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Máquinas Elétricas e Transformadores Técnico em Eletrotécnica 2º Semestre Centro Técnico Lusíadas Máquinas Elétricas e Transformadores 2 ÍNDICE 1 ELETROMAGNETISMO ...................................................................................... 5 1.1 INTRODUÇÃO ............................................................................................... 5 1.2 ÍMÃS .............................................................................................................. 6 1.2.1 Tipos de Ímãs .......................................................................................... 6 1.2.2 Polos Magnéticos .................................................................................... 7 1.3 O CAMPO MAGNÉTICO ................................................................................ 7 1.3.1 Campo Magnético Uniforme .................................................................... 8 1.3.2 Indução Magnética .................................................................................. 8 1.3.3 Campo magnético em um fio retilíneo ..................................................... 9 1.3.4 Campo magnético em um solenóide ..................................................... 10 1.4 FORÇA MAGNÉTICA .................................................................................. 11 1.5 LEI DE INDUÇÃO DE FARADAY E LEI DE LENZ ....................................... 13 1.6 EXERCÍCIOS ............................................................................................... 15 2 MÁQUINAS ELÉTRICAS ................................................................................... 17 2.1 INTRODUÇÃO ............................................................................................. 17 2.2 MOTORES ELÉTRICOS .............................................................................. 18 3 TRANSFORMADORES ..................................................................................... 20 3.1 PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO ............................................................ 21 3.2 TRANSFORMADOR REAL .......................................................................... 24 3.3 TRANSFORMADOR TRIFÁSICO ................................................................ 25 3.4 FORMAS DE LIGAÇÃO ............................................................................... 26 3.5 EXERCÍCIOS ............................................................................................... 28 4 GERADORES .................................................................................................... 31 4.1 GERADOR CC ............................................................................................. 31 4.2 GERADOR CA ............................................................................................. 35 4.3 FREQUÊNCIA DA TENSÃO GERADA ........................................................ 36 Máquinas Elétricas e Transformadores 3 4.4 EXERCÍCIOS ............................................................................................... 37 5 MOTORES DE CORRENTE CONTÍNUA .......................................................... 39 5.1 PARTES CONSTRUTIVAS .......................................................................... 39 5.2 PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO ............................................................ 42 5.3 EQUAÇÕES DA MÁQUINA DE CORRENTE CONTÍNUA ........................... 47 5.3.1 Equação fundamental da velocidade ..................................................... 48 5.4 PARTIDA DOS MOTORES CC .................................................................... 49 5.5 VELOCIDADE E INVERSÃO DE ROTAÇÃO ............................................... 50 5.6 VARIAÇÃO DE VELOCIDADE ..................................................................... 50 5.7 TIPOS DE LIGAÇÃO E CARACTERÍSTICAS DE FUNCIONAMENTO ....... 51 5.7.1 Motor em Excitação Independente ........................................................ 52 5.7.2 Motor Excitação Série ............................................................................ 54 5.7.3 Motor com Excitação Paralelo ou SHUNT ............................................. 55 5.7.4 Motor com Excitação Composta ............................................................ 56 5.8 CARACTERÍSTICA TORQUE-CARGA DOS MOTORES CC ...................... 57 5.9 CARACTERÍSTICA VELOCIDADE-CARGA DOS MOTORES CC .............. 58 5.10 EXERCÍCIOS ............................................................................................ 59 6 MOTORES DE CORRENTE ALTERNADA ........................................................ 61 6.1 MOTOR DE INDUÇÃO TRIFÁSICO ............................................................ 62 6.1.1 Partes Construtivas ............................................................................... 63 6.1.2 Tipos de Rotor ....................................................................................... 65 6.1.3 Campo Magnético Girante ..................................................................... 66 6.1.4 Princípio de funcionamento ................................................................... 69 6.1.5 Circuito Equivalente ............................................................................... 70 6.1.6 Conjugado desenvolvido pelo motor ...................................................... 71 6.1.7 Características de desempenho ............................................................ 72 6.1.8 Controle de velocidade .......................................................................... 73 Máquinas Elétricas e Transformadores 4 6.1.9 Tipos de Ligação ................................................................................... 76 6.1.10 Métodos de Partida ............................................................................ 77 6.1.11 Graus de Proteção de MIT ................................................................. 78 6.2 MOTOR DE INDUÇÃO MONOFÁSICO ....................................................... 82 6.2.1 Princípio de funcionamento ................................................................... 82 6.3 EXERCÍCIOS ............................................................................................... 84 7 OUTROS TIPOS DE MOTORES ....................................................................... 86 7.1 SERVOMOTOR ........................................................................................... 86 7.2 MOTOR UNIVERSAL ................................................................................... 89 7.3 DAHLANDER ............................................................................................... 90 8 REFERÊNCIAS .................................................................................................. 92 Máquinas Elétricas e Transformadores 5 1 ELETROMAGNETISMO 1.1 INTRODUÇÃO Eletromagnetismo é o ramo da física que estuda a relação entre as forças da eletricidade e do magnetismo como um fenômeno único. Ele é explicado pelo campo magnético. Michael Faraday (1791-1867) descobriu os efeitos elétricos produzidos pelo magnetismo. Através desses efeitos, chamados de indução eletromagnética, ele explicou a natureza e as propriedades dos campos magnéticos. Faraday explicou que o campo magnético é produzido pelas cargas elétricas geradas a partir do atrito entre os corpos que, por sua vez, sofrem atração ou repulsão. Figura 1 - A ligação entre campo elétrico (vermelho) e campo magnético (azul). Isso acontece em decorrência da polaridade existente à matéria de qualquer corpo: carga positiva (próton), carga negativa (elétron) e carga neutra (nêutron). O localonde essa força está concentrada é chamado de campo elétrico. A força das cargas elétricas é calculada através da Lei de Coulomb. Além dessa lei, o entendimento acerca do campo magnético desencadeou muitas descobertas referentes à eletricidade. Foi James Clark Maxwell (1831-1879) que conseguiu reunir o conhecimento existente acerca da eletricidade e do magnetismo. Maxwell estudou o efeito de forma inversa àquela apresentada por Faraday. O físico escocês mostrou a existência dos campos eletromagnéticos. Trata-se da concentração de cargas elétricas e magnéticas, as quais movimentam-se como Máquinas Elétricas e Transformadores 6 ondas. Por esse motivo, são chamadas de ondas eletromagnéticas e propagam-se à velocidade da luz. 1.2 ÍMÃS Ímã é um material que tem a capacidade de magnetizar ou atrair materiais constituídos de ferro, cobalto e níquel. Isso se deve ao magnetismo. 1.2.1 Tipos de Ímãs Há dois tipos de ímãs: o ímã natural, que é encontrado na natureza; e o ímã artificial, que é aquele que resulta de fabricação feita mediante a utilização de materiais que possuem propriedades magnéticas. Esse processo é chamado de imantação. O ímã natural mais comum é a magnetita, pedra vulcânica em que consta óxido de ferro na sua constituição. Os ímãs artificiais mais utilizados são aqueles constituídos de bário, carbonato de estrôncio e óxido de ferro. O ímã de neodímio é o ímã mais poderoso que existe no mundo. Figura 2 - Ímã natural O ímã artificial, por sua vez, pode ser: Permanente: consegue manter seu magnetismo mediante uso de materiais ferromagnéticos. Seu magnetismo pode ser perdido apenas de forma temporária em decorrência de forte temperatura ou descarga elétrica. Temporal: o magnetismo adquirido através de materiais paramagnéticos é provisório. Máquinas Elétricas e Transformadores 7 Eletroímã: é um aparelho capaz de gerar magnetismo mediante a presença, geralmente, de ferro. Figura 3 - Ímã artificial e Eletroímã. 1.2.2 Polos Magnéticos Os ímãs são dipolos, pois têm dois polos magnéticos: o norte e o sul. Não é possível encontrar um ímã que tenha apenas um polo. Assim, mesmo que os ímãs sejam divididos, as duas polaridades sempre estarão presentes. Trata-se de um princípio que é chamado de princípio da inseparabilidade dos polos. Figura 4 - Inseparabilidade dos polos e interações de ímãs. 1.3 O CAMPO MAGNÉTICO Campos magnéticos cercam materiais em correntes elétricas e são detectados pela força que exercem sobre materiais magnéticos ou cargas elétricas em movimento. O campo magnético em qualquer lugar possui tanto uma direção quanto uma magnitude (ou força), por tanto é um campo vetorial. Portanto, os campos magnéticos podem ser criados de duas maneiras: Máquinas Elétricas e Transformadores 8 1) Por partículas elementares, como por exemplo, os elétrons que possuem um campo magnético intrínseco ao seu redor (este campo é uma característica básica das partículas, como também sua massa e sua carga elétrica). Os campos magnéticos dos elétrons em certos materiais se somam, dando origem a um campo magnético resultante ao redor do material, esses materiais são denominados imãs naturais ou permanentes. 2) Por partículas carregadas eletricamente em movimento, como por exemplo, uma corrente elétrica percorrendo um condutor (Fio). 1.3.1 Campo Magnético Uniforme Da mesma forma que no campo elétrico uniforme, este é definido como o campo do vetor indução magnética B que é igual em todos os pontos, ou seja, possui o sentido, a direção e o módulo iguais. Desta forma a sua representação torna-se mais fácil, pois é feita através de linhas paralelas e igualmente espaçadas. Se você observar muitos ímãs são representados por imagens em formato de U. Isso ocorre porque a parte interna desse tipo de ímã aproxima um campo magnético uniforme. 1.3.2 Indução Magnética O ímã pode ser representado por um vetor, que é conhecido como vetor indução magnética, simbolizado pelo vetor B. Usa-se como unidade de campo magnético o símbolo T, que é denominado de Tesla. Desta forma no SI a unidade de B é Tesla (T). A direção do vetor indução é aquela em que a pequena agulha da bússola aponta e o sentido do vetor indução é aquele para onde o polo norte da agulha da bússola aponta. Máquinas Elétricas e Transformadores 9 Figura 5 - Linhas de campo magnético. Assim podemos observar que o sentido adotado para o campo magnético é sempre do polo norte do imã para o polo sul. 1.3.3 Campo magnético em um fio retilíneo O campo magnético de um fio retilíneo percorrido por uma corrente elétrica pode ser equacionado matematicamente por: B = μ0.i 2πr (1) Onde o campo magnético B é resultado da permeabilidade magnética do vácuo 𝜇0 = 4𝜋. 10 −7 multiplicado pela corrente elétrica que passa pelo fio, dividido pela distância ao fio do ponto analisado em relação ao fio. Figura 6 - Linhas de campo em um fio retilíneo. Máquinas Elétricas e Transformadores 10 O sentido do campo magnético é dado pela regra da mão direita, essa regra funciona da seguinte maneira: O dedo polegar aponta sempre para o sentido da corrente elétrica, já os outros dedos apontam de forma circular em volta do polegar. Abaixo está um esboço da presença do campo magnético seguindo a regra da mão direita. Figura 7 - Regra da mão direita. 1.3.4 Campo magnético em um solenoide Um solenoide nada mais é do que um fio enrolado em um objeto cilíndrico. O campo magnético em um ponto P dentro de um solenoide percorrido por uma corrente elétrica está equacionado abaixo junto à ilustração para facilitar o entendimento. Figura 8 - Linhas de campo em um solenóide. B = μ. N L . i (2) Onde N é o número de voltas dadas pelo fio e L é o comprimento do solenoide. Vale relembrar que a unidade em que se mede campo magnético geralmente é o tesla representado pela letra T. Máquinas Elétricas e Transformadores 11 1.4 FORÇA MAGNÉTICA A força magnética, ou força de Lorentz, é resultado da interação entre dois corpos dotados de propriedades magnéticas, como ímãs ou cargas elétricas em movimento. No caso das cargas elétricas, a força magnética passa a existir quando uma partícula eletricamente carregada se movimenta em uma região onde atua um campo magnético. No caso de um condutor percorrido por corrente elétrica e submetido à presença de um campo magnético, também teremos a ação de uma força magnética, já que a corrente representa um movimento ordenado de cargas elétricas. Sempre que uma carga elétrica estiver em movimento dentro de um campo magnético B, ela sofrerá uma força magnética F. Essa força é proporcional ao valor q da carga, ao módulo B do campo magnético e ao módulo v da velocidade com que a carga se move. F = q. v. B. senθ (3) Onde o ângulo teta (θ) é o ângulo entre a direção da velocidade de movimento das cargas e a direção do campo magnético. Nos casos em que o ângulo entre eles for perpendicular (θ = 90°), a força magnética é máxima, passando então a valer F = q. v. B (4) Figura 9 - Força magnética e suas componentes. Nos casos em que a direção da velocidade coincidir com a direção do campo magnético, a força magnética será nula, porque θ = 0°. Máquinas Elétricas e Transformadores 12 Para encontrar a direção da força magnética que age sobre uma carga elétrica positiva em movimento, usamos a regra da mão esquerda. A regra da mão esquerda ou regra de Fleming é utilizada para força magnética queatua sobre uma carga elétrica lançada num campo magnético ou força magnética que atura sobre um fio percorrido por uma corrente elétrica quando ele é mergulhado num campo magnético. Figura 10 - Regra da mão esquerda O polegar indica o sentido da força, o dedo indicador indica o sentido do campo magnético e o dedo médio indica o sentido da velocidade. (Faça a regra como se fosse um revólver, mas com o dedo médio perpendicular à palma da mão). Para o fio o princípio é o mesmo trocando apenas o dedo médio pelo sentido da corrente elétrica. Agora, tome cuidado pois a regra é válida para cargas positivas, caso a carga seja negativa você inverte apenas o sentido da força (polegar). Essa força magnética gerada é o princípio básico do motor elétrico. Veremos mais adiante esta aplicação. Máquinas Elétricas e Transformadores 13 Figura 11 - Princípio básico de funcionamento do motor. 