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2015
O ServiçO SOcial nO 
capitaliSmO
Profª. Silvana Braz Wegrzynovski
Copyright © UNIASSELVI 2015
Elaboração:
Profª. Silvana Braz Wegrzynovski
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
361.3 
W474s Wengrzynovski, Silvana Braz 
 O serviço social no capitalismo / Silvana Braz 
Wengrzynovski. Indaial : UNIASSELVI, 2015.
 
 267 p. : il.
 
 ISBN 978-85-7830-871-1
 
 1. Serviço Social. 
 I. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. 
Impresso por:
III
apreSentaçãO
Caro acadêmico, a disciplina que se inicia agora aborda uma das 
questões mais controversas da profissão de Serviço Social: o capitalismo. 
Esse tema se torna assunto de profunda importância para o estudo da teoria 
e prática da formação do assistente social, e também na sua atuação como 
profissional, no contexto social, econômico, político e cultural em que está 
inserido.
Iniciaremos nossos estudos abrangendo a questão da expansão e 
crise do capitalismo e na configuração da modernidade e pós-modernidade, 
através do resgate histórico sobre as crises do capitalismo e a sua influência 
para o Serviço Social, bem como dos desafios que o profissional encontra 
diante deste sistema econômico.
Conforme o que mostra a história da nossa profissão, a mesma passou 
por momentos de reestruturação teórica, metodológica e prática. Diante disso, 
se faz necessário entender as transformações da sociedade no capitalismo 
contemporâneo, através da discussão sobre o que é o projeto societário do 
capital, de que forma tal projeto influencia nas políticas públicas e quais 
seriam as demandas dessas transformações na ordem mundial.
Ainda no que se refere às transformações societárias, se faz necessário 
estudar o Serviço Social na divisão técnica do trabalho, sendo esse um tema 
relacionado às transformações do mundo do trabalho. E, por último, serão 
apresentadas nesta unidade as organizações das categorias acadêmicas e 
profissionais e como se fazem presentes no sistema capitalista.
O presente caderno apresentará como o Serviço Social se organiza e 
atua no século XXI, buscando refletir sobre as transformações no mundo do 
trabalho, como de fato essas novas configurações do trabalho influenciaram 
no saber fazer da profissão.
Além de entendermos as transformações no mundo do trabalho, e 
como o Serviço Social se apresenta nas novas formas de enfrentamento da 
questão social, através do Estado e sociedade civil, será possibilitada ao 
acadêmico uma reflexão sobre qual é o papel do Estado, nessa fase atual de 
desenvolvimento capitalista.
 
E, por fim, serão estudados o Serviço Social e as políticas públicas 
contemporâneas, possibilitando o acesso a conhecimentos e críticas sobre a 
agenda das políticas sociais atuais no que diz respeito ao plano federal. 
IV
Esperamos que, com os conteúdos abordados nessa disciplina, sejam 
proporcionados a você, caro acadêmico, elementos para melhor conhecer o 
seu espaço de atuação como futuro profissional de Serviço Social, podendo 
identificar os seus interlocutores e os desafios propostos.
Comecemos, então, o nosso estudo.
 
Profa. Silvana Braz Wegrzynovski
UNI
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para 
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades 
em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o 
material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato 
mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação 
no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir 
a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
V
VI
VII
SumáriO
UNIDADE 1 – A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO 
 DA PÓS-MODERNIDADE ....................................................................................... 1
TÓPICO 1 – AS TRANSFORMAÇÕES RECENTES NO MODELO CAPITALISTA ............... 3
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 3
2 ENTENDENDO AS CRISES DO CAPITALISMO ........................................................................ 3
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 19
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 20
TÓPICO 2 – OS DESAFIOS DO SERVIÇO SOCIAL FRENTE À CRISE DO 
 CAPITALISMO ............................................................................................................... 21
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 21
2 A ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL DE SERVIÇO SOCIAL DIANTE DOS DESAFIOS E 
PERSPECTIVAS CONTEMPORÂNEAS ........................................................................................... 22
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 31
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 33
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 34
TÓPICO 3 – A CIÊNCIA MODERNA, A CRISE DOS PARADIGMAS E SUA RELAÇÃO 
 COM O SERVIÇO SOCIAL ........................................................................................... 35
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 35
2 AS EXPRESSÕES IDEOCULTURAIS DA CRISE DO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEA 
 E SUA INFLUÊNCIA TEÓRICA-PRÁTICA PARA O SERVIÇO SOCIAL .............................. 36
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 49
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 51
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 52
TÓPICO 4 – OS DESAFIOS DO PROJETO ÉTICO-POLÍTICO DO SERVIÇO SOCIAL 
 FRENTE AO PROJETO DA MODERNIDADE, DA CRISE DO SISTEMA 
 CAPITALISTA E DA IDEOLOGIA PÓS-MODERNISMO .................................... 53
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................................53
2 OS REFLEXOS DA MODERNIDADE E PÓS-MODERNIDADE PARA O SERVIÇO 
 SOCIAL PERANTE O PROJETO ÉTICO-POLÍTICO .................................................................. 54
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 73
RESUMO DO TÓPICO 4 ....................................................................................................................... 76
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 78
UNIDADE 2 – O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO 
 CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO .................................................................... 79
TÓPICO 1 – A DIVISÃO SOCIOTÉCNICA DA PROFISSÃO DE SERVIÇO SOCIAL NA 
 SOCIEDADE CAPITALISTA ........................................................................................ 81
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 81
VIII
2 O SIGNIFICADO SÓCIO-HISTÓRICO DO SERVIÇO SOCIAL COMO 
 PROFISSÃO NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA ................................................................ 82
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 100
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 102
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 104
TÓPICO 2 – OS ESPAÇOS SÓCIO-OCUPACIONAIS DE INTERVENÇÃO 
 PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL NA ESFERA ESTATAL E 
 INSTÂNCIAS PÚBLICAS DE CONTROLE DEMOCRÁTICO ............................ 105
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 105
2 O SERVIÇO SOCIAL COMO TRABALHO ASSALARIADO E A SUA 
 TRAJETÓRIA EM ESPAÇOS DE ATUAÇÃO NAS ESFERAS PÚBLICAS ............................. 106
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 117
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 119
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 121
TÓPICO 3 – O EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL NAS 
 EMPRESAS PRIVADAS ................................................................................................. 123
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 123
2 O SERVIÇO SOCIAL COMO PROFISSÃO INSERIDA NAS EMPRESAS 
 CAPITALISTAS .......................................................................................................................................... 124
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 136
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 139
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 141
TÓPICO 4 – A ATUAÇÃO DOS ASSISTENTES SOCIAIS NAS 
 ORGANIZAÇÕES DA CLASSE TRABALHADORA E NAS 
 ORGANIZAÇÕES PRIVADAS NÃO LUCRATIVAS ............................................... 143
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 143 
2 DESAFIOS, LIMITES E TENDÊNCIAS DO TRABALHO DOS ASSISTENTES 
 SOCIAIS NAS ORGANIZAÇÕES DA CLASSE TRABALHADORA ...................................... 144
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 151
RESUMO DO TÓPICO 4 ....................................................................................................................... 154
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 155
UNIDADE 3 – O SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL E AS POLÍTICAS PÚBLICAS 
 NO SÉCULO XXI ......................................................................................................... 157
TÓPICO 1 CONCEITUANDO AS POLÍTICAS PÚBLICAS ......................................................... 159
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 159
2 POLÍTICAS PÚBLICAS: CONCEITOS, CICLOS E ANÁLISES NO MODELO 
 SISTÊMICO .......................................................................................................................................... 160
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 176
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 178
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 180
TÓPICO 2 – AS POLÍTICAS PÚBLICAS E OS SEUS CICLOS DE EFETIVAÇÃO .................. 181
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 181
2 ELABORAÇÃO E EFETIVAÇÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS NO 
 CONTEXTO DO SISTEMA CAPITALISTA .................................................................................. 182
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 194
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 198
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 200
IX
TÓPICO 3 – AS POLÍTICAS SOCIAIS BRASILEIRAS E SUAS DIMENS ÕES 
 HISTÓRICAS ......................................................................................................................... 201
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 201
2 O ESTADO E AS CORRELAÇÕES HISTÓRICAS ENTRE AS DEMANDAS SOCIAIS ...... 201
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 221
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 224
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 226
TÓPICO – 4 AS POLÍTICAS PÚBLICAS SOCIAIS CONTEMPORÂNEAS DO 
 ESTADO BRASILEIRO ................................................................................................. 227
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 227
2 POLÍTICAS PÚBLICAS BRASILEIRAS E CIDADANIA ...........................................................228
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 251
RESUMO DO TÓPICO 4 ....................................................................................................................... 254
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 257
REFERÊNCIAS ........................................................................................................................................ 259
ANOTAÇÕES .......................................................................................................................................... 267
X
1
UNIDADE 1
A EXPANSÃO E CRISE DO 
CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO 
DA PÓS-MODERNIDADE
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade, você será capaz de:
• compreender a atual crise do capitalismo;
• analisar os desafios do serviço social frente à crise do capitalismo;
• discutir sobre o surgimento da pós-modernidade para as categorias teóri-
cas, políticas e culturais;
• conhecer os reflexos da modernidade e pós-modernidade para o serviço 
social.
A Unidade 1 está dividida em quatro tópicos, sendo que ao final de cada 
um deles você encontrará atividades visando à compreensão dos conteúdos 
apresentados.
TÓPICO 1 – AS TRANSFORMAÇÕES RECENTES DO MODELO 
 CAPITALISTA
TÓPICO 2 – OS DESAFIOS DO SERVIÇO SOCIAL FRENTE À CRISE DO 
 CAPITALISMO
TÓPICO 3 – A CIÊNCIA MODERNA, A CRISE DOS PARADIGMAS E SUA 
 RELAÇÃO COM O SERVIÇO SOCIAL 
TÓPICO 4 – OS DESAFIOS DO PROJETO ÉTICO-POLÍTICO DO SERVIÇO 
 SOCIAL FRENTE AO PROJETO DA MODERNIDADE, DA 
 CRISE DO SISTEMA CAPITALISTA E DA IDEOLOGIA 
 PÓS-MODERNISMO
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
AS TRANSFORMAÇÕES RECENTES NO 
MODELO CAPITALISTA
1 INTRODUÇÃO
 A economia política descobre no trabalho o fundamento da atividade 
econômica, sendo que por meio desta a riqueza social é determinada, ou seja, o 
trabalho é a atividade onde o homem produz e reproduz a sua essência através de 
sua história.
Nesta unidade, o acadêmico poderá compreender determinados aspectos 
da crise do capitalismo na atualidade, conhecendo os fundamentos das questões 
sociais que envolvem a sociedade como um todo. 
Então vamos aos estudos...
2 ENTENDENDO AS CRISES DO CAPITALISMO
Para realizar um estudo sobre a atual crise do sistema capitalista, se 
faz necessário compreender conceitos fundamentais sobre capitalismo e as 
transformações que ocorreram no modelo de produção, desde o final da década 
de 70 do século XX, com ênfase nas mudanças sofridas na acumulação capitalista, 
bem como na organização do trabalho e no modo de viver dos trabalhadores.
Para muitos pensadores sociais, economistas e outros, a definição de 
capitalismo se dá, pela sua forma de organização global, como sendo o sistema 
econômico mundial, pois na sociedade contemporânea é o sistema econômico e 
social que prevalece, conforme será apresentado nesta unidade de estudo.
Desde o nascimento do capitalismo na Europa, durante o período do 
mercantilismo, surgiram defensores de uma “empresa livre” ou da “livre 
iniciativa” e/ou ainda “mercado livre”, pois nesse período havia muitas ressalvas 
à liberdade do comércio, sendo que as empresas não poderiam escolher o que 
produzir, nem para quem, e também não tinham a escolha de como produzir e/
ou para quem vender, sendo dificultadas pelas associações de profissões e pelo 
Estado que tinha como princípio o mercantilismo. Nascimento (2012, p. 51) afirma: 
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
4
“Muito se tem debatido o real sentido de livre empresa (ou como também pode ser 
chamada: livre iniciativa), no aspecto de se verificar se há total liberdade das forças 
do mercado (competição) ou mesmo se em proteção ao próprio consumidor final”. 
O livre mercado é uma das primeiras características do sistema capitalista, 
pois os donos das empresas, patrões, exigiam uma maior autonomia na produção 
e, com as suas propriedades, visavam a obtenção de lucros.
As crises do sistema capitalista são cíclicas e periódicas, oriundas dos 
problemas de acumulação do capital, sendo sempre econômicas e não culturais, 
religiosas, entre outras dimensões, porém se relacionam entre si e afetam 
diretamente o modo de produção.
Cada crise da economia é diferente uma da outra, devido aos momentos 
em que se desenvolvem. Atualmente estamos vivenciando uma crise globalizada, 
devido a vários fatores, como, por exemplo, a expansão do capital que atinge 
primeiramente os países centrais e depois os países periféricos.
 
O homem é o responsável pela construção contínua da história, sendo 
esse um movimento determinado pela estrutura econômica da sociedade, ou seja, 
imposta pelas condições materiais da vida. 
 
 FIGURA 1 – CRISE ATUAL
FONTE: Disponível em: <http://gracietesantana.blogspot.com.
br/2012/04/o-que-o-capitalismo-proporciona.html>. Acesso em: 17 nov. 
2014. 
TÓPICO 1 | AS TRANSFORMAÇÕES RECENTES NO MODELO CAPITALISTA
5
Marx e Engels, nos livros Manuscritos Econômico-Filosóficos (2002) e em A 
Ideologia Alemã (1986), afirmam que o trabalho é a ferramenta para as atividades 
da economia política, sendo esse o responsável pela produção da riqueza social. 
Compreende-se então, caro acadêmico, que o trabalho é desenvolvido 
pelo homem como sendo um instrumento capaz de produzir a sua essência, 
transformando o meio em que se vive, individualmente e/ou coletivamente.
O trabalho se torna um dos componentes condicionantes da história da 
sociedade na sua totalidade. “O processo de trabalho como o apresentou, em 
seus elementos simples e abstratos, é atividade orientada a um fim para produzir 
valores de uso, apropriação do natural para satisfazer as necessidades humanas 
[...]” (MARX,1985, p. 153).
A riqueza social, bens materiais, que são produzidos pela sociedade 
para a sua reprodução social, no modelo de produção capitalista, não possuem 
uma divisão igualitária, gerando as classes sociais antagônicas. O que ocorre 
é a apropriação desses bens, que são produzidos através do trabalho da classe 
operária, pelos donos dos meios de produção. 
Os bens materiais se concretizam através da força do trabalho do homem, 
e se valorizam através do que se chama de mercadoria.
Segundo Marx,
A mercadoria é, antes de tudo, um objeto externo, uma coisa, a qual, pelas 
suas propriedades, satisfaz necessidades humanas de qualquer espécie. 
A natureza dessas necessidades, se elas se originam do estômago ou da 
fantasia, não altera nada na coisa. Aqui também não se trata de como a 
coisa satisfaz a necessidade humana, se imediatamente, como meio de 
subsistência, isto é, objeto de consumo, ou se diretamente, como meio 
de produção. (MARX, 1988, p. 45).
A mercadoria deve ser levada sempre em consideração por dois pontos 
de vista: o de quantidade ou qualidade. Todos os produtos, depois que se tornam 
mercadoria, passam a ter certos valores.
 Para Marx, a mercadoria é definida por dois fatores: Valor de Uso e Valor 
de Troca. 
[...] a existência [...] de cada elemento da riqueza material não existente 
na natureza, sempre teve de ser mediada por uma atividade especial 
produtiva, adequada ao seu fim, que assimila elementos específicos da 
natureza a necessidades humanas específicas. Como criador de valores 
de uso, como trabalho útil, é o trabalho, por isso, uma condição de 
existência do homem, independente de todas as formas de sociedade, 
eterna necessidade natural de mediação do metabolismo entre homem 
e natureza e, portanto, da vida humana (MARX, 1988, p. 50).
 
Sendo assim, o valor de uso depende da necessidade de utilidade de um 
determinado “bem”, para cada pessoa. O valor de troca pode ser medido, poisestá 
baseado na propriedade de cada produto. 
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
6
 FIGURA 2 – MERCADORIA
FONTE: Disponível em: <http://www.sntpv.com.br/sindical/amercadoriaeseuvalor.php>. 
Acesso em: 20 nov. 2014.
 
O capital se expande pelo modelo de produção, pelo que se chama de 
apropriação da mais-valia, que é o valor total de trabalho empregado na produção 
de mercadoria, ou seja, é o trabalho excedente que não é pago. “Todo o sistema 
de produção capitalista repousa no fato de que o trabalhador vende sua força de 
trabalho como mercadoria” (MARX, 1985, p. 48).
O raciocínio lógico dos capitalistas seria sempre arrancar a mais-valia dos 
trabalhadores, assim acumulam capital para investir novamente na produção, 
consequentemente aumentando sua riqueza. Nesse sentido, a acumulação do 
capital estaria independente da vontade individual dos patrões, se tornaria 
inseparável à condição para sobreviver no mercado de produção.
Para Marx (1985), sempre haverá injustiça social neste modelo de sociedade 
capitalista, devido ao trabalhador produzir para seu patrão muito mais que o 
próprio valor que custa para a sociedade.
TÓPICO 1 | AS TRANSFORMAÇÕES RECENTES NO MODELO CAPITALISTA
7
 A “crise da sobreprodução”, defendida por Marx (1988), é gerada através 
da relação produtiva contrária que se desponta por meio da questão social, 
significando um grande leque de problemas sociais, que são resultados das 
contradições geradas pelo capital e trabalho.
 Porém, essa crise é decorrente quando os chamados empregadores, 
patrões e/ou donos do capital não conseguem vender seus produtos, e não 
conseguem os lucros esperados, ou então a partir do momento em que a produção 
não desempenha sua função de ascender lucros, causando o desemprego dos 
trabalhadores e o aumento da economia.
O autor Mészarós explica que as crises são próprias do modelo capitalista 
de produção.
 
No decurso do desenvolvimento histórico real, as três dimensões 
fundamentais do sistema capitalista — produção, consumo e circulação/
realização — tendem, durante um longo período de tempo, a reforçar-
se e a expandir-se reciprocamente, garantindo também a motivação 
interna necessária para a respectiva reprodução dinâmica a uma escala 
cada vez mais ampliada. Portanto, no início, os limites imediatos de 
cada uma são superados com êxito, graças precisamente à interação 
recíproca com as outras dimensões. (Por exemplo: o obstáculo imediato 
à produção é superado com êxito durante algum tempo através da 
expansão do consumo e vice-versa.) Deste modo, esses limites imediatos 
das dimensões fundamentais do capital, mencionados nas citações 
dos Grundrisse, aparecem na realidade como simples obstáculos a 
superar. Ao mesmo tempo, as contradições imediatas do conjunto são 
não apenas transferidas, mas diretamente utilizadas como alavancas 
para o crescimento exponencial nas aparências do ilimitado poder 
autopropulsivo do capital. (MÉSZARÓS, 2004).
 
Antes do surgimento da indústria capitalista existiam crises econômicas, 
que eram originadas das calamidades naturais, como as cheias, secas, doenças, 
epidemias e, entre outros fatores, até mesmo as guerras. Nessas situações não 
era disponibilizada alimentação e outros produtos para garantir e atender às 
necessidades imediatas, ou seja, crise de subprodução. 
Na sociedade fundamentada na economia capitalista existe uma contradição 
que acontece, as crises econômicas que são geradas pela superprodução. Marx 
(1848) afirmava que:
UNI
Você já deve estar se perguntando por que estudarmos os conceitos de trabalho, 
mercadoria, valor, mais-valia, nas crises do capitalismo. Então vamos seguir. 
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
8
Cada crise destrói regularmente não só uma grande massa de produtos 
já fabricados, mas também uma grande parte das próprias forças 
produtivas já desenvolvidas. Uma epidemia, que em qualquer outra 
época teria parecido um paradoxo, desaba sobre a sociedade - a epidemia 
da superprodução. Subitamente, a sociedade vê-se reconduzida a um 
estado de barbárie momentânea; dir-se-ia que a fome ou uma guerra de 
extermínio cortaram-lhe todos os meios de subsistência; a indústria e o 
comércio parecem aniquilados. E por quê? Porque a sociedade possui 
demasiada civilização, demasiados meios de subsistência, demasiada 
indústria, demasiado comércio. (MARX, 2007, p. 7).
 FIGURA 3 – SUPERPRODUÇÃO
Fonte: Disponível <https://historiaaraposo.files.wordpress.
com/2011/01/02.jpg>. Acessado em 18 nov. 2014.
O que se percebe é que as crises de consumo estão inseridas nos princípios 
do modo de produção capitalista, sendo elas cíclicas, e ocorrem de tempo em 
tempo, através da forma em que acumula e expande seu capital. 
O início de uma crise capitalista se dá por uma diminuição das atividades 
econômicas, ou seja, pelo desaquecimento da economia. Em seguida vem a fase 
de depressão, que é caracterizada pela diminuição das atividades econômicas, 
resultando em queda dos lucros, aumentando o índice de subemprego e 
desemprego, além da diminuição dos salários. Após afetar toda classe de produção, 
o capital começa uma nova fase de crescimento, que significa sua recuperação, até 
iniciar um novo ciclo.
 
Conforme Mota (2009, p. 53), “As crises expressam um desequilíbrio 
entre a produção e o consumo, comprometendo a realização do capital, ou seja, a 
transformação da mais-valia em lucro, processo que só se realiza mediante a venda 
das mercadorias capitalisticamente reduzidas”. 
O que ocorre é a produção de grande quantidade, mas que a população não 
tem como comprar. Vale lembrar que, na economia capitalista, interessa o valor 
de troca e não o valor de uso das mercadorias. A produção de mercadorias não 
necessita e não precisa atender às necessidades da classe trabalhadora, e sim as 
necessidades da classe burguesa, patrões, através do lucro, consequentemente, as 
crises econômicas.
Pode-se afirmar que existem duas causas fundamentais que geram as crises 
econômicas, que se relacionam e findam entre si. Uma se baseia na contradição 
TÓPICO 1 | AS TRANSFORMAÇÕES RECENTES NO MODELO CAPITALISTA
9
entre capital x trabalho, e a outra se baseia na anarquia da produção, que significa 
uma economia planificada.
Na relação capital x trabalho (patrão x trabalhador) existem interesses 
completamente diferentes, pois o que favorece economicamente uma classe 
desfavorece a outra. Os patrões precisam manter seu lucro e lutam por isso, já os 
trabalhadores lutam por melhores salários e ampliação dos direitos trabalhistas. 
 
A maioria dos consumidores das mercadorias são os próprios trabalhadores, 
que, com salários reduzidos, não conseguem acompanhar a oferta das mesmas 
em que são produzidas, e assim a produção fica além do consumo. Com a pouca 
aquisição de mercadorias, geram-se os estoques, diminuindo assim a produção.
Diante disso, conclui-se que o capitalista, ou seja, o patrão, precisa manter 
os lucros mantendo os salários baixos, acabando com o poder de aquisição para 
obtenção dos lucros e com isso causando o desemprego, que por sua vez diminui 
os salários, aumentando a oferta de mão de obra. 
FIGURA 4 – CAPITAL X TRABALHO
FONTE: Disponível em: <http://www.sntpv.com.br/sindical/oprocessodeproducao.php>. Acesso 
em: 19 nov. 2014.
IMPORTANT
E
CAPITAL X TRABALHO: Interesses contrários entre capitalistas e trabalhadores. O 
patrão luta por mais lucros e o trabalhador por salários mais justos.
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
10
Outra causa de uma crise econômica seria a anarquia da produção, onde a 
liberdade de interesse deveria causar uma harmonia no sistema capitalista e sua 
economia. Para Marx (1985), a anarquia de produção evidencia que o capitalismo 
não tem um sistema de organização centralizado, que mostre o caminho que 
a produção deveseguir, gerando assim uma produção sem planejamento e 
ocasionando as crises periódicas. As coisas acontecem completamente diferentes, 
veremos agora.
 Como vimos anteriormente, o interesse dos patrões será sempre acumular 
o lucro, acumulando assim seu capital, e para que isso aconteça procuram diminuir 
salários, ampliam a produção para aumentar as vendas. Sendo esse o interesse 
e planejamento individual de cada empresa durante o período de crescimento 
econômico.
Esse planejamento individual leva a uma concorrência entre as empresas, 
pois nenhuma respeita o interesse da outra, ocasionando muitas vezes, em algumas 
dessas empresas, um descontrole da produção. 
Esse descontrole de produção é resultado da grande produção e colocação 
dessas mercadorias no mercado, muito mais do que se precisa; e com o abusivo 
aumento da produção, algumas matérias-primas começam a faltar, fazendo com 
que o preço dessas mercadorias aumente, diminuindo assim o consumo. 
As crises do sistema capitalista não ocorrem naturalmente, são incoerências 
do modelo capitalista de produção, devido à sua própria contradição, à fabricação 
socializada e do acúmulo privado da riqueza por parte da minoria.
Netto e Braz (2006, p. 162) garantem que: “as crises são funcionais ao 
modelo de produção capitalista, constituindo num mecanismo que determina a 
restauração das condições de acumulação, sempre em níveis mais complexos e 
instáveis, assegurando assim a sua continuidade”. 
Os autores acima não acusam um esgotamento do sistema capitalista, e 
sim conduzem para uma discussão sobre as contradições que existem no modelo 
de produção capitalista, afetando fatores políticos e força nas relações entre as 
classes sociais. Com isso ocorre um processo de alterações no cerne da sociedade, 
conforme os objetivos das classes sociais e de suas forças políticas. 
UNI
O que se conclui é que, tanto pela relação trabalho x capital quanto pela anarquia 
da produção, se tem grandes estoques e queda da produção, resultando no desemprego e 
subemprego e baixos salários pela excessiva força de trabalho.
TÓPICO 1 | AS TRANSFORMAÇÕES RECENTES NO MODELO CAPITALISTA
11
Cada classe social, capitalistas (patrões) e trabalhadores, reage de maneira 
diferenciada às crises cíclicas da economia capitalista. Para a primeira classe 
significa que seu poder econômico está ameaçado, e para a outra classe, a dos 
trabalhadores, estes são afligidos, no que diz respeito à sua condição de trabalho, 
tanto materialmente como subjetivamente, através de reflexos como o desemprego, 
perdas salariais, crescimento do chamado exército de reserva de mão de obra, 
desarticulação das suas organizações e lutas de classes.
Segundo Mota (2009, p. 55),
Do ponto de vista objetivo, este movimento materializa-se na c r i a ç ã o 
de novas formas de produção de mercadorias, mediante a 
racionalização do trabalho vivo pelo uso da ciência e tecnologia, 
regido pela implantação de novos métodos de gestão do trabalho que 
permitem às firmas o aumento da produtividade e a redução dos custos 
de produção.
As chamadas curvas cíclicas das crises econômicas incidem em dinâmicas 
das afinidades sociais, ou seja, na restauração das relações sociais, através da 
intervenção do Estado. 
 FIGURA 5 – CRISES DO CAPITALIMO
Fonte: A autora
UNI
Os reflexos das crises são diferentes para a classe social dos trabalhadores e a dos patrões.
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
12
O Estado redefine sua estrutura de intervenção, através de novos 
mecanismos institucionais, como, por exemplo, a criação de novos sistemas de 
proteção social. Porém, o Estado intervém diretamente na política econômica, 
gerando uma relação contínua entre Estado, mercado e sociedade.
Nos países centrais, após a Segunda Guerra Mundial, até a década de 
70, houve uma fase de reconstrução, que foi marcada pelo desenvolvimento do 
capitalismo, com uma grande intervenção estatal. O modelo de produção fordista 
unificou as ações econômicas do modelo econômico keynesiano, resultando em 
um equilíbrio do modo de acumulação capitalista, compreendido como fordista-
keynesiano, segundo Harvey (1992, p. 121): 
(...) O Estado teve que assumir novos (keynesianos) papéis e construir 
novos poderes institucionais; o capital corporativo teve de ajustar as 
velas em certos aspectos para seguir com mais suavidade a trilha da 
lucratividade segura; e o trabalho organizado teve de assumir novos 
papéis e funções relativas ao desempenho nos mercados de trabalho e 
nos processos de produção. “O equilíbrio de poder tenso mas mesmo 
assim firme, que prevalecia entre o trabalho organizado, o grande 
capital corporativo e a nação-Estado, e que formou a base do poder da 
expansão do pós-guerra.
FIGURA 6 – TEMPOS MODERNOS
FONTE: Disponível em: <http://chapeudosol.wordpress.com/2010/09/18/marx-
em-tempos-modernos/>. Acesso em: 16 nov. 2014.
DICAS
Você, acadêmico(a), deve assistir ao filme: Tempos Modernos, de Charles Chaplin.
TÓPICO 1 | AS TRANSFORMAÇÕES RECENTES NO MODELO CAPITALISTA
13
Atualmente estamos vivenciando um processo de globalização da 
economia, que deixou de ser uma crise cíclica do capitalismo para se tornar um 
modelo estruturado e permanente, devido à forma como as dimensões capitalistas, 
produção, consumo e realização, se organizam pela acumulação entre si.
 FIGURA 7 – CONSUMO
FONTE: Disponível em: <http://www.debatesculturais.com.br/
reflexoes-sobre-o-capitalismo-putrefato/>. Acesso em: 25 nov. 
2014.
Para Mészarós (2004), a crise capitalista que está inserida no mundo, desde 
os anos 70, está fundamentada em algumas características, sendo elas:
 
1. Mais do que restringido a uma esfera particular (por exemplo, 
financeira, comercial ou de um ou outro ramo da produção, ou de um 
ou outro setor particular de trabalho, com a sua gama específica de 
capacidades e grau de produtividade etc.), o seu caráter é universal; 2. 
Mais do que limitado a uma série particular de países (como foram 
todas as mais importantes crises do passado, incluindo a “grande 
crise mundial” de 1929-1933), o seu alcance é realmente global (no 
sentido mais extremadamente literal do termo); 3. Mais do que restrita 
e cíclica, como foram todas as crises anteriores do capitalismo, a 
sua escala temporal é alargada, contínua — permanente, se se quiser 
— e 4. No que respeita à sua modalidade de desenvolvimento, defini-la 
como sub-reptícia poderia ser uma descrição adequada — em contraste 
com as erupções e desmoronamentos mais espetaculares do passado 
—, com a advertência de que não se excluem para o futuro nem mesmo 
as mais veementes e violentas convulsões, uma vez quebrada aquela 
complexa máquina hoje ativamente empenhada na “gestão” da crise e 
na transferência mais ou menos provisória das crescentes contradições. 
 
Diante disso, percebe-se que as crises geradas pelo sistema capitalista não 
possuem reflexos somente no setor econômico de um sistema, mas também no 
que se refere ao campo social e político, devido ao papel impotente que o Estado 
assume diante dessa nova configuração do modelo de produção econômico. 
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
14
Para lanni (1992, p. 11), o significado de globalização é: “expressa um novo 
ciclo de expansão do capitalismo, como modo de produção e processo civilizatório 
de alcance mundial”.
No mundo todo, nas últimas décadas do século XX foram envolvidas 
pela globalização desde as nações desenvolvidas e subdesenvolvidas, formas 
de governo, classes sociais, pessoas, culturas, enfim, todos os segmentos sociais. 
Aconteceram várias modificações em todos os setores, no que diz respeito à 
economia, houve a criação de novas tecnologias, facilitando a comunicação e o 
acesso às informações, os aparelhos e capitais se expandiram.
 
O processo de globalização está inserido não somente na internacionalização 
do capital, na relaçãode consumo e troca, como também nas expressões políticas 
e sociais.
 
Nesse contexto, a questão social se globaliza e passa a ter novas dimensões 
e características, como, por exemplo, o aumento dos índices de desemprego e 
subemprego, criando uma flexibilidade globalizada do capitalismo no mundo do 
trabalho, com o mínimo de garantia e proteção social.
Um exemplo são as empresas dos países asiáticos, que entram na 
concorrência do mercado mundial, com melhor desempenho de fabricação e com 
preços mais baixos, mas sempre com mão de obra informal, ou sem garantias 
trabalhistas.
Marx, em 1845, dizia:
No desenvolvimento das forças produtivas atinge-se um estádio no 
qual se produzem forças de produção e meios de intercâmbio que, sob 
as relações de produção vigentes, só causam desgraça, que já não são 
forças de produção, mas forças de destruição [...] Sob a propriedade 
privada, estas forças produtivas recebem um desenvolvimento apenas 
unilateral, tornam-se forças destrutivas para a maioria [...] Chegou-
se, portanto, a um ponto tal que os indivíduos têm de apropriar-se da 
totalidade existente das forças produtivas, não só para alcançarem a sua 
auto-ocupação, mas principalmente para assegurarem a sua existência. 
(MARX, 1845 apud MÉSZARÓS, 2004). 
IMPORTANT
E
 Caro acadêmico, é de fundamental importância estudar, conhecer, compreender 
e avaliar o novo modelo de produção capitalista, para intervir profissionalmente.
TÓPICO 1 | AS TRANSFORMAÇÕES RECENTES NO MODELO CAPITALISTA
15
A economia de mercado, com o modelo capitalista de globalização, assume 
o controle das relações sociais de produção entre as diversas nações, invadindo a 
particularidade de cada povo.
Analisando a figura abaixo, percebe-se que o ciclo dessa crise é estável, e 
se estabeleceu na sociedade mundial através da abertura da economia do capital, 
gerando uma maior competitividade de mercado.
 
FIGURA 8 – GLOBALIZAÇÃO
FONTE: A autora.
Para Ramalho (2012):
É inquestionável que a globalização trouxe avanços em vários segmentos 
da sociedade. Contudo, tais avanços permitiram a criação de uma 
ideologia dominante consolidada nas crenças do progresso prometido 
da globalização. Esta acabou por cinzelar o mundo e ter causado 
uma espécie de cegueira sobre as suas consequências, minimizando 
a importância de resposta aos problemas dela emergentes que se 
traduziram em disparidades na riqueza e no bem-estar, no desemprego 
estrutural, na insegurança humana, na degradação da natureza e no 
enfraquecimento dos Estados-nação. 
A globalização mundial, não só na dimensão econômica, mas em todas 
as outras, como por exemplo a social, política e cultural, afeta diretamente todas 
as relações sociais. O profissional de Serviço Social necessita criar instrumentos 
técnico-operativos para atuar diante dessa conjuntura.
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
16
CAPITALISMO: MAIS‑VALIA, MAIS CRISE E MAIS BARBÁRIE
A crise capitalista atual não nos conduzirá à superação da ordem burguesa. 
O capitalismo, por si só, sempre dará em mais capitalismo. A natureza da crise 
do capital que se aprofundou a partir de 2008 não é diferente, em sua essência, 
das crises que abateram o sistema em tantas outras vezes, tipificadas pelos traços 
constitutivos do estágio imperialista que se estruturou justamente a partir de 
outra grande e grave crise, a de 1873. Ela é movida pela natureza contraditória 
do desenvolvimento capitalista que, ao potencializar seu processo de reprodução 
ampliada (sua própria acumulação de capital), reproduz os fatores que exponenciam 
suas contradições e acionam crises que, desde as últimas décadas do século XX, 
têm maior duração e se exprimem em períodos menos espaçados (e sem ondas 
longas expansivas), alternando períodos (espasmódicos) de crescimento, auge, 
crise, recessão/depressão, retomada...
A contradição central (a produção social e a apropriação privada) e o 
caráter anárquico da produção potencializam e assentam o desdobramento das 
crises capitalistas, que podem se expressar na tendência de queda da taxa média de 
lucro e/ou na combinação superprodução de mercadorias/subconsumo das massas 
trabalhadoras. E é o aumento da população sobrante (do exército industrial de 
reserva) e a massa de capitais excedentes que encontra dificuldades para se valorizar 
(a superacumulação) que têm tornado o metabolismo social do capital ainda mais 
sedento e voraz na busca de novos espaços de acumulação e de valorização do valor. 
A análise de Mandel é formidável, porque é a que melhor aponta esses elementos 
como aqueles que comandam o capitalismo tardio, indicando as questões centrais 
para pensar o capitalismo contemporâneo, especialmente duas: o aumento da 
composição orgânica do capital e o problema da crescente prevalência do capital 
constante sobre a variável e, decorrente daí, a tendência de redução do trabalho 
vivo e o problema da relação criação/realização da mais‑valia.
Além desses fatores macroestruturais, a especificidade da crise atual, 
analisada com rigor por Mészáros, está assentada em duas características intrínsecas 
e que também se expressam na dinâmica estrutural do MPC contemporâneo: ela 
acentua o caráter destrutivo da produção capitalista, de modo que o metabolismo 
social comandado pelas forças do capital faz predominar, de maneira incomparável, 
LEITURA COMPLEMENTAR
DICAS
Para compreender um pouco mais, leia:
IAMAMOTO, Marilda Villela. Trabalho e Indivíduo Social, 3ª Edição. São Paulo: Cortez, 2008
TÓPICO 1 | AS TRANSFORMAÇÕES RECENTES NO MODELO CAPITALISTA
17
tendências altamente destruidoras da exploração da natureza que concorrem até 
mesmo para criar sérios obstáculos à própria reprodução da vida social; por outro 
lado, e correlatamente, esgotaram‑se os mecanismos estruturais (posto que os 
paliativos sempre hão de existir) de autorregulação do sistema sociometabólico 
do capital, uma vez que o caráter permanente da crise sobressai em detrimento da 
sua forma cíclica de se expressar, prevalente até os anos 1970. Mészáros caracteriza 
muito bem a crise adjetivando‑a, corretamente a meu ver, como uma rastejante.
Aqui, quero salientar duas observações: a primeira diz respeito à 
predominância de análises catastrofistas sobre a crise contemporânea. A sua 
forma a‑histórica de apreender a realidade só conduzirá a “saídas” igualmente 
a‑históricas que podem se expressar em promessas voluntaristas, como as que 
pululam nos países centrais tocadas pela “juventude indignada” dos setores 
pequeno‑burgueses das grandes cidades e pelos ecoambientalistas de todo tipo; 
ou em “soluções” fatalistas que podem dar tanto nas promessas que promovem 
a (improvável) ruptura abrupta com a ordem burguesa baseada em prognoses 
fantásticas sobre o futuro (e, evidentemente, numa equivocada análise do presente) 
ou, ao contrário, podem resultar no mais absoluto niilismo, inofensivo e inepto.
Mesmo que não possamos debitar à teoria o rumo de algumas das 
expressões das lutas sociais, é certo que ela representa parte do esforço de autores 
que, ainda que não possam ser responsabilizados por seus rumos, mantêm notória 
influência nesse campo. São vários os exemplos que podemos colecionar, mesmo 
que partam de perspectivas teóricas diversas, que podem nos levar a caminhos 
diferentes: desde Kurz nos anos 1990, passando por Negri/Hardt na década de 
2000 e pelos diversos estudos que colocam o acento na questão ambiental (que é de 
fato uma questão relevante, mas não a central), como o que se faz notar dos textos 
de Boaventura Sousa Santos.
A segunda observação diz respeito às correntes que não entendem a 
natureza da crise contemporânea e que acabam compreendendo‑a como mais 
uma crise do capital, passível de solução, regulação ou medidas anticíclicas. Aqui 
aposta‑se na administração de uma dinâmica que é cada vez mais incontrolável e 
que já não mais comporta formas de autorregulação. Pior: aposta‑se no controle 
e na administração das consequênciassociais do inadministrável sistema do 
capital. Vê‑se tal equívoco nas correntes que apostam numa terceira via tardia, 
nas saídas ditas neokeynesianas (que no Brasil têm atendido pelo nome de 
neodesenvolvimentismo que se expressa, na verdade, como um arremedo do 
modelo desenvolvimentista) ou, até mesmo, no sonho de uma reedição saudosa 
de um novo Welfare State.
O suposto neodesenvolvimentismo, quando comparado aos traços 
gerais das políticas desenvolvimentistas - que, de modo muito problemático e 
diferenciado, conhecemos ao longo do período 1930 e 1980 no Brasil através de 
algumas experiências implementadas -, está muito longe do modelo original. 
Segundo especialistas, quando comparada ao paradigma desenvolvimentista que 
se conheceu no século passado, a hipótese neodesenvolvimentista “se desmancha 
no ar”, e as razões são claríssimas, seja porque: “a) apresenta taxas de crescimento 
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
18
bem mais modestas; b) confere importância menor ao mercado interno, isto é, ao 
consumo das massas trabalhadoras; c) dispõe de menor capacidade de distribuir 
renda; d) aceita a antiga divisão internacional do trabalho, promovendo uma 
reativação, em condições históricas novas, da função primário‑exportadora do 
capitalismo brasileiro; e) é dirigida politicamente por uma fração burguesa, a qual 
denominamos burguesia interna, que perdeu toda a veleidade de agir como força 
anti-imperialista”.
Para além das muitas polêmicas que o tema suscita, uma definição 
empregada para explicar o que chamo de hipótese desenvolvimentista é 
esclarecedora: “[...] o neodesenvolvimentismo é o desenvolvimento possível 
dentro do modelo capitalista neoliberal [...]”. Ora, sabemos que o neoliberalismo 
se caracteriza justamente por políticas e medidas que obstam o desenvolvimento e 
o crescimento econômico, tornando muito difícil sustentar tal afirmação.
Ainda sobre a segunda observação: o entendimento do capitalismo 
contemporâneo parece ser levado para um beco sem saída, justamente porque 
mostram‑se inúteis as saídas de administrá‑la. Namora‑se o capital, imperando o 
possibilismo que procura agir nos espaços cada vez mais estreitos e restritos e que 
atua nas supostas brechas por dentro do Estado capitalista. O trabalho torna‑se 
parceiro do capital e seus representantes, os representantes do capitalismo nos 
governos. Busca‑se a hegemonia em comunhão com os interesses maiores do 
capital que faz do Estado e dos governos de plantão seus prepostos, consolidando 
aquilo que Francisco de Oliveira (2007) denominou de “hegemonia às avessas”, pela 
qual a esquerda exerce o poder para realizar o projeto do capital, por intermédio 
de meios políticos que rebaixam sobremaneira seus horizontes. Ela (a “hegemonia 
às avessas”) é recente entre nós e começou em 2003, mas é velha conhecida dos 
europeus cujos governos tocados por partidos socialistas desde os anos 1980 são 
os melhores exemplos. Recorde‑se dos casos francês (com Mitterrand), espanhol 
(com Gonzales) e português (com Soares).
FONTE: BRAZ, Marcelo. Capitalismo, crise e lutas de classes contemporâneas: questões e 
polêmicas. Serv. Soc. Soc. [online], n. 111, p. 468-492, 2012. ISSN 0101-6628. Disponível em: 
<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-46282012000300005&script=sci_arttext>. Acesso 
em: 20 nov. 2014.
19
Neste tópico pudemos compreender as crises econômicas do sistema 
capitalista. Foram abordados os seguintes itens:
• Os conceitos fundamentais sobre o significado de capitalismo e as transformações 
que ocorreram no modelo de produção, desde o final da década de 70 do século 
XX.
• As mudanças sofridas na acumulação capitalista, como na organização do 
trabalho e no modo de viver dos trabalhadores no decorrer do processo histórico.
• As crises do sistema capitalista são cíclicas e periódicas, oriundas dos problemas 
de acumulação do capital, sendo sempre econômicas e não culturais, religiosas, 
entre outras dimensões, porém se relacionam entre si, devido ao fato de que a 
crise econômica vivenciada no mundo atual está relacionada com o modo de 
produção.
• O capital se expande pelo modelo de produção, pelo que se chama da apropriação 
da mais-valia, que é o valor total de trabalho empregado na produção de 
mercadoria, ou seja, é o trabalho excedente que não é pago. 
• Os bens materiais se concretizam através da força do trabalho do homem, e se 
valorizam através do que se chama de mercadoria.
• Cada classe social, capitalistas (patrões) e trabalhadores, reage de maneira 
diferenciada às crises cíclicas da economia capitalista.
• Nos países centrais, após a Segunda Guerra Mundial, até a década de 70, houve 
uma fase de reconstrução, que foi marcada pelo desenvolvimento do capitalismo, 
com uma grande intervenção estatal.
• O Estado redefine sua estrutura de intervenção através de novos mecanismos 
institucionais, como, por exemplo, a criação de novos sistemas de proteção 
social. Porém, o Estado intervém diretamente na política econômica, gerando 
uma relação contínua entre Estado, mercado e sociedade.
• Atualmente estamos vivenciando um processo de globalização da economia, 
que deixou de ser uma crise cíclica do capitalismo para se tornar um modelo 
estruturado e permanente.
• O processo de globalização do capitalismo está inserido não somente na 
internacionalização do capital, na relação de consumo e troca, como também 
nas expressões políticas e sociais.
RESUMO DO TÓPICO 1
20
1 Partindo da leitura complementar, comente sobre a crise do capital na 
atualidade. 
2 Indique três consequências da globalização da economia.
AUTOATIVIDADE
21
TÓPICO 2
OS DESAFIOS DO SERVIÇO SOCIAL FRENTE À 
CRISE DO CAPITALISMO
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
A história do Serviço Social está fundamentada em duas teses distintas uma 
da outra. Montaño (2002), na sua primeira afirmação sobre a origem da profissão, 
ressalta que a mesma foi oriunda do capitalismo na sociedade.
 
