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Tecido Conectivo 2 Apresentação Conheça o tecido conectivo. Este tecido tem como função unir, sustentar, preencher e nutrir os demais tecidos. Ele é formado por uma vasta matriz extracelular e por diferentes moléculas fibrosas e solúveis. As fibras que compõem o tecido conectivo são as fibras colágenas, reticulares e elásticas, e estas estão localizadas em diferentes tipos de estruturas, como, por exemplo, nas cartilagens. O tecido conectivo se origina, de modo geral, da mesoderme. Existem diferentes tipos de tecido conectivo distribuídos no corpo de um indivíduo, os quais se diferenciam entre si de acordo com os tipos de células que o compõem e as características de sua matriz extracelular. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai aprender sobre a origem desse tecido, quais são os diferentes tipos de tecido conectivo existentes e de que forma se distribuem no corpo. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Caracterizar e diferenciar as fibras que compõem o tecido conectivo.• Diferenciar os tipos de colágenos e a sua presença nos tecidos.• Listar os componentes da substância fundamental do tecido conectivo.• Desafio A nossa pele é composta por uma epiderme (tecido epitelial estratificado pavimentoso queratinizado) e por uma derme (tecido conectivo). Imagine que você sofreu uma queimadura com água fervente. Se a pele sofre uma queimadura, o tecido fica danificado e precisa regenerar. Descreva o que acontece na derme da pele quanto às suas fibras e pesquise quais tipos de fibras deste tecido são responsáveis pela elasticidade da pele. Infográfico O tecido conectivo é composto por diferentes componentes fibrosos: fibras colágenas e reticulares (derivadas de colágeno), e elásticas. Veja o Infográfico para entender a função e a localização de tais fibras. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/b8740ca4-686d-4244-822b-47b731ce5ced/ffaba100-072f-4071-b2cf-d2b10d0b6afc.jpg Conteúdo do livro O Tecido Conectivo, também conhecido como Tecido Conjuntivo, é formado por diferentes tipos de células e possui abundante matriz extracelular. Tem como função a sustentação, suporte e conexão dos demais tecidos. Existem diferentes tipos de Tecido Conectivo. Para entender melhor o Tecido Conectivo, nesse capítulo você vai aprender sobre sua composição, incluindo características de sua matriz extracelular e células que o compõe, além de diferenciar os tipos desse tecido, e a localização de cada tipo no corpo de um indivíduo. Leia o trecho a seguir, da obra Histologia e embriologia humanas: Bases celulares e moleculares., comece sua leitura a partir do tópico Matriz Extracelular. Este conteúdo servirá base teórica para esta Unidade de Aprendizagem. Boa leitura. Tradução: Ana Rachel Salgado Consultoria, supervisão e revisão técnica desta edição: José Manoel dos Santos Mestre em Morfologia e Doutor em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP – EPM). Especialista em Biologia Celular pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). Docente dos cursos de Ciências Biológicas, Medicina Humana, Medicina Veterinária, Farmácia e Enfermagem da Universidade Anhembi Morumbi. Docente do curso de Medicina da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC). Professor convidado do Programa de Pós-graduação em Anatomia dos Animais Domésticos e Silvestres da Universidade de São Paulo – Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP). Catalogação na publicação: Ana Paula M. Magnus – CRB-10/Prov-009/10 E97h Eynard, Aldo R. Histologia e embriologia humanas [recurso eletrônico] : bases celulares e moleculares / Aldo R. Eynard, Mirta A. Valentich, Roberto A. Rovasio ; tradução: Ana Rachel Salgado ; revisão técnica: José Manoel dos Santos. – 4. ed. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : Artmed, 2010. Editado também como livro impresso em 2011. ISBN 978-85-363-2479-1 1. Anatomia. 2. Embriologia. 