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MANDRAGORA A PLANTA Mandragora officinarum ou Atropa mandragora é uma planta herbácea perene de até 30 cm, com talos curtos e uma raiz tuberosa, grossa, napiforme e frequentemente bifurcada, a qual pode apresentar a forma que lembra a do corpo hu- mano. Pertencente à família das solanáceas, compreendendo três ou quatro espécies mediterrâneas, no Oriente Médio e no Himalaia. É encontrada em prados úmidos ou inundados no outono, às margens dos campos e dos rios, na Espanha, Por- tugal, Itália, Grécia, Oriente Médio e Himalaia. Na Península Ibérica pode-se encontrar a Mandragora autumnalis, mas a partir da Itália até o Oriente Médio tem-se visto somente a Mandragora officinarum. (Hod) INSUMO ATIVO As Solanáceas têm como principal característica a presen- ça de alcaloides, geralmente do grupo da ornitina, existindo muitas espécies de interesse homeopático: Datura stramo- nium, Hyosciamus niger, Atropa belladona, Solanum dulca- mara, Capsicum annuum e Nicotiana tabacum. A composição dos alcaloides tanto no rizoma como na raiz da Mandragora, a mandragorina, é um complexo alcaloide de princípios ativos de sabor amargo formado pela hioscia- mina, escopolamina e atropina. Por isto, a Mandragora se aproxima de Belladona, do Hyosciamus e do Stramonium, aos quais se assemelha botanicamente, pois todos são sola- náceas, apresentando a mesma composição básica de alca- loides. A relação de hiosciamina, escopolamina e atropina é 18; 2; 5; 1,0 – na Mandragora e na Belladona é 10; 0; 2; 1, 0. (Hod). Não há registros com a relação proporcional no Hyosciamus e no Stramonium. Os sintomas em comum são devidos à inibição do parassimpático (ação da atropina, que é paras- simpaticolítica), ou seja, congestão cerebral (mais ativa em Belladona), cefaleia congestiva e pulsátil, midríase, mucosas secas, taquicardia, hipertermia e alternância de excitação e depressão. Existem diferenças entre a forma de cada medi- camento vivenciar seu desequilíbrio, a começar pelo delírio. x HISTÓRIA E LENDAS BÍBLIA. Sua raiz foi usada como afrodisíaco e para filtros amorosos e para combater a esterilidade. Na Bíblia, é citada em Gênesis, capítulo 30, versículos 14, 15 e 16 (onde Raquel a utilizou para combater sua esterilidade). HISTÓRIA da Mandragora: houve diversas citações envolvendo desde seu lado de mistério e magia até seus usos medicinais. ANTIGUIDADE. IDADE MÉDIA. A Mandragora tem sido usada desde a Antiguidade, existindo relatos que datam há cerca de 1500 A.C., mas foi durante a Idade Média que al- cançou maior aceitação. Existem diversos usos. COLHEITA. Para sua colheita, havia um sério ritual, descre- via-se com uma espada três círculos ao seu redor antes de arrancá-la, devendo-se estar olhando para o poente. Outros desenterravam ao redor da raiz e então a amarravam a um cão que, ao atender o chamado para sair do local, morria a seguir como vítima propiciatória. Para outros, só era possível arran- cá-la se antes fosse rodeada com urina de mulher ou sangue de menstruação. Relata-se que a raiz da Mandragora, ao ser desenterrada, gritava e gemia de tal forma que colocava lou- co ou matava quem a arrancava. Sobre esta última lenda, há citação em Romeu e Julieta, de Shakespeare, em que Julieta adverte para se soar uma trombeta antes de se retirar a Man- dragora do solo, para não ouvir seus brados e enlouquecer. FORCAS. Acreditava-se que a Mandragora crescia junto às forcas e que seu poder afrodisíaco vinha daí (o criminoso ejaculava na terra ao cair dependurado da forca, de onde nas- ciam as plantas). LOUCURA. Representa a expressão direta do mundo incons- ciente. Tumultuado, incoerente, inconsequente e imprevisí- vel. MÁGICOS. Era usada pelos bruxos como unguentos antes dos feitiços e também como preparados que produziam terrí- veis alucinações. As raízes eram talhadas para aumentar sua semelhança com a figura humana, sendo então usadas como amuletos para atrair boa sorte ou para exorcizar demônios. MÚSICA. A