Na segunda tese ele defende a origem da profissão, sendo endogenista, 
ou seja, “profissionalização, organização e sistematização da caridade e da 
filantropia’’. (MONTAÑO, 1998, p. 16). 
O objeto de atuação historicamente considerado pelo Serviço Social é a luta 
de classes, e que tem influências centradas no sistema capitalista. Diante disso, 
esse tópico abordará como o Serviço Social tem se reportado diante dos desafios e 
perspectivas da crise do sistema capitalista atual.
 FIGURA 9 – DESAFIO PROFISSIONAL
FONTE: Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.
php?pid=S0101-66282010000400003&script=sci_arttext>. 
Acesso em: 29 nov.2014.
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
22
2 A ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL DE SERVIÇO 
SOCIAL DIANTE DOS DESAFIOS E PERSPECTIVAS 
CONTEMPORÂNEAS
O cenário da crise contemporânea do sistema capitalista e da revolução 
tecnológica e industrial que estamos vivendo acende mudanças na sociedade em 
sua totalidade, em todas as dimensões: econômica, social, cultural e política, que 
disparam a disputa entre as classes sociais, concentrando a riqueza produzida e 
aumentando o empobrecimento da população.
Essa atual conjuntura afeta diretamente o mundo do trabalho, com o 
elevado número de desemprego e subempregos, emergindo diretamente em novas 
demandas para a atuação do Serviço Social.
Nessa nova ordem conjuntural, com a materialização da crise 
contemporânea e as mudanças do modelo de produção capitalista, ambas 
fundamentadas distintamente umas das outras, mas interligam mediante alguns 
fatores que devem ser considerados. 
A crise contemporânea está se efetuando em uma crise dinâmica, onde 
existe a acumulação do capital, onde a produção é maior que o consumo, onde 
o capitalismo se instaura sob o escudo da especulação econômica e financeira, 
gerando uma crise mundial, em que principalmente países subdesenvolvidos são 
obrigados a apelarem a órgãos como o Fundo MonetárioInternacional (FMI) e o 
Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) para enfrentar 
as crises econômicas, gerando ainda mais desemprego e a miserabilidade da classe 
trabalhadora.
Já o segundo modelo de crise tem suas particularidades na expansão 
e reestruturação do capitalismo, que foi defendido como o modelo fordista/
keynesiano, visto no tópico anterior, mas que se configura na produção em grande 
escala, onde o trabalhador não sabe o valor total de sua força de trabalho. Mesmo 
diante das dificuldades dos trabalhadores a um salário digno, foi no modelo 
fordista que houve a negociação da jornada de oito horas diárias de trabalho, entre 
outros benefícios, mas em virtude da diminuição da carga horária houve também 
um aumento de trabalho, onde trabalhadores, para atingir as metas, precisaram 
acelerar o seu ritmo de produção.
Os desafios e as perspectivas da profissão do Serviço Social na crise 
contemporânea requerem, acima de tudo, refletir qual o comprometimento e 
limites que se tem com a sociedade na sua individualidade e totalidade, quais os 
novos espaços de atuação e trajetos que norteiam a atuação profissional e também 
resgatam os princípios éticos da profissão. 
TÓPICO 2 | OS DESAFIOS DO SERVIÇO SOCIAL FRENTE À CRISE DO CAPITALISMO
23
FIGURA 10 – DESAFIOS DO PROFISSIONAL
FONTE: Disponível em: <http://www.agronline.com.br/artigos/modelo-tecnico-
caminho-agonegocio->. Acesso em: 25 nov. 2014.
O Serviço Social, como profissão, sempre teve sua trajetória fundamentada 
no momento histórico em que atua, moldando e adaptando suas necessidades 
dentro das suas especificidades na intervenção prática, teórica e metodológica. 
Foi nos anos 1980 que o Serviço Social começou a ter uma relação com a 
teoria marxista, resultando em novos referenciais teórico-metodológicos de atuação 
para os profissionais, através de amplas reflexões da categoria e de pesquisas com 
produções teóricas.
A ruptura do Serviço Social com o modelo conservador teve visibilidade 
entre os anos de 1980 e 1990. Para as autoras Yazbeck, Martinelli e Raichelis (2008, 
p. 22), o Serviço Social tem sua evolução pautada, pois:
[...] a herança conservadora e antimoderna, constitutiva da gênese 
da profissão, atualiza-se e permanece presente nos tempos de hoje. 
Maturação que se expressa pela democratização da convivência de 
diferentes posicionamentos teórico-metodológicos e ideopolíticos no 
final da década.
Os avanços que a profissão teve são significativos no que conduz sua 
prática, foram oriundos da organização, pesquisas dos assistentes sociais, 
resultando em novos espaços ocupacionais para intervir junto à sociedade, porém, 
em muitos deles, como objetivos completamente contrários aos da profissão. Ainda 
Yazbek, Martinelli e Raichelis (2008, p. 15) afirmam: “[...] Maturação que ganhou 
visibilidade na sociedade brasileira pela intervenção dos assistentes sociais nos 
consideráveis avanços na proteção social, garantidos na Constituição Federal de 
1988 e expressos, por exemplo, no ECA, LOAS, no SUS”.
Ao iniciar uma reflexão acerca da importância da atuação do Serviço Social 
diante da realidade contemporânea, deve-se sempre levar em consideração fatores 
econômicos, sociais, culturais e políticos da realidade estudada. 
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
24
Conforme Iamamoto (2006, p. 67),
O Serviço Social teve conquistas rompendo com o conservadorismo, 
e tem sua atuação pautada para o fim da opressão de classe sobre 
as questões que dizem respeito à sobrevivência social e material dos 
setores majoritários da população trabalhadora.
Diante da história de atuação profissional do assistente social, pode-se 
conferir que este tem suas práticas voltadas para as relações sociais estabelecidas 
no contexto histórico.
Iamamoto (2006, p. 55) descreve que: 
O Serviço Social não atua apenas sobre a realidade, mas atua na realidade 
[...] a conjuntura não é o pano de fundo que emoldura o exercício 
profissional; ao contrário, são partes constitutivas da configuração do 
trabalho do Serviço Social, devendo ser apreendidas como tais. 
Para o profissional de Serviço Social entender e intervir em todas essas 
dimensões na atual conjuntura econômica em que a sociedade se encontra, 
necessita ter uma visão complexa para que possa, de forma teórico-prática, realizar 
suas atribuições como profissional, tanto nas políticas públicas, como também na 
elaboração de novas teorias profissionais. Assim, para Iamamoto (2006, p. 55-56), 
[...] o esforço está, portanto, em romper qualquer relação de exterioridade 
entre a profissão e a realidade, atribuindo-lhe a centralidade que deve 
ter no exercício profissional [...] e o reconhecimento das atividades de 
pesquisa e espírito indagativo como condições essenciais ao exercício 
profissional. 
 
 FIGURA 11 – O MUNDO CONTEMPORÂNEO
FONTE: Disponível em: <http://nusocial.wordpress.com/category/as-
formas-de-enfrentamento-da-questao-social-nas-decadas-de-30-e-40/>. 
Acesso em: 22 nov. 2014.
TÓPICO 2 | OS DESAFIOS DO SERVIÇO SOCIAL FRENTE À CRISE DO CAPITALISMO
25
Sobre mediação, Pontes (2000) coloca que é conjunto objetivo e ontológico 
que está efetivado na realidade, sendo estudada como um dos principais atores na 
dialética, devido ao fato de esta ser contabilizada como real, como princípios da 
racionalidade. 
Como a mediação atua diretamente na realidade, se torna um instrumento 
fundamental para o profissional de Serviço Social na sua prática teórico-
metodológica no cotidiano. Torna-se essencial para o “desvendamento dos 
fenômenos reais e a intervenção do assistente social” (PONTES, 2000, p. 43).
A profissão está regulamentada como sendo liberal, dispondo de certa 
autonomia no seu exercício profissional, mas o assistente social, como outro 
trabalhador, é um assalariado, pois vende sua força de trabalho especializada.
Para Iamamoto (2007), essa situação faz com que o assistente social tenha 
seu trabalho apropriado por empregadores, fazendo com que o profissional técnico 
não tenha muita autonomia nas suas ações. 
Os assistentes sociais precisam desenvolver ações propositivas, com metas 
de intervenções que busquem atender a demanda da população de usuários do 
Serviço Social. 
 
O desenvolvimento do modelo de produção que está enraizado no 
sistema capitalista gera o desequilíbrio social, através da desigualdade de classes 
e das expressões geradas pelas questões sociais, que configuram a realidade 
contemporânea e precisam ser compreendidas e analisadas criticamente pelo 
assistente social. 
IMPORTANT
E
Diante dessa afirmação da autora acima citada, o Serviço Social utiliza-se da 
mediação como instrumental técnico e operativo da sua intervenção teórico-prática.
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
26
O profissional de Serviço Social deve estar em constante aprendizado com a 
realidade cotidiana, necessitando conhecer novas possibilidades de demanda e de 
intervenção, podendo intervir transformando-as através das instrumentalidades 
nos espaços onde o Serviço Social está presente. 
DICAS
Para aprofundar melhor seus estudos, não deixe de ler o livro indicado:
IAMAMOTO, Marilda V. O Serviço Social na 
Contemporaneidade: trabalho e formação profissional. 10ª. 
ed. São Paulo: Cortez, 2006.
Esta obra se refere a uma nova agenda de atuação do assistente 
social diante das questões voltadas para o trabalho e para a 
formação profissional.
IMPORTANT
E
A instrumentalidade é uma propriedade e/ou a capacidade que a profissão 
vai adquirindo na medida em que concretiza objetivos. Ela possibilita que os profissionais 
objetivem sua intencionalidade em respostas profissionais. É por meio da instrumentalidade 
que os assistentes sociais modificam, transformam, alteram as condições objetivas e subjetivas 
e as relações interpessoais e sociais existentes num determinado nível da realidade social; o 
nível do cotidiano.(GUERRA, 2002, p. 53).
TÓPICO 2 | OS DESAFIOS DO SERVIÇO SOCIAL FRENTE À CRISE DO CAPITALISMO
27
O diferencial da profissão está na forma que a mesma busca para a 
efetivação dos direitos sociais da população em que está intervindo, podendo ser 
nos diversos espaços ocupados na atuação profissional. O assistente social precisa 
ser um profissional propositivo e não apenas executor de tarefas cotidianas.
 
Atualmente o Serviço Social está inserido num contexto onde existem diversas 
expressões das questões sociais, pois elas vêm aumentando significativamente. 
Diante desse cenário, os assistentes sociais têm por foco principal, em seus desafios 
profissionais, a permanente capacitação, para então agir como ator protagonista na 
implementação de políticas sociais.
Esse agir profissional diante das políticas sociais necessita ser através 
de mecanismos multidisciplinares e interdisciplinares, formando equipes de 
profissionais que consigam olhar a realidade contextualizada de forma crítica, 
fazendo com que a população atendida participe desse processo. 
Para Iamamoto (2006, p. 20), essa relação:
[...] se caracteriza como um dos maiores desafios sociais vividos no 
presente, o de desenvolver sua capacidade de decifrar a realidade 
e construir propostas de trabalho criativas e capazes de preservar e 
efetivar direitos, a partir das demandas emergentes no cotidiano. Enfim, 
ser um propositivo e não executivo. 
 
É importante que o Serviço Social analise todas as mudanças sociais, 
culturais, políticas e econômicas que estejam acontecendo em todo o mundo, 
com ênfase nos países vizinhos da América Latina. É preciso enfrentar os desafios 
impostos pela conjuntura atual, levando em consideração as dimensões que estão 
inclusas na sociedade, que são: as políticas, sociais, culturais e econômicas.
Na Constituição Federal de 1988 foram garantidos vários direitos sociais. 
O profissional assistente social precisa estar articulado com todos os segmentos da 
sociedade para que esses direitos sejam garantidos, podendo ser nos segmentos 
ligados às questões de gênero, raça, etnias, nos movimentos sociais e sindicais, 
entre tantos outros. 
O desafio é redescobrir alternativas e possibilidades para o trabalho 
profissional no cenário atual; traçar horizontes para formulação de 
propostas que façam frente à questão social e que sejam solidários com 
a vida daqueles que vivenciam, não só como vítimas, mas como sujeitos 
que lutam pela preservação e conquista de sua vida, da humanidade. 
(IAMAMOTO, 2006, p. 75).
 
Se resgatarmos a história do Serviço Social, podemos perceber que o 
mesmo esteve sempre na busca de novos objetos de estudos, através da construção 
e reconstrução deles. Diante disso, podemos citar o Movimento de Ruptura do 
Serviço Social, pois este representou um marco da história da profissão, com 
avanços significativos na busca da efetivação e legitimação da atuação do assistente 
social na sociedade.
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
28
Muitos dos profissionais, nas suas práxis sociais, ainda estão com uma 
visão retrógrada, com práticas baseadas no imediatismo, fragmentando assim o 
que foi conquistado coletivamente por outros assistentes sociais no decorrer da 
história teórico-metodológica da profissão.
Guerra (2002), sobre esse assunto, afirma que:
Ao atribuir às teorias uma autonomia ante a prática, os agentes 
sociais perdem de vista a sua particularidade enquanto ser social, 
a particularidade está localizada nas faculdades subjetivas de que 
dispõem para superação da facticidade fenomênica posta nas/pelas 
suas relações sociais. De outro modo, ao se descurar da causalidade, 
das determinações universais do movimento histórico, da autonomia 
relativa da teoria perante a prática, as ações profissionais adquirem um 
caráter volitivo. (GUERRA, 2002, p. 184).
Ao relacionar o conceito de sujeito com o objeto, de teoria com a prática 
e até da natureza do pensamento, consequentemente percebe-se que todos são 
diferentes um do outro, o que ocorre é uma interlocução entre todos, promovendo 
assim a capacidade de mudanças nos fatos.
O princípio centralizador da profissão está na emancipação dos usuários 
do Serviço Social, através da garantia de direitos sociais, tendo como mecanismos 
as políticas públicas sociais, através de uma atuação teórica, crítica e reflexiva que 
se concretiza através do Projeto Ético-Político do Serviço Social.
O Projeto Ético-Político tem como objetivo nortear a prática da profissão, 
buscando efetivar a prática na busca da transformação e mudanças coletivas 
através da garantia dos direitos sociais. É importante defender esse projeto, pois 
a partir de então estará comprometido a atuar contra as mazelas da nova ordem 
social. Iamamoto (2007, p. 228) enfatiza:
[...] o trabalho profissional cotidiano passa a ser conduzido segundo 
dilemas universais, relativos à re-função do Estado e sua progressiva 
absorção pela sociedade civil que se encontra na raiz da construção 
da esfera pública – da produção e distribuição mais equitativa da 
riqueza, da luta pela ultrapassagem das desigualdades, pela formação e 
concretização dos direitos e da democracia. 
Nesse sentido, os profissionais buscam se fortalecer enquanto categoria 
profissional, na busca de uma nova sociedade, através de estratégias de intervenção 
para concretizá-lo.
Essa intervenção é um desafio para o Serviço Social na atual conjuntura 
econômica, que traz como consequência a precarização do mundo do trabalho, 
que resulta na flexibilidade, terceirização, subemprego, entre outros, que atingem 
diretamente a classe trabalhadora, afetando também as esferas estatais.
TÓPICO 2 | OS DESAFIOS DO SERVIÇO SOCIAL FRENTE À CRISE DO CAPITALISMO
29
Com isso, o assistente social, na sua intervenção na contemporaneidade, 
deve estar pronto a assumir tarefas para enfrentar os desafios propostos, ampliando 
a compreensão das mudanças que estão acontecendo em todo o mundo.
FIGURA 12 – PRECARIZAÇÃO DO MUNDO DO TRABALHO
FONTE: Disponível em: <http://www.galizacig.gal/actualidade/200106/olhohistoria_as_
dimensoes_da_crise.htm>. Acesso em 25 nov. 2012.
Outro desafio que está imposto aos profissionais de Serviço Social é refletir 
sobre o norte que a profissão terá na atual crise da produção capitalista e os 
avanços das políticas de globalização. O assistente social deve sempre defender 
um novo modelo de sociedade, onde a distribuição da riqueza deve ser igualitária, 
estimulando o desenvolvimento de novas políticas públicas, através de projetos e 
programas que garantam aos usuários do Serviço Social os seus direitos sociais.
Iamamoto (2006, p. 52) enfatiza o grande desafio para o assistente social na 
contemporaneidade: [...] “as estratégias, táticas e técnicas do trabalho profissional, 
em função das particularidades dos temas que são objetos de estudo e ação do 
assistente social”.
UNI
O assistente social deve ser um profissional flexível e disponível para as 
transformações que afetam o mundo do trabalho, mas sempre visando as mudanças sociais, 
sem deixar de lado o projeto ético-político da profissão.
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
30
Diante dos desafios acima descritos, pode-se concluir que o Serviço Social, 
frente a qualquer projeto e/ou programa de intervenção, precisa estar organizado 
enquanto categoria profissional. Conforme Sant´Ana (1999, p. 73), o Serviço 
Social necessita realizar esforços para a “superação do hiato hoje existente entre a 
vanguarda profissional e a base da categoria”.
A profissão necessita resgatar a teoria social de Marx, pois a mesma 
prospera em uma análise crítica da realidade. Atualmente os profissionais não têm 
mais se reportado às teorias que fundamentam a prática e atuação profissional, 
como no caso da categoria relacionada ao trabalho.
DICAS
Acadêmico, complemente seus estudos lendo os 
livros:
NETTO, José Paulo. Capitalismo monopolista e serviçosocial. 8. 
ed. São Paulo: Editora Cortez, 2011.
ESTEVÃO, Ana Maria R. O que é serviço Social?. São Paulo: 
Brasiliense, 2011.
TÓPICO 2 | OS DESAFIOS DO SERVIÇO SOCIAL FRENTE À CRISE DO CAPITALISMO
31
LEITURA COMPLEMENTAR
O SERVIÇO SOCIAL NA CENA CONTEMPORÂNEA
O Serviço Social brasileiro contemporâneo apresenta uma feição acadêmico-
profissional e social renovada, voltada à defesa do trabalho e dos trabalhadores, 
do amplo acesso à terra para a produção de meios de vida, ao compromisso com a 
afirmação da democracia, da liberdade, da igualdade e da justiça social no terreno 
da história. Nessa direção social, a luta pela afirmação dos direitos de cidadania, 
que reconheça as efetivas necessidades e interesses dos sujeitos sociais, é hoje 
fundamental como parte do processo de acumulação de forças em direção a uma 
forma de desenvolvimento social inclusiva para todos os indivíduos sociais.
Esse processo de renovação crítica do Serviço Social é fruto e expressão 
de um amplo movimento de lutas pela democratização da sociedade e do Estado 
no país, com forte presença das lutas operárias, que impulsionaram a crise da 
ditadura militar: a ditadura do grande capital (IANNI, 1981). Foi no contexto 
de ascensão dos movimentos políticos das classes sociais, das lutas em torno da 
elaboração e aprovação da Carta Constitucional de 1988 e da defesa do Estado de 
Direito, que a categoria de assistentes sociais foi sendo socialmente questionada 
pela prática política de diferentes segmentos da sociedade civil. E não ficou a 
reboque desses acontecimentos, impulsionando um processo de ruptura com o 
tradicionalismo profissional e seu ideário conservador. Tal processo condiciona, 
fundamentalmente, o horizonte de preocupações emergentes no âmbito do Serviço 
Social, exigindo novas respostas profissionais, o que derivou em significativas 
alterações nos campos do ensino, da pesquisa, da regulamentação da profissão e 
da organização político-corporativa dos assistentes sociais.
Nesse lapso de tempo, o Serviço Social brasileiro construiu um projeto 
profissional radicalmente inovador e crítico, com fundamentos históricos e teórico-
metodológicos hauridos na tradição marxista, apoiado em valores e princípios 
éticos radicalmente humanistas e nas particularidades da formação histórica do 
país. Ele adquire materialidade no conjunto das regulamentações profissionais: o 
Código de Ética do Assistente Social (1993), a Lei da Regulamentação da Profissão 
(1993) e as Diretrizes Curriculares norteadoras da formação acadêmica (ABESS/
CEDEPSS, 1996, 1997a, 1997b; MECSESU/CONESS/Comissão de Especialistas de 
Ensino em Serviço Social, 1999 MEC-SESU, 2001).
Os(as) assistentes sociais atuam nas manifestações mais contundentes da 
questão social, tal como se expressam na vida dos indivíduos sociais de distintos 
segmentos das classes subalternas em sua relação com o bloco do poder e nas 
iniciativas coletivas pela conquista, efetivação e ampliação dos direitos de cidadania 
e nas correspondentes políticas públicas. 
Os espaços ocupacionais do assistente social têm lugar no Estado – nas 
esferas dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário –, em empresas privadas 
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
32
capitalistas, em organizações da sociedade civil sem fins lucrativos e na assessoria 
a organizações e movimentos sociais. Esses distintos espaços são dotados 
de racionalidades e funções distintas na divisão social e técnica do trabalho, 
porquanto implicam relações sociais de natureza particular, capitaneadas por 
diferentes sujeitos sociais, que figuram como empregadores (o empresariado, o 
Estado, associações da sociedade civil e, especificamente, os trabalhadores). Elas 
condicionam o caráter do trabalho realizado (voltado ou não à lucratividade do 
capital), suas possibilidades e limites, assim como o significado social e efeitos na 
sociedade. Ora, as incidências do trabalho profissional na sociedade não dependem 
apenas da atuação isolada do assistente social, mas do conjunto das relações e 
condições sociais por meio das quais ele se realiza. 
Nesses espaços profissionais os(as) assistentes sociais atuam na sua 
formulação, planejamento e execução de políticas públicas, nas áreas de educação, 
saúde, previdência, assistência social, habitação, meio ambiente, entre outras, 
movidos pela perspectiva de defesa e ampliação dos direitos da população. Sua 
atuação ocorre ainda na esfera privada, principalmente no âmbito do repasse 
de serviços, benefícios e na organização de atividades vinculadas à produção, 
circulação e consumo de bens e serviços. Mas eles(as) também marcam presença 
em processos de organização e formação política de segmentos diferenciados de 
trabalhadores (CFESS, 15/05/2008).
Nesses espaços ocupacionais esses profissionais realizam assessorias, 
consultorias e supervisão técnica; contribuem na formulação, gestão e avaliação 
de políticas, programas e projetos sociais; atuam na instrução de processos 
sociais, sentenças e decisões, especialmente no campo sociojurídico; realizam 
estudos socioeconômicos e orientação social a indivíduos, grupos e famílias, 
predominantemente das classes subalternas; impulsionam a mobilização social 
desses segmentos e realizam práticas educativas; formulam e desenvolvem projetos 
de pesquisa e de atuação técnica, além de exercerem funções de magistério, direção 
e supervisão acadêmica.
Os assistentes sociais realizam assim uma ação de cunho socioeducativo 
na prestação de serviços sociais, viabilizando o acesso aos direitos e aos meios 
de exercê-los, contribuindo para que necessidades e interesses dos sujeitos sociais 
adquiram visibilidade na cena pública e possam ser reconhecidos, estimulando a 
organização dos diferentes segmentos dos trabalhadores na defesa e ampliação 
dos seus direitos, especialmente os direitos sociais. 
Afirma o compromisso com os direitos e interesses dos usuários, na defesa 
da qualidade dos serviços sociais.
FONTE: IAMAMOTO, Marilda V. O Serviço Social na cena contemporânea. In: Serviço Social: 
direitos sociais e competências profissionais. Brasília: CFESS; ABEPSS, 2009. p. 18-20. 
33
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico você viu que:
• A fundamentação histórica do Serviço Social está fundamentada em duas teses 
distintas uma da outra.
• O objeto de atuação historicamente considerado pelo Serviço Social é a luta de 
classes.
• A crise contemporânea do sistema capitalista e a revolução tecnológica e 
industrial trazem mudanças na sociedade em sua totalidade, em todas as 
dimensões: econômica, social, cultural e política.
• Na atual conjuntura, onde está materializada a crise contemporânea e nas 
mudanças no modelo de produção capitalista.
• Os desafios e as perspectivas do Serviço Social, na contemporaneidade, 
requerem acima de tudo refletir qual o comprometimento e limites que se tem 
com a sociedade, resgatando os princípios éticos da profissão.
• O Serviço Social utiliza-se da mediação como instrumental técnico e operativo 
da sua intervenção teórico-prática.
• Os assistentes sociais precisam desenvolver ações propositivas, com metas de 
intervenções que busquem atender a demanda da população de usuários do 
Serviço Social.
• O profissional de Serviço Social deve estar em constante aprendizado com a 
realidade cotidiana, necessitando conhecer novas possibilidades de demanda e 
de intervenção.
• Os assistentes sociais precisam refletir sobre o norte que a profissão terá sobre a 
atual crise da produção capitalista e os avanços das políticas de globalização.
• O Serviço Social, frente a qualquer projeto e/ou programa de intervenção, precisa 
estar organizado enquanto categoria profissional.
34
1 Elabore um pequeno texto sobre a atuação do Serviço Social no Brasil, diante 
da crise do capitalismo contemporânea.
2 Como deve ser a intervenção do Serviço Social nas políticas públicas perante 
as dimensões: econômica, social, cultural e política na atual conjuntura?AUTOATIVIDADE
35
TÓPICO 3
A CIÊNCIA MODERNA, A CRISE DOS 
PARADIGMAS E SUA RELAÇÃO COM O 
SERVIÇO SOCIAL
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Para entender melhor as dimensões geradas na crise econômica 
contemporânea, se faz necessário que se tenha conhecimento do contexto político, 
social, cultural e econômico, considerando também as suas repercussões no campo 
do conhecimento, das ideias e dos valores em que se constitui uma sociedade. 
Atualmente se tem estudado, pesquisado e produzido muito sobre o que se 
chama de pós-modernidade e de suas teorias. Nesse sentido, se faz necessário realizar 
um resgate dos significados e da complexidade desse período, e como ele influencia 
na profissão de Serviço Social.
Os conceitos apresentados através das análises realizadas vão além das 
formulações conceituais básicas sobre pós-moderno, pós-modernismo e pós-
modernidade, conforme defende Featherstone (1995), para outras análises mais 
polemizadas sobre a concepção pós-moderna.
Nesse sentido, esse tópico fará um resgate do projeto de modernidade, 
sendo esse um dos atores principais das críticas da pós-modernidade, e da 
importância de se entender tais críticas e a sua influência para a atuação do Serviço 
Social, como profissão que defende um Projeto Ético-Político.
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
36
2 AS EXPRESSÕES IDEOCULTURAIS DA CRISE 
DO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEA E SUA 
INFLUÊNCIA TEÓRICA-PRÁTICA PARA O SERVIÇO SOCIAL
FIGURA 13 – EXPRESSÕES PÓS-MODERNAS
FONTE: Disponível em: <http://www.ideiademarketing.com.br/
category/consumo-2/>. Acesso em: 25 nov. 2014.
Os séculos XVI e XVII foram marcados pelas chamadas revoluções 
científicas, e são reconhecidos como início do pensamento moderno. Ao longo 
desses anos, através da ciência astronômica e da física, se concretizou uma nova 
forma de pensar e desenvolver a ciência.
Foi nesse período que houve uma mudança da realidade em que se vivia, 
através de uma forma diferenciada de ver o mundo. As explicações que estavam 
enfatizadas na fé e na religião são substituídas pelo saber científico. Essa nova 
forma de pensar o mundo, deixando para trás a percepção dogmática e limitada, 
teve interferência em todas as dimensões: econômica, política, cultural, social e 
religiosa. 
TÓPICO 3 | A CIÊNCIA MODERNA, A CRISE DOS PARADIGMAS E SUA RELAÇÃO COM O SERVIÇO SOCIAL
37
Na época a teologia era o centro do pensamento medieval, através dela 
a religiosidade estava sustentada. Mas, durante os dois séculos, as modificações 
foram radicais ao extremo, o mundo começou a ser visto através do pensar e fazer 
da humanidade, colocando o homem como ator das relações sociais estabelecidas 
pela sociedade. Touraine (1994, p. 18) sustenta que: “A ideia de modernidade 
substitui Deus no centro da sociedade pela ciência, deixando as crenças religiosas 
para a vida privada”. 
O racionalismo foi a marca principal do século XVII, onde a necessidade de 
valorizar a razão rompeu com o período medieval, revogando um novo conceito 
de mundo, onde se fundamenta no autoritarismo e na manifestação.
Capra (2001), quando aborda esse assunto sobre a ruptura da modernidade 
com o período medieval, enfatiza que: “A noção de universo orgânico, vivo e 
espiritual foi substituída pela noção do mundo como se ele fosse uma máquina, 
e a máquina do mundo converteu-se na metáfora dominante da era moderna” 
(CAPRA, 2001, p. 49).
Diante disso, pode-se afirmar que a ciência moderna efetivou com sucesso 
o que se chama de processo de desconstrução, ruptura e negação dos modelos que 
estavam inseridos nos séculos anteriores aos de XVI e XVII. 
Essa ciência moderna ou Nova Ciência iniciou seu processo de construção 
ao efetivar suas bases fundamentadas cientificamente e socialmente com o trabalho 
de Copérnico, durante o século XVI, e Galileu e Descartes, no século XVII e após 
com Newton. Novak (1981, p. 28) diz que: “Paradigmas ajudam o cientista a ver 
novos significados em dados antigos ou buscar novas informações para solução de 
quebra-cabeças”.
IMPORTANT
E
“A modernidade rompeu com o mundo sagrado que era, ao mesmo tempo, 
natural e divino, transparente à razão e criado.” (TOURAINE, 1994, p. 12).
DICAS
Acadêmico, não deixe de ler ou assistir ao filme: CAPRA, Fritjot. O Ponto de 
mutação. Trad. – Álvaro Cabral. 22. ed.- São Paulo: Edit. Cultrix, 2001.
38
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
Sendo assim, a modernidade estabeleceu um novo padrão para efetivar a 
realidade, o real, com princípios norteadores da razão, ou melhor, descrevendo, na 
habilidade do ser humano, homem, em formular as teorias científicas com base nas 
leis objetivas. Descartes iniciou essa maneira de pensar, baseado em um projeto 
epistemológico com princípios na cultura racionalista. 
As reflexões sobre os meios de organização e sistematização da razão 
aconteceram através do pensamento filosófico de Immanuel Kant, através de 
um conceito baseado em uma teoria mais científica dos dados empíricos. Ele 
busca a superação dos pensamentos de seus antecessores, discutindo a razão e 
a experiência, pelas condições que se dá a cada uma delas no procedimento do 
conhecimento.
Nos pensamentos de Kant, sobre o modelo de produção do conhecimento, 
estão em evidência dois dados que são importantes a serem analisados: o primeiro 
é sobre o elemento que gera a ação do pensamento, e também da maneira que 
o sujeito participa do processo de conhecimento. Quando relaciona a razão com 
a experiência, conclui-se que o sujeito da ação não tem condições de perceber a 
realidade em si, somente reconhecer a aparência e o que se chama de expressão 
fenomênica.
Para Tonet (2006), a realidade analisada está fundamentada pela “razão 
fenomênica”, onde o sujeito, a partir de um conhecimento, de maneira subjetiva, 
através de dados empíricos, tem um ponto de início e um de chegada. 
A maneira de pensar, centralizada na condição individual e independente 
de cada sujeito, indivíduo, foi aplicada até o século XVIII, durante o período 
Iluminista. Esse modelo de pensar moldado na subjetividade foi questionado no 
século XIX por Hegel.
Para Simionatto (2009, p. 89),
Na polêmica com Kant, Hegel estabelece a distinção entre objetividade 
e subjetividade no processo do conhecimento e reafirma a razão como 
base absoluta da existência humana. A “razão fenomênica” ou a crítica 
presente em Kant é substituída, em Hegel, pela “razão dialética” 
DICAS
Para saber mais sobre pensamento de Descartes, leia ‘‘Os nossos sentidos 
enganam”, da coleção Os Pensadores, da quarta parte do Discurso do Método.
DESCARTES. Discurso do método. Trad. J. Guinsburg e Bento Prado Júnior. São Paulo: Abril 
Cultural, 1973. (Coleção Os Pensadores).
TÓPICO 3 | A CIÊNCIA MODERNA, A CRISE DOS PARADIGMAS E SUA RELAÇÃO COM O SERVIÇO SOCIAL
39
capaz de captar a processualidade dos fenômenos sociais para além 
de sua mera aparência. A partir de Hegel, portanto, desenvolve-se 
uma proposta revolucionária de compreensão do real, sintetizada por 
Coutinho (1972, p. 14) em três núcleos: o humanismo, que remete à 
compreensão do homem enquanto “produto da sua própria atividade, 
de sua história coletiva”; o historicismo concreto, relativo à “afirmação 
do caráter ontologicamente histórico da realidade, com a consequente 
defesa do progresso e do melhoramento da espécie humana”; e a 
“razão dialética”, que implica na compreensão objetiva e subjetiva da 
realidade, inaugurada com o pensamento hegeliano. Essa proposta 
contribuirá para a formação teórica de pensadores como Marx, Engels e 
toda a tradição marxista. 
Como você estudou no Tópico 1 desta unidade de ensino, entre os séculos 
XVIII e XIX houve a transição do Estado feudal para o Estado burguês, surgindo um 
novo modelo de produção, o modo de produção capitalista, trazendo mudanças 
significativas nas dimensões políticas, econômicas, sociais e culturais. No modelo 
Estado burguês acontece o fortalecimento da classeburguesa, e com ela o início de 
um modelo de modernização.
Existem duas matrizes teóricas que contradizem esse período da 
implementação da razão moderna: 
• A Matriz Positivista: que é defendida por August Comte, negava à ciência a 
probabilidade de investigar as causas de fenômenos de ordem natural e social, 
considerando esse tipo de pesquisa desnecessária. Considerada como um 
suporte da burguesia, para defender seus interesses e ideários, através da defesa 
de um sistema capitalista fortalecido, erradicando qualquer tipo de intimidação 
por parte da classe trabalhadora ou de lutas sociais. Dessa matriz surgem as 
vertentes que são chamadas de funcionalismo, estruturalismo e estrutural-
funcionalismo, que estão focadas em um mecanismo que cria instrumentos para 
manipular a realidade, contrariando a dialética das práxis sociais do sujeito. 
• A teoria social Marxista: é defendida por Karl Marx, sendo posterior às ideias 
positivistas, e se torna uma das maiores demonstrações da modernidade. Para 
Marx, ao contrário de Comte, as sociedades são o elemento fundamental do 
processo de revolução social, conforme o interesse de cada classe social, através 
da razão dialética, razão ontológica, visando a totalidade das práxis do homem.
DICAS
Para aprofundar seu estudo, faça a leitura do livro: KONDER, Leandro. O que é 
Dialética. São Paulo: Brasiliense, 2008. (Coleção Primeiros Passos: 23). 
40
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
As maiores teorias sociais, que foram apresentadas e defendidas por alguns 
pensadores, tiveram sua afirmação durante o século XX, onde tiveram um papel 
fundamental nas mudanças da sociedade. 
Novamente, citando o que já foi estudado no Tópico 1, a crise do capital, que 
ocorreu entre as décadas de 60 e 70, realizou importantes mudanças em diversos 
níveis sociais. Os ideários da razão moderna não foram alcançados conforme se 
propunha, pois tinham como objetivo aumentar o nível igualitário da sociedade, 
através de paradigmas de liberdade, igualdade e fraternidade. Esses paradigmas 
e os projetos da razão moderna foram questionados com o fim do socialismo real 
no leste europeu.
Simionato (2009, p. 90) defende que:
A “razão dialética”, colocada em xeque, teria se esgotado, cedendo 
lugar ao irracionalismo e ao relativismo. Ampliou-se a partir de então 
o embate entre modernidade e pós-modernidade, destacando-se a 
novidade dos chamados “novos paradigmas” como caminhos analíticos 
alternativos para se fazer ciência e se conhecer a realidade social. 
Com esses novos paradigmas, o Estado, como soberano nas decisões 
políticas, perde espaço para o mercado e interesses transnacionais. Com a abertura 
de mercado, a mundialização do capital ganhou forças através de ações de 
mudanças econômicas, com foco neoliberal. 
O modelo neoliberal tem como base o retorno de pensamentos que eram 
defendidos nos princípios liberais que estavam implementados no século XIX, ou 
seja, neo – novo – e liberalismo. Sendo considerado uma corrente de pensamento 
econômico e político que defende o completo desengajamento do Estado na 
economia, através da supremacia do mercado e da privatização.
Através do conceito acima citado, pode-se afirmar que o neoliberalismo 
assume um método político e econômico fundamentado na retirada das ações 
governamentais da economia, e também focando projetos com importâncias 
individuais e/ou de grupos restritos, desarticulando os interesses coletivos e 
universais.
DICAS
É de fundamental importância ler o livro Crise do socialismo e ofensiva neoliberal, 
de José Paulo Netto (1993).
TÓPICO 3 | A CIÊNCIA MODERNA, A CRISE DOS PARADIGMAS E SUA RELAÇÃO COM O SERVIÇO SOCIAL
41
Nesse período existe uma fragmentação dos atores políticos perante as 
representações políticas, sindicatos e organizações de classes, que tinham como 
objetivo projetos voltados para os interesses coletivos. A chamada razão dialética, 
que tinha como princípio analisar a realidade social, é desqualificada para as 
convergências fragmentadas em que estão inseridas no sistema de globalização. 
Para Simionatto (2009), essa nova maneira de organização está explícita em:
As novas formas de organização social e expressões culturais 
movimentam-se e expressam, ainda, nos locais e cosmopolitas nacionais 
e internacionais, públicos e privados. Afirmam-se a autonomia e 
as identidades locais, com o retorno da valorização de instituições 
como família e comunidade, permeadas por uma ideia abstrata de 
solidariedade. A separação entre indivíduos/classe e sua relação com 
grupos coletivos e a primazia do privado sobre o público contribuem, 
de forma incisiva, para o aumento da alienação, o esvaziamento das 
ações histórico-sociais na neutralização e a banalização do agir político. 
(SIMIONATTO, 2009, p. 11).
Essa substituição de interesses coletivos por objetivos individuais e 
específicos se concretiza sobre a ótica da política da pós-modernidade, colocando 
em jogo as conquistas sociais. No campo das conquistas sociais públicas - como, 
por exemplo, o direito à moradia, educação, saúde, emprego, acesso à terra -, estas 
acabam sendo fragmentadas e burocratizadas pelo próprio Estado, que fica à 
mercê da vontade do capital. 
Para Gramsci (2000), essas ações localistas, parciais e individuais são 
chamadas de “pequena política”, e necessitam estar vinculadas a outras relações, 
ou seja, “grande política”. 
A despolitização das lutas de classes e globais são ações primordiais da 
burguesia, diminuindo apenas interesses particulares, descartando assim o 
fortalecimento do setor privado para com as instâncias públicas.
As ações teóricas, metodológicas, organizativas, práticas, operativas da 
profissão de Serviço Social foram amplamente afetadas com as transformações das 
dimensões econômicas, culturais, políticas e sociais no período pós-modernidade.
Para referenciar as consequências da pós-modernidade no Serviço Social, 
se faz necessário relembrar que um dos primeiros elementos que esteve presente 
desde o nascimento da profissão foi o conservadorismo, que estava eminente em 
um modelo da razão restauradora, que surge na Europa, contrária às manifestações 
com caráter revolucionário que ocorreram até o ano de 1848, e estava influenciada 
pelo catolicismo social, e da versão reformista que foi influenciada pelo Serviço 
Social norte-americano, herdado da religião protestante, onde se articula com a 
classe dominante, a fim de atuar para reformular e adequar a ordem em vigência.
Apesar destas diferenças, registra-se na história do desenvolvimento 
profissional das duas matrizes uma série de cruzamentos, principalmente 
a partir dos anos 1930. Desse modo, quando o Serviço Social surge no 
42
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
Brasil – a partir de 1936, institucionalizando-se na década de 40 –, ele 
possui em seu arcabouço teórico original traços mesclados tanto do 
Serviço Social europeu quanto do norte-americano. (SANTOS, 2007, p. 
52).
No Brasil, a ação das duas vertentes teve um desenvolver primeiramente 
entre as décadas de 20 e 30 com o interesse de criar a primeira escola de Serviço Social, 
representada pelo movimento da Igreja Católica, com influência conservadora, 
para o enfrentamento da questão social imposta na época.
 