3. Histologia. I. Valentich, Mirta A. II. Rovasio, Roberto A. III. Título. CDU 611.01 239Histologia e embriologia humanas Matriz extracelular A matriz extracelular (MEC) é o conjunto de moléculas fibrosas e solúveis que formam o ambiente onde estão imersas as células conectivas e que foram sintetizadas, principalmente por elas mesmas. A estrutura e a compo- sição da MEC condicionam suas funções nas diferentes regiões de um organismo. Assim, suas macromoléculas hidrófilas, ao absorver muitas moléculas de água, facili- tam a difusão de um grande número de substâncias nu- tritivas e a eliminação de detritos. As proteínas fibrosas (colágeno, fibronectina, laminina, etc.) dão à MEC sua resistência mecânica e elasticidade necessárias para diversas funções biológicas; os minerais depositados na matriz orgânica dão rigidez ao osso. Muitas moléculas de membrana que se manifestam em direção ao am- biente extracelular, como os receptores integrinas e as moléculas de adesão celular (CAM: cell adhesion mole- cules), controlam a união intercelular, a migração celu- lar e as interações célula-célula e célula-MEC. A varieda- de de moléculas correspondentes a fatores tróficos ou fatores de crescimento, fatores quimiotáticos, etc., controlam a mobilidade, a distribuição, a proliferação e a diferenciação celular, tanto em condições normais (crescimento e reparação tecidual) como patológicas (inflamações, tumores, etc.). Moléculas fibrosas ou filamentosas do tecido conectivo Com o ML e técnicas de coloração convencionais, dife- rentes tipos de componentes fibrosos são identificados no TC: as fibras colágenas e as fibras reticulares – duas variedades estruturais da molécula de colágeno –, e as fibras elásticas. As fibras colágenas e as reticulares são coradas com corantes ácidos e com impregnações com sais de prata. Com este último procedimento, os grossos feixes e fascículos de fibras colágenas são co- rados em pardo tênue, ao passo que as redes de finas fibras reticulares se coram de pardo-negrusco (Figs. 8-9 e 8-10). O colágeno constitui uma numerosa família de proteínas fibrosas amplamente distribuída em todas as variedades de TC, encarregadas de suportar as forças de tensão e tração. O precursor da molécula de coláge- no se forma no compartimento retículo endoplasmá- tico-complexo de Golgi por interação de três cadeias polipeptídicas entrelaçadas em forma helicoidal, com sequências de aminoácidos contendo prolina, hi- droxiprolina e glicina. Esta molécula é separada da 240 Eynard, Valentich & Rovasio célula (fibroblasto, osteoblasto, etc.) na forma do pre- cursor procolágeno, que contém peptídeos em cada extremidade, que impedem seu encaixe intracelular. Já fora da célula, as enzimas extracelulares procoláge- no-proteinases cortam estes domínios e permitem o encaixe extracelular das fibrilas de colágeno de cerca de 10-300 nm de diâmetro, e a associação entre elas forma as fibras colágenas de 5 μm a 3 μm de diâme- tro (ver Figs. 8-2 e 8-10). A variedade na sequência de aminoácidos determina mais de 20 tipos diferentes de colágeno com uma organização peculiar das fibras com resistência mecânica variável. As variantes mais fre- quentes (colágenos tipos I, II, III, V e XI) são formas fibrosas ou intersticiais, formadas por microfibrilas de colágeno que possuem estriamentos transversais carac- terísticos, com uma periodicidade de 64 nm (Figs. 8-10 e 8-11), e o colágeno tipo IV forma uma malha ou rede nas membranas basais (Tabela 8-1). As fibras reticulares são formas de organização das fibrilas de colágeno, muito finas e em forma de rede, que se associam a glicoproteínas e proteoglicanos ao integrar as membranas basais, formando, também, o delicado estroma que, às vezes, cerca individualmente as células (Fig. 8-9). As fibras elásticas têm pouca afinidade com a maioria dos corantes comuns.Por isso, para obser- vá-las de maneira seletiva são utilizados métodos es- peciais (orceína, resorcina-fucsina, imunocitoquímica, etc.). Estão presentes nos TC de todo o corpo, mas são abundantes nos órgão que devem suportar forças in- termitentes e flexões mecânicas para facilitar o retorno à sua forma original (lâmina elástica das grandes arté- M R R C CAA BB Fig. 8-9 A. Desenho de uma preparação de mesentério tingido com impregnação argêntica; é possível observar as fibras de colágeno (C), reticulares(R) e mastócitos (M) adipócito (seta). Na figura B. Foto da mesma preparação; as fibras colágenas são vistas em cor avermelhada (setas) vaso sanguíneo (VS) 200×. C. Delicada trama de