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Anatomia dos vasos da cabeça e do pescoço Acd. Paulo Roberto T30 • Aspectos Gerais: ➢ Locais de difícil estudo, em virtude da grande quantidade de estruturas e das inúmeras relações entre essas; ➢ Trauma cervical: ✓ 10% dos ferimentos totais do corpo; ✓ Metade ocorre por arma de fogo e 38% por arma branca; ✓ Desses casos, 1/5 têm lesões vasculares, sendo que a veia jugular interna, artéria carótida, artéria subclávia e artéria vertebral são as mais atingidas, respectivamente; • Aorta e Seus Ramos: ➢ Aorta ascendente: ✓ Vai da válvula aórtica até a 3º cartilagem costal, cerca de 5 cm; ➢ Arco da aorta: ✓ Vai da 2º cartilagem costal até 4º vértebra torácica; ✓ Possui 3 ramos, os quais são: 1. Tronco braquiocefálico (ou artéria inominata); 2. Artéria carótida comum E; 3. Artéria subclávia E; ➢ Aorta torácica descendente; ➢ OBS: Existem muitas variações anatômicas, por isso é possível que a A. vertebral saia diretamente do arco aórtico, bem como a A.C.C.E saia do tronco braquiocefálico; • Tronco Braquiocefálico: ➢ Se origina no arco aórtico, à direita, posterior à veia braquiocefálica; ➢ Possui cerca de 4 cm, origina dois ramos principais: 1. A. subclávia D; 2. A. carótida comum D; ➢ Também emite: 3. A. tireóidea ima: ✓ Presente em apenas de 5 a 10% das pessoas; ✓ Irriga a tireoide; 4. Ramo tímico: (Timo); 5. Ramo bronquial; • Artéria Carótida Comum: ➢ Ascende no pescoço lateralmente à traqueia, sendo coberta pelo músculo esternocleidomastoideo (ECM); ➢ Limites: ✓ Lateral à traqueia; ✓ Antero-medial ao nervo vago; ✓ Póstero-medial à veia jugular interna; ✓ Anterior aos processos transversos da 4º a 6º vértebra cervical; ➢ Não emite ramos até seu ponto de divisão; ➢ Envolvida no seu trajeto com a veia jugular interna e com o nervo vago pela bainha carotídea, uma espécie de canal; ➢ Se bifurca no nível superior da cartilagem da tireóidea ou do osso hioideo em A. Carótida Interna e em A. Carótida Externa; ➢ Perto do ponto de divisão, a artéria apresenta uma dilatação, o seio carotídeo e, próximo a esse, encontra-se o corpo ou glomo carotídeo; ➢ Seio carotídeo: ✓ Contém barorreceptores que reagem às variações da pressão sanguínea; ➢ Corpo ou glomo carotídeo: ✓ Contém quimiorreceptores que monitoram o nível de O2 e CO2 sanguíneo; ✓ Seus impulsos estão envolvidos com a frequência respiratória, a cardíaca, além da regulação da pressão sanguínea; ➢ Ambas estruturas são inervadas pelos nervos vago e glossofaríngeo; ➢ Essa região é onde pode ocorrer a manobra vagal, a qual pressiona o seio carotídeo, com intuindo de reduzir a pressão sanguínea. No entanto, é preciso ter cuidado ao fazer essa manobra, sobretudo em idosos, pois, caso possuam placas de ateroma, essa pode se desprender e seguir para o cérebro, causando um AVC; • Artéria Carótida Externa: ➢ Estende-se da bifurcação da A. carótida comum (borda superior da cartilagem tireóidea) até um ponto posterior ao colo da mandíbula; ➢ Inicia-se no trígono carótico, onde é recoberta pelo músculo ECM e cruzada pelo nervo hipoglosso e pelas veias lingual e facial; ➢ Limites: ✓ Antero-medial à carótida interna; ➢ Irriga a maioria das estruturas do pescoço, parte da face e estruturas externas do crânio, exceto a orbita e a parte frontal do couro cabeludo; ➢ Sua parte terminal atravessa a glândula parótida, se dividindo em dois ramos terminais; ➢ Seus ramos são: 1. A. tireóidea superior: ✓ Emite a artéria laríngea superior, a qual irriga a laringe; ✓ Irriga a parte superior da