O Serviço Social brasileiro foi se institucionalizando através de influência 
de caráter reformista, pois tinha como promoção o Estado, que tinha como objetivo 
estimular a reformulação das políticas de produção.
Outro modelo que compõe a teoria metodológica do Serviço Social 
é o sincretismo, ou seja, a reunião de doutrinas diferentes que na época estava 
interligado para subsidiar novas teorias de intervenção para a profissão, através 
da produção de novos conhecimentos teóricos.
IMPORTANT
E
IMPORTANT
E
O conservadorismo é um traço constitutivo da profissão não apenas em sua 
dimensão ideo-teórica (isso não quer dizer que seja o único), mas no traço elementarda 
profissão, qual seja: a sua inserção na divisão sociotécnica do trabalho, em que as demandas 
para suas respostas profissionais advêm da necessidade de reprodução das relações sociais 
capitalistas de reprodução. No entanto, estas respostas, assim como a lógica das relações 
sociais, só podem existir em relação. O que pressupõe dizer que a atuação do assistente social 
é polarizada, de um lado, pela demanda do capital e, do outro, pelas necessidades do trabalho, 
fortalecendo um ou outro por meio da mediação do seu oposto, mas tendendo a ser cooptada 
pela classe dominante. (IAMAMOTO, 1995 apud SANTOS, 2007).
O sincretismo científico, no entanto, tem em suas origens determinações de 
outras formas de sincretismo, “o sincretismo derivado de configuração do espaço sócio-
ocupacional [...], expressando-se pelo menos de três maneiras distintas: no âmago do seu 
universo problemático original, no horizonte do exercício profissional [o cotidiano] e nas 
modalidades específicas de intervenção”. (SANTOS, 2007, p. 64).
TÓPICO 3 | A CIÊNCIA MODERNA, A CRISE DOS PARADIGMAS E SUA RELAÇÃO COM O SERVIÇO SOCIAL
43
Como se pode observar, a profissão no Brasil teve suas matrizes no 
pensamento conservador da doutrina da Igreja, através do pensamento do 
modelo europeu e norte-americano, conforme já foi citado, o que reflete em uma 
forte negação ao modernismo e pós-modernismo, afetando diretamente a atuação 
profissional, pois é contrário a um pensamento liberalista e socialista.
Mesmo com toda raiz teórica fundamentada na ideologia conservadora 
da Igreja, a atuação da profissão teve um desenvolvimento sócio-histórico, com 
duas vertentes do pensamento contemporâneo, sendo elas: racionalismo, com 
característica formal e abstrata, que é vinculada nas abordagens funcionalistas, 
estrutural e sistêmicas; e a vertente marxista, que se fundamenta no racionalismo 
e na teoria crítico-dialética.
FIGURA 14 – DIALÉTICA
FONTE: Disponível em: <https://blogdoces.files.wordpress.com/2010/08/
sopa-mafalda.jpg> Acesso em 29 nov. 2014.
Uma das expressões da razão moderna é a teoria do pensamento positivista, 
devido às exigências de consolidação do capital monopolista no país, de forma já 
estudada, um modelo formal e abstrato. Essa expressão foca no imediatismo com 
as ações práticas e empíricas. Sendo assim, a profissão atua de forma pragmática, 
através do enquadramento do indivíduo na realidade.
Essa atuação positivista da profissão começou a ser questionada pelo 
Movimento de Reconceituação que aconteceu na América Latina nos anos de 1960. 
44
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
O Serviço Social amplia suas fundamentações teóricas a partir da interlocução com 
as ciências sociais que estavam vinculadas à teoria crítica-dialética.
A aproximação com o pensamento marxista estava atrelada primeiramente 
pela vinculação dos assistentes sociais a algumas organizações sociais que estavam 
no auge durante o período da década de 60, estes tinham uma atuação mais 
partidária que crítico-teórica. 
Os profissionais de Serviço Social, diante dessa prerrogativa de atuação, 
começam a desenvolver questionamentos sobre a práxis profissional, colocando sob 
interrogação o papel fundamental do Estado diante das intervenções econômicas, 
políticas, sociais, culturais, entre outras, como também questionamentos sobre a 
organização das classes sociais e repensando os referenciais teórico-metodológicos 
da profissão.
Novamente citando Simionatto (2009) sobre a aproximação do Serviço 
Social com a atuação teórico-crítica, este afirma que:
Permitiu, igualmente, compreender o significado social da profissão 
na divisão sociotécnica do trabalho e no processo de produção e 
reprodução das relações sociais, os diferentes projetos societários em 
disputa e redirecionamento das ações profissionais na perspectiva dos 
setores e das classes subalternas. (SIMIONATTO, 2009, p. 99).
A profissão começou, após o Movimento de Reconceituação, a assumir uma 
postura mais crítica e também valores voltados à liberdade, igualdade, democracia, 
justiça social, que foram frutos de estudos e de conhecimentos acumulados no 
decorrer da história da profissão. O conjunto de conhecimentos resultou em uma 
proposta de mudanças e transformação da conjuntura que estava vigente. Podemos 
citar os documentos que serviram de base para uma nova concepção da profissão: 
• Projeto Curricular de 1982.
• Código de Ética de 1986, e que foi revisado e aprovado em 1993.
• Lei de Diretrizes e Bases de 1996.
A partir de então, o Serviço Social começa a ter uma postura voltada 
ao projeto da modernidade, vinculado à razão crítica, com uma visão na 
totalidade do processo histórico, e com uma prática profissional que vai além da 
instrumentalidade que sustenta o modelo capitalista.
TÓPICO 3 | A CIÊNCIA MODERNA, A CRISE DOS PARADIGMAS E SUA RELAÇÃO COM O SERVIÇO SOCIAL
45
FIGURA 15 – MOVIMENTOS DE CLASSES
 FONTE: Disponível em: <http://www.mst.org.br/congresso6/O-Estado-burgues-e-
a-luta-pela-Reforma-Agraria> Acessado em 01 nov.2014.
Porém, essa estrutura de combate ao sistema capitalista, através de um 
projeto político crítico, começou a ser abalada na década de 90, quando o modelo 
neoliberal se estruturou até os dias atuais em diversos países. 
O neoliberalismo tem influenciado a profissão através de dois caminhos, 
e que podem ser analisados da seguinte forma: em primeiro nível, pelo 
questionamento da teoria marxista, dialética, através do conhecimento teórico-
metodológico do Serviço Social e que consequentemente gera o fortalecimento do 
conservadorismo, que tem sua raiz na pós-modernidade. Em segundo nível, se 
dá através da precarização das condições de trabalho e das demandas que estão 
surgindo para o Serviço Social. 
As fragmentações das condições de trabalho e as mudanças dos espaços 
de trabalho ocupados pelo assistente social geram um novo tipo de prática e de 
vínculo profissional, refletindo diretamente no contexto das questões sociais, pois 
as mudanças estão explícitas nas alterações das políticas sociais públicas, que se 
refletem na diminuição de investimentos nas mesmas e aumentando o campo de 
trabalho no que se define hoje como o terceiro setor. 
46
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
O Serviço Social, sendo uma profissão situada na divisão societária do 
trabalho, tem seu fazer e agir perante as demandas impostas pela ordem social 
vigente, dos diferentes setores das classes sociais. 
As autoras Mota e Amaral (1998) definem que a profissão está situada 
num conjunto de necessidades de cunho político, social, cultural e material e que 
necessitam ser situadas nas transformações do sistema capitalista na atualidade.
Essas necessidades e/ou demandas dos sujeitos se tornam os objetos de 
ação profissional do Serviço Social, mas como estão fundamentadas no mecanismo 
do sistema capitalista, se tornam questões imediatas a serem resolvidas, e muitas 
delas relacionadas com a dependência da produção e reprodução material da 
vida desses indivíduos, chamados nos dias atuais de usuários das políticas de 
assistência social.
Para que o assistente social supere essa prática imediatista, que impede uma 
transformação social, é necessário que compreenda as mais diversas determinações 
sociais que estão impostas nas novas configurações societárias. 
Segundo Guerra (2002, p. 200), é necessário que o assistente social forme 
“um conjunto de saberes que extrapola a realidade imediata e lhe proporcione 
apreender a dinâmica conjuntural e as correlações de forças manifestadas ou 
ocultas”.
Essa ação imediatista que está vinculada no campo de atuação do 
Serviço Social pode constituir o fortalecimento do empirismo, como também do 
voluntarismo, do conservadorismo, fragmentando a relação teoria e prática, pois 
são reflexos do modelo pós-moderno que gera um distanciamento de um saber 
mais crítico e total da realidade. 
Há necessidade de entendere compreender de forma crítica, trazendo 
para reflexões situações que sejam individuais e/ou totais de uma determinada 
realidade. Netto (1989, p. 118) afirma que “investir na pós-modernidade é também 
levar água ao moinho do conservadorismo”.
Para Simionatto (2009): 
IMPORTANT
E
O terceiro setor compõe no campo de atuação pública, mas não governamental, 
constituído através de organizações, instituições ou entidades privadas, sem fins lucrativos.
TÓPICO 3 | A CIÊNCIA MODERNA, A CRISE DOS PARADIGMAS E SUA RELAÇÃO COM O SERVIÇO SOCIAL
47
[...] a profissão defronta-se com duas grandes tendências teóricas: uma, 
vinculada ao fortalecimento do neoconservadorismo inspirado nas 
tendências pós-modernas, que é a ação como um campo de fragmentos, 
restrita às demandas do mercado de trabalho, cuja apreensão requer 
a mobilização de um corpo de conhecimentos; e técnicas marxistas, 
que compreendem o exercício profissional a partir de uma perspectiva 
de totalidade, de caráter histórico-ontológico, remetendo o particular 
ao universal e incluindo as determinações objetivas e subjetivas dos 
processos sociais (SIMIONATTO, 2009, p. 102). 
Os desafios que estão impostos para o Serviço Social, no século XXI, estão 
fundamentados nas necessidades de aprofundamento e qualificação do projeto 
ético-político da profissão, através dos mecanismos teórico-metodológico e 
prático-operativo.
A profissão, diante dos desafios, deverá desenvolver então uma teoria social 
fundamentada teoricamente na criticidade para combater o conservadorismo que 
vem sendo ainda desenvolvido na atuação profissional.
DICAS
É importante afirmar que as principais características do projeto ético-político 
estão articuladas com projetos para transformação da sociedade diferenciados do modelo 
capitalista, permeadas pela consideração da liberdade, emancipação e comprometimento 
com a classe de trabalhadores.
ESTUDOS FU
TUROS
Divisão sociotécnica do trabalho será estudada na próxima unidade.
48
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
A seguir, caro acadêmico, você poderá analisar os conceitos dos importantes 
termos utilizados nesse tópico, através da tabela abaixo:
QUADRO 1 – TERMOS IMPORTANTES
TERMOS
DEFINIÇÃO
Tradição Racionalista
Teve seu início com René Descartes, no século XVI. Uma das 
principais características foi a opção ao ceticismo que estava 
sendo desenvolvido na época. Para Descartes, a verdade 
poderia se dar através de mecanismos fundamentados na 
razão.
Tradição Empirista
Foi representada por Francis Bacon, tendo no conhecimento 
a origem da experiência, pois compreende o conjunto de 
teorias de explicação, definição e justificativas dos conceitos 
relacionados com a experiência.
Iluminismo
Esse termo é utilizado para explicar o comportamento 
filosófico, científico e racional que estava aplicado 
na Europa, durante o século XVIII. Esse período foi 
denominado de “Século das Luzes”, implementado 
principalmente na França, por filósofos, pensadores e 
cientistas, que tinham uma crença na supremacia da 
racionalidade, razão, e de seus resultados práticos para 
determinar e combater as injustiças sociais.
Razão dialética/razão ontológica
Na razão dialética ou então razão ontológica, defende-se 
que os processos sociais podem ser reconstruídos pelos 
sujeitos, usando a racionalidade e desvendando a sua 
aparência através de diversas aparências, afirmando, assim, 
um caráter histórico e criador da práxis da humanidade.
Racionalismo formal-abstrato
O racionalismo formal-abstrato aborda a realidade de uma 
maneira formal e instrumental, com uma visão imediatista 
e manipuladora. O principal pensador foi Comte, através 
da sua teoria positivista, e defendido também na teoria 
neopositivista de Emile Durkheim.
FONTE: A autora.
TÓPICO 3 | A CIÊNCIA MODERNA, A CRISE DOS PARADIGMAS E SUA RELAÇÃO COM O SERVIÇO SOCIAL
49
LEITURA COMPLEMENTAR
REESTRUTURAÇÃO DO CAPITAL, FRAGMENTAÇÃO DO TRABALHO E 
SERVIÇO SOCIAL
Ana Elizabete Mota
Angela Santana do Amaral
Ao discutirmos sobre a dinâmica da reestruturação produtiva e suas 
inflexões sobre a experiência profissional do Serviço Social, estamos assumindo 
um duplo desafio: o primeiro deles é o de situar a reestruturação no contexto da 
crise capitalista contemporânea, qualificando-a como um processo de restauração 
econômica do capital e ambiente de intervenção política das classes e do Estado nas 
condições de reprodução social; o segundo consiste em identificar as mediações 
que conectam a experiência do Serviço Social às mudanças em curso. Aliás, como 
já identificou Netto, “o problema teórico analítico de fundo (...) reside em explicar 
e compreender como, na particularidade prático-social de cada profissão, se traduz 
o impacto das transformações societárias”. (NETTO, 1996, p. 89).
Nesta direção, a articulação orgânica entre as dinâmicas da economia e da 
política, ao tempo em que nos fornece as principais pistas para negar a suposta 
“crise da sociedade do trabalho” ou a aparente “autonomia do progresso técnico” 
como vetores da reestruturação produtiva, também especifica o leito teórico-
metodológico sobre o qual tentaremos empreender uma abordagem crítica do 
discurso político dominante sobre a reestruturação produtiva.
Assim, as formas de objetivação e subjetivação do trabalho coletivo, a 
composição e a dinâmica da intervenção das classes sociais e do Estado, apresentam-
se como categorias explicativas dos processos macrossociais contemporâneos que 
afetam a vida social e determinam mudanças no conjunto das práticas sociais, 
onde se insere experiência profissional do Serviço Social.
Esta recorrência teórica - amplamente referenciada por uma fração dos 
intelectuais da profissão - inscreve-se no arcabouço da teoria crítica e vem sendo 
responsável não apenas pela capacidade de interlocução do Serviço Social com 
outras áreas do saber, mas parece contemplar aquilo que Behring (1993, p. 316) 
avalia em termos de influências do pensamento politicista no discurso do Serviço 
social. 
Nossa hipótese de trabalho neste texto é a de que a atual recomposição 
do ciclo de reprodução do capital, ao determinar um conjunto de mudanças na 
organização da produção material e nas modalidades de gestão e consumo da força 
de trabalho, provoca impactos nas práticas sociais que intervêm no processo de 
reprodução material e espiritual da força de trabalho, onde se inclui a experiência 
profissional dos assistentes sociais.
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
50
Admitimos, portanto, que a trilha por onde caminham os desafios aos 
profissionais do Serviço Social - consideradas as particularidades do seu trabalho 
- são as novas modalidades de produção e reprodução social da força de trabalho. 
Estas últimas, mediadas pelo mercado de trabalho profissional, passam a exigir 
a refuncionalização de procedimentos operacionais, também determinando um 
rearranjo de competências técnicas e políticas que, no contexto da divisão social e 
técnica do trabalho, assumem o estatuto de demandas à profissão. 
Este processo desenvolve-se em dois planos: um mais visível e imediato, 
relaciona-se com questões que afetam diretamente o exercício profissional, como é 
o caso das alterações no mercado de trabalho e nas condições de trabalho; o outro, 
mais amplo e complexo, refere-se tanto ao surgimento de novas problemáticas 
que podem ser mobilizadoras de competências profissionais estratégicas, como à 
elaboração de proposições teóricas, políticas, éticas e técnicas que apresentem-se 
como respostas qualificadas ao enfrentamento das questões que lhe são postas. 
Por isso mesmo, os desafios a serem enfrentados pela profissão - 
consideradas as transformações no “mundo do trabalho” - passam inegavelmente 
pela configuração do atual mercado de trabalho dos assistentes sociais. Todavia, 
este é apenas um dos indicadores objetivos do rearranjo das diversas atividades 
ocupacionaisfrente às mudanças que ocorrem na divisão social e técnica do 
trabalho. As características do “mercado de trabalho profissional” podem oferecer 
um conjunto de informações a partir das quais é possível identificar as necessidades 
sociais que estão subjacentes às demandas profissionais, posto que, segundo 
nosso entendimento, as demandas não se confundem com as necessidades sociais 
propriamente ditas.
FONTE: MOTA, Ana Elizabet; AMARAL, Angela Santana do. Reestruturação do capital, 
fragmentação do trabalho e Serviço Social. In: MOTA, A. E. (Org). A nova fábrica de consensos. 
São Paulo: Cortez, 1998. p. 23-44. Disponível em: <http://www.ts.ucr.ac.cr/binarios/congresos/
reg/slets/slets-016-040.pdf.>. Acesso em: 30 nov. 2014.
51
RESUMO DO TÓPICO 3
Caro acadêmico, nesse tópico você conseguiu compreender:
• A crise contemporânea do sistema capitalista e a revolução tecnológica e industrial 
que estamos vivendo acendem mudanças na sociedade em sua totalidade.
• Os séculos XVI e XVII foram marcados pelas chamadas revoluções científicas, e 
são reconhecidos como início do pensamento moderno. Ao longo desses anos, 
através da ciência astronômica e na física, se concretizou uma nova forma de 
pensar e desenvolver a ciência.
• O racionalismo foi a marca principal do século XVII, onde a necessidade de 
valorizar a razão rompeu com o período medieval, revogando um novo conceito 
de mundo, onde se fundamenta no autoritarismo e na manifestação.
• A ciência moderna efetivou com sucesso o que se chama de processo de 
desconstrução, ruptura e negação dos modelos que estavam inseridos nos séculos 
anteriores aos de XVI e XVII.
• As reflexões sobre os meios de organização e sistematização da razão aconteceram 
através do pensamento filosófico de Immanuel Kant, através de um conceito 
baseado em uma teoria mais científica dos dados empíricos.
• A maneira de pensar, centralizada na condição individual e independente de cada 
sujeito, indivíduo, foi aplicada até o século XVIII, durante o período Iluminista.
• O modelo neoliberal tem como base o retorno de pensamentos que eram 
defendidos nos princípios liberais que estavam implementados no século XIX.
• Em vista das consequências da pós-modernidade no Serviço Social, se faz 
necessário relembrar que um dos primeiros elementos que esteve presente desde 
o nascimento da profissão foi o conservadorismo.
• As fragmentações das condições de trabalho e as mudanças dos espaços de 
trabalho ocupados pelo assistente social geram um novo tipo de prática e de 
vínculo profissional.
• O Serviço Social, sendo uma profissão situada na divisão societária do trabalho, 
tem seu fazer e agir perante as demandas impostas pela ordem social vigente.
• Os desafios que estão impostos para o Serviço Social, no século XXI, estão 
fundamentados nas necessidades de aprofundamento e qualificação do projeto 
ético- político da profissão.
52
1 Descreva sobre as influências do neoliberalismo no projeto ético-político da 
profissão de Serviço Social.
2 O novo modelo de organização do trabalho influencia diretamente sobre a 
atuação prática do assistente social. Situe alguns desafios para a profissão 
diante desse novo cenário da configuração do mundo do trabalho.
AUTOATIVIDADE
53
TÓPICO 4
OS DESAFIOS DO PROJETO ÉTICO-POLÍTICO 
DO SERVIÇO SOCIAL FRENTE AO PROJETO DA 
MODERNIDADE, DA CRISE DO SISTEMA CAPITALISTA E 
DA IDEOLOGIA PÓS-MODERNISMO
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Nesse tópico serão abordados quais são os desafios do projeto ético-
político na conjuntura econômica, social, política e cultural do momento atual, 
através de uma análise da sociedade contemporânea e as suas determinações que 
são implementadas no cotidiano de uma sociedade.
Como vimos nos tópicos anteriores, as mudanças geradas pelo capitalismo 
em nível mundial, a partir da década de 70, resultam num enorme agravamento da 
desigualdade social e estrutural da sociedade humana em todas as suas dimensões.
As consequências que são impostas pelo projeto da modernidade, da crise 
do sistema capitalista e da ideologia pós-moderna afetam diretamente a atuação 
teórico-metodológica do Serviço Social, devido ao aumento da exploração da 
força de trabalho, aumento do desemprego e subemprego estrutural, fragilização 
dos direitos trabalhistas historicamente adquiridos, entre outros, que geram uma 
insegurança no conjunto das relações sociais que são desenvolvidas no cotidiano.
54
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
2 OS REFLEXOS DA MODERNIDADE E PÓS-
MODERNIDADE PARA O SERVIÇO SOCIAL 
PERANTE O PROJETO ÉTICO-POLÍTICO
FIGURA 16 – MODERNIDADE E PÓS-MODERNIDADE
FONTE: Disponível em: <http://dissentirecontravir.blogspot.com.br/2012/06/o-que-e-pos-
modernidade.html>. Acesso em: 7 dez. 2014.
Para realizar um estudo da relação do Serviço Social com a modernidade 
e pós-modernidade, é necessário criar uma analogia entre a profissão, a questão 
social, e também da maneira que a mesma se consolidou no território brasileiro. 
Segundo Mota (2010, p. 45), “[...] é a questão social que dá a concretude ao Serviço 
Social”. 
O pensamento moderno teve seu início através do desenvolvimento das 
ciências, no século XVI, mas seu auge foi no século XVIII, conhecido como Século 
das Luzes, através da legitimidade de uma nova classe dominante, que determina 
uma supremacia intelectual. A modernidade surge por meio da razão dialética e 
segue um caminho para a razão instrumental.
 Para o conceito de modernidade deve-se ressaltar:
TÓPICO 4 | OS DESAFIOS DO PROJETO ÉTICO-POLÍTICO DO SERVIÇO SOCIAL FRENTE AO PROJETO
DA MODERNIDADE, DA CRISE DO SISTEMA CAPITALISTA E DA IDEOLOGIA PÓS-MODERNISMO
55
O conceito de modernização refere-se a um conjunto de processos 
cumulativos e de reforço mútuo: à formação de capital e mobilização 
de recursos; ao desenvolvimento das forças produtivas e ao aumento 
da produtividade do trabalho; ao estabelecimento do poder político 
centralizado e à formação de identidades nacionais; à expansão dos 
direitos de participação política, das formas urbanas de vida e da 
formação escolar formal; à secularização dos valores etc. (HABERMAS, 
2002, p. 5)
O modelo de modernização abrangeu todas as dimensões do 
desenvolvimento do ser humano, através do surgimento dos Estados Nacionais, 
da classe dominante/burguesia, do desenvolvimento da classe proletariado, e da 
acumulação do capital que atingiu todos os mercados econômicos e financeiros. As 
decorrências geradas pela expansão do capitalismo ocasionaram crises intensas em 
toda a sociedade, afetando o desenvolvimento da humanidade em sua totalidade.
O primeiro conceito sobre modernidade foi definido por Hegel (2008). O 
filósofo Habermas (2002, p. 9) afirma:
Hegel emprega o conceito de modernidade, antes de tudo, em contextos 
históricos como conceitos de época: ‘os novos tempos’ são os tempos 
modernos. Isso corresponde ao uso contemporâneo do termo em inglês 
e francês: por volta de 1800, modern times e temps modernes designam os 
três séculos precedentes. A descoberta do ‘Novo Mundo’, assim como o 
Renascimento e a Reforma, os três grandes acontecimentos por volta de 
1500, constituem o limiar histórico entre a época moderna e a medieval. 
O surgimento da modernidade foi marcado por um rompimento com 
modelos econômicos, políticos, sociais, culturais de outras épocas, tendo como 
princípio suas próprias referências, sendo definido como uma época histórica, pois 
tem consciência da ruptura com o passado.
Diante desse contexto, nesse novo período difundido por toda a sociedade, 
os indivíduos expandiram todas as suas possibilidades de crescimento no que diz 
respeito à sua capacidade de transformação da natureza e constituíram mudanças 
no tempo e no espaço através da expansão industrial, dos meios de transportes, da 
comunicação, entre outros.
A partir dos estudos e das concepções marxistas, Marx apud Berman (1982, 
p. 20) afirma que “[...] todas as relações sociais tornam-se obsoletas antes mesmoque se ossifiquem, isto é, tudo que é sólido se desmancha no ar [...]”.
 
Para o autor Berman (1982), o que está colocado para a sociedade é a 
radicalização do período da modernidade. Segundo o mesmo, os pensadores 
Marx e Nietzsche consideraram o projeto que não tinham terminado, pois a 
modernidade, sob influência capitalista, em seu contexto histórico estava apenas 
difundida pela Europa. O mesmo autor defende que existiram fases do crescimento 
da modernidade, sendo elas: 
56
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
• A primeira fase aconteceu entre os séculos XVI até metade do século XVIII, onde 
as pessoas estavam quase que dominadas pelo novo modelo de organização da 
sociedade.
• A segunda fase aconteceu durante o século XIX, onde a sociedade estava 
estarrecida com a diferença dos dois mundos, pois um defendia as tradições e o 
outro propondo pensamentos científicos em defesa da razão. 
Como vimos no Tópico 1 desta unidade, o sistema capitalista não tem ética 
quando se refere à busca de oportunidades para se consolidar, gerando assim uma 
grande divisão entre as classes sociais, e a modernidade está interligada com a 
chegada do capitalismo e suas maneiras destrutivas na sociedade.
 FIGURA 17 – CICLOS DA MODERNIDADE
FONTE: A autora. 
UNI
A radicalização da Modernidade e todas as suas diversas formas se expandiram 
por todos os continentes ao longo dos séculos.
TÓPICO 4 | OS DESAFIOS DO PROJETO ÉTICO-POLÍTICO DO SERVIÇO SOCIAL FRENTE AO PROJETO
DA MODERNIDADE, DA CRISE DO SISTEMA CAPITALISTA E DA IDEOLOGIA PÓS-MODERNISMO
57
A modernidade está fundamentada em contradições, pois a riqueza que é 
produzida socialmente pela divisão social do trabalho fica centralizada no poder 
das minorias, ou seja, de uma pequena burguesia; a classe trabalhadora produz e 
gera a riqueza para os donos do capital, capitalistas, que acabam gerando ainda 
mais precárias condições de vida, aumentando o índice de pobreza. 
De um lado, tiveram acesso à vida forças industriais e científicas 
que nenhuma época anterior, na história da humanidade, chegara a 
suspeitar. De outro lado, estamos diante de sintomas de decadências 
que ultrapassam em muito os horrores dos últimos tempos do Império 
Romano. Em nossos dias, tudo parece estar impregnado do seu 
contrário. [...] o homem parece escravizar-se a outros homens ou à sua 
própria infâmia. [...] (MARX apud BERMAN, 1982, p. 19).
No cotidiano estamos vivenciando uma realidade contraditória, onde existe 
uma expressiva produção da riqueza tanto material como a do conhecimento, e, 
ao mesmo tempo, existe uma barreira do capital. Sendo assim, a modernidade é 
um dos movimentos mais violentos da história, pois traz resultados contraditórios 
que jamais foram vistos pela humanidade, e a classe burguesa é protagonista desse 
período. De acordo com Marx (2001), tem um caráter intrínseco de autodestruição 
inovadora, tudo é feito para ser colocado no chão. 
É importante entender como o sistema capitalista, através do capital, 
intervém no avanço da modernidade. Segundo o geógrafo Harvey (1992), se 
torna essencial decifrar o movimento do capital num mundo que está cada vez 
mais redesenhado pela compressão de tempo e espaço. De acordo com o autor, o 
espaço entre as terras/países/cidades foi significativamente diminuído, através dos 
meios de transporte, onde aumentou a capacidade de locomoção das pessoas. Um 
exemplo citado pelo mesmo: nos séculos XVI e XVII os meios de transporte eram 
constituídos por carruagens, barcos a vela e tinham a capacidade no máximo de 16 
km/h; e com a modernidade os meios de transporte chegam a até 1.100km/h.
Para avaliar as consequências desse reordenamento na vida das pessoas, 
através da aceleração do processo de produção e reprodução das relações sociais, 
é indispensável considerar algumas outras descobertas que contribuíram para a 
ampliação do capitalismo e da chamada globalização.
Harvey (1992) cita como exemplo alguns instrumentos desenvolvidos para 
organizar a vida em sociedade e/ou comunidade, como: o cronômetro, calendários 
e mapas. Pois esses instrumentos foram utilizados para ajudar a programar a 
ordem do sistema capitalista.
Ainda citando Harvey (1992), no que se refere à expansão do capitalismo 
pelas fronteiras mundiais, “[...] o mapeamento do mundo abriu caminho para 
que se considerasse o espaço algo disponível à apropriação para usos privados”. 
(HARVEY, 1992, p. 209-210).
58
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
Essas mudanças que aconteceram no mundo do trabalho, principalmente 
no que diz respeito ao estreitamento do tempo e espaço, através da expansão do 
capital, estavam sincronizadas entre a transição do modelo de produção fordista 
para a acumulação flexível.
 Na década de 70 houve um agravamento da situação de instabilidade 
econômica devido à Crise do Petróleo de 1973. Com a diminuição da oferta desta 
matéria-prima, aumentaram os gastos com energia nos países industrializados. 
Diante dessa crise, houve um aumento dos juros do capital financeiro internacional, 
onde os empréstimos aos países pobres, ou em vias de desenvolvimento, ficaram 
com um custo muito elevado. 
Nesse período, a economia brasileira teve um crescimento elevado da 
dívida externa e do processo inflacionário, aumentando o desemprego e o arrocho 
salarial para os trabalhadores. A condição mundial, após a primeira metade da 
década de 70, iniciou um período de recessão da economia, em particular a norte-
americana. 
Mediante a crise econômica mundial que se instalou nos anos 70, os 
modelos keynesiano-fordista passaram a ser questionados.
O fordismo, sendo um sistema rígido, demonstrou, no que se refere à 
produção, perante a crise, não conseguir superar as novas demandas exigidas no 
novo contexto econômico. Porém, no Japão, a produção, ao contrário do modelo 
fordista, estava baseada no modelo toyotista, onde adotava novos princípios de 
flexibilidade da produção, sendo um sistema mais produtivo, ágil e que respondia 
com mais eficiência às novas exigências do mercado financeiro perante uma crise 
de contradições. 
Desta forma, Harvey (1992), comparando o fordismo, apresenta descrição 
de uma nova composição produtiva:
A acumulação flexível, como vou chamá-la, é marcada por um 
confronto direto com a rigidez do fordismo. Ela se apoia na flexibilidade 
dos processos de trabalho, dos mercados de trabalho, dos produtos e 
padrões de consumo. Caracteriza-se pelo surgimento de setores de 
produção inteiramente novos, novas maneiras de fornecimentos de 
serviços financeiros, novos mercados e, sobretudo, taxas altamente 
IMPORTANT
E
A classe burguesa apoderou-se dos instrumentos para aparelhar, organizar e 
disciplinar os trabalhadores nas novas metodologias de produção, fundadas na flexibilidade do 
mundo do trabalho.
TÓPICO 4 | OS DESAFIOS DO PROJETO ÉTICO-POLÍTICO DO SERVIÇO SOCIAL FRENTE AO PROJETO
DA MODERNIDADE, DA CRISE DO SISTEMA CAPITALISTA E DA IDEOLOGIA PÓS-MODERNISMO
59
intensificadas de inovação comercial, tecnológica e organizacional. 
(HARVEY, 1992, p. 140)
Ao analisar essa transição é importante compreender alguns aspectos que 
foram defendidos por Harvey (1992), e que foram a base de um novo modelo de 
sociedade, como: 
• A crise do sistema de produção, que ocorreu em 1973, devido ao novo modelo 
da acumulação, que estava centralizado na firmeza do fordismo, ao novo padrão 
que estava se iniciando e que vinha da flexibilidade do modelo toyotista.
• A rapidez do tempo de produção gera uma aceleração equivalente no consumo 
e troca de mercadorias.
• Para agilizar o fluxo de dinheiro no mercado financeiro, foram criados bancos 
eletrônicos e o que se chama de dinheiro de plástico, cartões de crédito.
• Aumento do consumo de serviços e diminuição do consumo de bens.
• O início do consumo do descartável.
• A superioridade da estética em relação à ética, mudando de forma eminente a 
psicologiado ser humano, como sujeito de sua história.
• A manipulação dos desejos de consumo, através da publicidade dos produtos 
vendidos.
• A livre concorrência do mercado da construção de imagens, ou consultoria de 
figura pessoal.
• O aparecimento da réplica, tornando quase que impossível de ser percebida a 
diferença entre o original e a réplica/falso.
A modernidade precisa ser olhada como sendo uma condição histórica, 
que tem como objeto intermediar o presente e o futuro, para uma compressão 
entre o espaço e o tempo. Assim, as transformações que ocorreram durante o 
século XX não poderão ser aproximadas ou comparadas como um modelo novo, 
pois sua essência se apodera do modelo de uma sociedade capitalista, através de 
um cenário contemporâneo analisado pelo materialismo histórico.
Com todas as transformações que vêm ocorrendo no mundo do trabalho, 
como, por exemplo: desemprego, subemprego, flexibilização das condições e do 
mercado de trabalho, perdas dos direitos adquiridos pela classe trabalhadora 
devido ao crescimento do modelo neoliberal durante o século XX e começo do 
século XXI, se faz necessária uma análise dos pressupostos fundamentados no 
materialismo-histórico, visto que se faz presente no pensamento crítico-dialético.
60
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
FIGURA 18 – TAYLORISMO
FONTE: Disponível em: <http://freeapktodownload.com/apps/fordismo-
taylorismo-e-toyotismo-carregar-compartilhar>. Acesso em: 7 dez. 2014.
O monopólio do capital, com o modelo de acumulação flexível, não foi 
abolido, sendo modificado através do modelo de produção, que visa à alta 
lucratividade e elevadas taxas de juros e a expansão do capital de forma globalizada. 
Como estudamos anteriormente, foi no século XX que o Serviço Social surge 
no Brasil, como instrumento para atender de imediato as questões sociais, que se 
consolidaram através do novo modelo de produção capitalista. No país, esse novo 
processo de produção foi implementado mais tarde, se comparado com os outros 
países do mundo. O Estado começa então a ser pressionado a dar uma resposta 
aos problemas sociais que estão emergindo. Durante esse período começam a 
ser criadas as primeiras políticas públicas sociais para atender as necessidades da 
população e instrumentalizar a profissão do Serviço Social.
Para Iamamoto (2007, p. 171, grifo do autor):
A profissionalização do Serviço Social pressupõe a expansão de produção 
e de relações sociais capitalistas, impulsionadas pela industrialização e 
urbanização, que trazem, no seu verso, a questão social. 
 
TÓPICO 4 | OS DESAFIOS DO PROJETO ÉTICO-POLÍTICO DO SERVIÇO SOCIAL FRENTE AO PROJETO
DA MODERNIDADE, DA CRISE DO SISTEMA CAPITALISTA E DA IDEOLOGIA PÓS-MODERNISMO
61
FONTE: Disponível em: <http://www.portal.ufpa.br/imprensa/noticia.php?cod=9146.>. 
Acesso em: 3 nov. 2014.
FIGURA 19 – INTERVENÇÃO DO ESTADO
A atuação do profissional de Serviço Social está inteiramente ligada aos 
limites do sistema capitalista e sua expansão, onde se fundamenta na exploração 
do ser humano pelo próprio ser humano. 
A primeira escola de Serviço Social surgiu na cidade de São Paulo, no ano 
de 1936, sendo que os primeiros profissionais foram formados para atender as 
demandas sociais impostas pela sociedade, através das primeiras políticas sociais.
As ações da profissão têm uma ligação com a Igreja Católica, através de 
particularidades de benevolência, filantropia e caridade, porém durante a sua 
atuação prática foram desenvolvidos métodos para ultrapassar e mudar esse modo 
de agir, através de mecanismos de intervenção, possibilitando uma inserção na 
sociedade com um olhar mais crítico, efetuando uma profissionalização no Serviço 
Social. 
Sobre a profissionalização do Serviço Social, Netto e Braz (2006, p. 73, grifo 
dos autores) afirmam que:
IMPORTANT
E
Mesmo que o Serviço Social esteja inserido na sociedade capitalista, tem condições 
teórico-metodológicas para se contrapor à nova ordem societária.
62
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
A profissionalização do Serviço Social não se relaciona decisivamente 
à “evolução da ajuda”, à “racionalização da filantropia” nem à 
“organização da caridade”; vincula-se à dinâmica da ordem monopólica. 
Sendo assim, a profissão surge e se fortalece na divisão social do trabalho, 
através do desenvolvimento do sistema capitalista e na expansão dos centros 
urbanos, em um momento onde há hegemonia do capital, emergindo assim as 
questões sociais.
Ao se analisar a história do Brasil, a Era Vargas, onde se deu o início da 
profissão no país, tem uma grande influência, devido aos conflitos gerados, sendo 
a violência uma das características do período, pela prova de superação da luta 
da classe contra a repressão e a tortura. Entre as décadas de 40 e 50 acontece 
um processo de institucionalização do Serviço Social, que foi influenciado pelo 
desenvolvimentismo da conjuntura que estava vigente no país. 
 
O Serviço Social, na década de 50, ganha maior espaço na sua atuação através 
do avanço da industrialização e do surgimento das instituições de assistência.
Na década de 60, no governo de João Goulart, aconteceram algumas 
reformulações nas políticas públicas, onde o Serviço Social teve uma maior 
participação na elaboração e planejamento das mesmas, porém com uma visão 
desenvolvimentista, que propunha uma mudança no contexto de um governo 
populista, com o crescimento dos movimentos sociais de base, resultando no 
Golpe de 64. 
 FIGURA 20 – GOLPE DE 64
FONTE: Disponível em: <http://www.unisinos.br/blogs/ihu/category/golpe-de-64/>. Acesso 
em: 4 dez. 2014.
TÓPICO 4 | OS DESAFIOS DO PROJETO ÉTICO-POLÍTICO DO SERVIÇO SOCIAL FRENTE AO PROJETO
DA MODERNIDADE, DA CRISE DO SISTEMA CAPITALISTA E DA IDEOLOGIA PÓS-MODERNISMO
63
A intervenção profissional, entre as décadas de 70 e 80, foi fortemente 
repensada, através do então chamado Movimento de Reconceituação, período no 
qual, no Brasil, emergia pela necessidade de uma mudança estrutural na sociedade 
e na democracia. Para Netto (2007, p. 248):
[...] é somente quando a crise da autocracia burguesa se evidencia, 
com a reinserção da classe média operária na cena política brasileira 
desatando uma nova dinâmica na resistência democrática, que a 
perspectiva da intenção de ruptura pôde transcender a fronteira das 
discussões em pequenos círculos acadêmicos e polarizar atenções de 
segmentos profissionais ponderáveis. 
A crítica ao Serviço Social tradicional diante da perspectiva de mudanças 
foi efetivada com o Método de Belo Horizonte, Método de BH, que foi uma 
experiência realizada na Universidade Católica de Minas Gerais, entre o período 
de 1972 e 1975, sendo essa uma alternativa global ao modelo tradicionalista, pois 
assumiu um novo referencial teórico e a defesa dos trabalhadores. A partir de 
então, com esses novos referenciais, a profissão constitui o chamado Projeto Ético-
Político. 
O Projeto Ético-Político da profissão se constitui através de três documentos 
que são considerados os mais importantes no avanço da atuação profissional, que 
são: 
• Código de Ética de 1993.
• Diretrizes Gerais para o curso de Serviço Social – Associação Brasileira de Ensino 
e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS), de 1996.
• Lei Orgânica da Assistência Social - Lei nº 8.662 – Regulamenta a profissão, de 
1993.
IMPORTANT
E
Nessa perspectiva inovadora do Serviço Social, é importante citar alguns 
documentos que foram fundamentais nesse processo de mudanças na profissão, são eles:
• Documento de Araxá (1967)
• Documento de Teresópolis (1970)
• Documento de Sumaré e Documento do Alto da Boa Vista (1984).
Também é importante o Congresso da Virada (1979) – IIII Congresso Brasileiro de Assistentes 
Sociais, onde os profissionais assumem uma nova postura frente à lógica do sistema capitalista. 
64
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
A necessidadede novos referenciais teóricos para a práxis dos profissionais 
é direcionada para uma ação social e política, com proximidade na teoria de Marx. 
Mesmo que não seja uma prática completamente baseada nos documentos escritos 
por Karl Marx, ficou marcado como um grande processo de redirecionamento da 
teoria e prática do Serviço Social. Netto (2007) diz que essa afinidade da dimensão 
prática com a teoria social marxista é chamada de “marxismo sem Marx”: 
Sem perder de vista a importância teórica e ideológica desta incorporação, 
realizada em condições favoráveis (recorda, mais uma vez, o quadro 
da sociedade e das universidades brasileiras da época), o fato é 
que na inspiração marxista de que se socorrem os formuladores 
belo-horizontinos se encontram os nós problemáticos que rebatem 
comprometedoramente na sua contribuição renovadora. (NETTO, 2007, 
p. 287, grifo do autor).
Essa aproximação com a realidade foi um grande marco para os profissionais, 
pois potencializou o reconhecimento da essência da profissão, fundamentando 
o movimento de um projeto profissional a de um projeto societário, afirmando 
o compromisso do Serviço Social com as mudanças da realidade social dos 
indivíduos na sociedade capitalista, através de novos referenciais para a nova 
ordem societária.
No século XX, através do desenvolvimento das ciências sociais e humanas, 
houve uma significativa apropriação desses novos referenciais da profissão, 
através de novos conhecimentos e novas teorias. As novas formas de intervenção 
social aperfeiçoam uma nova produção e reprodução nas relações sociais, em 
decorrência do dinamismo das transformações atuadas pelo capitalismo. Sobre 
essa inserção nas relações sociais, Chauí (2006) pressupõe que:
Em sua forma contemporânea, a sociedade capitalista é caracterizada 
pela fragmentação de todas as esferas da vida social, desde a produção, 
com a dispersão espacial e temporal do trabalho, até a distribuição dos 
referenciais que balizavam a identidade de classes e as formas de luta 
de classes. A sociedade aparece como uma rede móvel, instável, efêmera 
de organizações particulares definidas por organizações particulares e 
programas particulares, competindo entre si (CHAUÍ, 2006, p. 324). 
TÓPICO 4 | OS DESAFIOS DO PROJETO ÉTICO-POLÍTICO DO SERVIÇO SOCIAL FRENTE AO PROJETO
DA MODERNIDADE, DA CRISE DO SISTEMA CAPITALISTA E DA IDEOLOGIA PÓS-MODERNISMO
65
Importantes pensadores influenciaram para que as novas teorias fossem 
reformuladas, elaborando novos conceitos da existência do universo e da crença 
em Deus pela razão moderna. Dentre esses pensadores podemos citar:
• Émile Durkheim (1859-1917): foi o mentor da sociologia acadêmica, era defensor 
de uma razão formal, onde a realidade coincidia com essência social.
• Max Weber (1864-1920): defendia que o objeto de estudo é a ação do ser, através 
da busca do ideal, onde todos devem chegar ao mesmo resultado se utilizarem 
os mesmos mecanismos e instrumentais.
• Karl Marx (1818-1883): através de entendimento do materialismo histórico 
dialético, a realidade é um processo histórico, e que está em constante movimento.
A relação que o Serviço Social tem com essas teorias se justifica quando a 
profissão surge, no início do século XX, com o comprometimento de cuidar das 
pessoas que estavam em situação de vulnerabilidade social.
Sobre esse período, Iamamoto (1997) afirma:
Nos anos 30, reconhecidas as tensões de classe, que acompanham o 
processo de consolidação do mercado capitalista de trabalho, tenta-se 
institucionalizar um tipo de ação social que, no âmbito das relações 
Estado/Sociedade, tenha como alvo a situação social do operariado 
urbano e do exército industrial de reserva, no sentido de atenuar as 
sequelas materiais e morais derivadas do trabalhador assalariado. 
(IAMAMOTO, 1997, p. 114).
O Serviço Social na atualidade é o resultado de todo um processo histórico 
da profissão, desde o início da mesma, depois com a influência das teorias 
DICAS
Caro(a) acadêmico(a), não deixe de ler o livro abaixo citado, ele é 
essencial para aprofundar seus conhecimentos.
NETTO, José Paulo. Ditadura e Serviço Social: uma análise do 
Serviço Social no Brasil pós- 64. São Paulo: Cortez, 2007.
CASTRO, Manuel M. História do Serviço Social na América 
Latina. 12ª Ed. São Paulo: Cortez, 2011.
66
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
positivista e funcionalista, resultando em uma maturidade teórica e metodológica, 
a atuação profissional.
Foi no Movimento de Reconceituação que o Serviço Social teve um novo 
redirecionamento na sua atuação como profissão, através de uma atuação voltada 
para as questões sociais e políticas, porém transformando a realidade da sociedade, 
através da aproximação da teoria dialética.
Através da aproximação da profissão com a teoria social de Marx, o Serviço 
Social potencializa e qualifica sua atuação com ações e proposições, voltadas para 
uma transformação social vinculada ao projeto profissional. A teoria social de 
Marx permite o conhecimento da forma de existir da realidade societária através 
dos fenômenos e aponta para uma nova organização da sociedade.
As transformações na sociedade mundial, principalmente no que se refere 
à questão do trabalho, são reflexos das transformações societárias que aconteceram 
após a década de 70.
FIGURA 21 – MUDANÇAS NO MUNDO DO TRABALHO
FONTE: Disponível em: <http://www.fcc.org.br/bdmulheres/
serie2.php?area=series>. Acesso em: 5 dez. 2014.
TÓPICO 4 | OS DESAFIOS DO PROJETO ÉTICO-POLÍTICO DO SERVIÇO SOCIAL FRENTE AO PROJETO
DA MODERNIDADE, DA CRISE DO SISTEMA CAPITALISTA E DA IDEOLOGIA PÓS-MODERNISMO
67
Ao analisar determinadas ações impostas pelo capitalismo para dinamizar 
a flexibilização da economia, pode-se concluir que os problemas gerados pelo 
sistema capitalista não foram resolvidos, mas tiveram uma grande expansão em 
todas as dimensões sociais.
Para Hobsbawm (1995), existem três grandes pilares problemáticos de 
sustentação dos problemas sociais: o crescimento da distância entre os países ricos 
dos países pobres; o aumento do racismo e da xenofobia; e a crise ecológica.
Na década de 1970, as disparidades entre as diferentes partes do mundo 
pobre tornam inúteis essas cifras globais. A essa altura algumas regiões, 
como o Extremo Oriente e a América Latina, tinham produção superior 
à taxa de crescimento de suas populações, enquanto a África ficava para 
trás em mais de 1% ao ano. [...] Enquanto isso, o problema do mundo 
desenvolvido era que produzia tanto alimento que não sabia o que fazer 
com o excedente, e na década de 1980 decidiu plantar substancialmente 
menos, ou então (como na Comunidade Europeia) vender suas 
“montanhas de manteiga” e “lagos de leite” abaixo do custo, com isso 
solapando os produtores nos países pobres. (HOBSBAWM, 1995, p. 
256).
Como estudamos no Tópico 1, o capitalismo tem contínuas crises ao longo 
da sua história, cada uma delas tem um reflexo diferente, dependendo de sua 
natureza e de seus caminhos seguidos, que são efetivados pelo capital globalizado 
que temos atualmente no século XXI. 
IMPORTANT
E
A economia mundial deixou de ser responsabilidade dos Estados Nacionais, 
sendo gerenciada por organizações financeiras internacionais, como, por exemplo: Fundo 
Monetário Internacional (FMI) e o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento 
(BIRD), além do domínio dos países ricos sobre os países subdesenvolvidos ou em vias de 
desenvolvimento, como o Brasil, China, Rússia e outros, impondo as suas políticas financeiras, 
por terem o domínio do mercado mundial.
68
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
Essas mudanças geradas em decorrência de uma nova imposição do 
capital financeiro mundial aparecem com o pensamento pós-moderno, que visa 
à preocupação dos acontecimentos através da diminuição da racionabilidade e 
ampliando o campo de atuação para diversos racionalismos.
Para Netto (1989):
[...] a retóricapós-moderna não é uma intencional mistificação elaborada 
por moedeiros falsos da academia e publicitada pela mídia a serviço do 
grande capital. Antes, ela é um sintoma das transformações em curso na 
sociedade tarda-burguesia [...]. (NETTO, 1989, p. 98).
 
