iniciou-se em agosto de 1824. As 
tropas do Governo avançaram e, com sucessivas vitórias, 
puseram fim à Confederação do Equador em 29 de no-
vembro de 1824. As instruções passadas pelo Governo 
imperial diziam (...) "não admitir concessão ou capitulação, 
pois a rebeldes não se deve dar quartel". 
 
A maior parte dos líderes do movimento, em Pernambuco 
e nas outras províncias, foi presa e julgada por tribunais 
militares. Frei Caneca foi acusado, entre outras ações, de 
(...) "aprender ofício de soldado (...) de ser declamador (...) 
de ser capitão de guerrilhas, (...) de fugir com os rebeldes 
e, na debandada de ser preso". 
D. Pedro I mostrou-se irredutível em relação ao cumpri-
mento das penas dos condenados à morte. Não atendeu a 
nenhum apelo irritando-se com a insistência dos pedidos. 
Frei Caneca, condenado à forca, acabou sendo fuzilado 
por soldados das tropas imperiais em 13 de janeiro de 
1825, pois os carrascos pernambucanos negaram-se a 
cumprir a sentença. O historiador Nelson Werneck Sodré 
comenta que Frei Caneca às vésperas da morte, compôs 
alguns versos sendo que os últimos diziam: "A vida do 
patriota não pode o tempo acabar..." 
 
Quadro Político do Primeiro Reinado. 
 
A política autoritária de D. Pedro I sofria uma forte oposi-
ção localizada em dois pólos principais. Um deles era a 
nascente imprensa. Em todo o país, não apenas na Corte, 
surgiam, neste período, jornais chamados de pasquins. 
Eram pequenas publicações que saíam sem muita regula-
ridade, utilizando uma linguagem inflamada que aumenta-
va na medida em que crescia o descontentamento com o 
monarca. O outro pólo localizava-se na Câmara dos Depu-
tados. Convocada em 1826 por D. Pedro I, era composta 
por deputados eleitos em 1824, na maioria francamente 
contrários ao imperador, razão para a demora da convo-
cação. 
Instalada, então, pela primeira vez em 1826, 
a Assembleia Geral reunia, também, o Sena-
do vitalício que, escolhido por D. Pedro I, apoiava incondi-
cionalmente as medidas por ele tomadas. Tanto na im-
prensa como na Câmara dos Deputados surgiram dois 
grupos político-partidários entre os que se opunham ao 
monarca: os liberais moderados e os liberais exaltados. 
Os Liberais Moderados. 
 
Os liberais moderados defendiam a conservação da Mo-
narquia centralizada, embora entendessem que o Poder 
Legislativo deveria ter um peso maior na vida política do 
Império por representar a vontade da "maioria". Esta, en-
tretanto, não abrangia a totalidade da população pois, 
segundo a Constituição outorgada de 1824, poucos pode-
riam participar da sociedade política imperial. 
O jornalista Evaristo da Veiga, um dos principais represen-
tantes dos moderados, era redator do jornal Aurora Flumi-
nense. Entre as posições que defendia estavam, por 
exemplo: "Liberdade e ordem legal, eis os mais preciosos 
dos nossos bens" e (...) "nada de excessos. A linha está 
traçada - é a Constituição", ou ainda mais categoricamente 
(...) "Queremos a Constituição, não queremos a Revolu-
ção". 
 