fibras reticulares do estroma hepático (setas); impregnação argêntica, 200×. TABELA 8-1 Tipos e características do colágeno Colágeno Tipos Características principais Formas fibrosas I Fibras grossas e amplamente distribuídas II Fibras mais finas e localizadas em cartilagem, discos intervertebrais e vítreo III Fibras reticulares, anastomose em malhas, forma a sustentação de órgãos sólidos V Fibras de tamanho intermediário e distribuição ampla VI Fribrilas ubíquas e muito finas VII Fibrilas curtas de fixação desde o epitélio até o tecido conectivo VIII Correntes e redes nas camadas córneas IX-XI Fibras finas que se localizam na cartilagem e no humor vítreo XII Associado com o tipo I nos tecidos conectivos densos Forma laminada IV Forma um filtro nas membranas basais 241Histologia e embriologia humanas EE C C M E A B C D Fig. 8-10 O desenho (A) e a foto (B) correspondem a preparações de mesentério de rato corados com resorcina-fucsina-prata. Em B, as fibras elásticas aparecem como traços pretos (setas), e as fibras colágenas, de cor parda (ponta de seta); mastócitos (M). 100×. A foto C mostra lâminas elásticas onduladas (seta) da camada média da artéria elástica; resorcina-fucsina, 100×. Em D, é exposta a estrutura de um fibrócito, que tem escassos organoides e um núcleo (N) relativamente grande; vesícula em exocitose (seta). Na MEC, são observados acúmulos de fibrilas colágenas (FC); 4.000×. A B Fig. 8-11 A. Grupo de condrócitos (pontas de seta); seus núcleos possuem salientes nucléolos e estão alojados na matriz que desenvolveram, onde são vistas fibrilas de colágeno (setas); 3.000×. B. Cartilagem elástica; o típico estriamento transversal de fibrilas colágenas (seta) e grupos de fibras elásticas (pontas de seta) são observados; ME, 20.000×. 242 Eynard, Valentich & Rovasio rias, zonas alveolares do pulmão, da cartilagem orelha, etc.). Ao proporcionar elasticidade aos tecidos, a dimi- nuição de seu número com a idade explica o aumento progressivo das rugas da pele (Figs. 8-12B e 8-13B; ver também Figs. 8-10 e 8-11). Sua estrutura fibrosa é o resultado da combinação entre duas moléculas protei- cas: massas de tropoelastina que, uma vez exocitadas, polimerizam em forma de elastina, que são cercados por uma rede de microfibrilas de fibrilina. A elaunina e o oxitalan são formas fibrosas de elastina imatura, de particular importância em etapas embrionárias e em tecidos dentários. As células em geral não se aderem diretamente ao colágeno, exceto por meio de outros integrantes da MEC, como a fibronectina e a laminina. Esta união entre a célula e a MEC é realizada através de recepto- res da família integrina, cujos domínios extracelulares permitem sua conexão com laminina e fibronectina e, através desta última, com moléculas de colágeno. Por outro lado, os domínios intracelulares da integrina se unem a componentes do citoesqueleto (ver cap. 5). Substância fundamental A substância fundamental ou substância amorfa é outro grupo de moléculas que constituem a MEC, cuja proporção relativa a respeito do componente fibroso é diferente de acordo com a variedade de TC. Assim, é mais abundante nos TC frouxo e mucoso e mais escasso A B C Fig. 8-12 A. Cartilagem hialina; HE, 200×. B. Cartilagem elástica; orceína, 150×. C. Cartilagem fibrosa; HE, 100×. As setas sina- lizam grupos isogênicos. A B C Fig. 8-13 Detalhes aumentados do ilustrado na Figura 8-12. A. Cartilagem hialina cuja substância intercelular é metacromática, grupos isogênicos (seta) (ATO). B. Cartilagem elástica (orceína). C. Cartilagem fibrosa (HE), aprox. 200×. Condrócitos em grupos isogênicos, que são de disposição axial na variedade fibrosa (pontas de seta). 