1.5 LEI DE INDUÇÃO DE FARADAY E LEI DE LENZ O segundo fundamento do eletromagnetismo leva a entender como funcionam os transformadores e os geradores elétricos. O fundamento trata do movimento de um condutor elétrico no interior de um campo magnético ou a movimentação de um campo magnético, tendo no seu interior um condutor elétrico. Vamos examinar dois experimentos simples feitos por Faraday na formulação da Lei da Indução. Primeiro Experimento Descobriu que, ao aproximar um imã de uma bobina conectada a um galvanômetro, mesmo sem bateria conectada ao circuito, surgia uma corrente elétrica. Se interrompido o movimento do imã, a corrente cessava e, ao se afastar o imã, a corrente tornava a surgir, mas em sentido contrário ao anterior. Conclusão: A variação do fluxo magnético em uma superfície provocava o aparecimento de uma corrente induzida na espira, o que equivale ao aparecimento de uma força eletromotriz (f.e.m.), ou voltagem, induzida na espira. Máquinas Elétricas e Transformadores 14 Figura 12 – Faraday e a corrente induzida pela interação de uma ímã. Segundo Experimento Usando o aparato da figura abaixo, com duas espiras condutoras próximas uma da outra, mas sem se tocarem, percebeu que ao fechar a chave para circular uma corrente na espira da esquerda, o amperímetro registra repentina e brevemente uma corrente na espira da direita. E ao abrir a chave, uma outra corrente circula repentina e breve surgiu na espira da esquerda, só que no sentido contrário. Figura 13 - Faraday e a corrente induzida pela interação de espiras. Ele percebeu que as correntes produzidas nas espiras dos experimentos (espira do primeiro experimento e a espira à esquerda no segundo experimento), foram correntes induzidas nas espiras; o trabalho realizado por unidade de carga para produzir essas correntes é chamado de força eletromotriz induzida ou fem induzida (fem – força eletromotriz); e o processo de produção da corrente da corrente e da fem é chamado de indução. Máquinas Elétricas e Transformadores 15 Embora Faraday tivesse percebido esse fenômeno, ele não conseguiu chagar a uma lei que nos indicasse como determinar o sentido da corrente induzida. Alguns anos após a divulgação dos trabalhos de Faraday, o cientista russo Heinrich F. E. Lenz enunciou a lei que permite estabelecer o sentido das correntes induzidas. Lenz refez a experiência de Faraday e percebeu que quando um imã é aproximado de uma espira, a corrente induzida que aparece na espira tem o sentido indicado porque, assim, ela gera um campo magnético cujo polo norte se confronta com o polo norte do imã. Os dois polos se repelem, ou seja, o campo gerado pela corrente induzida na espira se opõe ao movimento do imã. Quando o imã é afastado da espira, a corrente induzida tem sentido contrário àquele indicado porque, assim, gera um campo magnético cujo polo sul se confronta com o polo norte do imã. Os dois polos se atraem, ou seja, o campo gerado pela corrente induzida na espira se opõe ao movimento de afastamento do imã. Ele sintetizou, então, suas observações da seguinte maneira: A corrente induzida em um circuito aparece sempre com sentido tal que o campo magnético que ela cria tende a contrariar a variação do fluxo magnético através da espira. A lei de Lenz atribui o sinal negativo a Lei de Faraday. ε = − dφ dt (5) Se a variação do fluxo for positiva, ou seja, se a fluxo magnético aumentar, a corrente induzida terá sentido anti-horário; Se for negativa, ou seja, se a fluxo magnético diminuir, a corrente induzida terá sentido horário. 1.6 EXERCÍCIOS 1) Quais são os tipos de ímãs artificiais e como podem ser obtidos? 2) Quais as maneiras de se geram um campo magnético? 3) Dado um fio retilíneo, de material altamente condutor e muito fino, onde percorre por ele uma corrente elétrica de 100A. A atmosfera ao redor do cabo é o ar. Qual a intensidade do campo magnético gerado pelo fio a uma distância de: Máquinas Elétricas e Transformadores 16 a) 1mm b) 1cm c) 1m d) 1mm novamente, mas aumentando a corrente para 500A. 4) Com base nos resultados do exercício anterior, qual a relação do campo magnético em relação à proximidade do fio retilíneo? E a relação da corrente elétrica com o campo magnético. 5) Dado um solenoide de material altamente condutor e fio muito fino, percorrido por 100A de corrente elétrica, com 250 voltas e um comprimento de 10cm. A atmosfera que o solenoide está presente é o ar. a) Qual a intensidade do campo magnético gerado? b) Aumentando-se o número de espiras para 500 voltas, mantendo-se as outras características, qual o novo campo gerado? c) Voltando-se à configuração de 250 voltas, porém, aumentando o comprimento da espira para 20cm, qual este novo campo? d) Por fim, voltando-se ao comprimento inicial, decidiu-se aumentar a corrente para 250A. Qual o campo gerado nesta ocasião? 6) Com as respostas do exercício anterior, qual a relação do campo magnético gerado por um solenoide, em relação à variação do número de voltas, em relação ao comprimento da espira, e em relação à corrente percorrida? Máquinas Elétricas e Transformadores 17 2 MÁQUINAS ELÉTRICAS 2.1 INTRODUÇÃO Sob o conceito de máquinas elétricas estão reunidos os motores, os geradores e os transformadores. É comum nas máquinas elétricas que todas trabalhem com transformação de um tipo de energia em outro e em todas elas está presente a energia magnética, o denominador comum das máquinas elétricas. Dentre os tipos de máquinas elétricas, podemos separá-las em dois tipos: máquinas elétricas rotativas e máquinas elétricas estacionárias. As máquinas elétricas rotativas são os motores e os geradores, por possuírem uma parte girante em relação a uma parte em repouso (rotor e estator respectivamente). As máquinas elétricas estacionárias ou em repouso são os transformadores, pois não possuem partes móveis. As três máquinas elétrica acima tem em comum a transformação de energias, mas o que principalmente as diferem são quais os tipos de energia e as transformações que elas promovem: Figura 14 - Organização das Máquinas Elétricas O motor elétrico amplamente usado tanto em indústrias como dentro de aparelhos eletrodomésticos é alimentado através de energia elétrica e libera energia mecânica, o que possibilita o acionamento de inúmeros outros dispositivos. Máquinas Elétricas (Presença de energia magnética) Máquinas elétricas rotativas Motores Geradores Máquinas elétricas estacionárias Transformadores Máquinas Elétricas e Transformadores 18 O gerador elétrico basicamente faz o contrário de um motor, alimentadopor energia mecânica libera energia elétrica, esta energia mecânica pode ser de uma turbina por exemplo e é a base da geração de energia elétrica que chega em nossas residências. O transformador é alimentado por energia elétrica e libera energia elétrica, porém energia elétrica de outros parâmetros, com aumento ou diminuição de tensão elétrica. Figura 15 – Conversão de energia para cada tipo de máquina elétrica. Cada uma das máquinas elétricas citadas possui sua complexidade e são compostas de uma estrutura mecânica que transforma o estudo das máquinas elétricas em assunto multidisciplinar compreendendo além da elétrica a mecânicas, física, termodinâmica, lubrificação, refrigeração e muitas outras. 2.2 MOTORES ELÉTRICOS A rotação inerente aos motores elétricos é a base do funcionamento de muitos eletrodomésticos. Por vezes, esse movimento de rotação é óbvio, como nos ventiladores ou batedeiras de bolos, mas frequentemente permanece um tanto disfarçado, como nos agitadores das máquinas de lavar roupas ou nos 'vidros elétricos' das janelas de certos automóveis. Motores elétricos são encontrados nas mais variadas formas e tamanhos, cada qual apropriado à sua tarefa. Não importa quanto torque ou potência um motor deva Máquinas Elétricas e Transformadores 19 desenvolver, com certeza, você encontrará no mercado aquele que lhe é mais satisfatório. Figura 16 - Diversidade de motores elétricos. Alguns motores operam com corrente contínua (CC / DC) e podem ser alimentados quer por pilhas/baterias quer por fontes de alimentação adequadas, outros requerem corrente alternada (CA / AC) e podem ser alimentados diretamente pela rede elétrica domiciliar. Há até mesmo motores que trabalham, indiferentemente, com esses dois tipos de correntes, o motor universal. Nos capítulos seguintes, começaremos o estudo dos motores elétricos, começando pelo motor de corrente contínua, ou motor CC. Após este motor, estudaremos os motores de corrente alternada, ou motores CA. Nos últimos capítulos, analisaremos o funcionamento e aplicações dos geradores e dos transformadores. Máquinas Elétricas e Transformadores 20 3 TRANSFORMADORES As inúmeras instalações elétricas muitas vezes necessitam que a tensão fornecida pelas companhias de energia elétrica aumente ou diminuía. Assim sendo, é necessária a utilização de um dispositivo que permita fazer essa transformação de tensão. Por exemplo, imagine que você compra um aparelho de mini system e descobre que ele é fabricado para funcionar com uma tensão de 110 V, no entanto, em sua casa só existem tomadas com tensão de 220 V. O que fazer nesse caso? A forma mais fácil de usar o aparelho de mini system, sem que ele seja danificado, é utilizar um aparelho denominado transformador. Esse aparelho consegue modificar tensões para que os aparelhos não sejam danificados. Figura 17 - Inúmeros tipos de transformadores. Máquinas Elétricas e Transformadores 21 Um transformador é um dispositivo que transforma uma corrente alternada senoidal, com uma determinada tensão, numa corrente elétrica senoidal, com uma tensão eventualmente diferente, sendo esta transformação realizada através da ação de um fluxo magnético. É, portanto, algo que transforma energia elétrica em energia elétrica (com características diferentes), mantendo uma independência elétrica – não há qualquer ponto de ligação elétrica – entre as duas tensões do transformador. Dado, ainda, o princípio de conservação de energia, é óbvio que se mantém a potência (P = W/t) igual, de um lado e de outro do transformador, o que faz com que alterações em termos de tensão, provoquem alterações em termos de corrente, mantendo-se a energia que “entra” igual à energia que “sai”. 3.1 PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO Basicamente, o transformador utiliza a energia acumulada em campo magnético para realizar sua função. Ele é composto por um enrolamento primário e um (ou mais) enrolamentos secundários. Normalmente deseja-se transferir potência entre o enrolamento primário e o(s) enrolamento(s) secundário(s). Figura 18 - Transformador elementar. O núcleo do transformador é composto de material Ferromagnético. Estes materiais tem a propriedade de concentrar e orientar o campo magnético que passa por eles. Máquinas Elétricas e Transformadores 22 O parâmetro do núcleo, definido como Relutância (ℜ), indica a dificuldade que este núcleo impõe à passagem do fluxo magnético, de forma semelhante à dificuldade que a Resistência impõe à passagem da corrente elétrica. Os enrolamentos primário e secundário são bobinas e funcionam como Indutores. Na figura 19, ao aplicarmos o sinal de tensão alternada VP ao enrolamento primário, este induz no interior do núcleo o fluxo magnético Ø. Se o núcleo apresentar uma baixa relutância, as linhas de campo que formam o fluxo Ø vão "preferir" passar pelo núcleo, pois a relutância do ar é muito mais alta. Assim, poucas linhas de fluxo se dispersam para fora do núcleo. E quanto menos linhas se dispersarem melhor, pois melhora a eficiência do transformador. Figura 19 - Funcionamento do transformador. Na figura 19, se considerarmos um núcleo ideal, com poucas perdas, o Fluxo Magnético Ø, produzido pelo primário, passa no interior do enrolamento primário e também no interior dos enrolamentos secundários S1 e S2. O fluxo é o mesmo. Sob o ponto de vista dos enrolamentos secundários, a única coisa que eles percebem é o Fluxo Magnético Ø, passando em seu interior. Mas o efeito da passagem deste fluxo pelo interior do enrolamento é multiplicado pelo número de espiras por se tratar de um fluxo concatenado. Se você aplica uma tensão alternada ao enrolamento e isto causa a indução de fluxo concatenado em seu interior, a reciproca também é verdadeira. Ou seja, se passar um fluxo magnético pelo interior do enrolamento vai aparecer uma tensão induzida nos extremos deste enrolamento. O valor desta tensão é data por: Máquinas Elétricas e Transformadores 23 𝑉𝑃 = 𝑁𝑃 . 𝑑∅ 𝑑𝑡 (6) Onde N é o número de espiras do enrolamento. A fórmula acima diz que a tensão induzida no enrolamento é o produto de seu número de espiras pela derivada do fluxo. Se você não conhece o conceito de derivada, não se preocupe. O importante na fórmula anterior é que para haver tensão induzida tem de haver variação da intensidade do Fluxo. Além disto a tensão induzida é proporcional ao número de espiras do enrolamento. Pois bem. Se a tensão induzida é diretamente proporcional ao número de espiras e à variação do Fluxo (dØ/dt) e se este mesmo Fluxo está passando no interior de S1 e S2, podemos concluir que as tensões induzidas nos 3 enrolamentos do transformador da Figura 19 são: 𝑉𝑃 = 𝑁𝑃 . 𝑑∅ 𝑑𝑡 , 𝑉𝑆1 = 𝑁𝑆1. 𝑑∅ 𝑑𝑡 𝑒 𝑉𝑆2 = 𝑁𝑆2. 𝑑∅ 𝑑𝑡 Assim 𝑉𝑆1 = ( 𝑁𝑆1 𝑁𝑃 ) . 𝑉𝑃 e 𝑉𝑆2 = ( 𝑁𝑆2 𝑁𝑃 ) . 