João Clemente Vieira Souto, responsável pela publicação 
A Astréia, também compunhao grupo dos moderados, 
ligado particularmente aos produtores do interior (Zona da 
Mata e Sul de Minas). Estes últimos disputavam com os 
comerciantes portugueses o abastecimento da cidade 
do Rio de Janeiro. Outra figura importante era o deputado 
Bernardo Pereira de Vasconcelos, bacharel em Direito por 
Coimbra, que orientava o jornal Universal, de Ouro Preto. 
Em um dos seus discursos na Assembléia comentara so-
bre o comparecimento dos ministros do Poder Executivo 
aos debates referentes às suas pastas, promovidos no 
Poder Legislativo: "Ah! Venham eles quanto antes, ve-
nham depor perante a representação nacional, venham 
mostrar ao público suas virtudes ou seus vícios, sua ciên-
cia ou sua ignorância: saiam de seus palácios, asilo da 
sua imbecilidade. 
Liberais Exaltados. 
Os liberais exaltados divulgavam suas idéias e propostas 
nos jornais Gazeta Paraibana e a Abelha Pernambucana, 
dirigidos por Antônio Borges da Fonseca que, no Rio de 
Janeiro, também fundou O Repúblico. Já, o Tribuno do 
Povo, de Francisco das Chagas Oliveira França, e o Mala-
gueta, de Luís Augusto May, defendiam a federação que, 
em sua opinião, daria maior autonomia às províncias do 
Império. Alguns chegavam até a defender a possibilidade 
da instauração de uma República. 
 
D. Pedro I e sua Relação com a Assembleia. 
As relações do imperador com a Assembleia eram cons-
tantemente marcadas por atritos. Comentava-se que 
quando a situação se agravava D. Pedro I oferecia alguns 
postos no Governo imperial à oposição, concentrada 
no Partido Brasileiro. Esta aproximação não minimizava a 
avaliação dos adversários, que consideravam estas atitu-
des oportunistas. Diziam que a simples troca de nomes na 
administração não era bastante, frente à necessidade de 
uma reforma muito mais ampla. 
Em meio a tantas desconfianças cada vez mais se apro-
fundava o abismo entre o Governo e a maioria do país. A 
oposição intensificou-se e os atritos constantes do impe-
rador com a imprensa e com a Câmara dos Deputados, 
cada vez mais, minavam a popularidade do monarca. Nes-
te compasso, segundo o historiador Nelson Werneck So-
dré, (...) "as grandes linhas do Sete de Abril começavam a 
definir-se". 
Guerra Contra as Províncias Unidas do Prata. 
 
A oposição ao Governo de D. Pedro I cresceu a partir de 
dois acontecimentos: a morte de D. João VI - que levantou 
a questão da sucessão do trono português - e a guerra 
contra as Províncias Unidas do rio da Prata (futura Argen-
tina), que resultou na perda da Província Cisplatina. Esta 
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/confed_equador.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/frei_caneca.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/imprensa.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/vida_corte.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/assembleia.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/quadro_politico.html#vitalicio
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/liberais_moderados.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/liberais_exaltados.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/const_1824.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/tema84.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/corte_rj.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/assembleia.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/partido_brasileiro.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/imprensa.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/oposicao_dpedro.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/morte_djoao.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/guerra_prata.html#provincias_unidas
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/tema71.html
 
 
 
 
 
