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PRÁTICA DE ENSINO – INTRODUÇÃO À DOCÊNCIA
A educação é, como outras, uma fração do modo de vida dos grupos sociais que a criam e recriam, 
entre tantas outras invenções de sua cultura, em sua sociedade. Formas de educação que produzem e 
praticam, para que elas reproduzam, entre todos os que ensinam-e-aprendem, o saber que atravessa as 
palavras da tribo, os códigos sociais de conduta, as regras do trabalho, os segredos da arte ou da religião, 
do artesanato ou da tecnologia que qualquer povo precisa para reinventar, todos os dias, a vida do grupo 
e a de cada um de seus sujeitos, através de trocas sem fim com a natureza e entre os homens, trocas 
que existem dentro do mundo social onde a própria educação habita, e desde onde ajuda a explicar – às 
vezes a ocultar, às vezes a inculcar – de geração em geração, a necessidade da existência de sua ordem.
Por isso mesmo – e os índios sabiam – a educação do colonizador, que contém o saber de seu modo 
de vida e ajuda a confirmar a aparente legalidade de seus atos de domínio, na verdade não serve para 
ser a educação do colonizado. Não serve e existe contra uma educação que ele, não obstante dominado, 
também possui como um dos seus recursos, em seu mundo, dentro de sua cultura.
Assim, quando são necessários guerreiros ou burocratas, a educação é um dos meios de que os 
homens lançam mão para criar guerreiros ou burocratas. Ela ajuda a pensar tipos de homens. Mais 
do que isso, ela ajuda a criá-los, através de passar de uns para os outros o saber que os constitui e 
legitima. Mais ainda, a educação participa do processo de produção e crenças e ideias, de qualificações 
e especialidades que envolvem as trocas de símbolos, bens e poderes que, em conjunto, constroem tipos 
de sociedades. E esta é a sua força.
No entanto, pensando às vezes que age por si próprio, livre e em nome de todos, o educador imagina 
que serve ao saber e a quem ensina, mas, na verdade, ele pode estar servindo a quem o constituiu 
professor, a fim de usá-lo, e ao seu trabalho, para os usos escusos que ocultam também na educação – 
nas suas agências, suas práticas e nas ideias que ela professa – interesses políticos impostos sobre ela e, 
através de seu exercício, à sociedade que habita. E esta é a sua fraqueza.
Aqui e ali será preciso voltar a estas ideias, e elas podem ser como que um roteiro daqui para a 
frente. A educação existe no imaginário das pessoas e na ideologia dos grupos sociais e, ali, sempre 
se espera, de dentro, ou sempre se diz para fora, que a sua missão é transformar sujeitos e mundo 
em alguma coisa melhor, de acordo com as imagens que se tem de uns e outros: “... e deles faremos 
homens”. Mas, na prática, a mesma educação que ensina pode deseducar, e pode correr o risco de 
fazer o contrário do que pensa que faz, ou do que inventa que pode fazer: “... eles eram, portanto, 
totalmente inúteis”.
Fonte: BRANDÃO (1993)
7.1.1 Principais questões para reflexão
• Se é verdade que “ninguém escapa da educação”, como se explica a expressão “falta de educação”?
• Os índios das Seis Nações iniciam a sua carta com a expressão com “... Nós estamos convencidos, 
portanto, que os senhores desejam o bem para nós e agradecemos de todo o coração”. Seria um 
sinal de ingenuidade? Explique seu ponto de vista.
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• “Diferentes nações têm concepções diferentes das coisas”. Que relação há entre as diferentes 
nações e as diferentes educações de cada povo?
• A nação brasileira apresenta apenas uma educação?
• “... Muitos dos nossos bravos guerreiros foram formados nas escolas do Norte (...). Mas, quando 
eles voltavam para nós, eles eram (...) totalmente inúteis. Nos enviem alguns dos seus jovens, que 
lhes ensinaremos tudo o que sabemos e faremos, deles, homens”. Como se insere a educação no 
processo de dominação de uma nação pela outra?
• “Não há uma forma única nem um único modelo de educação; a escola não é o único lugar onde 
ela acontece e talvez nem seja o melhor; o ensino escolar não é a sua única prática e o professor 
profissional não é o seu único praticante”. Considerando-se esta afirmação, qual o papel da escola 
no processo educacional de um povo?
• “Existe a educação de cada categoria de sujeitos de um povo; ela existe em cada povo, ou entre 
povos que se encontram. Existe entre povos que submetem e dominam outros povos, usando a 
educação como um recurso a mais de sua dominância”. Com base nesta afirmação, como seria 
possível definir, em poucas palavras, a educação do Brasil?
• A educação “pode existir imposta por um sistema centralizado de poder, que usa o saber e o 
controle sobre o saber como armas que reforçam a desigualdade entre os homens”. Se há um 
controle sobre o saber, como ter certeza de que o que se aprende nas escolas é verdade?
