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Livro 
Didático 
Digital
Unidade 01
Glória Freitas
Educação 
das Relações 
Étnico-Raciais
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Diretora Editorial 
ANDRÉA CÉSAR PEDROSA
Projeto Gráfico 
MANUELA CÉSAR ARRUDA
Autora 
GLÓRIA FREITAS
Desenvolvedor 
CAIO BENTO GOMES DOS SANTOS
GLÓRIA FREITAS
Olá. Meu nome é Glória Freitas. Sou graduada em Pedagogia, com 
mestrado e doutorado na área de educação, com diversas experiências 
técnico-profissionais, na área de Educação, desde 1984, percorrendo 
inicialmente pela Educação Básica (na Educação Infantil e no Ensino 
Fundamental I) em Escolas, posteriormente lecionando em formações 
docentes em Organizações Governamentais e Não Governamentais 
(ONG’s e OSCIPs), e a partir de 1990, lecionando os fundamentos e 
metodologias de ensino, na Formação Docente Inicial e Pós-Graduação, 
no Ensino Superior, em Universidades Públicas e Particulares, em São 
Paulo, Paraná, Ceará, Rondônia e Maranhão. Sou apaixonada pelo que 
faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão 
iniciando em suas profissões. Por isso fui convidada pela Editora 
Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou 
muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. 
Conte comigo!
A AUTORA
INTRODUÇÃO: 
para o início do desen-
volvimento de uma 
nova competência;
DEFINIÇÃO: 
houver necessidade 
de se apresentar 
um novo conceito;
NOTA: 
quando forem 
necessários obser-
vações ou comple-
mentações para o 
seu conhecimento;
IMPORTANTE: 
as observações es-
critas tiveram que ser 
priorizadas para você;
EXPLICANDO 
MELHOR: 
algo precisa ser 
melhor explicado 
ou detalhado;
VOCÊ SABIA? 
curiosidades e inda-
gações lúdicas sobre 
o tema em estudo, se 
forem necessárias;
SAIBA MAIS: 
textos, referências 
bibliográficas e links 
para aprofundamento 
do seu conhecimento;
REFLITA: 
se houver a neces-
sidade de chamar a 
atenção sobre algo 
a ser refletido ou 
discutido sobre;
ACESSE: 
se for preciso aces-
sar um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO: 
quando for preciso 
se fazer um resumo 
acumulativo das 
últimas abordagens;
ATIVIDADES: 
quando alguma ativi-
dade de autoaprendi-
zagem for aplicada;
TESTANDO: 
quando o desen-
volvimento de uma 
competência for 
concluído e questões 
forem explicadas;
Olá. Meu nome é Manuela César de Arruda. Sou a responsável pelo 
projeto gráfico de seu material. Esses ícones irão aparecer em sua trilha 
de aprendizagem toda vez que:
ICONOGRAFIA
SUMÁRIO
Explicando a diversidade cultural como característica da 
nossa formação humana e nacional.................................10
Explicando a Diversidade Cultural como Característica da 
nossa Formação Humana e Nacional: Conceito de Diversidade 
Cultural.............................................................................10
Explicando a Diversidade Cultural como Característica da 
nossa Formação Humana e Nacional e a presença dela na 
escola.................................................................................19
Reconhecendo o Discurso Pedagógico da Diversidade....25
Entendendo a introdução a Educação Étnico-Racial......37
Entendendo a introdução a Educação Étnico-Racial: 
Conceitos de Etnia e Raça................................................37
Entendendo a introdução a Educação Étnico-Racial na 
Realidade Brasileira ..........................................................39
Analisando os Fundamentos Legais para a Educação das 
Relações Étnico-Raciais...................................................42
Educação das Relações Étnico-Raciais 7
UNIDADE
01
Educação das Relações Étnico-Raciais8
Olá! Você estudará nesta unidade acerca da diversidade cultural 
como característica da nossa formação humana e nacional e o discurso 
pedagógico da diversidade, especialmente no ambiente escolar. 
Além disso, veremos sobre a educação a partir dos conceitos de 
etnia e raça, sobretudo na realidade brasileira. E ainda, analisaremos os 
fundamentos legais da educação das relações étnico-raciais. 
Preparado(a)? Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar 
neste universo!
INTRODUÇÃO
Educação das Relações Étnico-Raciais 9
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 1. Nosso propósito é auxiliar 
você no desenvolvimento das seguintes objetivos de aprendizagem até o 
término desta etapa de estudos:
 • Entender a diversidade cultural como característica da nossa 
formação humana e nacional. 
 • Reconhecer o discurso pedagógico da diversidade. 
 • Compreender os conceitos básicos da educação étnico-racial 
 • Analisar os fundamentos legais para a educação das relações 
étnico-raciais.
Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao 
conhecimento? Ao trabalho! 
OBJETIVOS
Educação das Relações Étnico-Raciais10
Explicando a diversidade cultural como 
característica da nossa formação humana 
e nacional 
INTRODUÇÃO
Ao término deste capítulo você será capaz de reconhecer 
a diversidade cultural como característica da nossa 
formação humana e nacional e o Discurso Pedagógico 
da Diversidade, o conceito de Diversidade Cultural e a 
presença da Diversidade Cultural na escola. Conseguirá 
explicar a Diversidade Cultural como Característica da nossa 
Formação Humana e Nacional. Será capaz de reconhecer 
o Discurso Pedagógico da Diversidade e entender a 
introdução a Educação Étnico-Racial. Por fim, será capaz 
de analisar os Fundamentos Legais para a Educação das 
Relações Étnico-Raciais. Isto será fundamental para o 
exercício de sua profissão. Isto será fundamental para 
a sua compreensão sobre a Diversidade Cultural como 
Característica da nossa Formação Humana e Nacional e o 
Discurso Pedagógico da Diversidade. E então? Motivado 
para desenvolver esta competência? Então vamos lá. 
Avante!
Explicando a Diversidade Cultural 
como Característica da nossa Formação 
Humana e Nacional: Conceito de 
Diversidade Cultural
Vamos começar explicando a Diversidade Cultural como 
Característica da nossa Formação Humana e Nacional requer a busca 
de conceito de Diversidade Cultural para conseguir melhor explicá-la. 
Você já conhece a expressão Diversidade Cultural? Em algum momento 
de sua formação estudantil já leu ou ouviu que a Diversidade Cultural 
seria algo relevante na nossa formação humana e na formação do Povo 
Brasileiro. Já ouviu alguém falando sobre a importância de os futuros 
Educação das Relações Étnico-Raciais 11
educadores reconhecerem as diversidades culturais que aparecem 
dentro de sala de aula? E ouviu professores falando sobre isso?
Estas e outras indagações levam a uma questão inicial e que 
precisará ser respondida: afinal, qual é o significado de Diversidade 
Cultural? Diversidade pode significar variedade, diferença e 
multiplicidade. A diferença é qualidade do que é diferente; o que 
distingue uma coisa de outra, a falta de igualdade ou de semelhança 
(ABRAMOVICH, 2006, p12).
Diversidade Cultural remete ao termo cultura. Cultura está 
relacionada a todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, 
as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões 
adquiridos pelo ser humano não somente em família, como também por 
fazer parte de uma sociedade da qual é membro. Em 1871, cultura foi 
definida por Edward Burnett Tylor, na sua obra “A cultura primitiva”, é 
todo o complexo de conhecimentos, artes, moral, crenças, costumes, 
leis, costumes, capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem, como 
membro e dentro da sociedade (TYLOR, 1871). 
Entendemos que cultura não pode ser pensada de forma 
singular. O mais certo é dizer culturas, sempre no plural, lembrando que 
são mutantes, ou seja, mudam os valores, leis, práticas. São múltiplas as 
crenças e variadas as práticas. Como são diversificadas as instituições, 
dentre das diferentes formações sociais! Na realidade, é verdadeiro 
afirmar que dentro de uma sociedade, como a brasileira, porexemplo, 
caracterizada por ser, como qualquer outra, temporal e histórica, que 
aconteçam muitas transformações culturais (CHAUÍ, 1995).
Claro que os futuros professores necessitarão de reflexões sobre 
a definição de cultura. Ou seriam definições? O que é inegável é que 
você pertence a uma cultura local, situada em uma determinada região 
do Brasil, e na região em que você vive existem distintos grupos sociais. 
Existe no Brasil minorias étnicas como os Povos Indígenas ou Povos 
Originários do Brasil. E existe uma cultura universal e que é patrimônio 
da humanidade. 
 A cultura é um processo de humanização que imprime significados 
da vida social. Em sociedades plurais, como a sociedade brasileira, 
convivem diferentes matrizes culturais, diferentes idiomas culturais. Cada 
Educação das Relações Étnico-Raciais12
uma das culturas consigna uma visão de mundo, um quadro próprio de 
referência, seus próprios modos de pensar, de conhecer, de sentir, de 
fazer, de ser. Assim é comum que cada cultura desenvolva seus próprios 
sistemas de classificação, capaz de organizar o real, em conformidade 
com a sua própria lógica simbólica. Sendo assim as distintas culturas 
carregam suas dessemelhanças. Não são mesmo iguais, são diversas, 
são diferentes. Sendo assim e pensando na nossa realidade brasileira, a 
nossa diversidade cultural é resultante da sociedade plural que somos, 
do norte ao sul do imenso país. 
Figura 1: Sociedade
Fonte: Freepik
Como querer afirmar que somos sujeitos submetidos a uma 
cultura única e indivisível, chamada Cultura Nacional Brasileira? Como 
somos pertencentes a esta sociedade plural, decorrente disso surge 
esta vastidão de diversidades culturais, neste país chamado Brasil. O 
que não quer dizer que tudo é pacífico, integrado e ocorra em uma 
perfeita união entre tantas diversidades culturais. Algo impede uma 
maior comunicação entre nossas diversidades culturais. 
Educação das Relações Étnico-Raciais 13
Diante disso, o que dificulta e impede é o fato de estarmos 
imersos na ideia etnocêntrica de que algumas diversidades culturais 
são superiores ou melhores que outras. O que impede que sejamos 
capazes de reconhecer e respeitar as alteridades, aquilo que o outro é 
e representa diferente de si. E isso causa exclusões ou desrespeitos às 
outras diversidades culturais. Ou seja:
Embora se intercomuniquem, essa comunicabilidade é 
regida pelo ordenamento social de natureza etnocêntrica 
que estrutura as relações de alteridade em nossa 
sociedade. Os mecanismos de integração, assimilação, 
disjunção e troca, na medida em que orientados 
etnocentricamente, configuram uma dinâmica assimétrica, 
excludente. (BANDEIRA, 2003, p. 143)
Diversidade cultural pode ser conceituada como a representação, 
dentro de um sistema social, de pessoas afiliadas aos grupos 
distintamente diferentes, do ponto de vista de significado cultural 
(HANASHIRO; CARVALHO, 2005). Trazendo a luz a discussão das 
diversificadas expressões culturais, entre diferentes grupos, majoritários 
ou minoritários. Outra forma de conceituar Diversidade Cultural, levando 
em conta a ideia de Identidade Cultural (o que se relaciona com as 
certezas que temos de pertencimento a uma determinada cultura), 
é afirmar que se trata de um conjunto imenso de pessoas, que não 
partilham das mesmas identidades grupais, suas identidades enquanto 
pertencentes a grupos são distintas e bem delimitadas, mesmo que 
vivam no mesmo sistema social.
