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Rita - trabalho final

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Questões resolvidas

A ENTREVISTA NOS PROCESSOS DE TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL

ETAPAS DA ENTREVISTA

Segundo as autoras, o desenvolvimento da entrevista é realizado a partir de algumas etapas, sendo elas: o planejamento; estabelecimento da finalidade da entrevista, os objetivos e o instrumento da coleta de dados; e, por fim, a delimitação do local e horário da entrevista.
A primeira etapa se refere a organização da ação profissional, respeitando os ad dimensões teórica, técnicas e ético-políticas. O planejamento é uma mediação teórico-metodológica, assim, o assistente social deve conhecer e informar ao usuário sobre a política social especifica da instituição na qual se encontra, para que seja possível atender a demanda requisitada.
A segunda etapa da entrevista é a sua execução, ou seja, a coleta de dados sejam eles mais técnicos, como nome, endereço, idade, etc., ou mais analíticos, como a identificação demandas apresentadas pelos usuários. Tais dados servirão para que, posteriormente, haja alguma forma de sistematização dessas informações, para avaliação da prática profissional, levantamento do perfil do usuário, etc., na qual, a partir referenciais teóricos, provocará à produção de novos conhecimentos.
Por fim, a terceira etapa diz respeito ao registro da entrevista, que além de ser um direito do usuário acesso a documentação de seu atendimento, tem como objetivo compartilhá-lo para a equipe multiprofissional a fim de concretizar uma prática mais completa e qualificada. Por isso é necessário que se utilize uma linguagem clara e objetiva.


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Questões resolvidas

A ENTREVISTA NOS PROCESSOS DE TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL

ETAPAS DA ENTREVISTA

Segundo as autoras, o desenvolvimento da entrevista é realizado a partir de algumas etapas, sendo elas: o planejamento; estabelecimento da finalidade da entrevista, os objetivos e o instrumento da coleta de dados; e, por fim, a delimitação do local e horário da entrevista.
A primeira etapa se refere a organização da ação profissional, respeitando os ad dimensões teórica, técnicas e ético-políticas. O planejamento é uma mediação teórico-metodológica, assim, o assistente social deve conhecer e informar ao usuário sobre a política social especifica da instituição na qual se encontra, para que seja possível atender a demanda requisitada.
A segunda etapa da entrevista é a sua execução, ou seja, a coleta de dados sejam eles mais técnicos, como nome, endereço, idade, etc., ou mais analíticos, como a identificação demandas apresentadas pelos usuários. Tais dados servirão para que, posteriormente, haja alguma forma de sistematização dessas informações, para avaliação da prática profissional, levantamento do perfil do usuário, etc., na qual, a partir referenciais teóricos, provocará à produção de novos conhecimentos.
Por fim, a terceira etapa diz respeito ao registro da entrevista, que além de ser um direito do usuário acesso a documentação de seu atendimento, tem como objetivo compartilhá-lo para a equipe multiprofissional a fim de concretizar uma prática mais completa e qualificada. Por isso é necessário que se utilize uma linguagem clara e objetiva.


Prévia do material em texto

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO - UFRJ
ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL
A ENTREVISTA NOS PROCESSOS DE TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL
BEATRIZ BORGES
FERNANDA SISINNO
HELENA KIRA
MARCELLI MARCIANA
MARIANA LOPES
  
  
 
 
 