 
70 
região, antes denominada Banda Oriental do Uruguai, 
havia sido conquistada por campanha militar em 1817, 
quando da permanência da Corte no Rio de Janeiro, du-
rante o governo do príncipe-regente. Após inúmeras mani-
festações protestos e desentendimentos políticos ocorri-
dos na região da Cisplatina - submetida por invasão - reu-
niu-se um Congresso, em agosto de 1825, que proclamou 
sua separação do Brasil e a incorporação às Províncias 
Unidas do rio da Prata. 
Este acontecimento deflagrou uma guerra desastrosa, a 
partir de dezembro de 1825, entre as partes envolvidas. D. 
Pedro I sustentou esta guerra, pois a política do Brasil em 
relação ao restante do continente era no sentido de dificul-
tar a formação de grandes países. Por outro lado, a ane-
xação da Cisplatina fortalecia as Províncias Unidas, que 
passavam a controlar toda a bacia do rio da Prata e 
seu estuário. Tendo em vista as dificuldades de comunica-
ção terrestre, o bloqueio da área fluvial dificultava os con-
tatos com as áreas localizadas no oeste de Santa Catari-
na, Paraná, Rio Grande do Sul e sudoeste de Mato Gros-
so. Isto poderia ameaçar a unidade e a estabilidade do 
Império e a do imperador. 
Os Gastos Militares. 
Neste contexto de guerra, o Brasil internamente enfrenta-
va outros problemas. Os gastos militares agravavam, 
enormemente, os problemas econômicos e financeiros já 
existentes. 
O conflito - em área distante da Corte - envolvia o deslo-
camento de uma tropa regular que, na verdade, não esta-
va organizada e muito menos preparada para o que teria 
que enfrentar. 
Segundo o historiador Nelson Werneck Sodré, faltava 
tudo. Não havia, por exemplo, transporte militar suficiente: 
naquela época, carros de boi. A cavalaria também estava 
desorganizada pois, dos cerca de 14.700 animais constan-
tes nos documentos oficiais, apenas 18 estavam em con-
dições. As tropas estavam descalças e com fardamento 
incompleto. O soldo, de um modo geral, vivia atrasado. 
Comentava-se, muito, sobre escândalos que envolviam a 
inclusão de soldados mortos na folha de pagamento, as-
sim como a manutenção de unidades "fantasmas", com a 
finalidade de assegurar rendimento maior a alguns oficiais 
superiores. 
O problema do efetivo necessário para a tropa, inúmeras 
vezes recrutado à força no Brasil, foi solucionado por D. 
Pedro I através da contratação de soldados mercenários. 
Vindos da Europa, eram homens pobres, sem treinamento 
militar na maioria, que aceitavam o contrato proposto na 
perspectiva de se tornarem pequenos proprietários no 
Brasil. Em meio a estes desacertos, floresceu 
uma imprensa militar. Felisberto Caldas, ao embarcar para 
assumir o comando das forças que lutavam na região da 
Cisplatina, solicitou uma tipografia, que alcançou o local 
da luta entre dezembro de 1826 e janeiro de 1827, não se 
sabe ao certo. De qualquer modo, foi com ele que se im-
primiu, a 5 de fevereiro, o segundo boletim do Exército e 
os que vieram depois. Posteriormente, com este mesmo 
equipamento, se imprimiu o primeiro jornal da província de 
São Pedro do Rio Grande do Sul, que começou a circular 
a 1º de junho de 1827. 
O Final da Guerra. 
 
A guerra, apesar dos esforços dos mediadores, terminou 
apenas em 1828 quando foi assinado um tratado de paz. 
A Cisplatina teve sua independência reconhecida pelos 
Governos do Brasil e das Províncias Unidas do rio 
da Prata, passando a se denominar República Oriental do 
Uruguai. O Tratado também incluía um artigo que estabe-
lecia a livre navegação na bacia do Prata pelo prazo de 
quinze anos. Isto significava em outras palavras que, atra-
vés da mediação, o Governo inglês obteve a vantagem do 
livre comércio no estuário platino. 
A guerra significou desgaste para D. Pedro I devido, em 
grande parte, aos altos gastos militares e empréstimos 
externos em tempos de crise. Por outro lado fez aumentar 
as desconfianças das repúblicas latino-americanas, que 
julgavam a política expansionista do Brasil uma ameaça 
para o Continente. 
A Morte de D. João VI e a Questão da Sucessão do 
Trono de Portugal. 
 