243Histologia e embriologia humanas no TC denso (Fig. 8-14). A substância fundamental é composta por géis de polissacarídeos e proteínas que formam o espaço extracelular, resistem à compressão mecânica e servem de meio hidratado para facilitar o transporte de moléculas solúveis e a movimentação celular (Tabela 8-2). Os integrantes principais da subs- tância fundamental pertencem à numerosa família dos proteoglicanos (PG), macromoléculas extracelulares de natureza proteica de tamanho, forma e estruturas quí- micas variáveis, unidas a alguns dos numerosos polissa- carídeos complexos eletronegativos chamados glicosa- minoglicanos (GAG). Nos TC densos (tendões, aponeurose), os GAG não são abundantes e a MEC é formada quase que exclusi- vamente por colágeno. Por outro lado, o TC mucoso ou o gel que preenche o globo ocular são compostos prin- cipalmente por GAG específicos e água, com uma pe- quena porção de colágeno. As moléculas de GAG (con- droitim sulfato, heparan sulfato, ácido hialurônico, etc.) adotam formações muito ramificadas e extensas. Todos eles possuem abundância de grupos aniônicos, o que lhes proporciona grande afinidade com a união de íons sódio e de água, o que condiciona sua grande capa- cidade higroscópica, e tendem a ocupar um grande vo- lume. Estes glicoconjugados participam em numerosas funções celulares, além de oferecer um meio pericelular hidratado. Formam géis com poros de tamanho variá- vel, que atuam como filtros que regulam a passagem de moléculas através do espaço extracelular; fixam fatores tróficos, permitem a formação de gradientes de molécu- las quimiotáticas e absorvem moléculas-sinal para uma diversidade de funções celulares, bloqueiam, estimulam ou guiam a migração e a dispersão celular através da MEC. São verdadeiros depósitos de água e criam espa- ços extracelulares, propriedades muito importantes du- rante o desenvolvimento embrionário, já que facilita a formação das vias de migração de muitas populações celulares. São responsáveis, também, pela formação de líquidos viscosos e lubrificantes entre as superfícies em movimento (cavidades pleural e pericárdica, espaços articulares). O edema que é produzido nos processos inflamatórios e em outros processos patológicos é um exsudado que se aloja na MEC. Em conjunto, estes componentes extracelulares são considerados moléculas polifuncionais, já que realizam ou permitem o desenvolvimento de variadas e muitas atividades celulares, com dependência da composição relativa de seus elementos, da localização no organismo e de sua distribuição, tanto em tecidos embrionários como adultos. Histogênese As variedades de TC se diferenciam principalmente a partir da mesoderme, folheto embrionário que se for- ma durante a gastrulação. Por outro lado, o TC e seus derivados que formam o maciço craniofacial e a região anterior do pescoço derivam do ectomesênquima, ori- ginado das células da crista neural (ver cap. 6). TABELA 8-2 Outras macromoléculas presentes na matriz extracelular GAG Condroitim sulfato, dermatan sulfato, heparan sulfato e ácido hialurônico GP Laminina Localiza-se na membrana basal e é fundamental para a criação de uma união dermoepidérmica firme, une-se às integrinas da membrana plasmática, ao heparan, à entactina e ao colágeno tipo IV Entactina Localiza-se na membrana basal e se une à laminina Fibronectina Une-se ao colágeno, aos proteoglicanos e a receptores da superfície celular. Encontra-se no plasma, onde serve para a formação do trombo junto com a fibrina, além do tecido conectivo, com um papel primordialnos mecanismos de migração celular. Osteonectina (SPARC, proteína ácida secretada e rica em cisteína) participa ativamente nos mecanismos de reparação tecidual e inibe a angiogênese Trombospondina Também participa nos mecanismos reguladores da formação de vasos sanguíneos Osteopontina Intervém nos processos de mineralização da matriz, sendo mediador da migração Tenascina Importante papel na diferenciação e na morfogênese do tecido nervoso GAG: glicosaminoglicanos; GP: glicoproteínas. 244 Eynard, Valentich & Rovasio Distribuição e variedades do tecido conectivo Os diversos tipos de TC se diferenciam entre si pelo nú- mero e pela variedade de células e pelas características da MEC. Tecido conectivo frouxo ou areolar É rico em células e as fibras estão entrecruzadas de ma- neira frouxa e em todas as direções; por isso, é um te- cido macio e que cede à pressão. É encontrado na lâ- mina própria e na submucosa dos tratos respiratório e gastrintestinal, bem como fazendo parte das serosas e circundando os tecidos muscular e ósseo. O TC frouxo é muito irrigado e inervado, e por suas características histológicas, permite o deslocamento dos órgãos en- tre si ou entre diferentes regiões do mesmo órgão; por exemplo, a mucosa sobre a submucosa em órgãos como