O autor completa que, a diversidade cultural englobaria os mais 
diversos grupamentos humanos, percorrendo um caminho que passa 
por raça e por gênero, dando conta de abarcar a idade, história pessoal 
e corporativa, formação educacional, função e personalidade. Inclui, 
também, estilo de vida, preferência sexual, origem geográfica. 
Além disso, existem conceituações que diferenciam dimensões 
primárias, definidas como diferenças humanas imutáveis, tais como 
idade, etnia, gênero, raça, orientação sexual e habilidades físicas; 
e diferenças secundárias mutáveis: como formação educacional, 
localização geográfica e experiência de trabalho.
Educação das Relações Étnico-Raciais14
Nas nossas ações sociais e culturais demonstramos que cada 
um de nós passa por um processo de produção da identidade e de 
diferença. E isso nos diferencia uns dos outros. E que precisam ser 
respeitados socialmente e no âmbito das instituições que frequentamos, 
principalmente na escola. Os que trabalham na escola devem ir além 
da tolerância, do respeito às diferenças, com relação a identidade e 
diferença de cada aluno, e isso começa por procurar entender como 
são produzidas as identidades culturais.
A diversidade biológica pode ser um produto da natureza; 
o mesmo não se pode dizer da diversidade cultural. A 
diversidade cultural não é, nunca, um ponto de origem: ela 
é, em vez disso, o ponto final de um processo conduzido 
por operações de diferenciação. Uma política pedagógica 
e curricular da identidade e da diferença tem a obrigação 
de ir além das benevolentes declarações de boa vontade 
para com a diferença. Ela tem que colocar no seu centro 
uma teoria que permita não simplesmente reconhecer e 
celebrar a diferença e a identidade, mas questioná-las. 
(SILVA, 2000, p.100)
É interessante começar a busca pelos significados da expressão 
Diversidade cultural, destacando o cuidado e diferenciando-a do 
senso comum, daquilo que costumamos ouvir e de opiniões pessoais. 
Diversidade Cultural não é fazer a defesa de que o nosso país, o Brasil, 
é pluriétnico (formado por muitas etnias diferentes, tanto autóctones 
(nativas) ou que vieram de outros continentes como o africano, europeu 
e asiático, e é pluricultural (diferentes culturas estão presentes na nossa 
realidade). 
Educação das Relações Étnico-Raciais 15
Figura 2: diversidade
Fonte: Freepik
Não devemos confundir diversidade cultural com uma política 
universalista de maneira a contemplar o todo, todas as formas culturais, 
todas as culturas, como se pudessem ser dialogadas, trocadas 
(ABRAMOVICH; RODRIGUES; CRUZ, 2011, p. 94). Passando uma impressão 
errônea que a diversidade cultural seria o campo esvaziado da diferença, 
ou seja, a diversidade cultural acaba por abolir diferenças profundas e 
intensas das pessoas e de seus grupos sociais de pertencimento. Isso 
não é verdade!
A diversidade Cultural precisa ser diferenciada das explicações 
que aniquilem as desigualdades. Já que as desigualdades são reais e 
expressas em muitos modos, inclusive pelas manifestações culturais de 
distintos grupos sociais. 
Há desigualdades irreconciliáveis, seja de poder, seja das 
classes sociais, mas isto é obscurecido. Portanto, há muitas 
maneiras de esvaziar aquilo que são diferenças que é o 
contrário da construção identitária, pois cabe às diferenças: 
borrá-las. Em relação à diversidade supõe-se que a troca 
se realiza entre homens livres e iguais, o que sabemos não 
existe. (ABRAMOVICH; RODRIGUES; CRUZ, 2011, p. 94) 
Educação das Relações Étnico-Raciais16
O instigante tema diversidade cultural convoca a um 
posicionamento crítico e político, solicitando um novo olhar. E é mais 
ampliado que consiga abarcar os seus múltiplos recortes. Diante de 
uma realidade cultural e racialmente miscigenada, como é o caso da 
sociedade brasileira, essa tarefa torna-se ainda mais desafiadora.
Ao falar em diversidade cultural, entram em cena partes 
consideráveis da população brasileira: negros, índios, mulheres, 
homossexuais e pessoas com deficiência, ganham visibilidades às lutas 
que estes grupos travaram, ao longo da história do Brasil, batalhas para 
garantir às suas diversidades e o clamor por políticas públicas que sejam 
capazes de atender os seus anseios. 
É interessante ressaltar que alguns sujeitos e grupos vão à 
luta para garantir suas visibilidades e em busca de políticas públicas 
afirmativas, como os Povos Indígenas Brasileiros eos Afrodescendentes. 
É perceptível que: 
[...] imigração, gênero, sexualidade, raça, etnia, religião e 
língua são os principais fatores que desencadearam um 
processo de mobilização e discussão sobre a diversidade, 
sendo que em vários contextos esses fatores estão 
inter-relacionados ou interseccionados. (ABRAMOVICH; 
RODRIGUES; CRUZ, 2011, p. 87) 
É possível entender diversidade cultural como sendo as diferenças 
construídas culturalmente, tornando-se, então, empiricamente 
observáveis; e ainda podemos entender como diversidade cultural as 
diferenças também construídas ao longo do processo histórico, nas 
relações sociais e nas relações de poder. Muitas vezes, os grupos 
humanos tornam o outro diferente para fazê-lo inimigo, para dominá-lo.
Gomes (2003) fala que, tratar da diversidade cultural vai além de 
reconhecer o Outro, saber da existência dele com e na sua diferença. 
Constitui em pensar a relação entre o Eu e o Outro. Eis o encantamento 
em discutir sobre a diversidade. Ao considerarmos o outro, o diferente, 
não deixamos de focar a atenção sobre o nosso grupo, a nossa história, 
o nosso povo. Ou seja, falamos o tempo inteiro em semelhanças e 
diferenças.
Educação das Relações Étnico-Raciais 17
Diversidade cultural vai além do ato de analisar um comportamento 
individual. E ainda exige uma discussão política, em razão da diversidade 
cultural tratar das relações estabelecidas entre os grupos humanos e 
por isso mesmo não está fora das relações de poder. Ela diz respeito aos 
padrões e aos valores que regulam essas relações (GOMES, 2003, p. 72).
Ao relacionar a discussão da diversidade cultural inseridas nas 
atividades escolares é necessário impedir que ele seja pensado como 
um tema transversal. Muito mais do que um tema ou um conteúdo a 
ser incluído no currículo, a diversidade cultural é um componente do 
humano. Ela é constituinte da nossa formação humana. Somos sujeitos 
sociais, históricos, culturais e, por isso, mesmo diferentes (GOMES, 2003, 
p. 73). 
Quando a educação se volta para a garantia da diversidade 
cultural, realiza um direito das crianças. E, ainda, faz das diferenças 
um trunfo, explorá-las na sua riqueza, possibilitar a troca, proceder 
como grupo, entender que o acontecer humano é feito de avanços e 
limites. O que significa abrir conexões entre tantos elementos distintos 
da vasta cultura brasileira. Em uma busca intensa pelo novo e capaz 
de incentivar as vidas dos educandos. Devendo levar os educadores a 
buscar a adoção de práticas pedagógicas, sociais e políticas em que as 
diferenças sejam entendidas como parte de nossa vivência e não como 
algo exótico e nem como desvio ou desvantagem.
A diversidade é uma mistura de pessoas, detentoras de identidades 
distintas, mas interagindo em um só sistema social. Nesses sistemas, 
coexistem grupos de maioria e de minoria. Os grupos de maioria são os 
grupos cujos membros historicamente obtiveram vantagens em termos 
de recursos econômicos e de poder em relação aos outros.
Ao falar diversidade cultural aparece a necessidade de saber o 
que queremos dizer com a palavra Diversidade e com a palavra Cultura, 
e, posteriormente será possível chegar a um significado para a expressão 
Diversidade Cultural.
A diversidade cultural é a riqueza da humanidade. Para 
cumprir sua tarefa humanista, a escola precisa mostrar aos 
alunos que existem outras culturas além da sua. Por isso, 
a escola tem que ser local, como ponto de partida, mas 
Educação das Relações Étnico-Raciais18
tem que ser internacional e intercultural, como ponto de 
chegada. Autonomia da escola não significa isolamento, 
fechamento numa cultura particular. Escola autônoma 
significa escola curiosa, ousada, buscando dialogar com 
todas as culturas e concepções de mundo. Pluralismo 
não significa ecletismo, um conjunto amorfo de retalhos 
culturais. Significa sobretudo diálogo com todas as culturas, 
a partir de uma cultura que se abre as demais. (GADOTTI, 
1992, p. 23)
SAIBA MAIS
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso 
à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Artigo: 
Educação para a Diversidade: uma prática a ser construída 
na Educação Básica (Silva, 2007), 
Acessível pelo link: https://bit.ly/315QTmA
Figura 3: Cerimônia de encerramento da nona edição dos Jogos dos Povos Indígenas 
(Olinda PE)
Fonte: Wikimedia Commons
https://bit.ly/315QTmA
Educação das Relações Étnico-Raciais 19
Explicando a Diversidade Cultural 
como Característica da nossa Formação 
Humana e Nacional e a presença dela na 
escola 
Você já é capaz de explicar a diversidade cultural como 
característica da nossa formação humana e nacional e conceituar 
diversidade cultural? Agora, você vai será desafiado a conseguir explicar 
a diversidade cultural como característica da nossa formação humana e 
nacional, e refletir sobre a presença dela na escola. 
As reflexões e publicações sobre temas como diversidade cultural, 
na sua relação com as minorias, e impôs como um tema proeminente, 
em países da América do Norte – Canadá e Estados Unidos. Desde 
a década de 60, os movimentos políticos a favor da integração racial 
levaram à promulgação de leis visando à igualdade de oportunidades 
de educação e ao emprego para todos (FLEURY, 2000, p.19).
Zelosos dos seus importantes papéis, os educadores deverão 
agir para integrar as diversidades culturais que coexistam dentro da 
escola e da sala de aula, instaurando um respeito as alteridades, aos 
outros e aos alunos. 