música “A balada para um louco”, de Astor Pia- zzola, é uma crítica refinada em que, como no filme “O estra- nho no ninho”, os temas sanidade e loucura concorrem. PICADEIRO. Exercitam no picadeiro da vida aquilo que é ridículo, mas que cada um de nós carrega um pouco. Nesta figura exótica, rimos daquilo que somos. PSICOTRÓPICOS. Graças aos seus alcaloides, a planta foi usada como anestésico e soporífico, que produz sono ou so- por. Nas tumbas faraônicas (como a de Ramsés III), aparece representado o fruto da Mandragora associado à dormideira (Papaver somniferum). Na Palestina, preparavam um forte anestésico amargo para crucificados, conhecido como mo- rion. PATOGENESIA Apesar de conhecida desde remotos tempos, somente em 1920 é que Allen publicou na Enciclopédia de Matéria Mé- na. Os indivíduos que sofrem Mandragora têm o compor- tamento do submundo (marginal). É a caricatura da espécie humana, carregando os múltiplos comportamentos parado- xais da espécie, na figura do vagabundo, “homeless” (sem teto, sem casa, desabrigado), aquele tipo louco que habita as ruas das cidades do interior e bairros das grandes capitais, servindo de deboche para as crianças de rua e saídas de esco- las, uma vez que vivem uma realidade própria dentro de seu universo delirante, ora eufórico cantarolante, ora maníaco ou prostrado, ou ainda como que endemoniado, histérico e fora de si, irresponsável e obsceno. MARGINALIDADE. Os indivíduos Mandragora são como sua raiz, que embaixo da terra têm aparência da figura humana; As primeiras experimentações da Mandragora, realizadas em 1834 (Dr. Dufresne) e 1874 (Dr. Richardson). Em 1951, foi ricamente experimentada por Julius Mezger, que ampliou os conhecimentos homeopáticos a respeito desta planta, tendo experimentado em trinta médicos. Raedson fez outra experimentação em 1963/64 em quinze pessoas, observando em todas elas o aparecimento de fortes dores ar- ticulares, e em doze vezes dores de cabeça, depressão e difi- culdade para concentrar-se. Em 1980, Edward Whitmont fez experimentação a partir das folhas, sem observar diferença em relação às outras experimentações que usaram a raiz. Poucas são as Matérias Médicas que descrevem a Man- dragora officinarum, sendo encontrada nos estudos de Allen, Vijnovsky, Voisin, Mezger, Raedson, Whitmont e Guermon- prez. Venenos. Os sintomas do envenenamento consistem em transtornos gástricos, debilidade, abatimento, perda da sen- sibilidade, podendo culminar em coma e morte. TEORIA Pacientes que vêm usando Belladona ou Hyosciamus ou Stramonium e que não estão “respondendo” bem, apesar do medicamento ter sido bem escolhido, talvez sejam Mandra- gora, caso apresentem os seus sintomas energéticos e men- tais! CAUSAS DO ADOECIMENTO Patogenesia do seu uso em dose natural desde a Antigui- dade como antidepressivo, soporífico, sedativo e anestésico em casos de cirurgias. Quando usado para sintomas físicos como os citados por Paracelso para calculose renal e sedativo para epilepsia, do- ença de São Vito, tosse, inflamações dos olhos e para adiantar menstruação e provocar trabalho de parto podem gerar pato- genesia passando a pessoa a apresentar os sintomas energéti- cos desarmonizados relatados neste medicamento. (Moreno). Sexualidade. Libido sexual aumentada ou diminuída (uso histórico como afrodisíaco). Vertigem. Muitas vezes, a vertigem é semelhante à síndro- me de Menière, precisando deitar-se para melhorar, outras vezes, piora ao se deitar ou se virar, geralmente após emoção ou ansiedade. ALTERNÂNCIA. BIPOLARIDADE Sensibilidade. Hipersensíveis históricos, com tendência – a estados hipomaníacos ou psicose maníaco-depressiva, psi- copatia que se manifesta por acessos, que se alternam, de excitação psíquica e de depressão psíquica,.