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ROBSON ANTONIO VIANA ROSA QUEIROZ Decaimento do Múon Londrina 2018 1. Introdução Por muito tempo acreditou-se sob a suposição de que o tempo era absoluto, isto é, que um evento que acontece em um determinado momento no tempo de referência de uma pessoa deveria acontecer no mesmo momento para outra pessoa, não importando onde eles são ou o que estão fazendo. Por volta do século XX Hendrik Lorentz e Albert Einstein observaram que a velocidade da luz parecia ser independente de seu referencial, ou seja, a luz sempre se move com a mesma velocidade, mesmo que a velocidade de sua fonte mude (segundo postulado de Einstein). Como conseqüência desse postulado, a ideia de simultaneidade e até o próprio tempo entraram em questão. Em particular, as pessoas começaram a considerar a idéia da Dilatação Temporal: o tempo que ocorre entre dois eventos depende da velocidade do observador em relação aos eventos. Na teoria da relatividade, a dilatação do tempo é entendida como a passagem maior do tempo para um observador em movimento quando comparada à passagem do tempo para um observador em repouso, ambos em relação a um evento comum, mostrando que o tempo não é algo absoluto, mas sim relativo, pois depende da velocidade relativa entre dois observadores. Sua expressão matemática é dada por: ∆𝑡 = 𝛾∆𝑡 ′ (1) Onde Δt’ é o tempo próprio, Δt é o tempo dilatado e 𝛾 é o fator de Lorentz que é uma constante que pode depender da velociadade do observador e da velocidade da luz (c). Onde 𝛾 é dado por: 𝛾 = 1 √1 − 𝑣2 𝑐2 (2) Um fenômeno associado à dilatação dos tempos é o da contração das distâncias. O comprimento de um objeto no referencial em que o objeto está em repouso é conhcecido como comprimento próprio e representado por L’. Ja no referencial no qual o objeto está se movendo, o comprimento (L) na direção do movimento é sempre menor que o comprimento próprio. A sua definição matemática é dada por: 𝐿 = 𝐿′ 𝛾 (3) 1.2. Múon Um exemplo interresante da dilatação dos tempos e da contração das distâncias esta relacionado aos múons que se formam na atmosfera a partir dos raios cósmicos. Os múons decaem de acordo com a lei estatística da radioatividade: 𝑁(𝑡) = 𝑁0𝑒 −(𝑡/𝜏) (4) Em que N0 é o número de múons no instante t = 0, N(t) é o número de múons no instante t e 𝜏 é o tempo médio de vida (um intervalo de tempo próprio). Muons são partículas subatômicas indescritíveis que são criadas quando os raios cósmicos atingem as moléculas de ar na alta atmosfera. Muons são altamente instáveis e, quando produzidos no laboratório na Terra, decaem com uma meia vida de 2,2 x 10-6 s. 1.3. Experimento de Rossi-Hall No experimento original, o fluxo de múons foi medido a cerca de 2000 m de altitude perto do topo do Monte Washington, em New Hampshire, e também na base da montanha. Muons estão constantemente decaindo enquanto viajam para a Terra com a meia-vida mencionada acima. Portanto, se sabemos quantos múons estão sendo detectados no topo da montanha, a meia-vida do múon facilita bastante a previsão de quantos múons devem atingir a base da montanha a menos de 2000 m. Rossi e Hall descobriram que o fluxo de múons na base da montanha era muito mais alto do que o esperado, sugerindo que esses múons estavam vivendo mais tempo. Quando a relação de dilatação do tempo foi aplicada, o resultado poderia ser explicado se os múons estivessem viajando a 0,995c. 2. Objetivos Por meio de uma simulação determinar o tempo dilatado de vida do múon (𝛥𝑡′). 3. Metodologia Utilizando-se da teoria da relatividade restrita das equações da dilatação do tempo e contração do espaço, equações (1) e (3), respectivamente e sabendo que o múon viaja a uma velociade de 0,995c e seu tempo de decaimento (Δt’) é de 2,2 µs, temos que; ∆𝑡 = 𝛾∆𝑡′ = 22,5 µ𝑠 No nosso referencial o múon tem um tempo de decaimento de 2,2 µs e isso mostra que ele percorreria aproximadamente 656m apenas, mas utilizando-se da teoria da relatividade restrita e vendo que o tempo do múon é dilatado para 22,5 µs, ele consegue percorrer aproximadamente 6000m antes de decair. 