𝑉𝑃 (7) A conclusão então é que podemos calcular a tensão de cada enrolamento secundário, conhecendo a tensão aplicada ao primário e a relação do número de espiras. Além das tensões de primário e secundário, é importante conhecer também a relação entre as correntes. O transformador não acumula energia. Ele apenas transfere a energia aplicada ao primário aos enrolamentos secundários. No transformador da figura 19, a potência de entrada é dada por 𝑃𝑃 = 𝑉𝑃. 𝐼𝑃 (8) A potência entregue a cada secundário é dada por 𝑃𝑆1 = 𝑉𝑆1. 𝐼𝑆1 e 𝑃𝑆2 = 𝑉𝑆2. 𝐼𝑆2 Máquinas Elétricas e Transformadores 24 A potência total entregue ao secundário é dadapela soma destas duas potências. Substituindo as tensões de secundário pela relação de espiras e tensão de primário chegamos a 𝐼𝑃 = ( 𝑁𝑆1 𝑁𝑃 ) . 𝐼𝑆1 + ( 𝑁𝑆2 𝑁𝑃 ) . 𝐼𝑆2 (9) 3.2 TRANSFORMADOR REAL Transformador ideal é um transformador sem perdas, isto é, a potência elétrica obtida no secundário é igual à potência elétrica injetada no lado do primário. Todas as equações apresentadas na seção anterior são válidas e suficientes para este caso. Aprofundando-se mais no tema, o transformador real deve ser discutido: Tendo perdas, qualquer que seja o transformador, estas terão que ser consideradas, mesmo quando apenas ao nível de utilização da máquina – determinação do rendimento, que relaciona a energia fornecida e a energia utilizada. Às perdas já referidas no eletromagnetismo (perdas por correntes induzidas, perdas por histerese e perdas por dispersão magnética) vêm adicionar-se as perdas de Joule nos enrolamentos primário e secundário, visto que têm resistência e por elas passam as correntes do primário e do secundário. Com as referidas perdas, teremos o circuito elétrico equivalente do transformador real na figura 20. Figura 20 - Circuito elétrico equivalente de um transformador real. Onde: RP, RS são resistência do enrolamento primário e secundário, respectivamente; XP, XS as reatâncias de fuga; RC perdas por correntes de Eddy e por histerese; e Xm é a reatância de magnetização (permeabilidade, do ferro, finita). As perdas referidas estão exemplificadas na figura 21. Máquinas Elétricas e Transformadores 25 Graças às técnicas com que são fabricados, os transformadores apresentam grande eficiência, permitindo transferir ao secundário cerca de 98% da energia aplicada no primário. A eficiência do transformador é dada por: 𝜂(%) = 𝑝𝑜𝑡ê𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑎 𝑠𝑎í𝑑𝑎 𝑝𝑜𝑡ê𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑛𝑎 𝑒𝑠𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎 . 100 (10) Figura 21 - Perdas do transformador. 3.3 TRANSFORMADOR TRIFÁSICO Os transformadores trifásicos, usados na distribuição de eletricidade, têm as mesmas funções que o transformador monofásico: abaixar ou elevar a tensão. Trabalham com três fases e são de porte grande e mais potentes que os monofásicos. Figura 22 - Transformador trifásico. O núcleo dos transformadores trifásicos também é constituído de chapas de ferrosilício. Os transformadores trifásicos podem ser construídos de duas maneiras: banco trifásico (composto por 3 transformadores monofásicos) ou núcleo trifásico (composto por um único núcleo – mononuclear). Máquinas Elétricas e Transformadores 26 Em geral, possuem núcleo trifásico, onde as chapas possuem três colunas que são unidas por meio de duas armaduras. Cada coluna serve de núcleo para uma fase onde estão localizadas duas bobinas, uma primária e outra secundária. Figura 23 - Tipos de transformadores trifásicos. À esquerda com banco trifásico e à direita com núcleo trifásico. Por essa razão, esses transformadores têm, no mínimo, seis bobinas: três primárias e três secundárias, isoladas entre si. As bobinas das três fases devem ser exatamente iguais. Cada fase funciona independentemente das outras duas, como se fossem três transformadores monofásicos em um só. Isso significa que três transformadores monofásicos exatamente iguais podem substituir um transformador trifásico. Esse sistema é mais econômico, pois facilita os serviços de manutenção, reparação e aumento de capacidade do banco de transformadores. A ligação inicial de dois transformadores monofásicos em triângulo aberto permite que um terceiro transformador seja acrescentado quando houver um aumento de carga. 3.4 FORMAS DE LIGAÇÃO Um transformador trifásico é constituído de pelo menos três enrolamentos no primário e três enrolamentos no secundário, os quais podem estar conectados tanto em Y (estrela) quanto em Δ (triângulo ou delta). Estas duas primeiras formas já são conhecidas, já a terceira forma – ligação em zig-zag – é nova. Esta forma pressupõe a partição de cada um dos três enrolamentos em dois semi-enrolamentos, Máquinas Elétricas e Transformadores 27 interligados da maneira apresentada na figura – é uma espécie de estrela “desmembrada”. Figura 24 - Tipos de ligação de transformadores trifásicos. Exemplo de conexão Y-D para os dois tipos de transformadores trifásicos. Figura 25 - Conexão Y-D de transformadores trifásicos. Outros exemplos de conexões para o fechamento de transformadores trifásicos podem ser vistos a seguir. Máquinas Elétricas e Transformadores 28 Figura 26 - Outros tipos de ligação. 3.5 RELAÇÃO DE TRANSFORMAÇÃO Em transformadores trifásicos, a relação de transformação é definida pela relação entre a tensão de linha do primário e a tensão de linha do secundário. 𝑅𝑇 = 𝑉𝑙𝑖𝑛ℎ𝑎 𝑑𝑜 𝑝𝑟𝑖𝑚á𝑟𝑖𝑜 𝑉𝑙𝑖𝑛ℎ𝑎 𝑑𝑜 𝑠𝑒𝑐𝑢𝑛𝑑á𝑟𝑖𝑜 (11) Isso se deve porque, dependendo da ligação do transformador trifásico, a relação de transformação pode ser diferente da relação de espiras, como visto na Figura 26. 3.6 EXERCÍCIOS 1) Um transformador tem a seguinte característica: 220/110 V. Sendo alimentado no lado de 200v, responda as seguintes questões: a) o transformador é redutor ou elevador? b) Sendo a bobina referente às 110V com 200 espiras, indique o número de espiras da bobina do primário. c) Calcule a sua relação de transformação. Resp.: redutor; 100V; 2:1 2) Ao aplicar-se 220 V a 500 espiras do primário de um transformador, obteve-se no secundário 150 V. Calcule: a) o número de espiras do secundário b) A tensão que se obteria no secundário se os mesmos 220 V fossem aplicados no primário, mas apenas a 400 das suas espiras. c) A tensão que se obteria no secundário se os mesmos 220 V fossem aplicados no primário, mas agora a 600 espiras. Resp.: 341esp.; 187,6V; 125V. Máquinas Elétricas e Transformadores 29 3) Um determinado transformador ideal com N1= 600 espiras e N2 = 500 espiras, tem tensão da rede de 220V. Pretende-se obter no secundário do transformador, dois níveis de tensão (U2 e U'2). Calcule: a) O valor de U2 para N2 total. b) A posição do Tap no secundário (número de espiras) que permite obter U' = 8 V. Resp.: 183,3V; 22 espiras. 4) Um transformador tem no primário e no secundário respectivamente 4000 espiras e 700 espiras. A tensão no primário é de 1500 V. A carga nominal Zc é de 30 W com um fator de potência de 0,6. Calcule: a) A relação de transformação. b) A tensão no secundário. c) As intensidades de correntes no secundário e no primário. d) A Potência nominal do transformador. e) A potência ativa consumida. Resp.: 5,71; 262,5V; 33 mA e 190,5 mA; 50VA; 30 W. 5) Suponha um transformador que alimenta uma carga Zc= 20 Ω, consumindo 100 W (cos φ=0,8). O primário tem1000 espiras e o secundário 300 espiras. Calcule: a) A tensão aplicada à carga. b) A relação de transformação. c) A intensidade de corrente no primário. d) A potência ativa absorvida à rede Resp.: 50V; 3,33 ; 0,75A ; 100W 6) O enrolamento secundário de um transformador ideal tem120 espiras e fornece uma corrente de 5 A a 24 V. Pretendemos rebobinar o secundário de modo a obter nele uma tensão de 36 V, mantendo constante a sua potência nominal. a) Calcule a sua potência nominal. b) Qual deverá ser o número de espiras do novo enrolamento? c) Qual a intensidade nominal do secundário (novo enrolamento)? Resp.: 120 VA; 180 espiras; 3,33 A. 7) Para uma rede fonte alternada de 110V, vamos criar um transformador ideal para fornecer 3 níveis de tensões diferentes, possuindo desta maneira 1 enrolamentoMáquinas Elétricas e Transformadores 30 no primário e três enrolamentos no secundário conforme figura abaixo. Calcule o número necessário de espiras em cada secundário. Resp.: 80; 1000; 164 8) Um transformador ideal com 2.400 espiras no primário e 600 espiras no secundário drena 3 A de uma fonte de alimentação de 440 V, ligada no primário. Sabe-se que o fator de potência da carga é de 0,85. Calcule a tensão e a corrente no secundário e as potências aparente, ativa e reativa do transformador. Resp.: 110V; 12 A; 1320VA ; 1122W ; 695Var 9) Uma carga com potência ativa de 50 kW, fator de potência igual a 0,75 indutiva e tensão de 240 V, deve ser ligado a uma rede primária de tensão igual a 13,2 kV. Determine: a) As correntes no primário e secundário do transformador; b) A potência do transformador; c) A potência reativa da carga. Resp.: 5,05 A; 277,77 A ; 66666VA; 44095 VAr Máquinas Elétricas e Transformadores 31 4 GERADORES O termo "gerador elétrico" se reserva apenas para as máquinas que convertem a energia mecânica em elétrica. Conforme as características da corrente elétrica que produzem, os geradores podem ser de corrente contínua (dínamos) e alternada (alternadores). Figura 27 - Conceito do gerador elétrico. Além disso, quando se trata de um gerador de corrente contínua, os mesmos princípios que formam a base de operação da máquina de corrente alternada e da máquina de corrente contínua são governados pelas mesmas leis fundamentais. Desta forma, no cálculo do torque desenvolvido por um dispositivo eletromecânico se aplica tanto para geradores CA, quanto para CC. À única diferença entre ambos são os detalhes de construção mecânica, isto também se aplica para força eletromotriz no rotor. 4.1 GERADOR CC Se uma bobina com uma única espira é posta a girar num campo magnético uniforme a uma velocidade constante, a fem induzida num determinado lado da bobina variará com o seu movimento através das várias posições de 0 a 7, conforme mostra a Figura. Máquinas Elétricas e Transformadores 32 Figura 28 - (a) Posições instantâneas de rotação à velocidade constante. (b) As fem nas posições respectivas. Deve-se notar que a natureza da fem induzida em um condutor que gira num campo magnético é, ao mesmo tempo, senoidal e alternada. Posteriormente, vemos que uma fem alternada é produzida nos condutores de todas as máquinas girantes, quer de CC quer de CA. A fim de se converter a tensão alternada CA em unidirecional CC, é necessário empregar-se um dispositivo de chaveamento mecânico, que é acionado pela rotação mecânica do eixo da máquina, o comutador. Cada segmento do comutador do condutor é ligado, respectivamente, a um lado da bobina. Desde que os lados da bobina e os segmentos do comutador estão mecanicamente ligados ao mesmo eixo, a ação mecânica da rotação é a de reverter as ligações e a bobina da armadura a um circuito externo estacionário, no mesmo instante em que se inverte a fem induzida no respectivo condutor (isto é, quando o lado da bobina se desloca para um polo de nome oposto). Para os primeiros 180º de rotação, portanto, a fem positiva produzida pelo condutor ab é ligada à escova estacionária positiva. Para os seguintes 180º de movimento, a fem negativa produzida pelo condutor ab está ligada à escova estacionária negativa. O mesmo efeito ocorre na ordem inversa para o condutor cd. Assim, a ação do comutador é de inverter simultaneamente as ligações ao circuito externo no mesmo instante em que se inverte o sentido da fem em cada um dos lados da bobina. Cada escova, positiva ou negativa, respectivamente, é mantida, pois, sempre na mesma polaridade. A figura 29 mostra a forma de onda da fem (e da corrente) produzida como resultado do processo acima para um ciclo completo (ou 360º) de rotação. Máquinas Elétricas e Transformadores 33 Figura 29 - Retificação da fem através do comutador. O efeito de aumentar o número de bobinas e segmentos é mostrado na figura 30. Com apenas duas escovas e quatro segmentos, há agora quatro comutações mostradas como a, b, c e d, num ciclo de rotação completo (tempo de t a t’). Logo, a fem resultante é menos pulsante. Figura 30 - Efeito da retificação da fem por uma escova com mais segmentos. 4.1.1 Resistência interna do gerador Quando um gerador está ligado num circuito, as cargas elétricas que o atravessam deslocam-se para o pólo (terminal) onde chegarão com maior energia elétrica do que possuíam no pólo (terminal) de entrada. Acontece que, durante essa travessia, as cargas “chocam-se” com partículas existentes no gerador, perdendo parte dessa energia sob a forma de calor, por efeito Joule, como num resistor. A essa resistência à passagem das cargas pelo gerador damos o nome de “resistência interna (r)” do gerador. 4.1.2 Representação básica e equacionamento Com o conceito de fem resultante, ou tensão gerada, e a representação da resistência interna do gerador, uma representação básica a respeito do componente pode ser estabelecida. Máquinas Elétricas e Transformadores 34 Figura 31 - Gerador simplificado. Onde E é a tensão gerada [V], r é a resistência interna [Ω] e U é a tensão terminal do gerador [V]. O equacionamento do gerador segue seu princício de funcionamento: com uma velocidade desenvolvida pelo rotor, gira os enrolamentos da armadura que, imersos no campo magnético principal da máquina, pelo Lei de Lenz, uma força magnetomotriz é induzida e uma tensão Ea é gerada. Essa tensão gerada, para estar disponível nos terminais da máquina, sofre quedas de tensão relativas a resistência interna do gerador, tendo como resultado Va, a tensão terminal, de maneira que a sequência de aplicação das fórmulas é esta. ωm = 2.π.n 60 (11) Ea = Ka. φ. ωm (12) U = Ea − I. r (13) Onde: Ka é a constante da máquina (Adimensional); Φ é o fluxo por pólo em Wb (Weber); ωm é a velocidade angular em (Rad/s); Ea é a Tensão gerada ou força contra eletromotriz (FCEM) em Volts; e n é a Rotação do eixo em rpm (Rotações por Minuto). Quanto à potência, temos três tipos de potência presentes no gerador: a potência total gerada, obtida da conversão de energia do movimento do rotor em elétrica; a potência dissipada na resistência interna do gerador; e a Potência útil, potência presente nos terminais do gerador para a utilização da carga. 𝑃𝑔𝑒𝑟𝑎𝑑𝑎 = 𝐸𝑎. 𝑖 (14) 𝑃𝑑𝑖𝑠𝑠𝑖𝑝𝑎𝑑𝑎 = 𝑟 2. 𝑖 (15) 𝑃ú𝑡𝑖𝑙 = 𝑈. 𝑖 (16) Sendo que a relação entre elas se dá por: Máquinas Elétricas e Transformadores 35 𝑃ú𝑡𝑖𝑙 = 𝑃𝑔𝑒𝑟𝑎𝑑𝑎 − 𝑃𝑑𝑖𝑠𝑠𝑖𝑝𝑎𝑑𝑎 (17) 4.1.3 Rendimento de um gerador O rendimento elétrico de um gerador é o quociente entre a potência elétrica útil e a potência gerada total. 