 Rio de Janeiro – RJ  
Dezembro/2016  
“Entrevistas podem servir de máscara ou de zíper:
Uns se escondem, outros se abrem.”
(Martha Medeiros)
INTRODUÇÃO
O texto sugerido para o presente trabalho “A entrevista nos processos de trabalho do assistente social” produzido por duas assistentes sociais, professoras e doutoras da Faculdade de Serviço Social da PUCRS, Alzira Maria Baptista Lewgoy e Esalba Maria Carvalho Silveira, foi escrito após alguns questionamentos trazidos por seus alunos sobre a instrumentalidade como elemento essencial no processo de formação profissional, portanto, como supervisoras acadêmicas e assistentes sociais, produziu-se o artigo a respeito do instrumento mais frequente do cotidiano profissional, a entrevista.
 Após a leitura, tornaram-se possíveis a compreensão e a análise deste instrumento, de modo mais qualificado e humanizado, longe de uma prática tecnicista. Ao longo do texto, as autoras propõem uma série de técnicas para a realização das entrevistas de modo mais qualificado, fundamentado no respeito pelos usuários e compreensão das demandas apresentadas, diante das três dimensões da intervenção profissional: ético-política, teórico-metodológica e técnico-operativa.
Dessa forma, há diversas maneiras de atuação utilizando o mesmo instrumento, e é por isso que, a partir dos princípios e diretrizes do código de ética do assistente social, o profissional tem o papel de entender que cada usuário é possuidor de uma historicidade, sendo único e com suas particularidades, para que possa eleger a técnica que mais plausível para o desenvolvimento da entrevista em Serviço Social.
O CONTEXTO DA ENTREVISTA NO SERVIÇO SOCIAL
A entrevista é um instrumento da prática profissional do assistente social por aglomerar inúmeros elementos essenciais para a intervenção, por isso, é utilizada desde o surgimento da profissão. 
No período em que Mary Richmond escreveu a sua obra “Diagnóstico Social” em 1950, a primeira entrevista tinha a função de ser algo mais filantrópico e de julgamento, por ser o momento em que se iniciaria a relação entre entrevistado e entrevistador, onde a assistente social teria que escutar o que fosse necessário, ser paciente e carinhosa. Outra publicação bastante interessante foi o livro de Anette Garret (1988), segundo ela a entrevista era uma “conversa profissional” por ser desenvolvida por um profissional do Serviço Social e um usuário. Entretanto, já se discutia que apenas a entrevista não seria capaz de abranger toda a prática profissional, seria necessário também a dimensão, hoje, chamada de teórico-metodológica.
A partir daí diversos autores e profissionais definiram o que, para eles, seria a entrevista. Balbina Ottoni Vieira, por exemplo, entende que a entrevista seja a mediação das relações com o “cliente” e imprescindíveis ao “tratamento social. Já Kisnermam (1978), conceituando a entrevista, diz que ela é o “meio de trabalho que permite estabelecer uma relação profissional, um vínculo intersubjetivo e interpessoal entre duas ou mais pessoas, estabelecendo como diferencial, em seu uso, a maneira e a intenção de quem a pratica”. Por fim, Carvalho (1991), baseado na fenomenologia existencial de Merleau-Ponty, defende que a entrevista o meio no qual o assistente social realizará a leitura da realizada, a partir da fala do usuário. 
É, pois, notável que a entrevista, desde os primórdios da profissão, foi um instrumento bastante utilizado e discutindo no âmbito da prática profissional, por isso é importante saber utilizar tal ferramenta com uma técnica atrelada a dimensão teórico-metodológica ético-politica. Como ilustram as autoras, “a entrevista é um dos instrumentos que possibilita a tomada de consciência pelos assistentes sociais das relações e interações que se estabelecem entre a realidade e os sujeitos, eles individuais ou coletivos.”
ETAPAS DA ENTREVISTA
	Segundo as autoras, o desenvolvimento da entrevista é realizado a partir de algumas etapas, sendo elas: o planejamento; estabelecimento da finalidade da entrevista, os objetivos e o instrumento da coleta de dados; e, por fim, a delimitação do local e horário da entrevista.
	A primeira etapa se refere a organização da ação profissional, respeitando os ad dimensões teórica, técnicas e ético-políticas. O planejamento é uma mediação teórico-metodológica, assim, o assistente social deve conhecer e informar ao usuário sobre a política social especifica da instituição na qual se encontra, para que seja possível atender a demanda requisitada. 