tireoide, onde se anastomosa com a sua correspondente do lado oposto e com a tireóidea inferior; ✓ Irriga os músculos infra-hioideos e o ECM; 2. A. lingual: ✓ Corre profundamente ao músculo hioglosso; ✓ Emite ramos para a parte interna da língua, em direção ao seu assoalho, irrigando-os; ✓ Irriga também a glândula sublingual; ✓ Importante para a administração sublingual de fármacos; ✓ Caso haja lesão dessa artéria, ocorre atrofia ipsilateral; 3. A. facial: ✓ Origina-se, frequentemente, junto à A. lingual, através do tronco línguofacial; ✓ Sua parte cervical emite a A. palatina ascendente, a qual irriga a glândula submandibular, o palato mole, partes da parede da faringe, a tuba auditiva e a tonsila; ✓ Após contornar a margem inferior da mandíbula, origina sua parte facial; ✓ Essa parte, por sua vez, emite as artérias labiais inferior e superior, as quais se anastomosam com suas correspondentes. Logo, quando o lábio é lesionado, é preciso que esse seja pressionado por completo; ✓ Emite, também, a A. angular, a qual irriga o nariz. É justamente essa artéria que se anastomosa com ramos da A. oftálmica, formando uma rede que une novamente as carótidas externas e internas; 4. A. faríngea ascendente: ✓ Pequeno vaso que se origina no contorno medial da A. carótida externa; ✓ Ascende entre a carótida interna e a parede da faringe, a qual fornece ramos faríngeos (irriga a faringe, mais precisamente a orofaringe e parte da nasofaringe); ✓ Emite ainda as artérias meníngea posterior e timpânica inferior; 5. A. occipital: ✓ Se origina no contorno posterior da carótida externa e ascende se alojando no sulco occipital do osso temporal, medialmente ao processo mastoide; ✓ Irriga a parte superior do músculo trapézio, perfurando-o e, acompanhada com o nervo occipital maior, divide-se em numerosos ramos para irrigar o terço posterior do couro cabeludo; ✓ Seu ramo descendente se anastomosa com os ramos da artéria subclávia, constituindo uma eficiente via de circulação colateral nos casos de ligadura da A. carótida externa ou da A. subclávia; ✓ Possui também um ramo meníngeo; 6. A. auricular posterior: ✓ Origina-se do contorno posterior da carótida externa logo acima do ventre posterior do músculo digástrico e ascende entre o meato acústico externo e o processo mastoideo; ✓ Irriga o pavilhão auricular (orelha), o conduto auditivo externo e a pele ao redor; ✓ Irriga também o ouvido médio (membrana timpânica e ossículos), os canais semicirculares (órgão do equilíbrio) e o nervo facial; 7. A. temporal superficial: ✓ Um dos dois ramos terminais da carótida externa; ✓ Ascende posteriormente à glândula parótida, cruzando o arco zigomático e se dividindo em ramos frontal e parietal; ✓ Esses ramos irrigam os 2/3 anteriores do couro cabeludo; ✓ Emite a A. facial transversa, a qual irriga a glândula parótida e o músculo masseter, e se anastomosa com ramos da A. facial. Além disso, emite também a A. temporal média; 8. A. maxilar: ✓ Ramo terminal mais calibroso, se situa posteriormente à mandíbula, ao músculo pterigoideo e passa através da fossa pterigopalatina; ✓ Possui 10 ramos, sendo esses: - A. meníngea média (irriga a dura-máter, lesões nesse vaso pode causar hemorragia extradural); - A. auricular profunda; - A. timpânica anterior (irriga membrana do tímpano); - A. alveolar inferior (irriga os dentes da arcada inferior); - Ramos musculares (irrigam os mm. da mastigação); - A. bucal (cavidade oral); - Aa. temporais profundas - A. palatina descendente (irriga o palato duro e o palato