4. Procedimento experimental Utilizou-se do site <http://kcvs.ca/concrete/visualizations/special-relativity>, “Muon Decay”, para simular a detecção de múons que chegavam a superfície da Terra. Prática 1 Primeiramente foi feita a simulação em uma montanha de altitude de 2000m, e a cada 100m de altura foi-se coletado os dados de quantos múons eram detectados. Ao final montou-se uma Tabela 1 com os dados da distância viajada, o fluxo de múons e seus respectivos tempos para cada altura. Em seguida montou-se um gráfico (Figura 1) de Múons x Tempo. Em seguida fez-se uma analise no gráfico para determinar o tempo dilatado de decaimento do múon. Prática 2 Nesta prática repetiu-se todo o procedimento da prática 1, só que agora feito na atmosfera com uma altitude de 60 km e a cada 2 km coletou-se os dados de quantos múons eram detectados. Ao final montou-se uma Tabela 2 com os dados da distância viajada, o fluxo de múons e seus respectivos tempos para cada altura. Em seguida montou-se um grafico (Figura 2) de Múons x Tempo. Em seguida fez se uma analise do gráfico para determinar o tempo dilatado de decaimento do múon. 5. Resultados e Discussões Prática 1 Tabela 1 – Tabela referente à detecção do múon em uma montanha com sua distância viajada, o número de múons detectado, o tempo referente a cada altura e a linearização com o logaritmo natural do numero de múons (Ln(N)). Em seguida montou-se um gráfico de Ln(N) x Tempo Distância Viajada (m) Múons Tempo (s) Ln (Número de Múons) 0 1001,24 0 6,908994511 98 987,56 3,28638E-07 6,895237254 196 978,4 6,57277E-07 6,885918584 301 966,9 1,00939E-06 6,874095077 392 955,26 1,31455E-06 6,861983555 497 941,16 1,66667E-06 6,847113157 595 936,04 1,99531E-06 6,841658211 700 920,57 2,34742E-06 6,824993043 798 912,18 2,67606E-06 6,815837339 896,67 900,28 3,00694E-06 6,802705826 994,67 891,16 3,33558E-06 6,792523985 1092,33 880,35 3,66308E-06 6,780319556 1204,33 868,74 4,03867E-06 6,767043886 1294,67 863,47 4,34162E-06 6,760959155 1405,33 850,94 4,71271E-06 6,746341621 1503 840,23 5,04024E-06 6,733675664 1601 831,2 5,36888E-06 6,72287044 1796,67 813,66 6,02505E-06 6,701542588 1901 802,94 6,37492E-06 6,688279991 2000 796,36 6,70691E-06 6,680051345 Figura 1 - Gráfico linearizado do logaritmo natural do número de múons por tempo. Linearizando a equação (4), temos; ln 𝑁 = ln 𝑁0 − 𝑡 𝜏 (5) Comparando a equação linearizada, equação (5), com a equação da reta da Figura 1, temos que; ln(𝑁) = 𝑌 ln(𝑁0) − 𝑡 𝜏 = 𝐴 + 𝐵 ∗ 𝑋 Logo, 𝐵 = − 1 𝜏 Portanto, 𝜏 = − 1 𝐵 = − 1 −34236,47 𝜏 = 25,2 𝜇𝑠 ± 0,2 µ𝑠 Pelo gráfico da montanha determinamos o tempo dilatado do múon no seu referencial vemos que esse valor é aproximadamente 11,6 vezes maior que o tempo observado de decaimento do múon. Que por sua vez é um valor muito aproximado do valor obtido na metodologia pela equação (1). Prática 2 Tabela 2 – Tabela referente à detecção do múon na atmosfera com sua distânciaviajada, o número de múons detectado e o tempo referente a cada altura. A partir da Tabela 2, montou-se um gráfico de Múon x Tempo Distância Viajada (m) Múons Tempo do muon (s) 0 1002,62 3,34207E-06 2100 785,11 2,61703E-06 3900 638,88 2,1296E-06 6000 499,4 1,66467E-06 7800 404,4 0,000001348 10040 311,57 1,03857E-06 11990 252,82 8,42733E-07 14080 194,72 6,49067E-07 16010 156,42 5,214E-07 17960 125,19 4,173E-07 19890 100,7 3,35667E-07 21540 83,43 2,781E-07 23940 64,43 2,14767E-07 26010 48,85 1,62833E-07 28110 37,86 1,262E-07 30060 32,35 1,07833E-07 32010 26,1 0,000000087 33950 20,68 6,89333E-08 35900 14,38 4,79333E-08 37990 10,87 3,62333E-08 40080 11,12 3,70667E-08 41870 8,67 2,89E-08 43960 5,45 1,81667E-08 45910 5,87 1,95667E-08 48000 4,07 1,35667E-08 49940 3,86 1,28667E-08 52040 0,39 1,3E-09 53990 0,55 1,83333E-09 55940 2,9 9,66667E-09 58040 2,41 8,03333E-09 60000 2,17 7,23333E-09 Figura 2 - Gráfico de número de múons por tempo na atmosfera com altura máxima de 60 km. Comparando a equação obtida no gráfico com a equação (4), temos que; 𝑁 = 𝑌 𝑁0𝑒 −(𝑡/𝜏) = 𝑌0 + 𝐴1 ∗ 𝑒 −(𝑥−𝑥0)/𝑡1 Logo, 𝜏 = 𝑡1 = 20 ∗ 10−6 ± 0,059 ∗ 10−6 Portanto, obtivemos pelo gráfico (Figura 2) que o tempo dilatado do Múon é de 20 µs, sendo assim um valor muito próximo do esperado obtido na metodologia pela equação (1). Mostrando que o múon chega à superfície da Terra antes de decair, sendo o seu tempo obtido pelo gráfico 9,1 vezes maior que o tempo de decaimento que nos observamos. 6. Conclusões De acordo com os resultados obtidos na prática 1 de que o tempo médio dilatado de vida do múon é de 25 µs. E o resultado obtido na prática 2 sobre o tempo médio dilatado de vida do múon é de 20 µs. Sendo eles valores coerentes com o tempo dilatado obtido pela equação (1) de 22,5 µs, reafirmando a validade da teoria da relatividade restrita. Portanto com base nos cálculos apresentados, o fato de o múon ser detectado antes de decair é explicado pela dilatação temporal e contração das distancias da teoria da relatividade restrita. 7. Referências TIPLER, Paul A.; LEWELLYN, Ralph. Relatividade I. in: Física Moderna Editora GEN. 6ª edição. Rio de Janeiro 2017. (p. 1 – 26). CAMPOS, Anderson.; CHIAPERINI, Artur.; CONSALTER, Daniel. “Medida da vida média do múon”. Disponível em: <http://sbfisica.org.br/rbef/pdf/324502.pdf>. Acesso em Abril de 2019. KCVS, “Decaimento do Múon e o experimento de Rossi-Hall”. Disponível em: <http://www.kcvs.ca/site/projects/physics_files/specialRelativity/muonDecay/resource s/background.html>. Acesso em Abril de 2019.