	A segunda etapa da entrevista é a sua execução, ou seja, a coleta de dados sejam eles mais técnicos, como nome, endereço, idade, etc., ou mais analíticos, como a identificação demandas apresentadas pelos usuários. Tais dados servirão para que, posteriormente, haja alguma forma de sistematização dessas informações, para avaliação da prática profissional, levantamento do perfil do usuário, etc., na qual, a partir referenciais teóricos, provocará à produção de novos conhecimentos.
	Por fim, a terceira etapa diz respeito ao registro da entrevista, que além de ser um direito do usuário acesso a documentação de seu atendimento, tem como objetivo compartilhá-lo para a equipe multiprofissional a fim de concretizar uma prática mais completa e qualificada. Por isso é necessário que se utilize uma linguagem clara e objetiva.
TÉCNICAS DA ENTREVISTA
A técnica é algo que está presentem em qualquer processo de trabalho, não apenas do profissional do Serviço Social, mas como em todas as profissões. As técnicas para o desenvolvimento das entrevistas, mais especificamente, se fundamenta no “processo de transformação de um objeto determinado, em um produto determinado, transformação efetuada por uma atividade humana determinada, utilizando instrumentos de trabalho determinados como direcionado na dimensão da produção dos serviços”, segundo Harnecker (1983, p. 32). Ou seja, o trabalho do assistente social é realizado a partir das relações sociais adquiridas e apresentadas, estabelecidas a partir do primeiro contato entre o profissional e o usuário, através da entrevista. É por meio delas que se torna possível estabelecer a relação entre o trabalhador e o objeto a ser transformado e as escolhas das técnicas serão realizadas de acordo com o objetivo e o usuário do encontro, podendo ser utilizadas mais de uma técnica para a mesma intervenção.
Um aspecto de extrema importância para a realização de uma entrevista é a capacidade de escuta, sem ela não haverá diálogo e troca de conhecimento, mas sim algo que foge da prática reflexiva.
 ENTREVISTA E A PRÁTICA REFLEXIVA DO ASSISTENTE SOCIAL
No texto “Serviço Social e a prática reflexiva”, de Ana Maria Vasconcelos, a autora nos conta sobre a informação que é tão amplamente produzida acerta do público alvo do assistente social, mas pouco divulgada entre os próprios usuários. A socialização de informações é uma prerrogativa de nossa prática profissional, que contribui inclusive para o fortalecimento da democracia e da igualdade. Podemos dizer que a entrevista é o principal instrumento para que a socialização ocorra, pois é nesse momento que o contato com o usuário é mais intenso. É na entrevista (também) que o assistente social tem a possibilidade de compartilhar conhecimentos, saberes e informações com o usuário. 
A autoria diz também que a socialização da informação se enquadra numa competência teórico, política, ética e técnico-operativa. No decorrer do texto, a autora fala sobre as técnicas que podem ser utilizadas na prática profissional, sempre na intenção de informar, fazer refletir, dar autonomia ao usuário. Ou, às vezes, apenas ouvir atentamente o que o indivíduo tem para contar, pois apenas esse ato já alivia tensões e é de grande benefício. 
Além disso, conforme foi visto em sala de aula, osassistentes sociais devem enxergar os usuários como sujeitos de sua própria história, como capazes de decidir o que é melhor para si. Logo, não é adequado que o assistente social, durante a entrevista, tente impor ao usuário o que ele acha que é certo. O ideal é levar o sujeito a reflexão, mostrando caminhos e possibilidades, para que ele mesmo, a partir de seus próprios preceitos e ideias decida a melhor atitude a tomar. O assistente social pode buscar interrelações entre o que o usuário traz, sinalizando contradições mostrando compreender que, por exemplo, quando ele percebe assistência concreta (cadeira de rodas, remédios, etc.), aquilo não é uma doação ou um favor do assistente social/instituição, mas sim um direito que ele possui. Quando o usuário adquire essa noção de direito, ele tem condições de reivindicar e tornar-se sujeito.