O Serviço Social sofre influências com a mudança da ordem societária, do 
espaço/território e da objetivação das questões sociais, que a cada dia aumentam 
por decorrência do próprio sistema capitalista. A profissão que estava em um 
processo de Reconceituação necessitou atuar com as transformações da sociedade 
que foram impostas pelo modelo de produção capitalista contemporâneo.
Após o período do Movimento de Reconceituação do Serviço Social, a 
profissão tem um novo direcionamento no seu projeto ético-político, através de 
uma atuação voltada para o social e político, mas com uma intervenção voltada 
para a realidade e transformação social, e contrária aos interesses da burguesia e 
da lógica do sistema capitalista. O Serviço Social, diante dessa mudança de atuação 
profissional, busca instrumentos de emancipação da sociedade.
A condição que a profissão tem em entender a sua atuação, limites de 
intervenção e de transformação da realidade, está fundamentada em um referencial 
teórico-crítico que manifesta o modelo de organização da sociedade, considerando 
o seu processo histórico e sua historicidade, objetivando as mudanças das relações 
de produção e reprodução.
O Projeto Ético-Político do Serviço Social foi estabelecido como sendo 
hegemônico para a atuação profissional da categoria, preconizando o conhecimento 
da realidade e das demandas de atuação, e potencializando as condições objetivas 
e subjetivas de suas ações.
UNI
A contemporaneidade é intensamente marcada pelas mudanças que ocorreram 
no começo da primeira década do século XXI, sendo essas fundamentais para compreender os 
processos de desenvolvimento dos anos de 1980, 1990 e do século XXI.
TÓPICO 4 | OS DESAFIOS DO PROJETO ÉTICO-POLÍTICO DO SERVIÇO SOCIAL FRENTE AO PROJETO
DA MODERNIDADE, DA CRISE DO SISTEMA CAPITALISTA E DA IDEOLOGIA PÓS-MODERNISMO
69
A visão crítica não foi inspirada na teoria social de Marx, como referencial 
teórico. Quando se refere à dimensão de totalidade é para identificar os movimentos 
da realidade, delimitando assim a atuação profissional. 
Em relação à assimilação da teoria social de Marx com o Serviço Social, 
Netto (1989) ressalva:
Animem-me porque é um signo inconteste da pertinência contemporânea 
da interlocução entre o serviço social e a tradição marxista, porque 
atesta que ela possui um significado concreto para nós, porque assegura 
que a sua inserção não é algo artificioso ou aleatório [...] me preocupa, 
porque pode induzir à falsa ideia de uma hegemonia da tradição 
marxista no cenário profissional – e não creio que esteja sendo o quadro 
real (NETTO,1989, p. 100).
No momento em que o profissional compreende a sua atuação na dimensão 
da prática social/práxis e a centralidade do trabalho, começa a entender que a 
sociedade capitalista se desenvolve conforme os interesses da burguesia. 
O Serviço Social não pode atuar isolado para combater os interesses do 
capital, precisa de uma articulação com as demais áreas das ciências humanas, 
pois a dimensão do ser social, do sujeito coletivo, depende de ações coletivas e 
potencializadas para a retomada e fortalecimento de atitudes contra a agressão do 
capitalismo.
As possibilidades de ações, limites de intervenção à compreensão do real 
significado da profissão de Serviço Social, apontam para um direcionamento do 
exercício da atuação profissional.
O profissional assistente social tem o compromisso ético de atuar na defesa 
e na garantia dos direitos sociais, políticos e civis das pessoas, que atualmente são 
chamados de excluídos, deve trabalhar para combater toda a forma de exploração 
do trabalhador. A atuação profissional deve sempre estar voltada ao processo 
UNI
Ao afirmar que o Projeto Ético-Político do Serviço Social é hegemônico, não se 
pode dizer que o entendimento é homogêneo.
HEGEMÔNICO: significa que é predominante, influente, preponderante. Eles são 
profissionais hegemônicos [...]. Disponível em: <http://www.dicionarioinformal.com.br/
hegem%C3%B4nico/>. Acesso em: 7 dez. 2014.
HOMOGÊNEO: significa que é único, sem partes/elementos/substâncias diferentes, pode ser 
formado de coisas diferentes, mas se tornando em uma coisa só. Disponível em: <http://www.
dicionarioinformal.com.br/hegem%C3%B4nico/>. Acesso em: 7 dez. 2014.
70
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
de concepção de uma consciência fundamentada na emancipação da classe 
trabalhadora, dos excluídos e de todos que necessitam do Serviço Social. Netto 
(1992) afirma que está “[...] convencido de que o recurso à tradição marxista pode 
nos clarificar criticamente o sentido, a funcionalidade e as limitações do nosso 
exercício profissional” (NETTO, 1992, p. 99).
 FIGURA 22 – DIREITOS DO EXCLUÍDOS
FONTE: Disponível em: <http://cetspeducacao.blogspot.com.br/2012/03/integrados-
e-excluidos.html>. Acesso em: 7 dez. 2014.
DICAS
Por CLASSE DE TRABALHADORES entende-se que são as pessoas que vivem do 
trabalho, nas mais diversas variações e composição. (ANTUNES, 1997).
TÓPICO 4 | OS DESAFIOS DO PROJETO ÉTICO-POLÍTICO DO SERVIÇO SOCIAL FRENTE AO PROJETO
DA MODERNIDADE, DA CRISE DO SISTEMA CAPITALISTA E DA IDEOLOGIA PÓS-MODERNISMO
71
A aproximação do Serviço Social com a teoria social de Marx oferece 
subsídios para uma emancipação do ser humano, através das dimensões sociais, 
culturais, políticas e econômicas, fazendo do homem um verdadeiro cidadão, 
independente de sua liberdade social.
Sobre emancipação, se faz necessário citar Marx: “A emancipação política 
aparece logo no fato de que o Estado pode libertar-se de uma barreira sem que o 
homem esteja realmente livre dela, [no fato de] que o Estado pode ser um Estado 
livre sem que o homem seja um homem livre”. (MARX, 2007, p. 52, grifo do autor).
Considerar a atuação profissional, na conjuntura do modelo de 
modernidade e pós-modernidade, no que se refere à emancipação, enfatiza o 
caráter antagônico que o Serviço Social possui, porém ressalva o compromisso 
com a classe trabalhadora na efetivação de um projeto societário que defenda o 
interesse dos excluídos. 
O trabalho do assistente social não se dá com resultados rápidos e imediatos, 
mas em atuar na garantia de direitos, na busca de uma melhor condição de vida, 
na transformação de conceitos já impregnados pela sociedade; necessita de muito 
embasamento teórico e ética profissional, para que a práxis não seja contrária ao 
Projeto Ético-Político do Serviço Social. Iamamoto (2000) destaca:
[...] entender a prática profissional supõe inseri-la no jogo das relações 
das classes sociais e de seus mecanismos de poder econômico, político 
e cultural [...] a prática profissional tem um caráter essencialmente 
político: surge das próprias relações de poder presentes na sociedade 
[...] exige recursos teóricos e um horizonte político para decifrar a 
dinâmica conjuntural, os sujeitos coletivos aí presentes e suas relações 
com a profissão. (IAMAMOTO, 2006, p. 121-123-125).
Os assistentes sociais têm o compromisso e o comprometimento com a 
transformação da ordem mundial, mesmo com as complexidades impostas no 
trabalho cotidiano, nas ações imediatas e de emergências que são reflexos do 
sistema capitalista. É fundamental que o profissional não entre no conformismo 
e na aceitação da atual realidade da sociedade, e sim, deve estar fortalecido para 
atuar com o objetivo de transformar a sociedade em que está inserido, fazendo 
com que o ser humano se sinta parte do processo de transformação.
72
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
SANTOS, Boaventura de Souza. Pela mão de Alice: o social 
e o político na pós-modernidade. 2. ed. São Paulo: Cortez, 
1996.
A Era dos Extremos é um testemunhosobre o século XX. O 
seu tempo de vida coincide com a maior parte da época em 
que o livro é escrito.
HOBSBAWM, Eric. A Era dos Extremos: o breve século XX. 
São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
DICAS
 Caro acadêmico, na sua vida profissional você precisará relacionar sempre a teoria 
com a prática. Para aprofundar seus conhecimentos, sugiro que você leia os seguintes livros.
Este livro avalia e analisa as dimensões sociais, políticas e culturais da crise das sociedades atuais. 
Trata-se de crise global, que assume formas diversas em diferentes países, em decorrência da 
posição que ocupam no sistema mundial.
TÓPICO 4 | OS DESAFIOS DO PROJETO ÉTICO-POLÍTICO DO SERVIÇO SOCIAL FRENTE AO PROJETO
DA MODERNIDADE, DA CRISE DO SISTEMA CAPITALISTA E DA IDEOLOGIA PÓS-MODERNISMO
73
LEITURA COMPLEMENTAR
A HEGEMONIA PÓS-MODERNA NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO: 
a reatualização do conservadorismo no Serviço Social
Marisa Albuquerque Cordeiro
Cristiane Porfírio
Jeriel Silva Santos
O PROJETO DA MODERNIDADE E O COMBATE CAPITALISTA À RAZÃO
O projeto da modernidade estava centrado no domínio da razão pelo homem 
e coincidiu com a promessa do sistema recentemente descoberto, o capitalista, 
em satisfazer as necessidades humanas – que mais tarde foi denunciado pelo 
próprio movimento a realidade e pela oposição proletária. Conforme sinalizada 
por Coutinho (2010), quando a burguesia, ameaçada pela oposição do proletariado 
se torna uma força conservadora, interessada na perpetuação da sua ordem, sua 
vertente ideo-política se expressa no conservadorismo, que passa a dinamizar uma 
reação cada vez mais incisiva sobre a razão e os princípios emancipatórios.
Essa reação trouxe como consequência o empobrecimento da razão pela sua 
intensiva subjugação à esfera da razão formal, ao estruturalismo e ao irracionalismo 
(COUTINHO, 2010). Observe-se que estas transformações estavam profundamente 
interligadas às condições históricas e sociopolíticas que começavam a explicitar as 
contradições do modo de produção burguês, em que o homem, cada vez mais, se 
vê sujeito ao mundo das mercadorias. Nesse sentido, a ordem burguesa necessitava 
de mecanismos ideológicos e sistemas teórico-filosóficos capazes de sustentar a 
sua ordem antagônica, é nesse contexto que o conservadorismo se articula como 
uma de suas expressões. 
[...] vemos precisamente um rompimento com a tradição progressista; 
não se trata de uma real continuidade, mas, antes, do fato de que as 
filosofias da decadência “tiram vantagem de onde podem” (Molière), 
ou seja, utilizam elementos filosóficos fetichizados num sentido oposto 
ao originário. (Ibid., p. 24).
Desse modo, surgem duas grandes matrizes teóricas da razão moderna, 
que causaram intenso impacto no século XX. Correspondendo, de um lado, à 
perspectiva revolucionária inaugurada com a teoria social de Karl Marx, e de outro, 
com o sistema positivista de August Comte. De acordo com Simionatto (2009), o 
positivismo comteano emerge como “um sustentáculo da ordem burguesa”, uma 
vez que expostos seus antagonismos de classe.
A EMERGÊNCIA DO PENSAMENTO PÓS-MODERNO 
Aqueles, anteriormente citados, formam os principais matizes do 
pensamento moderno durante o século XX. No entanto, a crise do capitalismo 
74
UNIDADE 1 | A EXPANSÃO E CRISE DO CAPITALISMO NA CONFIGURAÇÃO DA PÓS-MODERNIDADE
contemporâneo e seu processo de reestruturação produtiva deflagrada a partir 
dos fins de 1960 provocaram intensas mudanças nas mais diversas esferas da 
vida social. Na esfera política, é perdida a ideia de Estado-nação em lugar dos 
interesses transnacionais. Com a mundialização do capital, são realizadas reformas 
econômicas de cunho neoliberal, centradas na privatização e na supremacia do 
mercado que, esvaziando e inferindo nas possibilidades de construção de outras 
formas de sociabilidade, enfocam projetos de grupo específicos no lugar dos 
interesses universais e de classe.
No lugar das representações políticas como os partidos e sindicatos, 
evidencia-se a micropolítica, representada na fragmentação dos sujeitos políticos 
que cada vez mais se distanciam de um projeto coletivo. Nas perspectivas 
ideoteórica e cultural, as principais mudanças se dão em torno do discurso sobre 
o fracasso do projeto da modernidade, nas possibilidades do conhecimento em 
apreender a realidade, por consequência da sua ‘fragmentação’ e ‘multiplicidade’; 
e na ascensão da sociedade do “descarte” (SIMIONATTO, 2009), com a crescente 
desvalorização dos valores, relacionamentos e do modo de ser e agir, com a 
exaltação do efêmero e do passageiro.
As novas formas de organização social e expressões culturais 
movimentam-se e expressam-se, ainda, nos espaços locais e 
cosmopolitas, nacionais e internacionais, públicos e privados. Afirmam-
se a autonomia e as identidades locais, com o retorno da valorização 
de instituições como família e comunidade, permeadas por uma 
ideia abstrata de solidariedade. A separação entre indivíduo/classe 
e sua relação com grupos coletivos e a primazia do privado sobre o 
público contribuem, de forma incisiva, para o aumento da alienação, o 
esvaziamento das ações histórico-sociais, a neutralização e a banalização 
do agir político (SIMIONATTO, 2009, p.11).
Emerge, no âmbito do conhecimento, uma dita crise dos paradigmas 
(TONET, 2004), configurada pelo discurso da perplexidade do estudo da realidade, 
visto que esta se desdobrou numa estrutura complexa e ‘hiper-real’ (SANTOS, 
1996), na qual se perde do panorama o debate das classes sociais e instaura-se o fim 
das ideologias e das utopias – aproveitando-se da “queda” do dito socialismo real.
Centralizando a problemática na relação entre objetividade e subjetividade, 
na qual os sistemas macroteóricos de análise estariam superados, dentre os 
pressupostos desta crise, o principal alvo é a tradição marxista, em que está 
sustentada a defesa epistemológica de sua insuficiência diante da compreensão 
da realidade, por sua equivocada caracterização com um modelo economicista 
e determinístico, incapaz de apreender as questões de subjetividade. À razão 
dialética cabe, cada vez mais, um processo de total empobrecimento, cedendo 
lugar ao relativismo e, muitas vezes, ao irracionalismo (SIMIONATTO, 2009).
Eis aí o movimento que se convencionou denominar pós-moderno. É nele 
que gravitam as expressões neoconservadoras, que inferem nas mais diversas 
dimensões e esfera da vida social.
TÓPICO 4 | OS DESAFIOS DO PROJETO ÉTICO-POLÍTICO DO SERVIÇO SOCIAL FRENTE AO PROJETO
DA MODERNIDADE, DA CRISE DO SISTEMA CAPITALISTA E DA IDEOLOGIA PÓS-MODERNISMO
75
Para Jamesno (1985), isso significa dizer que a pós-modernidade está bem 
mais articulada à lógica do capitalismo avançado do que à substituição a uma 
suposta falência do projeto da Ilustração – que mantém seus ideais como uma 
ameaça à ordem burguesa. O que temos aqui, de acordo com Santos (2007), é o 
chão histórico de um cenário de crise do capitalismo contemporâneo, é um aspecto 
determinado do projeto moderno, em que se insere a modernidade burguesa, com 
sua tendência totalizante em abarcar as esferas da vida com saídas para suas crises 
de acumulação.
Nesse sentido, novas estratégias são reeditadas em nome da sua perpetuação 
como ordem vigente, e o que se vê, ao contrário do que é disseminado pelo 
pensamento neoconservador – que, sob as ameaças revolucionárias, convencionou 
articular-se à burguesia, não é o atestado de morte do projeto da modernidade, 
mas uma intensa ofensiva aos ideais universais em detrimento de uma cultura da 
crise, isto é, uma tendência para situar à era “pós-moderna” (HARVAEY,1996) a 
efemeridade – isto é, a intensa negação histórica do passado, com ênfase ao aqui e 
o agora, que se vive num “presente perpétuo” (JAMESON, 1985); a fragmentação 
, a incerteza, a insegurança e a instabilidade como componentes principais. Desse 
modo, esse discurso, travestido pelo pensamento pós-moderno, será alicerce 
ideocultural da sociedade burguesa contemporânea. (SANTOS, 2007).Portanto, compreendemos que a emergência do pós-modernismo não 
denota o perecimento da modernidade. É necessário que essa possibilidade 
seja problematizada a fim de esclarecer ao leitor as conexões internas e os 
antagonismos que permeiam o movimento desse pensamento. Fazemos uma 
alusão a Marx, quando este, no diálogo com Hegel, diz que a história do mundo 
ocorre duas vezes, a primeira como tragédia e a segunda como farsa (MARX, 1984), 
para deduzirmos que o movimento pós-moderno reafirma a lógica cultural do 
capitalismo contemporâneo, na tentativa de maquiar seus produtos contraditórios 
e advogar sua manutenção. No entanto, o seu debate é hoje uma realidade e seus 
rebatimentos, como representação da hegemonia ideocultural capitalista, na vida 
social, são inegáveis.
FONTE: Disponível em: <.ratio.edu.br/dados/trabalhosociedade/primeirarevista/08%20
A%20HEGEMONIA%20P%C3%93S-MODERNA%20NO%20CAPITALISMO%20
CONTEMPOR%C3%82NEO%20a%20reatualiza3%7%C3%A3o%20do%20conservadorismo%2-
0no%20Servi%C3%A7o%20Social.pdf.>. Acesso em: 8 dez. 2014.
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RESUMO DO TÓPICO 4
 Neste tópico você viu que:
• O pensamento moderno teve seu início através do desenvolvimento das ciências, 
no século XVI, mas seu auge foi no século XVIII.
• A modernidade surge por meio da razão dialética e segue um caminho para a 
razão instrumental.
• As decorrências geradas pela expansão do capitalismo ocasionaram crises 
intensas em toda a sociedade, afetando o desenvolvimento da humanidade em 
sua totalidade.
• A modernidade está fundamentada em contradições, pois a riqueza que é 
produzida socialmente pela divisão social do trabalho fica centralizada no poder 
das minorias.
• A modernidade é um dos movimentos mais violentos da história, pois traz 
resultados contraditórios que jamais foram vistos pela humanidade.
• Na década de 70 houve um agravamento da situação de instabilidade econômica 
devido à Crise do Petróleo de 1973.
• Mediante a crise econômica mundial que se instalou nos anos de 70, os modelos 
keynesiano-fordista passaram a ser questionados.
• O monopólio do capital, com o modelo de acumulação flexível, não foi abolido, 
sendo modificado.
• A atuação do profissional de Serviço Social está inteiramente ligada aos limites 
do sistema capitalista e sua expansão.
• A intervenção profissional, entre as décadas de 70 e 80, foi fortemente repensada, 
através do então chamado Movimento de Reconceituação.
• No século XX, através do desenvolvimento das ciências sociais e humanas, 
houve uma significativa apropriação desses novos referenciais da profissão, 
através de novos conhecimentos e novas teorias.
• O Serviço Social na atualidade é o resultado de todo um processo histórico da 
profissão.
• O Serviço Social não pode atuar isolado para combater os interesses do capital, 
precisa de uma articulação com as demais áreas das ciências humanas.
77
• O Serviço Social sofre influências com a mudança da ordem societária, do 
espaço/território e da objetivação das questões sociais.
• A atuação profissional deve sempre estar voltada ao processo de concepção de 
uma consciência fundamentada na emancipação da classe trabalhadora.
• A aproximação do Serviço Social com a teoria social de Marx oferece subsídios 
para uma emancipação do ser humano.
• Os assistentes sociais têm o compromisso e o comprometimento com a 
transformação da ordem mundial.
78
AUTOATIVIDADE
1 Relate como a modernidade e pós-modernidade influenciaram nas dimensões 
sociais, culturais, econômicas e políticas da sociedade.
2 Diferencie o modelo fordista do modelo toyotista de produção.
79
UNIDADE 2
O SERVIÇO SOCIAL E AS 
TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO 
CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade você será capaz de:
• compreender os aspectos da divisão sociotécnica da profissão de Serviço 
Social no sistema capitalista;
• entender o Serviço Social como trabalho assalariado;
• analisar a trajetória do Serviço Social nos espaços de atuação nas esferas 
públicas;
• identificar as áreas de intervenção, atribuições da profissão nas empresas 
privadas e particulares;
• compreender o projeto ético-político profissional.
A Unidade 2 está dividida em quatro tópicos e ao final de cada um deles você 
encontrará atividades visando à compreensão dos conteúdos apresentados.
TÓPICO 1 – A DIVISÃO SOCIOTÉCNICA DA PROFISSÃO DE SERVIÇO 
 SOCIAL NA SOCIEDADE CAPITALISTA
TÓPICO 2 – OS ESPAÇOS SÓCIO-OCUPACIONAIS DE INTERVENÇÃO 
 PROFISSIONAL DE SERVIÇO SOCIAL NA ESFERA ESTATAL 
 E INSTÂNCIAS PÚBLICAS DE CONTROLE DEMOCRÁTICO
TÓPICO 3 – O EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL NAS 
 EMPRESAS PRIVADAS
TÓPICO 4 – A ATUAÇÃO DOS ASSISTENTES SOCIAIS NAS 
 ORGANIZAÇÕES DA CLASSE TRABALHADORA
80
81
TÓPICO 1
A DIVISÃO SOCIOTÉCNICA DA PROFISSÃO DE 
SERVIÇO SOCIAL NA SOCIEDADE CAPITALISTA
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Através deste tópico, da segunda unidade, o(a) acadêmico(a) conhecerá 
melhor a trajetória do fazer profissional do assistente social. Nesse contexto, será 
fundamental analisarmos e entendermos como o sistema capitalista influenciou o 
surgimento do Serviço Social, e também como determina a divisão social e técnica 
da profissão nos seus instrumentos de trabalho, enfatizando a forma de intervir no 
seu fazer e agir profissional contemporâneo.
Segundo Raichelis (2011, p. 420),
O Serviço Social como profissão emerge na sociedade capitalista em seu 
estágio monopolista, contexto em que a questão social, pelo seu caráter 
de classe, demanda do Estado mecanismos de intervenção não apenas 
econômicos, mas também políticos e sociais. 
Nesse sentido, estudaremos as dimensões da instrumentalidade da atuação 
do assistente social com uma visão teórica e dialética contemporânea, identificando 
os fundamentos teóricos das práxis profissionais na atualidade com instrumentos 
e técnicas utilizadas pelo Serviço Social.
Em seguida, conheceremos os principais instrumentos e técnicas utilizados 
pelo assistente social no cotidiano de sua prática profissional, identificando seus 
conceitos e procedimentos inerentes, compondo, assim, o que nós chamamos de 
competência técnica do profissional de Serviço Social e que leva o assistente social 
a saber intervir nos problemas sociais trazidos pelas demandas postas à profissão 
na atualidade.
UNIDADE 2 | O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
82
2 O SIGNIFICADO SÓCIO-HISTÓRICO DO SERVIÇO 
SOCIAL COMO PROFISSÃO NA SOCIEDADE 
CONTEMPORÂNEA
FIGURA 23 – DIVISÃO SOCIOTÉCNICA
FONTE: Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_
arttext&pid =S0101-66282010000100008>. Acesso em: 9 dez. 2014.
Ao realizar uma análise do Serviço Social no método de reprodução das 
relações sociais, devemos iniciar do ponto de partida da maneira como o assistente 
social se constitui na profissão, mostrando como acontece a sua inclusão na 
sociedade. Essa análise acontecerá a partir dos serviços, demandas e pertinências 
que estão situados internamente em si próprios mediante os desafios da profissão. 
O Serviço Social não pode ser analisado em suas próprias dimensões, 
precisa ultrapassar os contextos sociais de suas relações na sociedade que 
defende o sistema capitalista, em especial nas respostas que a sociedade e o 
Estado estabelecem mediante as questões sociais impostas para as diferentes 
classes antagônicas ao modelo capitalista e as suas revelações nas mais diversas 
dimensões, que compõem a sociabilidade das pessoas e que se fazem presentes na 
atuação profissional cotidianamente.
TÓPICO 1 | A DIVISÃO SOCIOTÉCNICA DA PROFISSÃO DE SERVIÇO SOCIAL NA SOCIEDADE CAPITALISTA
83
Para uma melhor concepção do Serviço Social como profissão inserida na 
sociedade capitalista, se faz necessário entender o significado de reprodução social, 
na teoria social de Marx, que se define como determinadas relações sociais nomodelo de produção do capital. Nesse contexto, a reprodução das relações sociais 
é percebida como sendo a reprodução da vida social em toda a sua totalidade, e que 
envolve não apenas a produção e reprodução de bens materiais na sociedade, mas 
também a reprodução social, cultural, religiosa e política que definem a consciência 
social, que resulta na forma em que o ser humano se situa na coletividade social.
Iamamoto e Carvalho (2011, p. 65) ressalvam que a reprodução das relações 
sociais, “com a reprodução do capital, permeia as várias ‘dimensões’ e expressões 
da vida em sociedade”. 
Toda essa ação de reprodução total das relações sociais na sociedade é muito 
complexa, pois se torna um mecanismo capaz de gerar mudanças, da diversidade, 
da criação do novo, e de uma totalidade em constante movimento de reelaboração, 
criando condições de superar os conflitos gerados da relação entre classes sociais.
Compreender o conceito acima de reprodução social é fundamental para 
entender de que forma a profissão de Serviço Social se coloca como instituição 
permeada nas dimensões da sociedade. Iamamoto e Carvalho (2011) analisam o 
Serviço Social através de duas perspectivas que se complementam:
• Como realidade vivida e representada na e pela consciência de seus agentes 
profissionais e que se expressa pelo discurso teórico e ideológico sobre o 
exercício profissional.
• Como atividade socialmente determinada pelas circunstâncias sociais objetivas 
que imprimem certa direção social ao exercício profissional, que independem de 
sua vontade e/ou da consciência de seus agentes individuais. 
Estas duas perspectivas, apesar de serem interdependentes, formam 
integração contraditória na atuação profissional, podendo gerar uma desarticulação 
entre as finalidades das práxis do assistente social.
Quando falamos que o Serviço Social tem um espaço na divisão sociotécnica 
do trabalho, é importante rever qual foi a divisão que correspondeu a uma influência 
IMPORTANT
E
Segundo Yazbeck (2009, p. 127), “Questão social é a expressão das desigualdades 
sociais constitutivas do capitalismo. Suas diversas manifestações são indissociáveis das 
relações entre as classes sociais que estruturam esse sistema, e nesse sentido a Questão Social 
se expressa também na disputa política”. 
UNIDADE 2 | O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
84
das precisões do modelo de produção capitalista. A profissão de Serviço Social, 
entre outras, surgiu no período de uma das crises capitalistas, especificamente no 
século XIX, como já vimos na Unidade 1 deste Caderno de Estudos.
 FIGURA 24 – SURGIMENTO DO SERVIÇO SOCIAL
FONTE: A autora
Na divisão sociotécnica do trabalho, o Serviço Social foi regulamentado 
como profissão pela Lei nº 8.662, de 7 de junho de 1993, tendo alterações impostas 
pelas resoluções do Conselho Federal de Serviço Social – CFESS nº 290/94 e de nº 
293/94, e delimitada pelo Código de Ética, aprovado pela resolução do CFESS n º 
273/93, de 13 de março de 1993.
A profissão de Serviço Social é reconhecida desde a sua origem, mas 
é necessário analisar a sua natureza e as formas que decorrem de sua origem e 
construção. Alguns autores, como Iamamoto e Carvalho (2009), analisam que o 
fundamento da profissão é a sua expectativa sócio-histórica. Os mesmos autores 
garantem que a ascendência do Serviço Social no Brasil, nos anos 1930, está 
interligada à classe burguesa emergente, como uma tática da burguesia para 
disciplinar e diminuir os problemas sociais, gerados pela expansão do sistema 
capitalista.
A origem do Serviço Social como profissão é histórica, e a sua introdução na 
divisão sociotécnica do trabalho está interligada e articulada com as configurações 
assumidas pelas lutas das classes sociais subalternas, como o grupo do poder, no 
enfrentamento das questões sociais, emergente do próprio sistema.
Para Iamamoto (1997, p. 87), “ainda do caráter das políticas do Estado, 
que articuladas ao contexto internacional, vão atribuindo especificidades à 
configuração do Serviço Social na divisão social do trabalho”. 
Perante esse aspecto, o Serviço Social materializa-se como profissão diante 
da divisão do trabalho, sendo fundamental analisar, entender e reconhecer a sua 
vinculação e influência da Igreja Católica e nas contrariedades que são visíveis na 
TÓPICO 1 | A DIVISÃO SOCIOTÉCNICA DA PROFISSÃO DE SERVIÇO SOCIAL NA SOCIEDADE CAPITALISTA
85
conjuntura social atual, pois “supõe inseri-la no conjunto das condições e relações 
sociais que lhe atribuem um sentido histórico e nas quais se torna possível e 
necessária”. (IAMAMOTO,1997, p. 88).
 
Com a propagação do capital no Brasil, através do desenvolvimento 
do capitalismo, houve o crescimento da economia, através do novo modelo de 
produção, mas as contradições geradas por esse período trazem consequências 
na fragilização da organização do trabalho, na concorrência dos trabalhadores 
na busca de um espaço no mercado de trabalho, fazendo com que a qualificação 
profissional fosse cada vez mais essencial. 
 
É neste contexto, em que se afirma a hegemonia do capital industrial e 
financeiro, que emerge sob novas formas a chamada ‘questão social’, a 
qual se torna base de justificação desse tipo de profissional especializado 
[...] É a manifestação, no cotidiano da vida social, da contradição 
entre o proletariado e a burguesia, a qual passa a exigir outros tipos 
de intervenção, mais além da caridade e repressão (IAMAMOTO; 
CARVALHO, 2011, p. 77).
A ampliação do sistema capitalista beneficia a aliança do grupo 
predominante, ou como é chamada, de classe dominante, com o Estado, é o que 
gera o fortalecimento do primeiro grupo, consequentemente enfraquece as lutas, 
reivindicações e organizações de base dos trabalhadores. 
Desde sempre, o Serviço Social é rotulado com a marca da solidariedade, 
do apoio, da ajuda, da benevolência de ações que estão envolvidas com as questões 
sociais, e do controle social e da erradicação da pobreza, com ênfase para as que 
estão à vista da burguesia. 
Analisando o contexto acima, pode-se constatar que o Serviço Social 
assume uma parte das tarefas que objetivam a reforma social, ou seja, concretizar 
atuações no campo psicossocial. Os perímetros instituídos nessa tarefa derivam 
dos que sustentam o sistema capitalista como também a ordem social em vigência.
IMPORTANT
E
O Serviço Social contribuiu substantivamente para fortalecer o domínio e a 
repressão praticados pela classe dominante e pela burguesia, perante o desenvolvimento veloz 
da miserabilidade e da pobreza, pois foi uma profissão que nasceu para controlar a demanda 
gerada pelo capitalismo, nasceu do sistema capitalista.
UNIDADE 2 | O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
86
Esse domínio originou-se da intimidação à ordem social, atribuído pela 
burguesia à classe de trabalhadores do modelo de produção. Nesse contexto a 
classe dominante determina e produz algumas categorias profissionais, e o controle 
nas configurações da atuação e construção do exercício profissional, como, por 
exemplo, a atuação de uma assistente social em uma empresa privada, onde o 
trabalhador precisa atuar conforme os interesses do seu patrão, porém deve seguir 
o princípios éticos e políticos da profissão.
No Serviço Social a identificação desse controle acontece no decorrer 
da história da profissão, quando adota e assume o projeto ideológico da classe 
burguesa, facilitando a sustentação da sociedade capitalista.
Nessa época os profissionais que participavam dessa concepção do Serviço 
Social estavam inseridos na busca de uma teoria que oferecesse a manutenção do 
fazer e agir profissional, diante do desafio de dar respostas às demandas sociais, 
proporcionando também mecanismos para que a profissão continuasse atuando 
no contexto nacional.
Como já foi estudado, desde o início do Serviço Social como profissão, o 
trabalho realizado pelos assistentes sociais foi focado principalmentenas pessoas 
que vivem em situação de pobreza e/ou de vulnerabilidade social. Essas pessoas 
excluídas do sistema de produção de bens e serviços vão à busca do assistente social, 
como sendo o profissional que poderá auxiliar através do amparo e orientação, a 
fim de desfrutar dos seus direitos sociais, oferecidos pelo Estado. 
Sendo assim, o profissional começa a atuar em caminhos duplos, além de 
compreender as expressões geradas pela questão social que são os elementos de 
sua prática profissional, prevalecem, inicialmente, atuações apontadas para as 
demandas de seus usuários, que estão inseridos no meio social em que vivem.
 
A partir do momento em que o assistente social começa sua atuação nessa 
outra perspectiva, a profissão começa a trilhar novos caminhos, através de ações 
que definem a mudança de conduta das pessoas e sua inclusão na sociedade, por 
meio da ordem e justiça social, como também no controle da pobreza, mesmo 
através da solidariedade dos indivíduos. Segundo Torres (2009),
O objeto de intervenção assume alguns relevos, porém, sem perder 
seu cariz: a articulação harmoniosa entre o Estado e a sociedade para a 
garantia do desenvolvimento econômico e do bem comum. Identifica‐
se aqui uma forte influência dos princípios da Igreja defendidos nas 
encíclicas papais, que determinam uma ação mais direta da Igreja na 
vida em sociedade.
A origem histórica dos mecanismos de intervenção, em que o Serviço Social 
está determinado - sócios, econômicos, culturais e políticos - está fundamentada 
no conjunto evolutivo de um sistema capitalista, na sua fase monopolista, 
implementado na sociedade.
TÓPICO 1 | A DIVISÃO SOCIOTÉCNICA DA PROFISSÃO DE SERVIÇO SOCIAL NA SOCIEDADE CAPITALISTA
87
O papel do Estado foi redefinido com a crise do capitalismo, houve uma 
mudança nos seus princípios e nas suas estratégias no que se refere ao ciclo de 
acumulação capitalista. O Estado assumiu um caráter burguês intervencionista no 
que diz respeito às políticas econômicas e públicas, emergindo a questão de classe 
social, e, consequentemente, as profissões que surgiram nesse período detiveram o 
olhar para os mais excluídos, como foi o caso do Serviço Social.
Para Guerra (1995, p. 153), “[...] o processo de institucionalização da 
profissão é uma decorrência necessária dos interesses e demandas das classes 
sociais, que se antagonizaram no processo produtivo capitalista”. 
Essa fase se torna fundamental para compreender como o Serviço Social 
se institui na divisão sociotécnica no mundo do trabalho, sendo nessa rede de 
deliberações e intervenções que a profissão explica sua atuação na sociedade.
As transformações que ocorreram no mundo do trabalho tiveram reflexos 
no Serviço Social, fazendo com que participe da divisão técnica do trabalho, 
colaborando para produção e reprodução das relações sociais implantadas na 
sociedade. Cabe ressaltar que não se sintetiza apenas na questão da reprodução da 
força de trabalho, e sim em uma diversidade de ações realizadas e desenvolvidas 
pelo ser humano no que diz respeito ao processo de reprodução do trabalho e das 
forças produtivas com ênfase na reprodução ideológica.
 
Quando falamos da divisão técnica do trabalho para o Serviço Social, torna-
se importante estudar que essa foi resultado de uma influência das necessidades 
da produção do sistema capitalista.
 
Conforme Martinelli (2009, p. 66):
A origem do Serviço Social como profissão tem, pois, a marca profunda 
do capitalismo e do conjunto de variações que a ele estão subjacentes – 
alienação, contradição, antagonismos –, pois foi neste vasto caudal que 
ele foi engendrado e desenvolvido.
 
Com a necessidade de atender as questões sociais geradas pelo sistema 
capitalista, é que o surgimento do Serviço Social como profissão no mundo todo 
ganha significado histórico, pois se alude ao enfrentamento dos diversos interesses 
de todas as classes sociais.
A inserção do Serviço Social, no capitalismo monopolista, busca atender as 
exigências conflitantes da classe trabalhadora, ou seja, atender as necessidades de 
acúmulo e também as de demandas geradas por tal sistema.
Iamamoto (1997, p. 88) defende: 
O Serviço Social afirma-se como um tipo de especialização do trabalho 
coletivo, ao se constituir em expressão de necessidades sociais derivadas 
da prática histórica das classes sociais no ato de produzir e reproduzir 
seus meios de vida e de trabalho de forma socialmente determinada.
UNIDADE 2 | O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
88
Conforme Iamamoto (1997), a inserção contraditória do Serviço Social 
como profissão no capitalismo é decorrente da própria natureza da reprodução 
social, que se manifesta pela articulação conflituosa que existe nas instituições 
sociais pelo enfrentamento das concepções sociais opostas.
A instituição do Serviço Social, como profissão, na sociedade capitalista, 
tem como centro de atuação responder à reprodução das relações sociais 
contrárias. De tal modo, a profissão é influenciada pelos interesses diferentes dos 
segmentos existentes na sociedade, que se resume no poder do Estado, onde a 
classe dominadora está inserida, e da classe dos trabalhadores, onde a reprodução 
social acontece.
A conflitividade da questão social, alocada na ordem burguesa, faz com 
que novas formas de intervenção social comecem a avançar. O Serviço Social é uma 
das profissões que se assenta na divisão sociotécnica do trabalho para diminuir os 
reflexos e resultados de uma distribuição de riquezas desigual.
O enfrentamento dos diversos interesses das classes sociais adversas, 
sobre as questões sociais, que são o cerne do sistema capitalista em todo momento 
histórico e geográfico, foi o que deu sentido à origem da profissão mundialmente, 
e que veio para “ajudar” a atender as demandas da classe dos trabalhadores.
As novas configurações técnicas de intervenção social avançaram para 
trazer formas de estabelecer e construir uma sociedade igualitária e pacífica, 
tentando solucionar os conflitos gerados entre a classe burguesa com a questão 
social.
UNI
Como decorrência dessa compreensão da profissão, é possível afirmar o 
caráter essencialmente político da prática profissional, uma vez que ela se explica no 
âmbito das próprias relações de poder na sociedade. Caráter que, como vimos, não decorre 
exclusivamente das intenções do profissional, pois sua intervenção sofre condicionamentos 
objetivos dos contextos onde atua. No entanto, isso não significa que o assistente social se 
coloque passivamente diante das situações sociais e políticas que configuram o cotidiano 
de sua prática, mas porque participa da reprodução da própria vida social é que o Serviço 
Social pode definir estratégias profissionais e políticas no sentido de reforçar os interesses da 
população com a qual trabalha. Por isso a possibilidade da profissão colocar-se na perspectiva 
dos interesses de seus usuários depende da construção de um projeto profissional coletivo que 
oriente as ações dos profissionais em seus diversos campos de trabalho. 
FONTE: Yazbeck (2009, p. 129)
TÓPICO 1 | A DIVISÃO SOCIOTÉCNICA DA PROFISSÃO DE SERVIÇO SOCIAL NA SOCIEDADE CAPITALISTA
89
Guerra (1995, p. 155) se manifesta afirmando que [...] “as práticas 
especializadas podem ser entendidas como tecnologias, já que contribuem na 
subsunção real do trabalhador ao capital”. 
Existe uma contrariedade que se encobre na sociedade burguesa nas políticas 
públicas e que geram impasses na atuação dos profissionais que estão inseridos 
nesse contexto. Se analisarmos o Serviço Social, esses impasses são visíveis, pois 
a atuação da profissão está quase que exclusivamente na prestação de serviços 
públicos ou por ele financiado. Na prática diária, o profissional, em alguns campos 
de trabalho, é o mediador no repasse de recursos para o complemento da renda 
familiar dos trabalhadores, que devido a baixos salários necessitam buscar auxílio 
para sobreviver nas políticas públicas. O profissionalprecisa agir na garantia dos 
direitos sociais, que são lutas históricas dos movimentos sociais e do trabalhador, 
atuar também na constituição de uma consonância social necessária para conservar 
e controlar as forças contrárias ao sistema.
 FIGURA 25 – FORÇAS CONTRÁRIAS AO SISTEMA
FONTE: Disponível em: <http://www.baupirata.com/arquivos/omapa/
burguesia.jpg>. Acesso em: 10 dez. 2014.
IMPORTANT
E
O Serviço Social se insere na divisão sociotécnica do trabalho para atuar como 
instrumento a serviço da legitimação da sociedade, com mecanismos para minimizar as 
sequelas das desigualdades sociais, oriundas da forma inadequada de distribuição da riqueza, 
fundamentada na lógica capitalista.
UNIDADE 2 | O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
90
Perante esse cenário do Serviço Social na divisão sociotécnica do trabalho, 
é importante mencionar que o assistente social se configura como sendo um 
trabalhador assalariado, e que está inserido também em movimentos de classes, 
participando de toda a dinâmica da luta por melhores condições de vida. 
Esse aspecto, para Guerra, significa que:
[...] parte constitutiva da sua força de trabalho, o assistente social vende 
um conjunto de procedimentos (histórico e socialmente) reconhecido 
que tanto determina a existência da profissão quanto circunscreve a 
intervenção (GUERRA, 1995, p. 155).
Conforme Guerra (1995), os profissionais que atuam na esfera pública 
podem adotar uma posição que resultará na separação da categoria profissional 
dos demais trabalhadores que estão submetidos ao trabalho assalariado, e isso 
decorre das tensões e pressões da relação capital x trabalho.
 FIGURA 26 – CAPITAL X TRABALHO
FONTE: Disponível em: <http://1.bp.blogspot.com/-jENEwgIHees/UzI2QkcXZJI/AAAAAAAAEtE/
Fy-zYT-9Tw0/s1600/Trabalho+X+Capital.jpg>. Acesso em: 10 dez. 2014.
Com esta divisão social do trabalho, o Serviço Social adere a uma posição 
especializada variável, pois existem assistentes sociais que ocupam cargos 
hierárquicos muito superiores e elevados nas tomadas de decisões, mas também, 
em grande porcentual, encontram-se profissionais nos lugares de atuação direta de 
base ou de intervenção em instituições sociais. Porém, a intervenção profissional 
nas políticas públicas continua tendo a mesma importância na linha graduada de 
valores.
TÓPICO 1 | A DIVISÃO SOCIOTÉCNICA DA PROFISSÃO DE SERVIÇO SOCIAL NA SOCIEDADE CAPITALISTA
91
Na visão de uma escala de poder, existem muitos críticos que defendem o 
“poder piramidal”, onde a atuação direta pode ser representada por um nível de 
domínio mais ativo e efetivo, em todos os níveis hierárquicos e com influência na 
gestão orçamentária das políticas públicas voltadas às questões sociais. 
 O referido livro apresenta para os assistentes sociais uma síntese crítica 
dos problemas centrais da profissão, através de um foco teórico e 
singular e reconhecida a sua competência.
IAMAMOTO, Marilda V. Renovação e Conservadorismo no Serviço 
Social. 12. ed. São Paulo: Cortez, 2012.
Além da atuação em instituições públicas, a profissão se insere nas 
organizações socioassistenciais. O assistente social, nessas organizações, necessita 
desenvolver sua atuação prática, através das demandas da instituição e dos gestores 
que contratam o profissional, reconhecendo-o como um trabalhador assalariado. 
As profissões que estão inseridas no contexto de deliberações sociais 
necessárias às configurações do mundo do trabalho na sociedade capitalista, como 
no caso da prática profissional do assistente social, estão atreladas à condição de 
trabalhador com algumas determinações, que são: “[...] o trabalho assalariado, 
o controle de força de trabalho e a subordinação do conteúdo do trabalho aos 
objetivos e necessidades das entidades empregadoras”. (COSTA, 2000, p. 37).
O Serviço Social tem sua regulamentação como sendo uma profissão de 
caráter liberal, porém os assistentes sociais são contratados como profissionais 
assalariados, prestando serviços nas mais diversas áreas das políticas sociais e em 
outras que interferem diretamente na autonomia enquanto profissional.
Ao referenciar a autonomia profissional, significa que a partir do momento 
em que o mesmo admite as finalidades e os objetivos de uma instituição, seja ela 
pública, privada ou do terceiro setor, como sendo os da profissão, ocasiona para 
DICAS
Acadêmico(a), para você aprofundar seus conhecimentos, não deixe de ler este 
livro:
UNIDADE 2 | O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
92
muitos profissionais problemas em distinguir suas competências e pertinências 
por meio dos instrumentais teóricos e práticos utilizados pelo Serviço Social. 
Pois o assistente social é contratado como um trabalhador, e acredita que realiza 
suas tarefas e atribuições que foram apontadas pelo seu gestor, ocasionando um 
distanciamento na maioria das vezes da prática com a teoria, assim o profissional 
perde seu referencial de autonomia. 
Para que o assistente social consiga ter sua autonomia profissional, enquanto 
trabalhador e inserido no mercado de trabalho, é fundamental que o mesmo tenha 
certo “afastamento” ou um olhar analítico e consiga visualizar, compreender, 
examinar, avaliar e desenvolver ações para que seu trabalho se concretize.
 O “afastamento” que o profissional deverá ter é no sentido de um 
olhar diversificado para a realidade em que está atuando, e que deverá estar 
fundamentado na sua práxis, como, por exemplo, o levantamento de demandas 
que necessitam de uma intervenção técnica profissional, não deve ficar restrito 
somente nas demandas apresentadas e que estão sendo oferecidas pela instituição, 
e sim detectar novas demandas que poderão estar ocultas no cotidiano do 
atendimento institucional. O profissional deverá realizar um reconhecimento 
das relações de poder local municipal que não se restringe apenas na questão 
política, como prefeito e vereadores, e sim nas relações que estão difundidas na 
sociedade organizada, conhecer e se apropriar das condições práticas de trabalho 
e do projeto profissional, e fundamentalmente, conhecer a realidade social e as 
condições objetivas de vida dos usuários e da comunidade.
A construção do exercício profissional do Serviço Social, no Brasil e 
na América Latina, após o Movimento de Reconceituação, em nosso país foi 
marcada pela renovação de novas linhas de prática dos profissionais, mediante as 
perspectivas nas matrizes conservadoras e críticas. 
• Matriz conservadora – tem sua atuação fundamentada no pensamento positivista 
e no funcionalismo estrutural e tem como objetivo de domínio e legitimidade do 
poder influente e dominador, com referências na teoria da Igreja e na lógica do 
sistema capitalista. Nessa perspectiva, o profissional do Serviço Social tem sua 
atuação na transformação do comportamento e das mudanças do meio social. 
Diante dessa perspectiva, o Serviço Social desenvolve sua prática através das 
demandas já estabelecidas pela instituição onde o profissional foi contratado 
como trabalhador assalariado.
UNI
O assistente social não deverá moldar a instituição como um conjunto de ações 
solidificadas e que não possam sofrer alterações no seu contexto social.
TÓPICO 1 | A DIVISÃO SOCIOTÉCNICA DA PROFISSÃO DE SERVIÇO SOCIAL NA SOCIEDADE CAPITALISTA
93
• Matriz crítica - sua atuação está de acordo com a concepção do projeto societário 
das classes subordinadas e da fundamental articulação da prática profissional 
com o conhecimento e reconhecimento da realidade social. Através dessa 
perspectiva que se entende a atuação do assistente social, se constrói permeada 
nos diversos instrumentais que determinam a importância do método histórico 
e social que estão inseridos no exercício do fazer profissional. Outro aspecto 
dessa perspectiva é demonstrado na fundamentação teórico-metodológica, 
técnico-operativa e ético-política que resultará em um diagnóstico a partirda 
análise da conjuntura da realidade social e das condições de vida dos usuários.
 A autora Silva e Silva (2002, p. 223) afirma que os assistentes sociais 
que participam da matriz crítica encontram o seguinte desafio: “[...] a busca de 
mediações analíticas capazes de dar conta da complexidade dos fenômenos sociais 
com os quais nos deparamos no cotidiano de nossa prática profissional [...]”.
Através da aproximação do Serviço Social com a teoria social de Marx, 
ressalvam dois pontos a serem analisados pelos assistentes sociais: no primeiro 
vincula a profissão com o trabalho, e no segundo ponto a seriedade da questão 
analítica como membro da extensão interventiva do fazer profissional. Se ambos 
os pontos forem analisados, percebe-se que afirmam o debate da profissão nos 
espaços sócio-ocupacionais, através da atuação profissional que se desenvolve 
da seguinte maneira: “[...] resgatar a prática do Serviço Social enquanto trabalho 
significa recuperar no âmbito das particularidades profissionais, aquelas forças 
e relações e seus sujeitos de classes. É revisitar a história do Serviço Social [...]” 
(CARDOSO et al., 1997, p. 28).
Nos dias atuais e nos mais diversos campos de trabalho do Serviço Social, 
após a renovação da profissão, ainda encontram-se assistentes sociais atuando 
nas duas matrizes contraditórias, consequentemente isso gera desordens entre as 
mesmas. Como já estudado até o momento, é importante entender que a direção 
teórico-metodológica da profissão foi fundamentada na coletividade, e pode 
ser assimilada de maneiras diferentes por cada profissional, pela maneira que 
compreendem, entendem e assimilam a importância da adequação do Serviço 
Social mediante as questões sociais.
UNI
No exercício profissional, o assistente social necessita traçar uma direção teórico-
metodológica configurada em ações que favoreçam visibilidade, que sejam coerentes e 
integradas com a fundamentação teórica e prática do Serviço Social.
UNIDADE 2 | O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
94
 É por meio das expressões das questões sociais, geradas pelo sistema 
capitalista, que o assistente social consegue visualizar, identificar e analisar as 
disparidades societárias e a exclusão social dos usuários do Serviço Social e que se 
encontram na classe subalterna.
Para Yasbek (1999, p. 95), “[...] a subalternidade é aqui entendida como 
resultante direta das relações de poder na sociedade e se expressa em diferentes 
circunstâncias e condições da vida social, além da exploração do trabalho. (Ex.: a 
condição do idoso, de mulher, de negro etc.)”.
 FIGURA 27 – EXCLUSÃO SOCIAL
FONTE: Disponível em: <http://web.icicom.up.pt/otherside/2009/09/_este_e_
um_dos.html>. Acesso em: 18 dez. 2014.
O progresso mundial do pensamento neoliberal produziu mudanças 
estruturais no mercado de trabalho, isso fez com que a atuação do assistente social 
aumentasse; entretanto, houve redução dos investimentos nas políticas públicas 
sociais.
As demandas atuais da profissão de Serviço Social são consequência das 
mudanças que ocorrem nas configurações de gestão e enfraquecimento da força 
de trabalho e as formas atuadas de gestão e as novas maneiras implementadas na 
sociedade em decorrência da implementação do neoliberalismo no Brasil.
No final da década de 80 e início da década de 90, através do governo 
Fernando Collor, o neoliberalismo é instaurado no país, com o discurso de que 
para haver o desenvolvimento é necessário reduzir a linha de pobreza. Através 
desse discurso, o Estado se torna mínimo e o mercado financeiro é representado 
pelos países desenvolvidos e ricos, gerenciadores das direções sociais, políticas, 
TÓPICO 1 | A DIVISÃO SOCIOTÉCNICA DA PROFISSÃO DE SERVIÇO SOCIAL NA SOCIEDADE CAPITALISTA
95
econômicas e culturais mundiais. No governo de Fernando Henrique Cardoso o 
neoliberalismo, através de seu projeto, se solidifica na sociedade brasileira.
FIGURA 28 – ESTADO MÍNIMO 
 FONTE: Disponível em: <http://grabois.org.br/portal/cdm/revista.int.php?id_
sessao=50&id_publicacao=131&id_indice=601>. Acesso em: 13 dez. 2014. 
O sistema neoliberal, mediante esse ponto de vista, não é considerado uma 
ideologia, mas sim como um projeto que tem como objetivo a caracterização da 
sociedade, através da livre concorrência de mercado, a preponderância das leis 
mercantis que iguala as atividades e os meios econômicos.
O neoliberalismo, a partir do seu desenvolvimento e ataque, causa o 
desequilíbrio dos direitos sociais adquiridos até o momento, como, por exemplo, 
alto índice de desemprego, condições de trabalho precárias, perdas salariais 
adquiridas, privação da autonomia sindical, com isso ocorreu uma desestruturação 
na organização das categorias profissionais. 
Em uma simples análise de conjuntura a respeito da reestruturação do 
modelo de produção e das leis do capital, através do mercado, percebe-se que 
os trabalhadores são levados a contribuir com o sistema capitalista, mediante o 
acúmulo do capital, de forma participativa e que resulte na lucratividade. Sendo 
assim, cria-se uma relação entre patrão e empregado, onde o trabalhador deverá 
realizar da melhor forma possível seu trabalho, com toda a sua capacidade, para 
gerar o bem da empresa e o seu próprio bem. 
UNI
O Neoliberalismo resulta sobre o trabalhador uma exploração da força de trabalho, 
e um aumento da lucratividade.
UNIDADE 2 | O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
96
Diante das transformações provenientes da minimização do Estado e 
de uma nova configuração através da reestruturação do modelo de produção, 
os profissionais das mais diversas áreas tiveram que redimensionar a atuação 
profissional para continuar a permanecer no mercado de trabalho. Essa configuração 
refletiu no Serviço Social, pois se expandem 
os novos espaços ocupacionais do assistente social, derivados das 
demandas postas pelo processo de reestruturação produtiva, no 
âmbito das organizações públicas e privadas, mais exatamente dentro 
do conjunto de práticas que objetivam a implantação de processos de 
qualidade voltados à maior rentabilidade no mercado profissional. 
(ANDRADE, 2000, p.175).
O sistema capitalista tem como marco a cultura de qualidade total, sendo 
essa uma das novas pertinências ao Serviço Social. Para os assistentes sociais, é 
impositivo criar maneiras para um consenso em volta dessa nova cultura, através 
de um desempenho produtivo do trabalho com os objetivos de gerar, garantir e 
inovar a qualidade dos bens e serviços. Andrade (2000, p. 185) afirma que:
Como se percebe, os processos que vêm sendo desenvolvidos pelas 
organizações, apesar da aparência de modernidade, reeditam o que 
o Serviço Social vem fazendo há muitos anos. Ou seja, a natureza 
do trabalho não mudou, pois continua voltada para o processo de 
reprodução da força de trabalho, mas com outra roupagem e através de 
novas estratégias que reforçam o discurso da coesão social. 
As novas configurações e estratégias que foram induzidas no mercado 
de trabalho, para legitimar as empresas no sistema capitalista, resultaram no 
crescimento do campo de atuação profissional. O Serviço Social é uma das 
profissões que devido às demandas sociais se expandiu. Nesse sentido, Iamamoto 
(2009, p. 131) confirma: 
Os novos requisitos de qualificação, que extrapolam o campo empresarial, 
envolvem capacitação para atuar em equipes interdisciplinares, para 
atuar em programas de qualidade total e para elaboração e realização 
de pesquisas; reciclagem do instrumental técnico; capacitação em 
planejamento (planos, programas e projetos), aprofundamento de 
estudos sobre áreas específicas de atuação e temas do quotidiano 
profissional, entre outros. Tais elementos são indispensáveis para que 
o assistente social possa responder às novas e antigas atribuições que 
abrangem funções de coordenação e gerenciamento, planejamento, 
socialização de informações referentes a direitos sociais,mobilizações 
da comunidade para implementação de projetos, além de orientações, 
encaminhamentos e providências. 
Diante da política neoliberal, algumas frentes das políticas públicas 
sofreram perdas, porém em outras, devido ao progresso das conquistas no campo 
dos direitos sociais, houve significativo avanço, primeiramente com a Constituição 
Federal de 1988.
TÓPICO 1 | A DIVISÃO SOCIOTÉCNICA DA PROFISSÃO DE SERVIÇO SOCIAL NA SOCIEDADE CAPITALISTA
97
O Serviço Social, na década de 90, teve sua atuação profissional e como 
categoria de trabalho fortalecida e envolvida no processo de elaboração, discussão 
e aprovação de algumas legislações de suma importância para a área da assistência 
social e no campo exclusivo da profissão: a Lei Orgânica da Assistência Social 
(LOAS), o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Código de Ética e a Lei de 
Regulamentação da Profissão.
Se analisarmos as políticas públicas na área de assistência social, neste 
contexto neoliberal, com a aprovação da Lei Orgânica da Assistência Social – 
nº 8.742 (LOAS), de 7 de dezembro de 1993, que dispõe sobre a organização da 
Assistência Social e dá outras providências, conforme artigo 1º da mesma: 
Art. 1º A assistência social, direito do cidadão e dever do Estado, é 
Política de Seguridade Social não contributiva, que provê os mínimos 
sociais, realizada através de um conjunto integrado de ações de iniciativa 
pública e da sociedade, para garantir o atendimento às necessidades 
básicas. (BRASIL, 1993).
A aprovação da LOAS, em 1993, foi um processo de muita luta da categoria 
profissional, como também a sua implementação no ano de 1995, porém se tornou 
um dos grandes momentos da profissão, pois, conforme a lei, é “direito do cidadão 
e dever do Estado”, conduzindo todas as lutas para implementação de uma 
política de assistência social que tivesse condição de concretizar o que garante a 
Constituição Federal.
Diante da importância do direito à Cidadania, o Estado foi obrigado a 
constituir uma política de assistência social, rompendo com as ações dispersas e 
descontinuadas que eram desenvolvidas até o momento, e também de filantropia 
que era concedida pela iniciativa privada. O Estado passou a ser considerado como 
protagonista das políticas de assistência social e não mais como subsidiário nas 
ações desenvolvidas pela sociedade civil.
Somente a partir de 1995 é que a LOAS começou a ser implementada, e a sua 
descentralização foi um processo longo; foi efetivada com a aprovação da Norma 
Operacional Básica do Sistema Único de Assistência Social – SUAS em 2005.
Com a implementação da LOAS, surgiu a necessidade de ampliar a 
contratação de assistentes sociais, para atuarem nas esferas municipais da Política de 
Assistência Social. A atuação profissional teve outros avanços nas políticas públicas 
através da participação nos conselhos municipais, através da representatividade 
como categoria profissional, representante de sua instituição de trabalho. 
Com a mudança do Governo Federal no início dos anos 2000, a Política 
de Assistência Social teve uma profundidade maior, através das alterações nas 
dimensões e configurações técnico-políticas. Os assistentes sociais também 
participaram efetivamente de toda a discussão em torno da elaboração e aprovação 
de outras legislações importantes para a área social, como: Estatuto do Idoso, Lei 
de acessibilidade de pessoas com deficiência, Lei Maria da Penha e outras.
UNIDADE 2 | O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
98
Como consequência dessas novas legislações sancionadas pelo Governo 
Federal, o Estado se tornou o responsável por elaborar, implantar e programar 
políticas sociais, através de serviços, programas, projetos, para que as mesmas 
fossem efetivadas. Essa responsabilidade abrange todas as esferas de Governo 
(Federal, Estadual e Municipal), que além operacionalizar os serviços, é obrigado a 
evidenciar a criação e implantação dos Conselhos Deliberativos, na elaboração de 
planos nacionais, estaduais e municipais de todas as políticas públicas, como, por 
exemplo: Plano Municipal de Assistência Social, Plano Municipal de Habitação, 
Plano Municipal de Educação, Plano Diretor Municipal, entre outros.
A profissão inserida no contexto societário tem uma posição privilegiada 
na implantação do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Diante do 
conhecimento específico da área, vem sendo o protagonista da efetivação do SUAS.
Diante da efetivação do SUAS, a Assistência Social vem se instituindo na 
prestação de serviços sociais governamentais, e que tem a função de atuar sobre 
recursos financeiros públicos, efetuando dessa forma uma redistribuição da 
chamada “mais-valia social”. 
O profissional, através de seu trabalho, se registra no teor da defesa e 
efetivação dos direitos sociais e da cidadania. O assistente social que estiver atuando 
na gestão da Política de Assistência Social poderá colaborar para a democratização 
das ações desenvolvidas.
A Política de Assistência Social tem sua centralidade no amparo e proteção 
social, tendo como foco a intervenção técnica da pobreza absoluta que tensiona 
as ações diárias do profissional, intervindo na matriz crítica da profissão. As 
demandas dos usuários, conquistas de seus direitos são afetadas pelas condições 
DICAS
Então, acadêmico, não deixe de conhecer essas leis, citadas acima, pois serão de 
fundamental importância na profissão.
IMPORTANT
E
A elaboração desses planos deve ter uma metodologia participativa, que envolva 
todos os setores da sociedade: público, privado e não governamental.
TÓPICO 1 | A DIVISÃO SOCIOTÉCNICA DA PROFISSÃO DE SERVIÇO SOCIAL NA SOCIEDADE CAPITALISTA
99
institucionais que, muitas vezes, determinam e delimitam a atuação profissional, 
através de olhares e ações tecnicistas, com o fortalecimento da matriz conservadora 
do Serviço Social. 
Como exemplo da descrição acima, pode-se analisar, em âmbito municipal, 
a atuação de profissionais que atuam diretamente com pessoas em situação de rua. 
Os gestores municipais, em muitas situações, impõem que o profissional retire 
da rua a pessoa, sem um amparo social e político para atender a demanda, ou 
até mesmo sem respeitar os direitos humanos das pessoas, resolvendo apenas a 
questão imediatista e tecnicista, sem respeitar o que está na Política Nacional de 
Assistência Social – PNAS.
Um dos maiores desafios da profissão, que está inserida na sociedade 
contemporânea, no que diz respeito às políticas públicas, em todas as áreas, é 
a democratização do trabalho do profissional do Serviço Social. Esse desafio só 
será possível a partir de um trabalho interdisciplinar e na construção de uma rede 
de serviços públicos com o envolvimento de entidades da sociedade civil, e dos 
usuários. 
A efetividade da universalização de direitos, da equidade dos espaços 
coletivos, da garantia dos direitos das políticas públicas sociais, acontecerá através 
de ações estratégicas que radicalizem a democracia e cidadania. 
DICAS
Caro(a) acadêmico(a), sugiro que você leia estes livros, para aprofundar 
melhor ainda seus conhecimentos.
IAMAMOTO, Marilda Villela e CARVALHO, Raul de. Relações Sociais 
e Serviço Social no Brasil: esboço de uma interpretação histórica-
metodológica. 33. ed. São Paulo: Cortez, 2011.
FALEIROS, Vicente de Paula. Saber Profissional e Poder Institucional. 10. ed. 
São Paulo: Cortez, 2011.
UNIDADE 2 | O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
100
LEITURA COMPLEMENTAR
SERVIÇO SOCIAL E O EXERCÍCIO PROFISSIONAL: desafios e perspectivas
contemporâneas
Maciela Rocha Souza
Desafios e perspectivas do exercício profissional na contemporaneidade 
Refletir o Serviço Social na contemporaneidade é, antes de tudo, perceber a 
realidade política, econômica, social e cultural da sociedade analisada. É reconhecer 
que ela é mutável e, portanto, histórica. Pois o Serviço Social intervém na realidade, 
nos processos de reprodução das relaçõessociais estabelecidas e determinadas 
historicamente. Assim, 
O Serviço Social não atua apenas sobre a realidade, mas atua na realidade [...] 
a conjuntura não é pano de fundo que emoldura o exercício profissional; ao 
contrário, são partes constitutivas da configuração do trabalho do Serviço 
Social, devendo ser apreendidas como tais. (IAMAMOTO, 2001, p. 55).
Nesse sentido, compreender a realidade em toda a sua complexidade é um 
desafio apresentado ao assistente social, que tem sido convocado a dar novas respostas 
no âmbito do exercício profissional, não mais apenas na execução, mas também 
na formulação e gestão das políticas públicas, assim como na formulação de novas 
elaborações teóricas, compreendendo que:
[...] o esforço está, portanto, em romper qualquer relação de exterioridade 
entre profissão e realidade, atribuindo-lhe a centralidade que deve ter no 
exercício profissional [...] e o reconhecimento das atividades de pesquisa e 
o espírito indagativo como condições essenciais ao exercício profissional. 
(IAMAMOTO, 2001, p. 55-56).
É nesse contexto que a mediação aparece como categoria fundamental para 
o trabalho do assistente social. Para Pontes (2000), a mediação é uma categoria 
objetiva e ontológica que está presente na realidade. Ela é estudada como uma das 
categorias centrais da dialética, pois pertence ao real, mas é também elaborada na 
razão. A mediação é permeada de dinamismo e articulação que se move no interior 
das contradições estruturais sócio-históricas.
Como o Serviço Social tem sua essência de atuação na intervenção da realidade, 
a categoria da mediação se torna fundamental para o “desvendamento dos fenômenos 
reais e a intervenção do assistente social” (PONTES, 2000, p. 43), através da tríade 
singularidade – particularidade – universalidade (PONTES, 2007), necessárias para 
apreensão de mediações nas determinações dos complexos sociais.
TÓPICO 1 | A DIVISÃO SOCIOTÉCNICA DA PROFISSÃO DE SERVIÇO SOCIAL NA SOCIEDADE CAPITALISTA
101
O desenvolvimento do modo de produção capitalista e o consequente 
aprofundamento da desigualdade social e das expressões da questão social se 
configuram como a atual realidade que precisa ser apreendida pelo Serviço Social. Nesse 
sentido, o assistente social, ao apreender a realidade, percebe novas possibilidades 
de demanda e atuação, podendo transformá-las segundo sua intencionalidade e 
instrumentalidade em novos espaços e perspectivas para o exercício profissional.
A instrumentalidade é analisada por Guerra (2011) enquanto condição 
de reconhecimento social da profissão, pois ela se dá no cotidiano do trabalho do 
assistente social por meio da capacidade de criação, adaptação e transformação das 
condições objetivas e subjetivas do fazer profissional.
A intencionalidade dos assistentes sociais, presente na instrumentalidade, é 
mediada pela lógica da instituição em que está inserido e na qual em muitos casos o 
profissional fica submetido. Mas, exatamente por tratar a instrumentalidade enquanto 
prática de mediação e como campo da cultura profissional é que se possibilita, 
contraditoriamente, ao assistente social, usar os conhecimentos disponíveis e construir 
um modo de fazer que lhe é próprio. Assim, produz elementos novos e reconstrói sua 
prática profissional composta de referenciais teóricos e metodológicos, ético-políticos 
e técnico-operativos que possibilitam a negação da prática puramente imediata e 
espontânea, reelaborando novas respostas socioprofissionais. (GUERRA, 2011).
Sendo assim, compreender as transformações da sociedade é também 
perceber que o Serviço Social precisa responder e antecipar essas novas demandas, 
e para isso os espaços de atuação do assistente social exigem um profissional cada 
vez mais qualificado e especializado, que analise criticamente a realidade social e 
que faça uso das mediações no exercício profissional; que seja um profissional não 
apenas interventivo, mas também propositivo e pesquisador diante dessas demandas, 
requisitos necessários para inserção, permanência e identificação de novos espaços de 
ocupação deste profissional no mercado de trabalho.
Note-se que “novas possibilidades de trabalho se apresentam e necessitam 
ser apropriadas, decifradas e desenvolvidas; se os assistentes sociais não o fizerem, 
outros o farão, absorvendo progressivamente espaços ocupacionais até então a eles 
reservados” (IAMAMOTO, 2001, p. 48).
A responsabilidade da compreensão e, mesmo, do enfrentamento desse 
contexto desafiante do qual os assistentes sociais vivenciam deve partir de uma ação 
coletiva do conjunto da categoria. 
Por isso, cabe às unidades de ensino, de pesquisa, de organização e representação 
dos assistentes sociais oportunizar espaços (para estudantes e profissionais) de formação 
e reflexão que possibilitem desvendar e construir estratégias de enfrentamento das 
múltiplas determinações impostas ao Serviço Social na contemporaneidade.
FONTE: Disponível em: <http://fjav.com.br/revista/Downloads/edicao07/Servico_Social_e_o_
Exercicio_Profissional_Desafios_e_Perspectivas_Contemporaneas.pdf>. Acesso em: 19 dez. 2014.
102
RESUMO DO TÓPICO 1
Acadêmico(a), neste tópico você pôde compreender que:
• Para uma melhor concepção do Serviço Social como profissão inserida na 
sociedade capitalista, se faz necessário entender o significado de reprodução 
social, na teoria social de Marx.
• A reprodução das relações sociais é percebida como sendo a reprodução da vida 
social em toda a sua totalidade.
• Na divisão sociotécnica do trabalho, o Serviço Social foi regulamentado como 
profissão pela Lei nº 8.662, de 07 de junho de 1993.
• A origem do Serviço Social como profissão é histórica, e a sua introdução na 
divisão sociotécnica do trabalho está interligada e articulada com as configurações 
assumidas pelas lutas das classes sociais subalternas.
• O Serviço Social assume uma parte das tarefas que objetivam a reforma social, 
ou seja, concretizar atuações no campo psicossocial.
• Os perímetros instituídos nessa tarefa derivam dos que sustentam o sistema 
capitalista, como também a ordem social em vigência.
• O progresso mundial do pensamento neoliberal produziu mudanças estruturais 
no mercado de trabalho.
• O neoliberalismo, a partir do seu desenvolvimento e ataque, causa o desequilíbrio 
dos direitos sociais adquiridos.
• O sistema capitalista tem como marco a cultura de qualidade total, sendo essa 
uma das novas pertinências ao Serviço Social.
• No período da política neoliberal, algumas frentes das políticas públicas sofreram 
perdas, porém em outras, devido ao progresso das conquistas no campo dos 
direitos sociais, houve significativo avanço, como para o Serviço Social.
• A aprovação da LOAS, em 1993, foi um processo de muita luta da categoria 
profissional, como também a sua implementação no ano de 1995.
• Diante da importância do direito à Cidadania, o Estado foi obrigado a constituir 
uma política de assistência social.
• Com a implementação da LOAS, surgiu a necessidade de ampliar a contratação 
de assistentes sociais, para atuarem nas esferas municipais da Política de 
Assistência Social.
103
• A partir do ano de 2000, a Política de Assistência Social teve uma profundidade 
maior, através das alterações nas dimensões e configurações técnico-políticas.
• A profissão inserida no contexto societário tem uma posição privilegiada na 
implantação do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).
• A Política de Assistência Social tem sua centralidade no amparo e proteção 
social, tendo como foco a intervenção técnica na pobreza absoluta.
• Um dos maiores desafios da profissão, que está inserida na sociedade 
contemporânea, no que diz respeito às políticas públicas, em todas as áreas, é a 
democratização do trabalho do profissional do Serviço Social.
104
AUTOATIVIDADE
1 Descreva o novo papel do Estado perante a efetivação da LOAS.
2 Conforme a autora do texto da leitura complementar, “realidade em toda 
a sua complexidade é um desafio apresentado aoassistente social, que tem 
sido convocado a dar novas respostas no âmbito do exercício profissional”. 
Diante dessa afirmativa, assinale a alternativa CORRETA: 
 
