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Jamila Gomes de Oliveira Silva MÉTODOS DE TREINAMENTO DE FORÇA Sumário INTRODUÇÃO ������������������������������������������������� 4 MÚLTIPLAS SÉRIES ��������������������������������������� 6 PIRÂMIDE ������������������������������������������������������� 8 BI-SET ���������������������������������������������������������� 11 TRI-SET �������������������������������������������������������� 13 SUPER SÉRIE 1 (PARA O MESMO GRUPO MUSCULAR) ������������������������������������ 16 SUPER SÉRIE 2 (AGONISTA/ ANTAGONISTA) ������������������������������������������� 18 TREINAMENTO EM CIRCUITO ��������������������� 19 PRÉ-EXAUSTÃO ������������������������������������������� 21 EXAUSTÃO ��������������������������������������������������� 23 ISOMÉTRICO ������������������������������������������������ 24 NEGATIVO OU EXCÊNTRICO ����������������������� 26 BLITZ ������������������������������������������������������������ 28 DECRESCENTE OU DROP-SET ��������������������� 30 ROUBADA ����������������������������������������������������� 32 REPETIÇÃO FORÇADA ��������������������������������� 34 2 SUPERLENTO ����������������������������������������������� 35 ONDULATÓRIO ��������������������������������������������� 37 CONSIDERAÇÕES FINAIS ���������������������������� 40 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS & CONSULTADAS �������������������������������������������� 41 3 INTRODUÇÃO Uma vez que as variáveis de um treinamento foram selecionadas e determinadas, o passo seguinte é montar o treino efetivamente. Nunca é demais lembrar que toda decisão a ser tomada quanto aos exercícios selecionados – intensidade e volume, entre outros fatores – deve levar em consideração as características do indivíduo que executará o treino, bem como seu nível de treinamento, indivi- dualidade, histórico de saúde e objetivos. Os métodos de treinamento de força são sistemas que permitem o manejo das variáveis que influen- ciam o treino diretamente. Com o passar dos anos, o treinamento de resistência foi ganhando cada vez mais adeptos com diferentes objetivos, com isso, também os métodos de treinamento foram sendo atualizados. Hoje em dia, encontra-se uma quantidade imensa de possibilidades de combinações para o desen- volvimento de um método de treino. Neste e-book, abordaremos os métodos amplamente praticados e já conhecidos na literatura e na prática do trei- namento resistido. Existe uma grande quantidade de programas e modelos para a construção de um sistema ou se- quência de exercícios e a manipulação adequada 4 de cada um deles garante significativos aumentos de força e hipertrofia. No entanto, a não variação, ou o uso do mesmo modelo de treino por longos períodos de tempo reduz as possibilidades dos benefícios para o indivíduo. Dessa maneira, variar os sistemas de treino auxilia a evitar um platô de ganho de força (BORGES et al., 2010). É importante que o profissional de educação que vá prescrever e ministrar um treinamento de força possua amplo conhecimento, teórico e prático, quanto às metodologias, para aplicá-las de maneira eficaz e segura, uma vez que sistemas empregados erroneamente não só comprometem o alcance dos objetivos como também estão diretamente relacionados ao aumento dos riscos de lesões musculoesqueléticas, trazendo grandes prejuízos aos praticantes (BORGES et al., 2010). 