• “A educação do colonizador, que contém o saber de seu modo de vida e ajuda a confirmar a aparente 
legalidade de seus atos de domínio, na verdade não serve para ser a educação do colonizado. Não 
serve e existe contra uma educação que ele, não obstante dominado, também possui como um dos 
seus recursos, em seu mundo, dentro de sua cultura”. Diante desta afirmação, o que dizer sobre o 
atual estágio da educação brasileira? Reflete a educação do vencedor ou do vencido? A educação 
que nós recebemos, então, não é a única possível? Explique seu ponto de vista.
• “... quando são necessários guerreiros ou burocratas, a educação é um dos meios de que os homens lançam 
mão para criar guerreiros ou burocratas. Ela ajuda a pensar tipos de homens. Mais do que isso, ela ajuda 
a criá-los, através de passar de uns para os outros o saber que os constitui e legitima”. Faça uma relação 
entre esta afirmação e o processo de globalização, atualmente em curso em nosso planeta.
• “... pensando às vezes que age por si próprio, livre e em nome de todos, o educador imagina que 
serve ao saber e a quem ensina, mas, na verdade, ele pode estar servindo a quem o constituiu 
professor, a fim de usá-lo, e ao seu trabalho, para os usos escusos que ocultam também na 
educação”. Qual a importância do professor/educador na formação ou na transformação da 
sociedade em que ele se insere?
• A missão da educação “é transformar sujeitos e mundo em alguma coisa melhor, de acordo com as 
imagens que se tem de uns e outros (...) e deles faremos homens”. Mas, na prática, a mesma educação 
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que ensina pode deseducar, e pode correr o risco de fazer o contrário do que pensa que faz, ou do 
que inventa que pode fazer: “... eles eram, portanto, totalmente inúteis”. Comente esta frase.
7.2 O fax do Nirso
O gerente de vendas recebeu o seguinte fax de um dos seus novos vendedores:
Seo Gomis,
O criente de Beozonte pidiu mais cuatrucenta pessa. Faz favor toma as providenssa,
Abrasso,
Nirso
Aproximadamente uma hora depois recebeu outro:
Seo Gomis,
Os relatório di venda vai xega atrazado proque to fexando umas venda. Temo qui manda umas treis 
mil pessa. Amanhã to xegando.
Abrasso,
Nirso
No dia seguinte:
Seo Gomis,
Num xeguei pucausa de que vendi maiz deis mil em Beraba.
To indu pra Brasilha.
Abrasso,
Nirso
No outro:
Seo Gomis,
Brasilha fexo 20 mil. Vo pra Froniloplis e de la pra Sum Paulo no vinhâo das cete hora.
Abrasso,
Nirso
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E assim foi o mês inteiro. O gerente, muito preocupado com a imagem da empresa, levou ao presidente 
as mensagens que recebeu do vendedor. O presidente escutou atentamente o gerente e disse: “Deixa 
comigo, que eu tomarei as providências necessárias”.
E tomou. Redigiu de próprio punho um aviso e o afixou no mural da empresa, juntamentecom as 
mensagens de fax do vendedor:
A parti de oje, nois tudo vamo fazê feito o Nirso. Si priocupá menos em iscrevê serto, mod vendê 
maiz.
Acinado, O Prizidenti.
(Autor Desconhecido)
7.2.1 Principais questões para reflexão
• A educação escolar está perdendo espaço no mercado de trabalho?
• Num mercado competitivo, todo profissional precisa de um diferencial para ocupar determinadas 
posições e ascender na carreira. Por vezes, este diferencial é representado por um ou mais 
diplomas. Com base no texto e nesta afirmação, analise o papel da educação formal no mercado 
de trabalho.
• Alguns estudiosos afirmam que a educação evolui num ritmo muito lento em relação a 
outros elementos da sociedade. Que aspectos devem, então, ser ressaltados na educação 
para que ela acelere sua evolução e consiga acompanhar o ritmo dos outros elementos 
sociais?
7.3 A História de Chapeuzinho Vermelho (na versão do lobo)
Esta história será contada de uma maneira não tradicional.
Certa manhã, estava eu passeando pela minha casa – sim, porque eu não sei se vocês sabem, mas a 
floresta é a minha casa – e, de repente, deparei com uma visão terrível.
Vi uma menina vestida com uma roupa vermelha horrorosa, com um chapéu vermelho igualmente 
horroroso, carregando uma cesta cheia de produtos embalados com material plástico, que leva milhares 
de anos para se desintegrar na natureza.
Imaginei que ela fosse fazer um piquenique ou coisa parecida e pensei: não posso permitir que ela 
deixe aquele material jogado pela mata. Ela vai sujar a minha casa e dos meus companheiros de floresta. 
Vou tentar preveni-la dos cuidados ecológicos fundamentais. Por outro lado, que descuidados são esses 
humanos: deixar uma menina tão pequena passear pela floresta desse jeito, correndo o perigo de ser 
apanhada por algum predador (dentre os quais eu me incluo).

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