A sumarização é uma prática muito importante no momento da entrevista, pois permite ao assistente social construir um diálogo linear, porém conduzindo o assunto e enfatizando os aspectos identificados como importantes e que merecem uma maior reflexão. O profissional no momento da entrevista não presta papel de um amigo bom ouvinte e além de não impor ao entrevistado o que acha certo, também deve ter a responsabilidade de apresentar possível propostas para que os usuários saibam o porquê de retornar ao serviço e quais expectativas alimentar. A devolução das perguntas feitas pelo entrevistado é um modo de agir com o instrumento muito útil para estimular a reflexão, pois possibilita ao usuário analisar, segundo seus conceitos e crenças, a questão que está levantando. O assistente social não é o profissional que fornece respostas práticas e rápidas, e isso é observado pelo entrevistado quando o mesmo se vê levado a refletir sobre suas próprias indagações ao invés de receber instruções de como agir. Num momento inicial, durante a entrevista, é importante que o entrevistador aproveite o material comunicado pelo usuário para formular suas perguntas, conduzindo o diálogo de forma que o entrevistado sinta que está sendo ouvido e atentar às questões postas pelo entrevistado mais do que simplesmente focar no material que a análise da realidade produz. Perguntas essas que não deverão ser carregadas de julgamentos, sugestões e interpretações, facilitando a investigação e análise das demandas apresentadas.
O textp da Ana Vasconcelos também nos atenta aos significados do silêncio que também foi trabalhado no texto do presente trabalho. Mas Vasconcelos aponta para outros significados do silêncio, como o silêncio inicial, numa entrevista, por exemplo, que se dá pelo usuário não saber ou não ter clareza do que vai acontecer com ele e do porque está ali, não se sentindo seguro para se envolver num diálogo. O assistente social parece ter que “arrancar-lhe” as palavras. É importante, desde o início do contato, deixar claro a finalidade daquele encontro, quais objetivos do diálogo, assim como comunicar previamente ao entrevistado caso haja a necessidade de atender algum telefone no decorrer da entrevista ou até mesmo se algumas anotações serão feitas e por que. Algumas pessoas se sentem intimidades com o fato de assistente social estar fazendo determinadas anotações, se sentindo coagidas, com medo de o que está sendo escrito lhe prejudicar e por vezes se calam ou omitem certas informações; assim como mexer no telefone ou atender uma ligação pode causar uma quebra de troca de informação que estava sendo feita, denotando uma falta de interesse por parte do entrevistador para com o entrevistado. 
A clareza do que será feito faz com que o entrevistado se sinta seguro para quebrar o silêncio. Diferente do que foi tratado como “silêncio sensível”, há silêncios causados por situações constrangedoras, por exemplo. É importante ao entrevistador usar esses momentos silenciosos até mesmo como reflexão para si e avaliar como está conduzindo a entrevista, se está colaborando para a entrevista fluir ou se está deixando o entrevistador tímido e coagido.
A seguir apresentaremos algumas dessas técnicas que as autoras Lewgoy e Silveira sugerem para o desenvolvimento das entrevistas, “tendo em vista um projeto profissional conscientemente formulado, no qual os meios de trabalho figuram como mediação entre o assistente social e a ação de transformação”, como elas mesmas definem.
1. Acolhimento
O acolhimento é uma técnica que deve ser utilizada na primeira entrevista, onde o entrevistador se apresenta e explica para o entrevistado o motivo da entrevista e todas suas etapas, abrindo espaço para sua, também, apresentação e questões. Porém, segundo as autoras, “também é processo, é transversal às demais técnicas, compondo a tecnologia de construção de sujeitos que se reconheçam como portadores de direito”, ou seja, é um processo com inúmeros aspectos que têm o objetivo de atender à demanda ligada à integralidade do usuário, tanto na dimensão individual como na coletiva.
No entanto, acolhimento não é sinônimo de informalidade ou de compaixão e ajuda, por isso deve-se evitar “vícios” de linguagem e de tratamento, como chamar alguma idosa de “avó”, isso porque, de modo geral, esses tipos de designações “escondem, através de uma máscara pseudocarinhosa, e um processo de não individualização dos sujeitos”, tornando-se o atendimento algo mecanizado e forçado.
É recomendável também evitar o uso de expressões nas quais o profissional tenta passar o usuário sua compaixão, como “Eu entendo o que está dizendo”, ou “imagino como este período está sendo difícil”, isso porque, como dizia Lia Luft “Da minha dor sei eu”, ou seja, não se pode e nem deve generalizar a história e a vivência de cada indivíduo. Dizer o contrário, a partir de frases de motivadoras, como “Seja forte, tudo vai dar certo” também não é a melhor saída, é importante passar ao usuário uma esperança com bases realistas, isso porque o acolhimento implica no princípio de realidade e expectativas no âmbito das possibilidades e não dos desejos.
 