o esôfago, o estômago, os intestinos, os brônquios, etc. (ver Figs. 8-4A-8-5A). Tecido conectivo adiposo Suas células, os adipócitos, se originam a partir de célu- las mesenquimais que se proliferam e se diferenciam, a partir do quinto mês da gestação, em duas variedades. O tecido adiposo unilocular ou gordura branca (amarela nos seres humanos, pelos depósitos de carote- nos) é o mais abundante. Os adipócitos uniloculares sin- tetizam pequenas gotas de triglicerídeos que aumentam de tamanho de maneira progressiva e se aglutinam para formar uma grande gota de gordura neutra que empurra o núcleo até a periferia (Fig. 8-14). Representa a maior parte do tecido adiposo na espécie humana e normal- mente forma de 15 a 20% do peso corporal do adulto. Sua distribuição depende do sexo, da idade e do estado nutricional. É formado por acúmulos de adipócitos que têm contato entre si dentro de uma trama de fibras reti- culares, fibras colágenas e vasos sanguíneos abundantes. O tecido adiposo unilocular pode ser considerado um órgão difuso que possui atividade metabólica va- riada. É um protetor do frio (propriedade isolante); tem funções metabólicas importantes por conter lipídeos, valiosas reservas de combustível para as células e de áci- dos graxos essenciais. Em certas regiões, também serve de proteção mecânica (gordura perirrenal), de almofada na planta do pé e nas palmas das mãos ou de sustenta- ção de outros órgãos. Os adipócitos produzem leptinas, uma variedade de hormônios de ação lipostática, fazendo com que alguns autores considerem que o tecido adiposo seja uma variedade de tecido endócrino. As leptinas in- teragem com o eixo hipotálamo-hipofisário e é pro- duzida a liberação de um hormônio melanócito es- timulante (MSH), ao mesmo tempo em que ativa a glândula tireoide, que induz um aumento da lipólise. As perturbações genéticas ou induzidas na produção de leptinas são uma das bases moleculares para pre- venir e tratar a obesidade, entidade que predispõe a outras patologias, como diabete, câncer e cardiovas- culopatias. O tecido adiposo multilocular ou gordura par- da é pouco desenvolvido na espécie humana, exceto em algumas regiões do organismo, em especial nas crianças recém-nascidas; por outro lado, é desenvol- vido em espécies animais que hibernam. Este tecido adiposo se caracteriza por ser lobulado e muito vas- cularizado, o que lhe proporciona um aspecto glan- duliforme (ver Fig. 8-14). Seus adipócitos, sempre menores que nos brancos, armazenam a gordura no citoplasma em forma de pequenas gotas não agluti- nantes, possuem numerosas mitocôndrias com mui- tas cristas que possuem formações termogênicas ao executar um peculiar desencaixe da fosforilação oxi- dativa, com a consequente liberação de calor. Tecido conectivo denso Difere-se do frouxo porque possui uma quantidade maior de fibras e uma proporção menor de células e de substância fundamental. São reconhecidas duas varie- dades: denso irregular e denso regular. Tecido conectivo denso irregular Tem abundantes fibras colágenas sem um ordena- mento particular. As fibras colágenas são encontradas na derme, nas membranas dos tendões, no revesti- mento dos nervos e nas cápsulas de alguns órgãos (ver Fig. 8-4). Tecido conectivo denso regular Está presente em estruturas expostas a grandes forças de tração e às fibras colágenas, são observadas em fas- cículos ou feixes unidirecionais, no caso dos tendões e dos ligamentos, e dispostos em lâminas ou cama- das superpostas bidirecionais ou multidirecionais nas aponeuroses e nas fáscias, na esclerótica ocular, no periósteo e no pericôndrio. A córnea, camada mais externa e anterior do globo ocular, também é forma- da por TC denso regular, mas neste caso a disposição 245Histologia e embriologia humanas das fibras é tão precisa e carente de vasos sanguíneos que se torna transparente. Tecido conectivo mucoso Caracteriza-se por uma quantidade abundante de GAG, em especial o ácido hialurônico. É encontrado no em- brião, principalmente sob a pele. Contém somente fi- bras colágenas finas e não possui fibras elásticas nem reticulares. É abundante no cordão umbilical, onde é chamado de gelatina de Wharton. Tecido conectivo reticular Possui células reticulares e muitas fibras