mole); - A. infraorbital (penetra na face pelo forame infraorbital); - A. esfenopalatina (ramo terminal, responsável por hemorragias, em sua maioria, do nariz; irriga as conchas, os meatos, os seios paranasais e o septo nasal, isto é, a parte inferior da cavidade nasal); • Irrigação da Face: ➢ Artéria carótida externa: ✓ A. facial; ✓ A. maxilar (através da A. infraorbital); ✓ A, temporal superficial (através do ramo frontal); ➢ Artéria carótida interna: ✓ A. oftálmica (através das Aa. supratrocleares e Aa. supranucleares); ➢ OBS: As duas artérias ramos da A. oftálmica, principalmente as Aa. supraorbitais(mais superiores), se anastomosam com ramos da A. temporal superficial; • Artéria Carótida Interna: ➢ Continua de forma ascendente e profunda até adentrar o crânio através do canal carotídeo do osso temporal; ➢ Limites: ✓ Lateral à carótida externa; ✓ Medial à veia jugular interna e ao nervo vago; ✓ Cruzada pelo nervo hipoglosso e pela artéria occipital; ➢ Não emite ramos no pescoço; ➢ Muito importante para a irrigação do encéfalo, sobretudo os 2/3 anteriores, contribuindo para a formação do polígono de Willis, o qual propicia maior segurança em abordagens no encéfalo; ➢ Possui quatro porções, sendo essas: ✓ Cervical (da bifurcação até o canal carotídeo); ✓ Intratemporal (trajeto pelo osso temporal, sendo a porção mais protegida); ✓ Cavernosa (parte que se relaciona com o seio cavernoso e que tem relação lateral com o seio esfenoide); ✓ Supracavernosa (porção que fica acima do seio cavernoso); ➢ Tem relação com os nervos troclear, oculomotor e abducente que ficam medialmente; ➢ Possuem inúmeras ramificações, as quais são: 1. A. oftálmica: ✓ Emite a A. central da retina (ramo mais importante que irriga a retina); ✓ Origina, também, as Aa. etmoidais anterior e posterior (irrigam a parte superior da cavidade nasal); ✓ Além disso, originam as Aa. supratrocleares (acompanham os nervos trocleares) e as Aa. supraorbitais (acompanham o nervo supraorbital), saindo pelos forames supraorbitais; 2. A. cerebral anterior: ✓ Percorre a fissura longitudinal do cérebro; ✓ Irriga as faces medial e a parte superior dos lobos frontal e parietal; 3. A. cerebral média: ✓ Percorre o sulco lateral; ✓ Irriga a face súpero-lateral e o polo temporal; 4. A. comunicante posterior: ✓ Anastomosa as Aa. cerebrais posteriores; ✓ Irriga trato óptico, pedúnculo cerebral, cápsula interna e tálamo; 5. A. corioidea anterior: ✓ Irriga estruturas do diencéfalo, dos núcleos da base, além de nutrir os plexos coroides e parte da cápsula interna; • Artéria Subclávia: ➢ Inicia-se seu trajeto posterior às respectivas articulações esternoclaviculares e ascendem através da abertura superior do tórax, adentrando na raiz do pescoço; ➢ É dividida em três porções, sendo essas: ✓ 1º) Da sua origem até a margem medial do m. escaleno anterior, sendo posterior ao nervo vago e anterior ao ápice do pulmão; ✓ 2º) Segue daí até a parte posterior do m. escaleno anterior, entre os escalenos médio e anterior; ✓ 3º) Porção mais superficial, localizada no trígono supraclavicular ao nível da 1º costela, sendo posterior à veia subclávia e anterior ao tronco inferior do plexo braquial; ➢ Devido suas relações, compressões nessas regiões são perigosas, podendo desencadear uma série de sinais e de sintomas que caracterizam as síndromes de compressão neurovascular; ➢ Emite ramos importantes para irrigação do pescoço e do tórax, os quais são: 1. A. vertebral: ✓ Origina-se na 1° porção da A. subclávia, medialmente ao escaleno anterior; ✓ Ascende através dos forames transversos de C1 a C6, contorna posteriormente o arco posterior do atlas e penetra no crânio pelo forame magno; ✓ Tem íntima relação com o gânglio cervical inferior do tronco simpático cervical; ✓ Irriga parte posterior do encéfalo, formando a A. basilar. Além disso, nutre também a medula espinhal; 2. A. torácica interna; 3. Tronco tireocervical (possui quatro ramos): ✓ A. tireóidea inferior: - Irriga o polo inferior da glândula tireoide, as glândulas parótidas; - Emite ramos que irrigam a laringe, a traqueia, o esôfago, as vértebras cervicais e a medula espinhal; ✓ A. cervical ascendente: - Ascende anterior aos processos transversos, irrigando os mm. escalenos e longos; ✓ A. cervical transversa: - Atravessa todo o pescoço, irrigando especialmente o trígono lateral e parte do dorso, como o m. trapézio; ✓ A. supraescapular; 4. Tronco costocervical: ✓ Origina-se na 2° porção da subclávia e arqueia- se posteriormente até o colo da 1º costela, dividindo- se em dois ramos; ✓ A. intercostal suprema; ✓ A. cervical profunda: - Irriga os músculos pós-vertebrais; • Drenagem do Encéfalo: ➢ Grupo póstero-superior: ✓ Seio sagital superior; ✓ Seio sagital inferior; ✓ Seio reto; ✓ Seios transversos; ✓ Seio occipital; ➢ Grupo anteroinferior: ✓ Seio cavernoso; ✓ Seio petroso superior; ✓ Seio petroso inferior; ✓ Plexo pterigoideo; ✓ Plexo faríngeo; ➢ As veias drenam para os seios, os quais são estruturas com parede semelhante à das veias, mas recebem outra denominação na região encefálica; ➢ No primeiro grupo, o percurso da drenagem ocorre da seguinte maneira: ✓ A veia cerebral magna (veia de Galeno) junta-se ao seio sagital inferior, drenando para o seio reto, o qual junta-se com o seio sagital superior na confluência dos seio, drenando para os seios transversos que segue pelo seio sigmoide até o forame jugular, onde passa a se chamar Veia jugular interna; ✓ Essa veia, por sua vez, descende envolvida pela bainha carotídea até a extremidade medial da clavícula, onde se une à v. subclávia para formar a v. braquiocefálica; ✓ As veias braquiocefálicas D e E se unem para formar a veia cava superior, a qual desemboca no átrio direito do coração; ➢ Já o segundo grupo, é mais responsável pela drenagem da face, drenando diretamente para a v. jugular interna. Além disso, também participam, em menor expressão, da drenagem do encéfalo, drenando para a confluência dos seios; ➢ Triângulo perigoso da face: ✓ É na região do nariz, sendo assim denominada porque uma parte da drenagem da face sobe pelo seio cavernoso e pelo plexo pterigoideo; ✓ Dessa forma, um processo infeccioso nessa região pode desencadear uma meningite, uma infecção no seio cavernoso ou um quadro infeccioso no SNC; • Drenagem da Face: ➢ Veia facial (próxima à A. facial); ➢ Veia maxilar (drena terço médio e intermédio da face); ➢ Veia temporal superficial (drena 2/3 anteriores do couro cabeludo); • Drenagem do Pescoço: ➢ Veia jugular interna: ✓ Inicia-se no forame jugular e recebe toda a drenagem do encéfalo pelo seio sigmoide; ✓ Recebe tributárias, como as vv. facial, tireóidea superior e inferior, faríngea e occipital; ➢ Veia jugular externa: ✓ Corre mais superficialmente e cruza o ECM, entrando no trígono posterior; ✓ Formada pelas vv. retromandibular e auricular posterior; ✓ Drena parte lateral da face e parte do couro cabeludo; ➢ As veias jugulares se unem com a veia subclávia para formar a veia braquiocefálica que se une com a correspondente do lado oposto para formar a veia cava superior;