2. Questionamento
Para quem a entrevista não se pareça com algo burocrático, ou apenas um exercício de perguntas e respostas curtas, exige-se do profissional do Serviço Social uma capacidade de saber lidar com as perguntas e respostas.
Essa técnica é mais comum nas primeiras entrevistas, devido a coleta de dados, porém pode ser utilizada em qualquer etapa da intervenção. 
É importante que assistente social mantenha o foco no objetivo da entrevista e, assim, guie o usuário para responder ao o que é solicitado. Para isso existem alguns métodos que podem ser utilizados, como as perguntas mais abertas, que fazem com que o entrevistado discorra mais sobre o assunto e não apenas responda de forma monossilábica; a confirmação é outro artifício que demonstra ao usuário que este está falando algo importante, relacionado a intencionalidade da entrevista, então o entrevistador pode utilizar frases como “É mesmo?”, “Que mais?”, “Prossiga”, dando mais confiança ao usuário e deixando-o à vontade para discorrer sobre o tema.
	Portanto, o questionamento se resulta tanto por parte dos usuários, quanto por parte do assistente social, ou seja, das informações que é trazida e pelo suporte teórico do profissional, criando uma técnica norteie o usuário na sua fala. 
 
3. Reflexão
A técnica da reflexão requer que o assistente social tenha certa habilidade no diálogo para que haja uma clareza/entendimento nas falas do usuário, e que assim ele possa se expressar contando seu caso e externando suas emoções e sentimentos (de forma implícita ou explícita). O profissional tem que se mostrar entendedor e acolhedor nesse momento, além de começar sua análise pessoas diante das falas do entrevistado. 
A reflexão existe para que o tema abordado seja aprofundado naquele momento, e pode-se afirmar que a prática reflexiva tem como propósito/função a mudança e o rompimento com o que estava sendo colocado como real até então.
Há a confrontação, que é considerada outra técnica usada dentro da reflexão, e consiste em colocar duas situações opostas confrontandoentre si para que o usuário pense acerca do dilema que foi imposto.
Além da confrontação, podemos citar também como uma “técnica dentro da técnica” a conotação positiva, que é basicamente enxergar os fatos com um olhar positivo, focando e colocando em evidência as causas positivas da situação.
A técnica da reflexão dá ao usuário a possibilidade de pensar em seu caso com diferentes pontos de vista/interpretações da situação. Dessa forma, é possível pensar em diversas hipóteses de resolução das problemáticas do caso do usuário, e assim testar as opções de solução que foram pensadas no decorrer da entrevista.
 O caráter da reflexão é retrospectivo, causando no usuário pensamentos acerca de suas próprias ações. Assim, na hora da entrevista, o usuário descreve o ocorrido a partir de sua própria visão e interpretação, depois vai buscando explicações e conexões existentes entre os elementos citados por ele mesmo a fim de encontrar soluções para suas necessidades (juntamente ao entrevistador/assistente social).
4. Clarificação
A clarificação pode ser explicada através da busca de substantivos e verbos para objetivar os adjetivos, e geralmente é feita através de outras técnicas, como por exemplo, o questionamento.
A clarificação tem como objetivo ajudar a pessoa a entender o que é dito na entrevista. O usuário quer que o assistente social o compreenda para que haja a “resolução do seu problema”, e por isso dificilmente há uma reação defensiva do mesmo.
Com essa técnica, espera-se que o usuário tenha abertura para contar sua história da maneira mais compreensível e simples possível. A ideia de “reexpor” a situação se dá através de perguntas com o intuito de fazer o usuário refletir sobre ela, causando uma possível nova visão da situação. Outra forma de utilizar a clarificação é quando o profissional se coloca em um “degrau abaixo”, alegando não saber determinado assunto e pedir para que o usuário explique. O objetivo disso é fazer com que o entrevistado/usuário acabe detalhando ainda mais o que estava sendo dito por ele no decorrer da entrevista, e assim, os detalhes servirão para o estudo do caso pelo profissional. 
5. Exploração ou aprofundamento