5 MÚLTIPLAS SÉRIES Múltiplas séries é um método que se utiliza de séries com cargas e repetições iguais. É frequente utilizar as séries múltiplas com o aquecimento das articulações, fazendo-se uso de uma carga menor nas duas primeiras séries e depois aumentando a carga. O objetivo desse tipo de treino é a melhora da resistência, potência e força muscular, além de hipertrofia (UCHIDA, 2009; BOSSI, 2010). Esse método é tradicional e bastante empregado nas salas de musculação, principalmente em se tratando de indivíduos iniciantes. É o mais difundido e conhe- cido e consiste basicamente na execução de três a quatro séries de 6 a 12 repetições (LOPES et al., 2017). A seguir, observaremos dois exemplos de monta- gem para esse método de treino, um objetivando hipertrofia e outro com objetivo de aumento da força máxima. Tabela 1: Sugestão de montagem de treino no método de múltiplas séries para hipertrofia. Múltiplas séries – Hipertrofia Exercício Séries x Repetições Carga Supino 4 x 10 Próxima às RMs Intervalos entre as séries: < 1 min e 30 seg� Fonte: Adaptado de Uchida (2009). 6 Tabela 2: Sugestão de montagem de treino no método de múltiplas séries para força máxima. Múltiplas séries – Força máxima Exercício Séries x Repetições Carga Supino 6 x 4 Próxima às RMs Intervalos entre as séries: > 3 min� Fonte: Adaptado de Uchida (2009). 7 PIRÂMIDE A pirâmide é um método de treinamento que se baseia na relação e variação da carga e repetições durante a execução das séries, ou seja, a cada série a carga pode aumentar ou diminuir. Esse método é utilizado para objetivos como hipertrofia muscular e aumento da força máxima, e sua indicação é para indivíduos com nível de treino do intermediário para avançado (UCHIDA, 2009; ANDRADE, 2021). A variação da carga tem um impacto direto na quantidade de repetições, logo, essa é uma carac- terística desse método de treinamento. De maneira generalizada, podemos dividir em dois sistemas: o método de pirâmide crescente e a pirâmide de- crescente (UCHIDA, 2009; ANDRADE, 2021). A utilização do método é justificada pelo fato de o praticante conseguir executar séries com maior intensidade de carga sem se comprometer pela fadiga muscular das séries anteriores, podendo assim se adequar aos esforços demandados à musculatura (LOPES et al., 2017). Como apresentado a seguir, no método de pirâmide crescente a ideia é aumentar o peso conforme as repetições diminuem, enquanto que no método de pirâmide decrescente é o inverso, o peso vai diminuindo conforme aumenta-se as repetições (FLECK, 2017). 8 Figura 1: Ilustração da relação entre cargas e séries do método pirâmide de treino. Le ve a p es ad o Pesado a leve 1RM 2RM 4RM 6RM 8RM 10RM Fonte: Adaptado de Fleck (2017). A seguir temos alguns exemplos de montagem para o método de treino em pirâmide crescente e decrescente. Tabela 3: Sugestão de montagem de treino no método de pirâmide crescente e decrescente. Pirâmide Crescente Exercício Séries Repetições Carga Agachamento 7 12, 10, 8, 6, 4, 2, 1 Próxima às RMs 9 Pirâmide Crescente Pirâmide Decrescente Agachamento 7 1, 2, 4, 6, 8, 10, 12 Próxima às RMs Intervalos entre as séries: repetições entre 6 e 12 < 1min e 30seg� Repetições inferiores a 6 > 3 min� Fonte: Adaptado de Uchida (2009). 10 BI-SET O método bi-set de treino consiste em executar as repetições de dois exercícios diferentes sem intervalo entre eles. Os exercícios podem ser tan- to para o mesmo grupamento muscular, o que é indicado para treinos objetivando hipertrofia, ou ainda para grupamentos musculares diferentes. O intervalo será dado após a execução dos dois exercícios. Em relação ao número de repetições e carga, fica a definir de acordo com o objetivo específico de cada indivíduo, no entanto é preciso levar em consideração o fato de que as repetições se somam, fazendo dela uma única série (UCHIDA, 2009; PRESTES et al., 2016). Um exemplo de treino bi-set utilizado em um traba- lho consistia na seguinte sequência de exercícios: leg press 45° e flexão de cotovelos no solo; cadeira extensora e puxada alta; mesa flexora e tríceps no pulley; cadeira adutora