𝜂 = 𝑃ú𝑡𝑖𝑙 𝑃𝑔𝑒𝑟𝑎𝑑𝑎 (18) 4.2 GERADOR CA O gerador de CA é o meio mais importante para a produção da energia elétrica que usamos atualmente. Como sabemos, a tensão CA é usada na maioria das aplicações, devido à facilidade com que o seu valor pode ser modificado com o auxílio de transformadores. O tamanho dos geradores CA, ou alternadores, depende muito da energia que eles devem fornecer. Por exemplo, um dos 20 geradores existentes na usina hidrelétrica de Itaipu gera 700 MW (capacidade instalada = 14.000 MW). Por outro lado, os alternadores empregados nos modernos automóveis geram comumente menos de 500 W. Como já dito na seção anterior, os geradores elementares de CA e de CC têm o mesmo princípio de funcionamento, diferenciando-se apenas na forma como coletam a tensãoinduzida na armadura (que é sempre alternada). Para os geradores CA, as extremidades da espira são ligadas a anéis, chamados anéis coletores, que giram com a armadura. Isso faz com que o valor da fem induzida que é gerada na espira e, portanto, da corrente produzida, dependa da posição instantânea da espira em relação às linhas de fluxo do campo magnético. Figura 32 - Tensão gerada coletada pelos anéis coletores. Máquinas Elétricas e Transformadores 36 4.3 FREQUÊNCIA DA TENSÃO GERADA O valor da tensão gerada por um gerador CA depende da intensidade do campo e da velocidade do rotor. Como a maioria dos geradores funciona com velocidade constante (geradores síncronos), o valor da fem induzida (ou tensão gerada) é controlado através da excitação do campo. A frequência da fem gerada depende do número de polos do campo e da velocidade do rotor, como mostra a manipulação da equação 19, abaixo: 𝑓 = 𝑝.𝑛 120 (19) Onde: f é a frequência da tensão gerada, Hz; p é o número total de polos da máquina e n é a velocidade do rotor, rotações por minuto (rpm). Figura 33 - Alternadores monofásicos com números de polos diferentes e mesma velocidade do rotor. Para uma máquina de um par de polos, a cada giro das espiras teremos um ciclo completo da tensão gerada. Os enrolamentos podem ser construídos com um número maior de pares de polos, que se distribuirão alternadamente (um norte e um sul). Neste caso, teremos um ciclo a cada par de polos. Os geradores da usina hidrelétrica de Itaipu possuem 78 polos e giram a uma velocidade de 92,3 rpm. Máquinas Elétricas e Transformadores 37 4.4 EXERCÍCIOS 1) O gerador elétrico é um dispositivo que fornece energia às cargas elétricas elementares, para que essas se mantenham circulando. Considerando-se um gerador elétrico que possui fem ε = 40,0V e resistência interna r = 5,0 Ω, é correto afirmar que a. a intensidade da corrente elétrica de curto circuito é igual a 10,0A. b. a leitura de um voltímetro ideal ligado entre os terminais do gerador é igual a 35,0V. c. a tensão nos seus terminais, quando atravessado por uma corrente elétrica de intensidade i = 2,0A, é U = 20,0V. d. a intensidade da corrente elétrica que o atravessa é de 5,6A, quando a tensão em seus terminais é de 12,0V. e. ele apresenta um rendimento de 45%, quando atravessado por uma corrente elétrica de intensidade i = 3,0A. 2) Um determinado gerador, que possui fem 2,0 V e resistência interna 0,5 Ω, está associado em série a uma pequena lâmpada de resistência 2 Ω. Determine a tensão elétrica existente entre os terminais do gerador. a. 1,5 b. 1,2 c. 1,6 d. 1,8 e. 2,0 3) Qual será a resistência interna para um gerador que possui fem igual a 50 V e rendimento de 60 % quando percorrido por uma corrente de 2,5 A? a. 8 Ω b. 4 Ω c. 2 Ω d. 16 Ω e. 20 Ω 4) No circuito abaixo, um gerador de f.e.m. 8V, com resistência interna de 1Ω, está ligado a um resistor de 3 Ω. Determine: a. A ddp entre os terminais A e B do gerador b. O rendimento do gerador R:6V e 75% Máquinas Elétricas e Transformadores 38 5) Tem-se um gerador de fem E=12V e resistência interna r = 2,0 Ω. Determine: a. a ddp em seus terminais para que a corrente que o atravessa, tenha intensidade i = 2,0A; R:8V b. a intensidade da corrente i para que a ddp no gerador seja U = 10V R: 1,0A 6) O bipolo da figura desenvolve uma potência elétrica de 40 W, quando fechamos a chave Ch do circuito. Sabendo que nessa situação a ddp nos seus terminais é 10 V, determine: a. A corrente elétrica no gerador; R: i=4A b. A potência dissipada em sua resistência interna; R: Pd=8W c. A força eletromotriz do gerador. R: E=12V 7) Considere um gerador CC com enrolamento de campo em paralelo cuja resistência é igual a 80Ω. A resistência do enrolamento de armadura é igual a 0,1 Ω. A potência nominal igual a 12kW, a tensão gerada igual a 100V e a velocidade nominal igual a 1000rpm. Determine: a. O circuito elétrico equivalente; b. A tensão nos terminais do gerador. R: Vt=88V Máquinas Elétricas e Transformadores 39 5 MOTORES DE CORRENTE CONTÍNUA Os motores de corrente contínua fazem parte do cotidiano de muitos, estão presentes em brinquedos, nos automóveis, aparelhos de barbear, máquinas de papel, bobinadeiras, laminadores, máquinas de impressão, prensas, elevadores, entre outros equipamentos industriais. Foi durante muito tempo a solução mais natural para problemas em que era imprescindível variar a velocidade durante o funcionamento, devido a simplicidade para variar a velocidade com este tipo de máquina, que pode ser obtida variando a tensão de alimentação contínua ou variando a intensidade do campo magnético. Isto resultou em sua ampla utilização no passado. Além disso, em situações em que só se dispunha de fontes de alimentação contínua, era mais viável utilizar uma máquina de corrente contínua do que converter a tensão contínua para alternada, utilizando então máquinas que funcionam alimentadas por uma corrente alternada. São motores elétricos bastante simples que utilizam energia elétrica contínua e um campo magnético para produzir torque. As interações entre as forças eletromagnéticas são responsáveis por fornecer o torque que faz com que o motor possa rotacionar. Sua composição básica é de estruturas magnéticas, o estator (enrolamento de campo) e o rotor (enrolamento de armadura). 5.1 PARTES CONSTRUTIVAS A motor possui rotor e estator. O rotor consiste de: Eixo da Armadura: imprime rotação ao núcleo da armadura, enrolamentos e comutador. Núcleo da armadura: está conectado ao eixo e é construído de camadas laminadas de aço, provendo uma faixa de baixa relutância magnética entre os polos. As lâminas servem para reduzir as correntes parasitas no núcleo, e o aço usado é de qualidade destinada a produzir uma baixa perda por histerese. O núcleo contém ranhuras axiais na sua periferia para colocação do enrolamento da armadura. Enrolamento da armadura: é constituído de bobinas isoladas entre si e do núcleo da armadura. É colocado nas ranhuras e eletricamente ligado ao comutador. Máquinas Elétricas e Transformadores 40 Comutador: devido à rotação do eixo, providencia o necessário chaveamento para o processo de comutação. O comutador consiste de segmentos de cobre, individuais isolados entre si e do eixo, eletricamente conectados às bobinas do enrolamento de armadura. O rotor da armadura das máquinas de CC tem quatro funções principais: 1. Permite rotação para ação geradora ou ação motora mecânica; 2. Em virtude da rotação, produz ação de chaveamento necessário para a comutação; 3. Contém os condutores que induzem a tensão ou providenciam um torque eletromagnético; e 4. Providencia uma faixa de baixa relutância para o fluxo. Figura 34 - Partes de um motor de corrente contínua. O estator da máquina de corrente contínua consiste de: Carcaça: é uma carapaça ou estrutura cilíndrica de aço ou ferro fundido ou laminado. Não apenas a carcaça serve como suporte das partes descritas, mas também providencia uma faixa de retorno do fluxo para o circuito magnético criado pelos enrolamentos de campo. Enrolamento de campo: consiste de umas poucas espiras de fio grosso para o campo-série ou muitas espiras de fio fino para o campo-shunt. Essencialmente, as bobinas de campo são eletromagnetos, cujos ampères-espiras (Ae) providenciam uma força magnetomotriz adequada à produção, no entreferro, do fluxo necessário Máquinas Elétricas e Transformadores 41 para geraruma fem ou uma força mecânica. Os enrolamentos de campo são suportados pelos polos. Polos: são constituídos de ferro laminado e parafusados ou soldados na carcaça, após a inserção dos rolamentos de campo nos mesmos. A sapata polar é curvada e é mais larga que o núcleo polar para espalhar o fluxo mais uniformemente. Interpolo: ele e o seu enrolamento também são montados na carapaça da máquina. Eles são localizados na região interpolar, entre os polos principais, e são geralmente de tamanho menor. O enrolamento do interpolo é composto de algumas poucas espiras de fio grosso, pois é ligado em série com o circuito da armadura, de modo que a fem é proporcional à corrente da armadura. Escovas e Anéis-Suporte de Escovas: assim como os interpolos, é parte integrante da armadura. As escovas são de carvão e grafite, suportadas na estrutura do estator por um suporte tipo anel, e mantidas no suporte por meio de molas, de forma que as escovas manterão um contato firme com os segmentos do comutador. As escovas estão sempre instantaneamente conectadas a um segmento e em contato com uma bobina localizada na zona interpolar. Figura 35 - Vista frontal esquemática de um Motor CC. Algumas máquinas, ao invés de serem fabricadas com enrolamentos de campo, bobinas excitadas por corrente contínua, são fabricadas com imãs permanentes - Máquinas Elétricas e Transformadores 42 materiais com propriedades magnéticas permanentes - resultando em máquinas menores, mais leves e mais eficientes. Figura 36 - Vista explodida de uma máquina CC. 5.2 PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO A máquina de corrente contínua possui duas partes principais: o estator e o rotor. O estator e o rotor encontram-se separados pelo entreferro. O estator é a parte da máquina que é estacionária, não possui movimento. O rotor é a parte móvel, ou Máquinas Elétricas e Transformadores 43 rotacional. Ambos, estator e rotor, são construídos utilizando materiais ferromagnéticos. Este é necessário para aumentar a densidade de fluxo e diminuir assim o tamanho da máquina. Figura 37 - Partes principais da máquina de corrente contínua. Os condutores inseridos nos canais do estator ou do rotor são interconectados para formar os enrolamentos. O enrolamento no qual a tensão é induzida é dito enrolamento de armadura. O enrolamento no qual uma corrente elétrica circula com a função de produzir uma fonte primária de fluxo é dito enrolamento de campo. Na máquina de corrente contínua o enrolamento de campo encontra-se no estator e o enrolamento de armadura no rotor, como pode ser visto na figura a seguir Figura 38 - Elementos de armadura e de campo. O princípio de funcionamento de um motor de corrente contínua está baseado na força eletromagnética que atua sobre cada condutor imerso em um campo magnético, quando sobre ele circula uma corrente elétrica. A figura 39 mostra o funcionamento da máquina CC elementar. Se a bobina central é percorrida por corrente elétrica, um campo magnético será criado na direção vertical e sentido definido pela regra da mão direita. Caso esta bobina esteja Máquinas Elétricas e Transformadores 44 submersa num campo magnético externo horizontal, um torque será criado no sentido de alinhamento destes dois campos. Figura 39 - Máquina CC básica. O comutador tem a função de inverter o sentido da corrente elétrica da bobina girante no instante em que ela atinge o ponto de alinhamento dos campos descrito anteriormente, desta forma cria-se um torque que age no sentido de manter o movimento. A figura 40 mostra o comutador num motor CC elementar. Figura 40 - Esquema simplificado do comutador. Na máquina CC elementar, com um comutador de apenas 2 segmentos, cria-se uma variação abrupta no campo criado pelo enrolamento de armadura de 180°, invertendo instantaneamente o sentido da corrente. Máquinas reais possuem os enrolamentos de armadura distribuídos, conforme mostra a figura 41, que ilustra o comutador de um motor CC de dois polos. Máquinas Elétricas e Transformadores 45 Figura 41 - Enrolamentos distribuídos no motor CC. O princípio de funcionamento do motor de corrente contínua também pode ser entendido através do princípio de atração e repulsão entre campos magnéticos, devido à interação do campo magnético criado pelas bobinas de campo com o campo magnético criado pelas bobinas de armadura, conforme ilustrado na Figura 42. Figura 42 - Atração e repulsão entre campos magnéticos. A figura 43 permite visualizar que a retificação mecânica é realizada pelo conjunto comutador (fabricado em cobre) e escova (fabricado em carvão e grafito). A escova 1, posicionada próxima ao polo norte magnético, sempre estará em contato com o segmento positivo do comutador. A escova 2, posicionada próxima ao polo sul magnético, sempre estará em contato com o segmento negativo do comutador. Máquinas Elétricas e Transformadores 46 Figura 43 - Processo de retificação mecânica. A Figura 44 mostra a forma de onda para a tensão induzida, alternada, e a forma de onda para a tensão após a retificação, contínua. Figura 44 - Forma de onda da tensão induzida e retificada. Por fim, outros dois desenhos que ilustram o esquema de funcionamento do motor CC são apresentados, onde as mesmas análises anteriores podem ser realizadas. Figura 45 - Segundo esquemático de funcionamento do Motor CC. Máquinas Elétricas e Transformadores 47 Figura 46 - Terceiro esquemático de um Motor CC em ação. 5.3 EQUAÇÕES DA MÁQUINA DE CORRENTE CONTÍNUA Enquanto o enrolamento de armadura gira imerso no campo magnético produzido pelo enrolamento de campo, localizado no estator, uma tensão alternada é induzida no enrolamento de armadura. A equação 6 permite calcular a FCEM. A Figura 46 ilustra o fato de que a FCEM Ea é induzida no enrolamento de armadura. As equações 21 e 22 permitem obter a velocidade angular da máquina. Va = Ea + Ia. Ra (20) Ea = Ka. φ. ωm (21) ωm = 2.π.n 60 (22) Onde: Ka é a constante da máquina (Adimensional); Φ é o fluxo por pólo em Wb (Weber); ωm é a velocidade angular em (Rad/s); Ea é a Tensão gerada ou força contra eletromotriz (FCEM) em Volts; e n é a Rotação do eixo em rpm (Rotações por Minuto). Essa tensão induzida no enrolamento de armadura é conhecida como Força Contra Eletromotriz. Máquinas Elétricas e Transformadores 48 Figura 47 - A fcem ou tensão gerada é induzida no enrolamento de armadura. O torque desenvolvido quando o enrolamento de armadura conduz uma corrente elétrica e encontra-se imerso em um campo magnético produzido pelo enrolamento de campo, é determinado através da equação: T = Ka. φ. Ia (23) Onde: T – Torque ou conjugado em (Nm – Newton.Metro); Ia – Corrente de armadura em Amperes. No caso de um motor de corrente contínua ideal, a potência elétrica de entrada deve ser igual à potência mecânica de saída, como mostra a equação 24. Ea. Ia = T. ωm (24) Exemplo: Considere uma máquina de corrente contínua de quatro pólos, funcionando a 150 rotações por minuto, com constante de máquina igual a 73,53 e fluxo por polo igual a 27,6mWb. Determine a tensão gerada e o torque desenvolvido pelo motor quando a corrente de armadura for igual a 400A. Qual a potência de entrada para esta máquina? R: Ea=31,88V; T=811,77Nm ; Pin=12,752kW 5.3.1 Equação fundamental da velocidade A corrente de partida de um motor CC depende da tensão que se aplica a armadura e da resistência elétrica do circuito da armadura.