a) O assistente social deverá focar seu exercício profissional nas demandas do 
seu cotidiano.
b) O profissional de Serviço Social deverá atuar somente na gestão das políticas 
públicas.
c) Como profissional deverá, além de atuar na gestão, desenvolver políticas 
públicas.
d) Todas as alternativas estão corretas.
105
TÓPICO 2
OS ESPAÇOS SÓCIO-OCUPACIONAIS DE 
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL DO SERVIÇO 
SOCIAL NA ESFERA ESTATAL E INSTÂNCIAS 
PÚBLICAS DE CONTROLE DEMOCRÁTICO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
O Serviço Social é uma profissão que está fundamentada em um processo de 
transformação histórica da sociedade, e que sempre esteve amparado nos valores 
humanos, perante a historicidade profissional, que neste tópico será discutido, 
sobre os espaços sócio-ocupacionais do assistente social.
A importância de conhecer estes espaços de intervenção acontece pela 
necessidade de distinguir o profissional de Serviço Social como sendo um 
trabalhador assalariado, mas que possui todo um processo de transformação social.
Caro(a) acadêmico(a), para compreender e conhecer melhor os espaços 
sócio-ocupacionais onde você irá atuar como assistente social, precisará saber 
e ter conhecimento sobre o contexto do saber e fazer profissional e do domínio 
institucional, que já foi abordado brevemente no tópico anterior, tornando-se 
simples entender a definição desses espaços sócio-ocupacionais do assistente social, 
como também a sua atuação como trabalhador inserido no sistema capitalista.
UNIDADE 2 | O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
106
2 O SERVIÇO SOCIAL COMO TRABALHO 
ASSALARIADO E A SUA TRAJETÓRIA EM ESPAÇOS 
DE ATUAÇÃO NAS ESFERAS PÚBLICAS
FIGURA 29 – ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL
FONTE: Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.
php?script=sci_arttext&pid=S0101-66282011000400010>. 
Acesso em: 21 dez. 2014.
O desenvolvimento e as transformações dos espaços ocupacionais 
da profissão de Serviço Social necessitam de uma análise no seu processo de 
transformação histórica, a partir das configurações definidas pelo sistema capitalista 
no processo de fortalecimento da acumulação do capital mediante panorama das 
crises econômicas mundiais.
Diante da superioridade da economia financeira e na incansável busca de 
aumento dos lucros, através dos modelos de produção, que se desenvolvem e se 
renovam diariamente, através de estratégias que incidem diretamente no mundo 
do trabalho e nos direitos adquiridos pelos trabalhadores. Como foi apresentado 
na primeira unidade deste Caderno de Estudos, as providências e medidas 
tomadas para superar as crises econômicas acontecem através da ampliação da 
monopolização territorial, e na expropriação e exploração da força de trabalho 
excedente.
TÓPICO 2 | OS ESPAÇOS SÓCIO-OCUPACIONAIS DE INTERVENÇÃO PROFISSIONAL DO SERVIÇO 
SOCIAL NA ESFERA ESTATAL E INSTÂNCIAS PÚBLICAS DE CONTROLE DEMOCRÁTICO
107
Conforme Iamamoto (2009, p. 342)
Essas estratégias defensivas aliadas às características históricas 
particulares que presidiram a revolução burguesa no Brasil 
(FERNANDES, 1975; IANNI, 1984, 2004) têm indicado na dinâmica 
das relações entre o Estado e a sociedade de classes, especialmente a 
partir da década de noventa do século XX, alterando a forma assumida 
pelo Estado e a destinação do fundo público; a tecnologia e as formas 
de organização da produção de bens e serviços; o consumo e controle 
da força de trabalho e as expressões associativas da sociedade civil, 
entendida enquanto sociedade de classe. 
O mercado, através da invasão liberal, favorece subsídios para mundialização 
do capital financeiro, e eleva o mercado como sendo instrumento regulador 
soberano das relações das classes sociais opostas, resultando na individualidade 
e competitividade produtiva do trabalhador. Com esse individualismo da classe 
trabalhadora, as formas de lutas pelos direitos coletivos são desarticuladas. Um 
exemplo de individualismo da classe trabalhadora é a terceirização da força de 
trabalho, que resulta na precarização do trabalho.
Com a privatização, os serviços que estão relacionados ao bem-estar da 
sociedade passam a ser gerenciados pelo setor privado. Os usuários, enquanto 
cidadãos de direitos e suas famílias, que dependem do voluntariado ou dos diferentes 
segmentos sociais para complementação da renda familiar, ficam atrelados ao 
privado, e nesse contexto aumenta o desemprego, aumentando o número de 
trabalhadores excedentes, entre outras questões que já foram apresentadas na 
primeira unidade deste caderno, que atingem a classe trabalhadora, restando ao 
Estado a responsabilidade de diminuir a vulnerabilidade social e da pobreza. 
O Estado, para amenizar as consequências da política econômica de 
privatização, começa a dar ênfase às políticas sociais que objetivam a manutenção 
dos mínimos necessários para a crescente classe subalterna excedente da sociedade, 
resultando na pobreza extrema. O Estado também necessita manter seu domínio 
político, entre as diferentes classes sociais instaladas com o capitalismo.
Iamamoto (2009, p. 343) defende que:
A ampliação exponencial das desigualdades de classe, densas de 
disparidades de gênero, etnia, geração e desigual distribuição territorial, 
IMPORTANT
E
As estratégias utilizadas para superar a crise afetam simultaneamente o direito à vida 
da humanidade, através do uso incontrolável dos recursos naturais, sendo eles imprescindíveis 
na continuidade e prevenção da vida e dos direitos sociais adquiridos pela classe operária.
UNIDADE 2 | O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
108
radicaliza a questão social em suas múltiplas expressões coletivas 
inscritas na vida dos sujeitos, densa de tensões entre consentimento 
e rebeldia, o que certamente encontra-se na base da tendência de 
ampliação do mercado de trabalho para a profissão de Serviço Social 
na última década. 
 A questão social é indispensável na elaboração de ações e estratégias tanto 
no campo político como ideológico, na efetivação e legitimação do domínio de 
classe, que estão inseridas nas necessidades e lutas sociais e que não são isentas 
das políticas públicas. A mídia e as empresas privadas têm um papel fundamental 
no que se refere à definição de classe, as iniciativas empresariais se articulam como 
fonte da reestruturação da produção, gerando encargos sociais, criando assim uma 
necessidade de ampla reorganização estrutural do Estado, no que corresponde às 
políticas sociais.
As políticas sociais começam a se estabelecer mediante a triagem de ações, 
onde é necessário privatizar, focalizar e descentralizar, gerando assim demanda 
necessária para a intervenção do profissional de Serviço Social. Diante da política 
de privatização, gera uma nova organização dos recursos públicos, favorecendo o 
capital financeiro mediante a política do trabalho.
Todas as mudanças que ocorreram nos espaços de atuação do assistente 
social têm suas bases no contexto social desses processos acima relacionados, e 
que no decorrer da história se expressarão pelo ciclo acumulativo do capital e por 
interesses restritos voltados ao conjunto do poder político e na relação de forças, 
que diminui os direitos conquistados pelos trabalhadores.
 Para Iamamoto (2009):
[...] os espaços ocupacionais refratam ainda as particulares condições 
e relações de trabalho prevalentes na sociedade brasileira nesses 
tempos de profunda alteração da base técnica da produção com a 
informática, a biotecnologia, a robótica e outras inovações tecnológicas 
e organizacionais, que potenciam a produtividade e a intensificação do 
trabalho. (IAMAMOTO, 2009, p. 343).
Com essa historicidade cíclica surgem as novas configurações do mercado 
de trabalho, novos e diversificados espaços de atuação do assistente social, novas 
demandas, exigências,habilidades, atribuições e competências profissionais. O 
mercado profissional começa a exigir novas especificidades de conhecimentos 
acadêmicos, que no decorrer de sua atividade profissional sejam relacionados aos 
processos de transformações sociais, seguindo o projeto ético-político e técnico-
político da profissão de Serviço Social.
TÓPICO 2 | OS ESPAÇOS SÓCIO-OCUPACIONAIS DE INTERVENÇÃO PROFISSIONAL DO SERVIÇO 
SOCIAL NA ESFERA ESTATAL E INSTÂNCIAS PÚBLICAS DE CONTROLE DEMOCRÁTICO
109
FIGURA 30 – SERVIÇO SOCIAL E TRANSFORMAÇÕES NOS 
ESPAÇOS DE TRABALHO.
FONTE: Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.
php?pid=S0101-66282014000300007&script=sci_arttext>. Acesso 
em: 21 dez. 2014.
Iamamoto (1997) ressalta que o espaço profissional é o resultado de um 
produto histórico e que está submetido por algumas questões: a) pela condição de 
luta condicionada para a hegemonia, que se constitui entre as classes sociais e seus 
acordos; b) na maneira das respostas teóricas, práticas e políticas apresentadas 
pela categoria profissional. Esta última está fundamentada no reconhecimento da 
atuação profissional que configurou através do processo histórico da profissão 
como aos usuários a quem o trabalho é disponível. 
UNI
A relação de forças entre as classes e grupos sociais gera, em todas as dimensões 
da sociedade, limites e probabilidades, possibilitando que o assistente social faça sempre uma 
análise da realidade em que está intervindo, através da sua capacidade técnica e política na 
conjuntura atual, não se limitando apenas nas demandas já consolidadas, apropriando-se de 
novas demandas que aparecem para o Serviço Social.
UNIDADE 2 | O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
110
Conforme você, acadêmico, estudou no Tópico 1 desta unidade, o Serviço 
Social teve um elevado e significativo aumento no que diz respeito à atuação 
profissional, devido às políticas neoliberais e suas consequências que afetaram os 
trabalhadores na condição de trabalho. Diante do crescimento de profissionais, 
o Conselho Federal de Serviço Social – CFESS publicou uma pesquisa que foi 
realizada pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e Conselhos Regionais 
de Serviço Social (CRESS), no ano de 2004, através dos assistentes sociais inscritos 
no CRESS e com o registro do conselho ativo, num total da época de 61.151 
profissionais. 
Essa pesquisa consegue dar visibilidade ao mundo, sobre o Serviço Social 
brasileiro, relacionando as duas determinações do trabalho desenvolvido pelo 
assistente social como sendo trabalho concreto e trabalho abstrato, nas dimensões 
que se tornaram indissociáveis para pensar, efetivar e programar o trabalho do 
Serviço Social, inserido num contexto da sociedade burguesa.
Iamamoto (2009) descreve a pesquisa da seguinte forma: 
Pesquisa sobre o perfil dos assistentes sociais no Brasil, promovida pelo 
Conselho Federal de Serviço Social, com base em dados em 2004 (CFESS, 2005), 
constata que, no nível nacional, 78,16% dos assistentes sociais atuam em instituições 
públicas de natureza estatal, das quais 40,97% atuam no âmbito municipal, 24% 
estaduais e 13,19% federais.
Assim, assistente social no Brasil é majoritariamente um funcionário 
público, que atua predominantemente na formulação, planejamento e execução de 
políticas sociais com destaque às políticas de saúde, assistência social, educação, 
habitação, entre outras. O segundo maior empregador são empresas privadas, com 
13,19% (o mesmo índice que as instituições federais), seguido do “Terceiro Setor”, 
com 6,81% (englobando Organizações Não Governamentais (ONGs), associações, 
cooperativas, entre outras que viabilizam a chamada “responsabilidade social”).
A grande maioria dos profissionais, 77,19%, possui apenas um vínculo 
UNI
O Brasil tem hoje aproximadamente 120 mil profissionais nos 25 Conselhos 
Regionais de Serviço Social (CRESS) e duas Seccionais de Base Estadual. É o segundo país no 
mundo em quantitativo de assistentes sociais, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.
FONTE: Disponível em: <http://www.cfess.org.br/visualizar/menu/local/perguntas-frequentes>. 
Acesso em: 22 dez. 2014.
TÓPICO 2 | OS ESPAÇOS SÓCIO-OCUPACIONAIS DE INTERVENÇÃO PROFISSIONAL DO SERVIÇO 
SOCIAL NA ESFERA ESTATAL E INSTÂNCIAS PÚBLICAS DE CONTROLE DEMOCRÁTICO
111
empregatício; 10,31% registram dois vínculos e apenas 0,76, três ou mais. A ausência 
de vínculos é expressiva (11,74%), indicando a não inserção no mercado de trabalho 
na área de Serviço Social.
O principal tipo de vínculo é o de estatutário (55,68%), prevalecente em todas 
as regiões. Seguem os contratos com base na Consolidação das Leis Trabalhistas 
(CLT), que representam 27,24%; os contratos temporários representam 9,41% e 
serviços prestados, 5,84%. Os demais vínculos não são significativos.
A jornada de trabalho predominante é de 40 horas, abrangendo 50,70% dos 
assistentes sociais, seguida da jornada de 30 horas (28,65%). A carga de mais de 40 
horas ocupa o terceiro lugar.
O nível salarial, em salários mínimos, observa a seguinte ordem de maior 
incidência: 4 a 6 SM; 7 a 9 SM, mais de 9 SM e até 3 SM. Já a renda familiar é mais 
elevada que a renda profissional, correspondendo a mais de 9 salários mínimos.
 
A qualificação dos assistentes sociais brasileiros é a seguinte: 55,34% têm 
graduação; 35,26% têm título de especialista; 6,49% têm mestrado; 1,24%, doutorado 
e 0,67%, pós-doutorado.
No que se refere à participação em atividade política, 68% não registram 
qualquer participação e 32% registram algum tipo de participação: em movimento 
da categoria de assistente social (44,89%); em movimentos sociais (32,18%), em 
movimento partidário (12,62%) e no movimento sindical (10,40%).
Outro dado a destacar é a presença de 30,44% de assistentes sociais nos 
Conselhos de Direitos ou de Políticas Sociais, como profissionais e militantes de 
base, envolvidos no exercício democrático do acompanhamento de gestão e 
avaliação da política, dos planos que as orientam e dos recursos destinados à sua 
implementação. As maiores frequências incidem nas áreas de: assistência (35,45%), 
criança e adolescente (25,12%), saúde (16,67%), idoso (7,08%), direitos humanos 
(6,57%), mulher (4,23%), portador de deficiência (1,41%).
O perfil desse trabalhador é de uma categoria fundamentalmente feminina 
(97%), com a presença de apenas 3% de homens; as idades prevalecentes encontram-
se nas faixas entre 35 a 44 (38%) e 25 a 34 anos (30%), ainda que 25% estejam na 
faixa entre 45 e 59 anos. A maioria professa a religião católica (67,65); seguem-se a 
protestante (12,69%) e a espírita kardecista (9,83%), e 7,92% não têm qualquer religião. 
As demais preferências religiosas não têm incidência significativa. A maioria dos 
assistentes sociais se identifica como branca (72,14%) e as que se declaram pretas 
e negras totalizam 20,32%. Em relação à orientação sexual, 95% são heterossexual, 
3%, homossexual e 2%, bissexual. A maioria (53%) é casada e 47% são solteiros.
FONTE: Disponível em: <http://www.cressrn.org.br/files/arquivos/FH41e7O0eM1MvI8g3552.pdf>. 
Acesso em: 22 dez. 2014.
UNIDADE 2 | O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
112
Conforme a síntese realizada pela autora, pode-se perceber que as 
categorias e analogias e as relações existentes no campo de trabalho do assistente 
social restringem a atuação profissional, podendo-se avaliar através da práxis 
profissional as afinidades entre o projeto ético-político e o da condição de 
trabalhador assalariado.
Conforme o resultado da pesquisa acima descrita, a grande maioria dos 
assistentes sociais está inserida através de um vínculo empregatício, no setor 
público, principalmente em nível municipal, nas políticas públicas, onde se abre 
um leque de campo de trabalho para o profissional, como o SUAS, SUS, Habitação, 
Meio Ambiente entre outros, possibilitando também a visualização de possíveis 
campos de estágio para futuros profissionaisdo Serviço Social.
Mesmo o profissional atuando na divisão sociotécnica do trabalho em 
esfera pública, está inserido dentro de uma instituição. O conceito que se tem de 
instituição é maior que o de organização. As instituições se configuram como sendo 
espaços de lutas pelo e de poder, onde se encontram as demandas sociopolíticas e 
que se transformam em objeto de atuação do assistente social. 
No campo sociológico, as instituições se inserem na sociedade, através da 
forma como a mesma se organiza no decorrer da história, como, por exemplo: a 
família, a religião, a educação, entre outros. (FALEIROS, 2005).
Conforme Faleiros (2005), o objeto de atuação profissional do assistente 
social, mediante as reflexões que existem entre o poder institucional, está focado 
sobre uma visão de luta das classes organizadas e articuladas às relações de poder, 
de hegemonia e contra-hegemonia de uma instituição. Para o autor, instituição 
pode-se considerar como um instrumento de prestação de serviço. 
Diante das afirmações do autor, então, as demandas que definem a 
DICAS
Para conhecer melhor e na íntegra essa pesquisa, acesse o site: <http://www.cfess.
org.br/pdf/perfilas_edicaovirtual2006.pdf>.
UNI
Sobre Políticas Públicas estudaremos na próxima unidade.
TÓPICO 2 | OS ESPAÇOS SÓCIO-OCUPACIONAIS DE INTERVENÇÃO PROFISSIONAL DO SERVIÇO 
SOCIAL NA ESFERA ESTATAL E INSTÂNCIAS PÚBLICAS DE CONTROLE DEMOCRÁTICO
113
intervenção profissional de um assistente social, como encaminhamentos, 
informações, solicitação de recursos, capacitação, elaboração e execução de 
projetos, são determinadas pela instituição em que está atuando, nas mais diversas 
áreas, sejam elas oriundas do setor público, privado e do terceiro setor. 
 FIGURA 31 – SEGMENTOS DA SOCIEDADE
FONTE: Disponível em:<http://redeadministradores.blogspot.com.
br/2012/01/o-que-e-o-terceiro-setor-e-relacao-da.html>. Acesso em: 23 
dez. 2014.
As relações institucionais, internas e externas, inerentes na luta pelo poder, 
conforme os interesses de cada segmento, podem gerar conflitos, entre técnicos 
das diferentes profissões com auxiliares que também atuam na mesma instituição, 
como também gerados entre profissionais, políticas sociais e o projeto institucional. 
Conflitos também podem surgir entre profissional e instituição, entre usuário e 
profissionais, ocasionando contradições que geram um processo de interesses e 
projetos, voltados na luta pelo poder.
Conforme Faleiros (2005, p. 33):
As relações institucionais podem ser entendidas sob diversos ângulos, 
valorizando os conflitos entre os atores institucionais ou tomando o 
projeto profissional com mediação harmonizadora de conflitos. 
As relações que existem nos conflitos institucionais estão ligadas a uma 
correlação de forças, do jogo de interesses individuais, coletivos, políticos, culturais, 
religiosos, econômicos, entre outros, tensionados na lógica coletiva, individual 
e privados no exercício profissional, e que estabelecem casos de intervenção 
profissional nas instituições onde o assistente social está inserido. 
Como você já estudou no decorrer desta disciplina, um dos principais 
instrumentos de intervenção profissional é a mediação. Perante ela o assistente 
social atua diante dos conflitos, precisa ter condições teóricas e práticas para 
UNIDADE 2 | O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
114
responder às demandas dos usuários, como a questão social, que constitui seu 
compromisso ético profissional de maior importância. E também, é obrigado a 
dar respostas aos interesses institucionais, que não estejam vinculados em uma 
perspectiva de neutralidade, e de acordo com os princípios da formação teórico-
metodológica e ético-política.
Iamamoto (2000) afirma que a partir de década de 1980, a profissão estava 
historicamente institucionalizada e sendo considerada como [...] “especialização 
do trabalho coletivo, dentro da divisão sociotécnica do trabalho, participa do 
processo de produção e reprodução das relações sociais”. (IAMAMOTO, 2006, p. 
35). 
Historicamente, a maior concentração de campo de trabalho para o assistente 
social está no poder público estadual e municipal, através da administração direta. 
Foi através da Constituição Federal de 1988 que a assistência social começou a se 
destacar nas políticas públicas, ampliando novas perspectivas de trabalho e de 
atuação profissional. 
Foi através das políticas públicas na área da saúde, inicialmente, que a 
profissão teve seu desempenho, através da criação do Sistema Único de Saúde - 
SUS, que estava garantido na Constituição.
Além da implementação do SUS, a Constituição Federal de 88 estabeleceu 
também uma nova percepção de assistência social, através de uma política pública, 
que é conhecida como Política Nacional de Assistência Social, pela Lei Orgânica da 
Assistência Social – LOAS, que já foi mencionada nesta unidade e será aprofundada 
na próxima unidade. Porém, a mesma garante a assistência social como um direito 
de todos os cidadãos e um dever do Estado, e não pode ser contributiva.
UNI
Conforme a Constituição Federal de 1988:
Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais 
e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso 
universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.
FONTE: Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/
constituicaocompilado.htm>. Acesso em: 24 dez. 2014.
TÓPICO 2 | OS ESPAÇOS SÓCIO-OCUPACIONAIS DE INTERVENÇÃO PROFISSIONAL DO SERVIÇO 
SOCIAL NA ESFERA ESTATAL E INSTÂNCIAS PÚBLICAS DE CONTROLE DEMOCRÁTICO
115
Mesmo o profissional de Serviço Social estando, em grande porcentual, 
atuando na esfera pública, não deixa de estar inserido na divisão do trabalho, que 
se revela nas mais diversas maneiras, conforme já descrito, e que se limita, em 
muitas vezes, nas tarefas como servidores do setor público.
Existem muitas e importantes discussões que estabelecem parâmetros para 
que o profissional desenvolva suas atividades nas políticas de saúde e assistência 
social, mediados pelo Projeto Ético-Político do Serviço Social. Sob o comando do 
CFESS, podemos citar os documentos que foram publicados na série: 
• Trabalho e Projeto Profissional nas Políticas Públicas. (CFESS, 2009a; CFESS, 
2009b). 
 E ainda:
• Resolução do CFESS n. 493/2006, que dispõe sobre condições éticas e técnicas do 
exercício profissional do assistente social, expressando assim a importância do 
reconhecimento das condições de trabalho do profissional. 
O trabalho e os métodos de um profissional de Serviço Social, nos mais 
diversos espaços sócio-ocupacionais, envolvem a qualidade do trabalhador 
tecnicamente especializado.
UNI
A LOAS coloca a Assistência Social como elemento da Política de Seguridade 
Social, não contributiva, prevendo os mínimos sociais, com ações e parcerias entre setor 
público e sociedade.
UNIDADE 2 | O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
116
SILVA, Maria Ozinira Silva (coord.). O Serviço Social e o Popular. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2002.
DICAS
Para um melhor aprofundamento deste tema, se faz necessário que você leia os 
livros abaixo sugeridos.
SILVA, Marta Borba. Assistência Social e seus usuários: entre a rebeldia 
e o conformismo. São Paulo: Cortez, 2014.
Estamos diante de um livro instigante e mobilizador, escrito com 
paixão pela justiça, que nos coloca frente ao usuário da Assistência 
Social e nos leva a levantar novas questões, tratando-se de leitura 
obrigatória para todos que buscam conhecer um pouco melhor a 
realidade das classes subalternas em relação com a Assistência Social. 
Como livro, interessa a todos os que defendem que cabe ao Estado 
garantir a vida com dignidade à população, cujo direito mais universal 
é o da sobrevivência. Leitura imprescindível para os que buscam 
enfrentar e minimizar as injustiçasdo tempo presente pela mediação 
de políticas públicas.
TÓPICO 2 | OS ESPAÇOS SÓCIO-OCUPACIONAIS DE INTERVENÇÃO PROFISSIONAL DO SERVIÇO 
SOCIAL NA ESFERA ESTATAL E INSTÂNCIAS PÚBLICAS DE CONTROLE DEMOCRÁTICO
117
LEITURA COMPLEMENTAR
DEMANDAS HISTÓRICAS E AS RESPOSTAS PROFISSIONAIS 
DO SERVIÇO SOCIAL: AS RELAÇÕES COM AS ESFERAS 
SOCIOINSTITUCIONAIS
Cacildo Teixeira de Carvalho Neto
DEMANDAS SOCIAIS, RESPOSTAS COLETIVAS
Na sociedade contemporânea temos que a desigualdade social é fruto de um 
contexto de expropriação do trabalho e dos direitos sociais; que a sociabilidade entre 
os homens estabeleceu que as relações fossem determinadas, e essa imposição social 
provocou interstícios entre os próprios homens, legitimou a divisão social de classes 
e elucidou a questão social. A desigualdade social apresentada hoje é a metamorfose 
das características do modo capitalista de produção, e a questão social se apresenta, 
nos dizeres de Iamamoto, com uma nova roupagem, evidenciando a naturalização 
dessa questão social e a banalização do homem.
A questão social é o eixo central do trabalho do assistente social, que as 
demandas emanadas da população exigem respostas políticas à luz do projeto ético-
político do Serviço Social. Apresentada por suas manifestações tais como a miséria, 
o trabalho escravo e infantil, a falta de acesso à saúde, educação, a violência e suas 
multiformas, entre outras mais, representa a fragilidade na legitimação política, na 
intervenção do Estado com propostas aludidas nos mínimos sociais, na ausência da 
sociedade civil na efetivação de direitos e na ideologia capitalista/burguesa.
Na contemporaneidade há crise no mundo do trabalho, e tal crise potencializa 
a questão social, pois segundo Iamamoto (2008, p. 140), “o trabalho encontra-se no 
centro da questão social: tanto as formas de trabalho, quanto a apologia do trabalho, 
ou seja, sua louvação ou beatificação expressa na ética do trabalho”. 
O desemprego potencializa a desigualdade social, leva o sujeito à margem 
da sociedade, provoca a esta parcela da população a mais humilhante das condições 
humanas, esta parcela está banalizada, pois perante a sociedade capitalista as 
políticas sociais já são suficientes, e tal fato (o desemprego) é natural, consequência 
lógica e necessária à permanência do capital. Iamamoto parafraseando Octavio Ianni 
nos diz que:
No pensamento social brasileiro, a questão social recebe diferentes 
explicações e denominações: coletividades anormais, sociedade civil 
incapaz, povo amorfo, sendo o tom predominante a suspeita de que 
a vítima é culpada, e a pobreza, um estado da natureza (IANNI apud 
IAMAMOTO, 2008, p. 140).
O projeto neoliberal brasileiro desenha suas estratégias para a manutenção da 
desigualdade social e o desemprego, atesta a (des)regulação da sociedade para manter 
a dependência econômica das organizações internacionais, como o Fundo Monetário 
UNIDADE 2 | O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
118
Internacional (FMI), e Banco Mundial representado pelo Banco Internacional para 
Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD); como também a necessária manutenção 
do exército industrial de reserva. Neste contexto a sociedade brasileira faz parte dos 
países semiperiféricos, explorado em suas reservas naturais e humanas, exploração 
essa que aflige as formas de sociabilidade, apontando que há uma debilidade da 
estrutura social frente às leis mercantis que organizam a sociedade contemporânea 
capitalista. 
É neste contexto social de desigualdade, refrações políticas, perda dos direitos 
sociais, de reprodução da rebeldia e da resistência que atua o assistente social. É com 
este panorama de demandas que se desenvolvem as respostas profissionais, a partir 
do compromisso ético-político, da competência técnico-operativa e do conhecimento 
teórico-metodológico.
A ação profissional está envolta em conflitos, articulações políticas e 
econômicas, e a interesses individualistas; o processo de trabalho do assistente 
social transita por todas as formas de expressões da questão social, em todas as 
áreas e/ou setores, e segmentos. Requerem deste profissional respostas articuladas 
às reais necessidades da população usuária, condizentes à proposta do projeto 
ético-político da profissão, que preze pela liberdade e democracia. Através de 
estratégias construtivas de um trabalho social voltado à classe trabalhadora e à 
parcela expropriada deste trabalho, vitimizada pelas relações sociais de produção e 
reprodução capitalista.
A realidade exige do assistente social um profissional culto, com conhecimento 
generalista crítico, capaz de desenvolver caminhos para a emancipação política 
do sujeito. Para isso é necessário articular forças coletivas, sejam elas dos setores 
institucionais e movimentos sociais; tornar os espaços públicos realmente públicos; 
reorganizar os espaços representativos da classe trabalhadora; efetivar ações sociais 
que conduzam ao planejamento, implementação e avaliação de políticas, programas 
e projetos sociais, bem como na gestão de recursos e de pessoal; “a categoria dos 
assistentes sociais, articulada às forças sociais progressistas, vem envidando esforços 
coletivos no reforço da esfera pública, de modo a inscrever os interesses das maiorias 
das esferas de decisão política (IAMAMOTO, 2009, p. 366).
O trabalho coletivo dos assistentes sociais deve ser compreendido em 
todos os aspectos, na articulação do profissional com seus usuários, com órgãos 
representativos de classe, com o Estado e com a classe capitalista. Superar a 
intermediação e alcançar a mediação nesta relação se apresenta como desafio, pois 
será a partir desta categoria, a mediação, que o trabalho do assistente social romperá 
as amarras institucionais privadas e/ou estatais, e potencializará a participação 
dos usuários dos serviços sociais na construção de uma democracia participativa e 
transformar, assim, a realidade.
FONTE: NETO, Cacildo Teixeira de Carvalho. Demandas históricas e as respostas profissionais 
do serviço social: as relações com as esferas socioinstitucionais. In: SEMINÁRIO DE SAÚDE DO 
TRABALHADOR DE FRANCA, 7, 2010, FRANCA. Disponível em: <http://www.proceedings.scielo.br/
scielo.php?pid=MSC0000000112010000100039&script=sci_arttext>. Acesso em: 26 dez. 2014.
119
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você teve a oportunidade de estudar sobre:
• Os espaços ocupacionais do profissional de Serviço Social necessitam de uma 
análise no seu processo de transformação histórica, para compreender o seu 
desenvolvimento a partir do crescimento da sociedade capitalista.
• A superioridade da economia financeira na incansável busca de aumento dos 
lucros, através dos modelos de produção, que incidem diretamente no mundo 
do trabalho e nos direitos adquiridos pelos trabalhadores.
• O mercado, através da invasão liberal, favorece subsídios para a mundialização 
do capital financeiro.
• O aumento do número de privatizações das empresas que eram de 
responsabilidade do Estado, gerando a mercantilização dos serviços oferecidos, 
visando a contentamento das necessidades sociais, elevando o aumento da 
produção e da movimentação de mercadorias.
• O Estado, para amenizar as consequências da política econômica de privatização, 
começa a dar ênfase às políticas sociais.
• A questão social é indispensável na elaboração de ações e estratégias tanto no 
campo político como ideológico, na efetivação e legitimação do domínio de 
classe, que estão inseridas nas necessidades e lutas sociais e que não são isentas 
das políticas públicas.
• As políticas sociais começam a se estabelecer mediante a triagem de ações, onde 
é necessário privatizar, focalizar e descentralizar.
• O mercado profissional começa a exigir novas especificidades de conhecimentos 
acadêmicos.
• As categorias e analogias e as relações existentes no campo de trabalho do 
assistente social restringem a atuação profissional, podendo-se avaliar através 
da práxis profissionalas afinidades entre o projeto ético-político e o da condição 
de trabalhador assalariado.
• A maioria dos(as) assistentes sociais está inserida, através de um vínculo 
empregatício, com o setor público.
• O profissional atuando na divisão sociotécnica do trabalho, em esfera pública, 
está inserido dentro de uma instituição.
120
• As instituições se configuram como sendo espaços de lutas pelo e de poder.
• O poder institucional está focado sobre uma visão de luta das classes organizadas 
e articuladas às relações de poder, de hegemonia e contra-hegemonia de uma 
instituição.
• As demandas que definem a intervenção profissional de um assistente social, 
como encaminhamentos, informações, solicitação de recursos, capacitação, 
elaboração e execução de projetos, são determinadas pela instituição em que 
está atuando.
• As relações que existem nos conflitos institucionais estão ligadas a uma 
correlação de forças, do jogo de interesses individuais, coletivos, políticos, 
culturais, religiosos, econômicos, entre outros.
• Foi através da Constituição Federal de 1988 que a assistência social começou a 
destacar-se nas políticas públicas, ampliando novas perspectivas de trabalho e 
de atuação profissional.
121
AUTOATIVIDADE
1 O Serviço Social ganhou mais espaços no poder público, devido à garantia 
de alguns direitos sociais previstos na Constituição Federal de 1988. Assinale 
a alternativa correta.
a) As demandas populacionais não têm nenhuma importância nos espaços 
sócio-ocupacionais do assistente social.
b) Devido à implementação do SUS, a área da saúde foi a que mais absorveu 
profissionais de Serviço Social.
c) A Política Nacional de Assistência Social já está implementada em todos os 
estados nacionais.
d) Os assistentes sociais devem primeiramente resolver as demandas imediatas 
e emergenciais, sem levar em conta o contexto das questões sociais.
2 Com base no Tópico 2, conceitue o que você compreendeu por espaços sócio-
ocupacionais tradicionais do Serviço Social.
122
123
TÓPICO 3
O EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE 
SOCIAL NAS EMPRESAS PRIVADAS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
A empresa privada, como foco capitalista, desde as décadas de 80 vem 
sofrendo um conjunto de mudanças, que são oriundas do novo modelo de 
acumulação do capital, necessitando assim adaptarem-se às necessidades de um 
mercado competidor e globalizado.
Essas mudanças, que vêm ocorrendo durante quatro décadas, com aval e 
influência estatal, abrangem a organização do modelo de produção, nos processos 
internos e externos de trabalho, que é fortalecida pelo desenvolvimento de novas 
tecnologias de produção ligadas a novas formas organizacionais. Os trabalhadores 
são conduzidos a novas condições de inclusão no mercado de trabalho e sendo 
através de requisitos que contrapõem aos instrumentos de proteção social. 
Durante os anos de 1980, o setor empresarial estava fixado num cenário 
de dinamicidade, devido ao crescente processo de instrumentos inovadores, para 
informatização dos novos processos de trabalho. Essa fase ficou conhecida como 
reengenharia do trabalho, pelo expressivo aumento de informatização utilizada 
nos processos de trabalho, implementação dos programas de qualidade total, 
modernização física das indústrias, e outras inovações. Ao longo dos anos de 1990 
e 2000, o setor empresarial destaca as competências, qualificação, adaptabilidade 
do trabalhador nas novas mudanças do mercado de trabalho. Os objetivos 
empresariais passaram a ter o envolvimento e participação dos trabalhadores, que 
começaram a ser chamados de “colaboradores”.
As privatizações e fusões das empresas foram os principais legados dessa 
época, trazendo novos modelos de produção de mercadorias mais exigentes e 
rentáveis, reduzindo consideravelmente os cargos e postos de trabalho, exigindo 
novos padrões de desempenho e controle dos trabalhadores. 
Diante desse novo cenário do sistema capitalista, terceirização, flexibilização 
e precarização do mercado de trabalho, com uma cultura de maior produtividade, 
competitividade e lucratividade, os direitos trabalhistas acabam sendo afetados.
As empresas passaram a defender a retórica ideia da “responsabilidade social 
corporativa”, defendendo um compromisso ético para com o desenvolvimento 
sustentável, enfatizando que o Estado não consegue suprir as demandas dos 
124
UNIDADE 2 | O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
problemas sociais que estão cada vez maiores no Brasil. O setor privado defende 
a extinção de projetos e sistemas de proteção social, para com ações que foquem a 
erradicação da pobreza.
Mediante essa nova conjuntura do sistema de produção, surgem novas 
frentes de trabalho para o profissional de Serviço Social nas empresas privadas, nos 
mais diversos espaços, como, por exemplo: projetos e programas participativos, de 
qualidade de vida, de educação ambiental, gerenciamento de recursos humanos, 
entre outros.
2 O SERVIÇO SOCIAL COMO PROFISSÃO INSERIDA 
NAS EMPRESAS CAPITALISTAS
A conjuntura política e econômica do Brasil, no final dos anos de 1970 e 
início dos anos de 1980, favoreceu a ampliação de vagas para assistentes sociais em 
empresas privadas, pois os trabalhadores estavam se inserindo em um processo 
massivo de organização e representação social e política dos trabalhadores, com 
o surgimento dos sindicatos, das comissões de fábrica e partidos políticos, que 
tinham como objetivo combater relações com o modo de produção do capital.
 FIGURA 32 – DÉCADA DE 70 E 80 – ORGANIZAÇÃO POPULAR
FONTE: Disponível em: <http://jufraleao.blogspot.com.br/2011_12_04_
archive.html>. Acesso em: 27 dez. 2014.
Esse período, para a profissão do Serviço Social, ficou marcado pelo 
início do rompimento do pensamento conservador e das dimensões políticas que 
estavam inseridas no exercício profissional dos assistentes sociais. Questionando 
os princípios e a práxis que estavam vinculados na trajetória sócio-histórica da 
profissão, resultando numa categoria profissional com a atuação centralizada em 
TÓPICO 3 | O EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL NAS EMPRESAS PRIVADAS
125
FONTE: Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.
php?script=sci_arttext&pid=S0101-66282010000100002>. 
Acesso em: 27 dez. 2014.
Decorrente do novo modelo de produção, a expansão do capital fez com que 
as empresas estatais com domínio público, e as privadas, agregassem assistentes 
sociais no quadro de profissionais. Mota (1991) afirma que:
[...] a presença do assistente social numa empresa, antes de qualquer 
coisa, vem confirmar que a expansão do capital implica na criação de 
novas necessidades sociais. Isto é, a empresa, enquanto representação 
institucional do capital, passa a requisitar o assistente social para 
desenvolver um trabalho de cunho assistencial e educativo junto ao 
empregado e sua família. (MOTA, 1991, p. 16).
O Serviço Social era contratado pelas empresas privadas, na época acima 
descrita, para que o assistente social tivesse como objetivo, no seu exercício 
profissional, mediar situações conflituosas entre trabalhadores e patrões, mantendo 
a força de trabalho existente. 
O assistente social neste posto de trabalho estaria atuando de forma 
contrária aos interesses voltados aos trabalhadores e ao capital, pois precisaria 
atender às necessidades do seu empregador, e, também, as demandas sociais da 
classe trabalhadora e de sua família.
um pensamento crítico, voltado para as demandas das classes em vulnerabilidade 
social, e tendo a teoria social de Marx como base teórica, compreendendo a 
realidade social a partir de suas relações contraditórias e que foram apontadas nas 
categorias históricas e objetivas. 
 FIGURA 33 – PENSAMENTO MARXISTA
126
UNIDADE 2 | O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
As autoras Amaral e Cesar (2009) destacam:
Dessa forma, a empresa conseguia controlar e disciplinar suaforça 
de trabalho aos níveis de produtividade requeridos ao seu processo 
produtivo, participando ativamente da dinâmica de reprodução social 
das classes de trabalhadores. Ao interferir diretamente na esfera da 
reprodução social, os assistentes sociais, na condição de assalariados 
e submetidos às condições e relações de trabalho do conjunto dos 
trabalhadores, definem seus objetivos profissionais, desenvolvem 
iniciativas e estratégias para responder aos “problemas sociais” postos 
pelos empregadores. Mas, é nesse mesmo processo que os assistentes 
sociais podem se apropriar criticamente dos objetos de intervenção 
originários dos seus empregadores e qualificar as suas práticas, por 
meio da problematização das situações reais que geram as necessidades 
dos trabalhadores e, assim, fortalecer os projetos das classes subalternas. 
(AMARAL; CESAR, 2009, p. 414)
Foi no interior das empresas privadas que o movimento sindical começou 
a se fortalecer politicamente, durante os anos de 1980, pois os trabalhadores 
organizados pela sua base de trabalho começaram a exigir melhorias nas 
qualidades de vida e trabalho, pela democratização das afinidades de trabalhos, na 
implementação de Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (CIPAs), criação 
da comissão de trabalhadores de fábricas e outras que se instituíam como uma 
afronta aos interesses da classe burguesa. 
 FIGURA 34 – CIPA
FONTE: Disponível em: <http://www.sindmetau.org.br/site/index.php/destaque/18871-
cipa-dos-trabalhadores-e-importante-ferramenta-de-protecao-e-organizacao.html>. 
Acesso em: 28 dez. 2014.
TÓPICO 3 | O EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL NAS EMPRESAS PRIVADAS
127
Com essa nova reorganização do mercado de trabalho e da economia, o 
setor empresarial da sociedade teve que se adaptar às novas exigências mercantis 
mundiais, através da inovação e modernização do sistema de produção, através da 
implementação de novas tecnologias e de mudanças organizacionais, infundidas 
pelos modelos americano e japonês, aumentando o índice de produtividade e 
desempenho por parte dos trabalhadores, e dessa forma podendo integrar e 
interagir com a economia mundial.
No Brasil, a implementação tecnológica e as reformas organizacionais, 
sendo parte necessária para integrar a economia mundial, de forma estratégica, 
logo foram realizadas pelas empresas, em sua grande maioria, no início de 1990.
Os assistentes sociais tiveram participação ativa com a gestão empresarial, 
nesse período de mudanças no setor industrial, através da implementação dos 
Círculos de Controle de Qualidade (CCQs), que eram definidos como um grupo 
pequeno e formado por funcionários voluntários, que pertenciam ou não à mesma 
área de trabalho, mas que eram treinados da mesma forma, para entender a 
filosofia e objetivos, para melhorar o desempenho da produção, diminuir custos, 
elevar a eficiência, principalmente no que se refere à qualidade de seu trabalho, ou 
de suas mercadorias.
FIGURA 35 – CCQs 
FONTE: Disponível em: <http://www.folhavitoria.com.br/economia/
blogs/gestaoeresultados/files/2012/07/DSC03752.jpg>. Acesso em: 28 
dez. 2014.
UNI
O setor empresarial teve que criar mecanismos de cunho social e político, com a 
participação dos trabalhadores, dando legitimidade nesse processo. 
128
UNIDADE 2 | O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
A profissão do Serviço Social, durante esse período, ocupava um espaço 
de trabalho nas empresas nas áreas de recursos humanos, onde os assistentes 
sociais desenvolviam um papel incisivo neste contexto, pois as respostas do 
setor empresarial para as reivindicações dos trabalhadores eram apresentadas e 
resolvidas nas comissões com representação de todos os segmentos da empresa, 
sendo que o profissional realizava a mediação dos interesses de cada um. 
Em nenhum momento a classe empresarial, durante essas décadas, realizou 
algum empenho intenso para realizar uma ação sociopolítica em consonância com 
as reformas do sistema capitalista em ciclo, afetando assim o processo de produção 
e as decisões sobre a produtividade, onde o profissional de Serviço Social não 
estava livre de práticas contraditórias.
 