e rosca alternada; panturrilha sentado e desenvolvimento com halter, abdômen reto e lombar na máquina (VENÂNCIO et al., 2021). Abaixo alguns exemplos de montagem para o método de treino bi-set. 11 Tabela 4: Sugestão de montagem de treino no método bi-set. Bi-set Exercício Séries x Repetições Carga Remada alta (puxada pela frente com barra de trapézio) 3 x 12 Próxima às RMs Remada sentada ou Remada alta (puxada pela frente com barra detrapézio) 3 x 12 Próxima às RMs Leg press inclinado Intervalos entre as séries: 1 min e 30 seg após a execução dos dois exercícios sem pausa Fonte: Adaptado de Uchida (2009). 12 TRI-SET O método de treino tri-set se dá pela execução de três exercícios sem pausa entre eles. Assim como o treino bi-set, os três exercícios podem ser exe- cutados para o mesmo grupamento muscular ou grupo diferente, o que determinará isso é o objetivo de cada praticante. O intervalo indicado entre as repetições dos três exercícios é de aproximadamente dois minutos, mas essa variável vai ter relação não só com o indivíduo e seus objetivos, mas também com o grupo muscular que está sendo trabalhado e a carga determinada (UCHIDA, 2009; PRESTES et al., 2016). Esse método é bastante utilizado por praticantes com mais experiência para otimizar a sobrecarga metabólica devido ao intervalo curto ou nulo entre os exercícios para um mesmo grupamento muscular. O estudo de Faria e colaboradores (2016) teve como objetivo investigar a influência da ordem dos exercícios sobre a quantidade de repetições e o volume de treino no sistema tri-set para membros inferiores. Os participantes, jovens e habituados ao treino de resistência, executaram duas sessões de mesmos exercícios em diferente ordem de execução, a sequência A iniciando com exercícios multiarticulares e passando para monoarticular, 13 sendo, nessa ordem: agachamento com barra guiada, leg press 45° e cadeira extensora bilateral. Na sequência B, inverteu-se a ordem iniciando pelo exercício monoarticular para o multiarticular, sendo na seguinte ordem: cadeira extensora bilateral, leg press 45° e agachamento na barra guiada. Todos os exercícios foram executados na intensidade de carga de 75% de 1RM. A conclusão dos pesquisadores foi que executar um exercício monoarticular antes de exercícios multiarticulares induziu um maior número de repetições na série e em maior volume total de treinamento. A seguir, alguns exemplos de montagem para o método de treino tri-set. Tabela 5: Sugestão de montagem de treino no método tri-set. Tri-set Exercício Séries x Repetições Carga Remada alta (puxada pela frente com barra de trapézio) 3 x 10 Próxima às RMs Remada sentada Remada curvada (“pegada” fechada ou aberta) ou 14 Tri-set Remada alta (puxada pela frente com barra de trapézio) 3 x 10 Próxima às RMs Leg press inclinado Tríceps na polia Intervalos entre as séries: até 2 minutos após a execução dos três exercícios� Fonte: Adaptado de Uchida (2009). 15 SUPER SÉRIE 1 (PARA O MESMO GRUPO MUSCULAR) Esse método de treino consiste em combinar quatro, ou até mais, exercícios para um único grupamento muscular, sem intervalo entre eles. Ou seja, o indivíduo executará as repetições do primeiro exercício, na sequência do segundo, terceiro e quarto exercício sucessivamente, para então fazer o intervalo. O intervalo indicado é de aproximadamente dois minutos. Esse método é mais indicado para indivíduos avançados e com objetivo de hipertrofia muscular, dada a intensidade do método (UCHIDA, 2009; PRESTES et al., 2016). A seguir, observaremos alguns exemplos de mon- tagem para o método de treino Super série 1. Tabela 6: Sugestão de montagem de treino no método super série para mesmo grupo muscular. Super Série 2 (agonista/antagonista) Exercício Séries Repetições Cadeira extensora 3 12 Mesa Flexora Supino 3 12 Remada horizontal Cadeira adutora 3 12 Cadeira abdutora 16 Super Série 2 (agonista/antagonista) Pulley 3 12 Desenvolvimento Abdominal 45° 3 12 Banco hiperextensor Intervalos entre as séries: 1 min e 30 seg após a execução dos dois exercícios, sem pausa� Fonte: Adaptado de Uchida (2009). 