– acompanha- dos por sintomas psicossomáticos. (Aurélio). HUMOR Euforia alternando com tristeza. (K/E 30, 2). Asarum, Eu- ropeum cortisorum, Mandr. • Depressão com apatia ou irritação, podendo bruscamentealternar com euforia e alegria Humor alternante extremo. Mudanças de humor, acessos de choro alternando com euforia ou agitação exagerada. (K/E 37, 2). Paradoxo de sonolência e entorpecimento. LATERALIDADE Sintomas predominantemente do lado direito. SINTOMAS CURATIVOS Fertilidade. Reprodução normalizada. Sexualidade equili- brada. Coerência. Clareza mental. Mente equilibrada. Respon- sabilidade. Tranquilidade. Emprega as palavras adequadas na conversação. Facilidade de concentração de decisão. Segura. Consequente. Trabalhadora. Laboriosa. SENSAÇÕES ENERGÉTICAS AGRAVAÇÕES. MELHORAS AGRAVAÇÕES Piora e não tolera o calor. Piora pela alimentação. Piora pela posição, ao ficar de pé e ao estar com os mem- bros pendurados, pendentes. • • Piora pelo calor das 3 às 5 horas da madrugada. Piora pelo clima ou tempo. Piora por tempestades, antes de tempestades, por tempo tormentoso e úmido. • • • • • Piora pelo toque: suave (pressão forte melhora). Piora por dores de cabeça. Piora por gorduras, café, bebida alcóolica e tabaco. Piora por lugares fechados com muita gente. Piora por movimentos e esforços. MELHORAS MELHORA PELA POSIÇÃO Melhora cólica abdominal, cefaleia e ciática, reclinando o corpo para trás ou espreguiçando-se. Melhora deitando-se, em relaxamento. Melhora dores articulares com a movimentação contínua, ao ar fresco. Melhora dores de cabeça ao se reclinar, como Belladona, Bismuthum, Causticum, Dioscorea, Kali carbonicum. MELHORA PELA EXONERAÇÃO Melhora por depressão com a evacuação e diurese abun- dante. • Melhora dores de cabeça ao urinar. Phosphoricum acidum, Gelsemium, Sanguinaria, Silicea, Veratrum album. Melhora secreções (urina, fezes, eructações). MELHORA PELA MOVIMENTAÇÃO Melhora pela movimentação contínua. Pulsatilla, Rhus, Hedera, Iodium. • Melhora prisão de ventre, com impulso frustrado e fezes granuladas. Nux vomica, Alumina, Plumbum. MELHORA PELA ALIMENTAÇÃO Melhora dores estomacais, ao comer e piora com estômago vazio. Anacardium, Graphites, Chelidonium, Iodium, Hede- ra, Acidum fluoricum, Calcium fluoratum, Bromium, Ignatia, Petroleum, Conium. Melhora gastralgia e cefaleia ao comer. Melhora dores de cabeça. Lycopodium, Psorinum. AVERSÕES PELOS ALIMENTOS: Intolerância aos alimentos gorduro- sos, aos doces, álcool e fumo, desejo por alimentos picantes, carnes e doces. SONO Tem sono agitado, intranquilo, sonolência durante o dia mesmo depois de uma boa noite de sono. SENSIBILIDADE Hipersensível. (K/E 80,1). Sensibilidade profunda, altera- ção, no sistema nervoso periférico. Odores: sensível aos odores. (K/E 80,2). SINTOMAS ENERGÉTICOS BOCA Herpes labial (semelhante a Nat-m), boca seca, estomatite, aftosa, estomatite hemorrágica, mau hálito, periodontite (in- flamação aguda das raízes dentárias) muito dolorosa ao to- que, há amigdalites recidivas e dormência da garganta como se estivesse anestesiada. CABEÇA Congestão cefálica (semelhante à Belladona), com sinais de pletora, acompanhada de mãos e pés frios. Cefaleia con- gestiva relacionada à ansiedade e antecipação, que melhora ao ar frio e pressão forte, piorando com exposição ao sol, fumo e álcool. ESTÔMAGO Dor epigástrica frequente que melhora ao comer ou beber e também ao se inclinar para trás (como Belladona, Bismu- thum, Causticum, Dioscorea, Kali carbonicum). EXTREMIDADES Lombociatalgia que melhora ao se reclinar ou se movi- mentar, artralgias com hipoestesia da pele, mialgias gene- ralizadas, dores nas grandes articulações e na coluna, que melhoram com movimentação contínua, artrites com sinais flogísticos, inflamatórios. Sensação de dormência nos braços e pernas, na cabeça, no rosto e nas mucosas. FEZES Obstipação como fezes caprinas, ou evacuação de fezes amolecidas, porém com dificuldade. GENERALIDADES TESTE “HOCKEN” Teste de “hocken”, que em alemão significa acocorar-se. O paciente faz genuflexão e depois fica de cócoras, a cabeça in- clinada para a frente e abaixada. Nesta posição, há uma exci- tação do parassimpático (reflexo vagal), levando à bradicar- dia, retardamento do ritmo