Amaral e Cesar (2009) revelam:
Tensionadas pela ação sindical, as práticas que visavam à integração 
dos trabalhadores aos objetivos empresariais eram questionadas, 
e também, o Serviço Social era instado a fazer uma leitura crítica 
dessas iniciativas e a responder – ainda que se reconhecendo como 
“atividade subordinada” – a um conjunto de demandas do trabalho. 
Nesse tensionamento, estavam postos os limites - dados pelas condições 
objetivas de trabalho – e, ao mesmo tempo, as possibilidades de 
intervenção dos assistentes sociais nos processos sociais, traduzidas 
na sua capacidade de compreender a realidade, propor alternativas e 
negociar, junto às direções empresariais, o atendimento de necessidades 
fundamentais à reprodução da força de trabalho. (AMARAL; CESAR, 
2009, p. 415).
Esse processo de mudanças nos setores industriais, com a inovação 
tecnológica e organizativa nos anos de 1990, sofreu novas transformações no início 
dos anos 2000, afetando a reorganização do modelo de produção das mercadorias 
e dos lucros, sendo esse último considerado uma tática para garantir a acumulação 
capitalista, ou então a fase chamada de “acumulação flexível”.
A descrição da acumulação flexível acontece pelas suas principais linhas de 
ações, sendo elas:
• A financeirização da economia, onde as transações e mercados financeiros se 
fortalecem no sistema econômico mundial, abrindo novas possibilidades de 
investimento do capital.
• A entrada de tecnologias avançadas no modelo de produção.
• O destaque nos processos de gerenciamento de informações.
• A redução do controle governamental sobre os mercados, os tornando mais 
livres para uma maior concorrência.
• A flexibilização dos trabalhos e das leis trabalhistas.
• A diminuição, suspensão e eliminação dos direitos sociais.
• A perda de território da produção de mercadorias e outros.
As consequências da acumulação flexível do capital e de suas ações são 
TÓPICO 3 | O EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL NAS EMPRESAS PRIVADAS
129
visíveis nas privatizações de instituições estatais, fusões de grandes companhias 
empresariais privadas, diminuição e eliminação nos postos de trabalho, e 
outras mudanças nos processos de trabalho que atingem a atuação profissional 
do assistente social, diante dos seu referencias técnico-operativos e nos demais 
conhecimentos acumulados historicamente na profissão, tendo que estar atento às 
novas exigências e qualificações impostas pela nova ordem social. 
As novas estratégias que foram desenvolvidas para o reordenamento 
do modelo de produção, e as forças produtivas, foram consequências da crise 
econômica que afetou todo o sistema capitalista mundial, entre os anos de 1980 e 
1990, e teve como principal objetivo o reconhecimento e o predomínio do modelo 
ideológico do capital, afetando diretamente o mundo do trabalho.
DICAS
Acadêmico(a), este livro se faz necessário para aprofundar seus 
conhecimentos, não deixe de ler.
A autora analisa a requisição do Serviço Social na ótica da empresa 
capitalista, as estratégias e respostas do Serviço Social, o potencial 
negador do trabalhador e a construção de uma nova prática 
profissional inscrita no horizonte de interesses de trabalhadores. Uma 
obra que enriquecerá a polêmica em torno da prática profissional na 
empresa.
MOTA, Ana Elisabete. O feitiço da ajuda: as determinações do 
serviço social na empresa. São Paulo: Cortez, 1991.
UNI
 A vida social no Brasil foi intercedida pelos modelos capitalistas, afetada 
diretamente pelas transformações no mundo do trabalho, através das dimensões: política, 
social e econômica.
130
UNIDADE 2 | O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
Citando novamente as autoras Amaral e Cesar (2009), elas enfatizam que 
esse processode mudanças tem como questão determinante a redefinição do 
modelo de produção, e essa estrutura está mobilizada nas seguintes formas:
a) as empresas utilizam inovações tecnológicas – que permitem a substituição 
da eletromecânica pela eletrônica e uma crescente informatização do 
processo de produção que, por sua vez, exige uma maior qualificação para 
determinados segmentos de trabalhadores. Para isso, as empresas investem 
em treinamento e buscam elevar os níveis de escolaridade da força de 
trabalho. Essa requalificação, associada ao desenvolvimento da polivalência 
e multifuncionalidade, também evidencia o processo de precarização das 
condições em que o trabalho se realiza, pois intensifica-se o ritmo de execução 
das tarefas em prol de maior produtividade, além de eliminar postos e 
ocupações, aumentando o desemprego.
b) controle da força de trabalho – as empresas sofisticam os mecanismos de 
adequação do comportamento produtivo aos novos métodos de produção, 
buscando obter a adesão do trabalhador às metas de qualidade e produtividade. 
A natureza da relação salarial se afasta do processo de negociação coletiva e 
se concretiza na estratégia de individualização dos salários e na negociação 
direta empresa-trabalhador, sitiando os sindicatos e esvaziando o conteúdo 
político das reivindicações dos trabalhadores. São formulados critérios 
meritocráticos de julgamento no sistema de avaliação de desempenho e, 
sob pretensa horizontalização das relações de trabalho, são implementados 
programas participativos com base na Gestão de Qualidade Total. Tais 
estratégias, por sua vez, se associam aos incentivos, que passam a compor o 
sistema de remuneração, e à ascensão funcional, condicionando-os à geração 
de resultados.
c) reprodução material da força de trabalho – as empresas oferecem aos seus 
empregados um leque de benefícios e serviços sociais, chamados de “salários 
indiretos”, que constituem um importante instrumento para mobilizar o 
consenso em torno das metas de produção. Desse modo, ao mesmo tempo 
em que se verifica a diminuição da intervenção estatal, com a retração das 
coberturas públicas e o corte nos direitos sociais, assiste-se à transferência 
dos mecanismos de proteção do Estado para as grandes corporações que 
refuncionalizam, de acordo com seus interesses, a esfera dos “benefícios 
ocupacionais”. Com isso, as empresas ampliam os sistemas de benefícios e 
incentivos, reforçando a dependência dos trabalhadores e intensificando a sua 
subordinação à disciplina fabril. 
d) reprodução espiritual da força de trabalho – as empresas investem num 
processo de “aculturamento” dos empregados e em formas ideológicas 
que pressupõem um “moral de envolvimento” para a geração de um novo 
comportamento produtivo adequado aos novos métodos de produção. 
TÓPICO 3 | O EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL NAS EMPRESAS PRIVADAS
131
Esta “moral de envolvimento” passa a permear os discursos e as práticas 
gerenciais, cujas prerrogativas são o “colaboracionismo entre as classes” e 
o “engajamento dos colaboradores” ou “associados. Disseminando valores 
e formas de racionalidade, as empresas estabelecem uma lógica menos 
despótica e mais consensual, envolvente e manipulatória que atinge a 
consciência, a subjetividade do trabalho e as suas formas de representação. 
FONTE: Amaral e Cesar (2009, p. 417-418)
A gestão empresarial necessita criar estratégias para que aconteça o 
engajamento dos colaboradores, mediante os objetivos desse novo modelo de 
produção. Assegurar a participação dos trabalhadores é uma tarefa árdua, pois 
não se pode ficar somente no campo do trabalho e sim considerar as necessidades 
sociais, de segurança, fisiológicas, autorrealização e outras. 
A empresa, para ministrar essas necessidades, constitui políticas de 
recursos humanos, com objetivos de: defender o envolvimento do trabalhador 
com as metas, ampliar e desenvolver aptidões e capacidade para atender o setor 
da produção, além de treinar, reeducar, reconhecer o desempenho individual de 
cada trabalhador, e com critérios vinculados às necessidades sociais, de segurança, 
fisiológicas, autorrealização de cada indivíduo na condição de trabalhador. 
Visando amenizar conflitos no reconhecimento por desempenho, a geração de 
resultado servirá de parâmetros para estabelecer a remuneração.
FIGURA 36 – RELAÇÃO RH X GQT 
Administração de 
Recursos Humanos
FONTE: A autora
As políticas de recursos humanos, nos anos de 1990, principalmente 
na área empresarial no Brasil, ganharam um novo impulso, após o período de 
flexibilização da economia e da produção, nas seguintes maneiras: incentivo na 
qualificação profissional do trabalhador, através de investimentos privados, 
iniciação de metodologias participativas no gerenciamento da produção e das 
132
UNIDADE 2 | O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
metas empresariais, através da inclusão da classe dos trabalhadores, ajustes das 
normas de benefícios sociais com as de estímulo à produtividade no campo do 
trabalho, elaboração de métodos de avaliação e monitoramento do espaço interno 
das empresas.
 
Para o autor Cesar (1998), o Serviço Social nas empresas deixou as 
demandas que estavam sendo trabalhadas pelo assistente social e aderiu às novas 
racionalidades, técnica, ideológica e política, perante a reorganização da gestão de 
recursos humanos, através de estratégias e táticas assegurando a legalidade social. 
Mesmo o profissional tendo que aderir às novas demandas nas empresas, 
a sua atuação sempre esteve voltada para um fazer educativo, objetivando 
transformações diárias do trabalhador, em relação a costumes, condutas, hábitos e 
atitudes para um melhor desempenho no trabalho.
A empresa, ao contratar um assistente social, conhecendo sua atuação 
profissional, solicita que o mesmo responda às questões sociais, que afetam na 
produtividade, como, por exemplo: a ausência prolongada de um trabalhador de 
seu local de trabalho, o desrespeito hierárquico, tumultos internos ao ambiente de 
trabalho, conflitos pessoais e familiares, problemas financeiros e de saúde, entre 
outros.
Segundo Mota (1991, p. 31), “É evidente que a racionalidade se prende tanto 
ao caráter de eficiência da administração de benefícios materiais como ao caráter 
educativo dessa administração, instituído nas orientações de condutas desviantes 
de empregado e sua família”. 
 
Através do pensamento da autora pode-se definir que o profissional de 
Serviço Social possui propriedades de intervenção teórico-metodológicas no 
cotidiano dos trabalhadores, mesmo sendo no seu espaço de trabalho, como na 
sua vida individual ou familiar.
UNI
O assistente social intervém como mediador da relação do trabalhador com a 
empresa, criando projetos e programas que integrem todo o contexto social, gerando uma 
maior disciplina e controle da classe trabalhadora, mediante a sua submissão às condições de 
valorização no sistema capitalista.
TÓPICO 3 | O EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL NAS EMPRESAS PRIVADAS
133
Acadêmico(a), depois de compreender as mudanças que aconteceram na 
sociedade capitalista, desde os anos de 1970, e como se deu a inserção do Serviço 
Social nas empresas privadas, se faz necessário entender o significado do Projeto 
Ético-Político do Serviço Social.
O Projeto Ético-Político do Serviço Social na divisão societária do trabalho 
coloca-se com uma provocação a ser enfrentada pela categoria profissional até o 
momento atual, mediante as limitações encontradas no exercício da profissão, pelo 
vínculo empregatício, na esfera privada.
Faz-se necessário que o assistente social, no exercício da profissão, 
desenvolva um trabalho eficaz, eficiente e com efetividade, valorizando o ser 
humano na sua totalidade, na defesa de seus direitos sociais.
O assistente social precisa atender às demandas institucionais pelas quais 
foi contratado, porém, deve ter audácia de ir além do que é de sua competência, 
através de estratégiasprofissionais que consigam envolver todas as categorias 
profissionais e familiares de forma participativa na garantia de seus direitos 
enquanto cidadãos. 
Essa participação não pode ficar centralizada nos interesses pessoais e/ou 
individuais, em uma relação de cidadão trabalhador, e sim em uma base coletiva, 
que tenha interesses comuns da classe trabalhadora.
 
O assistente social, além de ser um mediador dos interesses do empregador 
com o trabalhador, deverá se tornar um articulador, um assessor, um orientador, 
mas deverá ter nitidez de que só chegará a um resultado positivo e sustentável se 
o profissional estiver ao lado, caminhando e avançando junto com o usuário dos 
seus serviços ofertados. 
 Acadêmico(a), sobre essa discussão serão apresentados alguns itens 
importantes para seus estudos, sendo importante muita leitura e pesquisa sobre a 
discussão abaixo.
O assistente social não é o único profissional responsável no enfrentamento 
das demandas trazidas pelos trabalhadores à empresa e/ou instituição, o mesmo 
também participa deste processo. Se for requisitado para realizar um trabalho em 
equipe, com a nitidez de - que ele “pode” fazer, se for uma tarefa determinada pela 
UNI
É importante que o assistente social caminhe lado a lado com o trabalhador, 
podendo só assim perceber as mudanças do usuário da instituição.
134
UNIDADE 2 | O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
empresa onde está prestando seu serviço, - o que ele “quer” fazer – que interfere 
no seu comprometimento profissional -, e o que “deve” fazer – conforme sua 
competência profissional e de interesse do seu projeto profissional.
O Projeto Ético-Político deverá estar sempre guiando a atuação profissional, 
através dele pode-se avançar em algumas conquistas, mesmo não podendo mudar 
completamente a organização interna de uma empresa.
Muitas empresas limitam o profissional de Serviço Social no trabalho 
rotineiro e de tarefas básicas da Gestão de Pessoas/Recursos Humanos. Em outras, 
o exercício profissional se resume à fiscalização e controle dos funcionários, sem 
nenhuma intervenção crítica e transformadora.
O autor César (apud ABREO, 2003) enfatiza quatro das mais importantes 
características para o profissional de Serviço Social atuar no setor empresarial 
privado: 
• A busca constante pelo conhecimento para que o trabalho de orientação aos 
funcionários possa ser de qualidade e proporcione um elevado grau de 
emancipação e participação. Para tanto, o profissional também deve conhecer as 
políticas da empresa e a rotina dos empregados.
• Ser um profissional competente no desenvolvimento das atividades. Desta 
forma, o profissional será capaz de executar não somente as ações que lhe são 
impostas, mas também criar novas ações pautadas no seu compromisso ético-
político e profissional.
• Manter um ambiente agradável no núcleo profissional. O profissional, ao se 
confrontar diretamente com funcionários ou chefia, além de criar um clima 
tenso, provavelmente não conseguirá atingir seus objetivos de novas ações 
propostas. Para tanto, a negociação e as ações estratégicas se colocam como a 
melhor alternativa para efetivação da transformação que se espera.
• Desenvolver o trabalho em conjunto com os demais funcionários, de forma 
cooperada para que se obtenha êxito. 
Apesar de o profissional estar atuando em um espaço contraditório, dos 
princípios de sustentação básica da profissão, e que sua práxis esteja voltada para 
a ampliação da produção realizada pelos trabalhadores, o mesmo não deve se 
afastar da luta pela garantia dos direitos sociais e trabalhistas, sendo essa uma 
realidade possível de ser conquistada.
Outro fator importante, que o assistente social deve buscar, é uma maior 
autonomia dos trabalhadores e sua participação, para que sejam incluídos como 
indivíduos sociais nas relações sociais e não apenas como classe trabalhadora 
assalariada. Ou seja, o empregador precisa compreender a vida do trabalhador em 
sua totalidade, e não apenas o trabalho sendo a única relação social.
A atuação de um assistente social deve ter também o foco nas implicações 
que o modelo de produção capitalista traz para a vida cotidiana da classe dos 
TÓPICO 3 | O EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL NAS EMPRESAS PRIVADAS
135
trabalhadores, como, por exemplo: o estreitamento da relação capital x trabalho, 
via exploração da força de trabalho humana, com a flexibilização e terceirização do 
trabalho, as influências sociais e psicológicas são inúmeras que acarretam prejuízos 
ao trabalhador e seu meio social (amigos, familiares), pela questão da instabilidade 
do emprego e pressão para o aumento da produtividade.
Atualmente consegue-se perceber que o mundo todo está se utilizando da 
tendência de gestão compartilhada, porém no campo empresarial este modelo 
serve como um falso discurso, diante dos objetivos do capital. O Serviço Social 
pode se apropriar desse espaço como um meio de atuação, criando mecanismos 
para que o trabalhador seja compreendido, valorizado e potencializado como 
ser social, que tenha direito de participação, com direito a voz, expressando sua 
opinião, que seja ouvido e que consiga avançar na efetivação de conquistas dos 
direitos enquanto cidadão.
Ao utilizar os instrumentos técnico-operativos da profissão de Serviço 
Social, como: projeto de pesquisas com todos os funcionários e de todos os setores 
da empresa, elaborar um programa de desligamento, efetivar periodicamente 
reuniões de grupos, capacitação para funcionários, realizar uma agenda de 
atendimento individual, ou em grupo, se houver necessidade realizar visitas 
domiciliares e outros, o assistente social irá seguir a direção do Projeto Ético-
Político, sendo que esse guiará a práxis profissional neste contexto de conflitos 
entre interesses.
 FIGURA 37 – INFLUÊNCIA DO PROJETO ÉTICO-POLÍTICO
FONTE: A autora
136
UNIDADE 2 | O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
O assistente social precisa ter claro que sempre existiram intervenções 
imediatas e sempre existirão, mas que sua intervenção pode ir além da realidade 
vivenciada, buscando novas maneiras para superar as demandas sociais que 
surgem do sistema capitalista.
LEITURA COMPLEMENTAR
O TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL NAS EMPRESAS CAPITALISTAS
Angela Santana do Amaral
Monica de Jesus Cesar
O SERVIÇO SOCIAL NOS PROGRAMAS EMPRESARIAIS
[...] trabalho do assistente social nas empresas, destacam-se os programas 
a seguir listados.
Programa de Treinamento e Desenvolvimento – diretamente relacionado 
com as novas modalidades de consumo da força de trabalho, esse programa 
diz respeito à adequação do funcionamento do mercado interno e trabalho e à 
requalificação da força de trabalho requerida pelos novos métodos de produção, 
congregando as funções de: formação; treinamento; capacitação e desenvolvimento; 
mobilidade e sucessão.
À medida que os planos de treinamento integram a estratégia de qualidade 
e produtividade, eles são precedidos por levantamentos de necessidades e seguidos 
por processos de avaliação dos resultados da sua aplicabilidade [...]. 
[...] Temas como desenvolvimento de equipes, cooperação intergrupal, 
relacionamento interpessoal, entre outros, tornam-se objetos das atividades de 
treinamento organizadas pelos profissionais. Cabe ressaltar que, como todo 
trabalhador, o assistente social também é submetido aos programas de treinamento 
das empresas, sejam eles técnicos ou comportamentais, para a conformação de um 
perfil profissional.
Programas Participativos – estes programas se pautam na Gestão da 
Qualidade Total, cujo pressuposto é o da satisfação das necessidades dos clientes 
externos e internos das organizações. Para isso, são realizados investimentos 
para elevar os padrões de qualidade e confiabilidade dos processos, produtos e 
serviços, bem como para fomentar a participação dos trabalhadores que, dentro da 
ordem e do universoda empresa, passam a ser estimulados por meio de incentivos 
materiais e simbólicos. 
Com a incorporação da “cultura da qualidade”, o trabalho do assistente 
social é redimensionado e passa a assumir o papel de impulsionador da inovação e 
TÓPICO 3 | O EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL NAS EMPRESAS PRIVADAS
137
mudança, principalmente no que toca à “democratização” das relações de trabalho, 
[...] 
Estes últimos se beneficiaram pelo crescimento profissional e pela 
possibilidade de transcenderem seu papel meramente executor, para se tornarem 
sujeitos ativos no processo de produção.
[...] a intervenção profissional se estabelece com base nos princípios 
do envolvimento e do comprometimento, tendo por objetivo adequar ideias, 
comportamentos e atitudes. Assim, o Serviço Social busca promover a “valorização 
do empregado”, desenvolvendo ações incentivadoras do seu envolvimento com o 
trabalho e a empresa. [...] a inserção do assistente social ocorre pelo reconhecimento, 
por parte da gerência, da sua facilidade de persuasão e inserção no cotidiano dos 
trabalhadores, o que reitera o caráter pedagógico de sua ação. 
Programa de Qualidade de Vida – no discurso empresarial, 
o termo “qualidade de vida” é empregado para enunciar a 
conjugação de interesses entre patrões e empregados, isto 
é, a associação entre os objetivos das empresas de aumentarem a produtividade e 
as necessidades de “bem‐estar” dos trabalhadores.
[...] 
os programas de “qualidade de vida no trabalho” seguem a tendência já 
apontada, ou seja, visam conformar um comportamento adequado aos novos
métodos de produção [...].
Condizentes com as novas modalidades de reprodução da força de 
trabalho, esses programas buscam, por meio dos serviços sociais e das ações socio-
educativas, o enquadramento de hábitos e cuidados com a saúde, alimentação,
lazer etc., que implica uma intervenção normativa sobre a vida do trabalhador
dentro e fora da em-presa. 
Além disso, muitos desses programas são estruturados em função das
consequências nocivas das mudanças efetuadas na produção sobre as condições
de vida e de trabalho, como aumento do desgaste e da instabilidade, que 
associam antigas doenças profissionais com novos distúrbios e patologias 
vinculadas ao sofrimento psíquico e às psicopatologias (cf. MELO et al., 1998). 
Com isso, há uma reatualização da intervenção do assistente social na 
prevenção de acidentes e doenças, bem como uma revalorização das atividades 
desportivas e re-creativas, voltadas para o combate ao estresse. 
[...] o trabalho do assistente social, nesse tipo de programa, tem como base 
o levantamento do nível de satisfação no trabalho, tendo em vista a instru-
mentalização das ações gerenciais para a melhoria da “qualidade de vida”, 
que abrange questões relativas às políticas de recursos humanos. 
Programa de Clima ou Ambiência Organizacional – esse programa comporta 
os fatores do “ambiente de trabalho” que afetam o comportamento produtivo. Nas 
138
UNIDADE 2 | O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
empresas, o clima organizacional é concebido como um conjunto de aspectos que 
caracterizam uma determinada corporação e influenciam o comportamento dos 
trabalhadores, ou seja, se refere à relação existente entre organização do trabalho, 
satisfação e desempenho.
[...]
a 
“atmosfera da empresa” é considerada um conjunto mensurável de propriedades
do ambiente de trabalho” que, percebidas direta ou indiretamente pelos trabalha-
dores, são capazes de influenciar sua motivação e desempenho. Associada aos
processos de comunicação interna, ela é consi-derada uma condição estratégica [...].
A atuação do assistente social incide, então, na mensuração dessas 
propriedades, principalmente, por meio da aplicação periódica de questionários 
compostos de percepção dos empregados sobre a organização do trabalho, 
as relações e condições de trabalho. Os resultados desse tipo de pesquisa são 
analisados e transmitidos para as chefias e seus subordinados, servindo como 
indicadores para a implementação de modificações nos sistemas gerenciais, o 
aprimoramento das políticas de recursos humanos e o desenvolvimento de ações 
sociais, com vistas à melhoria do clima organizacional e, consequentemente, do 
aumento da produtividade do trabalho.
Cabe destacar que o conjunto de ações sociais que a empresa desenvolve 
para atender, internamente, às necessidades dos seus empregados passou a 
compor a ideia da “responsabilidade social corporativa”, que ganhou consistência 
no meio empresarial, no decorrer dos anos de 1990 [...]. 
FONTE: Disponível em: <file:///C:/Users/Public/Pictures/Downloads/3_-_Texto-base_III%20(8).
pdf>. Acesso em: 31 dez. 2014.
139
RESUMO DO TÓPICO 3
Nesse tópico você conseguiu conhecer e aprender como o Serviço Social 
se adéqua à condição de trabalho na esfera empresarial:
• A empresa privada, como foco capitalista, desde a década de 80 vem sofrendo 
um conjunto de mudanças, que são oriundas do novo modelo de acumulação 
do capital.
• Durante os anos de 1980, o setor empresarial estava fixado num cenário de 
dinamicidade, devido ao crescente processo de instrumentos inovadores, para 
informatização dos novos processos de trabalho.
• Ao longo dos anos de 1990 e 2000, o setor empresarial destaca as competências, 
qualificação, adaptabilidade do trabalhador nas novas mudanças do mercado 
de trabalho.
• Conjuntura política e econômica do Brasil, no final dos anos de 1970 e início 
dos anos de 1980, favoreceu a ampliação de vagas para assistentes sociais em 
empresas privadas.
• A profissão de Serviço Social ficou marcada pelo início do rompimento do 
pensamento conservador e das dimensões políticas que estavam inseridos no 
exercício profissional dos assistentes sociais.
• Foi no interior das empresas privadas que o movimento sindical começou a se 
fortalecer politicamente, durante os anos de 1980.
• Nos anos 80, devido à organização dos trabalhadores, há implementação de 
Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (CIPAs).
• Nos anos 90, o setor empresarial teve que criar mecanismos e instrumentos de 
cunho social e político, com a participação dos trabalhadores. 
• Foram implementados os Círculos de Controle de Qualidade (CCQs).
• Os assistentes sociais ocupavam um espaço de trabalho nas empresas nas áreas de 
recursos humanos, tinham um papel incisivo neste contexto, pois as respostas do 
setor empresarial para as reivindicações dos trabalhadores eram apresentadas e 
resolvidas nas comissões com representação de todos os segmentos da empresa, 
sendo que o profissional realizava a mediação dos interesses de cada um. 
• No início dos anos 2000, mediante a reorganização do modelo de produção 
das mercadorias e dos lucros, sendo esse último considerado uma tática para 
140
garantir a acumulação capitalista, ou então a fase chamada de “acumulação 
flexível”.
• As consequências da acumulação flexível do capital e de suas ações são visíveis 
nas privatizações de instituições estatais, fusões de grandes companhias 
empresariais privadas, diminuição e eliminação nos postos de trabalho.
• As empresas necessitam criar estratégias para que aconteça o engajamento dos 
colaboradores, mediante os objetivos desse novo modelo de produção. 
• A empresa, para ministrar essas necessidades, constitui políticas de recursos 
humanos, com objetivos de: defender o envolvimento do trabalhador com as 
metas, ampliar e desenvolver aptidões e capacidade para atender o setor da 
produção.
• As políticas de recursos humanos, nos anos de 1990, ganharam um novo 
impulso, após o período de flexibilização da economia e da produção. 
• O assistente social, além de ser um mediador dos interesses do empregador com 
o trabalhador, deverá se tornar um articulador, um assessor, um orientador, 
mas deverá ter nitidez de que só chegará a um resultado positivo e sustentável 
se o profissional estiverao lado, caminhando e avançando junto com o usuário 
dos seus serviços ofertados.
• O profissional pode estar atuando em um espaço contraditório, dos princípios 
de sustentação básica da profissão, e sua práxis voltada para a ampliação da 
produção realizada pelos trabalhadores.
• O campo empresarial tem se utilizado do termo gestão compartilhada, e o 
Serviço Social pode se apropriar desse espaço como um meio de atuação, criando 
mecanismos de defesa social para o trabalhador. 
141
1 As demandas do Serviço Social sofreram muitas transformações, a partir 
da década de 90, através da flexibilização da economia, reestruturação da 
economia, mudanças no mundo do trabalho, a minimalização do Estado e 
diminuição dos direitos sociais. O modelo de política especificado acima 
alterou as condições de trabalho, demandas e respostas dos assistentes 
sociais, em todos os setores em que atua. Esse modelo é denominado:
a) Pós-modernidade;
b) Democracia;
c) Neoliberalismo;
d) Ditadura.
2 Os desempenhos dos assistentes sociais nas empresas privadas revelam 
que há uma demanda crescente de participação nos Círculos de Controle 
de Qualidade (CCQ), apontado à adesão dos trabalhadores às metas 
empresariais de concorrência e produtividade. Ocasionando o aumento de 
profissionais do Serviço Social para a área de Recursos Humanos, no setor 
privado, enfatizando a criação de procedimentos que contribuam para a 
produtividade e a participação dos trabalhadores. Como você entende esse 
redirecionamento do Serviço Social?
AUTOATIVIDADE
142
143
TÓPICO 4
A ATUAÇÃO DOS ASSISTENTES SOCIAIS NAS 
ORGANIZAÇÕES DA CLASSE TRABALHADORA 
E NAS ORGANIZAÇÕES PRIVADAS NÃO 
LUCRATIVAS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Este último tópico da Unidade 2, deste Caderno de Estudos, faz com que 
você, acadêmico, pense e reflita sobre a atuação do assistente social nos campos 
de trabalho que estão também inseridos na divisão societária do capitalismo 
contemporâneo, mas com maiores obstáculos e polêmicas, diante da práxis 
profissional no Brasil. 
O primeiro deles traz a discussão da atuação profissional do assistente 
social nas organizações da classe trabalhadora, levantada pelo Conselho Federal 
de Serviço Social (CFESS) e a Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço 
Social (ABEPSS), e já no segundo campo de atuação, focado para o assistente social 
nas organizações privadas e não lucrativas.
São campos de atuação polêmicos, pois primeiramente estimulam uma 
discussão sobre o trabalho do assistente social, que se iniciou no final da década de 
90, através de alguns assistentes sociais. Sendo esse um debate relevante, porém, 
será apresentado neste tópico juntamente com os procedimentos reais do trabalho 
do Serviço Social, como profissão, em organizações da classe dos trabalhadores. As 
complexidades desses procedimentos ocorrem a partir de duas bases de referenciais 
institucionais e diferente uma da outra. A primeira se refere ao trabalho do 
assistente social como profissional, inserido nas organizações autônomas da classe 
trabalhadora; já na segunda, apresenta o trabalho desenvolvido pelo profissional 
de Serviço Social nos movimentos e organizações da classe trabalhadora.
O segundo campo de atuação que gera polêmica, para o Serviço Social, é 
nas organizações privadas e não lucrativas, como sendo um campo de exercício 
profissional sócio-ocupacional para os assistentes sociais. Na redefinição do 
modelo de produção e do papel do Estado no Brasil, que ocorreu no início da 
década de 1990, onde novas relações do Estado x Sociedade foram delineadas e 
trazendo novas pertinências, habilidades, funções para o Serviço Social.
144
UNIDADE 2 | O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
2 DESAFIOS, LIMITES E TENDÊNCIAS DO TRABALHO 
DOS ASSISTENTES SOCIAIS NAS ORGANIZAÇÕES DA 
CLASSE TRABALHADORA
 Diante da atual conjuntura política, cultural e econômica do Brasil, é 
importante rever dois aspectos centrais: das resoluções históricas da atuação do 
assistente social nas organizações dos trabalhadores e também como trabalhador 
assalariado. O significado dos fundamentos histórico- políticos da profissão é o 
primeiro aspecto que precisa ser levado em conta, pois constitui o projeto ético-
político do exercício do Serviço Social, e que, como já estudamos, está fundamentado 
em três instrumentos importantes: o Código de Ética da Profissão, as Diretrizes 
Curriculares dos Cursos de Graduação e a Lei que Regulamenta a Profissão. Estes 
instrumentos estão vinculados às lutas de classes subalternas. 
Outro aspecto a ser considerado é de que o projeto conservador da 
classe burguesa, que através da supremacia do capital econômico e financeiro se 
concretizou no país com a aderência das maiores organizações dos trabalhadores 
do Brasil, sendo elas: Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Partido dos 
Trabalhadores (PT). As duas instituições formadas a partir da organização dos 
trabalhadores se estruturam sob a mesma lógica de aparelhamento da sociedade, 
intencionando o trabalho do assistente social nessas instituições da classe 
trabalhadora.
UNI
Os instrumentos sustentam teoricamente o Serviço Social como profissão, o 
Código de Ética do Serviço Social e as Diretrizes Curriculares dos Cursos de Graduação de 
Serviço Social, ao mesmo tempo em que resumem um período histórico de organização e 
luta dos assistentes para superar a perspectiva tradicional e o significado do projeto ético da 
profissão, constituindo como mecanismo de oposição e luta ao movimento conservador, que 
se fortaleceu com a crise do capital que ocorreu nos anos de 1970.
DICAS
Para entender melhor essa tendência do Serviço Social, é importante relembrar o 
Movimento Latino-Americano de Reconceituação.
TÓPICO 4 | A ATUAÇÃO DOS ASSISTENTES SOCIAIS NAS ORGANIZAÇÕES DA 
CLASSE TRABALHADORA E NAS ORGANIZAÇÕES PRIVADAS NÃO LUCRATIVAS
145
No Brasil, através de um aprofundamento teórico-crítico da formação 
profissional, os assistentes sociais formulam uma crítica aos modelos de processos 
de trabalho, que eram aplicados pelos profissionais de Serviço Social, apontando 
para novas concepções históricas de emancipação profissional e social, envolvendo 
toda a sociedade. Com a possibilidade de uma reorganização e redirecionamento 
da atuação dos assistentes sociais, houve um interesse maior, pelos próprios 
profissionais, em estudar o movimento de organização da classe trabalhadora.
Segundo Cardoso e Lopes (2009):
O primeiro momento de síntese desse processo de crítica e indicação 
da possibilidade de vinculação da profissão à luta e organização dos 
trabalhadores, orientada pelos interesses dessa classe, se expressa em 
um contexto econômico e político bastante favorável, no âmbito do 
movimento de ascensão das lutas sociais populares e, em particular, da 
organização e luta dos trabalhadores no país. Entre os trabalhadores 
urbanos cresceu a tendência que apontou para a necessidade de um 
“Novo Sindicalismo” e empreendeu um amplo esforço de construção da 
Central Única dos Trabalhadores (CUT) em um confronto de tendências 
político-organizativa em relação a uma central; e de um Partido dos 
Trabalhadores (PT) como partido de quadros e de massa, fincado em seu 
início, fundamentalmente, nos centros urbanos a partir de São Paulo, 
mas avançando para o campo. Ao mesmo tempo crescia o movimento 
dos trabalhadores rurais pela Reforma Agrária, apresentando um fato 
novo que foi a organização do MST (LOPES, 2005). Nesse momento, 
os assistentes sociais, além de avançarem em sua própria organização 
como categoria profissional, rumo à organização sindical, encontraram 
um terreno fértil para se desenvolverem no trabalho profissional, 
portanto, como assalariados nas organizações da classe trabalhadora; 
um trabalho realizado, fundamentalmente, a partir de instituições 
(tradicionais) empregadoras de assistentes sociais abertas a essa 
tendência da prática profissional e com base na articulação com os 
movimentossociais populares da classe trabalhadora, incentivando 
os processos organizativos e apoiando as suas lutas e reivindicações; 
mas, também, em instituições de organização autônoma da classe 
trabalhadora, como os sindicatos, por exemplo. (CARDOSO; LOPES, 
2009, p. 464-465).
O movimento dos operários e as lutas sociais, durante o fim da década 
de 70 e início da década de 80 no Brasil, estavam crescendo, e em nível mundial 
iniciou a ascensão do projeto neoliberal, sendo que no país se efetivou somente 
em 1990. Para Antunes (2006), este projeto se fortaleceu, criando empecilhos e 
obstáculos para a continuidade do progresso e da perspectiva de emancipação 
dos trabalhadores, o movimento dos trabalhadores, diante da reestruturação da 
produção e das relações de trabalho e ideologia neoliberal, que vêm acabando com 
direitos que a classe trabalhadora conquistou ao longo de sua história de lutas. 
146
UNIDADE 2 | O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
No Brasil, após o surgimento e fortalecimento do modelo conservador, 
os movimentos sociais, que tinham como objetivo a busca de uma sociedade 
emancipatória e livre, começaram a declinar. O Serviço Social reagiu a esse modelo, 
através da hegemonia da profissão pelo pensamento teórico de Marx.
O projeto teórico-metodológico do Serviço Social, fundamentado na teoria 
marxista, teve um avanço nas condições objetivas de atuação, nos espaços de 
organização da classe trabalhadora, porém no governo do Presidente Luis Inácio 
Lula da Silva tornou-se mais complexo. Essa complexidade de atuação profissional 
em um governo que teve total apoio das organizações de classe, para ter condições 
de governabilidade, não conseguiu romper com os paradigmas do modelo 
conservador e implantar o sistema socialista, que sempre defendeu, mesmo com a 
implantação de políticas públicas para beneficiar as classes subalternas. 
Entre as organizações de classe, que objetivam a mediação dos interesses 
dos trabalhadores no país, é notável que o Movimento dos Trabalhadores Sem 
Terra (MST) foi um dos que conseguiu manter o seu projeto emancipatório na 
perspectiva de uma igualdade na divisão das terras, e também no combate entre 
as diferenças do campo e da cidade. A CUT, e outras centrais de trabalhadores, 
devido ao modelo de flexibilização e terceirização da produção, tiveram sua 
estrutura ideológica fragmentada, decorrente de vários fatores, como, por 
exemplo: a demissão em massa, novos recursos tecnológicos, terceirização da força 
de trabalho, entre outros que já foram apontados.
 FIGURA 38 – MST
FONTE: Disponível em: <http://militanciaviva.blogspot.com.br/2013/11/o-
pt-trocou-um-projeto-de-brasil-por-um.html> Acesso em: 4 jan. 2015.
 
IMPORTANT
E
O Projeto Neoliberal teve seu início no ano de 1979, com a eleição de Margareth 
Thatcher para governar a Inglaterra.
TÓPICO 4 | A ATUAÇÃO DOS ASSISTENTES SOCIAIS NAS ORGANIZAÇÕES DA 
CLASSE TRABALHADORA E NAS ORGANIZAÇÕES PRIVADAS NÃO LUCRATIVAS
147
Como você já estudou anteriormente, todas essas transformações na 
reestruturação do modelo de produção e nas relações de trabalho tiveram um 
grande choque sobre a classe trabalhadora, refletindo nas suas organizações de base. 
O Serviço Social se torna uma profissão relevante neste processo, principalmente 
nas condições objetivas de seu exercício profissional, fundamentado no Projeto 
Ético-Político Profissional, e que objetivava a emancipação da sociedade na sua 
totalidade.
 