A oposição ao Governo de D. Pedro I, localizada especi-
almente na imprensa e na Câmara dos Deputados, intensi-
ficou-se a partir da morte de D. João VI, ocorrida no dia 10 
de março de 1826. O problemada sucessão ao trono por-
tuguês, entretanto, já existia, pois D. Pedro era o herdeiro 
legítimo e, assim, era o imperador do Brasil, situação que 
poderia gerar a união de duas Coroas sob o mesmo sobe-
rano. Isto não agradava Portugal, que via nessa possibili-
dade seu progressivo enfraquecimento. Para o Brasil, 
poderia significar prejuízos à sua emancipação política. 
A Inglaterra também via com preocupação esta possibili-
dade pois se a Coroa portuguesa, por desistência de D. 
Pedro, ficasse com seu irmão, D. Miguel, ocorreria uma 
aproximação de Portugal com a Santa Aliança, o que de 
modo algum agradaria ao Governo inglês. Sabia-se tam-
bém que o príncipe D. Miguel tinha tendências absolutis-
tas. O Governo brasileiro estava atento para evitar medi-
das que privassem D. Pedro dos seus direitos hereditários. 
O Ministro George Canning - Secretário das Relações 
Exteriores no Governo britânico -, presente em diversas 
negociações diplomáticas que envolveram o Brasil naque-
le período - chegou a propor que a sucessão monárquica, 
obedecendo as tradições, recaísse sobre o primogênito. O 
rei moraria alternadamente no Brasil e em Portugal con-
servando as duas Coroas sobre sua cabeça. Outra suges-
tão levantada foi a de que um dos filhos de D. Pedro I 
herdasse a Coroa lusa. Como nenhuma solução foi acor-
dada a questão da sucessão foi deixada provisoriamente 
de lado e D. Pedro conservou os seus direitos intactos. 
 
A Morte de Líbero Badaró e o Agravamento da Crise 
 
Os distúrbios cresceram com a morte do jornalista italiano 
Giovanni Baptista Líbero Badaró, fundador em São Paulo 
do Observador Constitucional, que refletia na Província, o 
clima tempestuoso que irradiava da Corte. Os aconteci-
mentos se precipitavam. Os componentes do Partido Por-
tuguês exigiam, cada vez mais, o imperador sem as Câ-
maras. Em dezembro de 1830 o jornalista Borges da Fon-
seca escrevia (...) "O Brasil quer ser monárquico-
constitucional e jamais sofrerá que um ladrão coroado se 
sente no trono que a Nação ergueu para assento de um 
monarca constitucional". 
 
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/corte_rj.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/top09.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/index.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/%60prata.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/guerra_prata.html#estuario
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/tema73.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/tema73.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/tema45.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/vida_corte.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/gastos_militares.html#mercenario
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/imprensa.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/tema45.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/final_guerra.html#provincias_unidas
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/prata.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/tema71.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/final_guerra.html#estuario
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/gastos_militares.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/top09.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/oposicao_dpedro.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/imprensa.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/index.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/em_politica.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/top09.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/vida_corte.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/index.html
 
 
 
 
 
 
71 
Em fevereiro de 1831, o imperador visitou Minas Gerais. 
Ao chegar em Barbacena e em outras cidades da Provín-
cia, por concidência ou não, os sinos repicavam o toque 
de finados pela morte de Líbero Badaró. Parte da popula-
ção hostilizava o imperador havendo até quem murmuras-
se que (...) "quando sai das vilas, leva pedradas as casas 
em habitou e têm sido assobiados alguns dos que mais o 
obsequiaram." A situação chegara a tal ponto que, segun-
do o historiador inglês John Armitage, (...) "bastava al-
guém aceitar cargo no Governo para ficar impopular." 
D. Pedro I retornou ao Rio de Janeiro a 11 de março en-
contrando a oposição nas ruas, tomando espaços, contes-
tando. Os conflitos culminaram na noite de domingo, 13, 
quando um grupo mais exaltado atacou casas dos "pés de 
chumbo" - portugueses, que responderam jogando garra-
fas num episódio que ficou conhecido como Noite das 
Garrafadas. 
O imperador, pressionado por toda a situação - após um 
manifesto redigido por vinte e três deputados e pelo sena-
dor Vergueiro - nomeou, a 19 de março, um novo ministé-
rio formado por políticos mais liberais. Entretanto, a oposi-
ção não cessou. No dia 25 de março, comparecendo à 
cerimônia de comemoração do sétimo aniversário da 
Constituição Imperial, D. Pedro I ouviu gritos de "Viva o 
imperador enquanto constitucional" e "Viva D. Pedro II." 
 