17 SUPER SÉRIE 2 (AGONISTA/ ANTAGONISTA) O método de treino super série 2 agonista/anta- gonista consiste em realizar as repetições de dois exercícios para o mesmo grupamento muscular sequencialmente, sem intervalos, respeitando a ordem, sendo o primeiro exercício para o músculo agonista do grupamento e o segundo para o músculo antagonista. O intervalo de aproximadamente 1 mi- nuto e 30 segundos é dado ao final da execução dos dois exercícios. A seguir a tabela exemplifica uma montagem para o método de treino super série 2. Tabela 7: Sugestão de montagem de treino no método super série 2 para músculos agonista/antagonista. Super Série 2 (agonista/antagonista) Exercício Séries Repetições Cadeira extensora Mesa Flexora 3 12 Supino Remada horizontal 3 12 Cadeira adutora Cadeira abdutora 3 12 Pulley Desenvolvimento 3 12 Abdominal 45° Banco hiperextensor 3 12 Intervalos entre as séries: 1 min e 30 seg após a execução dos dois exercícios, sem pausa� Fonte: Adaptado de Prestes et al. (2016). 18 TREINAMENTO EM CIRCUITO O treinamento em circuito é um método que consiste em se executar um programa inteiro de treino com um intervalo mínimo, ou até sem intervalo, entre os exercícios. Esse método pode ser aplicado desde o indivíduo iniciante até o avançado, de acordo com os objetivos do praticante. A execução des- se treino eleva a frequência cardíaca, a pressão arterial e o consumo de oxigênio, portanto, esse é um treino que melhora a resistência muscular, mas também o condicionamento físico (UCHIDA, 2009; FLECK, 2017). Em geral, indica-se de 10 a 15 repetições com inter- valos de 15 a 30 segundos, ou seja, praticamente apenas o tempo de se posicionar para o exercício seguinte. A carga deve ser baixa, entre 40 e 60% de 1RM. A quantidade de exercícios vai depender do nível de aptidão física de quem irá executar o circuito, mas, em geral, a montagem da ordem dos exercícios é dada por alternância de grupamentos musculares para que assim haja um estresse car- diovascular, evitando fadiga muscular (PRESTES et al., 2016; FLECK, 2017). 19 Figura 2: Treino funcional circuitado. Fonte: Shutterstock. A tabela a seguir apresenta uma montagem para o método de circuito. Tabela 8: Sugestão de montagem de circuito. Múltiplas séries – Hipertrofia Exercício Repetições Séries Supino 12 a 15 3 Leg press Abdominal supra Pulley frente Mesa flexora Abdominal oblíquo Desenvolvimento Cadeira adutora Extensão da coluna Intervalos entre as séries: > 15 a 30 seg� Fonte: Adaptado de Prestes et al. (2016) e Uchida (2009). 20 PRÉ-EXAUSTÃO O método de pré-exaustão tem como objetivo a hipertrofia e é mais indicado para praticantes com nível intermediário e avançado. Esse método consiste em executar uma série de um exercício monoarticular e, na sequência, o exercício seguinte, multiarticular. A ideia é levar o músculo menor do grupamento que vai ser trabalhado a um estado prévio de fadiga e então estressá-lo um pouco mais com o auxílio de outras musculaturas envolvidas em um exercício multiarticular para o mesmo seg- mento (UCHIDA, 2009; ANDRADE, 2021). Tibana (2013) realizou uma revisão da literatura sobre a influência do treino pré-exaustão induzido por um exercício monoarticular e as relações do- se-resposta no treinamento resistido. De acordo com os estudos analisados nesse trabalho, o autor concluiu que utilizar cargas elevadas para essa metodologia não produziu aumento na ativação muscular e ainda reduziu o volume de treino para o exercício multiarticular isolado. Contudo, a utili- zação de cargas de intensidade baixa e moderada pareceram produzir efeitos benéficos. A seguir, temos exemplos de sequência de exercí- cios para treino de pré-exaustão por grupamento muscular. 