Essas organizações de base se fortaleceram e vincularam-se com o projeto 
ético-profissional, conforme seus interesses societários, constituindo-se como os 
sindicatos de categorias profissionais e/ou de área (têxtil, metalúrgicos, professores 
etc.), os movimentos sociais urbanos e rurais (MST, Movimento Nacional pela Luta 
da Moradia – MNLM, Movimentos de Mulheres, Movimentos dos Atingidos pelas 
Barragens, Movimento Estudantil), associações de profissionais e outros.
Com a efetivação do modelo neoliberal no Brasil, no início dos anos de 1990, 
os espaços institucionais que atuavam com as políticas sociais enfrentaram um 
novo redirecionamento da implementação dessas políticas, pois o neoliberalismo 
tem como foco a privatização das políticas públicas através de sua mercantilização, 
com a transferência das competências que eram de responsabilidade do Estado 
para o setor privado. 
Para minimizar as demandas causadas pelo neoliberalismo, o Estado 
institui programas, com princípios enraizados no assistencialismo e ações 
fragmentadas que atendem às necessidades imediatas da população, sendo 
que muitas organizações sociais foram agregadas a estes programas, devido às 
necessidades das classes subalternas.
Com a dominação do modelo neoliberal, o Serviço Social tem uma atuação 
nas organizações da classe trabalhadora voltada para duas grandes perspectivas, 
que permeiam tanto os projetos profissionais como os societários, que estão sendo 
disputados no momento atual, pelas classes sociais antagônicas. As perspectivas 
são essas:
• Perspectiva de resistência ao modelo capitalista, através do fortalecimento e 
emancipação da classe trabalhadora e de toda a sociedade.
• Perspectiva da continuidade do sistema capitalista, através da subalternidade 
da classe trabalhadora.
 Pode-se afirmar que através dessas perspectivas, os interesses profissionais 
e societários lutam pela hegemonia política das organizações de base da classe 
trabalhadora, principalmente no interior dos movimentos sociais, sendo que 
terá a hegemonia aquela que tiver maior relação de forças na disputa política na 
sociedade.
148
UNIDADE 2 | O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
FIGURA 39 – HEGEMONIA DE PODER
FONTE: Disponível em: <http://cassfac.blogspot.com.br/2011/02/mess-
movimento-estudantil-de-serviso.htmlm/>. Acesso em: 5 jan. 2015.
A terminologia sobre hegemonia nas relações sociais da sociedade é 
bastante discutida por Gramsci, sendo uma possibilidade de as classes minoritárias 
e subalternas romperem com o predomínio ideológico da classe burguesa. A 
hegemonia ideológica, econômica, social e política da sociedade pelos trabalhadores 
não acontecerá fora do contexto das mudanças de sistemas econômicos, mesmo 
que não exista uma relação de vinculação entre as mesmas. 
O Serviço Social passou a atuar como profissão, nas organizações de 
classes, no desenvolvimento de proposta para capacitação e formação política e 
organizativa de todas as classes de trabalhadores, para que as mesmas pudessem 
intervir de maneira politizada, possibilitando ações estratégicas e táticas nas críticas 
ao sistema capitalista e sua ideologia, agindo na elaboração de novas e próprias 
técnicas de oposição ao enfrentamento dos interesses da classe burguesa, como 
também de superação da exploração e opressão a que essa classe trabalhadora está 
submetida. E na ampliação de estratégicas que possuam o foco no fortalecimento 
dessas organizações de classe, que resulte na emancipação de toda a sociedade.
IMPORTANT
E
Para a conquista política das classes subalternas, dos trabalhadores, é fundamental 
que exista a ORGANIZAÇÃO E A CONSCIÊNCIA DE CLASSE.
TÓPICO 4 | A ATUAÇÃO DOS ASSISTENTES SOCIAIS NAS ORGANIZAÇÕES DA 
CLASSE TRABALHADORA E NAS ORGANIZAÇÕES PRIVADAS NÃO LUCRATIVAS
149
Os profissionais que atuam nas organizações visam à conquista da 
hegemonia, fundamentada no pensamento teórico de Gramsci, como também a 
teoria marxista. Gramsci (1978) descreve:
(...) entende que “uma massa humana não se distingue e não se torna 
independente por si, sem organizar-se; [...] e não existe organização 
sem intelectuais, isto é, sem organizadores e dirigentes [...]”. Isso supõe 
um trabalho sistemático de caráter educativo-organizativo para elevar 
intelectualmente grupos subalternos cada vez mais amplos e suscitar 
o surgimento de intelectuais de tipo novo, que emergindo das massas, 
permaneçam a elas vinculados.(GRAMSCI, 1978, p. 21).
O trabalho do assistente social nessas organizações se dá em duas 
dimensões, sendo que na primeira realiza seu trabalho em campos ocupacionais 
das instituições empregadoras, que contratam de forma autônoma os profissionais 
de Serviço Social; e na segunda, desenvolve seu trabalho nas instituições e nos 
movimentos de organização com vínculo trabalhista, ou seja, trabalhador 
assalariado.
QUADRO 2 – DEFINIÇÃO DE TRABALHADOR AUTÔNOMO X EMPREGADO
Vínculo Conceito
Autônomo 
É o profissional que realiza sua atividade profissional sem 
vínculo empregatício, de forma eventual e não habitual. 
Ex: Advogado, que mantém seu próprio escritório, com 
diversos clientes, o os próprios assistentes sociais que prestam 
assessoria e consultoria técnica, sem vínculo empregatício.
Empregado
É o trabalhador que está subordinado às regras e ordens, 
sendo uma pessoa física que trabalha cotidianamente e/
ou periodicamente, com vínculo empregatício, conforme a 
Consolidação das Leis Trabalhistas. 
FONTE: A autora
 
Conforme foi estudado nesse tópico, nas organizações de classe, desde 
1990, não houve avanço da classe trabalhadora nos seus objetivos de emancipação 
da sociedade, tanto em nível político como social, pois o controle do modelo 
de produção e do pensamento neoliberal foi mais imbatível que o conjunto de 
trabalhadores. Para o Serviço Social, o projeto ético-político-profissional teve outras 
perspectivas de intervenção, possibilitando novas ações de atuação profissional. 
Como, por exemplo, a Lei Orgânica da Assistência Social.
Dessa forma, o assistente social, nas organizações de classe e/ou nos 
movimentos sociais, pode desenvolver suas atividades profissionais de forma 
autônoma, a partir das demandas de cada movimento organizado. Devido às relações 
internas e à estruturação organizacional dessas organizações, alguns profissionais, 
na atuação e desenvolvimento de suas funções no cotidiano, não se reconhecem 
150
UNIDADE 2 | O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
como profissionais do Serviço Social, mas o que se precisa levar em consideração, 
mediante a identidade profissional, são os procedimentos reais da profissão diante 
das demandas sociais de cada movimento. Sendo que essas demandas necessitam 
quase sempre de uma interdisciplinaridade, composta por profissionais de diversas 
áreas.
FIGURA 40 – TRABALHADOR X PATRÃO 
FONTE: Disponível em: <http://quadrinholatra.blogspot.com.br/2010_11_01_archive.html>. 
Acesso em: 5 jan. 2015.
O assistente social pode desenvolver as ações e/ou as estratégias, nas 
organizações da classe trabalhadora, como autônomo ou então assalariado, 
focando em alguns dos objetivos, como: realizar a prestação de assessoria técnica 
e política aos segmentos da classe trabalhadora, elaborar em conjunto com os 
trabalhadores ações socioeducativas e de formação, que contribuam na estruturação 
de um conjunto de experiências de todos os segmentos já organizados, realizar 
pedagogicamente um trabalho em conjunto com as organizações de classe, que 
auxilie na formação política dos trabalhadores, para que eles sejam os protagonistas 
de uma nova ordem hegemônica na sociedade. 
Neste contexto, as autoras Cardoso e Lopes afirmam que:
É fundamental ressaltar a importância de todas essas estratégias de 
luta e resistência, sobretudo de união e organização dos trabalhadores 
e dos expropriados dos mais ínfimos direitos, mas é indispensável 
que tenhamos clareza de que a efetiva solução para o agravamento da 
questão social nos países de capitalismo dependente só é possível com 
a construção de uma sociedade alternativa ao capitalismo, que garanta 
a emancipação da humanidade e supere, portanto, as desigualdades 
sociais e a questão social. Uma tarefa que é, fundamentalmente, da classe 
trabalhadora, na qual as práticas profissionais, enquanto expressão da 
práxis, têm papel relevante. (CARDOSO; LOPES, 2009, p. 475).
TÓPICO 4 | A ATUAÇÃO DOS ASSISTENTES SOCIAIS NAS ORGANIZAÇÕES DA 
CLASSE TRABALHADORA E NAS ORGANIZAÇÕES PRIVADAS NÃO LUCRATIVAS
151
 SADER, Eder. Quando novos personagens entraram em cena: experiências e lutas dos 
trabalhadores da Grande São Paulo (1970-80). 5. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.
LEITURA COMPLEMENTAR
O TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL NAS ORGANIZAÇÕES 
PRIVADAS NÃO LUCRATIVAS
Mônica Maria Torres de Alencar
O processo da contrarreforma do Estado brasileiro com a transferência dos 
serviços sociais para o “terceiro setor” repercute na profissão de Serviço Social, 
no seu espaço ocupacional, nas condições e relações de trabalho, criando novas 
funções e competências. Mas, quais os elementos desse processo?
Historicamente, o Serviço Social constituiu-se como uma especialização 
do trabalho coletivo, na divisão sociotécnica do trabalho, no quadro do 
desenvolvimento das relações sociais capitalistas (IAMAMOTO, 1982). Para Netto 
(1992), o surgimento do Serviço Social como profissão vincula-se às peculiaridades 
da “questão social” em um momento histórico específico, o da ordem monopólica, 
a partir do qual se internaliza na ordem econômica, passando a ser alvo das 
políticas sociais. No marco histórico de crescente potencialização das contradições 
do capitalismo, alterou-se a dinâmica da sociedade, a qual redimensionou e 
refuncionalizou o Estado. 
DICAS
 Para você, acadêmico(a), aprofundar seu conhecimento diante deste tópico, é 
fundamental a leitura indicada abaixo:
152
UNIDADE 2 | O SERVIÇO SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
Entre os principais elementos, situa-se o argumento de sua base de 
sustentação e legitimação através da generalização e institucionalização dos 
direitos sociais (NETTO, 1993).
 
Durante esses anos, foi articulado um padrão de regulação social pautado 
no reconhecimento político dos direitos do trabalho, dando origem a um amplo 
processo de institucionalização do mercado de trabalho e de um sistema de 
proteção social calcado no Welfare State ou Estado-Providência. Abriu-se o espaço 
para a interiorização do conceito de direito e proteção social com a eclosão da 
perspectiva de cidadania nos termos de Marshall (1967), incluindo, além dos 
direitos civis, os direitos políticos e sociais. Passaram a ganhar força as concepções 
que feriam o primado do liberalismo pautado na autorregulação do mercado e 
legitimavam, apoiadas nas proposições keynesianas, a interferência do Estado nos 
processos econômicos e sociais.
Os chamados “anos dourados” se caracterizaram pela forte intervenção 
do Estado, que tornou-se o verdadeiro mestre de obras do processo global 
de reprodução do capital (BIHR, 1998, p. 113). No marco do chamado período 
fordista-keynesiano, ampliou-se e diversificou-se a intervenção do Estado: no 
plano econômico, além de suas funções de regulação conjuntural e de planificação, 
garantiu a produção e a socialização de um grande número de meios de produção; 
no plano social, garantiu a reprodução social da força de trabalho mediante a 
contratualização do salário direto, a instituição dos salários indiretos e ampla 
garantia das necessidades sociais, tais como habitação, saúde, educação, formação 
profissional, social e cultural; no plano político, o Estado criou as condições 
institucionais de um “equilíbrio de compromisso” entre o conjunto das classes 
sociais (BIHR, 1998, p. 113). Tornou-se possível compatibilizar a dinâmica da 
acumulação e da valorização capitalista com a garantia de direitos políticos e 
sociais mínimos (NETTO, 1993), no marco de um padrão de desenvolvimento 
econômico, sustentado por uma onda longa expansiva (MANDEL, 1982), o que 
tornou viável o financiamento da estrutura sociopolítica peculiar ao Welfare State.
O fato é que, por meio das políticas sociais, o Estado intervém sobre as 
sequelas da “questão social”, compondo áreas e campos através da intervenção de 
uma “instância política que, formal e explicitamente, mostrava-se como expressão 
e manifestação da coletividade”(NETTO, 2001, p. 30). Nesse contexto histórico, 
funda-se o espaço sócio-ocupacional para a configuração do mercado de trabalho 
do assistente social, determinado por um conjunto de demandas específicas que 
se adensam a partir de condições histórico-sociais particulares, que abrem “espaço 
em que se possam mover práticas profissionais como a dos assistentes sociais”, 
ou seja, “cria e funda a profissionalidade do Serviço Social” (NETTO, 2001, p. 69). 
No marco do conjunto de procedimentos técnico-operativos, que compõem as 
políticas sociais.
Ora, o conjunto de mudanças no padrão de resposta à questão social nas 
últimas décadas tem implicado o reordenamento do espaço socioprofissional, à 
medida que reconfigura de forma significativa o campo das políticas, mediante 
153
as tendências de privatização, mercantilização e refilantropização das formas de 
enfrentamento da “questão social”.
A retração do Estado quanto à responsabilidade no enfrentamento da 
questão social, mediante a transferência de responsabilidades do Estado para 
o “terceiro setor”, identificado erroneamente como a sociedade civil, altera 
substantivamente a orientação e a funcionalidade das políticas sociais, e, por 
consequência, a profissão sofre alterações na sua demanda e no seu campo 
de atuação, na sua modalidade de intervenção e no seu vínculo empregatício 
(MONTAÑO, 2002).
O primeiro elemento a assinalar é que aquele espaço profissional-
ocupacional dos assistentes sociais, constituído sob os princípios da politização 
da questão social, passa a ceder lugar às chamadas organizações sociais, imbuído 
dos princípios da ajuda e solidariedade e que pode levar à desprofissionalização 
do atendimento social. Para Iamamoto (2005), os projetos sociais das organizações 
privadas são movidos pelo interesse privado em detrimento do interesse público. 
Ocorre que, sendo o atendimento voltado para grupos e segmentos sociais 
específicos, ele tem por base os princípios da seletividade e da elegibilidade do 
atendimento social. O trabalho do assistente social passa a ter, portanto, sentidos 
e resultados sociais bem distintos, o que altera o significado sócio do trabalho 
técnico-profissional, bem como ainda seu nível de abrangência.
Por outro lado, observa-se que, com a tendência de redução do Estado, tem-
se a diminuição do espaço profissional do assistente social mediante os processos 
de diminuição das despesas estatais na órbita da esfera social, acarretando a 
racionalização dos gastos sociais com as políticas sociais, com implicações nos 
postos de trabalho para o assistente social na esfera pública, com a diminuição de 
demandas, sucateamento do aparato organizacional e institucional, a precarização 
das condições de trabalho, principalmente em face do perigo da terceirização.
Quanto ao mercado de trabalho aberto no chamado “terceiro setor”, este 
está muito “longe de se constituir como um canal minimamente expressivo e estável 
de absorção de profissionais (não só de assistentes sociais)”, dado que “apostar nas 
ONGs como saída profissional é desconhecer os graves riscos de pluriemprego” 
(NETTO, 1996, p. 122). De fato, a inserção dos assistentes sociais nestes espaços 
sócio-ocupacionais tende a ser caracterizada pela precariedade das inserções 
empregatícias, predominando a flexibilização das relações contratuais, marcada 
pela rotatividade de emprego, multiplicidade dos vínculos de trabalho e níveis 
salariais reduzidos, jornada de trabalho de tempo parcial (SERRA, 2000, p. 182). 
Para Netto (1996), configura-se uma processualidade que produz a fragmentação 
do mercado de trabalho que pode, inclusive, acarretar a desagregação profissional. 
A crescente segmentação do mercado de trabalho estabelece uma diferenciação nas 
condições de trabalho nas instituições estatais e nas da iniciativa privada e alterando 
as atribuições e papéis profissionais, efetivando numa direção conciliadora e/ou 
numa perspectiva doutrinadora (MONTAÑO, 2002). [...]
FONTE: Disponível em: <file///C:/Users/Public/Pictures/Downloads/5_-_Texto-base_V%20(3).
pdf>. Acesso em: 5 jan. 2015.
154
RESUMO DO TÓPICO 4
• No Brasil, através de um aprofundamento teórico-crítico da formação 
profissional, os assistentes sociais formulam uma crítica aos modelos de 
processos de trabalho, que eram aplicados pelos profissionais de Serviço Social, 
apontando para novas concepções históricas de emancipação profissional e 
social, envolvendo toda a sociedade.
• O movimento dos operários e as lutas sociais, entre o fim da década de 70 e 
início da década de 80, no Brasil, estavam crescendo, e em nível mundial iniciou 
a ascensão do projeto neoliberal.
• No Brasil, após o surgimento e fortalecimento do modelo conservador, os 
movimentos sociais começaram a declinar. 
• O Serviço Social reagiu a esse modelo, através da hegemonia da profissão pelo 
pensamento teórico de Marx.
• O projeto teórico-metodológico do Serviço Social, fundamentado na teoria 
marxista, teve um avanço nas condições objetivas de atuação, nos espaços de 
organização da classe.
• Entre as organizações de classe, que objetivam a mediação dos interesses dos 
trabalhadores no país, é notável que o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra 
(MST) foi um dos que conseguiu manter o seu projeto emancipatório.
• A CUT, e outras centrais dos trabalhadores, devido ao modelo de flexibilização 
e terceirização da produção, tiveram sua estrutura ideológica fragmentada. 
 
• A hegemonia ideológica, econômica, social e política da sociedade pelos 
trabalhadores não acontecerá fora do contexto das mudanças de sistemas 
econômicos, mesmo que não exista uma relação de vinculação entre as mesmas.
• O assistente social pode desenvolver as ações e/ou as estratégias, nas organizações 
da classe trabalhadora, como autônomo ou então assalariado. 
155
1 Como profissional do Serviço Social, descreva quais as perspectivas que 
o assistente social deve ter para executar os projetos prioritários numa 
organização da classe trabalhadora.
2 Descreva uma organização de classe dos trabalhadores, citando seus 
princípios.
AUTOATIVIDADE
156
157
UNIDADE 3
O SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL E AS 
POLÍTICAS PÚBLICAS NO SÉCULO XXI
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade você será capaz de:
• compreender o conceito de políticas públicas;
• analisar as políticas públicas;
• entender os ciclos das políticas públicas;
• compreender os conceitos das dinâmicas internas das políticas públicas;
• identificar teoricamente os problemas sociais da atualidade;
• entender o papel das políticas públicas na minimização dos problemas 
sociais;
• avaliar o desenvolvimento das políticas públicas no Brasil. 
A Unidade 3, última unidade deste Caderno de Estudos, está dividida em 
quatro tópicos. Serão apresentados os conceitos de políticas públicas para 
que o acadêmico consiga reconhecer os sujeitos e atores que nelas estão en-
volvidos e o papel do Serviço Social como profissão. Para um melhor apro-
fundamento do conteúdo e fixar melhor seus conhecimentos, no final de cada 
tópico você terá oportunidade de realizar as atividades propostas.
TÓPICO 1 – CONCEITUANDO AS POLÍTICAS PÚBLICAS
TÓPICO 2 – AS POLÍTICAS PÚBLICAS E OS SEUS CICLOS DE 
 EFETIVAÇÃO
TÓPICO 3 – AS POLÍTICAS SOCIAIS BRASILEIRAS E SUAS DIMENS ÕES 
TÓPICO 4 – AS POLÍTICAS PÚBLICAS SOCIAIS CONTEMPORÂNEAS 
 DO ESTADO BRASILEIRO
158
159
TÓPICO 1
CONCEITUANDO AS POLÍTICAS PÚBLICAS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico serão apresentados os principais conceitos teóricos existentes 
sobre as políticas públicas implementadas no Brasil, no sistema capitalista. Como 
foi apresentado no decorrer deste caderno, nas unidades anteriores, o Serviço Social, 
como profissão, em sua maioria está inserido nas políticas públicas. Diante disso, 
é de fundamental importância compreender alguns paradigmas que envolvem a 
atuação do profissional na execução dessas políticas: conceitos principais, sujeitose atores, análises do desenvolvimento sistêmico e a participação popular com as 
inovações nas políticas públicas. 
Esses paradigmas são importantes, pois irão subsidiar teoricamente a 
atuação prática do assistente social em todas as esferas dos setores públicos, tanto 
na elaboração, gestão, implementação e/ou execução das políticas públicas. As 
reflexões sobre as mesmas são de fundamental importância para compreender 
o papel do Estado diante das demandas sociais que afetam a sociedade 
contemporânea.
Os problemas sociais, oriundos das desigualdades sociais do capitalismo, 
estão sendo tratados como um conjunto de questões que resultam em ações 
articuladas em todos os níveis governamentais. 
Essas ações governamentais resultam nas políticas sociais e têm prioridade 
conforme decisões ideológicas de cada nível de governo. Podem ser consideradas 
as políticas públicas de maior relevância: educação, saúde, assistência social, 
trabalho e geração de renda, meio ambiente, habitação, entre outras. 
O Serviço Social, como profissão inserida na divisão sociotécnica do 
trabalho, tem um papel fundamental junto ao Estado no desafio de implementação 
das políticas públicas para combater as demandas sociais da atual conjuntura 
econômica, social e política do país.
UNIDADE 3 | O SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL E AS POLÍTICAS PÚBLICAS NO SÉCULO XXI
160
2 POLÍTICAS PÚBLICAS: CONCEITOS, CICLOS 
E ANÁLISES NO MODELO SISTÊMICO
As políticas públicas estão inseridas em um conjunto de ações 
governamentais que permeiam por toda a sociedade, através de decisões e 
diretrizes nas esferas sociais, urbanísticas, infraestrutura, ambiental, econômica, 
cultural, dentre outras.
Esse conjunto de decisões e diretrizes públicas se torna uma maneira de 
planejar a atuação governamental, com o objetivo de ordenar e coordenar os 
recursos financeiro, físico e pessoal destinados aos objetivos planejados, e que são 
“socialmente relevantes e politicamente determinados”. (BUCCI, 2002, p. 241).
Diante disso, pode-se afirmar que as políticas públicas se tornam 
instrumentos de organização governamental, com propriedades específicas, 
conforme aponta Kauchakje (2011, p. 76):
• Supõem a fixação de metas, diretrizes ou planos governamentais;
• Distribuem bens públicos;
• Transferem bens desmercadorizados;
• Estão voltados para os interesses públicos, que são pautados nos 
embates entre interesses sociais contraditórios, ou seja, sobrevivência 
versus desejo de obtenção de capital e lucro;
• São a base de legitimação do Estado. 
Para uma melhor compreensão da definição de políticas públicas, se 
faz necessário, inicialmente, definir alguns conceitos importantes que estão 
relacionados com as mesmas.
Um dos conceitos, que implica na ocorrência de diferentes concepções, é o 
de sociedade. Podem ser citados alguns pensadores clássicos que descrevem sobre 
essa questão, como Émile Durkheim, Marx Weber e Karl Marx, todos com uma 
visão conservadora ou crítica da sociedade capitalista do século XIX.
Émile Dukheim (1858-191): Para Durkheim, a sociedade é um conjunto 
de regras e normas, padrões de conduta, pensamentos e sentimentos inexistentes 
na consciência individual; os sentimentos não estão inseridos no coração, mas na 
experiência social, concretizada nas instituições, que têm o objetivo de instituir 
valores de referências. Ou seja, tudo está moldado antes de nascermos, e após a 
morte não irá junto para o túmulo.
As regras, normas e instituições são definidas por leis sociais, que têm 
características das leis naturais, e dirigem os fenômenos sociais, independente 
da vontade dos indivíduos.
Durkheim concebe a sociedade como um “todo harmônico”, onde existe 
TÓPICO 1 | CONCEITUANDO AS POLÍTICAS PÚBLICAS
161
um bem comum, tal qual um organismo; ele chega a dizer que, da mesma 
maneira que num corpo vivo certos órgãos ou tecidos recebem maior irrigação 
sanguínea por desempenharem funções vitais, na sociedade, certas classes que 
exercem ocupações fundamentais devem necessariamente ser privilegiadas. Assim 
se explicaria inclusive a concentração de poder e riquezas nas mãos da burguesia 
industrial, classe à qual o autor, não por acaso, estava ligado.
Max Weber (1864-1920): Weber não enxerga a sociedade como algo além ou 
acima do indivíduo; os padrões, as convenções, limites, regras etc. se constroem e se 
modificam pelas relações sociais estabelecidas no cotidiano dos indivíduos.
Tem a ver com as motivações dos indivíduos e com as relações que atribuem 
às suas ações com quem interagem. A sociedade é constituída nas relações sociais.
Para o autor: “As ideias coletivas, como o Estado, o mercado econômico, 
as religiões, só existem porque os indivíduos orientam reciprocamente suas 
ações, estabelecendo, dessa maneira, relações sociais que têm de ser mantidas 
continuamente pelas ações individuais.”
A visão weberiana tem a ver com a tradição liberal à qual se filia, isto é, a 
ênfase dada ao indivíduo como sendo o grande responsável com seus méritos e 
fragilidades por tudo o que existe, inclusive pela posição ocupada no quadro de 
classes sociais. 
Karl Marx (1818-1883): Marx diverge da concepção weberiana, não 
priorizando o indivíduo e suas motivações; sem enfatizar as condições materiais 
das quais parte, não se chega a nenhuma conclusão. Não é qualquer relação social 
que permite entender a sociedade, mas as suas relações de produção. 
O autor estava particularmente preocupado em estudar a sociedade 
capitalista e não em elaborar uma teoria geral sobre ela – esta era uma preocupação 
de Durkheim –, nesta sociedade as relações de produção se caracterizam pela 
propriedade privada dos meios de produção (máquinas, ferramentas, capital 
etc.); os detentores dos mesmos se acham em condições de explorar o trabalho 
daqueles que não são proprietários e que não possuem nada além da força de 
trabalho, usualmente oferecida em troca de um salário, onde a exploração se 
configura através da mais-valia absoluta, o trabalho não pago ao trabalhador 
que passa a ser capital acumulado pelo outro lado da relação: “o patrão”, 
representante da classe capitalista (a que acumula capital).
É essa relação que permite, portanto, a existência dessa sociedade. Sendo 
assim, sociedade para Marx não é um todo harmônico, onde as classes devem 
cooperar para o perfeito funcionamento do todo. 
FONTE: Adaptado de: <http://www2.ifrn.edu.br/ppi/lib/exe/fetch.php?media=textos:cap02:03_
classicos_sociologia_sociedade.pdf>. Acesso em: 13 fev. 2015.
UNIDADE 3 | O SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL E AS POLÍTICAS PÚBLICAS NO SÉCULO XXI
162
Então, pode-se concluir que sociedade é a união de grupos sociais, 
formados por pessoas com interesses diversos, porém completam-se atendendo 
às necessidades coletivas, e que têm como característica principal a diversidade e 
diferenciação social de seus componentes. Ou seja, as diferenças entre sexo, idade, 
estado civil, nacionalidade, religião, profissão, renda, como de valores, ideias, 
ideologias e outros atributos que estão inseridos nos indivíduos.
Essa diferenciação individual do conjunto que compõe uma sociedade 
originará contribuições para a satisfação das necessidades e interesses para a vida 
coletiva.
 FIGURA 41 – SOCIEDADE
FONTE: Disponível em: <http://queconceito.com.br/wp-content/uploads/
Sociedade1.jpg>. Acesso em: 9 jan. 2015.
Já o conceito de interesse está vinculado a qualquer valor considerado 
importante, que seja útil ou lucrativo em todos os segmentos, como moral, social e 
material, gerando assim necessidades de bens materiais ou ideais.
QUADRO 3 – DIFERENÇA ENTRE NECESSIDADES DE BENS MATERIAIS OU IDEAIS 
Necessidades materiais
Não são somente aquelas que se mencionam em 
relação à sobrevivência física da humanidade, como a 
moradia, alimentação, vestuário, e que dizem respeito 
também aos nossos desejos de consumo, de posse, de 
ostentação.
TÓPICO 1 | CONCEITUANDO AS POLÍTICAS PÚBLICAS
163
FONTE: A autora.
Necessidades ideais 
São aquelasque fazem alusão ao crescimento e 
desenvolvimento cultural e intelectual, religioso, 
através da participação em eventos e debates 
filosóficos e políticos, participação de cultos religiosos, 
independente da religião, ser coerente com seus 
pensamentos ideológicos. 
No determinado grupo social e/ou na sociedade em sua totalidade, os 
componentes e os grupos se associam, se separam e se dissociam, resultando em 
processos sociais associativos e não associativos (dissociativos).
 
Ao estudar os processos associativos, definem-se como cooperação, 
convivência e consenso grupal. E nos processos dissociativos, se firmam através da 
relação de divergências na oposição e conflitos, e que se manifestam de diferentes 
maneiras.
Os principais processos sociais associativos são: Cooperação, acomodação 
e assimilação. E os principais processos sociais dissociativos são: Competição e 
conflito. 
Estudando cada um desses processos se compreenderá as relações internas 
de sociedade.
Cooperação
 FIGURA 42 – COOPERAÇÃO
FONTE: Disponível em: <http://sociologiacemtn.blogspot.com.br/2011/02/
apostila-1-bimestre.html>. Acesso em: 10 jan. 2015.
UNIDADE 3 | O SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL E AS POLÍTICAS PÚBLICAS NO SÉCULO XXI
164
A cooperação é a configuração da interação social de diversos grupos e/
ou comunidade, diferentes indivíduos cogitam, através do trabalho, um resultado 
que tenha um mesmo fim. Vários exemplos a partir da organização de classe serão 
citados: reunião com pais de uma unidade infantil de ensino, para participarem na 
organização de um almoço festivo para arrecadar fundos; reunião de vizinhos para 
limpar uma área pública; mutirões de beneficiários de programas habitacionais 
para construírem suas próprias casas, associação de moradores etc.
Acomodação 
 FIGURA 43 – ACOMODAÇÃO 
FONTE: Disponível em: <http://2.bp.blogspot.com/-O1Jt3P2n5sQ/
TsfTriDAoHI/AAAAAAAAAAc/Qn8Pygtd37E/s1600/trite2.jpg>. Acesso 
em: 11 jan. 2015.
A acomodação acontece quando o ser humano não contesta a situação 
que lhe é imposta pela sociedade na sua totalidade, sem que ocorram mudanças 
internas. Um exemplo é a manipulação do pensamento das pessoas que ocorre 
pelos meios de comunicação. 
Assimilação 
TÓPICO 1 | CONCEITUANDO AS POLÍTICAS PÚBLICAS
165
FONTE: Disponível em: <http://www.tudum.com.br/como-ensinar-uma-
crianca-a-andar/>. Acesso em: 11 jan. 2015.
 
 FIGURA 44 – ASSIMILAÇÃO 
A assimilação ocorre quando os seres humanos, independente da sua 
condição social, se tornam semelhantes, através de transformações internas 
nas pessoas, ou de um grupo, na forma de pensar e agir. Um exemplo é o 
desenvolvimento físico de uma criança. 
Competição
 
 FIGURA 45 – COMPETIÇÃO
FONTE: Disponível em: <http://www.sobreadministracao.com/wp-content/
uploads/2011/03/mercado-de-trabalho.jpg>. Acesso em: 11 jan. 2015.
A competição ocorre quando os seres humanos lutam por interesses e 
objetivos próprios, lutando um contra o outro e buscando cada qual seu espaço 
mais elevado, culturalmente, politicamente, financeiramente, profissionalmente, 
entre outros, na sociedade. Alguns exemplos, como: vaga no mercado de trabalho, 
disputa no esporte, conquista de poder.
UNIDADE 3 | O SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL E AS POLÍTICAS PÚBLICAS NO SÉCULO XXI
166
Conflito
 FIGURA 46 – CONFLITO 
FONTE: Disponível em: <http://yurileveratto.com/po/articolo.php?Id=176>. 
Acesso em: 11 jan. 2015. 
Os conflitos sociais, como os outros processos sociais, são considerados 
formas de interação social que abrangem os seres humanos como indivíduos, 
organizações coletivas, grupos culturais, étnicos, entre outros. Esse processo se 
dá pelos choques entre interesses das classes sociais antagônicas nos diferentes 
segmentos da sociedade. 
Analisando a estrutura organizacional da sociedade, pode-se perceber que 
a mesma está interligada pela vivência coletiva. Apesar de existirem interesses 
diferentes, se faz necessário que os indivíduos realizem alguns consensos no que 
diz respeito às regras e limites para uma maior e melhor coletividade. 
 
A diferença existente entre os conflitos sociais e as competições se dá pela 
possibilidade do uso da violência para coibir as situações de confrontos, ou seja, 
de guerras. 
UNI
Os consensos entre as organizações coletivas se dão através de acordos 
construídos conforme seus princípios, valores e normas...
TÓPICO 1 | CONCEITUANDO AS POLÍTICAS PÚBLICAS
167
Nem sempre esses consensos acontecem pacificamente, e para administrá-
los internamente, nos conflitos sociais, se faz por meio da coerção e da política. 
A coerção é o ato de conter, de reprimir, de frear. O Estado, através da política, 
utiliza-se do seu poder soberano para exercer essa prática através de sua força pela 
coerção policial.
 FIGURA 47 – COERÇÃO POLICIAL
FONTE: Disponível em: <https://andradetalis.files.wordpress.com/2013/03/
polc3adcia-joga-spray-de-pimenta-em-fotografos-jornalista-e-ativistas-dos-
movimentos-sociais-que-defendem-objetivo-dispersar-manifestantes-qualquer-
maneira-vale-chute-pontapc3a9-tiros-de.jpg>. Acesso em: 13 jan. 2015.
A política pública tem um papel fundamental no controle dos conflitos, 
através da construção de consensos entre os interesses antagônicos dos setores 
envolvidos. O autor Schmitter (1984, p. 34) define o que é política de forma clara e 
simples. “Política é a resolução pacífica dos conflitos”. 
Analisando teoricamente este conceito sobre política, conclui-se que é um 
conceito amplo e não tem muitas discriminações. Para Rua (1998), se faz necessário 
delimitar mais, sendo que, para a autora, política é um conjunto de métodos formais 
e informais que se concretizam nas esferas de poder, e que visam à solução pacífica 
dos conflitos que envolvem tanto o poder como os bens públicos.
No senso comum, a grande maioria das pessoas define política como sendo 
somente no período eleitoral, onde a disputa pelo cargo eleitoral se dá na promessa 
e/ou proposta de uma melhor qualidade de vida social. Porém, muitos desses 
candidatos não conhecem ou se fazem de desentendidos a respeito da dimensão 
política que envolve o setor público, e usam o eleitor como trampolim para sua 
ascensão pessoal e política. 
Diante desse contexto, relacionam as ações públicas com as promessas 
eleitorais, tornando as pessoas desacreditadas da “política”, e que ficam à mercê 
desses processos. Conforme vimos nas unidades anteriores, o capitalismo se 
reorganiza conforme seus interesses, e no campo governamental acontece através 
das políticas públicas.
UNIDADE 3 | O SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL E AS POLÍTICAS PÚBLICAS NO SÉCULO XXI
168
As políticas públicas se referem às elaborações, articulações e reformulações 
de decisões realizadas pelo poder público, sendo que o desenvolvimento das 
mesmas acontece nos setores públicos, buscando uma atuação coletiva. 
QUADRO 4 – QUAL A DIFERENÇA ENTRE DECISÃO POLÍTICA E POLÍTICAS PÚBLICAS?
DECISÃO POLÍTICA POLÍTICA PÚBLICA
Significa o resultado das opções de 
diversas alternativas, propostas pelos 
intérpretes envolvidos, conforme o grau 
de importância e dos objetivos a que se 
pretende chegar, bem como dos meios 
disponíveis para alcança-los.
 