Abdicação de D. Pedro I. 
 
Nos primeiros dias de abril as ruas viviam momentos de 
grande inquietação: grupos exaltados passaram a defen-
der a necessidade de um Governo republicano. 
A imprensa pregava "o dever sagrado da resistência à 
tirania". A pressão continuava e no dia 5 de abril D. Pedro 
I constituiu um novo ministério - o Ministério dos Marque-
ses - no dizer do historiador Werneck Sodré, (...) "todos 
notáveis pela sua impopularidade". No dia 6, desde o 
amanhecer, numerosos grupos concentraram-se no Cam-
po da Aclamação - local onde D. Pedro fora fei-
to Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil 
- onde circulavam boatos de represálias do imperador à 
oposição. Exigia-se o retorno do gabinete formado por 
liberais brasileiros. O monarca teria respondido então: 
"Tudo farei para o povo, mas nada pelo povo." Às 23 ho-
ras, à população ali reunida, vieram juntar-se os corpos de 
tropa sob o comando do brigadeiro Francisco de Lima e 
Silva. 
 
Na madrugada do dia 7 de abril de 1831, não conseguindo 
contornar a crise, D. Pedro I apresentou o ato de abdica-
ção ao trono. Naquela mesma madrugada deixou o palá-
cio sem se despedir do filho de cinco anos, seu herdeiro, 
mas enviando-lhe posteriormente uma correspondência na 
qual assinalava que (...) "me retiro para a Europa (...) para 
que o Brasil sossegue, o que Deus permita, e possa para 
o futuro chegar àquele grau de prosperidade de que é 
capaz. Adeus, meu amado filho, receba a bênção de seu 
pai, que se retira saudoso e sem mais esperança de o 
ver." 
 
Entre a data da abdicação e a da partida para Portugal, D. 
Pedro I enviou algumas outras correspondências como, 
por exemplo, a José Bonifácio, nomeado tutor do príncipe 
D. Pedro de Alcântara, em que dizia: (...) "eu delego em 
tão patriótico cidadão a Tutoria do meu querido filho, e 
espero que educando-o naqueles sentimentos de honra e 
de patriotismo com que devem ser educados todos os 
soberanos (...), ele venha um dia a fazer a fortuna do Bra-
sil de quem me retiro saudoso." 
No dia 8, de abril, D. Pedro I envia uma mensagem 
à Assembleia em que comunica ter nomeado como tutor 
de seu filho - segundo a Constituição, capítulo V, art. 130 - 
José Bonifácio de Andrada e Silva e pede (...) "à Augusta 
Assembleia Geral que se digne confirmar esta minha no-
meação. Eu assim o espero, confiado nos serviços que de 
todo o meu coração fiz ao Brasil, e em que a Augusta As-
sembleia Geral não deixará de querer aliviar-me desta 
maneira um pouco as saudades, que me atormentam, 
motivadas pela separação de meus caros filhos e da Pá-
tria, que adoro". 
Enquanto isto pelo Rio de Janeiro segundo o historiador 
Pedro Calmon, circulavam estes versos, "em clima tão ao 
sabor da Independência": 
"Passa fora pé de chumbo Vai-te do nosso Brasil 
Que o Brasil é brasileiro Depois do 7 de Abril". 
 
 
 
1. (Uece 2015) Dentre as afirmações a seguir, assinale 
aquela que está INCORRETA no que diz respeito àConfederação do Equador (1824). 
a) A Confederação do Equador estava afinada com os 
ideais de federação que serviram de base para a implan-
tação da República dos Estados Unidos da América. 
b) A revolta começou com a exigência de que o Presidente 
da Província de Pernambuco, indicado por D. Pedro I, 
renunciasse ao cargo em favor do liberal Manuel de Car-
valho Pais de Andrade. 
c) A Confederação do Equador uniu Pernambuco e as 
Províncias da Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. 
d) Cedendo às forças de repressão comandadas pelo 
Brigadeiro Francisco Lima e Silva, após cinco meses de 
resistência, os rebeldes se entregaram, sendo, por este 
motivo, anistiados. 
 