O assistente social trabalha com concepções, é necessário explorar e aprofundar-se sobre a vida do usuário e de sua dinâmica familiar para haver uma prática reflexiva, assim ele não será tarefeiro, não será negligente e não violará direitos (o que ocorre na prática irreflexiva). A partir da construção de suas concepções, o assistente social constrói uma intervenção (dimensão teórico metodológica).
A exploração ou aprofundamento é uma técnica de imensa importância no trabalho do assistente social. É uma das técnicas que ele recorre quando é necessária uma abordagem maior acerca de uma determinada área da vida do entrevistado. O assistente social jamais pode explorar essas áreas de acordo com suas curiosidades ou necessidades. Nesses momentos mais delicados é recomendado um cuidado especial. O assistente social tem que saber compreender se é mesmo necessário explorar determinados assuntos, pois tem assuntos que são muito íntimos e não devem ser explorados.
É necessário chamar e estabelecer vínculos de confiança com outros sujeitos e autores sociais (família) para a resolução do caso. Estabelecidos os vínculos com o usuário e a família, o assistente social poderá criar estratégias de intervenção para melhorar a situação do usuário.
A pratica da exploração ou aprofundamento é mais intensificada quando as situações oferecem mais riscos, como: uso de drogas, abuso sexual, maus tratos, vida sexual promiscua... O assistente social se depara com muitas respostas monossilábicas ao utilizar essa prática de intervenção nesses tipos de casos e isso dificulta o trabalho.
É de grande importância entender o por que de respostas curtas. O entrevistador tem que saber se a pessoa está entendendo as perguntas, se a pessoa está tímida, se está desconfiante, se tem dificuldades cognitivas ou ainda se ele mesmo está usando vocabulário muito técnico da profissão de assistente social.
Em suma, é necessário informar ao usuário que está sendo difícil realizar o trabalho com tais dificuldades de dialogo para o andamento da entrevista ser produtivo e levar a resolução do problema.
6. Silêncio sensível
O assistente social tem que usar seu conhecimento instrumental que coincide na junção dos instrumentos, técnica e estratégias para exercer seu trabalho. Sempre utilizando-se dos princípios do código de ética.
Os assistentes sociais tem a tendência a verbalizar muito, é importante e fundamental saber ouvir o usuário e entender suas formas de linguagem, mesmo quando não há uso de linguagem verbal. A linguagem verbal é um meio de transmitir muitas informações, mas também pode ser algo que evita uma comunicação de verdade. O silêncio é algo que muitas vezes comunica e diz muito mais que palavras. Às vezes ele esconde, mas mostra alguma coisa e o assistente social tem que estar atento ao tipo de silêncio durante a entrevista.
O silêncio sensível é algo que remete para as atitudes que demonstram mais que a linguagem verbal. O silêncio de tensão expressa um tipo de ansiedade. O entrevistado demonstra através de movimentos corporais e gestos que não está confortável e isso gera uma tensão. O silêncio de medo revela uma tentativa de fuga por parte do entrevistado de uma situação que o mesmo julga ameaçadora. Outro tipo de silêncio é de reflexão, que leva a pessoa a mergulhar em um estado reflexivo e se manifesta normalmente em uma situação de tristeza ou após alguma intervenção do entrevistador ou após o feedback. Neste tipo de silêncio não há tensão. O silêncio de desinteresse acontece quando a pessoa se distancia da questão em tema e é resistente.
O assistente social tem que ser sensível ao silêncio e ao que ele expressa.
7. Apropriação do conhecimento
A liberdade e o conhecimento são condições ontológicas do ser humano que andam juntas. O conhecimento, estimulado em suas mais diferentes esferas nas relações micro e macrossociais, gera inclusão e cidadania. Baseados na concepção de Faundez (1993, p. 15-16), podemos dizer que a ação de apropriar-se de um conhecimento pode ser considerada um processo de nascer junto. O ato de conhecer o processo de aprendizagem seria, então, um processo de nascimento mútuo, de dois seres. Daí podemos dizer que essa técnica diz respeito ao conhecimento que o profissional de Serviço Social possui. Este conhecimento gera a possibilidade do usuário alcançar o nível instrumental de indagação, investigação e reflexão, o que leva a uma nova percepção da realidade, agora reestruturada. Ou seja, o profissional assume determinada posição na divisão social e técnica do trabalho e uma de suas competências e técnicas é compartilhar seu conhecimento, saberes, informações e conteúdos outrora facilitados pelo conhecimento pertencente a outros sujeitos, auxiliando, assim, na superação de afirmações e crenças negativas, para uma melhor compreensão da totalidade. 