21 Tabela 9: Sugestão de montagem de treino no método pré-exaustão. Pré-exaustão Exercício Séries x Repetições Carga Peitoral maior Crucifixo 4 x 12 Próxima às RMs Supino inclinado com halter Deltoide Elevação lateral 4 x 12 Próxima às RMs Desenvolvimento anterior Quadríceps Cadeira extensora 4 x 12 Próxima às RMs Leg press Intervalos entre as séries: 1 min e 30 seg. Fonte: Adaptado de Uchida (2009) e Andrade (2021). 22 EXAUSTÃO Esse método é bastante utilizado porpraticantes avançados que buscam hipertrofia, mas, com ele, também se conquista resistência muscular e força máxima. Definidas as variáveis, sendo a carga próxima a 1RM, deve-se executar as repetições até a fadiga muscular, ou seja, até que a fase concêntrica não se complete (UCHIDA, 2009; PRESTES et al., 2016). A seguir, temos um exemplo de exercício para execução até a exaustão. Tabela 10: Sugestão de montagem de treino no método exaustão. Exaustão Exercício Séries x Repetições Carga Rosca concentrada 3 x 10 10 RMs Intervalos entre as séries: 30 seg a 1 min para resistência muscular até 1 min e 30 seg para hipertrofia > 3 min para força máxima Fonte: Adaptado de Uchida (2009). 23 ISOMÉTRICO O método isométrico pode ser utilizado para montagem de treinos para praticantes desde ini- ciantes até avançados que tenham como objetivos aumento da força máxima e hipertrofia. A técnica se baseia em executar a contração muscular e mantê-la, estática, por alguns segundos. O ângulo do movimento articular pode ser um específico ou durante a execução pode-se explorar diversas angulações. O tempo sugerido pela literatura é de 3 a 10 segundos (UCHIDA, 2009). O aumento da força é provocado justamente pela escolha do ângulo inicial para o exercício, que geralmente é o ponto mais fraco da amplitude concêntrica do movimento, o chamado sticking point. A figura a seguir apresenta o exercício supino executado no método de isometria; dois pinos de segurança são fixados para limitar a amplitude do movimento visando a trabalhar o ângulo mais fraco e para dar segurança ao praticante (FLECK, 2017). 24 Figura 3: Exercício supino executado no método isometria. Estrutura superior de pinos de segurança Amplitude dos movimentos Estrutura inferior de pinos de segurança Fonte: Fleck (2017). 25 NEGATIVO OU EXCÊNTRICO O sistema de treinamento negativo, ou excêntrico, é um treino para praticantes avançados que buscam hipertrofia e aumento da força máxima. A carga sugerida para a execução do exercício é acima de 100% de 1RM, entre 105% e 120% (PRESTES et al., 2016; ANDRADE, 2021). O método consiste em dar ênfase à fase excêntrica do movimento, sustentando-o pelo maior tempo possível. Quanto ao número de repetições, alguns autores sugerem que sejam até seis, outros suge- rem a execução até a falha. Portanto, é importante avaliar as condições iniciais do praticando e os objetivos a serem alcançados (PRESTES et al., 2016; ANDRADE, 2021). Ao executar esse método, o praticante corre alto risco de se lesionar, pois a falha excêntrica pode ocorrer rapidamente e a carga ficará sustentada pelos tendões. Por isso, é importante que o indivíduo ao executar esse treino esteja acompanhado de um ajudante, tanto para auxiliar na fase concêntrica como para garantir sua segurança (PRESTES et al., 2016; ANDRADE, 2021). A tabela a seguir apresenta uma sugestão de exer- cício para o método negativo (excêntrico): 26 Tabela 11: sugestão de montagem de treino no método negativo/excêntrico. Negativo/Excêntrico Exercício Séries x Repetições Carga Rosca direta 5 x 4-6 > 1RM Intervalos entre as séries: > 3 min� Fonte: Adaptado de Uchida (2009). 