À medida que acontece a ação motora, surge também, devida à ação geradora, a força contra eletromotriz, que é expressa pela equação Ea = Ka. φ. ωm. Sabe-se Máquinas Elétricas e Transformadores 49 que a força contra eletromotriz Ea nunca se iguala à tensão aplicada Va, pois a Ea depende de Va . Então, a corrente Ia no motor será: Ia = Va−(Ea+Er) Ra (25) Onde: Er é o somatório de todas as quedas de tensão internas ao circuito da armadura; Ra é a resistência equivalente da armadura. Sabe-se que o somatório de todas as quedas de tensão internas ao circuito da armadura é de suma importância nos cálculos de motores CC. Mas com o objetivo de simplificar e verificar os valores mais relevantes, será desconsiderado Er. Unindo as equações 20 e 21, tem-se então: N = Va−Ia.Ra K.φ (26) Pode-se concluir que, se a tensão aplicada Va e o fluxo Ф permanecem constantes, a velocidade N do motor varia com a corrente da armadura, isto é, com a carga aplicada ao seu eixo. Então, se a carga aumenta, a velocidade do motor diminui, o que quer dizer que, se a carga aumenta, a corrente da armadura aumenta e a velocidade do motor diminui, proporcional com o decréscimo da Ea. 5.4 PARTIDA DOS MOTORES CC Ao dar a partida em motor CC, deve-se atentar ao fato de que sua armadura está inerte. Então, a força contra eletromotriz, neste instante, é nula. Por isto o valor da corrente na armadura é: 𝐼𝑎 = 𝑉𝑎 𝑅𝑎 (27) O valor da resistência do circuito da armadura Ra é muito pequeno; em consequência a corrente é elevada, o que reduz a vida útil do enrolamento e causa problemas aos circuitos de proteção. Para evitar esta corrente elevada, coloca-se em série com a armadura um resistor, chamado de reostato de partida. Este reostato torna-se dispensável, se a fonte CC Máquinas Elétricas e Transformadores 50 for ajustável ou variável, pois o objetivo é variar a tensão que alimenta a armadura, aumentando gradativamente o seu valor na partida. O fluxo magnético também é muito importante na partida de um motor CC, pois se ele for nulo o torque também será; então, não haverá fem e a corrente aumentará até a queima do motor. Portanto, durante a partida, recomenda-se utilizar o fluxo magnético máximo, que pode ser controlado por meio de uma outra fonte variável ou simplesmente ou por um reostato em série com o circuito de excitação, chamado de reostato de campo. Figura 48 - Elementos limitantes de partida. 5.5 VELOCIDADE E INVERSÃO DE ROTAÇÃO O sentido de rotação de um motor depende do sentido do campo magnético e do sentido da corrente na armadura. Se for invertido o sentido do campo ou da corrente, a rotação do motor também inverterá. Entretanto, se os dois forem invertidos ao mesmo tempo, o motor continuará a girar no mesmo sentido. 5.6 VARIAÇÃO DE VELOCIDADE A velocidade de um motor de corrente contínua depende da intensidade do campo magnético, do valor da tensão aplicada e da carga. Se a intensidade de campo diminui, a velocidade aumenta, tentando manter a força contra eletromotriz. Se o enrolamento de campo se abrisse, restaria apenas o magnetismo residual e a velocidade aumentaria perigosamente, tentando manter a força contra eletromotriz necessária para se opor à tensão aplicada. Máquinas Elétricas e Transformadores 51 Com uma carga leve, ou sem carga, um circuito de campo aberto poderia causar um aumento de velocidade tal que o motor se despedaçaria. As laminas do comutador e outras partes da máquina seriam arremessadas para longe podendo causar ferimentos graves nas pessoas próximas à máquina. A velocidade do motor pode ser controlada através do controle da corrente de campo, utilizando um reostato, ou através do controle da tensão aplicada, utilizando- se conversores estáticos. Os conversores estáticos serão estudados por vocês na matéria de Eletrônica de Potência, mas é interessante apresentar suas funções a seguir: A partir de uma fonte de tensão alternada, a rede de alimentação, por exemplo, for retificada, ela pode ser utilizada para converter uma fonte de alimentação alternada fixa em uma fonte de alimentação contínua variável. Através da variação da tensão aplicada ao motor de corrente contínua, é possível variar a velocidade de rotação do mesmo. A Figura 49 mostra um conversor estático muito utilizado para realizar este controle de velocidade, empregando retificadores controlados a tiristores para retificar a tensão alternada e variar a tensão contínua aplicada à máquina. Figura 49 - Controle de velocidade de Motor CC 5.7 TIPOS DE LIGAÇÃO E CARACTERÍSTICAS DE FUNCIONAMENTO As características de potência, velocidade e torque do motor CC estão ligadas a forma de conexão dos enrolamentos de campo e armadura. Assim, para cada aplicação específica deve-se fazer as conexões de forma correta. Máquinas Elétricas e Transformadores 52 Normalmente os motores CC saem de fábrica com esquemas de ligações definidos no manual do fabricante. As simbologias para os enrolamentos do motor CC são ilustradas na figura abaixo. Figura 50 - Enrolamentos do motor CC. Aqui temos os enrolamentos de campo Shunt e de campo Série e o enrolamento da armadura. Ambos os enrolamentos de campo coexistem nas máquinas e estão presentes para que hajam configurações distintas de fechamento e assim, funcionamentos com características distintas, como serão vistas a seguir. A identificação dos terminais pode ser numérica ou por letras. Vale destacar que o enrolamento shunt tem muitas espiras e fio de menor seção (diâmetro ou bitola), enquanto o enrolamento série possui poucas espiras e fio de maior seção. Os motores de corrente contínua são classificados de acordo com as ligações do enrolamento de campo, são eles: 5.7.1 Motor em Excitação Independente A figura abaixo apresenta o diagrama elétrico de um motor CC com excitação independente. Neste tipo de conexão, tanto o enrolamento da armadura como o enrolamento de campo são ligados a fontes de tensão independentes uma da outra. A rotação do motor pode ser alterada mantendo o fluxo magnético (Ф) constante e variando a tensão de armadura (controle de armadura), ou mantendo a tensão de armadura fixa e alterando o fluxo (controle pelo campo). Alterar o fluxo magnético significa modificar a corrente de campo. Máquinas Elétricas e Transformadores 53 Figura 51 - Motor CC com excitação independente. Com base nesse circuito representativo do motor de excitação independente iremos definir alguns parâmetros para nossos estudos sobre o motor de excitação independente e para os demais tipos de ligação do motor CC. O rotor terá as seguintes definições: a tensão de armadura será representada por Vt, a corrente que circula pelo campo (estator) por IF e a resistência ôhmica do circuito da armadura por Ra. Já o estator terá as seguintes definições: a tensão de campo será representada por VF, a corrente que circula pela armadura por Ia e a resistência ôhmica do circuito de campo por RF. Quando o controle é feito através da variação da tensão da armadura, o campo magnético pode ser mantido constante (Ф = constante) e no seu valor máximo. Desta forma, o máximo torque pode ser desenvolvido. O enfraquecimento do campo (diminuindo Ф) é normalmente utilizado para obter velocidades acima da nominal. O controle da tensão de armadura é feito a torque constante enquanto o controle através do enfraquecimento do campo é feito à potência constante, como mostra o gráfico a baixo. Máquinas Elétricas e Transformadores 54 Figura 52 - Métodos decontrole de velocidade para excitação independente. A regulagem pela armadura é usada para acionamentos de máquinas operatrizes em geral, como: ferramentas de avanço, torque de fricção, bombas a pistão, compressores, etc. A regulagem de campo por sua vez é usada para acionamento de máquinas de corte periférico, tornos, bobinadeiras, máquinas têxteis, etc. 5.7.2 Motor Excitação Série A Figura 53 mostra o circuito equivalente do motor série. Um reostato externo em série com o enrolamento de armadura pode ser utilizado para controlar a velocidade do motor. As equações 28 e 29 são as principais equações para o motor série. A equação 15 permite concluir que o motor série não deve ser utilizado sem carga, pois nessas condições, a corrente de armadura Ia é muito pequena e a velocidade de rotação muito elevada, podendo atingir valores perigosos. 𝑉 = 𝐸𝑎 + 𝐼𝑎 × (𝑅𝑎 + 𝑅𝑓) (28) 𝜔𝑚 = 𝑉−𝐼𝑎×(𝑅𝑎+𝑅𝑓) 𝐾×𝐼𝑎 (29) O motor série gira lentamente com cargas pesadas e muito rapidamente com cargas leves. Se a carga for retirada completamente, a velocidade aumentará perigosamente, podendo até despedaçar o motor, pois a corrente de armadura será muito pequena. Máquinas Elétricas e Transformadores 55 A redução no valor da corrente drenada pelo motor implica em redução do fluxo devido ao enrolamento de campo série. A força contra eletromotriz responsável por limitar a corrente de armadura, de acordo com a equação 7, para manter-se constante, requer um aumento na velocidade da máquina para compensar o efeito na redução do fluxo por polo. Dessa maneira, o motor poderá não girar com velocidade suficiente para gerar uma força contra eletromotriz capaz de restabelecer o equilíbrio. O motor tipo série nunca deve funcionar sem carga, e raramente são usados com transmissão por correias, em que a carga pode ser removida. Figura 53 - Motor CC série. 5.7.3 Motor com Excitação Paralelo ou SHUNT A Figura 54 mostra um circuito esquemático para o motor Shunt (ele também é conhecido como Motor Derivação ou Motor com excitação Paralelo). O enrolamento de armadura e o enrolamento de campo estão dispostos em paralelo e conectados a uma fonte de alimentação contínua. Um reostato externo pode ser utilizado para controlar a velocidade do motor através do controle do fluxo produzido pelo enrolamento de campo, ou pode-se variar a tensão de alimentação da fonte. Máquinas Elétricas e Transformadores 56 Figura 54 - Motor CC Shunt. 5.7.4 Motor com Excitação Composta A figura abaixo apresenta o diagrama elétrico de um motor composto. Neste tipo de conexão temos a ligação composta, utilizando os enrolamentos shunt e série ligados a mesma fonte de alimentação. Figura 55 - Motor CC com Excitação Composta. Muitas vezes, em algumas aplicações, desejamos um motor com características intermediárias ao motor com excitação em série e paralelo. É esta a característica do motor de excitação composta. Este motor possui dois enrolamentos, um em série e outro em paralelo. Na maioria dos casos os dois enrolamentos são acoplados de forma que os fluxos magnéticos se adicionem - a este tipo de conexão dá-se o nome de Composto Máquinas Elétricas e Transformadores 57 Cumulativo. Conseguimos a excelente regulação de velocidade do motor shunt com o excelente torque de partida do motor série. Quando os fluxos magnéticos se subtraem, tem-se o Composto Diferencial. As equações do torque para estes motores podem ser vistas nas equações a seguir, para cada motor respectivamente. T = Ka. (𝜑𝑓 + 𝜑𝑠). Ia (30) T = Ka. (𝜑𝑓 − 𝜑𝑠). Ia (31) Os motores compostos são utilizados onde há necessidade de velocidade constante com variações extremas de carga. Aproveitando o alto torque da ligação série, sem disparos de velocidade com cargas reduzidas ou nenhuma carga, junto com o controle de velocidade do motor paralelo em diferentes situações de carga. 5.8 CARACTERÍSTICA TORQUE-CARGA DOS MOTORES CC A equação 9, T = Ka. φ. Ia, proporciona um meio de avaliar como o torque de cada tipo de motor variará com a aplicação da carga, ou seja, com a corrente de armadura. Com isso saberemos qual é o efeito de um aumento de carga sobre o torque dos motores CC. Motor Shunt A corrente de campo é praticamente constante para um dado valor de resistência de campo, e consequentemente o fluxo é constante. À medida que a carga mecânica é aumentada, o motor tem a sua velocidade diminuída um pouco, causando uma diminuição na Ec (fcem) e um aumento na corrente de armadura. Na equação básica do torque, o fluxo é constante, e se a corrente da armadura aumenta diretamente com a aplicação da carga mecânica, a equação do torque para o motor shunt pode ser expressa por uma relação linear T=k’ Ia, em que k’=kΦ. Motor Série A corrente da armadura e a corrente do campo série são as mesmas, e o fluxo produzido pelo campo série Φ, é em todo instante proporcional a corrente de Máquinas Elétricas e Transformadores 58 armadura Φ ≈ Ia. A equação básica do torque para a operação do motor série torna- se T=k’ Ia². Motores Compostos O motor composto cumulativo produz uma curva de torque que é sempre mais elevada que a do motor-shunt para a mesma corrente de armadura. No motor composto diferencial, qualquer valor da corrente da armadura produzirá uma fmm do campo série que reduzirá o fluxo total do entreferro e, consequentemente o torque. Na figura 56 temos o comportamento do torque dos tipos de motores CC perante o aumento de carga. Figura 56 - Curva torque-carga de motores CC. Observa-se que o torque do motor série para cargas leves (baixos valores de Ia) é menor do que o do motor shunt, porque desenvolve menos fluxo. Para uma mesma corrente na armadura a plena carga, contudo o seu torque é maior. 5.9 CARACTERÍSTICA VELOCIDADE-CARGA DOS MOTORES CC A equação da velocidade, N = Va−Ia.Ra K.φ , proporciona um meio de avaliar como a velocidade de cada tipo de motor variará com a aplicação da carga, ou seja, com a corrente de armadura. Com isso, saberemos qual é o efeito de um aumento de carga sobre a velocidade dos motores CC. Máquinas Elétricas e Transformadores 59 Motor shunt A velocidade é considerada praticamente constante desde a vazio até a plena carga. Motor série Para uma pequena corrente de armadura e pequeno fluxo polar, a velocidade é excessivamente elevada. Para um aumento de carga a velocidade cai rapidamente. Figura 57 - Curva velocidade-carga de motores CC. 5.10 EXERCÍCIOS 1) O motor CC é composto de rotor e estator, onde cada uma destas partes é composta por vários componentes, escreva a função e a localização das partes seguintes do motor: a) Enrolamento de armadura b) Enrolamento de campo c) Comutador d) Escovas de carvão e) Terminais do motor 2) Qual a importância de se verificar periodicamente as condições das escovas de carvão dos motores CC? Que problemas eu posso ter caso não verifique? 