reticulares que correspondem ao colágeno tipo III. Faz parte do estro- ma de muitos órgãos, como o fígado, os gânglios linfá- ticos, a medula óssea e o baço (ver Fig. 8-9C). Tecido conectivo elástico Contém numerosas fibras elásticas em forma de fascícu- los ou lâminas que se unem ao TC frouxo. É encontra- do nas artérias elásticas, nos ligamentos cervicais poste- F E **** *** ** * A B C Fig. 8-14 A. Desenho de uma preparação de tecido adiposo branco ou unilocular, fixado com tetróxido de ósmio e pós-corado com ATO, incluído em resina, corte semifino. Foram preservados os lipídeos neutros que ainda não são vistos no adipoblasto inativo (*); várias partículas aparecem no citoplasma do adipoblasto em adipogênese (**), as quais, pela progressiva aglutinação (***), formam uma única partícula (****) no adipócito central. E, eosinófilo; F, fibroblasto. B. Adipócitos (seta) entre as células hematopoiéticas de medula óssea (HEM) da cavidade medular de um osso; HE, 400×. C. TC frouxo. São ilustradas as duas varie- dades de gordura; a parda ou multilocular (GPM) tem adipócitos com núcleos centrais, ao passo que nos adipócitos brancos os núcleos aparecem deslocados até a periferia. Arteríola sinalizada com ponta de seta; tricrômico de Masson, 200×. 246 Eynard, Valentich & Rovasio riores, no ligamento amarelo da coluna vertebral e em pequenas lâminas nas cordas vocais (ver Fig. 8-10 C). Respostas normais e patologias do tecido conectivo O TC responde aos estímulos patogênicos com o de- sencadeamento de um processo muito complexo, chamado de inflamação. Para isso, é imprescindível a presença dos vasos sanguíneos, que percorrem o TC, mas que são escassos nos tendões e ligamentos. Quando o ci- rurgião realiza uma operação, as lesões se recuperam porque os fibroblastos se proliferam e sintetizam di- versas moléculas, principalmente tropocolágeno e proteoglicanos. Desta maneira é produzida a união das margens dos tecidos seccionados. Este processo, que está sob o controle de hormônios e vitaminas, é chamado de cicatrização. Nos processos inflamatórios produzidos por agen- tes microbianos, traumatismos, etc., as células do TC têm um papel bem definido: em resposta a um estímulo adequado, os mastócitos liberam histamina e diversos eicosanoides, que agem sobre os capilares e as vênulas que se encontram ao redor, aumentando sua permeabi- lidade devido ao fato de as células endoteliais se incha- rem e sesepararem, e assim permitem a passagem de plasma sanguíneo e leucócitos neutrófilos (diapedese) ao espaço extracelular. É produzido, desta maneira, o edema ou o exsudado inflamatório. Os neutrófilos fagocitam as bactérias e logo se degeneram formando as células do pus (piócitos) que, por sua vez, podem ser fagocitados pelos macrófagos. Em resposta ao estímulo antigênico (cada bactéria possui muitos antígenos), os plasmócitos produzem anticorpos. Desta maneira, a região inflamada se “limpa” de mi- cro-organismos e de outras partículas estranhas, e os fi- broblastos garantem a cicatrização da lesões (ver Fig. 8-3). Alguns distúrbios genéticos ocasionam elementos fibrosos anômalos; os mais frequentes são tratados na Tabela 8-3. TABELA 8-3 Patologias mais frequentes das fibras colágenas e elásticas Patologia do colágeno Tipo I. Osteogênese imperfeita Tipo II. Acondrogênese Tipo IV. Síndrome de Alport Tipo V. Síndrome de Ehlers-Danlos Patologia da elastina Síndrome de Marfan Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. Dica do professor Assista ao vídeo da Dica do Professor a seguir, para caracterizar o tecido conectivo, conhecendo suas funções, partes do organismo em que ele se localiza, tipos de fibra, composição da substância fundamental e demais componentes de sua matriz extracelular. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/c3775d0f1a1cbb878bcdb73e70ae5d1d Exercícios 1) Com relação à substância fundamental pode-se aferir que: A) Constitui-se de complexos de glicosaminoglicanas e proteínas, associados a glicoproteínas estruturais e água que preenchem os espaços entre as células e fibras do tecido conjuntivo. B) Constitui-se de fibras colágenas, reticulares e elásticas, é transparente e opticamente homogênea, representa uma barreira à penetração de partículas estranhas. C) Constitui-se de complexos de glicosaminoglicanas, fibras reticulares e elásticas, células residentes e transitórias, que preenchem os espaços entre as células e fibras do tecido conjuntivo. D) Faz parte do sistema colágeno, participa da primeira linha de defesa do organismo por secretar anticorpos, além de preencher os espaços entre as células e fibras do tecido conjuntivo. E) Não possui fibras colágenas, mas possui fibras reticulares e elásticas. 