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caule - 1 Botânica - Prof. Dr. Pablo G. Carrasco Caule Órgão vegetativo, geralmente aéreo, que produz e suporta folhas, flores e frutos, especializado na condução de seiva e sustentação, podendo funcionar como órgão de reserva, geralmente aclorofilado, aéreo e apresentando fototropismo positivo; quando jovem, realiza fotossíntese; às vezes efetua propagação vegetativa ou reserva de nutrientes. Morfologia externa nó região geralmente dilatada de onde saem as folhas entre-nó (meritalo) região entre dois nós consecutivos gema terminal (apical) região meristemática que promove crescimento em altura e ramificação gema lateral (axilar) região meristemática que promove ramificação lateral, muitas vezes, permanecendo dormente Quanto à origem gêmula do caulículo do embrião exógena a partir de gemas caulinares caule - 2 Quanto à forma cilíndrico, cônico, comprimido ou achatado, anguloso, sulcado, estriado, bojudo ou barrigudo. Quanto à consistência herbáceo, sublenhoso, lenhoso Quanto ao habitat aéreos, terrestres ou aquáticos Aéreos eretos tronco haste escapo estipe colmo (cheio ou oco) rastejantes ou sarmentosos trepadores ou escandentes com estruturas de fixação volúveis estolho ou estolão pendentes pseudobulbo dilatação de base caulinar e foliar adjacente. Ex: orquídeas Obs: Em certos casos os caules são tão reduzidos que a planta Brevicaule é considerada Acaule. caule - 3 caule - 4 caule - 5 Subterrâneos rizoma / cormo tubérculo bulbo sólido bulbo escamoso bulbo tunicado bulbo composto xilopódio Crocus sativus cormo de Gladiolus sp. Tubérculo de Dioscorea bulbifera Allium sativum caule - 6 Narcissus sp. Allium cepa Watsonia bulbillifera Tulipa caule - 7 Adaptações São modificações dos caules normais, como conseqüência de outras funções que exercem ou da influência do meio físico. Tipos cladódio filocladódio espinhoso ( acúleo) gavinha suculento armazenador de açucares Obs: acúleos = tricomas rígidos caule - 8 Quanto ao tipo de ramificações Indivisos: caules estipe. Ramificados monopodial: predomínio de um eixo principal sobre os ramos laterais (Pinheiros) simpodial: eixo principal da planta é formado por tecidos originados de diversas gemas (Cactos; Ficus sp.) em dicásio: duas gemas laterais do caule dão origem a ramos que crescem mais do que o eixo principal (Pteridófitas). Quanto ao desenvolvimento caules com pouca ou nenhuma lignificação erva caules lignificados subarbusto: até 1m de altura arbusto: entre 1 e 5m de altura árvore: > 5m de altura. caule - 9 Diferenças entre raiz e caule raiz caule origem * radícula * gêmula do caulículo diferenças morfológicas * com coifa * sem coifa * sem gemas terminais e laterais * com gemas terminais e laterais * com região de pêlos absorventes * sem região de pêlos absorventes * sem folhas, flores e frutos * com folhas, flores e frutos * corpo sem divisão em nós e entrenós * corpo com divisão em nós e entrenós * com radicelas de origem endógena * com ramos de origem exógena (nas gemas axilares) diferenças fisiológicas * absorção de seiva * condução de seiva * crescimento subterminal * crescimento terminal * geotropismo positivo * geotropismo negativo * raro fotossintetizante * fotossintetizantes ou não * fototropismo negativo * fototropismo positivo * responsável pela fixação da planta no solo * responsável pela sustentação de todos os elementos provenientes da gêmula Dioscorea cayennensis caule - 10 Curcuma domestica Curcuma domestica Alpinia galanga caule - 11 Alpinia galanga Zingiber officinale Aéreos o Haste: não lenhoso, ereto, da maioria das ervas. o Tronco: lenhoso, de delgado a muito robusto, da maioria das árvores e arbustos. o Estipe: cilíndrico, não ramificado, com uma coroa de folhas no ápice. Típico das palmeiras. o Colmo: nós e entrenó bem marcados. Presente nas monocotiledôneas, podendo apresentar entrenós ocos (bambú) ou cheios (cana-de-açúcar). o Volúvel: que se enrola a um suporte. Trepadeiras e cipós. o Sarmentoso: prostrado, preso ao solo com raízes apenas em um ponto. Ex.: abóbora. o Estolão: eixo caulinar rastejante que emite raízes nos nós, fixando ao solo em mais de um ponto. Ex: morangueiro. o Cladódio: caule modificado com função fotossintetizante e/ou de reserva de água, geralmente áfilos ou com folhas transformadas em espinhos. Ex.: cactos, carqueja, fita-de-moça (filocládio). o Rizóforo: eixo caulinar com crescimento geotrópico positivo, portador de raízes adventícias que podem auxiliar na sustentação ou estabilização da planta. Ex.: Rhizophora. Subterrâneos: associados às funções de armazenamento e propagação vegetativa. o Rizoma: apresenta crescimento horizontal, formando diretamente folhas ou ramos verticais com folhas. Ex.: espada-de-são-jorge, bananeira. o Tubérculo: porção terminal entumescida de ramos caulinares longos e finos. Ex.: batata-inglesa. o Cormo: sistema caulinar espessado e comprimido verticalmente, geralmente envolvido por catáfilos secos. Ex.: palma-de-santa-rita. o Bulbo: caule comprimido, reduzido a um disco basal de onde partem catáfilos armazenadores, densamente dispostos. Tunicados e escamosos. o Xilopódio: geralmentelignificado e duro, comum em espécies de cerrado, podendo ser formado parcialmente por caule e raiz. Modificações caulinares: Gavinhas: estruturas que se enrolam a um suporte, sensíveis a estímulos de contato. Ex: maracujá, chuchu. Podem ter também origem foliar. Espinhos caulinares: são gemas que se desenvolvem formando ramos curtos e ponteagudos, com função de proteção contra predação. Encontram-se sempre na axila de folhas. Existem espinhos de origem foliar, como os existentes em Cactaceae. Em ambos os casos são estruturas vascularizadas, o que os diferencia dos acúleos que são meras formações epidérmicas, sem posição definida.