3) Um motor de derivação possui uma resistência de armadura igual a 0,2 Ω, uma resistência de campo igual a 100 Ω, uma força contra eletromotriz igual a 100V e uma tensão de alimentação igual a 110V. Determine: Máquinas Elétricas e Transformadores 60 a) O circuito elétrico equivalente. b) A corrente de armadura. R: Ia=50A c) A corrente de campo. R: If=1,1A. d) A constante Ka, se o fluxo por pólo é igual a 0,02wb e a velocidade igual a 1200rpm. R: Ka=39,81. 4) Considere um motor série cujo enrolamento de campo possui uma resistência igual a 0,1 Ω e o enrolamento de armadura possuiuma resistência igual a 0,25 Ω. Se a tensão de alimentação for igual a 230V, determine: a) O circuito elétrico equivalente. b) A corrente de armadura e a corrente de campo sabendo que a tensão gerada é igual a 225V. R: If=Ia=14,29A. c) Determine a potência desenvolvida pelo motor. R: P3,2148kW d) Sabendo que a velocidade é igual a 1200 rpm, determine o torque desenvolvido pelo motor. R: T=25,58Nm. 5) Um motor derivação é conectado a uma fonte de alimentação de 230V e fornece potência à carga drenando uma corrente igual a 200 A, girando a uma velocidade igual a 1200 rpm. A resistência de armadura é igual a 0,2 Ω e a resistência de campo é de 115 Ω. Determine: a) O circuito equivalente. b) A tensão gerada. R: Ea=190V c) O torque de carga, sabendo que as perdas rotacionais são iguais a 500W. R: T=362Nm d) A eficiência do motor. R: Rend=0,989. 6) Um motor CC série, 230V, 12cv, 1200 rpm é conectado a uma fonte de alimentação de 230V, drena uma corrente igual a 40A, e gira a 1200rpm. Se a resistência de armadura é igual a 0,25 Ω e a resistência de campo igual a 0,1 Ω, determine: a) O circuito elétrico equivalente. b) A potência e o torque desenvolvidos pelo motor. R: P=9,2kW c) A potência se o motor drena 20A. R: P=4,6kW Máquinas Elétricas e Transformadores 61 6 MOTORES DE CORRENTE ALTERNADA Os motores CA, em sua maioria, têm características de funcionamento semelhantes às dos motores CC, embora esteja menos sujeito a defeitos. Isto porque os motores CC apresentam problemas na comutação que envolve as escovas, os porta- escovas, o plano neutro etc. Muitos tipos de motores CA nem mesmo usam anéis coletores, e assim podem proporcionar um funcionamento livre de defeitos durante períodos bastante longos. Contudo, os motores CA só trabalham bem dentro de uma faixa estreita de velocidades. Os motores CA apresentam características excelentes para a operação a velocidades constantes, porque a velocidade é determinada pela frequência da rede de alimentação e o número de polos do motor. Além disso podem ser trifásicos ou monofásicos. O princípio de funcionamento é o mesmo em todos os casos, isto é, o de um campo magnético girante que provoca a rotação do rotor da máquina. São classificados geralmente em dois tipos principais: motores de indução e motores síncronos. O motor síncrono é um alternador funcionando como motor; aplica-se CA ao estator e CC ao rotor. O motor de indução difere do motor síncrono por não ter o seu rotor ligado a qualquer fonte de alimentação, sendo o seu rotor alimentado por indução magnética. Mais detalhadamente, podem ser distinguidos da seguinte maneira: Motor síncrono: Funciona com velocidade fixa, utilizado somente para grandes potências (devido ao seu alto custo em tamanhos menores) ou quando se necessita de velocidade invariável. Motor de indução ou assíncrono: são aqueles cujo rotor ou é feito por barras metálicas interligadas formando uma estrutura conhecida como “rotor gaiola de esquilo” ou é feito por bobinas de forma similar ao estator. É um tipo de motor que trabalha sempre abaixo da velocidade síncrona, daí o nome assíncrono. Atualmente é possível controlarmos a velocidade dos motores de indução com o auxílio de inversores de frequência. Máquinas Elétricas e Transformadores 62 6.1 MOTOR DE INDUÇÃO TRIFÁSICO A máquina assíncrona é, dentre as máquinas elétricas girantes, a mais utilizada no setor industrial. Tanto o rotor quanto o estator conduzem corrente alternada. A corrente que circula pelo rotor é uma corrente induzida devido a um campo magnético variável em relação ao enrolamento do rotor. Por isso a nomenclatura máquina de indução. Este campo magnético variável em relação ao enrolamento do rotor é devido à diferença de velocidade de rotação do rotor e do campo magnético girante. A máquina de indução pode funcionar tanto como motor quanto como gerador. Entretanto, as características da máquina funcionando como gerador não são satisfatórias e a máquina é extensivamente utilizada como motor. O rotor pode possuir uma construção tipo gaiola de esquilo ou tipo bobinado. As bobinas do estator estão distribuídas ao longo do entreferro de modo a melhor aproveitar o material ferromagnético e assim melhorar a distribuição de força magneto motriz, suavizando o torque desenvolvido pela máquina. A Figura 58a mostra uma representação dos enrolamentos trifásicos distribuídos representados por três enrolamentos concentrados. A Figura 58b mostra os enrolamentos conectados em estrela (Y) e a Figura 58c mostra os enrolamentos conectados em triângulo (Δ). Figura 58 - (a) Vista em corte da máquina assíncrona. (b) Enrolamento do estator conectado em Y. (c) Enrolamento do estator conectado em delta. Máquinas Elétricas e Transformadores 63 6.1.1 Partes Construtivas O motor de indução trifásico é composto fundamentalmente de duas partes fisicamente distinta que são associadas a dois circuitos elétricos de funções bem específicas: o estator e o rotor. Estator: parte fixa do motor, é constituído por um núcleo ferromagnético laminado, nas cavas do qual são colocados os enrolamentos. Todos prontos para serem alimentados por uma rede de corrente alternada trifásica, e produzir um campo magnético fixo. Figura 59 - Estrutura interna do Estator. Rotor: parte girante da máquina. Pode ser de dois tipos: constituído de um conjunto de barras, de material ferromagnético, não isoladas e interligadas por anéis de curto- circuito (rotor gaiola ou gaiola de esquilo) ou formado por um núcleo ferromagnético com ranhuras axiais na periferia para acomodar o enrolamento trifásico, constituído por fio de cobre (rotor bobinado). Na figura 60 temos as partes principais de um motor de indução trifásico, descritas e enumeradas a seguir. 1. Carcaça: é a estrutura suporte do conjunto; de construção robusta em ferro fundido, aço ou alumínio injetado, resistente à corrosão e com aletas. 2. Núcleo de chapas: as chapas são de aço magnético, tratadas termicamente para reduzir ao mínimo as perdas no ferro. 3. Núcleo de chapas: as chapas possuem as mesmas características das chapas do estator. Máquinas Elétricas e Transformadores 64 Figura 60 - Partes constituintes de um motor de indução trifásico. 4. Tampa: são de alumínio injetado sob pressão ou ferro fundido. Além de fecharem o motor nas extremidades, nas tampas estão os mancais que apoiam os rolamentos. 5. Ventilador: pode ser de nylon, alumínio ou ferro fundido. São presos ao eixo do motor e fazem o resfriamento do motor. Alguns motores precisam de um sistema de ventilação mais eficiente (ventilação forçada). 6. Tampa defletora: possui furos para a ventilação. 7. Eixo: transmite a potência mecânica desenvolvida pelo motor. É tratado termicamente para evitar problemas como empenamento e fadiga. 8. Enrolamento trifásico: três conjuntos iguais de bobinas, uma para cada fase, formando um sistema trifásico ligado à rede trifásica de alimentação. 9. Caixa de ligação: onde estão disponíveis os bornes (terminais das bobinas do motor) para alimentação do motor. 10. Terminais: Terminais das bobinas do motor, por onde ele é alimentado. 11. Rolamentos: suportam o eixo do motor, diminuindo o atrito. 12. Barras e anéis de curto-circuito: são de alumínio injetado sob pressão numa única peça. Máquinas Elétricas e Transformadores 65 6.1.2 Tipos de Rotor Os motores trifásicos são classificados de acordo com o seu rotor, que podem ser de dois tipos: Motor trifásico com rotor gaiola O rotor em gaiola de esquilo (ou rotor em curto-circuito), e constituído porum núcleo de chapas ferromagnéticas, isoladas entre si, sobre o qual são colocadas barras de alumínio (condutores), dispostas paralelamente entre si e unidas nas suas extremidades por dois anéis condutores, também em alumínio, que provocam curto- circuito nos condutores. As barras condutoras da gaiola são colocadas geralmente com certa inclinação para evitar as trepidações e ruídos pela ação eletromagnética entre os dentes das cavas do estator e do rotor. Figura 61 - Rotor Gaiola de Esquilo. É um motor mais robusto. Em sua forma mais simples apresenta conjugado de partida relativamente fraco e corrente de partida até 10 vezes a sua corrente nominal (IN). Motor trifásico com rotor bobinado O rotor em gaiola de esquilo (ou rotor em curto-circuito). Difere do motor de rotor em gaiola apenas quanto ao rotor, constituído por um núcleo ferromagnético laminado, Máquinas Elétricas e Transformadores 66 com ranhuras axiais na periferia, sobre o qual são alojadas as espiras de cobre, isoladas entre si, que constituem o enrolamento trifásico. O motor trifásico com rotor bobinado foi desenhado para atender a uma necessidade de partida suave da indústria. A finalidade do rotor bobinado e permitir que sejam inseridas resistências em serie com o enrolamento trifásico do rotor bobinado, controlando a velocidade imprimida, melhorando o conjugado de partida e diminuindo o pico de corrente de partida. Tem-se, portanto, um enrolamento trifásico no estator e um enrolamento com três saídas no rotor. O contato entre o rotor e o meio externo e feito por escovas conectadas a três anéis fixos no eixo do rotor, aos quais estão ligadas as três terminações do bobinado do rotor. Figura 62 - Rotor bobinado. 6.1.3 Campo Magnético Girante Os enrolamentos trifásicos localizados no estator representados por aa’, bb’ e cc’ da figura 63 estão deslocados 120 graus elétricos entre si. Quando uma corrente alternada senoidal circula por um enrolamento ela produz uma força magneto motriz também senoidal e centrada no eixo do enrolamento. Cada força magneto motriz pode ser representado por um vetor com magnitude proporcional ao valor instantâneo da corrente. As correntes instantâneas em cada enrolamento são mostradas na Figura 63. Máquinas Elétricas e Transformadores 67 Figura 63 - Correntes instantâneas em cada enrolamento. A força magnetomotriz resultante é a composição vetorial das três componentes de força magneto motriz, que pode ser computada graficamente através da Figura 64. No instante de tempo t0, a corrente na fase A passa por um máximo positivo e as correntes nas fases b e c por metade da amplitude máxima negativa. Devido ao fato da corrente na fase A estar em um instante de máximo, a força magneto motriz produzida por este enrolamento é máxima. A força magnetomotriz resultante da composição vetorial das forças magneto motrizes devido aos três enrolamentos é dada pela equação 32. Além do mais, a força magnetomotriz resultante é distribuída senoidalmente ao longo do entreferro. Analisando o que acontece à medida que as correntes em cada enrolamento variam senoidalmente, nota-se que o vetor resultante F possui a mesma amplitude em todos os instantes de tempo, mas ele gira em sentido anti-horário. �⃗� = 3 2 . 𝐹𝑚á𝑥 (32) Máquinas Elétricas e Transformadores 68 Figura 64 - Campo magnético girante. O desenvolvimento do campo magnético e sua representação também podem ser compreendidas pelo esquemático a seguir. Máquinas Elétricas e Transformadores 69 Figura 65 - Formas de onda das correntes alternadas que vão gerar os campos magnéticos, defasados de 120º, alimentando os enrolamentos do estator A velocidade do campo magnético girante varia diretamente com a frequência, ou seja, o campo girante está em sincronismo com a frequência da rede. Daí a ser chamada de velocidade síncrona, que pode ser deduzida da seguinte forma: 𝑛𝑠(𝑟𝑝𝑚) = 120.𝑓 𝑝 (33) Onde: Ns é a velocidade síncrona; f é a frequência da rede, em Hz; e p são os números de polos do motor. 6.1.4 Princípio de funcionamento Ao circular uma corrente alternada nos enrolamentos do estator, surge um campo magnético girante. As linhas de indução deste campo magnético “cortam” os condutores do rotor, induzindo neles, uma ddp. Devido ao circuito estar fechado, surge uma corrente; esta corrente, induzida, gera um campo magnético em volta dos condutores, que tende a acompanhar, ou se alinhar, com o campo girante produzido pelo estator. Como o campo magnético do estator “gira” à velocidade síncrona, o campo do rotor não consegue acompanhá-lo. Portanto, o campo magnético do rotor segue o campo do estator, mas sempre atrasado em relação a ele. Máquinas Elétricas e Transformadores 70 De acordo com a lei de Lenz, qualquer corrente induzida tende a se opor às variações do campo que a produziu. No caso do motor de indução, a variação é a rotação do campo magnético no rotor, que é oposto ao do estator. Esta é a razão pela qual o rotor acompanha o estator tão próximo quanto permitam o seu peso e a sua carga. Se a velocidade do estator e do rotor fossem iguais, não haveria movimento relativo entre eles e, em consequência, não haveria fem induzida no rotor; não existindo tensão induzida não existiria torque agindo no rotor. A velocidade do rotor deve ser inferior à do campo magnético girante, para existir movimento relativo entre os dois. Assim, o rotor deve “escorregar” em velocidade a fim de produzir o torque. Por isto há uma diferença de velocidades produzidas entre a velocidade síncrona do campo girante e a do rotor, denominada velocidade de escorregamento. Pode ser expressa como uma porcentagem da velocidade síncrona, ou como número decimal para o caso dos motores. Então, o escorregamento pode ser expresso da seguinte forma: 𝑠 = 𝑁𝑠−𝑁𝑟 𝑁𝑠 . 100 ou simplesmente 𝑁𝑟 = 𝑁𝑠. (1 − 𝑆) (34) Onde: S é o escorregamento; Ns é a velocidade síncrona do campo magnético girante, em rpm; Nr é a velocidade do rotor. A frequência da corrente induzida no circuito do rotor é dada pela equação 35. 𝑓𝑟 = 𝑓𝑠. 𝑆 (35) Então, o motor de indução ou motor assíncrono é assim chamado devido ao seu princípio de funcionamento, baseado na indução eletromagnética. Por isso, a velocidade do rotor não é igual à velocidade do campo magnético girante. 