27 BLITZ Alguns autores não consideram o blitz necessa- riamente um método, a justificativa é que, nesse caso, determina-se um único grupo muscular que será trabalhado em uma sessão de treino e isso tem características de uma forma de montagem de treino (UCHIDA, 2009; PRESTES et al., 2016). De qualquer maneira, assumindo-o como um método, ele é bastante praticado por fisioculturistas para a manutenção da massa muscular e hipertrofia. É importante ressaltar-se que a execução desse treino requer descanso de mais de 72 horas, boa alimentação e nível alto de aptidão ao exercício (UCHIDA, 2009; PRESTES et al., 2016). A tabela a seguir traz uma sugestão de montagem no método blitz. Tabela 12: Exemplo de montagem para o método blitz. Blitz Exercício Séries x Repetições Carga Desenvolvimento anterior 4 x 8 Próxima à RMs Desenvolvimento com halteres 4 x 8 Próxima à RMs Elevação lateral 3 x 10 Próxima à RMs Crucifixo inverso 3 x 10 Próxima à RMs Elevação frontal 3 x 10 Próxima à RMs 28 Blitz Remada em pé com halteres 3 x 12 Próxima à RMs Intervalos entre as séries: > 2 min� Fonte: Adaptado de Uchida (2009). 29 DECRESCENTE OU DROP-SET O sistema decrescente, ou drop-set, consiste em determinar uma carga para executar o exercício e a cada série reduzir o peso e repetir o exercício com um intervalo muito pequeno, que é somente o tempo do ajuste de carga. Nas séries seguintes à primeira, deve-se tentar manter o número de repetições determinado previamente, ou até se atingir a falha concêntrica. A margem de redução de carga sugerida pela literatura entre as séries é de 20 a 40%, a quantidade de séries é de 3 ou 4 e o número de repetições deve ser baixo, entendendo que se iniciará com uma carga alta, mas deve-se sempre considerar o nível de treinamento do indi- víduo e os objetivos a serem alcançados (UCHIDA, 2009; PRESTES et al., 2016). Um exemplo para drop-set foi utilizado em um trabalho de investigação no qual os voluntários deveriam executar a extensão dos joelhos no aparelho cadeira extensora. Foi determinada uma quantidade de repetições e, imediatamente, sem pausa para intervalo, havia uma redução de 20% da carga. O voluntário então realizava mais uma série de repetições até atingir a exaustão (ANNA et al., 2019). 30 A seguir, há um exemplo proposto para uma sequên- cia baseada no sistema decrescente de execução. Tabela 13: Exemplo de montagem para o método decres- cente ou drop-set. Decrescente ou drop-set Séries Repetições Carga 1ª série 10 80kg 2ª série 10 64kg 3ª série 10 52kg 4ª série 10 42kg Sem intervalos entre as séries� Fonte: Adaptado de Prestes et al. (2016). 31 ROUBADA O método roubada é muito comum entre praticantes avançados e fisioculturistas que buscam técnicas para desenvolver mais força máxima e hipertrofia. O método consiste em “enganar”, ou seja, roubar no início da execução de uma contração muscular, buscando a ajuda de outros grupamentos. Um exemplo muito utilizado para explicar é o exercí- cio rosca direta, uma vez que se está executando esse movimento e o indivíduo percebe que não conseguirá completar as repetições que faltam, o praticante, iniciando com os cotovelos estendidos, faz um movimento de balanço, flexionando o tronco à frente e assim dá um impulso para o início da flexão do cotovelo (UCHIDA, 2009; FLECK, 2017). Dessa maneira, o indivíduo consegue executar todas as repetições prescritas, manter ou até aumentar a carga utilizada. No entanto, é preciso cuidado! O indivíduo praticante deve ter um conhecimento prévio e estar habituado a treinos pesados, pois um movimento errado pode provocar lesões. Outro cuidado importante com essa técnica é atentar-se para executá-la apenas com exercícios monoarti- culares, flexão de cotovelos e joelhos, por exemplo. Executar a roubada em exercícios multiarticulares e que trabalhem grandes grupos musculares também pode ocasionar lesões (UCHIDA, 2009; FLECK, 2017). 