2. (Uece 2007) "...diz Oliveira Lima que um oficial por-
tuguês jurou a um oficial brasileiro que o Brasil conti-
nuaria escravo de Portugal e que o príncipe embarca-
ria, mesmo que para isto, tivesse sua espada de ser-
vir-lhe de prancha". 
 Fonte: LUSTOSA, Isabel. "Perfis Brasileiros: D. 
Pedro I". São Paulo: Companhia das Letras, 2006. p 
132/133. 
 
O episódio acima narrado, refere-se ao famoso "Dia do 
Fico". Em relação aos desdobramentos dele decorrentes, 
considere as seguintes afirmativas: 
 
I - A oficialidade portuguesa não se conformou com a de-
cisão de D. Pedro I de permanecer no Brasil. As tropas 
armadas portuguesas saíram dos quartéis, armados de 
cassetetes, insultando transeuntes e praticando desaca-
tos. 
II - Medidas para conter os desagravos das tropas portu-
guesas não foram tomadas e contraditoriamente, D. Pedro 
I exigiu que as mesmas permanecessem no Brasil e pos-
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/tema83.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/tema810.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/corte_rj.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/morte_badaro.html#pes_de_chumbo
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/morte_badaro.html#pes_de_chumbo
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/imprensa.html
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http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/index.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/jose_bonifacio.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/const_1823.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/corte_rj.html
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/guerra_independencia.html
 
 
 
 
 
 
72 
teriormente premiou as tropas, tornando-as sua guarda 
pessoal. 
III - Instalou-se um clima de guerra com toda tropa de linha 
e miliciana do país. A estes juntaram-se cidadãos de todas 
as classes: roceiros, agregados, negros forros, escravos 
dispostos a enfrentar a divisão portuguesa. 
 
São corretas 
a) I, II e III 
b) apenas I e III 
c) apenas I e II 
d) apenas II e III 
 
3. (Uece 1999) Sobre a consolidação da Independên-
cia brasileira, é correto afirmar: 
a) depois de algumas lutas no Sul, na Bahia e no Piauí e 
do pagamento de uma indenização de 2 milhões de libras 
esterlinas, o governo português reconheceu a indepen-
dência do Brasil, em 1825. 
b) sob pressão da Inglaterra, que tinha interesses econô-
micos na independência, Portugal reconheceu imediata-
mente a autonomia do governo do Brasil. 
c) apesar da demora do governo português em reconhecer 
a independência, não houve lutas nem sublevações arma-
das que confrontassem portugueses e brasileiros. 
d) a independência brasileira obteve imediatamente o 
apoio de todas as grandes potências europeias e dos 
EUA. 
 
4. (Ufrgs 2015) Observe as figuras abaixo. 
 
 
 
Considere as seguintes afirmações sobre o processo es-
cravista no Brasil. 
I. As relações sociais entre senhores e escravos, no Brasil, 
eram definidas pelo equilíbrio de poder estabelecido pela 
miscigenação, conferindo à experiência histórica brasileira 
o caráter de "democracia racial". 
II. Os africanos deportados da África para a América de-
senvolveram mecanismos de sociabilidade, constituindo 
famílias e formas de identidades sociais. 
III. A Lei Áurea, além da emancipação dos escravos, de-
cretava uma série de benefícios sociais e políticos para os 
libertos. 
 
Quais estão corretas? 
a) Apenas I. 
b) Apenas II. 
c) Apenas III. 
d) Apenas I e II. 
e) I, lI e III. 
 