6.1.5 Circuito Equivalente O circuito equivalente pode ser utilizado para estudar e antecipar o desempenho da máquina de indução trifásica com apreciável proximidade do seu comportamento real. O circuito equivalente mostrado na Figura 66 considera as perdas por condução por fase no enrolamento de estator através da resistência R1, o fluxo de dispersão por Máquinas Elétricas e Transformadores 71 fase no enrolamento de estator através da reatância X1, as perdas no núcleo através da resistência Rc, a energia necessária para magnetização do núcleo através da reatância Xm, o fluxo de dispersão no rotor refletido ao estator através da reatância X2’ e a resistência de condução do enrolamento do rotor refletido ao estator. Para se determinar os parâmetros do circuito elétrico equivalente podem-se utilizar os ensaios sem carga e com rotor bloqueado. Figura 66 - Circuito elétrico equivalente para a máquina de indução. 6.1.6 Conjugado desenvolvido pelo motor O conjugado desenvolvido pelo motor é resultado da interação mútua entre dois campos magnéticos. O conjugado ou torque desenvolvido quando o motor está parado é dado pela equação 36. 𝑇 = 𝐾𝑡 . (𝑉𝐿)2 (36) Onde: Kt é uma constante de torque para o número de pólos, o enrolamento, etc. E VL é a tensão de linha no enrolamento do estator. A Figura 50 apresenta as características de torque-velocidade do motor de indução. Máquinas Elétricas e Transformadores 72 Figura 67 - Curva torque-velocidade do motor de indução. Na região motora de operação, Te=0 em s=0 e s aumenta (diminui a velocidade), Te aumenta em uma curva quase linear até o torque eletromecânico máximo ser atingido, Tem. Nesta região, a queda de tensão do estator é pequena e o fluxo de campo mantém-se aproximadamente constante. Após o torque máximo, Te diminui com o aumento do escorregamento s. A equação que relaciona Torque e Escorregamento é descrita na equação 37. 𝑇𝑒 = 3. ( 𝑃 2 ) . 𝑅1 𝑠.𝜔𝑒 . 𝑉1 2 (𝑅1+ 𝑅2 𝑠⁄ ) 2 +𝜔𝑒 2.(𝑋1+𝑋2) 2 (37) Onde: P - Potência no eixo; R1 e L1 - Resistência e Reatância de dispersão do rotor; R2 e L2 - Resistência e Reatância de dispersão do estator; s - escorregamento, por unidade; ωe - velocidade síncrona; e V1 - tensão nos terminais do estator. 6.1.7 Características de desempenho O circuito elétrico equivalente apresentado anteriormente pode ser utilizado para antecipar as características de desempenho para a máquina assíncrona. A Figura 68 mostra as curvas de conjugados em função da velocidade de rotação do motor, para as diferentes categorias. Estas categorias são definidas pela norma NBR 7094. Máquinas Elétricas e Transformadores 73 Figura 68 - Curvas conjugados x velocidade paras as categorias N, H e D. Categoria N Os motores pertencentes são caracterizados por possuírem um conjugado de partida normal, corrente de partida normal e pequeno valor de escorregamento em regime permanente. Constituem a maioria dos motores encontrados no mercado e prestam-se ao acionamento de cargas normais, com baixo conjugado de partida como bombas e máquinas operatrizes. Categoria H Os motores são caracterizados por possuírem um conjugado de partida elevado, corrente de partida normal e baixo valor para o escorregamento em regime permanente. Esta categoria de motores é utilizada para acionamento de cargas que exigem maior conjugado de partida, como peneiras, transportadores carregados, cargas com alta inércia, etc. Categoria D São motores caracterizados por conjugado de partida elevado, corrente de partida normal e alto escorregamento. Utilizados para acionamento de cargas como prensas excêntricas e máquinas semelhantes, em que a carga apresenta picos periódicos e cargas que necessitam de conjugado de partida elevado e corrente de partida limitada. 6.1.8 Controle de velocidade Um motor de indução trifásico é essencialmente um motor de velocidade constante quando conectado a uma fonte de tensão constante e frequência fixa. A velocidade Máquinas Elétricas e Transformadores 74 em regime permanente é muito próxima da velocidade síncrona. Entretanto, quando o torque solicitado aumenta, a velocidade diminui. A Figura 51 mostra um gráfico onde se tem uma carga solicitando um torque elevado e outra que solicita um torque moderado. Pode-se observar que para a carga que solicita um torque elevado, no ponto de operação, o motor possui menor velocidade. Portanto, a velocidade do motor é dada pela intersecção entre a curva de conjugado para o motor e a curva de carga. Figura 69 - Solicitação de torque durante a partida e em regime permanente. Em muitas aplicações industriais, velocidades variáveis ou continuamente ajustáveis são necessárias. Tradicionalmente, motores de corrente contínua sempre foram utilizados em aplicações onde era necessária variação de velocidade. Entretanto, motores de corrente contínua são caros, requerem manutenção das escovas e dos comutadores e são proibitivos em ambientes agressivos. Em contrapartida, motores de indução são baratos, não requerem manutenção, estão aptos a funcionar em ambientes agressivos e estão disponíveis para velocidades elevadas. A problemática: A velocidade de um MIT pode ser controlada variando a velocidade síncrona ou o escorregamento do motor para uma carga determinada. Varia-se a velocidade síncrona alterando a frequência de linha ou mudando o número de polos da máquina. O escorregamento do motor pode ser controlado quer por meio da variação da resistência do rotor quer pela variação da tensão de linha. A mudança de polos de uma máquina se dá alterando as ligações da bobina do enrolamento do estator, geralmente alterados na proporção de 2 para 1. Este Máquinas Elétricas e Transformadores 75 método proporciona duas velocidades síncronas. Porém, a velocidade pode ser alterada apenas em passos discretos e os enrolamentos de estator preparados para isso encarecem o motor. No controle por tensão de linha, o torque desenvolvido é proporcional ao quadrado da tensão aplicada aos terminais primários, como já descrito na equação 23. Devido a essa proporção quadrática, o controle é aplicável em um intervalo muito limitado. O controle por resistência do rotor, válida para rotores bobinados, é vantajoso pela simplicidade de implementação, porém a inserção de resistências no circuito do rotor de um motor de indução reduz seriamente a eficiência da máquina. A variação da frequência da tensão aplicada à armadura do MIT é outro método. Nos valores nominais de tensão e frequência, o fluxo do entreferro da máquina também estará em seu valor nominal. Se a tensão for mantida constante e a frequência diminuía, o fluxo aumentará, levando à saturação da máquina, alterando os parâmetros da máquina e a característica torque-velocidade. Logo, para que o sistema magnético não sature, ou seja, a densidade do fluxo permaneça constante, a tensão nos terminais do motor deve ser variada em proporção à frequência (Operação Volt/Hz constante). Neste método de controle de velocidade, o escorregamento em operação é baixo e a eficiência é alta. Uma exemplificação da resposta deste controle é vista na figura 53. Figura 70 - Curva Torque x Velocidade para controle escalar V/Hz. Máquinas Elétricas e Transformadores 76 6.1.9 Tipos de Ligação Nas caixas de ligação de dos motores trifásicos estão os terminais de ligação do motor a rede elétrica. Esses terminais são as terminações das bobinas do estator. Comercialmente os motores trifásicos são vendidos com até 12 terminais de ligação identificados com números que correspondem à numeração das bobinas das fases, e obedecem ao seguinte padrão: (1;4) (7;10): bobinas da fase R; (2;5) (8;11): bobinas da fase S; (3;6) (9;12): bobinas da fase T. Figura 71 - Representação das bobinas do estator e a numeração padrão dos seus terminais. Um mesmo motor pode ser acionado com valores de tensões diferentes, para isso, precisa-se fazer o fechamento adequado para cada tensão. Os fechamentos não interferem na velocidade de rotação, mas servem para alimentar o motor na tensão nominal da rede elétrica, gerando um campo magnético necessário para o funcionamento do motor. A ligação de motores trifásicos com três terminais à rede é feita conectando-se os terminais 1, 2, e 3 aos terminais de rede RST em qualquer ordem. A figura abaixo mostra as ligações de um motor para duas tensões 220 V (Δ - Ligação Triângulo ou delta) ou 380 V (Y – Ligação Estrela ou épsilon). Em alguns casos a elevada corrente de partida pode trazer problemas para a instalação elétrica, no que diz respeito a afundamentos de tensão, podendo causar a má operação de outras cargas ligadas ao mesmo barramento. Máquinas Elétricase Transformadores 77 Figura 72 - Exemplo para ligação em 220V ou 380 V. Isto motivou a busca de técnicas de partida para amenizar tais efeitos. Cabe realçar que o motor em si é projetado para partida direta de cargas de baixa inércia, e esta opção não deve ser descartada antes de uma análise do problema. 6.1.10 Métodos de Partida Os motores com rotor tipo gaiola de esquilo frequentemente conectados direto à rede de alimentação, criam uma corrente de partida entre 5 e 8 vezes maior que a corrente nominal pode circular pelo motor, ocorrendo com ou sem carga aplicada ao eixo. A diferença reside no fato de que com carga aplicada ao eixo o tempo que o motor fica submetido à corrente de partida é maior. Além de causar uma queda de tensão apreciável na rede de alimentação, pode afetar outras cargas conectadas à rede de alimentação. Além disso, se uma corrente elevada circular no motor por um longo intervalo de tempo, poderá aquecê-lo, danificando o isolamento do enrolamento. Nestes casos, costuma-se utilizar uma tensão reduzida durante a partida do motor para reduzir os efeitos da partida de motores assíncronos de grande porte. Máquinas Elétricas e Transformadores 78 Existem diversos tipos de métodos de partida com o objetivo de reduzir esta corrente inicial, como a utilização de autotransformadores, partida com conexão estrela- triângulo, soft-starters, inversores de frequência, entre outros. 6.1.11 Graus de Proteção de MIT As condições ambientais onde está instalado o motor têm influência na sua operação. Poeiras que se depositam na sua carcaça, ao absorverem umidade ou partículas de óleo, formam uma crosta que dificulta a liberação do calor. Por causa disso, a temperatura interna do motor se eleva. Uma das consequências é aumentar o valor para a resistência do enrolamento e diminuir a eficiência do motor. A elevação de temperatura pela presença de sujeira na carcaça acaba provocando também a deterioração do lubrificante, óleo ou graxa, utilizado no mancal ou rolamento, pois a sua capacidade de lubrificação diminui com o aumento da temperatura. A umidade é uma das principais causas de falhas na isolação dos motores. Em ambientes úmidos ocorrem problemas de corrosão e deterioração do isolamento, já que a umidade facilita o depósito e a absorção de poeiras e produtos químicos. Comprovadamente, motores que operam em ambientes úmidos apresentam mais falhas no seu sistema de isolação do que aqueles que trabalham em ambientes secos sujeitos ao mesmo tipo de sujeiras, pós e agentes químicos. Motores que trabalham em ambientes desfavoráveis ou mesmo agressivos devem ser providos de um grau de proteção. A norma brasileira NBR 6146 define os vários graus de proteção para os motores elétricos, por meio das letras características IP, seguida por dois algarismos. O primeiro algarismo corresponde à proteção contra penetração de corpos sólidos e o segundo, contra penetração de água. As tabelas a seguir apresentam os critérios de proteção. Máquinas Elétricas e Transformadores 79 Figura 73 - Grau de proteção contra penetração de corpos sólidos. Figura 74 - Grau de proteção contra penetração de água. Para motores que são instalados ao tempo, a norma prevê uma designação com a letra W entre as letras IP e os algarismos. Assim, um motor que irá trabalhar em ambiente aberto e poeirento deve ter grau de proteção IPW55. 6.1.12 Isolação A isolação tem influência na eficiência do motor. Em geral, maior será a eficiência se mais fina for a camada de isolante utilizada. Os materiais isolantes definem a classe de isolação do motor, as quais correspondem à temperatura máxima que cada material pode suportar sem apresentar alterações nas suas características isolantes. As classes de isolamento utilizadas em máquinas elétricas e os respectivos limites de temperatura conforme a norma NBR 7094 são os seguintes: Classe A – 105°C Classe E – 120°C Máquinas Elétricas e Transformadores 80 Classe B – 130°C Classe F – 155°C Classe H – 180°C As classes B e F são as comumente utilizadas em motores normais. Na classe B são empregados materiais a base de poliéster e poli-imídicos aglutinados ou impregnados com materiais orgânicos. Já na classe F o isolante é composto por materiais a base de mica, amianto e fibra de vidro, aglutinados com materiais sintéticos, usualmente silicones, poliésteres ou epóxi. Não é justificável avaliar-se a temperatura dos enrolamentos simplesmente sentindo- se a temperatura externa do motor com o auxílio das mãos. Uma carcaça fria necessariamente não está à mesma temperatura que os enrolamentos do motor. Um exemplo típico é no caso da partida, onde as perdas provocam um maior aquecimento dos enrolamentos, enquanto na carcaça a temperatura permanece inalterada. A vida de um motor praticamente termina quando o isolamento dos enrolamentos se deteriora, tornando-se ressecado e quebradiço. Isso se dá, em média, em torno de 20 anos. 6.1.13 Regime de trabalho O regime de serviço de um motor é o grau de regularidade da carga a que o motor é submetido. Os motores normais são projetados para regime contínuo, (a carga é constante), por tempo indefinido, e igual a potência nominal do motor. A indicação do regime do motor deve ser feita pelo comprador, da forma mais exata possível. Nos casos em que a carga não varia ou nos quais varia de forma previsível, o regime poderá ser indicado numericamente ou por meio de gráficos que representam a variação em função do tempo das grandezas variáveis. Quando a sequência real dos valores no tempo for indeterminada, deverá ser indicada uma sequencia fictícia não menos severa que a real. A utilização de outro regime de partida em relação ao informado na placa de identificação pode levar o motor ao sobreaquecimento e consequente danos ao mesmo. Conforme a NBR 17094-1, os regimes de tipo e os símbolos alfanuméricos a eles atribuídos, são indicados a seguir. Máquinas Elétricas e Transformadores 81 - Regime contínuo (S1): Funcionamento à carga constante de duração suficiente para que se alcance o equilíbrio térmico. - Regime de tempo limitado (S2): Funcionamento à carga constante, durante um certo tempo, inferior ao necessário para atingir o equilíbrio térmico, seguido de um período de repouso de duração suficiente para restabelecer a temperatura do motor dentro de +2K em relação à temperatura do fluido refrigerante. - Regime intermitente periódico (S3): Sequência de ciclos idênticos, cada qual incluindo um período de funcionamento com carga constante e um período desenergizado e em repouso. Neste regime o ciclo é tal que a corrente de partida não afeta de modo significativo a elevação de temperatura. - Regime intermitente periódico com partidas (S4): Sequência de ciclos de regime idênticos, cada qual consistindo de um período de partida, um período de funcionamento a carga constante e um período de repouso, sendo tais períodos muito curtos, para que se atinja o equilíbrio térmico. - Regime intermitente periódico com frenagem elétrica (S5): Sequência de ciclos de regime idênticos, cada qual consistindo de um período de partida, um período de funcionamento a carga constante, um período de frenagem elétrica e um período desenergizado e em repouso, sendo tais períodos muito curtos para que se atinja o equilíbrio térmico. - Regime de funcionamento contínuo periódico com carga intermitente (S6): Sequência de ciclos de regime idênticos, cada qual consistindo de um período de funcionamento a carga constante e de um período de funcionamento em vazio, não existindo período de repouso. - Regime de funcionamento contínuo periódico com frenagem elétrica(S7): Sequência de ciclos de regimes idênticos, cada qual consistindo de um período de partida, de um período de funcionamento a carga constante e um período de frenagem elétrica, não existindo o período de repouso. - Regime de funcionamento contínuo com mudança periódica na relação carga/velocidade de rotação (S8): Sequência de ciclos de regimes idênticos, cada ciclo consistindo de um período de partida e um período de funcionamento a carga Máquinas Elétricas e Transformadores 82 constante, correspondendo a uma determinada velocidade de rotação, seguidos de um ou mais períodos de funcionamento a outras cargas constantes, correspondentes a diferentes velocidades de rotação. Não existe período de repouso. - Regimes especiais: Onde a carga pode variar durante os períodos de funcionamento, existe reversão ou frenagem por contracorrente, etc., a escolha do motor adequado, deve ser feita mediante consulta à fábrica e depende de uma descrição completa do ciclo. 