32 A seguir, há um exemplo de série na qual a técnica da roubada pode ser utilizada. Tabela 14: sugestão de série para execução de roubada. Roubada Exercício Séries x Repetições Carga Rosca direta 4 x 8 > 8RM Intervalos entre as séries: entre 2 e 3 min� Fonte: Adaptado de Prestes et al. (2016). 33 REPETIÇÃO FORÇADA O sistema de repetição forçada visa ao incremento da força máxima e hipertrofia. Sua indicação é para praticantes de nível intermediário e avançado e deve ser executado na companhia de um profissional para garantir tanto a execução como a segurança do praticante. Uma vez definidas as variáveis para se atingir a falha, carga e repetições, executa-se a primeira série de repetições do exercício, após essas, três ou quatro repetições são adicionadas com ajuda para a fase concêntrica e execuçãoda fase excêntrica sozinho (UCHIDA, 2009; PRESTES et al., 2016). A tabela abaixo apresenta dois exemplos de apli- cação das cargas para a execução desse método. Tabela 15: Sugestão de série para execução do método de repetição forçada. Repetição forçada Exercício Séries x Repetições Carga Leg press 3 x 10+3 Mesa flexora 3 x 10+2 Supino 3 x 6+4 Intervalos entre as séries: entre 2 e 3 min� Fonte: Adaptado de Uchida (2009) e Prestes et al. (2016). 34 SUPERLENTO Como diz o próprio nome do método, a execução do movimento do exercício proposto deve ser feita bem lentamente, tomando de 5 a 15 segundos para concluir a fase concêntrica e mais 5 a 15 segundos para a fase excêntrica, totalizando entre10 e 30 segundos para o movimento completo. Para que o indivíduo consiga completar todas as séries e repetições, é necessária a utilização de uma carga menor que a habitual. Esse método é indicado para a execução de exercícios uniarticulares e com nú- mero de séries também reduzidas (UCHIDA, 2009; PRESTES et al., 2016). Esse método é indicado para hipertrofia e melhora da resistência muscular, para praticantes avança- dos que já dispõem de uma boa propriocepção da execução correta e manutenção do movimento durante as fases, para indivíduos em reabilitação e também para praticantes iniciantes com auxílio de um profissional como estratégia de aprendizagem (UCHIDA, 2009; PRESTES et al., 2016). Um estudo conduzido por Hunter, Seelhorst e Snyder (2003) comparou as demandas cardiovasculares e de gasto energético entre o modelo de treino superlento e o tradicional. Para tal a frequência cardíaca e o volume de oxigênio máximo foram aferidos durante a intervenção e 15 minutos após, 35 e também o lactato sanguíneo foi coletado pré e imediatamente após os exercícios. Em ambas as intervenções, superlento e tradicio- nal, a ordem dos exercícios foi: extensão de joelho, supino reto, rosca bíceps, rosca direta, remada, rosca reversa, prensa militar, remada vertical e agachamento. A execução do método superlento foi realizada com carga de 25% de 1RM, oito repe- tições com duração de 10 segundos na contração concêntrica e 5 na excêntrica para cada exercício. No método tradicional foi aplicada a carga de 65% de 1RM. Os pesquisadores concluíram que para o gasto energético ou melhora cardiovascular ao trei- namento o método superlento pode não ser o ideal. A seguir, há um exemplo de aplicação do método superlento: Tabela 16: sugestão de série para execução do método superlento. Superlento Exercício Séries x Repetições Duração Carga Rosca direta 2 x 5 12 seg por repetição Moderada Intervalos entre as séries: 2 min� Fonte: Adaptado de Uchida, 2009. 