Levando em consideração os discursos simbólicos que 
consigam justificar as relações de alteridade, o formato e a 
maneira como esses discursos se reproduzem ou de como 
enfatizam determinados fragmentos temáticos, oportunos 
em dada situação, momento ou contexto particular, sempre 
transformando a diferença em desigualdade (BANDEIRA, 
2003, p. 143)
Estar em uma escola, aprendendo ou lecionando, representa 
momentos significativos para ter contato e adquirir elementos 
importantes da cultura universal. Bem como é uma oportunidade de 
aprender a lidar com as diferenças locais, regionais, de cada grupo 
social, raciais, de gênero e convivendo com as minorias étnicas.
A diversidade étnico-cultural nos mostra que os sujeitos 
sociais, sendo históricos, são, também, culturais. Essa 
constatação indica que é necessário repensar, rompendo 
Educação das Relações Étnico-Raciais20
com as práticas seletivas, fragmentadas, corporativistas, 
sexistas e racistas. (GOMES e GONÇALVES e SILVA, 2006, 
p. 25)
Dentro desta perspectiva, cabe ao educador, ao deparar-se 
com as diversas manifestações culturais populares ou culturas da 
cidadania, agir respeitando-as e dando-lhes vozes, dentro da escola. 
Cultura popular seria, na perspectiva de Paulo Freire, tomada de 
consciência da realidade nacional, para produzir transformações e criar 
formas de relações sociais e políticas; significa consciência de direitos, 
possibilidade de criar novos direitos e capacidade de defendê-los contra 
o autoritarismo, a violência (simbólica ou não) e o arbítrio.
Interessará, certamente, a cada futuro educador, usar seus 
tempos na universidade, para preparar e consolidar, um modo adequado 
e consistente para o exercício do magistério, focada na realidade de que 
os alunos trazem múltiplas expressões de distintas culturas, implicando 
a necessidade de a educação ser multicultural, pluralista (não são 
homogêneos mesmos os alunos como não somos homogêneos os 
brasileiros). E, as futuras ações didáticas deverão ser focadas no respeito 
à cultura de cada aluno, portanto, democrática. Cada educador deverá 
estar disposto a instaurar a equidade e o respeito mútuo, superando 
preconceitos de toda espécie, principalmente os preconceitos de raça 
e de pobreza. 
O que significa que o professor deverá ter respeito aos direitos dos 
alunos e que ninguém poderá deixar de matriculado e de permanecer na 
escolapor qualquer tipo de preconceitos. Neste sentido os estudantes 
universitários que estão almejando os exercícios do magistério deverão 
aprender sobre a importância da renovação dos conteúdos culturais 
escolares, fazendo dialogar com a educação regular (aquela que 
acontece nas salas de aula) com os conteúdos aprendidos no âmbito 
da educação não-formal, firmando compromissos com uma educação 
para a equidade.
Educação das Relações Étnico-Raciais 21
Figura 4: Educador
Fonte: Freepik
Isso acontece quando se leva a sério a diferença cultural. O respeito 
aos direitos humanos é fator para a democracia e, justamente, democracia 
e direitos humanos não se constituíram, a não ser muito recentemente e 
com raras exceções, em conteúdos nodais da escola brasileira.
É preciso experimentar uma educação multicultural, focada no 
que é universal e ao mesmo tempo é específico de um povo. Toda 
escola deve abrir os horizontes de seus alunos para a compreensão de 
outras culturas, de outras linguagens e modos de pensar, num mundo 
cada vez mais próximo, procurando construir uma sociedade pluralista 
e interdependente.
As crianças chegam às escolas e carregam suas condições sociais 
próprias e relacionadas aos grupos sociais que pertencem. É necessário 
perceber que elas não são apenas portadores de especialidades 
biopsicológicas. Os educadores precisam entender que a infância é uma 
construção social. Infância é distinta de imaturidade biológica, não é 
natural nem universal e aparece como componente estrutural de muitas 
sociedades (ROCHA; COSTA, 2014, p.85). 
Educação das Relações Étnico-Raciais22
Por isso, é importante verificar as relações sociais em que as 
crianças estão inseridas, ao mesmo tempo em que devem ser vistas 
como participantes do mundo social e produtores de culturas diversas. 
Devem ser vistas como ativas na construção e determinação das suas 
próprias vidas, das vidas dos que cercam e das sociedades onde vivem. 
Crianças não são sujeitos passivos das estruturas.
As crianças interagem com muitos subgrupos etários e não ficam 
estáticos nas suas capacidades de ação, de expressar sentimentos e 
pensamentos, de movimentar-se com autonomia. É importante lembrar 
que as crianças são constituídas como seres sociais, e assim sendo 
disseminam-se pelos diversos modos de estratificação social: a classe 
social, a etnia a que pertencem, a raça, o gênero, a região do globo onde 
vivem. Os diferentes espaços estruturais diferenciam profundamente as 
crianças. (SARMENTO, 2005, p. 370)
Vamos a um exemplo prático, ao comparar um menino europeu, 
na faixa etária entre 6 e 12 anos, pertencente a etnia dominante europeia 
e de raça branca, com família submetida as condições econômicas 
favoráveis e possuindo maiores possibilidades de viver com saúde, 
que tem acesso e permanência escolar garantidos, com seus direitos 
de brincar, ser alimentado suficientemente, portar boas roupas, ter 
brinquedos, viver em uma boa casa e ter horas de lazer favorecidas, em 
comparação com uma menina da América do Sul, na Índia ou África, vinda 
das classes populares e mais empobrecidas sul-americana, indiana ou 
africana, é imprescindível entender que a diversidade social e cultural 
distingue este menino europeu destas meninas que vivem em condições 
econômicas precárias, em seus distintos continentes. Isso significa que 
são bastante menores, neste caso, as possibilidades de estudar, brincar 
e aceder a bens de consumo, e muito maiores as possibilidades de estar 
doente e de ter sobre os ombros as responsabilidades e os encargos 
domésticos.
As crianças demandam tratamentos que levem em conta a 
diversidade que as tornam os sujeitos que são. Não é justo que o 
educador, na sala de aula, as veja parcialmente. É imperativo que 
os professores façam distinções efetivas, conceituais, semânticas 
(processos de referenciação e significação próprias das crianças sobre 
Educação das Relações Étnico-Raciais 23
a infância e suas diversidades culturais, sintáticas (relativas as regras de 
articulação entre os elementos simbólicos) e morfológicas (referentes a 
especificação das formas que adotam os elementos característicos das 
culturas da infância). 
Desta forma, cabe ao professor entender que a criança enquanto 
um sujeito concreto que integra essa categoria geracional e que, na sua 
existência, para além da pertença a um grupo etário próprio, é sempre 
um ator social que pertence a uma classe social, a um gênero etc. Assim, 
cada criança deverá ser tratada como um sujeito que vive mergulhado 
à sua própria diversidade cultural, e que poderá até coincidir em 
alguns elementos com as culturas de seus professores, mas difere em 
muitos pontos e precisará ser respeitada no seu direito a sua específica 
diversidade cultural. 
Junto com seus pares, com as crianças que compartilham o 
seu cotidiano, a escola deverá não coibir a apropriação, reinvenção e 
a reprodução que elas produzem juntas, colaborando para conseguir 
lidar com experiências contraproducentes, ao mesmo tempo em que se 
estabelecem fronteiras de inclusão e exclusão (de gênero, de subgrupos 
etários, de status) que estão fortemente implicados nos processos de 
identificação social. Caberá aos que planejam as rotinas educativas: 
[...] construir novos espaços educativos que reinventem a escola 
pública como a casa das crianças, reencontrando a sua vocação 
primordial, isto é, o lugar onde as crianças se constituem, pela 
ação cultural, em seres ditados do direito de participação cidadã 
no espaço coletivo. (SARMENTO, 2002, p. 16)
É necessário levar em conta a criança enquanto portadora de 
diversidade cultural, e a responsabilidade do educador como quem 
sustenta, com bastante respeito, lugares de convivências criativas. 
Deve-se deixá-las livres como atores sociais, nas diversidades 
culturais e nas alteridades delas. Cada criança deve ser reconhecida 
como Outro e reconhecer as demais naquilo que elas carregam como 
Outro também, com os adultos. As condições culturais e sociais são 
heterogêneas, mas incidem perante uma condição infantil comum: a de 
uma geração desprovida de condições autônomas de sobrevivência e 
de crescimento e que está sob o controlo da geração adulta. 
Educação das Relações Étnico-Raciais24
Os conteúdos e as formas presentes nas culturas infantis são 
interdependentes das culturas das sociedades onde vivem, sendo afetadas 
pelas mais diversas relações de classe, de gênero e de proveniência étnica, 
que impedem definitivamente a fixação num sistema coerente único dos 
modos de significação e ação infantil. As crianças precisam ser reconhecidas 
como produtores de cultura própria à sua geração. 
E são estas culturas da infância que exprimem as contradições 
que visualizam na sociedade em que habitam. A escola e a família são 
espaços que oferecem interações diversas e o contato com culturas 
dirigidas pelos adultos (pais e professores) e culturas construídas nesses 
encontros entre as crianças. Os adultos costumam oferecer produtos 
de suas culturas às crianças. Passam às novas gerações suas decisões 
arbitrárias ao selecionarem ou recusarem alguns valores e saberes. 
Isso acontece com os pais, com os educadores e é perceptível no 
conjunto de dispositivos culturais produzidos para as 
crianças, com uma orientação do mercado, configuradora 
da indústria cultural para a infância (literatura infantil, jogos 
e brinquedos, cinema, bandas-desenhadas, jogos vídeo e 
informativos, sites e outros dispositivos da Internet, serviços 
variados – de férias, de tempos livres, de comemoração de 
aniversário, de festas, etc.). (SARMENTO, 2002, p. 5) 
SAIBA MAIS
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso 
à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Artigo: 
Multiculturalismo e educação: em defesa da diversidade 
cultural (Silva, 2007),
Acessível pelo link: https://bit.ly/2S1HQPt
E então? Gostou do que lhe mostramos?Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu 
o tema de estudo até aqui, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve 
ter aprendido, até este momento, a explicar a Diversidade Cultural como 
Característica da nossa Formação Humana e Nacional, o conceito de 
Diversidade Cultural e a presença da Diversidade Cultural na escola.
https://bit.ly/2S1HQPt
Educação das Relações Étnico-Raciais 25
Reconhecendo o Discurso Pedagógico da 
Diversidade
Figura 5: Apoio a diversidade
Fonte: Freepik
Reconhecendo o discurso pedagógico da diversidade é 
necessário para você entender as responsabilidades e adesões da 
escola e dos educadores sobre a importância de promover a diversidade 
nas atividades educativas. Você percorrerá pela história do discurso 
pedagógico hegemônico, desde a idade moderna, e posteriormente 
entenderá sua diferenciação com o discurso pedagógico da diversidade. 
O Discurso Pedagógico revela aquilo acontece nas relações 
entre os professores e os alunos, dos detalhes mais insignificantes aos 
mais essenciais. Trata nas formas como a escola pretende modificar as 
mentes, os modos de agir e de pensar das novas gerações a favor da 
Diversidade. 