cardíaco abaixo de uma frequên- cia de 60 batimentos por minuto, e miose, aumento do peris- taltismo intestinal e outros sintomas contrários àqueles pro- duzidos pela atropina. Desta forma, o paciente Mandragora sente uma piora do seu estado neste teste. Quando colocado em posição de inclinação para trás, há bloqueio do paras- simpático, ou seja, liberação de substâncias semelhantes à atropina, ocorrendo sintomas em similitude à Mandragora, consequente melhora sintomática. ARTROSE. REUMATISMO Gota e ciática, quando já foram tratados com inúmeros medicamentos e sem grande melhora, podendo obter alívio, quando associado a sintomas mentais e energéticos deste me- dicamento. OLHOS Congestão aguda dos olhos, conjuntivite, irite, midríase, os objetos parecem ter listras. OUVIDOS Zumbido persistente, ruídos: hipersensibilidade aos ruí- dos. Sensível aos ruídos. (K/E 80,2). PEITO CIRCULAÇÃO. APARELHO CIRCULATÓRIO: Ocorre es- tase venosa com hemorroidas, varizes em membros inferio- res, tendência hemorrágica com petéquias nas coxas e esto- matite hemorrágica. RESPIRAÇAO. APARELHO RESPIRATÓRIO: Tosse por irritação laríngea, bronquite aguda, rouquidão e dispneia. PELE Herpes labial e herpes zoster, furúnculos e erupções, com pele oleosa que suja as roupas pessoais e de cama. Secreções têm mau odor. RETO Ardência anal. Hemorroidas sangrantes. URINA APARELHO GENITURINÁRIOS: Bexiga frouxa com ne- cessidade frequente de urinar, incontinência noturna, ou di- ficuldade para urinar. Sua depressão melhora urinando de forma abundante, isto indica a necessidade desta pessoa de excretar sua conflitiva interior, ao urinar, coloca para fora seu produto interior. (U.R., K/E,94,2). SINTOMAS MENTAIS Ansiedade. (K/E5,1) e sentimento de insegurança. Concentração. Desconcentração fácil. (K/E15,3). Falta de concentração e de memória. Desalentado. (K/E22,3). Descontente. (K/E23,3). Excitação e excitabilidade, associados a uma irritabilidade apática. Excitação. (K/E30,3). Histeria. (K/E36,3). Indiferença. Apatia. (K/E51,1). Inquietude. Nervosismo. (K/E53,2). Insegurança Insonia e loucura. (K/E55,2). Irresolução, indecisão. (K/E57,1). Irritabilidade. (K/E57,2). Laborioso, mania de trabalhar. (K/E59,3). Mania. (K/E64,3). Memória. Debilidade de memória. (K/E67,1). MENTE Confusão mental. (K/E6,3). Prostração da mente, embotamento mental. (K/E74,3). PROJEÇÃO DESARMONIZADA Ilusão de estar possuído: Anac, Bell, Canth, Hyos, Mand, Op, Plat, Sil, Stram, Sulph, Verat. (K/E46,3). O delírio é semelhante àquele dos que estão enfeitiçados pela planta. Há loquacidade, fala sem sentido e incompre- ensível, agitação psicomotora, inquietude e incapacidade de permanecer parado, embora sem conseguir andar por sentir dormência de membros inferiores e sensação de que está com as pernas paralisadas (semelhante ao estado do in- divíduo embriagado), sendo que a violência encontrada nas outras solanáceas não compõe sua síndrome mínima. RACIOCÍNIO. DELÍRIOS Mandragora. A personalidade retrata a miséria humana, sua confusão, sua incoerência, sua inconstância, sua am- bivalência, sua inconsequência e sua irresponsabilidade. Magia da planta. Como se estivessem sob o domínio da ma- gia da planta, ora estão entorpecidos e anestesiados, ficando indiferentes ao prazer e ao trabalho, ora estão excitados, eu- fóricos, com visões terríveis e fantasmagóricas, agindo como enlouquecidos. Estados de delírios e de confusão mental. Delírio. (K/ E20,1). REGOZIJO. (K/E77,2). TRABALHO. Aversão ao trabalho. SINTOMAS EMOCIONAIS TRISTEZA. (K/E92,2). LATERALIDADE À direita: Lycopodium, Chelidonium, Sanguinaria. BIBLIOGRAFIA (Aurélio) - Aurélio. Dicionário Eletrônico da Língua Portu- guesa. (Brunini) - Carlos, Brunini. et allii. Matéria médica IBEHE - Vol. I ao VII. Editora Mythos. 1982/1996. São Paulo. (Hodiamont) - Doutor Hodiamont. Textos selecionados por Roberto de Luca in Sihoremax. Dr. Favila.(KE) - Francisco Xavier, Eizayaga. El moderno repertório de Kent. Ediciones Merecel. Buenos Aires. 1979.