Quando usada pelo assistente social, essa técnica contribui para a ampliação da cidadania dos usuários.
8. Síntese integradora
Essa técnica geralmente é utilizada ao final das entrevistas. É a elaboração de uma síntese integradora de tudo o que foi dito ali, é a extração de um denominador comum, e não um resumo. Não é algo que finaliza, e sim de caráter provisório e que se transforma processualmente. A fala do usuário muitas vezes apresenta contradições, que por sua vez são as mesmas da realidade. A síntese consiste em apreender uma totalidade disso tudo. Por sua vez, "juntar" seria fazer uma nova ligação, ou seja, ligar fatos que outrora pareciam desconectados. Podemos dizer que a síntese integradora auxilia na reflexão do usuário sobre a situação que ele mesmo traz para o assistente social.
Além disso, a síntese tem o papel de retomar os objetivos primeiros da entrevista, levando à elaboração de hipóteses e estratégias para a busca das respostas esperadas. Nessa técnica o usuário participa, demonstra o que está pensandode acordo com o que lhe é apresentado e o mesmo é o responsável pela evolução. É um momento de alianças que não deve se transformar em uma conversa social.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
À luz do que foi apresentado, o artigo não tem como objetivo elaborar um modelo único de como deve ser entendida e executada uma entrevista, tão pouco apresenta um caráter tecnicista, pois se entende que o momento da entrevista é um momento de troca entre o entrevistador e o entrevistado. Há muitas questões subjetivas envolvidas no momento da entrevista que devem ser levadas em consideração. A linguagem que se apresenta não é apenas a verbal, o corpo fala de muitas maneiras e expressa o que por vezes não se consegue dizer em palavras. Essa sensibilidade e percepção devem ser trabalhadas e praticadas pelo profissional. Escutar com atenção é, muitas vezes, mais importante que falar. 
O artigo traz algumas etapas a serem observadas e sugeridas sua execução durante uma entrevista para alcançar um objetivo, estabelecendo relação com o usuário em busca de uma apreensão melhor de sua realidade. A entrevista é um instrumento que possibilita ao assistente social conhecer as relações e interações que estão estabelecidas entre o entrevistado e sua realidade, transformando-se num momento muito propício a análises, reflexões e experiências de vida que virão a transformar ambos envolvidos. 
Embora a entrevista seja um instrumento da dimensão técnico-operativa, ela expressa e revela elementos tanto de seu referencial ético-político como teórico-metodológico. Ainda que as sugestões, na condução de uma entrevista, como foram apresentadas neste artigo, sejam seguidas: o produto, o resultado e eficácia da entrevista dependerão tanto do referencial teórico-metodológico como ético-político que se baseia o assistente social, pois são as 3 dimensões articuladas e operando concomitantemente que possibilitam uma boa prática profissional, é saber aplicar o conteúdo teórico juntamente ao ético-político, aliado às técnicas para uma apreensão do real, uma boa análise das expressões da questão social e uma eficaz intervenção para a transformação da realidade que se apresenta.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
LEWGOY, Alzira Maria Baptista; SILVEIRA, Esalba Maria Carvalho. A entrevista nos processos de trabalho do assistente social. Revista textos & contextos v. 6 n. 2 p.233 – 251. Porto Alegre: 2007. 
VASCONCELOS, Ana Maria. Serviço Social e prática reflexiva. Revista da Faculdade de Serviço Social da UERJ, Rio de Janeiro, n. 10, jul. 1997.

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