É inegável que as nossas indissociáveis e interdependentes 
identidades e diferenças, são geradas a partir da nossa condição de 
sujeitos ou asujeitados à linguagem, no âmbito de um específico dentro 
discurso. Isso deve inspirar os educadores a examinar, minuciosamente, 
Educação das Relações Étnico-Raciais26
seus modos de produção, onde e quando foram produzidas, através do 
discurso.
A maioria das escolas costumam operar a favor da normalização e 
este movimento, no interior das salas de aulas parece estar produzindo 
mais expurgo da norma do que identidades encaixadas na ordem. Quer 
dizer, há cada vez mais ‘estranhos’ do que ‘normais’. Na medida em 
que os professores tentam domar as identidades dos seus alunos mais 
proliferam as diferenças. Indagando se não existiria uma possibilidade 
pedagógica para lidar com a diferença sem excluí-la, Costa (2008) 
defende que seria indispensável desessencializar as identidades e 
historicizá-las, mostrar e problematizar as identidades em sua face 
construída, produzida nas injunções políticas do poder no interior das 
sociedades e das culturas.
O pensamento de Michel Foucault vai ajudar você a entender sobre 
os discursos e sobre as práticas atreladas a eles. Este autor francês entendia 
que os discursos são poderosos, agem, vigiam e controlam os sujeitos. É bem 
difícil escapar de tanta vigilância e das recorrentes punições nas instituições, 
dos rótulos que vão sendo pregados na testa dos que não respeitam as 
normas, a partir da saída da Idade Média, na Idade moderna. São
os discursos eles mesmos que exercem seu próprio 
controle; procedimentos que funcionam, sobretudo, a 
título de princípios de classificação, de ordenação, de 
distribuição, como se tratasse desta vez, de submeter 
outra dimensão do discurso: a do acontecimento e do 
acaso. (FOUCAULT, 2002 p.21)
Historicamente, a partir da modernidade, a escola passa a agir de 
um modo diferenciado das práticas medievais. Foucault bem mais tarde 
estudou este momento histórico (século XX). Estudou os colégios da 
Era Moderna, seus disciplinamentos, vigilâncias e punições, respaldadas 
pelo discurso hegemônico moderno, com seus objetivos de controlar 
e moldar a subjetivação dos sujeitos na modernidade, focando na 
formação do aluno, filho dos burgueses e cristãos. Tal discurso carregava 
seus mecanismos de poder, controle e disciplinamento, que eram vistos 
como inquestionáveis e posteriormente naturalizados como regras 
infalíveis em nome da racionalidade, para educar as novas gerações. 
Educação das Relações Étnico-Raciais 27
Interessou a Foucault estudar sobre a história das construções 
sociais impostas sobre os alunos, bem como os saberes e poderes 
que os discursos pedagógicos veiculam. Suas pesquisas sobre este 
importante momento da história da educação revelaram o aluno, na 
modernidade, asujeitado ao discurso pedagógico e seus métodos, 
mostrando seu poder dentro dos colégios. E tal poder é conhecido 
como poder disciplinar:
O poder disciplinar é com efeito um poder que, em vez de 
se apropriar e de retirar, tem como função maior ‘adestrar’; 
ou sem dúvida adestrar para retirar e se apropriar ainda 
mais e melhor. (...) A disciplina ‘fabrica’ indivíduos; ela é a 
técnica específica de um poder que toma os indivíduos ao 
mesmo tempo como objetos e como instrumentos de seu 
exercício. Não é um poder triunfante que, a partir de seu 
próprio excesso, pode-se fiar em seu superpoderio; é um 
poder modesto, desconfiado, que funciona a modo de uma 
economia calculada, mas permanente (FOUCAULT, 1981, 
p.153)
Figura 6: Focault
Fonte: Wikimedia Coommons
Educação das Relações Étnico-Raciais28
Foucault (1981), contribuiu para o entendimento de que foram 
elaborados, a partir da modernidade, métodos capazes de realizar 
o controle meticuloso das operações do corpo, sujeitando-o nas 
suas forças, tornando-o dócil e útil. Estes métodos operados para 
conseguir tal asujeitamento é denominado ‘disciplinas’. Tais processos 
disciplinares ou disciplinamentos levariam tempos para serem operados 
nos conventos, oficinas e exércitos e foram expandindo seus domínios, 
passando a ser fórmulas gerais de dominação dos sujeitos, no decorrer 
XVII e XVIII. Diferenciados dos tempos e dos modos da escravidão, na 
antiguidade e nos tempos medievais, a modernidade traz novidades, 
pois não fundamentam numa relação de apropriação dos corpos; é 
até a elegância da disciplina dispensar essa relação custosa e violenta 
obtendo efeitos de utilidade pelo menos igualmente grandes.
O que fabricaria a disciplina? Foucault responde que fabrica 
indivíduos, a disciplina é uma técnica própria e relacionada a um poder, 
que coisifica os sujeitos, transformando-os em objetos e instrumentos 
de seu funcionamento. Não age pelo excesso e confiante no seu imenso 
poder, representa um poder módico, acanhado, funcionando a modo 
de uma economia calculada, mas permanente. Humildes modalidades, 
procedimentos menores, se os comprarmos aos rituais majestosos da 
soberania ou aos grandes aparelhos do Estado.
Vieram das descobertas das ciências modernas, como da 
Medicina e alguns eficazes modelos de normatização, como por 
exemplo, as ortopedizações empregadas para endireitar o corpo, 
transportado para disciplinar as mentes dos alunos, nos colégios. 
Avançou a pedagogização do conhecimento e o disciplinamento tantos 
nos corpos como nas mentes dos alunos. Não parando nunca mais e 
permanece atual na estrutura escolar e nos discursos pedagógicos, 
normatizando os sujeitos, professores ou alunos.
Normatizou-se primeiro a produção dos canhões e dos 
fuzis, em meados do século XVIII, a fim de assegurar 
a utilização por qualquer soldado de qualquer oficina, 
etc. depois de ter normatizado os canhões, a França 
normatizou seus professores. As primeiras Escolas 
Normais, destinadas a dar a todos os professores o mesmo 
Educação das Relações Étnico-Raciais 29
tipo de formação e, por conseguinte, o mesmo nível de 
qualificação, apareceram em torno de 1775, antes de sua 
institucionalização em 1790 ou 1791. A França normatizou 
seus canhões e seus professores, a Alemanha normatizou 
seus médicos. (FOUCAULT, 1982, p. 83)
Foucault (2002) comenta que em todas as sociedades ocorrem 
produção de discurso, que é, simultaneamente, controlada, selecionada, 
organizada e redistribuída por certo número de procedimentos que têm 
por função conjurar seus poderes e perigos, dominar seu acontecimento 
aleatório, esquivar sua pesada e temível materialidade. Um dos 
procedimentos é a exclusão, outro deles é a interdição. Em alguns casos, 
em lugares e instâncias mais sombrias das sociedades, o discurso nem 
é neutro e tão pouco transparente, a políticae a sexualidade são alguns 
destes lugares. 
Os educadores deveriam saber e refletir sobre suas práticas, as 
inter-relações contidas nelas, os modos como são operados os objetivos 
de homogeneizar as diversidades, as diferenças, as identidades, 
contendo os diferentes, os irreverentes, os criativos, os que possuem 
modos distintos dos seus próprios, das suas famílias e da sua classe 
social. E aprender com eles! 
Foucault aponta que ainda que 
o discurso seja aparentemente bem pouca coisa, as 
interdições que o atingem revelam logo, rapidamente, 
sua ligação com o desejo e o poder. Nisso não há nada 
espantoso, visto que o discurso – como a psicanálise nos 
mostra – não é simplesmente aquilo que manifesta (ou 
oculta) o desejo; e visto que – isto a história não cessa de 
nos ensinar – o discurso não é simplesmente aquilo que 
traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo 
por que, pelo que se luta, o poder do qual nós queremos 
apoderar. (FOUCAULT, 2002, p. 10)
Portanto, nada aniquilará nos educandos, os seus desejos de 
serem ouvidos em suas subjetividades, nos seus anseios e nas suas 
manifestações culturais que lhes foram fazendo sentidos nas suas 
jornadas pelas suas existências. Assim, tradicionalmente, o espaço 
Educação das Relações Étnico-Raciais30
escolar é o lugar da disputa entre o discurso pedagógico hegemônico 
(dentro da cabeça dos professores desde a modernidade aos dias 
atuais) e os interesses, desejos e ideias das novas gerações. 
É necessário, na contemporaneidade tentar fazer um esforço 
para ouvir as outras vozes silenciadas dos alunos, procedentes de suas 
quebradas, de seus guetos, de suas comunidades, das suas casas e de 
suas famílias. Invadindo a escola com estes outros cantos, outras danças, 
dissonantes, mas reais.
Figura 7: Crianças e Dança dos Caboclinhos no Carnaval do Brasil
Fonte: Wikimedia Coommons
Foucault reflete que para os gregos (século VI) o discurso era 
pronunciado pelo sujeito que tinha direito a ele, em conformidade 
com algum ritual próprio à época. O discurso tinha a capacidade de 
profetizar o futuro, com a adesão dos indivíduos. Depois tudo mudou, 
na passagem da Antiguidade Clássica para o início da Idade Média. A 
verdade se deslocou do ato ritualizado, eficaz e justo, de enunciação, 
para o próprio enunciado: para seu sentido, sua forma, seu objeto, sua 
relação e suas referência. (FOUCAULT, 2002, p. 13)
Educação das Relações Étnico-Raciais 31
Já na chegada à modernidade (lá pelos séculos XVI e XVII), 
Foucault aponta que 
apareceu uma vontade de saber que, antecipando-se 
a seus conteúdos atuais, desenhava planos de objetos 
possíveis, observáveis, mensuráveis, classificáveis, uma 
vontade de saber que impunha ao sujeito cognoscente 
(e de certa forma antes de qualquer experiência) certa 
posição, certo olhar e certa função (ver, em vez de ler, 
verificar, em vez de comentar); uma vontade de saber que 
prescrevia (e de certo modo mais geral do que qualquer 
instrumento determinado) o nível técnico do qual deveriam 
investir-se os conhecimentos para serem verificáveis e 
úteis. (FOUCAULT, 2002, p. 16/17)
E a pedagogia estará presente com suas práticas, agindo em 
nome deste sistema moderno e excludente. Serve para reforçar 
e conduzir este projeto de verdade da modernidade, a serviço da 
realização dos procedimentos de controle e de delimitação próprios ao 
discurso pedagógico hegemônico. Isso desfavorece, até os dias atuais, 
que outros discursos não hegemônicos possam chegar à escola e 
democraticamente oferecer suas contribuições, aproximando os alunos 
que se sentem desmotivados por discursos outros, distanciados de suas 
vidas e seus anseios. A escola precisa pensar nisso! Rever seus métodos, 
renovar suas intenções e oxigenar velhas práticas.