6.2 MOTOR DE INDUÇÃO MONOFÁSICO Os motores de indução monofásicos possuem uma grande aplicabilidade e funcionalidade, que se estendem desde as nossas residências até as indústrias e seus equipamentos giratórios. São especificados para aplicações de baixa potência devido a sua restrição de projeto e uso de apenas uma fase de corrente alternada. O motor monofásico possui estator e rotor como qualquer outro atuador eletromagnético. Porém, por se tratar de um componente monofásico possui apenas um conjunto de bobinas, análogo a visão de apenas uma fase de um motor trifásico de indução. O motor monofásico utiliza o bobinamento para um rotor gaiola de esquilo. Figura 75 - Motor de indução monofásico. 6.2.1 Princípio de funcionamento O funcionamento do motor monofásico apresenta algumas peculiaridades devido a sua forma, pois no lugar de uma bobina concentrada, o enrolamento está disposto em ranhuras para produção de uma fmm quase senoidal. Máquinas Elétricas e Transformadores 83 Essa fmm produzida faz com que o motor não apresente um conjugado de partida, devido ao cancelamento mútuo dela. É dito que o motor monofásico não apresenta campo girante, mas um campo magnético pulsante. Para início do funcionamento o motor necessitará de meios auxiliares, como enrolamentos auxiliares e o emprego de um capacitor para dar origem a uma segunda fase falsa, possibilitando a origem de um campo girante e conjugado suficiente para fazê-lo sair do repouso. A corrente no enrolamento auxiliar possibilita ao se juntar com a corrente do enrolamento principal, um campo magnético girante no estator. Dada a partida do motor, uma chave desliga o enrolamento auxiliar e nestes casos o conjugado de partida ainda é moderado. Como solução, para criar um conjugado suficiente para determinadas aplicações, é feito emprego de um capacitor em série com o enrolamento auxiliar. Na figura 61, está representado o circuito elétrico equivalente deste processo. Figura 76 - Diagrama esquemático do motor. Representando o enrolamento de trabalho (Et), enrolamento auxiliar (Ea) e Capacitor (C). Se utilizados dois capacitores, um para partido outro para trabalho, é possível obter resultados muito bons com relação a partida e a trabalho. Ligando o capacitor permanentemente com o enrolamento auxiliar para uma melhoria no trabalho (capacitância pequena) e um em paralelo ao de trabalho para uma eventual melhora na partida, sendo o último desligado do sistema após o motor atingir a velocidade de trabalho. Esse princípio de utilização de um enrolamento auxiliar para partida só é possível se os enrolamentos estiverem defasados em 90 graus elétricos e ter FMM’s iguais. Pois se o grau de defasagem for inferior a 90 graus, como diz Del Toro (1999, p. 349) “um Máquinas Elétricas e Transformadores 84 campo girante pode ainda ser desenvolvido, mas o lugar geométrico do vetor de fluxo resultante será uma elipse e não um círculo.”, o que comprometeria todo o funcionamento do motor. Para inversão do sentido de giro do motor, basta inverter a ligação do enrolamento auxiliar. Tal ação fará o campo ter outro sentido, se antes sentido horário, ao inverter a ligação do enrolamento, será sentido anti-horário. 6.3 EXERCÍCIOS 1) Determine a velocidade mecânica de um motor de 6 polos, frequência de 60 Hz e escorregamento de 4%. R.: nrotor = 1152 rpm. 2) Um motor de indução trifásico, 5 HP, 208 V, 60 Hz, gira a 1746 rpm a plena carga. Determinar o escorregamento correspondente à velocidade nominal. 3) Determine o escorregamento de um motor com velocidade nominal de 1720rpm, 4 polos e 60 Hz. R.: s = 4,44%. 4) Um motor de indução trifásico tem 6 polos. Sendo 60Hz a freqüência da rede, pede-se: a) a velocidade do campo magnético girante. b) a velocidade do rotor para um escorregamento de 3%. R.: 1200rpm, 1164rpm 5) Um motor trifásico de indução de 6 pólos é alimentado com tensão de 220V, 50 Hz e gira a 1120 rpm. Qual o seu escorregamento? R.: 8%. 6) Como funciona a o motor de indução? 7) Qual a importância dos métodos de partida de um motor de indução, como a partida estrela-triângulo? Cite outro método de partida existente? 8) Para um motor que possui suas bobinas preparadas para uma tensão nominal de 220V, qual o fechamento correto desta máquina de indução, caso a tensão de linha disponível seja 380V fase-fase? Desenhe o fechamento. E se a tensão disponível for 220V fase-fase? 9) A placa de identificação a seguir é de um motor de indução. Identifique os seguintes dados: a) Potência em cv: b) rotação nominal: Máquinas Elétricas e Transformadores 85 c) A proporção de corrente de partida em relação à corrente nominal, na partida direta: d) Grau de isolação: e) Corrente para fechamento em 110V: 10) Como um motor de indução monofásico consegue partir? Máquinas Elétricas e Transformadores 86 7 OUTROS TIPOS DE MOTORES 7.1 MOTOR DE PASSO O motor de passo é um dispositivo eletromecânico possui polos magnéticos compostos por enrolamentos, os quais são diretamente relacionados ao número de passo que o motor é capaz de dar. Portanto é possível dizer que o motor de passo é um transdutor que converte pulsos elétricos em movimento de rotação. A sequência de pulsos elétricos aplicados em seus polos é diretamente relacionada à direção de rotação do rotor/eixo. O controle desses pulsos é feito por meio de dispositivos eletrônicos denominados de controlador e drive. Esses são responsáveis por adequar os pulsos de acordo com a necessidade, ou seja, são circuitos que possuem suas saídas ligadas aos polos do motor de passo, os quais quando excitados fazem o motor girar. Figura 77 - Motor de passo real; energização; método de acionamento. Os Motores de passo apresentam vantagens e desvantagens. Uma das vantagens a ser destacada é a operação em sistema de malha aberta, que significa que não é necessário que o sistema seja realimentado com informações referentes ao motor de passo, como posição ou velocidade. Evitando o emprego de dispositivos dedicados a fornecer essas informações, como o tacômetro e o encoder. Bastando apenas ser feito um controle a partir da saída do trem de pulsos que alimentam o Máquinas Elétricas e Transformadores 87 motor. Devido a vantagens como essas, o motor de passo é amplamente empregado nos setores da informática e indústria em geral. E as desvantagens são: Ocorrência de ressonâncias caso não tenha um controle adequado e não é fácil de operar quando em altas velocidades. Exemplo: Para um motor com 200 passos ou 200 posições, cada passocorresponde a um incremento de 1,8º. Ou seja, cada vez que esse motor recebe um pulso de corrente na alimentação, sua posição é incrementada ou decrementada de 1,8º. 7.2 SERVOMOTOR O Servo motor é muito utilizado em controle de precisão em projetos de automação industrial. É uma máquina eletromecânica que apresenta movimento proporcional a um comando enviado por dispositivo externo. No passado, quem ouvia falar em servo motor imaginava sua aplicação somente em projetos especiais com necessidade de controle preciso de torque, velocidade e posição. No entanto, atualmente observa-se que cada vez mais seu custo vem se reduzindo fazendo com que ele seja uma excelente alternativa em substituição a acionamentos com motores de indução, atuadores hidráulicos e pneumáticos. Figura 78 - Servo motor industrial. Embora os Servo motores não sejam uma classe específica de motor (podem ser CC ou CA, síncrono ou de indução), eles são destinados e projetados para uso em aplicações de controle de movimento que exigem posicionamento de alta precisão, reversão rápida e desempenho excepcional. Sendo assim, eles são amplamente utilizados em robótica, sistemas de radar, sistemas de fabricação automatizados, máquinas-ferramentas, computadores, sistemas de rastreamento, etc. Máquinas Elétricas e Transformadores 88 Definição e funcionamento A principal diferença entre um servo motor e os outros motores (tanto de CA quanto CC) é que os servos possuem incorporado neles um encoder e um controlador. Ou seja, os servos nada mais são do que motores comuns com controladores e encoder acoplados. O servo motor trabalha com servomecanismo que usa o feedback de posição para controlar a velocidade e a posição final do motor. Internamente, um servo motor combina um motor com um circuito de realimentação, um controlador e outros circuitos complementares. Ele usa um codificador ou sensor de velocidade (encoder) que tem a função de fornecer o feedback de velocidade e posição. Figura 79 - Sinal de controle de servomotor. O sinal de realimentação por sua vez é comparado com a posição de comando de entrada (posição desejada do motor correspondente a uma carga) e produz o sinal de erro (caso houver uma diferença entre eles). O sinal de erro disponível na saída do detector de erro não é suficiente para acionar o motor. Assim, o detector de erro alimenta um servo amplificador que eleva a tensão e o nível de potência do sinal de erro e então gira o eixo do motor para a posição desejada. Figura 80 - Diagrama de funcionamento do servomotor. Máquinas Elétricas e Transformadores 89 7.3 MOTOR UNIVERSAL Chama-se motor universal um tipo de motor que funciona tanto em CC quanto em CA. Esse tipo de motor é o motor mais empregado e está presente em máquinas de costura, liquidificadores, enceradeiras e outros eletrodomésticos, e também em máquinas portáteis, como furadeira, lixadeira e serras. Na verdade, um motor universal é um motor CC com excitação série, ou seja, um motor CC cujos enrolamentos de campo e de armadura estão conectados em série, podendo, portanto, ser alimentado por uma única fonte, que pode ser contínua ou alternada monofásica. A figura 81 mostra o modelo de um motor universal. Figura 81 - Modelo de motor universal. Esse motor quando alimentado por tensão contínua funciona como um motor CC descrito anteriormente. Porém, ao ser alimentado por tensão alternada senoidal monofásica o motor funciona do mesmo jeito, pois as correntes de campo e de armadura são as mesmas (enrolamentos estão em série) e quando uma muda sua polaridade, a outra muda ao mesmo tempo. Máquinas Elétricas e Transformadores 90 Figura 82 - Funcionamento do motor universal. Em outras palavras, o sentido do fluxo produzido pelo campo e o sentido da corrente de armadura mudam ao mesmo tempo, mantendo o sentido da força eletromagnética e, portanto, do torque. É possível inverter o sentido do movimento de rotação desse tipo de motor, invertendo-se apenas as ligações das escovas, ou seja, a bobina ligada à escova A deverá ser ligada à escova B e vice-versa. 7.4 DAHLANDER Os motores Dahlander têm sido usados em máquinas e equipamentos diversos, onde há necessidade de mais de uma velocidade, como pontes rolantes, esteiras, máquinas-ferramenta com tornos, retíficas entre outros. Por sua facilidade de controle, vêm sempre mantendo seu espaço na indústria, mesmo com toda tecnologia desenvolvida no controle de velocidade de motores AC (Inversores). Definição e Funcionamento O motor Dahlander é um motor trifásico que permite a variação de velocidade através da comutação de polos. A ligação Dahlander permite uma relação de polos de 1:2, o que corresponde a mesma relação de velocidade. Quando a quantidade de polos é maior a velocidade é mais baixa, quando é menor a velocidade é mais alta. Isso decorre da equação 19, 𝑛𝑠(𝑟𝑝𝑚) = 120.𝑓 𝑝 , quando a frequência é 60 Hz, onde n é a velocidade, p é o número de polos, s é o escorregamento e f, a frequência Máquinas Elétricas e Transformadores 91 Figura 83 - Esquemas de ligação do Motor Dahlander. Figura 84 - Tipo de fechamento e Placa de identificação de um Motor Dahlander. Máquinas Elétricas e Transformadores 92 8 REFERÊNCIAS KOSOW, Irving L. – Máquinas Elétricas e Transformadores – 13ª edição – São Paulo – Editora Globo - 1998 P. C. SEN; Principles of Electric Machines and Power Electronics, Second Edition, 1996. FITZGERALD, A. E.; KINGSLEY, Charles; UMANS, Stephen D. tradução Anatólio Laschuk. Máquinas Elétricas: Com introdução a eletrônica de potência. 6ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. MARQUES. L. S. B. Apostila de Máquinas Elétricas. Instituto Federal de Santa Catarina. Campus Joinville. Julho de 2013. Geradores e Motores CC. Professor Gileno José de Vasconcelos. Eletrotécnica. CEFET Mossoró. Rio Grande do Norte. Outubro de 2006. Máquinas Elétricas. Centro de Formação Profissional Pedro Martins Guerra. Itabira. 2004. Motores Elétricos: Princípios e Funcionamento. Professor Paulo Roberto Pinto da Fonseca Júnior. Universidade de Taubaté. Taubaté. 2009. Eletromagnetismo. InfoEscola. Disponível em http://www.infoescola.com/fisica /eletromagnetismo/ . 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