5. (Ucs 2015) Sobre a escravidão negra no Rio Grande 
do Sul, é correto afirmar que 
a) o regime compulsório de trabalho, devido à necessida-
de de controle sobre o escravo, não era o mais adequado 
a atividades como a tropeada, a criação e a caça de gado; 
isso fez com que não houvesse escravidão no Rio Grande 
do Sul. 
b) a atividade charqueadora proporcionou um acúmulo de 
capitais capaz de introduzir em grande escala o trabalho 
escravo no Rio Grande do Sul, a partir do século XVIII, em 
especial na região de Pelotas. 
c) a presença de escravos negros no Rio Grande do Sul, 
ainda que em pequena escala, teve um caráter diferente 
do restante das províncias brasileiras. Nas terras gaúchas, 
a escravidão foi mais amena, ao contrário do que ocorreu 
nas fazendas de café do Rio de Janeiro e de São Paulo. 
d) a grande presença de população de origem europeia 
fez com que a figura do escravo no Rio Grande do Sul 
passasse despercebida e, ainda hoje, a contribuição dos 
africanos na cultura gaúcha é muito pequena. 
e) o escravo negro participou ativamente das atividades 
ligadas à colonização das terras gaúchas, em especial na 
região Nordeste do Estado, em atividades ligadas à agri-
cultura e à pecuária. 
 
6. (Uern 2015) No Brasil, logo após a independência 
política em relação a Portugal, foi necessário obter o 
reconhecimento internacional para consolidar-se polí-
tica e economicamente no quadro das nações de fato 
independentes. Sobre o(s) primeiro(s) país(es) a reco-
nhecer(em) o Brasil como país soberano, assinale a 
alternativa correta. 
 
a) Foi a França, interessada em avançar com seu território 
da Guiana Francesa e estabelecer novas colônias. 
b) Trata-se da Inglaterra, interessada em efetivar o imperi-
alismo que já vinha exercendo desde antes da indepen-
dência. 
c) Foram os EUA, que tinham em vista as futuras alianças 
comerciais e a diminuição das influências inglesas em 
nosso país. 
d) Foram a Argentina e o Paraguai, recentemente inde-
pendentes, interessados em formar uma América Latina 
forte e ampliar o comércio na Bacia do Prata. 
 
 
 
 
 
 
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7. (Pucrs 2015) Considere as afirmações abaixo sobre 
o Período Imperial brasileiro (1822-1889). 
 
I. O Primeiro Reinado caracterizou-se pelos constantes 
conflitos entre o Imperador e as elites do País, tendo em 
vista que D. Pedro I praticamente governou de forma auto-
ritária, desconsiderando o Legislativo. 
II. Durante o Período Regencial, os governantes deixaram 
de ser hereditários e passaram a ser selecionados por 
eleições, o que leva a historiografia a considerar essa fase 
como sendo a primeira experiência republicana no País, 
pois os regentes eram escolhidos pelo voto universal dire-
to. 
III. O Segundo Reinado foi um período de grande estabili-
dade política da história imperial, pois o imperador D. Pe-
dro II ficou quase 50 anos no poder, governando com o 
apoio de um só partido, o Partido Conservador. 
IV. Dentre os fatores que contribuíram para a crise do 
regime imperial, podemos elencar o conflito do Imperador 
com o Exército, a crise entre a monarquia e a Igreja e, por 
fim, a abolição da escravidão, que levou a elite cafeicultora 
fluminense a romper politicamente com a monarquia. 
 
Estão corretas apenas as afirmativas 
a) I e III. 
b) I e IV. 
c) II e III. 
d) I, II e IV. 
e) II, III e IV. 
 
8. (Cefet MG 2015) Com a naturalidade de um sobera-
no que sabia usar da autoridade em sua plenitude, D. 
Pedro criou a Ordem do Cruzeiro. Não será certamente 
coincidência que o ato aproximava-se daquele de Na-
poleão Bonaparte ao estabelecer a legião de Honra 
(1802). Também a coroação de 10 de dezembro tivera 
como modelo, em grande medida por intermédio

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