E Foucault esclarece o modo de procedimento de um discurso, 
oposta ao lugar do aluno como sujeito capaz de fazer comentários sobre o 
que leu, estando longe de um projeto de leitor autônomo e capaz de falar 
com propriedade e com liberdade sobre temas propostos na sala de aula. 
A organização das disciplinas se opõe tanto ao princípio do 
comentário como ao do autor. Ao do autor, visto que uma disciplina se 
define por um domínio de objetos, um conjunto de métodos, um corpus 
de proposições verdadeiras, um jogo de regras e de definições, de 
técnicas e de instrumentos: tudo isso constitui uma espécie de sistema 
anônimo à disposição de quem quer ou pode-se servir dele, sem que 
seu sentido ou sua validade estejam ligados a quem sucedeu ser seu 
inventor (FOUCAULT, 2002, p. 30)
Educação das Relações Étnico-Raciais32
A criação de um autor, suas palavras próprias são apropriadas por 
um determinado discurso que coloca a produção dele no anonimato. E 
este princípio da disciplina que desvaloriza a autoria dos que produziram 
os livros ou textos, desvalorizando até mesmo o desejo dos alunos de 
serem autores, criadores de novos textos, este princípio da disciplina 
se opõe também ao do comentário: em uma disciplina, 
diferentemente do comentário, o que é suposto no ponto 
de partida, não é um sentido que precisa ser redescoberto, 
nem uma identidade que deve ser repetida; é aquilo que 
é requerido para a construção de novos enunciados. 
(FOUCAULT, 2002, p. 30)
Assim, nem é solicitado ao aluno que aprenda a comentar a própria 
realidade, o que leu e até o que escreveu. As leituras que possam fazer 
do mundo não são necessárias. Só interessa mesmo é que o discurso 
hegemônico exercido e seus modos de agir possam ser apreendidos. 
Foucault fala em biopoder, uma etapa nova e posterior ao 
século XVIII. A diferença é que o biopoder se diferencia do poder 
disciplinar e técnica de adestrar o homem-corpo, punindo-o e vigiando 
constantemente. Parece para agir no campo do homem-espécie. O 
biopoder vai operar como uma novidade, uma nova tecnologia de poder, 
distinta do poder disciplinar, mas não o descartará, fará uma fusão com 
ela. Sendo assim preservada e operando seus resultados nas instituições 
modernas ocidentais até hoje. Foucault esclarece que 
a disciplina tenta reger a multiplicidade dos homens 
na medida em que essa multiplicidade pode e deve 
redundar em corpos individuais que devem ser vigiados, 
treinados, utilizados, eventualmente punidos. E, depois, a 
nova tecnologia que se instala se dirige à multiplicidade 
dos homens, não na medida em que eles se resumem em 
corpos, mas na medida em que ela forma, ao contrário, uma 
massa global, afetada por processos de conjunto que são 
próprios da vida, que são processos como o nascimento, a 
morte, a produção, a doença etc. (FOUCAULT, 1999, p. 291)
Como vencer as determinações deixadas pelo discurso 
pedagógico hegemônico, nascido na modernidade, com todas as suas 
Educação das Relações Étnico-Raciais 33
consequências nas mais simples ou complexas atividades escolares, 
para incorporar a diversidade cultural, a multiculturalidade, as marcas 
presentes nas nossas manifestações culturais e trazer um novo e 
progressista discurso pedagógico aberto às diferenças, capaz de 
conduzir ações afirmativas às minorias desprivilegiadas, no decorrer de 
mais de 500 anos de exclusão? 
O que travariam a passagem desses discursos pedagógicos 
hegemônicos e tradicionais para os inovadores Discursos Pedagógicos 
da Diversidade? As mudanças têm sido, então, quase sempre, a 
burocratização do outro, sua inclusão curricular e, assim, a sua 
banalização, seu único dia no calendário, seu folclore, seu detalhado 
exotismo.
Muitos olhares para as diferenças das crianças ficaram do lado 
de fora do foco e das discussões dos educadores. E permanecem sem 
querer ver.
Se, em algum momento da nossa pergunta sobre educação, 
tínhamos nos esquecidos do outro, agora detestamos sua lembrança, 
maldizemos a hora de sua existência e da sua experiência, corremos 
desesperados a aumentar o número de alunos e de cadeiras nas aulas, 
mudamosas capas dos livros que já publicamos há muito tempo, re-
uniformizamos o outro sob a sombra de novas terminologias. Novas 
terminologias sem sujeitos. (SKLIAR, 2003, p.40)
A escola brasileira repete um discurso de inspiração dos 
princípios que movimentaram o pensamento sobre a educação e a 
escola republicana francesa, de que deve ser única e igual para todos, 
e desta forma, oculta e mantém uma ética de indiferença em relação 
às diferenças. Ou seja, há uma indiferença ao outro como fundamento 
da escola. O que levaria a uma visão de homogeneização diante de 
sujeitos heterogêneos (diferentes). Impondo, dentro da escola um saber, 
de uma racionalidade, de uma estética, de um sujeito epistêmico único, 
legitimado como hegemônico, como parâmetro único de medida, de 
conhecimento, de aprendizagem e de formação. 
São impostos parâmetros universais e abolidas as diferenças, que 
tornam desiguais em iguais, atingindo e trazendo para todos a mesma 
medida e avaliação, resultando em classificar o ‘outro’ como inferior, 
Educação das Relações Étnico-Raciais34
incivilizado, fracassado, repetente, bárbaro etc. 
Um Discurso Pedagógico da Diversidade impõe diferenças 
e modos novos de ver o diferente, propõe-se a tolerância a alguns 
coletivos: as classes populares, os negros, os homossexuais, mas ainda 
os vemos como aqueles que não sabem, inferiores. E que necessitarão 
da adesão e empenho de cada educador, diante de uma realidade que 
aponta justamente para o contrário, para a exclusão e a indiferença com 
as diferenças.
Na busca de outro discurso pedagógico é necessário superar 
a marca pesada que ficou, na escolha brasileira a favor da escola 
tradicional, impedindo novas metodologias, concepções progressistas, 
organizações disciplinares inovadoras e inspiradas em concepções 
epistemológicas progressistas, criando possibilidades de ampla 
autonomia e participação dos educandos. Fazendo a aposta por uma 
escola como comunidade participativa, refletindo sobre o fato de a 
escola defender 
a participação – autonomia, mas comporta-se de modo 
autoritário e com contradições: instituição igualitária que 
reproduz desigualdade social; instituição respeitadora 
das diferenças e tolerante, mas que provoca atitudes 
discriminatórias; instituição que proclama a aprendizagem 
crítica e criativa, mas usa métodos memorísticos e meios 
verbais; instituição democrática, mas que usa hábitos 
autoritários que limitam a participação. (Martins, 2006, p. 
79)
Na busca de uma nova pedagogia, já não mais voltada aos 
discursos hegemônicos, surgidos desde a Era Moderna, construtores 
das escolas tradicionais, ultrapassando-os e apoiando-se no Discurso 
Pedagógico da Diversidade é preciso estar aberto para construir novas 
mentalidades, para além de falar apenas por falar. O discurso das 
diversidades permite entender como podemos compreender as distintas 
diferenças, desde a análise da realidade sociopolítica e sociocultural 
(multiculturalidade, interculturalidade).
Isso significa estar aberto às diversidades, alteridades e diferenças, 
em fazer encontros interculturais (entre culturas diferentes), abrindo 
Educação das Relações Étnico-Raciais 35
espaços de expressão multiculturais (entre muitas culturas em diálogo). 
Querendo constituir bons encontros com as várias diversidades culturais 
trazidas pelos educandos, ouvi-los falar sobre estes mundos outros, em 
suas expressões diversas daquelas mais familiares aos educadores e 
que impliquem em novas aprendizagens para os educadores.
O Discurso Pedagógico da Diversidade destaca a concepção 
humanista da igualdade, do valor e da afirmação das diferenças na 
diversidade cultural, de género/sexo, de capacidades e da relação entre 
diferença-semelhança, pluralidade e identidade. Isso demandará o 
acolhimento dos direitos à diferença, o conhecimento das histórias e das 
culturas dos diferentes agrupamentos sociais, que são os formadores, 
as matrizes do Povo Brasileiro, no antes e no depois da colonização 
portuguesa, a abertura às estéticas oriundas das diversidades culturais 
brasileiras.
É uma grande mudança de concepção e que estará apoiada em 
novas tendências educativas. Estão subjacentes a estas apreciações 
várias tendências educativas, fruto da diversidade dos discursos na sua 
análise às realidades concretas educativas (MARTINS, 2006, p. 84).
Martins defende que na diversidade de discursos pedagógicos, os 
indicativos à necessidade de uma educação especial para determinados 
coletivos ou grupos com deficiências ou necessidades de aceder ao currículo, 
as diferenças linguísticas, as metodologias adequadas a cada contexto etc.
O que pode ser apontado para o futuro da educação, em uma 
perspectiva alimentada por um discurso pedagógico da diversidade é 
que poderá caminhar para ‘muitos e diversos espaços’, enquadrando-se 
no sentido de que cada vez mais o indivíduo realiza a sua aprendizagem 
ou aprendizagens em espaços diversificados.
O Discurso Pedagógico da Diversidade poderá oferecer novas 
perspectivas. As respostas educativas (enfoques) dessas pedagogias 
inovadoras emergentes falam menos de igualdade e mais de liberdade, 
de qualidade e competências para o desempenho profissional 
(MARTINS, 2006, p. 89). Dando vozes aos que costumam ser obrigados 
a não argumentar com as suas próprias diversidades culturais ou seus 
modos de expressão, trazendo-lhes novos capitais culturais, novos 
conhecimentos, acesso amplo as produções culturais da humanidade. 
Educação das Relações Étnico-Raciais36
Os discursos são a favor do acesso à cultura e à educação das 
classes mais desfavorecidas, da democratização escolar, do desencadear 
de novos métodos e estratégias e conteúdo, da compreensão crítica da 
realidade, da educação social e cívica (cidadania), investigação-ação e 
resolução de problemas, de novos instrumentos metodológicos, novos 
reportórios de técnicas, do desenvolvimento de materiais de ensino 
específicos (‘Humanities Project’ de Stenhouse), de novos modelos de 
ensino e de formação de professores, novos espaços de aprendizagem, 
da educação integral, racional e científica formadora da conduta moral, 
das cidades educativas e comunidades de vida, da construção do 
conhecimento e do desenvolvimento da inteligência e criatividade, de 
novos tipos de aprendizagem, de experiências na comunidade, etc. 
(MARTINS, 2006, p. 89)
O discurso pedagógico da diversidade com seus olhares, 
linguagens e abordagens, diversidades de ideias, temáticas, perspectivas, 
enfoques e tendências devem abrir espaço para novas e melhores 
práticas educativas. 