36 ONDULATÓRIO O método ondulatório de treinamento consiste em variar a carga, ou a quantidade de repetições entre as séries de um mesmo exercício, como apresentado na figura a seguir, onde a primeira série é executada com uma carga de 12RM, a segunda série com 5RM, terceira série novamente com 12RM e a quarta e última série com carga de 5RM (PRESTES et al., 2016). Figura 4: Variação de cargas no método ondulatório. 5RM 12RM 5RM 12RM Fonte: Prestes et al. (2016). Conforme a carga aumenta, diminui-se a quanti- dade de repetições, e assim também o contrário, na repetição onde a carga será menor, deve-se aumentar o número de repetições. Há ainda uma variação desse método denominado ondulatório crescente, que consiste em iniciar com uma carga alta, na série seguinte baixar, depois aumentar para então baixar novamente e assim sucessivamente, diminuindo as cargas máximas e mínimas durante o processo, como apresentado na figura a seguir (UCHIDA, 2009; PRESTES et al., 2016). 37 Figura 5: Variação de cargas no método ondulatório crescente. Próximo de 12RM Próximo de 7RM Próximo de 6RM Próximo de 5RM Próximo de 8RM Próximo de 15RM Próximo de 10RMPróximode 18RM Fonte: Uchida (2009). Um artigo utilizou-se do modelo ondulatório de treino para comparar e avaliar a percepção de esforço dos voluntários. O exercício utilizado foi a cadeira extensora e os participantes deveriam executar a primeira e a terceira séries com carga entre 12 a 15 repetições máximas e intervalo de sessenta segundos. A segunda e quarta séries eram executadas com carga de 6 a 8 repetições máximas e intervalo de 80 segundos para descanso (ANNA et al., 2019). A tabela a seguir apresenta uma sugestão para a execução de um exercício no método ondulatório e ondulatório crescente. 38 Tabela 17: Sugestão de série para execução do método superlento. Ondulatório Exercício Séries Repetições Carga Peck deck 8 15, 6, 15, 6, 15, 6, 15, 6 Próxima às RMs. Ondulatório Crescente Peck deck 8 18, 12, 15, 7, 10, 6, 8, 5 Próxima às RMs. Intervalos entre as séries: 2 min� Fonte: Adaptado de Uchida (2009). 39 CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste e-book pudemos conhecer um pouco melhor as aplicabilidades das variáveis que vão constituir os métodos de treinamento. O profissional de Edu- cação Física, além de ter total atenção e cuidado ao definir as variáveis ao montar um treino, deve igualmente atentar-se à seleção do método que será aplicado, já que, como pudemos perceber, cada método tem suas particularidades para os objetivos, o nível de prática do indivíduo, as metas a serem alcançadas e até o próprio conhecimento do movimento. Uma escolha errada pode não só acarretar a falha para se obter o resultado, mas também provocar lesões musculares e articulares no indivíduo praticante. 40 Referências Bibliográficas & Consultadas ANNA, A. N. S. et al. Efeito agudo de diferentes métodos de musculação. Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício, v. 18, n. 2, p. 70-77, 2019. ANDRADE, S. L. F. Musculação: revendo conceitos, métodos e práticas para hipertrofia e força. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2021. [Biblioteca Virtual]. BECKER, L. A. Musculação. 1. ed. Curitiba: Contentus, 2020. [Biblioteca Virtual]. BORGES, I. T. et al. Caracterização dos sistemas de treinamento em musculação utilizados pelos profissionais em academias. EFDeportes�com, Buenos Aires, a. 15, n. 149, out. 2010. BOSSI, L. C. Periodização na musculação. São Paulo: Phorte Editora LTDA, 2010. D´ELIA, L. Guia completo de treinamento funcional. 2. ed. São Paulo: Phorte, 2016. [Biblioteca Virtual]. FARIA, W. F. de et al. 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