É o processo que resulta na implementação das diversas 
ações oriundas das decisões políticas escolhidas. Mesmo 
que a política pública esteja envolvida pelas decisões 
políticas, nem todas as decisões políticas se tornam 
políticas públicas. Como exemplo de decisão política e 
que não se torna uma política pública, é o aumento da 
passagem de ônibus municipais, sendo uma decisão entre 
pessoas interessadas do poder público e privado, e através 
de decreto do gestor público se é executado. Mas o SUAS, 
SUS, os diversos programas de financiamento da educação 
de terceiro grau, ou então os financiamentospara cursos 
de ensino técnico, são políticas públicas.
FONTE: A autora.
Mesmo que as políticas públicas se relacionem com os setores privados 
e sociais, como, por exemplo, a família, a religião, o mercado, na elaboração e 
implementação elas não são privadas, continuam sendo públicas, e tendo o Estado 
poder legítimo sobre as mesmas, pois envolve instrumentos, conteúdos e aspectos 
de intervenção institucional pública. Os instrumentos são as formas utilizadas 
para alcançar um objetivo, os conteúdos são todos os objetivos que estão inseridos 
no contexto das políticas públicas, e os aspectos são os processos institucionais 
necessários para efetivação das mesmas.
Queiroz (2011, p. 97) sintetiza a política pública como sendo:
Em síntese, as políticas públicas são, no Estado democrático de 
direito, os meios que a administração pública dispõe para a defesa 
e a concretização dos direitos de liberdade e dos direitos sociais dos 
cidadãos, estabelecidos numa Constituição Federal. 
TÓPICO 1 | CONCEITUANDO AS POLÍTICAS PÚBLICAS
169
 Para entender e compreender o papel do Serviço Social nas políticas 
públicas contemporâneas é necessário esclarecer qual é a importância de uma 
análise das políticas públicas. O autor Wildavski (1968, p.15) expõe: 
[...] o papel da análise de política é encontrar problemas onde soluções 
podem ser tentadas, ou seja, “o analista deve ser capaz de redefinir 
problemas de uma forma que torne possível alguma melhoria”. Portanto, 
a análise de política está preocupada tanto com o planejamento como 
com a política. 
Nesse sentindo, a análise de política pública é uma tarefa multidisciplinar, 
que tem como objetivo analisar as ações desenvolvidas no governo e suas 
consequências para a sociedade.
Para os autores Ham e Hill (1985), o estudo sobre as análises das políticas 
públicas está classificado em duas classes, sendo elas:
• A classe que tem como objetivo formular, programar e avaliar os conhecimentos 
produzidos nesses processos de elaboração das ações políticas, resultando numa 
orientação extremamente descritiva.
• A classe que está destinada a auxiliar os formuladores das políticas públicas, 
adicionando conhecimento ao processo de elaboração das mesmas, e assume um 
papel fundamental na orientação das decisões, tendo uma função com caráter 
prescritivo ou propositivo.
IMPORTANT
E
As políticas públicas se tornam o resultado das ações das decisões políticas, 
objetivando a resolução de conflitos sociais.
IMPORTANT
E
Toda a análise da política pode ter como objetivos: aperfeiçoar o entendimento 
no que se refere à política e também do processo político, e apresentar propostas para um 
melhor desenvolvimento e aperfeiçoamento das políticas públicas em todos os setores e 
esferas governamentais.
UNIDADE 3 | O SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL E AS POLÍTICAS PÚBLICAS NO SÉCULO XXI
170
 As políticas públicas, ao serem elaboradas, se fundamentam em várias 
teorias e metodologias, sendo duas delas que se destacam:
• A primeira é o método racional-compreensivo, que está atrelado com a 
macropolítica e suas análises do contexto político e institucional.
• A segunda é o método incrementalista, que se coliga à micropolítica e na 
investigação de soluções para situações problemáticas mais imediatas e urgentes.
Lindblom (1981) faz uma avaliação crítica sobre o método racional-
compreensivo. Segundo ele, este método parte da probabilidade de que a 
intervenção nas políticas públicas deve fundamentar-se numa ampla análise 
relacionada com os problemas sociais e que crie estratégias para atender os 
problemas sociais mais relevantes da sociedade, visando a implementação dos 
objetivos já constituídos.
 Nesse método, segundo a visão do autor, as decisões adotadas devem 
levar em consideração a totalidade dos atores envolvidos, requerendo muitas 
informações, metodologias e análises dos processos em execução, para conseguir 
atender aos objetivos propostos. Por ser um método que determina a adaptação 
dos meios e fins, o autor define como “análise política”.
O autor defende que a sociedade precisa de decisões e respostas imediatas 
para a solução das demandas que são impostas pelo sistema capitalista. Diante 
disso, defende que as políticas públicas estejam fundamentadas no método 
incremental, pois as ações são imediatistas, sem uma análise e implementação de 
programas contínuos.
Para o melhor desenvolvimento das políticas públicas, é necessário ter um 
consenso em torno das duas teorias, mesmo que no método racional-compreensivo, 
devido à sua complexidade, um consenso se torne mais difícil. 
UNI
Faz-se necessário trabalhar com a “análise de políticas”, visando à discussão 
setorial das demandas.
TÓPICO 1 | CONCEITUANDO AS POLÍTICAS PÚBLICAS
171
Para Dey (1981), são identificados vários padrões de estudo sobre as 
políticas públicas, que são:
• Modelo institucional: destaque é para o poder do Estado na elaboração e 
implementação das políticas públicas.
• Modelo da teoria do grupo: a política é vista como artifício para obtenção de 
igualdade e equilíbrio entre os diferentes interesses dos grupos.
• Modelo elitista: a política é vista como o resultado dos interesses da classe 
dominante, das elites da sociedade e governamentais.
• Modelo de política racional: a política deve realizar o cumprimento das metas 
planejadas, envolvendo cálculos dos valores sociais, econômicos e políticos 
como ideia de eficiência no desenvolvimento das políticas públicas.
• Modelo da teoria dos jogos: a política é como um jogo, com escolhas racionais 
de seus atores, tornando-se um contexto de competitividade, onde se tem que 
escolher pelas opções dadas.
• Modelo incrementalista: é a continuação das políticas públicas já implantadas 
e que estão sendo aplicadas, porém com algumas modificações para a sua 
melhoria.
• Modelo sistêmico: a política é defendida como o resultado de um modelo ou 
de um sistema político, que é um conjunto de composições e processos que se 
relacionam entre si, produzindo valores para a sociedade em sua totalidade. 
 FIGURA 48 – MODELO SISTÊMICO
FONTE: Disponível em: <http://www.portaldodesenvolvimento.com.
br/estrategias-de-desenvolvimento-local-e-regional-clusters-politica-
de-localizacao-e-competitividade-sistemica/>. Acesso em: 22 jan. 
2015.
UNIDADE 3 | O SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL E AS POLÍTICAS PÚBLICAS NO SÉCULO XXI
172
Além da classificação referenciada acima, existe ainda a definição dos tipos 
de política pública, que se dá pelas formas diferentes de serem uma da outra, 
sendo divididas pelos seguintes tipos: 
• Políticas estabilizadoras: seu objetivo é elevar o nível de empregos, estabilizar 
os preços e gerar o crescimento econômico, aumentar a renda per capita. 
A efetivação dessa política acontece por dois vieses econômicos, sendo os 
primeiros os fiscais, que têm como exemplo a política tributária; e por segundo, 
os monetários, que têm como exemplo na política monetária o controle da oferta 
do papel-moeda, as taxas de juros.
• Políticas reguladoras: o objetivo é regular a atividade econômica, através de 
legislação específica e disposições administrativas, o que a tem tornado uma das 
políticas regulamentadoras mais eficientes diante das concessões dos serviços 
públicos para iniciativas privadas. Exemplos dessas políticas são os órgãos de 
defesa e proteção ao consumidor, PROCON, que estão atuando em todo o Brasil 
na defesa dos direitos dos consumidores.
• Políticas alocativas: o objetivo é oferecer bens e serviços através das políticas 
públicas que são oferecidas para a população, independente da condição social. 
Têm como exemplo os serviços públicos de transportes.
• Políticas distributivas: têm como objetivo as distribuições de benefícios 
individuais e/ou de renda, e que normalmente são efetuadas pelo modelo 
clientelista. Um exemplo utilizado para essa política é o Programa “Criança 
Esperança”, onde os recursos arrecadados são distribuídos.
• Políticas compensatórias:essa política tem como objetivo atender a população 
que encontra-se em vulnerabilidade social, acontece através da transferência de 
renda ou de recursos materiais e tem por finalidade a garantia de direitos do 
cidadão. Um exemplo de políticas compensatórias são as políticas públicas de 
erradicação da pobreza, onde se pode citar o Programa Bolsa Família, sendo 
esse um programa de governo, inserido em uma política pública.
As políticas públicas acontecem em um contexto marcado pelas relações 
de poder entre o Estado e a sociedade. Em muitas situações se tornam tensas, 
pela dimensão política que envolve os interesses coletivos e individuais de cada 
segmento. Para realizar uma análise das mesmas se faz necessário compreender 
os ciclos políticos, levando em consideração as suas principais dimensões e suas 
complexidades.
O processo político acontece diante do ciclo de políticas, resultando 
no conjunto de ações políticas que permite, assim, a identificação e análise dos 
processos políticos e seus interesses. 
O ciclo das políticas pode ser identificado por fases consecutivas, sendo 
elas:
TÓPICO 1 | CONCEITUANDO AS POLÍTICAS PÚBLICAS
173
• A elaboração de uma agenda, que acontece quando alguma circunstância se 
torna um problema para a sociedade, como também um problema político, 
onde grupos de gestores públicos e sociedade civil priorizam a discussão.
• A elaboração de alternativas acontece quando o grupo ligado nas discussões 
consegue envolver o problema social/político nas atividades desenvolvidas, 
através de propostas para resolução do mesmo. Nem sempre as discussões 
acontecem com os mesmos interesses; a partir do momento em que se consegue 
chegar a um consenso, que seja melhor para a maioria, acontece a chamada 
tomada de decisão.
• A tomada de decisão nem sempre constitui o conjunto final das decisões que 
foram tomadas para a resolução do problema, que poderá se tornar uma política 
pública, e sim em decisões que poderão auxiliar na formação de um núcleo da 
política que poderá ser implementada.
• A implementação de uma política pública é o conjunto das decisões que 
foram deliberadas pelo grupo de gestores e/ou sociedade civil, e que resulta 
em uma política pública. Para a implementação de alguma política pública se 
faz necessário um planejamento estratégico das ações a serem implementadas, 
pontuando metas, objetivos, público a ser atendido, prazo, recursos pessoais 
e financeiros, entre outros, além do monitoramento contínuo das ações, que 
atualmente é um instrumento de gestão das políticas públicas, e, por último, a 
avaliação de todo o processo.
• A avaliação tem como objetivo avaliar os resultados positivos e negativos de uma 
determinada política pública, a avaliação pode expressar critérios e valores para 
serem revistos e ajustados a fim de que os objetivos esperados sejam alcançados. 
Os elementos básicos de uma avaliação são:
• critérios;
• indicadores;
• padrões. 
E os principais critérios que estão sendo usados para avaliações são:
• economicidade;
• eficiência econômica; 
• eficiência administrativa;
• eficácia;
• equidade.
UNIDADE 3 | O SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL E AS POLÍTICAS PÚBLICAS NO SÉCULO XXI
174
FIGURA 49 – CICLOS DAS POLÍTICAS
FONTE: Disponível em:<http://www.igepri.org/observatorio/?p=6794>. Acessado em: 23 
jan. 2015.
Após o período de implementação, de amadurecimento e estabilização, 
as políticas públicas tendem a ganhar certa autonomia, como se tivessem vida 
própria. Em muitos casos, após a implementação de uma política pública a causa 
da sua criação foi resolvida, porém a política continua sendo aplicada, decorrente 
da sua organização estratégica e política.
Implementação
TÓPICO 1 | CONCEITUANDO AS POLÍTICAS PÚBLICAS
175
ALENCAR, Mônica Maria Torres de Almeida; NEY, Luiz Teixeira de. Serviço Social: trabalho e 
políticas públicas. Imprenta: São Paulo, Saraiva, 2012.
DICAS
Acadêmico, a leitura desse livro é fundamental para você aprofundar melhor o seu 
conhecimento.
UNIDADE 3 | O SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL E AS POLÍTICAS PÚBLICAS NO SÉCULO XXI
176
LEITURA COMPLEMENTAR
POLÍTICAS PÚBLICAS: a implementação como objeto de reflexão teórica e 
como desafio prático
 Angela Maria Siman
Considerando o amplo, diversificado e indefinido uso do termo política, 
o primeiro desafio que se apresenta, para o estudo de políticas públicas, é o de 
esclarecer o seu significado na perspectiva da ciência política. De maneira geral, as 
pessoas, fora do universo científico, definem política como o momento eleitoral em 
que um grande número de candidatos disputa um cargo no governo, e em nome 
disso fazem uma série de promessas em termos de promoção do bem-estar social, 
levando os indivíduos a acreditarem na boa vontade e altruísmo. 
Nessa visão, são os políticos profissionais que, portanto, fazem a política. 
Em muitos casos, e muito frequentemente, as pessoas são céticas e tendem a 
considerar a política como algo ou alguém que é, por natureza, nocivo à sociedade, 
ou seja, os politiqueiros são indivíduos imbuídos do desejo de maximizar seus 
interesses particulares, e isso faz com que as pessoas prefiram manter-se alheias 
a esses processos, como se a política não fosse parte constitutiva essencial da vida 
social. 
De qualquer modo, mesmo para os mais descrentes e os menos esclarecidos, 
política diz respeito a governo, ou seja, ela se relaciona, diretamente, com as ações 
do governo, embora não haja na literatura pertinente uma definição clara e precisa 
do conceito. 
Segundo Max Weber (1921), “o conceito é extremamente amplo e 
compreende qualquer tipo de liderança independente em ação”.
Contudo, é possível fazer, ainda que de maneira puramente conceitual, 
uma distinção entre o termo política para fazer referência ao exercício de alguma 
forma de poder, que é a capacidade de influenciar o comportamento das pessoas, 
e o termo policy como tradução da ideia de organizações oficiais ou Estado, cujo 
trabalho é cuidar da ordem pública, formulando e tomando decisões que afetam 
a coletividade. Em outras palavras, policy significa a atividade do governo de 
desenvolver políticas públicas.
Para a maioria dos estudiosos, políticas públicas referem-se à alocação 
imperativa de valores pelo Estado para a sociedade, ou seja, expressam a capacidade 
do governo em realizar as preferências dos cidadãos. 
Nesse sentido, os governos devem ser perfeitos agentes do público 
(PRZEWORSKI, 1995), a ação do Estado torna-se condição necessária, como suporte 
institucional, para a busca da justiça social. Esse entendimento vai encontrar 
TÓPICO 1 | CONCEITUANDO AS POLÍTICAS PÚBLICAS
177
respaldo teórico nas análises que salientam as limitações do mercado, tanto no que 
se refere ao crescimento econômico, como no âmbito dos aspectos relacionados às 
desigualdades sociais. 
O Estado passa a ser visto como uma instância institucional competente 
de coordenação de interesses, corrigindo ou eliminando as imperfeições e falhas 
que operam no mercado. Dentre suas tarefas essenciais destaca-se a promoção da 
justiça social, traduzida em termos de um compromisso com os direitos sociais dos 
indivíduos concebidos como cidadãos.
As estruturas e instituições governamentais sempre foram o foco central 
dos estudos da ciência política. As atividades políticas são sempre vistas como 
concentradas em alguma instituição governamental particular, o que significa 
dizer que há uma estreita relação entre política pública e instituição governamental. 
Nessa perspectiva, a política é considerada como output institucional, ou seja, 
a política só se torna pública quando ela é adotada, implementada e garantida 
por alguma instituição governamental, que lhe concede legitimidade através das 
obrigações legais que fundamentam a obediência dos indivíduos às prescrições do 
Estado. 
E mais, somente o Estado produz políticas públicas universalistas, 
garantindo sua execução através da coerção, isto é, uma violação das políticas é 
punida legitimamente pelo Estado.FONTE: SIMAN, Angela Maria. Políticas públicas: a implementação como objeto de reflexão 
teórica e como desafio prático. Tese apresentada ao Programa de Doutorado em Ciências Sociais 
da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo 
Horizonte, 2005. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cp009595.
pdf>. Acesso em: 23 jan. 2015.
178
Neste tópico você teve a oportunidade de aprender sobre:
• As políticas públicas estão inseridas em um contexto social, político e econômico.
• O conceito de sociedade.
• Diferença entre necessidades de bens materiais ou ideais.
• Os processos associativos definem cooperação, convivência e consenso grupal. 
• Os processos dissociativos se firmam através da relação de divergências na 
oposição e conflitos, e se manifestam de diferentes maneiras.
• Os principais processos sociais associativos são: Cooperação, acomodação e 
assimilação. 
• E os processos sociais dissociativos principais são: Competição e conflito.
• Os conflitos sociais, como os outros processos sociais, são considerados formas de 
interação social que abrangem os seres humanos como indivíduos, organizações 
coletivas, grupos culturais, étnicos, entre outros.
• A diferença existente entre os conflitos sociais e as competições se dá pela 
possibilidade do uso da violência para coibir as situações de confrontos, ou seja, 
de guerras. 
• A política tem um papel fundamental no controle dos conflitos, através da 
construção de consensos entre os interesses antagônicos dos setores envolvidos.
• As políticas públicas se referem às elaborações, articulações e reformulações 
de decisões realizadas pelo poder público, sendo que o desenvolvimento das 
mesmas acontece nos setores públicos, buscando uma atuação coletiva.
• Análise de política pública é uma tarefa multidisciplinar, que tem como objetivo 
analisar as ações desenvolvidas no governo, e suas consequências para a 
sociedade.
• As políticas públicas, ao serem elaboradas, são fundamentais em várias teorias 
e metodologias.
• Os modelos de políticas públicas são: modelo institucional, modelo da teoria do 
grupo, modelo elitista, modelo de política racional, modelo da teoria dos jogos, 
modelo incrementalista, modelo sistêmico.
RESUMO DO TÓPICO 1
179
• As políticas públicas acontecem em um contexto marcado pelas relações de 
poder entre o Estado e a sociedade.
• O processo político acontece diante do ciclo de políticas, resultando no conjunto 
de ações políticas.
• O ciclo das políticas pode ser identificado por fases consecutivas.
• Os elementos básicos de uma avaliação são: critérios, indicadores, padrões.
• Os principais critérios que estão sendo usados para avaliações são: economicidade, 
eficiência econômica, eficiência administrativa, eficácia e equidade.
• Os tipos de políticas públicas.
180
Pesquise em sua cidade, comunidade, bairro ou ambiente de trabalho 
um exemplo prático: Cooperação, acomodação e assimilação. Justificando 
através de um pequeno texto o motivo por ter selecionado cada um deles, 
importante citar a fonte de onde se tirou cada situação.
AUTOATIVIDADE
181
TÓPICO 2
AS POLÍTICAS PÚBLICAS E OS SEUS CICLOS 
DE EFETIVAÇÃO
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico serão apresentados os fundamentais conceitos e exemplos 
práticos que são utilizados para entender os ciclos das políticas públicas e a 
efetivação das mesmas na sociedade, através dos processos que discutem e avaliam, 
produzem e reproduzem as novas políticas públicas.
Nesses processos são apontados diversos contextos teóricos e práticos que 
precisam ser estudados para entender as mudanças internas e externas que ocorrem 
durante a implantação e desenvolvimento das políticas públicas. Entre eles estão: 
tipos e lógicas na formulação das agendas para a elaboração das políticas públicas, 
levantamento de demandas, pontuar as decisões deliberadas e as não deliberadas, 
mapeamento da rede de atendimento, forma de comportamento e envolvimento 
dos atores envolvidos, negociação dos conflitos e interesses existentes, elaboração 
de modelos e critérios de avaliação, que podem ser através de: eficiência, eficácia, 
efetividade, equidade, sustentabilidade e monitoramento das políticas públicas no 
Brasil.
Também se faz necessário entender os conceitos e a evolução e 
regulamentação das políticas públicas no país nas diversas áreas existentes para 
atender as necessidades da população que delas necessita e suas constantes 
transformações.
182
UNIDADE 3 | O SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL E AS POLÍTICAS PÚBLICAS NO SÉCULO XXI
2 ELABORAÇÃO E EFETIVAÇÃO DAS POLÍTICAS 
PÚBLICAS NO CONTEXTO DO SISTEMA CAPITALISTA
FIGURA 50 – POLÍTICAS PÚBLICAS
FONTE: Disponível em: <http://primeirainfancia.org.br/?m=20110706&cat=3>. 
Acesso em: 26 jan. 2015.
Para iniciar os estudos sobre a elaboração e efetivação das políticas públicas 
é necessário entender a metodologia que é utilizada por gestores públicos para que 
seus interesses políticos consigam atender a demanda imposta pela sociedade. 
Inicialmente se faz necessário compreender o início desse processo, 
que acontece através de uma “agenda de política pública”, que incide em uma 
classificação de prioridades preestabelecidas, onde gestores públicos usam do seu 
poder enquanto governo para impor seus interesses, tornando-se um método de 
exercer o poder e de competitividade.
No debate que envolve as políticas públicas se torna comum o uso de várias 
formas da terminologia e significado das “agendas”, como, por exemplo: “agendas 
da sociedade”, “agendas de governo” e/ou “agendas de Estados”, e isto acontece 
devido aos interesses diversos dos segmentos da sociedade. 
O termo “agendas da sociedade” pode-se considerar como sendo uma 
agenda sistêmica, pois faz referência a um conjunto de questões que interessam 
tanto ao poder público como à sociedade civil. Como exemplo de uma agenda 
sistêmica podemos citar: a violência urbana, a degradação do meio ambiente, 
saneamento básico, moradia.
TÓPICO 2 | AS POLÍTICAS PÚBLICAS E OS SEUS CICLOS DE EFETIVAÇÃO
183
FIGURA 51 – AGENDA SISTÊMICA
FONTE: Disponível em: <http://www.gazetadopovo.com.br/blogs/giro-sustentavel/
seminario-aponta-avancos-nos-objetivos-do-milenio/> Acesso em: 26 jan. 2015.
Internamente, em um governo, pode-se ainda ter as “agendas de decisões”, 
que são deliberações tomadas em médio e curto prazo e que podem envolver 
não só o Poder Executivo, mas também o Legislativo e o Judiciário. Exemplo: 
desapropriação de uma área de risco, que está ocupada irregularmente, onde o 
poder jurídico pode entrar com uma ação para demolição e retirada das pessoas 
que residem em áreas consideradas de risco.
Para Rua (2009, p. 67), “A formação da agenda é fortemente afetada, de 
um lado, pelos atores políticos; e, de outro, pelos processos de evidenciação dos 
temas”.
IMPORTANT
E
A “agenda governamental” tem como suporte o conjunto de questões e problemas 
específicos que um governo, tanto nos níveis federal, estadual e municipal, resolveu ter 
como prioridade para resolver. E que dependerá de fatores e acordos entre partidos políticos, 
ideologias, mobilização e visibilidade política.
184
UNIDADE 3 | O SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL E AS POLÍTICAS PÚBLICAS NO SÉCULO XXI
FIGURA 52 – AGENDAS DE DECISÕES
FONTE: Disponível em: <http://extra.globo.com/noticias/rio/ha-tres-anos-mp-
entrou-com-uma-acao-para-demolir-as-construcoes-em-areas-de-risco-no-
caleme-em-teresopolis-914490.html>. Acesso em: 26 jan. 2015.
Na elaboração das agendas, em todas as suas categorias ela é influenciada 
por atores que representam algum setor de interesse governamental, e esses são 
classificados em duas tipologias, sendo elas:
QUADRO 5 – ATORES GOVERNAMENTAIS / NÃO GOVERNAMENTAIS
ATORES GOVERNAMENTAIS ATORES NÃO GOVERNAMENTAIS
Os atores governamentais são todos os 
cargos eletivos, desde o cargo da Presidência 
da República a outros políticos eleitos 
em todas as esferas governamentais; 
funcionários públicosnomeados ou de 
carreiras, funcionários do Poder Judiciário 
e do Legislativo, empresas do setor público 
e as organizações governamentais.
Os atores não governamentais são os que compõem 
grupos de instituições de ensino, pesquisa, núcleos 
acadêmicos, empresas de consultoria, organizações 
internacionais (ONU, Unesco), e privadas (Organizações 
Globo), sindicatos de classes de trabalhadores ou 
patronais , associações de categorias profissionais, 
partidos políticos, empresas privadas, organizações não 
governamentais, movimentos sociais (MST, Movimento 
ambientalista, Movimento feminista, Movimento da luta 
contra homofobia, entre outros), igrejas.
FONTE: A autora
As configurações e as capacidades de desenvolvimento das ações dos atores 
envolvidos nas discussões das diferentes formas de agendas estão condicionadas 
na relação do espaço e do tempo.
Nesse sentido, vários exemplos poderão ser citados com atores 
governamentais e não governamentais. Entre os atores governamentais pode-se 
TÓPICO 2 | AS POLÍTICAS PÚBLICAS E OS SEUS CICLOS DE EFETIVAÇÃO
185
citar a relação do poder público com as políticas públicas de economia solidária no 
Brasil, onde diversos segmentos do poder público, através de funcionários efetivos 
e nomeados, se envolveram, sendo uma política pública defendida pelos interesses 
ideológicos do governo do Presidente Lula, que afetaria as políticas econômicas e 
sociais com programas e projetos que alcancem os objetivos políticos da política 
pública da economia solidária. Com os atores não governamentais pode-se usar 
como exemplo o crescimento das igrejas e templos evangélicos no Brasil, num 
país que no seu contexto histórico a religião católica foi predominante, e com o 
passar dos anos as igrejas evangélicas começaram a se fortalecer, tendo influência 
também no campo político. 
Em relação aos atores, existe ainda uma subdivisão interna na sua tipologia, 
diante da exposição pública, sendo eles:
• Atores visíveis: são aqueles que ganham a maior visibilidade da mídia e de 
toda a sociedade, como, por exemplo, cargos políticos: presidente da República, 
senadores, deputados federais e estaduais, governadores estaduais, prefeitos 
municipais, vereadores, lideranças políticas dos partidos políticos, as entidades, 
organizações civis, os movimentos sociais com maior relevância social.
• Atores invisíveis: são aqueles que estão envolvidos diretamente com a questão 
burocrática na efetivação das ações definidas nas agendas das políticas públicas. 
Por exemplo: funcionários de carreira e/ou que são nomeados como cargos de 
confiança, que normalmente desenvolvem alguma atividade ou têm vínculos 
com os movimentos sociais. Acadêmicos, assessores parlamentares, consultores 
que prestam assessoria especializada. Sendo que esses atores possuem uma 
maior influência para elaborar alternativas que dão a solução para as demandas 
das políticas.
Para Rua (2009), outro fator que influencia na elaboração das agendas 
de políticas é a evidência que as demandas ganham perante o processo de suas 
efetivações, e que variam da seguinte maneira:
• o reconhecimento da existência de problemas, a partir de eventos 
momentâneos, da forma de manifestação das demandas, das crises e 
das informações sobre eventos (indicadores, estatísticas, pesquisas e 
outras fontes);
• a proposição de políticas públicas que é afetada pela ação dos atores 
visíveis, dos atores invisíveis e das comunidades políticas. Ou seja: nas 
organizações governamentais, no meio acadêmico, nos partidos políticos 
ou nas organizações da sociedade, costumam já existir propostas que 
viabilizam a solução de determinados problemas; e
• o fluxo da política, que envolve o clima de sentimento nacional com 
relação aos governos e aos temas, as forças políticas organizadas e a 
disputa interpartidária e eleitoral. (RUA, 2009, p. 69).
186
UNIDADE 3 | O SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL E AS POLÍTICAS PÚBLICAS NO SÉCULO XXI
Uma melhor compreensão das metodologias utilizadas na elaboração das 
agendas só ocorrerá se forem analisados alguns aspectos referentes às demandas 
da sociedade na sua totalidade. As demandas, por serem tratadas como questões 
sociais, econômicas e/ou políticas, nem sempre são as mesmas, iguais ou com o 
mesmo caminho, e podem abranger várias esferas de políticas públicas, como a 
social, a defesa, econômica, cultural, esporte, entre outras.
 FIGURA 53 – DEMANDAS POLÍTICAS
FONTE: Disponível em: <http://www.redehumanizasus.
net/10019-a-exploracao-da-demanda-reprimida-como-vantagem-
mercadologica>. Acesso em: 27 jan. 2015.
Se analisarmos as demandas existentes nas agendas das políticas, pode-se 
perceber que existem três conceitos sobre as mesmas, que são:
• Demandas novas: são decorrentes de novas questões, oriundas das 
transformações sociais e/ou tecnológicas, que envolvem novos atores políticos, 
e ganham visibilidade no debate político. Um exemplo concreto sobre uma 
demanda nova na agenda governamental, como uma política de defesa, foi 
a descoberta, pela Petrobrás, de petróleo na região do pré-sal, onde se teve a 
necessidade da intervenção da defesa naval.
• Demandas recorrentes: estão expressas nos problemas que não se consegue 
resolver ou que foram mal resolvidos e acabam voltando para a discussão 
política e na agenda de governo. A educação e a habitação são exemplos de 
demandas recorrentes da política social. Se um município investe recursos na 
construção de uma unidade de educação infantil, creche, em um determinado 
bairro, pode resolver a demanda daquela comunidade, mas não consegue 
resolver de toda uma cidade. Ou então, programas habitacionais, onde toda 
a demanda habitacional não é atendida, as agendas governamentais criam 
critérios de seleção das prioridades aos beneficiários.
TÓPICO 2 | AS POLÍTICAS PÚBLICAS E OS SEUS CICLOS DE EFETIVAÇÃO
187
• Demandas reprimidas: são os problemas ou questões da sociedade que 
não chegam às agendas políticas, que muitas vezes não são de interesses 
governamentais, que chegam a ser barradas pelos chamados atores invisíveis, ou 
então que não sensibilizam os poderes governamentais. Como exemplo pode-se 
citar a falta de profissionais especializados nos diversos setores da agenda das 
políticas de saúde, sendo que os usuários são inscritos em filas de espera para 
serem atendidos. Para Rua (1998), as demandas reprimidas podem se constituir 
“estado de coisa” ou situações de “não decisão”. Sendo “estado de coisa”, pelo 
tempo que se demora para que a questão que incomoda a sociedade como um 
todo seja resolvida pelo poder público.
A sobrecarga de demandas acontece quando as demandas são acumuladas 
de forma excessiva, sem soluções admissíveis por parte dos atores responsáveis, 
gerando uma crise que pode ameaçar a estabilidade política de um determinado 
sistema e também levando em muitas situações à ruptura institucional, gerando 
crises governamentais, como as influências das tantas complexidades que envolvem 
todas as demandas reprimidas, como as novas, gerando assim uma diminuição no 
apoio e envolvimento para encaminhamento das soluções plausíveis. 
Em nossas vidas, tanto no campo pessoal como profissional, somos levados 
diariamente a tomarmos decisões importantes que podem refletir positivamente ou 
negativamente no decorrer de uma caminhada. Nas políticas públicas as tomadas 
de decisões também são cotidianas. Os atores que estão envolvidos nas tomadas de 
decisões governamentais, estão representando interesses muitas vezes diferentes. 
Conforme Secchi, 2010, “[...] representa o momento em que os interesses dos atores 
são equacionados e as intenções (objetivos e métodos) de enfrentamento de um 
problema público são explicitadas”. (SECCHI, 2010, p. 40).
As alternativas para a resolução de uma demanda são formuladas a 
partir do momento em que a mesma entra na agenda governamental, e os atores 
envolvidos poderão desenvolver diversas maneiras de comportamento durante 
esseprocesso, sendo esse um momento de tomar decisões, essenciais e inerentes 
à vida pessoal ou em sociedade e das instituições envolvidas com essas questões. 
Para Secchi (2010), a tomada de decisões apresenta-se de três maneiras:
• os tomadores de decisão já conhecem as demandas que causam os problemas e 
buscam as soluções;
IMPORTANT
E
“As escolhas feitas nesse momento são expressas em leis, decretos, normas, 
resoluções, entre outros atos da administração pública.” (LOPES; AMARAL; CALDAS, 2008, p. 
13).
188
UNIDADE 3 | O SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL E AS POLÍTICAS PÚBLICAS NO SÉCULO XXI
• os tomadores de decisão acordam os problemas e as possíveis soluções;
• os tomadores de decisão possuem os recursos para solucionar os problemas e 
buscam os mesmos através do levantamento de demandas.
Sendo essencialmente importante, primeiramente, a definição do processo 
da tomada de decisões, deliberando qual será a forma de dar continuidade ao 
processo.
Os autores Lopes, Amaral e Caldas (2008) alertam que:
Primeiramente deverá se decidir quem participará do processo, se este 
será aberto ou fechado. Caso venha a ser aberto é preciso determinar 
se haverá ou não uma consulta ampla aos beneficiários. No caso 
de se prever tal tipo de consulta (como, por exemplo, Orçamento 
Participativo), é necessário estabelecer se a decisão será ou não tomada 
por votação, as regras em torno da mesma, o número de graus (direta 
ou indireta) que envolverá a consulta que será feita aos eleitores etc. 
(LOPES, AMARAL, CALDAS, 2008, p. 13).
O que ocorre na maioria das vezes é que as demandas surgem por primeiro, 
e em seguida são tomadas providências para a elaboração das decisões, que muitas 
vezes são imediatistas, sem uma discussão aprofundada para resolver as causas 
do problema; ou então, a elaboração de mecanismo de prevenção, onde muitos 
profissionais técnicos nas diversas políticas públicas são levados a “apagar o fogo”, 
sem um processo contínuo, sendo que são analisados através de dois modelos de 
racionalidade, sendo eles:
• O de racionalidade absoluta: está baseado em decisões racionais, levando em 
consideração os custos e benefícios das ações planejadas como alternativas para 
resolver as demandas apresentadas, sendo estudadas pelos atores para que 
essas alternativas sejam as melhores.
• O de racionalidade limitada: o que se leva em questão é a grande quantidade 
de informações e alternativas, que fazem com que os atores responsáveis pelas 
tomadas de decisão tenham certas limitações. Portanto, existe um esforço para 
escolher as alternativas mais satisfatórias, e que nem sempre são as melhores. 
(SECCHI, 2010)
Existem outros modelos de tomadas de decisões, que acontecem a partir 
do incrementalismo, que ocorre em momentos onde o poder político se impõe 
às decisões técnicas. Sendo assim, o modelo incremental tem as seguintes 
características:
• as demandas, problemas e ações de solução estão em constantes mudanças em 
diversos contextos da tomada de decisão;
• as decisões que serão tomadas no momento estão relacionadas com decisões já 
tomadas anteriormente;
• os limites impostos pelas organizações e instituições formais e informais se 
TÓPICO 2 | AS POLÍTICAS PÚBLICAS E OS SEUS CICLOS DE EFETIVAÇÃO
189
tornam obstáculos para os atores envolvidos;
• o poder de decisões está vinculado aos interesses dos atores envolvidos. 
(SECCHI, 2010).
Nas políticas públicas, outros autores desenvolveram diversos conceitos 
sobre os modelos de tomadas de decisões, conforme o quadro abaixo:
 QUADRO 6 – CONCEITOS SOBRE TOMADAS DE DECISÕES
Modelos
Codições 
Cognitivas
Análise das 
alternativas
Modalidade de 
escolha
Critérios de 
decisão
Racionalidade 
absoluta Certeza
Análise completa 
e cálculos de 
consequências
Cálculo Otimização
Racionalidade
limitada Incerteza
Pesquisa 
sequencial
Comparação das 
alternativas com 
as expectativas
Satisfação
Modelo 
incremental
Parcialidade
(interesses)
Comparações
sucessivas 
limitadas
Ajuste mútuo de 
interesses
Acordo
Modelo de fluxo 
múltiplo
Ambiguidade Nenhuma
Encontro de 
soluções e 
problemas
Casual
FONTE: Adaptado de: Bobbio (2005 apud SECCHI, 2010, p. 44).
Pode-se constatar que a tomada de decisão diante de uma política pública 
precisa ser esquematizada de maneira participativa e democrática, onde todos os 
segmentos da sociedade sejam envolvidos.
190
UNIDADE 3 | O SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL E AS POLÍTICAS PÚBLICAS NO SÉCULO XXI
FIGURA 54 – POLÍTICAS PÚBLICAS PARTICIPATIVAS E DEMOCRÁTICAS
FONTE: A autora
Depois da tomada de decisões sobre as demandas, onde o que foi pensado, 
planejado, decidido e proposto, um novo ciclo das políticas públicas se inicia, que 
é o de implementação; nesse novo processo serão determinados os resultados de 
processo. Para o autor O’ Toole Jr. (2003 apud SECCHI, 2010, p. 44), “[...] a fase de 
implementação é aquela em que regras, rotinas e processos sociais são convertidos 
de intenções em ações”. 
O ciclo de implementação das políticas públicas possibilitará aos atores 
envolvidos avaliar e identificar algumas dificuldades ou erros que poderão 
aparecer nesse novo processo em todas as políticas públicas. Para Secchi (2010), 
“[...] estudar a fase de implementação também significa visualizar erros anteriores 
à tomada de decisão, a fim de detectar problemas mal formulados, objetivos mal 
traçados, otimismos exagerados”.
Nesse processo, além de identificar os obstáculos encontrados na 
implementação das políticas públicas, os atores governamentais e não 
governamentais e suas organizações também poderão ser analisados, através 
da relação entre os mesmos, do comportamento e das características, devido 
à diversidade de interesses. Outros aspectos que podem ser analisados são as 
alternativas elaboradas e os recursos financeiros, materiais, humanos, informativos 
e políticos.
Os atores públicos que estão à frente desse processo precisam levar em conta 
um outro aspecto na implementação de uma política pública, o de gerenciamento 
das atividades desenvolvidas, podendo identificar as dificuldades legais ou até 
TÓPICO 2 | AS POLÍTICAS PÚBLICAS E OS SEUS CICLOS DE EFETIVAÇÃO
191
mesmo organizacionais, os prováveis conflitos devido a interesses distintos, os 
acordos e negociações sobre a implementação da política e também estar sempre 
visando o melhor resultado para a solução dos problemas.
A implementação de uma política pública pode ocorrer através de duas 
formas:
• De cima para baixo: que significa a implementação das políticas públicas através 
das decisões tomadas pelo poder governamental para com a sociedade, ou para 
os usuários da política, essa forma acontece sem que a comunidade participe. 
• De baixo para cima: significa que a sociedade, usuários e população em 
geral participam na elaboração das políticas públicas, e se caracteriza 
pela descentralização do poder, onde o cidadão tem contato direto com a 
administração pública através da participação de todas as fases do processo.
 
 FIGURA 55 – PARTICIPAÇÃO POPULAR 
FONTE: Disponível em: <https://portogente.com.br/colunistas/edesio-
elias-lopes/o-estatuto-da-cidade-e-a-gestao-democratica-do-espaco-
urbano-44148>. Acesso em: 30 jan. 2015.
Para saber se uma política pública está tendo êxito durante ou após a sua 
implementação é necessário avaliar constantemente as ações que estão sendo 
realizadas ou se os objetivos foram alcançados de forma eficiente, eficaz e efetiva.
IMPORTANT
E
Uma avaliação das políticas públicas deve acontecer em todo o seu ciclo, não 
apenas no final.
192
UNIDADE 3 | O SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL E AS POLÍTICAS PÚBLICAS NO SÉCULO XXI
Os autores Lopes, Amaral e Caldas (2008, p. 12) definem o conceito de 
avaliação como sendo: “[...] uma fonte de aprendizado que permite ao gestor 
perceber quais ações tendem a produzir melhores resultados”.
Segundo os autores citados acima, a avaliação das políticas públicas 
possibilita à administração:
• originarinformações importantes para a elaboração de novas políticas públicas;
• realizar a prestação de contas de todas as atividades realizadas para toda a 
população;
• esclarecer as tomadas de decisões justificando assim as ações efetuadas;
• precaver e ratificar irregularidades durante o processo;
• apresentar a aplicabilidade dos recursos delimitados diante das excessivas e 
ilimitadas demandas;
• identificar as dificuldades impostas na implantação de um programa nas 
políticas públicas;
• incentivar o diálogo coletivo entre os atores envolvidos no processo;
• provocar a cooperação entre os atores envolvidos no processo.
A avaliação de uma política pública tem uma grande importância diante 
do processo, pois as ações que foram desenvolvidas de uma forma ou outra 
criaram certo impacto na sociedade, e então avaliá-las se torna um mecanismo de 
fortalecimento e aprendizado para todos os atores envolvidos.
É importante que a fase de avaliação seja coerente com os objetivos 
propostos, pois é a partir dela que se pode concluir qual resultado se está tendo 
perante a resolução das demandas apresentadas, pois é a partir do processo 
avaliativo que poderá ocorrer nova reformulação de uma política pública, ou até 
mesmo a sua extinção. 
Como já vimos anteriormente, as políticas públicas são contextualizadas 
diante de um ciclo, e que, independente de qual for sua origem, todo ele está 
situado em um período de tempo, que inicia, se desenvolve, se finda. Os ciclos das 
políticas públicas podem ser comparados com os ciclos da vida do ser humano: 
nasce, cresce, desenvolve-se e acaba morrendo, pois da mesma forma as políticas 
são concretizadas, se desenvolvem e são postas em prática, e quando não tiverem 
mais a demanda específica para atender, acabam sendo extintas.
TÓPICO 2 | AS POLÍTICAS PÚBLICAS E OS SEUS CICLOS DE EFETIVAÇÃO
193
 FIGURA 56 – CICLO DA VIDA
FONTE: Disponível em: <https://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=&esrc=s&
source=images&cd=&ved=0CAYQjB0&url=http%3A%2F%2Fnutricaoeciclosdavida.
blogspot.com%2F&ei=1bvLVNKoDouaNrf6g5AM&bvm=bv.84607526,d.eXY&psig=
AFQjCNFgMckrJRjHAdTwCQAa_a7kVaYlWw&ust=1422724344677166>. Acesso em: 
30 jan. 2015.
A extinção de uma política pública não acontece sem um porquê, ou 
simplesmente por acabar, sempre terá uma causa, que segundo Giuliani (2005 
apud SECCHI, 2010) está sintetizada em três alternativas fundamentais:
• A demanda que culminou em um problema público foi resolvida com a 
implementação da política pública.
• Através da avaliação foi diagnosticado que as ações, metodologias, instrumentos 
utilizados nas políticas públicas foram ineficazes.
• Mesmo que uma demanda não tenha sido resolvida, acaba perdendo a ênfase de 
importância das agendas políticas e formais.
Além das alternativas acima apresentadas, que podem trazer a extinção de 
uma política pública, o autor Secchi (2010) afirma que um determinado momento 
histórico no qual uma sociedade se encontra – como, por exemplo: reformas 
políticas, mandatos, orçamento – contribui para colocar fim a uma determinada 
política pública, ou sendo trocada.
A extinção de uma política pública, após sua implementação, não é uma 
tarefa fácil para os seus gestores, pois normalmente encontra-se muita resistência 
por parte da população beneficiada, que já está habituada ou então se tornou 
dependente da mesma, e por parte da sociedade que após aceita-la e defende-la 
194
UNIDADE 3 | O SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL E AS POLÍTICAS PÚBLICAS NO SÉCULO XXI
em muitos casos, e das dificuldades legais, pois existem os recursos destinados 
para a implementação das políticas públicas.
A dificuldade que se tem em extinguir uma política pública ocorre não 
apenas no setor governamental, sendo que a sociedade como um todo pode se 
fortalecer através das organizações não governamentais e continuar atuando na 
defesa das causas. Um exemplo a ser citado: um governo municipal, através das 
demandas ambientais, cria uma política pública de recuperação da mata ciliar dos 
rios e ribeirões que estão localizados no contexto geográfico local, após todo o ciclo 
de efetivação desta política percebe-se que o problema foi solucionado, através 
de parcerias com outros atores políticos governamentais e não governamentais, 
então pode-se extinguir a política, mas uma organização não governamental 
ambientalista pode continuar atuando em defesa da continuidade de preservação 
e recuperação da mata ciliar, e tendo ainda como parceiro o poder público.
 
Novamente, citando Secchi (2010), o autor afirma que: “[...] as políticas 
públicas, após um período de maturação, institucionalizam-se e criam vida 
própria. Não são raros os casos em que uma política pública continua viva mesmo 
depois que o problema que a gerara já tenha sumido.” (SECCHI, 2010, p. 54).
 
Ao chegar à fase de extinção das políticas públicas encerra-se o ciclo de 
formulação das mesmas.
LEITURA COMPLEMENTAR
A AVALIAÇÃO NO CICLO DE GESTÃO PÚBLICA
Maria das Graças Rua
O conceito de avaliação das ações governamentais, assim como o de 
planejamento, surge com as transformações no papel do Estado, especialmente devido 
ao esforço de reconstrução após a Segunda Guerra, à adoção de políticas sociais e à 
consequente necessidade de analisar os custos e as vantagens de suas intervenções. 
Mais recentemente, no âmbito do grande processo de mudança das relações entre o 
Estado e a sociedade e da reforma da administração pública, que passa do primado 
dos processos para a priorização dos resultados, a avaliação assume a condição de 
instrumento estratégico em todo o ciclo da gestão pública (KETTL, 2000). 
DICAS
Assista ao filme: Treze dias que abalaram o mundo, com o autor Kevin Costner, 
que discute a crise dos mísseis cubanos.
TÓPICO 2 | AS POLÍTICAS PÚBLICAS E OS SEUS CICLOS DE EFETIVAÇÃO
195
Segundo Guba & Lincoln (1990), a trajetória histórica dos processos de avaliação 
passa de um primeiro estágio, centrado na medida dos fenômenos analisados, para 
a focalização das formas de atingir resultados, evoluindo para um julgamento das 
intervenções e, finalmente, tendendo a constituir “um processo de negociação entre 
os atores envolvidos na intervenção a ser avaliada” (CONSTANDRIOPOULOS, 1997). 
O termo “avaliação” é amplamente usado em muitos e diversos contextos, 
sempre se referindo a julgamentos. Por exemplo, se vamos ao cinema ou ao teatro, 
formamos uma opinião pessoal sobre o que vimos, considerando satisfatório ou não. 
Quando assistimos a um jogo de futebol, formamos opinião sobre as habilidades 
dos jogadores. E assim por diante. Estes são julgamentos informais que efetuamos 
cotidianamente sobre todos os aspectos das nossas vidas. Porém, há avaliações muito 
mais rigorosas e formais, envolvendo julgamentos detalhados e criteriosos, sobre a 
consecução de metas, por exemplo, em programas de redução da exclusão social, 
melhoria da saúde dos idosos, prevenção da delinquência juvenil ou diminuição 
de infecções hospitalares. Essas correspondem à avaliação formal, que é o exame 
sistemático de certos objetos, baseado em procedimentos científicos de coleta e análise 
de informação sobre o conteúdo, estrutura, processo, resultados e/ou impactos de 
políticas, programas, projetos ou quaisquer intervenções planejadas na realidade 
(RUA, 2000).
As definições de avaliação são muitas, mas um aspecto consensual é a sua 
característica de atribuição de valor. A decisão de aplicar recursos em uma ação pública 
sugere o reconhecimento do valor de seus objetivos pela sociedade, sendo assim, sua 
avaliação deve “verificar o cumprimento de objetivos e validar continuamente o valor 
social incorporado ao cumprimento desses objetivos” (MOKATE, 2002).
A avaliação representa um potente instrumento de gestão, na medida em 
que pode – e deve – ser utilizada durante todo o ciclo da gestão, subsidiando desde 
o planejamento e formulação de uma intervenção, o acompanhamento de sua 
implementação, os consequentes ajustes a serem adotados, e até asdecisões sobre sua 
manutenção, aperfeiçoamento, mudança de rumo ou interrupção.
Além disso, a avaliação pode contribuir para a viabilização de todas as 
atividades de controle interno, externo, por instituições públicas e pela sociedade, 
levando maior transparência e accountability às ações de governo. Por isso, Mokate 
(2002) defende que uma das características-chave da avaliação deve ser sua integração 
a todo o ciclo de gestão, desenvolvendo-se simultaneamente a ele, desde o momento 
inicial da identificação do problema. 
Além dos objetivos relacionados à eficiência e eficácia dos processos de 
gestão pública, a avaliação é decisiva para o processo de aprendizagem institucional e 
também contribuiria para a busca e obtenção de ganhos das ações governamentais em 
termos de satisfação dos usuários e de legitimidade social e política. Por essas e outras 
razões, tem sido ressaltada a importância dos processos de avaliação para a reforma 
das políticas públicas, modernização e democratização da gestão pública.
Nos países desenvolvidos os processos de avaliação de políticas vêm se 
tornando crescentemente institucionalizados. Isso exige o empenho das estruturas 
196
UNIDADE 3 | O SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL E AS POLÍTICAS PÚBLICAS NO SÉCULO XXI
político-governamentais na adoção da avaliação como prática regular e sistemática 
de suas ações, na regulação das práticas avaliativas e no fomento de uma cultura de 
avaliação integrada aos processos gerenciais (HARTZ, 2001). 
No Brasil, a importância da avaliação das políticas públicas é reconhecida em 
documentos oficiais e científicos, mas esse reconhecimento formal ainda não se traduz 
em processos de avaliação sistemáticos e consistentes que subsidiem a gestão pública 
(HARTZ; POUVOURVILLE, 1998).
Esse consenso no plano do discurso não produz automaticamente a apropriação 
dos processos de avaliação como ferramentas de gestão, pois frequentemente a 
tendência é percebê-los como um dever, ou até mesmo como uma ameaça, impostos 
pelo governo federal ou por organismos financiadores internacionais.
Mokate (2002) identifica algumas das possíveis razões pelas quais a avaliação 
não seria facilmente integrada ao ciclo de gestão:
(1) Os paradigmas gerenciais dificultam a apropriação da avaliação pelas equipes 
de gestão, na medida em que focalizam mais as atividades e processos do que os 
resultados, não valorizando a explicitação de metas e objetivos, e a responsabilização 
pelo seu alcance; 
(2) As aplicações convencionais dos processos de monitoramento e avaliação têm se 
realizado de tal maneira que não têm induzido sua percepção como aliados do 
processo de gestão, cabendo frequentemente apenas aos avaliadores externos e 
assumindo o aspecto de fiscalização, auditoria ou controle, cujos resultados não 
costumam ser utilizados no processo decisório e gerencial.
(3) A complexidade dos objetivos e a adoção de estratégias e tecnologias diferenciadas, 
que não necessariamente conduzem ao mesmo resultado, dificultam a avaliação 
das intervenções. A sensibilidade dos problemas sociais a múltiplas variáveis faz 
com que a seleção de estratégias para seu enfrentamento se baseie em hipóteses 
de relações causais. É particularmente difícil atribuir, através da avaliação, as 
mudanças observadas a uma intervenção específica operada sobre um problema, 
até porque, frequentemente, os efeitos de algumas intervenções só se evidenciam 
no longo prazo. 
A avaliação tem constituído uma estratégia de mudança do paradigma 
gerencial. Sob o ponto de vista da gerência social, as políticas devem ser avaliadas 
pelo cumprimento de seus objetivos e os gerentes devem ter incentivos naturais para 
utilizar informação no acompanhamento de seu desempenho em relação a esses 
objetivos.
 
Mokate (2002) aponta quatro desafios prioritários para construir um processo 
de avaliação aliado à gerência social: 
1. A definição de um marco conceitual da intervenção que se pretende avaliar, 
indicando claramente objetivos, resultados e as supostas relações causais que 
orientam a intervenção, pois quando não se sabe onde e como se quer chegar, torna-
TÓPICO 2 | AS POLÍTICAS PÚBLICAS E OS SEUS CICLOS DE EFETIVAÇÃO
197
se muito difícil avaliar nosso desempenho.
2. A superação da brecha entre o “quantitativo” e o “qualitativo” na definição de 
metas e objetivos e na própria avaliação, gerando complementaridade e sinergia 
entre eles.
3. A identificação e pactuação de indicadores e informações relevantes, levando em 
conta o marco conceitual e as diversas perspectivas e interesses dos atores envolvidos.
4. A definição e manejo efetivo de fluxos da informação gerada pelo processo avaliativo 
e a introdução de estratégias de incentivos que promovam o uso dessa informação.
 
Para uma cultura gerencial que incorpore uso efetivo da avaliação ao ciclo de 
gestão, Mokate (2002) aponta algumas condições: 
a) incentivar a flexibilidade e a inovação como mecanismos para assegurar o alcance 
de objetivos máximos desejados e tolerar o erro para promover ajustes e mudança 
de opções; 
b) permitir que, dentro da organização, os que têm a informação possam fazer uso 
dela, inclusive disseminá-la, em função dos objetivos pretendidos; 
c) definir “valores objetivos” e “valores de referência” que facilitem a interpretação da 
informação;
d) adotar incentivos organizacionais e gerenciais que favoreçam o uso da informação 
(premiação ou reconhecimento por mérito ou alcance de resultados);
e) estabelecer mecanismos de ajuste para realocação de recursos humanos, físicos e 
financeiros, redefinição de estratégias operativas e modificações nos produtos e 
serviços para alcançar os objetivos desejados; 
f) vincular os indicadores ou informações com os processos decisórios; 
g) especificar “pontos de decisão”, fixando prazos e “valores objetivos” para alguns 
indicadores;
h) comprometer os gestores e suas equipes com o alcance de metas através de pactos e 
contratos de gestão ou desempenho. 
A avaliação de desempenho constitui um importante instrumento para a 
gestão das intervenções, mas a falta de acordo sobre como medir esse desempenho 
ainda é um desafio. Como o desempenho refere-se ao grau de alcance dos objetivos 
e os países definem diferentes objetivos, metas e dimensões de desempenho nas 
suas avaliações, muitas vezes torna-se difícil fazer análises comparativas. Esse tipo 
de avaliação deveria focalizar fundamentalmente qualidade, eficiência e equidade, 
mas as experiências internacionais de avaliação de desempenho enfocam de maneira 
desigual essas dimensões. Nos países da OCDE (Organização para a Cooperação e 
Desenvolvimento Econômico) predominam análises sobre a melhoria de resultados e 
sobre a “responsabilidade”. Apesar das recomendações de organismos internacionais, 
no sentido de que a equidade seja uma dimensão transversal de todas as avaliações 
de desempenho, especialmente no caso das intervenções de natureza social, ainda são 
poucas as experiências que consolidaram o exame desta dimensão.
FONTE: Disponível em: <http://www.enap.gov.br/downloads/ec43ea4fIndicadores_
desmistificacao_problema_1.pdf>. Acesso em: 2 fev. 2015.
198
Caro(a) acadêmico(a), nesse tópico foi possível você estudar sobre:
• Compreender cada ciclo da implementação das políticas públicas.
• Primeira fase do ciclo acontece através de uma “agenda de política pública”, 
que incide em uma classificação de prioridades preestabelecidas, onde gestores 
públicos estabelecem as prioridades a serem implementadas.
• Existem várias formas utilizadas para o significado das “agendas”, como, por 
exemplo: “agendas da sociedade”, “agendas de governo” e/ou “agendas de 
Estados”.
• O termo “agendas da sociedade” pode-se considerar como sendo uma agenda 
sistêmica, pois faz referência a um conjunto de questões que interessam tanto ao 
poder público como à sociedade civil.
• Em um governo pode-se ainda ter as “agendas de decisões”, que são deliberações 
tomadas em médio e curto prazo, e que podem envolver nãosó o Poder 
Executivo, mas também o Legislativo e o Judiciário.
• Na elaboração das agendas, em todas as suas categorias ela é influenciada 
por atores que representam algum setor de interesse governamental e não 
governamental.
• Com relação aos atores, existe ainda uma subdivisão: Atores visíveis e Atores 
invisíveis.
• Uma melhor compreensão das metodologias utilizadas na elaboração das 
agendas só ocorrerá se forem analisados alguns aspectos referentes às demandas 
da sociedade na sua totalidade.
• Existem, nas agendas das políticas, três conceitos sobre demandas: Demandas 
novas, Demandas recorrentes, Demandas reprimidas.
• A tomada de decisões apresenta-se de três maneiras: os tomadores de decisão 
já conhecem as demandas que causam os problemas e buscam as soluções; 
os tomadores de decisão acordam os problemas e as possíveis soluções; os 
tomadores de decisão possuem os recursos para solucionar os problemas e 
buscam os mesmos através do levantamento de demandas.
• A implementação de uma política pública pode ocorrer através de duas formas: 
De cima para baixo e De baixo para cima.
RESUMO DO TÓPICO 2
199
• Avaliar constantemente as ações que estão sendo realizadas ou se os objetivos 
foram alcançados de forma eficiente, eficaz e efetiva.
• Na fase de avaliação, seja coerente com os objetivos propostos, pois é a partir 
dela que pode-se concluir qual resultado se está tendo perante a resolução das 
demandas apresentadas.
• A extinção de uma política pública não acontece sem um porquê, ou 
simplesmente por acabar, sempre terá uma causa, que está sintetizada em três 
alternativas fundamentais: a demanda que culminou em um problema público 
foi resolvida com a implementação da política pública; através da avaliação foi 
diagnosticado que as ações, metodologias, instrumentos utilizados nas políticas 
públicas foram ineficazes; mesmo que uma demanda não tenha sido resolvida, 
acaba perdendo a ênfase de importância das agendas políticas e formais.
• A dificuldade que se tem em extinguir uma política pública ocorre não apenas 
no setor governamental, sendo que a sociedade como um todo pode se fortalecer 
através das organizações não governamentais e continuar atuando na defesa 
das causas.
200
AUTOATIVIDADE
1 Além dos exemplos citados no conteúdo desde caderno, pesquise e 
contextualize sobre as demandas reprimidas na área das políticas públicas, 
no contexto social. 
2 Converse com um profissional do Serviço Social sobre a implementação de 
alguma política pública em seu município, verificando se todos os processos 
do ciclo de implementação foram praticados. Traga os resultados de sua 
conversa para a sala de aula e discuta com seus colegas e com seu tutor ou 
sua tutora.
201
TÓPICO 3
AS POLÍTICAS SOCIAIS BRASILEIRAS E SUAS 
DIMENS ÕES HISTÓRICAS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
No Tópico 3 desta unidade de ensino abordaremos as políticas sociais 
e suas dimensões históricas, tendo como apoio para as reflexões históricas as 
configurações pelas quais o Estado brasileiro consegue enfrentar as demandas 
sociais na atual conjuntura.
Esse tópico trará a historicidade das questões sociais que serão abordadas. 
Apesar de ser um tanto teórico, se faz necessário ter um olhar histórico para poder 
compreender como aconteceu o desenvolvimento das políticas sociais no sistema 
capitalista e a forma como as mesmas foram institucionalizadas. Além de conhecer 
o processo de efetivação das políticas públicas sociais, também deve-se conhecer a 
caminhada histórica das instituições sociais.
Como foi apresentado no tópico anterior, nenhuma política pública nasce 
pronta ou que não possa sofrer algumas mudanças, é assim também com as 
instituições. Ambas são decorrentes de interesses da sociedade em todos os seus 
segmentos. Interesses esses que são antagônicos na sua grande maioria.
O objetivo desse tópico é convidá-lo(a) a conhecer não somente os fatos 
históricos, porém todo o processo de articulação entre os fatores políticos, culturais 
e sociais dos quais depende a implementação de uma política pública.
2 O ESTADO E AS CORRELAÇÕES HISTÓRICAS 
ENTRE AS DEMANDAS SOCIAIS
A atual conjuntura econômica mundial, fundamentada no sistema 
capitalista, traz como principais demandas sociais a questão da pobreza, da 
exclusão e também a questão da cidadania como direito adquirido, sendo que 
estão em destaque nas agendas políticas das organizações governamentais e não 
governamentais, como, por exemplo, a Organização das Nações Unidas (ONU), e 
também as agências de fomento, a exemplo do Banco Mundial.
Essas demandas eram consideradas como problemas sociais decorrentes 
do crescimento econômico, pois o pensamento era que a distribuição de renda 
UNIDADE 3 | O SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL E AS POLÍTICAS PÚBLICAS NO SÉCULO XXI
202
e de riqueza aconteceria de forma automática juntamente com o aumento das 
taxas econômicas. A partir dos anos de 1970 essa realidade não se concretizava, 
forçando algumas agências de fomento, onde são geradas as políticas voltadas ao 
interesse do capitalismo, a incluir em suas agendas políticas programas e projetos 
enfatizando as questões sociais.
No Brasil, essas mazelas do capitalismo e o aumento significativo de 
outras vêm ganhando espaço na discussão em todas as classes sociais, inclusive 
da chamada elite brasileira. Um exemplo é a ênfase que a violência urbana vem 
ganhando nos diversos segmentos da sociedade e nos meios de comunicação. 
Como sendo um país em desenvolvimento, o foco das análises das 
demandas apresentadas tem sido analisado da pobreza, em toda sua exatidão, 
para a questão da desigualdade social. 
 FIGURA 57 – DESIGUALDADE SOCIAL
FONTE: Disponível em: <http://www.diarioliberdade.org/brasil/
batalha-de-ideias/38303-rela%C3%A7%C3%B5es-%C3%A9tnico-raciais,-
educa%C3%A7%C3%A3o-e-explora%C3%A7%C3%A3o-capitalista-no-brasil-
reflex%C3%B5es-introdut%C3%B3rias.html>. Acesso em: 2 fev. 2015.
A diferença entre pobreza e desigualdade acontece devido ao fato de a 
primeira estar sempre na qualidade que afeta o ser humano na sua individualidade, 
e a desigualdade atinge a população de forma conjunta.
IMPORTANT
E
POBREZA: é a condição de indivíduos ou de um grupo.
DESIGUALDADE: é a forma como acontece a distribuição da riqueza.
TÓPICO 3 | AS POLÍTICAS SOCIAIS BRASILEIRAS E SUAS DIMENS ÕES HISTÓRICAS
203
A pobreza pode ser caracterizada e definida como a “escassez de renda”, e 
para medir suas interferências sobre a sociedade são utilizados indicadores, como: 
Produto Interno Bruto (PIB), renda per capita de cada país, estado, cidade ou núcleo 
familiar.
Esses indicadores são utilizados em diversos países, como o Brasil, na 
elaboração de programas e projetos de combate à pobreza, miséria e fome. Onde 
são criados critérios para estabelecer o que é pobreza absoluta. Santos (2009) define 
pobreza absoluta como:
Situação na qual a renda dos indivíduos ou famílias está abaixo do 
valor considerado mínimo para satisfação de necessidades essenciais – 
alimentação, habitação etc. (SANTOS, 2009, p. 19).
Sendo assim, pode-se definir uma linha de pobreza através do valor da 
renda, tanto individual como familiar, que consiga garantir as necessidades 
básicas, como alimentação, vestuário, educação, habitação, saúde, entre outras. As 
pessoas que possuem renda que está abaixo de custear essas necessidades básicas 
são consideradas pobres e, ainda, aquelas em que o rendimento é ainda menor, são 
de extrema pobreza.
Para Rocha (2008), estabelecer o valor e o custo das necessidades básicas 
que não são alimentares é muito complexo, devido à alteração entre diversos 
contextos sociais, culturais e políticos, variando também os valores monetários de 
uma realidade com a outra. Sendo assim, uma linha de pobreza absoluta estaria 
fundamentada em critérios relativos.
O conceito de pobreza relativa passou a ser utilizado em virtude da 
complexidade que envolve o conceito de pobreza absoluta. A linha de pobreza 
relativa considera o