SAIBA MAIS
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso 
à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Artigo: 
A Importância e Influência do Setor de Compras nas 
Organizações (Silva, 2007),
Acessível pelo link: https://bit.ly/37E4yE0
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu 
o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você 
deve ter aprendido que para reconhecer o Discurso Pedagógico da 
Diversidade é necessário entender as responsabilidades e adesões da 
escola e dos educadores sobre a importância de promover a diversidade, 
nas atividades educativas. Você percorreu pela história do Discurso 
Pedagógico Hegemônico, desde a Idade Moderna, e posteriormente foi 
capaz de entender sua diferenciação com o Discurso Pedagógico da 
Diversidade.
https://bit.ly/37E4yE0
Educação das Relações Étnico-Raciais 37
Entendendo a introdução a Educação 
Étnico-Racial
Você será capaz de entender, de um modo introdutório, a 
Educação Étnico-Racial. Isso facilitará a sua futura inserção em sala de 
aula, desenvolvendo suas atividades educadoras para as diversidades 
das crianças.
Entendendo a introdução a Educação 
Étnico-Racial: Conceitos de Etnia e Raça 
Entendendo a introdução a Educação Étnico-Racial, buscandoconceitos de Etnia e Raça é importante para diferenciar e perceber a 
dessemelhança entre os conceitos de Etnia e Raça. 
O fato é que a preocupação com uma Educação Étnico-Racial 
traz o desafio de pensar em propostas curriculares que não neguem as 
nossas verdades étnico-raciais, bastante fáceis de serem conhecidas, 
através de saberes históricos, sociais, antropológicos, bastante 
reveladores das nossas realidades Étnico-Raciais brasileiras. Isso 
significa ter elementos suficientes para realizar um consistente combate 
ao racismo e as discriminações originalmente étnico-raciais.
É necessário que a escola e os educadores estejam dispostos a 
conhecer ideias que fortaleçam, dentro dela e nestes professores, sendo 
veiculadas aos alunos, para que os conhecimentos novos operem, a favor 
do desenvolvimento de valores, atitudes e posturas capazes de educar 
cidadãos que tenham orgulho de seus pertencimentos étnico-raciais. 
Sejam os descendentes de africanos, povos indígenas, descendentes 
de europeus, de asiáticos – para interagirem na construção de uma 
nação democrática, em que todos, igualmente, tenham seus direitos 
garantidos (BRASIL, 2004, p.02), bem como suas identidades valorizadas.
O termo Raça perpassa por uma conotação política, usado em 
demasia no Brasil, nas relações sociais brasileiras, com objetivos de 
informar como determinadas características físicas, como cor de pele, 
tipo de cabelo, entre outras, influenciam, interferem e até mesmo 
determinam o destino e o lugar social dos sujeitos no interior da 
Educação das Relações Étnico-Raciais38
sociedade brasileira. E, posteriormente, as populações negras brasileiras, 
no âmbito de suas organizações e lutas político-sociais, foram capazes 
de ressignificar o termo Raça, passando a utilizá-lo com um sentido 
político e de valorização do legado deixado pelos africanos.
E o termo Étnico, que aparece na expressão étnico-racial, é usada 
para delimitar as verdadeiras, reais e tensas relações relacionadas as 
nossas diferenças, na cor da pele e traços fisionômicos o são também 
devido à raiz cultural plantada na ancestralidade africana, que difere em 
visão de mundo, valores e princípios das de origem indígena, europeia 
e asiática. O termo étnico, então, está associado e é imprescindível 
para delimitar que um dado sujeito pode até a mesma cor da pele que 
seu colega de sala de aula, terem os dois o mesmo tipo de cabelo e 
semelhantes traços sociais e culturais que os diferenciem, sendo estes 
dois educandos pertencentes as etnias diferentes. 
Grupos étnicos são agrupamentos de pessoas, portadoras de 
determinadas características marcantes de suas culturas, carregando 
suas diferenças ancestrais, linguísticas, de valores, de hábitos 
alimentares, costumes e manifestações culturais. E já Raça representa 
uma construção social usada para caracterizar os diferentes sujeitos, 
montada em particularidades relacionadas a cor da pele ou marcas 
físicas. O termo raça é sociológico e não biológico. E podemos afirmar 
que todos pertencemos a raça humana. Tal espécie humana teria surgido 
por volta de 350 mil anos atrás, no leste do continente africano. Sendo 
assim, somos ancestralmente todos africanos.
Educação das Relações Étnico-Raciais 39
Entendendo a introdução a Educação 
Étnico-Racial na Realidade Brasileira 
Figura 8: Brasil
Fonte: Freepik
Entendendo a introdução a Educação Étnico-Racial na Realidade 
Brasileira será possível conhecer mais sobre nossas diversidades Étnico-
Raciais e culturais. Em um país fortemente marcado pela diversidade, 
desde os primórdios, nos tempos em que os Povos Originários chamavam 
o nosso Pais e a região da América do Sul, pelo nome de Pindorama, 
que significa terra livre dos males, segundo os habitantes originários, os 
povos tupis e guaranis. E, ainda, a região da América era chamada de 
Abya Yala, em língua do Povo Indígena Kuna significando a ‘Terra Viva’ 
ou ‘Terra em florescimento’.
Posteriormente, já nos tempos da colonização portuguesa, entre 
os primeiros estrangeiros que se tornaram moradores do Brasil e vieram 
de Portugal, constavam pessoas, como Jerônimo de Albuquerque 
(conhecido como o Adão Pernambucano), cunhado do administrador 
da Capitânia de Pernambuco, sendo que Jerônimo e a sua irmã traziam 
as marcas das suas ancestralidades rramita-muculmana, muçulmana-
Educação das Relações Étnico-Raciais40
semita, negra pré-saaraniana e aqui no Brasil chegaram na condição 
de representante do rei de Portugal. Encontrando aqui no Brasil a filha 
do Cacique Arcoverde Tabajara (do tronco linguístico Tupy), com quem 
teve vários filhos que foram registrados e fizeram história, como também 
seus inúmeros descendentes. (LIMA, 2013)
Mas, nem tudo foi semelhante e pacífico ao encontro inaugural 
deste casal por volta do ano 1534. O Brasil contava com milhões de 
habitantes indígenas que foram mortos, por não aceitar a condição de 
escravização. O Antropólogo brasileiro e Ex-Ministro da Educação, Darcy 
Ribeiro, considera que no processo de Formação do Povo Brasileiro, 
destacam-se conflitos intensos entre índios, negros e brancos. Pode‐se 
afirmar, mesmo, que vivemos praticamente em estado de guerra latente, 
que, por vezes, e com frequência, se torna cruento, sangrento.
Entendendo a introdução a Educação Étnico-Racial, com o 
objetivo de exercer o magistério, em um pais fortemente marcado por 
uma história intensa de dificuldades entre seus grupos Étnico-Raciais, 
na relação difícil de contatos entre diferentes etnias (Inter étnicos) é 
necessário desvelar os preconceitos, revelar as impropriedades das 
falsas narrativas e entender as verdades profundas e que não podem 
ser caladas, dentro das escolas:
Conflitos Inter étnicos existiram desde sempre, opondo 
as tribos indígenas umas às outras. Mas isto se dava sem 
maiores consequências, porque nenhuma delas tinha 
possibilidade de impor sua hegemonia às demais. A 
situação muda completamente quando entra nesse conflito 
um novo tipo de contendor, de caráter irreconciliável, que 
é o dominador europeu e os novos grupos humanos que 
ele vai aglutinando, avassalando e configurando como uma 
macro etnia expansionista (RIBEIRO, 1995, p.168).
Posteriormente, chegaram africanos na condição indigna de 
escravizados em grande número, proibidos de falar a própria língua, 
confessar a própria religião e obrigado a trabalhar em condições 
absolutamente terríveis, martirizados ou supliciados perversamente. 
Diante disso, as consequências da colonização portuguesa e 
católica sobre as populações indígenas, africanas e afro-brasileiras 
Educação das Relações Étnico-Raciais 41
foram cruéis e todas as Políticas Públicas Afirmativas, de reparação, 
oferecidas aos povos afro-brasileiros e indígenas, são mínimas diante da 
monstruosa ação governamental, seja nos tempos coloniais, imperiais 
ou republicanos sobre estes povos e seus descendentes.
Figura 9: Congada, Dança Brasileira nos Tempos Colônias
Fonte: Wikimedia Commons
SAIBA MAIS
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso 
à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Artigo: 
Conceitos de gênero, etnia e raça: reflexões sobre a 
diversidade cultural na educação escolar (Silva, 2007),
Acessível pelo link: https://bit.ly/2S261xb
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente 
entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que 
vimos. Você deve ter aprendido a entender, de um modo introdutório, a 
Educação Étnico-Racial. Isso facilitará a sua futura inserção em sala de 
aula, desenvolvendo suas atividades educadoras. Entendendo, agora, 
tanto os conceitos de Raça e Etnia, bem como aspectos importantes 
sobre a Educação Étnico-Racial, na Realidade Brasileira
https://bit.ly/2S261xb
Educação das Relações Étnico-Raciais42
Analisando os Fundamentos Legais para 
a Educação das Relações Étnico-Raciais
INTRODUÇÃOAo analisar os Fundamentos Legais para a Educação 
das Relações Étnico-Raciais, você terá parâmetros para 
cumprir e propor Projetos Políticos Pedagógicos, currículos, 
metodologias e práticas educativas.
As lutas populares pela redemocratização, conduzidas pelo povo 
brasileiro (indígenas, povo negro organizado em movimentos, povos do 
campo e lideranças comunitárias), foram intensas antes e depois da 
promulgação da Constituição de 1988. Eram esperadas, no conjunto de 
tantas reivindicações, que ocorreriam reais mudanças na educação das 
relações étnico-raciais brasileira. 
O fruto das lutas está na redação e explicitação de que a 
Educação é um direito de todos, no artigo 205, da Constituição da 
República Federativa do Brasil de 1988. Definindo-a como direito de 
todos e dever do Estado e da família, a ser incentivada e promovida com 
colaboração de toda a sociedade, dirigindo o desenvolvimento pleno da 
pessoa, preparo para o exercer plenamente a cidadania e a qualificação 
para o trabalho.
Neste momento histórico quem seriam as crianças aleijadas do 
seu acesso e permanência na escola? Quem seriam os reprovados 
ano após ano? Eram aqueles que evadiam da escola por ter recebido 
um acento entre os que fracassaram nela, muitas vezes sendo o 1.º 
membro de famílias pobres e negras a frequentar uma escola. Tratados 
como inaptos, imputados por diagnósticos que os desabilitavam para a 
aprendizagem, para aprender a ler, escrever e os empurravam ou para 
uma sala especial ou para fora da escola, com eles iam todos os sonhos 
de muitas gerações de seus antecedentes. 