2) Sabe-se que o tecido conectivo é classificado em frouxo e denso e este, por sua vez, em regular e irregular, sendo assim pode se dizer que: A) No tecido conectivo irregular, há predomínio de fibras colágenas. É um tecido menos flexível e mais resistente às trações. É encontrado na derme profunda da pele e tendões. B) O tecido conectivo denso irregular apresenta fibras de colágeno dispostas em feixes sem orientação fixa. É encontrado na derme profunda da pele. C) O tecido conectivo frouxo é de consistência rígida, pela grande quantidade de fibras colágenas e é resistente às trações. É encontrado nos tendões. D) Em todos os tipos de tecido conectivo encontramos fibras colágenas, elásticas e reticulares em grande quantidade. E) O tecido conectivo regular localiza-se nas cápsulas do rim, do baço e dos linfonodos. 3) Com relação às fibras colágenas do tecido conectivo pode-se dizer que: A) São constituídas por colágeno tipo III associado a uma grande quantidade de glicídios. B) São as fibras formadas por colágeno e são abundantes no tecido conjuntivo. C) Formam o arcabouço dos órgãos hematopoéticos (baço, linfonodos, medula óssea). D) São fibras alongadas e se ligam umas às outras, formando uma trama de malhas regulares. E) Constituem o segundo tipo de proteína mais abundante do nosso organismo. 4) O tecido conjuntivo possui três fibras colágenas, reticulares e elásticas. Sobre elas, analise e assinale a alternativa correta. A) As fibras colágenas são constituídas da proteína colágeno, polimerizada fora das células, a partir do tropocolágeno sintetizado pelos macrófagos. B) Os pulmões são órgãos facilmente sujeitos a expansões de volume, pois são ricos em fibras elásticas, constituídas por elastina, proteína cuja principal função é dar elasticidade aos locais onde se encontra. C) Quanto maior a quantidade de colágeno nos tecidos, maior a elasticidade. Como, por exemplo, nos tendões, onde o colágeno distribui-se em uma só direção, enquanto, no cordão umbilical, formam uma malha difusa entre as células do tecido. D) As células de certos órgãos, como o baço e os rins, são envolvidas por uma trama de sustentação constituída de fibras reticulares, cujo principal componente é a elastina, uma escleroproteína. E) As fibras colágenas, assim como as elásticas, são constituídas de microfibrilas de colágeno, que se unem formando as fibrilas de colágeno. E estas se unem, formando as fibras de colágeno. 5) Em que organela celular é formada o precursor de colágeno, uma importante molécula fibrosa do tecido conectivo? A) Mitocôndria. B) Núcleo C) Retículo endoplasmático D) Ribossomo E) Complexo de Golgi Na prática Existem vários tipos de cânceres. A invasão e a metástase são dois eventos importantes do carcinoma, um tumor derivado dos tecidos epiteliais. A invasão é definida pelo rompimento da membrana basal pelas células tumorais e implica a transição do pré-câncer (ou carcinoma in situ) para o câncer (carcinoma invasivo). A colagenase IV, liberada pelas células tumorais invasivas, dissolve a membrana basal e permite que as células tumorais invadam o tecido conectivo subjacente. Outras proteases, como as colagenases I, II e III, destroem as glicoproteínas e os proteoglicanos, permitindo o maior avanço das células tumorais no tecido conectivo destruído. Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Atlas de Histologia Descritiva Dê continuidade a seus estudos sobre o Tecido Conectivo com esta obra. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Cicatriz: O corpo em restauração Com a leitura do texto a seguir, você poderá entender todas as etapas que o organismo tem de executar para construir a cicatriz após um ferimento. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://super.abril.com.br/saude/cicatriz-o-corpo-em-restauracao/