A Constituição Federal, a constituição da redemocratização e 
cidadã, lhes dá os direitos constitucionais de acesso e permanência, 
Educação das Relações Étnico-Raciais 43
com muito o que ser feito, para mudar a realidade dentro das escolas, 
garantindo-lhes o direito à educação, e com a concretização deste 
direito fundamental, ter respaldados a sua identidade cultural (e de seus 
familiares), a promoção, a tolerância e o respeito com relação às suas 
diferenças étnico-raciais (BRASIL, 1988).
O Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8,069/1990) foi 
promulgado 1990, e estava relacionado às diretrizes internacionais 
constituídas pela Convenção dos Direitos da Criança, da ONU, em 1989. 
Representou grande mobilização de pais, professores e comunidades. 
No artigo 5º é garantido o direito as crianças ou adolescentes brasileiras 
de não serem atingidos por nenhuma forma de discriminação, exploração, 
negligência, crueldade, exploração, violência e opressão, com punições 
a qualquer atentado, tanto por ação como por omissão, dos seus direitos 
fundamentais. Outro elemento significativo para a garantia da Educação 
Étnico-Racial, no artigo 16 desta importante e valorosa lei, respaldando 
o direito à liberdade, participando da vida familiar e comunitária, sem 
nenhum tipo de discriminação, entre elas configuram as discriminações 
étnico-raciais (BRASL, 1990).
Um pouco mais adiante, na nossa história, os parâmetros 
curriculares nacionais/PCN’s (BRASIL,1997) são diretrizes curriculares, 
organizadas pelo Governo Federal para orientar as práticas educativas 
de todas as disciplinas curriculares, da rede pública, onde frequentam 
os estudantes mais empobrecidos, e podia ser adotada, sem 
obrigatoriedade, pela rede privada de ensino brasileira. 
A temática da diversidade étnico-racial apareceu tornou-
se como um tema transversal curricular, ponto de ser 
contemplado em qualquer disciplina. Logo de início o 
documento afirma que a educação deve ser voltada 
para a cidadania, os vários termos como Ética, Meio 
Ambiente, Saúde, Orientação Sexual, Trabalho e Consumo 
e Pluralidade Cultural são tratados como temas a serem 
incorporados, seguindo uma conexão entre a realidade 
social dos estudantes e saberes teóricos, aos campos 
gerais do currículo. (ABRAMOVICH; RODRIGUES; CRUZ, 
2011, p.90)
Educação das Relações Étnico-Raciais44
Já o Parecer 017/2001 de 2001, do Conselho Nacional de 
Educação, vai afirmar a conscientização do direito de constituição de 
identidade própria e o dever do reconhecimento da identidade do 
outro, ambos engajados como o direito à igualdade e ao respeito às 
diferenças, afirmando oportunidades diferenciadas (o que quer dizer 
o direito a equidade), tantas quantas forem necessárias, com vistas à 
busca da igualdade. O princípio da equidade reconhece a diferença 
e a necessidade de haver condições diferenciadas para o processo 
educacional. (BRASIL, 200, p.11)
Diante das históricas e complexas disparidades e discriminações 
que prejudicavam a escolarização da população negra brasileira, o 
CNE – Conselho Nacional de Educação, com seu papel mediador entre 
o Estado, os sistemas de ensino do Brasil resolve ouvir os antigos e 
inaudíveis apelos e mobilizações do movimento negro brasileiro para 
que a escola passasse a ser palco e contemplasse a diversidade social 
e étnico-racial afro-brasileira. 
Na atualidade, o preconceito e a discriminação baseada 
em critérios étnico-raciais estão entre os principais 
motivadores da evasão escolar das pessoas negras. A 
escola como uma instituição que reproduz as estruturas da 
sociedade também reproduz o racismo, como ideologia e 
como prática de relações sociais que inviabiliza e imobiliza 
as pessoas, inferiorizando-as e desqualificando-as em 
função da sua raça ou cor. Buscando contribuir com a 
desconstrução desse processo, em 2003 é promulgada 
a Lei Federal nº 10.639 que institui a obrigatoriedade 
do ensino da história e cultura afro-brasileira e africana 
(AGUIAR, 2009, p. 12)
Isso foi materializado com as Diretrizes Curriculares Nacionais 
para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana (BRASIL, 
2004). O Conselho Nacional de Educação (CNE) interpretou as 
determinações da Lei 10.639/ 2003(BRASIL, 2003) que introduziu, na 
Lei 9394/1996 das Diretrizes e Bases da Educação Nacional (BRASIL, 
1996), a obrigatoriedade do ensino de história e cultura Afro-Brasileira 
e Africana. 
Educação das Relações Étnico-Raciais 45
As políticas inclusivas são aquelas voltadas para a redução 
das desigualdades sociais, promovendo a universalização 
de direitos civis, políticos e sociais, estabelecendo a 
igualdade de fato. As políticas públicas includentes 
não são formuladas como um benefício para um grupo 
em detrimento de outro, mas sim para combater as 
discriminações que impedem o acesso aos direitos 
sociais, em igualdade de condições, por parte de grupos 
considerados em vulnerabilidade, por terem uma história 
marcada pela exclusão e por desigualdades de condições 
(NUNES, 2014, p. 11)
Tais DCNs para a Educação das Relações Étnicos-Raciais e para 
o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana vai declarar 
que: Reconhecimento implica justiça e iguais direitos sociais, civis, 
culturais e econômicos, bem como valorização da diversidade daquilo 
que distingue os negros dos outros grupos que compõem a população 
brasileira. (BRASIL, 2003, p. 5). Exigindo mudanças significativas que 
perpassam os discursos, raciocínios, lógicas, gestos, posturas, modo de 
tratar as pessoas negras. (BRASIL, 2003, p. 5)
Determinando o conhecimento da história e cultura afro-brasileira 
e africana, para produzir o efeito de 
desconstruir o mito da democracia racial na sociedade 
brasileira; mito este que difunde crença de que, se os negros 
não atingem os mesmos patamares que os não negros, é 
por falta de competência ou interesse, desconsiderando as 
desigualdades seculares que a estrutura social hierárquica 
cria com prejuízos para o negro. (BRASIL, 2003, p. 5)
Estas novas determinações colocaram, no núcleo de novos 
posicionamentos, ordenamentos e recomendações, a educação das 
relações étnico-raciais. Deste modo, conformou uma nova política 
curricular que passou a atingir no âmago do convívio, trocas e confrontos 
em que têm se educado osbrasileiros de diferentes origens étnico-
raciais, particularmente descendentes de africanos e de europeus, com 
nítidas desvantagens para os primeiros.
Educação das Relações Étnico-Raciais46
Figura 10:Pintura da Festa de Nossa Senhora do Rosário, Padroeira dos negros no Brasil, 
feita pelo artista alemão Rugendas, em visita ao Brasil, no Século XIX
Fonte: Wikimedia Commons
Os Povos Indígenas, os povos autóctones ou originários do Brasil, 
foram as lutas por seus direitos, nos tempos da redemocratização e que 
culminaram com as lutas por uma nova constituição. Esta imensa dívida 
social do Estado Brasileiro com seus povos originários começa a ser 
equacionado com a Constituição de 1988. (BRASIL, 1988)
É importante ressaltar que a constituição permite ao cidadão, 
seus direitos à educação bilíngue (já que são falantes da língua 
materna, pertencente ao seu povo e da Língua Portuguesa), ao acesso 
aos conhecimentos universais, sem que isso despreze tais línguas e 
seus milenares saberes tradicionais. Com relação a isso, o artigo 210 
assegurou o direito de empregar suas línguas maternas, bem como seus 
processos de aprendizagem.
Assim, a escola passa a ser, por força deste preceito constitucional, 
uma ferramenta de valorização e sistematização de seus mais diversos 
saberes e múltiplas práticas tradicionais, e também o espaço de 
Educação das Relações Étnico-Raciais 47
permanência, de acesso e da obtenção de conhecimentos universais, 
caminhando junto com a obrigatória valorização dos conhecimentos 
étnicos, já que existem diversos povos indígenas no Brasil, falantes de 
dessemelhantes línguas e que possuem culturas distintas.
Além da Constituição de 1988, anos depois para aqueles que já 
esperavam por quase 500 anos, a Lei de Diretrizes de Bases da educação 
Nacional/LBB 9394/96 (BRASIL, 1996) passou a reconhecer legalmente 
as diferenças e peculiaridades do diversos Povos Indígenas habitantes 
do vasto território nacional. 
No seu artigo 78, é garantindo-lhes, aos povos indígenas todos o 
direito, e apoios que se fizerem necessários, a recuperar suas memórias 
históricas, a reafirmar suas identidades étnicas e a obter a valorização 
de suas línguas maternas e suas específicas ciências, com a garantia 
do acesso às informações, dos conhecimentos técnicos e científicos 
da nossa sociedade nacional, além e do que for relativo as demais 
sociedades indígenas e não-índias. (BRASIL, 1988)
Já Plano Nacional de Educação/PNE de 2001 (BRASIL, 2001) 
instituiu objetivos e metas especificas para o desenvolvimento da 
educação escolar indígena diferenciada, que deverá ser intercultural, 
bilíngue (em língua materna indígena e na Língua Português do Brasil), 
com garantia de qualidade. Isso levou a criação de Cursos de Formação 
Superior para professores indígenas e que funcionavam nas férias das 
universidades públicas brasileiras. 
Assim, muitos professores indígenas formam e atuam nas suas 
aldeias espalhadas pelo Brasil. Uma vitória inigualável para conseguir 
os objetivos firmados nestes marcos legais tão significativos, focados 
na diversidade dos povos indígenas e nas suas mais diversas tradições 
culturais específicas, caminhando na concretude da especificidade que 
é o ensino para crianças indígenas , com seus direitos a diferença, a 
interculturalidade (conviver entre culturas diferenças) e da manutenção 
de suas diversidades linguística, pois longe estão os tempos coloniais 
em que eram proibidos de falar a língua materna e obrigados a falar a 
mesma língua do rei de Portugal, além das suas culturas e histórias tão 
diversificadas.
Educação das Relações Étnico-Raciais48
Existe um longo caminho ainda para ser realizado entre indígenas 
e não indígenas na busca de um diálogo respeitoso e tolerante com 
relação aos povos indígenas e suas diferenças. Os não indígenas 
precisarão aprender a valorizar e preservar todas as diversas culturas 
indígenas, reconhecendo os povos indígenas, seus direitos ao acesso 
e permanência a todos os níveis de escolaridade, respeitando as suas 
histórias e culturas.
Como já citado, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional/LDB (9.394/96) (BRASIL, 1966), foi adicionada a Lei 
10.639/2003 (BRASIL,2003), promovendo o ensino da História e Cultura 
Afro-brasileira. 
Essa alteração foi regulamentada com a aprovação do 
Parecer nº. 03/2004 do Conselho Nacional de Educação, 
que estabeleceu Diretrizes Curriculares Nacionais para a 
Educação das Relações Etnicorraciais e para o Ensino de 
História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, e da Resolução, 
nº. 1, de 17 de junho de 2004. O Parecer CNE/ CP nº. 03, de 
10 de março de 2004, indicou conteúdos a serem incluídos 
e também as necessárias modificações nos currículos 
escolares, enquanto a Resolução CNE/CP nº.1 detalhou 
os direitos e as obrigações dos entes federados frente à 
implementação da Lei 10.639/03. (NUNES, 2014, p. 10)
Anos depois, foi necessário ampliar tal dispositivo legal, 
contemplando os nossos povos originários, os indígenas brasileiros, com 
a promulgação da Lei 11.645/2008. (BRASIL, 2008)
Estas duas modificações provocadas na LDB trouxeram as lutas 
conjuntas dos povos afro-brasileiros e indígenas em prol do combate 
mútuo ao racismo, que sofrem os negros e os indígenas desde os 
tempos da colonização brasileira, já passados 120 anos da proclamação 
da República e do fim da escravidão. São os ecos das lutas contra a 
discriminação as diversidades étnica-culturais de indígenas e negros, 
configurando também em uma luta contra os desrespeitos aos direitos à 
educação dos duas importantes matrizes da formação do povo brasileiro 
(indígena e afro-brasileira).
Educação das Relações Étnico-Raciais 49
A LEI Nº 11.645, data de 10 de março de 2008, modificou o 
artigo 26 da LDB (BRASIL, 1996), dando o seguinte novo texto: Nos 
estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos 
e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-
brasileira e indígena. (BRASIL, 2008)
Esclarecendo que o conteúdo programático terá que incluir 
diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam 
a formação da população brasileira, a partir desses dois 
grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e 
dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no 
Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o 
índio na formação da sociedade nacional, resgatando as 
suas contribuições nas áreas social, econômica e política, 
pertinentes à história do Brasil. (BRASIL, 2008, p.01)
Fica esclarecido nesta modificação ao texto original da LDB 
(BRASIL, 1996) que os conteúdos alusivos à história e cultura afro-
brasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito 
de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística 
e de literatura e história brasileiras. (BRASIL, 2008, p.01)
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar 
Indígena, publicada em junho de 2012, garante, como princípios da 
especificidade da Educação Escolar Indígena, os esforços no bilinguismo 
e multilinguíssimo, da organização comunitária e da interculturalidade 
fundamentem os projetos educativos das comunidades indígenas, 
valorizando suas línguas e conhecimentos tradicionais. (BRASIL, 2012a, 
p. 3)
Isso implica em trazer para a escola algo já existente, desde 
bem antes da colonização portuguesa, a coexistência de mais de uma 
língua falada por crianças e adultos, os modos distintos de organização 
comunitária dos diferentes povos indígenas e os conhecimentos 
tradicionais que são veiculados pela oralidade. Levando em conta as 
dimensões biopsicossociais, culturais, cosmológicas, afetivas, cognitivas, 
linguísticas.
Diante disso, exigiu-se a formação de professores indígenas, para 
assegurar um ensino e pedagogias harmônicos com as formas próprias destes 
Educação das Relações Étnico-Raciais50
povos produzirem conhecimentos.Bem como a relevância da pesquisa e 
da elaboração de materiais didáticos adequados para trazer a qualidade 
sociocultural, que permita aos povos indígenas, nos termos preconizados 
pela LDB, a recuperação de suas memórias históricas; a reafirmação de suas 
identidades étnicas; a valorização de suas línguas e ciências.
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar 
Quilombola, publicada em novembro de 2012 (BRASIL, 2012b) tocam na 
Educação Escolar Quilombola, a ser oferecida as crianças, adolescentes 
e jovens quilombolas, remanescentes de antigos grupamentos de 
populações africanas e afro-brasileiras que se organizaram, ao longo 
da cruel história da escravidão brasileira em comunidades rurais para 
resistir e viver nas suas lutas pela liberdade. Tais diretrizes demandam 
a organização do ensino, a ser ministrado nas escolas, baseando-se 
na memória coletiva e línguas reminiscentes, bem como em marcos 
civilizatórios, práticas culturais, acervos e repertórios orais, festejos, usos, 
tradições e demais elementos que conformam o patrimônio cultural das 
comunidades quilombolas de todo o país. (BRASIL, 2012, p. 26)
Tais diretrizes para a escola quilombola e para os povos 
quilombolas espalhados pelo país, requerem o ensino, currículo e o 
projeto político-pedagógico em constante diálogos com a realidade dos 
povos quilombolas.
Estas, demandam que a Educação Escolar Quilombola contemple 
ao longo das suas etapas e modalidades: a cultura, as tradições, a 
oralidade, a memória, a ancestralidade, o mundo do trabalho, o etno 
desenvolvimento, a estética, as lutas pela terra e pelo território. Isso 
significa trazer para o cotidiano das crianças quilombolas, na escola, a 
presença constante de inúmeros saberes que estão presentes e agem 
na vida social de todos os povos quilombolas brasileiros.
Já a Base Nacional Comum Curricular/BNCC (BRASIL, 2018), 
trata da necessidade de pensar os planejamentos curriculares focando 
na equidade e na reversão da histórica situação de exclusão histórica 
de grupos como os povos indígenas originários e as populações das 
comunidades remanescentes de quilombos e demais afrodescendentes 
– e as pessoas que não puderam estudar ou completar sua escolaridade 
na idade própria. (BRASIL, 2018, p. 15/16)
Educação das Relações Étnico-Raciais 51
Na nossa BNCC (BRASIL, 2018), a Educação Escolar Indígena, 
para acontecer nas escolas localizadas dentro das Terras Indígenas, 
deverá garantir competências específicas baseadas nos princípios da 
coletividade, reciprocidade, integralidade, espiritualidade e alteridade 
indígena, a serem desenvolvidas a partir de suas culturas tradicionais 
reconhecidas nos currículos dos sistemas de ensino e propostas 
pedagógicas.
Isso significa assegurar uma educação intercultural, considerando 
nas ações educativas o respeito e a presença, em sala de aula, das 
cosmologias (visões de mundo) dos vários povos indígenas brasileiros, 
das suas lógicas, dos seus valores e seus princípios pedagógicos. 
A BNCC (BRASIL, 2018) recomenda que as propostas 
pedagógicas considerem a existência de atividades educativas que 
envolvam a abordagem de temas contemporâneos que afetam a vida 
humana em escala local, regional e global, preferencialmente de forma 
transversal e integradora. (BRASIL, 2018, p. 17). Configuram entre estes 
temas, entre outros, a educação em direitos humanos, amparada no 
Decreto nº 7.037/2009, Parecer CNE/CP nº 8/2012 e Resolução CNE/
CP nº 1/201221). E a educação das relações étnico-raciais e ensino de 
história e cultura afro-brasileira, africana e indígena (Leis nº 10.639/2003 
e 11.645/2008, Parecer CNE/CP nº 3/2004 e Resolução CNE/CP nº 
1/200422). (BRASIL, 2018, p. 19/20)
Todos os Fundamentos Legais para a Educação das 
Relações Étnico-Raciais construídos no Brasil, desde os tempos da 
redemocratização, são frutos de lutas intensas do povo brasileiro, negro 
e indígena. Devem e podem estar presentes aos currículos de governos 
e escolas. Precisarão constar nos cotidianos das atividades escolares. 
E assim sendo, demandam a formação de educadores conscientes de 
tais legislações, que as respeitem e as cumpram, na exatidão em que 
elas formam escritas. Movidos por sentimentos de respeito e adesão 
históricos e culturais e de cumplicidade coma tais histórias e as culturas 
dos Povos Indígenas e afro-brasileiros do nosso país.
Educação das Relações Étnico-Raciais52
SAIBA MAIS
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso 
à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Artigo: 
Ensinar, Aprender e relações étnico-raciais no Brasil (Silva, 
2007), acessível pelo link 
Acessível pelo link: https://bit.ly/2Oc2zyN
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente 
entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que 
vimos. Na unidade 1 sobre diversidade cultural como característica 
da nossa formação humana e nacional e o discurso pedagógico da 
diversidade. Você deve ter aprendido a explicar a diversidade cultural 
como característica da nossa formação humana e nacional, bem como 
o conceito de diversidade cultural e a presença da diversidade cultural 
na escola. Você deve ter aprendido, ainda, a reconhecer o discurso 
pedagógico da diversidade. Em seguida, você conseguiu entender, 
de uma forma introdutória, a educação étnico-racial, os conceitos de 
etnia e raça e por último a educação étnico-racial na realidade brasileira. 
Por último, você já é capaz de analisar os fundamentos legais para a 
educação das relações étnico-raciais. 
https://bit.ly/2Oc2zyN
Educação das Relações Étnico-Raciais 53
BIBLIOGRAFIA
ABRAMOVICH, Anete; RODRIGUES, Tatiane Cosentino; CRUZ, Ana Cristina 
Juvenal da. A diferença e a diversidade na educação. Revista Contemporânea. 
Dossiê Relações Raciais e Ação Afirmativa. N.º 2, p.85-97, jul-dez.2011, 
Universidade Federal de São Carlos. Disponível no link: http://www.
contemporanea.ufscar.br/index.php/contemporanea/article/viewFile/38/20 
Acesso em: 18 dez. 2019.
ABRAMOWICZ, Anete. Trabalhando a diferença na educação infantil. São 
Paulo: Moderna, 2006.
AGUIAR, Marcia Angela da S. (org.) Educação e diversidade: estudos e 
pesquisas. Recife: Gráfica J. Luiz Vasconcelos Ed., 2009. 
BANDEIRA, Maria de Lourdes. Valores Civilizatórios Indígenas e Afro-brasileiros: 
Saberes necessários para a formulação de Políticas Educacionais. In.: RAMOS, 
Marise Nogueira (ORG.). Diversidade na educação: reflexões e experiências. 
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Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. 
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Educação das Relações Étnico-Raciais58
Glória Freitas
Educação das Relações 
Étnico-Raciais
	Explicando a diversidade cultural como característica da nossa formação humana e nacional 
	Explicando a Diversidade Cultural como Característica da nossa Formação Humana e Nacional: Conceito de Diversidade Cultural
	Explicando a Diversidade Cultural como Característica da nossa Formação Humana e Nacional e a presença dela na escola 
	Reconhecendo o Discurso Pedagógico da Diversidade
	Entendendo a introdução a Educação Étnico-Racial
	Entendendo a introdução a Educação Étnico-Racial: Conceitos de Etnia e Raça 
	Entendendo a introdução a Educação Étnico-Racial na Realidade Brasileira 
	Analisando os Fundamentos Legais para a Educação das Relações Étnico-Raciais

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